UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CAMPUS SOBRAL
CURSO DE ENGENHARIA ELÉTRICA
RELATÓRIO TÉCNICO
Disciplina: Instrumentação, Medidas e Instalações Elétricas
Professor: Adson Bezerra Moreira
PRÁTICA 03: Circuitos com Cargas Resistivas Indutivas e Capacitivas
Luis Felipe Carneiro de Sousa – 495074
Paulo Afonso do Rego Fernandes Junior – 494226
Paulyran Calisto Alves – 433933
SOBRAL
2022
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 3
2 OBJETIVOS ........................................................................................................... 6
3 Materiais ................................................................................................................. 6
4 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL ................................................................ 7
4.1 Circuito CA com resistor ....................................................................................... 7
4.1.1 Questionamentos .................................................................................................... 7
4.2 Circuito CA com Indutor ....................................................................................... 8
4.2.1 Questionamentos .................................................................................................... 9
4.3 Circuito CA com Capacitor ................................................................................. 10
4.3.1 Questionamentos .................................................................................................. 11
4.4 Circuito CA RLC Série ........................................................................................ 12
4.4.1 Questionamentos .................................................................................................. 13
4.5 Circuito CA RLC Paralelo ................................................................................... 15
4.5.1 Questionamentos .................................................................................................. 16
5 CONCLUSÃO ...................................................................................................... 19
REFERÊNCIAS ................................................................................................... 20
1 INTRODUÇÃO
Na rede elétrica, existem essencialmente 3 tipos de cargas elétricas: resistivas,
indutivas e capacitivas. Essa identificação está intimamente associada ao fator de potência, que
determina se a energia elétrica recebida é o bastante para o uso diário, seja em residência ou
empresa.
Há circuitos de corrente alternada que contêm apenas resistência, como, por
exemplo, lâmpadas incandescentes e aquecedores. Esses componentes são modelados por
resistores. Nesse tipo de circuito, a tensão e a corrente estão em fase.
Figura 1 - Formas de onda da tensão e da corrente
alternada em um circuito somente com carga resistiva
Fonte: SILVA FILHO (2013).
As cargas indutivas, geralmente utilizadas em motores e transformadores, criam
campos magnéticos pelas bobinas existentes nos equipamentos que estão ligados a ela,
produzindo potência reativa com onda de corrente atrasada em relação à tensão. O fator de
potência, neste caso, é zero. Em um circuito com teórico com indutância pura, ao qual foi
aplicada uma tensão alternada senoidal, não haverá corrente até a tensão atingir seu valor
máximo.
3
Figura 2 - Formas de onda da tensão e da corrente em
um circuito indutivo puro
Fonte: SILVA FILHO (2013).
As cargas capacitivas, utilizadas em banco de capacitores, lâmpadas fluorescentes
e computadores, criam campos elétricos pelos capacitores existentes nestas cargas. Por isso,
provoca atraso na tensão e também possui fator de potência zero. De maneira simplificada, o
fator de potência resulta da razão entre a potência ativa (energia utilizada em um equipamento)
e potência aparente (que indica a suficiência da energia em questão).
Conhecer o fator de potência é importante para que haja maior segurança e
economia no ambiente, evitando que máquinas, ferramentas, eletrodomésticos e outros
aparelhos queimem ou apresentem problemas.
Figura 3 - Defasagem entre a corrente e a tensão
alternada em um circuito capacitivo puro
Fonte: SILVA FILHO (2013).
4
Em um circuito que contém resistência e capacitância, o ângulo de defasagem entre
corrente e tensão é algum valor entre 0º e 90º, dependendo dos valores da resistência e da
capacitância envolvidos.
Em capacitores e indutores, a reatância é um número imaginário e são chamados
respectivamente de reatância capacitiva e reatância indutiva.
A reatância capacitiva é dada por:
1
𝑋𝐶 = (1)
𝜔𝐶
Onde 𝐶 é a capacitância e 𝜔 é a frequência do circuito em 𝑟𝑎𝑑/𝑠.
A reatância indutiva é dada por:
𝑋𝐿 = 𝜔𝐿 (2)
Onde 𝐿 é a indutância.
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2 OBJETIVOS
Verificação da operação de cargas do tipo: resistivas, indutivas e capacitivas.
3 MATERIAIS
a) Multímetro;
b) Alicate volt-amperímetro;
c) Voltímetro e amperímetro analógico AC;
d) Autotransformador Varivolt 400𝑉.
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4 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL
4.1 Circuito CA com resistor
Montado o circuito que pedido na parte 1, tem-se a representação na Figura 4 a
seguir.
Figura 4 - Carga resistiva alimentada por fonte alternada
Fonte: Próprio autor.
Nota-se que ao aplicar uma tensão de 110 V ao resistor de aproximadamente 300 Ω
se obtém uma corrente de 373 𝑚𝐴. Sendo assim possível preencher a Tabela 1.
Tabela 1 - Medições da carga resistiva
VRMS (𝑽) (Tensão
Valor Corrente (𝑨) Resistência (𝛀)
no secundário)
Calculado 110 0,367 300
Medido 110 0,41 295
Fonte: Próprio autor.
4.1.1 Questionamentos
1) Os valores preenchidos na Tabela 1 são muito próximos. Provando assim a
veracidade da lei de ohm.
2)
7
Figura 5 - Diagrama fasorial
resistivo
Fonte: Próprio autor.
3) Dado a fórmula da potência dissipada, tem-se:
𝑃 =𝑣∗𝑖 (3)
Substituindo as incógnitas pelos valores medidos tem-se:
𝑃 = 0,41 ∙ 110 = 45,1 𝑊
Os limites estabelecidos pelo fabricante afirmam que o resistor pode dissipar uma
potência de 300 𝑊, desta forma a potência dissipada pelo resistor está dentro do limite
estabelecido pelo fabricante.
4.2 Circuito CA com Indutor
Montado o circuito que pedido na parte 2. Tem-se representado na Figura 6.
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Figura 6 - Carga indutiva alimentada por fonte alternada
Fonte: Próprio autor.
Controlado a tensão de modo a obter-se 1 𝐴 de corrente no circuito, atinge-se uma
tensão de 132 𝑉. Preenchendo a Tabela 2 tem-se:
Tabela 2 - Medições da carga indutiva
VRMS (𝑽) (Tensão
Valor Corrente (𝑨) Reatância (𝛀)
no secundário)
Calculado 113,1 1 113,1
Medido 132 1 132
Fonte: Próprio autor.
4.2.1 Questionamentos
1) Dado a Tabela 2, nota-se que há uma variação de
|132 − 113,1|
∙ 100 = 16,71%
113,1
Visto que há uma diferença de mais de 10%, atribui-se essa discrepância de valores
a influência devido os equipamentos utilizados como resistência interna de componentes e a
não precisão de valores esperados pelo banco de indutores.
2)
9
Figura 7 - Diagrama fasorial
indutivo
Fonte: Próprio autor.
3) O valor da indutância é dado por:
𝑋𝐿 = 𝜔 ∙ 𝐿
Desta forma:
𝑋𝐿 132
𝐿= = = 0,35 𝐻
𝜔 2𝜋 ∙ 60
A potência reativa pode ser dado pela formula:
2
𝑉𝑅𝑀𝑆
𝑄= (4)
𝑋𝐿
Pois uma vez que apenas exista um elemento indutivo no circuito, concluímos que
não haverá potência ativa. Desta forma toda a potência aparente do circuito será constituída de
potência reativa. Substituído valores tem-se:
1322
𝑄= = 132 𝑉𝐴𝑅
132
4.3 Circuito CA com Capacitor
Montado o circuito pedido na parte 3, tem-se o representado na Figura 8.
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Figura 8 - Carga capacitiva alimentada por fonte alternada
Fonte: Próprio autor.
Controlado a tensão para um valor abaixo de 250 𝑉, tem-se o preenchimento da
Tabela 3 a seguir.
Tabela 3 - Medições da carga capacitiva
VRMS (𝑽) (Tensão
Valor Corrente (𝑨) Reatância (𝛀)
no secundário)
Calculado 110 1,24 88,42
Medido 110 1,3 84,62
Fonte: Próprio autor.
4.3.1 Questionamentos
1) Os valores preenchidos na Tabela 3 são muito próximos. Provando assim a
veracidade da lei de ohm.
2)
11
Figura 9 - Diagrama fasorial
capacitivo
Fonte: Próprio autor.
3) A potência reativa pode ser dado pela formula:
2
𝑉𝑅𝑀𝑆
𝑄= (5)
−𝑋𝑐
Pois uma vez que apenas exista um elemento capacitivo no circuito, concluímos
que não haverá potência ativa. Desta forma toda a potência aparente do circuito será constituída
de potência reativa. Substituído valores tem-se:
1102
𝑄= = −136,8 𝑉𝐴𝑅
−88,42
4.4 Circuito CA RLC Série
Foi montado um circuito RLC série, onde pegou-se os mesmos componentes
utilizados anteriormente, contando com um resistor de 300 Ω, um indutor de 0,35 𝐻 e um
capacitor de 30 𝜇𝐹. O circuito montado é como demonstra na Figura 10, simulado via software
Isis Proteus.
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Figura 10 - Circuito RLC série
Fonte: Próprio autor.
Os valores experimentais e teóricos foram obtidos através de aferições no
laboratório e com cálculos envolvendo análise de circuitos. A Tabela 4 expressa os resultados
obtidos.
Tabela 4 - Medições da carga RLC série
Corrente do Tensão no Tensão no Tensão no
Valor VRMS (𝑽)
Circuito (𝑨) Resistor (𝑽) Indutor (𝑽) Capacitor (𝑽)
Calculado 150 0,50 148 66,3 42,5
Medido 150 0,49 147 64,7 43,3
Fonte: Próprio autor.
4.4.1 Questionamentos
1) São validas, tendo que aplicar recursos de análise de circuitos oscilatórios,
introduzindo fasores aos cálculos. Por Lei de Kirchhoff das tensões, encontrou-se a corrente do
circuito.
𝑉𝑅𝑀𝑆 = 𝑉𝑅 + 𝑉𝐶 + 𝑉𝐿
150 = 300 𝐼 − 𝑗 88,42 𝐼 + 𝑗 132 𝐼
150
𝐼= = 0,49∠ − 8,27°
300 + 𝑗 43,58
13
𝐼 = 0,49∠ − 8,27°
Aplicando a Lei de Ohm, encontra-se as tensões em cada componente.
𝑉𝑅 = 300 ∗ 0,49∠ − 8,27° = 147∠ − 8,27°
𝑉𝐶 = −𝑗 88,42 ∗ 0,49∠ − 8,27° = 43,3∠ − 98,27°
𝑉𝐿 = 𝑗 132 ∗ 0,49∠ − 8,27° = 64,7∠ 81,73°
2) As magnitudes estão fora de escala.
Figura 11 - Diagrama fasorial circuito RLC série
Fonte: Próprio autor.
3) A frequência angular da fonte ainda se mantem em 𝜔 = 377 𝑟𝑎𝑑/𝑠, portanto a
indutância permanece indiferente, ou seja, é ainda de 0,35 𝐻.
4) A potência ativa é:
𝑃̅ = 𝑉𝑅𝑀𝑆 ∗ 𝐼𝑅𝑀𝑆 ∗ cos (𝜃 − 𝜑) (6)
𝑃̅ = 150 ∗ 0,49 ∗ cos[0° − (−8,27°)]
𝑃̅ = 72,7 𝑊
A potência aparente é:
14
|𝑆| = 𝑉𝑅𝑀𝑆 ∗ 𝐼𝑅𝑀𝑆 (7)
|𝑆| = 150 ∗ 0,49
|𝑆| = 73,5 𝑉𝐴
Já a potência reativa é:
𝑄 = √|𝑆|2 − 𝑃̅2 (8)
𝑄 = √73,52 − 72,72
𝑄 = 10,8 𝑉𝐴𝑅
5) É indutiva, visto que 𝜃𝑍 > 0 (ângulo da impedância).
𝜃𝑍 = 𝜃 − 𝜑 = 0 − (−8,27°) = 8,27°
6) Para a isso ocorrer, a carga deve ser puramente resistiva, tornando a parte
imaginária da impedância nula. Isso satisfaz a seguinte proposição:
ℑ𝑚 {𝑍} = 0 → 𝑋𝐶 + 𝑋𝐿 = 0
1
− + 0,35𝜔 = 0
30 ∗ 10−6 𝜔
𝑟𝑎𝑑
𝜔 = 308,6 → 𝑓 = 49,1 𝐻𝑧
𝑠
4.5 Circuito CA RLC Paralelo
Após ter estudado a configuração série, agora monta-se o circuito RLC paralelo,
mantendo os mesmos componentes e adicionando amperímetros nos ramos paralelos para a
averiguação das correntes. A caracterização do circuito consiste igual ao ilustrado na Figura 12.
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Figura 12 - Circuito RLC paralelo
Fonte: Próprio autor.
Medido os valores, exibe-se os resultados abaixo.
Tabela 5 - Medições da carga RLC paralelo
Corrente
Corrente no Corrente no Corrente no
Valor VRMS (𝑽) Total do
Resistor (𝑨) Indutor (𝑨) Capacitor (𝑨)
Circuito (𝑨)
Calculado 150 0,75 0,5 1,14 1,7
Medido 150 0,9 0,49 1,03 1,74
Fonte: Próprio autor.
4.5.1 Questionamentos
1) Utilizando fasores e com a Lei de Kirchhoff das correntes, calcula-se a corrente
total.
𝐼 = 𝐼𝑅 + 𝐼𝐶 + 𝐼𝐿
150 150 150
𝐼= + +
300 −𝑗 88,42 𝑗 132
𝐼 = 0,751∠ 48,24°
Aplicando a Lei de Ohm, é possível medir as correntes nos ramos.
150
𝐼𝑅 = = 0,5 ∠ 0°
300
16
150
𝐼𝐶 = = 1,70 ∠ 90°
−𝑗 88,42
150
𝐼𝐿 = = 1,14 ∠ − 90°
𝑗 132
2) As magnitudes dos fasores estão fora de escala.
Figura 13 - Diagrama fasorial circuito RLC paralelo
Fonte: Próprio autor.
3) Não ocorre superposição de fontes de alimentação de frequências diferentes e a
frequência angular ainda se mantem em 377 𝑟𝑎𝑑/𝑠, então a indutância ainda é de 0,35 𝐻.
4) A potência ativa é:
𝑃̅ = 150 ∗ 0,751 ∗ cos[0° − (48,24°)]
𝑃̅ = 75 𝑊
A potência aparente é:
|𝑆| = 150 ∗ 0,751
|𝑆| = 112,7 𝑉𝐴
Já a potência reativa é:
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𝑄 = −√112,72 − 752
𝑄 = −84,1 𝑉𝐴𝑅
5) É capacitiva, visto que 𝜃𝑍 < 0 (ângulo da impedância).
𝜃𝑍 = 𝜃 − 𝜑 = 0 − (48,24°) = −48,24°
6) Para a carga ser puramente resistiva, então:
1
− + 0,35𝜔 = 0
30 ∗ 10−6 𝜔
𝑟𝑎𝑑
𝜔 = 308,6 → 𝑓 = 49,1 𝐻𝑧
𝑠
7) Em frequências que tendem ao infinito, ou seja, de forma prática, frequências
muito altas, pois o indutor comporta-se como um filtro passa baixa, forçando-o a se comportar
como circuito aberto quando a fonte de alimentação possui uma frequência alta.
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5 CONCLUSÃO
Após realizar a prática, percebe-se que o apresentado na literatura se encontra bem
próximo do real, ajudando assim a solidificar mais o que é repassado em sala de aula. Ao
analisar cada item que foi pedido, é possível comprovar a partir das medições as características,
fazendo a comprovação da lei de Ohm. O objetivo da prática foi atingido, solidificando mais
ainda o conhecimento visto em teoria.
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REFERÊNCIAS
HILBURN, J. L.; JOHNSON, D. E.; JOHNSON, J. R. Fundamentos de análise de
circuitos elétricos. [Link]. Rio de Janeiro: Prentice-Hall, 1994.
HOLLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física: gravitação, ondas
e termodinâmica. [Link]. Rio de Janeiro: LTC, 2012.
SILVA FILHO, M. T. Fundamentos de eletricidade. 1. Ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013.
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