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Coerência Textual

O documento discute a coerência textual em diferentes níveis: narrativa, argumentativa, figurativa, temporal, espacial e de linguagem. A coerência é a relação entre as partes do texto que cria um sentido unificado, e pode ser analisada verificando se as implicações lógicas entre as partes são respeitadas.

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Coerência Textual

O documento discute a coerência textual em diferentes níveis: narrativa, argumentativa, figurativa, temporal, espacial e de linguagem. A coerência é a relação entre as partes do texto que cria um sentido unificado, e pode ser analisada verificando se as implicações lógicas entre as partes são respeitadas.

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COERÊNCIA TEXTUAL

Coerência é a relação que se estabelece entre as partes do texto, criando uma


unidade de sentido. Ela pode ser estabelecida com o auxílio dos elementos de coesão. No entanto,
essa não é a condição necessária para que a coerência se manifeste.
Mas, como analisar se um texto é coerente?
Para entendermos melhor essa questão é preciso considerar que a coerência ocorre
em diversos níveis, a saber:

1. Coerência narrativa: ocorre quando se respeitam as implicações lógicas existentes entre as


partes de uma narrativa. Observe os exemplos abaixo e analise os problemas existentes em cada um
deles:

a) Lá dentro havia uma fumaça espessa que não deixava que víssemos ninguém.
Meu colega foi à cozinha, deixando-me sozinho. Fiquei encostado na parede da
sala, observando as pessoas que lá estavam. Na festa, havia pessoas de todos os tipos: ruivas,
brancas, pretas, amarelas, altas, baixas etc.
(Texto extraído de uma redação de vestibular – UFRN)

b) Aurélio foi assistir ao clássico Fortaleza x Ceará, sem nenhum entusiasmo,


pois esperava ver um mau jogo e, posteriormente, saiu decepcionado com o péssimo futebol
apresentado pelos dois times.

2. Coerência argumentativa: diz respeito às relações de implicação ou de adequação que se


estabelecem entre certas afirmações explícitas colocadas no texto e as conclusões que se tiram
delas. Observe os exemplos abaixo:

a) O estudante brasileiro lê pouco, portanto não há necessidade de bibliotecas nas


escolas.

Problemas relacionados a esse tipo de coerência também são muito comuns em


entrevistas, quando o entrevistado quer se desviar do assunto:

b) P – O senhor é contra ou a favor da legalização da maconha no Brasil?


R – O Brasil tem muitos problemas sociais que é preciso resolver. Nosso
empenho é dar melhores condições de vida ao povo brasileiro.

3. Coerência figurativa: diz respeito à combinatória de figuras para manifestar um dado tema ou à
compatibilidade de figuras entre si. Observe os exemplos:

a) A festa constava de um chá, servido numa biblioteca, onde havia estantes de


mogno, livros encadernados em couro, tapetes persas, quadros de pintores famosos; os homens
estavam de terno e gravata e as mulheres de tailleur, blusa de seda e colar de pérolas; o chá foi
servido por um mordomo uniformizado; o serviço de chá era de prata e porcelana chinesa. Ao
fundo, tocava uma música de Tiririca.

b) As galinhas, durante a gravidez, ficam agressivas.

4. Coerência temporal: é aquela que respeita as leis de sucessividade dos eventos ou apresenta
uma incompatibilidade entre os enunciados do texto, do ponto de vista da localização no tempo.
Veja abaixo o que se segue:

a) Maria pôs o arroz no fogo, depois escolheu-o.

b)Quando o professor entrou, Antônio já havia posto o sapo na bolsa da colega e


estava sentado tranqüilamente no seu lugar. O mestre pegou-o em flagrante, quando estava
pondo o sapo na bolsa da colega.

5. Coerência espacial: diz respeito à compatibilidade entre os enunciados do ponto de vista da


localização no espaço. Observe o exemplo abaixo:

Embaixo do único lustre, colocado bem no meio do teto, um grupo de pessoas


conversava animadamente. Quando Clarice entrou, todos pararam de falar e olharam para ela.
Ela não se importou e foi também postar-se embaixo do lustre num dos cantos da sala.

6. Coerência no nível de linguagem: é a compatibilidade, do ponto de vista da variante lingüística


escolhida, no nível do léxico e das estruturas sintáticas utilizados no texto. Observe o exemplo:

Magnífico Reitor da Universidade Federal do Ceará

Tendo tomado conhecimento pelos periódicos da capital cearense de que o


Prefeito do Campus Universitário resolveu, através da construção de uma cerca, interditar o
acesso da população ao campus nos finais de semana, ouso vir à presença de Vossa
Magnificência para manifestar-lhe meu repúdio ao fato de uma instituição pública querer
subtrair de uma cidade um espaço de lazer. Francamente, achei a maior sujeira por parte da
UFC. Nada a ver.

ATENÇÃO: a falta de coerência pode estar, às vezes, a serviço de algum


objetivo pretendido pelo produtor de um texto, como por exemplo, nos textos humorísticos.
EXERCÍCIO DE APROFUNDAMENTO

1. Tendo como base o apontamento sobre coerência textual postado em seu Ambiente Virtual de
Aprendizagem, analise e comente as produções escritas a seguir:

a) O gerente de vendas Sebastião Rodrigues admitiu à polícia de São Paulo, na


quinta-feira 7, que foi ele próprio quem mandou que lhe decepassem o antebraço esquerdo para
simular um assalto relâmpago e com isso resgatar um seguro de R$ 900 mil – sua primeira versão
foi a de que três assaltantes o haviam mutilado. Apesar do açodamento de parte da imprensa em
dizer que menores fugitivos da Febem haviam cometido esse crime e em clamar por mecanismos de
segurança mais repressivos, a polícia, de saída, desconfiou da versão de Rodrigues, que estava
desesperado com as suas dívidas (R$ 780 mil). Quem o amputou foi um amigo identificado como
Lilico, que dele recebeu R$ 300.
Rodrigues foi preso na quarta feira 6, na academia Kymura, no bairro do Tatuapé,
enquanto praticava pugilismo, seu esporte preferido.
(Isto é. São Paulo, 13-10-99. Texto adaptado)

b) A frente da casa de vovó é voltada para o leste e tem uma enorme varanda. Todas
as tardes ela fica na varanda, em sua cadeira de balanço, apreciando o pôr-do-sol.

c) O morcego entrou pela janela e voejou sobre a sala. De repente, o mamífero


enroscou-se nos cabelos da professora.

d) Havia um menino muito magro que vendia amendoins numa esquina de uma das
avenidas de São Paulo. Ele era tão fraquinho que mal podia carregar a cesta em que estavam os
pacotinhos de amendoim. Um dia, na esquina em que ficava, um motorista, que vinha em alta
velocidade, perdeu a direção. O carro capotou e ficou de rodas para o ar. O menino não pensou duas
vezes. Correu para o carro e tirou de lá o motorista, que era um homem corpulento. Carregou-o até
a calçada, parou um carro e levou o homem para o hospital. Assim, salvou-lhe a vida.

e) Devo confessar que morria de inveja de minha coleguinha por causa daquela
boneca que o pai lhe trouxera da Suécia: ria, chorava, balbuciava palavras, tomava mamadeira e
fazia xixi. Ela me alucinava. Sonhei com ela noites a fio. Queria dormir com ela uma noite que
fosse.
Um dia, minha vizinha esqueceu-a em minha casa. Fui dormir e, no dia seguinte,
quando acordei, lá estava a boneca no mesmo lugar em que minha amiguinha havia deixado.
Imaginando que ela estivesse preocupada, telefonei-lhe e ela mais do que depressa veio buscá-la.

f) Conheci Sheng no primeiro colegial e aí começou um namoro apaixonado que


dura até hoje e talvez para sempre. Mas não gosto de sua família: repressora, preconceituosa,
preocupada em manter as milenares tradições chinesas. O pior é que sou brasileira, detesto comida
chinesa e não sei comer com pauzinhos. Em caso só falam chinês e de chinês eu só sei o nome do
Sheng.
No dia do seu aniversário, já fazia dois anos de namoro, ele ganhou coragem e me
convidou para jantar em sua casa. Eu não podia recusar e fui. Fiquei conhecendo os velhos,
conversei com eles, ouvi muitas histórias da família e da China, comi tantas coisas diferentes que
nem sei. Depois fomos ao cinema eu e o Sheng.

g) Era meia-noite. Oswaldo preparou o despertador para acordar às seis da manhã e


encarar mais um dia de trabalho. Ouvindo o rádio, deu conta de que tirara sozinho o prêmio da
loteria. Fora de si, acordou toda a família e bebeu durante a noite inteira. Às quinze para as seis,
sem forças sequer para erguer-se da cadeira, o filho mais velho teve de carregá-lo para a cama. Não
tinha mais força nem para erguer o braço.
Quando o despertador tocou, Oswaldo, esquecido da loteria, pôs-se imediatamente
de pé e ia preparar-se para ir trabalhar. Mas o filho, rindo, disse: pai, você não precisa trabalhar
nunca mais na vida.

h) O quarto espelha as características de seu dono: um esportista, que adorava a vida


ao ar livre e não tinha o menor gosto pelas atividades intelectuais. Por toda a parte, havia sinais
disso: raquete de tênis, prancha de surf, equipamento de alpinismo, skate, um tabuleiro de xadrez
com as peças arrumadas sobre uma mesinha, as obras completas de Machado de Assis.

i) Não havia motivos para nervosismos infundados nem para perder a esperança de
que, finalmente, o dragão da inflação tenha sucumbido à lança implacável da economia estabilizada.
Vamos analisar alguns produtos, sempre alvos de todos os cálculos feitos pelos especialistas. Em
primeiro lugar, o feijão. Digamos que ele tenha subido 340% e o arroz, 230%. Assim, nesses dois
itens, nós temos um total de 570% de aumento. Em compensação, a raiz-forte caiu 370%. Só com
essa desvalorização da raiz-forte, a subida do arroz e do feijão já desce para 200%. Agora, digamos
que a carne tenha subido 540%. Em compensação, a noz-moscada caiu 46,2% e as barbatanas de
colarinho desceram 612,8%. A batata subiu 480%, mas a malacacheta caiu 514%. Mesmo
considerando um aumento hipotético de 112% na indústria de calcinhas e sutiãs, o que levaria essa
deflação a unicamente 11%, há que considerar a estagnação da anágua, que baixou 76%,
proporcionando-nos outra vez um saudável índice negativo de 86%. Portanto, o índice geral do
custo de vida subiu apenas 1,3%.
(Adaptação. Jô Soares. A inflação controlada. IN: Veja, 26-10-94)

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