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MARINHA DO BRASIL

CENTRO DE INSTRUÇÃO ALMIRANTE ALEXANDRINO

GUIA DE ESTUDO ESP. ET


ELETRÔNICA III
2022

OSTENSIVO 5°REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

ELETRÔNICA III

MARINHA DO BRASIL

CENTRO DE INSTRUÇÃO ALMIRANTE ALEXANDRINO

2022

FINALIDADE: DIDÁTICA

5a REVISÃO

OSTENSIVO -I- 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

ATO DE APROVAÇÃO

APROVO, para emprego no Centro de Instrução Almirante Alexandrino, para as turmas

de Especialização de Eletrônica, o Guia de Estudo da disciplina EE-1008-0424

ELETRÔNICA III.

Rio de Janeiro, RJ.


Em,___ de ________ de _______.

JOSÉ AFONSO BARBOZA LOBIANCO


CF (RM1)
Coordenador de Cursos

Esta publicação foi elaborada cumprindo as normas do EMA-411


(Manual de Publicações da Marinha)

OSTENSIVO - II - 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

ÍNDICE

PÁGINAS
Folha de Rosto..........................................................................................................I
Ato de Aprovação....................................................................................................II
Índice......................................................................................................................III
Introdução..............................................................................................................IV

CAPÍTULO 1 - GERADORES DE ONDAS SENOIDAIS


1.1 - Conceitos básicos sobre ondas senoidais......................................................1-1
1.2 - Osciladores senoidais LC............................................................................1-12
1.3 - Osciladores RC...........................................................................................1-24
1.4 - Osciladores a cristal....................................................................................1-33

CAPÍTULO2 - GERADORES DE ONDAS QUADRADAS


2.1 - Conceitos básicos sobre ondas não senoidais...............................................2-1
2.2 - Multivibradores.............................................................................................2-4
2.3 - Temporizador (“Timmer”) 555...................................................................2-16
2.4 - Disparador Schimitt....................................................................................2-21

CAPÍTULO 3 - CIRCUITOS GERADORES DE PULSOS


3.1 - Osciladores de bloqueio................................................................................3-1
3.2 - Gerador dente de serra (GDS)......................................................................3-3

CAPÍTULO 4 - CIRCUITOS CONTROLADORES DE FREQUÊNCIA


4.1 - Oscilador controlado por tensão (VCO).......................................................4-1
4.2 - Malha amarrada por fase (PLL)...................................................................4-6
4.3 - Sintetizadores de frequência.......................................................................4-16

ANEXO A - Bibliografia.................................................................................... A-1

OSTENSIVO - III - 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

INTRODUÇÃO
1 - PROPÓSITO
Esta publicação tem o propósito de fornecer orientação básica sobre os Osciladores
Senoidais e os Não Senoidais para os alunos dos cursos de especialização em
eletrônica. Os assuntos nela contidos foram extraídos de publicações de fácil
compreensão, preenchidos pelas exigências dos currículos.
2 - DESCRIÇÃO
Esta publicação está dividida em quatro capítulos. No primeiro capítulo é feita uma
introdução sobre ondas senoidais e os principais osciladores LC e RC. O capítulo 2
descreve a formação das ondas não senoidais e o funcionamento dos circuitos
multivibradores: monoestável, biestável e astável. O capítulo 3 aborda a o
funcionamento dos circuitos geradores pulsos (osciladores de bloqueio). No capítulo
4 é feita uma descrição dos circuitos controladores de frequência, tais como o VCO,
PLL e Sintetizadores de Frequência.
3 - AUTORIA E EDIÇÃO
Esta publicação é de autoria da SO ET (Ref.) JORGE UELITON FONSECA e foi
elaborada e editada no CENTRO DE INSTRUÇÃO ALMIRANTE ALEXANDRINO
(CIAA).
4 - DIREITOS DE EDIÇÃO
Reservados para o CENTRO DE INSTRUÇÃO ALMIRANTE ALEXANDRINO.
Proibida a reprodução total ou parcial, sob qualquer forma ou meio.
5 - CLASSIFICAÇÃO
Esta publicação é classificada, de acordo com o EMA-411 (Manual de Publicações da
Marinha) em: Publicação da Marinha do Brasil, não controlada, ostensiva, didática e
manual.

OSTENSIVO - IV - 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

CAPÍTULO 1
GERADORES DE ONDAS SENOIDAIS
1.1 - CONCEITOS BÁSICOS SOBRE ONDAS SENOIDAIS
Os circuitos osciladores são importantes em diversos tipos de equipamentos
eletrônicos. Um relógio digital, por exemplo, usa um oscilador com cristal de quartzo
para acompanhar a passagem do tempo e indicar as horas. Um transmissor de rádio
usa um oscilador para estabelecer a onda portadora da estação. Já um receptor de
rádio usa um tipo especial de oscilador chamado de ressonador para sintonizar uma
estação. Existem osciladores em computadores, detectores de metal, controles
remotos e até mesmo em armas de choque para defesa pessoal.
Na MB, encontramos osciladores nos diversos equipamentos, como radares, sonares,
em radiocomunicações, equipamentos de teste, mísseis, torpedos, etc.
Neste capítulo, abordaremos os conceitos básicos sobre os osciladores senoidais LC:
Armstrong, Hartley, Colpitts, Clapp e a Cristal; e os osciladores senoidais RC: Ponte
de Wien e Rotação de Fase.
Porém, antes de entrarmos no estudo dos osciladores, veremos alguns conceitos
básicos sobre ondas senoidais.
Normalmente imaginamos um sinal como uma corrente elétrica i(t) ou tensão elétrica
υ(t). A variação temporal do sinal é denominada forma de onda. Mas, formalmente:
Uma forma de onda é uma equação ou um gráfico que define o sinal como uma
função do tempo.
As formas de ondas que são constantes ao longo de todo o tempo são denominadas
sinais CC. A abreviação CC significa corrente contínua, mas se aplica à tensão ou à
corrente. Expressões matemáticas para tensão v(t) ou corrente i(t) CC têm a forma:
υ(t) = Vo
i(t) = Io para - ∞ < t < + ∞

Esta equação é apenas um modelo. Nenhum sinal físico pode permanecer constante
indefinidamente. Entretanto, é um modelo útil porque se aproxima dos sinais gerados
por dispositivos físicos como uma bateria.
Existem duas formas de notação e convenção que têm de ser discutidas antes de
continuarmos:
Grandezas que são constantes (não variam com o tempo) em geral são representadas
por letras maiúsculas (V, I, P, W).
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OSTENSIVO CIAA 117-064E

Grandezas elétricas que variam no tempo são representadas por letras


minúsculas (i, υ, p, q e ѡ).
A variação temporal é indicada expressamente quando escrevemos essas grandezas
como υ(t), i(t) ou ѡ(t). A variação temporal está implícita quando elas são escritas
como υ1, iA ou ѡc.
As formas de onda da fig. 1.1 são exemplos de sinais usados em engenharia elétrica.

Figura 1.1 – alguns exemplos de formas de onda.

1.1.1 - Forma de Onda senoidal


As funções seno e cosseno são importantes em todos os ramos da ciência e
engenharia. A correspondente forma de onda variante no tempo da fig. 1.2 cumpre
um papel especial notável na engenharia elétrica.

Figura 1.2 - Senoide ilimitada no tempo.

Assim como a forma de onda CC, a senoide se estende indefinidamente no tempo


nos sentidos positivo e negativo. A senoide não tem início nem fim.
Evidentemente, os sinais reais têm durações finitas. Verifica-se que uma senoide
eterna é uma aproximação muito boa em muitas aplicações práticas.

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OSTENSIVO CIAA 117-064E

A senoide da fig. 1.2 é uma repetição infinita de oscilações idênticas entre picos
positivos e negativos.
A amplitude VA (em volts) define os valores máximo e mínimo das oscilações.
O período To (geralmente em segundos) é o tempo necessário para completar um
ciclo da oscilação.
A função senoide pode ser expressa matematicamente usando a função seno ou
cosseno.
A escolha entre as duas depende do ponto escolhido para definir t = 0.
Se escolhermos t = 0 no ponto em que a senoide é zero volt, então podemos
escrever como segue:
υ(t) = VA . sen(2.π.t / To) Volts (S01)

Por outro lado, se escolhermos t = 0 no ponto em que a senoide está no pico


positivo (valor máximo), escrevemos a equação em termos de um cosseno:
υ(t) = VA . cos(2.π.t / To) Volts (S02)

Embora qualquer uma possa ser usada, é comum escolher t = 0 no pico positivo;
portanto a equação (S02) se aplica. Assim, continuamos a chamar a forma de onda
de senoide embora seja usada uma função cosseno para descrevê-la.
A senoide geral é obtida substituindo t por (t – TS). Inserindo esta alteração na
equação (S02) obtemos uma expressão geral para a senoide como a seguir:
υ(t) = VA . cos[(2.π.t – TS) / T0] Volts (S03)

Em que a constante TS é o parâmetro de deslocamento no tempo. A fig. 1.3 mostra


que a senoide desloca para a direita quando TS > 0 e para a esquerda
quando TS < 0.
Na realidade, o deslocamento no tempo faz com que o pico positivo mais próximo
da origem ocorra em t = TS.
O parâmetro de deslocamento no tempo também pode ser representado por um
ângulo:
υ(t) = VA . cos(2.π.t / To + ϕ) Volts (S04)

O parâmetro ϕ é denominado ângulo de fase. O termo ângulo de fase é baseado na


interpretação da função cosseno no ciclo trigonométrico. Imaginamos o período
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OSTENSIVO CIAA 117-064E

como sendo dividido em 2π em radianos ou 360º. Nesse sentido, o ângulo de fase é


o ângulo entre t = 0 e o pico positivo mais próximo. Comparando as equações
(S03) e (S04), determinamos a relação entre Ts e ϕ como a seguir:
ϕ = - 2.π.(TS/T0) = - 360º(TS/T0) (S05)

Figura 1.3 - Efeito de deslocamento no tempo.

A alteração do ângulo de fase move a forma de onda para a esquerda ou direita,


revelando diferentes fases da forma de onda oscilante (por isso ângulo de fase).
O ângulo de fase deve ser expresso em radianos, mas é mais comum fazê-lo em
graus.
Deve-se ter o cuidado quando se calcula numericamente o argumento do cosseno
2πt/T0 + ϕ para garantir que os dois termos tenham a mesma unidade.
O termo 2πt/T0 tem unidade de radianos, de modo que é necessário converter ϕ
para radianos quando for dado em graus.
Uma forma alternativa da senoide geral é obtida expandindo a equação (S04)
usando a identidade cos(x + y) = cos (x).cos (y) – sen (x).sen (y):
υ(t) = [VA.cos (ϕ)].cos (2.π.t/T0) + [-VA.sen (ϕ)].sen(2.π.t/T0) Volts (S06)

As grandezas dentro dos colchetes são constantes, portanto, podemos escrever a


equação senoidal geral na forma:
υ(t) = a.cos(2.π.t/T0)+b.sen(2.π.t/T0) Volts (S07)

As duas amplitudes, como os parâmetros a e b, têm as mesmas unidades de acordo


com a forma de onda (volts neste caso) e são denominadas coeficientes de
Fourier. Por definição, os coeficientes de Fourier estão relacionados aos
parâmetros de amplitude e fase pelas equações:
a = VA . cos(ϕ) e b = -VA . sen(ϕ) (S08)
(1ª) (2ª)

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OSTENSIVO CIAA 117-064E

As relações inversas são obtidas elevando-se ao quadrado e somando as expressões


na equação (S08):

(S09)

E dividindo a segunda expressão pela primeira na equação (S08):


ϕ = tan-1 (-b/a) (S10)

Advertência: a função inversa da tangente em uma calculadora tem uma


ambiguidade de + 180º que pode ser resolvida considerando os sinais dos
coeficientes de Fourier a e b.
É costume descrever a variação temporal da senoide em termos de um parâmetro
de frequência. A frequência cíclica ƒ0 é definida como o número de períodos por
unidade de tempo. Por definição To é o número de segundos por ciclo;
consequentemente, o número de ciclos por segundo é:
ƒ0= 1 / T0 (S11)

Em que ƒ0 é a frequência cíclica ou simplesmente a frequência. A unidade de


frequência (ciclos por segundo) é o hertz (Hz). A frequência angular ω0 em
radianos por segundo está relacionada à frequência cíclica pela relação:
ω0 = 2.π.ƒo = 2.π / T0 (S12)

Existem duas formas de expressar o conceito de frequência senoidal: frequência


cíclica (Hz) e frequência angular (radianos por segundo). Quando trabalhamos com
sinais, tendemos a usar a primeira forma.
A frequência em radianos é mais conveniente quando descrevemos as
características dos circuitos acionados por entradas senoidais.
Em resumo algumas formas equivalentes:

υ(t) = VA.cos{[2π(t–TS)]/T0} = VA.cos[(2πt/T0)+ϕ] = a.cos(2πt/T0)+b.sen(2πt/T0) volts


= VA.cos[2πƒ0.(t–TS)] = VA.cos(2πƒo.t + ϕ) = a.cos(2πƒ0.t) + b.sen(2πƒ0.t) volts
= VA.cos[ω0(t – Ts)] = VA.cos(ω0.t + ϕ) = a.cos(ω0.t) + b.sen(ω0.t) volts

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OSTENSIVO CIAA 117-064E

Para usar apenas uma destas equações, precisamos de três tipos de parâmetros:
1. Amplitude: VA ou os coeficientes de Fourier a e b;
2. Deslocamento no tempo: Ts ou o ângulo de fase ϕ; e
3. Tempo/frequência: To, ƒo ou ωo.

1.1.2 - Descritores parciais de formas de onda


Uma equação ou gráfico define uma forma de onda para todos os instantes. O valor
de uma forma de onda υ(t) ou i(t) no instante t é denominado valor instantâneo da
forma de onda. Com certa frequência usamos parâmetros denominados descritores
parciais que caracterizam aspectos importantes de uma forma de onda.
Porém não fornecem uma descrição completa. Estes descritores parciais são
classificados em duas categorias: (1) os que descrevem características temporais e
(2) os que descrevem características de amplitude.

a) Descritores temporais
Os descritores temporais identificam atributos da forma de onda relativos ao
eixo do tempo. Por exemplo, as formas de onda que se repetem em intervalos de
tempo fixos são denominadas periódicas. Dizendo isto de maneira formal.
Um sinal υ(t) é periódico se υ(t + To) = υ(t) para todo t, em que o período To é
o menor valor que atende a esta condição.
Os sinais que não são periódicos são denominados aperiódicos.
O fato de uma forma de onda ser periódica fornece informações importantes
sobre o sinal, mas não especificamente todas as suas características. Portanto, o
fato de um sinal ser periódico é propriamente uma descrição parcial, assim
como é o valor do período. Uma onda senoidal eterna é o primeiro exemplo de
um sinal periódico.
Exemplos de ondas aperiódicas são as funções degrau, exponencial e senoide
amortecida.
Diz-se que uma forma de onda é causal se for idêntica a zero antes de algum
momento específico. Dizendo isto de forma precisa:
Um sinal υ(t) é causal se existe um valor de T tal que υ(t) = 0 para todo t < T;
caso contrário, ele será não causal.

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OSTENSIVO CIAA 117-064E

Normalmente considera-se que um sinal causal seja zero para t < 0, visto que
sempre podemos usar o deslocamento temporal para fazer com que o ponto de
início de uma forma seja em t = 0.
Exemplos de formas de onda causais são as funções degrau, exponencial e
senoidal amortecida. A onda senoidal eterna é, evidentemente, não causal.
As formas de onda causais têm papel importante na análise de circuito. Quando
a entrada acionadora x(t) for causal, a resposta do circuito y(t) também tem de
ser causal. Ou seja, um circuito fisicamente realizável não pode se antecipar e
responder a uma entrada antes que ela seja aplicada. A causalidade é uma
característica temporal importante, mas é apenas uma descrição parcial da forma
de onda.
b) Descritores de amplitude
Os descritores de amplitude são escalares positivos que descrevem a intensidade
de um sinal. Geralmente, uma forma de onda varia entre dois valores extremos
indicados como VMÁX e VMÍN. O valor de pico a pico (Vpp) descreve a excursão
total de υ(t) e é definido como: Vpp = Vmáx - Vmín
Com esta definição, Vpp é sempre positivo mesmo se VMÁX e VMÍN forem
negativos. O valor de pico (Vp) é o valor máximo absoluto da forma de onda.
Ou seja, Vp = Máx {|Vmáx|, |Vmín|}
O valor de pico é um número positivo que indica a excursão absoluta máxima
da forma de onda a partir do zero. A fig.1.4 mostra exemplos destes dois
descritores de amplitude.

Figura 1.4 - Valores de pico e pico a pico.

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OSTENSIVO CIAA 117-064E

Os valores de pico e pico a pico descrevem as variações da forma de onda


usando os valores extremos. O valor médio suaviza as coisas para revelar a
linha de base subentendida da forma de onda. O valor médio é a área sob a
forma de onda ao longo do tempo, dividida pelo período do sinal (T).
Matematicamente, definimos o valor médio (VMÉD) ao longo do intervalo de
tempo T como:

Para sinais periódicos, o período To é usado como média do intervalo T.


Para algumas formas de onda periódicas, a integral na equação acima pode ser
estimada graficamente. A área resultante sob a forma de onda é a área acima do
eixo do tempo menos a área abaixo dele. Por exemplo, as duas formas de onda
na fig.1.4 têm obviamente, valores médios diferentes de zero.
A forma de onda superior tem um valor médio negativo porque a área negativa
abaixo do eixo do tempo é maior do que a área acima dele.
De modo similar, a forma de onda inferior possui, claramente, um valor médio
positivo.
O valor médio indica se a forma de onda contém uma constante, que é uma
componente que não varia com o tempo.
O valor médio também é denominado componente CC porque os sinais CC
são constantes para qualquer t. Por outro lado, as componentes CA têm
valores médios nulos e são periódicas.
1.1.3 - Raiz do valor médio quadrático
A raiz do valor médio quadrático (VRMS) é uma medida da potência média
transportada pelo sinal. A potência instantânea fornecida a um resistor R por uma
tensão υ(t) é:
p(t) = [υ(t)]2 / R
A potência média fornecida ao resistor no tempo T é definida como:

Combinando as equações anteriores obtemos:

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OSTENSIVO CIAA 117-064E

O valor dentro das chaves é o valor médio do quadrado da forma de onda. As


unidades do termo entre os colchetes é o volt ao quadrado. A raiz quadrada deste
termo define o descritor parcial de amplitude VRMS:

O descritor de amplitude VRMS é denominado Raiz Média Quadrática (Root Mean


Square = RMS) porque ele é obtido tomando a raiz quadrada da média do
quadrado da forma de onda. Para sinais periódicos, o intervalo para o cálculo da
média é um ciclo, pois uma forma de onda como esta se repete a cada To segundos.
Podemos expressar a potência média fornecida a um resistor em termos de VRMS
como:

PMÉD =

A equação para a potência média em termos de VRMS tem o mesmo efeito que uma
potência fornecida por um sinal CC. Por esta razão o valor RMS foi originalmente
denominado valor eficaz. Se a amplitude da forma de onda for dobrada, o seu
valor RMS é dobrado e a potência média é quadruplicada.
1.1.4 - Teoria da oscilação e realimentação nos osciladores
Para se construir um oscilador senoidal precisamos de um amplificador com uma
realimentação positiva, de forma que o próprio sinal de saída do amplificador seja
o sinal de entrada.
Se a amplitude deste sinal realimentado, após passar pela malha de realimentação
for suficientemente grande, e o sinal for alimentado com a fase correta, haverá um
sinal de saída, mesmo que não haja um sinal externo.
Podemos dizer desta maneira, que o oscilador é um amplificador que foi
modificado pela realimentação positiva para fornecer o seu próprio sinal de
entrada.
1.1.5 - Ganho e fase da malha
Como vimos anteriormente para que um amplificador gere seu próprio sinal de
entrada é necessário que o sinal realimentado tenha amplitude suficiente e fase
correta, para que o amplificador oscile inicialmente e mantenha as oscilações após
as condições iniciais serem estabelecidas.

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OSTENSIVO CIAA 117-064E

Estas condições são conhecidas como critério de Barkhausen. Vamos analisar este
princípio de acordo com as figuras abaixo:

(a) (b)

(c) (d) (e)


Figura 1.5 - Representação de um oscilador básico em blocos (a) e (b); formas
de onda quando: A.B < 1 (c); A.B > 1 (d); e A.B = 1 (e).
Na fig. 1.5(a) temos uma fonte de tensão Vin alimentando a entrada do
amplificador. Esta tensão será amplificada de acordo com a expressão abaixo:
Vout = A . Vin

Esta tensão alimenta a malha de realimentação que, geralmente é um circuito


ressonante. Por isso obtemos realimentação máxima em uma certa frequência. A
tensão realimentada (Vf) que volta ao ponto X é dada por:
Vf = A.B.Vin

Se o desvio de fase através do amplificador e do circuito de realimentação é 0º,


então A.B.Vin estará em fase com o sinal Vin que alimenta os terminais de entrada do
amplificador.
Admitamos que o ponto X é ligado ao ponto Y e simultaneamente retiramos a fonte
Vin. Então a tensão de realimentação A.B.Vin alimenta os terminais de entrada do
amplificador de acordo com a fig. 1.5(b). Vamos analisar o que acontece com a
tensão de saída.
Se A.B for menor que 1, A.B.Vin será menor que Vin e o sinal de saída desvanecerá
de acordo com a fig. 1.5(c).
Mas, se A.B > 1, A.B.Vin será maior que Vin. Então, Vout crescerá como na fig.
1.5d.

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Se A.B = 1 então A.B.Vin será igual a Vin e a tensão de saída será uma senoide
estável, fig. 1.5(e). Neste caso o circuito fornece seu sinal de entrada gerando uma
onda senoidal na saída.
Num oscilador, o valor do fator A.B será maior que 1, logo que se estabeleçam as
condições iniciais. Uma pequena tensão de disparo é aplicada aos terminais de
entrada e a tensão de saída cresce, fig. 1.5(d). Depois que a tensão de saída atinge
o nível desejado, A.B automaticamente diminui até 1 e a amplitude do sinal de
saída permanece como na fig. 1.5(e).

1.1.6 - Tensão de disparo


Qualquer resistor contém alguns elétrons livres. Devido às variações de
temperatura ambiente, estes elétrons deslocam-se aleatoriamente para diferentes
direções e geram uma tensão de ruído através do resistor.
Este movimento é tão aleatório que contém frequências acima de 1.000 GHz.
Podemos imaginar, assim, que cada resistor é uma fonte de tensão CA que produz
todas as frequências com baixíssimas amplitudes.
Analisando a fig. 1.5(b) podemos imaginar o seguinte: logo que a fonte é ligada,
todas as tensões são DC e as únicas tensões CA presentes são aquelas geradas pelos
resistores que compõem o circuito amplificador.
Estes ruídos são amplificados e formam o sinal de saída. Estes ruídos amplificados
alimentam o circuito de realimentação ressonante.
Através dos parâmetros do projeto, podemos fazer o desvio de fase ao longo do
circuito é igual a 0º, na frequência de operação do circuito tanque. Desta forma,
obtemos oscilações apenas em uma frequência de ressonância do circuito de
realimentação.

1.1.7 - Diminuindo A.B até a unidade


Como sabemos o fator A.B nas condições iniciais do oscilador é maior que 1 e o
sinal de saída se comporta como mostra a fig. 1.5(d). Mas para que um oscilador
tenha qualidade, ele precisa manter a amplitude e frequência estáveis. Para manter
a amplitude estável o fator A.B tem que ser igual a 1.
Para produzir A.B = 1 existem duas formas: ou A diminui ou B diminui.
Em alguns osciladores faz-se com que o sinal de entrada aumente até atingir o
corte e a saturação do amplificador, o que seria o mesmo que reduzir o seu ganho.
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Em outros, o sinal faz B diminuir antes que ocorra o ceifamento.


De qualquer maneira, duas condições têm que ser obedecidas para que um
amplificador realimentado positivamente oscile:
a) Nas condições iniciais A.B > 1, na frequência cujo desvio de fase é 0º; e
b) Depois de atingida a amplitude desejada, o fator A.B tem que ficar igual a 1,
através da redução de A ou de B.

1.2 - OSCILADORES SENOIDAIS LC


Estes osciladores têm um desempenho satisfatório na faixa de 1 MHz a 500 MHz,
sendo, por tanto, bem utilizado para gerar sinais senoidais na faixa de HF e VHF.
Geralmente a sua construção é a partir de circuitos a TJB e FET, pois esta faixa de
frequência está bem acima da frequência útil da maioria dos amplificadores
operacionais.
Com um amplificador e um circuito tanque podemos realimentar um sinal com
amplitude e fase adequadas para manter as oscilações.

1.2.1 - Oscilador Colpitts Emissor Comum (EC)


A polarização universal estabelece o POE (Ponto de Operação Estática.). O
circuito amplificador apresenta um ganho de tensão em baixa frequência de
Rc’/Re, onde Rc’ é a resistência CA vista pelo coletor. Devido aos circuitos de
retardo da base e do coletor, o ganho de tensão em alta frequência é menor
que Rc’ / Re.

(a) (b)

Figura 1.6 – (a) Oscilador Colpitts Emissor Comum; (b) equivalente CA.

OSTENSIVO 1-12 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Analisando o CKT da fig. 1.6(a) e 1.6(b), a corrente do circuito tanque flui através
de C1 em série com C2. A tensão de saída Vout é a desenvolvida em C1 e a tensão
de realimentação Vf é desenvolvida em C2. Esta tensão de realimentação é
aplicada à base do transistor e mantém as oscilações que se desenvolvem através
do CKT tanque, desde que haja ganho de tensão suficiente na frequência de
oscilação.
Reconhecemos o oscilador Colpitts através da sua realimentação que é feita através
de uma capacitância dividida.

1.2.2 - Frequência de ressonância (Fo)


A maioria dos osciladores LC utiliza circuitos tanque com um fator de qualidade
(Q) da bobina maior que 10. Isto nos dá a comodidade de calcular a frequência de
ressonância (Fo) pela fórmula padrão do circuito série ressonante que é:

; onde:

Ceq = (C1 . C2 ) / (C1 + C2)

a) Condição Inicial
A condição inicial exigida para qualquer oscilador é que A.B > 1, na frequência
de ressonância do circuito tanque. Isto equivale a dizer que A > 1/B.
O ganho de tensão A, nesta expressão, é o ganho de tensão na frequência de
ressonância do circuito tanque.
Analisando o circuito da fig. 1.6(a), Vout = VC1 e Vf = VC2. Como a corrente
nos dois capacitores é comum:

Portanto, podemos concluir que nas condições iniciais A > C2 / C1.


As considerações que foram anteriormente feitas são aproximações que não
levam em conta a impedância de entrada do circuito amplificador.

OSTENSIVO 1-13 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

O valor exato de A, dependerá das frequências de corte superiores do


amplificador. Como existem circuitos defasadores na base e no coletor do
transistor bipolar, se as frequências de corte destes circuitos defasadores forem
maiores que a frequência de operação, então A é aproximadamente igual a Rc’ /
Re. Se as frequências críticas forem mais baixas que a Fo, o ganho de tensão é
menor que Rc’ / Re e há uma defasagem adicional através do amplificador. Isto
complica tudo, logo o oscilador pode não funcionar ainda. Se alguma vez você
encontrar um oscilador que não esteja em funcionamento, você saberá procurar
o defeito. Ele não oscila porque o ganho do circuito é menor que 1 no momento
em que o desvio de fase for 0º.

b) Tensão de saída
Com uma realimentação leve (B pequeno), o valor de A é apenas ligeiramente
maior que 1 / B e a operação é aproximadamente classe “A”.
Logo que ligamos o circuito, as oscilações crescem e o sinal oscila bem além da
reta de carga CA. Com esta oscilação aumentada do sinal, a operação varia de
sinal pequeno para grande sinal. Quando isto acontece, o ganho de tensão
diminui ligeiramente com a realimentação leve e o fator A.B diminui até um,
sem o ceifamento excessivo.
Com a realimentação forte (B grande), o sinal de realimentação grande leva a
base do amplificador à saturação e ao corte. Isto carrega C4 produzindo o
grampeamento negativo CC na base. Este grampeamento ajusta
automaticamente o valor de A.B em 1. Se a realimentação for forte demais
poderemos perder um pouco da tensão de saída devido às perdas de potência de
dispersão.
O ideal, na construção de circuitos osciladores, é ajustar a quantidade de
realimentação para que esta não seja fraca, nem forte demais, para que
tenhamos um sinal de saída sem perdas desnecessárias.
c) Acoplamento
A frequência real de oscilação (f r) depende do Q do circuito tanque e é dada
por:

OSTENSIVO 1-14 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Na maioria dos casos Q > 10 e a equação da f r é simplificada para o valor ideal


(f 0).
Se Q < 10, a frequência de oscilação fica menor que a frequência ideal. Além
disso, um baixo Q pode levar o oscilador a não operar, visto que o ganho em
alta frequência ficará abaixo de 1 / B.

(a) (b)

Figura 1.7 - Oscilador Colpitts com acoplamento de saída: (a) capacitivo e (b)
indutivo (a transformador).

A fig. 1.7(a) mostra como acoplar a saída do oscilador a uma resistência de


carga (RL) através de um capacitor (C5). Se a resistência de carga for grande,
então não sobrecarregará demais o circuito ressonante e o Q será maior que 10.
Por outro lado, se RL for pequena, o Q cai abaixo de 10 e as oscilações podem
não ter início, como foi explicado anteriormente. Uma solução para este
problema é usar o capacitor de acoplamento C5, com um baixo valor, de forma
que a sua reatância XC, seja grande em relação à RL, para a frequência de
operação. Isto evitará a carga excessiva no circuito tanque, porém a amplitude
do sinal acoplado será pequena.
A fig. 1.7(b) mostra o acoplamento indutivo, que usa um transformador de RF
como abaixador, pois a relação de espiras entre primário e secundário é grande
(NP / NS). Embora tenha uma pequena amplitude no sinal de saída acoplado para
RL, o acoplamento indutivo garante a não influência de baixos valores de RL no

OSTENSIVO 1-15 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Q do CKT tanque. O problema da baixa amplitude é resolvido pela amplificação


em classe A.
O que se pode notar é que tanto um, quanto outro tipo de acoplamento reduz a
amplitude do sinal de saída, mas garante um alto Q no circuito tanque, o que
garante uma saída senoidal não distorcida com um início confiável para as
oscilações.

1.2.3 - Oscilador Colpitts Base-Comum (BC)


Quando o sinal de realimentação alimenta a base do amplificador aparece uma
capacitância "Miller" grande através da entrada, o que produz uma frequência de
corte baixa. Isto pode levar o ganho de tensão a ser reduzido na frequência de
operação do circuito tanque. Para que se obtenha uma frequência de corte mais
alta, o sinal de realimentação pode ser aplicado ao emissor, de acordo com fig. 1.8.

Figura 1.8 - Oscilador Colpitts Base-Comum (BC).

O oscilador BC pode oscilar em frequências mais altas que o oscilador EC. O


capacitor C3 faz um “terra” CA para a base, desta forma o amplificador está na
configuração BC.
Com esta alteração o circuito poderá oscilar em frequências mais altas, porque o
ganho de tensão do BC em altas frequências é mais alto que o de EC.
Com o acoplamento indutivo, garante-se um alto Q e a frequência de operação
pode ser calculada pela fórmula da frequência ideal.

OSTENSIVO 1-16 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

A tensão de realimentação sofrerá uma pequena alteração, pois a tensão de saída se


desenvolve através de C1 e C2 em série, e a parcela a ser realimentada é a queda
de tensão sobre C2, logo:

Para que comecem as oscilações A > 1 / B, logo A > ( C1 + C2) / C1. Esta
aproximação não leva em conta a impedância de entrada do amplificador.
1.2.4 - Oscilador Colpitts com FET
No circuito da fig 1.9 temos um oscilador Colpitts controlado a FET na
configuração fonte comum.
Como a porta de um FET representa uma altíssima impedância, o efeito de carga
no circuito tanque é muito menor que o de um TJB (fig. 1.7b), logo a aproximação
B = C1 / C2 é muito mais precisa. A condição inicial para o amplificador à FET é
que A > C2 / C1.
Em um oscilador à FET o ganho de tensão em baixa frequência é Gm.Rd, onde Gm
é a transcondutância e Rd a resistência de dreno. Acima da frequência de corte do
amplificador à FET, o ganho de tensão cai, na expressão A > C2 / C1, sendo A o
ganho de tensão do amplificador na fo. Para que o oscilador funcione temos que
manter a frequência de oscilação menor que a frequência de corte do amplificador.
Caso contrário, haverá uma defasagem maior no amplificador, o que faz com que a
fase do sinal realimentado seja diferente do 0º e isto fará com que o oscilador não
entre em operação.

Figura 1.9 - Oscilador Colpitts com FET.

OSTENSIVO 1-17 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Exercício proposto:
Analise o circuito da fig. 1.10 e determine:
1)A frequência de oscilação.
2)O ganho da malha de realimentação.
3)O ganho do amplificador para que fique garantido o início das oscilações.

Figura 1.10 - Oscilador Colpitts com TJB.

1.2.5 - Oscilador Clapp


O oscilador Clapp da fig. 1.11 é uma sofisticação do oscilador Colpitts. O divisor
de tensão capacitivo produz o sinal de realimentação como antes. Um capacitor
adicional C3 está em série com o indutor. Como a corrente de circulação do
circuito-tanque flui através de C1, C2 e C3 em série, a capacitância equivalente
usada para calcular a frequência de ressonância é:
Ceq = 1 / [ (1/C1) + (1/C2) + (1/C3) ]

Fig. 1.11 - Oscilador Clapp com TJB.


OSTENSIVO 1-18 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Em um oscilador Clapp, C3 é muito menor de que C1 e C2. Como consequência,


Ceq é aproximadamente igual a C3 e a frequência de ressonância é dada por:

Por que isto é importante? Porque C1 e C2 são colocados em paralelo pelas


capacitâncias do transistor e pelas parasitas. Estas capacitâncias extras alteram
ligeiramente os valores de C1 e C2. Num oscilador Colpitts, a frequência
ressonante depende até certo ponto das capacitâncias do transistor e das parasitas.
Mas no oscilador Clapp, as capacitâncias do transistor e de dispersão não têm
nenhum efeito sobre C3, o que significa que a frequência de oscilação é mais
estável e mais precisa. É por isso que você ocasionalmente vê o oscilador Clapp
sendo utilizado no lugar de um oscilador Colpitts.

1.2.6 - Oscilador Armstrong


Pode-se construir um oscilador usando um transformador no circuito de
realimentação. Para isto deve-se usar um capacitor em paralelo com a indutância
do primário do trafo para que se sintonize o circuito na frequência desejada. A
fig.1.12 mostra um amplificador a FET com realimentação positiva produzida pelo
transformador e sintonizada por um circuito LC.

Figura 1.12 - Circuito oscilador de dreno sintonizado.

OSTENSIVO 1-19 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

A fig. 1.13 representa o circuito equivalente CA. Como o circuito de entrada está
ligado à porta, cuja resistência de entrada é supostamente muito alta, representa-se
pelo circuito aberto. O FET tem como equivalente uma fonte de corrente com o
valor dado por gm.Vgs em paralelo com a resistência de saída rd. O trafo pode ser
representado por uma indutância L no primário e um fator de acoplamento M.
A resistência série do trafo (que representa as perdas) pode ser considerada como
uma resistência efetiva em paralelo com o primário Reff = Qs2 . Rl. No circuito Qs é
o fator Q-série do trafo que é definido como:
QS = (2.π.ƒ.L) / Rs

Figura 1.13- Equivalente CA para o oscilador "Armstrong"

A frequência do oscilador é determinada pelo circuito tanque. Às vezes esta


relação é um pouco modificada devido às não linearidades e resistências,
capacitâncias ou outros fatores.
Apesar disto é uma boa aproximação considerar a frequência de operação como
sendo a frequência ideal do circuito ressonante.

A transcondutância mínima do FET necessária depende da Reff do trafo, da


resistência de saída do FET, da indutância e do acoplamento mútuo, ou seja, o
valor do gm do FET deverá ser maior que o valor mínimo necessário para a
oscilação. Então podemos dizer que:

OSTENSIVO 1-20 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

O transformador deve ter os enrolamentos construídos de forma que garanta a


defasagem de 180º entre o sinal do primário e do secundário, para que se consiga a
realimentação positiva.
O efeito de carga externa, o valor de rd mais baixo, ou o valor da Reff mais baixo,
quando o circuito oscilador é conectado a outro circuito, resulta um valor de R
mais baixo, logo torna-se necessário um FET de gm maior, para que o ganho da
malha seja suficiente para manter as oscilações.

Exercício
1) Calcular a fo e a transcondutância mínima (gm) do FET para o oscilador da
figura 1.12, que tem como valores:
rd = 40 k; L = 4mH; M = 0,1 mH; Rs = 50  e C = 1 pF.

1.2.7 - Oscilador Armstrong a transistor

Figura 1.14- Oscilador Armstrong a transistor.

O circuito da fig. 1.14 é um exemplo do oscilador Armstrong a transistor de


junção. Note que o circuito não é muito diferente do oscilador a FET. A diferença
está no circuito de polarização do FET. A parte de realimentação do circuito se
comporta exatamente da mesma maneira. A análise deste circuito é muito
simplificada, pois os critérios já foram explicados no oscilador a FET, logo, todas

OSTENSIVO 1-21 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

as considerações quanto à frequência de operação, ganho do amplificador e Q da


bobina, anteriormente citados, estão mantidos.
Da mesma maneira que o FET, o circuito de saída do TJB, alimenta um circuito
tanque. Um pequeno enrolamento no secundário do transformador realimenta a
base. O desvio de fase entre primário e secundário é de 180º, o que faz a fase total
do sinal realimentado igual a 0º em relação ao circuito de base. Ignorando o efeito
de carga provocado pelo circuito de base o ganho da malha de realimentação é
dado pela expressão:
B=M/L
Onde M é a indutância mútua do transformador , e L é a
indutância do primário. Como em todo o oscilador o ganho do amplificador tem
que ser 1 / B logo:
A = L/M
O enrolamento do secundário do transformador, neste tipo de oscilador, também é
conhecido como bobina de realimentação. A frequência de operação do oscilador é

a frequência de ressonância ideal do circuito tanque , se o Q da

bobina do primário for maior que 10.


Em projetos de osciladores, esta configuração Armstrong não é muito encontrada,
pois se evita o uso de transformadores nestes tipos de circuitos por questão de
espaço.
O amplificador Armstrong EC a transistor apresenta um sinal de saída do coletor
com uma defasagem de 180°, porém o secundário do transformador inverte
novamente o sinal colocando este em fase com o sinal na base do transistor.
1.2.8 - Oscilador Hartley

OSTENSIVO 1-22 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 1.15 - Oscilador Hartley.

O circuito da fig. 1.15(a) representa um oscilador do tipo Hartley. Note que os


indutores L1 e L2 têm um acoplamento mútuo que deve ser levado em
consideração na hora do cálculo da frequência de ressonância. Já vimos que M
(indutância mútua) é dada pela expressão:

M = K.

Onde K é a constante que depende do núcleo do transformador, normalmente de


ferrite. O conjunto L1, L2, M e C, formam o circuito ressonante que é o circuito
responsável pela malha de realimentação B.
Ao analisar o circuito da fig. 1.15(b) vemos que ele representa o equivalente CA do
circuito da fig. 1.15(a). Os capacitores Cg e Cc, são calculados como curto para a
frequência de operação, assim como CRF é circuito aberto. O FET foi substituído
pelo seu equivalente. O circuito tanque é formado pelos indutores L1 e L2,
acoplados por M e pelo capacitor C. Estes componentes têm como equivalente um
circuito tanque formado por C e a indutância equivalente do circuito
indutivo Leq = L1 + L2 + 2M. Desta forma a frequência de operação do circuito é
dada, aproximadamente pela expressão:

fo =

OSTENSIVO 1-23 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Esta mesma configuração de oscilador pode ser conseguida com um amplificador a


TJB, emissor comum, como mostrado no circuito da fig. 1.16.

Figura 1.16 - Oscilador Hartley com TJB.


Quando o circuito está em ressonância, a corrente flui através de L1 em série com
L2 logo: Leq = L1 + L2 + 2.M.
A realimentação é desenvolvida pelo divisor indutivo formado por L1 e L2, a
tensão de saída se desenvolve em L2 e a realimentação em L1, logo:

Estas expressões são aproximações “grosseiras”, pois se despreza os efeitos do


circuito de base. As ações das bobinas e do acoplamento mútuo garantem a fase 0º
do sinal realimentado. O ganho do amplificador, para que se mantenham as
oscilações tem que ser 1/B, logo:
A = L2 / L1.
1.3 - OSCILADORES RC
São circuitos osciladores em que o determinador de frequência utiliza rede de
capacitância-resistência (RC) para produzir uma onda senoidal. São utilizados para
baixas frequências (até 1 MHZ).Vamos analisar o funcionamento dos osciladores
por deslocamento de fase e o ponte Wien.

OSTENSIVO 1-24 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

1.3.1 - Oscilador por deslocamento de fase ou rotação de fase


Analisando o modelo representado na fig. 1.17, consideramos que a malha de
realimentação está sendo alimentada por uma fonte ideal (Zo = 0) e que a saída da
malha alimenta, também, uma carga ideal (Zin = ).
Usamos o modelo abaixo para facilitar o desenvolvimento teórico que explica a
operação do circuito. Temos que ter em mente que na prática o raciocínio é
diferente.

Figura 1.17 - Oscilador por deslocamento de fase.


O oscilador é composto de um amplificador inversor de fase e uma rede RC de
realimentação. A preocupação com a malha de realimentação é saber qual a
atenuação, pois quando um circuito é composto por elementos passivos, o ganho
do circuito (Vout / Vin) é menor que a unidade, logo, a malha do circuito deslocador
de fase atenua o sinal de entrada. Além da atenuação também temos que saber qual
a fase do sinal, para que seja respeitado o critério de Barkhausen.
Quanto à fase, devemos usar valores de R e C que provoquem uma defasagem de
180º. Como sabemos, o circuito RC introduz uma defasagem no sinal que é
proporcional aos valores de R, C e a frequência de operação (fo). Como a malha de
realimentação é composta por 3 redes RC, cada rede terá que defasar
aproximadamente 60º. Utilizando os conceitos de análise de circuitos e aplicando o
teorema de Maxwell, a frequência de operação desse oscilador pode ser
determinada por:

fo =

A atenuação provocada pela malha, na frequência de oscilação é:


OSTENSIVO 1-25 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

B = 1 / 29
Este valor é constante do circuito. Logo para que se faça o circuito oscilar, o ganho
do amplificador terá que ser 29 para que o produto A.B seja igual à unidade,
obedecendo assim o critério de Barkhausen.

a) Oscilador de deslocamento de fase a FET


A configuração deste oscilador implementado com FET está representada pelo
circuito da fig. 1.18.
O circuito foi desenhado de forma que mostra claramente o amplificador e a
malha de realimentação.

Figura 1.18 - Oscilador de deslocamento de fase a FET.

O circuito de polarização é feito pelos resistores RD e Rs . O capacitor Cs faz o


bypass do resistor de source. Os parâmetros do FET que influenciam na
operação do oscilador são o rd e o gm. Do estudo de amplificadores a FET
sabemos que: A = gm.RL onde RL é o resultado da associação paralela de RD e rd.
Ou seja: RL = (RD . rd) / RD + rd)

Podemos considerar que a Zin do amplificador é infinita (carga ideal). Mas para
isto ser verdadeiro a frequência de operação tem que ser suficientemente baixa,
para que as capacitâncias do FET não influenciem a Zin. Outra consideração que
se faz necessária é que RL tem que ser baixa se comparada com a impedância da
malha de realimentação, para que o efeito de carga seja evitado.
Exercício: Desejamos fazer um circuito oscilador para a frequência de 1 kHz,
usando um FET cuja gm = 5000 S e rd = 40 k. Para o circuito de

OSTENSIVO 1-26 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

realimentação os resistores serão de 10 k. Determine o valor de C para a


malha de realimentação e o valor de RD do amplificador para que haja oscilação
em 1 kHz quando A > 29.
b) Oscilador de deslocamento de fase a TJB
Se um TJB for usado como elemento ativo do estágio amplificador, a saída do
circuito de realimentação será consideravelmente carregada, pela baixa
impedância de entrada (hie) do transistor. É claro, se usarmos estágios
ampificadores casadores de impedância e isoladores, corrigiremos o problema,
mas, isto encareceria o circuito e complicaria o projeto. Então, o ideal é
trabalharmos com apenas um estágio amplificador. Analisemos o circuito da fig.
1.19.

Figura 1.19 - Oscilador de deslocamento de fase a TJB.

Nesta configuração, o sinal realimentado é acoplado através do resistor de


realimentação R’ que está em série com a impedância de entrada (Zin) do estágio
amplificador. Da análise AC do circuito podemos concluir que:

Onde R é o valor de um dos resistores da malha de realimentação. Para que o


produto A.B > 1 é necessário que o ganho de corrente do transistor atenda ao
seguinte requisito:

OSTENSIVO 1-27 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

c) Oscilador por deslocamento de fase com AMP-OP


O circuito da fig. 1.20 representa um oscilador por deslocamento de fase
usando um Amp-Op como elemento ativo. A malha de realimentação é
formada por um circuito RC de três estágios que defasa do sinal da fo em 180º
e, como já sabemos, o ganho desta malha (B) é igual a 1 / 29. Se o Amp-Op
produz um ganho (Rf / Ri) maior que 29, o produto A.B será maior que 1 e o
circuito passará a oscilar na frequência determinada pela expressão:

Figura 1.20 - Oscilador por deslocamento de fase com AMP-OP.

1.3.2 - Oscilador com Ponte de Wien


Este oscilador é padrão para frequências na faixa de 5 Hz até 1 MHz. É quase
sempre usado em geradores de áudio comerciais e é geralmente preferido em
outras aplicações de baixa frequência.
Para fazermos a análise da operação deste tipo de oscilador e entendermos a sua
operação, antes vamos fazer uma revisão sobre rede de avanço e rede de atraso,
que são circuitos que atuam diretamente na fase do sinal de saída, em relação ao
sinal de entrada.
a) Circuito de atraso

OSTENSIVO 1-28 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

(a) (b)
Figura 1.21 - Circuito RC de atraso.

Analisando o circuito da fig. 1.21(a) sobre o aspecto do ganho do circuito que


também é chamado de função transferência, podemos dizer que:

Convertendo em magnitude temos que:

O ângulo de fase desta relação será:

O sinal negativo na expressão do angulo , significa que a tensão de saída


estará atrasada em relação tensão de entrada, o que “bate” com os conceitos
adquiridos quando estudamos circuitos capacitivos. Isto está representado na
fig. 1.21(b), diagrama fasorial entre entrada e saída. Este ângulo de fase de saída
está na faixa de 0 a 90º em relação ao fasor de entrada.
b) Circuito de Avanço

(a) (b)

Figura 1.22 - Circuito RC de avanço.

OSTENSIVO 1-29 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Da mesma forma:

O angulo de fase é dado por:

Neste caso o angulo de fase é positivo o que caracteriza uma rede de avanço,
pois o sinal de saída está adiantado em relação ao sinal de entrada como mostra
o diagrama fasorial da fig. 1.22(b).

c) Circuito de Avanço-atraso
O circuito de realimentação do oscilador com Ponte de Wien é formado por um
circuito de avanço-atraso, fig. 1.23:

Figura 1.23 - Circuito de Avanço-atraso.

(a) (b) (c)

Figura 1.24 - Gráfico e diagrama fasorial.

OSTENSIVO 1-30 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Analisando o circuito da fig. 1.23, verificamos que, se a frequência de operação


for muito baixa o capacitor C1 torna-se um circuito aberto e o sinal de saída cai
a níveis muito baixos; para as frequências muito altas, C2 aproxima-se de um
curto circuito, e da mesma forma a tensão de saída assume um valor, também,
muito baixo. Se o valor da tensão de saída cair a 70% do valor da tensão de
entrada, atingiremos o corte do circuito, o que é conhecido como ponto de
queda de 3 dBs.
Entre estes extremos, a tensão de saída atinge um valor máximo, fig. 1.24(a). A
frequência deste ponto é chamada de frequência de operação ou frequência de
ressonância do circuito, onde o desvio de fase é 0º.
Verificando o gráfico fasorial representado pela fig. 1.24(b), podemos ver que
em frequências muito baixas o ângulo de fase é positivo o que caracteriza o
avanço. Em frequências muito altas o ângulo de fase é negativo, o que
caracteriza o atraso. Entre estas frequências existe uma em que a relação de fase
é 0º. Esta é a frequência de ressonância. A fig. 1.24(c) mostra o diagrama
fasorial entre as tensões de entrada e saída. A extremidade do fasor pode estar
em qualquer ponto do circuito tracejado, por isso, o angulo de fase pode variar
entre -90º e +90º.
Podemos afirmar então que o circuito da fig. 1.23 se comporta como um
circuito ressonante quando f = fr, a fração de realimentação, atinge um valor
máximo de 1 / 3 e o angulo de fase é de 0º. Acima ou abaixo de fr o ganho da
malha B é menor que 1 / 3 e o angulo de fase não é 0º.

d) Frequência de ressonância para o circuito de Avanço-atraso.


A saída do circuito da fig. 1.23 é:

Simplificando a expressão de Vout, chegamos a:

Estas expressões produzem os gráficos das fig. 1.24 e 1.25.


OSTENSIVO 1-31 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

A equação de B tem um valor máximo quando R = Xc, para esta


condição, B = 1/3 e  = 0º. Este resultado representa a fr do circuito de
avanço-atraso. Como Xc = R, podemos dizer que:
1 / (2.π. fr.C) = R então: fr = 1 / (2.π.R.C)

1.3.3 - Operação do circuito oscilador Ponte de Wien


A fig. 1.25(a) mostra um oscilador Ponte de Wien com amplificador operacional.
Notamos que o amplificador utiliza os dois tipos de realimentação, a positiva e a
negativa, pois há dois caminhos para a realimentação. A entrada não inversora
está ligada ao circuito ressonante e a entrada inversora recebe a realimentação
negativa, através de um divisor de tensão.

Figura 1.25 - Oscilador Ponte de Wien com Amp-Op.


Inicialmente Vf positiva > Vf negativa, isto ajuda a crescer o sinal do oscilador ao
se estabelecer as condições iniciais. Após o sinal de saída atingir a amplitude de
operação do oscilador, a realimentação negativa reduz o ganho para 1, pois ao se
ligar o circuito, a lâmpada de tungstênio tem baixa resistência, logo a Vf é
pequena. Por isto, o ganho do circuito é maior que 1 e as oscilações podem crescer
até que f = fr. À medida que a tensão de realimentação aumenta, a lâmpada aquece
e a resistência interna aumenta. No valor de Vout alto, a resistência da lâmpada
atinge o valor R’, o ganho de tensão da malha não inversora cai, como podemos
verificar na fig 1.25(b).

 = 1
OSTENSIVO 1-32 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Como o circuito de avanço-atraso tem o ganho de 1 / 3 para fr, o ganho de tensão


da entrada não inversora é maior que 3 ao se estabelecerem as condições iniciais de
operação, logo o A.B > 1.
Conforme cresce a oscilação, a resistência da lâmpada cresce, quando R(lâmp) = R’,
A.B = 1, então o oscilador fica estabilizado com:

fr =

NOTA: A defasagem introduzida pelo circuito deve ser de 0º. No oscilador Ponte
de Wien, a fase será 0º quando as oscilações atingirem a uma fr = 1 / (2..R.C).
Logo podemos ajustar a fr variando os valores de R ou C, considerando que a
defasagem introduzida pelo amplificador é 0º. Para que isto aconteça é necessário
haver um compromisso entre a fr e a frequência critica do amplificador (fc).
fc > fr
Exercício:
Para o circuito abaixo determine:

Figura 1.26 – Circuito Oscilador Ponte de Wien.

1.4 - OSCILADORES A CRISTAL


1.4.1 - Conceitos básicos
Quando o fator determinante da qualidade do oscilador for a estabilidade de
frequência, é importante que a rede de realimentação seja constituída através de um
cristal.

OSTENSIVO 1-33 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Nos equipamentos cuja frequência de transmissão ou de recepção é fixa,


normalmente os osciladores são controlados a cristal.
O exemplo mais latente é o circuito clock de um computador, pois toda a operação
da CPU é executada através do que se conhece como ciclo de máquina, que nada
mais é que um pulso do clock.
O clock é um oscilador, gerador de onda quadrada que, mais a frente, conhecermos
como multivibrador Astável.
Notamos que se houver uma pequena variação da frequência deste oscilador, o
tempo do ciclo de máquina poderá ser alterado, logo, comprometida toda a
operação da CPU e, logicamente, a operação de todo um sistema computacional.
Para que não haja nenhuma alteração na frequência de operação, o oscilador clock
de todo o computador é controlado a cristal.
1.4.2 - Tipos de Cristais
Alguns cristais na natureza apresentam o que se chama de Efeito Piezoelétrico. As
principais substâncias são: quartzo, sais de rochelle e turmalina.
a) Sais de Rochelle
Possuem maior atividade Piezoelétrica, ou seja, vibram com mais facilidade que
os outros, quando a eles é aplicada uma tensão AC. Mecanicamente são mais
frágeis. Muito utilizados em microfones, toca discos, cabeçotes e alto-falantes.
b) Turmalina
Menor atividade Piezoelétrica, mais forte mecanicamente e de custo mais alto.
Sua utilização é para frequências muito altas.
c) Quartzo
Compromisso entre a atividade Piezoelétrica dos sais e a rigidez mecânica da
turmalina, torna o custo baixo e é facilmente encontrado na natureza.
Amplamente usado em osciladores de RF e filtros.
1.4.3 - Cortes no cristal
A fig. 1.27 mostra a forma natural de um cristal de quartzo.

Figura 1.27 - Cristal de quartzo.


OSTENSIVO 1-34 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Para utilização, o cristal é cortado como uma fatia retangular com espessura ‘t’,
como apresentado na fig. 1.28.

Figura 1.28 - Fatia retangular do cristal.

Existem diversas maneiras de se executar o corte em um cristal: X, Y, XY ou AT.


Cada tipo de corte tem a sua propriedade piezoelétrica. Para conseguirmos mais
informações sobre os cortes devemos consultar os manuais dos fabricantes.
Para sua aplicação em eletrônica esta fatia é montada entre duas placas metálicas,
fig.1.29.

Figura 1.29 - Montagem de uma fatia de cristal.

A quantidade de vibração depende da frequência do sinal de entrada (fin). Ao


variarmos a fin, poderemos encontrar frequências em que as vibrações do cristal
atingem um valor máximo.

1.4.4 - Frequência fundamental e sobretons


Todo cristal é cortado para ter a maior vibração em uma frequência chamada de
frequência fundamental ou frequência mais baixa (f).
As frequências mais altas são múltiplos da fundamental conhecidos como
sobretons = n.f, sendo “n” um número inteiro positivo. A frequência fundamental
do cristal é:
fo = k / t

OSTENSIVO 1-35 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

k – constante que depende do corte, anteriormente abordado; e


t – a espessura do cristal
Isto nos leva a imaginar que existe um limite para o sobreton, pois quanto menos
espesso o cristal, mais fácil de romper. Os cristais de quartzo funcionam bem até
10 MHz. Para frequências maiores são usados cristais de turmalina.

1.4.5 - Equivalente CA de um cristal


Um cristal visto por uma fonte CA tem como equivalente elétrico o circuito
mostrado na fig. 1.30.

Figura 1.30 - Equivalente elétrico de um cristal.

Quando o cristal está vibrando, comporta-se como um circuito sintonizado como


mostra a fig. 1.30. Dependendo do corte e espessura do cristal, os valores dos
componentes equivalentes podem variar. Como exemplo, um cristal pode ter as
seguintes características:
L = 3 H; Cs = 0,05 pF ; R = 2 k e Cm =10 pF

Os cristais possuem valores de Q altíssimos. Para os valores acima podemos


calcular um Q acima de 3000, porém os cristais apresentam geralmente valores
acima de 106. Estes altos valores de Q determinam frequências estáveis nos
osciladores.
Analise a expressão da exata:

OSTENSIVO 1-36 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Comparados com um oscilador LC, notamos que os osciladores a cristal têm uma
tolerância na muito pequena.

1.4.6 - Ressonância série e ressonância paralela


Além do Q, L, Cs, R e Cm, precisamos conhecer mais duas características do
cristal. A primeira, a fS, que é a frequência do ramo série. Nesta frequência a
ressonância acontece entre L e Cs (corrente de ramo) na fig. 1.30 e a sua expressão
se reduz a:

fS =

A segunda, a fP (ressonância paralela), a corrente em consideração é a corrente de


malha (loop), representada na fig. 1.30, que atinge o seu valor máximo. Como a
capacitância total é a associação série de Cs e Cm (Cloop), é expressa como:

Cloop =

Consequentemente, a frequência de ressonância paralela será:

fP =

Considerando os valores de capacitância, veremos nas características do cristal que


Cm >>> Cs, logo Cloop será ligeiramente menor que Cs (associação série de
capacitores), logo, podemos concluir que fP é ligeiramente maior que fS.
Como exercício verifique fS e fP para o cristal cujas características foram
discriminadas anteriormente.
Isto quer dizer que quando usarmos um cristal num circuito equivalente, como o da
fig. 1.31, todas as capacitâncias adicionais do circuito aparecem em paralelo com
Cm.

OSTENSIVO 1-37 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Fig. 1.31 - Circuito equivalente de um cristal.


Por isso a frequência de oscilação deverá estar entre fS e fP; estas fixam os
limites inferior e superior para a frequência do oscilador a cristal.

1.4.7 - Estabilidade do cristal


Todo oscilador tende a apresentar variações de frequência ao longo do tempo de
operação. Estas variações acontecem devido às condições climáticas, em termos de
temperatura, pressão atmosférica e umidade relativa e o próprio desgaste dos
componentes por envelhecimento. No cristal esta variação é muito pequena em
termos 1 ppm (parte por milão) por dia, sendo muito aproveitada nos osciladores
de relógios de pulso.
O termo ppm é aplicado para exprimir a estabilidade de dispositivos em geral. Por
exemplo, um oscilador especificado como : 5 MHz; 20 ppm, indica que para cada
milhão de hertz pode haver uma vaiação de até 20 Hz, ou seja, o oscilador de 5
MHz do exemplo, na prática terá um valor entre: 4,999990 MHz e 5,000010 MHz.
Quando se utiliza osciladores a cristal acondicionados em câmaras térmicas de
precisão, com condições climáticas controladas, a variação de frequência do
oscilador diminui para 1 em 1010 por dia. Em termos de padrão de tempo de
frequência significa que um relógio que usa este padrão de variação levaria 300
anos para adiantar ou atrasar 1 segundo.

1.4.8 - Tipos de osciladores a cristal


a) Oscilador a cristal Colpitts

OSTENSIVO 1-38 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 1.32 - Oscilador a cristal Colpitts a TJB configuração emissor comum.

O divisor de tensão formado por C1 e C2 produz a tensão de realimentação para


o amplificador, da mesma maneira como acontece no circuito LC. A frequência
de oscilação estará entre a fS e a fP do cristal.

Figura 1.33 - Oscilador a cristal Colpitts a TJB configuração base comum.

Nesta variação do circuito Colpitts, a realimentação é aplicada ao emissor e não


na base. Esta variação permite que o oscilador opere em frequências mais altas.

OSTENSIVO 1-39 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

b) Oscilador a FET do tipo CLAPP

Figura 1.34 - Oscilador a FET do tipo CLAPP.

O oscilador do tipo “Clapp” é usado para melhorar ainda mais a estabilidade de


frequência, reduzindo sobremaneira o efeito das capacitâncias parasitas.

Exercício:

Calcule a fs e a fp de um cristal com os seguintes valores:

L=3H ; Cs=0,05pF ; R=2k e Cn = 10pF

OSTENSIVO 1-40 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

CAPÍTULO 2
GERADORES DE ONDAS QUADRADAS
2.1 - CONCEITOS BÁSICOS SOBRE ONDAS NÃO SENOIDAIS
Cada forma de onda não senoidal pode ser vista como a soma das amplitudes de ondas
senoidais espalhadas em uma banda de frequência. O espalhamento da banda depende da
forma de onda. Assim, o desenvolvimento de um sinal não senoidal através de um circuito
linear é uma função de espectro de frequência (espalhamento da banda) e das características
do circuito.
No estudo da técnica de pulsos, consideramos a relação entre o sinal não senoidal e o espectro
de frequência da seguinte maneira: se (t) é uma função periódica de "t" com um período T e
(t) existe no período de 0 a T, então para qualquer forma de onda não senoidal teremos:
f(t) = A0 +

Sendo que:

Onde esta expressão representa o valor médio ou nível DC de qualquer sinal.

Esta expressão representa as amplitudes das harmônicas em Cosseno de uma frequência


fundamental.

Representando as amplitudes das harmônicas em Seno de uma onda fundamental.

Também podemos afirmar que na expressão de (t), se (t) for par, os termos Bn = 0 e se (t)
for ímpar, os termos An = 0.
A expressão de (t) anteriormente mostrada é o que em matemática chamamos de série de
Fourier, que é um modelo matemático que transforma uma função que está no domínio do
tempo, para o domínio da frequência.

OSTENSIVO 2-1
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

(a) (b)

Figura 2.1 – Onda senoidal no domínio do tempo (a) e no domínio da frequência (b).

Quando observamos um sinal complexo no domínio do tempo, com o auxílio do osciloscópio,


fig. 2.2(a) estaremos visualizando na tela da VRC o somatório instantâneo de todas as
componentes senoidais que formam um sinal complexo. Se por outro lado, se desejarmos
visualizar este sinal no domínio da frequência, deveremos lançar mão do auxílio de um
Analisador de Espectro fig. 2.2(b).

(a) (b)

Figura 2.2 - Sinal complexo visto no osciloscópio (a) e no analisador de espectro (b).

Podemos formar ondas não senoidais com elementos ativos como, TJB, válvulas ou CIs e com
elementos passivos como resistores e capacitores ou resistores e indutores. Estes circuitos
respondem expressões imediatas como integração e diferenciação.
Os sinais não senoidais ou complexos possuem uma infinidade de formas possíveis, porém as
mais amplamente usadas são: quadrada, dente de serra ou rampa e os pulsos ou impulsos.

2.1.1 - Onda quadrada


Quando se aplica a série de Fourier em uma função chamada “degrau unitário”, verifica-se
que este sinal é formado pela composição (somatório) de uma onda senoidal fundamental e

OSTENSIVO 2-2
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

todas as amplitudes das harmônicas ímpares em fase com esta onda fundamental, cujas

amplitudes, logicamente, são menores, ou seja: f(t) = f1 + ; onde f(t) é o sinal

resultante, f1 é a frequência fundamental, fn são os harmônicos e n = 3, 5, 7, 9, ..., ∞.

Figura 2.3 – Formação onda quadrada.


Onde:
a = fundamental (f1); b = 3º harmônico (f3); c = 5º harmônico (f5); e d = resultante (a + b + c).

Obs.: Harmônicos de uma frequência são os múltiplos desta frequência. Por exemplo, seja
uma frequência fundamental de 20 kHz, então teremos: 20 kHz (fundamental)  40 kHz (2°
harmônico); 60 kHz (3° harmônico); 80 kHz (4° harmônico); ...

2.1.2 - Onda dente de serra


Da mesma forma o sinal complexo da forma de rampa ou dente de serra é formado pelo
somatório das amplitudes de uma onda fundamental com amplitudes das harmônicas pares e

ímpares em fase com a fundamental. Ou seja: f(t) = f1 + ; onde f(t) é o sinal

resultante, f1 é a frequência fundamental, fn são os harmônicos e n = 2, 3, 4, 5, 6, 7, ..., ∞.

Figura 2.4 – Formação da onda dente de serra.


OSTENSIVO 2-3
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Onde:
a = fundamental (f1); b = 2º harmônico (f2); c = 3º harmônico (f3); e d = resultante (a + b + c).
2.1.3 - Pulsos ou impulsos
A composição deste sinal complexo é feita pelo somatório das amplitudes senoidal
fundamental e das amplitudes de todas as suas harmônicas ímpares defasadas de 180º da
onda fundamental, em relação ao harmônico ímpar anterior.

Figura 2.5 – Formação de Pulsos.

Onde: a = fundamental (f1); b = 3º harmônico (f3) defasado de 180º em relação f1; e c =


resultante (a + b).

O somatório total será: f(t) = f1 + ; onde f(t) é o sinal resultante, f1 é a frequência

fundamental, fn são os harmônicos e n = 3, 5, 7, 9, ..., ∞. Com fn defasado de 180º de f(n – 2),


isto é: f(t) = f1 + ( f3 + f7 + f11 + ... ) + (f5 + f9 + f13 + ... ).

(defasados 180º em relação a f1) (em fase com f1).

2.2 - MULTIVIBRADORES
Com o desenvolvimento dos sistemas eletrônicos, houve a necessidade de se criar circuitos que
operem ou que forneçam sinais não senoidais.
Estes sinais podem ser definidos como variações momentâneas de tensões ou correntes e
podem incluir tensões de ondas retangulares ou quadradas, ondas triangulares e pulsos.
Os multivibradores são circuitos eletrônicos que geram em sua saída um sinal complexo de
onda quadrada. Estes sinais podem ser contínuos, como uma cadeia repetitiva de ondas
quadradas ou simples pulsos produzidos em intervalos retangulares de tempo.

OSTENSIVO 2-4
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Existem diversos tipos de multivibradores, cada um elaborado para uma aplicação específica.
Os circuitos multivibradores são muito usados em receptores de TV, osciloscópios,
computadores e sistemas digitais em geral.
Os circuitos multivibradores (figura 2.6) são normalmente constituídos por circuitos
integrados (CIs) ou por dois transistores polarizados no mesmo POE (Ponto de Operação
Estática), com a saída de um amplificador acoplada à entrada do outro, a fim de obter uma
realimentação positiva. Os transistores do circuito multivibrador trabalham um no estado de
corte e o outro no estado de saturação.
Com relação à estabilidade do estado de saída, estes poderão ser classificados como:
Biestáveis, Monoestáveis ou Astáveis.

A1

A2

Figura 2.6 – Multivibrador.

2.2.1 - Multivibrador Biestável


São circuitos que possuem duas posições de operação estáveis. Para que este multivibrador
faça a mudança do seu estado inicial, há a necessidade da ocorrência de uma excitação
externa, para que o circuito saia da inércia. Para cada troca de estado, um novo pulso externo
deverá ser aplicado. O multivibrador biestável é denominado na eletrônica digital como flip-
flop.

OSTENSIVO 2-5
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

(a) (b)

Figura 2.7 - Multivibrador Biestável: representação em bloco (a) e diagrama de estados (b).

Figura 2.8 - Diagrama temporal (timming) do Multivibrador Biestável.

a) Aplicações para o Biestável


Célula básica das memórias S-RAM; divisor de frequência; circuito de comutação;
circuitos contadores; circuitos registradores, etc...

b) Circuito discreto

Figura 2.9 - Multivibrador Biestável com TJB.

I) Condições iniciais
OSTENSIVO 2-6
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Ao se ligar o circuito, o transistor mais sensível aos sinais de ruídos presentes no


circuito conduzirá primeiro, provavelmente aquele que apresentar um  maior.
Estabelecida a condução de um dos TJBs, imediatamente o seu VCE cai, fazendo com
que a tensão de base do outro caia, elevando o seu VCE, que aumenta o VB do transistor,
que começa a conduzir. Esta ação é cumulativa até que o transistor que conduziu
primeiro atinja a saturação, VCE = 0 e o outro, o corte, VCE = VCC.
Esta condição é estável pois o circuito, por meios próprios, jamais sairá desta
condição. Nesta condição um dos transistores terá o seu VCE = 0, saída baixa, e o
outro terá VCE = VCC, saída alta, como visto no diagrama de estados.
Ao se aplicar um pulso de disparo, note que um dos diodos estará polarizado
diretamente e conduzirá. Este diodo será o que está ligado à base do transistor que está
cortado.
Essa condução do diodo, tirará momentaneamente o transistor do corte, o que
provocará uma nova ação cumulativa, o que resultará na troca do estado de saída.

II) Período do sinal de saída


O período do sinal de saída de um biestável é o dobro do período do sinal de disparo,
consequentemente, a sua frequência será a metade.

c) Exercícios
I) Determine e represente as formas de onda do sinal de saída de um biestável cujo sinal
de disparo tem uma FRI (frequência de repetição de impulsos) de 800 pps.

II) Sabendo-se que a frequência do sinal de saída de um Biestável é uma FRI de 500Hz,
determine a TRI (tempo de repetição de impulsos) do sinal de disparo e represente as
formas de onda do sinal de saída do multivibrador e do sinal de disparo.

2.2.2 - Multivibrador Monoestável


São circuitos que podem operar em duas posições sendo uma instável e outra estável.
Ao se ligar o circuito a saída assume um nível lógico estável, o qual só será trocado com a
ocorrência de um sinal de disparo externo (como no Biestável).
Essa troca do estado de saída é momentanea (estado instável) e depende das constantes do
circuito.

OSTENSIVO 2-7
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Decorrido este tempo o circuito volta à condição estável inicial, automaticamente.


A figura 2.10(a) mostra a representação em bloco de um moestável e a figura 2.10(b)
representa o seu diagrama de estados.
Se a condição estável inicial é: A = Q = “1” (VOUT = VCC) e B = Q’ = “0” (VOUT = 0 V).
Mas quando o monoestável é disparado por pulso externo, essa condição muda
momentaneamente (período instável), passando A = Q = “0” (VOUT = 0 V) e B = Q’ = “1”
(VOUT = VCC).
Após um determinado tempo (t = t), determinado por uma constante de tempo RC, o
circuito volta a condição estável inicial, ou seja, A = Q = “1” (VOUT = VCC) e B = Q’ = “0”
(VOUT = 0 V). Permanecendo assim até a chegada de um novo pulso, quando então o processo
sse repete.

(a) (b)
Figura 2.10 - Monoestável: representação em bloco (a) e diagrama de estados (b).

a) Diagrama temporal (“timming”)

Figura 2.11 -Diagrama temporal ("timming").

OSTENSIVO 2-8
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

b) Aplicações
Regenerador ou restaurador de pulsos; circuito de retardo; circuito de disparo automático;
circuito temporizador em alarmes; e aplicações diversas em circuito digitais.

c) Circuito discreto

Figura 2.12 - Circuito monoestável discreto com TJB.

Note que na fig. 2.12, na forma em que o circuito está polarizado, garante-se que ao se
estabelecer as condições iniciais Q1 estará cortado (OFF) e Q2 estará conduzindo (ON), o
que nos coloca como estado estável Q = 0 e Q’ = 1.
Ao se aplicar o disparo com a polaridade correta, este pulso tirará momentaneamente Q2
do estado ON, o que elevará o potencial de coletor e fará com que a tensão de base de Q1
se eleve, fazendo com que este entre em saturação.
Quando VCE de Q1 vai a zero volt, a fonte carrega C1 através de R3, fazendo a tensão de
base de Q2 se elevar até que a tensão no capacitor tire este transistor do corte, fazendo-o
saturar, o que novamente o coloca na situação anterior, ou seja, VCE(Q1) = 0 e
VCE(Q2) = 1.
O período de instabilidade do circuito depende dos valores de R3 e C1 para o circuito e de
uma constante que depende do tipo de componente a ele associado, ou seja: transistor,
FET ou CI. Para o caso do circuito discreto apresentado, o período de instabilidade será:
T = 0,69 . R3 . C1

OSTENSIVO 2-9
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Genericamente, para o circuito transistorizado com TJB: T = 0,69 . R . C

d) Ciclo de trabalho (Duty Cicle)


O ciclo de trabalho é definido pela relação matemática abaixo:

DC (%) =

O "Duty Cicle" ou ciclo de trabalho é uma característica do multivibrador Monoestável


(One Shot) que não deve ser excedida, pois correremos o risco de o sinal de saída não ter
a duração para a qual o circuito foi projetado. Observe a figura 2.13 abaixo:

Figura 2.13 – Onda saída Q do Monoestável .

TON é o tempo de instabilidade do One Shot, e TOFF é o tempo necessário para que o
circuito restabeleça as suas condições iniciais de operação. Logicamente se esta condição
for excedida, o circuito não poderá executar a sua função acertadamente.
Para cada tipo de One Shot (transistor, FET, Amp-Op ou CI) haverá um DC
correspondente. O DC limita a frequência de repetição de impulso (FRI).
Atualmente com o advento dos circuitos integrados digitais esta característica está sendo
posta de lado pelos circuitos conhecidos como “Retrigáveis”, cujo DC é ilimitado. Como
exemplos, podemos citar o 74122 (Fig. 2.14) que é um One Shot Retrigável da família
TTL e o 4098 (Fig. 2.15) que é um Dual One Shot Retrigável, da família C-MOS.

OSTENSIVO 2-10
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 2.14 – “One Shot Retrigável” (CI-74122).

Para obter a temporização externamente, deve-se ligar um capacitor do pino 11 ao pino 13


e do pino 13 um resistor ao Vcc. “R” deve estar situado entre 5 e 25 k e C não deve ser
menor que 10 pF.

e) 4098 – ("Dual Retriggable One Shot")

Figura 2.15 – “Dual Shot Retrigável” (CI-4098).

Para este CI da família C-MOS as características do pulso de disparo e do pulso de saída


são as seguintes:
TOUT = R .C
I) Duração do pulso de entrada: Tmín = 70 ns para VDD = 5V
Tmín = 30 ns para VDD = 10V
II) Duração do pulso de saída: Tmín = 550 ns para VDD = 5V
Tmín = 330 ns para VDD = 10V

Obs.: podemos verificar que dependendo da alimentação teremos tempos diferentes.


OSTENSIVO 2-11
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Exercícios
1) Sabendo-se que um “one shot” (Fig 2.13) está sendo disparado por um trem de
impulsos cuja FRI é de 1600 pps e que os componentes determinadores do período de
instabilidade são: R = 10 k e C = 0,02 F, faça um gráfico da forma de onda de saída,
admitindo que em condições iniciais de operação Q = 0 e Q’ = 1.

2) Para o exercício anterior, determine o DC do “one shot”.

2.2.3 - Multivibrador Astável ou circuito "clock"


São circuitos que operam com duas posições instáveis permanecendo determinados
intervalos de tempo em cada uma delas.
Este circuito é um oscilador, não depende de disparo externo, que gera um sinal de saída não
senoidal. Como as amplitudes do sinal de saída são constantes e os elementos amplificadores
operam em corte e saturação, o sinal de saída deste oscilador é uma onda muito próxima da
onda quadrada. A fig. 2.16 ilustra a operação do circuito Astável.

Figura 2.16 – Operação do Astável.

a) Astável com elementos discretos

Figura 2.17 - Astável com elementos discretos.

OSTENSIVO 2-12
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Analisando a operação do circuito da fig. 2.17 notamos que ao estabelecermos as


condições iniciais de operação, o transistor mais sensível aos ruídos presentes no circuito
(maior Beta) entrará no estado de condução. O transistor que começa a conduzir irá
rapidamente à saturação, levando o outro ao corte.
O transistor saturado irá carregar o capacitor ligado ao seu coletor, em direção ao VCC,
através do seu resistor.
Decorrido T = 5., a tensão do capacitor será tão alta que tirará o outro transistor do corte,
levando-o à saturação. Esta variação será acoplada à base do transistor que inicialmente
estava saturado, o que provocará o seu corte, e o processo se repete agora na malha do
outro transistor. Esta ação é cumulativa e estará se repetindo enquanto o circuito estiver
alimentado.
Normalmente os dois transistores estarão operando de modo que o DC (ciclo de trabalho)
de cada um seja de 50%.
Neste caso teremos a simetria da forma de onda, pois TON = TOFF. Fig. 2.18(a).
Se por acaso o DC < 0,5, então TON < TOFF. Fig. 2.18(b).
Caso contrário, se DC > 0,5, então TON > TOFF. Fig. 2.18(c).

(a) (b) (c)


Figura 2.18 - Duty cicle.

I) Período do sinal de saída.


Para o circuito anteriormente analisado podemos dizer que:
TQ1 = 0,69 . R2 . C1 e TQ2 = 0,69 . R3 . C2

Logo podemos dizer que o período do sinal de saída é:

OSTENSIVO 2-13
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

T = TQ1 + TQ2 => T = 0,69 . (R2 . C1 + R3 . C2) =>

fo =

Isto para qualquer valor de DC.


Para DC = 0,5, ou seja, o sinal de saída é simétrico, logo:
TQ1 = TQ2 => 0,69 . R2 . C1 = 0,69 . R3 . C2 =>
R2 = R 3 = R e C 2 = C1 = C
T = 0,69 . [ 2 . (R . C) ] =>
T = 1,38 . R . C =>

fo =

Exercícios:
1) No circuito analisado considere R1 = R2 = 30 k  e C1 = C2 = 20 nF. Determine a
frequência de operação.

2) Varie o valor de R para um ciclo de trabalho (DC) = 0,25.

3) Altere o valor dos capacitores para um DC = 0,75.

b) Astáveis com circuitos digitais


Podemos também construir oscilador a partir de circuitos integrados TTL ou C-MOS.
Quando a estabilidade de frequência não é muito importante (áudio, por exemplo),
utilizamos osciladores RC. Se a estabilidade é um fator preponderante o controle da Fo
deve ser feito através de cristais.

OSTENSIVO 2-14
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 2.19 - Astáveis com circuitos digitais.

I) Operação do circuito
Estabelecidas as condições iniciais G2 = “H” (nível alto) e G1 = “L” (nível baixo).
Esta polarização provocará a carga de C através de R.
Quando Vc > 0,5.VCC, a tensão de saída de G2 passa para “L” e a de G1 passa para
“H”. Sabemos que Vc não se altera instantaneamente, a tensão na entrada G2 aumenta
mais ainda, o que realimenta ainda mais a mudança de estado de G2.
O capacitor carrega-se agora no sentido contrário. Quando a tensão de entrada voltar
para 0,5.Vcc, a tensão de saída voltará novamente para “H”, logo, G1 = “L”.
Esta variação negativa é acoplada à entrada de G2, reiniciando o processo. Veja o
“timming” abaixo:

Figura 2.20 – Diagrama temporal do astável digital.

O período do sinal de saída é: T = 2,2.R.C => fo = 1 / 2,2.R.C


Este oscilador apresenta a saída simétrica, ou seja, DC = 0,5.

OSTENSIVO 2-15
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Em muitas aplicações necessita-se de um circuito oscilador assimétrico, ou seja, que


Ton  Toff ou ainda DC  0,5.
A solução é fazer com que a carga do capacitor siga um caminho diferente da
descarga.

c) Oscilador digital com saída assimétrica

Figura 2.21 - Oscilador digital com saída assimétrica.

Quando a saída G2 é alta, a carga de C é feita através do paralelo entre R1 e R2, pois D1
está conduzindo. Mas na descarga, a corrente inverte e o diodo corta, o que faz com que o
caminho de descarga do capacitor se faça apenas através de R2. Se invertermos o diodo a
ação será ao contrário.
TLO = 1,1.(R1 // R2).C e THI = 1,1.R2.C  fo = 1 / (TLO + THI)

d) Oscilador digital controlado a cristal


Usando o CI 4001 (Fig. 2.22), a gate G1 opera como amplificador e G2 como buffer
(isolador).
A frequência de operação Fo é determinada pelo cristal, C2 permite um pequeno ajuste
em torno de 1 kHz em 1 MHz. R1 e C1 permitem a rotação de fase adequada no elo de
realimentação.

OSTENSIVO 2-16
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 2.22 - Oscilador digital controlado a cristal.

2.3 - TEMPORIZADOR (TIMMER) 555


Este CI associa dois comparadores, um Flip-Flop Set Reset (FF-SR) e um transistor de
descarga. Este conjunto é muito versátil e é um padrão industrial.

2.3.1 - Circuito temporizador básico


O circuito da fig. 2.23 representa o diagrama esquemático de um circuito temporizador
básico, formado por um comparador, um FF-SR e um transistor de descarga..

Figura 2.23 - Circuito temporizador básico.

Admitindo, inicialmente, que Q = H. Logo, o transistor de descarga está saturado, o que faz
a tensão do capacitor C se igualar a 0V. A tensão da entrada não inversora do AmpOp é
chamada de “tensão de limiar” e a tensão de entrada inversora é chamada de “tensão de
controle”.
Com Q = H e o transistor saturado, a tensão de limiar é mantida em 0V. A tensão de controle
é fixada em 10V.
Aplicando uma tensão H na entrada R do FF-SR, a saída Q = L, isto faz o transistor cortar, o
que acarreta a carga no capacitor através de R.
OSTENSIVO 2-17
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Conforme o capacitor aumenta sua carga a tensão de limiar cresce na mesma proporção.
Quando a tensão de limiar for levemente maior que a tensão de controle, a saída do AmpOp
[(Vout = (Vin1 – Vin2).A)] torna-se H fazendo com que Q = H, saturando o transistor e
fazendo com que a tensão no capacitor caia rapidamente. Vide a forma de onda representada
na fig. 2.23.

2.3.2 - Diagrama em bloco do 555


A fig. 2.24 representa o diagrama em blocos do circuito simplificado do timmer 555, que é
um CI de 8 pinos.
O comparador superior tem uma entrada de tensão de limiar (pino 6) e uma entrada de tensão
de controle (pino 5), normalmente a entrada de controle não é utilizada de modo que a tensão
de controle é igual a 2/3 de VCC. Sempre que a tensão de limiar exceder à tensão de controle
a saída do comparador ativa o FF-SR. O transistor de descarga está ligado ao pino 7.

Figura 2.24 - Diagrama em bloco do 555.

Quando a este pino é ligado um capacitor de descarga, toda vez que Q = H satura o transistor
e descarrega o capacitor. Quando Q = L, o transistor entra no corte e o capacitor pode ser
carregado. A saída do dispositivo está ligado ao pino 3. O pino 4 tem a função de desativar o
dispositivo toda vez que a ele for aplicado um nível de tensão LOW. Para liberar a operação,
conecta-se o pino 4 ao pino de alimentação 8.
O comparador inferior, tem na sua entrada invertida (pino 2) o potencial de disparo (trigger).
Devido ao divisor resistivo, a entrada não inversora tem um potencial fixo de VCC/3. Quando
a tensão de disparo se torna ligeiramente menor que Vcc/3, a saída do AmpOp se torna H e

OSTENSIVO 2-18
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

desativa o flip-flop, ou seja Q = L. Finalmente o pino 1 é a referencia (GND) e o pino 8 é o


pino de alimentação, que pode ser ligado a tensões de 4,5 a 16 V.
2.3.3 - Operação Monoestável
A fig. 2.25 mostra o timmer 555 conectado numa configuração Monoestável (one shot).
Quando a entrada de disparo é ligeiramente menor que VCC/3, o comparador tem uma saída
alta e desativa o flip-flop, cortando o transistor e permitindo que o capacitor se carregue.
Quando a tensão do capacitor é ligeiramente maior que 2/3 de VCC, o comparador superior
tem uma saída H que faz Q = H; o transistor satura, descarregando rapidamente o capacitor.

Figura 2.25 - Operação Monoestável.

A fig. 2.26 mostra o diagrama temporal do circuito.

OSTENSIVO 2-19
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 2.26 - Diagrama temporal.

O capacitor se carrega através de R. Quanto maior a constante de tempo, maior é o tempo


para que Vc = 2 . VCC / 3, logo R.C controla a largura do pulso de saída:
T = 1,1 . R . C
Normalmente o 555 não é mostrado com suas conexões internas e sim como um bloco único,
apenas mostrando a pinagem do CI. Por isso é importante guardarmos a função de cada pino
deste CI, pois sua aplicação é cada vez mais comum em todos os circuitos que envolvam
temporização de sistemas.
Note que existe um capacitor de pequeno valor ligado do pino 5 ao potencial de terra. Este
capacitor faz a filtragem do ruído da tensão de controle. Lembre-se que um pulso baixo no
pino 4 desativa o flip-flop, logo deveremos ligá-lo para VCC para evitar disparos aleatórios.
A fig. 2.27 mostra um Monoestável (one shot) com o 555 representado em um circuito
reduzido.

Figura 2.27 - Monoestável com 555.

OSTENSIVO 2-20
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Este CI tem um DC de aproximadamente 80%, em sua operação Monoestável. Resumindo,


nesta configuração o 555 produz um pulso único cuja duração depende dos valores de R.C, e
este pulso é gerado a partir da aresta de descida do pulso de disparo.

2.3.4 - Operação Astável (oscilador)


A fig. 2.28 mostra como devemos ligar os pinos do 555 para que este gere uma onda
quadrada de período T e frequência F em sua saída.

Figura 2.28 - Operação Astável (oscilador).

Neste tipo de ligação, notamos que o caminho de carga do capacitor é um resistor formado
por RA + RB e o caminho de descarga é apenas RB. Como o tempo de carga é maior que o
tempo de descarga, teremos uma operação assimétrica do circuito, pois o estado H é maior
que o estado L. Como :
DC = TON / (TON + TOFF)

Dependendo dos valores de RA e RB o DC poderá variar entre 50 e 100%. O ciclo de trabalho


ou taxa de trabalho (TT) em função dos dois resistores fica:

DC% = ; se: RA <<< RB 

OSTENSIVO 2-21
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

DC = 50% ; fo = 1,44 / (RA + 2.RB).C


A fig. 2.29 mostra o diagrama simplificado do oscilador 555 e as formas de onda resultantes.

Figura 2.29 - Diagrama simplificado do 555 e formas de onda.

2.4 - DISPARADOR SCHIMITT


Este circuito é muito usado como restaurador de formas de onda, tendo em vista uma
característica especial que este circuito tem chamada “histerese”. A fig. 2.30 ilustra o circuito
do Disparador Schimitt com componentes discretos e mostra também formas de onda de
entrada e saída que esclarecem o seu funcionamento
Estabelecidas as condições iniciais, Q1 = OFF e Q2 = ON. Quando VIN atinge UTP (Upper
Trigger Potential), Q1 = ON e a realimentação do circuito faz Q2 = OFF, a tensão de saída
assume o valor VCC.

OSTENSIVO 2-22
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 2.30 - Disparador Schimitt.

Quando VIN diminui, até atingir o valor LTP (Lower Trigger Potential), Q1 = OFF e Q2 =
ON, de modo que a tensão de saída assume um valor próximo de VE.
Este circuito é projetado de forma que UTP  LTP a diferença entre estes dois potenciais
(UTP - LTP) é conhecida como histerese do circuito, por analogia ao que acontece no
fenômeno da magnetização do ferro.
A fig. 2.31 ilustra a curva de transferencia VOUT = f (VIN), para um Disparador Schimitt.

PGI = LTP e PGS = UTP

Figura 2.31 - Curva de transferência.

Uma das características inerentes ao Disparador Schimitt é a maior imunidade ao ruído de


corrente da histerese.
Observando a fig. 2.31, vemos que, uma vez a tensão de entrada tenha atingido UTP (Upper
Trigger Potential) a saída se manterá H, mesmo que haja um ruído superposto à forma de
onda, desde que a amplitude deste ruído seja menor que a histerese (UTP - LTP).
Do mesmo modo uma vez que a tensão de entrada tenha atingido LTP, a saída se manterá em
L, ignorando um ruído de amplitude menor que a histerese do circuito.
Num circuito digital, as entradas devem possuir tempos de subida e descida relativamente
curtos. Caso contrário, o circuito pode ficar instável, devido aos transistores internos ao CI
ficarem muito tempo na região ativa, e elementos que respondem a transição do sinal de
entrada (Edge Sensitive) podem deixar de operar.
OSTENSIVO 2-23
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

A realimentação positiva existente no Disparador Schimitt permite converter variações lentas


na entrada em transições rápidas na saída, conforme foi ilustrado na análise do circuito
discreto. Assim, o Disparador Schimitt é indicado para interfaceamento entre sinais de
variação lenta e circuitos lógicos.

2.4.1 - Circuitos disparadores Schimitt usando CIs TTL ou CMOS


A fig. 2.32, mostra dois Disparadores Schimitt construídos com portas lógicas TTL e
CMOS, indicando também os pontos de gatilhamento correspondentes:

( a ) Circuitos TTL ( b ) Circuito CMOS

Figura 2.32 - Circuitos Disparadores Schimitt usando CIs TTL ou CMOS.

No CI 7404 (TTL):
UTP = 0,95 V e LTP = 0,7 V

No CI 4050 (CMOS):
UTP = (VCC / 2) . [1 + (RI / RH)]
LTP = (VCC / 2) . [1 – (RI / RH)]

No circuito TTL, é necessário que o sinal de entrada provenha de uma fonte de baixa
impedância de saída. No circuito CMOS a impedância da fonte está limitada ao valor de RI,
fig. 2.32(b)
Apesar dos circuitos anteriores operarem relativamente bem dentro dos limites impostos, é
mais conveniente usarmos circuitos Schimitt Trigger já disponíveis na forma de CIs. Na
série TTL encontramos o 7413 que é um Dual Nand Gate four Input Schimitt Trigger ou o
7414 que é um Hex inverter Schimitt Trigger. Em ambos os casos, LTP = 0,9V e UTP =
1,7V com histerese de 0,8V.

OSTENSIVO 2-24
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Na série CMOS, podemos citar o 4093 que é um Quad Two input Nand Gate Schimitt
Trigger. Neste circuito teremos duas faixas de histerese.
Para alimentação de 5V :
LTP = 2,3V e UTP = 2,9V e histerese de 0,6V

Para alimentação de 10V:


LTP = 3,9V e UTP = 5,9V e histerese de 2,0V.
A impedância de entrada é praticamente infinita.
A utilização dos disparadores Schimitt digitais alcança melhores resultados em termos de
velocidade e impedância de entrada, dispensando o uso de resistores externos, sendo por isso
preferível aos circuitos discretos.

OSTENSIVO 2-25
a
5 REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

CAPÍTULO 3
CIRCUITOS GERADORES DE PULSOS
3.1 - OSCILADORES DE BLOQUEIO
O oscilador de bloqueio geralmente é utilizado como oscilador de comando para
sincronização de equipamentos. Ele é capaz de gerar pulsos ou impulsos de duração muito
curta, utilizados para disparar ou sincronizar outros circuitos no equipamento.
Os osciladores de bloqueio podem ser de dois tipos: livres e disparados.

3.1.1 - Oscilador de bloqueio livre (bloqueio astável)


Este tipo de oscilador é usado quando se quer prover um sistema de um pulso de
sincronismo entre seus diversos equipamentos. É capaz de gerar impulsos de duração muito
curta e com alta amplitude.

Figura 3.1 - Oscilador de bloqueio livre.

No circuito da fig. 3.1 quando é aplicada a alimentação ao coletor do transistor, este


começa a conduzir, fluindo uma corrente de coletor através dos terminais 3 e 4 do
transformador de pulsos, o que provoca o aparecimento de um campo magnético que ali se
desenvolve, induzindo uma tensão nos outros dois enrolamentos.
Isto faz com que no terminal 1 apareça uma tensão positiva, que é acoplada através de Cf
para a base de Q1, saturando-o, o mesmo ocorrendo com relação ao terminal 5 do
transformador.
Analisando o circuito podemos deduzir que a constante de tempo de carga de Cf é muito
pequena, por que se faz através da junção base-emissor de Q1, que está diretamente
polarizada.
Quando o transistor atinge a saturação plena e sua corrente se torna constante, deixa de
existir a tensão induzida, pois o campo magnético do transformador começa a diminuir (Lei

OSTENSIVO 3-1 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

de Lenz: Em = -L . i / t). Não havendo mais aumento na carga de Cf este começa a


descarregar, agora, por outro caminho, através de Rf. A descarga do capacitor torna a base
negativa, o que faz o transistor ir ao corte. Esta descarga é feita de forma lenta devido ao
valor de Rf ser muito maior que a resistência de base do transistor.
Quando a tensão no capacitor atingir um valor que tire a polarização reversa da base, um
novo ciclo se reinicia.
A fig. 3.2 mostra a forma de onda resultante da operação do oscilador de bloqueio.

Figura 3.2 - Forma de onda do oscilador de bloqueio livre.

3.1.2 - Oscilador de bloqueio disparado (monoestável de bloqueio)


A fig. 3.3 mostra o diagrama esquemático de um oscilador de bloqueio do tipo
monoestável, ou seja, para que gere o pulso de saída é necessário que haja um pulso de
disparo aplicado à base do amplificador, que pode ser um TJB ou um FET.

Figura 3.3 - Oscilador de bloqueio disparado.

Note que a diferença entre o oscilador de bloqueio livre e o monoestável é que, no livre, a
polarização de base é feita de modo que o amplificador esteja operando em sua região

OSTENSIVO 3-2 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

ativa, ou seja, em Classe A ou AB. No monoestável, a polarização é feita de maneira a


operar em Classe B.
No circuito da fig. 3.3 o transformador fornece a realimentação positiva para desestabilizar
o amplificador e ao mesmo tempo acopla o sinal de saída. O capacitor Cf acopla o sinal de
realimentação enquanto o capacitor Cc acopla o sinal de disparo para o oscilador.
O resistor Rb polariza a base. Ao aplicarmos o pulso indicado à base do transistor, o
transistor conduz, fazendo com que exista o campo magnético em 3 e 4 do transformador,
induzindo em 1 e 2 uma tensão de polaridade oposta, fazendo com que a condução aumente
até a saturação do transistor. Crescendo a variação da corrente de coletor, cresce a
realimentação, logo a fonte de polarização corta o transistor.
Quando IC = 0, cessa o campo magnético em 1 e 2, isto induz em 3 e 4 uma tensão
reversa, a qual será maior que VCC. Esta tensão pode exceder à tensão de ruptura do
transistor.
O tempo em que o transistor conduz na saturação, cria um efeito indesejado que é o
armazenamento de portadores minoritários. A fig. 3.4 mostra um ciclo de saída para um
oscilador de bloqueio disparado.

Figura 3.4 - Ciclo de saída para o osc. de bloqueio.

3.2 - GERADOR DENTE DE SERRA (GDS)


É comum em sistemas eletrônicos a necessidade de sinais cuja variação da amplitude, em
determinados intervalos, seja proporcional ao tempo. Uma das aplicações mais comuns dos
GDS é na implementação de geradores de varreduras para osciloscópios, radares ou
aparelhos de TV.
Mas também podem ter outras aplicações como, na determinação da largura de pulsos, na
construção de conversores A/D, na construção de subsistemas de amostragem, na

OSTENSIVO 3-3 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

determinação de pequenos intervalos de tempo, no delineamento de voltímetros digitais,


etc...
Vamos tomar como exemplo a visualização de uma f(t) periódica na tela de um
osciloscópio. Vamos considerar que esta f(t) foi aplicada no amplificador vertical, de modo
que os deslocamentos verticais na tela sejam proporcionais à f(t). Para criarmos na direção
horizontal da tela um eixo de tempo, temos que aplicar no amplificador horizontal um sinal
que cresça linearmente com o tempo, de acordo com a fig. 3.5.

Figura 3.5 - Eixo de tempo horizontal.

Assim procedendo temos deslocamentos horizontais na tela proporcionais ao tempo, e desta


forma um “eixo de tempo”.
Na prática, não basta ter um eixo de tempo na horizontal e um deslocamento proporcional à
f(t) na vertical, para termos, na tela, a forma de onda do sinal.
Também se faz necessário que o período T1 do sinal dente de serra fig. 3.5, seja um
múltiplo inteiro do período T da função f(t).
Se esta condição não for satisfeita a correspondência entre os eixos de tempo e os valores de
f(t) na vertical não será unívoca e, fixando o valor de f(t), a cada período da varredura, em
uma posição diferente no eixo horizontal.
O resultado disto é que a forma de onda não se fixa na tela do osciloscópio. O processo de
fixar-se o período de varredura horizontal, de tal modo que este seja um múltiplo inteiro do
período de f(t) aplicado ao eixo vertical, é denominado de sincronização do sinal de
varredura.
Consideremos um sinal de varredura sincronizado de tal forma que o seu período T1 seja 3
vezes mais que o período T do sinal vertical. Dentro do período T1, a partir do ponto em que
a tensão de varredura tem o valor 0V, podemos afirmar que: V = K.t, onde K é uma
constante que depende do gerador linear de varredura.

OSTENSIVO 3-4 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Considerando a deflexão unitária do feixe de elétrons na VRC, no sentido horizontal da


esquerda para a direita de A, e que a sua unidade será dada em cm/V, a deflexão total em
um dado instante dentro do intervalo T1 será:
D = A. Kt

Nesta relação, se fizermos AK = 1 teremos a escala horizontal do osciloscópio diretamente


calibrada no tempo. Nos osciloscópios mais modernos, nesta escala horizontal, o produto
AK é dado desde cm/s até cm/ns.
Com o eixo horizontal calibrado em tempo e a deflexão vertical proporcional à f(t), se a
persistência luminosa da tela for suficiente, a forma de onda de f(t) aparecerá na tela, como
por exemplo T1 = 3T, teremos 3 ciclos de f(t).

3.2.1 - Geradores Dente de Serra de Tensão


a) Gerador de rampa
Uma rampa se caracteriza por ter uma taxa de variação da tensão ou corrente constante
em relação ao tempo.
Quando se carrega um capacitor através de um resistor, gera-se no capacitor uma forma
de onda aproximada a uma rampa. Mas a carga em um capacitor não tem uma taxa de
crescimento constante, e sim acompanha as variações determinadas pela exponencial:
e - t / R.C .
O trabalho do gerador de rampa é corrigir as variações da tensão no capacitor. (Fig. 3.6)

Figura 3.6 - Carga no capacitor x saída no gerador de rampa.

OSTENSIVO 3-5 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

O circuito da fig. 3.7 representa um gerador de rampa a partir de um one shot 555.

Figura 3.7 - Gerador de rampa.

A ideia é substituir o resistor por uma fonte de corrente constante, para que o capacitor
se carregue através dela. Para o transistor do circuito teremos:

Por exemplo, se VCC = 15 V ; RE = 20 k ; R1 = 5 k ; R2 = 10 k e VBE


= 0,6V ; então:

VE = 10V + 0,6V = 10,6V   Ic = 0,22 mA ou 220 µA.

Quando o timmer recebe um pulso de disparo (VIN) (Fig. 3.8), a fonte de corrente força a
passagem de uma corrente de carga constante pelo capacitor, portanto a tensão de carga
do capacitor é uma rampa (VOUT) e a inclinação da rampa é dada por:

OSTENSIVO 3-6 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.8 – Saída x entrada no gerador de rampa.

O fator de inclinação da rampa S é uma unidade que mostra qual a variação da tensão
em relação ao tempo. Se a corrente da fonte for de 0,22 mA e a capacitância de 22 F, a
rampa terá uma inclinação de :

S = I / C = 0,22 mA / 22 µF = 10,0 V / ms

b) Circuitos básicos de varredura linear (GDS linear)


Analisando o circuito da fig. 3.9 verificamos que coma chave S1 aberta, o capacitor se
carrega através de R segundo a expressão VC = Vcc.(1 - e-t/RC), até o valor da fonte VCC.
Quando a chave S se fecha, este se descarrega instantaneamente através de S.

Figura 3.9 - Circuito integrador.

OSTENSIVO 3-7 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Sabemos que um transistor pode funcionar como chave quando passa da saturação ao
corte e depois do corte à saturação. Substituindo a chave pelo transistor, temos o circuito
da fig. 3.10.

Figura 3.10 - GDS com transistor.

Se aplicarmos na entrada um pulso de largura  e R1.C1 >>> , o transistor é levado


ao corte por um período de tempo , permitindo a carga de C através de R2, durante
este intervalo.
Para que o circuito apresente uma linearidade aceitável, é necessário usar um VCC
elevado que nem sempre é compatível com as características do transistor.
O problema pode ser contornado se, ao invés de usarmos como carga do coletor do
transistor de saída um elemento passivo (R2 no circuito anterior), ligarmos o coletor ao
VCC através de uma fonte de corrente constante, como mostra o circuito da fig. 3.11.

Figura 3.11- GDS com fonte de corrente constante.


OSTENSIVO 3-8 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

Como a corrente de carga do capacitor é forçadamente mantida por ação da fonte


constante, podemos dizer que a tensão υ(t) é determinada pela expressão abaixo:

υ(t) =

Resolvendo a integral temos: υ(t) =

Ao examinarmos a relação matemática acima, chegamos à conclusão que VOUT


independe da tensão de alimentação. Se o transistor for de silício, a corrente I é
determinada:
I = (VZ – 0,6) / R2

Onde: VZ é a tensão de avalanche do diodo zener.


Note que a fonte de corrente se manterá constante enquanto o transistor Q1 estiver
operando em sua região ativa, ou seja, enquanto a tensão de saída (VOUT) não atingir o
valor VOUT = VCC - VZ.
Assim podemos dizer que a fonte de corrente constante opera da seguinte maneira: Q1 é
um seguidor de emissor aplicando sobre R2 a tensão VZ - 0,6V, produzindo a corrente
Ic2 de valor especificado pela expressão abaixo:
IE = (VZ – 0,6) / R2
Nos transistores podemos dizer que IC = ..IE , então afirmamos que a corrente de
coletor é:
IC  (VZ – 0,6) / R2
Esta relação determina a corrente de carga do capacitor, logo podemos dizer que:
(VZ – 0,6) / R2 = ( I / C2)t

c) Geradores dente de serra lineares que utilizam amplificadores


Existem circuitos nos quais se obtem boa linearidade da amplitude do sinal de saída com
o tempo usando-se amplificadores lineares e, desse modo, eliminando-se a necessidade
de tensões de alimentação +VCC muito elevadas. De um modo geral, podemos dividir
esses circuitos em duas categorias, dependendo da forma como o amplificador é
conectado.

OSTENSIVO 3-9 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Como exemplo do primeiro caso, vamos admitir que dispomos de um amplificador com
ganho A muito elevado, impedância de entrada infinita e impedância de saída igual a 0.
Vamos admitir que esse amplificador seja conectado ao circuito, como mostra o
esquema da fig. 3.12. Sendo o ganho do amplificador muito elevado e o valor máximo
da tensão Vs de saída prefixado, o valor máximo VE é muito pequeno, quando
comparado com a tensão VCC, de modo que a corrente I através do resistor R é
praticamente constante igual a:
I = VCC / R

Por outro lado, tendo em vista que a impedância de entrada do amplificador é muito
elevada, temos que a corrente I fluirá para o capacitor C. Desse modo I ≈ -ic. Sendo
constante a corrente que flui para o capacitor C, a tensão entre seus terminais cresce
linearmente com o tempo. A tensão entre os terminais do capacitor C pode ser dada por:
VC = VS – VE = -A.VE – VE = -VE.(A + 1)

Figura 3.12 – Diagrama em bloco do GDS Linear de Miller.

Por outro lado, tendo em vista a relação I = Vcc / R, podemos concluir que:
VE = (VCC . t) / R.C.(A +1)

Então a tensão de saída é dada por:


VS = - A / (A + 1) . (VCC / RC).t

Nessas condições, podemos observar que tudo se passa como se dispuséssemos de uma
tensão VCC multiplicada pelo ganho do amplificador e um resistor (A + 1) vezes maior
que o resistor R.

OSTENSIVO 3-10 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Como segundo caso, vamos adimitir que dispomos de um quadripolo cujo ganho A é tão
proximo de 1 quanto possível e que tenhamos, também nesse caso, impedância de
entrada praticamente infinita e impedância de saída praticamente igual a 0. Reportando-
nos ao diagrama em blocos delineado na fig. 3.13, temos esquematizado um gerador
linear de varredura denominado de Bootstrap usando um amplificador desse tipo.

Figura 3.13 – Diagrama em blocos de um GDS linear Bootstrap.

A operação desse segundo tipo de gerador de varredura pode-se resumir no seguinte:


enquanto a chave está fechada, as tensões de entrada e saída (Ve e Vs) são iguais a 0.
A tensão do ponto B (VB) em relação à terra pode ser calculada pelo teorema equivalente
Thévénin, e é dada por:

A tensão VB, durante o período que a chave de entrada está fechada é igual à tensão
presente nos terminais do capacitor C2. Esse capacitor tem normalmente um valor muito
elevado, de modo a manter com grande precisão a tensão entre seus terminais durante o
período de duração da tensão de varredura.
Vamos supor que abrimos agora a chave de entrada. O capacitor C1 de entrada começa
então a receber cargas através do resistor R1 e, desse modo, a tensão entre seus
terminais Ve começa a aumentar de valor.
Como o ganho de tensão é praticamente igual a 1, a tensão de saída VS tende a
acompanhar exatamente o valor da amplitude da tensão de entrada. Por outro lado, como

OSTENSIVO 3-11 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

o capacitor C2 tem valor elevado, o aumento da tensão VS se transfere através desse


capacitor para o ponto B.
O resultado de tudo isso é que a tensão do ponto B aumenta de valor, da mesma forma
que aumenta de valor a tensão do ponto A. Temos assim uma queda de tensão constante
através do resistor R1 e, assim, uma corrente I constante circulando pelo mesmo. Essa
corrente pode ser dada por:
I = VCC / (R1 + RD)
Ora, o capacitor C1 recebendo cargas através de uma corrente I constante tem a tensão
Ve entre seus terminais, dada por:

Então:

Podemos observar que, tanto no primeiro caso de uso de amplificador como no caso
atual, consideramos especificações e condições ideais que são muito difícies de ser
preenchidas, na prática.
Vamos, nas duas subseções seguintes, usando os princípios expostos nesta introdução,
implementar, em termos de circuitos, os geradores de varredura linear tipo Miller e tipo
Bootstrap.

d) Circuito do gerador dente de serra linear de Miller


Este tipo de circuito necessita de um amplificador de ganho elevado, impedância de
entrada tendendo a infinito e impedância de saída praticamente zero. Este circuito será
analisado usando como modelo o circuito representado na figura 3.14.

OSTENSIVO 3-12 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.14 - Gerador dente de serra linear de Miller.

O transistor Q2 atua como uma chave de entrada. A polarização é feita de forma que
estabelecidas as condições iniciais, este transistor estará saturado e o transistor Q1
cortado.
O transistor Q2 será levado ao corte, se aplicarmos à sua entrada um pulso negativo de
tensão, logicamente satisfazendo a condição de que R1 . C1 >>> , sendo  a largura
máxima do pulso de entrada.
Saturado Q2, a tensão entre o ponto A e terra é de  0,3V, então a tensão de carga do
capacitor C2, inicialmente será de VCC - 0,3V, sendo 0,3V = VCE de saturação de Q2.
Aplicado o pulso de entrada, Q2 irá ao corte e a tensão do ponto A para terra passa de
0,3V para 0,6V, ponto em que Q1 passa a conduzir, descarregando linearmente C2.
Assim, a tensão de saída a cair linearmente com o tempo.
A queda de tensão cessa quando Q1 entra em saturação. Q1 permanece nessa condição
até que Q2 seja novamente levado à saturação pelo término do pulso negativo aplicado à
sua entrada.

OSTENSIVO 3-13 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.15 – Gráfico das variações VIN x VOUT.

Cessado o pulso negativo na entrada, o transistor Q2 satura, a tensão do ponto A passa


de 0,3V a -0,6V, essa variação se transmite ao ponto B fazendo com que essa tensão
caia a 0V.
A partir deste ponto, C2 começa a se carregar novamente através de R2 o que faz a
tensão de saída variar exponencialmente até +VCC.
Desta forma, o circuito está apto a receber um novo pulso de tensão. Muitas vezes esta
constante de tempo de carga pode ser uma limitação para a operação do circuito Miller
em altas frequências.
Para contornar este problema podemos modificar o circuito aproveitando o mesmo
conceito de geração linear de tensão.

e) Gerador de Varredura de Miller mais sofisticado


Para contornar o problema do integrador Miller é feita uma alteração em sua
configuração de saída para diminuir o tempo de carga do capacitor gerador (figura
3.16).

OSTENSIVO 3-14 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.16 – GDS linear de Miller mais sofisticado.

Quando Q1 é cortado no instante t1 a tensão no ponto A passa de 0,3 a 1,2V, tendo um


acréscimo de 0,9V o qual é acoplado à saída através de C2.
Inicia-se então a operação linear de Q2, Q3 e Q4, com C2 se descarregando linearmente
no tempo até t2, tempo este em que Q2 satura. A partir daí, VOUT permanece em 0,3V
até que a chave (Q1) feche novamente, através do término do pulso de disparo (t3).
Agora, a tensão no ponto A, que estava em 1,2V cai a 0,3V. Esta queda é acoplada à
saída do circuito, fazendo com que a tensão de saída caia a -0,6V. A partir deste
instante, C2 começa a ser carregado pela corrente de emissor de Q4.
Pelo conhecimento que temos de amplificadores podemos dizer que IE é  + 1 vezes
maior que IB, assim a corrente de carga de C2 é  + 1 vezes maior, logo, o tempo de
carga de C2 é  + 1 vezes menor. Analise a forma de onda da figura. 3.17:

OSTENSIVO 3-15 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.17 - Gráfico do GDS Miller sofisticado.

f) Gerador dente de serra linear tipo Bootstrap.


Vimos nessa seção introdutória que para implementar um gerador de varredura linear,
operando pelo o princípio de Bootstrap, é necessário dispor de um amplificador com
ganho tão próximo de 1 quanto possível, tenha elevada impedância de entrada e baixa
impedância de saída.
Com esse fim, vamos considerar o circuito Bootstrap esquematizado na fig. 3.18. Nesse
esquema, o transistor Q1, em conjunto com o resistor R1 e o capacitor C1, serve para
substituir a chave de entrada.
O transistor Q2, por sua vez, em conjunto com o R3 substitui o amplificador com ganho
A próximo a 1.
O capacitor C3 é possui um valor muito elevado, tal que R2C3 >>> τ sendo τ o máximo
intervalo de duração de varredura. O capacitor C3 deve manter a tensão constante entre
seus terminais, de modo a transferir as variações da tensão de saída para o ponto B.
Finalmente, o resistor RD do diagrama em blocos esboçado na fig. 3.13 foi substituído
pelo diodo D no esquema da Fig. 3.18. Essa substituição é vantajosa por dois motivos,
que discriminamos a seguir:
1 – Em cada período de varredura linear, a tensão do ponto B com relação à terra atinge
valores maiores do que a tensão de alimentação +VCC, devido à tensão presente nos
terminais do capacitor C2.
Se, entre o ponto B e a tensão +VCC, tivéssemos o resistor RD, este tenderia a
descarregar o capacitor C2 mais rapidamente. Entretanto o diodo D, sendo polarizado
reversamente quando a tensão do ponto B for maior do que +VCC, não drenará a corrente
do referido capacitor.

2 – Durante o período de varredura linear, como dissemos, a tensão do ponto B é maior


do que +VCC e o capacitor C3 supre uma corrente constante que circula pelo resistor
R2, carregando o capacitor C2.
Dessa forma, enquanto durar a varredura linear, o capacitor C3 perderá cargas que
deverão ser repostas posteriormente. Ora, por menor que fosse RD, devido ao valor
elevado de C3, a reposição dessas cargas poderia ser muito lenta.
Com a presença do diodo D1, esse problema é resolvido, pois, uma vez terminada a
varredura linear, a tensão entre o ponto A e a terra volta a ser +0,3V e a tensão do ponto
OSTENSIVO 3-16 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

B, devido à pequena descarga de C3 menor do que VCC - 0,6V, o que faz o diodo D1
conduzir imediatamente, mantendo a tensão do ponto B nesse valor.

Fig. 3.18 - Circuito de varredura linear Bootstrap típico.

Vamos estudar a operação do circuito gerador de varredura linear esboçado na fig. 3.18.
Para isso, admitamos que, no instante t1, o transistor Q1 seja cortado. Nessas condições,
a tensão no ponto A em relação à terra é + 0,3V.
Por outro lado, o transistor Q2, sendo um seguidor de emissor, encontra-se sempre na
região ativa, de modo que a tensão de saída, no instante t1 de corte do transistor Q1, é
aproximadamente -0,3V. Nesse mesmo instante, a tensão no ponto B em relação à terra
é VCC - 0,6, de modo que a corrente que circula pelo resistor R2 pode ser dada por:
IR2 = (VCC - 0,9) / R2

Essa corrente se divide em três partes. Uma é usada para carregar o capacitor C2, outra
para fornecer a corrente de base do transistor Q2 e, finalmente, a última parte serve para
fornecer a corrente Icb01, que é a corrente de fuga coletor-base, com emissor aberto, do
transistor Q1 que está cortado.
Estudando as formas de ondas da fig. 3.19:
No instante em que o transistor é cortado, a tensão no ponto A começa a crescer
linearmente com o tempo. A tensão no ponto A cresce até o ponto que o transistor Q2
entre em saturação e aí permanece até que o transistor Q1 passe novamente do corte à
saturação.
Quando o transistor Q1 passar novamente à saturação, o valor da tensão do ponto A
cairá a 0,3V e a tensão de saída passará a ter o valor -0,3V, deixando o circuito apto a
OSTENSIVO 3-17 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-064E

novo ciclo de varredura. O leitor pode observar que o valor máximo da tensão no ponto
B atinge a soma de 2.VCC – 0,9V. Observe, ainda, que, quando o transistor Q1 retorna à
saturação, descarrega automaticamente o capacitor C2. Dessa forma, não temos, no
circuito Bootstrap, as mesmas dificuldades que tínhamos no circuito de varredura linear
de Miller, na recarga do capacitor C2, recarga essa que limitava sensivelmente a
máxima velocidade de operação do gerador de varredura.

Fig. 3.19 – Formas de ondas do Bootstrap.

Estes tipos de varreduras estudados são aplicados em sistemas que usam varredura
eletrostática, como por exemplo, o circuito vertical e horizontal dos osciloscópios. A
varredura é feita através de tensão e por isso é gerado, pelo sinal de saída, um campo
eletrostático na carga, daí o nome varredura eletrostática. Podemos concluir que a
varredura eletrostática é gerada por um sinal de tensão cuja variação é linear.

3.2.2 - Gerador de Varredura Linear de Corrente


Estes circuitos são aplicados em sistemas cujo display usa uma VRC com deflexão
eletromagnética, como os empregados nos indicadores radar e aparelhos de televisão. A
partir de um gerador de varredura linear de tensão é bem simples construir-se um circuito
de varredura linear de corrente. Para que se chegue a esta conclusão vamos analisar a
operação do circuito da fig. 3.20.

OSTENSIVO 3-18 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.20 - Gerador de varredura linear de corrente.

O circuito opera como um gerador de varredura linear de tensão. Note que Q1 é a chave
que dá o início da varredura. Q2 com os seus componentes associados opera no princípio
de um gerador de rampa do tipo Bootstrap, que gera no seu emissor ponto A, uma tensão de
varredura linear a partir de 0,3V até um valor máximo de Vcc - 0,3V.
Quando VA = -0,3V, a tensão em Ref é igual a VCC - 0,3V, considerando Q3 na região ativa.
Iniciada a varredura em T = to, a tensão no ponto A começa a crescer linearmente, fazendo
com que a corrente Ib de Q3 caia linearmente, e como IC = .IE, isto resulta em uma
queda linear na corrente de coletor, o que gera uma varredura linear de corrente.
No caso das VRC que usam deflexão eletromagnética, aplicamos às bobinas de deflexão
um degrau de tensão, utilizando para isto um circuito que tem a operação análoga do
circuito da fig. 3.21.

OSTENSIVO 3-19 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.21 - Gerador de varredura linear.

Nesse circuito Q1 tem o ponto de operação estática fixado no corte. A tensão através da
bobina é zero volt. Aplicado um pulso de disparo, conforme mostrado na fig. 3.21, e este
pulso levando o transistor à saturação, a tensão sobre a bobina valerá: VL = VCC - 0,9V.
A tensão de 0,9V é a soma da tensão do diodo com o VCE do transistor saturado.
A função de D1 e D2 é proteger o transistor e sua ação se faz presente quando esse
dispositivo é levado novamente ao corte. De fato, sendo o transistor levado ao corte, temos
uma energia acumulada no indutor dada por:
E = ½ ( L . IL2max )

Como esta energia não pode ser dissipada instantaneamente, a corrente ILmax continua
circulando pelo indutor, fazendo com que a tensão no ponto A e a tensão no ponto B
aumentem até que a tensão no ponto A atinja um valor igual a VCC + 1,2V.
Neste ponto, D2 conduz fixando a tensão no ponto B em VCC + 0,6V. É possível em
algumas circunstâncias que a tensão no ponto A tenda a ficar negativa com relação à tensão
no ponto B devido à energia acumulada no indutor. Nesse caso o diodo D1 deixa de
conduzir e isola o indutor do resto do circuito.

O circuito da fig. 3.22 mostra uma forma de gerar varredura de corrente diretamente pelo
uso de um indutor.

OSTENSIVO 3-20 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-064E

Figura 3.22 - Gerador de varredura linear de corrente.

Estabelecidas as condições iniciais, Q1 está saturado. Como já vimos anteriormente, Q1


executa a função de uma chave controlada por um pulso externo de tensão. Na saturação de
Q1 a tensão do ponto A com relação à terra é de 0,3V, estando nessas condições o diodo
zener D1 cortado.
O transistor Q2 também está cortado, pois sua tensão base-emissor é de apenas 0,3V. O
resistor R3 tem um valor elevado para que, quando os terminais 1 e 2 estiverem abertos,
seja drenada a corrente residual.
Aplicando um pulso negativo na base de Q1, este será levado ao corte e a tensão no ponto
A passa a ser a tensão VZ. Se esta tensão levar Q2 à região ativa a tensão nos terminais do
indutor será VZ - 0,6V, logo a corrente IL é dada por:
iL = [(VZ – 0,6) / L] t

Esta corrente é praticamente a corrente de coletor de Q2. A função de D2 é manter a tensão


constante no indutor quando Q2 está cortado, evitando assim efeitos transitórios em Q2.

OSTENSIVO 3-21 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

CAPÍTULO 4
CIRCUITOS CONTROLADORES DE FREQUÊNCIA
4.1 - OSCILADOR CONTROLADO POR TENSÃO (VCO)
O VCO é um circuito que fornece um sinal variante de saída (tipicamente uma forma de
onda quadrada ou triangular) cuja frequência é controlada por uma tensão DC. Para a baixa
distorção na demodulação de sinais FM, um alto grau de linearidade é necessário ao passo
que num filtro de acompanhamento não é importante este desempenho do VCO.

4.1.1 - Circuito VCO básico


Um VCO é apresentado na fig. 4.1:

Figura 4.1 - VCO básico.

Note que apenas dois amplificadores operacionais são necessários, um é usado para
integrar a tensão DC de entrada de controle, VC, e o outro é conectado como um Schimitt
Trigger o qual monitora a saída do integrador.
O disparo do circuito é usado para controlar o Clamp do transistor Q1. Quando Q1 está
conduzindo a corrente de entrada I2 é desviada para massa. Durante este meio ciclo a
corrente de entrada I1 causa na tensão de saída do integrador uma rampa de descida, para
o menor ponto da forma de onda triangular (saída 1).
O Schimitt Trigger troca o estado de saída e o transistor Q1 corta. A corrente I2 é
exatamente o dobro do valor de I1 (R2 = R1 / 2), semelhante à corrente de carga (a qual é

OSTENSIVO 4-1 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

igual em magnitude à corrente de descarga) é drenada através do capacitor C, para criar a


subida da forma de onda da tensão triangular na saída 1.
A frequência da saída para uma dada tensão DC de entrada de controle depende da
diferença entre os dois valores VL e VH da forma de onda de saída do Schimitt Trigger e

dos componentes R1, R2 e C (sendo R2 = ). O tempo de descida de VH VL corresponde

a meio período (T/2) da frequência de saída e pode ser determinada através da resolução da
equação básica para o integrador:

Vo = (1)

Como I1 é uma constante (para um dado valor de VC) que é calculada por:

I1 = (2)

A expressão (1) é simplificada por:

Agora o tempo t para a varredura de VH até VL se forma:


t1 = (VH –VL)C / I1 ou T = 2(VH – VL) C/I1 e então:

f = 1 / T = [ I1 / 2(VH – VL)]C

Portanto, uma vez que, VH, VL, R1 e C são valores fixos, a frequência de saída, f , é uma
função linear de I1 (como desejado para o VCO).

4.1.2 - Circuito alterado


O circuito analisado precisa que VC > VBE para que haja oscilação. O valor de VC = 0,
provoca fout = 0, que pode ou não ser desejada. Dois resistores de polarização do modo
comum podem ser acrescentados como mostrado na fig. 4.2

OSTENSIVO 4-2 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

Figura 4.2 - VCO ( circuito alterado ).

Para fazer com que fout = fmín ( = 0) quando VC = 0 . Em geral, se estes resistores tem o
fator 10 para o seu correspondente resistor (RB para R1 e RA para R2), uma grande razão
de controle e frequência pode ser executada.
Atualmente se VC ultrapassar a faixa de alimentação especificada por +V o circuito não
executará a função corretamente.
A frequência de saída pode ser aumentada através da redução da variação pico a pico da
forma de onda triangular (saída 1), se ajustarmos os pontos de excursão da saída do
Schimitt trigger. O limite é excedido quando a velocidade de varredura da onda triangular
de saída excede à taxa de subida (SLEW RATE) limite do Amplificador Operacional. Como
exemplo, o CI 741 tem uma SR = 0,5 V /  s.

4.1.3 - VCO monolítico 566


O CI monolítico 566 é um exemplo de um VCO – Oscilador Controlado por Tensão. Possui
este CI unidades capazes de gerar sinais de onda quadrada e triangular. A frequência de
saída é fixada pelo uso de um resistor e um capacitor externo, e é variada então por um
sinal de tensão DC externo (VC).
A fig. 4.3 mostra que o CI 566 possui fontes de corrente que possibilitam a carga e a
descarga do capacitor externo C1, numa taxa determinada pelo resistor R1 e pela tensão
modulante de entrada (VC).
Um circuito Schimitt trigger é usado para chavear a fonte de corrente entre a carga e a
descarga do capacitor. A tensão triangular desenvolvida no capacitor e a onda quadrada do
Schimitt Trigger são fornecidas como saída através de amplificadores isoladores (buffer).

OSTENSIVO 4-3 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

A fig. 4.3 mostra o diagrama em blocos interno e identifica os pinos do CI 566, além de
apresentar resumidamente as fórmulas e faixas de valores válidas para o CI.

Figura 4.3 - VCO monolítico 566 em bloco.

a) Geradores de funções com 566


A fig. 4.4 mostra um exemplo no qual um gerador de funções com o 566 é usado para
fornecer as formas de onda triangular e quadrada, numa frequência fixa determinada por
R1, C1 e VC.

Figura 4.4 - Gerador de funções com o CI 566.

O divisor resistivo com R2 e R3 põe a tensão DC modulante (VC) em um nível constante.


OSTENSIVO 4-4 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

A qual cai dentro da faixa especificada pelo fabricante que é de 0,75V + = 9V, para o
caso.
Calculando a frequência:

Outro exemplo é mostrado na fig. 4.5, onde a frequência da onda quadrada pode ser
ajustada usando a tensão de entrada, VC.

Figura 4.5 - gerador de funções com 566.

O potenciômetro R3 permite variar VC de cerca de 9V até próximo de 12V, sobre a faixa


completa de frequência de 10 para 1. Na situação em que o contato do potenciômetro se
encontra no alto (R máximo) a tensão de controle resultante é de:

Resultando uma frequência de saída inferior de:

OSTENSIVO 4-5 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

Com o contato de R3 em baixo (R mínimo), a tensão de controle é:

Resultando numa frequência superior de:

A frequência da onda quadrada poderá ser variada usando R3 dentro de uma faixa de
frequência de pelo menos 10:1.
Se ao invés de variarmos um potenciômetro para mudar o valor de VC, uma tensão
modulante de entrada, VIN, pode ser aplicada como mostrado na fig. 4.6.

Figura 4.6 - Gerador de funções com 566 e tensão modulante de entrada.

O divisor de tensão fixa VC em cerca de 10,4V. Uma tensão de entrada AC de cerca de


1,4V de pico pode forçar VC a variar em torno do POE entre as tensões de 9V e 11,8V,
fazendo a frequência de saída variar dentro de uma faixa de cerca de 10:1.
O sinal de entrada VIN, portanto, modula em frequência a tensão de saída em torno de
uma frequência central, determinada pelo valor de VC = 10,43 V ( f = 121,2 kHz ).

4.2 - MALHA AMARRADA POR FASE (PLL)

OSTENSIVO 4-6 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

A sigla PLL, de Phase Locked Loop, significa Elo (de realimentação) Fechado por Fase.
O coração de um PLL é o VCO. Como o PLL pode ser empregado em muitas aplicações,
a requerida linearidade de característica de transferência (frequência de saída versus tensão
DC de entrada) depende da aplicação.
Um PLL é composto por diversos blocos, sendo o diagrama mostrado na figura abaixo uma
de suas versões mais utilizadas (Fig. 4.7).

Figura 4.7 - PLL Básico.


Onde:
PD (Phase Detector) é um detector de fase; LPF (Low Pass Filter) é um Filtro Passa Baixa;
e VCO é o Oscilador Controlado por Tensão.
Nem todos os PLLs são constituídos exatamente de acordo com o diagrama em blocos
mostrado na fig. 4.7, sendo possíveis as seguintes alterações:

1) Inclusão de um estágio amplificador entre a saída do filtro passa baixas e a entrada do


VCO. Este amplificador é necessário quando a tensão produzida pelo comparador de fase
não é suficiente para controlar diretamente a entrada do VCO.

2) Inclusão de um filtro passa baixas no caminho da tensão de saída, com a finalidade de


atenuar mais fortemente a componente CA produzida pelo comparador de fase. Este
procedimento é empregado, principalmente, quando o PLL é usado como demodulador de
FM.
Exemplos de PLLs monolíticos: CI-565 e 4046.

O PLL é um dispositivo muito usado em telecomunicação e outros campos, com as mais


diversas finalidades, como recuperação de portadora em PSK e QAM, recuperação de

OSTENSIVO 4-7 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

relógio (sincronismo) em transmissões digitais, demodulação de sinais FM ou FSK e


muitas outras.
Usado com um divisor de frequência após o VCO e um oscilador a cristal gerando Ve, atua
como sintetizador de frequência para geração de portadoras e sinais de sincronismo.
O PLL é um caso particular de servo mecanismo ou sistema retroalimentado.
De acordo com a aplicação, pode ser implementado de forma analógica ou digital ou por
software em DSP (Digital Signal Processor).
4.2.1 - Componentes de um PLL
Basicamente, o PLL é um elo fechado com três componentes:
a) Detector de fase (PD)
Fornece uma tensão de saída Vd, cuja componente contínua VC é proporcional à
diferença de fase entre os sinais Ve (sinal de entrada) e Vv (sinal de saída do VCO).
Pode ser implementado de diversas formas conforme a aplicação: um simples circuito
lógico ou exclusivo, um multiplicador de quatro quadrantes ou um circuito sequencial
sensível a borda. A tensão de saída Vd costuma também ser chamada de tensão de erro.

b) Filtro passa baixas (LFP)


Sua função básica é eliminar a componente de alta frequência (fv ou 2.fv) na saída do
detector de fase e extrair somente a componente continua, que serve de tensão de
controle VC do VCO, age como um integrador.
O projeto do filtro é a parte mais crítica do PLL, pois define o seu comportamento
transiente ou dinâmico, ou seja, tempo de resposta, estabilidade, faixa de captura, fator
de amortecimento, frequência natural, ruído de fase e outros.

c) VCO
Oscilador Controlado por Tensão gera um sinal cuja frequência fv depende da tensão de
controle VC.

4.2.2 - Operação estática do PLL


A operação estática do PLL é mostrada através da análise da fig. 4.8.

OSTENSIVO 4-8 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

Figura 4.8 - Operação estática do PLL.


Na ausência de sinal de entrada (Ve), a tensão VC é zero e o VCO oscila na frequência
central f0.
Com sinal de entrada Ve e frequência fe, dentro da faixa de captura ou aquisição (Fa),
aparece uma tensão Vd na saída do detector de fase, tal que a frequência do VCO seja
alterada até ser igual à frequência do sinal de entrada, porém mantendo um erro ou
diferença de fase constante e tal que gere um VC que sustente esta nova frequência do
VCO.
Por exemplo, se o detector de fase for um ou exclusivo, o erro de fase será 90 graus quando
fe = fo (fig. 4.9). Nesta condição estável, o PLL está sincronizado ou travado, à custa de
uma diferença de fase entre Ve e Vv, daí o nome de Elo Travado por Fase, mantendo a
frequência fv do VCO exatamente igual a frequência fe do sinal de entrada. Se fe variar
dentro da faixa de sincronismo Fs, a frequência do VCO acompanha fe.

Observação: para cada valor de fe dentro da faixa de sincronismo (Fs), existe um único
valor para uma diferença de fase e VC, constantes. Como a frequência é proporcional à
derivada da fase e, a derivada de uma constante é zero, a diferença entre fe e fv é zero e,
portanto, as duas frequências são exatamente iguais, não importando o valor do erro de
fase, desde de que fique constante.

OSTENSIVO 4-9 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

Figura 4.9 - Elo travado em fase.

Um exemplo típico de uso do PLL é para demodular sinais em FM. O sinal FM é


aplicado na entrada do PLL, com desvio de pico a pico dentro da faixa Fs.
Se houver uma relação linear entre fv e VC do VCO, então VC terá uma componente
alternada igual ao sinal modulante, pois fv e VC do VCO irão acompanhar as variações
de frequência de entrada, desde que o filtro passa baixas esteja corretamente projetado.

Na fig. 4.8 podemos observar o comportamento do PLL em função da frequência fe do


sinal de entrada. Injetando por exemplo uma frequência fx menor que f4, o PLL não
consegue se travar, ou seja, o VCO não acompanha a frequência de entrada, ficando em f0,
a frequência central.
Aumentando fe lentamente, o PLL continua não travado até fe atingir f1 onde o PLL
se trava, ou seja, fv do VCO é igual a fe.
Aumentando mais fe (reta inclinada ), o PLL continua travado, fv acompanhando fe e
Vd aumentando junto com fe, até chagar a fe = f2, onde o PLL perde o sincronismo ou
não está mais travado.
Mesmo voltando com fe para traz, o PLL continua sem sincronismo (ou ainda subindo
mais até fy). Baixando mais ainda a frequência fe até atingir fe = f3, o PLL volta a se
travar.
Se agora fe subir de novo, o PLL continua travado até fe = f2, e se fe continuar
diminuindo, o PLL se mantém travado até fe = f4, abaixo da qual perde o sincronismo.

OSTENSIVO 4-10 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

(obs.: na figura do comportamento do PLL acima, na verdade, as retas inclinadas estão uma
em cima da outra, sendo destacadas lado a lado apenas para melhor visualização)
Conclusão: para o PLL poder sincronizar-se (travar) a partir da condição não travada, é
preciso que fe esteja acima de f1 ou abaixo de f3, ou seja, dentro da faixa de aquisição
Fa = f3 – f1.
Uma vez sincronizado, o PLL se mantém sincronizado desde que fe não passe acima de
f2 e nem abaixo de f4, ou seja, fe não saia da faixa de sincronismo Fs = f2 - f4.
Obs.: Fa é menor ou no máximo igual a Fs, dependendo do projeto do PLL.

4.2.3 - Operação dinâmica do PLL


Até agora vimos o comportamento do PLL em regime estático ou para variações lentas da
frequência do sinal de entrada. Veremos agora os princípios básicos do comportamento
dinâmico ou transiente do PLL, ou seja, como VC acompanha variações rápidas ou bruscas
da frequência do sinal de entrada, como, por exemplo, uma mudança de frequência de
entrada em forma de degrau (fig. 4.10)

Figura 4.10 - Comportamento dinâmico.

Se o PLL fosse perfeito, a frequência fv do VCO ou a tensão de controle VC também


teriam a mesma forma do degrau de entrada. Acontece que o filtro passa baixas,
principalmente, e o VCO também, introduzem atrasos e defasamentos variáveis, fazendo
com que a resposta do PLL não seja instantânea.
OSTENSIVO 4-11 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

As curvas mostram como se comporta um PLL com resposta de segunda ordem. Podemos
observar que além do atraso no tempo, podem ocorrer oscilações amortecidas até que seja
atingido o valor final. Estas oscilações provocam a ultrapassagem momentânea do valor
final, para mais ou menos. O comportamento do PLL depende do fator de amortecimento
, que depende essencialmente do filtro e do ganho do elo.
Na fig. 4.10, valores do fator de amortecimento inferiores a 1 (sub-amortecido) têm
resposta mais rápida porém às custas de oscilações. Valores maiores que 1 (super
amortecido) não têm oscilações, mas um tempo de resposta mais lento.
O valor adequado do fator de amortecimento depende muito da aplicação na qual o PLL é
empregado: por exemplo, para extrair uma portadora no meio do ruído usa-se fator de
amortecimento alto, mas para extrair o sinal modulante em FM ou PSK, o fator de
amortecimento deve ser mais baixo, para que o PLL consiga acompanhar as variações
rápidas de frequência.

4.2.4 - Vantagem
Considerando apenas o funcionamento estático, não tem muita vantagem o uso do PLL,
pois ele apenas gera uma réplica do sinal de entrada, desde que a sua frequência esteja
dentro das faixas Fa e Fs, a não ser que permita demodular um sinal FM, o que pode ser
feito com outros circuitos mais simples como os discriminadores.
Considerando o seu comportamento dinâmico ou transiente, o grande mérito do PLL é que
ele consegue gerar uma réplica limpa e quase sem ruído de um sinal misturado com ruído,
interferências, com tremor de fase e até mesmo com cortes de curta duração. Portanto o
PLL permite reconstituir ou recondicionar sinais deteriorados pelo ruído, ou ainda, separar
um determinado sinal no meio de muitos outros.

4.2.5 - Exemplo do PLL discreto (Fig. 4.11)


As curvas características apresentadas são reais. Elas correspondem a um circuito PLL cuja
descrição vem a seguir.
A figura 4.11a representa a curva de saída de um comparador de fase do tipo OU
Exclusivo (X-OR), construído a partir de uma das portas lógicas do circuito integrado
CD4030, alimentado por uma tensão de 5V.
A figura 4.11b mostra a característica de tensão x frequência para um par de transistores
BC548, ligados como multivibrador Astável, cuja alimentação também é de 5V.
OSTENSIVO 4-12 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

E, finalmente, a figura 4.11c mostra o diagrama de Bode de um filtro RC passa baixas,


constituído por um R = 3 k e um C = 1,2 µF.

Figura 4.11 - Curvas características.

4.2.6 - Exemplo de PLL integrado


Uma unidade PLL popular é o CI 565, mostrado na fig. 4.12.

Figura 4.12 - CI 565.

Este CI contém um detector de fase, um amplificador e um VCO, que estão parcialmente


conectados entre si, internamente.
Um resistor e um capacitor (R1, C1), ligados externamente, são usados para fixar a
frequência central do VCO. Outro capacitor externo (C2), ligado entre os pinos 10 e 7, é

OSTENSIVO 4-13 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

usado para, em conjunto com o Rint (3,6 k), fixar a banda passante do filtro de passa
baixas.
A saída do VCO (pino 4) deve ser conectada à entrada do detector de fase (fig. 4.13).

Figura 4.13 - CI 565.


4.2.7 - Exemplos de aplicação do PLL
a) Demodulação do sinal de FM
Se a frequência central de um PLL é selecionada na frequência da portadora de FM, a
tensão filtrada ou de saída (figura 4.14) é a tensão demodulada desejada, variando em
valor proporcional à variação da frequência do sinal.
O circuito PLL, portanto, opera como um filtro de Frequência Intermediária (FI),
limitador ou demodulador, como os usados em receptores de FM.

Figura 4.14 - Tensão Demodulada de FM.

OSTENSIVO 4-14 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

O CI 565 usa duas fontes de tensão V+ e . A fig. 4.15 mostra o PLL conectado

para operar como demodulador de FM. O resistor R1 e o capacitor C1 determinam a


frequência livre do VCO (f0 ).

Figura 4.15 - CI 565 como demodulador de FM.


Para os valores especificados no diagrama: = 136,36 kHz.
Como o VCO do 565 tem uma limitação para R1 entre 2 k e 20 k a faixa de
amarração (sincronismo Fs) é:

=   181,8 kHz para os valores especificados.

A faixa de captura (aquisição), para os valores de 6V na fonte será:

 156,1 kHz para os valores aqui especificados.

O sinal no pino 4 é uma onda quadrada de 136,36 kHz. Um sinal de entrada dentro da
faixa de amarração de 181,8 kHz produz um sinal de saída no pino 7 variando em torno
do seu nível de tensão DC, de acordo com a frequência fin.

OSTENSIVO 4-15 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

A fig. 4.15 mostra a saída do pino 7 em função da fin. A tensão DC do pino 7 está
relacionada linearmente com a frequência do sinal de entrada (f in), dentro da faixa de
frequência FS = 181,8 kHz, em torno da frequência central 136,36 kHz. A tensão
de saída é o sinal demodulado cujo valor varia com a frequência dentro da faixa de
operação especificada.

b) Decodificador FSK
O decodificador recebe um sinal em uma das duas frequências de portadora, 1270 Hz ou
1070 Hz, representando os níveis lógicos RS-232C de marcas (-5v ) ou de espaços (+14
v), respectivamente.
Quando o sinal é aplicado à entrada, a malha se “amarra” à frequência de entrada,
rastreando-a entre os dois possíveis valores. Na saída obtém-se um deslocamento
correspondente do nível DC.

Um decodificador de sinal FSK (Frequency Shift Keyed), pode ser construído como
mostrado na fig. 4.16.

Figura 4.16 - Decodificador FSK.

OSTENSIVO 4-16 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

O filtro em escada RC (com 3 seções de C = 0,02 F e R = 10 k ) é usado para


remover a componente da soma de frequências.
A frequência livre é ajustada com R1 de forma que o nível de tensão DC da saída
(pino 7) seja o mesmo que no pino 6. Então, uma entrada com frequência de 1070 Hz
forçará a tensão de saída do decodificador para um nível de tensão mais positivo,
levando a saída digital para um nível alto (espaço = +14v).
Uma entrada em 1270 Hz forçará a saída DC do 565 a ser menos positiva, produzindo
uma saída digital (saída do comparador) em nível baixo (marca = -5v).

4.3 - SINTETIZADORES DE FREQUÊNCIA


4.3.1 - Conceitos básicos
Um grave problema dos osciladores e geradores de sinais foi resolvido com o uso de
cristais em sua confecção. O cristal é um componente de grande estabilidade, o que permite
manter invariável a frequência de oscilação do circuito que estiver controlando.
Há, porém, um problema. Não podemos variar a frequência de ressonância do cristal.
Como poderemos construir circuitos osciladores que tenham a estabilidade de um oscilador
a cristal e que cubram uma extensa faixa de frequências?
Como resposta a essa questão é que surgiram os sintetizadores de frequências. Um único
cristal é usado para operar sinais numa ampla gama de frequências discretas.
É comum nos sintetizadores de frequências atuais encontrarmos teclados que selecionam a
frequência de operação do sintetizador.
Um sintetizador de frequência é um conjunto de divisores de frequência, geradores
espectrais, filtros e somadores que permitem obter um número discreto de frequências de
saída para um único oscilador. Observe a fig. 4.17.

Figura 4.17 - Sintetizador de frequência.


OSTENSIVO 4-17 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

O oscilador de referência gera um sinal de 100 kHz que é sucessivamente dividido até que
a saída do último divisor seja de 10 Hz. A grande estabilidade do oscilador de referência
garante a estabilidade dos sinais divididos e, por decorrência, todos os harmônicos e sub-
harmônicos gerados.
A fig. 4.18 mostra um diagrama completo de um sintetizador.

Figura 4.18 - Sintetizador (diagrama completo).

Neste circuito, o processo de divisão é o mesmo. Observe que o sinal do oscilador de


referência é aplicado também à entrada de um gerador espectral, cuja função é produzir
harmônicos de ordem superior à frequência de entrada. Uma maneira de fácil compreensão
de produzir tais harmônicos é descrita no diagrama da fig. 4.19.

OSTENSIVO 4-18 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

Figura 4.19 - Produção de harmônicos.

O sinal do gerador é distorcido para formar uma onda quadrada, através de qualquer
processo dos estudados, como por exemplo a aplicação de um Schimitt trigger. O sinal
senoidal não possui harmônicos de ordem superior, enquanto o quadrado pode ser
decomposto em vários harmônicos, como visto anteriormente e é mostrado na fig.4.20.

Figura 4.20 - Decomposição dos harmônicos.

Por exemplo, um sinal quadrático de 100 kHz, tem harmônicos de 300, 500, 700, 900, ...
kHz, sempre acrescentando os múltiplos ímpares da frequência fundamental.
Por outro lado, o batimento de um sinal de 100 kHz com o sinal de 300 kHz produz
harmônicos tanto em 200 quanto em 400 kHz.
O processo de batimento é rigorosamente idêntico ao aplicado nos receptores AM, onde se
produz um batimento do sinal de entrada com o sinal do oscilador local, o que gera a
frequência intermediária (FI).
Um sistema de filtros é usado para recolher os sinais desejados. Observe que nesse
processo foram gerados sinais de 100 e 900 kHz, em degraus de 100 kHz.
O gerador espectral tem, portanto, um grande número de saídas (nove no caso visto).
Apenas uma delas deve ser usada. Para seleção da saída é colocado um seletor de
harmônicos. Tais seletores nada mais são que chaves eletrônicas que apenas conectam uma
das saídas aos blocos seguintes do sintetizador.
O sinal do oscilador de referência é dividido por 10. A frequência de entrada do gerador
espectral 2 é de 10 kHz. O mesmo processo é repetido neste gerador. Como resultado as
saídas deste gerador apresentarão sinais de 10 a 90 kHz, em degraus de 10 kHz.
O processo é repetido de tal forma a produzir sinais de 1 Hz a 900 kHz nas saídas dos
geradores espectrais.
OSTENSIVO 4-19 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

4.3.2 - Processo de seleção de frequência


Digamos que o usuário do sintetizador deseja obter um sinal de 875 kHz. Os seletores
harmônicos são acionados para fornecer os sinais de 800 kHz (seletor 1), 70 kHz (seletor 2)
e 5 kHz (seletor 3). Os blocos seguintes fazem um novo batimento e misturam os sinais
selecionados até que na saída se obtenha a frequência desejada.
As repetidas filtragens que o sinal sofre fazem com que na entrada do amplificador de saída
tenhamos um sinal atenuado de 70 a 80 dBs em relação à amplitude do sinal do oscilador
de referência.

4.3.3 - Tipos de sintetizadores de frequência


Basicamente há duas categorias de sintetizadores: aqueles usados como subsistemas de um
determinado equipamento (transceptores, receptores, transmissores) e aqueles usados em
equipamentos de teste.
O primeiro requer comandos externos que selecionem determinada frequência, necessária
para a operação do equipamento ao qual estiver ligado. Modernos receptores de FM têm
seletores de emissoras digitalizados. Neste caso ao selecionarmos uma determinada tecla já
estaremos selecionando a frequência de saída do sintetizador.
O segundo tipo, apresenta um teclado onde a frequência de saída é escolhida de acordo
com a necessidade.
A síntese de frequência é um processo simples de gerar qualquer frequência desejada,
dentro de uma banda que pode cobrir muitas décadas. Se ainda considerarmos a grande
estabilidade em frequência, podemos ver a sua grande utilidade nos equipamentos atuais de
telecomunicações.
Sofisticados transmissores, receptores e transceptores atuais já se servem dos sintetizadores
para conseguir uma seleção rápida e exata de uma frequência de operação.
Além disso, o fato de os sintetizadores usarem circuitos digitais permite a sua aplicação em
sistemas computadorizados sem a necessidade de circuito de conversão D/A ou A/D.

4.3.4 - Sintetizador de Frequência Básico


Agora apresentaremos uma abordagem sobre os sintetizadores atuais, os quais usam como
circuitos geradores de frequência, um sistema composto por um oscilador de referência
controlado por um PLL.
A estrutura básica de um sintetizador de frequência é mostrada na fig. 4.21.
OSTENSIVO 4-20 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

Figura 4.21 - Sintetizador de frequência básico.

O circuito é composto por um PLL que contém um divisor de frequência programável


entre a saída do VCO e a entrada do comparador de fase. Também no circuito está
incluído um oscilador de referência controlado a cristal e o divisor de frequência (÷ R).
O sintetizador mostrado está programado para gerar uma frequência de 14.220 kHz. Para
isso, o divisor programável (÷ N) recebe em seu barramento de dados o código
correspondente ao fator de divisão utilizado, neste caso 711.
Assim, na entrada fn do comparador de fase teremos a frequência de 20 kHz (14.220 kHz
711). Como a entrada fs do comparador recebe o sinal de 20 kHz vindo do divisor de
referência, a tensão de saída VD, do comparador de fase irá variar até que o VCO oscile
exatamente na frequência N.fs, que é 711 x 20 kHz = 14.220 kHz.
Se desejarmos uma frequência maior deveremos aumentar N, sendo que o espaçamento
mínimo entre as frequências será igual a 20 kHz, ou seja, o valor da frequência de
referência de entrada do comparador de fase.

4.3.5 - Desvantagens do Sintetizador Básico


O sintetizador de frequência básico (anteriormente apresentado), não é apropriado para
geração de sinais na faixa de VHF (30 MHz a 300 MHz) ou em frequências superiores.
Essa limitação se deve ao divisor programável, que normalmente emprega a tecnologia
bipolar (TTL) ou C-MOS e não opera em freqüências acima de 30 MHz.
Para extender a faixa de frequência é necessário o uso de um Preescaler, intercalado entre
a saída do VCO e a entrada do divisor programável ( N).
O Preescaler é um divisor de frequência projetado para operar a centenas de MHz ou até
mesmo acima de 1 GHz, sendo construído na tecnologia ECL (Emitter Coupled Logic). Um
OSTENSIVO 4-21 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

Preescaler divisor por 10, por exemplo, é suficiente para aumentar a frequência máxima do
sintetizador básico para cerca de 300 MHz.
Contudo, surge aqui uma dificuldade: o espaçamento entre as frequências geradas pelo
sintetizador irá aumentar pelo mesmo fator de divisão do Preescaler ( P). Para P = 10, o
espaçamento entre as frequências aumentará para 200 kHz no sintetizador básico.
O espaçamento entre as freqüências, em um sintetizador com Preescaler, é dado por:
f = fr / (R / P) ou f = (fr . P) / R
Onde:
f – espaçamento entre frequências
P – fator de divisão do Preescaler
R – fator de divisão da referência
fr – frequência do oscilador de referência

Uma possível solução para esse problema seria aumentar R na mesma quantidade de P,
porém, isso iria diminuir a freqüência dos sinais presentes nas entradas do comparador de
fase, exigindo um filtro de elo com muito maior capacidade de filtragem.
Na prática, ocorre o aumento da quantidade de ruído presente no sinal gerado pelo
sintetizador e, também, o aumento do tempo de acomodação (ta) do PLL, havendo maior
retardo para o sintetizador obedecer aos comandos de mudança de freqüência.
Este tipo de sintetizador é mais usado nas faixas de VHF, UHF e SHF. Ele possui ótima
pureza espectral, ou seja, o sinal gerado possui pouco ruído sobreposto.
Exibe também um curto tempo de acomodação, respondendo rapidamente aos comandos
para mudança de frequência.
Outra característica vantajosa é que o divisor programável opera em uma frequência
relativamente baixa, para a faixa de operação, geralmente inferior a 10 MHz ou 20 MHz,
mesmo nos equipamentos de UHF.
Obs.:
Tempo de acomodação (ta): é o tempo requerido para que a resposta transitória do PLL
permaneça entre 0,95 a 1,05 do valor permanente, após uma mudança súbita da frequência
do sinal de entrada.

4.3.6 - Preescaler de Módulo Duplo


É o componente fundamental para construção do sintetizador de frequência muito elevada.
Consiste em um divisor de frequência que usa a tecnologia ECL, a qual tem como
OSTENSIVO 4-22 5a REVISÃO
OSTENSIVO CIAA 117-64E

característica principal altíssima velocidade de operação, cujo módulo ( P ) varia em


função do nível lógico aplicado ao pino de controle do Preescaler. Com o controle em
nível baixo, o módulo é diminuído de uma unidade. Acompanhe na fig. 4.22.

Figura 4.22 - Preescaler de módulo duplo.

O valor do módulo do Preescaler é calculado em função da freqüência máxima de saída do


sintetizador e da frequência máxima admissível na entrada do divisor programável. Em um
telefone celular, por exemplo, a freqüência máxima do VCO fica ao redor de 900 MHz e a
freqüência máxima admissível na entrada do divisor programável fica em torno de 7 MHz.
Dessa maneira P será:
P > f0 / fmáx
Para o caso de um telefone celular teríamos:
P 900 MHz / 7MHz 128,57 MHz
O módulo P ou P + 1 é quase sempre uma potência de dois, sendo comum valores como:
15/16, 31/32, 63/64, 128/129, entre outros. No exemplo pode-se usar um Preescaler de
módulo 128 / 129.
O Preescaler de módulo duplo opera em conjunto com dois divisores de módulo
programável, o divisor por A e o divisor por N. O divisor por A é utilizado para controle do
módulo Preescaler.
A fig. 4.23 mostra o diagrama do sintetizador de frequência com Preescaler de módulo
duplo.

OSTENSIVO 4-23 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

Figura 4.23 - Sintetizador de frequência com Preescaler.

Para a construção prática de sintetizadores existem no mercado diversos circuitos


integrados disponíveis nos quais, estão incluídos os divisores A, N, R além do comparador
de fase. Outras partes, como filtro do elo, o VCO, o Preescaler e o oscilador de referência
são conectados externamente.

OSTENSIVO 4-24 5a REVISÃO


OSTENSIVO CIAA 117-64E

ANEXO A
BIBLIOGRAFIA

a) BOYLESTAD, Robert e NASHELSKY, Louis. Dispositivos Eletrônicos e Teoria dos


Circuitos.8º Edição São Paulo: Prentice Hall, 2005;
b) DIAS CARVALHO, José Antônio e FERREIRA SOBRINHO, José Pinto. Osciladores I.
São Paulo: Érica, 1992.
c) HOUPIS, Constantine H. e LUBELFELD, Jerzy. Técnicas de Pulsos. Rio de Janeiro: Livros
Técnicos e Científicos, 1972.
d) MALVINO, Albert Paul. ELETRONICA Vol 2. São Paulo: Makron Books, 4ª ed., 1995.
e) MILLMAN, Jacob e HALKIAS, Christos C. ELETRÔNICA - Dispositivos e circuitos Vol
2. São Paulo: McGraw-Hill, 2ª ed., 1981.
f) THOMAS, Roland E.; ROSA, Albert J.; TOUSSAINT, Gregory J. Análise e Projeto de
Circuitos Elétricos Lineares. Porto Alegre: Bookman, 6ª ed., 2011.

OSTENSIVO A-1 5a REVISÃO

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