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ESCOLA SUPERIOR DE GEOPOLÍTICA E ESTRATÉGIA

Reunião Mensal de Atualização e Debate – 18/12/2003


QI

QI do brasileiro, Educação e Desenvolvimento Econômico e Social

1. A questão: Como sempre acontece entre nós, uma importante questão estratégica foi
aflorada por parte da imprensa nacional, de forma muito rápida, sendo que a grande maioria da
imprensa e, por conseqüência do público, nem tomou conhecimento do caso:

pesquisa sobre o nível de resposta aos testes de QI, em todo o mundo, realizada pelos
pesquisadores Richard Flvnn professor emérito de psicologia da Universidade de Ulster
e professor Tatu Vanhanen, da Universidade de Tampere, na Finlândia, mostraram que
os níveis de Q.I. , na América Latina são muito baixos.
A tabela do referido estudo, divulgado em Londres, indica que a média de Q.I. na
América Latina é 85, sendo que o Brasil ficou classificado com a média 87.

A tabela divulgada apresenta os seguintes números:

1. Japão QI 110
2. Coréia do Sul QI 106
3. Alemanha QI 103
4. Suíça QI 101
5. Inglaterra QI 100
6. Austrália QI 99
7. EUA QI 98
8. China QI 98
9. França QI 97
10. Espanha QI 96
11. Argentina QI 96
12. Portugal QI 91
13. Israel QI 90
14. México QI 88
15. BRASIL QI 87
16. Iraque QI 87
17. Cuba QI 85
18. Índia QI 82
19. África do Sul QI 72
20. Nigéria QI 69
Fontes: O Estado de São Paulo – 10/11/2003
Veja - 19/11/2003.

Prof. Fernando G. Sampaio -1


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2. Tendência histórica

Para quem acompanha estas importantes questões estratégicas, esta nova pesquisa só veio
confirmar o que já se sabia e reforçar a necessidade de providenciarmos, urgentemente, por uma
melhoria do nosso sistema de educação e - igualmente - por uma melhoria drástica na qualidade de
nosso sistema de comunicação de massa.

Com efeito, a mesma revista Veja já tinha publicado a seguinte nota, há mais de vinte
anos atrás, em seu número 721 (1982).

Brilho Oriental - a média de QI do Japão é a maior do mundo: testes aplicados em


1.100 japoneses revelaram que seu quoeficiente de inteligência (QI) médio é de 111,
mais que a média européia e onze pontos acima dos americanos. Segundo o psicólogo
Richard Lynn, em artigo na revista Nature, pode estar aí um dos fatores que con-
tribuíram para o desenvolvimento do Japão, no pós-guerra. Além disso, enquanto
europeus e americanos possuem apenas 2% de sua população com QI acima de 130, no
Japão 10% dos habitantes superam esse nível e a diferença esta crescendo nos últimos
anos. Nos testes, os japoneses mostraram maior percepção visual que os americanos,
por exemplo. O aumento seria provocado pelos métodos de educação dos japoneses,
mais eficientes que os ocidentais. Afinal, os testes de QI baseiam-se em fatores como a
capacidade de raciocínio lógico e o raciocínio matemático e verbal, o que seria
estimulado pelos modernos métodos de ensino, especialmente num país como o Japão,
onde os brinquedos eletrônicos, calculadoras e até microprocessadores já são
largamente utilizados pelas crianças.

A tabela, então publicada, é a seguinte:

1. Japão QI 111,0
2. Holanda QI 109,4
3. Alemanha QI 109,3
4. Polônia QI 108,3
5. Itália QI 103,8
6. Portugal QI l02,6
7. Espanha QI 100,3
8. EUA QI 100,0
9. Grécia QI 99,4
10. França QI 96,1

Como se verifica, existem algumas variações, mas o QI japonês permanece estável e em


primeiro lugar. Entretanto, as causas apontadas - o uso de parafernália eletrônica, para o resultado
japonês, deve ser contestado.
Certamente, isto pode ajudar, mas devemos lembrar que a carga de ensino é lá muito alta.

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3. Intensidade do ensino regular:

De fato, conforme lemos em “O rendimento escolar no Brasil e a experiência de outros


países, do professor Messias Costa ( Loyola, SP, 1990 ), o ensino japonês é muito mais intensivo do
que qualquer outro no mundo.

“o ano letivo no Japão é de 243 dias, com seis aulas diárias de 48 minutos cada uma
e a obrigatoriedade escolar é de nove anos e são dadas aulas, inclusive aos sábados.
Isto eqüivale a dois meses a mais do que o ano escolar de 180 dias em países como o
Brasil e os Estados Unidos. Levando em consideração, também, a duração do dia
escolar, conclui-se que uma criança japonesa durante os 12 anos da escola de 1º e 2º
grau, quando comparado ao americano, recebe, na verdade, o equivalente a 4 -
quatro - anos a mais de escolarização: (p. 79).

Na época, o cálculo indicava, ainda, que os japoneses tinham férias muito mais curtas que
os americanos, que as tem mais curtas, ainda, que os brasileiros...
Lembremos que o Brasil, até recentemente, tinha um ano escolar de 180 dias,
recentemente aumentado para 200 dias.
Não é o caso de recomendar um ano escolar para o Brasil igual ao japonês, mas sem
dúvida, tal carga escolar, mais o uso de equipamento eletrônico, mais alimentação, ambiente
familiar, ótimo quadro de professores, etc, ajudam a explicar esta questão, em parte.
Outra questão é o problema genético, que iremos comentar em maiores detalhes mais
adiante.
Por enquanto, basta a seguinte citação:

“os descendentes dos imigrantes orientais no Canadá deveriam, também, mostrar-se


prejudicados por testes elaborados por brancos. Mas isto não acontece. Os orientais
sofrem, tanto ou quase tanto quanto os negros, com o preconceito racial, e a sua
posição socio-econômica é distintamente inferior à dos brancos... não obstante, o
desempenho deles em testes de QI é de certa forma superior ao dos brancos de status
sócio-econômico mais alto, sugerindo estes testes que os orientais se mostrem
ligeiramente mais brilhantes que os brancos.” Conforme p. 83 de “Raça, inteligência,
educação - H.J. Eysenck, Eldorado Editora, RJ, 1974.

Ou seja, os imigrantes de orientais e seus descendentes, no Canadá, mas também em


testes nos EUA, tem revelado um QI médio acima da população branca. Na verdade, por incrível
que pareça, a relação de nível de QI , nos EUA e, no geral, a seguinte: orientais, brancos, hispânicos
e negros, com diversas posições para os índios e seus descendentes.

4. O que é o QI.

Naturalmente, devemos agora indagar sobre o que é o QI. Existe muito preconceito em
torno desta questão e alguns, mal informados, dizem que os testes não tem valor, são muito antigos
e outras bobagens mais.
Os estudos mais sérios e completos sobre o assunto, afirmam, sempre, que a genética e
responsável por mais da metade da inteligência, que é um fator herdado, como qualquer outro, em
nossa natureza.

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Recentemente, um estudo conduzido pelo estatístico Michael Daniels da Universidade


Carnegie Mellon, dos EUA, baseado em dados sobre gêmeos, desenvolveu a questão do ambiente
intra-uterino e relatou as seguintes conclusões: o QI 5 o resultado dos seguintes fatores:

50% - carga genética


20% - ambiente uterino
20% - fatores ambientais (cultura)
e o restante - interações complexas (?!)

Os dados básicos, principalmente divulgados por Eysenck, indicam de 70% a 80% da


inteligência devido aos fatores genéticos e o restante ao ambiente (cultura em que está inserido a
criança, em seu desenvolvimento).
Este dado é criticado pelos chamados “ambientalistas”, que imaginam que não existe esta
determinação biológica. Entretanto, os argumentos ambientalistas são muito fracos.

Não queremos esgotar este assunto e preferimos, nesta reunião de final de ano, deixar o
dado principal para os integrantes destas reuniões e sugerimos que realizem suas próprias leituras.
Neste sentido, o livro “ O grande debate sobre a inteligência”, que reuniu H.J. Eysenck (
genética ) e Leon Kamin ( ambientalista ) deve ser procurado e lido com muita atenção. Saiu pela
Universidade de Brasília Editora, em 1981.
Mais recentemente, muitos estudiosos se encantaram com a especulação de Howard
Gardner, sobre o que ele chama de inteligência múltipla, ou seja, que existiria uma inteligência
musical, uma outra espacial, etc, além das conhecidas lógico-matemáticas-linguísticas.
A questão, entretanto e como sempre, permanece sendo a validade do QI clássico por uma
razão muito simples:

estes testes continuam medindo com enorme precisão o desenvolvimento e o


rendimento da inteligência tal como ela é necessária para o desempenho no sistema
normal de ensino, sendo que este sistema e não nenhum outro e o responsável pelo
funcionamento da nossa sociedade industrial e post-industrial, tal qual existente no
padrão ocidental.

Assim, até podem existir, no limite, outras inteligências, digamos assim, mas elas não
criam o sistema tecnológico, científico, industrial e de conhecimento que criam a riqueza e o
poderio do Ocidente. Logo tais outras “inteligências múltiplas” ou o que se queira, são irrelevantes,
quando de trata de desenvolvimento econômico, criação de riqueza e administração social capaz de
distribuir esta riqueza da forma mais eqüitativa possível, compensando as deficiências individuais
ou, ainda de classes sociais.
Por uma questão de “politicamente correto”, entretanto, tanto os testes de QI , como a
herança genética da inteligência, não gozam de popularidade entre pedagogos, sociólogos e,
mesmo, entre psicólogos. Todavia, e uma questão mais do domínio da biologia e, dentro deste
campo, dos geneticistas
Num trabalho bastante recente, o professor Nílson José Machado, rapidamente, lembrou
que : “de modo geral, porém, para o baixo número de crianças examinadas, os resultados da
comparação foram absolutamente não conclusivos, o que levanta questões interessantes sobre as
hipóteses de Gardner... as críticas de Gardner ao fato de a escola privilegiar no máximo duas das
componentes de seu espectro, ainda que permaneçam pertinentes, podem ressaltar bastante
enfraquecidas, a partir de tal alargamento nas concepções...” (p. 103 de “Epistemologia e Didática”,
Corte: Editora, SP, 1999, 2º ed. ,).
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5. Definições:

a inteligência é uma capacidade geral do indivíduo para ajustar


conscientemente seu pensamento a novas exigências: é a adaptabilidade geral da mente
a novas situações e novos problemas, foi a definição do psicólogo alemão William
Stern. Mais recentemente, o americano David Weschler disse que a inteligência e a
capacidade conjunta ou global do indivíduo de agir em função de um objetivo, de
pensar racionalmente e de lidar eficazmente com o seu meio. Alfred Binet, psicólogo
francês, relacionou-a com a compreensão, invenção, direção e análise ou, em suma,
com a capacidade de julgar.” ( A Mente, p. 129, de John Rowan Wilson, José Olympio,
série científica Life, RJ, 1967 ).

E vamos tratar de examinar, agora, um trecho do relato sobre a tabela de QI que revelou a
posição muito fraca do Brasil:

“o estudo diz ainda que a cada média de QI acima de 70 corresponde a 500


libras por pessoa do Produto Bruto Interno (PIB) de um país. Os pesquisadores
explicam que as pessoas com maior QI podem apreender ferramentas mais comple-
xas para desenvolver serviços públicos eficientes, como transporte e
telecomunicações, que acarretam uma melhor infra-estrutura...

e aqui, um ponto básico:


....além disso, e mais fácil encontrar nesses países líderes políticos
inteligentes e capazes de lidar melhor com a economia...eles acrescentam que
distorções podem ser explicadas por fatores políticos e econômicos. Países como a
China e a Rússia, por exemplo, que tem alto QI apresentam baixo PIB per capita por
passarem por sistemas socialistas...” ( O Estado de São Paulo )

Se a inteligência é a capacidade geral para ajustar o pensamento a novas exigências,


decorre, naturalmente, que quanto maior for o nível do QI, mais fácil e rápido será o ajuste a um
mundo cambiante, isto é, em processo de modificações e globalização. E menor será esta
capacidade de ajuste e mudança, quando menor for o QI.
E é exatamente isto o que se observa. Nosso QI médio é muito baixo, logo pouco flexível,
pouco dado a adaptações , ainda mais rápidas, donde uma estagnação econômica, política e social.
Naturalmente, não será o QI o único e preponderante fator, existem outros, como o ambiente
geográfico, o clima, os solos, os recursos minerais, bem como o nível e a qualidade das instituições
sociais e políticas e, finalmente, a herança histórica.
Este estudo sobre o QI serve para abrir nossos olhos para a complexidade da questão do
desempenho e do desenvolvimento econômico.
Serve, também, para mostrar que as mantras : Fora FMI, fora FHC e não pagar a dívida
externa com abaixo a ALCA, não nos explicam, em nada, o porque de estarmos, desde o final dos
anos 70, estagnados.
Não é significativo que tenha sido então que ocorreu uma série de fatores graves na vida
mundial, que não soubemos acompanhar?

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QI

De fato, o fenômeno multinacional, os euro e petro-dólares, a Era da Informática e os


inícios da globalização, com a posterior queda do chamado comunismo, tudo isto, uma enorme
mudança, coincide com as décadas perdidas da história recente do Brasil.
Ou seja, num mundo mais organizado e previsível, íamos bem. Até com o “milagre”
econômico, quando nossa capacidade de poupança interna mais a captação no exterior, permitiam
aplicações de 25% do PIB, em média, na expansão da economia.
Porém, ao mudar o mundo, nossa capacidade de adaptação não foi capaz de realizar o
salto correspondente.
Até que ponto isto não estaria relacionado com o nível de QI, em suma, com a
inteligência média ou seja, com a capacidade de nos ajustarmos e novas exigências?
O fato de o Brasil ter eleito uma liderança semi-analfabeta, atrasada, de cunho
sindicalista, não seria uma confirmação de nossa incapacidade de mudança? Logo, de baixo QI (
pouca inteligência)

6. Como mudar?

E preciso pensar em termos de agir contra esta situação. O que poderíamos colocar, como
resposta?
Não podemos mudar a genética, a herança, a historia ou a geografia. Mas podemos
mudar, isto sim, a qualidade em educação e outros indicadores ambientais.
Ainda que o ambiente tenha 20+ ou 30% de influência sobre o desenvolvimento da
inteligência, a verdade é que um ganho de 20% ou 30% é muito! Significaria um aumento médio do
QI entre 88,74 a 89,61 pontos!
Subiríamos de patamar, ficando entre Israel e México, ou seja, de l5º para 14º, quem sabe,
até mais?
Se, pela hipótese do meio uterino, 20% da inteligência viessem do tempo de gestação
(quando o cérebro de organiza ), uma melhoria nas condições de pré-natalidade poderia aumentar
em mais um outro ponto a média do QI.
A questão é, entretanto, difícil. A alimentação da maior parte da população e suficiente,
mas é inadequada e a moda, entre as mulheres jovens e das classes populares ( que tem mais filhos )
é fumar e continuar a fumar durante o processo de gestação.
Como se sabe, a cada tragada, o feto perde irrigação sangüínea, afetando o
desenvolvimento das células cerebrais, até causando queima de muitas delas...
De qualquer forma, o QI só poderá ser aumentado pela ação da população, por um esforço
nacional, nestes dois pontos:

1) ampliação e melhoria da escola e do meio social


2) melhoria da nutrição e tratamento geral no pré-natal

É óbvio que o QI precisa, também, de estimulação e alimentação. Isto caberia aos meios
de comunicação de massa. Se continuarmos inundados pelas rádios evangélicas, pela propaganda,
pelo futebol e pelas novelas, entremeado do auditório vulgar e mais criminalidade, pouco de
contribuição será dado pelos meios de comunicação para estimular o QI.

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7. A questão é grave

Deixamos para o final o problema de situar o QI dentro das tabelas conhecidas, testadas e
aplicáveis quanto ao significado dos números em termos psiquiátricos e educacionais.
De fato, o que quer dizer um QI médio de 87?
As tabelas estabelecidas, já fazem cem anos, sobre o nível do QI indicam o seguinte:

“Segundo Terman, os quocientes intelectuais se distribuem como no seguinte quadro:

QI abaixo de 25 ....................................................... idiotia


QI de 25 a 50 .............................................. . imbecilidade
QI de 50 a 70 ..................................... debilidade mental
QI de 70 a 90 ...................... debilidade mental fronteiriça
QI de 90 a 110 .................................. inteligência média
QI de 120 a 140 ................... inteligência muito superior
QI acima de 140 ............... inteligência próxima do gênio

a correspondência entre debilidade mental fronteiriça e idade física é criança de


7 a 10 anos. Como se sabe, a idade mental e o QI não crescem depois dos 15
anos de idade.” (Compêndio de psiquiatria, J. Alves Garcia, 1948)

Oquadro de inteligências Standford, do Manual de Psicologia Educacional de William


A. Kelly (Agir, RJ, 1969), nos dá o seguinte:

QI abaixo de 70 ....................................débeis mentais


QI de 70 a 80 - casos limítrofes de deficiência, às vezes classificados como retardados,
freqüentemente como débeis mentais
QI de 80 - 90 - pouco inteligentes - raramente classificados como débeis mentais
QI de 90 a 110 - inteligência normal ou média
QI de 110 a 120 - inteligência superior
QI de 120 a 140 - inteligência muito superior
QI acima de 140 - quase gênio ou gênio.

O manual observa, na pg. 207 que: “ criança mentalmente lenta... um QI de


75 a 89 são lentas, normais e fronteiriças... calcula-se que constituem 15% a 18% da
população escolar...” Diz mais: “a criança mentalmente lenta e considerado como um
indivíduo normal, que é lento em seu desenvolvimento mensal e que está atrasado na
escola, mas não e considerado mentalmente defeituoso... a criança mentalmente
retardada é a de QI 50 a QI 75 e constitui, normalmente, uns 2% da população escolar.
É importante, agora, citar a caracterização geral da criança de aprendizado lento:
1 - sua memória mecânica é melhor que sua memória lógica;
2 - sua capacidade de abstração e raciocínio e limitada, de maneira
que aprende mais lentamente que a criança normal;
3 -tem dificuldade de formar associações, de modo que o
significado das palavras e o vocabulário são adquiridos
lentamente;
4 - mantém a atenção só por curtos períodos
5 - requer mais atenção em seu trabalho, geralmente é lenta em
descobrir e corrigir seus erros...
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Finalmente: a criança lenta requer maior número de experiências semelhantes, para


chegar ao mesmo nível de eficiência de uma criança normal. Portanto, e necessário fazer freqüentes
repetições...” (p. 208).

Temos, ainda, a tabela de “ A Mente” ( RJ, 1967)

QI de 40 a 70 - deficiência mental - 3% da população


QI de 70 a 80 - quase deficiência - 8% da população
QI de 80 a 90 - médio inferior - 16% da população
QI de 90 a 110 - normal ou médio - 46% da população
QI de 110 a 120 - médio superior - 16% da população
Ql de 120 a 140 - superior - 10% da população
QI de 140 a 170 - muito superior - 1% da população

Como exercício, se somarmos 3 + 8, teremos 11% e acrescentando os seguintes 16%


temos um total de 27%,o que coincide com os mais ou menos 20% dos que enfrentam
problemas escolares, conf. o manual de Psicologia Educacional.

DE QUALQUER FORMA, estes números ajudam o nosso entendimento sobre a grave


questão da repetição e evasão escolar no Brasil, que são imensos. Estamos diante de um
contingente, o nosso caso, muito elevado, dos que tem dificuldades, por questão de inteligência,
para aprender. Sendo os currículos e os métodos preparados para os médios ou normais, todos
abaixo disto são afetados negativamente. Daí, também, a mágica dos experimentalismos fantasistas
( construcionaismo, piagetismo, e outros ismos ), quando a questão é, mesmo, de QI.
Portanto, não vamos alterar a média do QI sem alterar a questão da condução do processo
educacional, pela revisão de programas, aplicação de testes para separar os de menor QI em classes
especiais, etc. Isto cria o problema da “discriminação”.., quem quer ver os seus nas classes dos
“retardados”? Ninguém. Então, muito simples, a solução mágica: não se mede QI, não tomamos
conhecimento das diferenças individuais e continuamos a tragédia nacional.

8 - Idade Mental
Ao QI entre 80 e 90 correspondem idades mentais variadas entre 9 a 11 anos. Isto
significa que a nossa população é, no geral, infantil? Ou tenderia a se comportar como infantil?
Estas questões, a que somos levados, pela lógica da própria exposição, mostram claramente porque
a questão do QI é sistematicamente empurrada para baixo do tapete entre nós.
Ela é politicamente incorretissima. Horrivelmente constrangedora. Mas, quando vemos o
primeiro mandatário da república a jogar peladas, com aquela enorme barriga de cerveja e a deitar
discursos de analfabeto e jóias de sabedoria ao estilo “nove meses..” e quetais, aí nos damos conta
que, realmente, a inteligência média de QI 87 para o Brasil é um dado estratégico comprometedor
para nosso futuro.
E isto é tanto mais comprometedor para o nosso futuro quando observamos que estes
níveis de QI, estes níveis de semi-analfabetismo, acabam por comprometer nossa capacidade de
desenvolvimento, pela impossibilidade de tais parâmetros permitirem um desempenho eficaz da
própria força de trabalho da nação.
Infelizmente, não estamos levando a sério esta análise.
Se as autoridades já sabem, muito bem, que temos esta situação catastrófica de níveis de
QI, como, então, não se combate pela melhoria da escola, pré-natal e nível dos meios de
comunicação.
É verdade que muitos e muitos se queixam, mas, quando vamos mudar?
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VEJAMOS, sobre isto, o que nos conta essa carta de uma leitora da Gazeta Mercantil (e
que existem inúmeras em todos os jornais e revistas do Brasil), de 2001:

EDUCAÇÃO COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO

As empresas e organizações, em geral, estão tendo dificuldades em recrutar e manter nos


seus quadros profissionais e empregados capazes de resolver problemas criticamente, com visão
ampla e orientação empreendedora, tal como é necessário, para que possam não apenas manter-se
ativamente em seu negócio, mas para que também possam crescer e desenvolver-se, como condição
para se tornarem competitivas. Observam-se que aumentam rapidamente as demandas para o
trabalho inteligente e criativo, que exige iniciativa e capacidade de resolver problemas, de detectar e
enfrentar desafios. Em vista disso, o que é mais importante empregar e remunerar não é tempo e
força de trabalho, e sim inteligência aplicada ao trabalho.
Tal aumento de demanda tem criado a necessidade de as empresas promoverem programas
e atividades de capacitação de seus profissionais e empregados. Uma das dificuldades para isso é que
os resultados são limitados, tendo em vista as limitações de escolaridade inexistente, limitada ou
deficiente de profissionais ou empregados, o que prejudica e restringe os resultados desses
programas. No ano passado foi apontado pelo Serviço de Informação Nacional de Empregos que
cerca de metade dos postos não foi preenchido por falta de competência de candidatos, e essa falta se
assentava sobre a falta de escolaridade básica, capaz de sustentar a aprendizagem específica no
trabalho. Além disso, os baixos índices de desenvolvimento dos trabalhadores em geral explicariam
os índices de desperdício e de retrabalho registrados.
Em decorrência, a melhoria da qualidade do ensino é o melhor negócio para todos. Pelo
esforço conjunto para melhorar a educação, todos ganham o curto, médio e longo prazos, em vista do
que realizar parcerias para a melhoria da educação é o melhor negócio para todos. É necessário
acrescentar, porém, que não basta a boa vontade. É necessário desenvolver competência para
contribuir para o desenvolvimento da educação de uma escola e de um município.

Heloísa Lück
Diretora educacional do CEDHAP
e diretora-superintendente
da Mobilização Educacional.
Curitiba, PR

Gazeta Mercantil – São Paulo – 14/03/2001

Outra seria a questão do próprio desemprego, praga maior que nos assola, se o nível geral
de inteligência e preparo da nossa população fosse melhor!
Ou seja, embora exista o fenômeno da globalização, etc., muito do que poderia ser feito
não o é, porque insistimos em tratar com descaso o problema essencial de melhorar e melhorar
sempre o nível, muito baixo, de nossa população.
Infelizmente, nossos acadêmicos escondem a questão do QI e nossos políticos, no geral
ignorantes e, portanto, totalmente desqualificados, não conhecem esta e outras questões estratégicas
básicas.
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O professor Louis Legrand em “Psicologia aplicada à Educação Intelectual” ( Zahar


Editores, RJ, 1974, p. 34 e sgs ) já dizia, sobre esta questão:

significado da idade mental - os testes de QI, etc... não se trata, por conseguinte, de uma
medida de inteligência em si, mas de um processo de classificação relativo tanto à
natureza da prova quanto a qualidade da população sobre a qual o teste é padronizado...
a idade mental não pode, por conseguinte, ser considerada senão como uma indicação
relativa, embora preciosa, para um determinado meio.”

Ora, se os testes de QI foram padronizados para os vinte países, seguindo certos padrões
comparativos e o resultado mostrou que a qualidade de nossa população, neste sentido, está bastante
comprometida, teríamos que ter experimentado um verdadeiro escarcéu nacional sobre esta questão.
E, no entanto, nada... De futuro, voltaremos a abordar esta questão de QI, sobre outras angulações.

Por ora, me permitam, para concluir e, com isto, também concluir este ano, citar uma
poesia do ilustre Millor Fernandes, muito apropriada:

POESIA COM LAMENTAÇÃO DO LOCAL DO NASCIMENTO

Tudo o que eu digo, acreditem,


teria mais solidez
se em vez de carioquinha
eu fosse um velho chinês.