0% acharam este documento útil (0 voto)
79 visualizações172 páginas

Metodologia Inovadora para Vestibulares

Enviado por

Larissa Sales
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
79 visualizações172 páginas

Metodologia Inovadora para Vestibulares

Enviado por

Larissa Sales
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Caro aluno

Ao elaborar o seu material inovador, completo e moderno, o Hexag considerou como principal diferencial sua exclusiva metodologia em período integral,
com aulas e Estudo Orientado (E.O.), e seu plantão de dúvidas personalizado. O material didático é composto por 6 cadernos de aula e 107 livros, totali-
zando uma coleção com 113 exemplares. O conteúdo dos livros é organizado por aulas temáticas. Cada assunto contém uma rica teoria que contempla,
de forma objetiva e transversal, as reais necessidades dos alunos, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar. Para melhorar a
aprendizagem, as aulas possuem seções específicas com determinadas finalidades. A seguir, apresentamos cada seção:

INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS VIVENCIANDO


De forma simples, resumida e dinâmica, essa seção foi desen- Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico
volvida para sinalizar os assuntos mais abordados no Enem e é o seu distanciamento da realidade cotidiana, o que difi-
nos principais vestibulares voltados para o curso de Medicina culta a compreensão de determinados conceitos e impede
em todo o território nacional. o aprofundamento nos temas para além da superficial me-
morização de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios na
aprendizagem dos conteúdos, foi desenvolvida a seção “Vi-
venciando“. Como o próprio nome já aponta, há uma preo-
cupação em levar aos nossos alunos a clareza das relações
TEORIA
entre aquilo que eles aprendem e aquilo com que eles têm
Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos de cada co- contato em seu dia a dia.
leção tem como principal objetivo apoiar o aluno na resolu-
ção das questões propostas. Os textos dos livros são de fácil
compreensão, completos e organizados. Além disso, contam
com imagens ilustrativas que complementam as explicações APLICAÇÃO DO CONTEÚDO
dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em
cores nítidas, também são usados e compõem um conjunto Essa seção foi desenvolvida com foco nas disciplinas que fa-
abrangente de informações para o aluno que vai se dedicar zem parte das Ciências da Natureza e da Matemática. Nos
à rotina intensa de estudos. compilados, deparamos-nos com modelos de exercícios re-
solvidos e comentados, fazendo com que aquilo que pareça
abstrato e de difícil compreensão torne-se mais acessível e
de bom entendimento aos olhos do aluno. Por meio dessas
MULTIMÍDIA resoluções, é possível rever, a qualquer momento, as explica-
ções dadas em sala de aula.
No decorrer das teorias apresentadas, oferecemos uma cui-
dadosa seleção de conteúdos multimídia para complementar
o repertório do aluno, apresentada em boxes para facilitar a
compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas, ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM
livros, etc. Tudo isso é encontrado em subcategorias que fa-
cilitam o aprofundamento nos temas estudados – há obras Sabendo que o Enem tem o objetivo de avaliar o desem-
de arte, poemas, imagens, artigos e até sugestões de aplicati- penho ao fim da escolaridade básica, organizamos essa
vos que facilitam os estudos, com conteúdos essenciais para seção para que o aluno conheça as diversas habilidades e
ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica, em uma competências abordadas na prova. Os livros da “Coleção
seleção realizada com finos critérios para apurar ainda mais Vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas
o conhecimento do nosso aluno. dessas habilidades. No compilado “Áreas de Conhecimento
do Enem” há modelos de exercícios que não são apenas
resolvidos, mas também analisados de maneira expositiva e
descritos passo a passo à luz das habilidades estudadas no
dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para
CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS ajudá-lo a apurar as questões na prática, a identificá-las na
Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é prova e a resolvê-las com tranquilidade.
elaborada, a cada aula e sempre que possível, uma seção que
trata de interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares
atuais não exigem mais dos candidatos apenas o puro co-
nhecimento dos conteúdos de cada área, de cada disciplina.
DIAGRAMA DE IDEIAS
Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abran- Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Por isso,
gem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, criamos para os nossos alunos o máximo de recursos para
como Biologia e Química, História e Geografia, Biologia e Ma- orientá-los em suas trajetórias. Um deles é o ”Diagrama de
temática, entre outras. Nesse espaço, o aluno inicia o contato Ideias”, para aqueles que aprendem visualmente os conte-
com essa realidade por meio de explicações que relacionam údos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas
a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de mentais e fluxogramas.
outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo
o aluno consegue entender que cada disciplina não existe de da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta
forma isolada, mas faz parte de uma grande engrenagem no aos principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita a
mundo em que ele vive. organização dos estudos e até a resolução dos exercícios.
© Hexag Sistema de Ensino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino, São Paulo, 2023
Todos os direitos reservados.

Coordenador-geral
Murilo de Almeida Gonçalves

Responsabilidade editorial, programação visual, revisão e pesquisa iconográfica


Hexag Editora

Editoração eletrônica
Letícia de Brito
Matheus Franco da Silveira

Projeto gráfico e capa


Raphael de Souza Motta

Imagens
Freepik ([Link]
Shutterstock ([Link]
Pixabay ([Link]

ISBN
978-85-9542-264-3

Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo
por fim único e exclusivo o ensino. Caso exista algum texto a respeito do qual seja necessária a in-
clusão de informação adicional, ficamos à disposição para o contato pertinente. Do mesmo modo,
fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre as imagens pub-
licadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra é usado apenas para fins didáticos, não rep-
resentando qualquer tipo de recomendação de produtos ou empresas por parte do(s) autor(es) e da editora.

2023
Todos os direitos reservados para Hexag Sistema de Ensino.
Rua Luís Góis, 853 – Mirandópolis – São Paulo – SP
CEP: 04043-300
Telefone: (11) 3259-5005
[Link]
contato@[Link]
SUMÁRIO

BIOLOGIA
ECOLOGIA 5
AULAS 17 E 18: BIOMAS 007
AULAS 19 E 20: BIOMAS AQUÁTICOS 025
AULAS 21 E 22: CICLOS BIOGEOQUÍMICOS 030
AULAS 23 E 24: PROBLEMAS AMBIENTAIS  038
AULAS 25 E 26: TIPOS DE REPRODUÇÃO E CICLOS DE VIDA  057

ZOOLOGIA 67
AULAS 17 E 18: MOLUSCOS 069
AULAS 19 E 20: ANELÍDEOS 078
AULAS 21 E 22: ARTRÓPODES E EQUINODERMOS 085
AULAS 23 E 24: CORDADOS I  097
AULAS 25 E 26: CORDADOS II  105

CITOLOGIA 121
AULAS 17 E 18: MEIOSE E VARIABILIDADE GENÉTICA 123
AULAS 19 E 20: GAMETOGÊNESE  131
AULAS 21 E 22: HISTOLOGIA I 140
AULAS 23 E 24: HISTOLOGIA II 156
AULAS 25 E 26: RESPIRAÇÃO CELULAR E FERMENTAÇÃO 164
MATRIZ DE REFERÊNCIA DO ENEM

Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos processos de
produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.
Competência 1

H1 Reconhecer características ou propriedades de fenômenos ondulatórios ou oscilatórios, relacionando-os a seus usos em diferentes contextos.
H2 Associar a solução de problemas de comunicação, transporte, saúde ou outro, com o correspondente desenvolvimento científico e tecnológico.
H3 Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.
Avaliar propostas de intervenção no ambiente, considerando a qualidade da vida humana ou medidas de conservação, recuperação ou utilização
H4
sustentável da biodiversidade.

Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.


Competência 2

H5 Dimensionar circuitos ou dispositivos elétricos de uso cotidiano.


H6 Relacionar informações para compreender manuais de instalação ou utilização de aparelhos, ou sistemas tecnológicos de uso comum.
Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde
H7
do trabalhador ou a qualidade de vida.

Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumentos ou ações
científico-tecnológicos.
Identificar etapas em processos de obtenção, transformação, utilização ou reciclagem de recursos naturais, energéticos ou matérias-primas, con-
H8
Competência 3

siderando processos biológicos, químicos ou físicos neles envolvidos.


Compreender a importância dos ciclos biogeoquímicos ou do fluxo energia para a vida, ou da ação de agentes ou fenômenos que podem causar
H9
alterações nesses processos.
Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e(ou) destino dos poluentes ou prevendo efeitos em sistemas naturais, produ-
H10
tivos ou sociais.
H11 Reconhecer benefícios, limitações e aspectos éticos da biotecnologia, considerando estruturas e processos biológicos envolvidos em produtos biotecnológicos.
H12 Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.

Compreender interações entre organismos e ambiente, em particular aquelas relacionadas à saúde humana, relacionando conhecimentos científicos,
aspectos culturais e características individuais.
Competência 4

H13 Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características dos seres vivos.
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio interno, defesa, relações com o ambiente,
H14
sexualidade, entre outros.
H15 Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de organização dos sistemas biológicos.
H16 Compreender o papel da evolução na produção de padrões, processos biológicos ou na organização taxonômica dos seres vivos

Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.
Competência 5

Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas,
H17
como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.
H18 Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnológicos às finalidades a que se destinam.
Avaliar métodos, processos ou procedimentos das ciências naturais que contribuam para diagnosticar ou solucionar problemas de ordem social,
H19
econômica ou ambiental.

Apropriar-se de conhecimentos da física para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científicotecnológicas.
Competência 6

H20 Caracterizar causas ou efeitos dos movimentos de partículas, substâncias, objetos ou corpos celestes.
H21 Utilizar leis físicas e (ou) químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da termodinâmica e(ou) do eletromagnetismo.
Compreender fenômenos decorrentes da interação entre a radiação e a matéria em suas manifestações em processos naturais ou tecnológicos,
H22
ou em suas implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais.
Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais,
H23
sociais e/ou econômicas.

Apropriar-se de conhecimentos da química para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científicotecnológicas.
Competência 7

H24 Utilizar códigos e nomenclatura da química para caracterizar materiais, substâncias ou transformações químicas.
Caracterizar materiais ou substâncias, identificando etapas, rendimentos ou implicações biológicas, sociais, econômicas ou ambientais de sua
H25
obtenção ou produção.
Avaliar implicações sociais, ambientais e/ou econômicas na produção ou no consumo de recursos energéticos ou minerais, identificando transfor-
H26
mações químicas ou de energia envolvidas nesses processos.
H27 Avaliar propostas de intervenção no meio ambiente aplicando conhecimentos químicos, observando riscos ou benefícios.

Apropriar-se de conhecimentos da biologia para, em situações problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científicotecnológicas.
Competência 8

Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distribuição em diferentes ambientes, em
H28
especial em ambientes brasileiros.
Interpretar experimentos ou técnicas que utilizam seres vivos, analisando implicações para o ambiente, a saúde, a produção de alimentos, matérias
H29
primas ou produtos industriais.
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e a implementação da saúde individual,
H30
coletiva ou do ambiente.
BIOLOGIA

ECOLOGIA
LIVRO
TEÓRICO
INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS

Compreensão de teias e cadeias alimenta- São recorrentes questões acerca de teias


res, assim como a interação entre os seres alimentares, relações ecológicas e proble-
vivos, é fundamental para resolver as ques- mas ambientais, sendo possível que estas
tões de ecologia, que são interdisciplinares tenham interdisciplinaridade com Química
e pedem temas atuais com relação aos e/ou Geografia.
impactos ambientais.

Exige a interpretação de imagens, mapas Costuma trazer questões em que seja ne- Costuma integrar conceitos de ecologia,
e gráficos. Interações ecológicas e teias ali- cessário relacionar conceitos de ecologia como relações ecológicas e problemas
mentares são conceitos recorrentes dentro com problemas ambientais atuais. ambientais, entre si e com diferentes áreas
de ecologia. da Biologia.

Prova com poucas questões de ecologia, Questões que misturam diferentes áreas Problemas ambientais, relações ecológicas Teias alimentares, relações ecológicas e
sendo interação entre os seres vivos (teias da Biologia, com assuntos como sucessão e conceitos básicos de ecologia (popula- problemas ambientais são os principais
alimentares e relações ecológicas) o tema ecológica, problemas ambientais e relações ção, comunidade, ecossistema) são muito assuntos.
mais recorrente. ecológicas. presentes.

Questões interdisciplinares que cobram Questões bastante específicas relacionadas Enfoque em conceitos básicos de ecologia,
conteúdos altamente específicos – cos- a teias alimentares e interações e pirâmides como dinâmica populacional, relações eco-
tumam aparecer conceitos gerais de eco- ecológicas. lógicas e teias alimentares.
logia, assim como pirâmides e relações
ecológicas.

Prova com ênfase em problemas ambien- Com perfil similar à Fuvest e questões Prova com foco em citologia e genética,
tais e relações ecológicas. bem específicas, os temas mais frequen- portanto, as poucas questões sobre ecolo-
tes são problemas ambientais e relações gia são concentradas em relações ecológi-
ecológicas. cas e problemas ambientais.
 VOLUME 3

6  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


pecíficos determinam biomas diferentes. Essas diferentes
BIOMAS condições ambientais, em especial de variação climática,
permitem que o epinociclo abrigue uma grande biodiver-
sidade. Entre os componentes abióticos mais importantes

CN
estão a energia radiante recebida na Terra (temperatura), o
índice pluviométrico e as características do solo.
COMPETÊNCIA(s)
8
O conceito de bioma

AULAS HABILIDADE(s)
28 e 30
O conceito de bioma é fundamental para a compre-
ensão da distribuição dos seres vivos no planeta. Se-

17 E 18 gundo dois importantes ecólogos, pode-se entender o


bioma como “um conjunto de ecossistemas terrestres
com vegetação característica, fisionomia típica, com
predomínio de certo tipo de clima e vinculado a dada
faixa de latitude” (ODUM, 1996); ou ainda como
“uma grande área do espaço geográfico, que tem por
características a uniformidade de um macroclima de-
finido, de uma determinada fitofisionomia ou forma-
ção vegetal, de uma fauna e outros organismos vivos
associados, e de outras condições ambientais, como a
1. Biociclo terrestre ou epinociclo altitude, o solo, os alagamentos, o fogo, a salinidade,
entre outros. Essas características todas lhe conferem
No biociclo terrestre existem quatro biocoras: floresta, sa- uma estrutura e uma funcionalidade peculiares, uma
vana, campo e deserto. Essas biocoras são constituídas por ecologia própria” (COUTINHO, 2005).
diferentes biomas que sofrem influência de fatores abió-
ticos. Isso significa que conjuntos de fatores abióticos es-

Distribuição dos biomas pelo planeta


fonte: [Link]
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  7


CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS
Para compreender como os biomas se estabeleceram no planeta Terra, é fundamental compreender conceitos químicos
e físicos que interferem nesse processo. Os fatores abióticos químicos (pH, salinidade, nutrientes, etc.) e físicos (lumino-
sidade, temperatura, umidade, etc.) determinam o tipo de vegetação e de outros seres vivos que vão habitar uma deter-
minada região. Por exemplo, devido à alta incidência solar na região equatorial, há a possibilidade de uma maior taxa
de fotossíntese pelos produtores e, consequentemente, de uma alta produtividade primária, a qual sustenta uma ampla
biodiversidade. Além da elevada taxa de luminosidade, essa região apresenta também altos índices de pluviosidade e
temperatura. Todos esses fatores químicos e físicos produzem a variedade de fauna e da flora encontradas no equador.
Assim, percebe-se a importância de interação entre a área das exatas (Química e Física) e a área biológica.

2. Elementos que cimento, manutenção e reprodução de todos os seres vivos.


O Sol emite calor por meio de radiações que chegam à Terra.
influenciam os biomas Ao encontrar matéria, como água ou solo, essas radiações
são absorvidas e a matéria é aquecida. Esse aquecimento,
Todos os biomas terrestres ou aquáticos são bem determi-
por sua vez, não é uniforme, sendo diferenciado de acordo
nados. Nesse sentido, algumas perguntas são fundamen-
com a estrutura da matéria. Existem rochas, solos e plantas
tais. Como foram formados ao longo do tempo? Como os
que absorvem maior quantidade de calor. A água também
seres vivos evoluíram adaptando-se aos biomas?
absorve radiação, mas o aquecimento não fica confinado
É possível encontrar seres vivos em todos os lugares da apenas à camada superficial, como ocorre nos sólidos.
Terra; sua distribuição, porém, é limitada por fatores, sejam
Parte desse calor é absorvida pelo ar, principalmente onde
eles bióticos ou abióticos. Organismos são encontrados nos
o ar é mais mais denso e particularmente se ele contém
picos gelados de montanhas, nas dunas dos desertos, nas
partículas suspensas de água ou poeira (nuvens). Embora o
profundezas das regiões abissais oceânicas, em gêiseres
ar seja aquecido pela radiação solar, o maior aquecimento
(onde a água pode atingir temperaturas de 60 °C), nas re-
ocorre na superfície da Terra.
giões polares, ou seja, em todos os ambientes. Entretanto,
são poucos os organismos que apresentam ampla distri- 2.1.1. Latitude
buição, os denominados cosmopolitas.
Entretanto, por que quanto maiores as latitudes, menor é o
O ser humano e o falcão-peregrino, por exemplo, distribuem-
calor? A Terra tem um formato elipsoidal com um achata-
-se por todos os continentes, em várias altitudes, latitudes,
mento nos polos. A atmosfera é contínua à superfície ter-
climas e habitats, mas, mesmo ocorrendo nessa variedade de
restre, e a radiação solar atinge a superfície atravessando
condições, essas espécies não ocorrem em ambientes aquá-
a atmosfera, sempre fazendo um ângulo perpendicular ao
ticos, representados por 3/4 do planeta cobertos por água.
eixo longitudinal da Terra.
Nos diversos pontos terrestres, os biomas são influenciados
A Terra está inclinada, formando um ângulo de 23,5° com o
diretamente pelo clima e pelos elementos climáticos: a
eixo perpendicular à sua órbita, e, devido ao seu movimento
radiação solar e a temperatura, a umidade e o índice de
de translação, isso determina onde haverá maior ou menor
precipitação, a pressão atmosférica e a circulação do ar na
calor em relação à linha do equador. Assim, nas áreas de
atmosfera (vento). Como os fatores climáticos interfe-
baixas latitudes, os raios solares incidem de maneira verti-
rem nos elementos, suas condições também contribuem
cal e são mais intensos, enquanto nas regiões de elevadas
para as variações ambientais dos biomas: latitude, altitude,
latitudes os raios solares incidem obliquamente, com maior
maritimidade e continentalidade, vegetação, massas de ar,
intensidade no verão e menor intensidade no inverno.
relevo e correntes marítimas.

2.1. Temperatura e radiação solar


O calor determinado pelas radiações solares é o fator prin-
cipal que caracteriza os diversos tipos de clima terrestre. A
 VOLUME 3

análise dos aspectos que favoreceram a origem da vida reve-


la que a energia solar foi o fator desencadeador das reações
ocorridas. Com efeito, a energia solar mantém a vida na Ter-
ra, uma vez que, capturada pelas plantas verdes, é convertida
Inclinação da Terra em relação ao eixo perpendicular à sua órbita.
em outros tipos de energia, que são utilizadas para o cres-

8  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Como a inclinação do eixo polar é fixa, durante o movi- o maior aquecimento ocorre no equador, especialmente no
mento de translação, a energia solar atinge mais ora um equinócio, quando o Sol está perpendicular à superfície. O ar
hemisfério, ora outro, resultando nos ciclos de estações tropical é aquecido e se expande, torna-se mais leve do que
climáticas. Quando a radiação incide perpendicular à linha o ar dos arredores e se eleva. Essa elevação produz uma área
do equador, ou seja, 0°, e forma um ângulo de 90° com a de menor pressão atmosférica sobre o equador. O ar mais
refração, tem-se o equinócio (20 ou 21 de março e 22 ou denso ao sul e ao norte do equador flui para essa região de
23 de setembro − início da primavera e do outono). Quan- baixa pressão, resultando em ventos soprando para a região
do a incidência ocorre nas linhas dos Trópicos de Câncer ou do equador. Enquanto isso, o ar equatorial que foi aquecido
Capricórnio, tem-se, respectivamente, o solstício Norte e e se elevou fica mais frio adiabaticamente, sendo puxado de
Sul (21 ou 22 de junho e 21 ou 22 de dezembro − início volta à superfície, a cerca de 30° latitude Norte e Sul.
do verão ou do inverno).
Entretanto, essas células de ventos, influenciadas pelo aque-
As diferentes durações de dias e noites também caracteri-
cimento solar, deslocam-se no sentido da direita, em razão
zam as estações climáticas. Apenas no equador existe um
da rotação da Terra. Entenda melhor o processo:
fotoperíodo de 12 horas nas 24 horas do dia. Nos equi-
nócios do outono e da primavera, os raios de sol atingem a) o sentido de rotação é de oeste para leste, sentido anti-
perpendicularmente o equador, as latitudes equatoriais são -horário; assim, as massas de ar e água circulam para a
aquecidas mais intensamente, e, em cada lugar da Terra, a direita na superfície da Terra;
duração do dia é a mesma. b) ao descer nas latitudes 30°, o ar sopra em direção ao
No solstício de verão (22 de dezembro), a maior quantida- equador (alísios), sentido horário no hemisfério Norte e
de de radiação solar atinge diretamente o Trópico de Capri- anti-horário no hemisfério Sul, provocando precipitações
córnio (23,5° de latitude Sul), e o hemisfério Sul é aquecido nas zonas tropicais e equatoriais;
mais intensamente com dias mais longos e maiores foto-
c) na latitude 30°, a descida de ar frio, proveniente das lati-
períodos, enquanto no hemisfério Norte será inverno. Por
tudes 0° e 60°, retira a umidade levando pela superfície
outro lado, quando o Sol está perpendicular ao Trópico de
para 0º e 60º os ventos alísios e oeste, respectivamente;
Câncer (23,5° de latitude Norte), é verão (22 de junho −
solstício Norte), enquanto o hemisfério Sul está no inverno, d) nas latitudes 20°, devido à descida de ar frio, retirando a
com temperaturas mais baixas e noites mais longas. umidade, ocorre a aridez nas regiões aí localizadas (deser-
to do Atacama, deserto da Patagônia, deserto de Sonora,
A sazonalidade do clima aumenta com o aumento de la-
titude. Nos círculos árticos e antárticos (66,5° de latitude), deserto de Kalaari, deserto do Saara, deserto do Oriente
existe um dia em cada ano com contínua luz solar (o Sol Médio, deserto do Centro-Oeste da Austrália);
nunca se põe) durante o verão e um dia de contínua escu- e) a movimentação de água (oceano) comporta-se da mes-
ridão (inverno), marcados pelos respectivos solstícios. ma maneira, provocando a chegada de águas quentes na
costa leste dos continentes e águas frias na costa oeste.
2.1.2. Altitude
Esse processo mostra as variações de temperatura sazonais e 2.2. Solos
latitudinais, mas deixa de explicar por que o ar fica mais frio O solo é outro aspecto que deve ser considerado para a
quando em grandes altitudes. O monte Kilimanjaro, na Áfri- compreensão da distribuição dos organismos. O tipo de
ca tropical, por exemplo, tem seu pico eternamente coberto solo determina, juntamente com o clima, o tipo de vegeta-
com neve e gelo. Por que os picos das montanhas são mais ção predominante e, em consequência, os demais organis-
frios do que as regiões mais baixas? Eles não estão mais mos que utilizavam determinadas áreas.
próximos do Sol?
O solo é formado pelo desgaste de rochas em consequên-
A resposta está nas propriedades termais do ar. A densida- cia da ação erosiva mais a adição de material orgânico em
de e a pressão do ar diminuem com o aumento da altitude. decomposição. Em geral, o processo pelo qual um novo
Quando o ar na superfície do nível do mar é forçado para as solo é formado a partir de rochas nuas é longo e complica-
altas elevações, ocorre uma expansão em resposta à menor do. Envolve a quebra do material inicial, a colonização por
pressão atmosférica. Nessa expansão, o ar se torna mais frio
plantas simples e formas microbiais e uma gradual cons-
(esse processo é denominado esfriamento adiabático). trução e mistura de materiais inorgânicos com a matéria
orgânica em decomposição.
 VOLUME 3

2.1.3. Vento e precipitação


Áreas rochosas ou outros substratos estéreis, criados pela
Esse aquecimento diferencial da superfície da Terra causa ação vulcânica ou outros eventos geológicos, são gradual-
também os ventos que contêm calor e umidade e determi- mente transformados em regiões que suportam comunida-
na as áreas de precipitações. Como foi visto anteriormente, des ecológicas vivas pelo processo de sucessão primária.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  9


Esse processo envolve a formação do solo e uma reunião de fatores com desenvolvimento de vários seres vivos.
Um exemplo clássico: em 1883, uma pequena ilha tropical, a ilha de Cracatoa, na Indonésia, sofreu uma tremenda erupção
vulcânica que matou toda a biota insular, deixando apenas rochas e cinzas. Organismos rapidamente recolonizaram a ilha
a partir de grandes ilhas próximas (Java e Sumatra), e, em 1934, apenas 50 anos depois da erupção, 35 cm de solo tinham
sido formados com uma exuberante vegetação de floresta tropical úmida com cerca de 300 espécies de plantas.

VIVENCIANDO

A vegetação apresenta uma grande biodiversidade no planeta. Devido a um gradiente térmico latitudinal produzido
pela incidência de irradiação solar, formaram-se três grandes áreas: os polos, as áreas temperadas e a área equatorial.
Em cada grande área, são encontrados diversos biomas, que se caracterizam por uma fauna e uma flora específicas.
Por meio da caracterização e compreensão da estrutura e do funcionamento dos biomas, pode-se elucidar a distri-
buição geográfica dos seres vivos na Terra.

2.2.1. Tipos de solo e dura somente dois meses. Durante ela, ocorre o dege-
lo da parte superior, expondo uma área rica em matéria
O conhecimento dos solos vem se desenvolvendo bastan-
orgânica, permitindo o crescimento dos seres autótrofos,
te, mas, devido à complexidade da distribuição e classifica-
como as gramíneas, briófitas e líquens, que cobrem exten-
ção dos solos, é ainda controverso. Sabe-se que os quatro
sas áreas. O subsolo fica permanentemente congelado e é
maiores processos, ou regimes pedogênicos, produziram
denominado permafrost.
quatro tipos primários: são aqueles de áreas florestadas
frias (solos podzólicos), floresta tropical úmida (solos A tundra apresenta poucas espécies capazes de suportar
lateríticos), região com arbustos e vegetação herbácea essas condições desfavoráveis. A vegetação é rasteira, com
(calcários) e a região polar (gleização). predominância de espécies herbáceas, arbustivas, briófitas
(como musgos) e líquens. Existem raras plantas lenhosas,
3. Biomas como os salgueiros, que são extremamente baixas e cres-
cem paralelas ao solo. As plantas completam o ciclo de
Os biomas são conjuntos de ecossistemas que interagem
vida num curto espaço de tempo: germinam as sementes,
formando uma unidade paisagística coerente. Cada bioma
crescem, produzem grandes flores (comparadas com o ta-
terrestre se caracteriza pelo tipo vegetal ou estrato domi-
manho das plantas), são polinizadas, fecundadas e frutifi-
nante: árvores (arbóreo), ervas (herbáceo), arbustos (arbus-
cam, dispersando rapidamente as suas sementes.
tivo), formações mistas, etc. Trata-se de uma área geográ-
fica grande e sua existência é controlada pelo macroclima.
Os biomas, assim como os climas correspondentes, não po-
dem ser delimitados com exatidão porque as variações são
graduais. Dessa forma, da tundra para a taiga, por exem-
plo, há uma vegetação arbustiva. Na passagem do campo Fotografias da vegetação presente na tundra. Observe a predominância
para o deserto ou das savanas para a floresta também apa- de espécies de pequeno porte, como gramíneas, briófitas e líquens.

rece sempre uma vegetação de transição.

3.1. Tundra
A tundra localiza-se no Círculo Polar Ártico e não ocorre
 VOLUME 3

no Círculo Polar Antártico (polo Sul). Compreende o nor-


te do Alasca e do Canadá, Groenlândia, Noruega, Suécia,
Exemplo de briófita Exemplo de líquen
Finlândia e Sibéria. Recebe pouca energia solar e pouca presente na tundra presente na tundra
precipitação, geralmente em forma de neve. O solo fica
congelado a maior parte do ano. A estação quente é curta

10  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


No verão, surgem aves marinhas, roedores, lobos, raposas, 3.3. Floresta caducifólia ou
doninhas, renas, caribus, além de enxames de moscas e
mosquitos. Observe a seguir uma amostra da biodiversida- floresta decídua temperada
de encontrada ao longo do ano na tundra. Esse tipo de mata predomina no Hemisfério Norte, no leste
dos Estados Unidos, no oeste da Europa, no leste da Ásia,
na Coreia, no Japão e em partes da China. A quantidade de
energia radiante é maior, e a pluviosidade atinge de 750 a
1.000 mm, distribuída durante todo o ano.
As estações do ano são nítidas. Nesse bioma, a maioria dos
arbustos e árvores perde as suas folhas no outono, e os
animais migram, hibernam ou apresentam adaptações es-
peciais para suportar o frio intenso. As plantas são represen-
Fotografias da biodiversidade animal no bioma tundra tadas por árvores dicotiledôneas, como nogueiras, carvalhos
e faias. Além de espécies arbustivas, herbáceas, musgos e
3.2. Taiga líquens. Os animais são representados por esquilos, veados,
A taiga é também denominada floresta de coníferas ou flo- muitos insetos, aves insetívoras, ursos, lobos, etc.
resta boreal. A taiga está presente no norte do Alasca, no Ca-
nadá, no sul da Groenlândia e em partes da Noruega, Suécia,
Finlândia e Sibéria. Não tem correspondente no hemisfério Sul.
Partindo-se da tundra, à medida que se desloca para o sul, a
estação favorável torna-se mais longa e o clima mais ameno.
Em consequência disso, a vegetação é mais rica. Enquanto a
vegetação principal da tundra é formada por líquens, musgos
e gramíneas rasteiras, a taiga é formada por gimnospermas
do grupo das coníferas (pinheiros e abetos). Essas espécies
lenhosas formam uma densa cobertura, impedindo o solo de
receber luz intensa. A vegetação rasteira, portanto, é pouco Outono−inverno: amarelecimento e queda foliar → caducifólia
representativa. O período de crescimento dura três meses,
e as chuvas são poucas. Os animais presentes na taiga são
aves, alces, lobos, martas, linces, ursos, roedores, etc. Espécies cauducifólias, caducas ou decíduas per-
dem as suas folhas em determinada época do ano,
geralmente em estações frias, secas ou com difícil
acesso a água. Essa estratégia evita a perda de água
por evapotranspiração. Na floresta decídua tempera-
da, as folhas perdem a coloração verde e assumem
tons de amarelo, vermelho e laranja durante o outo-
no. A queda foliar se inicia após a mudança de cor,
especialmente na transição para o inverno. As folhas
voltam a brotar apenas em épocas mais favoráveis,
com a chegada da primavera.

Fotografias da biodiversidade animal no bioma tundra

3.4. Floresta tropical ou floresta


pluvial ou floresta latifoliada
A floresta tropical se situa na região intertropical. A maior
área está na Amazônia; a segunda maior, nas Índias Orien-
 VOLUME 3

tais; e a menor, na bacia do Congo (África). O suprimento


de energia é abundante, e as chuvas são regulares e fartas,
podendo ultrapassar 3.000 mm anuais. A estratificação
Fotografias da vegetação da taiga,com (separação de formação natural ou artificial em estratos ou
predominância de espécies de coníferas.
camadas) é a principal característica da floresta tropical.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  11


O clima das regiões savânicas tropicais apresenta variações sa-
zonais com altas e baixas temperaturas e duas estações de-
finidas, uma chuvosa e outra seca. A composição florística das
savanas tropicais varia muito entre as regiões de ocorrência. A
vegetação lenhosa é composta por espécies e gêneros caracte-
rísticos nos diferentes continentes. Não obstante, o componen-
te herbáceo de todas as savanas tropicais tem o predomínio de
apenas duas famílias, sendo, portanto, menos biodiverso.
Na África, as savanas ocupam extensas regiões em um cin-
turão quase contínuo, composto por um mosaico savânico,
onde varia o predomínio de gramíneas, arbustos e árvores de-
vido a diferenças climáticas e edáficas. Podem ser identifica-
dos campos abertos xerofíticos (vegetação de regiões áridas)
e uma savana florestada, denominada localmente miombo.
As savanas asiáticas, em que predominam campos abertos,
Fotografia de estratificação em uma floresta tropical
ricos em vegetação herbácea, recebem a denominação de
A parte superior é constituída por árvores que atingem 40 me- patanas. Entretanto, savanas verdadeiras são raras na Ásia,
tros de altura, formando um dossel espesso de ramos e folhas. sendo, em sua maioria, de origem antrópica.
No topo, a temperatura é alta e a umidade é bastante baixa.
As savanas também podem ser encontradas nas ilhas da Ocea-
Abaixo dessa cobertura, há outra camada de árvores que va- nia, além da Austrália, onde estão sob influência de temperatu-
riam de 5 a 20 metros de altura. Esse estrato médio é quente, ras menores e maior quantidade de chuvas. Todas elas, porém,
mais escuro e úmido. Sua vegetação é composta de lianas, permanecem sob influência de um gradiente de precipitação.
cipós, trepadeiras e espécies epífitas, como samambaias, or-
As savanas neotropicais, além de serem observadas na América
quídeas e bromélias. A diversidade de espécies vegetais e
Central e em Cuba, estendem-se também em duas grandes
animais é muito grande.
áreas na América do Sul. Ao sul do equador são encontrados,
além do cerrado, no Brasil, os llanos de mochos, na Bolívia,
aos pés da cordilheira dos Andes, ocupando uma extensa área
periodicamente inundada, caracterizada por uma vegetação
que varia de campos graminosos a florestas perenifólias.
Em regiões tropicais e subtropicais, as savanas são próprias
de climas que apresentam precipitações pluviométricas re-
gulares entre 750 e 1.500 mm. No Brasil, quando a preci-
pitação se torna irregular e inferior a esse limite, a formação
vegetal que passa a ocorrer é a caatinga, também deno-
minada savana-estépica, vegetação exclusiva do semiárido
Fotografia de um ramo de uma árvore da floresta tropical rico
em plantas epífitas, espécies que vivem apoiadas no tronco e
brasileiro. Entretanto, a caatinga não é considerada
galhos das árvores para ter mais disponibilidade luminosa. uma formação vegetacional savânica.

3.5. Savanas
As savanas são definidas como ecossistemas compostos por
estrato herbáceo, muitas vezes contínuo ou compartilhado
com estratos arbustivos e arbóreos, que variam na intensi-
dade de cobertura vegetal. Geralmente, as savanas ocorrem
por influência edáfica (resulta de fatores inerentes do solo)
ou pela ação do fogo e, muitas vezes, decorre de origem an-
trópica. Além desses fatores, o clima pode ser determinante
para o estabelecimento e definição de fisionomias savânicas.
 VOLUME 3

A composição, a granulometria e a fertilidade do solo são va-


riáveis. Em geral, os solos são altamente lixiviados e arenoso, Fotografia do cerrado presente no parque estadual do Jalapão.
com baixa capacidade de troca catiônica, pobres em fósforo
e nitrogênio e ricos em alumínio e ferro.

12  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


abaixo de 250 mm anuais. Durante o dia, a temperatura é alta,
mas, à noite, ocorre perda rápida de calor, que se irradia para
a atmosfera, e a temperatura se torna excessivamente baixa.
Nos desertos polares, a temperatura é baixa mesmo nos meses
mais quentes (não ultrapassando os 10 ºC) e o clima seco se
relaciona com a escassez de água no estado líquido.

Fotografia da savana tropical africana

Fotografia da vegetação esparsa presente no bioma deserto.

Algumas plantas que se adaptam ao deserto, como gramíne-


as e arbustos, apresentam um ciclo de vida curto. Durante o
Exemplos da fauna da savana africana. Observe que,
ao contrário do cerrado, a savana africana mantém
período favorável (chuvoso), observa-se uma vegetação sazo-
animais de grande porte, como elefantes e girafas. nal, que cresce, floresce, frutifica, dispersa sementes e morre.
Já as plantas xerófitas possuem características que per-
3.6. Campos mitem sua sobrevivência em regiões de clima árido (de-
sértico) e semiárido, presente, por exemplo, em savanas.
Os campos são biomas que se caracterizam por apresentar
Suas adaptações, portanto, se relacionam a ambientes
um único estrato de vegetação. Apesar de possuírem gran-
com escassez de água e altas temperaturas. Dentre as ca-
de variação de espécies, verifica-se um pequeno número racterísticas presentes, destacam-se: folhas pequenas ou
de indivíduos de cada espécie. A localização dos campos modificadas em espinhos, para evitar a perda de água por
é muito variada: centro-oeste dos Estados Unidos, centro- transpiração; caule tipo cladódio para realizar fotossínte-
-leste da Eurásia, parte da América do Sul (Brasil e Argenti- se; estratégias para armazenar água, como parênquimas
na) e Austrália. Durante o dia, a temperatura é alta; à noite, aquíferos; sistema radicular longo e extenso para uma
porém, é baixa. Há muita luz e vento e pouca umidade. captura mais eficiente de água das chuvas passageiras.
Predominam as gramíneas. Os animais, dependendo da re-
gião, podem ser: antílopes-americanos e bisões, roedores,
muitos insetos, gaviões, corujas, etc.

Fotografias da paisagem do bioma campo,


observe o estrato único de vegetação.

3.7. Desertos
 VOLUME 3

Os desertos apresentam localização muito variada e se ca-


racterizam por uma vegetação muito esparsa. O solo é extre-
mamente seco, podendo ser arenoso ou pedregoso. Possuem O cactus Cereus é uma típica xerófita
clima árido, com pluviosidade baixa e irregular, permanecendo

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  13


multimídia: vídeo multimídia: vídeo
Fonte: Youtube Fonte: Youtube
Biomas Brasileiros Antonio Donato Nobre - Rios Voadores (Pesquisa FAPESP)

4. Os biomas brasileiros Trata-se de um ecossistema frágil. A menor imprudência


pode causar danos irreversíveis ao seu equilíbrio delicado.
Segunda o IBGE, o Brasil possui seis biomas: Amazônia,
A taxa anual de desmatamento na Amazônia cresceu 34%
Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal.
depois da Rio-92.
Além disso, apresenta também diversas áreas de transição
com características intermediárias. Esse bioma é um gigante tropical de 5,5 milhões de km2,
dos quais 60% estão em território brasileiro. O restante
¯
-70° -60° -50° -40°

se reparte entre as duas Guianas, Suriname, Venezuela,


10° 10°
Trinidad
e Tobago

Venezuela

Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.


Guiana
Colômbia Guiana
Suriname Francesa

RR
AP

0° 0°

AM PA

MA CE
RN

PB
PI
PE
AC
AL
-10° RO TO -10°
SE

Peru BA
MT

DF
Bolívia GO

MG

ES
MS
-20° -20°
SP
RJ
OCEANO Paraguai
PA C Í F I C O
Chile PR

SC
OCEANO
ATLÂNTICO
RS

Argentina
-30°
Uruguai -30°

Biomas LIM IT ES
Es tadual
A mazônia
C aatinga
Fronteira Nacional

Fronteira Internac ional Localização da Floresta Amazônica


C errado Linha C os ta
Mar Territorial (1 2 milhas )
M ata Atlântica
-40°
Pampa
Pantanal
0 200
Es c. 1:12.000.000
400 600 800 1.000
-40° A Amazônia também abriga muita água, sendo um quar-
Km

S is tema
C os teiro-M arinho
Projeção Policônica
Datum S IR GA S 2 0 0 0
M eridiano de R eferência: 5 4 ° W. Gr.
Paralelo de R eferência: 0 °
to do seu território ocupado por florestas alagadas ou de
-80° -70° -60° -50° -40° -30°
várzea, as quais são suscetíveis ao regime de chuvas que
enriquecem o solo durante as enchentes. O rio Amazo-
Distribuição geográfica dos biomas brasileiros
nas, a maior bacia hidrográfica do mundo, cobre
4.1. Floresta Amazônica uma extensão aproximada de 6 milhões de km2 e corta a
região para desaguar no oceano Atlântico, lançando no
O ambiente da floresta Amazônica é quente e úmido,
mar, a cada segundo, cerca de 175 milhões de litros de
possuindo chuvas abundantes e um solo quimicamente
água. Esse número corresponde a 20% da vazão conjun-
pobre em nutrientes. O bioma vive do seu próprio material
ta de todos os rios da Terra. Nessas águas se encontra
 VOLUME 3

orgânico: as condições climáticas permitem que a maté-


o maior peixe de água doce do mundo: o pirarucu, que
ria seja decomposta rapidamente por bactérias e fungos,
atinge até 2,5 metros de comprimento.
criando uma camada superficial de húmus. A retirada de
cobertura vegetal torna o solo desprotegido e vulnerável
ao processo de lixiviação.

14  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


ameaçadas do mundo. Cobria 1 milhão de km2, ou 12%
do território nacional, estendendo-se do Rio Grande do Nor-
te ao Rio Grande do Sul. Hoje, está reduzida a apenas 7% de
sua área original. Apesar da devastação sofrida, é espantosa
a riqueza das espécies animais e vegetais que ainda se abri-
gam na Mata Atlântica.
multimídia: site Em algumas regiões remanescentes de floresta, os níveis de
biodiversidade são considerados os maiores do planeta.
Em contraste com essa exuberância, as estatísticas indicam
[Link]
que mais de 70% da população brasileira vive na re-
bre-vegetacao-exuberante/
gião da Mata Atlântica. Além de abrigar a maioria das
[Link] cidades e regiões metropolitanas do país, a área original da
os-rios-voadores-ligam-os-ventos-al%C3%ADsios floresta sedia também os grandes polos industriais, petrolei-
ros e portuários do Brasil, respondendo por nada menos de
Todos os números que envolvem indicadores desse bioma 80% do PIB nacional.
são expressivos, nele vivem e se reproduzem mais de um
terço das espécies existentes no planeta. Uma boa ideia da
exuberância da floresta está na fauna local. Das 100 mil es-
pécies de plantas que ocorrem em toda a América Latina, 30
mil estão na Amazônia.
A diversidade em espécies vegetais se repete na fauna
da região, como os insetos, que estão presentes em todos
os extratos da floresta. Os animais rastejadores, anfíbios e
aqueles que tem a capacidade de subir em locais íngremes,
como o esquilo, exploram os níveis baixos e médios. Os locais
mais altos são explorados por beija-flores, araras, papagaios
e periquitos à procura de brotos, frutas e castanhas. Os tuca-
nos, voadores de curta distância, exploram as árvores altas.
No nível intermediário, encontram-se jacus, gaviões, corujas e
centenas de pequenas aves. No extrato terrestre, vivem jabu-
Localização da Mata Atlântica
tis, cutias, pacas, antas, etc. Os mamíferos aproveitam a pro-
dutividade sazonal dos alimentos, como os frutos que caem A Mata Atlântica abrange as bacias dos rios Paraná, Uru-
das árvores. Esses animais, por sua vez, servem de alimentos guai, Paraíba do Sul, Doce, Jequitinhonha e São Francisco.
para grandes felinos e cobras de grande porte. Espécies imponentes de árvores são encontradas na região,
como o jequitibá-rosa, de 40 metros de altura e 4 metros
Mais de 12% da área original da floresta Amazônica já foi
de diâmetro. Diversas outras espécies também se destacam
destruída por causa de políticas governamentais inadequa-
nesse cenário: o pinheiro-do-paraná, o cedro, as figueiras,
das, modelos inapropriados de ocupação do solo e pressão
os ipês, a braúna, o pau-brasil, etc. Na diversidade da Mata
econômica, que levou à ocupação desorganizada e ao uso
Atlântica, são encontradas matas de altitude, como as da
não sustentável dos recursos naturais. Muitas pessoas foram
serra do Mar (1.100 metros) e Itatiaia (1.600 metros), onde
estimuladas a invadir e se instalar na região, levando com elas
a neblina é constante. Paralelamente à riqueza vegetal, a
métodos agrícolas impróprios. Além da perda ambiental, o
fauna é exuberante. A maior parte das espécies de animais
desmatamento de florestas tropicais representa uma ameaça
brasileiros ameaçados de extinção é originária da Mata
constante à integridade de centenas de culturas indígenas.
Atlântica, como os micos-leões, a lontra, a onça-pintada,
o tatu-canastra e a arara-azul-pequena. Fora dessa lista,
4.2. Mata Atlântica também vivem na área gambás, tamanduás, preguiças,
A Mata Atlântica possui temperaturas elevadas e mantém antas, veados, cotias, quatis, etc. Para risco de todas essas
 VOLUME 3

o nível de umidade devido à presença de uma cadeia cos- espécies, a Mata Atlântica continua sendo devastada.
teira de montanhas que atua como barreira contra o vapor
de água que vem do oceano, permitindo a condensação e
precipitação. Atualmente, é uma das florestas tropicais mais

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  15


da madeira. No Espírito Santo, as matas passaram a ser
derrubadas para o fornecimento de matéria-prima para a
indústria de papel e celulose. Em São Paulo, a implan-
tação do Polo Petroquímico de Cubatão tornou-se
conhecida internacionalmente como exemplo de poluição
urbana. Esse processo desorientado de desenvolvimento
ameaça inúmeras espécies, algumas quase extintas, como
o mico-leão-dourado, a onça-pintada e a jaguatirica.

4.3. Cerrado
Percebe-se que a mata é estratificada: O cerrado é uma savana tropical em que se intercalam pe-
A) estrato superior: com árvores que podem
alcançar até 30 metros de altura;
ríodos bem definidos de seca e de chuvas abundantes. O
B) estrato intermediário: com árvores e cerrado ocupa cerca de 24% do território nacional, sendo o
palmeiras que atingem até 20 metros; segundo maior bioma brasileiro. São 2 milhões de km2 espa-
C) estrato inferior: com pequenas árvores, arbustos e
samambaias que chegam até 5 metros; e
lhados por dez estados.
D) estrato herbáceo: com grande quantidade de
plântulas em crescimento.

A Mata Atlântica propiciou lucro fácil ao ser humano du-


rante 500 anos. Madeiras, orquídeas, corantes, papagaios,
ouro, produtos agrícolas e muito mais serviram ao enrique-
cimento de muita gente, além das próprias queimadas, que
deram lugar a uma agricultura imprudente e insustentável.
Durante muito tempo, nenhuma restrição foi imposta a
essa ganância por dinheiro. A Mata Atlântica é o ecossiste-
ma brasileiro que mais sofreu os impactos ambientais dos
ciclos econômicos da história do país.
Ainda no século XVI, houve a extração predatória do
pau-brasil, utilizado para tintura e construção. A se-
gunda grande investida foi o ciclo da cana-de-açú-
car. Constatada a fertilidade do solo, extensos trechos
de Mata Atlântica foram derrubados para dar lugar aos Localização geográfica do Cerrado
canaviais. No século XVIII, foram as jazidas de ouro
A extensa região central do Brasil é constituída por um
que atraíram para o interior um grande número de por-
mosaico de tipos de vegetação, solo, clima e topografia
tugueses. A imigração levou a novos desmatamentos,
bastante heterogêneos. Assim, o bioma é formado por
que se estenderam até os limites com o cerrado, para a
diferentes fitofisionomias, apresentando áreas com gramí-
implantação de agricultura e pecuária.
neas (formação campestre), arbustos, pequenas árvores
No século seguinte, foi a vez do café, provocando a mar- retorcidas (savânica) e árvores maiores que 20 metros
cha ao sul do Brasil e, então, chegou a vez da extração (florestal).
 VOLUME 3

Esquema demonstrativo dos tipos de vegetação do bioma Cerrado. Ilustração por José Felipe Ribeiro.

16  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


A vegetação é marcada e, até certo ponto, determinada pela Nos últimos anos, porém, é a expansão da agricultura
presença de queimadas naturais. O fogo atua como fator e da pecuária que vem representando o maior fator de
de seleção natural: diversos organismos apresentam adap- risco para o cerrado. A partir de 1950, tratores começaram
tações que permitem sua sobrevivência nessas condições. a ocupar sem restrições os habitats dos animais. O uso de
Muitas árvores, por exemplo, possuem um caule com cas- técnicas de aproveitamento intensivo dos solos tem pro-
ca bem desenvolvida, de modo a conferir proteção térmica. vocado, desde então, o esgotamento de seus recursos. A
Além disso, o fogo pode estimular o brotamento de gemas, utilização indiscriminada de agrotóxicos e fertilizantes
a floração, a abertura de frutos e a germinação de sementes. tem contaminado também os solos e as águas. A expansão
Entretanto, o alto número de incêndios antrópicos afeta o agropecuária foi o fator fundamental para a ocupação do
equilíbrio do sistema e ameaça a continuidade do bioma. cerrado em larga escala.
O solo, antigo e profundo, ácido e de baixa fertilidade, tem Em relação à conservação e à proteção, a fauna da região
altos níveis de ferro e alumínio. Segundo a hipótese do também recebe pouca atenção. O resultado é que o cerra-
escleromorfismo oligotrófico, a tortuosidade e a baixa do está acabando: metade da sua área já foi desmatada,
estatura da vegetação são devidas ao solo tóxico e pobre e, se esse ritmo continuar, o desmatamento vai chegar a
em nutrientes. Outra hipótese defende que a fisionomia
70%. Essa situação está causando a fragmentação de áre-
retorcida e pequena ocorre em razão da presença do fogo.
as e comprometendo seriamente os processos mantenedo-
O cerrado tem a seu favor o fato de ser cortado por três das res da biodiversidade do cerrado.
maiores bacias hidrográficas da América do Sul (Tocantins,
São Francisco e Prata), o que favorece a manutenção de 4.4. Caatinga
uma biodiversidade surpreendente.
O cenário árido é uma descrição da caatinga, que, du-
rante o prolongado período de seca, correspondente ao in-
verno. Quando chega o verão, as chuvas encharcam a terra,
e o verde toma conta da região. A caatinga ocupa cerca de
10% do território brasileiro e se distribui pelos estados do
Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Sergipe,
Alagoas, Bahia, sudeste do Piauí e norte de Minas Gerais.
multimídia: site

[Link]
-defesa-do-cerrado/

Estima-se que a flora da região possua dez mil espécies de


plantas diferentes (muitas delas usadas na produção de
cortiça, fibras, óleos, artesanato, além do uso medicinal e ali-
mentício). Isso sem contar a grande variedade animal com,
por exemplo, 400 espécies de aves, 67 gêneros de mamífe-
ros e 30 tipos de morcegos catalogados na área. O número
de insetos é surpreendente: apenas na área do Distrito Fe-
deral, há 90 espécies de cupins, mil espécies de borboletas e
500 tipos diferentes de abelhas e vespas.
Depois da Mata Atlântica, o cerrado é o ecossistema bra-
Localização geográfica da Caatinga
sileiro que mais alterações sofreu com a ocupação huma-
na. Um dos impactos ambientais mais graves na região O sertão nordestino é uma das regiões semiáridas mais
foi causado pelos garimpos, que contaminaram os rios povoadas do mundo. Os cerca de 20 milhões de brasileiros
com mercúrio e provocaram o assoreamento (acúmu- que vivem nos 800 mil km2 de caatinga nem sempre po-
 VOLUME 3

lo de detritos e outros materiais nos leitos de rios e lago- dem contar com as chuvas de verão. Quando não chove,
as) dos cursos de água. A erosão causada pela atividade os habitantes do sertão sofrem muito. Precisam caminhar
mineradora tem sido tão intensa que, em alguns casos, quilômetros em busca da água dos açudes. A irregularida-
chegou até mesmo a impossibilitar a própria extração do de climática é um dos fatores que mais interfere na vida do
ouro rio abaixo. sertanejo, promovendo um rigoroso controle de natalidade.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  17


Mesmo quando chove, o solo raso e pedregoso não con- cuária combinada ao desmatamento e ao manejo agrícola
segue armazenar a água que cai, e a temperatura elevada inadequado, o qual estimula, por exemplo, a irrigação sem
(médias entre 25 ºC e 29 ºC) provoca intensa evaporação. o uso de técnicas apropriadas, tem apresentado resultados
Por isso, somente em algumas áreas próximas às serras, desastrosos. A salinização do solo é, hoje, uma realidade.
onde a abundância de chuvas é maior, a agricultura se tor-
na possível. Outro problema é a contaminação das águas por agrotóxi-
cos. Depois de aplicado nas lavouras, o agrotóxico escorre das
Na caatinga, encontram-se três estratos: os arbóreos (8 a folhas para o solo, levado pela irrigação, e daí para as repre-
12 metros), os arbustivos (2 a 5 metros) e os herbáceos sas, matando os peixes. Nos últimos 15 anos, 40 mil km2 de
(abaixo de 2 metros). A vegetação é adaptada ao clima e
caatinga se transformaram em deserto devido à interferência
diversas vezes apresenta adaptações com características
antrópica sobre o meio ambiente da região. As siderúrgicas
xereomórficas. As folhas, por exemplo, são finas ou ine-
e olarias também são responsáveis por esse processo devido
xistentes. Algumas plantas armazenam água, como os cac-
ao corte da vegetação nativa para produção de lenha e
tos, outras se caracterizam por terem raízes praticamente na
superfície do solo para absorver rapidamente o máximo da carvão vegetal.
chuva. Algumas das espécies mais comuns da região são a
amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambra, 4.5. Pantanal
mandacaru e juazeiro. Apesar de ser o bioma brasileiro com menor extensão, o
Por meio de caminhos diversos, os rios regionais saem das Pantanal é um dos mais valiosos patrimônios naturais do
bordas das chapadas, percorrem extensas depressões Brasil. Maior área úmida continental do planeta, com 140
entre os planaltos quentes e secos e acabam chegando mil km2 em território brasileiro, destaca-se pela riqueza
no mar ou engrossando as águas do São Francisco e do da fauna, em que dividem espaço 650 espécies de aves,
Parnaíba (rios que cruzam a caatinga). Das cabeceiras até 80 de mamíferos, 260 de peixes e 50 de répteis. No Pan-
as proximidades do mar, os rios com nascente na região tanal, são comuns as chuvas fortes. Os terrenos, quase
permanecem secos por cinco a sete meses no ano. Ape- sempre planos, são alagados periodicamente por
nas o canal principal do São Francisco mantém seu fluxo inúmeros córregos e vazantes entremeados de lagoas e
através dos sertões, com águas trazidas de outras regiões leques aluviais.
climáticas e hídricas.
Contudo, no meio de tanta aridez, a caatinga surpreende
com solos relativamente férteis e “ilhas de umidade”, bre-
jos que se localizam em áreas próximas às serras e com
maior quantidade de chuvas.
O índice pluviométrico desse bioma varia entre 300 e 800
milímetros anualmente. Quando chove, no início do ano, a
paisagem muda muito rapidamente. As árvores se cobrem
de folhas, o solo fica forrado de pequenas plantas e a fauna
volta a engordar. Contraditoriamente, a flora presente nos
sertões, que é constituída por espécies com longa história
de adaptação ao calor e ao ambiente extremamente seco,
não é capaz de se reestruturar naturalmente. Na caatinga,
quando máquinas são usadas para alterar o solo, a degra-
dação é irreversível.
Na caatinga, vive a ararinha-azul, ameaçada de extinção.
Outros animais da região são o sapo-cururu, a asa-branca, Localização geográfica do Pantanal

a cutia, o gambá, o preá, o veado-catingueiro, o tatu-peba Basicamente, o equilíbrio desse ecossistema depende do
e o sagui-do-nordeste. fluxo de entrada e saída de enchentes que, por sua vez,
está diretamente ligado à pluviosidade regional. As chuvas
 VOLUME 3

A ação humana tornou ainda mais difícil a vida no sertão.


Para combater a seca foram construídos açudes, barra- ocorrem com maior frequência nas cabeceiras dos rios, que
gens que visam a armazenar e abastecer água para os deságuam na planície. Com o início do trimestre chuvoso
humanos, seus animais e suas lavouras. Essas grandes re- nas regiões altas (a partir de novembro), sobe o nível de
servas hídricas atraíram fazendas de criação de gado. A pe- água do rio Paraguai, provocando, assim, as enchentes. O

18  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


mesmo ocorre paralelamente com os afluentes do Para- construção de uma hidrovia de mais de 3.400 km nos rios
guai, que atravessam o território brasileiro, cortando uma Paraguai (o principal curso de água do Pantanal) e Paraná, li-
extensão de 700 km. gando Cáceres, no Mato Grosso, à Nova Palmira, no Uruguai.
As águas vão se espalhando e cobrindo continuamente Com a construção de diques e trabalhos de dragagem, a
vastas extensões em busca de uma saída natural, que só é ideia é alterar o percurso do rio Paraguai, facilitando o mo-
encontrada centenas de quilômetros adiante, no encontro vimento de grandes barcos e, consequentemente, o esco-
do rio com o oceano Atlântico, fora do território brasileiro. amento da produção de soja brasileira até o país vizinho.
As cheias chegam a cobrir até dois terços da área panta- O problema é que isso afetará também todo o escoamento
neira. A partir de maio, inicia-se a “vazante”, e as águas de águas da bacia. O resultado desse projeto pode ser a
começam a baixar lentamente. Quando o terreno volta a destruição do refúgio onde vivem hoje milhares de espé-
secar, sobre a superfície permanece uma fina camada de cies de animais e plantas.
lama humífera (mistura de areia, restos de animais e vege-
tais, sementes e húmus), propiciando grande fertilidade ao 4.6. Campos
solo. A natureza faz repetir anualmente o espetáculo das
cheias, proporcionando ao Pantanal a renovação da fauna O campo é um tipo de vegetação distribuída de forma des-
e flora locais. contínua pelo território brasileiro, apresentando diferentes
formações campestres. Em especial, ocorre em dois lugares
Esse enorme volume de água, que praticamente cobre a
distintos: os campos de terra firme (savanas de gramí-
região pantaneira, cria um verdadeiro mar de água doce,
neas baixas) são característicos do norte da Amazônia, Ro-
em que milhares de peixes proliferam. Peixes pequenos
raima, Pará e ilhas do Bananal e de Marajó, enquanto os
servem de alimento a espécies maiores ou a aves e ani-
campos limpos (estepes úmidas) são típicos da região Sul.
mais, promovendo uma intrincada teia alimentar.
Quando o período da vazante começa, uma grande
quantidade de peixes fica retida em lagoas ou baías, não
conseguindo retornar aos rios. Durante meses, aves e
animais carnívoros, como jacarés, ariranhas e onças, têm
um farto banquete à sua disposição. As águas continu-
am baixando mais e mais, e, nas lagoas, então bem ra-
sas, peixes como o dourado, o pacú e a traíra podem ser
apanhados com as mãos pelos homens. Aves grandes e
pequenas são vistas planando sobre as águas, formando
um espetáculo de grande beleza.
O Pantanal tem passado por transformações lentas, mas
significativas nas últimas décadas. O avanço das popu-
lações e o crescimento das cidades são uma ameaça
constante. A ocupação desordenada das regiões mais altas,
onde nasce a maioria dos rios, é o risco mais grave. A agricul-
tura indiscriminada está provocando a erosão do solo, além Localização geográfica do bioma Campos
de contaminá-lo com o uso excessivo de agrotóxicos.
De modo geral, o campo limpo é destituído de árvores, bas-
O resultado da destruição do solo é o assoreamento tante uniforme e com arbustos espalhados e dispersos. Já nos
dos rios, fenômeno que tem mudado a vida no Panta- campos de terra firme, as árvores, baixas e espalhadas, inte-
nal. Regiões que antes ficavam alagadas nas cheias e gram-se totalmente à paisagem. Em ambos os casos, o solo é
completamente secas quando as chuvas paravam agora revestido de gramíneas, subarbustos e herbáceas.
ficam permanentemente sob as águas. Também impac-
taram o Pantanal nos últimos anos o garimpo, a cons-
trução de hidrelétricas, o turismo desorganizado
4.6.1. Pampas
e a caça, empreendida principalmente por ex-peões O Pampa, campos do Sul ou campo sulino, foi conside-
que, sem trabalho, passaram a integrar verdadeiras qua- rado bioma brasileiro apenas a partir de 2004. Apresenta
 VOLUME 3

drilhas de caçadores de couro. uma região plana de vegetação aberta e de pequeno porte,
Foi a partir de 1989 que o risco de um desequilíbrio total do que se estende do Rio Grande do Sul para além das frontei-
ecossistema pantaneiro ficou mais próximo de se tornar uma ras com a Argentina e o Uruguai. De clima temperado do
triste realidade. A razão dessa ameaça é o megaprojeto de tipo subtropical frio, possui as quatro estações definidas.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  19


No litoral do Rio Grande do Sul, a paisagem é marcada pelos cifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos e falésias.
banhados, ou seja, ecossistemas alagados com densa Mesmo os ecossistemas que se repetem ao longo do lito-
vegetação de juncos, gravatás e aguapés que criam um ha- ral, como praias, restingas, lagunas e manguezais, apre-
bitat ideal para uma grande variedade de animais, como gar- sentam diferentes espécies de animais e vegetais. Isso se
ças, marrecos, veados, onças-pintadas, lontras e capivaras. O deve, basicamente, às diferenças climáticas e geológicas.
banhado do Taim é o mais importante devido à riqueza do
solo. Tentativas desastradas de drená-Io para uso agrícola fo-
ram definitivamente abandonadas a partir de 1979, quando
a área se transformou em estação ecológica. Não obstante,
a ação de caçadores e o bombeamento das águas pelos fa-
zendeiros das redondezes continuam a ameaçar o local.
Devido à riqueza do solo, as áreas cultivadas do Sul se
expandiram rapidamente sem um sistema adequado de
preparo, resultando em erosão e outros problemas que se
agravam progressivamente. Os campos são amplamente
utilizados para a produção de arroz, milho, trigo e soja, às
vezes em associação com a criação de gado. Contudo, a
desatenção com o solo leva à desertificação, registrada
em diferentes áreas do Rio Grande do Sul.
Para expandir a área plantada, colonos alemães e italianos
iniciaram, na primeira metade do século XX, a exploração in-
discriminada de madeira. Árvores gigantescas e centenárias Localização geográfica da Zona Costeira
foram derrubadas e queimadas para dar lugar ao cultivo de
Grande parte da zona costeira, entretanto, está ameaçada
milho, trigo e, principalmente, videira. A mata das araucárias
pela superpopulação e por atividades agrícolas e industriais.
de porte alto e copa em forma de prato se estendia do sul de
Mais da metade da população brasileira vive seguindo essa
Minas Gerais e São Paulo até o Rio Grande do Sul, formando
imensa faixa litorânea. Há muito ainda para se conhecer so-
cerca de 100 mil km2 de matas de pinhais. Na sua sombra
bre a dinâmica ecológica do litoral brasileiro. Complexos sis-
cresciam espécies como a imbuia, o cedro, a canela, entre
temas costeiros se distribuem ao longo do litoral, fornecendo
outras. Atualmente, mais da metade desse bioma foi destruí-
áreas para a criação, crescimento e reprodução de inúmeras
da, assim como diversas espécies de roedores que se alimen-
espécies de flora e fauna. Somente na costa do Rio Grande
tavam de pinhão, aves e insetos. O que resta está confinado
do Sul − conhecida como um centro de aves migratórias −
a áreas de conservação do estado. Por mais de 100 anos, a
foram registradas cerca de 570 espécies.
mata dos pinhais alimentou a indústria madeireira do Sul.
O pinho, madeira bastante popular na região, foi bastante Muitos desses pássaros utilizam a costa brasileira para ali-
utilizado na construção de casas e móveis. mentação, abrigo ou como rota migratória entre a América
do Norte e as partes mais ao sul do continente americano.
A criação de gado e ovelhas também faz parte da cultura
A faixa litorânea brasileira também tem sido considerada
local. Entretanto, repetindo o mesmo erro dos agriculto-
essencial para a conservação de espécies ameaçadas em
res, o pastoreio está provocando a degradação do solo. Na
escala global, como as tartarugas-marinhas, as baleias e o
época de estiagem, quando as pastagens secam, o mesmo
peixe-boi-marinho. É importante ressaltar que a destruição
número de animais continua a disputar áreas menores.
dos ecossistemas litorâneos é uma ameaça para o próprio
Com o pasto quase desnudo, cresce a pressão sobre o solo
ser humano, uma vez que põe em risco a produção pes-
que se abre em veios. Quando as chuvas recomeçam, as
queira − uma rica fonte de alimento.
águas correm por essas depressões, dando início ao pro-
cesso de erosão. O fogo utilizado para eliminar restos de O crescimento dos grandes centros urbanos, a especulação
pastagem secas torna o solo ainda mais frágil. imobiliária sem planejamento, a poluição e o enorme flu-
xo de turistas ameaçam a integridade ecológica da costa
brasileira. A ocupação predatória vem ocasionando a de-
4.7. Zona costeira
 VOLUME 3

vastação das vegetações nativas, o que leva, entre outras


O Brasil possui uma linha contínua de costa Atlântica de coisas, à movimentação de dunas e até ao desabamento
8 mil km de extensão, uma das maiores do mundo. Ao de morros. O aterro dos manguezais, por exemplo, coloca
longo dessa faixa litorânea, é possível identificar uma em perigo espécies animais e vegetais, além de destruir um
grande diversidade de paisagens, como dunas, ilhas, re- importante “filtro” das impurezas lançadas na água.

20  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Além disso, a expulsão das populações caiçaras (pescado- mangue-preto (Avicennia schaueriana) e o mangue-branco
res ou caipiras do litoral) está acabando com uma das cul- (Laguncularia racemosa). Além dessas, encontra-se o florido
turas mais tradicionais e ricas do Brasil. Outra ação danosa algodoeiro-da-praia (Hibiscus pernambucensis), embora não
é o lançamento de esgoto no mar, sem qualquer tratamen- seja uma árvore exclusiva dos manguezais. Comodamente,
to. Operações de terminais marítimos têm provocado o sobre as árvores, crescem bromélias, samambaias e orquídeas.
derramamento de petróleo, entre outros problemas graves. Essas condições permitem também que o manguezal sirva
como berçário natural e como abrigo para vários animais.
4.7.1. Manguezais Devido ao alto volume de compostos orgânicos, também
Os manguezais de todo o mundo ocupam uma área de atua como uma fonte rica de alimentos para milhares de
cerca de 20 milhões de hectares, distribuídos principal- organismos. Diversos peixes e invertebrados marinhos deso-
mente nas latitudes intertropicais: calcula-se que 75% vam nos mangues. Uma das razões dessa escolha é a tem-
das linhas de costas tropicais do mundo são dominadas peratura quente, ideal para o desenvolvimento dos embriões.
por esse tipo de vegetação. No Brasil, os manguezais se O solo, escuro por causa da grande quantidade de material
espalham por toda a faixa litorânea, desde o Amapá até orgânico em sua composição, absorve praticamente toda a
Santa Catarina. luz solar, liberando essa energia na forma de calor. Além dis-
so, os manguezais podem oferecer mais segurança à prole.
O bioma está em áreas de temperaturas tropicais e cons-
tantemente sob o controle e o fluxo das marés, apresen- As florestas de mangues não servem de maternidade apenas
para espécies marinhas: fêmeas de aves, como o pelicano e
tando um substrato formado por depósitos volumosos de
o guará, passam a viver nos manguezais durante a época de
silte, areia fina, argila e de grandes quantidades de matéria
reprodução. Outros animais fixam sua residência nesses bos-
orgânica. Como o solo é pobre em oxigênio, bactérias
ques litorâneos para o resto de sua vida. É o caso do aratu,
decompositoras anaeróbias utilizam o enxofre para degra-
uma espécie de caranguejo que raramente desce das árvores,
dar os resíduos e liberam compostos químicos com cheiro
alimentando-se das algas agarradas nos troncos. As ostras
característico de ovo podre.
também formam imensas populações sobre as raízes aéreas,
Os manguezais fixam todos os materiais vindos do con- na companhia de siris, camarões e uma série de moluscos,
tinente, sejam produtos de erosão, resíduos e esgotos de como o sururu, que carrega uma concha violácea.
cidades que são trazidos pelos rios, evitando, muitas vezes,
Os manguezais são ecossistemas importantes para as popu-
a poluição dos mares. Assim, apresentam grande capacida-
lações que habitam o litoral dos trópicos. A diversidade e a
de autodepuradora e uma intensa decomposição de
quantidade de crustáceos, moluscos e peixes que vivem nos
todo material orgânico proveniente dos rios e dos próprios mangues não garantem apenas a alimentação dessas popu-
organismos do ecossistema. lações. É comum a prática de uma indústria de pescado ao
A flora predominante é o mangue, uma vegetação haló- longo dessas formações naturais. Nove em cada dez peixes
fita que apresenta plantas terrestres tolerantes à salinida- pescados no mundo inteiro provêm de áreas costeiras e baías
de e adaptadas a viver no mar ou perto dele. Além disso, que, juntas, não somam 10% da superfície marinha.
possui raízes pneumatóforas, estruturas especializadas Dessa maneira, inúmeras populações ribeirinhas se susten-
para troca de gases e que despontam acima da superfície, tam da pesca artesanal e mantêm sua cultura e suas tradi-
e raízes-escora ou aéreas, as quais auxiliam na susten- ções. Além disso, garante-se, assim, os grandes estoques
tação da planta em solo instável e protegem o litoral do reguladores de pescados para a indústria pesqueira, uma vez
impacto das ondas. que as espécies comercializadas iniciam suas vidas nos estu-
No Brasil, predominam três espécies de árvores: o man- ários, alimentando-se e se protegendo nos manguezais, ou
gue-vermelho (Rhizophora mangle), o mangue-siriuba ou dependendo de espécies que o fazem.

SITUAÇÃO ATUAL DOS PRINCIPAIS IMPACTOS SOBRE OS BIOMAS BRASILEIROS


Bioma Área Impactos
Garimpo de ouro, mineração industrial e indústria de alumínio; projetos agropecuários e de colo-
5 milhões km2
Amazônia legal (60% do território brasileiro)
nização; usinas hidrelétricas; indústria de ferro-gusa (energia barata e de alto custo ambiental);
destruição da cultura indígena; caça e pesca predatória; turismo ecológico predatório.
 VOLUME 3

Sede de várias regiões metropolitanas; polos industriais; atividade portuária; agroindústria de


açúcar, álcool, papel e celulose; transporte de combustíveis em oleodutos e gasodutos; expan-
1,3 milhão km2
Mata Atlântica (área atual: 52 mil km2)
são urbana desordenada na faixa litorânea; mineração de granito, calcário e areia; extração
mineral – petróleo, gás, salgema e carvão; falta de fiscalização em Unidades de Conservação
(UC); sobrepesca; destruição de habitats.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  21


SITUAÇÃO ATUAL DOS PRINCIPAIS IMPACTOS SOBRE OS BIOMAS BRASILEIROS
Bioma Área Impactos
Grandes projetos agropecuários (monocultura extensiva, uso de grandes quantidades de agro-
tóxicos, uso de mecanização intensiva e queimadas); expansão urbana desordenada com ele-
2 milhões km2
Cerrado (antrópica: 700 mil km2)
vadas taxas de migração (degradação de recursos hídricos da bacia do Pantanal); invasão de
reservas indígenas; garimpo de ouro e pedras preciosas; indústria de transformação (produção
de cimento e calcário agrícola); destruição de habitats.
Grandes latifúndios (desmatamentos, controle de recursos hídricos, êxodo rural e intensa
desertificação); prospecção e exploração de combustíveis fósseis – petróleo e gás natural;
1 100 mil km 2
Caatinga (antrópica: 800 mil km2)
siderúrgicas, olarias e outras indústrias com grande desmatamento para produção de lenha
e carvão vegetal; pastagens gerando perda de matéria orgânica do solo e erosão; irrigação e
drenagem (salinização do solo, contaminação com agrotóxicos e assoreamento de açudes).
Pecuária extensiva; pesca predatória e caça ao jacaré; garimpo de ouro e pedras nos rios Pa-
150 mil km2
Pantanal (área inundável: 100 mil km2)
raguai e São Lourenço; turismo e migração desordenados e predatórios; manejo inadequado
dos cerrados (assoreamentos, erosão e contaminação dos rios com biocidas e fertilizantes).

Criação de gado sob pastoreio; queimadas; plantio de soja e trigo; desertificação; introdução
Campos/Matas 210 mil km2
de espécies arbóreas exóticas (frutíferas de clima temperado); perda de habitats naturais e
de Araucária (área de araucária = 300 mil ha)
extinção de espécies; aprofundamento dos lençóis freáticos.
 VOLUME 3

22  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 28
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distri-
buição em diferentes ambientes, em especial em ambientes brasileiros.

É de grande interesse do Enem que os alunos conheçam os biomas existentes, principalmente os brasile-
iros, e saibam identificá-los de acordo com a região e o clima correspondentes. Além disso, é preciso saber
o que pode acontecer com esses biomas e com as mudanças climáticas que vêm sendo observadas nos
últimos anos.

MODELO 1

(Enem) No mapa estão representados os biomas brasileiros que, em função de suas características físicas e do
modo de ocupação do território, apresentam problemas ambientais distintos.

Nesse sentido, o problema ambiental destacado no mapa indica:


a) desertificação das áreas afetadas;
b) poluição dos rios temporários;
c) queimadas dos remanescentes vegetais;
d) desmatamentos das matas ciliares;
e) contaminação das águas subterrâneas.

ANÁLISE EXPOSITIVA

A área correspondente ao problema ambiental indicada no mapa é o bioma brasileiro caatinga. Esse bioma
já é naturalmente vulnerável a alterações ambientais, como o aumento da temperatura global. Ainda existe
a remoção da sua vegetação para a produção de carvão mineral, o que agrava ainda mais a sua degradação.
A principal consequência desse conjunto de fatores é a desertificação.
 VOLUME 3

RESPOSTA Alternativa A

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  23


DIAGRAMA DE IDEIAS

CAMPOS DESERTOS TUNDRA

BIOMAS

FLORESTA FLORESTA
SAVANAS TAIGA
TROPICAL CADUCIFÓLIA

CERRADO CAATINGA CAMPOS

BIOMAS
BRASILEIROS

FLORESTA MATA
PANTANAL MANGUE
AMAZÔNICA ATLÂNTICA
 VOLUME 3

24  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


§ eufótica – recebe luz diretamente e, em geral, chega
BIOMAS até 200 m;
AQUÁTICOS § disfótica – recebe luz difusa e pode chegar a 300 m;
§ afótica – é a região geralmente abaixo de 300 m, que

CN
não recebe luz.
A temperatura varia muito de acordo com a profundidade
COMPETÊNCIA(s)
dos oceanos. A camada mais aquecida é a superficial, que
3, 6, 7 e 8
também é a mais sujeita às variações das estações do ano.
A salinidade fica em torno de 35 partes por mil e ocorre
AULAS HABILIDADE(s)
10, 12, 18, 27, 28, 29 e 30
uma variação muito grande de sais dissolvidos, predomi-
nando o cloreto de sódio (NaCℓ).
19 E 20
1.1. Divisões das zonas oceânicas
O biociclo marinho possui um domínio bentônico, relati-
vo ao fundo dos mares, e um pelágico, correspondente às
massas de água. Além disso, também pode ser dividido em
três grandes áreas:
§ Águas costeiras – região dividida em duas áreas dis-
tintas, beira-mar e zona litorânea, é também denomi-
nada plataforma continental e abrange uma área com
largura de cerca de 50 km, podendo atingir até 200 m de
1. Biociclo marinho profundidade. Os produtores dessa região são as algas
ou talassociclo e algumas raras espécies de angiospermas. O fundo da
zona litorânea pode ser arenoso, lodoso ou rochoso. Nas
O biociclo marinho é o maior de todos os biociclos. Devido águas costeiras ocorrem os corais, encontrados em águas
claras, limpas e com temperatura acima de 20°C. Eles
à sua extensão, trata-se de um grande ambiente contínuo
estão frequentemente associados com algas vermelhas.
e homogêneo. Por isso, o conceito de bioma não deve ser
aplicado a esses ambientes, que ocupam 3/4 da biosfera. § Mar aberto – trata-se de uma região de difícil adapta-
ção para os seres vivos, uma vez que é a região depen-
Nos mares e oceanos, os fatores abióticos mais importan-
dente das marés. É mais pobre do que a região costeira,
tes são a iluminação e a turbidez da água, a pressão hi- porém certas áreas apresentam correntes de ressur-
drostática, a salinidade e a temperatura. A pressão hidros- gência que movimentam e trazem para a superfície
tática aumenta 1 atmosfera a cada 10 m de profundidade. parte dos nutrientes minerais acumulados no fundo.
A luz vai sendo absorvida pelos seres autótrofos, as algas, Os produtores estão representados pelo fitoplâncton
à medida que penetra na água; assim, as radiações que (diatomáceas e dinoflagelados). Os consumidores são
mais penetram são azul e violeta. Três regiões costumam representados pelos mais diferentes animais nectônicos,
ser dintinguidas no mar em função da presença da luz: desde o plâncton até tubarões, baleias, etc.

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

Processos físico-químicos, como a ação da água, transformam rochas em grãos. Esse constante trabalho sobre o litoral
 VOLUME 3

transforma os relevos em planícies. Processos termodinâmicos, como o calor e o frio, são responsáveis pelo surgimento
de ondas, correntes e marés, o que pode aumentar o processo de erosão. Essa alteração no relevo pode causar mudan-
ças na fauna e flora local e modificar o ecossistema aquático.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  25


§ Regiões abissais – as grandes profundidades apresentam condições difíceis para a vida, como grandes pressões, frio,
pouco alimento e ausência de luz. Ainda assim, muitos organismos conseguem se adaptar a essas condições especiais.
Uma das características desses seres é a bioluminescência, ou seja, a capacidade de emissão de luz, utilizada para atração
sexual, atração de presas, etc. Em geral, os organismos dessas regiões possuem visão muito sensível, capaz de responder a
pequenos estímulos luminosos, formas bizarras, além de bocas e dentes grandes para facilitar a captura das presas.

Desenho com as divisões das zonas oceânicas

1.2. Comunidades aquáticas 2. Biociclo dulcícola


É possível classificar os seres vivos do biociclo marinho em
três grupos, de acordo com sua posição na coluna de água:
ou limnociclo
As águas continentais possuem pequeno volume, de cerca
§ Plâncton – comunidade biológica com enorme biodi-
de 190 mil km3, têm pequena profundidade, raramente ul-
versidade de espécies que vivem na superfície da água
trapassando os 400 m, e sofrem variações de temperatura
e, em geral, são transportadas passivamente pelo mo-
mais intensas do que o mar, sendo, portanto, menos estáveis.
vimento das águas, sejam ondas ou marés. O plâncton
pode ser dividido em: fitoplâncton, constituído por cia- O ser humano interfere decisivamente nas águas conti-
nobactérias e algas, representadas principalmente por nentais promovendo a construção de drenagens, açudes,
diatomáceas e dinoflagelados; e zooplâncton, constitu- usinas hidrelétricas e, principalmente, provocando a po-
ídos por inúmeros grupos, entre protozoários e animais luição das águas. Com efeito, o lançamento de esgotos
como larvas de crustáceos e de peixes. ricos em nutrientes orgânicos provoca uma intensa ação
§ Bentos – comunidade correspondente aos seres que dos decompositores, diminuindo o suprimento de O2 e eli-
vivem fixos ou se movendo no fundo do mar. Os indiví- minando os seres aeróbios. Muitas vezes, os organismos
duos fixos são denominados sésseis e são representados aquáticos são eliminados por ação de agrotóxicos carre-
por muitos tipos de algas vermelhas, pardas e verdes e gados pelas enxurradas para lagos, lagoas e rios durante
muitos animais, como Poríferos (esponjas-do-mar) e Cni- o período chuvoso.
dários (corais). Os animais que se movem no fundo são Existem dois tipos de ambientes de água doce:
frequentemente representados por equinodermos (estre-
las-do-mar) e moluscos. 2.1. Ecossistemas lênticos
§ Nécton – comunidade formada pelos animais livre- ou estacionários
-natantes, representados por peixes, polvos, mamíferos
marinhos, tartarugas, etc. Águas lênticas são os ambientes constituídos por águas
paradas que, na verdade, estão sempre se renovando. Ta-
manho, profundidade e capacidade volumétrica são os
Plâncton principais limitantes desse ecossistema. Uma poça de água
formada pela chuva e as lagoas e os grandes lagos, como o
Nécton lago Superior e o mar Cáspio (maior lago salgado do mun-
do), podem ser classificados como águas lênticas.
 VOLUME 3

Bentos
Considere como exemplo uma lagoa: os produtores das
lagoas são principalmente representados por algas mi-
croscópicas que formam o fitoplâncton (diatomáceas, cia-
nofíceas, dinoflagelados, etc.), com algumas outras plantas
As diferentes comunidades biológicas do biociclo marinho.
26  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias
(geralmente angiospermas) que vivem fixadas no fundo ou 2.2. Águas lóticas ou correntes
são flutuantes. Os consumidores são representados pelo zo-
oplâncton, caracterizado por protozoários, pequenos crustá- As águas lóticas são formadas por água em movimento. Essa
constância de correntes permite um ambiente vertical mais
ceos e outros animais. Além de larvas de peixes, moluscos,
homogêneo em relação ao oxigênio, à temperatura e à taxa
peixes adultos, anfíbios, aves e mamíferos, como ariranhas
de nutrientes, enquanto o tipo e a quantidade do movimento
e lontras. Quando os seres vivos morrem, acumulam-se no
pode determinar as características do ecossistema. Compreen-
fundo da lagoa e são transformados por ação dos decom-
dem os riachos, córregos e rios. Nelas são encontradas três re-
positores (bactérias e fungos).
giões distintas: nascente, curso médio e curso baixo (foz).
O curso superior (ou nascente) é pobre em seres vivos devido à
violência das águas. Nele não ocorre plâncton, podendo ocor-
rer algas fixas ao fundo, larvas de insetos, etc. O curso médio
dos rios é o mais importante, pois é mais lento e apresenta
maior diversificação de vida. O fitoplâncton é representado
por algas verdes, diatomáceas, cianofíceas, etc. Plantas flutu-
antes, como o aguapé e outros vegetais, são encontradas nas
margens. O zooplâncton é representado por microcrustáceos,
larvas de insetos e outros. Observa-se, ainda, riqueza em pei-
xes. Por todos esses aspectos, o curso médio apresenta intenso
intercâmbio com animais terrestres. O curso inferior ou foz (es-
tuário) apresenta grande variação de salinidade (água salobra)
e constitui uma zona de transição com o mar.
De acordo com os nutrientes, podem ser classificados em:
eutróficos (alta produtividade, águas ricas em nutrientes);
mesotróficos (ecossistemas que possuem valores interme-
diários entre um ecossistema eutófrico e oligotrófico); e o oli-
Comunidade biológica de um ecossistema lêntico gotrófico (baixa produtividade, águas pobres em nutrientes).

VIVENCIANDO

O controle da pesca é fundamental para o equilíbrio dos ciclos de vida de certos peixes. O estudo de biomas aquá-
ticos possibilita a compreensão do nicho ecológico desses animais, o que contribui para minimizar interferências e
impactos sobre os ciclos ecológicos do ecossistema.

De acordo com a temperatura, podem ser classificados em: epilímnio (águas superficiais, mais quentes e circulantes, alto
teor de oxigênio); termoclino (águas intermediárias, ocorre variação na taxa de oxigênio e temperatura com a profundida-
de); e hipolímnio (águas inferiores, águas não circulantes, pobres em oxigênio).
 VOLUME 3

multimídia: site

[Link]/biologia/ecossistemas-aquaticos/

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  27


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 10
Analisar perturbações ambientais, identificando fontes, transporte e/ou destino dos poluentes ou prevendo
efeitos em sistemas naturais, produtivos ou sociais.

Os impactos ambientais causados pela humanidade são constantemente abordados no Enem, uma vez
que podem ter consequências tanto para a vida selvagem como para o homem e suas atividades, trazendo
prejuízos econômicos e sociais. Cabe ao aluno analisar o contexto apresentado para compreender as cau-
sas, como também poder apresentar medidas paliativas ou corretivas para a situação.

HABILIDADE 28
Associar características adaptativas dos organismos com seu modo de vida ou com seus limites de distri-
buição em diferentes ambientes, em especial em ambientes brasileiros.

O modo de vida dos organismos abrange diferentes características que determinam o nicho ecológico de
cada espécie. Reconhecer os fatores bióticos e abióticos que influenciam a sobrevivência das espécies, assim
como analisar adequadamente gráficos e tabelas fornecidos na prova, é importante para avaliar os impactos
que poderão ocorrer devido às atividades humanas, como também possibilitar a remediação dos mesmos.

MODELO 1
(Enem) Um estudo caracterizou cinco ambientes aquáticos, nomeados de A a E, em uma região, medindo parâ-
metros físico-químicos de cada um deles, incluindo o pH nos ambientes. O gráfico I representa os valores de pH
dos cinco ambientes. Utilizando o gráfico II, que representa a distribuição estatística de espécies em diferentes
faixas de pH, pode-se esperar um maior número de espécies no ambiente:

a) A. b) B. c) C. d) D. e) E.

ANÁLISE EXPOSITIVA

A poluição ambiental pode alterar o pH do meio, tornando-o mais ácido ou mais básico, e influenciar
diretamente na sobrevivência de espécies nativas. Assim, a análise desse fator abiótico é de grande im-
portância para a conservação da biodiversidade. Essa questão, no entanto, exige do aluno a leitura correta
e a associação dos dados apresentados em cada um dos gráficos. No gráfico II, observa-se que a sobrevida
das espécies aquáticas é maior entre pH 7 e 8, ou seja, próximo do neutro. No gráfico I, observa-se que
o ambiente aquático D é o único que atende a essa condição, sendo, portanto, o ambiente onde haverá
 VOLUME 3

maior número de espécies; os demais, por sua vez, são mais ácidos (B, C e E) ou mais alcalino (A).

RESPOSTA Alternativa D

28  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

REGIÕES FÓTICAS COMUNIDADE AQUÁTICA

• EUFÓTICA • PLÂNCTON: FITOPLÂNCTON+ZOOPLÂNCTON


• DISFÓTICA • NÉCTON
• AFÓTICA • BENTOS: FITOBENTOS+ZOOBENTOS

BIOCICLOS
AQUÁTICOS

MARINHO DULCÍCOLA
(TALASSOCICLO) (LIMNOCICLO)

SOFRE GRANDE VARIAÇÃO


DOS FATORES ABIÓTICOS
• LUMINOSIDADE
• PRESSÃO
• TEMPERATURA
• SALINIDADE ÁGUAS LÊNTICAS ÁGUAS LÓTICAS

• ÁGUAS PARADAS • ÁGUAS EM MOVIMENTO


• LAGOS E LAGOAS • RIACHOS, RIOS E CÓRREGOS
• TRÊS REGIÕES DISTINTAS:
NASCENTE, MÉDIO CURSO E FOZ

 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  29


ção aos demais, de modo a garantir o escoamento lento e
CICLOS regularizado do elemento em questão.
BIOGEOQUÍMICOS Em um estudo global da biosfera, pode-se reconhecer dois
tipos de ciclos biogeoquímicos: os ciclos gasosos e os

CN
ciclos sedimentares. No primeiro caso, o reservatório
está situado na atmosfera; enquanto que, no segundo, lo-
COMPETÊNCIA(s) caliza-se na crosta terrestre.
3, 6, 7 e 8 As etapas desses ciclos podem ocorrer em um intervalo de
tempo compatível com o tempo de vida dos seres vivos,
AULAS HABILIDADE(s)
9, 12, 19, 27 e 30
ou mesmo levar milhares de anos. A velocidade depende
do tipo de ciclo (sendo o gasoso geralmente mais rápido),
21 E 22 da natureza do elemento químico e de sua relação com os
seres vivos. Além disso, as atividades humanas dos últimos
100 anos acabaram catalisando algumas dessas etapas e
alterando o equilíbrio de outras.
Quando pensamos nos seres vivos, existem alguns ele-
mentos e substâncias especialmente importantes, como os
casos da água, do carbono, do hidrogênio, do oxigênio, do
nitrogênio, do fósforo e do enxofre.

1. Os ciclos biogeoquímicos 2. O ciclo da água e os


Embora o fluxo de energia seja unidirecional e possua, na seus desdobramentos
grande maioria das vezes, o sol como fonte primária e inesgo-
tável, o material necessário à síntese orgânica e às sucessivas A substância mais abundante na biosfera é a água. Os
oceanos, as calotas polares, as aglomerações de neve, os
transformações energéticas existe em quantidade limitada no
lagos, os rios, o solo e a atmosfera contêm cerca de 1,4
meio, devendo, portanto, ser recirculado.
milhão de quilômetros cúbicos de água. Aproximadamente
Assim, há uma troca recíproca, contínua e obrigatória dos 97,2% desse total se encontram nos oceanos e possuem
elementos químicos entre os seres vivos e o meio físico. uma quantidade considerável de sal, os 2,8% restantes
Esse intercâmbio de elementos químicos é acompanhado são compostos por água doce, sendo três quartos sob a
de ganhos e perdas de energia, gerando um ciclo entre o forma de gelo.
meio biológico (biótico) e o meio geofísico (abiótico), dito
Mais conhecido como ciclo hidrológico, representa as
ciclo biogeoquímico. várias fases do percurso da água, que inicia e finaliza na
A circulação e a transformação dos elementos podem ocorrer atmofera. Essas fases englobam, basicamente, a precipita-
por meio dos processos realizados por seres vivos (biológico), ção, escoamento superficial, infiltração, escoamento sub-
das modificações da crosta terrestre (geológico), das altera- terrâneo e a evapotranspiração.
ções na composição da matéria (químico) e das modificações A precipitação, originada da evaporação dos mares, lagos,
da matéria sem alterar sua composição química (físico). pântanos, rios e da transpiração de vegetais e animais, for-
A existência desses ciclos confere à biosfera um poder con- ma as nuvens que, ao alcançarem regiões mais frias, se
siderável de autorregulação, o qual assegura a perenidade condensam e caem na forma de chuva.
dos ecossistemas e se traduz em uma notável constância de A parcela de água precipitada sobre a superfície sólida
proporção dos diversos elementos em cada meio. O ecos- pode ter duas vias distintas: a infiltração e o escoamen-
sistema, por sua vez, pode ser conceituado como uma uni- to. É através da infiltração e do escoamento subterrâneo
dade que inclui todos os organismos de uma determinada que se realiza o recarregamento das reservas freáticas e
área, interagindo com o meio físico, de forma a originar um a reidratação dos solos, ou seja, dos depósitos de água
fluxo de energia e um ciclo da matéria. disponível para a vegetação terrestre e para as atividades
 VOLUME 3

As trocas de materiais nos ciclos se dão segundo vias mais biológicas que se desenvolvem nas camadas superficiais
ou menos circulares. Em cada um desses ciclos, existe um dos continentes.
compartimento que funciona como reservatório do nutrien- O escoamento superficial é responsável (ao lado da res-
te, constituindo um componente bastante grande em rela- surgência de águas infiltradas) pela formação de córregos,

30  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


rios e lagos. A maior ou menor proporção do escoamento superficial em relação à infiltração é influenciada fortemente pela
presença ou ausência da cobertura vegetal.
Para reiniciar o ciclo, a água, acumulada pela infiltração e escoamento é restituída à atmosfera por meio da evaporação, enquan-
to a incorporada por seres vivos é reintegrada através da respiração, excreção e, principalmente, transpiração.

Esquema dos processos e fases do ciclo da água

O aumento da temperatura local pode intensificar a eva-


poração e os índices de poluição podem aumentar a quan-
tidade de nuvens, além de influenciar na qualidade da
precipitação. Logo, fica claro que no modelo de desenvolvi-
mento e crescimento escolhido pelas sociedades atuais as
cidades interferem diretamente no ciclo hidrológico, uma
vez que as temperaturas e os índices de poluição são maio-
res do que nas zonas rurais ou preservadas. Além disso, a
multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
construção de reservatórios ou represas aumenta em dema-
sia a umidade relativa local e, por consequência, os índices O ciclo das águas ou ciclo hidrológico
pluviométricos regionais.
A falta de coleta e tratamento de esgotos associada à
herança de jogar lixo em córregos e rios traz o proble-
3. O ciclo do carbono e os
ma da poluição hídrica, que acaba “engolindo” receitas seus desdobramentos
públicas enormes em projetos de saneamento e limpeza, O carbono é o elemento essencial na composição da maté-
a fim de tornar novamente a água potável. As cidades ria orgânica, sendo, pois, fundamental a sua recirculação na
apresentam solo construído e bastante impermeabiliza- natureza. Encontra-se disponível no ar atmosférico, principal-
do; em virtude disso, as águas pluviais infiltram pouco mente na forma de gás carbônico (CO2). Esse carbono, fixado
e escorrem muito rapidamente para níveis mais baixos, pelos produtores por meio da fotossíntese e, em menor
que acabam por sofrer enchentes. A enchente, em con- escala, da quimiossíntese, é utilizado para sintetizar matéria
junto com a poluição, cria problemas de saúde pública, orgânica, a qual é consumida por um animal que, por sua vez,
pois permite contato com resíduos sólidos (lixo), vetores poderá servir de alimento a outros animais (consumidores).
(ratos) e substâncias perigosas (efluentes domésticos e Esse elemento, por fim, fica disponível para os decomposito-
industriais) e contaminadas por bactérias e outros pató- res, os quais degradam os compostos orgânicos.
genos. Algumas das soluções são: aumentar áreas verdes,
 VOLUME 3

O fluxo de energia é unidirecional e descrescente, assim, ao


construir piscinões (que retardam o escoamento aos rios), longo da cadeia alimentar, o carbono é incorporado pelos
evitar retificação dos rios (diminuindo suas vazões), evitar seres vivos ou consumido para o fornecimento de energia,
lixo nas vias públicas, não construir e nem ocupar as áre- sendo liberado como CO2 através da respiração celular e,
as de várzeas dos rios. em menor quantidade, da fermentação.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  31


Atualmente, o maior reservatório de carbono é constituído pelos carbonatos existentes nas águas e no solo. Basicamen-
te, os processos de fotossíntese e respiração celular seriam suficientes para manter as concentrações dos compostos de
carbono na biosfera, porém, não é bem assim que acontece.
As atividades da sociedade humana moderna exigem cada vez mais a queima de combustíveis fósseis, o que causa uma
diminuição intensa de carbono fixado em seres vivos vegetais e no solo, representados por madeira e por carvão e petróleo, res-
pectivamente. A combustão desses compostos orgânicos libera gás carbônico para a atmosfera, cujas altas concentrações estão
associadas ao aumento do efeito estufa, e gera fuligem e monóxido de carbono (CO), os quais estão associados a questões
de saúde pública − o CO é tóxico e letal, enquanto a fuligem é um dos principais componentes da poluição atmosférica.

Esquema do ciclo do carbono.

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

O aquecimento global contribui para a acidez dos oceanos, o que pode levar à morte de corais, já que o gás carbô-
nico, principal gás do efeito estufa e participante dos ciclos do carbono e oxigênio, reage com o esqueleto calcário
desses cnidários. Para compreender essas reações, são necessários conceitos de química. A queima de combustível
fóssil libera CO2 para a atmosfera, que pode entrar em contato com a água e formar o ácido carbônico. Esse ácido
carbônico pode se ionizar na água liberando íons H+ e bicarbonato. A saturação desses íons pode resultar em pro-
blemas para a flora e a fauna marinha.
 VOLUME 3

32  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


formação de gás carbônico e água, os quais são utiliza-
dos na fotossíntese.

§ Fotossíntese
luz
6CO2 + 6H2O C6H12O6 + 6O2
clorofila
multimídia: vídeo
§ Respiração celular
Fonte: Youtube
Ciclo do carbono C6H12O6 + 6O2 6CO2 + 6H2O + ENERGIA

Estima-se que 98% do oxigênio presente na atmosfera


4. O ciclo do oxigênio e os seja proveniente do fitoplâncton, conjunto de seres fotos-
sintetizantes que vivem suspensos na coluna de água.
seus desdobramentos Além dos ciclos biológicos, o oxigênio também é consu-
O oxigênio está presente na composição de diversos mido no processo de combustão, liberando luz e calor.
compostos orgânicos e inorgânicos, como a água (H2O) Esse gás também compõe a camada de ozônio (O3), um
e o gás carbônico (CO2). Esse ciclo envolve a produção filtro ao redor do planeta que evita a penetração de 80-
de gás oxigênio (O2) pela fotossíntese e o seu consumo 90% dos raios ultravioletas (UV) na biosfera. Lembrando
na oxidação da glicose (respiração celular) através dos que essa camada é alterada pela presença de substâncias
organismos aeróbios. A oxidação, por sua vez, provoca a como o clorofluorcarbono, decorrentes da industrialização.

Esquema do ciclo do oxigênio

5. O ciclo do nitrogênio e os seus desdobramentos


Muito embora o nitrogênio seja essencial aos seres vivos e forme cerca de 78% da atmosfera, ele é não reativo e, dessa forma,
não pode ser usado diretamente por muitos organismos. No metabolismo, esse elemento é utilizado na síntese de aminoácidos,
monômeros das proteínas, e de nucleotídeos, os quais formam os ácidos nucleicos (DNA e RNA).
O nitrogênio atmosférico (N2) pode ser fixado industrialmente, para produzir fertilizantes agrícolas, fisicamente, por radiação e inter-
médio de descargas elétricas naturais, como raios e relâmpagos, e biologicamente, através da ação de cianobactérias e bactérias.
 VOLUME 3

A biofixação é realizada por microrganismos quimiossintetizantes de vida livre ou em associação com raízes de leguminosas
e promove a incorporação do nitrogênio em compostos orgânicos, permitindo a absorção por parte das plantas e,
posteriormente, pelos consumidores. Dessa forma, é possível absorver o nitrogênio na forma de compostos altamente oxidados,
como amônia, nitrato e nitrito.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  33


Bactérias e cianobactérias fixadoras e de vida livre convertem o nitrogênio atmosférico (N2) em amônia (NH3) que, em contato
com a água do solo, forma o íon amônio (NH4+). Bactérias e fungos também podem liberar amônio no ambiente por meio da
decomposição de compostos nitrogenados, como ureia e proteínas, presentes em excretas de animais e em matéria orgânica
morta (amonificação). As bactérias nitrificantes convertem por nitrosação a amônia em nitrito (NO2−) e, depois, por nitra-
ção, oxidam o nitrito em nitrato (NO3−).
Além disso, bactérias fixadoras do gênero Rhizobium associadas a nódulos em raízes de leguminosas (família Fabaceae), for-
mando bacteriorrizas, convertem o nitrogênio em amônia. Assim, a planta absorve compostos nitrogenados, e as bactérias, em
contrapartida, recebem matéria orgânica.
Completando o ciclo, o nitrogênio atmosférico retorna à atmosfera por ação de bactérias desnitrificantes.
No ar, devido à atividade industrial e às descargas de veículos automotores, produzindo óxidos de nitrogênio – nitritos e nitratos
–, o ciclo tem sido alterado. Esses gases, na realidade, constituem fases transitórias do ciclo e, em geral, são encontrados em
pequena concentração no ambiente.

Elementos e processos participantes do ciclo do nitrogênio

A decomposição por fenômenos de erosão gradativamente


libera íons fosfato (PO43−), os quais são solúveis em água
e, por meio da chuva e cursos de água, entram nos ecos-
sistemas, onde são reciclados. Porém, grande parte desse
fósforo vai chegar aos mares e oceanos, onde se perde nos
sedimentos mais profundos. Acredita-se que essa parcela
sedimentada nos mares volte ao ciclo muito lentamente,
multimídia: vídeo não acompanhando a velocidade das perdas de fósforo,
Fonte: Youtube que são muito mais intensas.
O ciclo do nitrogênio - Trabalho O fosfato também é absorvido por organismos fotossin-
tetizantes, como as plantas, e empregado na síntese de
moléculas orgânicas, sendo essencial na composição de
6. O ciclo do fósforo e os fosfolipídios, constituintes das membranas, na molécula
de ATP e nos ácidos nucleicos. Após ser incorporado pelos
seus desdobramentos produtores, esse íon é transferido aos consumidores pela
cadeia alimentar e retorna ao ambiente pela decomposi-
 VOLUME 3

O fósforo é liberado pela decomposição de compostos or-


gânicos até a forma de fosfatos, passível de ser aproveitado ção da matéria orgânica presente em organismos mortos
pelos vegetais. Ao contrário do nitrogênio, o grande reserva- e em excretas.
tório de fósforo não é o ar, mas sim as rochas, formadas em Tanto os movimentos de acomodação da crosta e as ele-
remotas eras geológicas. vações dos sedimentos, como também a atividade animal,

34  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


principalmente de aves e peixes, parecem não serem suficientes para compensar as perdas. A atividade humana tem contri-
buído para acelerar as perdas de fósforo, tornando a reciclagem "acíclica".
Atualmente, o ser humano se preocupa mais com o fosfato dissolvido nas águas em função de sua importância em termos
de qualidade. Nesse aspecto, o fósforo tem papel relevante na eutrofização, podendo, como consequência, causar prejuízo
à água para fins de abastecimento público. As fontes antrópicas de fósforo podem ser, dentre outras, os fertilizantes, os
despejos líquidos domésticos, os detergentes, os aditivos anticorrosivos e os aditivos usados no controle de incrustações.

Esquema do ciclo do fósforo

7. O ciclo do enxofre os seus desdobramentos


O enxofre é insolúvel em água e está contido principalmente em solos e rochas. Em contato com o oxigênio, é convertido em
sulfato (SO42−) e se torna solúvel, podendo ser absorvido pelas plantas e incorporado nas proteínas.
Os resíduos orgânicos são decompostos por bactérias heterotróficas, que libertam sulfeto de hidrogênio (H2S) utilizando os
sulfatos como fonte de energia. Inversamente, outras bactérias reoxidam o H2S em SO42−, tornando o enxofre disponível para
outros seres vivos
Em geral, a água potável não deve ultrapassar um teor de 250 ppm em SO42−. Teores superiores poderiam causar diarreia
nas crianças.

VIVENCIANDO

A compreensão dos ciclos biológicos, a exemplo o ciclo do carbono, o qual envolve processos como a respiração
celular e a fotossíntese, pode contribuir para elucidar mecanismos que podem diminuir as consequências do efeito
estufa e indicar maneiras para controlá-lo.
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  35


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 30
Avaliar propostas de alcance individual ou coletivo, identificando aquelas que visam à preservação e à
implementação da saúde individual, coletiva ou do ambiente.

Os alunos devem saber aplicar os conhecimentos desenvolvidos em sala às situações-problemas visan-


do à melhoria da qualidade de vida, seja em situações relacionadas à saúde humana ou à qualidade
ambiental, possibilitando também o desenvolvimento sustentável das atividades antrópicas.

MODELO 1

(Enem) A modernização da agricultura, também conhecida como Revolução Verde, ficou marcada pela expan-
são da agricultura nacional. No entanto, trouxe consequências como o empobrecimento do solo, o aumento
da erosão e dos custos de produção, entre outras. Atualmente, a preocupação com a agricultura sustentável
tem suscitado práticas como a adubação verde, que consiste na incorporação ao solo de fitomassa de espécies
vegetais distintas, sendo as mais difundidas as leguminosas.
Adaptado de: ANUNCIAÇÃO, G.C.F. Disponível em: [Link]. Acesso em: 20 dez. 2012.
A utilização de leguminosas nessa prática de cultivo visa reduzir a:
a) utilização de agrotóxicos;
b) atividade biológica do solo;
c) necessidade do uso de fertilizantes;
d) decomposição da matéria orgânica;
e) capacidade de armazenamento de água no solo.

ANÁLISE EXPOSITIVA

As espécies vegetais necessitam não somente de sol e água para realização da fotossíntese, como tam-
bém absorvem do solo nutrientes importantes para seu desenvolvimento. Em um ambiente natural, os
ciclos biogeoquímicos se mantêm em equilíbrio; no entanto, as áreas cultivadas tendem a interferir na
microbiota do solo, como também retiram a cobertura vegetal (serapilheira) que alimentam os ciclos dos
nutrientes. Desse modo, para aumentar a produtividade das plantações, deve-se recobrir o solo a fim
de protegê-lo da erosão, além de aumentar a decomposição e, assim, disponibilizar naturalmente mais
nutrientes, reduzindo a necessidade de fertilizantes. A utilização de espécies da família das leguminosas
(feijão, lentilha, ervilha, soja, etc.) garante ainda aumento da fixação de nitrogênio, uma vez que, nas
raízes dessas espécies vegetais, encontram-se bactérias (Rhizobium) que convertem o nitrogênio gasoso
em moléculas nitrogenadas inorgânicas, que serão aproveitadas pelas plantas.

RESPOSTA Alternativa C
 VOLUME 3

36  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

CICLOS BIOGEOQUÍMICOS

CARBONO OXIGÊNIO

CO2 O2
VEGETAIS ANIMAIS FOTOSSÍNTESE COMBUSTÃO

DECOMPOSITORES RESPIRAÇÃO
AERÓBIO

NITROGÊNIO BACTÉRIAS ATUANTES NO


CICLO DO NITROGÊNIO
N2 FIXAÇÃO:
ANIMAIS • RHIZOBIUM (LEGUMINOSAS)
NITRIFICAÇÃO:
DECOMPOSITORES • NITROSSOMONAS
• NITROBACTER
NH3 VEGETAIS DESNITRIFICAÇÃO:
• PSEUDOMONAS

NO2- NO3-

ÁGUA FÓSFORO E ENXOFRE

H2O VEGETAIS ANIMAIS

SOLO /
MAR PO43- ; SO43- (aq.) DECOMPOSITORES
VEGETAÇÃO

SUBSOLO
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  37


PROBLEMAS 1. A ação antrópica
AMBIENTAIS sobre o ambiente
O ser humano tem variado as atitudes e reações em rela-

CN
ção ao ambiente através do tempo, variando em função de
sua tecnologia, cultura, religião e desenvolvimento social e
COMPETÊNCIA(s) econômico. Ainda hoje, as relações do ser humano com o
3 ambiente são alteradas em função dessas variáveis, como
em nome de um progresso tecnológico e econômico ou de
AULAS HABILIDADE(s)
8e9
uma “volta à natureza” menos mercadológica.
A tradição cultural desempenha importante papel no pro-
23 E 24 cesso de decisão que define o comportamento dos grupos
sociais humanos com o ambiente. Assim sendo, pode-se
dizer que as diferentes posturas humanas de relação com
o ambiente são tão diversas quanto as tradições culturais
observadas no mundo.
Quando considera-se a estrutura da paisagem em dado
momento, deve-se levar em conta que o planeta é um
grande sistema, no qual todos os seus componentes in-
teragem. Essa interação permite a autorregulação, a recuperação ou mesmo a degradação ambiental. Assim, o processo
de modificação dessa arquitetura é resultante da interação de fatores ambientais, humanos e tecnológicos, que mudam
sucessivamente os diferentes usos da paisagem, alterando os fatores ambientais e retroalimentando o próprio processo
de modificação. Questões Ambientais Globais
 VOLUME 3

Mapa com a distribuição global de impactos ambientais causados pelo ser humano

As interferências humanas desordenadas sobre o ambiente podem originar impactos de diversas naturezas. Observe, nas figuras
a seguir, exemplos de impactos socioambientais.

38  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Ecologia da Paisagem - Degradação Ambiental

Miséria e Pobreza
Ecologia da paisagem
Degradação − degradação
ambiental e exclusão
ambiental

Miséria e pobreza − degradação ambiental e exclusão

2. Impacto da atividade humana sobre os solos


Os solos se encontram em equilíbrio dinâmico com os fatores que determinam as suas características: o clima, os materiais
de origem, a topografia, a biota e o tempo.
Qualquer mudança em uma dessas variantes afetará o solo; a reação à determinada mudança ambiental, porém, varia de solo
para solo em função da sua sensibilidade a cada tipo de tensão, resultante de suas característica físicas e químicas de origem.
A ação antrópica tem de ser acrescentada à lista de fatores que determinam o caráter do solo, visto que ela assume, pelo
menos ao nível local, maior significado que todos os demais fatores naturais em conjunto. A textura dificilmente muda, mas
a parte química e a biológica variam com muito mais facilidade.
A parte superior do solo é a mais alterada. Devido à pressão econômica sobre os agricultores, os mesmos tem de semear cada
vez mais cedo o solo. Isso levou à industrialização agrícola e consequentemente à mecanização da lavoura; permitindo que
a terra fosse lavrada e gradeada em épocas do ano em que o solo encontra-se muito úmido e pesado para trabalhar, o que
acarreta a deterioração da estrutura do solo, que muda e impede a drenagem, o desenvolvimento de raízes, a produtividade.

VIVENCIANDO

Os problemas ambientais acompanham nosso cotidiano. Poluição do ar, degradação do solo, desmatamento e super-
 VOLUME 3

população representam enormes ameaças que devem ser sanadas para que o planeta continue sendo um ambiente
para todas as espécies. Compreendendo os conceitos que permeiam os problemas ambientais, podemos criar solu-
ções possíveis para essas situações.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  39


2.1. Erosão
A remoção da cobertura vegetal original acelera o processo erosivo, alterando os processos geomorfológicos. Retirar a
vegetação, independente da ocupação posterior, promove a perda de até 50% de solo por erosão. Com a intensificação
desses processos, podemos falar em desertificação.
A erosão é causada pela ação das águas e do vento e a consequente remoção das partículas do solo. Essa remoção, além
de causar alterações de relevo, riscos às obras civis, remoção da camada superficial e fértil do solo, provoca o assoreamento
dos rios. Como consequência indireta, ocorrem as inundações e alterações dos cursos de água. A erosão do solo está princi-
palmente associada a fatores como clima, tipos de solo e declividade do terreno.
As práticas recomendas para se evitar a erosão estão ligadas à manutenção da cobertura vegetal, utilização de árvores como
quebra-ventos, cobertura do solo com serragem e técnicas de caráter mecânico, como aração, plantio e construção em curvas
de nível − execução de canaletas para desvio das águas pluviais e execução de muros de arrimo.

Vulnerabilidade Outras regiões


Baixa Seco
Moderado Frio
Alta Úmido / não vulnerável
Muito alta Gelo / geleira

Mapa global de vulnerabilidade ao processo de desertificação

2.2. Alterações química Lembre-se de que os solos tropicais não são, via de regra, fér-
teis e que muitas vezes a biodiversidade que eles sustentam
Aplicar agrotóxicos modifica a química e a fertilidade do está associada a altas e rápidas taxas de degradação de maté-
solo, além de gerar diversos impactos biológicos e de saú- ria orgânica pelos seres decompositores e pela absorção e
de pública. O uso indiscriminado dos defensivos agrícolas incorporação vegetal desses nutrientes. Por isso que o desma-
causa diversos impactos negativos a médio e longo prazo. tamento de áreas florestais como Amazônia e Mata Atlântica
Devido a sua ação erosiva, torna o solo pouco produtivo e não sustentam culturas agrícolas por muito mais do que 4 ou
dependente de produtos químicos. 5 anos, quando ocorre o esgotamento dos nutrientes do solo.
O processo de fertilização ou adubação pode alterar a Outro processo de alteração química é a correção do pH do
composição química do solo, corrigindo-a para melhor aten- solo através da calagem, mantendo-o ótimo para a cultura
der às necessidades da cultura vegetal de interesse. A aplica- desejada e fornecendo cálcio e magnésio para as plantas.
ção continuada e intensiva de fertilizantes concentra vastos Além disso, reduz a disponibilidade de alumínio e aumen-
 VOLUME 3

estoques de NPK, o que vai alterar significativamente o ciclo ta a de fósforo. Essa atuação é bastante comum nos solos
do nitrogênio e as taxas de decomposição no solo. Tudo isso tropicais, que muitas vezes são ácidos e tóxicos. A região
exige grandes implementos e mecanização especializada Centro-Oeste, domínio original dos cerrados, apresenta esse
para tornar o solo produtivo novamente, o que nem sempre é problema. As grandes monoculturas de cana-de-açúcar e
viável financeiramente para pequenos e médios agricultores. soja só são possíveis graças à correção do solo.

40  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


A excessiva irrigação, por outro lado, pode provocar
a salinização de certos tipos de solos, como os do se-
3. Impacto da atividade
miárido, tornando-os impróprios para cultivos de inte- humana sobre a
resse econômico, assim como para o desenvolvimento
de uma vegetação natural. Nesses solos, a drenagem comunidade biológica
é muito rápida e praticamente nenhuma água é total- A grande mudança na relação entre o ser humano e os demais
mente desprovida de sais, levando a uma concentra- seres vivos ocorreu com a transição da sociedade mesolítica,
ção salina comprometedora à agricultura tradicional e na qual os hominídeos eram essencialmente nômades e com
ao ambiente. hábito caçador-coletor, para a economia neolítica, na qual o
Poluição do Solo - Desertificação
ser humano passou a ser agricultor e domesticador-criador de
diversas espécies, fixando-se em um determinado lugar. As-
sim, as atividades e os impactos antrópicos se tornaram um
importante fator no processo evolutivo dos seres vivos.
As alterações nos padrões da vegetação e dos animais obe-
deceram a uma série de razões, sempre levando em conta
os interesses humanos de eliminação de doenças e manu-
tenção de espécies de interesse. Porém, a influência do ser
humano sobre a biosfera não foi uniforme.
A modificação dos padrões da vegetação para fins agrícolas
ou florestais, com a consequente mudança no microclima,
Uso do solo e o processo de desertificação
levou, inevitavelmente, à modificação das propriedades do
solo, em face da estreita relação causal dos três aspectos:
2.3. Poluição clima, solo e vegetação. O desmatamento e a degradação
A disposição indiscriminada de resíduos sólidos − lixo ambiental têm sido tendência, reduzindo a diversidade das
– e efluentes líquidos − esgoto – no solo é outro uso espécies e a biomassa.
que tem se mostrado inadequado. Os resíduos gerados O objetivo é destinar essas áreas à agropecuária, à urbaniza-
pela atividade humana são dispostos diretamente sobre ção, à industrialização, a projetos de assentamento (coloni-
o solo, seja na forma de aterros, seja por infiltração, ou zação), a projetos de desenvolvimento (estradas, hidroelétri-
pelo simples acúmulo sobre o substrato. cas, usinas nucleares e mineração), ao extrativismo vegetal,
Ao longo do tempo, ocorre o acúmulo da infiltração dos à exportação de madeira, à produção de carvão, entre ou-
líquidos gerados na decomposição dos resíduos (choru- tros, que destroem ou simplificam intensamente os habitats,
me). As águas pluviais auxiliam no processo de lixiviação comprometendo diretamente a sustentabilidade da fauna.
e contaminação, carregando substâncias para as cama-
das mais profundas e para os aquíferos subterrâneos. Expansão de
Madeireiras
Mudanças
climáticas globais
área agrícola
Os efeitos desses sistemas de disposição de resíduos
Aumento
no solo tendem a ser de natureza localizada. Ocorre, de atividade
Precipitação reduzida
sobre a floresta e aumento
nos locais de disposição de resíduos orgânicos, a aera- Evapotranspiração econômica
da seca extrema
reduzida
ção de gás, constituído basicamente de metano e gás
Redução da Seca na floresta e
carbônico, o qual limita o suprimento de oxigênio para biodiversidade morte de árvores
as camadas superficiais do aterro, causando a morte
Aumento de
da vegetação. Aumento do risco
aerossóis
Aumento do runoff em es- de queimadas
cala local (runoff = excesso Redução do
Destacam-se entre as fontes de poluição do solo deriva- de água que escoa pela runoff em escala
das da atividade humana: superfície, já que o solo
está com sua capacidade
Danos na infraestrutura e regional
redução de incentivos e
de infiltração máxima) investimentos
§ resíduos sólidos domésticos, hospitalares e industriais;
 VOLUME 3

§ resíduos líquidos sanitários e industriais; Enchentes Redução da produtividade Aumento de Redução da


agrícola e econômica doenças disponibilidade de
§ urbanização e ocupação do solo; respiratórias; água para uso humano,
interrupção do navegação em rios e
§ agropecuária extensiva e acidentes no transporte de cargas. tráfego aéreo geração de energia
hidroelétrica

Fluxograma com as consequências do desmatamento

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  41


A interferência humana nas populações animais também 3.1. Concentração de compostos nas
redundou em efeitos abrangentes e imprevisíveis, alteran-
do sua densidade e levando várias espécies à extinção, as-
cadeias alimentares – efeito cumulativo
sim como ameaçando tantas outras. Além dos impactos da Substâncias tóxicas e metais pesados, como o mercúrio,
erradicação de organismos, a introdução de espécies exó- são difíceis de se eliminar e se concentram nos organis-
ticas podem alterar drasticamente o equilíbrio das cadeias mos que os ingerem (bioacumulação). Quando um con-
alimentares do ecossistema. sumidor primário, por exemplo, é predado, as toxinas são
As reduções e eliminações verificadas por destruição do repassadas para o próximo nível trófico. O consumidor
habitat, frequentemente uma consequência indesejada secundário, por sua vez, armazenará o poluente de todos
da falta de planejamento e do mau uso da terra, são, atu- os organismos que ingerir, repassando posteriormente
almente, as de maior impacto sobre a fauna e as mais di- para o consumidor terciário, e assim por diante. O último
fíceis de conter, devido à expansão urbano-industrial. nível concentra todas as substâncias tóxicas transmitidas
A fauna com pequena população natural e habitat muito pela teia. Esse acúmulo progressivo de certos resíduos ao
restrito é particularmente propensa à extinção, como re- longo da cadeia alimentar é chamado magnificação
sultado da atividade humana. trófica ou bioampliação.

A indústria pesqueira, atividade econômica bastante impor- Desde a década de 1940, alguns inseticidas do grupo dos
tante para muitas culturas e países, normalmente não respeita organoclorados foram usados extensivamente nas lavouras
diversos pontos das legislações nacional e internacional: es- devido à sua alta eficiência contra diversos insetos. Absor-
pécies permitidas, períodos de reprodução, quantidades má- vido pela pele ou pelos alimentos, o acúmulo de DDT no or-
ximas permitidas, sobrepesca e atuação em águas costeiras. ganismo humano está relacionado com doenças do fígado,
Perda de Biodiversidade - Queimadas como a cirrose e o câncer. O uso indiscriminado e descon-
Observe, a seguir, nas ilustrações, aspectos da perda da bio- trolado do DDT fez com que o leite humano, em algumas
diversidade associada às interferências humanas. regiões dos EUA, chegasse a apresentar mais inseticida do
que o permitido por lei no leite de vaca.
O DDT, além de outros inseticidas e poluentes, possui a
capacidade de se concentrar em organismos. Ostras, por
exemplo, que obtêm alimento por filtração da água, po-
dem acumular quantidades enormes de inseticida em seus
corpos, concentrando-o até cerca de 70 mil vezes. Em
Perda de Biodiversidade - Tráfico
determinados ecossistemas, também é absorvido pelos
Perda de biodiversidade − queimadas
produtores e consumidores primários. Assim, o DDT passa
para os próximos organismos e tende a se concentrar nos
níveis tróficos superiores.

4. Impacto da atividade
humana sobre a atmosfera
O ser humano alterou pela primeira vez a ação local da at-
Perda de Biodiversidade - Desmatamento
mosfera e, portanto, o clima, há 7 ou 9 mil anos, ao mudar
Perda de biodiversidade − tráfico
a face da Terra com a derrubada de florestas, a semeadura
e a irrigação. No entanto, é provável que no decurso deste
século as ações antrópicas tenham intensificado e acelerado
inadvertidamente o ritmo de mudança do clima do globo.
Uma vez que a atmosfera é um sistema contínuo e único,
pode-se concluir que as mudanças são transmissíveis em
 VOLUME 3

toda sua extensão; assim, uma alteração em pequena es-


cala pode ter consequências globais. A mudança do clima
provocará mudanças em cascata nos processos geomor-
fológicos do solo e da vegetação, o que, por sua vez, trará
Perda de biodiversidade − desmatamento novas alterações climáticas.

42  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


A influência humana sobre o clima é muito difícil de avaliar. Pode-se supor e evidenciar as alterações provocadas em escala
microclimática, por exemplo, a construção de um reservatório de água, e mesoclimática, por exemplo, a presença de uma
grande cidade e a constatação de que ela é uma ilha de calor. No entanto, alterações macroclimáticas podem estar asso-
ciadas a processos planetários globais. Não vamos esquecer que o planeta tem cerca de 4,5 bilhões de anos e já esfriou e
esquentou várias vezes, mesmo antes de o Homo sapiens andar por aqui. Muitas pesquisas e estudos sugerem que certas
atividades antrópicas podem acelerar esses processos naturais.

O efeito de ilhas de calor ocorre devido à elevada taxa de absorção e retenção de calor de superfícies urbanas, à falta de cobertura vegetal que
auxilia na reflexão do calor e aumenta a taxa de transpiração (umidade), à impermeabilização do solo que impede a infiltração e a evaporação,
à presença de construções verticais que prejudicam a circulação do vento e ao acúmulo de gases poluentes que aumentam a temperatura

MODIFICAÇÃO DO CLIMA REGIONAL DE e sua maior fonte emissora são os motores a combustão dos
UMA ÁREA URBANA INDUSTRIALIZADA automóveis. O monóxido de carbono tem a propriedade de se
combinar irreversivelmente com a hemoglobina do sangue,
Composição núcleos de condensação aumenta em 1 000%
atmosférica emissão de gases aumenta em 1 500%
inutilizando-a para o transporte de oxigênio. O indivíduo afe-
radiação solar diminui em 10%
tado por esse gás tem sintomas de asfixia, com aumento dos
temperatura média anual aumenta em 1 oC
ritmos respiratório e cardíaco. A exposição prolongada ao mo-
Temperatura
temperatura
nóxido de carbono pode levar à perda de consciência e à morte.
aumenta em 1,5 oC
mínima invernal
POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA (veículos/indústrias)
anual aumenta em 5%
Precipitação Concentração Sintomas em
dias de chuva mínima aumenta em 10%
de CO (ppm) seres humanos
velocidade média diminui em 20%
Vento 10 Nenhum
dias calmos aumenta em 10%
15 Diminuição da capacidade visual
radiação ultravio-
diminui em 30% 60 Dores de cabeça
Outros leta (inverno)
umidade relativa (verão) diminui em 10% 100 Tonturas, fraqueza muscular
parâmetros
neblina (inverno) aumenta em 100% 270 Inconsciência
800 Morte
Gráfico de modificações do clima em uma área urbana
Concentração de CO (ppm)
Qualidade do ar
(média de 8 h)
4.1. Poluição atmosférica Inadequada 15 a 30

A atmosfera recebe, anualmente, milhões de toneladas Péssima 30 a 40

de gases tóxicos, como monóxido de carbono, dióxido de Crítica Acima de 40

enxofre, óxido de nitrogênio e hidrocarbonetos, além de


O dióxido de enxofre (SO2) é um gás venenoso, pro-
partículas que ficam em suspensão. As principais fontes
veniente da queima industrial de combustíveis como o
geradoras de poluição atmosférica são os motores dos au-
carvão mineral e o óleo diesel, que tem enxofre como
tomóveis, as indústrias (siderúrgicas, fábricas de cimento e
impureza. O dióxido de enxofre, juntamente com o óxido
papel, refinarias, etc.), a incineração de lixo doméstico e as
 VOLUME 3

de nitrogênio, também liberado pela atividade industrial,


queimadas de florestas para expansão da lavoura. provoca bronquite, asma e enfisema pulmonar. Além
O monóxido de carbono (CO) é um gás incolor, inodoro, disso, reagindo com vapor de água na atmosfera, esses
um pouco mais leve do que o ar e muito venenoso. Ele é pro- óxidos podem formar ácidos sulfúrico e nítrico, que se
duzido durante a queima incompleta de moléculas orgânicas, precipitam com a umidade e formam as chuvas ácidas.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  43


Em certos países europeus, onde a produção de energia é baseada na queima de carvão e óleo diesel, as chuvas ácidas
têm sido responsáveis por grandes danos à vegetação, além de corroerem construções e monumentos. Na Alemanha e
na Holanda, por exemplo, estima-se que 50% das florestas naturais já foram destruídas pelas chuvas ácidas.

Detalhes da formação da chuva ácida a partir de lançamento de NO2 e SO2 de origem antrópica na atmosfera

Nas cidades modernas, há grande quantidade de partículas em suspensão no ar, produzidas principalmente pelo des-
gaste de pneus e freios de automóveis. Pastilhas de freio, por exemplo, liberam partículas de amianto, que podem causar
doenças pulmonares.
Grandes responsáveis pela produção de matéria particulada no ar são as siderúrgicas e as fábricas de cimento, estas últimas
responsáveis pela liberação de partículas de sílica. A sílica, como o amianto, quando particulada no ar, é a causa comprovada
de diversas doenças pulmonares, tais como fibroses e enfisemas.

poluentes na cidade à noite. A de subsidiência é aquela


4.2. Inversão térmica que ocorre quando há um processo de afundamento e
Em condições normais, a temperatura da troposfera (ca- compressão da massa de ar. Os movimentos físicos a que
mada mais próxima ao solo) diminui gradativamente com a atmosfera está submetida não são uniformes. Algumas
a altitude, o que facilita a dispersão dos poluentes para as vezes, uma camada da atmosfera fica mais comprimida
camadas mais altas da atmosfera. entre as outras. Essa compressão diferenciada aumenta a
temperatura em uma determinada camada em relação às
Em certas épocas do ano, principalmente no inverno, pode
outras. Isso se chama inversão de subsidiência.
ocorrer o fenômeno atmosférico denominado inversão
térmica, causado pela interposição de uma camada de
ar quente entre camadas de ar frio em certa altitude. Ge-
ralmente, a camada de inversão é menos densa e detém
a subida natural dos poluentes, que quase sempre saem
das fontes com uma temperatura maior que a ambiente,
subindo por diferença de densidade, até haver uma igual-
dade de temperatura. Assim, essa faixa de temperatura
mais elevada impede a dispersão de poluentes, que ficam
aprisionados junto à superfície, já que nesse período de in-
versão não há ventos e geralmente há baixa velocidade ou
calmaria total. Nessas ocasiões, ocorre grande aumento de O fenômeno de inversão térmica impede a dispersão dos gases poluentes
casos de irritação das mucosas e problemas respiratórios.
4.3. Efeito estufa
 VOLUME 3

As inversões térmicas, importantes em termos de po-


luição do ar, são as de radiação e as de subsidiência. A Os gases do efeito estufa (GEE) são representados prin-
por radiação acontece frequentemente quando o solo se cipalmente pelo vapor de água (H2O), dióxido de carbono
esfria por radiação durante a noite. A presença dessas (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O) e clorofluorocar-
inversões noturnas impede a dispersão das emissões de boneto (CFC).

44  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

Para entender melhor como acontece o efeito estufa, é preciso, antes, compreender o que são radiações eletromag-
néticas. Essas ondas têm alguns parâmetros que as definem, como a distância entre duas ondas e o comprimento
de onda. Assim, conceitos de Física facilitam a compreensão de como as ondas são refletidas e absorvidas pela
atmosfera terrestre, levando ao efeito estufa e ao aquecimento global.

EFEITO ESTUFA
Gases Contribuição (%)
dióxido de carbono 61
metano 15
óxido de nitrogênio 4
clorofluorcarboneto 11
outros, inclusive vapor de água 9
Contribuição percentual dos principais gases do efeito estufa

Esses compostos gasosos são capazes de absorver radiação na frequência do infravermelho, aprisionando calor na atmosfera. Apesar
de a maior parte da radiação solar que atinge o solo ser refletida pelas nuvens e pela superfície terrestre, a outra parte é absorvida e
reirradiada na forma de radiação infravermelha − inclusive de volta para a superfície terrestre, que se aquece.
desses
retém
Esse

Funcionamento do efeito estufa.

Assim, o efeito estufa é um processo natural e permite a sobrevivência da vida terrestre, mantendo as temperaturas estáveis e garan-
tindo que a maior parte da água permaneça em estado líquido. Porém, as atividades humanas contribuem para o rápido aumento das
taxas de emissão e concentração de GEE na atmosfera, ampliando os impactos do efeito estufa e ocasionando o aquecimento global.
O determinante fundamental do clima é a entrada de radiação solar que impulsiona os mecanismos da atmosfera. Os elementos
de clima, temperatura, pressão, vento e precipitação podem ser considerados efeitos secundários da diferença de aquecimento
da atmosfera e da superfície. Portanto, mudanças na refletividade da superfície da Terra (albedo) alteram o aquecimento da
 VOLUME 3

atmosfera inferior.
A quantidade de gás carbônico, um dos principais causadores do efeito estufa, vem aumentando significativamente na
atmosfera desde a Revolução Industrial, quando o ser humano começou a empregar a queima de combustíveis (carvão e pe-
tróleo) em larga escala, a fim de produzir energia. Com isso, a concentração de gás carbônico no ar se elevou nesses últimos
100 anos, de 0,029% para quase 0,04% da composição atmosférica, o que corresponde a um aumento da ordem de 38%.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  45


Embora sem estimativas precisas, sabe-se que a quantidade de metano presente na atmosfera também vem crescendo.
Esse gás resulta da decomposição da matéria orgânica, e sua concentração na atmosfera aumenta proporcionalmente ao
crescimento da população. Isso se deve à maior produção de lixo e esgotos, à pecuária e ao aumento das áreas de terrenos
alagados, onde se cultiva arroz e há grande decomposição de matéria orgânica.

Gráfico dos países com maior percentual de emissão de carbono

O efeito estufa vem despertando polêmicas. As imagens efeito estufa. Além disso, se o gelo derreter em proporções
de impacto mostram desertos se expandindo, cidades cos- consideráveis, isso provocaria outras distorções na circula-
teiras inundadas e grandes alterações climáticas. Supõe-se ção atmosférica e nos padrões do equilíbrio térmico.
que a tendência natural para o resfriamento no clima mun-
dial desde a década de 1950 já foi [Link] cientistas 4.4. Camada de ozônio
acreditam que, se os gases que provocam o efeito estufa A camada de ozônio, também chamada de ozonosfera,
continuarem a se acumular na atmosfera, devemos esperar
é uma das camadas de nossa atmosfera, que está localiza-
uma elevação de até 4 °C na temperatura média mundial
da a cerca de 50 km da superfície do planeta. É constituída,
nos próximos 50 anos.
basicamente, de ozônio (O3).
Esse elemento é formado a partir da ação fotoquímica dos
raios ultravioleta sobre as moléculas de oxigênio. Devido ao
consumo da radiação ultravioleta A e B (UVA e UVB), a
camada funciona como um “filtro”, impedindo que essas ra-
diações mutagênicas e, portanto, cancerígenas, sobretu-
do para a pele humana, consigam atingir a superfície terrestre.

O2 + 1 + ultravioleta → O3
2O2

Gráfico que mostra a correlação entre o aumento


da temperatura média global em relação à elevação
da taxa de dioxódio de carbono na atmosfera

Um aumento dessa ordem provocaria grandes mudanças


no clima da Terra. Nas regiões tropicais ocorreriam tempes-
tades torrenciais. Nas regiões temperadas, o clima poderia
se tornar mais quente e seco. As regiões polares poderiam As moléculas de oxigênio (O2) se rompem devido à radiação
ultravioleta e os átomos separados combinam-se individualmente
 VOLUME 3

ter grande parte do gelo derretida, com elevação do nível


com outras moléculas de oxigênio, formando o ozônio (O3)
dos mares e inundação de cidades litorâneas e planícies.
Uma inundação da Amazônia, com submersão da floresta, Existem diversos buracos na camada de ozônio, mas nos
levaria à formação de uma imensa bacia de decomposição, últimos 10 anos os cientistas notaram o aparecimento de
o que produziria mais metano, acentuando ainda mais o grandes duas regiões sem ozônio na atmosfera. O buraco

46  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


maior se localiza sobre o Polo Sul, e chega a atingir uma mento superficial é modificado pela alteração dos sistemas
área de 21 milhões de km2, mais do que o dobro da área do de drenagem promovidos pela ocupação. Além disso, a mu-
Brasil. O outro buraco, menor, localiza-se sobre o Polo Norte. dança no fluxo fluvial altera profundamente a distribuição
A destruição da camada de ozônio é consequência da libe- dos recursos hídricos para a fauna e flora.
ração de gases denominados clorofluorcarbonos (CFC) A água na atmosfera pode ser liberada em maior quantida-
para a atmosfera. O CFC é inerte, bastante estável, usado de devido aos desmatamentos e à elevação da temperatu-
para refrigeração em geladeiras e bebedouros e como pro- ra, levando a uma alteração da evapotranspiração.
pelente na indústria de isopores, espumas e plásticos. Por Os oceanos são fundamentais no processo de controle dos flu-
ser muito barato, vem sendo utilizado desde 1930. Como xos globais de energia e, consequentemente, no ambiente geral
é extremamente leve, após um vazamento ou quando lan- do planeta, principalmente devido ao “alto calor específico”
çado na atmosfera, ascende devagar, mas vai para as altas da água que retém calor. O papel do fitoplâncton oceânico é
camadas da atmosfera, onde permanece cerca de 50 anos. fundamental no controle atmosférico do carbono fixando-o e
Ao chegar na ozonosfera, cataliza a degradação do ozônio. produzindo 75% do oxigênio atmosférico, além de poder estar
diretamente ligado à formação de nuvens pela liberação de ga-
ses que funcionariam como núcleos de condensação.
Assim, o oceano é um importante componente na determina-
ção do clima global e dos níveis de precipitação. Porém, por
ser considerado um excelente depósito de efluentes e resíduos
sólidos devido a sua grande capacidade de autodepuração, o
oceano é cada vez mais impactado por causa de sua utilização
como via de transporte ou fonte de matérias-primas.
Reação dos raios ultravioletas com os CFCs, os quais

5.1. Poluição das águas


posteriormente auxiliam na degradação da molécula de ozônio

O uso do CFC já é proibido nos países do Hemisfério Nor-


É a contaminação dos recursos hídricos. O crescimento
te e vem sendo substituído por água e pelo HFC (hidro-
populacional e os padrões de vida mais elevados exigem
fluorcarboneto); o mesmo vem acontecendo nos países
maior demanda de recursos hídricos, condição que não
do Hemisfério Sul.
pode ser atendida pelo ciclo natural hidrológico.
Consequentemente, a qualidade da água superficial e subter-
rânea, tanto dos mares quanto de rios e lagoas, é progressiva-
mente prejudicada. Uma certa quantidade de poluentes pode
ser assimilada por diluição ou pela atuação de organismos na
cadeia alimentar que se ajustam às mudanças na qualidade da
água. Além desses limites, porém, a poluição representa uma
multimídia: vídeo ameaça real à qualidade da água, à saúde e ao meio ambiente.
Fonte: Youtube A poluição térmica produzida pela água utilizada no sistema
MAG - 2/14 - Efeito Estufa de refrigeração das usinas de energia também reduz a solubili-
dade do oxigênio em rios e lagos, e a diversidade das espécies
é ainda mais ameaçada quando as correntes são obstruídas
5. Impacto da atividade humana por sólidos inertes que resultam, por exemplo, de drenagem,
escavação ou detritos urbanos.
sobre a água doce e os oceanos
Os fatores econômicos e sociais constituem as limitações
mais frequentes da alteração da água. O ser humano in-
tervem nos processos pluviométricos, de drenagem e de
reservatórios subterrâneos, o que altera as proporções de
estoques de água em seus três estados físicos, acarretando
 VOLUME 3

alterações climáticas globais.


A umidade do solo é alterada em função de sua ocupação
e uso, indisponibilizando-a para a vegetação, por exemplo, Esquema simplificado de uso de água para
e fazendo o solo mais suscetível à ação erosiva. O escoa- resfriar o reator de uma usina nuclear

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  47


A indústria extrativista exerce efeitos sobre a qualidade da combinada da sedimentação (precipitação por gravidade
água se estiver localizada perto da corrente. A mineração a de substâncias em suspensão) e da luz ultravioleta e visível
céu aberto poderá provocar contaminação sedimentológica elimina substancialmente as bactérias. Entretanto, em áreas
e química. A extração subterrânea de carvão muitas vezes de temperatura alta, podem surgir algas em águas ricas em
faz com que a drenagem ácida das minas chegue aos rios. nutrientes. Para combater isso, a filtragem lenta com areia
Produtos químicos tóxicos, tais como os metais pesados cád- tem sido usada desde o início do século XIX; isso depende
mio e mercúrio, produzidos em algumas operações industriais de uma combinação de filtragem direta e da ação bacteriana
e de mineração, e despejados nos rios, lagos ou águas cos- no interior das camadas superiores do leito de areia. Filtros
teiras, podem matar os organismos vivos e se acumular nos modernos mais rápidos empregam tratamentos químicos,
tecidos dos peixes e crustáceos, que fazem parte da cadeia particularmente com sulfato de alumínio, para coagular só-
alimentar humana, podendo provocar graves danos à saúde. lidos em suspensão antes que estes sejam removidos para
Outros poluentes metálicos possivelmente nocivos são o um clorificador. A água é comumente desinfetada com cloro
alumínio, utilizado no tratamento de águas, que já foi rela- para eliminar patógenos, embora isso possa provocar um
cionado ao mal de Alzheimer, e o chumbo, utilizado nos en- gosto desagradável quando certas substâncias orgânicas
canamentos de algumas casas antigas e identificado como estão presentes.
causa de danos cerebrais em algumas crianças. Depois do tratamento, a água é armazenada em um re-
O lançamento de resíduos industriais nas águas e nos servatório de serviço, que pode ser uma cisterna fechada
solos constitui um sério problema ecológico. Substâncias subterrânea, nas regiões elevadas, ou, em regiões planas,
poluentes, como detergentes, ácido sulfúrico e amônia, en- uma caixa-d’água. Isso garante alguns dias de suprimento
venenam os rios onde são lançadas, causando a morte de e, devido a sua altura, exerce a pressão necessária para a
muitas espécies da comunidade aquática. distribuição local.
Em países nos quais não há tratamento adequado de água Os reservatórios localizados em terras altas distantes das ci-
e esgoto, a poluição da água utilizada pela população pode dades exigem aquedutos de grandes comprimentos; entradas
contribuir para a disseminação do cólera, do tifo e da ma- para a água dos rios e lagos usualmente têm um reservatório
lária, assim como ser responsável por doenças parasíticas
local para fornecer o suprimento adequado quando os níveis
aquáticas como a esquistossomose.
de água são baixos e permitem o seu fechamento para im-
pedir poluição temporária. As aquíferas (rochas que contêm
5.2. Captação e abastecimento de água água) profundas são aproveitadas por meio de poços e, mui-
tas vezes, fornecem água de melhor qualidade.
A água é fornecida por uma rede de tubulações, cuja ca-
pacidade deve estar à altura das necessidades domésticas,
industriais e agrícolas, e ao mesmo tempo levar em conta 5.3. Tratamento e rede de esgoto
perdas devido aos vazamentos. O consumo médio de água Uma rede de esgoto é um sistema de tubulações através
pode variar de cerca de 740 litros diários per capita, em do qual as águas servidas, provenientes da totalidade do
cidades dos EUA, até 1 litro diário per capita em partes esgoto doméstico ou comercial, são levadas para uma es-
da Etiópia ou da Somália. A água é fornecida por fontes tação de tratamento. Os esgotos são planejados para que
superficiais e subterrâneas. sejam autolimpantes e façam com que as águas servidas
fluam por gravidade, embora o bombeamento, algumas
vezes, seja necessário.
O acesso à rede é dado por postigos de inspeção e ma-
nutenção. Em um sistema que combina o escoamen-
to de águas servidas com o seu tratamento, ambas as
águas, servidas e pluviais, são escoadas para a estação
de tratamento; em sistemas separados, águas pluviais
não tratadas são escoadas diretamente para o curso de
 VOLUME 3

água mais próximo.


As características de uma água residuária, as exigências
Sistema de captação, tratamento, armazenamento e distribuição de água legais, a área disponível e os custos de implantação e ope-
O primeiro estágio do tratamento de águas é armaze- ração são os fatores básicos na definição do sistema de
nar a água não tratada em um reservatório, onde a ação tratamento mais adequado de um efluente líquido.

48  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Esquema com os processos e caminhos do tratamento de esgoto

§ Tratamento preliminar − tem a finalidade de remover características físico-químicas das águas residuárias. Tam-
sólidos grosseiros e é aplicado normalmente a qualquer bém utilizado para a remoção de sólidos em suspensão de
tipo de água residuária. Consiste de grade, peneiras, cai- efluentes de natureza orgânica. Consiste em coagulação/
xas de areia, caixas de retenção de óleos e graxas. floculação, precipitação química, oxidação, neutralização.
§ Tratamento primário − sistemas de tratamento de
águas residuárias de natureza orgânica, muito embora 5.4. Saneamento básico
seja utilizado para qualquer tipo de despejo. Tem a finali- O saneamento básico é um dos objetivos da área da saú-
dade de remover resíduos finos dos efluentes. Consiste de de pública, que lida com o controle ambiental, com a
tanques de flotação, decantadores, fossas sépticas, flocu- prevenção e o combate a doenças infectocontagiosas. As
lação/decantação. atividades sanitárias incluem o processamento e a distribui-
§ Tratamento secundário − é utilizado para a depuração ção de alimentos, no intuito de prevenir a contaminação
de águas residuárias através de processo biológico e tem dos produtos alimentícios durante os diversos estágios de
a finalidade de reduzir o teor de matéria orgânica solúvel manipulação. O sanitarismo supervisiona igualmente o tra-
nos despejos. Consiste de lodos ativados e suas variações, tamento de água potável e de esgotos, visando ao combate
filtros biológicos, lagoas aeradas, lagoas de estabilização, a bactérias, vírus, etc, e procurando reduzir os despejos de
digestor anaeróbico e fluxo ascendente e sistemas de dis- dejetos sólidos e produtos químicos nos rios, lagos e outros
posição no solo. recursos hídricos (de que se serve a população).
§ Tratamento terciário − é um estágio avançado de tra- As autoridades sanitárias são responsáveis ainda pelo con-
tamento de águas residuárias e visa à remoção de subs- trole ou erradicação de agentes transmissores de doenças,
tâncias não eliminadas a níveis desejados nos tratamentos como insetos e roedores, bem como o esclarecimento da
anteriores, como nutrientes, micro-organismos patogêni- população sobre a adoção de medidas sanitárias básicas.
cos, substâncias que causam cor nas águas, etc. Consiste
em lagoas e maturação, cloração, ozonização, filtros de 5.5. Eutrofização
carvão ativo, precipitação química em alguns casos.
Quando um corpo de água recebe uma grande quantida-
§ Tratamento de lodos − utilizado para todos os tipos de de de efluentes com matéria orgânica, dizemos que ele foi
lodos, visa à sua desidratação ou adequação para dispo- eutrofizado − alimentado. Efluentes são resíduos líquidos
sição final. Consiste de leitos de secagem, centrífugas, fil- de atividades de origem humana, sobretudo domésticos e
tros-prensa, filtros a vácuo, digestão aeróbia ou anaeróbia,
 VOLUME 3

industriais.
incineração, disposição no solo. A drenagem de fertilizantes e o lançamento de outros
§ Tratamento físico-químico − basicamente utilizado efluentes eleva a quantidade de matéria orgânica, em espe-
para as águas residuárias de natureza inorgânica, visa à cial de compostos ricos em nitrogênio e fósforo, o que esti-
remoção de sólidos em todas as formas e à alteração das mula a absorção de nutrientes pelas algas e o consequente

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  49


crescimento acelerado de suas populações (floração das mite a comunicação através da fala, nos alerta ou previne
águas). Com a proliferação de algas, aumenta-se a turbi- em muitas circunstâncias e até nos possibilita fazer ava-
dez da água, restringindo a fotossíntese para a superfície. liações de qualidade e diagnósticos. Contudo, com muita
Assim, eliminam-se os seres fotossintetizantes do fundo e frequência na sociedade moderna, o som nos incomoda.
multiplica-se ainda mais a quantidade de matéria orgânica Dessa forma, o som desagradável ou indesejável é cha-
disponível para decomposição. mado de ruído.
Em seguida, ocorre o crescimento de bactérias heterótrofas O ser humano moderno vem sendo submetido, cada vez
decompositoras e um maior consumo de oxigênio na degra- mais, a condições sonoras agressivas no ambiente em que
dação aeróbia, reduzindo a taxa desse gás dissolvido na vive, sendo prejudicado até mesmo nas chamadas horas de
água. Por conta disso, diversos organismos aeróbios, como lazer. Os sons que afetam a audição também têm outros
peixes, não sobrevivem. Desse modo, disponibiliza-se mais efeitos no corpo dos indivíduos. Seus efeitos principais na
matéria orgânica para decomposição e agrava-se o proble- saúde e bem-estar são:
ma da falta de oxigênio. Por fim, surge no meio anóxico § redução da capacidade auditiva;
compostos reduzidos e gases tóxicos, como o metano e os
§ resposta vegetativa, quer seja ela involuntária ou incons-
compostos de enxofre.
ciente (palpitação cardíaca, vasoconstrição periférica, etc.);
A demanda bioquímica de oxigênio (DBO) correspon-
§ cardiovascular (hipertensão arterial);
de à quantidade de oxigênio consumido na degradação da
matéria orgânica no meio aquático, assim é um indicador § incômodo no ambiente comunitário; no sono (altera-
de qualidade de águas e está associado à quantidade de ções fisiológicas, alterações vegetativas, mudança na
matéria orgânica presente. disposição, mudança na performance, aumento no ris-
co de acidentes, etc.).
O valor de 5 mg/ℓ significa que, para degradar totalmente
a matéria orgânica presente em 1 litro dessa água, são ne- § irritação geral; perturbação na comunicação e prejuízo
cessários 5 miligramas de oxigênio, ou seja, a água é boa. na concentração; associação de medo e ansiedade; es-
Quanto mais alto o valor da DBO, maior é a quantidade tresse e mudança na conduta social.
de matéria orgânica presente e, portanto, mais poluída está
a água. Aumentam a DBO de um corpo de água: sangue,
cadáveres, esgoto doméstico, detergentes, fertilizantes, es-
gotos industriais orgânicos, etc.
Os coliformes fecais são semelhantes em forma com a
bactéria Eschirichia coli, que vive nos intestinos humanos,
compondo sua flora, e podem estar presentes em efluen- multimídia: vídeo
tes indicando que foram contaminados por fezes humanas.
Fonte: Youtube
Ecologicamente, são importantes por representarem indi-
cadores ambientais de qualidade, uma vez que, se fo- A degradação da camada de ozônio e seus riscos...
rem encontrados na água de abastecimento, mostram que
houve contaminação dessa água por esgotos “in natura”.
De modo geral, altos índices de DBO indicam também gran-
des quantidades de coliformes fecais, caracterizando a água
7. A gestão de resíduos sólidos
como imprópria para o consumo. Fatores importantes interferem na produção de lixo: densi-
dade populacional, poder aquisitivo e, principalmente, hábi-
5.5.1. Maré vermelha tos de consumo. Esse quadro se agrava com a constatação
Fenômeno semelhante à eutrofização. Certas condições es- de uma evidente tendência de crescimento da geração de
pecíficas, como alteração na salinidade, oscilação térmica lixo, não apenas em termos absolutos (tonelada/dia), mas
da água e excesso de nutrientes, podem estimular o cresci- também em termos relativos (quilograma/habitante/dia).
mento de algas pirrofíceas unicelulares. Esses dinoflage- Além do crescimento populacional, o aumento de produção
lados liberam toxinas, alterando a cor da água, impedindo e consumo também tem contribuído significativamente.
a passagem de luz e ocasionando grande mortandade de
A composição dos resíduos sólidos domiciliares e comer-
diversos organismos.
ciais é influenciada por uma série de fatores que envolvem
 VOLUME 3

condições sociais do gerador, condições climáticas do local


6. Poluição sonora de geração, hábitos e costumes, entre outros. Dessa forma,
O som é parte tão comum da vida diária que, raramente, pode variar substancialmente no tempo, de país para país
apreciamos todos os seus usos. Como exemplo, nos per- ou mesmo de região para região.

50  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Quando o lixo não é coletado, tratado e disposto de forma ser o método sanitário mais simples de destinação final
adequada, pode causar a contaminação do solo e da água, de resíduos sólidos, o aterro sanitário exige cuidados
gerar odores, ou ainda atrair e propiciar a proliferação de especiais e técnicas específicas a serem seguidas, desde
patógenos e vetores. Dessa forma, a questão do lixo envol- a seleção e preparo da área até sua operação e moni-
ve aspectos sanitários, ambientais e de Saúde Pública. Essa toramento.
situação tem sido agravada com a presença constante de § Incineração − é o processo de combustão controla-
catadores em lixões, que, com muita frequência, têm sido da que pode ser resumidamente descrito como a quei-
desconsiderados ou relegados a um segundo plano pelos ma de materiais em alta temperatura (acima de 900
administradores públicos e privados. ºC), com uma mistura balanceada de componentes e
Com relação ao aspecto ambiental, a destinação inadequa- quantidades apropriadas de ar por um tempo prede-
da de resíduos em lixões traz como consequência a degra- terminado. É a forma mais segura, do ponto de vista
dação do meio ambiente, com a contaminação de recursos sanitário, para se eliminar resíduos sólidos de serviços
naturais. O tratamento e a destinação final dos resíduos ain- de saúde, de portos, aeroportos e terminais rodoviá-
da se resumem na adoção de soluções imediatistas, quase rios e ferroviários, aeronaves e navios internacionais,
sempre fundamentadas no simples descarte, predominando de alimentos deteriorados e de outros restos nocivos.
os depósitos a céu aberto que contribuem para a deterio- Além disso, dispensa a utilização de grandes áreas, ne-
ração ambiental. No estado de São Paulo, a grande quanti- cessárias à implantação dos outros processos; reduz o
dade de resíduos gerados reclama por soluções técnicas e resíduo sólido a, aproximadamente, 20% em peso e a
institucionais adequadas, calcadas nas realidades regionais 5% em volume do original; torna biologicamente ino-
e cuja implementação não pode mais ser protelada. fensivo o resultado sólido do processo, escória e cinza,
o qual poderá ser aproveitado como material inerte
A RESPONSABILIDADE DE CADA para cobertura em aterros sanitários.
UM PARA CADA TIPO DE LIXO
§ Compostagem − é o conjunto de técnicas que es-
Tipo Responsável Destinação usual
timula o processo biológico de decomposição de ma-
reciclagem / compos- teria orgânica. Desse processo, origina-se um produ-
domiciliar prefeitura
tagem / aterros
to rico em substâncias húmicas e nutrientes minerais,
reciclagem / compos-
comercial prefeitura
tagem / aterros
o que pode ser aplicado ao solo para melhorar suas
reciclagem / compos-
características, sem causar riscos ao meio ambiente.
público prefeitura Para a aplicação da compostagem é necessária a ins-
tagem / aterros
gerador talação de uma usina de triagem e compostagem. A
serviços de saúde incineração
(hospitais, etc.) instalação desse tipo de usina acarreta uma redução
industrial
gerador
aterros industriais
de 70%, em média, da tonelagem de lixo destinada
(indústrias) ao aterro, com a consequente redução dos custos de
portos, aeropor- gerador reciclagem / compos- aterramento por quantidade coletada e aumento da
tos e terminais (portos, etc.) tagem / aterros
vida útil da área destinada à sua disposição.
gerador
agrícola
(agricultor)
compostagem / aterros § Reutilização e reciclagem − o objetivo básico é
evitar a passagem descontrolada de materiais e obje-
entulho gerador aterros industriais
tos usados – os resíduos – para o meio ambiente. A
Tabela com a responsabilidade da administração
pública para cada tipo de lixo
reutilização difere da reciclagem como conceito, pois
trata do aproveitamento do resíduo gerado sem que o
As formas de disposição final para esses resíduos devem mesmo sofra qualquer tipo de alteração ou processo,
ser aquelas que por si só ou associadas a um determina- excetuando-se a limpeza, como garrafas retornáveis
do tratamento prévio impeçam a disseminação de agentes de refrigerantes e cervejas. Já a reciclagem refere-se ao
patogênicos ou de qualquer outra forma de contaminação. aproveitamento dos resíduos para, após uma série de
Dentre as estratégias adotadas, destacam-se: processamentos, retornar ao processo produtivo, como
§ Aterro sanitário − tem como objetivo acomodar, no matéria-prima, daí gerando produtos novos. São exem-
 VOLUME 3

solo, resíduos, no menor espaço possível, sem causar plos as garrafas não retornáveis de cervejas e outras be-
danos ao meio ambiente ou à saúde pública. Essa técni- bidas, que podem ser separadas do lixo e encaminhadas
ca consiste basicamente na compactação dos resíduos à indústria de fabricação de vidro, onde são utilizadas
no solo, na forma de camadas que são periodicamente como matéria-prima no processo, gerando novos pro-
cobertas com terra ou outro material inerte. Apesar de dutos de vidro.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  51


A triagem é, no entanto, apenas uma das etapas do pro- rendimento na escola. No adulto gera mal-estar, e sua ca-
cesso de reciclagem, sendo que o resíduo triado deve pacidade física fica muito reduzida, além disso, as mulheres
ainda passar pelas etapas de beneficiamento (seleção, acabam gerando filhos prematuros.
lavagem, classificação, moagem, etc.) e reúso, a fim de A solução para esse problema estaria na implantação de
completar o ciclo de aproveitamento. um sistema mais justo, com ênfase nos projetos sociais
As vantagens da reciclagem são: para a geração do bem comum. Deveriam ser investidos re-
1. diminuição do volume de lixo a ser disposto no ambien- cursos na agricultura familiar; desapropriação de terras im-
te, requerendo para isso áreas menores de disposição; produtivas, onde os assentados passariam a produzir seus
2. redução do consumo de energia, economizando recur- próprios alimentos e fornecê-los à cidade; investimentos
sos naturais, quase sempre não renováveis; em programas de combate à fome e à miséria, bem como
3. redução dos custos de matérias-primas industriais; abastecimento de água potável e saneamento básico para
toda a população. A educação e a saúde também deveriam
4. incentivo às atividades envolvidas com a reciclagem,
ser prioridades dos órgãos competentes.
incluindo a implantação de microempresas reciclado-
ras, com consequente aumento do nível da mão de Segundo a FAO, os países com maior número de famélicos
obra economicamente ativa; no mundo são os que apresentam as maiores dívidas ex-
5. economia de certas matérias-primas provenientes de ternas. Por isso, a FAO defende o perdão da dívida desses
recursos naturais não renováveis; países mais pobres.
6. promoção do desenvolvimento de uma consciência No Brasil, a fome e a miséria se localizam principalmente
ambiental nas populações. nas regiões Nordeste e Sudeste, no entanto, no Norte, Sul
e Centro-Oeste existam casos apavorantes de miséria. Dos
8. Principais questões aproximadamente 213 milhões de brasileiros, mais da me-
tade vive em situação de insegurança [Link] a pan-
ambientais da Terra demia do Coronavírus, a quantidades de pessoas abaixo da
linha da pobreza aumentou, atingindo cerca de 27 milhoes
8.1. Pobreza e desigualdade de brasileiros (12,8% da população).
A população mundial, em 1950, era de 2,5 bilhões de ha- Atualmente, cerca de 8 países possuem mais de 1/4 da po-
bitantes. Hoje, é de 7,7 bilhões, e chegará a 8,5 bilhões em pulação em estado de fome. Outros 8 possuem problemas
2025. Cerca de 3,4 bilhões de pessoas vivem com menos sérios em torno da alimentação. Para se ter uma ideia da
de US$ 5,50 por dia. Mais de 4,2 bilhões não vivem em gravidade nesses países, a ausência de mais de 100
condições sanitárias decentes e adequadas, incluindo aces- calorias diárias por pessoa é considerada fome
so ao saneamento básico, segundo Organização Mundial crônica. Nesses países, o deficit é de mais de 400 calorias
da Saúde (OMS). 800 milhões, entre eles 150 milhões de diárias pelas pessoas atingidas pela fome. Para chegar a
crianças, são desnutridos. 80% da riqueza mundial está nas esses dados, a ONU comparou o consumo de calorias mí-
mãos de 1% da população. nimas, estabelecido com o consumo de alimentos em cada
De acordo com o relatório anual sobre a fome no planeta, nação. O continente mais atingido por essa praga continua
divulgado pela Organização para Agricultura e Alimenta- sendo a África, seguido pela Ásia e América.
ção (FAO), entidade ligada à Organização das Nações Uni- O Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, calculado
das (ONU), cerca de 826 milhões de pessoas são vítimas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
da fome em seu estágio mais avançado (a fome crônica), (PNUD), verifica o nível de desenvolvimento ou de subde-
representando quase 1/6 da população mundial. O objeti- senvolvimento de um país com base na consideração de três
vo era reduzir o número de vítimas da fome pela metade níveis sociais básicos:
até 2015. No entanto, segundo os últimos estudos e le- § nível de instrução da população (levando em con-
vantamentos realizados pela FAO, essa meta é inatingível. ta, por exemplo, a taxa de analfabetismo e os anos de
Conforme a FAO, a fome no mundo diminuiu 14% nos úl- escolaridade);
timos anos, mas a produção de alimentos aumentou 32%.
§ nível de saúde (abrangendo, por exemplo, a expecta-
O problema maior está na má distribuição desses alimen-
tiva de vida e a taxa de mortalidade infantil); e
 VOLUME 3

tos, ou seja, enquanto nos países subdesenvolvidos ocorre


a carência de alimentos para a população, nos países ricos § nível de renda (considerando a capacidade de com-
pra em cada país).
as pessoas consomem mais calorias diárias do que necessi-
tam. Foi provado cientificamente que a fome crônica reduz Com relação à escala usada na construção do índice, obser-
a capacidade de aprendizado das crianças, diminuindo o va-se que ele varia de 0 a 1, situando-se mais próximo de

52  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


1 os países de melhor nível social e de 0 os países de pior 8.3. O desaparecimento das florestas
nível social. Os três países que apresentaram melhor IDH
nos últimos índices foram Noruega (0,957), Irlanda (0,955) As florestas cobrem 30% das terras emersas. 81% das flo-
e Suiça (0,955). Hoje em dia, o país se encontra em 84º e restas virgens ou preservadas do planeta Terra se concen-
continua decaindo de posição, evidenciando suas profun- tram em apenas 15 países. Sua superfície total vem dimi-
das desigualdades. nuindo sob a pressão da indústria madeireira, da atividade
extrativista e do aumento da área urbana. O Brasil tem
8.2. Mudanças climáticas
avançado no seu compromisso de transformar pelo menos
Epidemias de doenças, mares engolindo cidades litorâneas, 10% do território amazônico em unidades de conservação.
furacões e enchentes levando tudo pela frente, escassez de
No planeta, segundo a Comissão Mundial de Áreas Prote-
água potável e espécies em extinção são as possíveis con-
gidas, as áreas oficialmente protegidas passaram de 7,35
sequências do aquecimento global, que infelizmente já vem
milhões de quilômetros quadrados, em 1990, para 13,2 mi-
acontecendo. A mudança climática do planeta é resultado
lhões, distribuídos entre 30 mil parques e reservas. Entretan-
do aumento da concentração de gases de efeito estufa na
to, as queimadas na Amazônia atingem o equivalente a um
atmosfera, causado por atividades humanas.
estado de Sergipe todo ano.
Para evitar que o planeta fique cada vez mais quente, du-
rante a Rio-92 um grupo de países assinou a “Convenção 8.4. Acesso à água
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima” (UN-
FCCC) e, em 1997, no Japão, foi adotado o Protocolo de Mesmo sabendo que 2/3 da água potável do planeta Ter-
Kyoto, um tratado com compromissos mais rígidos para a ra estão concentrados no continente Antártico, 1 em cada
redução da emissão dos gases que provocam o efeito estu- 5 habitantes no mundo não possui acesso à água potá-
fa. Apesar dos compromissos assumidos na Rio-92, as con- vel. Um estudo mostra que 75% da população de alguns
venções de Biodiversidade e de Mudança Climática ainda países da África não possuem acesso à água potável. Na
não viraram realidade. África, dos 53 países do continente, 13 já sofrem com a
Os Estados Unidos são um dos principais obstáculos para escassez de água. A metade dos rios do mundo está num
o fechamento dos acordos internacionais. Dez anos depois, nível muito abaixo do normal ou poluída. Na China, o lixo
as duas convenções – de Biodiversidade e de Mudança e o esgoto produzidos são simplesmente abandonados
Climática – e o pacto – a Agenda 21 – ainda não estão a céu aberto ou despejados em cursos de água, desse
implementados. modo, 80% dos rios do país estão de tal forma poluídos
Dos três documentos, o que está mais longe de ser posto que os peixes desapareceram.
em prática é o relativo ao clima. A Organização das Nações A queda do nível dos lençóis freáticos se tornou um sério
Unidas (ONU) já promoveu sete encontros mundiais, depois problema em algumas regiões.
da Rio-92, para tentar implementar as ações de controle do O Brasil é campeão em águas superficiais, com 12% das
efeito estufa, que provoca o aquecimento da Terra.
reservas do globo, e o terceiro maior país do mundo em
O Protocolo de Kyoto consiste num engenhoso esquema reservas aquíferas, e o primeiro em águas correntes com
destinado a reduzir, em escala global, a emissão de gases, o 8% das reservas de água do mundo, boa parte delas
principal dos quais é o dióxido de carbono (CO2). Consiste presente no subsolo; no entanto, o país trata mal suas
em permitir a negociabilidade das reduções de emissão de reservas aquíferas e mananciais, e cerca de 35 milhões de
CO2 entre companhias de diferentes países, mas isso é só na brasileiros não possuem acesso à água potável.
teoria, pois na prática o mercado de CO2, inevitavelmente,
Esse imenso patrimônio nacional enfrenta problemas de
surge com transações e muito dinheiro em jogo.
contaminação e exploração desordenada. Não há regu-
O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), um dos
lamentação para a exploração das águas subterrâneas,
principais instrumentos do Protocolo de Kyoto, permite que
vítimas de todo o tipo de poluição e descaso. Outra forma
empresas e países industrializados que não conseguirem
de poluição é a contaminação dos lixões, aterros sanitá-
reduzir suas emissões aos limites exigidos patrocinem pro-
rios e resíduos de matéria orgânica (no Brasil, 90% dos
jetos de plantio de árvores ou adoção de energias não po-
resíduos são destinados a aterros e lixões a céu aberto,
 VOLUME 3

luentes em países em desenvolvimento. Em troca, o patro-


e apenas 20% recebem algum tipo de tratamento), que
cinador recebe créditos que podem ser comercializados em
penetram no solo e contaminam os lençóis freáticos.
bolsas de valores. O MDL é um instrumento muito criativo
de transferência de recursos do Norte para o Sul, capaz de O mau uso dos aquíferos subterrâneos diminui a recarga
beneficiar a todos. de base dos rios, ou seja, se eles diminuírem de tamanho,

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  53


rios que ficam perenes mesmo na estiagem podem secar ameaçadas de extinção. A diversidade vegetal desse ecos-
definitivamente, como exemplo, o rio São Francisco, que sistema é a que corre mais perigo, porque a colonização do
está com vazão inferior a mil metros cúbicos, quando nos Brasil começou pela região litorânea. As indústrias, fazendas
últimos anos chegava a 2.200 metros cúbicos. e cidades, no entanto, continuam avançando, e atualmente
60% da Caatinga e 80% do Cerrado estão impactados.
8.5. Espécies ameaçadas Os EUA não assinaram a Convenção sobre Diver-
Cerca de 26.500 mil espécies animais estão ameaçadas de sidade Biológica (CDB), nem sequer o Protocolo de
extinção nas próximas décadas, principalmente pela destrui- Cartagena. A CDB, lançada na Rio-92, regulamenta o
ção do seu habitat. O processo atual de extinção em massa uso da biodiversidade e biossegurança de organismos
de espécies é comparável apenas com o que ocorreu há 65 geneticamente modificados entre os países. A coleta de
milhões de anos, quando de 70% a 85% de todos os se- assinaturas e ratificações começou em janeiro de 2000
res vivos existentes na época desapareceram do planeta. A e, até hoje, 15 países ratificaram e 94 assinaram. Para
diferença é que, na transição do período Cretáceo para o entrar em vigor, o protocolo precisa ser ratificado por pelo
Terciário, a extinção foi causada por processos naturais e menos 50 países. Em junho de 2002, em Haia, na Ho-
aconteceu durante milhões de anos. landa, houve um acordo mundial para impedir a posse
Cientificamente, uma espécie é considerada extinta quando de conhecimentos sobre plantas medicinais de países em
não é vista na natureza por mais de 50 anos. Atualmen- desenvolvimento e posterior patenteamento de produtos
te, a estimativa é a de que de 17.500 a 27.000 espécies fabricados com esses conhecimentos.
desapareçam do planeta ao ano. No Brasil, são 3.299 as Para o Brasil, um dos chamados países megadiversos, o acor-
espécies de plantas ameaçadas de extinção. O levantamen- do deverá proporcionar compensação na forma de treina-
to inclui todos os ecossistemas brasileiros: Amazônia, Mata mento, royalties e transferência de tecnologia, além da parti-
Atlântica, Caatinga, Cerrado, Pantanal e Pampas. Mas é na cipação nos lucros da comercialização dos produtos.
Mata Atlântica onde está a maior quantidade de plantas
 VOLUME 3

54  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 9
Compreender o significado e a importância da água e de seu ciclo para a manutenção da vida, em sua rela-
ção com condições socioambientais, sabendo quantificar variações de temperatura e mudanças de fase em
processos naturais e de intervenção humana.

A água é de suma importância para vida, servindo como meio para realização das reações metabólicas de
todos os organismos, como também atua como habitat de diferentes espécies, seja quando está em estado
líquido ou sólido. Sendo assim, a cobrança desse assunto nas provas do Enem pode apresentar diferentes
abordagens, exigindo que o aluno saiba fazer uma análise crítica do ciclo hidrológico e dos impactos cau-
sados devido a sua alteração.

MODELO 1

(Enem) Nos últimos 50 anos, as temperaturas de inverno na península Antártica subiram quase 6 °C. Ao con-
trário do esperado, o aquecimento tem aumentado a precipitação de neve. Isso ocorre porque o gelo marinho,
que forma um manto impermeável sobre o oceano, está derretendo devido à elevação de temperatura, o que
permite que mais umidade escape para a atmosfera. Essa umidade cai na forma de neve.
Logo depois de chegar a essa região, certa espécie de pinguins precisa de solos nus para construir seus ninhos
de pedregulhos. Se a neve não derrete a tempo, eles põem seus ovos sobre ela. Quando a neve finalmente
derrete, os ovos se encharcam de água e goram.
Adaptado de: Scientific American Brasil, ano 2, n. 21, 2004, p. 80.

A partir do texto, analise as seguintes afirmativas:


I. O aumento da temperatura global interfere no ciclo da água na península Antártica.
II. O aquecimento global pode interferir no ciclo de vida de espécies típicas de região de clima polar.
III. A existência de água em estado sólido constitui fator crucial para a manutenção da vida em alguns biomas.
É correto o que se afirma:
a) apenas em I;
b) apenas em II;
c) apenas em I e II;
d) apenas em II e III;
e) em I, II e III.

ANÁLISE EXPOSITIVA

O aquecimento global é um dos problemas ambientais mais em pauta atualmente, devido a sua amplitude
geográfica e diversidade de impactos em ambientes naturais ou diretamente nas atividades humanas. O au-
mento da temperatura no planeta impacta diretamente o ciclo da água, que, em ambientes polares, causará
a redução de habitats com o derretimento das calotas e outras consequências indiretas que afetarão o ciclo
de vida dos animais nesses ambientes, dificultando a alimentação e reprodução, como no caso descrito no
texto de apoio.

RESPOSTA Alternativa E
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  55


DIAGRAMA DE IDEIAS

PROBLEMAS AMBIENTAIS

POLUIÇÃO DA ATMOSFERA

• AUMENTO DO EFEITO ESTUFA (CO2, CH4)


• CHUVA ÁCDA (ÓXIDOS DE NITROGÊNIO E/OU ENXOFRE)
• BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO (CFC)

POLUIÇÃO DAS ÁGUAS

• EUTROFIZAÇÃO (LANÇAMENTO DE ESGOTOS E/OU FERTILIZANTES)


• MAGNIFICAÇÃO TRÓFICA (ACUMULAÇÃO DE METAIS PESADOS E AGROTÓXICOS)

DESMATAMENTO

• PERDA DA BIODIVERSIDADE
• ASSOREAMENTO DE RIOS
• DESERTIFICAÇÃO

TRATAMENTO DE ESGOTO • PRELIMINAR


• PRIMÁRIO
• SECUNDÁRIO
• TERCIÁRIO

GESTÃO DE RESÍDUOS • ATERRO SANITÁRIO


• INCINERAÇÃO
• COMPOSTAGEM
• RECICLAGEM
 VOLUME 3

56  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


TIPOS DE
REPRODUÇÃO E
2. Reprodução assexuada
A reprodução assexuada permite a formação de novos indiví-
CICLOS DE VIDA duos a partir de um só progenitor, sem que haja a mistura de

CN
material genético ou a intervenção de células especializadas
(gametas). Desse modo, não há fecundação e, consequente-
COMPETÊNCIA(s)
mente, não ocorre formação do zigoto.
4e8 Nesse tipo de reprodução, os descendentes desenvolvem-se
a partir de uma célula ou de um conjunto de células do pro-

AULAS HABILIDADE(s)
13, 16 e 28
genitor. Logo, a partir de um só organismo podem formar-se
numerosos indivíduos geneticamente idênticos, os chamados

25 E 26 clones. Excepcionalmente podem surgir diferenças quando


por acaso ocorre uma alteração genética (mutação).
Por conta dessas características, a reprodução assexuada
possibilita que organismos isolados produzam descenden-
tes sem a necessidade de parceiro e com menos gasto de
energia. Além disso, origina uma descendência numerosa em
curto espaço de tempo, o que permite a colonização rápida
de um habitat e perpetua organismos bem adaptados a am-
bientes favoráveis e estáveis. Dentre as vantagens econômi-

1. Introdução cas, como na produção vegetal, destaca-se a possibilidade


de selecionar e reproduzir variedades de plantas em grande
A reprodução é uma característica fundamental dos seres número, de modo rápido e conservando as características de
vivos. Permitindo a formação de novos indivíduos, assegura interesse.
a perpetuação das espécies e, consequentemente, a con- Porém, a reprodução assexuada não assegura a variabilida-
tinuidade da vida no nosso planeta. É através da repro- de genética, o que torna a espécie vulnerável a mudanças
dução que o material genético é transmitido de geração ambientais. Muito dos organismos que se reproduzem asse-
em geração, por vezes mantendo as características, outras xuadamenteReprodução assexuada
também o podem fazer sexuadamente, quando
produzindo algumas alterações. as condiçõesProcessos
do meio foremmais comuns
desfavoráveis. Os seres vivos
que intercalam periodicamente os dois tipos de reprodução
A formação de novos indivíduos e, consequentemente, a
possuem um ciclo de vida com alternância de gerações.
perpetuação das espécies dependem da sua adaptação
Reprodução assexuada
ao meio ambiente. Quando essa adaptação é adequada, Processos

a reprodução deverá manter e transmitir as características. mais comuns

Porém, caso o meio se altere e deixe de ser favorável, a Bipartição Gemulação


Divisão
Múltipla
Multiplicação
vegetativa Partenogénese
Partenogênese Esporulação Fragmentação

sobrevivência da espécie dependerá da sua capacidade de


adaptação às novas condições.

Em nível molecular, a reprodução pode ocorrer através de


síntese e acúmulo ou duplicação de substâncias (enzimas,
DNA, RNA, etc.). Implica no aumento do tamanho da cé- Resumo dos processos mais comuns de reprodução assexuada
lula e pode ser seguida pela reprodução celular que, nos
eucariotos, consiste de duas etapas consecutivas, a divisão
do núcleo (cariocinese) e do citoplasma (citocinese).
Numerosos tipos diferentes de estratégias reprodutivas são
adotados pelos seres vivos, de modo a ultrapassar as incer-
tezas do meio e assegurar a produção de novas gerações.
multimídia: vídeo
 VOLUME 3

De modo geral, podem-se agrupar esses mecanismos em


dois processos básicos: reprodução assexuada e re-
Fonte: Youtube
produção sexuada.
Reprodução SEXUADA e ASSEXUADA

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  57


2.1. Bipartição
Esse tipo de reprodução ocorre em procariontes (bactérias)
e em grupos de organismos eucariontes unicelulares, como
protozoários e algas. A bipartição, também denominada
cissiparidade ou divisão binária, consiste na separação
A - Estrela-do-mar
de um organismo em dois indivíduos de tamanho semelhan-
te, que crescem e atingem as dimensões do progenitor.

B - Planária

A - Estrela-do-mar
Figura 1 Figura 2
Fragmentação em estrelas-do-mar e planárias
Processo de divisão binária bacteriana

2.4. Gemulação
Na gemulação ou gemiparidade, há a formação de
expansões, chamadas gomos ou gemas, na superfície da
Figura 1 Figura 2
célula ou do indivíduo que, ao separarem-se, dão origem
a novos organismos, geralmente de menor tamanho que o
Cissiparidade em protozoários do gênero Paramecium
progenitor. Ocorre em seres unicelulares, como as leveduras
(tipo de fungo), e pluricelulares, como a esponja e a hidra.
2.2. Divisão mútipla
A divisão múltipla, também denominada pluriparti-
ção ou esquizogonia, ocorre em organismos eucariontes
unicelulares, como protozoários. Nesse tipo de reprodução
assexuada, o núcleo também se denomina de pluripar-
tição ou esquizogonia. Na divisão múltipla, o núcleo
da célula-mãe divide-se em vários núcleos. Depois, cada
núcleo rodeia-se de uma porção de citoplasma e de uma
membrana, dando origem às células-filhas, que são liberta-
das quando a membrana da célula-mãe se rompe.

A primeira imagem mostra a gemulação em


A primeira figura esquematiza a formação das múltiplas leveduras e a segunda em hidras.

células-filha, enquanto a segunda representa a esquizogonia


em hemácias parasitadas pelo Plasmodium
2.5. Partenogênese
2.3. Fragmentação A partenogênese se caracteriza pelo desenvolvimento
de um organismo a partir de um óvulo não fecundado. O
A fragmentação é um tipo de reprodução assexuada em exemplo mais clássico ocorre no desenvolvimento do zan-
 VOLUME 3

que vários indivíduos são obtidos a partir da regeneração gão em abelhas, mas essa reprodução assexuada está pre-
de fragmentos de um organismo progenitor. Ocorre em al- sente também em outros invertebrados (como pulgões e
gas, plantas e animais invertebrados, como alguns equino- dáfnias), plantas e em alguma espécies de peixes, anfíbios
dermos e platelmintos. e répteis.

58  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


§ Estolhos: certas plantas, como o morangueiro, produ-
zem plantas novas a partir de caules prostrados cha-
mados estolhos. Cada estolho parte do caule principal
e origina várias plantas novas, o caule principal morre
assim que as novas plântulas desenvolvem as suas pró-
prias raízes e folhas.

§ Rizomas: os lírios, o bambu e a bananeira, por exem-


po, possuem caules subterrâneos alongados e com
substâncias de reserva, denominados rizomas. Estes,
além de permitirem à planta sobreviver em condições
desfavoráveis, podem alongar-se, originando gemas
que se vão diferenciar em novas plantas.
Partenogênese em Dáfnia e em Abelhas

2.6. Esporulação
Consiste na formação de novos seres vivos a partir de cé-
lulas especiais denominadas esporos, as quais possuem
uma camada protetora espessa e resistente a ambientes
desfavoráveis. A esporulação ocorre em bactérias, algas,
plantas (como a samambaia representada na figura A) e
fungos (figura B). A esporulação é um processo de repro- Foto de um rizoma. Observe como em determinados pontos
é possível formar raízes, ramos aéreos e folhas.
dução comum em pteridófitas (figura A).
Esporos
§ Tubérculos: os tubérculos são caules subterrâneos vo-
Esporângio lumosos e ricos em substâncias de reserva, sendo a ba-
Hifas
tata um dos mais conhecidos. Os tubérculos possuem
Micélio

gomos com capacidade germinativa e que originam


novas plantas.
Figura A Figura B
Figura A Figura B

2.7. Multiplicação vegetativa


Esse tipo de reprodução assexuada é exclusivo das
plantas. Existem vários processos de multiplicação vege-
tativa, que se dividem em dois grandes grupos.
1. Multiplicação vegetativa natural − A planta-mãe Gemas brotando em um tubérculo de batata
pode originar novas plantas a partir das várias parte que
a constituem, como as folhas, os caules aéreos (estolhos), § Bulbos: são caules subterrâneos arredondados, com
ou os caules subterrâneos (rizomas, tubérculos e bolbos). um gomo terminal rodeado por camadas de folhas
carnudas, ricas em substâncias de reserva. Quando as
§ Folhas: certas plantas desenvolvem pequenas plân- condições do meio são favoráveis, formam-se gomos
tulas nas margens das folhas. Estas, ao cair no solo, laterais, que se rodeiam de novas folhas carnudas e ori-
desenvolvem-se e dão origem a uma planta adulta. ginam novas plantas. Alguns dos bulbos mais conheci-
dos são a cebola e a tulipa.
 VOLUME 3

Formação de novos indivíduos na borda das Bulbos de alho e cebola.


folhas da suculenta mãe-de-milhares.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  59


2. Multiplicação vegetativa artificial − Esse tipo de semelhantes. A parte que recebe o enxerto chama-se
reprodução assexuada tem sido largamente utilizado no cavalo e a parte doadora chama-se garfo ou cavaleiro.
setor agroflorestal para a multiplicação vegetativa de plan- A união do tecidos não é completa e assim são con-
tas. Os mais comuns são a estaca, a mergulhia e a enxertia. sideradas duas plantas: uma contribui com o sistema
§ Estaca: esse tipo de multiplicação vegetativa consis- radicular e absorve seiva bruta, enquanto a outra forma
te na introdução de ramos da planta-mãe no solo, a a copa, flores e frutos e realiza fotossíntese. Existem
partir dos quais surgem raízes e gomos que originam vários tipos de enxertia: a enxertia por garfo, a enxertia
por encosto e a enxertia por borbulha.
uma nova planta. A videira e a roseira se reproduzem
desse modo.

Enxerto
garfo

Ráfia

Representação do processo de estaquia, em que raízes e gomos


se desenvolvem após o plantio do ramo em meio úmido.
Porta-enxerto
Na enxertia por garfo, o cavalo é cortado transversalmente
e introduz-se nele a planta de interesse.

multimídia: site

[Link]/conteudos/embriologia/reprodu-
[Link]
[Link]/conteudos/embriologia/repro-
[Link] Na enxertia por encosto, os ramos descascados de duas
plantas são unidos. Após a cicatrização, corta-se os ramos
de forma que a nova planta é constituída pelo sistema
radicular e tronco do cavalo e pelos ramos do cavaleiro.
§ Mergulhia: esse tipo de multiplicação vegetativa con-
siste em dobrar um ramo da planta-mãe até enterrá-lo
no solo. A parte enterrada irá ganhar raízes e, enraiza-
da, pode separar-se da planta-mãe, obtendo-se, assim,
uma planta independente.
 VOLUME 3

Imagem do desenvolvimento de uma nova


planta por meio da mergulhia

§ Enxertia: consiste na junção das superfícies cortadas Na enxertia por borbulha, a planta receptora é cortada
em forma de T para receber o enxerto, constituído por um
de duas partes de plantas diferentes. As plantas uti-
pedaço de casca contendo um gomo da planta doadora.
lizadas são da mesma espécie, ou de espécies muito

60  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


3. Reprodução sexuada
Na reprodução sexuada, há mistura de material genético por meio de células haploide, os gametas, que se fundem
por meio da fecundação e formam uma célula-ovo ou zigoto diploide. Dependendo do ciclo de vida do organismo, o
zigoto passa por uma meiose ou mitose inicial. Após essa primeira divisão, sofre mitoses consecutivas para originar um
novo indivíduo.
Na conjugação, geralmente realizada por bactérias e alguns protozoários, há troca de material genético sem a produção
de um novo descendente. Não é consenso se esses e outros processos de transmissão genética sem a formação de gametas
ou novos indivíduos são considerados formas de reprodução sexuada. Fungos, por exemplo, podem realizar um mecanismo
de recombinação gênica denominado parassexualidade.
A reprodução sexuada implica a alternância regular de dois eventos críticos relacionados à ploidia do organismo e ao desen-
volvimento de gametas. Na meiose há divisão reducional do número de cromossomos à metade e eventos de recombinação
gênica, enquanto na fecundação ocorre a fusão dos núcleos gaméticos para a formação de um novo organismo. Assim, a
função primordial da reprodução sexuada é introduzir variabilidade genética.

Uma das mais fascinantes questões da Biologia evolutiva envolve as razões da manutenção da reprodução sexuada entre os
seres vivos. Esse processo está associado a um elevado dispêndio energético (disputas territoriais e acasalamentos) e expõe os
indivíduos a uma série de riscos, como predação, parasitismo e ferimentos causados em disputas por parceiros.
A reprodução é o mecanismo que garante a transmissão das características genéticas de um indivíduo para a sua prole.
Os organismos mais adaptados ao ambiente têm maior sucesso reprodutivo e, com o passar do tempo, os genes que
conferem essa vantagem evolutiva aos seus portadores tornam-se mais representados na população.
Algumas fêmeas fazem “seleção sexual” dos machos mais aptos para se reproduzirem a partir de características como
plumagem, coloração e uma série de comportamentos exibidos pelos machos durante o período de acasalamento. Essas
características, contudo, tornam esses indivíduos mais vulneráveis a predadores. Esse risco também é elevado durante o
período em que as fêmeas ou o casal têm de cuidar da sua prole.
Portanto, se existem tantos riscos e gastos energéticos envolvidos com a reprodução sexuada, por que motivo os
seres vivos não passam a reproduzirem-se assexuadamente como as bactérias e outros organismos primitivos?
Os processos de formação de gametas e a fecundação, que ocorrem na reprodução sexuada, promovem a variabi-
lidade genética das populações, justificando a opção por esse tipo de estratégia. A presença de populações geneti-
camente heterogêneas é um fator chave para a sobrevivência a longo prazo das espécies do nosso planeta. Quanto
mais cópias diferentes dos seus genes uma espécie possuir, mais apta estará para enfrentar mudanças ambientais
e novas pressões seletivas, evitando, por mais tempo, a sua extinção.

Os tipos de ciclo de vida sexuados, portanto, podem ser organizados de acordo com o tipo de meiose realizada e com a ploidia
dos indivíduos adultos. Assim, antes de entender os diferentes tipos de ciclo sexuado retomaremos o conteúdo de meiose.

VIVENCIANDO

As bactérias podem se reproduzir tanto sexuada (conjugação, transdução, transformação) quanto assexuadamente
(bipartição) e, assim, passar os genes de resistência para as próximas gerações. Com a compreensão da reprodução,
bacteriana foi possível entender melhor a resistência bacteriana, bem como os possíveis mecanismos para o controle
 VOLUME 3

desse parasita.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  61


3.1. Meiose 3.3. Ciclo haplobionte
A meiose é um tipo de divisão celular que reduz para me- No ciclo de vida haplobionte ou haplobionte haplonte,
tade o número de cromossomas das células. É através da o organismo adulto haploide produz gametas por mitose.
meiose que uma célula diploide origina células haploides. Por Após a fecundação, o zigoto divide-se imediatamente por
convenção, células ou organismos haploides são representa- meio de uma meiose zigótica e forma quatro células
dos por n, enquanto os diploides são simbolizados por 2n. haploides. Cada uma dessas sofre mitoses consecutivas
A meiose, tal como a mitose, é precedida pela replicação e origina mais células haploides ou então um organismo
do DNA dos cromossomos. multicelular haploide. Esse tipo de ciclo de vida é típico dos
fungos e encontrado também em certas algas.
A essa replicação seguem-se duas divisões. Na divisão redu-
cional, um núcleo 2n origina dois núcleos n, com DIPLOBIONTE
cromosso- HAPLOBIONTE HAPLOIDIPLOBIONTE
mos constituídos por duas cromátides, havendo uma redução
Fecundação Zigoto Fecundação Mitose Fecundação Zigoto
do número de cromossomos. Na divisão equacional, + ocorre a Fecundação
+ Zigoto +
2n
separação das cromátides, obtendo-se quatro núcleos haploi- 2n
Organismo 2n
des, cujos cromossomos são constituídos por uma cromátide. adulto (n)

Assim, essas divisões originam a formação de quatro cé- 2n


2n
lulas diferentes entre si, cada uma delas com metade do
número de cromossomos da célula inicial.
Par de cromossomas
homólogos (2n)
Meiose Meiose
Meiosezigótica Meiose
ORGANISMO DIPLONTE
Par de cromossomas
ORGANISMO HAPLONTE ORGANISMO HAPLODIPLONTE
homólogos - cada
cromossoma com dois
cromatidios-irmãos (2n) Para formar um novo organismo haplonte após a
fecundação, é necessário realizar uma meiose zigótica

Um cromossoma de cada

3.4. Ciclo haplodiplobionte


par de homólogos - cada
cromossoma com dois
cromatidios-irmãos (n)

O ciclo de vida haplodiplobionte ou diplobionte ocorre


Um cromossoma de cada
par de homólogos (n) em todas as plantas e em algumas algas e é caracterizado
pela alternância de gerações entre dois organismos adul-
Representação da meiose, demonstrando a ploidia de cada etapa
tos com ploidias diferentes, um haploide e outro diploide.

3.2. Ciclo diplobionte O indivíduo diploide, denominado esporófito, forma es-


poros haploides por meio da meiose espórica. Esses
Nesse ciclo, também chamado de haplobionte diplon- esporos passam por divisões mitóticas e originam um or-
te, o organismo adulto diploide produz células sexuais ha- ganismo multicelular haploide, o gametófito, que produz
ploides por meio de uma meiose gamética. Os gametas gametas por mitose. Os gametas, então, se fundem e ge-
fundem-se para formar um zigoto diploide que, por meio ram um zigoto diploide que se diferencia, novamente por
de mitoses, se desenvolve em um novo indivíduo. Esse tipo mitose, em um novo esporófito.
de ciclo de vida é típico da maioria dos animais e de alguns
DIPLOBIONTE
protoctistas, assim HAPLOBIONTE
como de algumas algas verdes e pardas. HAPLODIPLOBIONTE
HAPLOIDIPLOBIONTE
Fecundação Zigoto Fecundação Mitose
Fecundação Zigoto

+
DIPLOBIONTE + HAPLOBIONTE
Zigoto
Fecundação
HAPLOIDIPLOBIONTE
+
2n
Fecundação Zigoto
2n Fecundação Fecundação Zigoto
+ Zigoto
2n +
+
Organismo 2n
2n adulto (n)
2n 2n organismo
Mitose 2n
adulto (2n)

organismo
2n
adulto (2n)
2n

Meiose Meiose Meiose espórica


Meiose
 VOLUME 3

ORGANISMO DIPLONTE ORGANISMO HAPLONTE ORGANISMO HAPLODIPLONTE


Meiosegamética
Meiose Meiose Meiose
ORGANISMO DIPLONTE ORGANISMO HAPLONTE ORGANISMO HAPLODIPLONTE
Alternância de gerações entre um organismo adulto diploide, produtor
Representação da meiose gamética, seguida de fecundação, em de esporos por meiose, e um haploide, produtor de gametas por mitose
um organismo com ciclo de vida haplobionte diplonte

62  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


3.5. Gametas 3.6. Reprodução sexuada e variabilidade
Os gametas, formados por mitose ou meiose, são células ha- Como visto, a principal vantagem da reprodução sexua-
ploides que podem ser morfologicamente idênticas ou dis- da em relação à assexuada é o aumento da variabilidade
tintas em tamanho e forma. Além disso, podem apresentar genética. Os mecanismos que contribuem para essa varia-
mobilidade ou ter locomoção reduzida, sendo até mesmo bilidade são:
imóveis.
1. Segregação independente dos cromossomos
Em geral, quando se distinguem, pelo menos em suas di- homólogos – na Anáfase I da meiose, a migração dos
mensões, os maiores são considerados gametas femininos cromossomos homólogos para os polos da célula é alea-
e os menores, masculinos. Quando são morfologicamente tória. O número de combinações possíveis é de 2n. Assim,
idênticos, podem diferir em seu grau de mobilidade e com-
nas células formadas, os cromossomos estão combinados
patibilidade, isto é, são sexualmente distintos e compatíveis
de forma arbitrária em uma enorme variedade de combi-
somente com o sexo oposto. Nesse caso, são arbitrariamente
nações possíveis.
classificados com os símbolos positivo (+) e negativo (-).
Assim, a reprodução gamética é classificada em dois tipos 2. Crossing-over – durante o Crossing-over, na Prófa-
básicos quanto à morfologia dos gametas envolvidos: isoga- se I, os cromossomos homólogos trocam segmentos. Os
mia e heterogamia. dois cromatídeos de um mesmo cromossomo deixam de
ser idênticos e vão ser, posteriormente, separados de forma
§ Isogamia – quando os dois gametas são idênticos aleatória na Anáfase II.
morfologicamente. Essa classe envolve, geralmente,
gametas móveis e ocorre em certas algas e fungos. 3. Fecundação – a junção aleatória de dois gametas dis-
tintos aumenta a variabilidade genética.
§ Heterogamia – quando os dois gametas são distintos
morfologicamente. Existem dois tipos de heterogamia: 4. Mutações – criam novos genes (mutação gênica) ou
novos cromossomos (mutação cromossômica). As mu-
a) Anisogamia – quando um dos gametas é maior
que o outro, não diferindo na forma de mobilidade. tações cromossômicas podem ser numéricas ou estruturais.

b) Oogamia – quando os gametas diferem na forma A variabilidade genética dos indivíduos de uma popu-
e no modo de locomoção, sendo um pequeno e lação contribui para o seu sucesso evolutivo, uma vez que,
móvel e o outro grande e com mobilidade reduzida. num ambiente em mudança, pelo menos alguns dos mem-
Mecanismo comum nas plantas e nos animais. bros da população estarão aptos a sobreviver.

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

Para calcular o número de indivíduos de populações que têm uma taxa de reprodução alta, podem-se utilizar fórmu-
las matemáticas para prever o tamanho dessa população ao longo do tempo. Acompanhar o crescimento de uma
população é importante para monitorar espécies que estão em processos de extinção.
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  63


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.

A reprodução é um processo essencial para a manutenção das espécies e, portanto, é importante que o
aluno conheça os modos distintos de proliferação das populações dos diferentes organismos e as van-
tagens e desvantagens que cada um desses processos pode apresentar. A partir disso, é possível, por
exemplo, compreender o desenvolvimento de diferentes doenças e propor medidas preventivas e corretivas
para as mesmas.

MODELO 1

(Enem) O uso prolongado de lentes de contato, sobretudo durante a noite, aliado a condições precárias de higiene,
representa fatores de risco para o aparecimento de uma infecção denominada ceratite microbiana, que causa
ulceração inflamatória da córnea. Para interromper o processo da doença, é necessário tratamento antibiótico.
De modo geral, os fatores de risco provocam a diminuição da oxigenação corneana e determinam mudanças
no seu metabolismo, de um estado aeróbico para anaeróbico.
Como decorrência, observa-se a diminuição no número e na velocidade de mitoses do epitélio, o que predispõe
ao aparecimento de defeitos epiteliais e à invasão bacteriana.
Adaptado de: CRESTA. F. Lente de contato e infecção ocular.
Revista Sinopse de Oftalmologia. São Paulo: Moreira Jr., n. 04. 2002.
A instalação das bactérias e o avanço do processo infeccioso na córnea estão relacionados a algumas carac-
terísticas gerais desses microrganismos, tais como:
a) a grande capacidade de adaptação, considerando as constantes mudanças no ambiente em que se re-
produzem, e o processo aeróbico como a melhor opção desses microrganismos para a obtenção de energia;
b) a grande capacidade de sofrer mutações, aumentando a probabilidade do aparecimento de formas resis-
tentes, e o processo anaeróbico da fermentação como a principal via de obtenção de energia;
c) a diversidade morfológica entre as bactérias, aumentando a variedade de tipos de agente infeccioso, e a
nutrição heterotrófica como forma de esses microrganismos obterem matéria-prima e energia;
d) o alto poder de reprodução, aumentando a variabilidade genética dos milhares de indivíduos, e a nutrição
heterotrófica como única forma de obtenção de matéria-prima e energia desses microrganismos;
e) o alto poder de reprodução, originando milhares de descendentes geneticamente idênticos entre si, e a
diversidade metabólica, considerando processos aeróbicos e anaeróbicos para a obtenção de energia.

ANÁLISE EXPOSITIVA

A utilização inadequada de lentes de contato reduz as trocas gasosas no local, danificando as fun-
ções normais do epitélio ocular, já que suas células necessitam de um ambiente aeróbico para se
manterem íntegras. Desse modo, se favorece também o desenvolvimento bacteriano no local. As
bactérias são microrganismos unicelulares, cujo metabolismo pode ser aeróbico ou anaeróbico, e
realizam reprodução assexuada por bipartição. Esse processo tem como vantagem permitir a rápida
proliferação da população, ainda que como consequência os descendentes sejam geneticamente
idênticos entre si, podendo ser uma característica desvantajosa em caso de alteração ambiental.
 VOLUME 3

RESPOSTA Alternativa E

64  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

TIPOS DE REPRODUÇÃO
E CICLOS DE VIDA

VANTAGENS REPRODUÇÃO DESVANTAGEM


ASSEXUADA

TIPOS
• NÃO DEPENDE
DE PARCEIRO NÃO GERA VARIABILIDADE
• RÁPIDO CRESCIMENTO • BIPARTIÇÃO GENÉTICA
POPULACIONAL • DIVISÃO MÚLTIPLA
• GEMULAÇÃO
• ESPORULAÇÃO
• FRAGMENTAÇÃO
• PARTENOGÊNESE
• MULTIPLICAÇÃO VEGETATIVA

VANTAGEM REPRODUÇÃO DESVANTAGEM


SEXUADA

CICLOS
VARIABILIDADE REPRODUTIVOS
ELEVADO CUSTO
GENÉTICA
ENERGÉTICO
(MEIOSE E FECUNDAÇÃO)

DIPLOBIONTE HAPLOBIONTE HAPLODIPLOBIONTE


(MEIOSE GAMÉTICA) (MEIOSE ZIGÓTICA) (MEIOSE ESPÓRICA)
EX.: ANIMAIS EX.: FUNGOS EX.: PLANTAS
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  65


ANOTAÇÕES

____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
 VOLUME 3

____________________________________________________________
____________________________________________________________

66  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


BIOLOGIA

ZOOLOGIA
LIVRO
TEÓRICO
INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS

É frequente a presença de questões rela- Zoologia é um tema recorrente – os dife-


cionadas às medidas profiláticas para evi- rentes filos são comparados de maneira
tar e combater doenças infectoparasitárias, mais direta.
como as causadas por vermes.

É generalista com relação às características As questões dissertativas cobram mais É importante conhecer bem as principais
dos seres vivos, não aborda grupos especí- especificamente as doenças causadas por características animais para reconhecer
ficos, opta por comparar um vasto número vermes, bem como anatomia de invertebra- com facilidade as semelhanças e diferenças
de grupos. Além de seu caráter interdiscipli- dos, vetores e agentes etiológicos. entre os filos.
nar, é evidente a presença de questões que
dialogam com situações cotidianas.

É direcionada a teorias evolutivas, embrio- Possui caráter essencialmente comparativo Com poucas questões de Biologia, cobra A Santa Casa cobra conhecimentos relacio-
logia e taxonomia dos seres vivos. e questões que misturam diferentes áreas conhecimento acerca da anatomia com- nados a verminoses comuns no Brasil, além
da Biologia. Há presença de assuntos como parada dos filos animais e da classificação de embriologia e anatomia comparada dos
diversidade de seres vivos e comparação dos seres vivos. animais.
entre os reinos e entre os filos animais.

É uma prova com questões interdisciplina- Possui questões com alto nível de especi- Apresenta questões com enfoque em ana-
res e conteúdo específico, sendo importan- ficidade, que abordam doenças causadas tomia comparada.
te reconhecer características dos animais e por vermes e anatomia comparada dos
saber comparar os diferentes filos. diferentes filos animais.

A prova tende a cobrar questões quanto Os temas de maior recorrência dentro da É essencial saber interpretar cladogramas,
às relações evolutivas, taxonomia e ver- Zoologia são características exclusivas e além de saber classificar e diferenciar os
minoses. diferenças entre os filos animais. seres vivos.
 VOLUME 3

68  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Os moluscos (do latim molluscus = mole) são animais
MOLUSCOS possuidores de um corpo mole, viscoso, não segmentado e
sem patas. Apresentando simetria bilateral, o corpo é dividi-
do em três partes: cabeça, pé e massa visceral. A cabeça é

CN
bem nítida nos caramujos e polvos, mas não é diferenciada
nas ostras. O pé é uma massa musculosa e ventral que se
COMPETÊNCIA(s) constitui num órgão locomotor, fixador e cavador, também
4e8 servindo de base para a classificação dos moluscos. A mas-
sa visceral contém os órgãos e pode ser protegida por um
AULAS HABILIDADE(s)
13, 15, 16 e 28
exoesqueleto, a concha. A maioria dos moluscos tem vida
aquática, com grande distribuição marinha; alguns cara-
17 E 18 mujos levam vida inteiramente terrestre. O filo apresenta
sete classes, sendo que as principais são: Gastropoda (ex.:
caramujos), Bivalvia (ex.: ostras), Cephalopoda (ex.: lulas),
Scaphopoda (ex.: dentálios) e Polyplacophora (ex.: quítons).
Observe na imagem a diversidade de tipos morfológicos
existente entre os moluscos:

1. Moluscos -- o surgimento do
celoma e do sistema circulatório
Os moluscos compõem um dos filos mais abundantes em
número de espécies, com 50 mil espécies descritas. Apre-
sentam amplo registro fóssil, principalmente devido à pre-
sença de concha mineral, indicando que o seu surgimento
é antigo. Do ponto de vista evolutivo, lembre-se de que já Exemplo da biodiversidade de moluscos
apareceram sistemas digestivo, respiratório e nervoso. Nes-
ses animais, no desenvolvimento embrionário, surge uma
cavidade totalmente revestida por mesoderme, o celoma.
Acredita-se que o celoma representa uma ampliação do
espaço dentro do animal, o que permitiu o desenvolvimen-
to e o alojamento de mais órgãos e sistemas.
Acelomado Pseudocelomado Celomado

multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
Moluscos - O que são? Quem são?

2. Caracterização e classificação 3. Gastrópodes --


caracóis e caramujos
Os gastrópodes apresentam corpo nitidamente dividido
 VOLUME 3

em cabeça, pé e massa visceral. A cabeça apresenta a boca


e dois pares de tentáculos retráteis, dos quais os posterio-
res, mais longos do que os anteriores, apresentam na ex-
tremidade os pequenos olhos. Observe a seguir a anatomia
Lesma marinha interna de um gastrópode típico:

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  69


Anatomia interna de um gastrópode

fonte: [Link]

O pé é muito musculoso, ventral e achatado, formando uma


espécie de sola sobre a qual o animal rasteja. A massa vis-
ceral se encontra protegida pela concha espiralada e cônica. Anatomia interna de um pelecípode
No molusco perfeitamente distendido, junto à abertura da fonte: [Link]

concha se localiza o pneumóstoma ou poro respiratório. As


Quando uma partícula estranha se aloja internamente, al-
vísceras são protegidas por uma concha calcária que atua
guns bivalves geram uma proteção. Nesses casos, é secre-
contra ataques de predadores e dessecação.
tada uma substância, chamada de madrepérola, que isola
Os gastrópodes podem viver no mar ou em água doce, os quais a partícula estranha. As pérolas, famosas pelo seu uso co-
apresentam brânquias localizadas na cavidade do manto. Ou- mercial em joias, são também formadas naturalmente dessa
tras espécies vivem em ambientes terrestres úmidos e apresen- forma, devido à entrada de um grão ou um verme parasita
tam, portanto, sacos pulmonares no lugar das brânquias. entre o manto e a concha. Essa proteção é secretada em ca-
Exemplo de espécie terrestre, o caracol de jardim é mais ativo madas concêntricas pelo manto em torno do corpo estranho.
à noite e quando o clima está úmido. Durante o dia, procu- Nas perólas cultivadas, ou seja, induzidas pelo ser humano,
ra se esconder embaixo de objetos, folhas ou em buracos. bolinhas de madrepérola são formadas dentro do corpo do
Quando o clima está seco, retrai a cabeça e o pé dentro da animal. A figura a seguir ilustra essa formação.
Concha
concha, secretando uma lâmina de muco que fecha a aber-
tura da concha, evitando a dessecação.

4. Pelecípodes -- os bivalves
Partícula
Camadas nacaradas
estranha
envolvem a
Manto
partícula estranha
Entre espécies dulcícolas e marinhas, os bivalves são represen-
tados pelas ostras e pelos mexilhões e apresentam cabeça di-
ferenciada ou ausente, com um pé e massa visceral protegidas
por uma concha formada por duas valvas que se unem dorsal-
mente, através de um ligamento elástico, à charneira. As valvas
se mantêm fechadas por fortes músculos. Pérola
Esquema de formação de pérolas
O pé é um órgão musculoso, retrátil, em forma de quilha ou fonte: [Link]
machado, servindo para ancorar o animal na areia. A maioria
deixa de se locomover depois da fixação em algum substrato. 5. Cefalópodes
Esses animais filtram o alimento puxando água com um sifão
Representados por polvos, lulas e nautilus, os cefalópodes
inalante e eliminam os detritos por um sifão exalante. As partí-
constituem um grupo especializado e muito mais complexo
culas são capturadas e o oxigênio é trocado. Observe a seguir
do que os demais moluscos. Além disso, apresentam repre-
os aspectos morfológicos de um bivalve inteiro e de sua ana-
sentantes que são os maiores invertebrados, como a lula
tomia interna:
Sifão exalante
gigante, que pode chegar a 16 metros. Eles são exclusi-
Charneira
Chameira vamente marinhos e possuem cabeça diferenciada, massa
visceral alongada e pé transformado em tentáculos habili-
dosos e braços que envolvem a cabeça. A concha é redu-
 VOLUME 3

zida e interna nas lulas, ausente nos polvos e externa nos


Sifão inalante nautilus. Esses animais respiram por brânquias localizadas
dentro da cavidade do manto, puxando água através de
Pé um sifão. Na boca, existe a rádula, uma estrutura composta
Vista
Vista lateral
lateral VistaVista posterior
posterior por 7 dentes e um bico quitinoso.

70  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Anatomia interna de um cefalópode alongada e cônica, apresentando na parte posterior duas
nadadeiras triangulares. Entre a cabeça e o tronco, apa-
rece o sifão exalante, através do qual é expelido um jato
de água que impele o animal para o lado oposto; o sifão
pode curvar-se para trás, mudando a direção do desloca-
mento do animal. As lulas apresentam a glândula da tinta:
Sépia Polvo
quando são atacadas, eliminam o conteúdo preto dessa
glândula envolvendo o inimigo em uma nuvem escura e
possibilitando a fuga.

Sépia Polvo

Na lula, a cabeça apresenta dois grandes olhos laterais


e boca central rodeada por tentáculos e braços. Existem multimídia: vídeo
quatro pares de tentáculos menores e mais grossos, com Fonte: Youtube
numerosas ventosas no lado interno. Os outros dois ten-
Moluscos (ênfase em Cephalopoda) [Legendado PT-BR]
táculos são bem mais longos e delgados, apresentando
ventosas apenas nas extremidades. A massa visceral é

VIVENCIANDO
A classe dos cefalópodes, na qual estão incluídos polvos e lulas, é muito utilizada na culinária. Em termos de sabor, a
lula e o polvo são bem similares. O polvo possui uma carne macia que, geralmente, é servida com grelhados. A lula,
por sua vez, tem mais elasticidade e pode ser usada em saladas e ensopados.
Muito popular no Japão, o polvo ainda é pouco comum na culinária do Brasil. No entanto, por apresentar uma carne
macia, de textura elástica e bastante saborosa, tem crescido sua procura. Normalmente ele compõe pratos da culinária
japonesa – presente em sushis, sashimis e temakis – e chinesa, além de outras refeições. Ele oferece benefícios à saúde,
em especial no combate ao colesterol alto e a doenças cardíacas, por conter ômega-3. Pesquisadores da Universidade Es-
tadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) constataram que o polvo é um alimento de alto valor nutritivo e biológico por ser de
fácil digestão, rico em vitaminas A e B, tendo baixo índice de gordura e colesterol, quando comparado a outros mariscos.
Fonte: <[Link]/forca-do-polvo-no-mercado>

6. Escafópodes podem chegar a quinze. Observe a seguir a foto de um esca-


fópode e uma ilustração de sua anatomia interna:
Os dentálios (escafópodes) são moluscos marinhos que captácula gânglio
cerebral
pelicárdio
manto com o coração abertura posterior
vivem enterrados na areia da praia. O corpo é alongado e concha gânglio
glândula
digestiva
da cavidade paleal
bucal rim cordão
gônoda
protegido por uma concha cônica e recurvada que lembra direito nervoso
visceral

um dente de elefante, motivo do nome que recebem. O pé


alongado, cilíndrico e pontiagudo é usado para cavar e fixar o
 VOLUME 3

manto

molusco na areia. pé

gânglio pedioso e
Da abertura da concha sai uma série de tentáculos que fun- junto o estatocisto manto
ânus
cavidade paleal

concha
cionam como órgãos táteis e adesivos para a apreensão de cavidade paleal

alimento. Em geral, medem cerca de sete centímetros, mas Anatomia interna de escafópodes

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  71


Gônada Estômago Concha uterina (Glandios)
Manto

Olho

Coração
bránquial
Bránqueas

Cavidade do manto
Saco de tinta
Ânus Radula
Sifão

Exemplar de escafópodes

7. Poliplacóforos
Os quítons apresentam oito placas calcárias no dorso,
em vez de uma concha única, e são muito adaptados a
sobreviverem em regiões que recebem impacto de ondas,
pois são achatados e aderem fortemente às rochas. Eles multimídia: vídeo
representam a linhagem de moluscos mais próxima dos
seus ancestrais. Fonte: Youtube
Bivalve: Mexilhões, Ostras, Amêijoas...

9. Digestão
O sistema digestório é completo e compreende boca, farin-
ge, esôfago, estômago, intestino e ânus. A faringe ou cavi-
dade bucal apresenta, inferiormente, a rádula, uma placa
recoberta por dentículos quitinosos utilizada para raspar o
alimento. Ostras e mexilhões são filtradores, retendo nas
brânquias algas microscópicas, protozoários e bactérias
Quíton usados como alimento. Os não filtradores, como caracóis,
fonte: [Link] polvos e lulas, são herbívoros ou carnívoros.
A rádula, estrutura raspadora ausente nos filtradores, é
8. Fisiologia: tegumento projetada para frente e retraída para trás graças a múscu-
los protatores e retratores, respectivamente. Observe a
e esqueleto seguir a anatomia do sistema digestivo:
O tegumento é formado por um epitélio simples, às ve-
Saco radular Odontóforo
zes ciliado e contendo grande número de células muco- Esôfago Glândula salivar

sas. A parte do tegumento que recobre a massa visceral


Cavidade bucal
Membrana radular

forma o manto ou pálio, uma dobra que secreta a Retrator da rádula


Dentes da rádula

concha. Caramujos e caracóis apresentam uma concha Retrator do odontóforo Boca


Protrator da rádula Protrator do odontóforo

univalve, ou seja, formada por uma só peça; ostras e Anatomia do sistema digestivo, com destaque da rádula
 VOLUME 3

mariscos possuem a concha bivalve, que apresenta duas


peças (valvas) que se adaptam e se articulam. De natu- A digestão ocorre de forma extracelular inicialmente no es-
reza calcária, a concha é um exoesqueleto que protege tômago e é finalizada de forma extracelular nas glândulas
o corpo mole. Observe a seguir a concha interna de um digestivas. Nas lulas e nos polvos, a digestão é exclusiva-
cefalópode, a sépia: mente extracelular.

72  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


10. Respiração parecido com o rim e são constituídos por nefrídios, que
filtram o sangue na cavidade pericárdica, retirando os re-
A respiração pode ser cutânea, branquial (fig. A) ou pulmo- síduos e eliminando-os para o exterior. Observe na ilus-
nar (fig. B). As brânquias estão alojadas na cavidade palial, tração a seguir:
espaço situado entre o manto e o corpo. A respiração pul-
monar ocorre nos gastrópodes terrestres (caracóis), em que
o pulmão é constituído pela cavidade palial com parede
nefróstomo
intensamente vascularizada e comunicada com o exterior
através de um orifício (pneumóstoma). abertura para
o exterior

Fig. A – Respiração branquial (brânquias)


Anatomia interna do sistema excretor
fonte: [Link]
[Link]

13. Sistemas nervoso


e sensorial
O sistema nervoso é do tipo ganglionar, contendo três pares
de gânglios: cerebroides (centros sensoriais), pediosos
Fig. B – Respiração pulmonar (pulmões)
ou pedais (centros locomotores) e viscerais (centros vege-
tativos), ligados por conectivos. Como elementos sensoriais
Concha Concha
Vasos sanguíneos
aparecem olhos, estatocistos (equilíbrio), osfrádios, células
Cavidade
do manto
vascularizada
táteis e quimiorreceptores. Observe na ilustração a seguir a
Olho
(pulmão)
localização dos gânglios cerebroides nos moluscos:
Tentáculo
Cabeça

Ânus Pé Poro respiratório Poro respiratório

Gânglios
cerebrais

11. Circulação
Possuem sistema circulatório lacunar ou aberto, com o Gânglios
Gânglios viscerais
coração situado dorsalmente no interior de uma cavidade bucais
Gânglios pedais
pericárdica. O sangue sai do coração e passa pelas arté-
Anatomia interna do sistema nervoso
rias, que terminam em hemóceles, das quais é coletado por
fonte: [Link]
veias e volta ao coração. Apenas nos cefalópodes o sistema
circulatório é fechado. Observe a seguir a ilustração de um
sistema aberto: 14. Reprodução
Em geral, os moluscos são unissexuados (dioicos), com al-
guns casos de hermafroditismo, como é o caso do caracol de
jardim. Nas espécies terrestres e nos cefalópodes, a fecunda-
ção é interna com cópula (primeira figura), sendo o desenvol-
vimento direto a partir de postura de ovos (segunda figura).
Nos demais, a fecundação é externa e o desenvolvimento
indireto, por meio de larvas ciliadas denominadas trocóforas.

Representação de um bivalve cortado longitudinalmente


para mostrar o sistema circulatório
 VOLUME 3

12. Excreção
O sistema excretor é formado por um órgão especiali- fonte: [Link]
zado, com dois pares de metanefrídeos que têm aspecto [Link]

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  73


CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

A aplicação de conceitos físicos é fundamental na compreensão do movimento do polvo por meio da propulsão
a jato. “A propulsão é o movimento criado a partir de uma força que dá impulso. A propulsão pode ser criada em
qualquer ato de impelir para frente ou dar impulso. No corpo humano, os ossos e músculos devem estar em harmo-
nia, para conseguir criar propulsão para andar, correr e se movimentar.” Essa definição mostra claramente o conceito
da terceira lei de Newton, ou princípio de ação e reação, que diz que “toda força é resultado da interação física de
dois corpos distintos, ou mesmo partes distintas de um mesmo corpo. Ou seja, quando um corpo A aplica uma força
sobre um corpo B, recebe deste uma força de mesma intensidade e mesma direção, porém, de sentido contrário”. O
jato de água expelido pelo polvo exerce uma força sobre a água e, em consequência, tem uma reação que leva ao
movimento do animal.

15. Importância dos moluscos iscas à base de aldeído, que devem ser distribuídas à noite
nos lugares de maior ocorrência dos caracóis.

15.1. Gastrópodes como pragas agrícolas


Os caracóis e as lesmas podem se alimentar de folhas ten-
15.2. Moluscos como fonte de alimento e
ras de plantas. Eles geralmente possuem hábitos noturnos, causadores de desequilíbrio ambiental
embora possam ser encontrados atacando as plantas nos Mariscos, ostras, lulas e polvos servem de alimento para o
dias chuvosos. Os tegumentos são moles, cobertos por uma homem, sendo os dois primeiros criados extensivamente:
substância viscosa. Durante o frio, ou nas estações secas, es- a criação de mariscos e ostras é intensa no litoral bra-
condem-se nas cavidades das árvores, fendas ou muros, sob sileiro. Caracóis, como o escargot, também são criados
as pedras, etc., onde ficam em estado de dormência e sem no Brasil, embora o consumo em restaurantes sofistica-
se alimentar. dos no país seja pequeno. Contudo, há um aumento das
As lesmas terrestres, consideradas pragas agrícolas, são da exportações para outros países. A França, por exemplo,
família Veronicellidae. São encontradas em lugares úmidos, consome em torno de 40.000 toneladas por ano desse
sombreados, debaixo de pedras, em jardins e hortas. Essas molusco, quantidade muito além da capacidade domésti-
lesmas não possuem concha, possuem dois pares de tentá- ca de produção do país. A espécie criada em maior quan-
culos, com os olhos nas pontas dos tentáculos posteriores. tidade no país, Helix aspersa, foi introduzida no Brasil há
mais de 100 anos. Embora exótica, não tem se observado
Alguns fatores limitam o crescimento populacional desses
a invasão em áreas naturais. O motivo disso pode ser a
moluscos, como condições anormais de radiação solar, baixa
dificuldade de adaptação às temperaturas elevadas, o
umidade do ar e temperatura elevada. O plantio direto com
que difere do clima europeu.
abundância de palha na superfície do solo e culturas com
vegetação exuberante (ex.: nabo forrageiro) podem favore- Há cerca de 15 anos, produtores brasileiros de escargots
cer o desenvolvimento de moluscos nas lavouras. O controle importaram Achatina fulica, um caracol africano. Trouxe-
pode ser realizado por catação manual, viável em canteiros ram a espécie para criação sem nenhuma preocupação
pequenos e estufas, e com o uso de iscas com veneno, indi- com os possíveis danos que a liberação desse caramujo
cado para lugares de maior ocorrência dessas pragas. Para em campo pudesse causar à agricultura, às florestas e à
facilitar a captura, recomenda-se colocar as iscas nos locais saúde pública e sem considerar o passado desastroso de
mais sombreados, no fim da tarde, em sacos de aniagem tentativas semelhantes em outros locais do mundo.
umedecidos e, pela manhã, fazer o recolhimento dos gas- Essa espécie é herbívora e generalista voraz, competindo
trópodes ali abrigados, que podem ser eliminados com água
 VOLUME 3

com espécies nativas por comida e espaço, principalmente


quente, salmoura forte (cinco ou mais colheres de sopa de em ambientes pobres em cálcio e alimento. Esses caramu-
sal diluídas em 1 litro de água) ou esmagamento. Em áreas jos apresentam a concha cônica marrom ou mosqueada
maiores, como sementeiras comerciais de hortaliças ou es- de tons mais claros. Atingem até 20 cm de comprimento e
sências florestais, uma opção de controle é a utilização de chegam em média a 200 g de peso total.

74  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


laria e Lymnaea. Os Biomphalaria são hospedeiros interme-
diários do Schistosoma mansoni, causador da esquistosso-
mose, uma doença parasitária endêmica em 74 países do
mundo. Cerca de 200 milhões de indivíduos estão infectados
no mundo todo, e o número de mortes por ano gira em torno
de 20.000. No Brasil, estima-se que 12 milhões de indivídu-
os estejam infectados com S. mansoni.
O caracol africano, Achatina fulica
Os hospedeiros intermediários de S. mansoni no Brasil são
Provavelmente por ser proveniente de clima tropical, A. fu- as espécies B. glabrata (mais importante), B. straminea e B.
lica adaptou-se rapidamente ao Brasil, invadindo áreas na- tenagophila. Esses moluscos possuem concha espiralada e
turais e competindo com os moluscos nativos. Atualmen- são hermafroditas simultâneos, podendo se reproduzir por
te, está presente em 21 estados brasileiros. Além de ser fecundação cruzada ou por autofecundação. Na natureza,
uma praga agrícola, A. fulica também pode portar agentes os ovos são depositados nas hastes e folhas das plantas
etiológicos de doenças humanas e veterinárias, como a an- aquáticas e ainda nas conchas de outros caramujos.
giostrongilíase abdominal (ocorre no RS, SC, PR, SP e DF), A planta aguapé tem grande importância na disseminação
causada pelo nematoide Angiostrongylus costaricensis, e a de caramujos e seus ovos quando é levada pelas correntes
Angiostrongilíase meningoencefálica (não ocorre no país). de água. Em represas, o aguapé favorece a dispersão do
O governo implantou uma campanha nacional de combate molusco para toda a área. Sem o aguapé, não é possível a
ao caramujo africano, coordenada pelo Ibama, para evitar presença do caramujo no centro de rios e represas devido
que o caramujo se espalhe e chegue às áreas rurais. à necessidade de o caramujo subir à superfície para obter
Outro exemplo de impactos negativos causados pela intro- oxigênio. O molusco sobe até a superfície para obter oxi-
dução de organismos exóticos foi a introdução do molusco gênio e prende-se nas raízes das plantas aquáticas, como
Limnoperna fortunei (mexilhão-dourado [Bivalvia: Mityli- é o caso do aguapé. Por ocasião das estações secas, os
dae]) no Brasil. Originário dos rios asiáticos, foi detecta- riachos e açudes podem secar, matando muitos caramujos.
do pela primeira vez na América do Sul em 1991, no rio Outros, entretanto, aprofundam-se na lama (até 30 cm) e
permanecem até a volta das águas.
da Prata, na Argentina. Por meio da navegação, o mexi-
lhão-dourado dispersou-se pelo rio Paraguai, invadindo o
Pantanal (Bolívia e Brasil), atingindo também o rio Uruguai
e chegando até a central hidrelétrica (Argentina-Uruguai)
de Salto Grande. L. fortunei é um bivalve pequeno, de cer-
ca de 3 cm, que se fixa na refrigeração dos motores das
embarcações impedindo que a água circule, causando su-
peraquecimento do motor, que pode fundir. Pode ocorrer
a oclusão ou redução da velocidade do fluxo em canos e
tubos de irrigação, devido à perda por fricção.

Concha de Biomphalaria sp.

Lymnaea spp. são hospedeiros da Fasciola hepatica, trema-


tódeo parasita comum de carneiros e outros ruminantes,
que também pode infectar o homem, suínos, equinos, roe-
dores e outros mamíferos. No Brasil, existem três espécies
de Lymnaea: L. columella, L. viatrix e L. cubensis, sendo que
a primeira foi detectada na maioria dos focos de fasciolose
Mexilhão-dourado, Limnoperna fortunei
fonte: [Link] observados até o momento. Entre as perdas econômicas
associadas à fasciolose na pecuária estão a mortalidade
de animais, a redução na produção de leite e de carne, a
 VOLUME 3

15.3. Caramujos hospedeiros de condenação de fígados e elevação do custo terapêutico


doenças do homem e animais no tratamento de infecções bacterianas secundárias. Esses
Algumas espécies de caramujos são importantes à saúde problemas têm sido encontrados predominantemente no
pública. Dois gêneros de grande importância são Biompha- estado do Rio Grande do Sul.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  75


multimídia: site

[Link]
Lymnaea sp.
[Link]

ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 15
Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de
organização dos sistemas biológicos.

Moluscos são animais heterótrofos. Entretanto, o exercício apresenta um fenômeno diferente do padrão,
que é um molusco que incorpora um gene de outra espécie (algas) e, com isso, adquire capacidade de fazer
fotossíntese. Essa questão exige a interpretação correta desse modelo, além de um conhecimento de compo-
nentes vegetais.

MODELO 1

(Enem) Um molusco, que vive no litoral oeste dos EUA, pode redefinir tudo o que se sabe sobre a divisão entre
animais e vegetais. Isso porque o molusco (Elysia chlorotica) é um híbrido de bicho com planta. Cientistas
americanos descobriram que o molusco conseguiu incorporar um gene das algas e, por isso, desenvolveu a
capacidade de fazer fotossíntese. É o primeiro animal a se “alimentar” apenas de luz e CO2, como as plantas.
GARATONI, B. Superinteressante. Edição 276, mar. 2010 (adaptado).

A capacidade de o molusco fazer fotossíntese deve estar associada ao fato de o gene incorporado permitir que
ele passe a sintetizar:
a) clorofila, que utiliza a energia do carbono para produzir glicose;
b) citocromo, que utiliza a energia da água para formar oxigênio;
c) clorofila, que doa elétrons para converter gás carbônico em oxigênio;
d) citocromo, que doa elétrons da energia luminosa para produzir glicose;
e) clorofila, que transfere a energia da luz para compostos orgânicos.

ANÁLISE EXPOSITIVA

Para conseguir realizar o processo de fotossíntese, o gene que o molusco incorporou da alga deve ser
aquele responsável pela produção de clorofila, que é um pigmento responsável pela absorção de luz
utilizada em uma das etapas do processo de fotossíntese, que culmina na produção de compostos
 VOLUME 3

orgânicos (glicose) e oxigênio.

RESPOSTA Alternativa E

76  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

MOLUSCOS CLASSES

CARACTERÍSTICAS
PELECÍPODES

• BIVALVES (OSTRAS E MARISCOS)


• DUAS CONCHAS
CORPO MOLE E NÃO SEGMENTADO
• PÉROLAS
• MATINHOS E DE ÁGUA DOCE

CELOMADOS
GASTRÓPODES

SIMETRIA BILATERAL • UMA CONCHA


• TERRESTRES OU MARINHOS
• CARACÓIS E CARAMUJOS
CABEÇA, PÉ E
MASSA VISCERAL
CEFALÓPODES

CONCHA: EXOESQUELETO CALCÁRIO


• CONCHA INTERNA OU AUSENTE
• MARINHOS
• POLVOS E LULAS
SISTEMA DIGESTIVO COMPLETO
RÁDULA−RASPAGEM DE ALIMENTOS
POLIPLACÓFOROS
RESPIRAÇÃO CUTÂNEA, BRAN-
QUIAL OU PULMONAR • CONCHA INTERNA
• MARINHOS
SISTEMA CIRCULATÓRIO ABERTO • QUÍTONS
(EM CEFALÓPODES É FECHADO)

METANEFRÍDEOS

DIOICOS
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  77


ANELÍDEOS

CN COMPETÊNCIA(s)
4e8
Oligoquetos

AULAS HABILIDADE(s)
13, 14, 16 e 28

19 E 20
Poliquetos

Aquetos

1. Introdução 2. Poliquetos
Os anelídeos, do latim annulatus (anel) e do grego eidos Os poliquetos são vermes de corpo nitidamente segmen-
(forma), são animais vermiformes, de simetria bilateral, tado, no qual se destaca uma cabeça com olhos, palpos e
caracterizados pela segmentação ou metamerização tentáculos. Em cada segmento, possuem um par de para-
(metameria), que continuará a aparecer na maioria da pódios, expansões laterais não articuladas. Como primiti-
organização corporal dos próximos grupos a partir dos vas estruturas de locomoção, aparecem numerosas cerdas,
anelídeos. O corpo é segmentado, isto é, formado por uma eixos quitinosos implantados nos parapódios.
sucessão de anéis, denominados segmentos ou metâme-
ros. São organismos que vivem em ambiente terrestre, O nereis, um predador de hábito noturno, atinge 45 cm de
marinho e dulcícola. Possuem o corpo alongado, cilíndrico comprimento. É possível observá-lo na ilustração a seguir.
e metamerizado, cuja divisão ocorre tanto externa como O Eunice gigantea chega a ter 3 metros de comprimento.
internamente. Cada anel abriga diversos órgãos individu- Os chamados tubícolas vivem no interior de tubos que eles
alizados, como nervos, estruturas musculares e excretoras. constroem, aglutinando grãos de areia em torno do corpo.
São classificados em três classes e um dos critérios de clas- Outros vivem em buracos que cavam na areia das praias ou
sificação é a presença e quantidade de cerdas ao longo do em zonas profundas dos ambientes marinhos. Os tubícolas
corpo, que auxiliam na movimentação pelo substrato. são animais filtradores, ou seja, fazem a água passar por
eles e retêm as partículas alimentares.
Os oligoquetos apresentam poucas cerdas e apresen-
tam os exemplares mais conhecidos: as minhocas, como Tentáculos peristomiais
a minhoca-da-terra (Lumbricus terrestris), a minhoca-louca Olhos
(Pherentima hawayana) e a minhocoçu (Glossoscolex gi- Tentáculos prostomiais
Parapódio
ganteus). Esses animais vivem sobre o solo úmido, perfu- Palpos
rando-o. Alimentam-se de detritos orgânicos e eliminam Boca
Cabeça em vista lateral
partículas menores, facilitando a ação de bactérias e fun-
gos na decomposição. Tentáculos Parapódio
prostomiais
Os poliquetos apresentam várias cerdas e os principais Olhos
representantes são os vermes marinhos como Eunice viridis
 VOLUME 3

e Nereis sp. Tentáculos Cabeça em


peristomiais vista dorsal
Os aquetos ou hirudíneos não apresentam cerdas e in-
cluem as sanguessugas, como Hirudo medicinalis, que são Cirros
ectoparisas que vivem em água doce.

78  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


3. Oligoquetos: as minhocas pela ventosa posterior, o animal distende o corpo ao má-
ximo, prendendo a ventosa anterior e destacando a pos-
Trata-se da classe em que se encontram as minhocas, terior, aproximando-a e fixando-a logo atrás da anterior.
animais de corpo segmentado, sem cabeça e parapódios, O processo vai se repetindo e o animal vai progredindo
além de possuírem poucas cerdas; o tamanho médio é de como uma lagarta-mede-palmos. Vivem no mar, na água
15 cm. O minhocuçu é uma espécie gigante que atinge até doce e em ambientes terrestres úmidos. São ectoparasitas
3 metros de comprimento. hematófagos de diversos tipos de animais.
São animais hermafroditas, ou seja, monoicos com fecun-
dação cruzada. Nos animais sexualmente adultos, encon-
tra-se, na região anterior, o clitelo, um espessamento mu-
5. Caracterização geral
coso que serve para unir dois animais em cópula e formar
o casulo protetor dos ovos. Observe a seguir os aspectos de 5.1. O tubo musculodermático
um oligoqueto típico, a minhoca. A parede corpórea dos anelídeos é formada por um tubo
Boca Peristômio musculodermático, constituído por epiderme e musculatura.
Prostômio Formando a epiderme, encontra-se um epitélio simples e ci-
Poro líndrico, contendo células glandulares e sensoriais. Recobrin-
do a epiderme, destaca-se uma cutícula delgada, permeável
Poro
Boca e não quitinosa. Logo abaixo da epiderme aparecem duas
Cerdas camadas musculares: uma externa circular e outra interna
ventrais longitudinal. A parede do corpo possui musculatura bem de-
Clitelo
senvolvida, que, associada a cerdas quitinosas, por con-
Clitelo
tração e expansão, permite o movimento do animal.

Cerdas laterais 5.2. A digestão


O tubo digestivo, completo e retilíneo, é formado por boca,
Ânus
faringe, esôfago, estômago, intestino e ânus. Além disso,
Quando o animal é acidental ou experimentalmente sec- depois do esôfago, aparecem duas dilatações: o papo e a
cionado em fragmentos, sua capacidade de regeneração moela. O alimento, formado por partículas de terra e resí-
é elevada. As minhocas são animais subterrâneos, vivem duos vegetais, é armazenado no papo e triturado na mo-
em solos úmidos e ricos em húmus, sendo pouco encontra- ela, que apresenta forte parede muscular. Nas minhocas,
das em solos ácidos, secos e arenosos. Vivem no interior de o intestino tem uma prega por dobra longitudinal dorsal
galerias que escavam, perfurando o solo e ingerindo terra. (tiflossoles), cuja função indica uma ampla superfície de
O conteúdo intestinal apresenta terra úmida com matéria absorção. Observe a seguir um esquema de tubo digestivo
orgânica e resíduos vegetais usados na alimentação. Esses destacando papo e moela:
animais exercem importante papel na agricultura, arejan- Quarenta
metâmeros omitidos
do o solo por meio das galerias escavadas e distribuindo Faringe Moela

fragmentos vegetais que apodrecem e fertilizam o solo. Por


isso, são utilizadas comercialmente como “arados natu-
rais” ou adubação orgânica, além de serem incluídas em
rações animais como fonte de proteínas. Boca Ânus
Papo Intestino Ceco
intestinal

4. Hirudíneos: as Esquema do sistema digestório dos anelídeos

sanguessugas 5.3. A circulação


Os hirudíneos, vulgarmente chamados de sanguessugas, Na sua organização mais típica, o sistema circulatório
não possuem cerdas ou as apresentam em pequenas apresenta dois vasos longitudinais: um dorsal, no qual o
 VOLUME 3

quantidades. Não possuem tentáculos nem parapódios. O sangue circula em sentido posteroanterior, e outro ven-
corpo é dorsoventralmente achatado com duas ventosas, tral, no qual o sangue flui em sentido inverso. Em cada
uma em cada extremidade. A ventosa anterior envolve a segmento, os vasos dorsais são interligados por outros
boca, que apresenta três mandíbulas em forma de serra transversais que rodeiam o tubo digestivo e formam
semicircular. Locomovem-se de forma peculiar: fixando-se redes capilares. O sangue é impulsionado por contra-

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  79


ções do vaso dorsal, ou por vasos laterais e anteriores 5.5. A excreção
de maior calibre, também chamados de “corações”.
Apresentam uma estrutura mais complexa, com um siste- O sistema excretor é formado por unidades excretoras de-
ma de vasos por onde percorre o sangue com hemoglobina nominadas metanefrídeos. A cada metâmero correspon-
dissolvida no plasma. O sangue passa a ser um importante de um par de metanefrídeos. Os nefrídeos são estruturas
transportador de gases e de nutrientes para as células, seja tubulares e enoveladas que estabelecem contato com
pela epiderme, no caso das minhocas, ou por brânquias, no os vasos sanguíneos, em que as secreções são retiradas.
caso de poliquetos. O sangue é bombeado por 5 pares de Essa estrutura possui duas extremidades: nefróstoma,
vasos pulsáteis, ou corações laterais, na região anterior, e a que se abre no líquido do celoma, e nefridióporo ou poro
difusão dos nutrientes e gases ocorre no nível dos capila- excretor, que se abre na superfície corporal.
res. O fato de o sangue permanecer confinado ao interior Funil ciliado Parede Septo entre
dos vasos indica um sistema circulatório. Intestino (nefróstoma) do corpo metâmeros
Corações
Esôfago Vaso dorsal

Parte anterior Vaso ventral


lateralmente aberta Cavidade Nefrídio Poros excretores
celômica (nefridióporos)
Representação do sistema circulatório
Repetição de estruturas excretoras nos metâmeros

5.4. A respiração
5.6. O sistema nervoso
Os anelídeos possuem o corpo revestido por um tecido
epitelial simples, que secreta uma cutícula delicada, cuja Os anelídeos apresentam um sistema nervoso do tipo gan-
função é proteger o organismo contra a desidratação. A glionar ventral. Existem dois gânglios cerebroides ou supra-
maioria dos anelídeos tem respiração cutânea, ou seja, faríngeos ligados, por meio de anéis perifaríngeos, a dois
as trocas gasosas são efetuadas através da pele. A respi- gânglios infrafaríngeos dos quais parte a cadeia ganglionar
ração cutânea é encontrada principalmente em anelídeos ventral, com um par de gânglios em cada segmento. Como
terrestres e que vivem em locais úmidos. Ocorre por meio elementos sensoriais, aparecem papilas e tentáculos com
da intensa vascularização que existe abaixo da epiderme. funções táteis e gustativas, além de olhos para percepção
As brânquias, por sua vez, são típicas de representantes luminosa. Observe a figura a seguir:
aquáticos, como os poliquetos. As brânquias retiram o O2
dissolvido na água por difusão. Em algumas espécies, elas
podem estar presentes nos parapódios, expansões laterali-
zadas do corpo relacionadas com locomoção, que podem
ser intensamente vascularizadas. Brânquias ramificadas e
arborescentes são comuns em anelídeos marinhos que vi-
vem em tubos (tubícolas). Observe a figura a seguir:
capilar sanguíneo músculos longitudinais Gânglios intrafaringeos
intrafaríngeos Gânglios
músculos circulares segmentar
epiderme Organização do sistema nervoso.

5.7. A reprodução
Quanto à reprodução, os poliquetos são dioicos, com fe-
cundação externa e desenvolvimento indireto a partir da
CO2 O2
larva trocófora. Oligoquetos e hirudíneos são monoicos,
 VOLUME 3

cutícula brânquias com fecundação externa e cruzada e desenvolvimento


direto. A capacidade de regeneração é geralmente eleva-
da. Muitas espécies de anelídeos possuem clitelo. Essa
estrutura produz um casulo do qual são eliminados os

80  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


óvulos maduros. O casulo então se desliga do clitelo e
se desloca para a extremidade da minhoca, onde recebe
7. Formação da metameria
o espermatozoide de outra e ocorre a fecundação. De- § Importância da metameria – Metameria é a di-
pois da fecundação, o casulo se separa do corpo e, em visão do corpo de animais em uma série longitudinal
seu interior, os óvulos são fecundados e se desenvolvem de unidades similares repetidas, que, em anelídeos,
originando minhocas jovens sem estágio larval. Observe artrópodes e cordados que a apresentam, está ligada
o esquema de reprodução da minhoca: à eficiência locomotora. Em alguns anelídeos, a me-
Reprodução em minhocas tameria é próxima do modelo ideal, isto é, replicação
Receptáculos seminais Clitelo
por segmento de apêndices, músculos, nervos, vasos
sanguíneos, celoma, sistema excretor e sistema repro-
dutor, mas em artrópodos se especializa e fusiona em
regiões distintas (tagmas); em cordados, é aparente
apenas no esqueleto axial, músculos e nervos, embora
Clitelo troca de
espermatozoides
espermatozóides 3 2 1 primitivamente outros órgãos sejam metamerizados.
A metameria tem uma forma com cavidade preenchida
um dos vermes por um líquido que auxilia a locomoção peristáltica, pois
já separado ela impede que a pressão exercida pelos músculos seja
fecundação saída de óvulos casulo mucoso
dissipada pelo corpo todo. Os efeitos locais da muscu-
saída do casulo latura em formas metamerizadas são mais vigorosos e,
com os ovos
assim, mais eficientes, pois cada metâmero torna-se uma
unidade de função especializada, notadamente para ca-
var, como os anelídeos.

§ Importância do celoma – O celoma fornece uma


área para a ampliação da superfície dos órgãos inter-
nos. Sendo um espaço cheio de líquido, entre a pare-
de do corpo e os órgãos internos, pode servir a várias
multimídia: vídeo funções: esqueleto hidrostático, meio circulatório, lo-
cal temporário para maturação dos óvulos e esperma-
Fonte: Youtube tozoides, acúmulo de excesso de líquido e produtos
Anelídeo: minhocas, sanguessugas, poliquetas... de excreção. Em celomados típicos, o celoma abre-se
para fora por meio de metanefrídio (órgão que tem
forma de funil aberto e ciliado) e gonoduto, vias de
eliminação de excretas e gametas. A parede do corpo
6. Aspectos embriológicos possui feixes de músculos longitudinais e circulares
que podem funcionar antagonicamente; à medida
Os anelídeos são organismos triblásticos, celomados
(são os únicos vermes com essa característica) e possuem que os músculos são contraídos ou relaxados, a força
simetria bilateral. A cavidade celômica possui um líqui- aplicada ao fluido celomático facilita uma variedade
do que transporta nutrientes, gases e resíduos do metabo- de tipos de movimentos corporais, funcionando, as-
lismo entre o sistema circulatório e as células do organis- sim, como esqueleto hidrostático.
mo. Observe a seguir um corte transversal dos anelídeos:
poro dorsal
cutícula músc. circular
epiderme músc. longitudinal
peritónio
cerdas vaso dorsal
laterais
celoma intestino
 VOLUME 3

tiflossolis
multimídia: site
cerdas ventrais
células
cels. cloragógenas cordão
vaso ventral
nervoso

[Link]/conteudos/Reinos2/[Link]
Corte transversal de um anelídeo

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  81


CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

Algumas espécies parasitas de anelídeos produzem uma substância denominada hirudina, que é anestésica e anti-
coagulante. Ela é secretada juntamente à saliva na região de fixação no hospedeiro. Essa substância é usada pela
indústria farmacêutica para produção de medicamentos anticoagulantes. Além disso, desde a antiguidade, as san-
guessugas são usadas na medicina. Anos atrás, era comum o uso desses animais para realizar sangrias; atualmente,
as sanguessugas ainda são utilizadas para sugar o sangue coagulado de ferimentos.
A substância hirudina é considerada um anticoagulante e é liberada por indivíduos da classe hirudínea, que são
ectoparasitas. Para compreender a ação dessa substância no organismo, são necessários conceitos de fisiologia do
tecido sanguíneo. Conceitos químicos também podem ser aplicados aqui, podendo indicar a estrutura da molécula
de hirudina e seus grupos químicos presentes.
 VOLUME 3

82  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.

O conhecimento da biodiversidade é fundamental para sua preservação, como também permite ao homem
desenvolver suas atividades econômicas utilizando técnicas que usufruam de características naturais dos
diferentes organismos, agredindo menos o ambiente e se desenvolvendo de forma sustentável. Assim, as
questões do Enem tendem a fazer uma abordagem mais ecológica sobre as espécies, geralmente sem
cobrar de forma seca e direta as características que definem cada grupo.

MODELO 1

(Enem)

Na charge, a arrogância do gato com relação ao comportamento alimentar da minhoca, do ponto de vista
biológico:
a) não se justifica, porque ambos, como consumidores, devem “cavar” diariamente o seu próprio alimento;
b) é justificável, visto que o felino possui função superior à da minhoca numa teia alimentar;
c) não se justifica, porque ambos são consumidores primários em uma teia alimentar;
d) é justificável, porque as minhocas, por se alimentarem de detritos, não participam das cadeias alimentares;
e) é justificável, porque os vertebrados ocupam o topo das teias alimentares.

ANÁLISE EXPOSITIVA

As minhocas pertencem ao grupo dos anelídeos e são animais detritívoros que se alimentam de restos de
matéria orgânica no solo, auxiliando na reciclagem dos nutrientes. Elas são, portanto, classificadas como
consumidores na cadeia trófica (heterotróficos), assim como todos os organismos dentro do Reino Animal,
no qual também se encontram os gatos, que, apesar de não serem detritívoros, também devem explorar os
recursos alimentares do ambiente. A arrogância apresentada na charge ocorre devido ao personagem Gar-
field ser um gato doméstico, o qual é alimentado pelo seu dono e apresenta hábitos preguiçosos, ao con-
trário do que se espera de um felino selvagem; entretanto, encontra-se no nível trófico dos consumidores.

RESPOSTA Alternativa A
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  83


DIAGRAMA DE IDEIAS

ANELÍDEOS

• TRIBÁSICOS, CELOMADOS COM SIMETRIA BILATERAL


• METAMERIA (CORPO SEGMENTADO)
• AMBIENTE: TERRESTRE ÚMIDO, MARINHO OU DULCÍCOLA
• SISTEMA DIGESTIVO: COMPLETO
• SISTEMA CIRCULATÓRIO: FECHADO (HEMOGLOBINA NO PLASMA SANGUÍNEO)
• RESPIRAÇÃO: CUTÂNEA (TERRESTRES) OU BRANQUIAL (AQUÁTICOS)
• EXCREÇÃO: METANEFRÍDEOS
• SISTEMA NERVOSO: GANGLIONAR VENTRAL
• DUPLA CAMADA MUSCULAR
EXTERNA: CIRCULAR
INTERNA: LONGITUDINAL

CLASSES

POLIQUETAS OLIGOQUETAS HIRUDÍNEOS

EX.: NEREIS SP EXS.: MINHOCA E EX.: SANGUESSUGA


• CABEÇA DIFERENCIADA MINHOCUÇU • AUSÊNCIA DE CERDAS
COM PALPOS E TENTÁCULOS • POUCAS CERDAS • VENTOSA NAS EX-
• UM PAR DE PARAPÓDIO • HERMAFRODITAS TREMIDADES
POR SEGMENTOS • CLITELO • PODEM SER ECTOPARA-
• DESENVOLVIMENTO INDIRE- • DESENVOLVIMENTO DIRETO SITAS HEMATÓFAGOS
TO (LARVA TROCÓFORA)
 VOLUME 3

84  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


§ Aracnídeos – aranha, escorpião, ácaro, carrapato, opilião.
ARTRÓPODES E
§ Insetos – traça-de-livro, tesourinha, barata, gafa-
EQUINODERMOS nhoto, louva-a-deus, cigarra, libélula, formiga, cupim,
abelha, besouro, borboleta, mariposa, pulga, piolho,

CN
mosca, mosquito.
§ Diplópodes – piolho-de-cobra (embuá).
COMPETÊNCIA(s)
§ Quilópodes – lacraia.
4e8

AULAS HABILIDADE(s) 1.2. Caracteres morfológicos


13, 14, 16 e 28
A principal característica dos artrópodes é a presença
21 E 22 de apêndices formados por diversas partes, com juntas
móveis, ou seja, articuladas. Com forma variada, esses
apêndices constituem patas, antenas, palpos, apêndices
bucais, etc. Veja a seguir.

Coxa

Trocanter

Fêmur

1. Artrópodes Tíbia
Tibia

1.1 Caracterização Tarso


Dentro do Filo dos artrópodes, as classes dos diplópodes e
quilópodes, juntamente com os onicóforos, têm importância
evolutiva porque esses organismos apresentam caracterís-
ticas intermediárias entre anelídeos e artrópodes. Todos 1.3. Segmentação
os artrópodes têm em comum o fato de terem pares de
apêndices articulados (patas, antenas, quelíceras, palpos, Nos anelídeos, a segmentação ou metameria é homôno-
etc.), corpo segmentado e um esqueleto externo rígido, ma, ou seja, os segmentos são iguais. Nos artrópodes, a
composto por quitina (exoesqueleto quitinoso). Com a segmentação é heterônoma, porque os segmentos são di-
presença de exoesqueleto, a dificuldade do crescimento foi ferentes, muitas vezes fusionados, permitindo a divisão do
resolvida com a presença de mudas ou ecdises. Assim, os corpo em partes distintas. Nos insetos o corpo é dividido
artrópodes, na ocasião da muda, aumentam rapidamente em três partes: cabeça, tórax e abdômen. Em crustáceos e
o volume de seu corpo, rompendo a camada fina de quiti- aracnídeos, ocorre a fusão da cabeça com o tórax, forman-
na que não foi reabsorvida. Logo, começa a reestruturação do o cefalotórax. Observe a seguir.
dessa proteção. Mandíbula
Cabeça Olho pedunculado Abdômen
Os artrópodes (artro = articulação; podes = patas) repre- Antena Cefalotórax
sentam, sem dúvida, o grupo de maior sucesso na face da Antena
Terra. Afirma-se isso pelo fato de que mais de 75% das es- Tórax

pécies existentes são de artrópodes. Eles colonizaram todos


Pata
os ambientes. Apresentam ciclo de vida rápido, geram mi- Peças bucais
Nadadeiras
Leque
lhares de descendentes, têm uma variada adaptação para a Patas caudal
alimentação. São organismos triblásticos, protostômios, Abdômen Camarão (crustáceo)
celomados e de simetria bilateral. Formiga (inseto)

Existem cerca de 900.000 espécies adaptadas para a vida


 VOLUME 3

no ar, na terra, no solo, em água doce e salgada. Podemos 1.4. Exoesqueleto


citar como principais representantes desse filo as classes:
O corpo dos artrópodes é revestido por um exoesque-
§ Crustáceos – camarão, lagosta, siri, caranguejo, tatuzi- leto, constituído por uma cutícula quitinosa, secretada
nho-de-jardim, microcrustáceos (dáfnia, copépodes, etc.). pela epiderme. O esqueleto quitinoso não se apresen-

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  85


ta uniformemente espessado e endurecido; nos limites 1.6. A digestão
entre os vários segmentos e entre os diversos artículos
dos apêndices, ele se mostra delgado, formando as ar- O sistema digestivo é completo e compreende: boca, farin-
ge e esôfago, dos quais são diferenciações o papo e a mo-
ticulações. A cutícula adquire grande resistência, espe-
ela ou estômago mastigador. Segue-se o estômago glan-
cialmente nos crustáceos, nos quais ela é impregnada
dular, o intestino e o ânus. A digestão é extracelular, sendo
por carbonato de cálcio. A couraça quitinosa protege
comum a ocorrência de um aparelho bucal adaptado para
o animal, mas impede o crescimento. Daí a ocorrência
os hábitos alimentares como mastigação ou sucção, já que
da muda ou ecdise, fenômeno que consiste na reno-
existem espécies herbívoras, carnívoras e parasitas.
vação do exoesqueleto. O antigo esqueleto separa-se
da epiderme e é eliminado, constituindo uma exúvia.
O corpo do animal aparece agora com um esqueleto 1.7. A respiração
bem mais delgado e flexível, podendo então crescer e Na maioria dos artrópodes a respiração é branquial e
posteriormente reforçar a cutícula. Além de proteger e traqueal. As brânquias aparecem nos crustáceos e as tra-
sustentar o corpo, o exoesqueleto serve como base para queias, tubos revestidos de quitina pelos quais os gases se
a inserção da musculatura e impede a desidratação nas difundem, ocorrem em insetos, diplópodes e quilópodes.
formas terrestres. Nos aracnídeos as traqueias situam-se no interior de dilata-
ções saculiformes denominadas pulmões foliáceos.

Cutícula Músculo
rígida

Cutícula flexível
Apêndice articulado
multimídia: vídeo
A principal consequência do exoesqueleto nos artrópodes Fonte: Youtube
é o crescimento descontínuo, que pode ser observado e Melhor documentário sobre insetos, invertebrados...
entendido no gráfico a seguir.

Crescimento descontínuo em artrópodos 1.8. A circulação


O sistema circulatório é do tipo aberto ou lacunar, constitu-
Crescimento rápido ído por coração, artérias e hemóceles. O coração, arredon-
dado ou tubuloso, situa-se dorsalmente em relação ao tubo
Parada do crescimento digestivo. Dele saem artérias que conduzem sangue para di-
Muda ferentes órgãos. Numerosas cavidades, denominadas hemo-
celes, substituem capilares e veias, transportando o sangue
para o coração. Em crustáceos e aracnídeos, o sangue apre-
senta corpúsculos ameboides e, dissolvida no plasma, a he-
1.5. O tegumento e a musculatura mocianina, um pigmento que transporta o oxigênio para as
células. Nos insetos, quilópodes e diplópodes o sangue não
O tegumento é constituído por uma epiderme, formada
apresenta hemocianina, servindo apenas para o transporte
por epitélio simples e prismático. Entre as células epi-
de nutrientes, já que as traqueias conduzem diretamente o
dérmicas, aparecem células sensoriais que atravessam a oxigênio para os tecidos.
cutícula e entram em contato com cerdas e células sen-
soriais. A musculatura dos artrópodes não forma o tubo
musculodérmico dos vermes. É constituída por feixes de
1.9. A excreção
 VOLUME 3

fibras estriadas inseridas sobre diversos elementos esque- Em crustáceos e aracnídeos, encontramos como órgãos
léticos e, por meio da contração, funciona como alavanca. excretores especializados: as glândulas verdes (crustáceos)
Fibras musculares lisas encarregam-se da motilidade das e coxais (aracnídeos). Insetos, diplópodes e quilópodes ex-
paredes intestinais e outras vísceras. cretam através dos tubos de Malpighi.

86  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


1.10. Os sistemas nervoso e sensorial Como exemplo típico, estudaremos o camarão, que aparece
em grande quantidade no litoral brasileiro, alcançando até
Os artrópodes apresentam um sistema nervoso ganglionar 15 centímetros de comprimento, tendo o corpo revestido
e ventral, semelhante ao dos anelídeos. Assim, encontramos por uma couraça quitinosa espessa e resistente, exceto nas
dois complexos ganglionares, um cerebroide ou supraesofá- articulações, onde se apresenta delgada e flexível. O corpo é
gico e outro infraesofágico, ligados por conectivos perieso- dividido em cefalotórax e abdômen. O cefalotórax é recober-
fágicos; completando aparece a cadeia ganglionar ventral, to por carapaça quitinosa rígida e apresenta quatro antenas,
com um par de gânglios para cada segmento. No tegumen- dois olhos pedunculados, apêndices bucais, usados na apre-
to, como já vimos, aparecem células sensoriais ligadas a ensão e ingestão, além de cinco pares de patas (decápodes)
terminações nervosas. Órgãos tácteis, olfatórios e térmicos locomotoras, chamadas de pereiópodes.
distribuem-se em várias partes do corpo, especialmente nas
Olho Cefalotórax
antenas e nos palpos. Como elementos visuais aparecem Antena Abdômen
olhos simples e compostos.

1.11. A reprodução
Antênula
A reprodução dos artrópodes é sexuada. Geralmente, os Pereiópodes
artrópodes são unissexuados; as cracas são crustáceos her- Pleiópodes Telson
Urópodes
mafroditas. É comum o dimorfismo sexual, sendo as fême-
as maiores do que os machos. Na maioria, a fecundação O abdômen é nitidamente segmentado, apresentando no
é interna; apêndices modificados funcionam como órgãos último anel uma expansão pontiaguda chamada telson. Os
copuladores. O desenvolvimento é direto e indireto. Formas apêndices abdominais são natatórios e podem ser dividi-
partenogenéticas ocorrem entre crustáceos (cladóceros) e dos em pleiópodes (curtos) e urópodes (largos, formando
insetos (abelhas). as nadadeiras caudais).
§ Sistema digestório – completo: estômago com den-
1.12. Classificação tes para triturar o alimento (molinete gástrico), glându-
las anexas (hepatopâncreas).
A variedade desses animais é subdividida em cinco princi- § Sistema circulatório – aberto ou lacunar, plasma
pais grupos. Os critérios principais para a classificação dos provido de hemocianina para transporte de gases.
artrópodes devem-se ao tipo de segmentação do corpo, ao
número de antenas e ao número de patas. § Sistema respiratório – branquial.
§ Sistema excretor – glândula verde, localizada abaixo
1.12.1. Crustáceos das antenas, retira excretas do celoma e lança para o
meio externo.
Apresentam corpo segmentado em cefalotórax e abdô-
men, cinco ou mais pares de patas e dois pares de antenas. § Sistema reprodutor – dioicos, fecundação interna,
Os apêndices são bifurcados. desenvolvimento direto ou indireto com sucessivos es-
tágios larvais: naupilus, zoea, mysis.

Cracas Tatuzinho-de-jardim
Tatuzinho de Jardim Lagosta
Apêndice bifurcado
Há sobre o corpo, além do exoesqueleto quitinoso, uma Anatomia interna de um crustáceo
Anatomia interna de um lagostim
camada de carbonato de cálcio. A maioria é marinha, mas músculo
há representantes de água doce e terrestres. encéfalo estômago coração gônada extensor

São animais tipicamente aquáticos e predominantemente ma-


 VOLUME 3

rinhos. São raras as formas adaptadas à vida terrestre, como é olho


glândula verde
o caso do “tatuzinho-de-jardim”, que, quando molestado, se boca
enrola, formando uma pequena bola. Nas espécies maiores, mandíbula

o esqueleto forma uma casca ou crosta muito resistente, que esôfago maxilipídeo cadeia gânglio da glândula músculo ânus
aparece na lagosta, no camarão, no siri e no caranguejo. nervosa cadeia nervosa digestiva flexor
ventral ventral

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  87


1.12.2. Aracnídeos Cefalotórax Olhos

Os aracnídeos apresentam corpo dividido em cefalotórax Abdômen Quelíceras


e abdômen, quatro pares de patas, que saem do cefalotó-
rax e não apresentam antenas. No entanto, encontramos Patas Pedipalpo
Quelíceras
VISTA DORSAL
apêndices próximos à boca, chamados de palpos e as que- Quelíceras

líceras. Também podem apresentar diferentes glândulas Lâmina Pedipalpo


mastigadora
especializadas pelo corpo, como as fiandeiras nas aranhas Patas

e as de veneno nos escorpioes. Pedipalpo


Lábio
Quelíceras Bulbo
Na margem anterior do cefalotórax existem, geralmente, Abertura genital
genital Cefalotórax
oito olhos rudimentares, e, como apêndices: um par de
quelíceras, dois pares de pedipalpos e quatro pares de Ânus
Espiráculos
patas locomotoras. As quelíceras, terminadas em garras, Fiandeiras Pedipalpo
VISTA VENTRAL do macho
servem para a inoculação do veneno. Os pedipalpos são
longos e usados na apreensão e mastigação; no macho, o § Sistema digestivo – completo, com digestão extra-
pedipalpo funciona como órgão copulador, servindo para a celular e extraintestinal. Os sucos gástricos são injeta-
introdução de espermatozoides na fêmea. dos no corpo da presa e, quando estiver digerido, será
As aranhas são octópodes, isto é, apresentam quatro pa- aspirado e absorvido pelo intestino.
res de patas locomotoras. O abdômen é desprovido de § Sistema circulatório – aberto, coração dorsal, com
apêndices, tendo, na extremidade posterior, dois a três hemocianina para transporte dos gases.
pares de fiandeiras usadas na fiação das teias. Nos es- § Sistema respiratório – composto por um pulmão e
corpiões, os pedipalpos são muito desenvolvidos e, como traqueias que distribuem os gases para a hemolinfa,
acontece com as quelíceras, terminam em pinça ou que- sistema filotraqueal.
la. O abdômen, dividido em duas partes (pré-abdômen,
§ Sistema excretor – através de glândulas coxais que se
com quatro pares de patas, e pós-abdômen, vulgarmen-
abrem na base das patas e também por túbulos de Malpighi.
te chamado cauda), é cilíndrico e termina no telson, um
aguilhão para inoculação do veneno. Os ácaros ou § Sistema reprodutor – dioicos, fecundação interna e
carrapatos constituem um vasto grupo de aracnídeos, desenvolvimento direto.
em que o cefalotórax e o abdômen aparecem fusionados
sem segmentação nítida. As quelíceras e os pedipalpos
constituem um aparelho picador-sugador.
Também há uma diversidade de organismos que são
parasitas de humanos. Por exemplo, a sarna é causada
pelo ácaro Sarcoptes scabei e os cravos pelo Demodex
folliculorum, que infectam os folículos e glândulas sebá-
ceas da pele humana. Outro parasita conhecido é o car-
rapato (Amblyomma cafennense), alimenta-se de sangue
de animais selvagens e do ser humano, podendo causar
prejuízos para criações de bois e cavalos.
Ácaro
Espécies de ácaros também são causadoras de enfermi-
dades, como a Dermatophagoides farinae, se nutrem de
detritos orgânicos do ambiente e causam alergia.

Pós-abdômen
Telson

Pré-abdômen
Cefalotórax
Olhos
 VOLUME 3

Patas Pedipalpos

Quelíceras
Queliceras Aranha caranguejeira

88  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Anatomia interna de um aracnídeo. § Sistema circulatório – aberto ou lacunar, dorsal, au-
Cefalotórax Abdômen sência de pigmentos respiratórios.
Coração Tubo digestivo § Sistema respiratório – tipo traqueal, tubos que co-
Intestino
Cérebro Tubo digestivo Aorta
Ovário
municam um orifício externo chamado espiráculo dire-
Túbulo de Malpighi
Olhos
Ampola retal tamente com os tecidos.
Glândula de veneno
§ Sistema excretor – túbulos de Malpighi, que remo-
Canal de veneno
vem excretas do sangue e lançam no tubo digestivo.
Esôfago Ânus

Glândula coxal Pulmão Oviduto


Fiandeiras
§ Sistema reprodutor – dioicos, fecundação interna,
Presa Ceco Depósito Glândulas
de esperma sericígenas desenvolvimento direto ou indireto.

1.12.3. Insetos
Os insetos representam a maior variedade de espécies na
face da Terra. Aprentam um corpo dividido em três partes:
cabeça, tórax e abdômen. Na cabeça, além de olhos, en-
contra-se um par de antenas. No tórax, saem três pares de
patas e podem desenvolver dois pares de asas. Nas moscas
e mosquitos, aparece apenas um par de asas e por isso são
multimídia: site
chamados de dípteros (di = dois; pteri = asa).
A cabeça é constituída pela fusão de seis segmentos e [Link]/conteudos/Reinos3/Artropo-
apresenta um par de olhos compostos, vários ocelos, um [Link]
par de antenas e um aparelho bucal. Existem quatro tipos [Link]/conteudos/Reinos3/Equinoder-
básicos de aparelho bucal: mastigador (gafanhoto), lam- [Link]
bedor (abelhas), sugador (borboletas) e picador-sugador
(mosquitos). O tórax é o centro locomotor dos insetos, Anatomia interna de um inseto
composto por três segmentos: anterior, médio e posterior.
Cada anel ou segmento torácico apresenta um par de pa-
tas em todos os insetos e um par de asas no segmento
mediano e outro no posterior, na maioria das espécies. O
abdômen é a mais volumosa das partes em que se divide
o corpo dos insetos, constituindo o centro da nutrição e da
reprodução. Os últimos segmentos abdominais formam a
armadura genital ou genitália, que nas fêmeas apresenta
o ovipositor. Com o maior número de espécies do que
qualquer outro grupo, os insetos ocorrem nos mais varia- A grande adaptação dos insetos, além da reprodução rápi-
dos ambientes; somente os oceanos são quase completa- da e do enorme número de descendentes, são, justamente,
mente desprovidos de insetos. as asas. Outra particularidade é o tipo de desenvolvimento
do ovo até chegar ao adulto. Veja os tipos a seguir:
Só para exemplificar, citaremos algumas ordens: ortópte-
ros (grilos e gafanhotos), isópteros (cupins), anopluros § Ametábolos – sem metamorfose. O ovo eclode e libe-
(piolhos), hemípteros (percevejos), lepidópteros (bor- ra o indivíduo jovem com forma semelhante ao adulto.
boletas), dípteros (moscas e mosquitos), coleópteros Ex.: traça.
(besouros) e himenópteros (abelhas, vespas e formigas). OVO → FORMA JOVEM → ADULTO
§ Hemimetábolo – com metamorfose incompleta: o
ovo eclode e libera uma ninfa (forma jovem diferente
do adulto), sem asas e sem órgão sexuais. Essa nin-
fa sofre ecdises sucessivas, adquirindo características
 VOLUME 3

adultas.
Piolho Mosquito Formiga Exs.: gafanhoto, barata, louva-a-deus, cigarra, libélula.
§ Sistema digestivo – completo com glândulas ane- eclosão mudas
xas (salivares e cecos gástricos). OVO → NINFA → ADULTO

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  89


§ Holometábolo – com metamorfose completa. O Exs.: formiga, cupim, abelha, besouro, borboleta, mari-
ovo eclode, liberando uma larva que libera grande posa, pulga, piolho, mosca, mosquito.
quantidade de alimento e realiza mudas originando
eclosão ecdise
a pupa (casulo ou crisálida), que sofre grandes trans-
OVO → LARVA → PUPA → IMAGO (FORMA ADULTA)
formações até a fase adulta.

VIVENCIANDO

Insetos são constantemente usados para controle biológico de pragas em lavouras. O controle biológico consiste na
utilização de conhecimentos sobre as cadeias e teias ecológicas, e, assim, identifica-se o predador de uma determina-
da praga e passa-se a usá-lo para controlar sua população. Veja um exemplo desse controle na reportagem a seguir:

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

O voo dos insetos tem grande estabilidade, dinâmica e agilidade. A biofísica pode explicar essas características. Atra-
vés do uso de conceitos como fisiologia do tecido muscular, aerodinâmica desses animais e mecânica das forças, os
cientistas biomecânicos conseguiram desvendar como é possível certos insetos voarem com alta eficiência.
 VOLUME 3

90  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


1.12.4. Diplópodes 2. Equinodermos -- o sistema
Como o embuá ou piolho-de-cobra, apresentam um
corpo com uma cabeça, contendo um par de olhos e de
ambulacral e a deuterostomia
antenas. Destaca-se um tronco longo, cilíndrico e seg- Os equinodermos são animais exclusivamente marinhos, de
mentado, com patas articuladas que partem do ventre do simetria tipicamente radiada, evoluindo a partir de larvas
animal. Na maioria desses segmentos, há dois pares de com simetria bilateral. No estado adulto, os equinodermos
patas. Esses animais caminham lentamente e têm hábito apresentam uma simetria pentarradiada com cinco antí-
detritívoro. Veja, a seguir, a ilustração e a anatomia inter- meros, isto é, unidades morfológicas que se repetem em
na de um diplópode. torno de um eixo heteropolar. Outra característica notável
é a existência de um esqueleto interno calcário, geralmente
com numerosos espinhos; daí o nome equinodermos (do
grego echinos = espinhos + dermis = pele). Veja exemplos
dos animais na imagem a seguir.

Classificação dos equinodermos


Classificação dos equinodermos

Crinoideos

Piolho-de-cobra
Holothuroideos

Ocelos Tórax Abdômen


Asteroideos

Cabeça
Ophiuroideos

Patas
Mandíbula (2 pares)
Antena Poro genital
Echinoideos
(curta)
Anatomia do corpo de diplópodes

1.12.5. Quilópodes
Como as lacraias ou centopeias, também apresentam
corpo dividido em cabeça e tronco, mas há apenas um
par de patas por segmento. O tronco é mais achatado
dorso-ventralmente e as patas partem, praticamente, da
lateral do corpo. São animais que caminham rápido, são
predadores que possuem um par de apêndices, as forcí-
pulas, que injetam veneno. Veja, a seguir, a imagem de
um quilópode.

2.1. Sistema ambulacrário


Trata-se de um sistema hidrovascular exclusivo dos equino-
dermas, cumprindo essencialmente a função de locomoção
e também colaborando com trocas gasosas e eliminação de
excretas. A água entra pela placa madrepórica − uma placa
excêntrica, dorsal e porosa − e segue para o canal pétreo,
que atinge o canal circular e distribui a água para os canais
 VOLUME 3

radiais. Os canais ficam no interior de cada braço, providos


de numerosos canalículos transversais que sustentam, de
ambos os lados, os pés ambulacrários com uma dilatação
Lacraia superior − a ampola.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  91


Vista das faces ORAL e ABORAL dos Equinoidea Evolução dos cordados a partir de
Boca Orifício genital
um ancestral de equinodermo
Ânus Petaloides Ânus
(áreas por onde
saem pés
ambulacrários
modificados, Protostômios
lamelares, com
função respiratória.)
Vista oral Vista aboral
Pela contração da ampola, a água nela contida é enviada Blastóporo Boca
ao pé, que então se distende, alargando a extremidade em
forma de ventosa, com a qual ele se fixa no substrato. Di-
Deuterostômios
latando-se a ampola, a água volta, os pezinhos murcham
e soltam-se do substrato. Dessa forma, a musculatura se
move em função da água. O animal se locomove fixando e Blastóporo
Ânus
desprendendo, alternadamente, os pés ambulacrários.

PES ambulacrais
ampola 2.3. Classificação dos equinodermos
pé ambulacrário

madreporito ventosa O filo dos equinodermos é dividido em cinco classes:


canal pétreo crinoides, asteroides, ofiuroides, equinoides e
holoturoides.

2.3.1. Classe Crinoidea


canal circular Os crinoides, vulgarmente conhecidos por lírios-do-mar, são
canal lateral
equinodermos tipicamente fixados ao substrato. O corpo é
vesícula canal radial
de poli constituído por uma parte central, o cálice, do qual partem
cinco braços ramificados e um pedúnculo segmentado.

Placa madrepórica Píndulas

Braço
Cálice
Canal
pétreo Ampola
Pendúculo

Canal circular Pés


Canal radial ambulacrários

Cirros
2.2. Aspectos embriológicos
Além do esqueleto interno, outra característica importante é
o desenvolvimento embrionário. Tanto nos cordados como 2.3.2. Classe Asteroidea
nos equinodermos, o ânus surge de uma estrutura (o blastó- Os asteroides compreendem as estrelas-do-mar, que devem
poro), que nos demais grupos forma a boca. Podemos dizer seu nome à forma do corpo, constituído por um disco cen-
que, na maioria dos animais, a boca surge antes (na verdade, tral do qual partem cinco braços radialmente dispostos. A
deriva do blastóporo), o que os torna protostômios, enquan- superfície do corpo é densamente revestida por pequenos
 VOLUME 3

to que, em equinodermos e cordados, o ânus é que surge espinhos, irregularmente distribuídos. Na face dorsal distin-
antes (deriva do blastóporo), o que os torna deuterostômios. guem-se o ânus e a placa madrepórica. Em vista ventral, os
Essa característica aproxima os dois grupos, equinodermos e braços apresentam os sulcos ambulacrários com duas a qua-
cordados, em termos evolutivos. tro fileiras de pés ambulacrários, usados na locomoção.

92  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


As estrelas notabilizam-se pela elevada capacidade de re- 2.3.4. Classe Echinoidea
generação, podendo um fragmento de braço produzir um
Os equinoides são os ouriços-do-mar, que apresentam um
indivíduo completo.
corpo hemisférico, rígido, desprovido de braços e recoberto
Por muito tempo, causaram prejuízos à comercialização por espinhos. A face superior é abaulada, enquanto a ventral
de pérolas, pois, sendo predadoras de ostras perolíferas, é achatada, apresentando na parte central uma área mem-
os pescadores, ao encontrarem esses animais na criação branosa contendo a boca, fechada por cinco dentes.
desses bivalves, quebravam a estrela em algumas partes
e as jogavam de volta ao mar agravando o problema, pois
surgiam mais e mais estrelas.
Placa Sulco
madropórica ambulacrário

Pés
Ambulacrários

intestino ânus
Ânus Boca gônada
Vista dorsal Vista ventral

estômago
Estômago
Pilórico Canal Radial
Estômago
Cardíaco Ampolas
placa
pé ambulacrário
calcária
gônada
Ânus (glândula reprodutora) pés boca
ampola esôfago cordão
canal lateral nervoso radial carapaça
canal radial

Canal
Circular
2.3.5. Os holoturoides
glândula
digestiva Os holoturoides, vulgarmente conhecidos por pepinos-
Espinha -do-mar, são animais de simetria bilateral, corpo cilíndrico
e achatado. A boca, situada na extremidade anterior, é cir-
cundada por tentáculos, simples ou ramificados.
2.3.3. Classe Ophiuroidea
Os ofiuroides são vulgarmente conhecidos por serpen-
tes-do-mar; apresentam o corpo formado por um disco
central bem diferenciado dos braços. Os braços, geral-
mente em número de 5, são cilíndricos, delgados, simples
ou ramificados, com movimentos serpenteantes, vindo
Exemplo de pepino-do-mar
daí o nome da classe.

2.4. Tegumento e esqueleto


O corpo apresenta-se recoberto por uma delicada epi-
derme (epitélio simples) envolvendo um esqueleto cons-
tituído por placas calcárias fixas (equinoides) ou móveis
(crinoides, ofiuroides e asteroides); lâminas microscópi-
cas formam o esqueleto dos holoturoides. Fazem ainda
parte do esqueleto os espinhos que, nos equinoides, são
 VOLUME 3

longos e móveis, acionados por músculos. Sobre o corpo


dos asteroides e equinoides aparecem as pedicelárias,
formações terminadas por duas ou três mandíbulas, mo-
vimentadas por musculatura; servem para limpeza da
superfície corpórea e apreensão de pequenos animais.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  93


2.5. A digestão 2.7. A circulação
O sistema digestivo é completo e dividido em boca, esô- Não existe sistema circulatório. Um reduzido conjunto de
fago, estômago, intestino e ânus. Nos crinoides, o tubo canais pseudo-hemais é preenchido por um líquido con-
digestivo curva-se em U, de maneira que boca e ânus se tendo amebócitos.
encontram, lado a lado, no polo superior. Nos ofiuroides
e em alguns equinoides, falta o ânus. Nos equinoides, a 2.8. A excreção
boca é provida de um complicado aparelho mastigador, a
chamada lanterna de aristóteles. Geralmente, os equino- Não existem órgãos excretores. Os catabólitos são absorvidos
dermos são predadores carnívoros. por amebócitos e eliminados em diversas regiões do corpo.

2.9. Os sistemas nervoso e sensorial


Não existem gânglios. Na região oral aparece um anel
nervoso, do qual partem nervos radiais. Células sensoriais
aparecem dispersas na epiderme.

2.10. A reprodução
Os equinodermos são animais unissexuados sem dimorfis-
2.6. A respiração mo sexual. A fecundação é externa e o desenvolvimento in-
Nos equinodermos, as trocas respiratórias são realizadas direto. As larvas apresentam simetria bilateral, existindo um
pelo sistema ambulacrário. Brânquias pequenas e dérmicas tipo de larva para cada classe. Asteroides e holoturoides
ocorrem nos asteroides e equinoides. são dotados de uma elevada capacidade de regeneração.
 VOLUME 3

94  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.

Para que possamos preservar a biodiversidade no planeta, é necessário que haja estudos para conhecermos
suas características não só anatômicas, como também ecológicas. Isso permite também que o homem desen-
volva suas atividades econômicas utilizando técnicas que usufruam e respeitem as características naturais dos
diferentes organismos, agredindo menos o ambiente e se desenvolvendo de forma sustentável. Desse modo, as
questões do Enem tendem a fazer uma abordagem mais ecológica sobre as espécies, fornecendo alguns dados
e esperando que o aluno consiga relacionar os conteúdos, levantando hipóteses coerentes e chegando a conclu-
sões adequadas sobre o assunto.

MODELO 1

(Enem) A atividade pesqueira é, antes de tudo, extrativista, o que causa impactos ambientais. Muitas espécies
já apresentam sério comprometimento em seus estoques e, para diminuir esse impacto, várias espécies vêm
sendo cultivadas. No Brasil, o cultivo de algas, mexilhões, ostras, peixes e camarões vem sendo realizado há
alguns anos, com grande sucesso, graças ao estudo minucioso da biologia dessas espécies.

Os crustáceos decápodes, por exemplo, apresentam durante seu desenvolvimento larvário várias etapas com mu-
dança radical de sua forma. Não só a sua forma muda, mas também a sua alimentação e habitat. Isso faz com
que os criadores estejam atentos a essas mudanças, porque a alimentação ministrada tem de mudar a cada fase.
Se para o criador essas mudanças são um problema para a espécie em questão, essa metamorfose apresenta
uma vantagem importante para sua sobrevivência, pois:
a) aumenta a predação entre os indivíduos;
b) aumenta o ritmo de crescimento;
c) diminui a competição entre os indivíduos da mesma espécie;
d) diminui a quantidade de nichos ecológicos ocupados pela espécie;
e) mantém a uniformidade da espécie.

ANÁLISE EXPOSITIVA

Os crustáceos compõem uma classe do filo dos Artrópodes e, como esses, além de realizar mudas do exoes-
queleto (ecdises) para que ocorra crescimento corporal, o ciclo de vida também pode apresentar metamor-
fose até chegar à fase adulta. Portanto, para a criação de crustáceos, é importante conhecer essas diferentes
formas de desenvolvimento, que pode ser direto (sem metamorfose) ou indireto com diferentes formas
larvárias que ocuparão diferentes nichos ecológicos. Esse processo reduz o ritmo de crescimento; no entanto,
irá também reduzir a competição entre indivíduos da mesma espécie pelos recursos ambientais onde vivem.
 VOLUME 3

RESPOSTA Alternativa C

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  95


DIAGRAMA DE IDEIAS

ARTRÓPODES CLASSES

ARACNÍDEOS
EXS.: ARANHA, ESCORPIÃO,
CARACTERÍSTICAS
ÁCARO, CARRAPATO
GERAIS
• QUELÍCERAS
• CORPO SEGMENTADO • 4 PARES DE PATAS
• PARES DE APÊNDICES ARTICULADOS
• EXOESQUELETO DE QUITINA INSETOS
• ECDISE (MUDAS)
• CIRCULAÇÃO ABERTA EXS.: FORMIGA, BARATA, ABELHA,
• RESPIRAÇÃO PULMÃO FOLIÁCEO, CUPIM, BORBOLETA, TRAÇA, PULGA
TRAQUEAL OU BRANQUEAL • 1 PAR DE ANTENAS
• DESENVOLVIMENTO DIRETO OU INDIRETO • 2 PARES DE ASAS (MAIORIA)
• 3 PARES DE PATAS

CRUSTÁCEOS
EXS.: CARANGUEJO, CA-
MARÃO, SIRI, LAGOSTA
• 2 PARES DE ANTENAS
EQUINODERMOS • 5 OU MAIS PARES DE PATAS

DIPLÓPODES
EXS.: PIOLHO-DE-COBRA
CARACTERÍSTICAS • 2 PARES DE PATAS POR SEGMENTO
GERAIS
QUILÓPODES
• SIMETRIA RADIAL SECUNDÁRIA
• CORPO COM ESPINHOS E EN- EXS.: LACRAIA
DOESQUELETO CALCÁRIO
• 1 PAR DE PATAS POR SEGMENTO
• AMBIENTE MARINHO
• SISTEMA AMBULACRÁRIO LOCOMOÇÃO,
CIRCULAÇÃO, RESPIRAÇÃO E EXCREÇÃO CRINOIDES LÍRIO-DO-MAR (FIXOS)
• FECUNDAÇÃO EXTERNA E DESENVOLVIMENTO
INDIRETO (LARVA COM SIMETRIA BILATERAL) ASTEROIDES ESTRELA-DO-MAR
• CAPACIDADE DE REGENERAÇÃO
OFIUROIDES SERPENTE-DO-MAR

EQUINOIDES OURIÇO-DO-MAR

HOLOTUROIDES PEPINO-DO-MAR
 VOLUME 3

96  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


CORDADOS I

CN COMPETÊNCIA(s)
4e8
multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
Evolução dos cordados
AULAS HABILIDADE(s)
13, 15, 16 e 28

23 E 24 Anfioxo
Intestino Músculos
Notocorda
Tubo nervoso
dorsal

Átrio Ânus
Boca Cauda
Atrióporo
Faringe com
fendas
branquiais
Tentáculos

As ascídias apresentam notocorda apenas na fase larval


móvel e, quando adultas, são fixas, com dois sifões por
1. Caracterização geral onde a água é bombeada e filtrada. A ascídia é classifica-
e classificação da no subfilo dos urocordados, que também faz parte dos
acrânios junto ao anfioxo.
Em termos de classificação biológica, os vertebrados cor-
respondem a um subgrupo do filo dos cordados. Quando Sifão
Olho exalante
nos referimos a peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos, Tubo nervoso
estamos falando de classes. Boca
Cauda
O filo dos cordados compreende animais que apresentam, Sifão
Olho exalante
Ascídia (estágio larval)
pelo menos durante uma fase da vida, uma estrutura cha- Tubo
Tubo nervoso
digestivo
mada de notocorda. Outras três caraterísticas são: a pre- Boca Notocorda
Cauda
sença de um tubo nervoso na região dorsal, fendas Coração Sifão inalante
Ventosas Ascídia (estágio larval)
branquiais na faringe e cauda pós-anal. Tubo Sifão
digestivo Ascídia (estágio larval)
Notocorda exalante
Características gerais dos cordados Músculos
Glânglio
CORTE TRANSVERSAL Coração Sifão inalante nervoso
Fendas Branquiais Ventosas Fendas
branquiais Sifão
Somito Glândula
exalante
(músculo) Músculos neural
Túnica Glânglio
Epiderme
Fendas nervoso Ânus
Manto
branquiais Poro
Glândula
CORTE Tubo Nervoso genital
LONGITUDINAL
Cavidade neural
Túnica
Notocorda atrial ÂnusCesta branquial
Tubo Digestivo Celoma Manto em corte
Gônada Poro
Cavidade genital
Estômago
atrial Cesta branquial Ascídia adulta
Coração Base fixada ao substrato
Cauda em corte
Gônada
Ânus Estômago
Coração Ascídia adulta
Por exemplo, o anfioxo, animal aquático com 5 cm de Base fixada ao substrato
 VOLUME 3

comprimento, vive no fundo de mares filtrando partículas Ascídia adulta


alimentares. Esse animal apresenta durante a vida toda a
notocorda. Além dos vertebrados, há o grupo dos acrânios, Além dos acrânios, os craniados são formados pelos ver-
dentro do qual o anfioxo é classificado como pertencente tebrados que apresentam a notocorda quando embriões,
ao subfilo dos cefalocordados. embora ela desapareça no decorrer do desenvolvimento.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  97


2. Os vertebrados As feiticeiras são todas marinhas, que vivem em águas pro-
fundas e se alimentam frequentemente de poliquetos (anelí-
Os animais considerados vertebrados são aqueles que apre- deos), rastejando e perfurando o substrato lodoso. A boca cir-
sentam um esqueleto interno formando uma coluna verte- cular é circundada por tentáculos e apresenta dentículos que
bral. Ao longo da coluna, parte do esqueleto é formada pelas se expandem ou se afastam lateralmente, funcionando como
vértebras. Na região da cabeça dos animais, destaca-se a uma pinça quando saem e entram na boca. As feiticeiras são
caixa craniana, ligada também à coluna vertebral. Essa cai- atraídas, especialmente, por peixes doentes e moribundos e
xa craniana protege o encéfalo e apresenta, na maioria dos os atacam na região das brânquias e ânus. Esses animais
casos, mandíbulas com dentes. A coluna vertebral protege a formam ovos, que eclodem já em fase adulta, ou seja, não
medula espinhal, ligada ao encéfalo. Muitas partes desse es- passam por qualquer estágio larval (desenvolvimento direto)
queleto, seja ósseo ou cartilaginoso, são articuladas, permitin- e chegam a atingir 1 m de comprimento.
do grande mobilidade. Há grupos de vertebrados com mem-
bros que favorecem o deslocamento em ambientes terrestres, nadadeira
possibilitam voo ou são transformados em nadadeiras.

Crânio Cintura
escapular Coluna vertebral
Cintura
pélvica

Mandíbula Cauda
(maxilar inferior) Sustentação
da laringe Costelas
(esqueleto visceral) (caixa torácica) boca
fendas
Membros
Membros branquiais
posteriores
anteriores
Ciclóstomo esquematizado

Fazem parte desse grupo animais denominados de ciclós-


tomos, peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

3. Vertebrados sem mandíbula


(agnatos): os ciclóstomos
Os ciclóstomos (ciclo = circular; estoma = boca) são animais
alongados, sem mandíbula (amandibulados) ou nadadeiras
pares. Só existem representantes aquáticos. Esses animais
são próximos, evolutivamente, dos vertebrados mais primi- Boca do ciclóstomo
tivos. Os representantes mais comuns são as lampreias e as
feiticeiras. A maioria desses animais sobrevive como para- As lampreias também apresentam boca circular, com
sitas externos de outros vertebrados, especialmente peixes. dentículos, mas sem tentáculos em torno dela. As lam-
preias são parasitas e fixam-se no corpo de outros verte-
brados por sucção, fazendo uma ferida rasa na superfície
do corpo do hospedeiro. Na reprodução, formam-se ovos
que, ao eclodirem, originam larvas conhecidas como amo-
 VOLUME 3

cetes. A maioria desses animais migra, quando adultos, da


água do mar para a água doce. As espécies menores têm
um comprimento de 25 cm, mas podem alcançar até um
metro. As lampreias parasitam brânquias de peixes.
Peixe parasitado por ciclóstomos

98  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


4. Aspectos evolutivos dos desenvolvimento de embriões de forma comparada tam-
bém mostra grande similaridade até certo estágio. Observe
vertebrados com mandíbula o esquema a seguir.

(gnatostomados)
A descoberta e o estudo dos fósseis, somados aos conhe-
cimentos sobre as camadas do solo e atmosfera terrestre,
evidenciaram que muitos animais foram extintos ao longo
dos milhões de anos, dentro dos aproximados 5 bilhões de
anos da existência da Terra. Muitos desses fósseis mostram
uma semelhança com os animais existentes hoje, o que
sugere um grau de parentesco entre todos os vertebrados.
Outros estudos reforçam essas ideias, pois mostram que os
sistemas internos dos vertebrados são muito parecidos; o comparações de embriões

Relações filogenéticas dos vertebrados atuais

5. Os primeiros vertebrados com mandíbula: os peixes


As evidências fósseis indicam que os primeiros peixes apresentavam uma carapaça óssea e a maioria apresentava pequeno porte.
Esses eram chamados de ostracodermos. A partir deles surgiram os peixes cartilaginosos (condrictes) e os peixes ósseos (osteíctes).

Ostracodermos
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  99


multimídia: vídeo
Fonte: Youtube Exemplo de raia
Cordados - Somos Todos Família

6. Os peixes cartilaginosos
(Chondrichthyes)
Esses peixes, também conhecidos como condrictes, apre-
sentam um esqueleto interno formado de cartilagem, mais Exemplo de tubarão
leve que o esqueleto ósseo. Como exemplos típicos temos
os tubarões, as raias e as quimeras. Esses animais são os 6.1. Fisiologia dos condrictes
atuais representantes mais próximos dos primeiros verte- A respiração dos condrictes é branquial e a circulação de gases
brados com mandíbula. Esses peixes respiram por brân- é feita por meio do sangue. A excreção é feita pela eliminação
quias, que retiram o oxigênio da água. Em cada lado do de ureia. A circulação é fechada e simples, partindo do coração
corpo observam-se fendas branquiais (5 ou mais). A boca com duas cavidades, um átrio e um ventrículo, seguindo para
localiza-se na região ventral e apresenta inúmeros dentes. as brânquias, órgãos e retornando para o coração. A digestão é
A pele é revestida por escamas microscópicas, obtendo um completamente extracelular.
aspecto áspero. Alguns desses peixes cartilaginosos nas-
cem a partir de ovos depositados pelas fêmeas, enquanto
que em outras espécies os ovos eclodem dentro da mãe e 7. Os peixes ósseos
terminam o seu desenvolvimento ainda dentro dela.
(Osteichthyes)
Assim como os Osteichthyes, os condrictes apresentam visão
limitada e olfato e ouvido interno bem desenvolvidos. A linha Esses peixes apresentam um esqueleto interno ósseo com
lateral, sequência de orifícios organizados de forma linear no algumas cartilagens e o corpo pode ser revestido por esca-
comprimento do corpo, permite captar as vibrações da água, mas ou por couro. Entre esses animais encontramos uma
já que se conecta com botões sensoriais e nervos. Para per- enorme variedade, como: sardinha, salmão, dourado, tilápia,
mitir a flutuação, apresentam grandes quantidades de óleo carpa, traíra, pintado, linguado, baiacu, pirarucu, jáu, bagre,
no fígado, o que reduz a densidade corpórea. pacu, namorado, piranha, acará-bandeira, paulistinha, neón,
anchova, atum, lambari, cavalo-marinho, etc. São peixes que
Os tubarões, apesar da fama de violência e crueldade, são colonizaram ambientes marinhos e de água doce, entretan-
carnívoros fundamentais para o equilíbrio de populações to, alguns são capazes de migrar do mar aos rios para se
de outros peixes nos mares. reproduzirem, os filhotes fazem o caminho inverso.
As quimeras não são comuns no litoral brasileiro, mas surgem
em abundância em mares do Hemisfério Norte principalmente.
 VOLUME 3

Os peixes ósseos respiram também por brânquias, mas


apresentam uma membrana óssea (opérculo) que as pro-
Exemplo de quimera tege. A boca está posicionada na região anterior e há uma

100  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


variedade de adaptações seja para raspar, morder, capturar a piramboia, conseguem sobreviver sob o lodo quando o
alimento no fundo ou na superfície. Na reprodução, geram nível do rio fica muito baixo. Isso é possível devido ao fato
inúmeros ovos e o ciclo de vida é rápido. Apesar de muitos de a vesícula gasosa, presente nesses animais, ter a capa-
filhotes, a maioria morre nos primeiros anos de vida. cidade de realizar a respiração como se fosse um pulmão.
Artéria
Lamela
Alguns cientistas acreditam que os primeiros anfíbios te-
nham derivado de peixes com essa adaptação.
brânquial
Veia

brânquias

Opérculo Água

Arco
brânquial

Brânquias de peixes ósseos Peixe pulmonado (dipnoico)

Os osteíctes apresentam uma vesícula gasosa interna que, ao 7.1. Fisiologia dos osteíctes
se encher de gases vindos do sangue, torna o peixe mais leve.
A respiração dos peixes ósseos é branquial e a circulação de
Chamada de bexiga natatória, ela permite que o animal con-
gases é feita por meio do sangue com hemáceas nucleadas.
trole o movimento vertical na água, podendo parar facilmente.
O sistema excretor é composto por pronefros e metanefros
Pneumoduto (fisóstomos)
ausente = fisoclistos que excretam amônia. A circulação é simples, partindo do
coração com duas cavidades, um átrio e um ventrículo, se-
Bexiga
guindo para as brânquias, órgãos e retornando para o cora-
Ânus ção. A digestão é completamente extracelular.
Opérculo
Tubo digestivo
A bexiga natatória (osteictios) com pneumoduto
8. O início da colonização
dos mbientes terrestres
pelos vertebrados
8.1. Os anfíbios
Os estudos indicam que os primeiros vertebrados a ocu-
parem o ambiente terrestre foram os ancestrais dos anfí-
multimídia: vídeo bios atuais, os primeiros tetrápodes − animais com quatro
Fonte: Youtube membros. Parte desse sucesso deve-se ao esqueleto com
duas cinturas de ossos (escapular e pélvica) de onde se li-
Aventura visual documentários - Os
gam membros (patas).
peixes , características...

Muitos desses peixes vivem em cardumes e conseguem se


manter equilibrados pela presença de uma linha lateral, como
Esqueleto de uma salamandra, exemplificando
ilustrado na imagem abaixo, que capta as vibrações na água. a estrutura óssea dos tetrápodes.
A linha lateral (estrutura sensorial) vista em corte
Esses animais só são encontrados em ambientes de água
doce ou terrestres úmidos. Os anfíbios, como os sapos, as pe-
rerecas, as salamandras, entre outros, vivem na água quando
Poro
Epiderme
jovens e, quando adultos, podem ocupar o ambiente terres-
Escama tre, desde que seja muito úmido. Os sapos e as pererecas
são chamados de anuros (sem cauda); as salamandras, uro-
delos (com cauda); e as cobra-cegas, ápodes (sem patas).
Canal longitudinal
 VOLUME 3

Cromatóforo
Neuromasto
Derme

Nervo longitudinal

Alguns peixes de água doce apresentam incrível adapta- anuros urodelos ápodes
ção a períodos de seca. Os peixes “pulmonados”, como

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  101


8.2. O que restringe os anfíbios a tais ambientes?
Em primeiro lugar, os ovos sem casca desses animais, quando eclodem, formam uma fase larval (desenvolvimento indireto);
por exemplo, o girino (larva dos sapos). O girino é aquático e respira por brânquias, alimenta-se de larvas de insetos e de
outros micro-organismos em rios, lagos, lagoas e pântanos. À medida que cresce, o girino sofre uma metamorfose, reduzindo
a cauda e desenvolvendo membros para locomoção no ambiente terrestre. Quando atinge a fase adulta, o sapo respira
por pulmões, mas, principalmente, através da pele delgada (fina), úmida e altamente vascularizada. Um sapo, por exemplo,
depende da sua pele sempre úmida para que possa retirar oxigênio da atmosfera e eliminar o gás carbônico.

multimídia: site multimídia: vídeo


Fonte: Youtube
[Link]/conteudos/Reinos3/bioanfi- Documentário: anfíbios
[Link]
[Link]/conteudos/Reinos3/[Link]

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

“O coaxo dos anfíbios anuros, em termos científicos, é chamado de vocalização. Na grande maioria das vezes, é o
macho quem vocaliza e esta é uma forma de defender territórios e atrair fêmeas e, principalmente, quanto à primeira,
é também uma forma de economizar energia.”
[Link]

Pesquisadores que estudam esse tipo de comunicação entre os anfíbios precisam entender conceitos físicos das
características do som, como altura, intensidade, duração, frequência, tamanho da onda, amplitude da onda e timbre.

VIVENCIANDO

Certas substâncias isoladas de anfíbios podem ser úteis dentro da Medicina experimental e clínica, como é
o caso do peptídeo bombesina. Esse peptídeo foi isolado da pele de um sapo nativo da Europa, Bombina
bombina. Através de estudos com antissoro contra bombesina, descobriu-se seu análogo em mamíferos.
Vários trabalhos com experimentação animal utilizam a bombesina para manipular a formação da memória
 VOLUME 3

emocional, mostrando que esse peptídeo pode ser um alvo terapêutico para possíveis desordens do sistema
nervoso central, como a Doença de Alzheimer, estresse pós-traumático e outros.

102  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.

O conhecimento da biodiversidade é de suma importância para sua preservação, como também permite
ao homem desenvolver suas atividades econômicas utilizando técnicas que usufruam de características
naturais dos diferentes organismos, agredindo menos o ambiente e se desenvolvendo de forma sustentá-
vel. Desse modo, as questões do Enem tendem a fazer uma abordagem mais ecológica sobre as espécies,
desejando que o aluno consiga relacionar os impactos das atividades antrópicas no modo de vida dos
animais e as consequências que isso irá acarretar.

MODELO 1

(Enem) O fenômeno da piracema (subida do rio) é um importante mecanismo que influencia a reprodução de
algumas espécies de peixes, pois induz o processo que estimula a queima de gordura e ativa mecanismos hor-
monais complexos, preparando-os para a reprodução. Intervenções antrópicas nos ambientes aquáticos, como
a construção de barragens, interferem na reprodução desses animais.
Adaptado de: MALTA, P. Impacto ambiental das barragens hidrelétricas.
Disponível em: [Link] Acesso em: 10 maio 2013.

Essa intervenção antrópica prejudica a piracema porque reduz o(a):


a) percurso da migração;
b) longevidade dos indivíduos;
c) disponibilidade de alimentos;
d) período de migração da espécie;
e) número de espécies de peixes no local.

ANÁLISE EXPOSITIVA

A piracema é o nome dado para a migração rio acima realizada por certos peixes e é essencial para
seu ciclo de vida, uma vez que durante o trajeto ocorre a queima de gordura nesses animais que induz
a liberação de hormônios que influenciam na sua reprodução. Desse modo, é possível concluir que a
construção de barragens afeta o percurso de migração e, consequentemente, interrompe o complexo
mecanismo necessário ao processo reprodutivo desses peixes.

RESPOSTA Alternativa A
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  103


DIAGRAMA DE IDEIAS

CARACTERÍSTICAS
CORDADOS GERAIS

• NOTOCORDA
• TUBO NERVOSO DORSAL
VERTEBRADOS • FENDAS BRANQUIAIS
FARÍNGEAS
• CAUDA PÓS-ANAL

GNATOSTOMADOS AGNATOS

• COM MANDÍBULAS • SEM MANDÍBULAS


• CORPO ALONGADO
E BOCA CIRCULAR

PEIXES

CARTILAGINOSOS: CONDRICTES
• ESQUELETO CARTILAGINOSO
• BOCA VENTRAL
• FLUTUAÇÃO: GRANDE FÍGADO COM ÓLEOS MENOS DENSOS QUE A ÁGUA
• EXCREÇÃO: UREIA
EX.: TUBARÃO, RAIA E QUIMERA
ÓSSEOS: OSTEÍCTES
• ESQUELETO ÓSSEO
• BOCA ANTERIOR; OPÉRCULO; BEXIGA NATATÓRIA; LINHA LATERAL EVIDENTE
• EXCREÇÃO: AMÔNIA
EX.: SALMÃO, TILÁPIA E LAMBARI
• FLUTUAÇÃO: BEXIGA NATATÓRIA

ANFÍBIOS

PRIMEIROS TETRÁPODES
• AMBIENTE TERRESTRE ÚMIDO E ÁGUA DOCE
• RESPIRAÇÃO CUTÂNEA E PULMONAR (ADULTOS)
• FECUNDAÇÃO EXTERNA E OVOS SEM CASCA
• DESENVOLVIMENTO INDIRETO: LARVA AQUÁTICA
EX.: SAPO, PERERECA, SALAMANDRA E COBRA-CEGA

RÉPTEIS

AVES

MAMÍFEROS
 VOLUME 3

104  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


2. Crocodilianos: jacarés e crocodilos.
CORDADOS II

CN COMPETÊNCIA(s)
4e8

AULAS HABILIDADE(s)
13, 14, 16 e 28 3. Squamatas: lagartos, serpentes e o grupo Amphisbae-
nia (cobra-cega ou cobra-de-duas-cabeças).
25 E 26

4. Rincocéfalos: tuataras.

1. A ocupação dos ambientes


terrestres pelos répteis
Os animais que estão dentro da classe dos répteis são in-
dependentes da água e, consequentemente, conquistaram
o ambiente terrestre por completo. O que permitiu esse
grande passo foram itens como ovo com casca calcária, As tartarugas, jacarés, tuataras, anfisbenídeos, lagartos e
protegendo o embrião de desidratação, mesmo quando serpentes, todos bem conhecidos, juntamente com os dinos-
em ambientes sem água, a presença da pele mais re- sauros e outras espécies extintas, são répteis (do latim repto,
sistente e seca, que tem a vantagem de impedir a perda rastejar). Foram descritas mais de 9.000 espécies de répteis.
de água por transpiração, como ocorre com os anfíbios, e São capazes de viver em ambientes mais secos que os anfí-
a fecundação interna. Assim, esses animais perderam a bios e muitos podem ser encontrados em desertos. Embora
capacidade de realizar trocas gasosas pela pele, mas apre- alguns tenham se readaptado à vida aquática, depositam
sentam, em compensação, pulmões eficazes. seus ovos na terra, a menos que sejam vivíparos, como as
Os répteis são divididos em ordens: serpentes marinhas. Até as tartarugas-marinhas deixam a
água para depositar seus ovos nas praias (curiosamente,
1. Quelônios ou testudines: tartarugas (aquáticas), os na mesma praia onde nasceram!).
cágados (terrestres) e jabutis (água doce), com uma cara- A distribuição geográfica dos répteis é limitada, principal-
paça rígida (plastrão). mente pela sua incapacidade de manter a temperatu-
ra corporal mais elevada do que a do ambiente (ecto-
termia). Eles não são tão ativos no tempo frio e não são
encontrados em regiões subárticas e árticas.
 VOLUME 3

Serpente se aquecendo sob a luz do Sol

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  105


2. Principais adaptações dos répteis
2.1. Ovo amniótico
Ovos com casca calcária são vantajosos para animais terrestres, já que esse material é capaz de proteger os embriões contra a
desidratação, pois são impermeáveis, além da maior proteção contra choques mecânicos.
Na formação do embrião, surgem anexos embrionários que permitem o desenvolvimento do animal com menor perturbação no
ambiente. Veja o esquema com os anexos embrionários e as respectivas funções em um ovo amniótico:

ovo amniótico

Bolsa amniótica
Cório
Cheia de líquido, essa bolsa
Anexo que protege o embrião e protege o embrião quanto a
todos os demais anexos. Na choques mecânicos (tremores)
região ligada ao alantoide, e contra a desidratação.
permite a passagem de ar.

Alantoide

Anexo que armazena as excretas


geradas pelo embrião até a eclosão
Âmnio do ovo. Por ele ainda ocorre a troca
gasosa, isto é, permite a passagem
de ar para o embrião, vindo de fora.

Al

EMBRIÃO

Saco vitelino

Anexo que armazena nutrientes


até o desenvolvimento completo
do embrião (eclosão do do
até (eclosão ovo).
ovo).
Ovo amniótico e anexos embrionários

O ovo amniótico, ou seja, com os anexos embrionários explicados acima, está presente em todos os próximos grupos a partir
dos répteis, o que permite o desenvolvimento da vida terrestre.
 VOLUME 3

106  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


2.2. A importância da pele modificada é parcialmente dividido pelo septo de Sabatier, o que
torna a mistura de sangue arterial e venoso apenas parcial,
As glândulas mucosas não estão presentes na pele e a epi- por isso a circulação é dupla e incompleta.
derme é seca e cornificada. Também há a presença da
queratina no epitélio dos répteis, o que foi essencial para
seu maior sucesso fora da água com menor taxa de trans-
piração. Além disso, essa estrutura rígida proteica conferiu
maior resistência à pele dos animais que a possuem.
Além das modificações no epitélio, os répteis possuem al-
gumas adaptações extras:
§ Escamados (Squamata), ou seja, cobras e lagartos pos-
suem escamas.
§ Crocodilianos possuem placas córneas.
§ Testudines possuem o casco formado por placas ósseas.

2.3. Ectotermia
Embora os répteis sejam ectotérmicos – dependem da
temperatura ambiental para manter a corpórea –, pequenos
répteis mantêm uma temperatura constante alta e regular A exceção é a circulação dos répteis crocodilianos. O
em um ambiente quente e ensolarado, principalmente atra- ventrículo desses animais é completamente dividido, e o
vés de mudanças no seu comportamento, embora a maio- coração perfaz quatro câmaras: dois átrios e dois ventrí-
ria deles não tenha condições de manter a temperatura do culos. Entretanto, na emergência das artérias pulmonar e
corpo quando o sol se põe. Por isso, os répteis têm que ser aorta, há uma comunicação, o forame de Panizza, pelo
criaturas diurnas, com maior atividade durante o dia para se qual ainda ocorre mistura de sangue arterial e venoso.
abrigarem a noite. Os lagartos espinhosos dos desertos man-
têm sua temperatura corporal em aproximadamente 34 °C
durante a maior parte do dia. Se a temperatura corporal cai
abaixo do limiar da atividade normal, o lagarto fica em ân-
gulo reto com os raios solares, expondo assim a maior parte
da superfície do corpo ao sol; mas se a temperatura do corpo
aumenta muito, o lagarto procura um abrigo ou fica paralelo
aos raios solares. É claro que os répteis maiores não podem
sempre encontrar sombra necessária, mas o seu grande ta-
manho corporal provê alguma estabilidade térmica porque
um tempo considerável é necessário para aquecer ou resfriar
sua grande massa corporal. Esse pode ter sido o principal
mecanismo de regulação térmica dos dinossauros. Além da
regulação comportamental, os répteis também podem dissi- sistema circulatório dos répteis crocodilianos

par ou reduzir a perda de calor corporal necessária através do


controle da quantidade de sangue que flui através da pele.
2.6. Sistema excretor
Enquanto peixes e anfíbios apresentam rins mesonefros
2.4. Reprodução (torácicos), de répteis em diante os rins serão metanefros
Os répteis reproduzem-se por reprodução sexuada, (abdominais), melhorando muito a capacidade filtradora
como em outros cordados. As fêmeas defendem seus ovos do sangue.
com violência até os filhotes nascerem. A maioria dos rép-
teis é ovípara, isso significa que colocam ovos. 3. Evolução dos répteis
 VOLUME 3

Tendo “resolvido” os problemas essenciais da vida terrestre,


2.5. Sistema circulatório numa época em que havia poucos competidores terrestres,
O coração tem três câmaras (dois átrios e um ventrículo), os répteis multiplicaram-se rapidamente, espalharam-se por
e existem os dois circuitos: circulação pulmonar e circula- muitos ambientes e especializaram-se. A maior parte da sua
ção sistêmica. Entretanto, o ventrículo único dos répteis diversidade adaptativa envolveu diferentes métodos de lo-

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  107


comoção, reprodução e alimentação. Diferentes padrões ali- 3.2. Crocodilianos
mentares (maioria caçadores carnívoros) impuseram, entre
outras coisas, uma modificação nos músculos da mandíbu- Durante a Era Mesozoica, a Terra era dominada pelos arcos-
la, e isso, por sua vez, afetou a estrutura da região temporal sauros – répteis que tinham características como a presença
do crânio. de crânio diapsídeo e uma tendência a desenvolver postura
bípede, além de apêndices peitorais reduzidos, apêndices
pélvicos aumentados e uma cauda forte que podia auxiliar
a equilibrar o tronco.
No final do período Cretáceo, as temperaturas ambientais
tornaram-se um pouco mais frias e a incapacidade dos gran-
Crânio com duas aberturas temporais – Crânio Diapsida
des dinossauros de se esconder em abrigos ou de hibernar
Apenas uma pequena parte do crânio dos tetrápodes primi- pode tê-los tornado vulneráveis. As mudanças na vegetação
tivos realmente envolve o cérebro. Um grande espaço late- que acompanharam as alterações climáticas também po-
ral à caixa do cérebro e posterior aos olhos é amplamente dem ter sido um fator para extinções. A incapacidade dos
preenchido por músculos mandibulares, que se estendem herbívoros, com hábitos alimentares restritos, de se adaptar
até a mandíbula inferior. Nos répteis ancestrais um assoa-
às mudanças na vegetação pode tê-los levado à morte.
lho sólido do osso dérmico (crânio anapsídeo – sem aber-
tura temporal) cobre esses músculos dorsal e lateralmente. Apenas um grupo de arcossauros sobreviveu a esse grande
Como consequência de certo aumento do cérebro e dos período de extinção – os crocodilos e jacarés (ordem Croco-
músculos mandibulares, vários tipos de aberturas desenvol- dilia, do latim crocodilus, crocodilo). Os crocodilos readquiri-
veram-se no assoalho da têmpora na maioria dos grupos ram uma postura quadrúpede (embora suas patas posterio-
mais recentes de répteis, podendo ser anapsida (sem aber- res sejam muito mais longas que as anteriores) e um modo
tura temporal), synapsida (uma abertura temporal) ou diap- de vida semelhante ao dos anfíbios. A cauda desses animais
sida (duas aberturas temporais). Os músculos da mandíbula é achatada lateralmente, sendo, por isso, um órgão nata-
partem da caixa craniana e da periferia da janela temporal, tório muito eficiente. Os olhos, ouvidos e aberturas nasais
podendo passar através das aberturas quando contraem-se. situam-se em elevações no topo da cabeça, de forma a se
manterem acima da água quando o animal está submerso.
3.1. Tartarugas Vinte e três espécies são conhecidas, mas apenas seis ocor-
Acredita-se que os testudines (do latim testudo, tartaruga) rem no Brasil.
sejam descendentes diretos dos cotilossauros.
A maioria reteve o crânio anapsídeo, ou seja, sem aberturas
temporais, adquirindo muitas características especializadas.
Os dentes foram perdidos e as mandíbulas são cobertas por Jacaré
placas córneas capazes de arrancar pedaços de alimentos. Jacaré
Crocodilo
Crocodilo Gaviais
Gaviais

Seu corpo é envolto por placas ósseas protetoras que se


depositam sobre as escamas córneas. As placas ósseas os-
sificaram-se na derme da pele, mas fusionaram-se com as
costelas, pulmões e algumas partes mais internas do esque-
leto, como as pernas traseiras.
As tartarugas ancestrais eram seres com pescoço rígido,
incapazes de retrair a cabeça, mas as espécies atuais conse- multimídia: site
guem recolher a cabeça para dentro da carapaça e, assim,
se proteger contra possíveis predadores.
[Link]/conteudos/Reinos3/[Link]
Apesar da aparência desajeitada, as tartarugas são um gru-
po ancestral muito bem-sucedido, cuja ancestralidade pode
ser traçada do período Triássico. Elas passaram por uma ex- 3.3. Squamata
tensa diversidade adaptativa e são representadas por cerca
de 323 espécies. Os conhecidos lagartos, as cobras e as anfisbenas ou co-
 VOLUME 3

bras-cegas, embora superficialmente diferentes, têm uma


estrutura básica semelhante o suficiente para serem coloca-
dos na mesma ordem Squamata, como a presença de hemi-
pênis e a bifurcação na ponta da língua (órgão relacionado
ao tato e ao odor). A alimentação é muito diversificada,
Cágado Jabuti

Cágado
Cágado
Jabuti Jabuti
Tartaruga
Tartaruga

108  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


existem espécies carnívoras, herbívoras, insetívoras e onívo- § Anfisbênias: o nome desse grupo (do grego amphi,
ras. Os escamados estão presentes em todas as regiões do ambos + baino, ir) refere-se à sua capacidade de mo-
planeta, com exceção da Antártica, o que explica a grande ver-se facilmente tanto para a frente quanto para trás,
diversidade de espécies – cerca de 8.170. dentro dos seus buracos. Seus olhos rudimentares são
escondidos abaixo da pele, mas o rastro das presas é
§ Cobras: o aparelho mandibular dos Squamatas é mais seguido principalmente pela audição.
flexível, especialmente nas cobras, por isso, a boca pode
abrir-se muito, possibilitando a captura e deglutição de
presas grandes. As cobras têm cinco articulações man-
dibulares: (1) a normal entre a mandíbula quadrada e
a inferior; (2) uma entre o quadrado e o escamoso; (3)
uma entre o escamoso e a caixa craniana; (4) uma mais
ou menos na metade do comprimento da mandíbula Anfisbênias
inferior e (5) uma no queixo, pois as duas mandíbulas
inferiores não são unidas nesse ponto. Cada lado da 3.4. Rincocéfalos
mandíbula inferior pode ser movido independentemente Os répteis conhecidos como tuataras pertencem ao gêne-
quando a presa entra na boca. A ausência da cintura pei- ro Sphenodon, endêmicos da Nova Zelândia. A tuatara é o
toral está necessariamente relacionada à deglutição de membro mais primitivo do grupo dos Squamatas e a única
animais maiores do que o diâmetro do corpo. A língua espécie sobrevivente da ordem Rhynchocephalia. Rinco-
bifurcada é extremamente importante, pois as partículas cefalianos são semelhantes aos camaleões na aparência
aderem a ela, a língua retrai-se para dentro da boca e a geral, mas têm um nariz semelhante a um bico e um crâ-
extremidade é projetada para uma parte especializada nio diapsídeo com duas aberturas temporais. Durante uma
da cavidade nasal (órgão de Jacobson), onde o odor da época, o grupo expandiu-se, mas atualmente está limitado
partícula pode ser detectado. As cobras são carnívoras; a poucas ilhas das costas da Nova Zelândia.
aquelas cujas presas são animais muito ativos, tais como Diz-se que as tuataras são sobreviventes “fósseis”, pois não
aves e mamíferos capazes de ferir seriamente as cobras sofreram muitas modificações desde a espécie que viveu 150
com seus bicos ou dentes, desenvolveram métodos de milhões de anos atrás.
imobilização das presas (estrangulamento e/ou veneno).

Tuatara

cobra naja
4. A extensão dos
domínios terrestres pelas
aves e mamíferos
Observando a distribuição de aves e mamíferos, percebe-se
que eles ocupam regiões em que os répteis não aparecem.
As aves e os mamíferos apresentam pelo menos duas ca-
racterísticas em comum, que permitem a esses animais so-
cobra de pestana
breviverem em regiões mais frias: uma camada adiposa (de
§ Lagartos: são os membros mais antigos da ordem, os gordura) sob a pele e o controle interno da temperatura do
primeiros fósseis são do Cretáceo. A maioria é quadrú- corpo (homeotermia). As aves e os mamíferos são consi-
pede e varia de tamanho desde alguns centímetros a derados animais de “sangue quente” ou, mais apropriada-
metros, como o dragão de Komodo. mente, endotermos ou homeotermos. Essa característica
deve-se ao fato de que esses animais conseguem acelerar
o metabolismo do corpo (reações químicas nas células),
 VOLUME 3

gerando mais calor, principalmente em temperaturas mais


baixas. O calor é gerado nas células, que se difunde para
o sangue, sendo distribuído ao longo de todo o corpo. A
camada de tecido adiposo (reserva de gordura) retém mais
dragão de Komodo
o calor, pois funciona como um isolante térmico.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  109


VIVENCIANDO
O veneno das serpentes também tem grande importância na indústria farmacêutica, possuindo elevado valor comer-
cial. Certas substâncias chegam a custar US$ 3 mil o grama no mercado farmacêutico internacional.
Composto por misturas biológicas complexas de toxinas, enzimas e outras substâncias ativas, o veneno tem compo-
nentes com funções essenciais na coagulação sanguínea, pressão arterial, agregação plaquetária, transmissão do
impulso nervoso, funções analgésicas e anticancerígenas, dentre outras, ainda em estudo ou por serem descobertas.
O veneno de cascavel, por exemplo, é utilizado em uma eficaz cola cirúrgica.
[Link]

Há inúmeras diferenças, mas destacamos algumas que são contradas desde as regiões polares até o equador e vivem
suficientes para caracterizar bem tais animais em grupos nas montanhas, desertos, florestas e matas. Algumas pas-
distintos. sam a maior parte de sua vida nos oceanos e só retomam
O gráfico a seguir mostra a variação da temperatura cor- a terra para reproduzir-se e construir seus ninhos.
pórea do gato (mamífero) e da cobra (réptil) em função da
temperatura ambiental. Note que a temperatura do mamí-
fero se mantém constante e independente da temperatura
ambiental, ou seja, um caso de endotermia. Já a do réptil
varia em função da temperatura do ambiente, um exemplo
de ectotermia.

Aves

5.1. Princípios do voo


5. As aves É importante compreender os mecanismos e princípios do
voo, visto ser o principal aspecto da evolução das aves.
A classe aves é o maior grupo de vertebrados terrestres,
As asas são apêndices peitorais modificados e as superfí-
compreendendo cerca de 8.700 espécies. Elas adapta-
cies de voo são compostas por penas.
ram-se ao voo logo no início de sua evolução e, em sua
Pulmão e sacos aéreos
maioria, são excelentes voadoras. Até mesmo as poucas Anatomia das asas
A anatomia das asas permite o voo
porque consegue reduzir a resistência
As aves possuem um pulmão rígido, associado a
uma série de sacos aéreos que se estendem para o
tórax. Essa
Esta estrutura permite que esse órgão seja

espécies que retornaram completamente à vida terrestre


do ar. Na parte de baixo, o ar passa mais continuamente ventilado por ar fresco, tanto na
rapidamente e provoca uma força para inspiração quanto na expiração.
cima que mantém
mantêm a ave
ava suspensa.

mostram características anatômicas e fisiológicas que indi- Traqueia

Sacos aéreos

cam sua evolução a partir de ancestrais voadores.


A adaptação ao voo impôs uma certa uniformidade na
estrutura básica e na fisiologia de todas as aves. Além das
Redução da cauda, fusão das
vertebras cervicais e torácicas, Pulmão
fusões de dedos e perda de dentes

penas e asas, ou vestígios de asas em certas espécies ter- Ausência de bexiga


Ossos pneumáticos
Os ossos das aves são leves e
Os pássaros não têm bexiga e não entremeados por cavidades

restres, o voo requer um alto dispêndio de energia. Todas acumulam líquido. A excreção
é consituída de cristais de ácido
úrico, um material sólido.
aéreas.

as aves são endotérmicas, tendo desenvolvido meios para


conseguirem isso num corpo de pouco peso. Quando não
A asa tem um formato de aerofólio, espessa na frente e
estão no ar, as aves vivem sobre o solo ou na água, ou em
 VOLUME 3

afilada para trás e, em geral, é arqueada, o que faz com


ambos, estando bem adaptadas a esses habitats.
que sua superfície inferior seja levemente côncava e a
A endotermia e o poder de voo das aves possibilitam a elas superior convexa. Uma corrente de ar passando pela asa
penetrarem e se adaptarem em uma variedade maior de move-se mais rapidamente pela sua superfície superior,
locais do que qualquer grupo de vertebrados. Elas são en- maior, do que pela superfície inferior, menor. Segundo a lei

110  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


de Bernoulli, numa corrente de um gás, a pressão é menor nívoras e frugívoras (aquelas que se alimentam de carnes e
quando a velocidade é maior. A diferença de velocidade do frutas). No papo o alimento é amolecido. Daí o alimento vai
ar diminui a pressão sobre a asa em relação à face inferior. para o proventrículo (estômago químico), passando a seguir
Isso produz uma força de elevação, que atua perpendicu- para a moela (estômago mecânico), que é muito musculo-
larmente ao plano de movimento da asa, e uma força de sa e substitui a falta de dentes nas aves. Após a trituração,
atrito, paralela a esse plano. o alimento dirige-se para o intestino delgado, onde ocorre
a absorção dos produtos úteis, sendo o restante eliminado
Para a ave voar, a força de elevação tem de ser igual à força
através da cloaca. A cloaca é uma bolsa onde são lançadas
de gravidade na ave, e a força propulsora deve superar a
as fezes, a urina e os gametas, portanto constitui o final de
força de atrito. A forma da asa permite um voo plano no ar e
vários aparelhos e sistemas. Como glândulas anexas ao sis-
minimiza a turbulência. Algumas correntes de ar, entretanto,
tema digestivo, existem o fígado e o pâncreas.
fazem voltas, redemoinhos, que se espalham pelo ápice e
margem posterior das asas, como um par de redemoinhos Esôfago
Esófago
Proventrículo
alinhados. Isso pode ser visto frequentemente num avião de Fígado
Intestino
voo alto, como dois rastos de vapor, devido à rápida rotação Delgado
Papo
do ar e, consequentemente, baixa de pressão no núcleo do
alinhamento de redemoinho, causando condensação.
Moela
5.2. Regulação térmica Oríficio
Cloacal
Pâncreas
Pancrêas

As aves permaneceram com as escamas córneas dos rép- Sistema digestivo


teis em algumas áreas de suas pernas, nos seus pés e, de
maneira modificada, como uma cobertura de seus bicos. 5.4. Sistema respiratório
No entanto, as escamas que cobrem o resto do corpo do A respiração é pulmonar. Os pulmões são do tipo parenqui-
réptil transformaram-se em penas no grupo das aves. As matoso, com vários canais de arejamento, ligados a cinco
penas são um componente importante do sistema termor- pares de sacos aéreos, ligados às cavidades dos ossos
regulador, que mantém o equilíbrio entre a produção de pneumáticos. Dentro dos pulmões, os condutos aéreos
calor por processos metabólicos e a sua perda. não terminam em vesículas pulmonares, continuando por
As penas envolvem e retêm ar entre elas, o que reduz a um sistema capilar contínuo. Quando uma ave está pou-
perda de calor corpóreo, pois impedem a passagem das sada, a respiração faz-se pelo arfar do peito. Mas durante
correntes de convecção de ar através da superfície corpo- o voo, automaticamente, devido aos movimentos das asas,
ral, que poderiam retirar o calor. O ar retido é um mau con- produz-se a expansão e a contração da cavidade torácica,
dutor de calor. A água, um excelente condutor de calor, não estabelecendo-se a conveniente passagem de ar nos pul-
consegue penetrar por entre as penas devido à existência mões necessária à respiração.
de uma secreção oleosa produzida pela glândula uropí- Partem dos pulmões expansões membranosas denomi-
gea localizada perto da base da cauda. As aves não têm nadas sacos aéreos, os quais aumentam a superfície de
glândulas sudoríparas. contato para absorção do oxigênio. Além disso, os sacos
aéreos expandem-se pelo interior de muitos ossos, tornan-
do o animal mais leve.
Não há verdadeiro diafragma, mas somente uma membra-
na (diafragma ornítico) que separa da cavidade abdominal
a que contém os pulmões, ou pleura.

Traqueia
Tráquea
Sacos aéreos

Animal recoberto por plumas e penas Traqueia


Tráquea

5.3. Nutrição
 VOLUME 3

Pulmão
O sistema digestório é do tipo completo. As aves possuem
bico e língua córneos; não há dentes. As aves granívoras Sacos aéreos

(que se alimentam de grãos) apresentam moela e papo, que Sistema respiratório


são pouco desenvolvidos ou mesmo ausentes nas aves car-

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  111


5.5. Sistema circulatório Embora os mamíferos não sejam uma classe grande –
existem apenas cerca de 4.100 espécies –, constituem um
A circulação é fechada, dupla e completa; o sangue ve- grupo muito diversificado. Essa classe inclui o ornitorrinco
noso não se mistura com o sangue arterial. As hemácias são (animal que coloca ovos e tem o bico semelhante ao do
nucleadas e ovais. O coração tem quatro cavidades, que pato), o gambá, o canguru e outros marsupiais providos de
são conhecidas como os dois átrios ou aurículas e os dois bolsa abdominal, além da grande variedade de mamíferos
ventrículos. O arco aórtico, em contraste com o dos mamífe- placentários verdadeiros, que variam de tamanho, desde
ros, é voltado para o lado direito. o pequeno musaranho, que pesa poucos gramas, até as
baleias gigantes, cujo peso ultrapassa 100 toneladas. Os
Capílares
mamíferos são vertebrados muito ativos e ágeis, com alto
pulmonares
nível metabólico. Eles têm poucos filhos, mas investem tem-
po e energia consideráveis na proteção dos mesmos. Um
Aurícula
Aurícula aumento de atividade e um maior cuidado com os jovens
Ventrículo Ventrículo
representam aspectos fundamentais na evolução dos ma-
Sistema
circulatório
míferos, aspectos aos quais a maior parte das outras carac-
FECHADO
terísticas está relacionada.

6.1. Principais adaptações dos mamíferos


Circulação
COMPLETA

Circulação
DUPLA Capílares A característica que dá nome a esse grupo é a presença de
sistérmicos
glândulas mamárias, produtoras de leite para a prole. O fato de,
Sistema circulatório em sua maioria, possuírem placenta, que permite uma grande
interação entre mãe e filho até o fim da gestação, é continuado
pela presença das mamas (glândulas mamárias concentradas
5.6. Sistema excretor em uma região), característica que aproxima ainda mais as
Os rins são metanefros, com dois ureteres que desembo- mães de suas crias para alimentá-las até que possam procurar
cam na cloaca, pois não possuem bexiga urinária e a sua seu próprio alimento.
excreção é rica em ácido úrico.
6.2. Regulação da temperatura
6. Os mamíferos Os mamíferos, assim como as aves, podem produzir calor
internamente, mantendo uma temperatura corporal relati-
Entre todos os grupos de vertebrados, os mamíferos vamente alta e constante, tanto durante o dia quanto du-
(classe Mammalia, do latim mamma, mama) são de rante a noite. Eles são endotérmicos. Muitas espécies de
particular interesse para nós, pois somos mamíferos, as- mamíferos são noturnas; muitas vivem em regiões frias do
sim como nossos animais domésticos que nos auxiliam mundo, onde nenhum réptil conseguiria sobreviver.
em nossos trabalhos e nos fornecem lã, couro e grande
parte da nossa alimentação. 6.2.1. Mecanismos de regulação
Os mecanismos de regulação de temperatura nos mamíferos
contemporâneos são bem conhecidos. O calor é produzido
internamente através do alto nível metabólico. A sua perda é
reduzida devido a uma camada subcutânea de gordura
e a pelos que fornecem uma camada de isolamento de ar
próximo à pele; essas são outras duas características marcan-
tes dos mamíferos. O calor pode ser perdido por um aumento
na quantidade de sangue, que flui através da pele, e por um
Morcego
resfriamento, devido à evaporação do suor produzido pelas
Morcego Golfinho
glândulas sudoríparas ou pela respiração ofegante, que é
a evaporação da água através das vias respiratórias.
Por meio desses mecanismos, os mamíferos podem manter
 VOLUME 3

a temperatura corporal mais alta do que a temperatura am-


biental sem qualquer consumo adicional de oxigênio. Isso
é conhecido como zona térmica neutra − é a faixa de
temperaturas ambientais dentro da qual a taxa metabóli-
Morcego GGolfinho
olfinho
ca de um animal endotérmico situa-se em seu nível basal

112  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


e a termorregulação é conseguida pela mudança na taxa § Os elefantes têm uma grande superfície corporal que
de perda de calor. Passando dessa temperatura crítica, a fornece alguma estabilidade térmica e têm poucos pe-
temperatura corporal pode, no entanto, ser mantida apenas los e orelhas grandes, que atuam como eficientes radia-
através de um gasto metabólico significativamente maior. O dores, ajudando a dissipar calor.
aumento do consumo de oxigênio abaixo da temperatura § Os camelos desenvolveram diversas maneiras de con-
crítica inferior reflete-se numa produção de calor além da servar água. Sob condições muito secas, um muco seco
necessária para a manutenção da temperatura corporal. O e detritos celulares nas vias nasais exercem um efeito
calafrio, uma atividade involuntária dos músculos superfi- higroscópico e absorvem umidade do ar, que é evapora-
ciais, é um mecanismo de aumento de produção de calor, da. Como consequência, a perda de água respiratória é
mas também ocorre um aumento geral na atividade meta- menor do que em outros animais. Os camelos também
bólica em muitas partes do corpo. O aumento do consumo conseguem tolerar uma temperatura corporal de 41 ºC
de oxigênio acima da temperatura crítica superior reflete-se durante o dia, razão pela qual não precisam perder mui-
num trabalho metabólico adicional, necessário para dissipar ta água na tentativa de manter a temperatura corporal
o calor. Nessa situação, as frequências cardíaca e circulató- mais baixa. O corpo resfria-se durante a noite, quando a
ria através da pele são aumentadas. temperatura ambiental cai.
O principal centro de controle no hipotálamo responde a Muitos mamíferos de grande porte, que vivem em habitats
pequenas mudanças na temperatura do sangue e inicia as quentes e abertos, conseguem aumentar a temperatura cor-
trocas necessárias ao ajuste da perda de calor e à produção poral, pois são capazes de manter a temperatura cerebral crí-
para o contexto ambiental. tica mais baixa através de um mecanismo de contracorrente.
6.2.2. Adaptações para resistência ao frio 6.3. Locomoção e coordenação
Mamíferos que vivem em áreas onde as condições ambien- As mudanças em todos os sistemas de órgãos estão inti-
tais são rigorosas desenvolveram adaptações que comple- mamente relacionadas ao aumento de atividade, que se
mentam a regulação térmica. No início do outono, ocorrem torna possível com a endotermia. Os ossos dos mamíferos
muitas mudas. Eles perdem os pelos gradualmente, uma sofreram profundas modificações. A inclinação posterior das
vez que um revestimento muito mais denso desenvolve-se apófises das vértebras torácicas e a inclinação anterior das
para o inverno. Uma segunda muda ocorre na primavera. apófises das vértebras lombares são típicas dos mamíferos
Além desse revestimento, a pelagem de muitos mamíferos quadrúpedes e estão relacionadas ao abandono das ondu-
inclui pelos de proteção mais longos e grossos. lações laterais do tronco durante a locomoção. O cotovelo
Nervos e outros órgãos presentes na parte distal dos mem- e o joelho moveram-se para mais perto do tronco, de forma
bros são adaptados para funcionar em temperaturas mais que as patas estenderam-se para baixo, para uma região
mais ou menos inferior do corpo. Essa disposição fornece
baixas. Alguns mamíferos de regiões árticas e temperadas,
melhor sustentação mecânica, um potencial maior para um
notavelmente muitos insetívoros, morcegos e roedores,
balanço mais longo dos apêndices, um aumento no tama-
adaptam-se ao inverno, entrando num período de letargia
nho do passo e maior velocidade. Primitivamente, os ma-
conhecido como hibernação. Durante esse período, eles
míferos andavam sobre as plantas dos pés, numa postura
perdem o controle considerável sobre os mecanismos ter-
denominada plantígrada.
morreguladores corporais (o termostato no hipotálamo re-
A maioria dos mamíferos tem três vértebras sacrais, fortale-
duz sua atividade para conservar energia) e a temperatura
cendo a articulação entre a cintura pélvica e a coluna ver-
do corpo aproxima-se da ambiental. Durante a hibernação,
tebral. As espécies arborícolas utilizam a cauda para balan-
o metabolismo é muito baixo, apenas o suficiente para
çar-se e, nos mamíferos aquáticos, como a baleia, ela tem
manter a vida e evitar que o corpo se congele.
importante papel na propulsão do corpo, mas na maioria
6.2.3. Adaptações para resistir ao calor dos mamíferos ela perdeu a sua função locomotora primi-
tiva e costuma ser de tamanho reduzido, ou está ausente.
Ao contrário dos que vivem em climas frios, outros animais
Muitos padrões especializados de locomoção se desenvol-
tiveram que encontrar caminhos para abaixar a temperatura
veram durante a radiação e adaptação dos mamíferos, de
corpórea evitando a perda de água. Veremos alguns casos acordo com os diferentes modos de vida.
a seguir.
 VOLUME 3

Padrões mais complexos de locomoção e, provavelmente,


§ Pequenos ratos do deserto são noturnos e cavam tocas, o comportamento mais explorador e ágil requerem uma
vivendo, assim, num micro-habitat fresco e úmido e ali- musculatura mais complexa e sistemas sensitivo e nervoso.
mentam-se de nutrientes ricos em gordura cuja oxidação Acredita-se que o olfato e a audição eram muito aguçados
produz uma quantidade considerável de água metabólica. nos mamíferos primitivos.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  113


O cérebro é extraordinariamente bem desenvolvido. Ele é muito grande e o córtex cinza contém centros associados ao receptor
sensorial dos órgãos dos sentidos e a importantes centros motores. O cerebelo também é mais desenvolvido, pois a coorde-
nação motora é mais complexa.

6.4. Dentes diferenciados


A heterodontia (presença de dentes com formas distintas) dos mamíferos é melhor adaptada do que a dos répteis para o proces-
samento de muitos tipos diferentes de alimentos. Os répteis utilizam os dentes para apanhar, segurar e, algumas vezes, dilacerar o
alimento. Os espaços entre os dentes são de pouca importância e novos dentes permanentes surgem para substituir os que foram
perdidos. Os mamíferos utilizam os dentes de diferentes maneiras e eles são mais especializados que nos répteis.

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

“Movimento ondulatório horizontal ou movimento serpentino”


É o tipo de movimento mais comum, em forma de “S”. A serpente ondula o corpo alternadamente para um lado e para
o outro, deslocando-se para frente em sentido horizontal. Usado em fuga, é o deslocamento típico de serpentes rápidas.
[Link]

Para compreender esse tipo de movimento, conceitos físicos, como mecânica, são utilizados.

TIPOS DE DENTIÇÃO DOS MAMÍFEROS


Carnívoros Insetívoros
Insectívoros
Incisivos Dentição Completa;. Dentição Completa;.

Dentes incisivos Caninos Dentes pontiagudos


pequenos, caninos fortes e para poderem
desenvolvidos e molares perfurar o
com saliências aguçadas e revestimento de
cortantes. Incisivos Molares quitina dos insetos.
insectos.
Molares
Caninos
Herbívoros Omnívoros
Dentição Incompleta: não
têm dentes caninos e quando
os têm são poucos
pouco
desenvolvidos. Dentição Completa;.
Caninos
Barra
Incisivos cortantes,
Os incisivos são longos, caninos fortes e molares
arqueados, cortantes e com largos e arredondados.
crescimento contínuo. Incisivos

Molares
Incisivos Molares Entre os incisivos e os
molares existe um espaço
chamado barra ou diastema.

6.5. A liberação de excretas


Excretas são produtos residuais derivados do metabolismo celular, o que é diferente de secreção. A secreção é uma substân-
 VOLUME 3

cia eliminada pela célula, que pode ter um fim específico no organismo.
Há várias estratégias para eliminação das excretas.
Pelos pulmões, eliminamos o gás carbônico advindo do metabolismo celular, especialmente da degradação aeróbica da
glicose (respiração aeróbica). O gás carbônico em determinadas concentrações pode alterar o grau de acidez da célula,
afetando várias reações químicas. Resumindo, a troca gasosa é uma maneira eficaz de obtermos o oxigênio e eliminarmos

114  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


esse resíduo. No entanto, atualmente não mais se afirma 6.7. Os metatérios (ou marsupiais)
que o gás carbônico seja uma excreta, portanto trataremos
especialmente dos excretas nitrogenados (amônia, ureia e Conhecidos também como marsupiais ou mamíferos com
ácido úrico) e dos sistemas ditos excretores ou urinários. bolsa. Durante o primeiro período de seu desenvolvimento,
o embrião permanece no interior da mãe; depois de pouco
A amônia é um produto da metabolização dos aminoácidos
tempo, o filhote sai ao exterior e se refugia dentro da bol-
que os mamíferos ingerem; posteriormente, ela passa por
sa da fêmea, conhecida também como marsúpio ou bolsa
reações no fígado e é convertida em ureia. ventral, onde estão as mamas. Lá permanece o recém-nas-
Medula Pelve renal Glomérulo cido, alimentando-se até que se desenvolva totalmente.
Túbulo contorcido
Cápsula proximal
Então vai para o exterior e, às vezes, retorna à bolsa mater-
de na para mamar ou refugiar-se. O marsupial mais conhecido
Córtex Bowman
Artéria
é o canguru australiano, assim como as diversas espécies
renal de gambás e cuícas, que vivem em nossas matas.
Alça de
Henle 6.8. Os eutérios (ou placentários)
Veia
renal Túbulo
A principal característica desse grupo é que as fêmeas for-
contorcido mam placentas, e, por causa disso, o embrião (e depois o feto)
distal
Ureter desenvolve-se plenamente no interior da mãe. Para facilitar o
Rim Néfron estudo, existem várias ordens dentro do grupo dos eutérios.
Nos vertebrados, os rins são os órgãos responsáveis por fil- 6.8.1. Perissodáctilos
trar as excretas nitrogenadas do sangue. Nos mamíferos, as
Anta, cavalo, zebra, rinoceronte. Esse grupo se caracteriza pela
unidades de filtração são túbulos conhecidos como néfrons.
redução do número de dedos de cinco para três, e o cavalo para
apenas um. Muitos são excelentes corredores, pois apresentam
6.6. Diversidade dos mamíferos pernas longas, com uma articulação extra, com alongamento
dos ossos da palma e da sola. São incluídos nos grupos de un-
6.6.1. Os prototérios (ou monotremados) gulados, isto é, as garras deram lugar aos cascos. Em relação à
Os animais desse grupo são os mamíferos que põem ovos alimentação, são herbívoros. Foram bem-sucedidos no princípio
ou monotremados, que não possuem lábios nem dentes. da idade dos mamíferos, mas hoje são reduzidos.
Os filhotes alimentam-se da secreção de um tipo de leite 6.8.2. Artiodáctilos
que a mãe produz na sua superfície ventral. Na fase adul-
ta, consomem invertebrados de água doce, portanto são Javali, porco, veado, camelo, dromedário, girafa, bovíde-
aquáticos. A fêmea constrói seus ninhos numa espécie de os. Esse grupo se caracteriza pelo número par de dedos
galeria e na primavera põe de três a quatro ovos. Os repre- e também são considerados ungulados e aptos a corridas.
sentantes mais conhecidos pertencem à fauna australiana. A redução dos dedos chega até o ponto de apresentarem
um “casco fendido”. De forma contrária aos perissodácti-
los, aumentaram sua população e distribuição no mundo.
Os suínos apresentam hábito onívoro, mas o hipopótamo
é herbívoro. Os mais bem-sucedidos artiodáctilos foram
os herbívoros, com molares com cúspides em meia-lua e
aperfeiçoaram o estômago com várias câmaras, associado
Ornitorrinco à ruminação.
6.8.3. Ruminantes
Esse grupo se caracteriza pela dieta composta de vegetais,
sendo, portanto, herbívoros, um exemplo típico é o boi. A
homogeneidade maior quanto à dentição é uma identida-
de importante.
 VOLUME 3

6.8.4. Edentados
Équidna
Preguiça, tamanduá, tatu. Sua história parece restrita à
América do Sul. Há evidência de que preguiças gigantes,

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  115


que viviam no chão, invadiram a América do Norte. Eles Cada uma das quatro extremidades que possui tem cinco
apresentam articulações adicionais nas vértebras que leva- dedos e o posicionamento do polegar oponível permite que
ram a serem também chamados de xenartros. As preguiças use a mão como se fosse uma pinça, para pegar objetos
se alimentam de folhas de árvores. Os tatus são onívoros e comida com agilidade. A alimentação é variada: frutos,
e apresentam uma carapaça dorsal rígida. Os tamanduás sementes, pássaros, etc. É adaptado à vida arborícola e ra-
se caracterizam pelo focinho longo e apto a invadir cupin- ramente caminha a pé.
zeiros e formigueiros. Os oricteropos e os pangolins eram Outros exemplos são o orangotango de Sumatra e Bornéu,
classificados nesse grupo, mas atualmente são conside- que chega a medir até 135 cm de altura; o gibão da Índia,
rados distintos e classificam-se como tubulidentados. de 90 cm de altura, que pula de uma árvore para outra com
O primeiro é encontrado na África, apresenta um focinho facilidade e rapidez e, quando está de pé, os braços continuam
afilado, o corpo é recoberto por escamas córneas super- tocando o chão; o gorila, que vive em família no chão das
postas, que lhe dão um aspecto de uma pinha de conífera. florestas da África Ocidental e Centro-Oriental, com machos
que medem até 1,70 m de altura e pesam 200 kg.
No Brasil, o número de espécies de macacos pequenos e mé-
dios é grande e entre eles temos o macaco-prego, os micos-
-leões, o macaco-aranha, o bugio e os saguis. A maioria deles
está em perigo de extinção pela destruição maciça de seus
pangolins
habitats florestais.
Ele tem o hábito de invadir cupinzeiros com as garras. Os
pangolins, na América do Sul, alimentam-se de formigas; 6.8.8. Carnívoros
eles perderam seus dentes, enquanto os oricteropos con- Canídeos (lobo, cão, raposa), felídeos (gato, leopardo,
servam alguns molares. leão, onça, lince), lontra, urso, quati, foca e leão-marinho.
Apresentam heterodontia, ligada diretamente ao hábi-
6.8.5. Lagomorfos
to carnívoro e generalista, e estrutura óssea típicas. Os
Os exemplos mais característicos desse grupo são os coe- dentes estão preparados para triturar, perfurar e macerar.
lhos e a lebre. Estão sempre roendo ou mastigando, e seus São representantes o cachorro, o gato, a raposa, o lobo-
incisivos compensam esse desgaste constante crescendo -guará, o quati, a jaguatirica, a onça-pintada, o lince, o
continuamente. Donos de uma rapidez reprodutora im- leopardo africano, o leão, o tigre e a pantera asiáticos.
pressionante, calcula-se que uma coelha pode ter até 50 Também pertencem a esse grupo: o arminho, a ariranha,
filhotes num só ano. Caso todos esses descendentes so- a irara e a hiena.
brevivam e tenham filhotes, a família inteira pode chegar a
somar 1 milhão de indivíduos no período de quatro anos. 6.8.9. Quirópteros
Morcego. São os únicos mamíferos voadores e, caracteristi-
6.8.6. Proboscídeos
camente, alimentam-se de insetos, frutos e sementes. Asso-
Recebem esse nome devido à tromba característica, atual- ciada às extremidades de seus esqueletos e à cauda, visua-
mente representados pelos elefantes. Anteriormente, existi- liza-se uma grande membrana chamada patágio, que lhes
ram os mastodontes, que apresentavam incisivos em bisel confere uma “asa”. Possuem a visão atrofiada, um olfato
e molares apropriados para a trituração. Posteriormente, os desenvolvido e uma audição que é capaz de captar os pró-
mastodontes aumentaram o seu tamanho e desenvolveram prios ultrassons produzidos, como se fosse um radar, para se
maxilares longos com presas curtas em cima e embaixo. Nos orientar espacialmente durante seus voos noturnos. No in-
elefantes, houve uma redução dos maxilares e aumento das verno, vivem em estado de letargia, pendurados permanen-
presas. Os mastodontes na Idade do Gelo se distribuíam temente de cabeça para baixo em cavernas e vãos escuros.
por todos os continentes, exceto América do Sul e Austrália. Há morcegos hematófagos, que se alimentam de sangue,
mas a maioria é extremamente importante na conservação
6.8.7. Primatas das matas tropicais por dispersarem as sementes de inúme-
Chimpanzé, homem, orangotango, sagui, gorila, gibão, etc. ras espécies de árvores ao se alimentarem de seus frutos.
Os primatas mais conhecidos, além dos humanos, são os
6.8.10. Sirênios
 VOLUME 3

chimpanzés ou macacos antropomorfos, ou seja, que têm


forma semelhante à do ser humano. Seu habitat é a flores- Peixe-boi, manati. Animais "pastadores" de águas rasas
ta equatorial da África: Guiné e Congo. Possuem a cabeça do Atlântico tropical e do Oceano Índico. Apresentam os
pequena e achatada; apesar de serem facilmente domestifi- membros anteriores transformados em remos, os posterio-
cáveis, têm aspecto feroz por causa dos seus grandes olhos. res reduzidos a vestígios e a cauda formando uma nada-

116  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


deira horizontal. Após grande proliferação no Período Ter- (polos) e possui uma camada de gordura grossa − hipo-
ciário, reduziram drasticamente e hoje são raros. A origem derme, que protege o corpo do frio exterior. Atualmente,
desses animais parece estar associada a algum ungulado. a baleia está em perigo de extinção devido à intensa caça
predatória pelo homem; a indústria pesqueira japonesa é
6.8.11. Roedores a principal responsável pela diminuição das populações de
Capivara, rato, esquilo, paca, preá, ouriço-cacheiro. Pos- baleias na busca de matérias-primas como o óleo, âmbar
suem hábitos subterrâneos e são importantes para a saúde gris, carne e ossos. Por isso que tentam proteger essa espé-
pública, pois podem transmitir ao homem patógenos como cie e evitar que continue com a exploração, de finalidade
pulga, bactérias e fungos, além de contaminar depósitos comercial e industrial. Também pertencem a esse grupo os
de alimentos e causar prejuízos financeiros. golfinhos e cachalotes. A foca e o lobo-marinho formam
um grupo à parte: os pinípedes, que se caracterizam por
6.8.12. Cetáceos possuir barbatanas no lugar das extremidades.
Baleia, golfinho, boto e orca. São mamíferos adaptados à
vida aquática. Possuem respiração pulmonar como todos 6.8.13. Insetívoros
os mamíferos e precisam subir à superfície de vez em quan- Toupeira, musaranho, ouriço. Esse grupo de pequenos ma-
do para respirar. O maior de todos é a baleia, que tem for- míferos representa aqueles que mais se aproximam dos
ma hidrodinâmica como a dos peixes, mas peso e tamanho ancestrais remotos dos mamíferos. Os musaranhos-arborí-
bem diferentes. Costuma medir até 30 metros de compri- colas-do-oriente são os que menos sofreram alterações em
mento e pesar mais de 150 toneladas. Na parte superior da relação aos seus ancestrais. A toupeira é conhecida pelas
cabeça, estão as fossas nasais, que é por onde ela expele fortes patas usadas para cavar e perseguir larvas de inse-
um esguicho de água. Não tem dentes, e sim uma série de tos e minhocas no subsolo. As evidências mostram que os
lâminas que funcionam como um filtro na hora de captu- morcegos derivaram desse grupo.
rar seu alimento: peixes e crustáceos. Vive na zonas árticas

 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  117


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.

O conhecimento da biodiversidade é de suma importância para sua preservação; para tanto, deve-se rea-
lizar estudos das suas características ecológicas e distribuição biogeográfica. Desse modo, as questões do
Enem tendem a fazer uma abordagem mais ecológica sobre as espécies, desejando que o aluno correlacio-
ne informações apresentadas em gráficos e tabelas com seus conhecimentos sobre os diferentes grupos.

MODELO 1

(Enem) O Puma concolor (suçuarana, puma, leão da montanha) é o maior felino das Américas, com uma distri-
buição biogeográfica que se estende da Patagônia ao Canadá.

O padrão de distribuição mostrado na figura está associado a possíveis características desse felino.
I. É muito resistente a doenças.
II. É facilmente domesticável e criado em cativeiro.
III. É tolerante a condições climáticas diversas.
IV. Ocupa diversos tipos de formações vegetais.
Características desse felino compatíveis com sua distribuição biogeográfica estão evidenciadas apenas em:
a) I e II. d) I, II e IV.
b) I e IV. e) II, III e IV.
c) III e IV.

ANÁLISE EXPOSITIVA

A questão exige do aluno não apenas conhecimentos da espécie indicada, como também conhecimento so-
bre biomas, possibilitando inferir sobre a localização das diferentes formações vegetais e climas encontrados
nas Américas. Pela análise do mapa, é possível observar que há uma ampla distribuição geográfica do Puma
concolor, ocupando, assim, diferentes formações vegetais e condições climáticas diversas. Essa distribuição
se refere ao animal em seu ambiente natural, não em cativeiro, como também é sabido que esse felino não
é facilmente domesticável. Por fim, como qualquer espécie, eles são sensíveis a doenças às quais ainda não
 VOLUME 3

desenvolveu resistência.

RESPOSTA Alternativa C

118  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

CORDADOS

PEIXES AMBIENTE TERRESTRE


• OVOS AMNIÓTICOS
ANFÍBIOS • PELE MUITO QUERATIMIZADA
ECTOTÉRMICOS
CARACTERÍSTICAS CIRCULAÇÃO DUPLA E INCOMPLETA
RÉPTEIS
• SEPTO DE SABATIER
TESTUDINES
• POSSUEM CASCO FORMADO POR PLACAS ÓSSEAS
EX.: TARTARUGA, CÁGADO E JABUTI
SQUAMATA
• REVESTIDOS POR ESCAMAS
EX.: COBRA E LAGARTO
CROCODILIANOS
• REVESTIDOS POR PLACAS CÓRNEAS
• CORAÇÃO TETRACAVITÁRIO (FORAME DE PANIZZA)
EX.: JACARÉ E CROCODILO

AVES
ADAPTAÇÃO AO VOO
CARACTERÍSTICAS
• ASAS E PENAS
• OSSOS PNEUMÁTICOS, PULMÕES, E SACOS AÉREOS
GLÂNDULA UROPIAGIANA
ENDOTÉRMICOS

MAMÍFEROS
MAMAS, PELOS E PLACENTA
CARACTERÍSTICAS
DENTES ESPECIALIZADOS (HETERODONTES)
ENDOTÉRMICOS
PROTOTÉRIOS: MONOTREMATA
• BOTAM OVOS E NÃO POSSUEM DENTES
EX.: ORNITORRINCO
METATÉRIOS: MONOTREMATA
• DESENVOLVIMENTO NO ÚTERO E, POSTERIORMENTE, NO MARSÚPIO; PLACENTA RUDIMENTAR
EX.: GAMBÁ E CANGURU
EUTÉRIOS: PLACENTÁRIOS
• PLACENTA DESENVOLVIDA
EX.: RATO, BALEIA, MORCEGO, PEIXE-BOI, SER HUMANO
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  119


ANOTAÇÕES

____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
____________________________________________________________
 VOLUME 3

____________________________________________________________
____________________________________________________________

120  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


BIOLOGIA

CITOLOGIA
LIVRO
TEÓRICO
INCIDÊNCIA DO TEMA NAS PRINCIPAIS PROVAS

Processos relacionados à síntese proteica A citologia ocorre em boa parte das


(transcrição e tradução), metabolismo ener- questões, sendo necessário relacionar e
gético (respiração celular e fotossíntese) e identificar o funcionamento de organelas e
biotecnologia são assuntos com presença analisar divisões celulares.
garantida.

Prova com caráter muito interdisciplinar e Função e reconhecimento de organelas são Prova que frequentemente apresenta ques-
foco principal em processos bioquímicos e recorrentes nessa prova. tões relacionadas ao metabolismo energé-
nas funções das organelas. tico (respiração celular e fotossíntese) e à
bioquímica básica.

Divisões celulares, funções e identificação É importante saber relacionar o funciona- Vestibular que envolve, em todos os anos, É uma das temáticas mais presentes nesse
de organelas e metabolismo energético mento e a diferenciação das células com assuntos como divisões celulares, metabo- vestibular, com questões sobre funções das
(respiração celular e fotossíntese) são bas- o tecido que elas compõem ou o meio em lismo energético (respiração celular e fotos- organelas, transporte através de mem-
tante presentes. que vivem. síntese) e funções das organelas. brana, divisões celulares e metabolismo
energético.

Prova com alto grau de especificidade, Questões com alto nível de especificida- Citologia é o principal tema cobrado em
envolvendo principalmente síntese proteica de, relacionadas a funções de organelas, Biologia, abordando divisões celulares e
e o dogma central da Biologia, além de divisões celulares e transporte através da síntese proteica (transcrição e tradução),
transporte através de membrana e divisões membrana. além de propriedades e transporte através
celulares. da membrana.

Citologia é um dos temas mais recorrentes, Prova com alto grau de especificidade. A citologia é uma das áreas mais recorren-
sendo que os assuntos principais são bio- Quanto à citologia, os assuntos mais co- tes nessa prova, voltada, principalmente,
química, síntese proteica, divisões celulares brados são metabolismo energético (respi- às divisões celulares (propriedades e com-
e identificação e função das organelas. ração celular e fotossíntese) e análise das parações) e ao metabolismo energético
organelas (funções e identificação). (respiração celular e fotossíntese).
 VOLUME 3

122  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


MEIOSE E
VARIABILIDADE
1. Meiose: caracterização
GENÉTICA e importância
A reprodução assexuada, como as divisões binárias bac-

CN
terianas e o brotamento de algas, produz indivíduos ge-
neticamente idênticos, também chamados de clones. Já
COMPETÊNCIA(s) a reprodução sexuada envolve a combinação de material
8 genético de dois indivíduos, gerando um indivíduo geneti-
camente único. Essa combinação pode ser realizada a par-
AULAS HABILIDADE(s)
13 e 14
tir da fusão de células haploides, denominadas gametas,
gerando uma célula diploide que, por sucessivas mitoses,
17 E 18 formará o novo organismo.
A meiose é o tipo de divisão celular em que uma célula
diploide (2n), depois de duplicar os cromossomos, sofre
duas divisões sucessivas, produzindo quatro células-filhas
haploides (n). A meiose é um processo importante para a
variabilidade genética das espécies pois permite a reprodu-
ção sexuada e a formação de novos indivíduos diferentes
dos seus parentais. Além disso, outros processos que ocor-
rem na meiose também favorecem uma maior variabilida-
de genética, como a separação independente dos cromossomos e a recombinação gênica (processo também conhecido
como crossing-over, que será detalhado a seguir).
MeioseMeiose:
– Visão
visão geral
Geral

fonte: [Link]

O processo de meiose é essencial para a manutenção da ploidia das espécies, ou seja, é essencial para a manutenção da
quantidade de conjuntos cromossômicos de cada célula e, consequentemente, de cada indivíduo. Para que a ploidia de
 VOLUME 3

uma espécie seja mantida, é necessário que os gametas sejam haploides (n), ou seja, apresentem apenas um conjunto de
cromossomos. Dessa forma, quando dois gametas fundirem seus núcleos no processo de fecundação, teremos a formação
de zigotos diploides (2n), ou seja, com dois conjuntos de cromossomos. Se os gametas fossem diploides (2n), a fecundação
produziria um organismo tetraploide (4n) e, a cada geração sucessiva, o número cromossômico duplicaria, tornando a vida

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  123


como a conhecemos inviável. Observe a seguir as duas fi- das espécies. Observe a seguir de que maneira o crossing-o-
guras sobre a caracterização e importância da meiose: ver origina novas combinações gênicas ou recombinações.
Suponha a existência de um organismo heterozigoto para
os genes A e B; em um dos cromossomos homólogos estão
os alelos dominantes (A e B), e no outro homólogo estão
Interfase
os alelos recessivos (a e b). Se não houvesse crossing-over,
os gametas, que recebem apenas um dos cromossomos,
Meiose
seriam portadores de duas combinações gênicas: A e B ou
a e b. Com a ocorrência de crossing-over, fenômeno que
acontece com os cromossomos já duplicados, formam-se
quatro combinações gênicas: AB, Ab, aB e ab.

Interfase

Formação de células haploides (n)

Organismo
2n

Mitose Crossing-over

Meiose
Zigoto 2n Meiose

Óvulo n

Espermatozoide n
Constância cromossômica

A recombinação gênica é um evento exclusivo da meio-


se e também aumenta a variabilidade genética das popula- Gametas
ções. É caracterizada pelo crossing-over ou permutação, Esquema do processo de crossing-over, que ocorre na formação
que consiste na troca de partes entre cromátides não irmãs dos gametas. Podemos observar que, devido à ocorrência do
crossing-over, temos gametas com combinações genéticas
de cromossomos homólogos, contribuindo para que haja
diferentes, permitindo um aumento de variabilidade.
novas combinações gênicas e aumentando a variabilidade
Nos animais, a meiose é denominada gamética, pois forma gametas; nas plantas e algas, ela é espórica, pois forma esporos.
Em algumas algas e na maioria dos fungos, a meiose é chamada de zigótica, uma vez que é realizada pelo zigoto, gerando
organismos haploides. Observe os ciclos de vida e o momento em que a meiose ocorre:
Organismo Organismo Organismo
2n 2n n
Zigoto Meiose
2n Espórica Meiose
Zigoto Meiose Zigótica Gametas
2n Gamética n
Gametas Esporos
n n
Gametas Organismo Zigoto
n n 2n
Esquema de diferentes ciclos de vida
 VOLUME 3

multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
Meiose 3D Dublado

124  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


1.1. Fases do processo meiótico a duplicação do material genético; por fim, ocorre a fase G2,
em que também ocorre síntese de proteína, porém em me-
Em vertebrados, a meiose ocorre apenas em células diploi- nor escala. A primeira divisão meiótica (meiose I) é denomi-
des das linhagens germinativas localizadas nas gônadas nada reducional, pois reduz o número de cromossomos de
(testículos e ovários) e é constituída por duas divisões ce- uma célula diploide (2n) e forma duas células haploide (n)
lulares: meiose I e meiose II. Antes do início da meiose I, as (separação dos cromossomos homólogos). A segunda divi-
células passam por um processo semelhante ao que ocorre são (meiose II) é denominada equacional, pois forma mais
durante a interfase das células somáticas. Elas passam pela duas células-filhas com o mesmo número haploide de cro-
interfase G1, que se caracteriza principalmente pelo proces- mossomos (separação das cromátides-irmãs).
so de síntese proteica; em seguida, ocorre a fase S, ou seja,

Meiose: visão geral

Prófase Metáfase Anáfase Telófase

Prófase Metáfase Anáfase Telófase

1.1.1. Fases da meiose I


[Link]. Prófase I
A prófase é uma fase de longa duração quando comparada
às demais fases da divisão celular. Nessa etapa, cada cromos-
somo já se encontra duplicado, formando então por duas cro-
mátides-irmãs (fenômeno que ocorreu na fase S da interfase).
Es­sas cromátides são unidas pelos filamentos do centrômero.
A prófase se caracteriza pela espiralização ou condensação
dos cromossomos, que se tornam mais curtos e grossos de-
§ Leptóteno − os cromossomos aparecem pouco con-
vido ao processo de helicoidização. Os centríolos, que
densados e se distribuem ao acaso no núcleo. Cada
foram duplicados durante a interfase, mi­gram para polos
cromossomo já está duplicado, sendo composto por
opostos da célula. O citoesqueleto também se desor­ganiza
duas cromátides-irmãs unidas na região do centrôme-
e seus elementos se tornam o principal componente do fuso
ro, mas geralmente isso não é visível quando observa-
acromático, uma estrutura composta principalmente por
do através dos microscópios mais comuns.
microtúbulos que se ancoram nos cen­tríolos e crescem em
todas as direções nas células. Quando microtúbulos ancora- § Zigóteno − os cromossomos homólogos começam a
se parear. O processo de pareamento dos cromossomos
dos em centríolos opostos inter­agem, proteínas especializa-
homólogos, também denominado sinapse, é muito pre-
das estabilizam o seu crescimento. Chamamos a região onde
ciso. Cada par de homólogos é denominado bivalente;
essa interação acontece de zona de sobreposição, e geral-
se contarmos suas quatro cromátides, pode-se chamar
mente se situa na região central das células. Os centrômeros
também de tétrade.
 VOLUME 3

dos cromossomos interagem com a extremidade livre dos mi-


crotúbulos, através do cinetócoro, um “disco de proteínas” § Paquíteno − os cromossomos já atingiram um alto
localizado no centrômero. Para facilitar o estudo, a prófase é grau de condensação e cada uma de suas cromátides
dividida em cinco estágios: leptóteno, zigóteno, paquíteno, di- pode ser visualizada quando observamos a célula ao
plóteno e diacinese. microscópio. Durante o paquíteno, pode ocorrer a troca

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  125


de pedaços entre cromátides não irmãs de um par de Cromossomos meióticos Resultados da meiose

cromossomos homólogos. Esse fenômeno de trocas é Meiose


crossing
denominado crossing-over ou permutação. Acompa-
sem crossing
entre os
genes

nhe a seguir a evolução do crossing-over:


Meiose
com crossing
crossing Recombinante
entre
genes Recombinante

Meiose e crossing-over. Gametas recombinantes possuem cromossomos


recombinantes, ou seja, que são produto da ocorrência de crossing-over.

§ Diplóteno − Cada cromossomo do par de ho­mólogos


se afasta do outro, mas os centrômeros de cada um per-
LEPTÓTENO PAQUÍTENO
manecem in­tactos, de modo que cada cromossomo con-
cromátides-
cromátide 1
1
tinua duplicado, apresentando duas cromátides-irmãs.
Apesar do afastamento dos cromossomos, podemos
irmãs
formação do
paternas elemento central eixos das 2
cromátide 2 proteínas de
do complexo
sinaptonemático desmantelamento

3
observar regiões onde as cromátides dos cromossomos
cromátides- cromátide 3
irmãs
maternas 4
homólogos permanecem cruzadas, sinalizando que na-
cromátide 4
INTERFASE ZIGÓTENO
DIPLÓTENO SEGUIDO
POR DIACINESE
quela região ocorreu o processo de crossing-over. Essas
regiões de sobreposição das cromátides são chamadas
TEMPO
de quiamas, assim, o número de quiasmas representa
Meiose e crossing-over. A permuta ou crossing-over ocorre na prófase I,
que se divide em cinco subfases: leptóteno, zigóteno, paquíteno quantas regiões sofreram crossing-over no estágio ante-
(quando ocorre a quebra e fusão invertida), diplóteno a diacinese. rior (paquíteno).
fonte: [Link] § Diacinese − o processo de separação dos quiasmas é a
aula-cromossomos-ciclo-celular-divisao-celular
principal característica da diacinese. Os quiasmas, à me-
dida que os homólogos se afastam, vão desaparecendo
Crossing-over
e o estágio termina com o desaparecimento do nucléolo
A B
e a desintegração do envoltório nuclear.
A b
a B

a b Leptóteno Zigóteno Paquíteno Diplóteno Diacinese

A B

Leptóteno Zigóteno Paquíteno Diplóteno Diacinese


A b
eventos de recombinação Representação dos estágios da prófase I.
a B O principal evento que ocorre na prófase I é o crossing over.

a b [Link]. Metáfase I
Meiose e crossing-over. Troca de segmentos entre cromátides homólogas
− nunca irmãs. Permite recombinação gênica. Ocorre quando os Nessa etapa, os cromossomos, ligados às fibras do fuso
cromossomos homólogos estão pareados (sinapse) na prófase I da meiose. através dos seus centrômeros, migram até se alinharem na
Os cromossomos homólogos que estão pareando, ao se espiralizarem,
sofrem quebras em locais correspondentes. Muitas vezes, essas quebras
região equatorial da célula. Quando todos os cromossomos
são reparadas erradamente, ou seja, os segmentos são trocados. estão alinhados nesse região, eles formam a placa equa-
Centrômero
torial, que é simplesmente um nome dado para o conjunto
Pares
Homólogos de todos os cromossomos organizados na região equatorial
de Homólogos
da célula. A metáfase é o momento de maior condensação
Cromátides
irmãs

dos cromossomos na divisão celular.


Quisma
Tétrade
[Link]. Anáfase I
e
Crossing-over
 VOLUME 3

Centrômeros
Anáfase I é a fase em que há migração de cada cromosso-
Cromátides
mo do par de homólogos para um polo distinto da célula.
(a) (b)
Em contraste com a anáfase da mitose, os centrômeros
Meiose e crossing-over. As tétrades ou bivalentes correspondem
a um par de cromossomos homólogos pareados e apresentam,
não se dividem nesse momento. Os dois membros de cada
como o nome indica, quatro cromátides. par de homólogos se separam e seus respectivos centrô-

126  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


meros, com as cromátides-irmãs unidas, são puxados para polos opostos da célula. Os pares de homólogos se distribuem
independentemente uns dos outros, e, em consequência, os conjuntos paterno e materno originais são separados em com-
Etapas da Meiose – Anáfase I
binações aleatórias, um fator importante para o aumento da viariabilidade.

Etapas da meiose: anáfase I

[Link]. Telófase I endoplasmático, que se fundem para formar um novo en-


Quando os cromossomos atingem os polos, forma-se a ca- voltório nuclear. Em seguida, tem início a citocinese, que é
rioteca em torno de cada grupo e ocorre citocinese, isto é, a um processo de clivagem e separação do citoplasma. Em
divisão do citoplasma. O número total de cromossomos de célu­las animais, ocorre por constricção na zona equatorial
Divisão
Divisão
da célula-mãe, IIDivisão
Divisão
que da
II Meiose
da
progride II
IIeda da Meiose
Meiose
Meiose
estrangula o citoplasma.
cada célula-filha é metade do número da célula-mãe. No
Essa constricção se deve à interação molecular de actina,
entanto, como ainda não ocorreu a divisão do centrômero,
miosi­na e microtúbulos. Como resultado, formam-se qua-
cada cromossomo consiste em duas cromátides. Prófase Prófase
IIPrófase
Prófase II Metáfase
II Metáfase II Metáfase
II Metáfase II Anáfase
II Anáfase II Anáfase
II Anáfase II Telófase
II Telófase Telófase
II II
II Telófase II II
tro células-filhas haploides.
[Link]. Intercinese
A intercinese é um pequeno intervalo entre as duas divisões.
A meiose II tem início nas células resultantes da telófase I,
sem que ocorra a interfase. A meiose II também é constituí-
da por quatro fases, sendo bastante similar à mitose. Prófase II Metáfase II Anáfase II Telófase II
Fotos com os aspectos gerais da Meiose II
1.1.2. Fases da meiose II fonte: [Link]
[Link]/2012_09_01_archive.html

[Link]. Prófase II
A prófase II é muito rápida e corresponde ao período de
2. A meiose e a diversidade genética
desintegração das cariotecas e formação de novo fuso, Na meiose, as células produzidas na divisão I são genetica-
geralmente perpendicular ao primeiro. Os cromossomos mente diferentes por duas razões. A primeira é a ocorrên-
não perdem a sua condensação durante a telófase cia de crossing-over, que produz cromossomos com novas
I. Assim, depois da formação do fuso e do desaparecimen- combinações gênicas. A segunda é a separação, totalmente
to da membrana nuclear, as células resultantes entram na ao acaso, dos homólogos para as células-filhas. Exemplifi-
metáfase II. cando: no núcleo diploide, existem dois pares de cromosso-
mo designados por 1 e 2. Para a célula-filha, existem várias
[Link]. Metáfase II possibilidades. Assim, ela pode receber o cromossomo 1
Na metáfase II, os cromossomos, ainda constituídos cada materno e o 2 paterno, ou o 1 paterno e o 2 materno, ou,
um por duas cromátides, alinham-se no centro do fuso. A então, ambos maternos ou ambos paternos.
Meiose - Divisão Reducional (R!)
cada cinetócoro de cada centrômero se ligam duas fibras Meiose
do fuso, uma de cada polo.
[Link]. Anáfase II
É na anáfase II que os centrômeros se dividem e as fibras
do fuso se encurtam, permitindo a separação das cromáti-
des para polos opostos da célula.
[Link]. Telófase II
 VOLUME 3

esquema de separação dos homólogos. Cada número representa um


A telófase tem início quando os cromosomos-filhos al- cromossomo e cada cor representa um conjunto de cromossomos
que veio de um indivíduo parental diferente. Há muitas combinações
cançam os polos, onde começam a descondensação. Em
possíveis de cromossomos a serem passados para as células-
seguida, os cromossomos se agrupam em massas de filhas, de modo que a variabilidade genética é favorecida
cromatina que são circundadas por cisternas de retículo

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  127


Etapas dameiose
Meiose
Etapas da 2.1. Importância biológica
Meiose 1 2n = 4
§ A meiose permite que o número de cromossomos pa-
drão de cada espécie permaneça o mesmo, isto é, cons-
tante ao longo das gerações.
§ A meiose garante, por meio da disjunção (separação)
Interfase
Interfase Prófase
Prófase I I Metáfase
Metáfase I I Anáfase
Anáfase I ao acaso dos cromossomos homólogos e do crossin-
Meiose 2 2n = 4
g-over, a formação de 4 células-filhas haploides total-
mente diferentes entre si.
§ As espécies que sofrem meiose em seu ciclo de vida
apresentarão grande variabilidade genética em suas
Telófase
Telófase II Metáfase
Metáfase IIII Anáfase
Anáfase II II Telófase
Telófase II II populações, sejam animais que formam gametas ou
esquema resumido das etapas da meiose, um processo
vegetais que formam esporos.
de divisão chamado de reducional, uma vez que reduz
a ploidia das células-filhas (de 2n para n).

COMPARAÇÃO ENTRE MITOSE E MEIOSE


Mitose (E! - equacional) Meiose (R! - reducional)
Ocorre em células germinativas e promove a formação de gametas em
Ocorre em células somáticas e promove crescimento e regeneração.
animais e esporos em vegetais.
Células (n) ou (2n) podem sofrer mitose e originam duas células idênticas Apenas células (2n) podem sofrer meiose e originam 4 células (n) total-
geneticamente. mente diferentes geneticamente.
Uma duplicação cromossômica para uma divisão celular. Uma duplicação cromossômica para duas divisões celulares.
Células-filhas com o mesmo número de cromossomos da célula-mãe Células-filhas com a metade do número de cromossomos
(divisão equacional). da célula-mãe (divisão reducional).
Não há crossing-over. Há crossing-over.
Não promove variabilidade genética. Promove grande variabilidade genética.
Não há separação dos cromossomos homólogos, apenas de cromátides- Há separação dos cromossomos homólogos na divisão I e de cromáti-
-irmãs. des-irmãs na divisão II.
Não há pareamento de cromossomos homólogos. Há pareamento de cromossomos homólogos.

multimídia: vídeo multimídia: site


Fonte: Youtube
Meiose e a continuação da vida [Link]/citologia/meiose/

VIVENCIANDO
A meiose pode auxiliar na formação natural (partenocarpia) ou artifical de frutos sem sementes. Uma planta
 VOLUME 3

com 40 cromossomos produz um gameta com 20 cromossomos, e uma planta com 42 cromossomos produz
um gameta com 21 cromossomos. Unindo os gametas de ambas as plantas, será gerado um indivíduo de 41
cromossomos. Esse indivíduo produzido terá grandes dificuldades no processo de meiose devido ao número
ímpar de cromossomos, pois poderá produzir gametas com 20 ou 21 cromossomos. Assim, a fertilidade desse
indivíduo em gerar gametas ficará prejudicada e, consequentemente, pode-se gerar um fruto sem sementes.

128  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

Para que os eventos de divisão celular ocorram, é necessário que ocorra previamente a duplicação do DNA. A du-
plicação do DNA envolve a separação das fitas de DNA através de processos químicos que envolvem a quebra de
ligações químicas (nesse caso, ligações de hidrogênio), como a desnaturação e a renaturação. A desnaturação ocorre
quando as ligações de hidrogênio entre as cadeias com­plementares se rompem e as fitas se separam. O inverso é
chamado de renaturação e permite que todas as proprie­dades originais da molécula sejam restabelecidas. A ligação
de hidrogênio é uma ligação química em que apenas dois elétrons são compartilhados por três átomos, tratando-se,
portanto, de uma ligação deficiente de elétrons.

ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 14
Identificar padrões em fenômenos e processos vitais dos organismos, como manutenção do equilíbrio
interno, defesa, relações com o ambiente, sexualidade, entre outros.

A diversidade de seres vivos pode ser interpretada do ponto de vista genético. Saber como processos que
ocorrem no material genético dos seres vivos proporcionam biodiversidade é fundamental na resolução dessa
questão.

MODELO 1

(Enem) O Brasil possui um grande número de espécies distintas entre animais, vegetais e microrganismos en-
voltos em uma imensa complexidade e distribuídas em uma grande variedade de ecossistemas.
SANDES, A.R.R.; BLASI, G. Biodiversidade e diversidade química e genética. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 22 set. 2015 (adaptado).
O incremento da variabilidade ocorre em razão da permuta genética, a qual propicia a troca de segmentos
entre cromátides não irmãs na meiose. Essa troca de segmentos é determinante na:
a) produção de indivíduos mais férteis;
b) transmissão de novas características adquiridas;
c) recombinação genética na formação dos gametas;
d) ocorrência de mutações somáticas nos descendentes;
e) variação do número de cromossomos característico da espécie.

ANÁLISE EXPOSITIVA
Uma das maneiras de se promover variabilidade genética e consequentemente o aumento da bio-
diversidade é a ocorrência de crossing-over ou permutação na meiose, processo de divisão celular
que, em animais, forma os gametas. Nesse processo, ocorre troca de “pedaços” entre cromossomos
homólogos promovendo uma recombinação genética.

RESPOSTA Alternativa C
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  129


DIAGRAMA DE IDEIAS

MEIOSE

MEIOSE I MEIOSE II
(REDUCIONAL) (EQUACIONAL)

• LEPTÓTENO
PRÓFASE I PRÓFASE II
2n=4
• ZIGÓTENO n=2
• PAQUÍTENO
(CROSSING-
OVER)
• DIPLÓTENO
• DIACINESE

METÁFASE I METÁFASE II

ANÁFASE I ANÁFASE II

TELÓFASE I TELÓFASE II
N=2 • DIVISÃO REDUCIONAL (2N-->N) N=2
IMPORTANTE PARA MANTER
A PLOIDIA DE CADA ESPÉCIE
• FORMAÇÃO DE GAMETAS (ANI-
MAIS) E ESPOROS (VEGETAIS)
• IMPORTANTE PARA A
VARIABILIDADE GENÉTICA
 VOLUME 3

130  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


GAMETOGÊNESE
1. Puberdade e
amadurecimento sexual
A adolescência é um período marcado por diversas altera-

CN
ções hormonais, que consequentemente trazem alterações
fisiológicas, principalmente relacionadas ao amadurecimen-
COMPETÊNCIA(s)
to dos órgãos reprodutivos e também ao desenvolvimento
8
de características sexuais secundárias, como o crescimento
de pelos nas axilas, face e regiões pubianas. Além disso, nos
AULAS HABILIDADE(s)
13 e 14
indivíduos do sexo masculino ocorre também o crescimento
dos testículos dentro do saco escrotal, desenvolvimento do
19 E 20 pênis e alterações na voz. Nos indivíduos do sexo feminino,
é comum o acúmulo de gordura na região dos quadris, além
do crescimento dos seios e o início dos ciclos menstruais.
Entretanto, essas mudanças não obedecem a padrões infle-
xíveis. Adolescentes com a mesma idade podem apresentar
diferenças na altura, na quantidade de pelos, timbre de voz,
entre outras características. Diversos fatores podem influen-
ciar essas características e causar variações, como fatores
genéticos, hábitos alimentares, prática de atividades físicas e
também, em alguns casos, problemas de saúde. Alterações no equilíbrio hormonal podem causar acúmulo de gordura na região
do peito em indivíduos do sexo masculino, ou surgimento excessivo de pelos em indivíduos do sexo feminino; porém essas
alterações costumam desaparecer com o tempo, sendo aconselhável orientação médica caso persistam.

2. Sistema genital masculino


2.1. Anatomia

O sistema reprodutor masculino é formado por pênis, saco escrotal, testículos, epidídimo e glândulas anexas, como será
descrito a seguir:
§ Pênis – O pênis é um órgão de formato cilíndrico constituído principalmente por tecido erétil (com capacidade de se
 VOLUME 3

erguer). Durante a excitação sexual, esse tecido recebe uma maior quantidade de sangue, que o torna ereto e rígido. O
pênis é formado pela glande (“cabeça do pênis”), que pode se apresentar coberta pelo prepúcio – um pedaço de pele
que cobre essa área. A uretra é um canal comum aos sistemas urinário e reprodutor e tem seu orifício externo na região
da glande. A variação do tamanho do pênis não tem relação com fertilidade ou com potência sexual. Durante o estímulo

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  131


em uma relação sexual, o homem lança o esperma para
fora do corpo sob a forma de jatos, o que se denomina
3. Sistema genital feminino
ejaculação (normalmente em uma ejaculação são expe-
3.1. Anatomia
lidos de 2 a 5 mililitros de esperma contendo cerca de
350 milhões de espermatozoides). A eliminação da urina O sistema reprodutor feminino apresenta estruturas tanto
e a ejaculação ocorrem pela uretra. na região externa do corpo, como o clitóris e a abertura va-
ginal, como também órgãos internos, como ovários e útero,
§ Saco escrotal – Os gametas masculinos, os espermato-
situados na região abdominal.
zoides, são produzidos nos testículos. Os testículos estão
localizados no saco escrotal, que possui uma aparência
enrugada e flácida. Os espermatozoides são produzidos
em uma temperatura menor do que o restante do corpo.
Em função disso, é de fundamental importância que o
saco escrotal esteja localizado fora do abdome. O uso de
roupas íntimas muito justas pode levar ao aquecimento
excessivo nos testículos, causando infertilidade tempo-
rária.
§ Testículos – São glândulas sexuais masculinas forma-
das por tubos enovelados e finos denominados túbulos
seminíferos. É durante a puberdade, sob a influência
dos hormônios sexuais, que a produção de gametas se
inicia no corpo do homem. A produção de espermato-
zoides começa na puberdade e se prolonga até o fim
da vida. Nos testículos também ocorre a produção de
testosterona, o hormônio sexual masculino. A testoste- § Monte de vênus ou púbis – Trata-se da região logo
rona estimula o aparecimento das características sexuais acima da vulva, em que surgem pelos e há acúmulo de
secundárias masculinas. gordura na puberdade.
§ Epidídimos – Os espermatozoides, depois de forma- § Pudendo feminino – Antes denominado vulva, é nes-
sa área que se localizam os pequenos e grandes lábios,
dos, são armazenados no epidídimo, que é constituído
que são dobras de pele sensível. Os pequenos e grandes
por tubos enovelados, situado junto ao testículo. Os es-
lábios protegem a abertura da vagina, o clitóris e a aber-
permatozoides ficam armazenados nessa estrutura até o
tura da uretra. O clitóris é uma região rica em termina-
final da maturação, o que aumenta sua mobilidade. Ao
ções nervosas e altamente vascularizada, o que o torna
sair do epidídimo, os espermatozoides vão para o ducto
extremamente sensível. O clitóris se estende também in-
deferente, um tubo com parede muscular que é parte de
ternamente na região do pudendo feminino e sua função
cada epidídimo. Cada ducto deferente se conecta a um
é relacionada apenas ao prazer. A uretra, canal integran-
canal da glândula seminal, compondo um tubo único, te do sistema urinário, tem seu orifício externo na região
denominado duto ejaculatório. O duto ejaculatório lança do pudendo, entre o clitóris e a abertura da vagina.
os espermatozoides dentro do canal da uretra, que pas-
§ Abertura da vagina – A abertura da vagina leva aos
sa pelo interior do pênis e se abre para o meio externo.
órgãos sexuais internos. Na maioria das mulheres, essa
§ Glândulas seminais e próstata – Essas estruturas abertura está parcialmente bloqueada pelo hímen, uma
produzem uma secreção viscosa que nutre os gametas fina membrana, que pode tanto se romper naturalmente
masculinos e aumenta sua mobilidade. A glândula pros- devido à atividades físicas como também pode ser rom-
tática produz um líquido leitoso que tem a função de pida em alguma relação sexual que haja penetração no
neutralizar a acidez de resíduos de urina e a acidez va- canal vaginal. O rompimento do hímen pode ou não cau-
ginal na relação sexual. Durante o percurso até a uretra, sar um leve sangramento. Existem hímens elásticos, ou
os espermatozoides se juntam aos líquidos sintetizados ainda hímens que recobrem apenas parcialmente a aber-
pelas glândulas seminais e pela próstata. Quando pas- tura vaginal, e nesses casos, muitas vezes o hímen pode
 VOLUME 3

sam pela uretra, eles se juntam ao líquido lubrificante nunca se romper completamente. É importante ressaltar
sintetizado pelas glândulas bulbouretrais, que colabora que a sexualidade de cada pessoa é distinta, e a visão do
para limpeza da uretra. Os espermatozoides e os líquidos hímen como uma estrutura que representa a virgindade
produzidos pelas glândulas bulbouretrais, glândulas se- é bastante datada e não tem nenhuma finalidade ou em-
minais e próstata são denominados sêmen ou esperma. basamento biológico.

132  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


§ Uretra – O orifício da uretra é o canal por onde sai a ocorre a fecundação dos gametas e o desenvolvimento
urina. Ele não leva a qualquer órgão sexual interno. de uma gravidez, o útero abriga o embrião até o seu
§ Ânus – O ânus é a saída do tubo digestório, por onde nascimento, expandindo-se e vascularizando-se para re-
são ejetadas as fezes. Não possui ligação com órgãos ceber os nutrientes necessários para a manutenção da
sexuais internos. gestação.

§ Períneo – Nome dado à região entre o pudendo e o § Ovários – Os ovários são gônadas femininas, respon-
ânus. Essa região apresenta músculos muito importantes sáveis pela formação dos gametas e também pela fabri-
para o controle da micção, defecação e também envol- cação de alguns hormônios. Durante o desenvolvimento
vidos na contração da vagina. No homem, por sua vez, embrionário da mulher, os ovários possuem armazena-
o períneo está localizado entre o saco escrotal e o ânus. dos cerca de 500 mil gametas femininos. Contudo, mais
da metade degenera antes da puberdade. As células
sexuais femininas são denominadas óvulos, que são
células haploides contendo metade do número de cro-
mossomos de uma célula somática. Assim, a união de
Orifício da uretra
um óvulo com o gameta masculino (espermatozoide),
também haploide, gera um zigoto diploide. Os óvulos se
encontram imaturos nos ovários, necessitando da ação
dos hormônios sexuais para maturação e liberação na
tuba uterina, fenômeno denominado ovulação e que
precede a menstruação.
§ Tubas uterinas – Os ovários são ligados ao útero por
dois tubos delgados, as tubas uterinas (antigamente
chamadas de trompas de falópios). Esses tubos são re-
vestidos internamente por células ciliadas que facilitam
o deslocamento do óvulo até a cavidade uterina.

4. Gametogênese
Alila Medical Media

Ovário
O fenômeno de produção dos gametas é denominado
Tuba uterina
gametogênese. Nos animais, esse processo ocorre nas
gônadas, órgãos que também sintetizam os hormônios
Útero sexuais e originam o desenvolvimento de características
sexuais secundárias.
O processo principal da gametogênese é a meiose, que re-
Bexiga Cérvix
duz à metade o número de cromossomos das células, produ-
Recto
Uretra zindo células haploides (gametas). A fusão de dois gametas
haploides recompõe o número diploide característico de
Ânus
Vagina cada espécie, processo conhecido como fecundação.
A gametogênese feminina (ovulogênese ou ovogênese) e a
§ Vagina – A vagina é um canal muscular que se abre gametogênese masculina (ou espermatogênese) possuem
externamente na região do pudendo feminino. Interna- etapas semelhantes. Os gametas são oriundos de células
mente, a vagina se estende até o colo uterino (também germinativas ou gônias, situadas nas gônadas. O conjunto
chamado de cérvix). A vagina é o órgão que recebe o das células germinativas constitui a linhagem germinativa
pênis durante a penetração. A vagina é extremamente (ou germe). Observe a seguir a imagem dos dois processos,
elástica, e permite a passagem do bebê que sai do útero espermatogênese e ovogênese.
 VOLUME 3

durante o parto natural.


§ Útero – Orgão oco formado por tecido muscular extre-
mamente elástico e altamente vascularizado. O útero se
assemelha a uma pera em forma e tamanho. Quando

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  133


Ovogênese
Espermatogênese Ovogênese

}
Espermatogênese

}
Célula germinativa 2n Célula germinativa 2n

Mitose

geminativo
Mitose

Período

geminativo
Espermatogônias 2n 2n
Ovogônias 2n 2n

Período
Mitose Mitose
2n 2n 2n 2n
Espermatogônias

}
Ovogônias 2n 2n 2n 2n

}
Crescimento

crescimento
sem divisão Crescimento

Período de
celular sem divisão

crescimento
Espermatócito I celular

Período de
2n

}
Meiose I Ovócito I 2n

}
Espermatócito II n
Período de
maturação
n
Meiose I Glóbulo polar
Meiose II
Ovócito II n n

Período de
maturação
n n n n
Espermátides

}
Meiose II
diferenciação
Período de

n n n n
Óvulo n n n n
Espermatozoides
Glóbulos polares

4.1. Espermatogênese
A produção dos espermatozoides se divide em quatro etapas: período germinativo, período de crescimento, período de
maturação e período de espermiogênese.
§ Período germinativo – As células germinativas masculinas diploides, as espermatogônias, dividem-se ativamente por
mitose, originando outras espermatogônias também diploides. Nos machos de mamíferos, esse período pode acontecer
durante toda a vida do indivíduo.
§ Período de crescimento – Nesse período cessam as divisões celulares e não ocorre mitose. Ocorre o crescimento em volume
da espermatogônia (2n), que passa a ser chamada de espermatócito I (2n) ou espermatócito primário ou de primeira ordem.
§ Período de maturação – Cada espermatócito I (2n) sofre divisão meiótica. Depois da meiose I, as duas células resul-
tantes dessa divisão celular são denominadas espermatócitos II (n) ou espermatócito secundário ou de segunda ordem.
Cada espermatócito II, depois do processo de meiose II, dá origem a duas células denominadas espermátides (n).
§ Período de espermiogênese – As espermátides (n) são transformadas em espermatozoides por meio do processo
de diferenciação.
 VOLUME 3

Espermatozoide

Esquema do testículo: as etapas da gametogênese acontecem simultaneamente nos testículos, de modo


que podemos observar gametas em diferentes estágios de formação e maturação

134  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


4.2. Ovogênese ovócito II dá origem a uma célula maior, o óvulo (n), e
a outra célula menor, o segundo glóbulo ou corpúsculo
O processo de formação do óvulo se divide em 3 etapas: polar (n). O primeiro glóbulo polar pode se dividir, resul-
período germinativo, período de crescimento e período tando em dois corpúsculos polares.
de maturação.
§ Período germinativo – Ovogônias (2n), as células
germinativas, dividem-se por mitose originando outras
ovogônias (2n). Nas fêmeas de mamíferos, esse proces-
so termina logo depois do nascimento.
§ Período de crescimento – Nesse período cessam as
divisões celulares e não ocorre mitose. Ocorre o cresci-
mento em volume da ovogônia (2n), que passa a ser
chamada de ovócitos I ou ovócitos primários ou de pri-
meira ordem.
Esquema do ovário: Podemos observar nessa
§ Período de maturação – Cada ovócito I (2n) agora representação diferentes etapas da gametogênese.
Também está representado o Folículo de Graaf, uma estrutura
sofre divisão meiótica. A meiose I resulta em duas cé- que contém o ovócito primário, antes da formação do ovócito
lulas de tamanhos diferentes, uma maior denominada secundário. Após a puberdade os ovários apresentam diversos

ovócito II (n) ou ovócito secundário ou de segunda or- Folículos de Graaf em diferentes estágios de desenvolvimento.
Com estímulo hormonal específico, há o crescimento dos folículos
dem, que contém praticamente todo o citoplasma do e, a cada ciclo menstrual, apenas um folículo amadurece e
ovócito I, e outra muito pequena chamada de primeiro dá sequência ao processo de gametogênese e a ovulação

corpúsculo polar ou globular polar (n). Na meiose II, o

4.3. Principais diferenças entre espermatogênese e ovogênese


1. O período germinativo é mais longo na espermatogênese do que na ovogênese.
2. O período de crescimento é mais demorado na ovogênese.
3. A quantidade de gametas finais produzidos é diferente. No período de maturação, cada espermatócito I dá origem a
quatro espermatozoides, enquanto cada ovócito I produz apenas um óvulo.
4. Na ovogênese, não existe o período de espermiogênese.

 VOLUME 3

Processo de gametogênese animal detalhado.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  135


4.4. Considerações sobre a
gametogênese humana
A produção dos espermatozoides tem início na puberdade,
mais ou menos aos 12 anos, e continua durante toda a
vida do homem, diminuindo com a idade.
Na mulher, o período de multiplicação das células germina-
tivas começa na fase fetal e termina na 15.ª semana da vida
intrauterina. O período de formação dos ovócitos I, conheci-
do como período de crescimento, dura até o sétimo mês da
embriogênese. Depois desse período, os ovócitos I começam Fecundação
a divisão I da meiose, produzindo os ovócitos II. A segunda
divisão da meiose só ocorre quando o ovócito II é fecundado 5.1. Processo detalhado
pelo espermatozoide. Ou seja, a formação do óvulo propria- Dos cerca de 300 milhões de espermatozoides eliminados
mente dito só ocorre de fato após a fecundação. na ejaculação, apenas cerca de 200 chegam até a tuba ute-
rina, e somente um deles consegue fecundar o ovócito II.
Fases da fecundação

o
o

Durante a fecundação, o espermatozoide atravessa a coro­

5. Fecundação na radiata e alcança a zona pelúcida (regiões da parede do


ovócito II), que sofre modificações, levando ao desenvolvi-
Para a formação de um novo indivíduo, os gametas se mento da membrana de fecundação, que evita a penetra-
fundem aos pares, um masculino e outro feminino, cujos ção de outros espermatozoides. Ao mesmo tempo, ocorre o
papéis são diferentes na formação do descendente. Essa término da meiose, que origina o óvulo e forma o segundo
fusão é a fecundação ou fertilização. corpúsculo polar.

Ambos trazem a mesma quantidade haploide de cromosso- Reação


mos, mas apenas os gametas femininos armazenam nutrien- Acrossômica

tes que alimentam o embrião durante o desenvolvimento. Membrana


de fecundação
Por sua vez, somente os gametas masculinos são móveis e
responsáveis pelo encontro que pode ocorrer no meio exter- “Corona
no (fecundação externa) ou no interior do corpo da fêmea Radiata”

Zona
(fecundação interna). Excetuando-se muitos dos artrópodes, pelúcida
os répteis, as aves e os mamíferos, a fecundação de todos os Grânulos
corticais
outros animais é externa e só acontece em meio aquático.
Fertilização

Na fecundação, o espermatozoide passa o núcleo, com os


Útero Ovário Tuba uterina
cromossomos, para o zigoto. As mitocôndrias do zigoto são
sempre de origem materna, pois as mitocôndrias do esper-
Implantação matozoide degeneram no citoplasma do óvulo.
 VOLUME 3

Óvulo

136  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Após a formação do zigoto, que é a primeira célula de um
novo ser, inicia-se o desenvolvimento embrionário.

multimídia: site

[Link]/conteudos/Citologia2/
[Link]
Fecundação

VIVENCIANDO

A gametogênese é uma área da biologia que estuda a formação dos gametas. A compreensão desse tema é funda-
mental para clínicas de reprodução humana, que aplicam esses conceitos para auxiliar na descoberta de problemas
na fertilidade de homens e mulheres, auxiliando casais que querem ter filhos por meio de inseminação artificial.

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

O processo de formação dos gametas é a meiose, um tipo de divisão celular que, a partir de uma célula diploide, for-
ma quatro células haploides. Assim, fórmulas matemáticas podem ser utilizadas para medir a produção de gametas
de um indivíduo. Além de prever quantos gametas serão formados a partir de células progenitoras nas gônadas, é
possível verificar problemas de fertilidade, como o número menor de espermatozoides nos homens.
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  137


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 13
Reconhecer mecanismos de transmissão da vida, prevendo ou explicando a manifestação de características
dos seres vivos.

Os conhecimentos acerca da transmissão das informações genéticas possibilitaram grande avanço na área
médica, pois permitiu a identificação de doenças genéticas e também influenciou em questões relativas à
medicina reprodutiva e forense, uma vez que a análise do DNA permite realizar a identificação de paterni-
dade, de vítimas de desastres e de suspeitos de um crime. Desse modo, conhecer as diferenças que ocorrem
entre a gametogênese feminina e a masculina se torna essencial na resolução de questões referentes ao
assunto.

MODELO 1

(Enem) Para a identificação de um rapaz vítima de acidente, fragmentos de tecidos foram retirados e subme-
tidos à extração de DNA nuclear, para comparação com o DNA disponível dos possíveis familiares (pai, avô
materno, avó materna, filho e filha). Como o teste com o DNA nuclear não foi conclusivo, os peritos optaram
por usar também DNA mitocondrial, para dirimir dúvidas.
Para identificar o corpo, os peritos devem verificar se há homologia entre o DNA mitocondrial do rapaz e o DNA
mitocondrial do(a):
a) pai;
b) filho;
c) filha;
d) avó materna;
e) avô materno.

ANÁLISE EXPOSITIVA

As gametogêneses masculina e feminina ocorrem com algumas diferenças que resultarão em gametas
com características bem distintas. Nos machos, há alta produção de pequenos gametas móveis (esper-
matozoides), que precisam de muitas mitocôndrias para movimentação do flagelo; entretanto, essas or-
ganelas não penetrarão no gameta feminino (óvulo). Esse, por sua vez, é uma célula que preserva seu
citoplasma e as demais organelas, fornecendo-as para o zigoto que será formado com a fecundação. Desse
modo, é possível concluir que o DNA mitocondrial é sempre de linhagem materna e, portanto, na situação
apresentada deverá ser analisada a molécula referente a sua avó materna.

RESPOSTA Alternativa D
 VOLUME 3

138  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

GAMETOGÊNESE

LINHAGEM GERMINATIVA

2n

GERMINATIVO
PERÍODO
ESPERMATOGÊNESE 2n OVOGÊNESE
(TESTÍCULOS) (OVÁRIO)

MITOSES
ESPERMATOGÔNIAS OVOGÔNIAS
2n 2n

CRESCIMENTO
PERÍODO DE
MEIOSE
ESPERMATÓCITO I 2n

ESPERMATÓCITO II n n OVÓCITO I 2n

DIFERENCIAÇÃO
PERÍODO DE
ESPERMÁTIDES n n n n n
(ESPERMIOGÊNESE)

OVÓCITO II n
DIFERENCIAÇÃO
PERÍODO DE

ÓVULO n

CORPÚSCULOS
POLARES

ESPERMATOZOIDE NA OVULAÇÃO, É LIBERADO O


OVÓCITO II, E A MEIOSE SÓ SE
COMPLETA NA FECUNDAÇÃO  VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  139


HISTOLOGIA I
1. Histologia
As células, como visto, são unidades de vida. Como elas
interagem e que trabalho realizam em conjunto? É o que

CN
vamos estudar nesta unidade.
A histologia é a ciência que estuda os tecidos biológicos:
COMPETÊNCIA(s) origem, característica, tipo de célula e funcionamento.
4
1.1. Tecido
AULAS HABILIDADE(s)
15 e 16 O corpo de um organismo multicelular é composto por
distintos tipos de células, especializadas em funções di-
21 E 22 ferentes. Células especializadas podem se organizam em
grupos, formando o que chamamos de tecidos. Existem te-
cidos formados por células com a mesma forma e função,
e outros constituídos por células com diferentes formas e
funções, que juntas contribuem para a concretização de
uma função maior.
Os tecidos são compostos por células e matriz extracelular, o
meio onde essas células estão inseridas, na qual há diversos
tipos de moléculas. A matriz extracelular é responsável por nutrir e sustentar as células dos tecidos. Os tecidos diferem na quanti-
dade de matriz extracelular que apresentam; há tecidos com uma grande quantidade de matriz em comparação com a quantidade
de células, enquanto há tecidos com pouca matriz em comparação com a quantidade de células. A composição da matriz extra-
celular também é variável entre diferentes tecidos. As células e a matriz extracelular dos tecidos atuam em conjunto para atender
às necessidades do organismo.

epitélio estratificado tecido ósseo


A diferenciação dos tecidos e a
tecido conjuntivo
tecido
conquista do ambiente terrestre
nervoso
Existem várias adaptações que auxiliaram na conquista do
ambiente terrestre, entre elas está um adequado sistema
esquelético de suporte, um eficiente revestimento corpo-
tecido
tecido
ral impermeabilizado, e uma apta estrutura que permite a
germinativo
(testículo) sanguíneo movimentação do organismo pelo meio ambiente. No ser
humano, essas três tarefas são exercidas pelo tecido con-
músculo cardíaco
juntivo de ossos do sistema esquelético, pela pele e pelos
músculo estriado
numerosos músculos membros do sistema muscular.
epitélio prismático
músculo liso
 VOLUME 3

Fonte: [Link] Matriz extracelular conferindo suporte às células formadoras das fibras

140  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


1.2. Tipos de tecido
Os animais vertebrados possuem 4 tipos básicos de tecidos: muscular, nervoso, conjuntivo (ósseo, cartilaginoso e sanguí-
neo) e o epitelial. Esses tecidos se organizam em conjunto para formar os órgãos e os sistemas. Nos animais invertebra-
dos, esses tipos de tecido são basicamente os mesmos, mas as organizações são menos complexas.
Tecido epitelial Tecido muscular Tecido nervoso consiste
que recobre a é feito de fibras de células com projeção que
superfície do corpo que contraem transmitem sinais elétricos

Fibras
protéicas
Matriz
Extracelular

Células

Tecido conjuntivo Tecido Ósseo Tecido Tecido


frouxo serve como Carilaginoso saguíneo
assoalho para o epitélio
epitelio
e outros tecidos
Tipos de tecido que compõem o corpo

1.3. Função dos tecidos básicos de substância extracelular. As células possuem uma grande
aderência entre si, devido às junções intracelulares.
§ Epitélio – é o revestimento superficial externo do corpo
Os epitélios não vascularizados, portanto, não sangram se
(compõe a pele), dos órgãos e das cavidades corporais
feridos. A nutrição das células ocorre por difusão a partir
internas. Também pode apresentar função de secreção.
dos capilares sanguíneos presentes no tecido conjuntivo
§ Conjuntivo – composto por vários tipos células e por frouxo, que se encontra logo abaixo da epiderme. Devido a
farta matriz extracelular, secretada pelas próprias célu- esse fato, geralmente os epitélios estão apoiados sobre te-
las desse tecido. A função do tecido é sustentar, preen- cido conjuntivo. A área da célula voltada para o tecido con-
cher e transportar as substâncias. juntivo é nomeada polo basal ou porção basal; enquanto a
§ Muscular – as células desse tecido são multinuclea- área celular oposta, geralmente voltada para uma cavida-
das, alongadas e com características contráteis. de, é nomeada polo apical ou porção apical. Entre o tecido
§ Nervoso – as células desse tecido exibem longos pro- conjuntivo e as células epiteliais há a lâmina basal, uma
longamentos citoplasmáticos e realizam a função de fina lâmina de moléculas que também está presente em
receber, gerar, codificar e transmitir impulsos nervosos. outros tecidos, quando existe contato com o tecido conjun-
tivo. Essas moléculas desempenham várias funções, como:

2. Tecido epitelial filtrar moléculas, gerar a conexão entre células epiteliais


e o tecido conjuntivo, organizar proteínas de membranas
Reveste a superfície externa e as cavidades internas corpo- celulares de células próximas e auxiliar no suporte para
rais dos animais. Realiza distintas funções no organismo: li- movimen­tação de células.
 VOLUME 3

bera substâncias úteis (glândulas), absorve íons e moléculas


(epitélio intestinal), proteção e percepção de estímulos (pele).
2.1. Especialização das células epiteliais
As células dos tecidos epiteliais ou epitélios são impecavel- O que mantém a união das células dos tecidos epiteliais
mente justapostas e conectadas por pequena quantidade são junções celulares, que são especializações de mem-

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  141


brana. Existem muitos tipos de junções, que realizam di- 2.2. Classificação de epitélios
versas funções, como adesão celular, isolantes e canais Os epitélios podem ser classificados em relação ao número
de comunicação. de camadas celulares e ao formato das células.

2.2.1. Classificação dos epitélios quanto


ao número de camadas celulares
§ Epitélios simples ou uniestratificados (do latim
uni, um; e stratum, camada) – formado por uma única
camada de células.
§ Epitélios estratificados – formados por duas ou
mais camadas de células.
§ Epitélios pseudoestratificados – formados por
uma única camada de células, no entanto, têm células
com forma irregular e os núcleos se localizam em dife-
rentes alturas, passando a impressão de ser um epitélio
estratificado.

Junções celulares típicas do tecido epitelial


2.2.2. Classificação dos epitélios quanto à forma
As junções podem ser classificadas de acordo com a fun-
ção que realizam: § Pavimentoso – células achatadas como ladrilhos.
§ Cúbico – células com forma de cubo.
§ Junções impermeáveis ou zonas de oclusão: cinturão
proteico situado junto à borda livre das células epite- § Prismático – células alongadas com forma de coluna.
liais que mantém as células vizinhas tão encostadas É fundamental frisar que a classificação com relação à
que impede a passagem de moléculas entre elas. forma dos epitélios se refere apenas às células mais su-
Esse tipo de junção é muito importante nos epitélios, perficiais. Quando o epitélio abordado tem várias camadas
pois, devido a elas, substâncias e moléculas que estão celulares, geralmente estão presentes células com distintos
presentes no meio externo ou no interior de alguma formatos, sendo assim, para classificá-lo, são analisadas
cavidade do corpo (tubo digestivo, por exemplo) só pe- apenas as células da superfície.
netram no corpo passando diretamente pelas células.
Tipo de epitélio Localização
§ Junções de adesão ou zonas de adesão: ligações en-
tre células vizinhas ou entre as células de epitélio e as Participa do revestimento interior de
Pavimentoso simples
vasos sanguíneos
células da matriz. Desmossomos e hemidesmos-
somos são exemplos desses tipos de junções. Os des- Pavimentoso estratificado Encontrado na pele

mossomos são semelhantes a um botão adesivo, uma Cúbico simples Encontrado em túbulos renais
metade está ligada à membrana de uma célula e a Cúbico estratificado Encontrado em glândulas sudoríparas
outra metade está ligada à célula vizinha, já os hemi-
Prismático simples Encontrado no intestino delgado
desmossomos conectam as células à membrana basal.
Encontrado na membrana conjuntiva
§ Junções de comunicação – junções comunicantes ou Prismático estratificado
do olho
junções gap, que criam um canal cilíndrico, de origem
Prismático pseu- Encontrado revestindo a traqueia e os
proteica, que permite a comunicação e troca de subs- doestratificado brônquios
tâncias entre células vizinhas.
§ Interdigitações: aumento da superfície de con- Observação: O epitélio que reveste a bexiga é constituído
de células com superfície convexa. Se forem submetidas
tato. São prolongamentos citoplasmáticos celulares que
ao estiramento ocasionado pela dilatação do órgão, elas
intera­gem, como se fossem dedos das mãos uns entre
 VOLUME 3

se tornam achatadas. Assim, esse epitélio pode ser deno-


os outros (pregueamentos). Eles aumentam a superfície
minado epitélio estratificado de transição, pois as células
de contato entre as células e auxiliam a passagem de
mudam de formato dependendo do estado do órgão (di-
substâncias de uma para a outra. latado ou não).

142  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


2.3. Classificação dos epitélios quanto à função
Os epitélios podem ser classificados em epitélios de revestimento e epitélios glandulares.

Simples pavimentoso Simples cúbico


Simples colunar

Epitélio de
Estratificado transição
Estratificado Pseudoestratificado
cúbico
pavimentoso colunar

Diferentes morfologias das células epiteliais

2.3.1. Epitélios de revestimento Histologia da pele


Formam um tipo de membrana que isola o indivíduo ou A pele é um órgão composto de epiderme e derme nos
parte dele do meio externo. Podem apresentar receptores mamíferos. A epiderme é um tecido epitelial pluriestra-
sensoriais. As funções desse epitélio englobam proteger e tificado. Como a superfície desse tecido está sujeita à
revestir as superfícies externas e internas, secretar diversos desgaste diário, ocorre reposição constante de células
produtos, absorver substâncias, e remover impurezas. perdidas. À medida que novas células são formadas, elas
são encaminhadas em direção a superfície para formar as
[Link]. Pele: órgão de contato demais camadas.
Nos vertebrados, a pele é o órgão responsável pela inte- No envelhecimento, as células epidérmicas tornam-se
ração do organismo com o meio ambiente, isolando-o e achatadas e começam a produzir e a armazenar dentro de
protegendo-o. O tato, a visão, a olfação, a gustação e a si uma proteína resistente: a queratina. Como consequên-
audição são ferramentas imprescindíveis na interação do cia desse evento, o epitélio da pele passa a ser denomina-
animal com o ambiente. do estratificado pavimentoso queratinizado.
Na pele há diferentes tipos de sensores, ou terminações O excesso de queratina mata as células superficiais, que
nervosas, uma vez que esse órgão é o responsável pelas formam um revestimento resistente ao atrito e imperme-
sensações táteis. As terminações nervosas captam os estí- ável à perda de água, que chamamos de estrato córneo.
mulos sensoriais e transmitem ao sistema nervoso informa- Esse estrato é a camada mais externa da epiderme, que
ções sobre as variações de temperatura (calor e frio) e de descama com o passar do tempo.
pressão (quaisquer deformações mecânicas, como toques,
pancadas e outras). A pele constitui a primeira barreira à
entrada de agentes patogênicos, assim, ela é um importan-
te órgão de defesa do organismo.

EPIDERME

DERME

HIPODERME
 VOLUME 3

Estrutura das camadas que compõem a pele e seus anexos

Tecido epitelial de revestimento pluriestratificado Outras células da epiderme são os melanócitos, que pro-
pavimentoso queratinizado. Microscopia óptica. (e) epiderme,
(d) derme, (sc) células queratinizadas e cera. duzem melanina (pigmento marrom-escuro) que protege a
pele contra a ação dos raios ultravioletas. Logo abaixo da

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  143


epiderme está a derme e é formada por células de formato
cúbico (tecido conjuntivo do tipo denso), onde a atividade
de divisão celular mitótica é intensa. Possui células como os
Unhas
fibroblastos e os macrófagos. Tecido com função de manu- Estruturas achatadas, constituídas por queratina al-
tenção e de apoio, onde se encontram terminações nervo- tamente compactada, localizam-se nas pontas dos
sas, corpúsculos sensoriais e uma extensa rede de capilares dedos dos mamíferos. Auxiliam a apreensão e a ma-
sanguíneos. Os nutrientes presentes nos vasos sanguíneos nipulação de objetos entre outras funções. As unhas
da derme difundem-se para as células da epiderme, as crescem porque se dividem intensamente graças a
quais fazem parte do tecido epitelial e, consequentemente, uma dobra epidérmica próxima à ponta dos dedos. Ao
se compactarem, as células queratinizadas morrem
não possuem vasos sanguíneos para nutri-las.
formando a unha.
Sensor Sensor de frio Terminal livre
de toque Detecta baixas Detecta dor
Detecta temperaturas
toque leve
[Link]. Epitélio de revestimento intestinal
Sensor de
calor Sensor de
Detecta altas pressão O intestino delgado é revestido internamente por um epité-
temperaturas Detecta pressão
intensa
lio especializado em absorver nutrientes, permitindo que eles
Nervo de raiz
passem da cavidade intestinal para o sangue. Essa capacida-
Fibras
de pelo nervosas de de absorção do epitélio intestinal se deve à borda livre de
Detecta Levam impulsos
movimentos nervosos ao
suas células (voltada para a cavidade intestinal) e às muitas
do pelo cérebro projeções finas e alongadas, chamadas microvilosidades.
Como nos mamíferos há a presença de pelos, na derme exis- O conjunto de especializações que aumentam a superfície
tem finas faixas de células musculares, os músculos eretores de contato no intestino, como pregas, vilosidades e micro-
dos pelos, que possuem contração involuntária. Através da vilosidades, aumenta cerca de seiscentas vezes a superfície
piloereção (ereção dos pelos), abaixo dos pelos se forma intestinal, resultando em uma área de aproximadamente
uma camada de ar, que contribui para o isolamento térmico. 200 m2.
De modo semelhante, ocorre com as penas das aves.
Abaixo da derme está a hipoderme (tecido celular subcutâ- 2.3.2. A renovação das células epiteliais
neo), uma camada de tecido conjuntivo frouxo. A hipoder-
As células epiteliais, de vida curta e constantemente reno-
me não faz parte da pele, apenas permite a ligação da pele
com as estruturas próximas. Há áreas do corpo em que a vadas, passam por mitose com frequência, velocidade essa
hipoderme tem um número variável de camadas formadas que varia de epitélio para epitélio. As células do epitélio
por células adiposas, que se nomeia de panículo adiposo. intestinal renovam-se mais rapidamente, e no período de
Esse panículo é importante como isolante térmico, reserva uma semana são totalmente renovadas. As do pâncreas e
de energia e facilitador da flutuação na água. do fígado renovam-se mais lentamente.

Anexos da pele
2.3.3. Tecido epitelial glandular
Existem três estruturas da pele, originadas na epiderme,
imprescindíveis à adaptação dos mamíferos ao ambien- As células do tecido epitelial glandular são produtoras
te terrestre: pelos, que participam do isolamento térmico; de substâncias que podem ser usadas por outras partes
glândulas sebáceas, que lubrificam a pele, e glândulas su- do organismo (secreção) ou eliminadas (excreção). Essas
doríparas, que regulam a temperatura corpórea. substâncias podem ser:

§ Mucosas, se espessas e com muitos mucopolissacarí-


deos. As células caliciformes do intestino delgado libe-
ram esse tipo de substâncias.
§ Serosas, se fluidas e com muitas proteínas. As glându-
las secretoras de enzimas digestivas do estômago libe-
ram esse tipo de substância.
 VOLUME 3

§ Mistas, se libera substâncias mucosas e serosas juntas.


Esse é o caso das glândulas submandibulares.
As glândulas podem ser unicelulares (glândula caliciforme)
ou multicelulares (a maioria das glândulas).

144  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


De acordo com a forma de secretar substâncias, as glându-
las de origem epitelial podem ser classificadas em exócri-
nas, endócrinas ou mistas.
§ Glândulas exócrinas – lançam seus produtos atra-
vés de duto para uma cavidade interna. Ex.: lacrimais,
sudoríparas, glândulas salivares, mamárias e sebáceas.
§ Glândulas endócrinas – lançam seus produtos di-
retamente na corrente sanguínea. Exs.: glândulas da
tireoide, hipófise e adrenais.

Epitélio intestinal: Em amarelo estão as glândulas


§ Glândulas mistas – possuem regiões endócrinas
caliciformes, especializadas em secreção, e em rosa e exócrinas. Ex.: pâncreas (a porção exócrina secreta
estão as células especializadas em absorção
enzimas digestivas no intestino e a porção endócrina
secreta os hormônios insulina e glucagon no sangue).
As glândulas também podem ser classificadas com relação
à forma que eliminam suas secreções:

§ Holócrinas: liberam o produto de secreção e todo ci-


toplasma celular durante o processo, portanto a célula
morre. Ex.: glândulas sebáceas.
§ Merócrinas: eliminam apenas a substância de se-
creção durante o processo. Ex.: glândulas salivares
e sudoríparas.
Parte secretora de glândulas multicelulares exócrina e endócrina (verde)
§ Apócrinas: perdem parte do citoplasma no momento
As glândulas multicelulares são formadas sempre por mi- da secreção. Ex.: glândula mamária.
tose das células dos epitélios de revestimento em direção
ao interior do tecido conjuntivo, e depois se diferenciam.

Proliferação das células


Epitélio e sua penetração no tecido
conjuntivo subjacente

Lâmina basal
Tecido conjuntivo

Formação de uma Cordões de células formando


glândula exócrina uma glândula endócrina

Ducto Desaparecimento
das células do
ducto

Capilares
 VOLUME 3

Porção
secretora
Porção
secretora

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  145


VIVENCIANDO

Dentro da medicina existe uma área especializada em pele, que é composta por tecido conjuntivo e tecido epitelial.
Essa área é a dermatologia.
“Dermatologia é uma especialização médica, cuja área de conhecimento se concentra no diagnóstico, prevenção e
tratamento de doenças e afecções relacionadas à pele, pelos, mucosas, cabelo e unhas.”
[Link]

3. Tecido conjuntivo
Formado por diferentes tipos de células imersas em material extracelular (substância amorfa ou matriz), que é produzido
pelas próprias células do tecido. Essa matriz, de aspecto transparente e gelatinoso, é formada principalmente por água,
glicoproteínas e fibras proteicas.

3.1. Principais células conjuntivas


Célula Função

Fibroblasto

Metabolicamente ativa, essa célula contém longos e finos prolongamentos citoplasmáti-


cos, que sintetizam fibras e substâncias da matriz (intercelular).

Macrófago

Célula ovoide, que apresenta lisossomos e a capacidade de emitir prolongamentos cito-


plasmáticos. É responsável pela fagocitose de partículas estranhas ou não ao organismo.
Remove restos celulares e promove o primeiro combate aos microrganismos invasores do
organismo.

Mastócito

Grande célula globosa sem prolongamentos e repleta de grânulos que, em grande quan-
tidade, dificultam a visualização do núcleo, quando visualizada ao microscópio. Nos
grânulos há heparina – substância anticoagulante – e histamina – substância envolvida
nos processos de alergia – , essa substância é liberada quando desencadeada a reação
alérgica.

Plasmócito

Célula ovoide, rica em retículo endoplasmático rugoso. Pouco numerosa no organismo em


geral, mas abundante onde potencialmente haja penetração de bactérias: intestino, pele,
infecções crônicas. Produz todos os anticorpos no combate a microrganismos. Tem origem
 VOLUME 3

no tecido conjuntivo na diferenciação de linfócitos B – células de defesa.

146  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Largamente difundidos pelo corpo, os distintos tipos de Microscopia
Microscopia eletrônica
eletrônica
tecido conjuntivo preenchem espaços entre órgãos, exer-
cem função de sustentação, de nutrição e de defesa. De
acordo com o tipo celular e a proporção relativa entre os Microscopia
componentes da matriz extracelular, os tecidos conjuntivos óptica
Lâmina
podem ser classificados em: basal Membrana
Fibras basal
§ tecido conjuntivo propriamente dito: frouxo, denso mo­ reticulares

delado e denso não modelado, que se diferenciam entre si


pela proporção de células em relação à matriz extracelular
e pela composição das proteínas da matriz extracelular; Fibras
Colágenas

§ tecido conjuntivo com propriedades especiais: adiposo


e sanguíneo;
§ tecido conjuntivo de consistência rígida: cartilaginoso
e ósseo. 3.2.1. Tipos de célula
O tecido conjuntivo frouxo é composto por dois funda-
3.2. Tecido conjuntivo frouxo mentais tipos de célula: macrófagos e fibroblastos. Os fi-
O tecido com maior extensão de distribuição no corpo hu­ broblastos têm formato de estrela e um grande núcleo, e
mano é o tecido conjuntivo frouxo. Ele preenche es­ produzem e secretam as proteínas que constituem as fibras
paços vazios (ou seja, não ocupados por outros tecidos), e a substância amorfa.
envolve nervos, músculos, vasos sanguíneos e linfáticos, Os macrófagos são células ameboides e grandes. Têm fun-
além de servir de suporte e nutrição para as células epi­ ção principalmente de fagocitar patógenos, impurezas e
teliais. É um componente da estrutura de vários órgãos e “sujeiras” do tecido. Além de fagocitarem agentes estranhos
desempenha um papel fundamental na cicatrização. Tam­
fazendo parte da imunidade inata, também participam da
bém age, de certo modo, como barreira contra a entrada de
imunidade adquirida, pois avisam ao sistema imune adquiri-
elementos estranhos nos tecidos. É constituído por vários
do quando ocorre invasão do organismo por um patógeno.
tipos celulares, uma matriz extracelular e três tipos de fi­
bras. O tecido conjuntivo frouxo possui maior quantidade fibra colágena
fibra elástica

de células quando comparado às fibras.


célula adiposa

O tecido conjuntivo frouxo apresenta três tipos de fibras fibroblasto

compondo sua matriz extracelular: fibras colágenas, elás- plasmócito


fibra reticular
macrófago
ticas e reticulares.
Constituídas de colágeno, talvez as
fibras colágenas sejam a proteína As células mesenquimatosas e os plasmócitos são células
mais abundante no corpo humano.
São grossas e resistentes e distendem
também presentes nesse tecido. As células mesenquima-
pouco se tensionadas. Distribuídas na tosas são indiferenciadas, ou seja, não possuem função
derme, dão resistência à pele, evitan- específica, podendo se transformar em tipos celulares di-
do que ela se rasgue se esticada.
ferentes, sendo assim, possuem capacidade de regenerar
Também formadas por colágeno, as o tecido conjuntivo. Os plasmácitos são células de defesa
fibras reticulares são ramificadas e
do sistema imune adquirido, assim, como o próprio sistema
formam um “caminho” firme, conec-
tando o tecido conjuntivo aos teci- imunológico, detalharemos mais nos próximos capítulos.
dos vizinhos.

As fibras elásticas são constituídas 3.3. Tecido conjuntivo denso


de longos fios de uma proteína cha-
mada elastina. Conferem elasticidade Nesse tecido predominam os fibroblastos e as fibras colágenas.
ao tecido, completando a resistência Não-modelado

das fibras colágenas. Ao puxar e sol-


tar a pele de cima da mão, graças às
fibras elásticas essa mesma pele rapi-
 VOLUME 3

fibras

damente volta à sua forma original.


Com o envelhecimento, no entanto,
há perda da elasticidade da pele, modelado
graças à união das fibras colágenas
umas às outras, o que torna o tecido
conjuntivo mais rígido. células

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  147


gia, a gordura presente nas células adiposas pode diminuir.
Em contexto oposto, com alta ingestão de alimento e pouco
gasto energético, a gordura se acumula nessas células.
Existem 2 tipos de tecido adiposo:
§ Tecido adiposo unilocular (gordura amarela):
Esse tecido tem em sua maioria fibras colágenas, quando células com várias gotas lipídicas (triglicerídeos) se
comparado com a quantidade de células presentes. Ele pode unem em uma gota maior na maior parte da célula,
ser classificado com relação à organização dessas fibras em: cuja função é reserva energética.
§ Não modelado – as fibras estão em feixes posiciona- § Tecido adiposo multilocular (gordura marrom):
dos em direções diferentes, o que o confere resistência células com várias gotículas de lipídeos espalhadas no
à tração em várias direções, além também de grande citoplasma, além de possuírem grande quantidade de
elasticidade. Ele constitui as cápsulas envoltórias dos mitocôndria. Esse tecido tem como função a produção
de calor. Encontrado principalmente em recém-nascidos
rins e do fígado, compondo, também, a derme, tecido
ou animais hibernantes.
conjuntivo da pele.
3.5. Tecido conjuntivo cartilaginoso
Tecido cartilaginoso não tem consistência rígida como o
tecido ósseo, mas é um tecido firme. Algumas de suas
funções são revestir superfícies articulares para facilitar
§ Modelado – as fibras estão em feixes posicionados movimentos, sustentação e é imprescindível para o cres-
na mesma direção; aqui o movimento de rotação é li- cimento dos ossos longos. As cartilagens são avasculares
mitado, porém existe uma grande resistência à tensão e não possuem nervos. Assim, a nutrição desse tecido é
em uma certa direção. Ele forma os ligamentos, que feita pelos vasos sanguíneos do tecido conjuntivo próxi-
conectam os ossos entre si, e os tendões, que conectam mo. As cartilagens estão localizadas em grande parte no
os músculos aos ossos. sistema respiratório (nariz, traqueia, brônquios, epiglote
etc.), algumas partes da laringe, na orelha externa e nos
discos cartilaginosos entre as vértebras, que abrandam o
choque dos movimentos sobre a coluna vertebral.
O feto é rico em tecido cartilaginoso, pois a gênese do es-
queleto começa com esse tecido e, à medida que vai cres-
cendo e se desenvolvendo, se modifica em tecido ósseo.
3.4. Tecido conjuntivo adiposo
Nos peixes cartilaginosos (cações, tubarões e raias), o es-
No tecido adiposo a substância intracelular está em menor queleto é formado por tecido cartilaginoso.
quantidade, e as células estão cheias de lipídios, as quais
são chamadas de adipócitos. É um tecido subcutâneo, ou Nas cartilagens existem dois tipos celulares: os condro-
seja, abaixo da pele com função de envolver os rins e o blastos, que secretam as fibras colágenas e a matriz, e os
coração, reserva de energia, isolamento térmico e proteção condrócitos, que estão alojados em lacunas da cartilagem e
contra choques mecânicos. possuem uma atividade baixa (são condroblastos “velhos”).
Mitocôndria
Reservatório de gordura As fibras colágenas e reticulares compõem esse tecido.

Membrana plasmática

Núcleo
Citoplasma
Complexo de Golgi
 VOLUME 3

As células adiposas possuem um vacúolo grande e central


de gordura, que altera o volume conforme o metabolismo.
Em situações onde a pessoa se alimenta com quantidade 1. Condroblasto; 2. Condrócito;
menor de alimento do que o necessário ou gasta muita ener- 3. Grupo isógeno; 4. Matriz cartilaginosa

148  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


3.5.1. Tipos de cartilagem Cartilagem elástica
Com relação ao tipo e à quantidade de fibras da cartila- Formada pouca quantidade de fibras de colágeno e grande
gem, ela pode ser classificada em hialina, fibrosa e elástica. quantidade de fibras elásticas, estão presentes nas abas do
nariz e no pavilhão auditivo.
Cartilagem hialina
3.6. Tecido conjuntivo sanguíneo
Constituída de moderada quantidade de fibras de coláge-
Tecido altamente especializado, originado pelo tecido he-
no, compõe o primeiro esqueleto do embrião, substituído,
matopoiético. É formado por células (parte figurada) imer-
em seguida, pelo tecido ósseo. Porém, nas regiões de cres-
sas num meio líquido, o plasma (parte amorfa). Os membros
cimento dos ossos, continua essa cartilagem, e também em
celulares são glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos)
regiões do sistema respiratório (traqueia, brônquios) e em
e glóbulos brancos (leucócitos). Também são constituintes
áreas dos ossos longos.
do sangue as plaquetas (fragmentos celulares). Faz parte
do plasma, água e várias substâncias dissolvidas, que se-
Cartilagem fibrosa
rão transportadas pelo sangue. As células sanguíneas têm
Formada grande quantidade de fibras colágenas, situada origem nas células indiferenciadas pluripotentes (células-
em algumas articulações e em discos intervertebrais. -tronco), instaladas na medula óssea vermelha.

Diferenciação dos eritrócitos, leucócitos e precursores de plaquetas a partir de célula-tronco hematopoiética


(JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004, p. 93).

3.6.1. Plaquetas 3.6.3. Glóbulos brancos


As plaquetas ou trombócitos são produzidas por frag- Denominados de leucócitos, são células do sangue relacio-
mentação dos megacariócitos, células grandes da medula nadas com a defesa do organismo. Com relação à presen-
óssea. Possuem substâncias ativas do processo de coagu- ça ou ausência de grânulos específicos no citoplasma dos
lação do sangue, que inibe a ocorrência de hemorragias. leucócitos, eles são classificados em granulócitos (presença
de grânulos) e agranulócitos (sem granulações).
3.6.2. Glóbulos vermelhos
Chamados de hemácias ou eritrócitos. Células sem núcleo
que parecem um disco bicôncavo. Possuem uma grande
quantidade de hemoglobina (proteína transportadora de
 VOLUME 3

oxigênio).

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  149


Características
Leucócitos (Glóbulos Brancos) Função
morfológicas
Neutrófilo

BruceBlaus
Célula cujo núcleo é pouco Atuam na fagocitose de microrganismos
volumoso, de 2 a 5 lóbulos, invasores graças à emissão de pseudó-
e compõe a maioria dos podes. Constituem a primeira
glóbulos brancos. linha de defesa do sangue.
G
R
A Eosinófilo
N
BruceBlaus

U
L Célula cujo núcleo
Abundantes na defesa contra
Ó diversos parasitas. Atuam particularmente
contém 2 lóbulos.
em doenças alérgicas.
C
I
T
O
Basófilo
S
BruceBlaus

Célula cujo núcleo volumoso


Participam de reação inflamatória.
tem forma de S.

Linfócito
Exitem dois tipos de linfócitos,
BruceBlaus

B e T, porém eles se diferem


A
por aspectos funcionais e não São responsáveis pela defesa imu-
G podem ser distinguidos apenas nitária do organismo. Os linfócitos
R observando a morfologia. B diferenciam-se em plasmócitos,
A Ambos apresentam núcleo células produtoras de anticorpos.
esférico e representam grande
N parte do total de leucócitos.
U
L Monócito
Ó
BruceBlaus

C
Atravessam as paredes dos capilares
I Célula cujo núcleo tem sanguíneos. Nos tecidos diferenciam-se
T forma de ferradura. em macrófagos ou osteoclastos, que são
O células especializadas em fagocitose.
S

3.7. Tecido conjuntivo ósseo (sem cavidade) e osso esponjoso (muitas cavidades comu-
nicantes). Do ponto de vista da visão microscópica dos os-
Possui função de sustentação e compõe os ossos do es- sos, é formado por inúmeras unidades chamadas sistemas
queleto dos vertebrados. É um tecido rígido devido à matriz de Havers. Cada um deles possui uma matriz mineralizada
rica em sais de cálcio, fósforo, magnésio, além de fibras
 VOLUME 3

depositada em camadas concêntricas ao redor de um canal


de colágeno, que aferem certa flexibilidade ao osso. Possui central, no qual há nervos e vasos sanguíneos. Através de
vasos sanguíneos. Detém alto metabolismo, sensibilidade canais transversais, os canais de Havers comunicam-se com
e capacidade de regeneração. O osso é formado por duas a cavidade medular e com a superfície externa do osso, de-
regiões com relação à visão macroscópica: osso compacto nominadas canais perfurantes (canais de Volkmann).

150  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Cartilagem articular transforma-se em osteócito, perdendo os prolongamen-

OpenStax College
Epífise proximal
tos citoplasmáticos, e passa a ocupar o centro da lacuna.
Formam-se canalículos onde estavam os prolongamentos
Metáfise Tecido ósseo esponjoso citoplasmáticos, e estes permitem a comunicação entre as
Disco epifisários
lacunas, possibilitando a chegada às células ósseas do gás
Medula vermelha
oxigênio e de substâncias nutritivas provenientes do san-
gue. Há ainda outro tipo celular nesse tecido, o osteoclasto,
que são células principalmente ativas na destruição das
áreas envelhecidas e das áreas lesadas do osso (permitem
a regeneração do tecido pelos osteoblastos). Os ossos es-
Cavidade ou canal medular
tão sempre em constante remodelação devido à atividade
Diáfise Medula amarela
Perióstio
de destruição e de reconstrução exercidas, respectivamen-
te, pelos osteoclastos e osteoblastos.
Arteria nutricia
Canal de Lamelas Osteócitos
Mavers

Metáfise

Epífise distal
Cartilagem articular

Os ossos também apresentam, de modo geral, a medula


óssea amarela, que é constituída por tecido adi­poso e me-
dula óssea vermelha, responsável por formar as células do
sangue; ambas preenchem o interior dos ossos.
Com exceção das superfícies articulares, o resto da super-
fície externa óssea é revestida pelo periósteo (camada de
tecido conjuntivo). Osteócito
Canalículo (Processo celular)
Canalículo (processo celular)
Osso compacto e esponjoso
Lacuna contendo osteócitos
Lamela
Canalículo Trabéculas

Sistema de Canal de Havers


osso esponjoso Havers

osteócitos canal de Havers Periósteo


perióstio
osso compacto
Canal de Volkmann

3.7.1. Tipos de células do osso Regiões compacta e esponjosa de um osso


As células ósseas encontram-se em pequenas cavidades § Formação do tecido ósseo (ou ossificação)
nas camadas concêntricas de matriz mineralizada.
Existem 2 tipos de ossificação: intramembranosa e endo-
Osteoblastos são células jovens, que possuem longas condral. Na ossificação intramembranosa, o tecido ósseo
projeções citoplasmáticas que atingem os osteoblastos
 VOLUME 3

desenvolve-se a partir de uma membrana de natureza con-


vizinhos. Quando secretam a matriz intercelular ao seu juntiva, não cartilaginosa. Na endocondral, um pedaço de
redor, os osteoblastos permanecem retidos dentro de pe- cartilagem, com forma de osso, é usado como molde para
quenas lacunas das quais saem canais com as projeções a formação de tecido ósseo. Assim, a cartilagem é gradual-
citoplasmáticas. Quando o osteoblasto torna-se maduro, mente removida e substituída por tecido ósseo.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  151


Molde Cartilaginoso do osso

A B
Cartilagem hialina
não calcificada
Célula
mesenquimatosa
Cartilagem hialina
Pericôndrio calcificada
Centro de
ossificação
Condrocito
Cendroblasto
Área
ampliada
Periósteo
Capilar do
periósteo
Matriz da
cartilagem
Osso subperiósteo

Ossificação endocondral
Artéria
epifisária

C D E

Centro de ossificação
Disco cartilagionoso
da epífase
epifisário
Artéria Artéria
epifisária nutridora

Epífase

Cavidade medular
do osso longo

Diáfise Cavidade medular


do osso longo

Epífase

Centro de ossificação
da epífase

Cartilagem Cartilagem Osso Artéria


calcificada

§ Crescimento nos ossos longos


Na formação de ossos longos (das pernas e dos braços), ocorre a ossificação do tipo endocondral. Tanto a diáfise (o cilindro
longo) quanto as epífises (as extremidades dilatadas) sofrerão a ossificação. Entre a epífise de cada extremidade e a diáfise tem
 VOLUME 3

uma região de cartilagem (cartilagem de crescimento). Essa cartilagem possibilita o contínuo evento de ossificação endocondral.
Os osteoclastos reabsorvem continuamente o tecido ósseo e formam novo tecido. A atuação conjunta de reabsorção do osso
preexistente e da deposição de novo tecido ósseo consiste no processo de crescimento de um osso. Quando a cartilagem de
crescimento sofre ossificação, cessa o crescimento do osso em comprimento.

152  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


§ Remodelação óssea
Alcançados tamanho e forma adultos, o tecido ósseo anti­go é constantemente destruído para dar lugar a um novo tecido,
processo esse conhecido como remodelação. Esta ocorre em diferentes velocidades nas várias partes do cor­po, permitindo
que os tecidos gastos ou lesionados sejam trocados por tecidos novos e sadios e que o osso sirva de reserva de cálcio para o
organismo.
A remodelação pode envolver a necessidade de cálcio pelo organismo. Como o tecido ósseo é rico nesse sal mineral, caso o
organismo precise de cálcio, o osteoclasto entra em ação para destruir a matriz óssea e liberar o cálcio para o uso do organismo.
Em um adulto saudável, mantém-se uma delicada home­óstase (equilíbrio) entre a remoção de cálcio pelos osteo­clastos e a de-
posição de cálcio pelos osteoblastos. Se for depositado muito cálcio, podem formar-se calos ósseos ou esporas, que prejudicam
os movimentos. Se for retira­do muito cálcio, os ossos enfraquecem-se e sujeitam-se a fraturas.
A remodelação e o crescimento normais dependem de:
§ Fabricação dos hormônios responsáveis pela atividade do tecido ósseo.
§ Quantidades adequadas de cálcio e fósforo na dieta alimentar.
§ Quantidade adequada de vitaminas, como vitamina D, que auxilia na deposição de cálcio e fósforo na matriz óssea.

Procurador do Osteoblasto
Osteoclasto Novo osso
osteoblasto maduro

Remodelação normal do osso

Periósteo

Cartilagem

Osso novo

2. proliferação
do periósteo
Calo
interno

Fragmentos
ósseos Calo
externo
3. ossificação
Hematoma do tecido regenerado
da fratura

Osso morto
4. formação de calo
1. remoção de células mortas,
ósseo com tecido
e de restos de matriz óssea,
ósseo primário
por fagocitose.

Com o envelhecimento, o sistema esquelético sofre perda de cálcio, fenômeno conhecido como osteoporose. A redução da
síntese de proteínas também ocorre com o envelhecimento quando a produção da parte orgânica da matriz óssea diminui.
Consequência: acúmulo de parte inorgânica da matriz com a fragilização dos ossos, que se tornam mais suscetíveis a fraturas.
 VOLUME 3

O uso de aparelhos ortodônticos remodela os ossos, resultando na remodelação da arcada dentária. Esses aparelhos exercem
forças diferentes das forças às quais os dentes estão naturalmente submetidos. Nos pontos em que há pressão, ocorre reabsor-
ção óssea, ao passo que, na posição oposta, há deposição de matriz. Os dentes movimentam-se pelos ossos da arcada dentária
e passam a ocupar a posição desejada.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  153


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 15
Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de
organização dos sistemas biológicos.

Associar o conteúdo sobre os componentes do corpo humano (células, tecidos, metabolismo e sua regula-
ção) com os distúrbios decorrentes do seu mau funcionamento é essencial para que possamos desenvolver
soluções para seu tratamento, promovendo melhor qualidade de vida para os portadores de doenças. É
nesse contexto que o Enem costuma abordar os conteúdos de histologia humana.

MODELO 1

(Enem) Pesquisadores criaram um tipo de plaqueta artificial, feita com um polímero gelatinoso coberto de
anticorpos, que promete agilizar o processo de coagulação quando injetada no corpo. Se houver sangramento,
esses anticorpos fazem com que a plaqueta mude sua forma e se transforme em uma espécie de rede que
gruda nas lesões dos vasos sanguíneos e da pele.
Adaptado de: MOUTINHO, S. Coagulação acelerada. Disponível em: [Link] Acesso em: 19 fev. 2013.

Qual é a doença cujos pacientes teriam melhora de seu estado de saúde com o uso desse material?
a) Filariose
b) Hemofilia
c) Aterosclerose
d) Doença de Chagas
e) Síndrome da Imunodeficiência Adquirida

ANÁLISE EXPOSITIVA

A cascata de coagulação é um processo imprescindível para estancar sangramentos e evitar hemorragias.


Devido à importância desse processo, que também não pode ocorrer de forma exagerada, além das pla-
quetas há também diversas moléculas e fatores de coagulações envolvidos na formação do coágulo, que é
desencadeada quando ocorre lesão do epitélio vascular. A hemofilia é uma doença relacionada à ausência
de um desses fatores de coagulação, que impede que ocorra coagulação adequada quando há um san-
gramento. Desse modo, o desenvolvimento de uma alternativa artificial para coagulação do sangue traria
melhoria na qualidade de vida dos hemofílicos.

RESPOSTA Alternativa B
 VOLUME 3

154  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

HISTOLOGIA

CÉLULAS FORTEMENTE UNIDAS


TECIDO EPITELIAL
(JUNÇÕES CELULARES)
REVESTIMENTO
• PELE: EPIDERME • QUERATINA
• MELANINA
• CAVIDADES INTERNAS
EXS.: TUBOS DIGESTÓRIO E RESPIRATÓRIO, BEXIGA, VASOS
GLANDULAR: PRODUZ E SECRETA SUBSTÂNCIAS
GLÂNDULAS • EXÓCRINAS SUBSTÂNCIAS • MUCOSA
• ENDÓCRINAS • SEROSA
• MISTA • MISTA

PRESENÇA DE MUITA MATRIZ EXTRACELULAR


TECIDO CONJUNTIVO
FIBRAS: COLÁGENA, ELÁSTICA E FIBROSA

PROPRIAMENTE DITO • FROUXO


• DENSO MODELADO
• DENSO NÃO MODELADO

ADIPOSO ARMAZENA LIPÍDEOS

HEMATOPOIÉTICO • PARTE FIGURADA: CÉLULAS E PLAQUETAS


OU SANGUÍNEO • PARTE AMORFA: PLASMA

ÓSSEO SUSTENTAÇÃO:
MATRIZ INORGÂNICA (CÁLCIO, FÓSFORO)

CARTILAGINOSO REVESTE ARTICULAÇÕES, SUSTENTAÇÃO

TECIDO MUSCULAR

TECIDO NERVOSO
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  155


HISTOLOGIA II
1. Tecido muscular
O tecido muscular é fundamental para a locomoção, para
a contração do coração, para as artérias e os órgãos do

CN
tubo diges­tório. O tecido muscular é formado por células
especializadas bastante alongadas, chamadas de fibras
COMPETÊNCIA(s) musculares ou mióci­tos. O citoplasma das fibras muscu-
4 lares é rico em filamentos de duas proteínas principais:
actina e miosina, responsáveis pela contração e distensão
AULAS HABILIDADE(s)
15 e 16
dessas células, que geram o movimento muscular. Para
um músculo ser estimulado a ser contraído, é necessário
23 E 24 que os filamentos de actina deslizem entre os filamentos
de miosina, o que leva à diminuição de tamanho da célu-
la, caracterizando a contração.

1.1. Tipos de tecido muscular


Existem três tipos de tecido muscular: estriado esquelético,
estriado cardíaco e liso.
Algumas estruturas celulares ganham nomes especiais: a membrana plasmática é chamada sarcolema; o retículo endoplas-
mático liso é nomeado de retículo sarcoplasmático; e o citosol, de sarcoplasma.

Tipos de músculo Atividade


Músculo esquelético Cortes transversais
Contração forte,
rápida,
descontínua e
voluntária

Núcleo
Músculo cardíaco
Contração forte,
rápida,
contínua e
involuntária

Músculo liso Discos intercalares


Contração fraca,
lenta e
involuntária

§ Tecido muscular estriado esquelético


A maior parte da musculatura do corpo dos vertebrados é constituída pelo tecido muscular estriado esquelético. Recobre
completamente o esqueleto e está conectado aos ossos, motivo pelo qual é chamado esquelético. É um tecido com con-
tração voluntária (depende da vontade do organismo). Um músculo esquelético é uma junção de longas fibras; cada fibra
 VOLUME 3

é uma célula com vários núcleos periféricos que pode medir centímetros de comprimento. No citoplasma encontram-se
as fibras contráteis dispostas longitudinalmente, as miofibrilas, constituídas de dois tipo de fibras proteicas, miosina e
actina. Essas proteínas são organizadas de modo que originam as bandas transversais (claras e escuras), particularidades
das células musculares estriadas esqueléticas e cardíacas.

156  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Tecido muscular estriado As bandas escuras são os miofilamentos de miosina (tam-
bém chamadas de bandas anisotrópicas ou banda A). As
bandas claras são filamentos de actina (também chamadas
de bandas as isotrópicas ou banda I).
A linha mais escura, no centro de cada banda I, é chamada
de banda Z.
Miômetro ou sarcômero é o intervalo entre duas linhas Z
consecutivas, que corresponde à unidade contrátil da célu-
Tecido muscular estriado visto no microscópio óptico la muscular.

A banda H é uma faixa mais clara no centro de cada banda A.


Sarcolema Mitocôndria Miofilamentos

Linha Z Linha Z
Miofibrilas Banda A
Banda I Banda I

Linha Z
Sarcômero Linha Z
Retículo
Fibra Túbulos T Sarcoplasmático
Núcleo
Filamento grosso

Filamento delgado

Troponina

Actina Tropomiosina

Organização da fibra muscular

Durante a contração muscular, os miofilamentos conservam o tamanho, enquanto os sarcômeros reduzem. Toda a célula
muscular se contrai, devido ao deslizamento dos filamentos de actinas sobre os de miosina.
Sarcômero estirado
Músculo
estirado

ATP + Ca2+ + Mg2+ Actina


Miosina
Músculo
contraído
 VOLUME 3

Sarcômero contraído

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  157


1.2. Tipos de fibras musculares do sinal iônico entre as células e originando a contração
rítmica delas. Os discos intercalares contêm estruturas
estriadas esqueléticas de aderência entre células que as conservam unidas,
§ Lentas ou vermelhas (tipo 1): têm mioglobina mesmo durante o potente processo de contração da
(proteína que conduz e estoca oxigênio para os tecidos musculatura cardíaca.
musculares) e mitocôndrias. Altamente resistentes à fa- Tecido muscular cardíaco

diga, estão adaptadas a movimentos duradouros e len-


tos. Para sua atividade, utilizam a energia proveniente
do processo de respiração celular.
§ Rápidas ou brancas (tipo 2): são fibras mais cla-
ras, pois possuem pouca mioglobina e mitocôndrias.
Estão adaptadas a movimentos rápidos e potentes. A
Discos
energia para a atividade dessas fibras vem de proces- Intercalares

sos anaeróbios, como a fermentação.


Os músculos peitorais de aves que voam pouco (galinhas
e perus) são formados, principalmente, por fibras brancas
(movimentos de curta duração). Já os músculos da perna Tecido muscular cardíaco visto no microscópio óptico
são compostos principalmente de fibras vermelhas, pois Discos Intercalares

são usados constantemente. Em aves migratórias, que via-


jam amplas distâncias, acontece o oposto.

Célula muscular cardíaca


Exercícios e o aumento da junção gap
musculatura esquelética
A atividade física estimula a produção de novas mio-
fibrilas pelas células musculares esqueléticas já exis-
tentes, aumentando o volume da célula e, assim, do
músculo. As células da musculatura esquelética não membrana celular de
células adjacentes
sofrem mitose no indivíduo adulto. Porém, há células
especiais, denominadas satélites, que são pequenas e
mononucleadas, localizadas no tecido conjuntivo que O processo de autoestimulação é realizado pelas células
envolve as células musculares. Em algumas situações, musculares cardíacas (isso ocorre independente de um
se o músculo for submetido a intensos exercícios, as estímulo do sistema nervoso). As contrações rítmicas do
células satélites podem se multiplicar, o que também coração são causadas e dirigidas por uma rede de célu-
colabora para o aumento do músculo. Em caso de le- las musculares cardíacas especializadas, encontradas logo
sões, as células satélites agem nos processos de rege-
abaixo do endocárdio, tecido que recobre internamente o
neração da musculatura esquelética.
coração. Há abundantes terminações nervosas no coração.
Compete ao sistema nervoso, portanto, apenas controlar o
§ Tecido muscular estriado cardíaco
ritmo cardíaco de acordo com as exigências do organismo.
Apresenta células musculares estriadas com núcleos uma vez que as contrações em si são dirigidas por células
centrais. Esse tecido é encontrado apenas no coração, específicas no próprio coração.
possui uma contração potente, rítmica e involuntária
(independentemente da vontade do indivíduo). Esses § Tecido muscular liso ou não estriado
miócitos são menores, ramificados e intimamente ade- As células musculares lisas não possuem estriação
ridos uns aos outros por discos intercalares (estruturas transversal, atributo das células musculares cardíacas
típicas da musculatura cardíaca), que são responsá- e esqueléticas. Ao longo do comprimento da célula,
veis pela conexão elétrica entre as células do coração. os filamentos de actina e de miosina não se alinham.
 VOLUME 3

Quando uma célula recebe um estímulo satisfatoria- Isso permite que as células desse tecido se contraiam
mente forte, ele é impresso a todas as demais células, em diferentes direções, e não apenas em uma direção
e, assim, o músculo cardíaco contrai-se como um todo. única como as células do tecido muscular estriado es-
Essa transmissão se alastra pelos canais de passagem quelético.
de água e íons entre as células, promovendo a difusão

158  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


Tecido muscular liso

Célula relaxada do músculo liso

CCélula
élula relaxada
relaxadado
domúsculo
músculolisoliso

CCélula contraída dodomúsculo


élula contraída músculolisoliso

Célula contraída do músculo liso

Tecido muscular liso

Os miócitos são fusiformes, uninucleados, alongados e com


as extremidades afiladas, de contração lenta e involuntá-
multimídia: vídeo
ria. Esse tipo de tecido é encontrado em grande parte do Fonte: Youtube

sistema digestório (esôfago, estômago e intestinos) e é Mecanismo de contração muscular


responsável pelo peristaltismo nesse sistema.

VIVENCIANDO
Uma das grandes lacunas da ciência se dá com relação ao funcionamento do nosso cérebro. O tecido nervoso, em
muitos aspectos, ainda é algo nebuloso para os pesquisadores, porém alguns fatos já são conhecidos sobre esse
tecido, e esse conhecimento auxilia médicos e pesquisadores a descobrirem causas e possíveis tratamentos para
distúrbios neurológicos, aumentando a qualidade de vida dos pacientes.

2. Tecido nervoso
Os seres vivos interagem com o meio e reagem aos estímulos ambientais. Assim, mudanças ambientais, como calor e frio,
sons, choques, são percebidas pelo indivíduo. O tecido nervoso é o responsável pela recepção do estímulo e pela escolha da
resposta adequada muscular. No tecido nervoso praticamente não existe substância intercelular. Seus fundamentais consti-
tuintes celulares são os neurônios e as células da glia.
§ Neurônios
Mariana Ruiz LadyofHats

Sinapse
São células nervosas que recebem, codificam Neurofibrilas
Vesículas sinápticas
Neurotransmissor Sinapse
e transmitem estímulos nervosos, permi- (axoaxônica)

Fenda sináptica
tindo ao indivíduo responder às mudanças RER
(corpo de Nissl)
Terminal axônico

do meio. Os neurônios são células longas, Polirribossomas Nó de Ranvier

podendo atingir até cerca de um metro de Ribossomas


Aparelho de Golgi
Sinapse
(axossomática)

comprimento. São células compostas por


um corpo celular, de onde saem dois tipos Baínha de mielina
(Célula de Schwann)
Axônio
de prolongamento: axônios e dendritos. Núcleo
Nucléolo Núcleo
 VOLUME 3

Membrana (Célula de Schwann)

Dendritos são especializados na recepção Microtúbulo

de estímulos e possuem ramificações cito- Mitocôndria

plasmáticas. O impulso nervoso é sempre REL


Microfilamento
Microtúbulo
transmitido no mesmo sentido: dendrito, Sinapse
(axodendrítica)
Axônio

depois corpo celular e axônio.

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  159


Axônio é também uma projeção citoplasmática, alon- Na membrana celular de um neurônio em repouso, há uma
gada e com diâmetro constante, que se ramifica na diferença iônica do lado externo e do lado interno, sendo
porção final, o que auxilia na transmissão de impulso. assim, o neurônio é eletricamente negativo. Dizemos que,
§ Células da glia nesse caso, o neurônio está polarizado. A diferença de car-
gas elétricas é conservada devido à bomba de sódio e po-
Neuroglia ou glia são muitos tipos celulares relaciona-
tássio. A diferença do gradiente eletroquímico forma uma
dos à função de nutrição e sustentação dos neurônios
energia elétrica potencial da membrana, o que chamamos
e também à produção de mielina e à fagocitose.
de potencial de membrana ou potencial de repouso. Se um
Os tipos de glia diferem na forma e função, assim cada estímulo chegar até o neurônio, pode acontecer mudança
tipo tem um papel diferente no organismo. na permeabilidade da membrana, o que vai causar a en-
§ Os astrócitos alimentam a rede de circuitos nervo- trada de sódio na célula e pequena saída de potássio. Isso
sos e fornecem suporte mecânico. inverte as cargas ao redor dessa membrana, tornando-a
§ Os oligodendrócitos fazem função semelhante às despolarizada e provoca um potencial de ação. A despo-
células de Schwann: sintetizam bainhas protetoras larização se propaga pelo neurônio, o que seria o impulso
sobre os neurônios. nervoso. Logo após a passagem do impulso, a membrana
§ A micróglia é um tipo especializado de macrófa- repolariza-se e readquire seu estado de repouso, o que leva
go, fagocita detritos e restos celulares do sistema à interrupção da transmissão do impulso.
nervoso.
§ Células de Schwann
São células especiais que envolvem certos tipos de
neurônios. Enrolam-se dezenas de vezes em torno do
axônio e formam uma capa membranosa chamada bai-
nha de mielina.
A bainha de mielina age como isolante elétrico, o que
causa aumento na velocidade de propagação do impul-
so nervoso.
Células de
Schwann

Nódulos de
Ranvier

O estímulo causador do impulso nervoso necessita ser su-


Axônio
ficientemente forte, acima de um certo valor, que discrepa
entre os tipos de neurônios, para levar à despolarização
Potencial de ação que modifica o potencial de repouso em potencial de ação.
Esse estímulo chamamos de estímulo limiar. Inferiormente
a esse valor, o estímulo não desencadeia o impulso nervo-
so. Um estímulo superior ao limiar gera o mesmo potencial
de ação, conduzido ao longo do neurônio. Dessa maneira,
não há variação de intensidade de um impulso nervoso
devido ao aumento do estímulo; esse processo obedece à
multimídia: vídeo regra do “tudo ou nada”. Assim, o número de neurônios
despolarizados e a frequência de impulsos são o que refle-
Fonte: Youtube te na inten­sidade das sensações.
Neurônios Neurotransmissores Sistema Nervoso... A transmissão do impulso nervoso propaga-se através de
uma região denominada sinapse. A sinapse é o local de
comunicação entre neurônios ou entre o neurônio e a célu­la
2.1. Transmissão do impulso nervoso
 VOLUME 3

efetora. Geralmente não há contato entre as membranas das


Os estímulos nervosos se propagam sempre no mesmo duas células, que ficam distantes devido a um espaço cha-
sentido: são recebidos pelos dendritos, continuam pelo cor- mado fenda si­náptica, onde são liberados os mediadores
po celular, passam pelo axônio, que os transmite à célula químicos do impulso nervoso. Os mediadores químicos, cha-
seguinte e assim por diante. mados neurotransmissores, são liberados na porção terminal

160  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


do axônio, através de vesículas secretoras. Ao cair na fenda No sistema nervoso, existem neurônios dispostos de for-
sináptica, esses neurotransmissores geram os impulsos ner- mas distintas, o que resulta em regiões com coloração
vosos na célula subsequente. Depois, os neurotransmissores, própria que podem ser observadas macroscopicamente:
já na fenda sináptica, são destruídos por enzimas específicas, na substância cinzenta (corpos celulares) e na substância
inibindo seus efeitos. branca (os axônios).
Neurotransmissor
Receptor
Regeneração das células nervosas
Mitocôndria
Há alguns anos, não se acreditava na formação
de novos neurônios. Porém, hoje, o processo de
neorogênese, produção de novos neurônios, é ampla-
Vesícula mente aceito pela comunidade científica. A produção
de novas células nervosas não ocorre através do pro-
cesso de mitose, mas através de células indiferencia-
Fenda sináptica das, presentes no cérebro, que passam a ser células
Axônio com função específica, os neurônios. Esse processo
ocorre em áreas como a região hipocampal, local rela-
cionado com a formação de novas memórias.
Dentritos

multimídia: vídeo multimídia: site


Fonte: Youtube
Impulso nervoso [Link]/conteudos/Histologia/[Link]
[Link]/conteudos/Corpo/[Link]
[Link]/conteudos/Histologia/[Link]

CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

A neurotransmissão envolve o que chamamos de potenciação de ação. Esse processo consiste em impulsos elétricos
através das células nervosas, os neurônios, que passam a informação para a próxima célula nervosa, fazendo a co-
municação entre todo o organismo e promovendo a interação do indivíduo com o meio. Conceitos de física elétrica
auxiliam essa área da Biologia, dando embasamento para muitas teorias e processos.
 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  161


ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 15
Interpretar modelos e experimentos para explicar fenômenos ou processos biológicos em qualquer nível de
organização dos sistemas biológicos.

Compreender a composição e metabolismo dos componentes do corpo humano (células e tecidos) e os


distúrbios decorrentes do seu mau funcionamento é essencial para que possamos desenvolver soluções
para seu tratamento, promovendo melhor qualidade de vida para os portadores dessas doenças. É nesse
contexto que o Enem costuma abordar os conteúdos de histologia humana.

MODELO 1

(Enem) A água é um dos componentes mais importantes das células. A tabela a seguir mostra como a quanti-
dade de água varia em seres humanos, dependendo do tipo de célula. Em média, a água corresponde a 70%
da composição química de um indivíduo normal.
tipos de célula quantidade de água
tecido nervoso – substância cinzenta 85%
tecido nervoso – substância branca 70%
medula óssea 75%
tecido conjuntivo 60%
tecido adiposo 15%
hemácias 65%
ossos sem medula 20%

Durante uma biópsia, foi isolada uma amostra de tecido para análise em um laboratório. Enquanto intacta, essa
amostra pesava 200 mg. Após secagem em estufa, quando se retirou toda a água do tecido, a amostra passou
a pesar 80 mg. Baseado na tabela, pode-se afirmar que essa é uma amostra de:
a) tecido nervoso – substância cinzenta;
b) tecido nervoso – substância branca;
c) hemácias;
d) tecido conjuntivo;
e) tecido adiposo.

ANÁLISE EXPOSITIVA

Os diferentes tecidos apresentam um teor de água ligado as suas características morfológicas e à intensidade
de seu metabolismo. Para desenvolver a questão, é necessário utilizar os dados fornecidos para identificar a
porcentagem de água no tecido amostrado e, em seguida, utilizar os valores de referência apresentados na
tabela. Desse modo, após a secagem, verifica-se que a amostra de tecido passou de 200 mg para 80 mg,
revelando que o teor hídrico do tecido analisado era de 120 mg, correspondentes a 60% de água. Logo, a
amostra é de tecido conjuntivo.

RESPOSTA Alternativa D
 VOLUME 3

162  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


DIAGRAMA DE IDEIAS

HISTOLOGIA TECIDO EPITELIAL

TECIDO CONJUNTIVO

FIBRAS CONTRÁTEIS
TECIDO MUSCULAR (ACTINA E MIOSINA)

• VOLUNTÁRIO
ESQUELÉTICO • FIBRAS VERMELHAS: LENTAS
ESTRIADO • FIBRAS BRANCAS: RÁPIDAS

CARDÍACO • INVOLUNTÁRIO
• RITMADO

LISO • INVOLUNTÁRIO; DISCOS INTERCALARES


• PRESENTE NOS ÓRGÃOS INTERNOS
• RESPONSÁVEL PELOS MOVIMENTOS PERISTÁLTICOS

RECEBE E TRANSMITE
TECIDO NERVOSO ESTÍMULOS NERVOSOS

• NEURÔNIOS
CÉLULAS • DE SHWANN (BAINHA DE MIELINA)
• DA GLIA
• UNIDIRECIONAL:
TRANSMISSÃO DO
DENTRITO CORPO CELULAR AXÔNIO
IMPULSO NERVOSO
SINAPSE QUÍMICA:
NEUROTRANSMISSORES

 VOLUME 3

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  163


RESPIRAÇÃO
CELULAR E
1. Introdução
No livro 1, tratamos dos componentes orgânicos que cons-
FERMENTAÇÃO tituem os organismos vivos, como os carboidratos e lipíde-

CN
os. Foram atribuídas a eles diferentes funções, entre elas a
energética – geração de energia para o corpo vivo. Vamos
elucidar agora como acontece esse processo.
COMPETÊNCIA(s)
5
Primeiramente, é preciso esclarecer que, de modo geral, as
reações metabólicas ocorridas em um organismo têm início
na célula, ou seja, para que o todo funcione é necessária a
AULAS HABILIDADE(s)
18 atividade das células que o compõem.

25 E 26 A energia obtida pelas células para fazer suas funções é


obtida a partir dos compostos orgânicos, como carboidra-
tos e lipídeos Porém, como esses compostos liberam muita
energia quando são quebrados, é necessário que essa que-
bra seja feita em etapas, e, a cada etapa, uma quantidade
menor de energia é liberada e armazenada em “moléculas
intermediárias”, como a molécula de adenosina-trifosfato,
também chamada de ATP. A molécula chamada de ATP é
composta por adenina (base nitrogenada), açúcar (ribose)
e três fosfatos. O agrupamento adenina + ribose produz a adenosina, que, ligada a um fosfato, vira a adenosina-monofosfato
(AMP). Com a adição de outro fosfato, transforma-se em adenosina-difosfato (ADP), e, finalmente, acrescentado o último fos-
fato, produz a adenosina trifosfato (ATP), que tem energia armazenada em suas ligações-fosfato.

Adenosina monofosfato
(AMP)

Adenosina difosfato
(ADP)

Adenosina trifosfato
(ADP)

O ATP armazena energia em duas de suas ligações-fosfato, que se desprende assim que uma delas se rompe. Geralmente,
só ocorre a quebra de uma ligação-fosfato se resultar desta equação:
Adenosina monofosfato cíclico
ATP ⇒ ADP + Pi + energia(cAMP)

Adenina
Grupos fosfato

Adenosina trifosfato (ATP) Ribose

Energia

íon fosfato
 VOLUME 3

Adenina
grupos fosfato

Difosfato de adenosina (ADP) Ribose

Pi = fosfato inorgânico

164  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


O processo inverso ocorre quando há produção de ATP e das mitocôndrias e é a única etapa que consome oxigênio).
se denomina fosforilação (adição de um grupamento fos- ATP sintase

fato). A vantagem de reserva em forma de ATP é que se


trata de um composto do qual a célula pode rapidamente DNA mitocondrial
sacar energia. A molécula de ATP possui boa quantidade
de enzimas responsáveis por sua “quebra”, as nomeadas
ATPases.
Membrana exterior
1.1. Transportadores de elétrons
Espaço entre membranas
NAD+, NADP e FAD são moléculas complexas que cap-
turam elétrons e átomos de hidrogênio desprendidos de
Membrana interior
reações químicas no interior das células, onde acontecem a Ribossomo

produção e a degradação de substâncias orgânicas. Assim Matriz

são nomeadas transportadoras de hidrogênios e acepto- Componentes da mitocôndria


ras de elétrons. Suas formas oxidadas estão representadas
pelo NAD+, NADP+ e FAD. O NAD+ e o FAD são nucleotí- 2.1. Glicólise
deos unificados, respectivamente, às vitaminas nicotinami-
da e riboflavina. Por isso, NAD+ é a sigla de Nicotinami- Por ser um processo anaeróbio, podemos chamar tam-
da-Adenina-Dinucleotídeos, e FAD, a sigla das moléculas bém de fermentação. Basicamente é a modificação
Flavina-Adenina-Dinucleotídeo. O NADP compreende um gradual da molécula de glicose realizada por um con-
grupo fosfato (P). junto de enzimas que, ao final, resulta na produção de
Ao receberem elétrons e hidrogênios, NAD+, NADP+ e FAD duas moléculas de um “subproduto”, o ácido pirúvico
ficam reduzidos. (C3H4O3), e na liberação de energia armazenada em
duas moléculas de ATP. Essa síntese é possível graças
← ao ADP e ao fosfato inorgânico presentes no citosol.
NAD+ (forma oxidada)   NADH (forma reduzida)

Como na primeira etapa do processo – modificação da
glicose – são utilizadas duas moléculas de ATP – uma
NADP+(forma oxidada)  ← NADPH (forma reduzida)
← vez que as enzimas necessitam de energia para realizar
sua função – e ao todo são produzidas quatro molécu-
FAD (forma oxidada)  ← FADH2 (forma reduzida)
← las de ATP, conforme detalhado na imagem, o saldo
energético é 2 ATP a cada molécula de glicose.
NAD+ e NADP+ são substâncias parecidas, porém operam
em processos distintos: o NAD+ atua em processos de que-
bra de moléculas (catabólicos), como é o caso da respira-
ção e da fermentação; e o NADP+ atua em processos de
síntese (anabólicos), como é o caso da fotossíntese e da
quimiossíntese.

2. Respiração celular
A respiração celular é basicamente um processo de ex-
tração de energia química armazenada em moléculas de
substâncias orgânicas. A intensidade da respiração tem
relação com a necessidade metabólica de cada célula e
pode ser medida pelo gás carbônico liberado e oxigênio
absorvido. Para retirar efetivamente dos nutrientes a ener-
 VOLUME 3

gia imprescindível à atividade celular, são necessários três


processos bioquímicos: a glicólise (ocorre no citosol, não
consome oxigênio), o ciclo de Krebs (ocorre na matriz
das mitocôndrias e também não consome oxigênio) e a
fosfo­rilação oxidativa (ocorre nas membranas internas

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  165


VIVENCIANDO

A fermentação e a respiração são processos bioquímicos que necessitam do embasamento de conceitos químicos,
como reagentes e produtos, e das enzimas envolvidas nessas reações químicas. A estrutura das moléculas que parti-
cipam desses processos também auxilia na compreensão desse metabolismo energético.

2.2. Ciclo de Krebs ou ciclo do ácido cítrico


O ácido pirúvico que resulta da glicólise penetra a mitocôndria. Depois de passar por reações enzimáticas, o ácido pirúvico perde
CO2 e hidrogênio – respectivamente, por descarboxilação e desidrogenação –, que são utilizados para redução do NAD+ à NADH.
Em seguida, esse ácido liga-se à coenzima A formando a acetil-coenzima A, ou Acetil-CoA. Ela, por sua vez, combina-se com o
ácido oxalacético e dá origem a uma molécula com seis átomos de carbono, o ácido cítrico. Ele também passa por uma série de
transformações – descarboxilações e desidrogenações – até originar o ácido oxalacético, que reinicia o ciclo. De maneira geral, o
ciclo de Krebs consiste em uma série de reações enzimáticas e cíclicas – repetitivas –, que gradativamente produzem prótons e
elétrons. Captados por aceptores (NAD+ e FAD) e por citocromos, esses agem como transportadores de elétrons em um processo
de oxidorredução. Além deles, também são liberados, na matriz mitocondrial, átomos de hidrogênio na forma de prótons H+.

Durante esse ciclo, são produzidas três moléculas de NADH, uma de FADH2, duas moléculas de CO2 e uma de GTP (gua-
 VOLUME 3

nosina trifosfato), responsáveis por armazenar parte da energia que logo será transferida para a molécula de ATP.
Apesar de o ciclo de Krebs ser exemplificado a partir de um produto originado do processamento (glicólise) de um car-
boidrato, também podem participar desse ciclo lipídios e proteínas, bem como, para sua síntese, podem utilizar-se de
produtos originados no ciclo de Krebs.

166  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


2.3. Cadeia respiratória
A cadeia respiratória, também chamada de cadeia transportadora de elétrons, é um grupo de proteínas e moléculas orgânicas inse-
ridas na membrana mitocondrial interna em eucariontes. Em procariontes, os componentes da cadeia transportadora de elétrons são
encontrados na membrana plasmática. Esses componentes também são chamados de citocromos.
Os elétrons, ao passarem pelos citocromos, vão liberando energia e movendo-se em direção ao citocromo que tem mais afi-
nidade por elétrons. Essa energia liberada pela passagem dos elétrons é usada para bombear prótons da matriz mitocondrial
para o espaço intermembranar, formando um gradiente de prótons.
Esses elétrons que entram na cadeia de transporte vêm das moléculas de NADH e FADH2, produzidas durante os primeiros
estágios da respiração celular: glicólise e ciclo de Krebs.

GLICOSE CO2 + H2O

e-

NAD

NADH2 ADP + Pi ATP


e-
e-
FAD

citocromo
b
e- e-

citocromo citocromo
c a
ADP + Pi ATP
e-
ADP + Pi ATP
citocromo
a3 O2
H + e-
H2O
Esquema da cadeia respiratória

O NADH é um bom doador de elétron, portanto ele pode mando água. São necessários quatro elétrons para reduzir
transferir seus elétrons diretamente para o primeiro cito- cada molécula de O2, e duas moléculas de água são forma-
cromo da cadeia transportadora, voltando a ser NAD+. das no processo.
Conforme os elétrons percorrem os citocromos, energia é Ao final da cadeia transportadora de elétrons, os transporta-
liberada e usada para bombear prótons da matriz para o dores de elétrons NADH e FADH2 voltam ao estado de NAD+
espaço intermembranar. e FADH, podendo voltar a participar da glicólise, ciclo de Krebs
O FADH2 não é tão bom doador de elétrons quanto o ou outras reações metabólicas.
NADH (ou seja, seus elétrons estão em um nível de energia A cadeia transportadora também produz um gradiente de
mais baixa), então não pode transferir seus elétrons para prótons na membrana mitocondrial interna, com uma con-
o primeiro citocromo da cadeia transportadora de elétrons. centração maior de H+ no espaço intermembranar e uma
Em vez disso, ele os leva diretamente para o segundo citro- concentração menor na matriz. Esse gradiente será usado
cromo da cadeia. para produzir ATP.
Por causa desse “atalho”, cada molécula de FADH2 faz
com que menos prótons sejam bombeados (e contribui
menos ao gradiente de próton) do que cada molécula
de NADH.
Conforme os elétrons percorrem a cadeia transportadora
de elétrons, íons são bombeados através da membrana, e
os elétrons são finalmente entregues ao último citocromo,
multimídia: vídeo
 VOLUME 3

onde um último grupo de íons H+ é bombeado através da


membrana. O último citocromo transfere então os elétrons Fonte: Youtube
que recebeu para uma molécula de O2, que se divide em Biologia - Respiração celular
dois átomos de oxigênio que aceitam prótons da matriz, for-

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  167


2.3.1. ATP sintase
Os prótons armazenados no espaço entre as membranas da mitocôndria tendem a voltar para a matriz mitocondrial;
porém, como a membrana interna da mitocôndria é muito impermeável, esses prótons só conseguem passar pela matriz
através de uma proteína chamada ATP sintase, localizada na membrana interna mitocondrial. A passagem dos prótons
pela ATP sintase libera energia, que é utilizada para ligar um fosfato (P) em uma molécula de ATP, que armazena essa
energia. Esse processo é também chamado de quimiosmose.

Espaço entre membranas

Bomba de próton Membrana


Talo mitocondrial
Subunidade F1
interior

ATP sintase

Matriz mitocondrial

ATP sintase

O ADP sai do citosol e entra na mitocôndria, onde é utilizado para síntese de ATP, que, por sua vez, vai para o citosol, onde
age como “combustível’ para alimentar as reações químicas; na fosforilação oxidativa são produzidos cerca de 32 mol de
ATP, o que constitui a etapa de maior rendimento energéti­co da respiração aeróbia; no entanto, como a mitocôndria precisa
utilizar energia, o saldo de ATP é cerca de 30; por isso a respiração aeróbia é definida como a oxi­dação total da glicose em
presença de oxigênio; parte da energia liberada dos nutrientes é dissipada em forma de calor, utilizado para aquecer o corpo.
 VOLUME 3

168  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


O balanço energético da respiração aeróbia pode ser assim 3.1.1. Etapas da fermentação lática
representado:
§ Glicólise
Etapas da ATP ATP Saldo
NADH FADH2
respiração gasto produzido de ATP
Processo parecido ao sucedido na respiração aeróbia. A
Glicólise 2 — 2 4 2 equação global final para a glicólise é:
Formação de
acetil-coa
2 — — — — Glicose + 2NAD+ + 2ADP + 2Pi → 2 Piruvato +
2NADH + 2H+ + 2ATP + 2H2O
Ciclo de Krebs 6 2 — 2 2

Fosforilação 2 a 2,5 1 a 1,5


— 22 a 28 22 a 28 § Fermentação lática
oxidativa ATP ATP

Total 10 2 2 28 a 34 26 a 32
Sucedida a glicólise, a redução do piruvato é catalisada
pela enzima lactato-desidrogenase. O equilíbrio global
Observe: 1NADH = 2 a 2,5 ATP e 1 FADH2 = 1 a 1,5 ATP. dessa reação favorece significativamente a formação
de lactato. Microrganismos fermentadores regeneram
continuamente o NAD+ ao transferirem os elétrons do
3. Fermentação NADH que formam um produto final reduzido, como no
É oxidação incompleta da glicose sem necessidade de oxi- caso o lactato.
gênio feita por alguns seres vivos. Nesse processo denomi-
nado fermentação, a quebra da glicose (glicólise) termina
com a fabricação de apenas dois ATPs. A fermentação é
um processo efetivado por microrganismos, como fungos
e bactérias. Praticamente, todos os seres vivos podem
usar a glicose para sintetizar a energia necessária aos seus
processos metabólicos. A glicose e outros açúcares são O rendimento em ATP da glicólise sob condições anaeró-
transformados em outras substâncias que liberam energia. bicas – 2 ATP por molécula de glicose – é muito menor
Dependendo do tipo de microrganismos e do meio em que que o obtido na oxidação completa da glicose sob con-
vivem, determina-se o tipo substâncias que será produzido. dições aeróbicas.
Existem vários tipos de fermentação, como lática, alcoólica,
Portanto, para produzir a mesma quantidade de ATP, é
acética e butírica.
necessário consumir cerca de 18 vezes mais glicose do
que em condições aeróbicas. Sob o ponto de vista ener-
gético, a glicólise libera apenas uma pequena fração de
energia total disponível na molécula da glicose.

Aplicações da fermentação lática


Alguns alimentos podem ser estragados pelo crescimento
multimídia: site e atuação de bactérias ácido-láticas. Mas a importância
desses microrganismos consiste no seu significativo em-
prego na indústria alimentar. Queijos maturados, conser-
[Link]/conteudos/bioquimica/bioqui-
vas, chucrute e linguiças fermentadas são alimentos que
[Link]
podem ser conservados durante tempo admiravelmente
[Link]/citologia/respiracao-celular/ maior que a matéria-prima da qual eles foram feitos. Além
de mais estáveis, os alimentos fermentados contêm aroma
e sabor característicos que procede direta ou indiretamente
3.1. Fermentação lática dos organismos fermentadores. Há casos em que o conte-
É a oxidação anaeróbica parcial de carboidratos, como údo de vitaminas dos alimentos cresce juntamente com o
acréscimo da digestibilidade da sua matéria-prima.
 VOLUME 3

a glicose, que leva à produção final de ácido lático e de


outras substâncias orgânicas. É um processo microbiano
muito importante usado na fabricação de laticínios, picles Fermentação lática no músculo
e chucrute e na conservação de forragens. É também res- Durante o esforço muscular intenso, a quantidade de oxigê-
ponsável pela deterioração de diversos produtos agrícolas. nio que chega aos músculos pode não ser suficiente para

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  169


abastecer toda a energia imprescindível para a atividade desenvolvida. Nessas situações, as fibras musculares podem realizar
fermentação lática para manter a formação de ATP. Nesses casos, o ácido lático acumula-se no interior das fibras. Esse acúmulo
pode gerar dores, cansaço e cãibras. Em seguida, uma parte desse ácido é conduzida pela corrente sanguínea para o fígado,
onde é convertida em ácido pirúvico. Em repouso, a célula muscular produz um excesso de ATP, que transmite sua energia para
outro composto, a creatina-fosfato. Ela é mais estável e permanece por mais tempo armazenada na célula. Em caso de contra-
ção muscular, esse composto cede energia para produção de ATP.

3.2. Fermentação alcoólica


As leveduras usadas em cervejarias, e em padarias, pela realização de fermentação alcoólica, fermentam a glicose em etanol
e CO2. Regularmente, os fungos (leveduras) empregados na produção de vinho e pães são anaeróbicos facultativos, isto é, se
em ambiente oxigenado realizam respiração aeróbica, em ambiente sem oxigênio realizam fermentação.

3.2.1. Etapas da fermentação alcoólica


O processo de glicólise comum às fermentações produz ácido pirúvico, que se encontra no meio celular ionizado na forma
de piruvato. Na fermentação alcoólica, o piruvato sofre descarboxilação graças à ação da enzima piruvato descarboxilase,
que dá origem ao aldeído acético. Esse aldeído sofre redução, oxida o NADH para NAD+ e forma o etanol, processos
intermediados pela enzima álcool desidrogenase.

Fermentação alcoólica

3.3. Outros tipos de fermentação 3.3.3. Fermentação acética


Consiste na oxidação parcial, anaeróbica, do álcool etílico, que
3.3.1. Fermentação cítrica
produz ácido acético. É um processo utilizado na produção de
Largamente utilizado nas indústrias de alimento, refrige- vinagre comum e do ácido acético industrial. Desenvolve-se
rantes, medicamentos, tintas e outras, o ácido cítrico era também na deterioração de certos alimentos e de bebidas de
anteriormente extraído de frutos cítricos. Hoje é obtido por baixo teor alcoólico. É realizada por bactérias denominadas ace-
oxidação parcial anaeróbica de carboidratos – sacarose, tobactérias. Conferindo o gosto característico de vinagre e CO2,
notadamente – por ação de certos fungos, dentre eles As- as bactérias acéticas constituem um dos grupos de microrga-
pergillus níger, A. wentii e Mucor spp. nismos de maior interesse econômico. De um lado, pela função
que exercem na produção do vinagre; de outro, pelas alterações
3.3.2. Fermentação butírica
que provocam nos alimentos e bebidas. Essas bactérias acéticas
Trata-se de uma reação química realizada por bactérias necessitam do oxigênio do ar para realizarem a acetificação. Em
anaeróbias, mediante a qual se forma o ácido butírico, pro- razão disso, multiplicam-se mais na parte superior do vinho que
cesso descoberto por Louis Pasteur em 1861. É produzido está sendo transformado em vinagre, formando um véu conhe-
a partir da lactose ou do ácido lático, formando ácido butí- cido como “mãe do vinagre”, véu esse que pode ser mais ou
 VOLUME 3

rico e gás. É característica das bactérias do gênero Clostri- menos espesso de acordo com o tipo de bactéria.
dium, que exalam odores pútridos e desagradáveis.

170  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias


CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

A fermentação e a respiração são processos bioquímicos que necessitam do embasamento de conceitos químicos,
como reagentes e produtos, e das enzimas envolvidas nessas reações químicas. A estrutura das moléculas que parti-
cipam desses processos também auxilia na compreensão desse metabolismo energético.

ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

HABILIDADE 18
Relacionar propriedades físicas, químicas ou biológicas de produtos, sistemas ou procedimentos tecnoló-
gicos às finalidades a que se destinam.

O conhecimento dos processos metabólicos na produção de energia é importante tanto para o estudo
relacionado a nossa saúde e bem-estar como também são muito explorados na indústria alimentícia,
devido aos diferentes metabolismos energéticos encontrados em microrganismos. Desse modo, apesar da
complexidade das reações químicas relacionadas a esse assunto, as questões do Enem geralmente cobram
que o aluno consiga compreender a visão geral desses processos e suas consequências, principalmente
quando aplicados à indústria alimentícia.

MODELO 1

(Enem) Há milhares de anos, o homem faz uso da biotecnologia para a produção de alimentos como pães,
cervejas e vinhos. Na fabricação de pães, por exemplo, são usados fungos unicelulares, chamados de leveduras,
que são comercializados como fermento biológico. Eles são usados para promover o crescimento da massa,
deixando-a leve e macia.
O crescimento da massa do pão pelo processo citado é resultante da:
a) liberação de gás carbônico;
b) formação de ácido lático;
c) formação de água;
d) produção de ATP;
e) liberação de calor.

ANÁLISE EXPOSITIVA

Na fabricação de pães são utilizadas leveduras para promover o crescimento da massa. Esses organismos
realizam fermentação alcoólica (tipo de metabolismo anaeróbico pelo qual os fungos produzem energia
através do consumo de açúcares provenientes da massa e, como produto, obtém-se álcool, que, nesse
caso, vai evaporar no forno) e liberam gás carbônico (responsável pelo crescimento da massa, já que cria
bolhas que ficam retidas, deixando o pão aerado em seu interior).
 VOLUME 3

RESPOSTA Alternativa A

CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias  171


DIAGRAMA DE IDEIAS

RESPIRAÇÃO CELULAR C6H12O6 + 6O2 6CO2 + 6H20 + 32ATP

ETAPAS

GLICÓLISE: GLICOSE (6C) 2 PIRUVATO (3C) + 2 NADH + 2ATP


• OCORRE NO CITOPLASMA
2ATP
CICLO DE KREBS 3CO2 2x 1FADH2
• MATRIZ MITOCONDRIAL 4NADH
CADEIA TRANSPORTADORA DE ELÉTRONS 10NADH x 2,5 = 25ATP
• CRISTAS MITOCONDRIAIS 2FADH2 x 1,5 = 3ATP
• OXIGÊNIO: ACEPTOR FINAL DE ELÉTRONS 4ATP 4ATP
32ATP

2ATP + PRODUTO
FERMENTAÇÃO GLICOSE
PIRUVATO FINAL SALDO:
2ATP
2NADH 2NAD+
ETAPAS

GLICÓLISE: GLICOSE (6C) 2 PIRUVATO (3C) + 2 NADH + 2ATP


REDUÇÃO DO PIRUVATO E • LÁTICA: ÁCIDO LÁTICO
OXIGENAÇÃO DO NADH • ALCOÓLICA: ETANOL + 2CO2
OUTROS TIPOS • CÍTRICA
• ACÉTICA
• BUTÍRICA
 VOLUME 3

172  CIÊNCIAS DA NATUREZA e suas tecnologias

Você também pode gostar