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Espaços e Tempos

na Educação Infantil
Jair Rodrigues da Silva
Espaços e Tempos na
Educação Infantil

Introdução
Durante a formação de professores que atuarão na Educação Infantil, é de grande
importância refletir sobre a organização de tempos e espaços na rotina das instituições
que atendem as crianças desse nível de ensino.

Faz parte do trabalho dos professores organizar o tempo e os espaços educativos


de forma a proporcionar aos educandos um ambiente acolhedor, desafiador e que
proporcione a interação entre as crianças e com os educadores. Essa demanda faz
parte da ação de cuidar e educar presentes na Educação Infantil.

Objetivos da aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:

• Conhecer as concepções de espaço e tempo na Educação Infantil.


• Perceber a importância das diferentes interações da criança com o outro, con-
sigo mesma e com o ambiente educativo.
• Conhecer a busca pelos direitos de aprendizagem e desenvolvimento das
crianças na Educação Infantil.

2
A organização dos espaços, tempos e
possibilidades na Educação Infantil
Todos os momentos nas salas de aula e nos ambientes de Educação Infantil são de
importância para o desenvolvimento infantil. Podemos citar o momento de chegada à
escola, o acolhimento, a postura do profissional que recebe a criança etc.

O foco da Educação Infantil está em compreender as relações existentes entre


educadores e alunos e alunos entre alunos em sala de aula e extrassala de aula,
relações estas que são responsáveis pelo desenvolvimento das rotinas, dos projetos
e dos planejamentos propriamente ditos.

Figura 1 - Interação entre educadora e crianças


Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#PraTodosVerem: Ambiente de sala de aula, uma professora está sentada e lê
um livro para os alunos.

Na Educação Infantil, muito mais do que se relacionarem, as crianças e os adultos fazem


trocas, fazem construções constantes de conceitos e, ao mesmo tempo, de histórias e
memórias que para sempre acompanharão os sujeitos envolvidos.

Para a compreensão do processo histórico dos direitos das crianças, ressalta-se a


leitura das Leis nº 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), que é uma das

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legislações mais avançadas do mundo no direito a crianças e adolescentes, e da
Constituição Federal de 1988, na qual o ECA está baseado.

Saiba mais
Para conhecer mais sobre a criação do ECA no ano de 1990,
assista ao vídeo de homenagem criado pelo Conselho Nacional
de Justiça que mostra a trajetória dos envolvidos para a criação
dessa importante legislação para a proteção de crianças e
adolescentes no Brasil. Disponível no link: https://www.youtube.
com/watch?v=43mBHE-KWdQ.

Especialmente nas instituições de Educação Infantil, há os regimes de aula integral, em que


a criança fica mais de quatro horas por dia na escola. Nesse tempo longe de sua família,
os exemplos norteadores para suas atitudes vêm dos adultos que se relacionam com ela
na escola. É com essas relações que as crianças vão construindo suas identidades e suas
formas de conviver e lidar com situações diversas.

Na Educação Infantil o conceito de ambiente é muito mais que dizer espaço. Nas
instituições, todos os ambientes têm função e devem ser significativos para a
aprendizagem das crianças. Compreendendo desde a entrada à sala de aulas e assim
todos os ambientes podem concorrer para momentos de interação e aprendizado das
crianças.

Saiba mais
Para você saber um pouco mais sobre a importância do tempo
para as crianças pequenas, sob a ótica infantil, assista ao vídeo
“Pensamento Infantil – a noção de tempo”, clicando aqui.

Devido à necessidade de organização e divisão do tempo e do espaço, sugere-se que


todo o ambiente da sala de aula, inclusive o mobiliário, seja adequado à idade de cada
turma, com brinquedos disponíveis e compatíveis para cada faixa etária, espaço para
atividades em roda, atividades no chão. É ir além da simples decoração, os ambientes

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devem ser arejados, limpos e que permitam o movimento e o acesso da criança aos
materiais dispostos na sala.

As rotinas devem ser construídas a partir das necessidades e características de cada


turma, dando significado às relações que se estabelecem no ambiente escolar.

Portanto, a rotina estabelecida em sala de aula é uma forma de organizar o espaço e


o tempo, fazendo com que, aos poucos, as crianças percebam que estão inseridas em
um ambiente educacional.

Curiosidade
A partir do trabalho relativo a temas ligados ao espaço, as
crianças desenvolvem, além do conceito de espaço, habilidades
para comparar, explorar e descobrir novos ambientes ou novas
formas de entender um mesmo ambiente. Assista ao vídeo
“Pensamento Infantil – a noção de espaço” para explorar esse
tema: http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/
desenvolvimento-e-aprendizagem/pensamento-infantil-nocao-
espaco-502816.shtml.

A equipe de educadores é responsável pela organização dos ambientes e gestão do


tempo nas atividades, e o fazem fundamentadas nos planejamentos, que contemplam
as habilidades e os direitos de aprendizagem previstos nas DCNEI e BNCC, estes em
consonância com o PPP (Projeto Político Pedagógico) da instituição.

São estas ações pedagógicas geridas e compartilhadas pelos educadores que


influenciarão a dinâmica da sala de aula e é com elas que o professor constrói, aos
poucos, a identidade do grupo.

Interações e a Percepção de si e do outro e a


Comunidade Escolar na Educação Infantil
Após nossa reflexão acerca da organização dos tempos e espaços na Educação
Infantil, vamos nos debruçar sobre as interações entre a escola e a comunidade
escolar.

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Esse momento do primeiro contato da criança e de sua família com a instituição de
Educação Infantil é o chamado período de adaptação. Para muitas crianças e famílias,
a adaptação ao espaço educativo é um momento tranquilo e prazeroso. Para outras, é
um momento bastante difícil.

Figura 2 - Criança chorando


Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#PraTodosVerem: Foto mostra uma criança chorando.

O primeiro dia de aula, independentemente da faixa etária, merece muita atenção


da equipe de educadores. Até esse dia, a criança, pode ser, em sua família o centro
das atenções. E de repente, na escola, encontrará um ambiente totalmente diferente
daquele que tem em casa, com regras, tempos e espaços específicos. Estará em
contato com um número significativo de outras crianças e, mais que isso, encontrará
outros adultos. Estes estarão organizando, interagindo, motivando e estimulando
todas as crianças a conviverem em grupo.

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Figura 3 - Sala de aula na Educação Infantil
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#PraTodosVerem: Foto que mostra uma sala de aulas, com uma professora ao
fundo e seis crianças sentadas, uma delas está levantando a mão.

Há, até aqui, pelo menos dois fatores primordiais a observar e analisar.

Primeiro: a preparação do professor – essa pessoa é quem irá receber a criança e a


família, e sua principal função é transmitir segurança e confiança. Como fazer isto?
Inicialmente, o professor precisa se tornar um especialista no que diz respeito à idade
das crianças que serão da sua turma – as formas de linguagem possíveis de serem
usadas, como ocorre o desenvolvimento cognitivo, motor e social nessa idade, quais
metodologias podem ser utilizadas, que planejamentos são mais pertinentes.

Segundo Horn (2017), é necessário contemplar nas ações pedagógicas e espaços da


escola, o brincar e o interagir. Nas palavras da autora:

Espera-se que a escola aposte na organização de contextos que sejam


significativos para as crianças, que as coloquem em relação umas com as
outras, que desafiem sua interação com diferentes materiais, que postulem

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o princípio de que todos os espaços são potencialmente promotores da
brincadeira e da interação. Como já afirmamos, tal premissa legitima os
eixos das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil − o
brincar e o interagir −, que poderão nortear as propostas pedagógicas
das instituições de educação infantil, concebendo a criança como
protagonista capaz e competente, com muita energia e necessidade de
exercitá-la. (HORN, 2017)

Segundo: o acolhimento da criança – cada criança é um ser único, cheio de


peculiaridades e individualidades. A criança tem que ser respeitada e a separação
com a família necessita ser gradativa, assim como o tempo de permanência na escola
também aumenta paulatinamente. Nos primeiros dias, recomenda-se que algum
membro da família esteja por perto e que a criança faça carga horária reduzida.

Ainda sobre a dinâmica da sala de aula, é imprescindível abordar a seleção de


conteúdos e metodologias e a importância do tempo e do espaço, como vimos
anteriormente.

Saiba mais
Para saber ainda mais sobre adaptação e acolhimento na Educação
Infantil, leia o texto “Adaptação bem-feita”, de Cristiane Marangon,
que trata de alguns aspectos específicos da adaptação de crianças
até três anos de idade. Clique aqui.

As Aprendizagens na Educação Infantil

Traços, sons, cores e formas; corpo, gestos e movimentos; escuta,


fala, pensamento e imaginação; espaços, tempos, quantidades,
relações e transformações

Um dos documentos principais que norteiam a Educação Infantil são as Diretrizes


Curriculares Nacionais Gerais para a Educação Básica (BRASIL, 2013). Nessa
Resolução, Parecer CNE/CEB nº 9/2009 e da Resolução CNE/CEB nº 2/2009 estão

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previstas as ações pedagógicas a serem garantidas nos espaços educativos da
Educação Infantil. Dentre as normativas das Diretrizes, a Seção I, no Artigo 22, define
que o objetivo da Educação Infantil está no desenvolvimento integral da criança,
considerando para tanto os aspectos físicos, afetivos, psicológicos, intelectuais e
sociais da criança de forma a contemplar as ações da comunidade e da família.

Saiba mais
Objetivos da Educação Infantil: Conheça os objetivos da Educação
Infantil descritos na Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais para a
Educação Básica. Acesse: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-
2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica-2013-pdf/file.

No sentido de contemplar as aprendizagens ao longo da Educação Infantil, Horn


(2017) traz a discussão da necessidade do espaço educativo ser um ambiente que
proporcione a exploração e a brincadeira por parte das crianças.

Para tanto, existe a necessidade de uma infraestrutura e de formas de


funcionamento da instituição que garantam, ao espaço físico, constituir-
se como um ambiente que permita o bem-estar promovido pela estética,
pela boa conservação dos materiais, pela higiene, pela segurança e,
principalmente, pela possibilidade de as crianças brincarem e interagirem
− eixos fundamentais que perpassam toda a estrutura das DCNEIs. Nesse
aspecto, é importante ressaltar que os espaços destinados às crianças de
diferentes faixas etárias não podem ser considerados como uma sala de
aula na perspectiva tradicional, mas como um espaço de referência para
os grupos de crianças. Isso implica pensar que, nesse local, a proposta
não seja organizá-lo e gerenciá-lo para que “aulas” aconteçam, mas, sim,
para que experiências educativas possam ser vividas pelas crianças.
(HORN, 2017)

Horn (2017) discute ainda sobre a disposição do espaço educativo, de forma que este
não se constitua simplesmente como uma sala de aulas, como um lugar tradicional
de aulas, antes que seja pensado de forma a possibilitar interações entre as crianças
e as crianças com o espaço.

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Figura 4 - Sala de aulas na Educação Infantil
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#PraTodosVerem: Foto mostrando uma situação de sala de aulas, com uma
professora ao fundo e cinco crianças sentadas, uma delas está tocando em um
ninho de pássaro que a professora está mostrando em suas mãos.

Vamos refletir acerca do que diz a Base Nacional Comum Curricular sobre as
aprendizagens, as experiências educativas relativas à imaginação e ao brincar:

Escuta, fala, pensamento e imaginação – Desde o nascimento, as crianças


participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com
as quais interagem. As primeiras formas de interação do bebê são os
movimentos do seu corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro
e outros recursos vocais, que ganham sentido com a interpretação do
outro. Progressivamente, as crianças vão ampliando e enriquecendo
seu vocabulário e demais recursos de expressão e de compreensão,
apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu
veículo privilegiado de interação.

Na Educação Infantil, é importante promover experiências nas quais as crianças


possam falar e ouvir, potencializando sua participação na cultura oral, pois é na escuta
de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas

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individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens que a
criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social.
(BRASIL, 2017, p. 42)

É importante que o espaço educativo e os profissionais da educação oportunizem


aos educandos um ambiente que lhes possibilitem vivenciar e resolver demandas,
repertoriando e estimulando as crianças em sua aquisição de conhecimentos e
habilidades sociais. Um universo de significados a ser explorado no brincar está no
resgate de brincadeiras tradicionais. Tais brincadeiras agregam significados e laços
de pertencimento também aos pais e familiares das crianças.

Um exemplo de atividade que permite o desenvolvimento cognitivo, físico e emocional


é a música. A ludicidade da música pode ser trabalhada na Educação Infantil, pois
essas atividades, além de lúdicas, podem trazer significados de pertencimento às
origens das crianças e suas famílias, como músicas tradicionais da comunidade na
qual a instituição está inserida.

Figura 5 - Mediação pedagógica


Fonte: Plataforma Deduca (2023).
#PraTodosVerem: Foto mostrando uma professora ao centro rodeada por 5
crianças. A criança que está ao centro segura um vaso de plantas. Ao fundo, há
o espaço da sala de aula com variedade de livros.

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Avaliação na Educação Infantil

A avaliação na Educação Infantil obedece a critérios distintos dos demais níveis de


educação. De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil
(BRASIL, 2013), e da LDBEN Lei n. 9394/96, no artigo 31, a avaliação contempla o
processo de aprendizagem e leva em conta as características e desenvolvimentos
individuais dos alunos. É importante ressaltar que tais avaliações não configuram
acesso ao Ensino Fundamental nos Anos Iniciais.

A avaliação tem em si caráter processual e leva em conta os avanços e habilidades


adquiridas pelas crianças e a forma como os grupos reagem aos estímulos e trocas.
Além disso, esse é um instrumento para os educadores nortearem suas ações,
intervenções e planejamentos de maneira que seja um meio de reflexão da prática
docente.

Com base nas atividades avaliativas, que não se configuram em provas e


instrumentos parecidos, os educadores e educadoras podem repensar em
quais elementos estão contribuindo para as possibilidades de expressão, de
aprendizagem e desenvolvimento. Essas atividades avaliativas ocorrem a todo
tempo e são processais e, portanto, efetivam o Projeto Político Pedagógico da
instituição.

Saiba mais
Conheça o que diz a BNCC sobre a transição da Educação Infantil
para o Ensino Fundamental no link: http://basenacionalcomum.
mec.gov.br/.

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Conclusão
Assim, após o estudo do conteúdo, você aprendeu que:

• Os espaços educativos necessitam respeitar o desenvolvimento infantil em


suas várias esferas e precisam ser um ambiente aconchegante e propício às
diversas aprendizagens condizentes com cada faixa etária.
• A organização do tempo é essencial, pois ao longo do desenvolvimento in-
fantil cada criança, gradativamente, se percebe dentro de uma rotina, tanto
em casa quanto na escola. O espaço deve possibilitar experimentações e o
desempenho de atividades diversas. O ambiente da sala de aula e o mobiliário
necessitam ser adequados à faixa etária de cada turma.

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Referências
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017a. Disponível em: http://
basenacionalcomum.mec.gov.br/ . Acesso em 19 de junho de 2021.

______. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília,


DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

______. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Ministério da


Educação. Secretária de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral.
Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.
php?option=com_docman&view=download&alias=13448-diretrizes-curiculares-
nacionais-2013-pdf&Itemid=30192 . Acesso em 19 de junho de 2021.

______. Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 23


dez. 1996.

______. Estatuto da Criança e do Adolescente. Diário Oficial da União, Brasília, 16 jul.


1990.

______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara De Educação


Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais Para a Educação Infantil. Resolução CNE/
CEB 5/2009. Diário Oficial da União, Brasília, 18 dez. 2009, seção 1, p. 18.

______. Resolução nº 2 do Conselho Nacional de Educação – CNE/CP. Diário Oficial da


União, Brasília, 22 dez. 2017b.

MOLETTA, A.; K.; BIERWAGEN; G. S.; TOLEDO, M.; OLIVEIRA, E. R. A Educação Infantil e
a Garantia dos Direitos Fundamentais da Infância. Porto Alegre: SAGAH, 2018.
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