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Intervenções para Crianças com PHDA

O documento apresenta sugestões para intervenções com crianças que têm Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA), abordando aspectos como o conhecimento da criança, regras, atenção, prevenção, recompensa e punição, organização, matéria, avaliação, TPC, técnicas de estudo, comportamento, auto-estima, relações com colegas e envolvimento familiar. As recomendações incluem a adaptação de métodos de ensino, a criação de rotinas, o uso de feedback imediato e a promoção de um ambiente positivo e de apoio. O objetivo é facilitar a progressão escolar e o bem-estar da criança com PHDA.
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Intervenções para Crianças com PHDA

O documento apresenta sugestões para intervenções com crianças que têm Perturbação de Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA), abordando aspectos como o conhecimento da criança, regras, atenção, prevenção, recompensa e punição, organização, matéria, avaliação, TPC, técnicas de estudo, comportamento, auto-estima, relações com colegas e envolvimento familiar. As recomendações incluem a adaptação de métodos de ensino, a criação de rotinas, o uso de feedback imediato e a promoção de um ambiente positivo e de apoio. O objetivo é facilitar a progressão escolar e o bem-estar da criança com PHDA.
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SUGESTÕES PARA INTERVENÇÃO JUNTO DA CRIANÇA COM

PERTURBAÇÃO DE HIPERACTIVIDADE COM DÉFICE DE ATENÇÃO (PHDA)


De acordo com os principais problemas evidenciados, seguem-se algumas sugestões que o poderão ajudar com a
criança na progressão escolar e superação de algumas das suas dificuldades.

Nem todas as crianças com PHDA irão necessitar de todas as adaptações seguidamente sugeridas, devendo ser
escolhidas de acordo com as necessidades e características individuais de cada criança.

CONHEÇA BEM A CRIANÇA/JOVEM


●Estabeleça uma relação marcada pelas manifestações de afecto e carinho. Mostre à criança/jovem que está
do lado dela e que fará tudo o que for possível para o ajudar;
● Peça-lhe que ela o ensine a ajudá-lo;
● Procure aperfeiçoar o material didáctico ou lúdico de modo a adaptar-se às aptidões da criança/jovem
(associe muitos estímulos visuais);
● A matéria dada na aula deve ser relacionada, sempre que possível, com a experiência anterior da
criança/jovem;
● Sempre que possível, ajuste o ritmo da aula à capacidade de compreensão da criança/jovem.

AS REGRAS
● Negoceie com a criança/jovem um conjunto de regras que ele deverá cumprir, assim como a escolha das
possíveis consequências decorrentes do incumprimento de cada regra e recompensas decorrentes do
cumprimento das mesmas;
● Afixe as regras num local bem visível;
● Seja firme com as regras, mas tentando mostrar-se calmo, positivo e optimista.

A ATENÇÃO
● Utilize uma linguagem clara, mantenha o contacto ocular associado a manifestações de incentivo e de
carinho;
● Certifique-se que a criança/jovem compreendeu as instruções ou explicações, pedindo-lhe que repita o que
acabou de ouvir (este pedido deverá diminuir com o passar do tempo, para aumentar a autonomia);
● Sugira à criança/jovem que fale sobre o que está a fazer no momento, para aumentar o seu período de
atenção;
● Encoraje a criança/jovem a sublinhar as palavras-chave das instruções;
● Durante a exposição de matéria diga frases como “Isto é importante” e alterne o tom de voz;
● Desloque-se na sala enquanto expõe a matéria;
● Procure sentar a criança/jovem na primeira fila, de costas viradas para a maior parte dos restantes alunos, 1
para se distrair menos. Caso não seja possível, tente sentá-lo perto de alunos sossegados, que sejam bons
exemplos de comportamento.
● Sente-o longe da janela e de outras fontes de distracção;

Adriana Cruz Silva | PSICÓLOGA CLÍNICA E TERAPEUTA FAMILIAR


● Sempre que possível, escolha a parte da manhã para sugerir as actividades que exigem mais concentração.
Caso o aluno tome medicação, aproveite a altura do dia em que está sob o seu efeito para ele efectuar
actividades de maior exigência.
● Alterne actividades menos atractivas com actividades que aluno gosta mais;
● Coloque uma cartolina na parede para pintar/colocar pontos de cada vez que a criança terminar uma
tarefa – para além de funcionar como registo do bom comportamento, aumentará o rendimento do aluno e
também funciona como pretexto para que se vá levantando para colocar o ponto e nesse intervalo possa
“mexer-se”;
● Existem exercícios que podem ajudar no desenvolvimento da atenção/concentração, tais como: discriminação
visual de estímulos gráficos, ordenação de séries, procura de sinónimos; exercícios de completamento de
frases, procura de sinónimos, labirintos, puzzles.

A PREVENÇÃO
• A criança/jovem com PHDA tem dificuldade em adaptar-se à mudança. Como tal, crie algumas rotinas
durante as aulas, para diminuir ao máximo a existência de rotinas. Também se deverá avisar previamente a
mudança destas sempre que ocorrerem;
• Relembre os comportamentos que espera da criança/jovem;
• Explique claramente o que o aluno não pode fazer na sala de aula;
• Evite dar ordens múltiplas;
• Permita que o aluno saia da sala de aula por uns momentos e dê-lhe oportunidade de se movimentar antes
de incomodar os outros colegas (p. e.: ir buscar uma folha à secretária, dar recados fora da sala, distribuir
material pelos colegas, permitir que vá ao WC);
• Combine com a criança um sinal secreto (p.e.: uma palavra – código; um toque no ombro), que deverá
fazer/dizer sempre que sentir que ela já não se está a conseguir controlar.

A RECOMPENSA E A PUNIÇÃO
• Procure dar feed-back correctivo imediato, dando recompensas ou multas logo após o comportamento do
aluno;
• Evite demorar muito tempo a devolver os resultados das avaliações aos alunos e corrija sempre os TPC.
Ofereça reforço positivo ou negativo imediato conforme o resultado da avaliação (p.e.: Escrever uma nota
no caderno);
• Organize mapas onde são registados os comportamentos da criança, com símbolos diferentes para os
comportamentos adequados e os comportamentos menos adequados. Substitua, no fim de cada semana ou
mês, os símbolos por recompensas ou multas. Assinale os progressos e comunique à família;
• Faça elogios, devendo estes ser claros e referir-se ao comportamento do aluno (é mais eficaz dizer “fizeste
uma composição muito bonita” do que apenas dizer “Muito Bem”);
• Deve-se evitar o mais possível o recurso a castigos desnecessários ou injustificados. Prefira ignorar os
comportamentos menos adequados quando estes não são demasiado graves, mas seja inflexível nos
comportamentos graves (que não pode tolerar) e opte por reforçar sempre os bons comportamentos;
• Perante algo que o aluno faça de errado, encontre formas discretas de lhe explicar o que fez mal e o que
deveria ter feito, evitando humilhá-lo em frente dos outros;
2
• Reforce não só os resultados mas também o esforço que a criança empregou para os atingir;
• Exemplos de prémios/recompensas: rebuçado, m&n, ser o primeiro a ir ao recreio, apagar o quadro,
berlindes, fazer recados, sorriso, um louvor em frente da turma, ficar na sala a arrumar com o professor, não
levar TPC, etc.

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A ORGANIZAÇÃO
• Procure implementar e promover a criação de estratégias de estudo, ensinando-o a tomar notas, procurar
informação, recolhê-la e organizá-la, a realçar a parte mais importante da matéria, a distinguir o que é
realmente importante e o que não necessita ficar retido na memória;
• Crie listas com as actividades /trabalhos que a criança terá que realizar e coloque-as num local bem visível.
À medida que as for concluindo, a criança pode riscar a actividade dessa lista;
• Ajude a criança a utilizar uma agenda de trabalhos de casa. Liste os deveres, a data de entrega e os
livros/materiais necessários. Recorde a criança que deverá consultar a agenda no final de cada dia, para se
assegurar que está tudo em ordem;
• Permita que o aluno coloque um relógio na sua secretária, para poder controlar o tempo que demora a
fazer as tarefas;
• Ajude a manter a área de trabalho da criança livre de materiais desnecessários, reduzindo os estímulos que
possam provocar distracção;
• Promova o cumprimento dos horários, premiando o aluno sempre que ele terminar as tarefas a tempo;
• Procure dividir as tarefas em pequenas etapas e sugira que seja feita uma etapa de cada vez. Proponha
tarefas de curta duração e bem definidas.
• Dê tempo extra para acabar as tarefas que são realizadas na sala de aula e não penalize o aluno por
necessitar desse tempo extra.

A MATÉRIA
• Uma vez que a criança com PHDA tem mais dificuldade em organizar o pensamento (respondendo antes de
pensar) e têm dificuldade em aprender com os erros cometidos no passado, estas dificuldades acabam por
se reflectir na aprendizagem de alguns conteúdos escolares como é o caso da matemática. Como tal, ajude a
criança a dividir a resolução do problema por etapas mais pequenas;
• Algumas crianças com PHDA têm dificuldades com a escrita – a criança pode ter bastante à vontade a falar
e ter dificuldade em passar a informação para o papel. Neste caso, limite a quantidade de trabalhos
escritos, facilite o uso de computador em crianças mais velhas; não dê ênfase excessiva à
“apresentação”/erros ortográficos e foque-se mais no conteúdo; em certos casos, considere apoio especial
dirigido à caligrafia.
• Se a criança apresentar falta de precisão na leitura, o professor deve incentivar, numa fase inicial, à leitura
de textos pequenos e aumentar o seu tamanho e grau de dificuldade progressivamente.

A AVALIAÇÃO
• Modifique as normas de avaliação e avalie o aluno tendo em conta as suas aprendizagens, para evitar
frustrações e desmotivação;
• Prefira a realização de vários mini-testes entre os testes principais.
• O tempo limite para a realização dos testes deve ser aumentado;
• Se possível, tente confirmar se a criança respondeu a todas as questões;
• Facilite que alguém possa ler as perguntas em voz alta;
• Opte e/ou complemente a avaliação com provas orais.
• Tenha atenção quando os testes são de escolha múltipla: este nem sempre é o melhor método de avaliação 3
da criança com PHDA, visto que tem tendência para ficar confusa e assinalar a opção errada ou pode ficar
frustrada e assinalar os itens sem os ler. Opte por perguntas pouco elaboradas, o mais breve e directas
possíveis, cuja ideia seja clara e que exijam uma resposta não muito comprida. Pode-se recorrer ao destaque

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do que se pretende da questão (letras maiores e em negrito). Outra opção é o complemento de frases
(espaços em branco).

OS TPC
• Limite os TPC para que estes não sejam sentidos como um castigo e reporte-se apenas aos conteúdos
apresentados em cada aula e que permitam a revisão da matéria dada;
• Articule com a família no sentido de saber qual a disponibilidade desta em ajudar e supervisionar a criança
na realização dos TPC. Certifique-se que a criança terá tempo suficiente para os realizar;
• Faça propostas apelativas e lúdicas que saiba que o aluno vai conseguir fazer sozinho, sem precisar que
alguém os faça com ele ou sem precisar de os copiar por outro colega;
• No inicio, peça ao aluno para elaborar tarefas menos complicadas. Divida as tarefas em pequenas parcelas
e permita que, no inicio, a quantidade de tarefas do aluno seja menor comparada com as tarefas dos
restantes alunos da turma. A realização deste tipo de actividades vai aumentar a sua motivação para
estudar e melhorar a auto-estima. Aumente o grau de dificuldade progressivamente;
• Corrija sempre os TPC, dando imediatamente o reforço positivo ou negativo, conforme o caso. Dê valor não
só à qualidade do trabalho, mas também ao esforço realizado (mesmo que os exercícios não estejam
totalmente correctos);
• Tenha sempre em conta os conhecimentos da criança, assim como as suas capacidades de realização nas
tarefas propostas.

TÉCNICAS PARA O ESTUDO


● Auxiliar a criança a organizar os deveres e a saber exactamente o que tem que fazer (por exemplo, no
inicio da planificação do trabalho, deixar notas em locais estratégicos que ajudem a criança/jovem depois a
orientar-se mais autonomamente nas actividades);
● Decidir com a criança a melhor hora para fazer os deveres, de forma a ter um bom nível de concentração;
● Estabelecer um local fixo para realizar os deveres (iluminado, sem T.V. e com o material facilmente
acessível);
● Permitir pausas;
● Permitir que a criança controle o tempo que demora a realizar os trabalhos e estimulá-la com uma
actividade atractiva que ele poderá fazer no fim (por exemplo: no fim dos trabalhos, podes ir 15 minutos
para o computador).

O COMPORTAMENTO
A criança/jovem com PHDA tem tendência para agir sem pensar, apresentando dificuldades em entender relações
causa-efeito.
• Afirme assertivamente o que a criança deverá fazer (“volta imediatamente para o trabalho”) e não se limite
a comentar o que a criança está a fazer (“não estás a prestar atenção”);
• Registe o comportamento da criança (adequado ou não) para posteriormente avaliar se houve evolução;
• Sempre que o aluno esteja a perturbar o funcionamento da aula (P.E.: fazer barulho batendo os objectos uns
nos outros) introduza um momento de silêncio absoluto e peça para ele se dirigir ao “canto do silêncio”
4
(espaço da sala de aula mais isolado, sem qualquer estímulo distractor, reservado para os alunos pensarem
nos seus comportamentos). Uma outra estratégia é, disfarçadamente, tentar substituir os objectos com que a
criança está a brincar e a fazer barulho, por outro que não perturba o funcionamento da sala de aula (p.e.
borracha, bola de borracha, etc.);

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• Sempre que fizer uma pergunta ao aluno, peça-lhe que espere 15 segundos até dar a resposta, para que
ele treine pensar antes de responder;
• Avise a criança de que deve sempre reverificar os trabalhos antes de os entregar;
• Valorize as actividades motoras, de modo a evitar longos períodos de permanência à mesa ou sentado.

MANTENHA E REFORCE A AUTO-ESTIMA DA CRIANÇA


• Promova o desempenho em áreas fortes da criança;
• Reforce comportamentos e desempenhos adequados em público e em privado;
• Evite pedir publicamente à criança para executar uma tarefa que seja muito difícil para ela;
• Reforce a sua atenção mais no reforço positivo que nas respostas negativas.

OS COLEGAS
A criança/jovem com PHDA tem dificuldades no relacionamento com os pares e o seu comportamento impulsivo
nem sempre é aceite nem entendido pelos outros.
• Facilite a proximidade do aluno com um colega com o qual estabeleceu uma relação afectiva privilegiada e
que represente, de alguma forma, um “modelo de produtividade e de cooperação”;
• O aluno com PHDA deve ser ajudado pelos colegas que têm melhores resultados escolares, mas também
deve ser estimulada a ajudar as outras crianças;

A FAMILIA
• Combine encontros frequentes com a família, fale dos progressos e evite que os encontros sejam sinónimos de
denúncia de problemas e crise. Comunique à família os esforços sentidos da parte da criança e não apenas
os objectivos totalmente atingidos;
• Procure enviar à família uma lista com o TPC a realizar durante a semana, os objectivos a atingir e as datas
das avaliações. Notifique imediatamente a família (por telefone, e-mail) sempre que os TPC estão
incompletos ou atrasados;
• Certifique-se que os pais têm conhecimentos dos recados que lhes envia.

“Apenas Juntos Conseguimos Operar a Verdadeira Mudança, rumo aos CAMINHOS da Felicidade e Bem - Estar…”
Obrigado pela SUA colaboração!!!

Adriana Cruz Silva

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