Curso de Educação Multicultural na Guatemala
Curso de Educação Multicultural na Guatemala
Educação Multicultural
e Intercultural
USAC
TRICENTENÁRIO EFPEM PROGRAMA ACADÊMICO DE
ESCOLA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DO SEGUNDO
SEGUNDO
DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE
Universidade de São Carlos da Guatemala
PROFESSORES
Apresentação
O curso de Educação Multicultural e Intercultural integra o currículo das carreiras de Docência
de Educação Intercultural para o Ensino Básico, Pré-primário e Ensino Intercultural Bilíngue,
do Programa Académico de Desenvolvimento Profissional Docente - PADEP/D. Que faz parte
da estratégia de Profissionalização de Recursos Humanos do Ministério da Educação, que se
desenvolve em coordenação entre o Ministério da Educação e a Escola de Formação de
Professores do Ensino Secundário -EFPEM- da Universidade de San Carlos de Guatemala-
USAC.
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Índice
Nota de ensino
Programa geral do curso
Dados gerais
Descrição
Metas
Competências
Dosagem de conteúdo
Metodologia
Avaliação
Pessoalmente 1
Educação Multicultural e Intercultural.
Multiculturalidade na História da Guatemala.
Interculturalidade na História da Guatemala.
Intraculturalidade e Endoculturação.
A Guatemala é um país multilíngue, multiétnico e pluricultural.
Significado e significado da interculturalidade na educação guatemalteca.
Pessoalmente 2
Cultura e Identidade
Identidade pessoal, autoestima e valores
Identidade étnica e cultural
Identidade nacional
Identidade a partir da cosmovisão
Desigualdade na sociedade guatemalteca
Os Nahuales
Referências
3
Nota de ensino
O facilitador deve promover um clima positivo na sala de aula que promova a participação
professor-aluno, baseado na equidade e no respeito mútuo.
Cada sessão presencial começa com um feedback sobre o tema abordado na semana
anterior, para reforçar novos conhecimentos e sanar dúvidas.
Cada novo tema começa com uma breve introdução e uma atividade que visa explorar os
conhecimentos prévios que os professores-alunos possuem sobre o tema; para enriquecer
os temas das sessões presenciais.
O facilitador deverá utilizar a técnica oral dinâmica para estabelecer os conhecimentos que
compõe o curso.
Evitar o abuso do trabalho em equipe com o objetivo de otimizar o tempo das sessões
presenciais e assim atingir as competências do curso.
Nos módulos você encontrará ícones para orientar o facilitador na localização das
atividades de aprendizagem estabelecidas em cada sessão presencial.
A
B
Lembrar: Refletir:
4
Dados gerais
Curso: Educação Multicultural e Intercultural
Ciclo comum
Sábado (4 horas, manhã ou tarde)
Duração: 32 horas. 8 sessões
1. Descrição do curso
O curso Educação Multicultural e Intercultural faz parte do currículo do Programa Acadêmico de
Desenvolvimento Profissional Docente -PADEP/D-, que está sendo desenvolvido atualmente
pela Escola de Formação de Professores do Ensino Secundário da Universidade de San Carlos
da Guatemala em coordenação com o Ministério de Educação da Guatemala.
Metas
Em geral:
Promover a reflexão do professor-aluno sobre as características históricas, políticas,
econômicas, culturais e sociais da Guatemala e desta forma atuar em suas salas de aula para
promover a unidade na diversidade, apoiando o trabalho pedagógico na alteridade para
alcançar um país intercultural através da Educação.
Especificidades:
• Analisar as características da sociedade guatemalteca e a forma como determinam a
situação atual.
• Promova a identidade nacional, étnica e pessoal através de diferentes estratégias de
aprendizagem.
• Identifique as quatro cidades que compõem a sociedade guatemalteca.
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2. Competências Estruturais
• Utiliza criticamente o conhecimento dos processos históricos a partir da diversidade dos
povos do país e do mundo, para compreender o presente e construir o futuro.
• Respeitar, conhecer e promover a cultura e visão de mundo dos Povos Garifuna, Ladino,
Maia e Xinca e de outros Povos do mundo.
• Vivenciar e promover a unidade na diversidade e a organização social com equidade,
como base do desenvolvimento plural.
• Utiliza o diálogo e diversas formas de comunicação e negociação como meio de
prevenção, resolução e transformação de conflitos, respeitando as diferenças culturais e
de opinião.
D. Propõe soluções para enfrentar os conflitos na vida familiar e escolar com base em
princípios interculturais e democráticos.
• Use o diálogo e o consenso na resolução de problemas.
• Utilizar o conhecimento e as experiências dos adultos na resolução de conflitos.
E. Valoriza a sua identidade pessoal, familiar, social, étnica e cultural de grupo, bem
como a sua participação, a dos pais e colegas no desenvolvimento das atividades em
família e em sala de aula.
• Respeite as diferentes identidades na sala de aula para uma coexistência pacífica.
• Valoriza as relações interétnicas e étnicas para manter a harmonia dentro da sala de
aula.
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F. Evidenciar equidade e bom tratamento nas suas relações interpessoais, étnicas e
interétnicas na família, na escola e na sua comunidade.
• Valoriza a equidade e as relações étnicas e interétnicas em todas as esferas sociais,
económicas e políticas.
• Pratique um bom tratamento nas relações interpessoais com seus colegas de sala de
aula.
Pessoalme Número de
Módulo Teste conteúdo e programação
nte horas
Introdução
Teste: Aplicação de avaliação diagnóstica ou
Pré-teste.
Educação Multicultural e Intercultural.
Multiculturalidade na História da Guatemala.
1 Interculturalidade na História da Guatemala. 1 4
Intraculturalidade e Endoculturação.
A Guatemala é um país multilíngue, multiétnico e
pluricultural.
Significado e sentido da interculturalidade na
educação guatemalteca.
Cultura e Identidade.
Identidade pessoal, autoestima e valores.
Identidade étnica.
Identidade cultural.
Identidade nacional.
Identidade a partir da cosmovisão.
Desigualdade na sociedade guatemalteca.
1 Os Nawales. 2 4
Equidade.
Equidade de género, étnica e social.
Equidade, igualdade, preconceito e estereótipo.
Género e etnia – género e poder.
2 Avaliação parcial I. 3 4
Discriminação
Formas de discriminação, suas causas e efeitos na
2 4 4
sociedade.
Discriminação, racismo e exclusão social
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Estratificação social.
Visão de mundo.
Entrega do portfólio (primeira parte).
Direitos dos Povos Indígenas.
O papel da Escola na Educação Multicultural e
3 5 4
Intercultural.
5. METODOLOGIA
O conteúdo do curso será desenvolvido presencial e remotamente. O aluno deverá frequentar
presencialmente oito sábados consecutivos, dedicando quatro horas por sábado ao curso,
totalizando 32 horas. A distância, o professor-aluno deverá desenvolver as atividades
pedagógicas que o curso sugere para completar o aprendizado presencial, construindo assim
seu próprio conhecimento, que acumulará em um portfólio que evidenciará seu aprendizado.
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As experiências de aprendizagem propostas em cada um dos módulos são:
6. AVALIAÇÃO
Requisito para ser elegível ao exame final é ter obtido um mínimo de 80% de assiduidade e
uma área mínima de 31 valores. A zona acumulada é de 70 pontos e o curso considera-se
aprovado se o aluno obtiver uma pontuação de 61 pontos.
Pessoalmente 1
Tópicos:
1
0
Multiculturalidade na História da Guatemala.
Intraculturalidade e Endoculturação.
Introdução
O facilitador se apresenta e dá as boas-vindas aos professores-alunos e indica o nome do
curso e seus objetivos.
Os temas listados no presencial nº. 1, são a base para compreender a importância que o curso
tem em relação à prática pedagógica que os professores-alunos realizam em sala de aula com
os alunos sob seus cuidados.
O facilitador deverá explicar de forma detalhada e clara a metodologia que será utilizada
durante o desenvolvimento do projeto, bem como a data de entrega.
1
1
Atividade 1. Avaliação diagnóstica (pré-teste)
Técnica: Avaliação escrita
Estratégia:
• O facilitador solicita que os professores-alunos sigam as instruções precisas para
responder o Pré-teste, diagnosticar conhecimentos prévios e complementá-los durante o
desenvolvimento do curso.
Atividade 2
Técnica: Brainstorming
Estratégia:
• O facilitador aplica a técnica de brainstorming para detectar os conhecimentos prévios
dos professores-alunos, em relação à Educação Multicultural e Intercultural.
• O facilitador distribui aos grupos de trabalho de cinco membros, imagens ilustrativas que
refletem a Multiculturalidade, a Interculturalidade, a Intraculturalidade e a
Endoculturação. (Material preparado pelo facilitador).
1
2
Becker e Richards Crioulos, termo que designa na época colonial os espanhóis
(1992) Afirmam. nascidos na América, sem qualquer tipo de miscigenação, com
“Adquirimos cultura ascendência indígena, descendentes dos conquistadores. (Antigos
através da crioulos)
aprendizagem,
desde o momento Os espanhóis peninsulares são aqueles que chegaram à
em que nascemos. Guatemala como funcionários do sistema e ambiciosos emigrantes
A forma como um das riquezas do novo mundo. (Novos crioulos)
bebê é alimentado,
banhado ou Se houve desigualdade e confronto entre os espanhóis devido à sua
vestido já reflete origem; A situação do índio (assim chamado pelos espanhóis) desde a
aspectos da consolidação da conquista foi de abusos e maus-tratos até chegar à
aplicação da escravidão.
cultura” (p.7).
Esses abusos e maus-tratos foram sofridos especificamente pelas
mulheres indígenas, onde segundo Fuentes (1932) “O sequestro e
estupro de mulheres indígenas durante a conquista foi um fenômeno
tão frequente quanto o roubo de alimentos, joias e outros bens. A
mesma impunidade presidiu a todas estas formas de pilhagem” (p.431).
CHAPIN
Termo Situação que começa com a mistura entre indígenas e espanhóis, os
discriminatório filhos resultantes dessa união são chamados na conquista: Mestiços
cunhado pelos
espanhóis em Durante a conquista e início da colônia, a miscigenação era muito fácil
relação aos de identificar e categorizar, mas à medida que esses mestiços
guatemaltecos cresceram e formaram suas famílias com outros segmentos
como produto do populacionais, tornou-se ainda mais complicado categorizar de acordo
desconforto dos com a origem.
espanhóis em
chamá-los de Severo (1970) “Na colônia surgiram três tipos de mestiços que eram
GACHUPIN propriamente “mestiços”; a procriada por um espanhol com uma negra,
Também podemos chamar de básico: aquele criado pelos espanhóis com a Índia, que foi
chamado “mulata”; aquela procriada por um negro com uma índia chamada “zambo”.
chamada
”(pág.267).
Neste momento também surge (1524) “o conceito ladino é mais amplo que o mestiço porque
inclui os negros” (p. 274).
O conceito ladino é utilizado para se referir a todos aqueles povos que não eram indígenas,
espanhóis ou descendentes puros de espanhóis.
1
3
Os espanhóis, os crioulos e os tipos básicos de mestiços mencionados acima coexistem na
sociedade guatemalteca até hoje, e desde o seu surgimento
& coexistiram, ou seja, ocorreu o que se chama de Multiculturalismo,
REFLEXÃO porém este preceito é limitado, por isso é necessário nos
aprofundemos um pouco mais e para isso vamos analisar o que
Você considera Giménez, C. diz sobre isso. (2000) “A multiculturalidade tem dois
um orgulho significados. A primeira é simplesmente a descrição da diversidade
chamar-se cultural que existe num determinado território, uma realidade que aí
CHAPÍN? existe, que não temos que imaginar ou inventar. A segunda é como a
Considera que vida social e pública deve ser organizada com base nessa diversidade.”
este período deve Portanto, embora seja importante ter em conta a descrição do aspecto
ser promovido na multicultural, é de maior importância analisá-lo, estudá-lo, fortalecê-lo e
Escola junto dos praticá-lo, apoiado na organização social e na diversidade; Para isso é
seus alunos, como necessário consolidar a identidade étnica para alcançar uma identidade
parte integrante da nacional onde cada guatemalteco sinta e pratique o orgulho de ser um.
identidade
nacional? Por isso é tão necessário que ao falarmos em multiculturalismo
enfatizemos a aceitação e o fortalecimento do outro, entendendo isso
como a maneira particular e diferente que a sua própria cultura tem
seus próprios costumes e atitudes e que sem motivo devemos tentar
igualar mas não menosprezar, simplesmente visualizar e aceitar que o
caminho para o desenvolvimento político, económico, cultural e social é
respeitar as diferenças e não esquecer a unidade na diversidade.
Outra perspectiva é:
O multiculturalismo está representado até hoje na vida cotidiana; de cada guatemalteco quando
observamos a coexistência dos quatro povos, mas sem nenhuma relação maior do que a
satisfação de alguma necessidade específica que proporcione benefício econômico, social,
cultural ou social; Em ocasiões muito limitadas é representada uma inter-relação entre culturas,
aspecto originado pelas características contextuais da nossa sociedade, onde desde o
momento da invasão (conquista) foi utilizada a estratégia de divisão para atingir fins nefastos,
1
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de um sistema baseado na desigualdade social , como ferramenta de dominação e
enriquecimento para poucos e carência para muitos; Portanto, é imperativo encarar o
multiculturalismo como um aspecto positivo, mas utilizado em benefício da maioria, respeitando
a nossa grande riqueza cultural.
Este é precisamente o objectivo de um sistema injusto para dividir e distrair a atenção dos seus
habitantes nesta luta baseada na etnicidade; que só provoca maior pobreza nas maiorias e
mais riqueza nas minorias que, no final, este é o objectivo final de qualquer sistema económico
onde tudo é para poucos e nada para muitos; e isso nos leva a uma questão essencial: você
considera que ao longo da História da Guatemala a Interculturalidade foi aplicada? Por
exemplo, uma pessoa Xinca interage com um Garífuna, um Maya com um mestiço, uma Xinca
com um Maya, um Garífuna com um mestiço, ou em todas as combinações possíveis; mas em
que condições? Eles estão relacionados? de patrimônio? Ou você apenas reconhece as
diferenças? E não são os pontos convergentes; muitos guatemaltecos indicam que conseguem
se relacionar com qualquer pessoa de qualquer grupo étnico sem nenhum problema; mas na
vida quotidiana pratica discriminação quando lhe é apresentada uma situação em que a sua
supremacia étnica pode diminuir; É importante destacar que este aspecto foi visualizado em
pessoas pertencentes às quatro cidades que compõem a sociedade guatemalteca; onde os
guatemaltecos de um grupo étnico atacam outros grupos étnicos e vice-versa.
1
5
em pensamentos, práticas e projetos compartilhados que permitem o desenvolvimento de cada
pessoa e de cada cultura. UNESCO Guatemala (sf).
Jiménez, C. (2000). Indica que: A interculturalidade possui algumas características que devem
ser levadas em consideração. (Págs. 20-22).
• Convicção de que existem ligações, pontos comuns, valores comuns entre culturas.
• As culturas não podem desenvolver-se isoladamente, necessitam de interacção e
interdependência com outras.
• É preciso aprender a conviver com outras culturas.
• O interesse das pessoas pelas culturas estrangeiras precisa de ser estimulado, apoiado e
promovido.
• É valiosa a atitude autocrítica das pessoas em relação à sua própria cultura, o que não
significa perda da sua própria identidade cultural ou sentimento de pertença.
• Pesquisa e utilização de pontos comuns, convergências e interesses comuns.
• Disposição para aprender com outras culturas.
• Esforços para prevenir conflitos interétnicos e resolvê-los pacificamente.
• Capacidade de desenvolver projetos de desenvolvimento comuns.
• Superando o etnocentrismo (Sentir que nossa cultura é superior, que os outros são
inferiores, ou atitude pela qual julgamos, entendemos e queremos fazer tudo apenas a
partir de nossas visões culturais)
• Tolerância relativa para com os outros. (Não se trata de tolerar tudo, por exemplo, a
injustiça).
• Encontro profundamente pleno entre pessoas de diferentes culturas: Personalizando a
interculturalidade. Trata-se de “dar uma cara” às culturas.
1
6
Guatemala, país multilíngue, multiétnico e multicultural
Na Guatemala, o confronto armado interno que começou em 1962 ceifou um grande número de
vidas humanas, bem como elevados custos económicos, institucionais e materiais; situação
que fez com que a Guatemala mergulhasse num clima de violência onde houve uma violação
contundente dos direitos humanos; já que a sociedade civil estava envolvida e eles ficaram
presos entre dois incêndios (Força do estado militar vs. Guerrilha), a Comissão de
Esclarecimento Histórico (CEH), registou um total de 42.275 vítimas, entre homens, mulheres e
crianças, 23.671 são vítimas de execuções arbitrárias e 6.159 de desaparecimentos forçados.
Das vítimas identificadas, 83% eram maias e 17% eram ladinas.
1
7
da elite política de direita e dos sectores de poder guatemaltecos,
enquanto aquele país se mostrou disposto a fornecer apoio aos regimes
militares, e assumiu a forma de assistência e reforço do aparelho de
inteligência nacional e de formação de oficiais na guerra de contra-
insurgência; factores-chave que influenciaram as violações dos
direitos humanos durante o confronto armado.
Na Guatemala, o pensamento anticomunista já enraizado desde a década de 1930 como
defesa das tradições, dos valores e da religião foi muito bem recebido, pois já na década de
1950, a alta hierarquia da Igreja Católica classificava como “qualquer posição que
contradissesse o seu discurso”. comunista” contribuindo assim para dividir e confundir ainda
mais a sociedade guatemalteca.
Entre 1978 e 1983, com a expansão da base de apoio e do escopo de atuação da guerrilha, em
diversas regiões do país o Exército identificou os maias como um grupo relacionado à guerrilha.
A consequência desta situação, amplamente documentada pelo CEH, foi. agressão massiva e
indiscriminada às comunidades, independentemente do seu envolvimento real na guerrilha,
bem como com indiferença à sua condição de população civil e não combatente. Com os
massacres, as operações de terra arrasada, os sequestros e execuções de autoridades, líderes
e guias espirituais maias, o objetivo não era apenas quebrar as bases sociais da guerrilha, mas
sobretudo desestruturar os valores culturais que garantiam a coesão. e ação coletiva das
comunidades.
O conflito armado interno causou grande devastação ao longo da história desde o seu início,
culminando com a assinatura dos Acordos de Paz em 29 de dezembro de 1996.
Para chegar à assinatura dos Acordos de Paz, foram necessárias ações prévias em termos de
negociação entre as partes, o Governo da República da Guatemala e a Unidade Revolucionária
Nacional da Guatemala (URNG).
Acordo sobre Que os povos indígenas incluem: O povo Maia, o povo Garifuna e o
Identidade e povo Xinca, e que o povo Maia é constituído por diversas expressões
Direitos dos socioculturais com raízes comuns;
Povos Indígenas
(1995) Que como resultado de sua história, conquista, colonização,
deslocamentos e migrações, a nação guatemalteca
um carácter multiétnico, multicultural e multilingue; Que as partes
reconheçam e respeitem a identidade e os direitos políticos, econômicos, sociais e culturais dos
povos maia, garifuna e xinca, dentro da unidade da Nação e da indivisibilidade do território do
Estado guatemalteco, como componentes dessa unidade .
1
8
Que os povos indígenas têm sido particularmente sujeitos a níveis de discriminação,
exploração e injustiça devido à sua origem, cultura e língua, e que, como
A Guatemala
muitos outros sectores da comunidade nacional, sofrem de tratamento e
é composta
condições desiguais devido à sua condição económica e social .
por quatro (4)
Que esta realidade histórica afetou e continua a afetar profundamente estes
cidades:
povos, negando-lhes o pleno exercício dos seus direitos e da participação
política, e dificultando a configuração de uma unidade nacional que reflita,
Garífuna
na sua devida medida e com a sua plenitude de valores, os ricos fisionomia
Maya
plural da Guatemala.
Xinca Ladino
Que enquanto este problema da sociedade guatemalteca não for resolvido,
o seu potencial económico, político, social e cultural nunca poderá
desenvolver-se em toda a sua magnitude e ocupar no concerto mundial o
lugar que lhe corresponde devido à sua história milenar e a grandeza
espiritual de suas cidades.
3 POVOS Considera-se Acordo sobre Identidade e Direitos dos Povos Indígenas:
INDÍGENA Governo da República da Guatemala e Unidade Revolucionária Nacional da
S Guatemala (URNG) (1995).
Maia A Guatemala é formada por quatro povos: Maia, Garifuna, Xinca e Ladino.
Garifuna
Xinca As quatro cidades visíveis na Guatemala têm características culturais próprias,
mas compartilham o mesmo território e a mesma história; que afecta o seu desenvolvimento
integral como seres humanos, uma vez que a divisão sempre foi encorajada do ponto de vista
étnico, mas que no final a grande maioria é composta por habitantes das quatro cidades e que
vivem em condições de pobreza e extrema pobreza, fenómenos que não discriminam por
serem maias, garífunas, xincas ou ladinos; Portanto, devemos promover a unidade na
diversidade na vida quotidiana e nos aspectos políticos, económicos, sociais, culturais e,
sobretudo, nos ambientes educativos.
1
9
Guatemala, reconhecendo e fortalecendo a identidade cultural indígena, os valores maias e os
sistemas educacionais de outros povos indígenas, o acesso à educação formal e não formal, e
incluindo nos currículos nacionais, os conceitos instituições educacionais indígenas.
Apoiado neste compromisso, o sistema educativo nacional inicia as suas reformas em matéria
de descentralização e regionalização para adaptar a educação às necessidades linguísticas e
culturais; conceder um papel de liderança às comunidades e famílias no que diz respeito aos
interesses educacionais; As concepções educacionais dos povos indígenas estão integradas
em seus componentes filosóficos, científicos, pedagógicos, linguísticos, históricos, artísticos e
político-sociais; Promove-se a educação intercultural bilíngue e valoriza-se o estudo e o
conhecimento das línguas indígenas; que conteúdos que fortaleçam a unidade nacional,
respeitando a diversidade cultural, sejam incluídos nos planos educacionais; Professores
bilíngues e técnicos indígenas são contratados e treinados para desenvolver a educação em
suas comunidades. Vários esforços foram feitos para consolidar esta reforma educativa que até
hoje se constrói com a participação de todos os setores da sociedade e especificamente com
os membros da comunidade educativa; Um desses grandes esforços foi a formulação do
currículo base nacional que foi instituído em 2007 com o propósito de a educação apoiar as
suas ações sob um referencial técnico que define as finalidades da educação, os objetivos da
educação, o seu aspecto filosófico e este documento define o seu aspecto filosófico.
conteúdos, indicadores de desempenho e competências que o aluno deve atingir como produto
do seu processo de formação, em cada uma das áreas estabelecidas para o efeito. Os eixos
transversais no processo educativo do nível inicial pré-primário e primário são de extrema
importância para alcançar uma educação integral em; Esta seção define o eixo do
multiculturalismo e da interculturalidade, que deve ser aplicado em cada uma das atividades de
todas as áreas do Currículo Nacional Base Atual-CNB/V.
2
0
• Educar-nos para a interculturalidade: Aprender a ser intercultural.
Ambos os sentidos são necessários para que possamos tornar a educação intercultural uma
realidade.
A Educação Multicultural busca:
O Currículo Base Nacional responde a essas necessidades dos alunos e visa alcançar uma
aprendizagem significativa onde sejam alcançadas as competências essenciais para se
desenvolver no ambiente de trabalho e social e desta forma os cidadãos
guatemaltecos que tiveram acesso à educação formal se formam com um
perfil educacional de acordo às exigências do mundo globalizado; A
educação intercultural visa estabelecer uma relação entre os
Portfólio conhecimentos dos povos indígenas e a cultura ladina com o objetivo de
que sejam complementares e que se consiga a transformação de um
Colete sistema educativo onde todas as culturas sejam levadas em consideração
informações, para melhorar as condições de vida dos. Guatemaltecos; A orientação
revise as que está sendo dada à educação a partir da reforma educacional é que
informações e os alunos desenvolvam uma visão positiva em relação às outras culturas,
depois escreva 2 respeitando-as através do conhecimento delas; desenraizar o
páginas sobre: pensamento negativo que ocorreu na nossa sociedade em relação à
diversidade étnica; A educação é o melhor veículo para realizar
• Equidade
mudanças estruturais em qualquer país, mas uma educação baseada na
• Igualdade equidade.
• Diferença
entre
ambos.
2
1
É necessário ressaltar que na escola a educação intercultural não é apenas a relação entre
maias e mestiços, mas também com os povos Garifuna e Xinca; As escolas são cada vez mais
interculturais na Guatemala, a migração interna é cada vez mais comum devido às
necessidades económicas das famílias pertencentes às quatro cidades; Portanto, o professor
deve ter clareza sobre o que a educação intercultural busca, a fim de alcançar a unidade na
diversidade na prática social; e vivenciar o multiculturalismo e a interculturalidade na escola.
Não se trata apenas de expressar respeito, nem de realizar danças folclóricas nas atividades
escolares; muito menos solicitar que meninos e meninas se vistam ou (disfarcem) com trajes
indígenas; pois dependendo da forma como as atividades são geridas, pode-se perceber como
a desqualificação de uma cultura ou outra no ambiente educacional é regularmente direcionada
mais para a população maia; Este tipo de ações dentro da escola pode gerar racismo e, longe
de alcançar uma identidade étnica, gera-se desigualdade; Por exemplo, nas escolas é comum
organizar o chamado “mercado”, porém se analisarmos a fundo a mensagem que estamos
passando à criança é que a população maia é a única que deveria estar neste tipo de atividade
laboral já que para o mercado as crianças devem se vestir como indígenas (maias); Portanto,
devemos ter cuidado com o tipo de atividades que planejamos dentro do centro educacional
para não promover os aspectos negativos que tanto dano causaram à sociedade guatemalteca;
e que é mais questionável se são reproduzidos na escola.
2
2
• Elabore material didático com mensagens positivas das quatro cidades.
• Entrevistas com líderes comunitários.
• Entrevista guias espirituais da comunidade.
• Entrevistas com pessoas pertencentes aos quatro municípios que vivem em sua
comunidade.
• Observação direta do tratamento dado à população maia nos mercados por pessoas
pertencentes às quatro cidades.
• Estudos de caso de pessoas pertencentes às quatro cidades.
• Análise crítica da forma como as danças tradicionais maias, garifunas e xincas são
representadas, a nível artístico, dentro e fora da comunidade.
• Relação entre línguas indígenas guatemaltecas e línguas estrangeiras.
Atividade 3
Técnica: Caixa de entrada dupla
Estratégia:
• O facilitador orienta os professores-alunos a lerem o tema: Guatemala País Multilíngue,
Multiétnico e Pluricultural, que aparece no módulo para análise em pares.
2
3
NOME DATA
ÁRVORE GRÁFICA
ESCREVA ALGO SOBRE O TEMA NOS RAMOS DA ÁRVORE
2
4
Para trabalhar em casa:
• Ler o conteúdo das sessões presenciais 1 e 2 do módulo I.
-Glossário:
2
5
Pessoalmente 2
Tópicos
Cultura e Identidade
Identidade pessoal, autoestima e valores
Identidade étnica e cultural
Identidade nacional
Identidade a partir da cosmovisão
Desigualdade na sociedade guatemalteca
Os Nahuales
Introdução
A segunda sessão presencial tem como foco identificar e diferenciar a importância de cada um dos
temas para a aquisição de conhecimento científico na formação de professores-alunos.
Como resultado do exposto, servirá para analisar as desigualdades na sociedade guatemalteca. Para
isso, começaremos pelas definições conceituais de cada tema, para depois entrarmos em suas
análises e reflexões.
Atividade 1
Feedback presencial 1
Técnica: Bingo
Estratégia:
• Feedback da sessão presencial 1 com a técnica de bingo, que se desenvolve da seguinte
forma: O facilitador distribui fichas relacionadas aos temas vistos na aula anterior.
• O facilitador indica os nomes dos temas, e quando um professor-aluno tiver o nome do tema,
explicará em que consiste e assim sucessivamente com os temas da sessão presencial
anterior.
• O facilitador fixa o conhecimento ao final da atividade
Cultura
Malinoswki (citado por Campo, 2008), “Cultura é um conjunto de instrumentos e bens de consumo,
que incluem normas, ideias, ofícios, crenças e costumes que determinam o funcionamento de um
grupo social. Cada um desses aspectos possui uma funcionalidade, um significado dentro da
sociedade, pois seus componentes estão inter-relacionados, ou seja, a cultura é holística. A cultura
também pode mostrar conflitos de papéis, lutas para alcançar o poder.” (pág. 54).
Identidade
Bastos, Cumes e Lemus (2007), “a identidade é um fenômeno social em que diversas dimensões
podem ser distinguidas dependendo do aspecto específico a que nos remetem” (p. 18). As identidades
são uma forma de se representar, assumindo-se como parte de um grupo, ou seja, um “nós”, que é
diferente dos “outros”.
2
6
Identidade pessoal
Identidade pessoal é a percepção individual que uma pessoa tem de si mesma; A consciência da
existência é uma série de dados que se vão adquirindo ao longo da vida, capazes de moldar o padrão
de comportamento e de personalidade. Uma experiência de autoconhecimento sempre nascida do
relacionamento com outras pessoas.
Do nascimento à morte, cada pessoa forja sua autopercepção e autoconhecimento como resultado de
uma interação constante com outras pessoas ao seu redor, seja física ou simbolicamente.
Cada pessoa tem vários papéis na sociedade que os identificam quando os desempenham. Por
exemplo, ser professor escolar identifica-me como funcionário desta profissão, tal como sou
identificado pelo meu sexo, idade, ideologia, etc.
A escola e a sua relação com o desenvolvimento positivo de uma identidade pessoal implicam que
cada aluno alcance elevados níveis de conhecimento de si mesmo, das suas necessidades
emocionais, sociais e culturais derivadas da sua relação com a sua família, a sua comunidade, a sua
escola, os seus amigos e a sociedade. como um todo. Implica também que as pessoas tenham
conhecimento das suas capacidades e habilidades para conviver e contribuir para as atividades,
compromissos e tarefas da vida em sociedade.
A escola deve contribuir para o reconhecimento do valor de cada um dos pertencimentos sociais de
onde provêm os seus alunos, sejam eles étnicos, de género, de idade, de classe social, de família, de
comunidade, etc. Valorizar as origens sociais e culturais dos alunos é um princípio que contribui para
o desenvolvimento positivo das identidades pessoais e estes, ao mesmo tempo, estarão interessados
e respeitarão as identidades dos outros e de todos como um todo.
Cada ser humano assume representações próprias de si e dos outros com base nas ideias, valores e
práticas que aprende e conhece no seu dia a dia, na família, na igreja, nos meios de comunicação,
etc.
Autoestima
Existem diferentes definições de autoestima, no entanto, é geralmente aceito que segundo Paz, E.,
Laylle, C., Estrada, M., de Bethancurt, A., Argüello, S., Avila, C., e outros (2001 ), “autoestima é o que
sentimos e pensamos sobre nós mesmos” (p. 17). É importante destacar que a autoestima se forma
desde cedo e a imagem que formamos de nós mesmos é construída a partir das mensagens que
recebemos dos nossos pais e do que nos rodeia. O que nossos professores, familiares e amigos nos
dizem é registrado e formam-se padrões ou esquemas que servem de parâmetro para medir os outros
e a nós mesmos.
Uma autoestima sólida suscitará o interesse pelos outros, para melhor avaliar as limitações e
potencialidades dos outros com respeito e solidariedade.
Identidade étnica
Para Campo (2008), a identidade étnica é definida como um grande conhecimento de si mesmo como
parte de um grupo étnico específico que é acompanhado por um grande sentimento de respeito e
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orgulho, e isso constitui uma base para o desenvolvimento de um conceito saudável de si mesmo. É
aquele aspecto da autoconsciência individual, que surge do reconhecimento da pertença de um
sujeito à sua comunidade ou grupo social, e que inclui dimensões (valores) emocionais e axiológicas.
Molina (2003), “afirma que identidade étnica seria a solidariedade ou identidade que um grupo social
desenvolve a partir de componentes étnicos, que permitem que ele seja definido pela diferença ou
contraste em relação a outros grupos”. (pág. 22).
Identidade cultural
Segundo Campo (2008), “A identidade cultural é um processo comum a todos os seres humanos e
ocorre em qualquer período histórico ou área geográfica” (p.95). Faz parte da consciência de si, da
consciência de pertencer a uma comunidade, da diferença específica com os outros e está ligada a
espaços ideológicos.
Identidade Nacional
O que a identidade nacional procura é formar uma nação inclusiva, tendo em conta todas as
necessidades da comunidade sem qualquer discriminação.
Os Nawales
Segundo o livro dos Nawales Maias (2012), explica que a pessoa é um nawal. Mulher e homem
são uma síntese cósmica: planta, animal, mineral e energia cósmica, nós somos o universo; A
pessoa está dentro da rede de relacionalidade cósmica. O ser humano é ouvinte no sentido de
observador cósmico e obediente.
Atividade 2
Técnica: A mão questionadora
Estratégia:
• O facilitador promove a participação ativa dos professores-alunos para diagnosticar o nível
de conhecimento relacionado ao subtema.
• Será aplicada a Técnica: A mão questionadora, que consiste em pedir a cada professor-
aluno que desenhe o contorno da parte interna de sua mão, depois desenhe as linhas da
palma da mão, e compare com isso, o facilitador estabelece que Não conhecemos as linhas
da nossa mão e muito menos conhecemos as outras porque somos diferentes e únicos.
• Escreva as seguintes perguntas em cada um dos dedos da silhueta da mão: Quem sou
eu? O que eu sou? Como estou? Com quem estou? Para onde estou indo?
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2
9
• Discussão completa dos resultados, sobre identidade pessoal, identidade étnica e cultural,
identidade nacional, autoestima e valores, tomando cada uma das questões como referência.
• O professor-aluno registra em uma matriz a ação, como vive e pratica em sala de aula. O
formato de inscrição possui 6 colunas registrando os seguintes subtópicos: Identidade
pessoal, Identidade étnica, Identidade nacional, Autoestima e valores.
Matriz: Registre a ação, como você vive e pratica os subtópicos em sala de aula.
Identidade Identidade Identidade Identidade Autoestima Valores
pessoal étnica cultural nacional
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0
• Primeira Avaliação Parcial
Lembra-se ao facilitador que a primeira avaliação parcial ocorre na terceira sessão presencial.
Utilizar instrumento de avaliação anexado em anexos.
PARA
Nota Importante: Para trabalhar em casa:
Durante o
Glossário: Selecione cinco conceitos significativos, defina-os e ilustre-
desenvolvimento
os e adicione-os ao portfólio.
das sessões
presenciais, é
importante que o
facilitador oriente e
aconselhe os
professores-alunos
relativamente aos
temas nodais do
curso.
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1
Referências
Campo, l. (2008). Dicionário básico de antropologia. Quito Equador: Editorial. Abya Yala.
Ministério da Educação MINEDUC, (2007). Currículo Nacional Base CNB nível pré-primário.
Guatemala.
Paz, E., Laylle, C., Estrada, M., de Bethancurt, A., Argüello, S., Avila, C., e outros. (2001).
Manual abrangente de educação preventiva. Guatemala: Piedra Santa Editorial.
Secretaria da Paz. (1995). Acordo sobre Identidade e Direitos dos Povos Indígenas.
Guatemala: MINUGUA Editorial.
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