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Cognitiva

O documento aborda a transição do behaviorismo para a psicologia cognitiva, destacando a mudança de foco do comportamento em resposta a estímulos para os processos de conhecimento e a organização da experiência pela mente. Discute a crise do paradigma behaviorista e a influência de teorias externas, como a cibernética e a psicolinguística, além de mencionar figuras importantes na psicologia cognitiva, como George Miller, Ulric Neisser e Jerome Bruner. Por fim, apresenta métodos utilizados na psicologia cognitiva, incluindo introspecção, estudos experimentais e simulações computacionais.

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Cognitiva

O documento aborda a transição do behaviorismo para a psicologia cognitiva, destacando a mudança de foco do comportamento em resposta a estímulos para os processos de conhecimento e a organização da experiência pela mente. Discute a crise do paradigma behaviorista e a influência de teorias externas, como a cibernética e a psicolinguística, além de mencionar figuras importantes na psicologia cognitiva, como George Miller, Ulric Neisser e Jerome Bruner. Por fim, apresenta métodos utilizados na psicologia cognitiva, incluindo introspecção, estudos experimentais e simulações computacionais.

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Psicologia Cognitiva

Paradigma anterior: Behaviorismo

Mantém-se:
- Comportamento como adaptação ao meio
- Metodologia Experimental

O que muda?

Behaviorismo Psicologia cognitiva

- Foco na resposta a - Foco nos processos de


estímulos conhecimento
- Mente “tábua rasa” - Mente organiza a
- Indivíduo passivo a experiência
responder ao meio (característica inata)
- Indivíduo criativo a
“arranjar” a informação

Crise do Paradigma Behaviorista

Os pressupostos (associacionistas) do Behaviourismo são postos em


causa por:

Reducionistas: o complexo reduz-se ao simples

Conexionistas: os princípios associativos ligam Estímulos (S) a


Respostas (R)

Sensorialistas: os termos são ou S (estímulos físicos) ou R


(respostas musculares e ou glandulares)
Movimentos exteriores à Psicologia

 Teoria da Comunicação (Shannon e Weaver, 1948


 Input, output, canal, ruído, bit
 Analogia (reducionista) mente - canal
 Ciências computacionais (Wiener, 1948)
 Projéctil capaz de corrigir trajectória: feedback
 Noção de “Cibernética” (sistemas de controlo)
 Metáfora do computador (Hardware, software, etc.)
 Psicolinguística (Chomsky)

Hexágono Interdisciplinar

Psicologia Linguística

Ciência
Antropologia Cognitiva Neurociência

Int.
Artificial Filosofia

Metáfora do Computador

 A mente humana, o cérebro e o computador são instâncias de um


mesmo tipo de sistema
 Hipótese de base: o comportamento é determinado pelo fluxo interno
de informação
 Objecto da Psicologia: processamento da informação

Nota: trata-se de uma analogia FUNCIONAL, ou seja, é o “software” que é


comparável, nunca o “hardware”
Alguns nomes ligados à história da Psicologia Cognitiva

Precursores:
- Tolman (mapas cognitivos)
- Bartlett (esquemas)
- Piaget (estádios, estruturas, esquemas,...)

Fundadores:
- Miller, Neisser, Bruner, Broadbent

George Miller (1920 - )

Formado em Língua Inglesa na Un. Alabama, interessa-se pela psicologia e


vai trabalhar no laboratório de psicoacústica de Harvard.

1946 – Termina PhD e começa estudos de psicolinguística


1951 – Language and Communication
Anos 50 – Apesar de aceitar as posições behavioristas dominantes (“The power, the
honors the authority, the textbooks, the money, everything in psychology was
owned by the behavioristic school… those of us who wanted to be scientific
psychologists couldn’t really oppose it”), apercebe-se de que o Behaviorismo não

pode explicar os fenómenos humanos. Orienta-se mais para os


processos cognitivos. Uma alergia ao pêlo de animais afasta-o dos
laboratórios.
1956 – Miller apresenta no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), num
simpósio sobre teoria da informação, “The magical number seven, plus or

minus two: some limits on our capacity for processing information”.


Newell e Simon apresentam “A máquina da teoria lógica”). Chomsky
apresenta “Três modelos de linguagem”.
1960 – Funda, juntamente com Bruner, na Un. de Harvard, o Center for
Cognitive Studies. Os primeiros alunos referem que, na altura, ninguém sabia muito
bem o que queria dizer “cognitivo”, mas era claro que o ambiente era contra o
behaviorismo dominante. Neste Centro estudam-se os grandes temas da psicologia
cognitiva: linguagem, memória, percepção, formação de conceitos, pensamento,
psicologia do desenvolvimento, ou seja, muitos dos temas tabu para os behavioristas.
1960 – Miller, Galanter e Pribram: “Plans and the structures of behavior”.
Neste livro, anunciam o fim do behaviorismo e do seu limitado modelo do arco –
reflexo e propõe que o comportamento seja visto como um processo cibernético,
organizado em vários níveis e onde, através do feedback, é possível que actuem planos,
tácticas e estratégias. A unidade básica, em vez do arco – reflexo, seria o TOTE (Test
– Operate – Test – Exit). A psicologia deveria estudar estes planos e outros conceitos
mentalistas. O ser humano pode ser concebido um sistema processador de informação.
O computador é um potencial simulador da mente humana.

1969 – Presidente da APA

Ulric Neisser (1928 - )


Licenciado em física. Atraído pelos trabalhos de Miller, muda para
psicologia. Influenciado pelos gestaltistas.
Anos 50: estuda com Kohler
1956 – Termina PhD
1967 – Publica “Cognitive Psychology”, livro que aborda a cognição em
referência aos processos “…pelos quais o input sensorial é
transformado, reduzido, elaborado, armazenado, recuperado e usado… a
cognição está implicada em tudo o que um ser humano possa fazer”.
1976 – Em “Cognition and Reality”, expõe a sua visão crítica sobre as
opções da psicologia cognitiva.

Jerome Bruner: (1915 - )


Estudou com Mc Dougall e Boring, foi professor em Harvard e
fundador do MIT
Anos 40 - 50: “New Look”. Uma nova forma de olhar para a percepção.
Experiências célebres com crianças ricas e crianças pobres, em tarefa de distinguir o
tamanho de moedas e comparar essa percepção com a percepção de chapas metálicas de
dimensões iguais. Os meninos pobres erravam muito pouco a avaliar as moedas de
pequeno valor e sobreavaliavam as moedas de elevado valor, ao contrário dos ricos.
Estes e outros estudos levam Bruner a defender que os motivos, as emoções, as
necessidades, expectativas e, em última análise, os factores culturais, actuam sobre a
percepção.
1956: “A Study of Thinking” (com Goodnow e Austin). Livro em que se
estuda o pensamento (em concreto, a formação de conceitos) de forma
experimental.
1990: “Acts of Meaning”. Uma das mais importantes críticas à “Revolução
Cognitiva”. Bruner considera que a Psicologia Cognitiva se desviou do seu impulso
reformista inicial, que seria o de devolver a mente às ciências sociais, com a noção de
“significado” a ter um papel central. Mas em vez disso, foi sim a “informação” e o seu
processamento que se apoderou da psicologia. E a informação é processada sem ter em
conta o valor simbólico, dado por cada cultura (ex: será igual ler a lista telefónica e um
poema de Pessoa?)

Bruner sugere uma Psicologia Cultural

Conceito Central: o Significado


Cultura com elemento constitutivo da mente
O que interessa conhecer é a “folk psychology”, ou psicologia comum.

OS MÉTODOS EM PSICOLOGIA COGNITIVA (Vega, 1984)

Introspecção
(Think Aloud Protocols, questionários pós-experimentais, etc.)
Estudos Experimentais
Estudos cronométricos (os Tempos de Reacção tem uma relação
directa com os processos mentais
Paradigmas de aprendizagem verbal (memória)
Utilização do computador
Simulação
Inteligência Artificial

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