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“A nossa casa era mesmo defronte da

feira, o meu pai tinha um estabelecimento


comercial onde estava quando eu nasci,
parece-me que por volta da tarde. (...)
Da minha mãe eu pouco me lembro (...)
só de a ver arranjar a nossa roupinha
branca, e a pespontar meias sentada
numa cadeirinha baixa, numa salinha que
se chamava do convento, porque a janela
dava para o convento de S. Francisco que
ficava ao pé.
Fica no largo da feira, junto ao Por sinal que a essa janela ia dar a corda
convento S. Francisco. Aí de um certo sino que tocou ao meu
mantinha o pai do escritor, baptizado; - e eu mesmo todas as tardes
João Trindade Coelho, um tocava com muito prazer às ave-marias,
estabelecimento comercial. quando era já grandinho; e eu gostava
muito daquilo...

Autobiografia
ESCOLA RÉGIA DE MOGADOURO – local onde passou o primeiro ano de aulas
“No velho casarão do convento é que
era a aula. Aula de primeiras letras. A
porta lá estava, com fortes pinceladas
Para a Escola - Os Meus amores

vermelhas, ao cimo da grande


escadaria de pedra, tão suave que
era um regalo subi-la. Obra de frades
(…) - Muito bons dias. Lá de casa
mandam dizer que aqui está a
encomendinha. Oh! Oh! A
encomendinha era eu, que ia pela
primeira vez à escola. Ali estava a
encomendinha.”
Foi em Mogadouro que viveu a maior parte da sua infância, onde ia
de porta em porta, ler ao povo analfabeto – monarquicamente
analfabeto, graças à ficção do constitucionalismo dinástico – o
acervo dos contos ingénuos, como o do Menino da Mata e o seu cão
Piloto e dos versos de pé quebrado, como os do Monte Verde. Fez
nesta localidade os seus primeiros estudos, nomeadamente na área
do Latim, com o apoio de dois padres.

LITERATURA DE CORDEL )
Produção literária, muito vulgar em Portugal e no Brasil,
de características populares. Deve o nome ao facto de as
publicações impressas em papel de fraca qualidade, sob
a forma de folhetos, estarem expostas para venda
penduradas em cordéis.
1873 - Porto
Vai para o Porto frequentar o Colégio S. Carlos, onde faz os
preparatórios para entrar na Universidade.

“Parti, não havia remédio; e nunca me há-de esquecer aquela viagem de


barco pelo Douro abaixo, uns poucos de dias, desde a foz do Sabor até ao
Porto, onde chegámos numa linda manhã de névoa, antes do sol nascer, e
onde vi pela primeira vez mastros de navios – que me pareceram enormes e
desconformes! “Mas onde eu me admirei, Deus do céu! foi diante do mar!” O
Porto era a terra de minha mãe, de que ela me falava com muitas saudades;
e, irresistivelmente, logo que saltei do barco, desapareci a meu pai, que foi
dar comigo numa esquadra de polícia, quase à noite, - classificado de "menor
perdido."

Mas o Porto não me admirou (…) porque a torre é a


maior de Portugal, e nem sete das da minha terra, umas
por cima das outras lhe chegavam ao cimo.

Autobiografia
PORTO - COLÉGIO de S. CARLOS

A partida para o Porto destinava o futuro escritor ao Colégio de S. Carlos,


situado no nº 60 da rua Fernandes Tomás, e frequentado por Trindade Coelho
entre 1873 e 1879, ou seja, entre os 12 e os 18 anos.

“Oh, essa vida de colégio que durou seis


anos! Foram seis anos miseráveis de uma
obediência estúpida e passiva, sempre a
toque de sineta, eu e mais alguns 300! (...)
O director era bom e diziam todos que era
meu amigo e que me apontava aos outros
como bom estudante, e no último ano não
quis dinheiro a meu pai por lá me ter, e
quando chegou a hora de me despedir não
me quis aparecer, e mandou-me presentes, e
dizem que até chorou...
Eu não fora, com efeito, um mau estudante, -
mas fora um péssimo discípulo!”

Autobiografia
1880 - A terceira etapa era Coimbra, onde concluiu o curso
de Direito. Embora os pais fossem ricos (a Mãe morreu
ainda ele era jovem) a verdade é que ele chumbou no 1º ano
do curso de Coimbra e o pai cortou-lhe a mesada, pelo que
Trindade Coelho teve que arranjar forma de ultrapassar as
dificuldades.
Começou a dar explicações e iniciou a sua vida literária com
o pseudónimo “ BELISÁRIO”(nome de origem grega, significa guerreiro)
Em 1884, casou com D. Maria Lucília Andrade da Costa e apareceu um
filho, facto que mais complicou a sua vida, enquanto estudante.
Chegou a ter um esgotamento. E ele próprio escreveria do ambiente
Coimbrão: "aquela vida em que estive metido e que nunca se deu comigo nem
eu com ela, mas em que nunca me dei razão porque lha atribuía a ela e a mim
uma inferioridade que mais pesava por ser sincera” .Também fundou, nessa
época, duas publicações: Porta Férrea e Panorama

Após a conclusão do curso(1885) permaneceu em Coimbra, como


advogado. Mas a clientela era pouca e ele enveredou pela carreira
administrativa.
Ingressa na magistratura e é colocado como Delegado do Procurador Régio,
na comarca de Sabugal. Sabe-se que para obter esse lugar,
foi precisa a «cunha» de Camilo Castelo Branco, que admirava,
literariamente Trindade Coelho. Sabe-se que valeu a pena porque
foi Trindade Coelho um magistrado de elevadíssima craveira moral.
Foi depois transferido para a comarca de Portalegre. Aí fundou dois jornais:
Gazeta de Portalegre e Comércio de Portalegre. Entretanto granjeara fama e os
políticos da época quiseram fazer dele um deputado. Como não podia
candidatar-se pelo círculo onde trabalhava, foi transferido para Ovar. A última
etapa profissional foi Lisboa, onde não teve tarefa fácil por causa do Ultimato
Inglês. Desgostado com as críticas que lhe faziam transferiu-se para Sintra, em
1895. Chegou a ir a África (Cabo Verde) defender 33 presos políticos. Ao fim
de 3 meses regressou vitorioso, porque conseguiu libertar os presos, prendendo
os acusadores. Continuou a escrever nos jornais: Portugal, Novidades.
Repórter, fundou a Revista Nova, onde publicou os
Folhetos para o Povo. Era um homem inconformado. Nem a fama de
magistrado, nem o prestígio de escritor, nem a felicidade conjugal
conseguiam fazer de Trindade Coelho um cidadão feliz. À medida em que
avançava no tempo mais se desgostava com a vida, pelo que o desespero o

levou ao suicídio em 9 Junho de1908, não sabemos se atraído por


uma grande resposta…à pergunta com que termina a sua breve
“Autobiografia:
“Quando chegará, minha boa amiga, o ‘reino de Deus’? ”…
A SUA OBRA LITERÁRIA
“Ler, hoje, Trindade Coelho, é “Desde muito jovem manifestou dotes
viajar com alguém que tem o literários únicos, mas só tardiamente
admirável condão de escrever conheceu a fama. In illo tempore, vestiu
como quem fala, numa o traje conimbricense e teve que fazer da
linguagem aparentemente escrita o seu ganha-pão, como
simples - nunca simplista -, mas sebenteiro e colaborador de jornais e
sempre profundamente humana revistas, redigindo artigos de
e sugestiva! Ele sabe amar e circunstância, crónicas ou contos.A sua
ser amado, como um desses escrita revela dotes de um espírito
raros artistas que vivem inovador, numa expressão pessoal que
apaixonadamente cada instante se liberta do ultra-romantismo e da fácil
da sua vida!” retórica. Em vez de puro lirismo
campestre, Trindade Coelho oferece-nos
Tereza Sanches uma literatura realista, com notas de
doçura sentimental, revelando aspectos
novos, emoções íntimas ou a crítica
oportuna, alheia aos convencionalismos
literários da época.

Tereza Sanches – Forum Terras de Mogadouro


Arquitectura tradicional:

A arquitectura rural e a convivência entre o homem e os bichos evocam o


mesmo mundo quase totalmente desaparecido. As aldeias de Bruçó, Algozinho,
Ventozelo ou Peredo, entre outras, ainda se identificam exemplares dessa
arquitectura popular.
(...) aquela casa da tia Maria Lorna era das mais
remediadas lá da aldeia, e até das mais alegres.
Tinha por fora uma varanda de pedra para onde
se subia por degraus também de pedra; em baixo
as lojas, onde os laregos e uma burra se
arrumavam; a tulha; uma despensa; e ao lado,
arrumada a ela, a grande curralada dos bois,
enorme, atulhada de feno e de palha nas
sobrelojas, com uma quadra muito espaçosa para
as ovelhas, quando as ovelhas não pernoitavam
pelas terras, farta manjedoura para as vacas, e a
um recanto, no chão, a cama onde ficava o moço.
À Lareira - Os Meus Amores
Saudade:
Coimbra e Lisboa - locais
TEMAS( Continuação)
afastados da terra natal do RURALIDADE
escritor - propiciam uma
obra literária marcada por
um saudosismo, ora latente, É nas entrelinhas da escrita de
ora manifesto, pelo qual se Trindade Coelho que se encontra
explica quase tudo o que esta junção muito particular de
escreveu e publicou. Toda a
realismo e idealização, esta
sua criação visava combater
a saudade de Mogadouro, da articulação entre descrição exacta e
natureza, da família, do elogio emocional da ruralidade.
meio.
Autobiografia

TRABALHOS AGRÍCOLAS

Nos contos de Trindade Coelho a composição da vida


rural alarga-se ao rol de trabalhos do campo, muitos dos
quais se perderam já, identificados por termos de forte
sabor etnográfico e conotação regional que se
enquadram no reforço do nacionalismo literário e no
empenho em valorizar tudo o que era autêntico e
popular.
Abyssus Abyssum - Os Meus Amores
FESTAS POPULARES GASTRONOMIA
A preocupação de retratar o •FUMEIRO
lugar e o povo de
•Certos momentos festivos - o Entrudo e a matança do
Mogadouro prolonga-se porco - pedem que se fale da gastronomia que, tal como
pela saborosa narração das tudo o que vem do povo, "interessa", no dizer de Trindade
festas populares mantendo- Coelho. Uma narração completa dos trabalhos do recupera a
genuína linguagem transmontana a evocar a aldeia de
se a caracterização
Vilarinho dos Galegos onde, segundo ele, se fazia o melhor
etnocultural da região: fumeiro do seu tempo.

“Este ano a festa da Senhora das “(...) falando dos bulhos (...) que lá cima
se comem no Entrudo, são (...) das
Dores devia ser de estalo. A pontas das costelas, doutros ossos
começar pelo juiz, todos os da tenros e miúdos, e do rabo.
mesa eram de respeito - abonados O rabo é parte obrigada, e não têm as
e decididos. Tanto assim, que o mulheres pequeno trabalho, quando é
fogo preso, que afinal era o melhor da matança, para o não deixarem
da festa, vinha de Chaves, longe roubar aos rapazes! Pra eles é o grande
petisco. (...)
que nem seiscentos diabos.”
Chouriços de sangue (ou alheiras).”
Prelúdios de festa - Os Meus Amores

•FORMIGOS
O Natal, momento de festa por excelência,
origina também receitas de iguarias regionais.
Receita dos FORMIGOS
Formigos ou mexidos vem tudo a ser a mesma coisa. Fazem-se
no dia de Natal, e comem-se ao Norte, no grande jantar patriarcal
das consoadas.

A receitinha:
Tomem dois pães duros e cortem-nos em pedacinhos. Ao lume ponham água com açúcar
em um tacho e levem-no à fervura; é então que deitam dentro o pão partido, deixando
ferver um pouco mais, sempre mexendo.
Deitam em seguida meia garrafa de bom vinho e dois decilitros de mel, mexendo sempre
e deixando ferver um pouco mais. Quando o doce estiver na consistência pastosa de uma
açorda, retirem do lume e deixem-no esfriar um pouco.
Deitem então uma dúzia de gemas de ovos, previamente batidas. Para bem executar esta
operação é preciso que os ovos fiquem intimamente misturados no doce e para esse
efeito é indispensável deitar os ovos em fio e mexer sempre.
Levem depois novamente o tacho ao lume a cozer o ovo, mexendo constantemente,
retirem, ponham na travessa e espalhem canela em pó por cima. Os formigos comem-se
frios.
Já um morto ressuscitou para comer formigos.
in O Senhor Sete
TEMAS ( continuação)

FESTA DE REIS

Depois do Natal, é a festa de Reis que Trindade Coelho evoca da forma mais pitoresca:

(...) que saudades eu tive (...) do tempo em que eu, pequeno, cantava os Reis no meio dos
rapazes meus patrícios! Um levava a rabeca desafinada, com um arco já muito torto; outro
uma bacia de lata, a fazer de bombo; outro uma ronca; outro um cornetim velho dos que já
estão aposentados, mas que entram em folia (...); outro uma castanholas, outro uns
ferrinhos. Há sempre também um que leva o saco: o saco praquilo que vier: chouriços, um
rabo de porco, figos passados, nozes e amêndoas. (...) A gente não vai pé ante pé: e se a
casa tem pátio, entra; se não tem pátio, junta-se me pinha à porta da rua, todos muito
calados como um rancho de conspiradores (...). De repente (...) um dos da malta dá
sinal, quase sempre o da rabeca, e rompe a festa! Zine a rabeca, berra o mais
que pode o cornetim, e os mais, todos, fazem também o seu dever. (...) E entram
todos a cantar (...)

Repórter, 6 de Abril de 1893, in O Senhor Sete


TEMAS (continuação)
ANIMAIS DOMÉSTICOS

A escrita de Trindade Coelho ocupa-se da fauna domesticada, tão característica


da aldeia de outros tempos, vagueando à solta, por todo o lado. O gosto especial
que o escritor nutria pelas fábulas, explica, em parte, a importância dos contos
sobre animais. Mas um desses contos, sobre a prosaica galinha choca, tem uma
origem diferente:

A Choca tem uma história. Entre literatos, um criticou a minha simpatia pelos
assuntos rústicos e disse-me assim: "Capaz é você de achar poesia numa
galinha a morrer de gosma!" Pedi 24 horas para responder, e ao fim das 24
horas li-lhe a Choca.

Carta a Mlle Louise Ey - Autobiografia e Cartas


TEMAS ( continuação)
LIBERDADE DE IMPRENSA
A sua luta pela liberdade de imprensa por uma informação
completamente isenta e independente tornou-se num dos seus
objectivos ao longo de tão extensa colaboração jornalística.
Em todas as cidades por onde Trindade Coelho foi passando e onde foi
colocado, colaborou em periódicos: em Coimbra, nos jornais Progressista,
Imparcial, Porta-Férrea e Panorama Contemporâneo, tendo sido fundador dos
dois últimos; no Porto, no Jornal da Manhã; em Lisboa, nos periódicos Diário
Ilustrado, Portugal, Novidades, Repórter, Revista Nova; em Portalegre fundou a
Gazeta de Portalegre e o Comércio de Portalegre. Finalmente, escreveu ainda
para jornais de outras localidades de que podem citar-se o Boletim Parlamentar
do Distrito de Bragança, Tirocínio, e Beira e Douro.
EDUCAÇÃO DO POVO
O tempo de Trindade Coelho conheceu, por iniciativa
isolada deste escritor, uma vastíssima campanha de
educação e civismo que levou a que Mogadouro,
depois de ter constituído o sítio preferencial da sua
obra de ficção, se tornasse no alvo eleito de toda a
sua produção científica e pedagógica.
TEMAS ( continuação)
ALFABETIZAÇÃO
Rimas à Nossa Terra
Na vila de Mogadouro,
A ligação a Mogadouro é, desde logo, visível no Província de Trás-os-Montes,
título dos opúsculos cujo conteúdo teórico é Dão-se coisas de espantar,
convertido em diálogos ligeiros, em histórias e Chorem pedras, chorem fontes.
(…)
episódios facilmente compreensíveis e de leitura
agradável, reflexo da oralidade transmontana que Terra de tal formosura,
Porque andas tão desprezada!
adopta.
És como aquela Rainha
Parábolas dos sete vimes, Rimas à Nossa
Bem vestida e mal calçada!
Terra, Remédio contra a Usura, Loas à cidade (…)
de Bragança, Cartilha do Povo, Estatutos da A quem darás o teu mando,
Caixa Económica de Mogadouro e O ABC do Por quem irás ser zelada!
Povo . Ó terra, se és boa terra,
Não queiras ter má enxada!
(…)
Estes folhetos corresponderam a uma missão de
alfabetização, de divulgação, de "popularização“. Tinha-te o bom povo dado
A sua governação,
Mas vieram desalmados
P'ra te depor à traição.
(…)
reproduzidas também em
A Minha Candidatura por Mogadouro
TEMAS ( continuação)
Lenga-lengas, parlendas:
TRADIÇÃO ORAL
•LENGAS-LENGAS As meninas de Val da Sancha,
Trindade Coelho procurou sistematizar e divulgar o folclore Engancha, engancha!
tradicional de Mogadouro e explanar toda a gama de ditos,
Têm meias amarelas,
curiosidades, adivinhas, provérbios, contos populares e
esconjuros... Em várias das suas obras surge um verdadeiro Andarelas,
corpus da sabedoria popular que procurava consagrar, Que lhas deram os pastores,
promovendo, paralelamente, a imagem da sua terra. Eis Andadores,
alguns dos aspectos abordados, evocadores dos serões à
lareira onde se transmitia, oralmente, a tradição. Por lhe mudar as cancelas,
Andelas.
•ORAÇÕES
(...) por meia hora, as rezas de todas as noites (...) dirigidas Na Ponte de Val d'Armeiro
pela Tia Maria: - "À Senhora Santa Luzia para que nos dê vista Vinte cinco cegos vão,
e claridade na alma e no corpo, Avé Maria". Cada cego leva um moço,
E por aí fora a todos os santos, cada qual segundo o seu
valimento e intercessão: a S. Jerónimo e a Santa Bárbara
Cada moço leva um cão,
virgem, advogados das trovoadas; a S. Brás que nos livre das Cada cão leva seu gato,
dores de garganta; a S. Sebastião contra a fome, a peste e a E cada gato o seu rato,
guerra; contra o mal nos laregos a outro santo; a outro contra
o mal das galinhas; a um terceiro que protege as vacas; a
outro que livra do bicho as árvores do campo; e assim até Cada rato sua espiga,
esconjurarem todos os males. Cada espiga tem seu grão.
À Lareira - Os Meus Amores
À Lareira - Os Meus Amores
TEMAS ( continuação)
¾Os ditos populares explicados, um por um:
¾ ADIVINHAS
“Estar nas suas sete quintas” Uma dama bem toucada,
“Fugir a sete pés” Dois leões a estão estripando,
“Bicho de sete cabeças” Ao tocar da castanheta
“O Homem dos sete ofícios” As tripas lhe vão tirando.
“Sete cães a um osso”
“Fechar a sete chaves.” Em Inglaterra fui feita,
O Senhor Sete
Em Portugal fui vendida,
Se me prendem estou salva,
Se me soltam estou perdida.
Guardador das Setes Chaves À Lareira - Os Meus Amores

No século XIII, os reis de Portugal adoptavam um sistema de arquivamento de jóias


e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro
fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino.

Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido
ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí
começou-se a utilizar o termo “guardar a sete chaves” para designar algo muito bem
guardado.
TEMAS ( continuação)
PEDAGOGIA

No âmbito das publicações EDUCAÇÃO CÍVICA


pedagógicas, a ideia da liberdade no Cada episódio nefasto para a vida da
ensino era-lhe igualmente cara: vila era objecto de textos de Trindade
Coelho publicados sem qualquer lucro e
“Não querem crianças: querem distribuídos como alerta à população
idiotas. Não querem homens: querem para uma tomada de consciência dos
escravos. E assim vamos; e assim
problemas que a afectavam.
fomos educados; e assim o clero e a
nobreza querem continuar a educar os
filhos do povo... Só ignorantes (dizem “Têm de ser livros de educação e de
eles) são obedientes; e só obedientes instrução, mas arranjados de modo que
são felizes! deleitem. Eis o que eu sei: não sei mais
nada. E que têm de ser livros objectivos,
Carta a Mlle Louise Ey - Autobiografia e Cartas de noções reais e simples (...) Para a parte
educativa servem também as Fábulas (...)
Recorrerei também ao conto popular
infantil, - e a tudo quanto cheirar à alma
poética do povo: ditados, rifões, versos,
jogos infantis, etc.”

Carta a Mlle Louise Ey - Autobiografia e Cartas


LUGARES da sua TERRA - TRINDADE COELHO

Aqui nasceu, aqui está sepultado.


A visão da aldeia, terra natal, como terra sabida de cor e
relatada ao sabor da saudade, é um tópico permanente na
obra de Trindade Coelho. Mesmo vivendo longe de
MOGADOURO, o escritor só sabia escrever sobre a vila.

“Oh! A minha terra!


Eu não ia há sete anos à minha terra! Desde que
saído das escolas, um dia, derivara na luta da vida,
no acaso da vida, com o coração cheio de
esperanças e o cérebro iluminado de ilusões”.
Revista Ilustrada - Lisboa
LUGARES da sua TERRA - TRINDADE COELHO
(…)Ficava ao meio
o pelourinho,
exótico, mutilado, de
uma pedra grosseira
e muito negra. Era
uma alta coluna de
oito faces, com o
seu anel de ferro ao
meio e uma argola
pendente do anel.
A Igreja Matriz de Mogadouro, cuja A coluna que se
edificação terá ocorrido no século XII, foi elevava sobre um
reconstruída e acrescentada no último pedestal de três
quartel do século XVI, por iniciativa dos
degraus, em
Távoras. É uma igreja algo rudimentar,
com três naves (após a reconstrução) e hexágono,terminava
cabeceira rectangular, com cobertura em num grande X de
madeira de duas águas. No interior, pedra deitado
ostenta altares em talha dourada do horizontalmente.
período barroco. Tipos da Terra
Os Meus Amores
LUGARES da sua TERRA - TRINDADE COELHO

O Castelo é a construção que se


sobrepõe ao Largo da Misericórdia, ruína
imponente que tem, ao lado, a torre do
relógio.

Na igreja do convento Trindade Coelho


seguiu a catequese e ajudou também à
missa.

“Eu ajudava muito à missa na minha terra.


Gostava daquilo. E nunca me há-de esquecer
que uma vez tendo eu provado o vinho das
galhetas, deitando uma pinga na palma da mão
e sorvendo para ver se estava capaz, o Sr.
administrador do concelho lobrigou a história
(...) e fez-me um processo!”
O Senhor Sete
LUGARES da sua TERRA - TRINDADE COELHO

CAPELA DE NOSSA SENHORA DO CAMINHO

Esta capela fica situada na Alameda com o mesmo nome, à entrada da


vila de Mogadouro. No último domingo de Agosto celebra-se aqui uma
importante festa.
Enquanto estudante no Colégio do Porto, era a essa missa de Nª Sª do
Caminho que Trindade Coelho pedia às irmãs que se dirigissem para
rezar por ele.
LUGARES da sua TERRA - TRINDADE COELHO

Largo da Feira
oficialmente chamado de
S. Sebastião.

No Largo Trindade Coelho, anteriormente chamado


Largo da Feira, ergue-se, ao centro, a estátua de
Trindade Coelho da autoria do escultor Leopoldo de
Almeida (1898-1975) inaugurada em 1961, data do
centenário do nascimento do escritor e magistrado, e altura
em que foram trasladados para Mogadouro os restos
mortais de Trindade Coelho que até então haviam
permanecido em Lisboa, desde que o escritor se suicidara,
em 1908.
A ideia de uma estátua comemorativa era já antiga e
datava, pelo menos, de 1938, conhecendo-se documentos
que comprovam a iniciativa local de homenagem à figura
mais célebre da terra.
BIBLIOGRAFIA do AUTOR

Os Meus Amores (1891)


O ABC do Povo (1901)

A Minha Candidatura por Mogadouro (1901)


Cartilha do Povo (1901)
In IIIo Tempore (1902)
Primeiro Livro de Leitura (1903)
Segundo Livro de Leitura (1904)
Terceiro Livro de Leitura (1903)
Manual Político do Cidadão Português (1906)
Autobiografia e Cartas ( 1910)
O Senhor Sete (1961)
O Enjeitado (2001)
Referências Bibliográficas:

Sanches, Tereza, http://www.viajarcom.org/trindade_coelho/main.htm


Coelho, Trindade. Os meus Amores . Biblioteca ULISSEIA de Autores
Portugueses.

Trabalho elaborado no âmbito do PNL, para motivação da leitura orientada, em


sala de aula.
Professoras:
9Alice Trigo
9Mª Teresa Ferreira