PATOLOGIA PREVENÇÃO

DAS

FUNDAÇÕES:

OCORRÊNCIA

E

Jarbas Milititsky, Nilo C. Consoli & Fernando Schnaid Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Brasil

RESUMO: Este trabalho apresenta o tema considerando sua abrangência e importância, à luz da experiência dos autores, apresentada na publicação “Patologia das Fundações” (2006) enfocando todas as fases da vida da obra onde os problemas podem ocorrer ou serem originados e as medidas e ações necessárias para sua prevenção e solução, a saber: caracterização do comportamento do solo, análise e projeto, execução, eventos pós-conclusão e degradação dos materiais. Tem como objetivo maior apontar práticas de boa engenharia e aborda recomendações do EUROCODE 7 destinadas a obter resultados para melhorar a qualidade da prática e fornecer elementos para enfrentar os problemas, quando os mesmos ocorrem. PALAVRAS-CHAVE: 1 INTRODUÇÃO investigação preliminar ou especificações executivas adequadas à execução da obra; dificuldades construtivas podem comprometer as condições de projeto estabelecidas; acontecimentos pós-construção das fundações, internos à obra ou externos à mesma, podem afetar seu desempenho sem que tenham sido previstas na concepção e projeto, e finalmente a degradação dos elementos das fundações pode comprometer seu desempenho em longo prazo. Para contornar estas dificuldades, identificam-se neste trabalho as causas e tipos correntes de problemas nas diferentes etapas da vida de uma fundação, além de nortear, à luz do EUROCODE 7 e da boa prática, os cuidados necessários para evitar patologias, identificar suas causas, indicar as diretrizes adequadas de execução e sua fiscalização. Considerando os inconvenientes provocados pelo aparecimento de patologias ou mau desempenho das fundações, fica clara a importância de serem evitadas, nas várias etapas da vida de uma fundação, condições que levem a esta ocorrência. O presente trabalho mostra sumariamente os possíveis problemas que costumam ocorrer e a abordagem para sua solução. Na publicação dos autores “Patologia das Fundações”, 2006, são apresentadas de forma abrangente todas as possíveis ocorrências, com dados da prática nacional e

O bom ou mau desempenho de uma fundação, ou mesmo a possibilidade de aparecimento de problemas pode ter origem ou mesmo depender de uma imensa variedade de aspectos. A adoção de procedimentos adequados nas várias etapas da vida de uma fundação pode minimizar ou mesmo impedir sua ocorrência, especialmente quando da adoção das práticas recomendadas tanto na normalização brasileira quanto no EUROCODE 7 que dariam mais segurança e confiabilidade aos resultados finais dos trabalhos de fundações. Os profissionais encarregados da etapa de “caracterização de comportamento” em geral não são especialistas em fundações, muitas vezes não são engenheiros, não acompanham o desenvolvimento de todos os eventos que dão origem às fundações construídas. Condições especiais de comportamento ou ocorrência de materiais não usuais podem não ser identificadas nesta fase; o projetista das fundações muitas vezes não recebe informações precisas de eventos ou condições locais ou construtivas diferentes das estabelecidas como representativas do projeto; alterações das condições encontradas durante a execução não são necessariamente relatadas; os executantes podem não ter acesso ao detalhamento da

internacional. Na ocorrência de patologias devem-se caracterizar suas origens e possíveis mecanismos deflagradores, além de seu acompanhamento para identificação de sua evolução, que incluem o monitoramento do aparecimento e evolução de fissuras, trincas, desaprumo e/ou desalinhamentos. Existem também situações nas quais o solo apresenta deformações ou variações volumétricas não provocadas pelo carregamento das fundações, podendo resultar em patologias. Os chamados solos problemáticos (expansivos, colapsíveis, etc.) são exemplos típicos desta ocorrência. Na publicação que dá origem ao presente trabalho são apresentados de forma abrangente todas as situações e condições de ocorrência de patologias, não referidas neste trabalho por limitação de espaço disponível. 2 COMENTÁRIOS EUROCÓDIGOS RELATIVOS AOS

Os Eurocódigos Estruturais compreendem um conjunto de normas relativas ao projeto estrutural e geotécnico de edificações e obras de infra-estrutura civil. Estes documentos representam o somatório de experiência e consenso de especialistas europeus no que se refere à dimensionamento, técnicas e procedimentos construtivos, no quais são feitas referências específicas às bases de um projeto geotécnico, às técnicas de investigação do subsolo e a recomendações quanto à supervisão da construção, observação e manutenção de obras civis. Neste artigo são relacionadas algumas das recomendações estabelecidas no Eurocódigo 7: projeto geotécnico, no entendimento de que a observância destas recomendações reduz a probabilidade de ocorrência de patologias. 2.1 Bases para um projeto geotécnico O Código Europeu 7 fornece as “bases de projeto” a partir de requisitos mínimos de estudos geotécnicos estabelecidos em função da complexidade da obra e dos riscos envolvidos. A caracterização geotécnica deve ser precedida de uma classificação preliminar da estrutura,

dividida em três categorias: Categoria 1: estruturas pequenas e simples; Categoria 2: estruturas convencionais que não envolvam riscos fora do comum; Categoria 3: estruturas de grande porte associadas à risco elevado decorrente de fatores como condições desfavoráveis de subsolo, carregamento excepcional e sismicidade. A investigação do subsolo deve ser compatível com estrutura a ser construída, havendo referência específica para o fato de que “o conhecimento geotécnico e o controle de execução são mais importantes para satisfazer os requisitos fundamentais do que a precisão dos modelos de cálculo e os coeficientes de segurança adotados”. Os valores de cálculo das propriedades de comportamento do subsolo devem ser baseados em resultados de ensaios de laboratório e de campo. No projeto recomenda-se a adoção de valores característicos, cuja escolha deve atentar às (a) informações geológicogeotécnicas disponíveis, (b) variabilidade dos valores das propriedades consideradas, (c) extensão da zona do terreno que condiciona o comportamento da estrutura no estado limite considerado, (d) influência do processo executivo no caso de solos colocados artificialmente ou tratados e (e) efeito das atividades construtivas nas propriedades in situ do terreno. O valor característico de uma propriedade é, portanto uma estimativa cautelosa de valores médios representativos, devendo ser associado a coeficientes de segurança parciais que levem em consideração às incertezas de projeto. O Eurocode fornece os coeficientes de segurança parciais para projetos convencionais, recomendando que na verificação dos estados últimos seja conveniente escolhê-los de tal forma que seja extremamente improvável que um valor mais adverso afete a ocorrência do estado limite. Recomendações específicas são apresentadas quanto à durabilidade da obra, em função das condições ambientais internas e externas, de modo a permitir medidas mitigatórias que protejam os materiais utilizados ou lhes confiram resistência adequada. No que diz respeito à durabilidade é conveniente considerar aspectos como agentes agressivos (águas ácidas ou que contenham sulfato), ataque químico ou corrosão dos elementos de fundação, ação

3. hidrologia. ensaios de penetração ou furos a trado. geotécnicas e hidrológicas. conforme analisado posteriormente no item 7 desta publicação. a variação de comportamento possíveis. durante a execução da obra. incluindo resistência ao cisalhamento. morfologia. presença de lençóis artesianos ou suspensos. geotécnicos e geométricos do terreno. pela identificação das diferenças entre as condições reais do terreno e . orientação. variações devido às mares. devendo incluir dados relativos à geologia. incluindo especificações construtivas e de controle. observação e manutenção” 2. pressiômetro e dilatômetro na caracterização de solos. para os quais não são normalmente apropriados os métodos diretos de cálculo.1 nas questões de projeto. estudos para o dimensionamento e estudo para verificação das condições do terreno. representadas pela observação do nível d’água em furos de sondagem.fungicida e bacteriológica à madeira e degradação de produtos sintéticos. A qualidade de maciços rochosos pode ser quantificada usando o parâmetro RQD (Rock Quality Designation). distribuição de pressões intersticiais. bem como a execução de poços profundos. Trata-se de abordagem conservadora. o qual permite a adaptação do projeto durante a construção. à medida que se obtêm informações adicionais. compacidade.2 Caracterização geotécnica A caracterização geotécnica deve aos requisitos de construção e comportamento da estrutura a ser projetada. 2.3 “Supervisão da Construção. CPT. agressividade do terreno e das águas subterrâneas. Em situações que não se dispõe de modelos de cálculo ou em que a sua utilização não se justifique. métodos executivos. Referência específica é feita ao uso de ensaios de campo como o SPT. O dimensionamento pode ser ainda realizado com base em provas de carga ou ensaios em modelos destinados a dar sustentação ao método de dimensionamento adotado. Estudos para o dimensionamento destinam-se especialmente a determinação das propriedades do subsolo. As Categoria 2 e 3 pode requerer três fases de investigação. deformabilidade. pode ser apropriado adotar o chamado método observacional. abertura etc. Para obras na Categoria 1 a investigação deve contemplar uma inspeção visual do local da obra. A abrangência dos estudos deve ser compatível com Classificação da Estrutura. sismicidade e história do local. permeabilidade. proteção e procedimentos de manutenção. alem de indicar procedimentos cabíveis para cada categoria. devendo-se levar em consideração a característica das diaclases como espaçamento. o plano de observação com o objetivo de verificar se o comportamento real situa-se dentro dos limites estabelecidos e um plano de atuação caso o desempenho da obra revelar comportamento fora dos limites aceitáveis. Para a Categoria 3 pode ser necessário a realização de ensaios complementares. expressa que a supervisão da construção inicie pela verificação da validade das hipóteses de projeto. de natureza mais especializada. Os estudos de caracterização devem produzir informação suficiente para uma descrição apropriada das principais propriedades do terreno e uma avaliação confiável dos valores característicos dos parâmetros constitutivos a serem adotados no dimensionamento. que envolve especificações de controle de materiais. A etapa de dimensionamento deve atender aos condicionantes geológicos. A consistência da investigação deve ser continuamente revista. entre outros. Estudos preliminares compreendem o levantamento geométrico das condições de campo. Sempre que adotado. o método observacional deve-se estabelecer a priori os limites de comportamento aceitáveis. Em virtude da previsão de comportamento geotécnico ser muitas vezes difícil. classificadas em estudos preliminares. identificação de estruturas existentes e avaliação das informações geológicas. 2. os estados limites podem ser evitados a partir da utilização de medidas prescritivas. sendo facultado o uso de diferentes abordagens. Atenção deve ser dada às condições hidrológicas. Exemplo típico são as medidas prescritas para durabilidade face a ataque químico e biológico.

contendo informações sobre as partes críticas da estrutura que eventualmente requeiram inspeção regular. colapsibilidade. Problemas típicos decorrentes de ausência de investigação para os diferentes tipos de fundação são apresentados na Tabela 1. 3.Número insuficiente de sondagens ou ensaios para áreas extensas ou de subsolo variado. de uma investigação ineficiente. / . mas também presente em obras de porte médio. eventualmente cobrindo diferentes unidades geotécnicas (causa comum de problema em obras correntes. Aspectos relacionados com a investigação do subsolo são as causas mais freqüentes de problemas de fundações. Patologias decorrentes de incertezas quanto às condições do subsolo podem ser resultado da simples ausência de investigação. bem como a freqüência da inspeção.3)manutenção: indica que especificações relativas à conservação devem ser entregues ao proprietário/Cliente. inspeção às estruturas vizinhas. Assim. 3 INVESTIGAÇÃO DO SUBSOLO projeto.3. não caracterizando camadas de comportamento distinto.2) supervisão de construção: a inspeção. número mínimo de furos de sondagem e profundidade de exploração. definindo os ensaios especiais necessários à caracterização de seu comportamento e sua influência nas fundações. experiência e o bom senso devem servir de guia para evitar problemas desta natureza. etc. também solicitadas pelo carregamento. 2. A normalização vigente (ABNT NBR 6122/1996. expansivos. ABNT NBR 8036/1983) e o bom senso devem nortear o tipo de programa de investigação. o controle e os ensaios necessários à supervisão devem seguir o estabelecido na fase de projeto. O uso de normas (ABNT NBR 8036/1983).Situações com grande variação de propriedades ou ocorrência localizada de anomalia ou situação não identificada. 2. / . em adensamento) podem ter sua ocorrência prevista ainda em fase preliminar.as consideradas no projeto (que devem estar explicitadas em Relatório do Projeto Geotécnico. a ausência de investigação de subsolo é prática inaceitável. tanto no que se refere ao solo quanto a materiais.Profundidade de investigação insuficiente. sua identificação e caracterização de comportamento são essenciais à solução de qualquer problema. acompanhando o projeto) e a verificação de que a construção é feita de acordo com o projeto. /Propriedades de comportamento não determinadas por necessitar ensaios especiais (expansibilidade.3. Indica a necessidade de estabelecimento de plano de supervisão. Passamos a apresentar os problemas considerando cada etapa da vida das fundações. com limites de aceitabilidade. Casos típicos rotineiros deste grupo são os seguintes: . os solos de comportamento especial (colapsíveis. visita ao local da obra. o mesmo se mostra inadequado à identificação de aspectos que acabam comprometendo o comportamento da fundação projetada.1 Ausência de Investigação do Subsolo Típico de obras de pequeno porte. Existe detalhamento dos elementos a serem observados. em geral de pior desempenho. com detalhamento e complexidade de acordo com os graus de complexidade e risco da obra. pela extrapolação indevida de informações). 2 Investigação Insuficiente Realizado o programa de investigação. A adoção dos princípios expressos na lógica acima certamente contribuiria para a melhoria da qualidade das fundações em nosso meio. em geral por motivos econômicos. procedimentos e efeitos da construção nas estruturas adjacentes. Na medida em que o solo é o meio que vai suportar as cargas.). 3. O planejamento de um programa de investigação deve ser concebido por um engenheiro experiente que possa conjugar os custos à complexidade ou dificuldades do . por exemplo. de uma investigação com falhas ou ainda da má interpretação dos resultados das sondagens.

Na realização de sondagem são relativamente comuns o erro na localização do sítio da obra (execução feita em local diferente). falta de nivelamento dos furos em relação à referência bem identificada e permanente.3 Investigação com Falhas Durante o processo de investigação poderão ocorrer problemas que comprometem os resultados obtidos e utilizados em projeto. com propriedades de comportamento representativo das diversas camadas. adoção de procedimentos indevidos ou ensaio não padronizado. Indicadores de possíveis problemas de execução: 1) alta produção de campo de equipes de sondagem com perfurações profundas executadas em tempos reduzidos. comprimento ou diâmetros inferiores aos necessários.4 Interpretação Inadequada dos Dados do Programa de Investigação Os problemas deste grupo podem ser enquadrados em: Análise e Projeto. etc). obtido após a investigação geotécnica (ensaios de campo e de laboratório. no qual o projetista necessariamente adota um modelo para descrever o subsolo. resultando mau comportamento. Neste título também se enquadram os procedimentos fraudulentos de geração de resultados ou multiplicação de furos de sondagem (apresentação de relatórios de serviços não realizados). sem junta. com recalques incompatíveis com a obra. Tipo de fundação Fundações diretas Fundações profundas Problemas típicos decorrentes •Tensões de contato excessivas. mesmo valor de Nspt. localização incompleta. ocasionando a ruptura ou grandes deslocamentos da fundação. 2) semelhança entre furos de sondagem A análise de um problema de fundações ocorre a partir da previsão ou obtenção das solicitações ou cargas de projeto e da adoção de um perfil “de projeto” ou modelo de subsolo. resultando grandes deformações. Para evitar este grupo de problemas. reduzindo a carga admissível nominal adotada para a estaca. •Fundações apoiadas em crosta dura sobre solos moles. •Ocorrência de atrito negativo não previsto. provocando recalques diferenciais. •Estacas de tipo inadequado ao subsolo. uso de equipamento com defeito ou fora da especificação. • Fundações em solos/aterros heterogêneos. ocasionando o aparecimento de recalques diferenciais. resultando em recalques inadmissíveis ou ruptura. que necessariamente deve ser investigado com equipamento à percussão para possibilitar a identificação de sua resistência e natureza. é essencial a contratação de serviços de empresas comprovadamente idôneas e supervisão nos trabalhos de campo por parte do contratante. •Fundações sobre solos compressíveis sem estudos de recalques. má descrição do tipo de solo. 3. ou elevado número de perfurações produzidas pela mesma equipe. (mesma espessura das camadas. No caso de execução de sondagem mista (rotativa em rocha e percussão em solo) é comum o uso de equipamento rotativo a partir da primeira ocorrência de material mais resistente.Tabela 1 .Problemas típicos decorrentes de ausência de investigação para os diferentes tipos de fundações. •Fundações apoiadas em materiais de comportamento muito diferente. •Geometria inadequada. incompatíveis com as reais características do solo. sem análise de recalques. no caso mais amplo). 4 ANÁLISE E PROJETO 3. •Estacas apoiadas em camadas resistentes sobre solos moles. Estas . entre outros. mesmo nos casos em que abaixo de material identificado como rochoso encontra-se solo.

Erros na determinação das cargas na fundação (como a desconsideração de momentos fletores e/ou cargas horizontais) podem acarretar a ruptura de fundações. relativos a mecanismos. outros) e não somente as cargas permanentes e acidentais provenientes da superestrutura. normas ou códigos. ou da transmissão de esforços à massa de solo. Representação inadequada do comportamento do solo pelo uso de correlações empíricas ou semi-empíricas não aplicáveis à situação em questão. Esta etapa. bem como considerações e indicações de Norma específica. Também típicas deste grupo são correlações utilizadas entre NSPT e módulo de deformabilidade do solo. mas não adequados à situação considerada. Após definição das solicitações. relativos à estrutura de fundação e os relacionados às especificações construtivas. as quais existirão ao longo da construção. extrapoladas para outras condições de terreno. onde o mesmo valor de NSPT não corresponde ao mesmo módulo. ou seja. a localização de camadas menos resistentes ou compressíveis. Um projeto de fundações inclui especificações construtivas. inclui a identificação de mecanismos de ruptura ou deformação da massa de solo afetado ou envolvido no comportamento das fundações sendo projetadas. consideram-se vários fatores. Erros na estimativa das propriedades de comportamento do solo pela extrapolação indevida da faixa de ocorrência da correlação. ou pela extrapolação da correlação para material de comportamento distinto. para construção. presença de lençol dágua. resultando valores excessivamente altos ou baixos. quando resolvida com a ajuda de cálculo analítico. sem a caracterização adequada de todas as situações representativas do subsolo. o elemento de fundação propriamente dito é dimensionado estruturalmente. cujos valores de penetração podem ser iguais ou próximos de zero. etc. Dois exemplos característicos desta prática são: a) Estimativa da resistência ao cisalhamento não-drenada de depósitos de argila mole através de medidas de NSPT. como a adoção de valores típicos para os parâmetros de projeto. A resistência “medida” através do ensaio que apresenta valores da ordem de 1 ou 2 ou mesmo 1/60 não tem significância.informações são interpretadas a luz do conhecimento estabelecido sobre o comportamento do solo sob carga. Isto pode ocorrer ou pela escala do problema (estimativa de tensões admissíveis com base em resultados de ensaios NSPT para grandes áreas carregadas). desconhecimento do comportamento real das fundações. obtidas a partir de ensaios de placa. 4. entre outros. Ultrapassada esta etapa. 2. os valores medidos de penetração não podem e não devem ser diretamente utilizados na . Adoção de perfil de projeto “otimista” (superestimativa do comportamento).1 Problemas Envolvendo o Comportamento do Solo A avaliação de desempenho e a estimativa de parâmetros de projeto devem ser feitas por profissional especializado e experiente. Na definição da solução do problema de fundações. do uso e da vida útil da estrutura. e são calculados os elementos de transferência do carregamento ao solo. podendo incluir o uso de métodos numéricos. detalhando a forma como o projetista indica que a construção ocorra. atrito negativo. devido a fatores tais como história de tensões. como por exemplo. que é o elemento que vai para o canteiro. uso de mesma solução que em situações consideradas idênticas e uso de correlações empíricas. sendo então elaborada a planta executiva (contendo todas as características da solução adotada e os detalhes executivos). ou sua ausência. 3. o projetista escolhe as possíveis formas de transferência de carga. processo que inicia com a verificação da segurança no que se refere à ruptura e deformação do solo. Exemplos típicos de problemas envolvendo o comportamento do solo são listados a seguir: 1. A definição das solicitações deve incluir considerações referentes ao próprio comportamento do solo (empuxos.Relativos ao solo. uso de experiência. Os problemas que ocorrem nesta etapa da vida de uma fundação serão apresentados de acordo com a seguinte classificação: .

considerações específicas referentes à integridade e cuidados em ambientes agressivos. com propriedades de compressibilidade destes materiais. sobre estacas inclinadas.2 Problemas Envolvendo os Mecanismos de Interação Solo-Estrutura 1. b) Extrapolação da penetração dos ensaios SPT em rochas alteradas (NSPT> 100) para posterior estimativa da tensão admissível ou de resistência de ponta no caso de fundações profundas. Os esforços sobrepostos podem ser originados na obra sendo projetada ou eventualmente produzidos pela implantação posterior de edificação junto à estrutura já existente. Uso indevido de resultados de ensaios para estimativa de propriedades do solo não correlacionáveis com o tipo de solicitação. com toda a parcela de atrito considerada como contribuinte. O deslocamento relativo das camadas de solo em relação ao corpo das estacas provoca uma condição de carregamento nas fundações e não de resistência às cargas externas. Desconsideração da ocorrência do efeito do “atrito negativo” em estacas. nos quais o bulbo de tensões atinge camadas mais profundas e maiores tensões de confinamento. Esta prática acaba resultando na adoção de valores de “propriedades” não representativas e em projetos não adequados ou problemáticos. cujos resultados são representativos da resistência do solo. 2. Grupos de estacas apoiadas sobre camadas competentes pouco espessas. sem avaliação adequada de seu efeito.previsão da magnitude da resistência ao cisalhamento não-drenada. 5. ou camadas de comportamento distinto à profundidade. 4. A adoção de valores obtidos através do simples cálculo de capacidade de carga da estaca. 6. Nas situações em que ocorre sobreposição de esforços de fundações superficiais na massa de solo. provocando o aparecimento de solicitações horizontais atuantes nas estacas em profundidade. Estimativa de tensões admissíveis com base em resultados de placa. Quando uma fundação transfere carga ao solo e esta transferência é considerada de forma isolada. devido ao acréscimo de tensões provocado pelo conjunto de estacas. 4. As previsões resultam inadequadas pelo comportamento distinto do caso real. como estacas escavadas sem qualquer tipo de cuidado especial em solos instáveis ou em presença de água. rebaixamento de lençol freático ou estaqueamento executado em solos moles sensíveis à cravação de estacas. podem romper em casos onde é desconsiderada a camada de solo mole abaixo da ponta das estacas na análise de capacidade de suporte Por outro lado. ou fundações profundas ou diretas em solos colapsíveis ou expansivos sem cuidados especiais. como a base de silos ou tanques. Existência de condição geométrica caracterizando aterro assimétrico sobre camadas sub-superficiais de solos moles. sendo estas extrapoladas para grandes áreas carregadas. 7. casos onde somente é feita a verificação de capacidade de carga. como a correlação entre ensaios de penetração (SPT ou CPT). os resultados obtidos na análise são não representativos. provocando solicitações de flexão nos elementos de fundação. conduz a valores superdimensionados e inseguros de capacidade de carga. resultando em elementos com defeito. sobrepostas a camadas argilosas moles. 4. Situação de “atrito negativo”. 3. não levado em consideração no cálculo e provocando seu comprometimento. Adoção de fundações inadequadas face ao comportamento específico do solo. podem conduzir a recalques incompatíveis com a estrutura. sem a análise de recalques da camada compressível inferior. a existência ou ocorrência de outra solicitação altera as tensões na massa de solo. Uso de modelos simplificados indevidos. como no caso de fundações profundas tracionadas verificadas pelo método de cálculo do cone de arrancamento. utilizado em fundações superficiais. para as quais as mesmas não foram dimensionadas. ou solos em adensamento. Esta situação é típica de horizontes com aterros recentes sobre solos moles. Como a cinemática de ruptura é diferente no caso das fundações .

resultando recalques diferenciais e trincamento da estrutura. tais como a ligação da armadura de estacas tracionadas ao bloco de coroamento. 2003). 7. Uso de elementos de fundação como reforço. estacas com cargas horizontais inadequadamente armadas.4 Problemas Envolvendo a Estrutura de Fundação 1. ou variabilidade de profundidade das camadas resistentes do sub-solo. Erro na determinação das cargas atuantes nas fundações. 6. 2. Erros decorrentes de indicação apenas de cargas máximas em casos de fundações em estacas com solicitações de compressão e momentos atuantes. Uso de emendas “padrão” em estacas metálicas. 5. resultando solicitações equivocadamente distribuídas. sem junta de comportamento ou pilares da junta apoiados na mesma fundação. 4.3 Problemas Envolvendo o Desconhecimento do Comportamento Real das Fundações 1.profundas acaba resultando valor superior aos reais. 8. calculadas sem a verificação de fissuração do concreto (ABNT NBR 6118. detalhamento de recobrimento insuficiente para a situação (ABNT NBR 6118. sem a avaliação do possível efeito no conjunto do novo elemento executado. Erros no dimensionamento de elementos estruturais das fundações. projetada apenas para a condição de solicitações atuantes. Nestas condições pode ocorrer o fenômeno de instabilidade por flambagem. 2. Armaduras de estacas de concreto armado tracionadas. ou dos deslocamentos necessários à mobilização de resistência. 3. ou mesmo ausência de detalhamento. e condição insegura. Este tipo de procedimento acaba resultando em recalques diferenciais e danos na estrutura. Adoção de sistemas de fundações diferentes na mesma estrutura. tais como vigas de equilíbrio. Níveis muito desiguais de carregamento numa mesma estrutura. 3. resultando em comprimentos de flambagem maiores que os considerados para os pilares. 2003). induzindo instabilidade estrutural. resultando em degradação da armadura e dano ao desempenho na condição de longo prazo. resultando em ausência de transferência de carga às fundações. projeto sem a verificação da estabilidade global. 8. ou seja. acarretando sua instabilidade. ambas com mesmo tipo de fundação. na presença de solos das camadas superficiais e subsuperficiais de baixa resistência.22). . devido a características de variação de cargas. estacas constituídas de tubos ou estacas raiz. usualmente não considerado em peças totalmente enterradas. Fundação projetada apenas para a condição de carga final atuante. 4. Adoção de solução estrutural na qual os esforços horizontais não são equilibrados pelas fundações. Utilização de cargas de trabalho nominais sem verificação de flambagem de estacas muito esbeltas em solos moles. típico de torres com cargas elevadas e região circundante com carregamento significativamente inferior. uso de vigas de grande rigidez calculadas como vigas contínuas. Falta de detalhamento estrutural adequado. sem adoção de junta de comportamento ou avaliação adequada de compatibilidade de recalques dos diferentes tipos de fundação. especialmente relevante em casos de ambiente agressivo. 9. A cinemática de ruptura do grupo é diferente. ou rigidez no caso de esforços horizontais. Os mesmos são considerados equivocadamente suportados pela estrutura apoiada nas fundações (Figura 4. Falta de travamento em duas direções no topo de estacas isoladas esbeltas. resultando valores superiores ao real. Cálculo de tração de grupo de estacas a partir da soma das cargas de ruptura das estacas consideradas individualmente. 4. caso dos trilhos e perfis simples. ou condições locais restritas de acesso. em muitos casos resultando em valor inferior ao somatório das cargas individuais. A ocorrência de abertura de fissuras em meio agressivo pode acarretar a degradação da armadura. não verificadas para a condição de carregamento de tração a que as mesmas são submetidas. no caso de fundações profundas com problema construtivo. 10.

em algumas circunstâncias ocorrem mudanças de projeto e conseqüentemente das cargas. sem a consideração das alterações. Fundações diretas .5 Problemas Envolvendo as Especificações Construtivas As especificações construtivas devem atender aos critérios de projetos tanto de fundações diretas quanto profundas. e inadequada às condições de ocorrência do solo.falta de indicação das cargas consideradas no projeto bem como sua origem (data e identificação da planta de carga nas fundações.9. não informadas ao projetista das fundações. com relação ao dimensionamento dos blocos e vigas de equilíbrio projetadas. como por exemplo. para evitar o descalçamento do elemento da cota superior (item 6. . normalmente não habilitado para a decisão. condição na qual o elemento destinado à cota inferior deve ser implantado primeiro. Geral . causando dificuldades construtivas como falta de integridade ou ausência de recobrimento. -tensão admissível do solo adotada em projeto.4. . implicando na definição destas características a cargo dos executantes. resultando em elementos com insuficiência de embutimento no solo competente. sem a devida identificação na obra das condições a serem satisfeitas pelo material na base das fundações. Fundações profundas – nos projetos correntes são comuns problemas decorrentes da ausência de indicações referentes a: . condição indispensável para a obtenção de elemento estrutural íntegro e de resistência adequada ao problema. Uso das solicitações obtidas ao nível do terreno para o dimensionamento de fundações enterradas.Peso mínimo ou características do martelo de cravação e nega nas estacas cravadas. o possível aumento dos momentos atuantes. resultando na implantação das sapatas na profundidade equivalente à sua altura ou definida no canteiro.5 da ABNT NBR 6122/96.Características mínimas do equipamento de execução! . . 10. Ausência de verificação da situação “como construído” ou “as built” das fundações em estacas. em geral não qualificados tecnicamente para a tarefa.recobrimento das armaduras.problemas podem ser causados pela ausência de indicações precisas com relação a: .Exigência de controle de comportamento de estacas (levantamento) quando da cravação de elementos adjacentes em blocos com muitas estacas. 4.Proteção à erosão em locais sujeitos a esta condição. ocasionando situação de insegurança ou inadequação da solução projetada.tipo e características do solo a ser encontrado e onde as fundações deverão ser assentadas. que resultam em problemas de falhas nos elementos ou suscetibilidade em ambiente agressivo.cota de assentamento das fundações. provocando alteração nas solicitações. . dando origem a elementos expostos ou não protegidos e degradáveis a médio e longo prazo. se recebida de outro profissional). Uso de armaduras muito densas no projeto. É comum a execução resultando em excentricidades significativas.Profundidades mínimas de projeto.Tensões e características dos materiais das estacas! . -características do concreto (resistência e trabalhabilidade). e permitindo que ocorram situações em que as cargas não são transmitidas adequadamente ao solo. que podem tornar o projeto original inseguro. . . . .ordem de execução no caso de elementos adjacentes em cotas diferentes. especialmente em fundações profundas.ausência da indicação da referência e localização das sondagens ou ensaios executados nos quais o projeto se baseou. 11. deixando a definição ao executante.

muitas vezes. por exemplo) e as condições de campo muitas vezes obrigam a mudanças substanciais no projeto original. Deveria se constituir em prática corrente e . Além da possibilidade de variação das características do subsolo identificadas na etapa de investigação. com a realização de ensaios de acompanhamento e controle dos materiais e processos.2 Fundações Profundas As fundações profundas apresentam peculiaridades que as tornam diferentes dos demais elementos das edificações. envolvendo concepção e construção de uma fundação. e ter seu uso mais disseminado. situações onde programas de qualidade total ou de certificação ou de seguro exijam. A elaboração do projeto envolve não somente a adoção de perfil típico do solo e a análise através de teoria ou método específico de cálculo. acompanhados de supervisão e controle construtivo rigoroso. Mesmo no caso de contratação de empresas especializadas para a execução de fundações. depende não somente de uma caracterização conveniente das condições do sub-solo e de cálculo e projeto adequado da solução a implantar. resultando em problemas variados e freqüentes.Projeto e Execução de Fundações] e da boa prática. a verificação de conformidade com as especificações de normas vigentes [ABNT NBR 6122 (1996) . As falhas de execução constituem o segundo maior responsável pelos problemas de comportamento das fundações. 5 EXECUÇÃO regular a certificação dos serviços de fundações. Uma estaca nem sempre é executada conforme as condições definidas no projeto. mas está diretamente relacionado às características de execução de cada sistema de fundações profundas. para informação ao projetista das reais condições executivas. Os procedimentos modernos de ensaio (PDA – Pile Driving Analyzer e PIT – Pile Integrity Testing) permitem a identificação de problemas de integridade e caracterizam cargas mobilizadas de forma rápida e econômica. entre outros. São comuns os projetos executados com base em soluções de estruturas ou obras vizinhas. O sucesso da solução completa. 5 1 Fundações Superficiais: Pela facilidade construtiva e larga utilização em construções de pequeno porte. além da preservação das informações das fundações efetivamente construídas para eventuais necessidades futuras. é sempre necessária a fiscalização da execução. como comprimentos mínimos ou máximos. Estacas . adotada largamente em obras especiais. Em casos especiais existe a necessidade de realização de ensaios complementares nas fundações para aceitação ou comprovação de adequação e segurança [e.prova de carga estática [ABNT NBR 12131 (1991)]. executadas sem projeto realizado por pessoal qualificado e sem supervisão e acompanhamento por profissional experiente. as fundações superficiais são.podendo ocorrer alterações na geometria do terreno (aterros ou cortes) modificando as condições de projeto. podendo se constituir em elementos importantes no processo de garantia de qualidade das fundações. Estacas – ensaio de carregamento dinâmico [ABNT NBR 13208 (1994)] ou verificação de integridade (PIT)].g. outras vezes com base em abordagens empíricas provenientes de publicações onde são indicados valores típicos de tensão admissível não adequado ao problema. 5. mas também de especificações precisas e detalhadas de materiais e procedimentos executivos adequados e em conformidade com a boa prática. com registro de todos os dados relevantes. pois depende da variabilidade das condições de campo. Uma forma de superar parte dos problemas enquadrados neste item 4 seria o uso da prática de “Revisão de Projeto”. existem limitações de capacidade de equipamento e de geometria (comprimentos e diâmetros. bem como verificação de integridade e desempenho das fundações prontas. uso de processos construtivos apropriados executados com pessoal experiente e equipamento adequado.

resultando elementos cravados aquém das necessidades [ABNT NBR-6122 (1996) especifica peso mínimo de martelo relacionado com o peso da estaca sendo cravada. observadas e o projeto verificado para a condição real. . 5. Apresenta-se a seguir os problemas que ocorrem nas fundações profundas e que são comuns a mais de um tipo de procedimento construtivo. .Erros de diâmetro ou lado do elemento.se não detectados resultam em mau desempenho das fundações.Substituição no canteiro da estaca projetada por elementos “equivalentes” na ausência de ferramenta. . prémoldados. .Erros ou desvios de execução. Cada sistema de fundação afeta de forma diferente o solo e os elementos já executados. e energia especificada nas estacas tipo Franki]. problemas genéricos de peso insuficiente do martelo ou baixa energia do sistema de cravação em relação à estaca sendo cravada. tubulares de ponta fechada). provocando alterações nas condições iniciais consideradas no projeto. responsável por inúmeros problemas construtivos e também de degradação. . Martelos leves em relação ao peso da estaca produzem “nega” ou impossibilidade de penetração. ou pelo uso de martelos muito mais pesados que o adequado em relação ao elemento sendo cravado ou altura de queda excessiva.Excesso de energia de cravação. ou insuficiência para ultrapassar eventuais obstruções ou horizontes intermediários resistentes. Problemas Genéricos. quando necessária.Fundações por estacas exigem uma comunicação eficiente entre o projetista e o executante. . metálicos. . avaliadas.2. 5. de forma a garantir que as reais condições construtivas sejam checadas. como as pré-moldadas de concreto e tipo Franki.Erros de locação. induzindo comprimentos diferenciados em blocos com grande número de estacas e até impossibilitando execução com espaçamento inicial de projeto. -Características do concreto inadequadas – problema típico das estacas moldadas “in situ”. sem que o comprimento atingido seja suficiente para a transmissão de carga ao solo.) . Típica de soluções por pessoal não qualificado. .Falta de energia de cravação.Posicionamento indevido de armadura ou falta de efetiva vinculação nos casos de estacas tracionadas. não transmitindo a solicitação às estacas. típico de blocos com várias estacas que provocam deslocamento do solo na cravação (Franki.Falsa nega – após obtenção de nega na . etc.Compactação do solo.1. ou material. pré-moldada de concreto. Dependendo da magnitude do levantamento pode haver prejuízo no desempenho das fundações.Falta de limpeza adequada da cabeça da estaca para vinculação ao bloco.Inclinação final executada em desacordo com o projeto. provocando danos estruturais aos elementos de fundações (madeira.Ausência ou posição incorreta de armadura de fretagem de projeto no bloco ou topo do elemento de fundação. . com erros conceituais de eficiência ou comportamento. exigindo a análise detalhada em cada caso para avaliação de adequação do método de cálculo e estudo da estabilidade e eficiência da solução projetada. O efeito é benéfico do ponto de vista de resistência individual da estaca. especialmente os granulares nas estacas cravadas com deslocamento de solo. ou adoção de solução padrão sem justificativa. . sendo necessário em alguns casos à execução de pré-furo para permitir a cravação até a profundidade necessária.2.Levantamento de elementos já cravados pela execução de novos elementos. . Deve-se também considerar que a execução de uma fundação profunda afeta o solo e as fundações vizinhas já executadas. .2 Estacas Cravadas As estacas executadas por cravação de elementos na massa de solo podem ter os seguintes problemas: .

5. com o cimento já em processo de hidratação. tem seus problemas correntes são discutidos na seqüência: . uso intencional de lama como lubrificante entre o revestimento e o material lateral para facilitar a retirada do revestimento.Falta de integridade do fuste ao ser utilizado concreto com baixa . . Não sendo detectado o defeito. ou impedindo procedimento usual de execução.Redução de resistência lateral das estacas pelo amolgamento do solo devido ao movimento de colocação do revestimento. . muitas vezes dificultando ou prejudicando a concretagem. A concretagem deve ser executada de forma compatível (material e processo) com o sistema construtivo. . no caso de grupos de estacas muito próximas a taludes. com traço inadequado. resultando em segregação na concretagem. .Presença de água na perfuração por ocasião da concretagem. resultando em comprometimento do contato entre o concreto e o material abaixo dele.3 Estacas Escavadas O grupo que pode ser denominado como o das estacas escavadas. com supervisão estrita para garantir a qualidade da estaca. aquelas em que ocorre a retirada do solo para sua confecção. as estacas devem sempre ser recravadas após 24 horas.Dosagem do concreto pobre em cimento.Presença de situação de artesianismo (água sob pressão).cravação. . incapazes de resistir à pressão do concreto fluido.Influência do uso de jato de água ou da préperfuração na capacidade de carga devido à resistência lateral das estacas: quando é utilizada correlação entre valores de resistência do solo obtidos por ensaios realizados na condição original e as estacas são executadas com pré-furo ou jato de água para permitir penetração até certa profundidade. em situações novas. para verificação de desempenho. Este fenômeno pode ter origem em vários mecanismos de comportamento do solo. . a estaca apresenta reduzida capacidade de carga.Limpeza de base inadequada. podendo resultar.Amolgamento de solos argilosos saturados e conseqüente redução de resistência. dificultando a concretagem de estacas. sem o emprego de lama bentonítica. ao verificar a penetração na recravação. .Execução de estaca próxima a elemento recentemente concretado. com a conseqüente redução da resistência de ponta da estaca. Deve-se ter cuidado especial nas estacas de grande diâmetro armadas quando é colocado enrijecimento na armadura. resulta em elemento concretado de baixa resistência ou sem integridade. .Desmoronamento das paredes de escavação não protegida durante a concretagem e interferência na continuidade da estaca. . Situações de artesianismo são de difícil identificação na fase de investigação de subsolo.Variação de diâmetro da estaca pela presença de solos muito moles. . em condição de solos instáveis ou pouco resistentes. Quando a condição de “falsa nega” não é identificada. resultando em elemento com problema de integridade ou baixa resistência. De acordo com a boa prática. Este é o principal causador de mau desempenho das estacas escavadas.Presença de armadura pesada ou mal posicionada. tais como a geração de poro-pressões negativas durante a cravação ou relaxação do solo. a estaca penetra facilmente. ou colocação do revestimento após o uso inicial de lama fortemente contaminada ou ainda. .2.Geração de elevação da pressão neutra em solos argilosos saturados. na ruptura dos mesmos. . . ensaios de piezocone são recomendados para esta finalidade em locais de possível ocorrência. pode ocorrer redução de capacidade de carga. .Demora na concretagem com concreto já em processo de início de pega.Problemas de integridade ou continuidade. comprometendo seu desempenho. tornando-se instáveis e provocando o seccionamento do fuste da estaca. especialmente as de diâmetro inferior a 50 cm. afetando sua integridade. A estaca construída terá baixa resistência ou problema de integridade. dificultando e comprometendo a concretagem. o desempenho será desastroso.

com os cuidados necessários para seu uso. 5. com a armadura impedindo o contato do concreto com o solo e resultando redução de resistência.3 Métodos de Controle e Avaliacao de Desempenho de Estacas Dentre os procedimentos e ensaios disponíveis para controlar ou estabelecer o desempenho final de fundações estaqueadas.Amolgamento ou recobrimento de parte do fuste da estaca por solo transportado de camada muito mole pela ferramenta de escavação ou problemas de execução da estaca. As Figuras 1a. 1b e 1c a seguir mostram esta condição para diferentes ocorrências [LCPC (1978) e ADSC/DFI (1989)] e são extremamente úteis no entendimento das informações que tal controle possibilita. Quando é feita a comparação entre o volume teórico e sua evolução com o real.trabalhabilidade (abatimento reduzido) em estacas armadas. .1 Controle Concretados Preciso dos Volumes Uma das formas de detecção de defeitos ou problemas na execução de estacas moldadas no local é a realização de controle preciso dos volumes concretados à medida que o processo é realizado. (a) (b) .3. 5. é possível detectar situações anômalas. apresenta-se a seguir aqueles disponíveis no mercado. de fácil adoção.

Os ensaios de verificação de integridade tipo PIT (Pile Integrity Testing). 5. pela condição de constância de geometria e propriedade do material. 5. mas serem considerados como “elementos com falha” ou não qualificados. até para a escolha dos elementos a serem inspecionados por escavação ou testados em provas de carga estáticas ou ensaios dinâmicos. inspeção visual ou ensaios de carregamento deve ser utilizado para melhor definir a adequação dos elementos assinalados desta forma.3. Comparação do volume real de concreto necessário ao preenchimento da estaca. deve começar com a execução de controle de integridade. tornaram-se rotineiros em obras de responsabilidade. uma vez que variações na seção e/ou nas características do material da estaca podem não se constituir em comprometimento dos elementos de fundação.3 Provas de Carga Quando ocorrem dúvidas sobre a real condição executiva das fundações profundas no que se refere à sua capacidade de transferência de carga ao solo. A análise de ensaios de integridade em estacas moldadas “in situ” requer boa qualificação e muita experiência. (c) Exemplo ADSC/DFI (1989). (b) Exemplo LCPC (1978) onde a curva 1 representa situação em que o concreto rompe a estabilidade quando atinge a profundidade de 5 metros e passa a preencher a cavidade da zona cárstica e a curva 2 representa concretagem preenchendo vazio da zona cárstica.2 Ensaios de Integridade Existem procedimentos técnicos disponíveis para a verificação da integridade estrutural de fundações profundas. de forma incremental e o teórico: (a) Exemplo LCPC (1978).3. As estacas pré-moldadas de concreto são as de maior facilidade de interpretação dos resultados obtidos. além do controle construtivo minucioso. ABNT NBR 12131/1991. Nesta circunstância. ou dinâmicos. até mesmo todas as estacas executadas.(c) Figura 1. e detectar padrões de anomalias ou conformidade. Um bom programa de avaliação de qualidade de um estaqueamento. O baixo custo e a facilidade de execução do ensaio permitem testar qualquer quantidade de elementos. ABNT NBR 13208/1994. Sua interpretação permite determinar a condição real de execução das mesmas. cujo uso elimina dúvidas sobre as condições obtidas no processo construtivo. A Figura 2 abaixo mostra curvas cargarecalque típicas para diferentes condições de estacas. podem ser realizadas provas de carga ou ensaios estáticos. .

Figura 2. A literatura especializada apresenta inúmeras formas de interpretação dos resultados de provas de carga estática. 1980). se constituindo em ferramenta valiosa no processo de verificação de qualidade de fundações profundas. Diferentes métodos de interpretação resultam em valores diferenciados de capacidade de carga. 6. Comportamentos típicos carga-recalque de estacas (Milititsky. 6 EVENTOS FUNDAÇÃO PÓS-CONCLUSÃO DA Serão apresentados alguns dos casos em que ao final da construção a fundação apresentava adequado comportamento e. A situação mais indicada de uso de provas de carga como garantia de bom comportamento de fundações profundas é aquela em que a adequação das premissas de projeto e procedimentos construtivos é testada antes do início da execução do estaqueamento propriamente dito. devido à “Eventos Pós-Conclusão”. É relevante indicar a necessidade de utilização de empresas qualificadas. que se somam ao padrão recomendado pela Norma Brasileira de Fundações (ABNT NBR 6122/1996).1 Carregamento Próprio da Superestrutura . devendo ser objeto de análise de profissional especialista no tema quando da solução de problema específico. O baixo custo dos ensaios dinâmicos e reduzido prazo de execução dos mesmos quando comparados ao das provas de carga estática resultou em aumento significativo de uso. com pessoal treinado e especializado. como requisito mínimo para atingir a condição de confiabilidade necessária nos resultados dos ensaios dinâmicos. tem alterado sua segurança e estabilidade.

2000. outra situação ocorre quando são realizadas construções de grande porte ou estocagem de materiais pesados junto a prédios existentes em fundações diretas ou profundas leves. afetando e sobrecarregando as fundações.2 Movimento da Massa de Solo Decorrente de Fatores Externos Inúmeros problemas de fundações são decorrentes de movimentação ou instabilidade da massa de solo do qual depende a estabilidade de fundações.2. não somente considerando as cargas da estrutura propriamente dita. alterações significativas no carregamento das fundações resultam em problemas de comportamento. 6. É sempre importante a verificação das condições para as quais as fundações foram efetivamente projetadas. as seguintes medidas podem auxiliar na redução de vibrações causadas pela inserção de estacas cravadas: . 1995). tubulares de ponta fechada. Outra situação é a estocagem pesada de materiais sobre pisos internos ou externos não prevista inicialmente em projeto. 1995) que podem afetar elementos já implantados ou de edificações adjacentes (Hiller & Crabb. Planejamento do estaqueamento. provocada por fatores que não estão necessariamente relacionados com o carregamento transmitido pelas fundações. Em geral.. bobinas de papel. 6. cravação de estacas.Uso de estacas com a menor área de seção transversal possível. passam a existir depósitos de metais. demolições. conforme constatado na execução de estacas pré-moldadas próximas à edificação abrigando centro de computação. especialmente as que provocam deslocamento da massa de solo (estacas prémoldadas de concreto. compactação vibratória de solos. provocam alteração de solicitações na massa de solo (Westerberg et al.Dentre os eventos possíveis de ocorrência na etapa pós-conclusão das construções.2. mas o seu entorno. as vibrações são rapidamente atenuadas em solos não-coesivos. Usualmente. containers e estocagens industriais pesadas. em areias compactas. rebaixamento de lençol freático. BRE Digest. Entre elas incluem-se: escavações. 6. antes de permitir a alteração de uso das instalações. na alteração de uso.2 Cravação de Estacas Existem poucas referências sobre o tema “recalques de solo” provocados por cravação de estacas. Franki). explosões. Deslocamentos do solo podem ser causados por várias atividades relacionadas com construções. . podendo decorrer de alterações no uso da edificação ou ampliações e modificações não previstas. a inserção de estacas através de vibração em solos não-coesivos causa menos perturbação nas proximidades do que a cravação com o uso de martelos de queda livre. Na Figura 3 são apresentados resultados de D’Appolonia (1971) relacionando movimentos causados em edificações com a distância de cravação de estacas. sem o cuidado essencial de promover junta entre ela e a já existente. Em algumas situações afetam equipamentos sensíveis como os de informática em prédios distantes até 50 metros. De forma geral. mas propagam-se a grandes distâncias em solos coesivos. Apresenta-se a seguir alguns casos possíveis deste tipo de ocorrência. ou o uso de equipamentos vibratórios para a cravação de elementos de fundações. A cravação de estacas através de esforços dinâmicos. iniciando com as estacas mais próximas a .Cravação com auxílio de jato de água.Execução de pré-furo. tráfego pesado. Este tipo de ocorrência é comum quando. . mas a ocorrência de tais conseqüências é do conhecimento dos profissionais envolvidos com tais solicitações. ocasionando superposição de pressões e recalques adicionais na edificação antiga. quando o sistema se desconectava pela vibração causada pela cravação em solos granulares. dois tipos de situação podem ocorrer: a primeira é quando nova construção é edificada.1 Alteração de Uso de Terrenos Vizinhos Com referência à alteração de uso de terrenos vizinho.

São típicos de obras industriais ou pavilhões. devido a sua precariedade. etc.Avaliação geotécnica do local da detonação e da área de risco no entorno. . aumentando o número de impactos para obter o mesmo resultado. O uso de compactadores vibratórios com cargas estáticas inferiores a 20 kN não requerem maiores precauções. 6.2. quando de sua implantação. Se ainda assim houver qualquer dúvida sobre possibilidade de dano à edificação. Assim mesmo.). Como regra de segurança. Todos os imóveis de alguma forma sofrem danos por conseqüências naturais (variações de temperatura e de umidade.2. além de provocar vibrações. O planejamento de detonações deve incluir as seguintes etapas: .Uso de estacas escavadas quando existir risco de grandes recalques devido a vibrações.Investigação da estabilidade das fundações e das condições dos prédios na área de risco. pela propagação das vibrações na massa de solo e seus efeitos no comportamento quando submetido a carregamento. estabelecendo parâmetros para a segurança das populações vizinhas. somente compactadores estáticos devem ser utilizados. devendo ser controlados pela adoção de um correto plano de fogo e de uma cobertura eficaz (usualmente pneus e terra). entre outros fatores. nas proximidades de edificações. A Norma Brasileira ABNT NBR 9653 (1986) fixa a metodologia para reduzir os riscos inerentes ao desmonte de rocha com uso de explosivos em minerações. A pressão sonora depende não somente do plano de fogo. a distância mínima (em metros) de edificações de compactadores com cargas estáticas elevadas deve ser de 0.15 vezes o peso do mesmo em kN.3 Compactação Vibratória e Dinâmica A compactação de solo com equipamento vibratório ou de impacto de grande porte pode provocar efeitos significativos em edificações próximas.edificação existente e avançando para longe da mesma.Evitar equipamentos de cravação vibratórios em argilas. como regra geral. Este tipo de atividade deve ter previsão cuidadosa e especificação adequada de equipamentos para evitar a ocorrência de danos significativos.Uso de altas energias de impacto somente em solos coesivos. 1971). . recalques. quando não forem executadas análises específicas. superiores a 50 kN não deveriam ser utilizados em centros urbanos. . também ela pode ser controlada através de medidas de precaução. passam despercebidos no transcurso do tempo. também provoca o lançamento de fragmentos e pressões sonoras que também podem causar problemas.4 Explosões O emprego de explosivos para o desmonte de rochas ou demolição de estruturas de concreto. Movimentos em edificações no Campus do MIT como função da distância de cravação de estacas (D’Appolonia. . Porém a execução de uma detonação resulta em geral em que os ocupantes dos prédios próximos passem a realizar minuciosa Figura 3. .Uso de pequenas alturas de queda de martelos em solos granulares fofos. compactadores com cargas estáticas . no entanto. quando de pequena monta. Muitas vezes esses danos. mas também das condições atmosféricas. O lançamento e projeção de fragmentos provocam acidentes graves quando permitidos. uma vez que a condução das ondas de choque depende da xistosidade e da distância entre planos de fraqueza da rocha. 6.

Segundo a ABNT NBR 6118 (2003). túneis. cuja avaliação deve ser prevista nas etapas de coleta . Fertilizantes.Investigação sobre relações entre valores de velocidade de pico das partículas (valor utilizado para expressar a vibração). Em sólidos porosos. 3. . Seu projeto necessita informações referentes aos processos e elementos envolvidos. Com a previsão da velocidade de pico das partículas com relação às distâncias críticas (este dado informa a amplitude máxima da onda vibratória que atingirá determinado ponto por ocasião da detonação). cisternas) que podem ser danificadas pelas detonações.Avaliação de obras subterrâneas (e. 7 DEGRADAÇÃO de dados do solo (investigação). Setores tipicamente objeto de problemas especiais são os de Celulose e Papel.vistoria à busca de eventuais danos causados pelo emprego de explosivos em obras próximas. Assim. sons e pó. duas condições principais devem ser satisfeitas: reduzida relação água/cimento e maior tempo possível de impedimento de evaporação da água de hidratação da pasta (cura). Açucareira e Vitivinícola. 7. Na presença de aterros com rejeitos industriais. .Análise da sensibilidade a vibrações de equipamentos eletrônicos (e.1 Concreto A durabilidade do concreto de cimento Portland é definida como a sua capacidade de resistir à ação das intempéries. . Para tanto.g. Química e Petroquímica. Em condições usuais um ambiente agressivo pode ser identificado pela resistividade do solo. ataques químicos. locais de depósito de elementos potencialmente agressivos ou de natureza desconhecida. Na etapa de investigação do subsolo a presença de materiais agressivos ou contaminantes deve ser identificada para ser considerada adequadamente na solução do problema. devido à existência de uma forte correspondência entre a relação Todos os projetos de engenharia com elementos enterrados ou em contato com o solo e água devem considerar os aspectos de permanência e integridade em longo prazo. análise-projeto e execução.Informação aos moradores da região sobre possíveis vibrações. sabe-se que a água é a causa de vários processos físicos de degradação.g. obedecidos os limites determinados pela previsão da velocidade de pico das partículas. As fundações de unidades industriais são casos típicos de ocorrência de problemas de degradação.Investigação e avaliação de resposta das estruturas próximas à vibração. nos casos de ampliação é na fase de investigação do subsolo que as questões ambientais existentes devem ser identificadas. Como orientação a Tabela 2 apresenta a classificação de agressividade a partir de análise química do solo e água proposta pela Norma Alemã DIN 4030 (1998). . . Recomenda a boa prática de engenharia que antes de ser iniciados trabalhos dessa natureza. ou quaisquer outros processos de deterioração. pH. podem ser estabelecidas as quantidades limite de explosivo a serem detonadas por espera. A deterioração do concreto pela atuação dos agentes agressivos será tão menor quanto menores forem seus índices de permeabilidade e porosidade. os limites orientativos dos teores de substâncias agressivas são os apresentados na Tabela. centrais de computadores. é necessária uma avaliação abrangente das potenciais substâncias agressivas. cargas explosivas utilizadas e distâncias. Segundo o Comitê EuroInternacional do Beton (1993). teor de sulfatos e cloretos. pode-se afirmar que. A ação dos elementos naturais ou contaminações destes sobre os materiais das fundações passa pela verificação da existência de materiais agressivos e seus possíveis efeitos. microscópios eletrônicos) localizados na área de risco. seja elaborada inspeção e laudo fotográfico com a finalidade de conhecer eventuais situações de risco e demonstrar a existência de danos previamente existentes nos imóveis localizados dentro a área de abrangência dos eventos. Laticínios. as edificações existentes na área crítica considerada não sofrerão maiores alterações por decorrência das detonações pretendidas.

45 Segundo o Building Research Establishment (2001) e CIRIA Report C569 (2002) as relações água/cimento máximas (e seus respectivos teores de cimento mínimos) a serem utilizadas em concreto para resistir a ataques de agentes químicos variam entre 0. A corrosão do aço de estacas metálicas também pode ocorrer se os elementos de fundação estiverem em contato com solos contendo materiais agressivos ou aterros. em mg/l Amônia (NH4) em mg/l 15 .5 > 100 > 250 > 500 > 1500 Tabela 4. Classe de pH CO2 Amônia Magnésio Sulfato agressividade agressivo em (NH4) em (Mg) em (S04) em mg/l mg/l mg/l mg/l I > 5. Aspecto Avaliado Grau de Agressividade Leve Severo pH 6.700 III 5.35 (400 kg/m3) a 0. 7.30 100 .500 700 1500 IV < 4. tais como os expressos na Tabela 4.5 30 . Concreto Tipo Classe de agressividade (Tabela 7.55 ≤ 0.50 IV ≤ 0. 2003). Classificação da agressividade do ambiente visando a durabilidade (Comite Euro-Internacional du Beton.45 ≤ 0. a resistência à compressão do concreto e sua durabilidade.3) I Relação água Concreto / cimento em Armado massa Concreto Protendido ≤ 0. água/cimento.65 ≤ 0.30 30 -60 Magnésio (Mg) em mg/l 100-300 300-1500 Sulfato (S04) em mg/l 200-600 600-3000 Muito Severo <4. 1993).2 Aço Estacas metálicas executadas em solos naturais.60 II ≤ 0.30 30 .50 < 50 < 50 Tabela 3.150 150 .9 -5. em contato com água e ar podem estar sujeitas à corrosão e devem ser adequadamente projetadas.250 250 .100 150 .55 III ≤ 0.5 >60 >60 >1500 >3000 do concreto Sólidos dissolvidos (mg/l) > 150 150 .5 5. Correspondência entre classe de agressividade e qualidade do concreto (Ibracon.60 ≤ 0. Agressividade natural segundo DIN 4030 (1998).5-4.5-5.55 (300 kg/m3). é permitido adotar requisitos mínimos em termos da relação Tabela 2.0 -4. Estruturas marinhas de concreto armado devem ter recobrimentos de armadura de mais de 50 mm e com baixa relação água/cimento para reduzir a permeabilidade do mesmo ao mínimo.250 400 .0 20 .9 < 20 < 10 < 150 < 400 II 5. se estiverem localizados em ambiente marinho ou se estiverem submetidos aos efeitos de variação .60 (CaO) em anidrido carbônico (CO2).5 Dissolução óxido de cálcio 15 . respectivamente em ambientes muito agressivos a agressivos.água/cimento.

50 2. enquanto que os demais são extrapolações. etc. Nota: Os valores para 5 e 25 anos são baseados em medidas. acima e abaixo do lençol freático (European Standard EN 1993-5.20 não compactados Aterros de materiais agressivos (cinzas. acesso ao oxigênio e da química do ambiente circundante ao elemento de fundação. Problemas de patologias em edificações são.20 1.70 1.20 1. Publicação mais recente (Socotec. mesmo com o desenvolvimento e aprimoramento da técnica e de procedimentos e da implantação de programas de qualidade e acompanhamento.50 3. Causas e conseqüências de patologias em obras de engenharia foram discutidas nesta publicação. 1999). portanto freqüentes. envolvem análise de risco e comprometem recursos expressivos dos setores público e privado. Vida útil 5 anos 25 anos 50 anos 75 anos 100 anos Solos naturais não zero 0. 8. Somente os casos catastróficos chegam ao conhecimento da opinião pública.60 0. As Tabelas 5 e 6 apresentam sumário da experiência européia. dificultando a avaliação estatística de suas ocorrências.25 pantanosos.25 4.75 2. que cita os casos registrados de patologias de todas as naturezas em obras na França. Corrosão (mm) em estacas metálicas em solos. fazendo com que não se tenha uma avaliação quantitativa da real extensão do problema. Tabela 5.) não compactados. A estatística francesa (Logeais. 2003).75 1. etc.25 3. 0.75 resíduos. buscando-se através do relato de casos substanciar a ação de engenheiros e desenvolver indicadores capazes de mediar o relacionamento entre o setor produtivo e os organismos de regulamentação e fiscalização.30 0.00 3.de nível de água.50 5. mas o aumento de casos de patologias e a necessidade de intervenção em determinada etapa das obras são do conhecimento de profissionais e de entidades de classe.00 industrial Solos naturais agressivos (solos 0. pH. 1982) mostra que em dois mil casos estudados naquele país. CONSIDERAÇÕES SOBRE ACOMPANHAMENTO DE PATOLOGIAS EM ESTRUTURAS Não é freqüente o relato de casos de patologias em obras. com indicações referentes às recomendações de normalização (European Standard EM 1993-5.15 0.20 perturbados Solos poluídos e com contaminação 0.50 2. 2003).90 1. A ação da corrosão é função da temperatura ambiente.00 1. . indica o crescimento do número de problemas na década de 90. Não existe no Brasil nenhum mecanismo de registro e acompanhamento sistemático de problemas em obras que identifique a ocorrência relativa ao número total de empreendimentos.18 0. Aterros de solos 0.).70 2. cerca de 80% dos problemas foram decorrentes do desconhecimento das características do solo. turfosos.

com equipamento topográfico de precisão. enquanto que os demais são extrapolações. canais. o projeto apresenta aspectos especiais ou quando é necessário o acompanhamento de seu desempenho devido à escavação de grande porte próxima.90 3. Os pontos de medição também devem ser escolhidos de forma a facilitar as leituras e fornecer os dados necessários ao acompanhamento ou solução do problema suscitado. Água do mar em clima temperado nas zonas de alto 0. da evolução dos recalques com o tempo ou com os estágios de carregamento. Corrosão (mm) em estacas metálicas em água doce e água do mar (European Standard EN 1993-5. O primeiro cuidado a ser tomado é o da escolha da posição do “bench mark”.75 5. referenciado a um “bench mark” ou marco de referência. semestrais ou anuais quando os efeitos a serem verificados são de longo prazo.15 1.40 ataque (linha d’água).25 0. como ilustrado na Figura 4. 8. 2003).30 4. mensais ou bimensais como condição de rotina. etc. de forma regular.15 0. Podem ser diários em casos especiais ou situações de risco. e não apresentar nenhum tipo de deslocamento relativo. sendo os resultados apresentados em gráficos “tempo versus recalque”.55 1. esgoto. Água doce muito poluída (efluentes industriais.55 0.90 1. A periodicidade das medidas é relacionada com os efeitos que devem ser acompanhados.60 3. As medidas são realizadas. semanais nos caso de etapas de escavações e execução de tirantes para verificação e controle de seus efeitos. Vida útil 5 anos 25 anos 50 anos 75 anos 100 anos Água doce (rios. 0.) na zona de alto ataque (linha d’água).) na zona de alto 0.90 1.60 7.50 permanente ou na zona de variação de maré Nota: Os valores para 5 e 25 anos são baseados em medidas. que necessariamente deve ficar localizado em local não afetado pelos eventuais deslocamentos medidos.Tabela 6.50 ataque (zonas de maré baixa e respingo) Água do mar em clima temperado nas zonas de imersão 0.30 1. recomenda-se a realização do controle de recalques da área. .1 Controle de Recalques Quando existem dúvidas referentes ao comportamento de uma fundação.30 2. O procedimento consiste na medida.30 etc.75 2.30 3.

Como indicação genérica de valores usuais. é aspecto fundamental. . . representando milésimo de milímetro por dia.prédios com mais de 5 anos.(a) (b) Figura 4. fase construtiva. velocidade menor que 10 µ /dia. a tendência.entre 100 e 200 µ /dia e constantes: necessária a adoção de medidas corretivas no processo executivo.prédios entre 1 e 5 anos. reaterro ou adoção de medidas cautelares.até 50 µ /dia: seguro. os valores são muito variados em função. Os valores observados na prática dependem de inúmeros fatores. referimos os seguintes: . usual. cautela e aumento da regularidade de medidas. ou seja. . Os valores abaixo são indicados como orientação geral (Milititsky. É importante ressaltar que podem ser observados valores diários elevados. fase construtiva. µ /dia. 2000): . As medições devem ser acompanhadas imediatamente pelos executantes dos serviços e pelo projetista para tomada de decisão. do solo sendo escavado.acima de 400 µ /dia: emergência e risco de acidente. A unidade na qual se explicita a velocidade é micras/dia. (a) Planilha com resultados de controle de recalques. Nos casos de controle realizado para acompanhamento do efeito de escavação próxima. da magnitude da escavação. . aceleração. . até 80 µ /dia. indicando a tendência dos deslocamentos. até 200 µ /dia. constância ou redução.prédios em fundações diretas. do tipo e geometria da fundação sobre a qual se apóia a estrutura. a magnitude isoladamente não é indicador absoluto a considerar. (b) apresentação da evolução das medições em gráfico tempo versus recalque. entre 10 e 20 µ /dia. a velocidade e qualidade de execução e tipo de escoramento. o mais relevante deles sendo o comportamento do solo sob carga. entre outros.até 80 a 100 µ /dia e atenuando: razoável.prédios em fundações profundas.acima de 200 µ /dia: situação de urgência. Tão importante quanto o valor absoluto dos recalques medidos é sua velocidade de ocorrência. . . .

para evitar conclusões equivocadas. As medidas podem ser realizadas com paquímetros ou fissurômetros. como forma de caracterizar a gravidade do problema e seu aspecto ativo ou sua estabilização. Os resultados devem ser apresentados preferencialmente na forma de estereogramas para melhor caracterizar a tipologia da patologia e tabelas de progressão sistemática dos valores medidos. resultando em planilhas e gráficos como mostrado na Figura 5. No monitoramento. devem ser considerados os efeitos da temperatura nos elementos da construção. as leituras posteriores são comparadas e analisadas frente aos efeitos da escavação.8. 8.2 Controle de Verticalidade Quando se executam escavações nas proximidades de edificações. mas resultantes de problemas construtivos da própria obra observada. para não produzir resultados incoerentes. caso contrário pode haver uma superposição de efeitos de difícil avaliação. Planilhas e gráficos com leitura periódica de verticalidade realizada com aparelho topográfico de precisão. na mesma hora. é comum a realização de controle de verticalidade dos prédios. sempre nos mesmos pontos. sendo preferível que as leituras sejam sempre realizadas pelo mesmo operador. havendo várias propostas de descrição de sua .3 Controle de Trincas Outra forma usual de acompanhamento de patologias após seu surgimento é o controle sistemático de abertura e extensão de trincas. Os resultados das medições devem ser submetidos imediatamente aos profissionais envolvidos para que eventuais efeitos nocivos ou agravamento de risco sejam imediatamente identificados. não necessariamente provocados pela escavação. A leitura inicial deve ser realizada antes do início das atividades cujo efeito se quer avaliar. Sempre mais de uma direção e todas as paredes opostas devem ser objeto das medições. O trabalho deve ser realizado com muito cuidado e de forma criteriosa. Trata-se de leitura periódica de verticalidade realizada com aparelho topográfico de precisão. A partir de valores iniciais de desaprumo. É importante o acompanhamento da progressão das trincas e suas dimensões. como forma de acompanhamento dos efeitos produzidos. Figura 5.

severidade. número de Paredes fora do prumo. Redes de utilidade podem estar interrompidas. Usualmente > Reparos significativos envolvendo 25. Tabela 7.05 – 0. Paredes depende do requerem escoramento. como apresentado nas Tabelas 7 e 8. visíveis sob inspeção detalhada. Trincas externas visíveis e <5 sujeitas à infiltração. típicas da prática inglesa. Perigo de instabilidade. Classe de Danos Descrição de Danos Largura aproximada das trincas (mm) < 0. <1 Trincas na alvenaria externa. sua conectividade e possíveis origens e causas.3 > 0.05 0. Janelas número de quebradas. Trincamento em elementos portantes ou sua progressão são indicadores de risco e devem ter tratamento emergencial. Portas e janelas emperrando um pouco nas esquadrias. Boscardin & Cording (1989).15 0. Portas e janelas emperradas. trincas. A análise da gravidade ou origem de trincamento em edificações não é trivial. também em especialmente sobre portas e janelas função do substancialmente fora do esquadro. Burland (1995). Classificação de danos em paredes [National Coal Board (1975). Várias fraturas pequenas no interior da edificação. Utilidades interrompidas.15 – 0. pela usual complexidade que envolve o comportamento dos materiais. mas reconstrução parcial ou total. CIRIA (2003)]. com participação de especialista. O fechamento das trincas requer significativo preenchimento.3 - . Necessidade de reparos envolvendo 15 a 25 e remoção de pedaços de parede.075 . Trincas facilmente preenchidas. com eventual trincas deslocamento de vigas de suporte. 0. Talvez 5 a 15 ou várias seja necessária a substituição de trincas com mais de 3 mm pequenas áreas de alvenaria externa.075 Desprezíveis Muito pequenos Trincas capilares Pequenos Moderados Severos Muito Severos Trincas estreitas de fácil reparo.0.1 Limite de deformação por tração (%) 0 – 0.

na forma de estudo preliminar ou anteprojeto. Surgimento da prática da terceirização dos serviços por empresas não especializadas. empresas e projetistas executantes de diagnósticos e trabalhos de reforços para que houvesse conscientização do meio técnico quanto aos riscos e freqüência dos insucessos. além de aspectos específicos dos efeitos da execução dos trabalhos de engenharia nos prédios já existentes. e) contratação de profissionais e empresas pelo menor preço.Tabela 8. Experiência Inglesa de classificação de danos em edifícios (Thornburn & Hutchinson. A apresentação deste trabalho visa contribuir na . transmissão de cargas e deformações do solo sob carga. muitas das quais sem a devida qualificação. c) crescimento das cargas. contrariamente à boa técnica e ao bom senso. sem exigência de comprovação de competência e experiências compatíveis com o problema.3 0. complexidade das mesmas e esbeltez / fragilidade das estruturas modernas. Seria desejável que o meio profissional tivesse acesso a estatísticas nacionais e ocorresse ampla divulgação dos casos que ocorrem e são objeto de ação das seguradoras. Acelera efeitos da ação climática externa O uso da edificação será afetado. sem experiência e o devido conhecimento dos fundamentos de geotecnia em aspectos referentes a caracterização do comportamento dos solos. projeto ou fiscalização de fundações. Abertura de Fissura (mm) < 0. Ao serem contratadas as obras. f) licitação de obras sem projeto de engenharia completo.1 0.3 a 1 1a2 2a5 5 a 15 15 a 25 > 25 Residencial Insignificante Muito leve Leve Grau de Dano Comercial ou Público Insignificante Muito leve Leve Industrial Insignificante Insignificante Muito leve Muito leve Leve Moderado Severo a muito severo Severo a perigoso Efeito na Estrutura e Uso da Edificação Nenhum Nenhum Estético apenas Estético. Tal fato é decorrente de inúmeras causas e condições propícias. tornando a avaliação de “soluções” impossível pela falta de competência instalada dos contratantes. quais sejam: a) a proliferação de empresas de investigação do subsolo e de execução de fundações. as soluções consideradas “padrão”. os custos da solução ficam limitados ao valor da proposta e acabam. ou desconhecimento do fato que existem condições em que o solo apresenta movimentos independentes das cargas aplicadas sobre o mesmo. valores no limite superior podem por em risco a estabilidade. observa-se crescimento do número de patologias de fundações em nossa prática. condicionando a solução executada. b) o crescimento do número de profissionais envolvidos na definição do tipo. g) desmonte de equipes técnicas de empresas públicas e privadas decorrentes da falta de investimentos em infra-estrutura e falta de renovação de quadros técnicos por longo período. d) construções em áreas consideradas inadequadas no passado ou típicas de solos de baixa resistência.1 a 0. efeito da execução de elementos profundos na massa de solo. Cresce o risco da estrutura tornar-se perigosa Leve a moderado Leve a moderado Moderado Moderado a severo Severo a muito severo Muito severo a perigoso Moderado Moderado a severo Severo a muito severo Severo a perigoso E 9 RECOMENDAÇÕES COMENTÁRIOS FINAIS Considerando as obras correntes e a média da atividade profissional. 1985). em que os proponentes apresentam.

F. REFERÊNCIAS Milititsky. J. devem ser realizados ensaios específicos para dirimir todas as dúvidas ou então providenciar no reforço. ou houver dúvida sobre sua segurança. cabendo sempre a identificação das reais condições de implantação das fundações e das características relevantes do solo. sua solução passa pelo conhecimento. o de executar uma obra de desempenho seguro e satisfatório. Durante o processo construtivo. servindo como indicação de material bibliográfico a ser usado no aprofundamento do conhecimento sobre os diversos temas apresentados e possibilitar a avaliação e o entendimento dos problemas com divulgação de conhecimento. – 2006 – Patologia das Fundações. fiscalização de uma fundação. qual seja. com o objetivo de resultar em solução adequada e segura. especificação de serviços. bem mais simples e menos traumático nesta etapa do que após executada a superestrutura a que a fundação deve suportar. de qualquer porte. 199 pp. Na publicação que dá origem a este trabalho uma lista de referências abrangente é apresentada. N.. e indicar caminhos para que sejam adotados procedimentos adequados em todas as etapas da vida de uma fundação. considerando não apenas a obra propriamente dita. Oficina dos Textos. mas também seus possíveis efeitos em estruturas próximas. por parte de quem enfrenta o problema. . caso não houver condições objetivas de assegurar o bom desempenho de uma fundação. Ao ser constatado um problema de fundação. Somente após a determinação das causas do problema é que sua solução deve ser definida.formação de todos os profissionais envolvidos em obras de engenharia. investigação do subsolo e caracterização do comportamento do solo. em geral restrito. devem ser tomados cuidados especiais de forma a atingir o sucesso pretendido. projeto. Schnaid. de todas as possíveis alternativas. São Paulo. execução. Consoli. da tipologia mais abrangente dos possíveis problemas. a presença de mau desempenho. Na concepção. das condições para as quais o projeto foi desenvolvido e de todos os efeitos capazes de interferir ou provocar o mau comportamento. ou seja.

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