UNIFAMEC – Centro Universitário
Aluno: Saulo Rocha Moreira
Disciplina: Socioantropologia
Professor: Jaime Marques
Data: 14/08/2025
Referência: MELLO, Luiz Gonzaga de. Antropologia cultural: Iniciação, Teoria e
temas. 11ª ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2004. 177 – 197 p.
FICHAMENTO
1. Orientação teórica e objetivo do estudo:
Paul Mercier adota divisão própria da história da antropologia, distinta de Penniman,
com quatro períodos:
a) Formação (…–1835)
b) Convergência (1835–1869)
c) Construção (1869–1900)
d) Crítica (1900–…)
O estudo considera três níveis analíticos apontados por Pareto: objetivo, subjetivo e
utilidade (p. 178–179).
2. Período de Formação (…–1835):
Ligado à própria cultura da humanidade; caracteriza-se pela reflexão sobre a origem
e realidade do homem.
“Toda sociedade, tendo ou não atingido a fase científica, construiu uma antropologia
a seu jeito” (p. 180).
Contribuições culturais diversas, desde representações pré-históricas até códigos
jurídicos e construções (ex.: Código de Hamurabi).
Importância da herança greco-romana para a formação da antropologia.
Idade Média vista não apenas como “noite de trevas”, mas como época de
preservação e reformulação cultural (p. 184–185).
Contribuições árabes e orientais, como Ibn Khaldun, e o papel da navegação e
expansão marítima no acúmulo de conhecimentos (p. 185–187).
Séculos XVI–XVIII marcam avanço no conhecimento empírico, invenção da
tipografia, desenvolvimento da antropologia física e surgimento da arqueologia (p.
187–189).
3. Período de Convergência (1835–1869):
Caracteriza-se pela consolidação do conceito de evolução, impulsionando estudos
culturais e sociais.
Criação de associações científicas e revistas especializadas (p. 191). Uso do
método comparativo e sistematização dos estudos antropológicos, com nomes como
Edward Tylor, Gordon Childe e Leslie White (p. 192–193).
4. Período de Construção (1869–1900):
Continuação do anterior, com intensificação das associações e sociedades
antropológicas.
Expansão da pesquisa de campo e aplicação de métodos científicos.
Nomes de destaque: Darwin, Herbert Spencer, Paul Broca, Quetelet (p. 192–193).
5. Período de Crítica (1900–…):
Fase mais fecunda; revisão de métodos e conceitos iniciais da antropologia.
Desenvolvimento das ciências sociais e incorporação de novas abordagens teóricas
(p. 194–195).
Influência de Franz Boas e crescimento dos estudos culturais, etnografia e
antropologia urbana.
Expansão para estudos de cultura popular, folclore, urbanização e cultura de massa.
Surgimento do estruturalismo de Lévi-Strauss, embora com críticas por obscuridade
em certas linhas (p. 196–197).
CITAÇÕES
“Nossa exposição levará em consideração os três níveis de análise apontados por
Pareto: o aspecto objetivo, o subjetivo e o de utilidade.” (p. 178)
“Enquanto este fala de um período de formação (… – 1835), um segundo de
convergência (1835 – 1869), um terceiro de construção (1869 – 1900) e um último
de crítica (1900 – …), aquele [Mercier] fala também de quatro períodos.” (p. 179)
“Toda sociedade, tendo ou não atingido a fase científica, construiu uma antropologia
a seu jeito: toda organização social, toda cultura tem sua interpretação própria.” (p.
180)
“Considera-se o conceito greco-romano para a formação da antropologia. De fato, a
contribuição mostra-se gigantesca e nunca convenientemente avaliada.” (p. 181)
“Foi um tempo de real florescimento das artes e das ciências.” (p. 186)
“Tudo isso favoreceu palpavelmente o domínio da ciência. O método experimental e
a indução foram cada vez mais cultivados.” (p. 187)
“Coincidentemente, neste mesmo período se deram as primeiras descobertas do
homem fóssil.” (p. 190)
“É a primeira contestação vigorosa aos métodos utilizados até então por quase
totalidade dos antropólogos, estreitamente ligados às teses evolucionistas.” (p. 191)
“Em 1864, a de Göttingen; no mesmo ano, a de Cracóvia; em 1865, a de Madri e a
de Nova Iorque.” (p. 192)
“Esse terceiro período é marcado por uma nova clareira nos estudos
antropológicos.” (p. 193)
“Este período que tem início em 1900 e se arrasta até hoje é, sem dúvida, o período
mais fecundo da antropologia.” (p. 194)
“A preocupação com o desaparecimento dos povos primitivos levou uma parcela de
estudiosos a se empenhar numa tarefa […] de coletar e registrar dados sem uma
maior preocupação teórica.” (p. 195)
“Foi certamente o maior e o mais metódico pesquisador de campo.” (p. 196)
“É verdade que o estruturalismo lévi-straussiano anda na moda, contudo não deverá
ter um futuro tão auspicioso.” (p. 197)
COMENTÁRIOS PESSOAIS
O texto apresenta uma visão cronológica e interpretativa do desenvolvimento da
antropologia, destacando a influência das transformações sociais, tecnológicas e
científicas sobre a disciplina. A divisão proposta por Mercier oferece um panorama
claro da evolução teórica e metodológica, permitindo compreender a passagem de
uma antropologia descritiva para abordagens mais críticas e interdisciplinares.