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EEM Intern5oAno

O documento aborda o exame do estado mental, destacando a importância da anamnese e da observação atenta dos comportamentos do paciente. Apresenta ferramentas para avaliação das funções psíquicas, como consciência, memória, atenção e afetividade, além de exemplos de registro de pacientes. Enfatiza a necessidade de um ambiente acolhedor e seguro para a realização do exame.

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O documento aborda o exame do estado mental, destacando a importância da anamnese e da observação atenta dos comportamentos do paciente. Apresenta ferramentas para avaliação das funções psíquicas, como consciência, memória, atenção e afetividade, além de exemplos de registro de pacientes. Enfatiza a necessidade de um ambiente acolhedor e seguro para a realização do exame.

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Faculdade de Medicina de Piracicaba- Universidade Anhembi Morumbi


Disciplina: Internato – 5º ano
Profa Marcela Alves de Moura
EXAME DO ESTADO MENTAL

Exame do histórico do problema apresentado pela pessoa, dos sinais e sintomas que
podem estar associados a esse problema e da capacidade funcional dessa pessoa.
Avalia a presença de possíveis transtornos, mas também avalia o potencial de saúde.

FERRAMENTAS:
• Anamnese:
o Relato espontâneo
o Entrevista dirigida

• Observação atenta e minuciosa de comportamentos, discurso, ideias, postura,


interações (com familiares ou com o entrevistador). Começa, muitas vezes,
antes do paciente ser chamado para o consultório (exemplo: forma como busca
pelo atendimento ou como se porta na sala de espera)

SAÚDE(OMS) – não só ausência de doença, mas estado de completo bem-estar


físico, mental e social. Referência importante para ajudar a diferenciar o que pode ser
fisiológico, apropriado ou patológico dentro de um contexto.

ASPECTOS GERAIS:

• Atender num ambiente ACOLHEDOR, PRIVATIVO E SEGURO – paciente


sentindo-se seguro e para proporcionar um atendimento seguro.
• Apresentar-se, explicar a finalidade do encontro e a necessidade da
colaboração entre o médico e o paciente.
• Garantir o direito a sigilo e as situações em que o sigilo precisa ser quebrado.
• Atentar para a apresentação da pessoa higiene, cuidado pessoal, vestimenta,
adornos, postura, linguagem verbal (tom de voz, palavras que usa) e não
verbal (expressão facial, gesticulação, contato visual)
• Fazer perguntas abertas que deem a oportunidade ao paciente fazer seu relato
espontâneo, sempre encorajando com comentários que demonstrem interesse
e perguntas que facilitem o relato.
• Atentar para a validade das informações fornecidas pelo paciente:
o Paciente parece capaz de fornecer informações confiáveis?
o Qual a capacidade cognitiva do paciente: muito jovem? Idoso? Tem
algum déficit?
o Paciente parece estar alterado? Receoso? Intimidado?
o Dissimulação (esconder informações) X Simulação (criar informações)
• Coletar:
o História do problema atual
o História de desenvolvimento psicossocial: a vida da pessoa,
convivência familiar, trabalho, relacionamentos, rotina, hábitos,
problemas de saúde
o História familiar de antecedentes mórbidos

• Exame físico: avaliação do estado geral do paciente, procura por marcas ou


cicatrizes (recentes ou antigas), alterações físicas que podem sugerir uso de
substâncias.
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EXAME DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS:

1. CONSCIÊNCIA: alerta, capaz de responder a estímulos, reconhecer a


realidade e a si mesmo
a. Lucidez
b. Obnubilação, sonolência: rebaixamento leve ou moderado do nível de
consciência
c. Sopor: marcada alteração da consciência, sem ação espontânea,
resposta a estímulo intenso (dor)
d. Coma: profundo rebaixamento de consciência, abolição de atividade
voluntária consciente
e. Transe: alteração qualitativa da consciência, com atividade motora
automática, semelhante ao sonhar acordado
f. Dissociação da Consciência: alteração qualitativa, com fragmentação
da unidade psíquica.

2. ORIENTAÇÃO: temporal, espacial e pessoa (alo e autopsíquica)

3. MEMÓRIA: capacidade de registrar, manter e evocar informações ou eventos


a. Imediata: segundos
b. Curto prazo (fixação): horas ou dias
c. Longo prazo (evocação): passado
d. Amnésia

4. ATENÇÃO: concentração, foco, distratibilidade.VOLUNTÁRIA- concentração


ativa e intencional. ESPONTÂNEA – interesse momentâneo, resposta a um
estímulo do ambiente.
a. Hipervigilância: hiper-reatividade, aumento da atenção, dificuldade de
sustentar foco
b. Hipovigilância: falta de atenção, com ou sem comprometimento da
concentração
c. Hiperprosexia: atenção aumentada para um estímulo externo que
dificulta a resposta a outros estímulos
d. Hiperfoco: atenção aumentada para um determinado tópico ou
tarefa de interesse

5. SENSOPERCEPÇÃO
a. Alucinações: percepção vívida e clara de um objeto externo, que não
existe em realidade. Podem ser: táteis, visuais, olfativas, auditivas,
gustativas, cinestésicas.
b. Ilusões: percepção alterada ou deformada de um objeto real externo
c. Hiperestesia
d. Hipoestesia
e. Despersonalização – alteração na percepção e experiência de si
mesmo
f. Desrealização – alteração na percepção do mundo externo que parece
irreal

6. PENSAMENTO: é importante observar CURSO (fluidez), FORMA (organização


e estrutura) e CONTEÚDO (TEMAS).
a. Aceleração
b. Lentificação
c. Pensamento derreísta- mágico
d. Pensamento vago
e. Pensamento prolixo
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f. Tangencialidade – respostas oblíquas, que fogem do essencial


g. Fuga de ideias – mudança de temas
h. Ideias de referência
i. Pensamento Desorganizado ou confusional
j. Descarrilhamento – pensamento sai do seu curso original, com perda
até de coerência
k. Delírio – crença que não corresponde à realidade (místico, grandeza,
persecutório, ciúme, amoroso)
l. IDEAÇÃO SUICIDA

7. LINGUAGEM/DISCURSO: coerência, organização, fluidez


a. Verborragia
b. Taquifasia
c. Bradifasia
d. Disartria
e. Ecolalia
f. Mutismo
g. Tiques verbais

8. CONDUTA (PSICOMOTRICIDADE E VOLIÇÃO)


a. Negativismo: recusa de fazer o que é pedido ou postura opositiva
b. Hipobulia e abulia: diminuição ou abolição da vontade
c. Impulso -ato que abole intenção, deliberação e decisão, é egossintônico
d. Compulsão- ato que abole intenção, deliberação e decisão, porém é
egodistônico, percebido como inadequado e indesejável
e. Agitação psicomotora
f. Inibição psicomotora
g. Estupor- perda da atividade espontânea, com consciência preservada
h. Tiques
i. Maneirismos, movimentos estereotipados
j. Automutilação
k. Catalepsia- aumento do tônus com diminuição da mobilidade –
Flexibilidade Cérea

9. AFETIVIDADE
a. Humor - O humor é o estado emocional interno e continuado do
paciente (depressivo, maníaco, disfórico, feliz, triste, ansioso, raivo,
eutímico, etc).
i. Eutímico
ii. Distímico
iii. Eufórico ou hipertímico
iv. Deprimido
v. Disforia – distimia acompanhada de mal-humor
vi. Irritado
vii. Oscilação do humor

b. Sentimentos/afetos: Afeto, é a expressão do humor (o que o médico


percebe): congruente? Afeto incongruente, afeto restrito, embotamento
afetivo, ambivalência afetiva, labilidade afetiva. Qual o afeto
predominante? tristeza, raiva, preocupação, alegria, angústia, etc.

i. anedonia (perda da capacidade de sentir prazer com as


vivências previamente pazerosas)
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ii. apatia

10. JUÍZO CRÍTICO: auto-avaliação e do ambiente; visão realista; auto-crítica


(ciência das suas capacidades e limitações); capacidade de julgamento

Fonte: Dalgalarrondo, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais.


Artmed (2000).

EXEMPLOS DE REGISTRO:

Exemplos:

Paciente 1: P1 é quieta, fala pouco, colabora com a entrevista, apesar de mostrar uma postura
opositiva e certa resistência (diz ‘não sei’ para muitas perguntas, nega-se a mostrar seu último corte,
argumenta insistentemente para não fazer o teste CAP). P1 mostra-se descuidada com a sua
higiene e cuidados pessoas (cabelo parece sujo e despenteado, maquiagem borrada). Ela evita
contato visual, ficando de cabeça baixa por boa parte da entrevista. Ela está orientada no tempo, no
espaço e quanto à pessoa. Seu discurso é predominantemente organizado e coerente, embora não
lembre de algumas informações importantes (o que antecedeu os cortes). Seu humor é distímico,
seu afeto é restrito, predominantemente triste. Sem evidências de sintomas psicóticos no momento.

Paciente 2: P2 é um jovem obeso, caminha letargicamente, pele pálida. Ele tem olhar
distante e parado, evita o contato visual, ficando de cabeça baixa a maior parte do
tempo. P2 fala muito pouco, disperso (hipovigilância e dificuldade em sustentar o
foco), parece não entender o que digo na maior parte das vezes; nota-se bradifasia.
Quando fazemos entrevista a sós, logo ele conta sobre ‘os microbinhos’ na sua
cabeça e quando lhe agradeço por ter contado, ele fica muito solto, falante, animado,
fazendo contato visual adequado. Ele está orientado quanto ao lugar e a pessoa,
discreta desorientação quanto ao tempo. Falta de atenção com a higiene pessoal. Seu
discurso é pobre, desorganizado e incoerente por vezes. Seu afeto é embotado,
predominantemente triste, seu humor é deprimido. Alucinações auditivas e delírio de
conteúdo persecutório presentes. Presença de alguns movimentos estereotipados de
mãos e braços.

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