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Figuras de linguagem

Metáfora – Oceano (Djavan)

Assim que o dia amanheceu Amar é um deserto e seus temores


Lá no mar alto da paixão Vida que vai na sela dessas dores
Dava pra ver o tempo ruir Não sabe voltar, me dá teu calor
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim? Vem me fazer feliz porque eu te amo
Você deságua em mim, e eu, oceano
Enfim, de tudo o que há na Terra Me esqueço que amar é quase uma dor
Não há nada em lugar nenhum Só sei viver se for por você!
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri
Refrão de bolero – Engenheiros do
Hawaí
Eu que falei "nem pensar" Num bar
Agora me arrependo, roendo as unhas Com um vinho barato
Frágeis testemunhas Um cigarro no cinzeiro,
De um crime sem perdão E uma cara embriagada no espelho do
banheiro
Mas eu falei sem pensar
Coração na mão, como refrão de bolero Teus lábios são labirintos,
Eu fui sincero Que atraem os meus instintos mais
Como não se pode ser sacanas
Teu olhar sempre distante sempre me
Um erro assim tão vulgar
engana
Nos persegue a noite inteira
Eu entro sempre na tua dança de cigana
E, quando acaba a bebedeira,
Ele consegue nos achar Eu que falei "nem pensar"
Agora me…
Comparação:
Telegrama – Zeca Baleiro
Eu tava triste tristinho Por isso hoje eu acordei com uma
Mais sem graça que a top model magrela vontade danada
na passarela De mandar flores ao delegado
Eu 'tava só sozinho De bater na porta do vizinho e desejar
Mais solitário que um Paulistano bom dia
Que um canastrão na hora que cai o pano De beijar o Português da padaria
'Tava mais bobo que banda de rock
hoje eu acordei com uma vontade
Que um palhaço do circo Vostok
danada
Mas ontem eu recebi um telegrama De mandar flores ao delegado
Era você de Aracaju ou do Alabama De bater na porta do vizinho e desejar
Dizendo nêgo, sinta-se feliz bom dia
Porque no mundo tem alguém que diz De beijar o Português da padaria
Que muito te ama!
Mama, oh…
Que tanto te ama!
Que muito, muito te ama
Que tanto te ama!
A primeira manhã – Alceu Valença

Na primeira manhã que te perdi


Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão
Na segunda manhã que te perdi
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão.
Catacrese
As mariposa – Adoniran Barbosa
As mariposa quando chega o frio
Fica dando volta em volta da lâmpida pra se esquentar
Elas roda, roda, roda e dispois se senta
Em cima do PRATO da lâmpida pra descansar
Eu sou a lâmpida
E as muié é as mariposa
Que fica dando volta em volta de mim
Toda noite só pra me beijar
Metonímia
Que país é esse – Legião Urbana
Nas favelas, no Senado Que país é esse?
Sujeira pra todo lado Que país é esse?
Ninguém respeita a Constituição Que país é esse?
Mas todos acreditam no futuro da nação Que país é esse?
Que país é esse? Terceiro mundo, se for
Que país é esse? Piada no exterior
Que país é esse? Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
No Amazonas, no Araguaia iá, iá Quando vendermos todas as almas
Na Baixada Fluminense Dos nossos índios num leilão
Mato Grosso, Minas Gerais
E no Nordeste tudo em paz Que país é esse?
Na morte eu descanso Que país é esse?
Mas o sangue anda solto Que país é esse?
Manchando os papéis, documentos fiéis Que país é esse?
Ao descanso do patrão
Assonância
Ana de Amsterdam – Chico Buarque
Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, das trocas de pernas
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas
Até amanhã
Sou Ana
Da cama, da cana, fulana, sacana
Sou Ana de Amsterdam
Paronomásia
Avião sem asa
Fogueira sem brasa
Sou eu assim, sem você
Futebol sem bola
Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim, sem você
Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil auto-falantes
Vão poder falar por mim
Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo
Onomatopeia
Splish splash – Roberto Carlos
Splish splash
Fez o beijo que eu dei
Nela dentro do cinema
Todo mundo olhou me condenando
Só porque eu estava amando
Agora lá em casa todo mundo vai
saber
Que o beijo que eu dei nela
Fez barulho sem querer
Yeah, yeah, splish splash
Todo mundo olhou
E com água na boca muita gente
Ficou
Yeah, yeah, splish splash
Antítese
Epitáfio – Titãs
Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Paradoxo
Monte Castelo – Legião urbana
O amor é o fogo que arde sem se ver É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a
É ferida que dói e não se sente
lealdade
É um contentamento descontente
Tão contrário a si é o mesmo amor
É dor que desatina sem doerAinda
que eu falasse Estou acordado e todos dormem
A língua dos homens Todos dormem, todos dormem
E falasse a língua dos anjos Agora vejo em parte
Sem amor eu nada seria Mas então veremos face a face
É um não querer mais que bem querer É só o amor! É só o amor
É solitário andar por entre a gente Que conhece o que é verdade
É um não contentar-se de contente
Ainda que eu falasse
É cuidar que se ganha em se perder
Personificação
A lua me traiu – Banda Calypso
Parece até conto de fadas Foi sofrendo e foi sofrendo
Mas assim aconteceu Tentando te encontrar
Éramos dois apaixonados Na madrugada
Julieta e Romeu Fria madrugada!
Naquela noite encantada A lua me traiu!
Pedi pra lua dos amantes Acreditei que era pra valer
Que iluminasse essa hora A lua me traiu!
Pra esse amor eternizar Fiquei sozinha
E louca por você
Mas num passe de mágica
Você desapareceu
Um eclipse maldito
O encanto se perdeu
E o meu coração partido
Ironia
A canção do senhor da guerra - Legião
Existe alguém esperando por
você Gera empregos, aumenta a produção
Uma guerra sempre avança a
Que vai comprar a sua tecnologia
juventude Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
E convencê-lo a vencer
Pra que exportar comida se as armas
Mais uma guerra sem razão Dão mais lucros na exportação?
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
que a guerra
Existe alguém que está contando com você
Pra lutar em seu lugar já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa


Ferido e com frio O senhor da guerra não gosta de crianças
O inimigo você espera O senhor da guerra não gosta de crianças
Ele estará com outros velhos O senhor da guerra não gosta de crianças
Inventando novos jogos de guerra O senhor da guerra não gosta de crianças
O senhor da guerra não gosta de crianças
Que belíssimas cenas de destruição O senhor da guerra não gosta de crianças
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que:
Deus está do lado de quem vai vencer
Gradação
Eduardo e Mônica
Quem um dia irá dizer Eduardo e Mônica um dia se
Que existe razão encontraram sem querer
Nas coisas feitas pelo coração? E conversaram muito mesmo pra
E quem irá dizer tentar se conhecer
Que não existe razão? Um carinha do cursinho do Eduardo
que disse
Eduardo abriu os olhos, mas não quis
Tem uma festa legal, e a gente quer
se levantar
se divertir
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um
conhaque
No outro canto da cidade, como
eles disseram
Se encontraram, então, no parque
Festa estranha, com gente esquisita
da cidade
Eu não tô legal, não aguento mais birita
A Mônica de moto e o Eduardo de
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
camelo
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
O Eduardo achou estranho e melhor
não comentar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra Mas a menina tinha tinta no cabelo
casa
Eduardo e Mônica eram nada
É quase duas, eu vou me ferrar
parecidos
Eduardo e Mônica trocaram telefone Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Depois telefonaram e decidiram se encontrar Ela fazia Medicina e falava alemão
O Eduardo sugeriu uma lanchonete E ele ainda nas aulinhas de inglês
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard
E mesmo com tudo diferente, veio
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus mesmo, de repente
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano Uma vontade de se ver
e de Rimbaud E os dois se encontravam todo dia
E o Eduardo gostava de novela E a vontade crescia, como tinha de
E jogava futebol de botão com seu avô ser
Ela falava coisas sobre o Planalto Central Eduardo e Mônica fizeram natação,
Também magia e meditação fotografia
E o Eduardo ainda tava no esquema Teatro, artesanato, e foram viajar
Escola, cinema, clube, televisão A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e
o ar
Hipérbole
Exagerado - Cazuza
Amor da minha vida Exagerado
Daqui até a eternidade Jogado aos teus pés
Nossos destinos Eu sou mesmo exagerado
Foram traçados na maternidade Adoro um amor inventado
Paixão cruel desenfreada Eu nunca mais vou respirar
Te trago mil rosas roubadas Se você não me notar
Pra desculpar minhas mentiras Eu posso até morrer de fome
Minhas mancadas Se você não me amar
Vagalume - Pollo
Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí
Pra te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor
Eu só quero amar você
E quando amanhecer eu quero acordar
Do seu lado
Vou escrever mais de um milhão de canções pra você ouvir
Que meu amor é teu, teu sorriso me faz sorrir
Vou de Marte até a Lua, cê sabe já tô na tua
Não cabe tanta saudade essa verdade nua e crua
Eu sei o que eu faço, nosso caminho eu traço
Um casal fora da lei ocupando o mesmo espaço
Se eu to contigo não ligo se o sol não aparecer
É que não faz sentido caminhar sem dar a mão pra você
Teu sonho impossível vai ser realidade
Sei que o mundo tá terrível mas não vai ser a maldade que
Vai me tirar de você, eu faço você ver
pra tu sorrir eu faço o mundo inteiro saber que eu
Eufemismo
Pais e filhos – Legião urbana
Estátuas e cofres e paredes pintadas
Ninguém sabe o que aconteceu
Ela se jogou da janela do quinto andar
Nada é fácil de entender
Dorme agora
É só o vento lá fora
Quero colo! Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três
Anáfora
Foi Deus quem fez você - Amelinha
Foi Deus que fez o céu, Fez até o anonimato
O rancho das estrelas. Dos afetos escondidos
Fez também o seresteiro E a saudade dos amores
Para conversar com elas. Que já foram destruídos.
Foi Deus!
Fez a lua que prateia
Minha estrada de sorrisos Foi Deus que fez o vento
E a serpente que expulsou Que sopra os teus cabelos;
Foi Deus quem fez o orvalho
Que molha o teu olhar. Teu olhar...
Mais de um milhão do paraíso. Foi Deus que fez as noites
Foi Deus quem fez você; E o violão plangente;
Foi Deus que fez o amor; Foi Deus que fez a gente
Fez nascer a eternidade Somente para amar. Só para amar...
Num momento de carinho.
Pleonasmo
Tempo perdido – Legião urbana
Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder
Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem! Selvagem!
Selvagem!

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