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ESQUIZOFRENIA

Histórico

A partir do grego, schizen (fender, clivar) e phrenos (pensamento).


Bleuler (1856-1926)

Bénedict Morel (1809-1873): “demência precoce”, primeiro a descrever essa forma de


“loucura” em seus Estudos Clínicos (1851).

Emil Kraepelin (1856-1926): distinguiu três grupo de psicoses: demência precoce,


paranóia e psicose maníaco depressiva.

Eugen Bleuler, século XIX e XX: conceituou sobre os mecanismos de cisão e renomeou
a patologia como esquizofrenia como uma forma de loucura cujo eixo central é a cisão
de diversas funções psíquicas.
ESQUIZOFRENIA

A esquizofrenia é a principal forma de psicose pela sua freqüência e


importância clínica.

Trata-se de um transtorno
psiquiátrico crônico e em muitos casos incapacitante, que se inicia geralmente
em jovens.
ESQUIZOFRENIA

Considera-se que alguns sintomas são muito significativos para o diagnóstico


especialmente os “sintomas de primeira ordem” descritos por Kurt Schneider (1887-
1967):

• Percepção delirante: percepção normal recebe significação delirante. Ocorre em


geral de forma abrupta como uma espécie de “revelação”.
• Alucinações auditivas características: vozes que comentam ou comandam a
ação.
• Eco do pensamento ou sonorização do pensamento: o paciente escuta seus
pensamentos ao pensá-los.
• Difusão do pensamento: sensação de que os pensamentos são ouvidos ou
percebidos claramente pelos outros, no momento em que os pensa.
• Roubo do pensamento: vivência de que o pensamento é inexplicávelmente
extraído de sua mente.
• Vivência de Influência corporais ou ideativas: vivência de que forças externas
agem sobre o corpo ou o pensamento.
ESQUIZOFRENIA

Os sintomas de primeira ordem indicam uma profunda alteração do Eu com o


mundo, o dano radical das membranas que delimitam o Eu em relação ao mundo,
uma perda marcante da dimensão da intimidade. Ao sentir que algo é imposto de
fora, feito à sua revelia, o doente vivencia a perda do controle sobre sí mesmo, a
invasão do mundo sobre o seu íntimo. Essa experiência psicótica, dos pensamentos
mais íntimos serem percebidos por outra pessoa, expressa a vivência de uma
considerável fusão com o mundo, um avançar terrível do mundo público sobre o
privado, assim como um extravasamento involuntário da experiência pessoal e
interior sobre o mundo circundante. Kurt Schneider (1887-1967).
ESQUIZOFRENIA

A partir da década de 70, os sintomas da esquizofrenia passaram a ser divididos em dois


grandes grupos: positivos ou psicóticos, negativos ou deficitários.

Sintomas Negativos ou Deficitários: Sintomas Positivos:

Manifestações novas e floridas do


• Distanciamento afetivo em graus processo esquizofrênico:
variável até o embotamento.
• Retração social • Alucinações (auditivas mais
• Empobrecimento da Linguagem e do frequentes), ilusões .
Pensamento • Idéias Delirantes de conteúdo
• Diminuição da fluência verbal paranóidem, auto-referente, de
• Diminuição da vontade (avolição) influência e outras.
• Negligência pessoal • Comportamento bizarro, atos
impulsivos.
• Lentificação e empobrecimento
psicomotor. • Agitação psicomotora
• Produções lingüisticas novas como
neologismos e parafrasias.
ESQUIZOFRENIA

Pensamento, Linguagem e Fala

Relacionados às alterações d e outras funções psíquicas tais com pensamento e


afetividade.
• Neologismos (criação de novas palavras),
• Ecolalia
• Mutismo total ou seletivo.
• Fala pastosa e monótona pode estar associada ao uso de antipsicóticos e à
predominância de sintomas negativos.

As alterações do curso do pensamento (bloqueio), conteúdo (delírios), perda das cadeias


associativas (descarrilhamento, associação frouxa de idéias), também podem resultar
em alterações da fala e linguagem.
ESQUIZOFRENIA

Subtipos:

• Esquizofrenia paranóide: predomínio de delírios sistematizados e alucinações


auditivas.

• Esquizofrenia Hebefrênica: início precoce com sintomas de desorganização do


pensamento, comportamento e afetividade.

• Esquizofrenia Catatônica: ocorrência de alterações psicomotoras.

• Esquizofrenia Simples (CID 10): apenas sintomas negativos e ausência de positivos.

• Esquizofrenia Residual: resultado da cronicidade com empobrecimento cognitivo,


afetivo e volitivo. A ocorrência de sintomas psicóticos é rara.
TRANSTORNOS DO HUMOR OU DA AFETIVIDADE

Os Transtornos do Humor ou Afetivos são aqueles cujo sintoma principal é a


alteração do humor ou do afeto, da energia (ânimo) e do jeito de sentir, pensar
e se comportar.

Acontecem com crises únicas ou se repetem, oscilando ao longo da vida.

Podem ser episódios de depressão ou de mania nome dado à fase de euforia


do transtorno bipolar).
TRANSTORNOS DO HUMOR OU DA AFETIVIDADE

Histórico

Foi no século XIX que Emil Kraeplin apresentou o conceito das depressões, semelhante à
forma que elas são explicadas no tempos atuais, introduzindo o termo Psicose Maníaco-
Depressiva (PMD), atualmente sob a denominação de Transtorno de Humor Bipolar.

Ao final do século XIX, a idéia de que os estados depressivos não tinham somente causa
endógena foi fortalecida, surgiram diferentes terminologias, como por exemplo,
depressão reativa, depressão neurótica, depressão de esgotamento, entre outras. Foi
dentro deste panorama que confirmou-se a hipótese de que a depressão tem causa
multifatorial.

A partir de 1993, a Organização Mundial de Saúde através da Classificação Internacional


de Doenças (CID-10), começou a adotar critérios fenomenológicos e descritivos para
classificar as depressões. Com os critérios internacionalmente aceitos, vão sendo
progressivamente abolidas as diferentes classificações da depressão, minimizando as
controvérsias de conceituação.
TRANSTORNOS DO HUMOR

ETIOLOGIA

A depressão apresenta causas multifatoriais, tendo sua origem em fatores endógenos


(neurobiológicos, genéticos) e fatores exógenos (psicossociais) que apresentam uma
forte relação de interdependência.
Aspectos neurobiológicos
Na depressão ocorre uma alteração bioquímica no cérebro, causada por um déficit no
metabolismo da serotonina que é o principal neurotransmissor responsável pelo equilíbrio
do humor e da sensação de bem-estar no indivíduo. Estudos mostram que o fator
genético apresenta grande importância para a evolução de um quadro depressivo.
Aspectos psicossociais
Vários são os fatores psicossociais que podem contribuir para o desenvolvimento da
depressão. A ocorrência de eventos negativos recentes (morte de um ente querido,
perda do trabalho, doenças), problemas no relacionamento afetivo/conjugal, estresse e
falta de auto-estima, são considerados fatores psicossociais facilitadores para a
instalação de um quadro depressivo.
TRANSTORNOS DO HUMOR OU DA AFETIVIDADE (DEPRESSÕES)

As depressões têm como elemento mais saliente o humor triste e o desânimo. No entanto,
caracterizam-se por uma multiplicidade de sintomas afetivos, instintivos, neurovegetativos,
ideativos, cognitivos, relativos à autovaloração, vontade e psicomotricidade.

Sintomas afetivos Esfera instintiva

Tristeza, melancolia Anedonia Ideação negativa


Choro fácil/frequente
Sentimento de falta de sentimento Fadiga Idéias de
arrependimento/culpa
Tédio, aborrecimento crônico Desânimo Ruminações de mágoas
antigas
Irritabilidade Insônia/hipersonia Idéias de morte
Angústia Perda/aumento do
apetite Ideação suicida
Desespero Pele fria
Desesperança Perda da libido
Diminuição da resposta
sexual
TRANSTORNOS DO HUMOR OU DA AFETIVIDADE (DEPRESSÕES)

Alterações Cognitivas Da Autovaloração Da vontade Sintomas psicóticos

Déficit de: Sentimento: Idéias delirantes


• Atenção Auto Estima diminuida Avolição Delírio de ruína
• Concentração Insuficiência Aumento na latência Culpa
• Memória Incapacidade entre perguntas e Hipocondríaco
• Iniciativa/ decisões Vergonha respostas Negação dos orgãos
• Pseudodemência estupor Alucinações auditivas ou
mutismo
negativismo Ilusões auditivas
visuais
TRANSTORNOS DO HUMOR OU DA AFETIVIDADE - MANIA

A euforia ou alegria patológica e a elação (expansão do EU) constituem a base da


sindrome maníaca. Além disso, verifica-se a aceleração de todas as funções psiquicas
(taquipsiquismo) expressas através de aumento do fluxo verbal e motor.

Sintomas:

Aumento da auto-estima
Heteroagressividade
Elação
Desinibição social e sexual
Insônia
Loquacidade: produção verbal rápida
Tendência a comprar
Distraibilidade
Idéias de grandeza com perda da lógica.
Logorréia, pressão para falar
Agitação motora
Irritabilidade
Delírios: grandeza, místico
Alucinações auditivas
Teoria freudiana das psicoses

Até 1911 as formulações freudianas sobre a psicose esbarravam na insuficiência


conceitual já que o recalque era preconizado como o principal mecanismo formador
de sintomas.

Em Introdução ao Narcisismo (1911), através do conceito de narcisismo, Freud teorizou


sobre o desenvolvimento da libido implicando o mecanismo de fixação e regressão
como os principais agentes formadores da estrutura psicótica de personalidade.

Em 1926 e 1927, nos artigos Neurose e Psicose e A Perda da Realidade na Neurose e na


Psicose, Freud amplia a noção de defesa e desenvolve o conceito de recusa da
realidade e Clivagem do Ego, como mecanismos responsáveis pela formação do
sintoma psicótico.
TRANSTORNOS DO HUMOR

CLASSIFICAÇÃO

Segundo o DSM V dividem-se em:


1. Depressão leve, moderada ou grave (com ou sem sintoma psicótico);
2. Hipomania, Mania com ou sem sintomas psicóticos.

Transtornos severos podem ou não ser acompanhados de delírios, de alucinações e de alterações da


consciência do eu. Além dessa característica semiológica, os Transtornos do Humor têm uma
característica evolutiva importante: evoluem por fases, em cujos intervalos o paciente recupera toda a
integridade psíquica anterior ao seu adoecimento.
Os indivíduos que apresentam somente depressão ou mania sofrem de Transtornos do Humor
unipolar, pois a alteração de humor fica apenas em um polo. É raro acontecer casos de mania
unipolar e frequente os casos de depressão unipolar.
Há aqueles que o humor varia entre a depressão e a mania, nesse caso são chamados de
transtorno bipolar. E há ainda aqueles que mesmo com sintomas maníacos podem sentir-se
deprimido ao mesmo tempo - disforia ou episódio misto. (Solomon, 2003).
A depressão e a mania variam de pessoa para pessoa no que se refere a gravidade e frequência com
que os episódios se repetem e até nos sintomas manifestados. Desta forma os sintomas
característicos apresentados no DSM V e no CID 10 servem como marcadores que nos auxiliam no
diagnóstico, mas tomados isoladamente pode conduzir a equívocos.
Teoria freudiana das psicoses

Psicoses - Fixação no Narcisismo

Etapa Modo Sintomas

Oral Primária sugar esquizofrenias


Oral Secundária morder PMD
Anal Primária expulsar Paranóia

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Neuroses – Complexo de Édipo

Anal Secundária reter Neurose Obsessiva

Fálica penetrar Histerias: angústia e


Conversão