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CONTEÚDOS

• 1. ESTADO – NOÇÃO E FUNÇÕES


• 2. OBJETIVOS DA INTERVENÇÃO ECONÓMICA E SOCIAL DO ESTADO
• 3. INSTRUMENTOS DE INTERVENÇÃO DO ESTADO
• 4. POLÍTICAS SOCIAIS – REDISTRIBUIÇÃO DOS RENDIMENTOS E
COMBATE AO DESEMPREGO
• 5. POLÍTICAS ECONÓMICAS – ORÇAMENTAL, FISCAL, MONETÁRIA E
CAMBIAL

30 SEGMENTOS
https://www.youtube.com/watch?v=P_X1zNTT
Gww

https://youtu.be/Xf0zu3BKegk
FUNÇÕES E ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
ELEMENTOS DO ESTADO • O ESTADO É A COMUNIDADE
POVO CONSTITUÍDA POR UMA
POPULAÇÃO QUE, A FIM DE
TERRITÓRIO GARANTIR A SEGURANÇA, A

ÓRGÃOS DE JUSTIÇA E O BEM-ESTAR, SE


APROPRIA DE UM TERRITÓRIO E
SOBERANIA NELE INSTITUI, POR
AUTORIDADE PRÓPRIA, O
FUNÇÕES DO ESTADO PODER DE DIRIGIR OS
DESTINOS NACIONAIS E IMPOR
LEGISLATIVA AS NORMAS NECESSÁRIAS À

EXECUTIVA VIDA EM SOCIEDADE.

JUDICIAL
POLIS ENCICLOPÉDIA VERBO (ADAPTADO)
Órgãos de Soberania

 Presidente da República
 Assembleia da República
 Governo
 Tribunais
ÓRGÃOS DE SOBERANIA
Presidente da República

Representa a república Portuguesa,


garantindo a independência nacional, a
unidade do Estado e o regular
funcionamento das instituições
democráticas, sendo por inerência o
Comandante das Forças Armadas.

É eleito por sufrágio universal, direto e


secreto dos cidadãos e o seu mandato tem
a duração de 5 anos. Pode ser reeleito
uma vez.
Desempenha funções politicas.
ÓRGÃOS DE SOBERANIA
Assembleia da Republica

É a assembleia representativa
de todos os cidadãos
portugueses composta no
mínimo por 180 e no máximo
por 230 deputados.

O seu mandato tem a duração


de 4 anos ( 4 sessões
legislativas).

Desempenha, por excelência


funções legislativas..
ÓRGÃOS DE SOBERANIA
Governo
É o órgão de condução da política do país e
o órgão superior da administração pública.
É constituído pelo primeiro ministro,
ministros e secretários de Estado.

O seu mandato é de 4 anos.


O governo responde perante a Assembleia e
Presidente da República.

Desempenha funções legislativas, 1º Ministro do XXI Governo


Constitucional
governativas e administrativas.
ÓRGÃOS DE SOBERANIA
Tribunais

São órgãos de soberania com


competência para administrar a justiça em
nome do povo, sendo independentes e
somente se submetem à lei.
ÓRGÃOS DE SOBERANIA
Principio da renovação

(Nenhum cargo é vitalício)

Principio da separação e interdependência

( Existe separação de poderes não podendo


um órgão delegar competências noutros
órgãos salvos os previstos na lei)
QUESTÃO
“O Estado carateriza-se, no plano
internacional, pela soma dos seus 1. Os elementos constitutivos
elementos constitutivos: uma população do Estado são :Povo,
vivendo num território dirigido por um território e poder politico.
governo. Na ausência de um dos seus
três elementos, não se pode falar de 2. A soberania é a caraterística
do poder de um Estado.
Estado. A condição essencial da
Soberania significa poder
existência do Estado é a soberania.” – supremo e independente.
Poder supremo porque a
Pascal Boniface, Dicionário das Relações
nível interno não há outro
Públicas.
poder igual e independente
porque a nível externo o
a) Caraterize os elementos que poder do estado é igual ao
compõem o Estado. dos outros estados .
b) Comente a afirmação sublinhada.
Áreas de intervenção do Estado

Política garantir a aplicação das leis

Social garantir o bem-estar de toda a população

Económica garantir o bom funcionamento da economia


Setor Público
Para levar a cabo as suas múltiplas tarefas, o Estado criou uma
estrutura relativamente pesada a que se dá a designação de Setor
Público.

O Setor Público abrange duas categorias muito diferentes, quer no


aspeto jurídico, quer nas suas componentes económicas:
 Setor Público Administrativo;
 Setor Empresarial do Estado.
Setor Público
Setor Público, em sentido lato, é o conjunto
de todas as entidades controladas pelo Estado

Setor Público Administrativo (SPA)

Setor Empresarial do Estado (SEE)


SETOR PÚBLICO ADMINISTRATIVO
O Setor Público Administrativo é composto
pela:
Administração Central

Administração Regional e Local

Segurança Social
SETOR PÚBLICO ADMINISTRATIVO

- Administração Central: Ministérios, Secretarias de Estado,


Direcções-gerais, Institutos Públicos, etc.

- Administração Local: engloba as autarquias locais (Municípios e


Freguesias), visa satisfazer de forma eficiente as necessidades
específicas das diversas comunidades locais.

- Segurança Social: engloba todas as unidades institucionais,


Centrais ou locais, cuja função principal se traduz no financiamento
de prestações sociais a determinadas camadas da população.
SETOR EMPRESARIAL DO ESTADO
Setor produtivo do Estado, intervém diretamente
na produção de bens e serviços comercializáveis.

Empresas Públicas
Empresas Participadas
SETOR EMPRESARIAL DO ESTADO
Empresas Públicas são as
sociedades constituídas nos
termos da lei comercial e nas
quais o Estado ou outra
entidade pública pode exercer,
direta ou indiretamente, uma
influência dominante. Empresas Participadas são as
organizações empresariais que
têm uma participação
permanente do Estado ou de
outra qualquer entidade pública
(mais de 10% do capital).
https://www.youtube.com/watch?v=6w2bKx34Xwk
Privatizações

Exercício n.º 3 – “Uma nacionalização é uma operação jurídica que consiste em


transferir para a coletividade a propriedade de uma empresa ou de um grupo de
empresas. A nacionalização pode respeitar à totalidade do capital da empresa ou só a
uma parte (superior a 50%) ”.
a) Caraterize os dois setores que compõem o setor público;
b) Distinga nacionalização de privatização;
c) Procure recolher mais informações sobre a nacionalização e a privatização de
empresas.
Resolução:
a) O setor público é constituído pelo setor administrativo do Estado e pelo setor empresarial
do estado.
b) Nacionalização é a passagem de uma empresa, que é propriedade de particulares, para a
propriedade do Estado. A privatização é uma situação contrária, uma empresa propriedade
de Estado é vendida a particulares.
c) Em Portugal, após o 25 de abril de 1974, uma grande quantidade de empresas privadas
de setores económicos considerados fundamentais para a economia foram
nacionalizadas. Na década de 80 começou a verificar-se um grande número de
privatizações. Muitas empresas que tinham sido nacionalizadas em 1974, foram vendidas
a privados. Os bancos, a siderurgia, as industrias químicas as telecomunicações, etc…
foram setores onde as privatizações aconteceram em maior número.
A INTERVENÇÃO DO ESTADO NA ATIVIDADE ECONÓMICA

O papel/dimensão que deve caber ao Estado, em economias mistas,


tem evoluído ao longo dos tempos, orientando-se em torno de duas
conceções:

 Estado Mínimo ou Liberal: em que a intervenção do Estado deve


ser mínima.

 Estado intervencionista ou Estado Protetor: de bem-estar (Welfare


State), defendendo-se a intervenção do Estado na atividade
económica, de forma a corrigir eventuais falhas do mercado.
Como reação ao centralismo do Estado que caraterizou
os séculos XVI e XVII, surge, entre o século XVIII e
meados do século XIX, uma corrente liberal.
PARA A CORRENTE LIBERAL, O ESTADO
DEVERIA APENAS:
A CORRENTE LIBERAL DEFENDIA:
GARANTIR A SEGURANÇA EXTERNA;
A NÃO INTERVENÇÃO DO ESTADO DEFENDER A ORDEM SOCIAL E AS
NA ECONOMIA;
LIBERDADES INDIVIDUAIS;
A PROPRIEDADE PRIVADA DOS
MEIOS DE PRODUÇÃO; CRIAR CONDIÇÕES PARA GARANTIR O
A LIVRE INICIATIVA E A LIVRE BOM FUNCIONAMENTO DOS
CONCORRÊNCIA; MERCADOS;
A LIBERDADE DAS TROCAS ENTRE PARTICIPAR APENAS PONTUALMENTE
AS NAÇÕES.
NA SATISFAÇÃO DAS NECESSIDADES
COLETIVAS QUANDO A INICIATIVA
PRIVADA NÃO O FIZESSE.

ESTADO LIBERAL
Do Estado Liberal ao Estado Intervencionista

 até à Primeira Guerra Mundial vigorou a corrente


liberal;
 a ocorrência de vários acontecimentos conduziram
à intervenção do Estado na economia (o esforço da
guerra, a reconstrução do pós-guerra, a crise de
1929-33);
 estes acontecimentos justificavam a intervenção do
Estado na economia, no sentido de corrigir falhas do
mercado.

O papel do Estado altera-se, entrando-se na fase


intervencionista.

ESTADO INTERVENCIONISTA
https://www.youtube.com/watch?v=j4FGdz2fib4

Documentário sobre a crise 1929-


(português do brasil)
Exercício 1.
1.a) Identifique a função do Estado que tem por fim a execução das leis e a satisfação
das necessidades coletivas, indicando a quem compete o desempenho desta função;
2. “A função social do Estado está relacionada com a criação de condições necessárias
ao aumento do bem-estar das populações e com a redução das desigualdades. A
fixação do salário mínimo e a concessão do subsídio de desemprego são duas medidas
de caráter social.” Explique o conteúdo da afirmação, apresentando as três grandes
esferas de intervenção do Estado.

Exercício 2. Procure aprofundar os seus conhecimentos sobre os órgãos de soberania,


nomeadamente através de uma consulta à Constituição da República.

Resolução:
1. a) execução das leis e satisfação das necessidades coletivas- função executiva ou
administrativa do Estado.
2. As três esferas de intervenção do Estado são: Política; Social e Económica. Na área
social o Estado tem em vista o bem estar da população. Com esse objetivo o Estado
atribui apoios sociais como o subsídio de desemprego com o objetivo de apoiar quem
não consegue uma remuneração pelo trabalho. Por outro lado ao fixar o salário mínimo
está a garantir um rendimento mínimo para quem trabalha.
A INTERVENÇÃO DO ESTADO
NA ATIVIDADE ECONÓMICA
A intervenção do estado na economia
deve garantir:
• Eficiência: fomentar o
desenvolvimento económico e a
gestão racional dos recursos
• Equidade: corrigir as desigualdades
sociais e promover o acesso de todos
os bens e serviços essenciais.
• Estabilidade: evitar e corrigir todo e
qualquer desequilíbrio do mercado.
O mercado nem sempre
funciona de forma
eficiente, surgindo, por
vezes, ineficiências ou Constituem falhas de
falhas de mercado. mercado

 a concorrência imperfeita;
 as externalidades;
 os bens públicos.
CONCORRÊNCIA IMPERFEITA
• A ocorrência de situações de Concorrência imperfeita:
concorrência imperfeita
justificam a intervenção do
 monopólio,
estado na economia, de
forma a repor a concorrência  concorrência
ou a evitar a concentração e monopolista
formação de monopólios.  oligopólio
A concorrência perfeita leva a situações de eficiência do mercado:
capacidade de extrair os melhores resultados dos recursos disponíveis.
(produtos vendidos/comprados aos mais baixos preços)

Na concorrência imperfeita existe pelo menos um produtor ou vendedor com


capacidade de influenciar os preços. Por exemplo, no mercado de oligopólio,
as poucas empresas existentes podem atingir elevados lucros à conta do
sacrifício dos consumidores).
Nestas situações é necessária a intervenção do Estado para repor a concorrência perfeita.
FALHAS DE MERCADO
• Exemplos de externalidades positivas:
• EXTERNALIDADES atividades de investigação e
desenvolvimento, pois os seus efeitos
São atividades que de forma
involuntária originam efeitos sobre a sociedade são geralmente
positivos ou negativos sobre muito positivos sem que esta tenha
terceiros. Quando os efeitos que pagar pelo seu benefício.
provocados pelas atividades
são positivos, estas são • Exemplos de externalidades
designadas por externalidades negativas: a poluição ambiental
positivas. Quando os efeitos provocada pelas atividades
são negativos, designam-se por económicas, a produção e consumo
externalidades negativas.
de drogas ilícitas, entre outros.
FALHAS DE MERCADO
EXTERNALIDADES

• Dado que envolvem uma imposição involuntária, as externalidades


constituem uma ineficiência de mercado.
• É necessária a intervenção do estado através da criação de incentivos
à oferta da atividade que constitui uma externalidade positiva (por
exemplo subsidiando a investigação e desenvolvimento ou oferecendo
gratuitamente a iluminação pública) e através do impedimento ou
criação de incentivos à não produção de externalidades negativas (por
exemplo criando regulamentações para controlar a emissão de
poluição das fábricas).
CARATERISTICAS DOS BENS
Bens não exclusivos

Propriedade de um bem segundo a qual uma pessoa pode ser


excluída ou impedida de consumir o bem.
Podemos controlar quem pode e quem não pode usar o bem.

Bens com consumo Rival


Propriedade de um bem em que a utilização por uma pessoa
impede que outras o possam utilizar.
Quando alguém usa um bem reduz ou impede a possibilidade de
outras o usarem.
BENS PÚBLICOS: CONCEITOS E
PARTICULARIDADES
 São bens que não são nem exclusivos nem rivais.
 Vantagem: Quando uma pessoa usa o bem isso não
interfere na possibilidade de outro indivíduo utilizar
este mesmo bem.
Ex: Defesa Nacional, Internet Wireless sem código de acesso;
Show de Fogo de Artificio; Policiamento numa determinada
ruas.

Desvantagem (problema): Não podemos controlar quem pode utilizar


ou utilizou o bem, e não podemos cobrar pelo uso individual.

O Estado passa a fornecer este tipo de bens!


A TRAGÉDIA DOS BENS COMUNS
• Os bens comuns são bens rivais e não exclusivos. Essas
caraterísticas levam a que os recursos comuns (que não tem dono)
sejam mais utilizados do que o desejável do ponto de vista social.
• Quanto mais se usa este bem que “não tem dono” ( e que é um bem
da sociedade) menos temos deste bem para todos, ou seja, ao usar o
bem origina-se uma externalidade negativa para os outros, que é uma
menor disponibilidade do bem.
• Com “medo de ficar sem” cada individuo vai utilizar o “máximo que
conseguir” agora, fazendo com que o bem deixe de estar disponível
para todos.
Exercício
“As externalidades são as principais falhas de mercado que levam a
problemas de degradação ambiental, sendo um exemplo a utilização de
combustíveis poluentes. Acontecem sempre que um indivíduo ou
empresa leva a cabo uma ação com efeitos noutros e em que estes
últimos não pagam nem são pagos. São situações em que os efeitos
(positivos ou negativos, mas negativos no nosso exemplo) de produção
ou consumo são impostos a outras partes, mas sem que possam ser
‘cobrados’ (pagos) aos seus produtores/consumidores originais. Como
não têm um ‘preço’ atribuído, o mercado não tem maneira de alocar estes
recursos, sendo que à partida será necessária uma intervenção
governamental. Tradicional e teoricamente, o papel do Estado seria de
eficientemente alocar aqueles recursos, isto é, definir direitos de
propriedade de modo a que o seu custo e escassez atual se refletissem
corretamente nos preços.” Retirado de: www.ritasousa.com

a) Caracterize o conceito de externalidade. Apresente exemplos.


INSTRUMENTOS DE INTERVENÇÃO DO
ESTADO PARA EXERCER AS SUAS FUNÇÃO
INSTRUMENTOS DE INTERVENÇÃO
ECONÓMICA E SOCIAL DO ESTADO
• PLANEAMENTO ECONÓMICO:

Permite articular as diferentes iniciativas públicas e


privadas, nos domínios económicos e sociais, no sentido de
potenciar as capacidades de economia, maximizando a
satisfação das necessidades individuais e coletivas, com
mínimo de recursos materiais, financeiros e humanos.
AS ECONOMIAS DE DIREÇÃO CENTRAL NO INÍCIO DO SÉCULO XX
FORAM AS PRIMEIRAS A ADOTAR O PLANO COMO MECANISMO DE
PLANEAMENTO, CONTROLO E FISCALIZAÇÃO DA ATIVIDADE DA
SOCIEDADE.
 As principais decisões relacionadas O plano assumia um papel
com o processo produtivo, como o tipo
determinante na governação
de bens, a quantidade a produzir, o
modo de produção ou a quem se dos sistemas socialistas,
destinariam, eram tomadas pelo sendo um documento de
Estado. cumprimento obrigatório para
 O Estado centralizava todo o poder ao todos, que funcionava como
deter a propriedade dos fatores de
mecanismo regulador e no
produção e rejeitar a ideia de
propriedade privada, pressupondo que qual eram descritas as metas
a maximização da satisfação das que o governo pretendia
necessidades coletivas não poderia atingir e as estratégias a
ser obtida pelas mãos da iniciativa utilizar para alcançar os seus
privada, cujos interesses individuais se
objetivos.
sobrepunham aos interesses coletivos.
Com a queda do muro de Berlim, em
1989, os Países de Direção Central
entraram em colapso e deram lugar a
economias de tipo misto, caraterísticas
na maioria das sociedades atuais. Os
modelos puros das economias de
mercado e de direção central
transformaram-se, na realidade, em
modelos mistos, que, embora possam
assumir configurações diferentes, com
tendência mais ou menos liberal, já não
Karl Marx e Friedrich Engels
estão confinadas aos parâmetros Criadores do socialismo
originais dos mecanismos de mercado cientifico (séc. XIX)
e de direção central.
PORQUE RAZÃO AS ECONOMIAS CAPITALISTAS ADOPTAM
O PLANEAMENTO?

• A múltipla intervenção do Estado, através de empresas


públicas, carece de uma previsão e de uma
coordenação, a nível nacional.
• A dimensão de determinadas empresas privadas exige
uma organização e um estudo previsional.
•A correção dos desequilíbrios a nível nacional e
internacional.
Para o setor público o Plano é imperativo, sendo os administradores
das empresas públicas, obrigados a cumprir o Plano, isto é, são
obrigados a orientarem a atuação dos seus serviços e das suas
empresas com o que está determinado no referido Plano.

Para o setor privado o Plano é indicativo. Então, para levar os


particulares a adoptarem os comportamentos desejados, o Estado
lança mão de certas estratégias, nomeadamente, de política fiscal
(concedendo isenções ou benefícios fiscais às atividades que
pretende incentivar, ou, pelo contrário, tributando mais ou impondo
restrições às atividades que pretende desincentivar); e de política
financeira (concedendo subsídios, aumentando / diminuindo as taxas
de juro).
Exercício

“ A planificação assenta num documento, o ‘Plano’, que


apresenta as grandes orientações económicas e sociais para o
futuro. Realizada pelo Estado em concertação com os parceiros
sociais (sindicatos, associações, etc.), o Plano não inclui
qualquer medida obrigatória para as empresas (é uma
planificação indicativa, e não imperativa como nos antigos
países socialistas). A execução do Plano, que dura cinco anos,
baseia-se em benefícios financeiros.’

a) Apresente uma noção de Plano, explicando a diferença


entre os planos imperativos e indicativos.
b) Explique o papel do Estado no planeamento da atividade
económica.
ORÇAMENTO DO ESTADO
OS PLANOS IMPERATIVOS SÃO
AQUELES QUE SE APLICAM AO
• Documento elaborado pelo SETOR PÚBLICO, SENDO, POR ISSO,
Governo e aprovado pela OBRIGATÓRIOS.
Assembleia da República que
descreve as despesas e
OS PLANOS INDICATIVOS SÃO OS
QUE SE DESTINAM A ORIENTAR O
receitas públicas para o
SETOR PRIVADO, SERVINDO COMO
período de um ano. INSTRUMENTO DE APOIO
ESTRATÉGICO.
CARATERÍSTICAS DO ORÇAMENTO
DO ESTADO
 Documento de previsão, porque prevê as despesas a realizar e
as receitas a obter num ano;

 Documento político, porque contém a autorização parlamentar


para realizar as atividades inscritas;

 Documento jurídico, porque traduz uma limitação de poderes


do Estado no domínio financeiro;

 Documento económico, porque revela a previsão da atividade


económica do Estado.
ORÇAMENTO DO ESTADO
O Orçamento de Estado constitui um importante instrumento de
intervenção económica e social. Trata-se no fundo de um documento
elaborado pelo Ministério das Finanças, que o Governo coloca para
aprovação na Assembleia da República e no qual se descrevem as
despesas que o Estado prevê gastar e as receitas que estima arrecadar
durante o ano que se segue à sua aprovação.

O OE é um instrumento de intervenção fundamental porque através da


sua observação é possível compreender as prioridades do Governo para o
ano em questão. As despesas de maior valor correspondem às áreas de
atuação política em que o Governo aposta com mais intensidade, pois,
neste âmbito, todas as decisões revelam uma intenção ou uma linha de
orientação.
ORÇAMENTO DO ESTADO
A forma como é obtida a receita também pode dar indícios sobre
as intenções do Governo, pois, quando decide, por exemplo,
aumentar os impostos, pode fazê-lo de várias formas.

Pode aumentar os impostos indiretos, como o IVA, e fazer recair


os efeitos desse aumento sobre todos os cidadãos ou, então,
optar por aumentar apenas os escalões mais elevados dos
impostos diretos, como o IRS, e fazer repercutir assim os efeitos
do aumento de impostos somente nos indivíduos mais
favorecidos.
Como documento de previsão e gestão dos dinheiros
públicos, o orçamento tem de prever as receitas a
obter e as despesas a realizar pelo Estado no ano a
que respeita.

As despesas públicas são as despesas financiadas pelo Estado,


sendo realizadas para:

 Pagamento de vencimentos aos funcionários públicos;

 Pagamento das prestações sociais;

 Compra de bens e serviços necessários ao bom funcionamento da

Administração Pública e demais serviços dependentes do Estado.


As que tem que ser
Aquisição de bens duradouros
efetuadas para garantir o
que potenciam o aumento da
funcionamento normal da
capacidade produtiva do país
A. P.

Despesas Despesas de
Correntes Capital

DESPESAS
PÚBLICAS
Exercício

a) Defina o conceito de Despesa Pública;


b) Distinga as Despesas Correntes e as Despesas de Capital;
c) Observe o gráfico seguinte e tire conclusões sobre a evolução das
Despesas Públicas no período em análise.
RECEITAS PÚBLICAS
As receitas públicas são os recursos do Estado para fazer face às
despesas, podendo ser:

Receitas tributárias: que provêm da cobrança dos impostos.

Receitas creditícias: provenientes dos empréstimos concedidos.

Receitas patrimoniais: Rendimentos vindos do património do Estado,


por exemplo, com a venda de instalações, com a venda de madeira
das suas florestas.

É evidente, que dentro destas receitas do Estado, os impostos


constituem, sem dúvida, a fatia mais importante.
IMPOSTOS
Noção: prestação coativa, pecuniária, unilateral (sem contraprestação
imediata por parte do Estado), estabelecida por lei sem caráter de
sanção.

Os impostos podem ser diretos ou indiretos.

Os impostos são diretos quando incidem diretamente sobre o rendimento


das pessoas, como, por exemplo, o IRS ou o IRC, e são indiretos quando
recaem sobre a utilização do rendimento, como qualquer dos impostos
sobre o consumo, o IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado), o ISV
(Imposto Sobre Veículos), ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos), etc.
IMPOSTOS/TAXAS/MULTAS
 Os impostos são diferentes das taxas, porque não pressupõem uma
contraprestação por parte do Estado como as taxas pressupõem.
 As taxas são prestações pecuniárias que têm uma contrapartida por
parte de quem as recebe, sendo, geralmente, inferiores ao custo
dos serviços prestados. A taxa moderadora dos serviços públicos
de saúde é um dos exemplos.

 Tanto os impostos como as taxas correspondem a prestações


estabelecidas por lei sem carácter de sanção.

 As multas, são prestações pecuniárias cobradas em determinadas


situações de infracção à lei e cujo pagamento não pressupõe uma
contraprestação imediata por parte do Estado.
Exercício
Responda às seguintes questões:
a) Apresente uma noção de imposto;
b) Distinga os impostos e as taxas;
c) Diga o que são receitas creditícias;
SALDO ORÇAMENTAL
Noção: corresponde à diferença entre as receitas e as despesas
públicas.

Este saldo pode ser nulo (equilíbrio), deficitário ou superavitário.

No momento em que se Para haver equilíbrio nas contas do Estado é


elabora o Orçamento do necessário que o saldo orçamental seja nulo, isto
Estado, as despesas nele é, as despesas serem integralmente cobertas
inscritas têm de estar pelas receitas. O saldo orçamental representa
totalmente cobertas pelas então a diferença entre as receitas e despesas
receitas. públicas de um país num dado momento. Dizemos
que existe défice orçamental quando o montante
das despesas públicas ultrapassa o total das
O saldo orçamental é um receitas públicas e falamos em superavit
importante indicador da orçamental quando se verifica a situação oposta,
situação económica de um isto é, quando o valor das despesas é menor que
país. o valor das receitas.
O total de empréstimos que o Estado tem
DÍVIDA PÚBLICA de contrair para cobrir o défice
orçamental constitui a dívida pública.
Quando o montante das
despesas ultrapassa o
montante das receitas, o
Estado tem necessidade
de recorrer a empréstimos Estes empréstimos podem ser obtidos
para fazer face ao défice internamente ou externamente, conforme os
orçamental. credores sejam residentes no pais – dívida
interna – ou no estrangeiro – dívida externa.

A dívida pública também pode ser


classificada como fundada ou flutuante,
conforme o seu horizonte temporal é de
médio/longo prazo ou de curto prazo.
DIVIDA PÚBLICA
A dívida pública é fundada
quando as despesas
ultrapassam largamente as
receitas, obrigando o Estado a
recorrer a empréstimos
amortizáveis em vários anos.

Trata-se da dívida pública


flutuante, que, embora implique
recurso a crédito, pode ser
saneada através de um
empréstimo de curto prazo,
amortizável no próprio ano em
que é pedido.
A EXISTÊNCIA DE DIVIDA PÚBLICA É
NEGATIVA OU POSITIVA?
POLÍTICAS ECONÓMICAS E SOCIAIS
As políticas económicas e sociais são
o conjunto de medidas tomadas pelo
Governo com o objetivo de melhorar a
situação económica e social da
sociedade.

Na prática, quando o Estado aplica medidas


de política económica, os resultados têm
repercussões ao nível social e vice-versa.

Ex: Atribuição de determinados benefícios


fiscais às empresas que aumentem o número
de postos de trabalho, contratando mais
trabalhadores.
INSTRUMENTOS DE POLITICA
ECONÓMICA
O Estado utiliza instrumentos de política económica e social para
regular a atividade económica, procurando obter a máxima
racionalização na afetação dos recursos.

Os principais objetivos das suas políticas são:


 Incentivar o crescimento económico;
 Diminuir as desigualdades sociais através da redistribuição dos
rendimentos;
 Reduzir o desemprego;
 Promover a estabilidade dos preços e o equilíbrio das contas
externas.
POLÍTICA CONJUNTURAL/ESTRUTURAL
As políticas associadas à reforma
da Educação ou da Segurança
Política conjuntural: política implementada Social constituem exemplos de
pelo Estado num curto horizonte temporal. políticas estruturais, pois têm de
ser implementadas por um
período de tempo
suficientemente longo para
poderem produzir os efeitos
Política estrutural: política levada a cabo desejados.
pelo Estado cujos efeitos se fazem sentir a
médio e longo prazo. As políticas apresentadas nas
Grandes Opções do Plano dos
programas políticos de cada
governo, geralmente,
correspondem a medidas de
caráter conjuntural, uma vez que
se destinam a ser aplicadas
durante a respetiva legislatura.