100% acharam este documento útil (7 votos)
3K visualizações51 páginas

Saúde Coletiva - Aula

O documento introduz os principais conceitos de saúde coletiva e saúde pública. A saúde coletiva surge a partir da integração entre ciências biomédicas e sociais para investigar variáveis sociais que afetam a saúde de uma comunidade. Ela busca ampliar o conceito de saúde para além da ausência de doença. Já a saúde pública foca mais no indivíduo, diagnosticando e tratando doenças. O documento também discute os 8 tipos de saúde do ser humano de acordo com a perspectiva da

Enviado por

William Araújo
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PPTX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (7 votos)
3K visualizações51 páginas

Saúde Coletiva - Aula

O documento introduz os principais conceitos de saúde coletiva e saúde pública. A saúde coletiva surge a partir da integração entre ciências biomédicas e sociais para investigar variáveis sociais que afetam a saúde de uma comunidade. Ela busca ampliar o conceito de saúde para além da ausência de doença. Já a saúde pública foca mais no indivíduo, diagnosticando e tratando doenças. O documento também discute os 8 tipos de saúde do ser humano de acordo com a perspectiva da

Enviado por

William Araújo
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PPTX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

SAÚDE COLETIVA

Prof.º William Araújo Santos


Residência Multiprofissional em Saúde Materno Infantil (EMCM/UFRN)
Residência Multiprofissional em Atenção Básica (EMCM/UFRN)
Mestrando no Programa de Mestrado Profissional em Educação, Tecnologia e Inovação em
Medicina (EMCM/UFRN)
UNIDADE I
INTRODUÇÃO E CONCEITOS
BÁSICOS
Esboço da Unidade I

■ Conceitos de Saúde Coletiva e Saúde Pública;


■ Breve Histórico da Saúde Coletiva;
■ Introdução à Reforma Sanitária;
■ Tipos de saúde do ser humano.
O que é saúde coletiva e como ela surgiu?

■ A saúde coletiva é um campo de atuação multidisciplinar resultante da integração


entre as ciências biomédicas e as ciências sociais. Ela surge das interações
sociais e econômicas com o meio ambiente e da avaliação de como as condições
de salubridade de uma comunidade são afetadas por essas relações.
■ A ideia de saúde coletiva emerge a partir da contestação dos paradigmas de
saúde existentes nos anos 1970, não apenas no Brasil, mas em quase toda a
América Latina. O resultado foi o surgimento de um movimento sanitarista que
culminou com a reforma sanitária brasileira.
■ Esse movimento trouxe novas formas de pensar a saúde e o bem-estar da
população. Na verdade, a saúde passa a compor um conceito mais amplo, que
leva em conta também a busca por melhor qualidade de vida.

(CAMPOS, 2017)
Qual o objetivo da saúde coletiva?

■ De modo geral, o principal objetivo da saúde coletiva é investigar as variáveis


sociais por trás da origem das doenças. Desse modo, torna-se possível
construir um planejamento de forma mais consistente, assim como organizar a
assistência prestada pelos serviços de saúde.
■ As propostas resultantes da reforma sanitária no Brasil produziram como
resultado direto a importância da universalidade do direito à saúde. Abraçada
pela Constituição de 1988, originou, finalmente, o Sistema Único de Saúde
(SUS).

(CAMPOS, 2017)
Qual o objetivo da saúde coletiva?

■ Assim, adotando perfis sanitários mais condizentes com as características


culturais e as necessidades de cada região, o alcance é mais efetivo. Políticas
de saúde bucal, programas de atendimento às doenças sexualmente
transmissíveis (DST), assim como a viabilização de práticas sanitárias básicas
nas comunidades mais carentes, entre outros, caracterizam os objetivos da
saúde coletiva.
■ Entre os campos que se desenvolveram na aplicação dos trabalhos de saúde
coletiva no Brasil, alimentação e nutrição encontram destaque especial.

(SILVA; SCHRAIBER; MOTA,


2019)
Qual a diferença entre saúde pública e
coletiva?
■ De modo geral, a pessoa leiga tende a enxergar a saúde pública e a saúde
coletiva como sendo a mesma coisa. No entanto, decididamente apresentam
diferenças marcantes, como se mostrará a seguir.
■ Primeiramente, a saúde pública visa o indivíduo em sua comunidade e, nesse
sentido, procura diagnosticar e tratar alguma doença que o aflija. Ao mesmo
tempo, também considera o padrão de vida que adota e as adequações que
deve fazer.
■ Para a saúde pública, os principais objetos de trabalho são constituídos pelos
problemas de saúde representados pelos óbitos, doenças e riscos ocorrentes
na sociedade. Para a saúde coletiva, no entanto, a essência do objeto de
trabalho é constituída pelas necessidades de saúde.

(CAMPOS, 2017; SILVA; SCHRAIBER; MOTA, 2019)


Qual a diferença entre saúde pública e
coletiva?
■ Por sua vez, a saúde coletiva analisa o processo saúde-doença vigente em
uma comunidade segundo o contexto social em que ela está inserida. Desse
modo, seu intento não é tratar um indivíduo doente, mas prevenir e evitar que
doenças sejam disseminadas no ambiente da comunidade em que vive;
■ Assim, o foco da saúde coletiva não se limita a evitar as doenças e a prolongar
o tempo de vida. Na verdade, reside na identificação e na viabilização das
condições necessárias para ampliar a qualidade de vida das pessoas de uma
comunidade.

(CAMPOS, 2017; SILVA; SCHRAIBER; MOTA, 2019)


Qual a diferença entre saúde pública e
coletiva?
Saúde Pública Saúde Coletiva
Conceito Saúde-Doença Conceito da OMS; Conceito da 8ª CNS;
Saúde Individualizada, Processo compreendido como
preocupada com a causa da coletivo e não individual.
doença, ausência de doença.
Metodologia de Ação Ação vertical Ação Horizontal
Estado
Estado <-> Prof. <-> População
Profissional

População
Enfoque Estado Demandas da População
Programas Participação Popular
Indivíduo Coletivo
■ A saúde coletiva é composta da integração das ciências sociais com as
políticas de saúde pública. Ela identifica variáveis de cunho social, econômico e
ambiental que possam acarretar no desenvolvimento de cenários de epidemia
em determinada região, por meio de projeções feitas através da associação
dos dados socioeconômicos com os dados epidemiológicos. A saúde coletiva
busca ampliar a compreensão sobre a saúde, incluindo investigações
históricas, sociológicas, antropológicas e epistemiológicas. Ela foi criada a
partir de um movimento sanitarista que surgiu no Sistema Único de Saúde
(SUS), e tem como objetivo auxiliar na identificação de variáveis sociais,
econômicas e ambientais que possam acarretar o desenvolvimento de
epidemias em regiões específicas.
■ A saúde pública é um conjunto de ações e serviços de caráter sanitário que
têm como objetivo prevenir ou combater patologias ou riscos à saúde da
população. Na saúde pública, há o uso do conhecimento, médico ou não, para
organizar os serviços de saúde e o sistema, além da atuação nos fatores do
processo saúde/ doença, controlando a incidência de doenças por meio de
vigilância sanitária.

(MOREIRA, 2018)
História da Saúde Coletiva e Reforma
Sanitária.
■ Aplicação do Método Fishbowl
Quais são os tipos de saúde do ser
humano?
■ Durante muitos anos, acreditava-se que os únicos tipos de doenças que
poderiam afetar a saúde de um indivíduo seria apenas o que afetasse o corpo
em sua matéria. Porém, de acordo com os estudos de saúde coletiva, sabe-se
que essa não é a única parte do corpo atingida.
■ Ao estudar o que é saúde coletiva, cientistas provaram que existem 8 tipos de
saúdes do corpo humanos para se atentar, sendo elas:

(MENDES, 2017)
1. Saúde física – sobre estar em forma, ter energia suficiente para o seu trabalho
diário e suas atividades de lazer. A saúde física envolve ficar de repouso e ter
noites de sono adequadas, além de um consumo equilibrado de nutrientes.
2.  Saúde emocional – A saúde emocional ou mental é o bem-estar psicológico.
O que pode incluir a forma de como você se sente em relação a si mesmo, a
qualidade das relações e a capacidade de controlar seus sentimentos.
3. Saúde espiritual – De acordo com estudo realizado pelo Instituto Nacional de
Saúde dos Estados Unidos, as pessoas que tem algum tipo de prática
espiritual, vivem em média 29% mais. Os médicos observam melhora no
quadro de depressão, stress, doenças do coração e pressão alta.

(MENDES, 2017)
■ 4. Saúde intelectual – Este tipo de saúde envolve a habilidade de pensar com
clareza e lógica. A saúde intelectual permite enxergar uma série de
perspectivas, vontade de considerar novas ideias, capacidade de avaliar riscos
e estimular a criatividade e a imaginação.
■ 5. Saúde financeira – Um sinal de que essa área não vai bem é comprar algo
e logo em seguida enfrentar o temor sobre como fará para pagar o que
adquiriu.
■ 6. Saúde familiar – A harmonia com a família é um fator de importância para a
saúde coletiva.
(MENDES, 2017)
7. Saúde profissional – A saúde profissional está tão ligada ao seu desempenho
como a forma que você fica o dia trabalhando. Para quem trabalha sentado, a
atenção é redobrada para se atentar a: altura do monitor, altura da cadeira, altura
do encosto, atenção a postura e posição das mãos.
8. Saúde social – Envolve a capacidade de interagir positivamente com amigos,
familiares e outros membros da comunidade. Outro aspecto é a habilidade de
utilizar diversas atitudes em uma série de contextos para eventos.

(MENDES, 2017)
Referências

CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa et al. Tratado de saúde coletiva. In: Tratado de saúde
coletiva. 2017. p. 968 p-968.
MENDES, Áquilas et al. A contribuição do pensamento da saúde coletiva à economia política da
saúde. Saúde e sociedade, v. 26, p. 841-860, 2017.
MOREIRA, Taís de Campos. Saúde Coletiva. Porto Alegre: SAGAH, 2018. uni. 1, p. 15-30. Disponível
em: [Link]
Acesso em: 31 maio 2021.
SILVA, Marcelo José de Souza; SCHRAIBER, Lilia Blima; MOTA, André. O conceito de saúde na
Saúde Coletiva: contribuições a partir da crítica social e histórica da produção científica. Physis:
Revista de Saúde Coletiva, v. 29, 2019.
UNIDADE II
HISTÓRIA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE
SAÚDE NO BRASIL
Esboço da Unidade II

■ Conhecer a história das políticas públicas de saúde no Brasil:


• Do descobrimento do Brasil até a chegada da família real;
• Da Proclamação da República até 1930 A Era Vargas;
• Do final da ditadura Vargas até o golpe militar;
• Do golpe militar à VIII Conferência Nacional de Saúde.
Introdução

■ Material de apoio - A história da saúde pública no Brasil – 500 anos na busca


de soluções
Saúde no Brasil Colônia

■ Antes da chegada dos navios europeus ao Brasil, o território era ocupado


unicamente por povos indígenas que já tinham algumas enfermidades, mas a
colonização portuguesa trouxe diversas outras comuns na Europa que não
existiam por aqui. Isso causou um grande problema de saúde entre a
população, já que os nativos não tinham imunidade para combater
determinadas enfermidades; como consequência, milhares deles morreram.
■ Nessa época, a preocupação com o desenvolvimento da área da saúde no
Brasil era praticamente nula. Não havia infraestrutura e quem precisava buscar
auxílio geralmente recorria a pajés, curandeiros ou boticários que viajavam de
maneira informal e sem qualquer planejamento público.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


Saúde no Brasil Império
■ Com a chegada da família real portuguesa e de sua corte em 1808, quando
estavam tentando escapar da tropa de Napoleão Bonaparte, o Brasil começou
a receber mais investimento em infraestrutura. Uma das primeiras medidas foi
a criação dos cursos universitários de Medicina, Cirurgia e Química.
■ Profissionais começaram a se graduar no Brasil, substituindo médicos
estrangeiros. A Escola de Cirurgia do Rio de Janeiro e o Colégio Médico-
Cirúrgico no Real Hospital Militar de Salvador foram pioneiros no período.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


As Santas Casas de Misericórdia

■ Desde a época da colonização, as entidades religiosas foram determinantes


para a implementação de tratamentos de saúde no território brasileiro. De
acordo com a Confederação de Santas Casas de Misericórdia (CMB),
movimentos da Igreja Católica, da Igreja Protestante, da Igreja Evangélica e da
Comunidade Espírita, entre outras, têm 2,1 mil estabelecimentos de saúde
espalhados por todo o Brasil.
■ Durante décadas, as Santas Casas de Misericórdia foram a única opção para
pessoas que não tinham condições financeiras de pagar por médicos
particulares, fundadas por religiosos e mantidas por meio de caridade e
filantropia.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


Saúde Pública após a Independência do
Brasil
■ Em 1822, D. Pedro II declarou a independência do Brasil. Como imperador, ele
transformou escolas em faculdades, fundou órgãos para fiscalizar a higiene
pública e, especialmente na capital da época, Rio de Janeiro, promoveu
diversas mudanças para higienizar o centro urbano.
■ Durante esse período, a vacina contra a varíola foi instaurada para todas as
crianças, houve a criação do Instituto Vacínico do Império e medidas foram
tomadas para controlar a disseminação da tuberculose, da febre amarela e da
malária.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


A Revolta da Vacina
■ Após a abolição da escravatura, em 1888, e a instauração da República do
Brasil, em 1989, o País continuava sofrendo com epidemias e falta de
saneamento básico. Sanitaristas nacionais, com destaque para Oswaldo Cruz,
começaram a buscar soluções para melhorar esse cenário.
■ Para impedir que essas doenças se espalhassem, o governo destruiu casas,
desalojou pessoas e tornou a vacinação obrigatória, o que ocasionou uma
revolta em 1904. Carlos Chagas sucedeu Oswaldo Cruz e conseguiu avançar
com menos oposição popular.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


Saúde Pública no governo Getúlio Vargas

■ Durante o período getulista houve mudanças no sistema para centralizar a


saúde pública brasileira. O Ministério da Educação e Saúde foi criado e aplicou
algumas iniciativas para controlar epidemias e endemias. A Constituição de
1934 concedeu assistência médica e “licença-gestante” para trabalhadoras.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


Criação do Ministério da Saúde e das
Conferências Nacionais
■ O Ministério da Saúde foi criado em 1953 com o objetivo de definir políticas
públicas de saúde e melhorar o atendimento em zonas rurais. Na época
também aconteceram as primeiras conferências sobre saúde pública no Brasil,
que tiveram um papel muito importante ao levantar a discussão sobre a criação
de um sistema de saúde para toda a população, garantindo que o acesso à
saúde fosse universal.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


Saúde na Ditadura Militar

■ Em 1970, apenas 1% do orçamento da União era destinado à saúde, e os


cortes orçamentários resultaram na intensificação de doenças como dengue,
meningite e malária. Para reverter a situação, o governo criou o Instituto
Nacional de Previdência Social (INPS), unindo todos os órgãos previdenciários
que funcionavam desde 1930 e melhorando o atendimento médico.
■ Além disso, foram definidos o Conselho Consultivo de Administração da Saúde
Previdenciária (Conasp), o Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de
Saúde (Conass) e o Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde
(Conasems). Mais tarde, eles ajudaram na criação do SUS.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


Constituição de 1988 e criação do SUS
■ Com a redemocratização do Brasil e a criação da Constituição de 1988, a
saúde passou a ser um direito de todos e um dever do Estado, criando uma
base para o sistema público que temos atualmente. A Lei Federal n. 8.080, de
1990, regulamenta o Sistema Único de Saúde com o objetivo de identificar e
divulgar os condicionantes e determinantes da saúde, formular a política de
saúde para promover os campos econômico e social e fazer ações de saúde
de promoção, proteção e recuperação, integrando ações assistenciais e
preventivas.

(REIS; ARAÚJO; CECÍLIO, 2012)


O Sistema Único de Saúde
■ O Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos maiores e mais complexos
sistemas de saúde pública do mundo, abrangendo desde o simples
atendimento para avaliação da pressão arterial, por meio da Atenção Primária,
até o transplante de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito
para toda a população do país. Com a sua criação, o SUS proporcionou o
acesso universal ao sistema público de saúde, sem discriminação. A atenção
integral à saúde, e não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um
direito de todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, com foco na
saúde com qualidade de vida, visando a prevenção e a promoção da saúde.

(PAIM, 2018)
O Sistema Único de Saúde

■ A gestão das ações e dos serviços de saúde deve ser solidária e participativa
entre os três entes da Federação: a União, os Estados e os municípios. A rede
que compõe o SUS é ampla e abrange tanto ações quanto os serviços de
saúde. Engloba a atenção primária, média e alta complexidades, os serviços
urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e serviços das
vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental e assistência farmacêutica.

(PAIM, 2018)
O que é, como funciona e qual a importância do
SUS?

■ A atenção à saúde é um problema enfrentado por chefes de Estado de todos os


países. É necessário, para a estabilidade de qualquer governo, que os cidadãos
tenham preservadas as suas condições normais de saúde para que os índices
econômicos e os indicadores sociais de um país mantenham-se altos. A maioria
dos países não possui sistemas gratuitos que atendam a qualquer pessoa,
independentemente de sua condição socioeconômica.
■ O SUS atende gratuitamente pessoas de baixa, média e até de alta renda,
caso procurem os serviços. O SUS também atende estrangeiros que estejam
residindo ou de passagem no Brasil sem qualquer cobrança de tarifas. Uma das
principais características do SUS é a união dos Poderes Executivos (Federal,
estadual e municipal) pela gerência do sistema, de modo que temos serviços
oferecidos pelos três níveis em todo o Brasil.
(PAIM, 2018)
■ Assim, cria-se uma diretriz centralizada para a gestão do sistema, gerida
pelo Ministério da Saúde, mas descentraliza-se a gestão nas pontas do
sistema, que ficam a cargo das secretarias estaduais e municipais de
saúde. Há uma participação do Ministério da Educação na gestão do SUS a
nível Federal, pois os hospitais universitários que compõem a maioria das
universidades federais que ofertam cursos de Medicina e de outras áreas da
saúde recebem recursos das duas pastas governamentais em questão: Saúde
e Educação.
■ Os hospitais universitários têm um importante papel no desenvolvimento de
pesquisas científicas na área da saúde, além de servirem de campo de atuação
para estudantes e oferecerem tratamento gratuito à população.

(PAIM, 2018)
Princípios e Diretrizes do SUS

■ O Sistema Único de Saúde trabalha de maneira integrada e opera a saúde


brasileira em todo o território nacional. A gestão maior e as diretrizes do
SUS partem do Ministério da Saúde, mas as secretarias de saúde estaduais e
municipais operam essa gestão em seus territórios. A verba destinada ao SUS
advém da cobrança de impostos, e a União é responsável por repassá-la aos
hospitais federais e às secretarias de saúde estaduais e municipais.

(TEIXEIRA, 2011)
Princípios e Diretrizes do SUS

■ Universalização: a saúde é um direito de cidadania de todas as pessoas e


cabe ao Estado assegurar este direito, sendo que o acesso às ações e serviços
deve ser garantido a todas as pessoas, independentemente de sexo, raça,
ocupação ou outras características sociais ou pessoais.
■ Equidade: o objetivo desse princípio é diminuir desigualdades. Apesar de todas
as pessoas possuírem direito aos serviços, as pessoas não são iguais e, por
isso, têm necessidades distintas. Em outras palavras, equidade significa tratar
desigualmente os desiguais, investindo mais onde a carência é maior.

(TEIXEIRA, 2011)
Princípios e Diretrizes do SUS
■ Integralidade: este princípio considera as pessoas como um todo, atendendo a
todas as suas necessidades. Para isso, é importante a integração de ações,
incluindo a promoção da saúde, a prevenção de doenças, o tratamento e a
reabilitação. Juntamente, o princípio de integralidade pressupõe a articulação
da saúde com outras políticas públicas, para assegurar uma atuação
intersetorial entre as diferentes áreas que tenham repercussão na saúde e
qualidade de vida dos indivíduos
■ Participação Popular: a sociedade deve participar no dia-a-dia do sistema.
Para isto, devem ser criados os Conselhos e as Conferências de Saúde, que
visam formular estratégias, controlar e avaliar a execução da política de saúde

(TEIXEIRA, 2011)
Princípios e Diretrizes do SUS

■ Descentralização e Comando Único: descentralizar é redistribuir poder e


responsabilidade entre os três níveis de governo. Com relação à saúde,
descentralização objetiva prestar serviços com maior qualidade e garantir o
controle e a fiscalização por parte dos cidadãos. No SUS, a responsabilidade
pela saúde deve ser descentralizada até o município, ou seja, devem ser
fornecidas ao município condições gerenciais, técnicas, administrativas e
financeiras para exercer esta função. Para que valha o princípio da
descentralização, existe a concepção constitucional do mando único, onde
cada esfera de governo é autônoma e soberana nas suas decisões e
atividades, respeitando os princípios gerais e a participação da sociedade.

(TEIXEIRA, 2011)
Programa Saúde da Família – PSF
■ O Programa de Saúde da Família também conhecido como PSF foi criado em
1994, como conseqüência de uma ação da sociedade organizada, o programa
passou a receber um tratamento exclusivo do Ministério da Saúde e do
Governo Federal a partir de 1996, mas foi em 1998 que a conta foi agregada ao
Orçamento da União, com verbas regulares e crescentes. 
■ Desse modo, observa-se que a verdadeira origem do programa está nos
movimentos reformistas das décadas de 1970 e 1980, que visavam à
substituição do modelo tradicional de saúde, baseado na valorização do
hospital e da doença, por um novo modelo que priorizasse a prevenção e
promoção da saúde, com a participação da população. 

LENTSCK; KLUTHCOVSKY; KLUTHCOVSKY, 2011)


Programa Saúde da Família – PSF

■ O atendimento primário de saúde compreende um conjunto de procederes e


serviços de promoção, prevenção, cura e reabilitação, bem como a proteção de
grupos populacionais específicos e a abordagem de problemas de saúde com
tecnologias apropriadas deste nível de atendimento, dirigido ao indivíduo, à
família, à comunidade e ao meio

LENTSCK; KLUTHCOVSKY; KLUTHCOVSKY, 2011)


Programa Saúde da Família – PSF

■ Verifica-se no modelo brasileiro que o Programa Saúde da Família propõe a


criação de equipes de profissionais composta por um médico generalista, um
enfermeiro, um auxiliar ou técnico de enfermagem e cinco a seis agentes
comunitários de saúde. A equipe é responsável por uma população de
determinado território com abrangência de 600 amil famílias por equipe, o que
corresponde entre 2.400 a 2.700 habitantes.
■ As famílias são cadastradas e inscritas por equipe, onde passam a manter
vínculos entre usuários e profissionais de saúde. Desse modo, os profissionais
ficam responsáveis pelos cuidados sanitários daquela área e dos habitantes que
nela vivem. A família é considerada como o núcleo central da atenção básica.
■ Atualmente, o PSF é definido como ESF (Estratégia Saúde da Família).

LENTSCK; KLUTHCOVSKY; KLUTHCOVSKY, 2011)


Referências

■ LENTSCK, Maicon Henrique; KLUTHCOVSKY, Ana Cláudia Garabeli Cavalli;


KLUTHCOVSKY, Fábio Aragão. Avaliação do Programa Saúde da Família: uma
revisão. Ciência & Saúde Coletiva, v. 15, p. 3455-3466, 2010.
■ REIS, Denizi Oliveira; ARAÚJO, Eliane Cardoso de; CECÍLIO, Luiz Carlos de Oliveira.
Políticas Públicas de Saúde no Brasil: SUS e pactos pela Saúde. Unifesp. São Paulo.
s/d. Disponível em: [Link] unasus. unifesp.
br/biblioteca_virtual/esf/1/modulo_politico_gestor/Unidade_, v. 4, 2012.
■ PAIM, Jairnilson Silva. Sistema Único de Saúde (SUS) aos 30 anos. Ciência & Saúde
Coletiva, v. 23, p. 1723-1728, 2018.
■ TEIXEIRA, Carmen. Os princípios do sistema único de saúde. Texto de apoio elaborado
para subsidiar o debate nas Conferências Municipal e Estadual de Saúde. Salvador,
Bahia, 2011.
UNIDADE IV
CUIDADO NA COMUNIDADE
Esboço da Unidade IV

■ Definir saúde e doença: conceitos e processos;


■ Explicar os conceitos de saúde, sociedade e cultura;
■ Compreender os sistemas de saúde cultural e social;
■ Descrever o que é saúde;
■ Demonstrar os determinantes sociais de saúde;
■ Avaliar a saúde de uma população;
O processo saúde-doença

■ O que é saúde?
■ Durante muito tempo, a saúde foi entendida simplesmente como o estado de
ausência de doença. Considerada insatisfatória, esta definição de saúde foi
substituída por outra, que engloba bem-estar físico, mental e social;
■ Seguindo essa linha mais abrangente, a Organização Mundial da Saúde
(OMS), em 1946, definiu saúde como um estado de completo bem-estar físico,
mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade.

(CÂMARA, 2012)
O processo saúde doença

■ O processo saúde-doença é uma expressão usada para fazer referência a


todas as variáveis que envolvem a saúde e a doença de um indivíduo ou
população e considera que ambas estão interligadas e são consequência dos
mesmos fatores. De acordo com esse conceito, a determinação do estado de
saúde de uma pessoa é um processo complexo que envolve diversos fatores;
■ Diferentemente da teoria da unicausalidade, muito aceita no início do século
XX, que considera como fator único de surgimento de doenças um 
agente etiológico – vírus, bactérias, protozoários -, o conceito de saúde-doença
estuda os fatores biológicos, econômicos, sociais e culturais e, com eles,
pretende obter possíveis motivações para o surgimento de alguma
enfermidade.

(CÂMARA, 2012)
O processo saúde-doença

■ O conceito de multicausalidade não exclui a presença de agentes etiológicos


numa pessoa como fator de aparecimento de doenças. Ele vai além e leva em
consideração o psicológico do paciente, seus conflitos familiares, seus recursos
financeiros, nível de instrução, entre outros. Esses fatores, inclusive, não são
estáveis; podem variar com o passar dos anos, de uma região para outra, de
uma etnia para outra.

(CÂMARA, 2012)
Saúde, cultura e sociedade

■ Faz muito tempo que a cultura deixou de ser pensada apenas como o conjunto de
elementos simbólicos transmitidos de geração em geração, para ter seu escopo
ampliado e começar a ser compreendida também como o conjunto de toda e
qualquer prática que atravessa a vida humana em sociedade, de modo que não
seria arriscado dizer que a cultura não tem um “fora”, isto é, que não é possível
estar fora da cultura, ou “não ter cultura”, jargão ainda hoje repetido por certos
agentes das elites civilizatórias;
■ Um elemento constitutivo da nossa cultura é a saúde: tanto o conceito de saúde
quanto suas representações, seus saberes e suas práticas são formulados
segundo aspectos culturais. Isto equivale a dizer que as práticas ligadas à saúde
são, sempre, aspectos culturais de uma sociedade, porque atravessam o fazer
humano.

(BUSS; PELEGRINO FILHO, 2007)


Saúde, cultura e sociedade

(BUSS; PELEGRINO FILHO, 2007)


Os Determinantes Sociais da Saúde

Para a Comissão Nacional sobre os Determinantes Sociais


da Saúde (CNDSS), os DSS são os fatores sociais,
econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e
comportamentais que influenciam a ocorrência de
problemas de saúde e seus fatores de risco na população.

(BUSS; PELEGRINO FILHO, 2007)


Através dos tempos todas as pessoas nascem, vivem e morrem, é a lei da natureza. Nessa
trajetória, a qualidade e as condições de vida de cada indíviduo e da comunidade vão determinar
a saúde da população. Conheça os principais fatores para um ciclo de vida com boa saúde.

(BUSS; PELEGRINO FILHO, 2007)


Referências

■ CÂMARA, Ana Maria Chagas Sette et al. Percepção do processo saúde-


doença: significados e valores da educação em saúde. Revista Brasileira de
Educação Médica, v. 36, p. 40-50, 2012.
■ BUSS, Paulo Marchiori; PELLEGRINI FILHO, Alberto. A saúde e seus
determinantes sociais. Physis: revista de saúde coletiva, v. 17, p. 77-93,
2007.

SAÚDE COLETIVA
Prof.º William Araújo Santos 
Residência Multiprofissional em Saúde Materno Infantil (EMCM/UFRN)
Residência Mu
UNIDADE I
INTRODUÇÃO E CONCEITOS 
BÁSICOS
Esboço da Unidade I
■Conceitos de Saúde Coletiva e Saúde Pública;
■Breve Histórico da Saúde Coletiva;
■Introdução à Reforma S
O que é saúde coletiva e como ela surgiu?
■
A saúde coletiva é um campo de atuação multidisciplinar resultante da integração
Qual o objetivo da saúde coletiva?
■
De modo geral, o principal objetivo da saúde coletiva é investigar as variáveis 
sociais
Qual o objetivo da saúde coletiva?
■
Assim, adotando perfis sanitários mais condizentes com as características 
culturais e a
Qual a diferença entre saúde pública e 
coletiva?
■
De modo geral, a pessoa leiga tende a enxergar a saúde pública e a saúde
Qual a diferença entre saúde pública e 
coletiva?
■
Por sua vez, a saúde coletiva analisa o processo saúde-doença vigente em
Qual a diferença entre saúde pública e 
coletiva?
Saúde Pública
Saúde Coletiva
Conceito Saúde-Doença
Conceito da OMS;
Saúde Individualizada, 
preocupada com a causa da 
doença

Você também pode gostar