O que é
Etiologia
Na dentição decídua
Na dentição mista
Na dentição permanente em pacientes jovens
Em pacientes adultos
Tratamento compensatório em jovens e adultos
Tratamento ortocirúrgico
Avaliar crescimento ósseo(índice carpal, vertebral e corticalização condilar)
Expansão + mascara facial
Protocolo manhaes
Marpe+mascara
Sistema ertty gap(pla+hyraxinvertido+elástico
Mpo bucal shelf
miniplacas
Elasticos
Alinhadores
Pacientes fissurados
Cirurgia ortognatica
A má oclusão de Classe III, de origem essencialmente esquelética, produz uma acentuada
deformidade facial. A Classe III pode ser interceptada durante a fase de crescimento e
desenvolvimento craniofacial mediante o uso de aparelhos ortopédicos. O crescimento
mandibular, predominantemente endocondral na cartilagem condilar, obedece
essencialmente ao controle genético. Portanto, os efeitos dos aparelhos ortopédicos que
visam restringir o crescimento da mandíbula mostram-se limitados, o que conduz ao pobre
prognóstico de tratamento precoce da Classe III determinada pelo prognatismo mandibular.
Felizmente, o componente esquelético maxilar responde melhor à aplicação de forças
ortopédicas, já que o crescimento ósseo intramembranoso mostra-se mais susceptível a
influências extrínsecas ou ambientais. Deste modo, a Classe III morfologicamente definida
pelo retrognatismo maxilar, privilegia-se com o tratamento ortopédico.
O diagnóstico ideal da má oclusão de Classe III deve ser precoce, se possível ainda na dentadura
decídua. Quanto mais cedo, a interceptação suscita maiores efeitos ortopédicos em detrimento dos
inevitáveis efeitos ortodônticos11. Além disso, devolver a estética à criança precocemente implica
contribuir para sua auto-estima, levando-se em consideração o fator psicológico 18.
A má oclusão de Classe III agrava-se ao longo do crescimento, principalmente a partir da adolescência.
Deste modo, na criança, esta má oclusão não se apresenta totalmente definida, e as características
faciais e oclusais ainda sutis podem dificultar o diagnóstico. A identificação precoce desta discrepância
esquelética depende da observação minuciosa de uma série de características faciais, oclusais, e
cefalométricas que revelam forte tendência à Classe III. A ausência da proeminência zigomática ou
malar constitui o sinal facial que traduz o retrognatismo maxilar (Fig. 1.2, 2.2). A linha mento-pescoço
aumentada em relação à profundidade da face média e o ângulo mais agudo entre mento e pescoço
denunciam a contribuição da mandíbula na Classe III (caso 2).
As características oclusais da Classe III nas dentaduras decídua e mista parecem bastante
variáveis. No caso 1, a paciente apresenta-se no primeiro período transitório da dentadura
mista, com mordida cruzada total. No caso 2, a mordida cruzada total apresenta-se
associada à mordida aberta devido ao hábito persistente de sucção (Fig. 2.3). Mesmo
diante da relação canino de Classe I, podemos classificar a má oclusão como Classe III,
baseando-se sobretudo no padrão facial, na relação interarcos e secundariamente nas
características cefalométricas.
A observação radiográfica constitui um complemento para a análise clínica. Na radiografia
panorâmica, verifica-se a presença de todos os germes dos dentes permanentes não irrompidos e
a ausência de distúrbios de irrupção ou patologias. A telerradiografia em norma lateral deve ser
avaliada morfologicamente. Os números cefalométricos devem ser considerados com certa
cautela, porque pacientes Classe III freqüentemente apresentam a base do crânio encurtada. Com
o ponto "N" localizado mais posteriormente, obtém-se leituras errôneas das medidas
cefalométricas que utilizam a base do crânio como referência (SNA, Nperp-A, SNB, Nperp-P).
A conduta mais coerente para estes pacientes é a utilização de medidas que comparam o
comprimento efetivo da maxila (Co-A) e da mandíbula (Co-Gn) com os valores dados no Atlas
de Crescimento Craniofacial15. No caso 2, os valores iniciais para as medidas Co-A (78mm) e
Co-Gn (98mm), quando comparados às medidas de normalidade para a idade Co-A (81,5mm) e
Co-Gn (99,3mm), demonstram a maior participação da maxila que da mandíbula na composição
da Classe III. A altura facial ântero-inferior aumentada (60mm, quando se esperava 58mm,
segundo a tabela de McNamara), juntamente com a inclinação do plano mandibular aumentado
indicam, ainda, um predomínio de crescimento vertical neste paciente. A identificação do
prognatismo mandibular e do padrão vertical de crescimento empobrecem o prognóstico de
tratamento precoce, devido a menores chances de estabilidade pós-tratamento. No caso 1, as
medidas iniciais para Co-A (75mm) e Co-Gn (98mm) mostram também a maior participação da
maxila na determinação da Classe III, já que o Atlas de Crescimento mostra valores de
normalidade de 78,9mm para a maxila e 95,5mm para a mandíbula na idade de 6 anos. Porém, o
padrão de crescimento horizontal (SN.GoGn: 33º e AFAI: 62mm) contribui na definição de um
bom prognóstico de tratamento ortopédico.
O tratamento precoce da má oclusão de Classe III direciona-se para a maxila, por meio da
expansão rápida da maxila (ERM) seguida pela protração maxilar2,6,8,9,11,12,23. A ERM,
além de corrigir a mordida cruzada posterior, estimula a atividade celular das suturas,
potencializando os resultados da protração13,19,27,28,29,30. A ERM pode ser realizada
utilizando-se o aparelho expansor tipo Haas20,21,24; com ganchos laterais soldados por
vestibular para receber os elásticos de protração (Fig. 1.8, 1.9, 2.8, 2.9). A ativação do
parafuso obedece ao protocolo de Haas7, extendendo-se aproximadamente por duas
semanas. Quando se observa a abertura do diastema interincisivos, por volta do 4º dia de
expansão, instala-se a máscara facial para tração reversa da maxila. Nota-se que a
protração maxilar inicia-se ainda durante a fase ativa da ERM1. O paciente é orientado a
utilizá-la 14 horas/dia, excluindo o período escolar. Há no mercado uma grande
variabilidade de aparelhos extrabucais de protração maxilar. No caso 1 optou-se pela
máscara facial de Turley, em que é necessária a moldagem facial (Fig. 1.13, 1.14); já no
caso 2, optou-se pela máscara pré-fabricada de Petit (Fig. 2.14, 2.15).
Alcançada a sobrecorreção do trespasse horizontal, a máscara é utilizada como contenção,
somente para dormir, pois já se alcançou a sobrecorreção do trespasse horizontal. No caso
2, o aparelho expansor foi substituído por uma barra palatina fixa com grade, para facilitar
a higienização e correção da mordida aberta anterior (Fig. 2.22, 2.23, 2.24, 2.25). O
estabelecimento do trespasse vertical adequado, antes da remoção da máscara, apresenta
grande importância para a estabilidade do tratamento (Fig. 2.16).
Após o uso da máscara de tração reversa da maxila, verificou-se o deslocamento anterior
da maxila, atestado pelo aumento do SNA, NperpA, e a rotação da mandíbula no sentido
horário, comprovado pelo aumento do SN.GoGn e redução do SNB, que conjuntamente
contribuíram para o aumento da convexidade facial (ANB e NAP) e para a melhora dos
contornos faciais. (Fig. 1.19, 2.19).
No caso 2 após a suspensão da máscara facial, diante do componente de prognatismo
mandibular, prolongou-se a contenção ortopédica por mais um ano, com o uso noturno da
mentoneira (Fig. 2.26).
DISCUSSÃO
Uma vez diagnosticada a Classe III, deve-se considerar a possibilidade de interceptação precoce. Isso possibilita um
bom relacionamento oclusal, facial e psico-social, favorecendo o crescimento e desenvolvimento normal da criança.
A correção da Classe III esquelética, por meio da expansão rápida aliada à tração reversa da maxila, resulta de uma
combinação de mudanças esqueléticas e dentárias que produzem a melhora significante do perfil facial. No entanto,
esta opção cabe somente à Classe III com envolvimento maxilar em sua configuração morfológica. Apesar do
diagnóstico e tratamento corretos, parece difícil prever a estabilidade dessa terapia, uma vez que dependerá do
padrão de crescimento do paciente pós-tratamento10. Contudo, pode-se realizar um prognóstico positivo ou negativo
baseando-se nas características morfológicas iniciais, isto é, considerando-se o componente maxilar ou mandibular
que compõe a Classe III, juntamente com o padrão de crescimento facial. No caso 1, a análise facial denunciava uma
significante deficiência maxilar com a mandíbula muito aceitável, e a paciente apresenta um padrão de crescimento
horizontal, que permitia as alterações verticais compensatórias, inerentes ao tratamento ortopédico. Uma vez que é
mais fácil o tratamento e a obtenção da estabilidade sobre o crescimento da maxila, esta paciente apresenta um
prognóstico bastante favorável. Portanto, possivelmente apresentará a manutenção dos resultados do tratamento
precoce ao longo do desenvolvimento subseqüente. Já no caso 2, o paciente apresenta um padrão de crescimento
vertical, e apesar da retrognatismo maxilar, a mandíbula apresenta-se com uma marcante participação na Classe III,
segundo a análise facial. Desta forma, neste jovem há maiores expectativas de recidiva e deve-se considerar a
possibilidade de um tratamento orto-cirúrgico ao término do seu crescimento.
Uma vez que o crescimento pós-tratamento não pode ser previamente determinado, torna-se imprescindível a
sobrecorreção do trespasse horizontal e a manutenção da contenção por período adequado. Isto deve ser esclarecido
aos pais e ao paciente desde o início, para que eles estejam devidamente informados e convidados a cooperar com o
tratamento.
CONCLUSÃO
Ao realizarmos o tratamento precoce da Classe III esquelética, devemos ser realistas. Os
resultados poderão perpetuar-se ou a estabilidade será ameaçada com o retorno do padrão
de crescimento original. Todos os antídotos contra a recidiva devem ser utilizados: a
sobrecorreção do trespasse horizontal, o estabelecimento de um trespasse vertical
adequado para o travamento da relação sagital entre os arcos dentários, e a contenção
ortopédica por período prolongado. Ainda, faltaria à Ortodontia o controle da genética
humana. Portanto, é importantíssima a conscientização dos pais e pacientes desde o início
do tratamento, mantendo-os sempre como nossos cúmplices nessa "tentativa" de
tratamento precoce.
Dentição decídua
Ortopedistas funcionais]
Mesioclusão
É classe I de angle, mas tem
Mordida cruzada anterior
Classe III usualmente, mas o ideal é padrão 3
Linha vertical verdadeira
Labiosuperior ok passando 2mm a frente
O inferior deveria estar coincidindo com a linha
Linha queixo-pescoço ideal deve ter 80% da AFAI
Ponto a e b
Indicativo a inicio pra cirurgia ortognatica, por conta da base
esquelética. Este é o momento onde devemos atuar. Não
esperar o paciente trocar os dentes e depois ver o q faz.
Chance de 70% livrar o paciente da cirurgia neste momento.
Logico que dependera de fatores genéticos do paciente que
não pode ser previstos por nós. Mas fato é que se não
intervirmos neste momento, certamente ele ira pra
ortognatica. Não devemos tirar do paciente este direito de
tentativa, deixando tudo bem claro aos responsaveis
Devemos pensar no paciente como um filho, sobrinho. Eoferecer a ele um padrão melhor
de vida, pq um padrão melhor de respiração,mastigação e estética que vc oferecer, já será
mto válido, ainda que o paciente tenha que ir pra cirurgia posteriormente.
Alguns fatores definirão se este paciente de fato irá para cirurgia posteriormente
Fator intrínseco-vem com a pessoa, não muda-hereditário( perguntar se tem alguém na
família, se não glorias)
Fatores extrínsecos – externos, são passiveis de mudança ( respiração, postura de língua,
padrão de mastigação para fazer a maxila crescer transversalmente e anteriormente --- este
fator ambiental, externo, que a gente consegue mudar, poder alterar até a expressão do
gene, fazendo com que a hereditariedade não seja tão expressiva
Paciente chegou padrão 3, vc manipula em RC, ele ficou de topo, outro gloria! Chance
grande de dar certo.
Se manipulou em RC e o paciente não foi nada com mandíbula para trás, é um indicativo
de que esta mesioclusao, este padrão 3, não seja nada postural, e sim esquelético
Quando usar disjunção e mascara num paciente com mordida cruzada anterior- quando ele
tem até 3mm de trespasse dos incisivos inferiores em relação aos superiores (overjet
negativo de 2 a 3 mm) e quando levado em RC ele não recua nada..............obs(observar se
não é apenas inclinação dos incisivos)
Caso tenha recuado um pouco na RC, aí pode entrar com um arco de eschler ou SN3
AH, MAS É SÓ POSTURAL, MAS AINDA
QUE FOSSE, SE VC NÃO TRATAR
TORNARIA CIRURGICO VOCÊ
PODERIA CORRIGIR COM UM
4X2, MAS NÃO CORRIGIRIA POSICAO
LINGUAL , NEM PROMOVE
CRESCIMENTO TRANSVERSAL NEM
ANTERIOR DA MAXILA, NÃO REEDUCA
LABIO,BOCHECHA, SISTEMA
ESTOMATOGNATICO ; COM 4X2 VC SÓ
MUDOU DENTE E PODE SER Q NÃO
TENHA ESTABILIDADE LA NA FRENTE.
PADRÃO I
ORTOGNATA
MESIOCLUSAO
APARELHOS ORTOPEDICOS PARA
PADRAO III
FRANKEl
SN3
ARCO DE SCHLER
Bimler c
Bionator invertido
Dentição decidua
O paciente iniciou o tratamento aos 4 anos de idade, facilitando, assim, a atuação no sistema sutural maxilar.
O objetivo desta conduta foi melhorar o relacionamento ântero-posterior e transversal dos maxilares. A
expansão maxilar foi realizada com o uso do expansor de McNamara (Figura 2), caracterizado pelo
recobrimento oclusal, em resina, das cúspides dos dentes posteriores, formando, desta forma, um plano
posterior em acrílico, que facilita o destravamento da mordida, pois libera a região anterior das interferências
oclusais provocadas pelo cruzamento da mordida. As ativações do expansor foram realizadas segundo o
seguinte protocolo: a primeira ativação foi realizada no consultório, com 2/4 de volta e, os responsáveis pelo
paciente realizavam as ativações em casa, totalizando 2/4 de volta ao dia, divididos em ¼ pela manhã e ¼
antes de dormir. As ativações transversas foram realizadas até atingir a sobrecorreção. Além do aumento de
perímetro do arco, almejava-se a desarticulação das suturas do complexo nasomaxilar e uma tração
esquelética verdadeira da maxila, tendo em vista a idade do paciente. Logo em seguida, foi instalada a
máscara facial de Petit para a tração reversa da maxila com elásticos ½ pesados, prescritos por 16 a 18 horas
diárias. Após 6 meses de uso da máscara a face já apresentava melhora (Figura 2), mas o uso foi prescrito até
completar um período de 11 meses para a sobrecorreção e manutenção dos resultados alcançados.
Inicialmente a força utilizada foi de 225g cada lado e posteriormente foi aumentada para 400g cada lado.
Foi utilizada a máscara até que o trespasse horizontal fosse sobrecorrigido de 3 a 4 mm. Na
reavaliação após 1 ano do final do tratamento, foi observada a necessidade de conter o
hábito de projeção mandibular que o paciente apresentava. Desta maneira, foi instalado um
aparelho removível com alça invertida de Bionator, plano de mordida posterior, grampos
de retenção, expansor e molas digitais de vestibularização dos incisivos superiores (Figuras
3 e 4). O paciente retornou após 3 anos do início do tratamento para nova supervisão com
característica facial agradável, expressando controle do padrão de Classe III (Figura 5
Em muitos casos de maloclusão de Classe III, o cruzamento da mordida anterior é acompanhado também da
posterior, reforçando a indicação da disjunção maxilar. Do ponto de vista esquelético, a associação da
disjunção maxilar com a tração reversa da maxila é favorável, pois o crescimento das suturas da maxila é
passível de estimulação, o que favorece consideravelmente a mecânica ortodôntica de protração maxilar
(MEDEIROS et al., 2019). Porém, quanto mais tardio for a intervenção, menos ativas estarão essas suturas,
que são o sítio de crescimento da maxila, sendo menor o efeito ortopédico e maior o efeito dentoalveolar
(SUASSUNA et al., 2018). A disjunção da maxila pode ser realizada por meio de aparelhos expansores
fixos, que podem ser dentomucossuportados, como o Haas, e os dentossuportados, como o Hyrax e o
McNamara. Todos apresentam um parafuso expansor localizado paralelamente à sutura palatina mediana e,
quando ativados propiciam o afastamento da sutura, caracterizada pelo surgimento de diastema entre os
incisivos centrais superiores e visualizada por meio de uma radiografia oclusal. O acúmulo de forças junto
às suturas pterigopalatina, frontomaxilar, nasomaxilar e zigomáticomaxilar, quando tracionadas pela máscara
de protração, estimulam o crescimento maxilar (SCANAVINI et al., 2006). Nestes casos, ganchos bilaterais
são adicionados na região anterior do aparelho para fixação dos elásticos de tracionamento. O disjuntor
descrito por McNamara apresenta uma camada de acrílico de 3mm sobre as faces oclusais dos dentes como
plano de mordida. Isto diminui o efeito extrusivo da disjunção, funcionando como um batente posterior (bite
block), e a as interferências oclusais, favorecendo a correção da mordida posterior e também da anterior
(McNAMARA JUNIOR, 1987). Quanto à protração maxilar, diversos dispositivos com ancoragem
extrabucal podem ser utilizados: máscara facial tipo Delaire, máscara facial tipo Petit, máscara facial de
Turley e Sky Hook, entre outras. Nenhum deles é mais ou menos eficiente e considera-se que o conforto do
paciente e a habilidade do profissional no manuseio do aparelho são as variáveis mais importantes para a sua
escolha (MIGUEL et al., 2008).
O tratamento consistiu na correção da maloclusão de Classe III pela disjunção da maxila
com disjuntor de McNamara e máscara de Petit para protração maxilar. O aparelho foi
instalado, com ativação inicial de ½ volta e, posteriormente, ¼ de volta pela manhã e ¼ de
volta à noite. As ativações foram realizadas pela mãe e monitoradas até que houvesse o
descruzamento da mordida posterior com sobrecorreção. O tempo de ativação do parafuso
do disjuntor foi de oito dias (Figuras 8 a 11). Assim que a disjunção foi finalizada e o
parafuso expansor travado (Figura 12), foi instalada a máscara de Petit, com recomendação
de utilização de 14 horas por dia. Durante toda a fase de ativação, as forças foram mantidas
em aproximadamente 250g de força de cada lado até a sobrecorreção, quando observou-se
trespasse anterior de 2mm, totalizando nove meses de uso do aparelho de Petit (Figuras 13
a 18). Ambos os aparelhos foram mantidos como contenção e removidos um ano e um mês
após a instalação da máscara de Petit. Nessa fase já haviam esfoliados os incisivos
decíduos (Figuras 19 a 21). Um aparelho ortopédico de Klammt de classe III foi instalado
como contenção e para a continuidade do tratamento da maloclusão de Classe III,
corrigindo a postura de lábio e língua, e estimulando o correto crescimento das bases
ósseas (Figuras 22 a 24)
Atualmente, a má oclusão de classe III é um dos grandes desafios da Ortodontia. Isso se
deve ao fato dessa má oclusão possuir características que comprometem a estética facial,
somado a um prognóstico de tratamento desfavorável, principalmente se a sua etiologia for
de origem genética.
A classe III de Angle é definida quando a cúspide mésio vestibular do primeiro molar
superior permanente oclui distalmente ao sulco mésio vestibular do primeiro molar inferior
permanente. 2 Essa má oclusão pode ser caracterizada por uma deficiência de crescimento
maxilar (retrusão maxilar), por um excesso de crescimento mandibular (prognatismo
mandibular) ou pela combinação de ambos. A combinação desses dois fatores torna o
tratamento ainda mais complexo, levando ao comprometimento do perfil facial.
A discrepância dentoesquelética negativa entre maxila e mandíbula, na relação sagital, é
definida principalmente, pela presença de perfil facial reto ou côncavo e excesso do terço
facial inferior. Podem também apresentar atresia maxilar, protrusão do lábio inferior ou
mordida cruzada anterior.
A relação de classe III pode ser classificada em: dentária, esquelética ou funcional. As
dentárias e esqueléticas se referem a problemas no crescimento, forma e tamanho do
complexo maxilomandibular. Quando ela é funcional, não existe problema esquelético,
mas sim, um contato prematuro que redireciona a mandíbula para uma posição incorreta.
As características morfológicas do padrão III podem ser detectadas na infância, e se
mantêm semelhantes na fase adulta, por isso, o tratamento deve ser iniciado o mais
precocemente possível. 5 Para pacientes jovens, recomenda-se a expansão rápida da
maxila associada à protração maxilar, juntas elas produzem uma resposta mais rápida. 3 O
objetivo da expansão rápida da maxila é liberar a maxila do contato com outras suturas
faciais, estimular resposta celular para permitir reação positiva às forças de protração e
permitir a movimentação da maxila para frente e para baixo. 6
Após a expansão, deve-se realizar a protração maxilar, que dentre seus efeitos, está o
redirecionamento do crescimento mandibular para baixo e para trás, associado à rotação
mandibular. 6 Essa terapia resulta em alterações dentárias e esqueléticas.
Esqueleticamente, existe um deslocamento anterior da maxila e rotação para baixo e para
trás da mandíbula, isso resulta em melhoria do perfil facial. Dentariamente, ocorre
vestibularização dos incisivos superiores e lingualização dos incisivos inferiores, como
tentativa de compensar a mordida cruzada anterior. 7
Para os pacientes que já finalizaram seu surto de crescimento puberal, há duas alternativas:
tratamento ortodôntico compensatório ou tratamento ortodôntico associado à cirurgia
ortognática. A escolha do tratamento deverá ser realizada em conjunto com o paciente,
levando em consideração: a queixa principal e as expectativas do mesmo quanto ao
tratamento; gravidade da discrepância maxilo-mandibular; condição dentária e periodontal
e a presença ou não de crescimento. 8 O tratamento ortodôntico compensatório é indicado
para pacientes com classe III esquelética pouco severa; sem potencial de crescimento e
com equilíbrio facial. Essa camuflagem melhora a oclusão 11 dentária, sem corrigir o
problema esquelético. Para os pacientes com grandes alterações faciais, o tratamento
ortodôntico associado à cirurgia ortognática é o mais indicado.
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