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teorias progrEssistas

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Teorias progressistas

O termo progressista advém de George Snyders, que resulta da morte de uma velha estrutura educacional e na construção de uma nova, usado aqui para designar as tendências que partindo de uma analise critica das realidades sociais sustentam implicitamente as finalidades sociopolíticas da educação. Na Teorias progressistas a educação é imaginada à semelhança de um processo de humanização dos homens, ao considerar de caráter fundamental a ambiência social onde se encontram. Essas teorias são caracterizadas pelo sentido crítico como concebem a educação, onde as funções sócio-políticas da escola são organizadas segundo as necessidades dos segmentos populares. Entendida como um processo social depende das determinações advindas dos interesses de classe. Este é um dos pontos de diferenciação diante da pedagogia liberal, na qual o educando é “moldado” para ocupar posições preestabelecidas na estrutura da sociedade. Ainda podemos destacar o componente político que impregna as pedagogias progressistas; essa visão da escola como espaço político, é que possibilita sua vinculação com a luta concreta dos setores populares com vistas à emancipação alunos e escolas. A pedagogia progressista tem-se manifestado em três tendências: libertadora, libertaria e critico social dos conteúdos. As versões libertadoras e libertaria tem em comum o anti-autoritarismo a valorização da experiência vivida como base da relação educativa e a idéia de autogestão pedagógica. Em função disso, dão mais valor do processo, de aprendizagem grupal de discussões e participações como: assembléias, votações do que aos conteúdos de ensino, como decorrência, a pratica educativa somente faz sentido numa pratica social junto ao povo, razão pela qual preferem as modalidades de educação popular "não formal". A tendência da pedagogia critica social de conteúdos propõe uma síntese superadora da pedagogia tradicional e renovada valorizando a ação pedagógica enquanto inserida na pratica social concreta. Entende a escola como mediação entre o individual e o social exercendo ai a articulação entre a transmissão dos conteúdos e da assimilação ativa por parte de um aluno concreto (inserido num contexto de relações sociais); dessa articulação resulta o saber criticamente reelaborado.

Tendência progressista libertadora
[...] a educação é uma atividade onde professores e alunos mediatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo da aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa

mesma realidade, a fim de nela atuarem, num sentido de transformação social [...] A citação de Libâneo está relacionada à tendência libertadora da Pedagogia Progressista iniciada por Paulo Freire no início dos anos 60, a tendência libertadora nasce em oposição aos métodos da época que não eram capazes ou não se preocupavam prioritariamente em formar cidadãos. Para Paulo Freire, cidadão é o indivíduo capaz de, na relação com a realidade, atuar num sentido de transformação social, faz com que professor e aluno tenham total segurança do seu direito de aprofundar e aperfeiçoar mais com as tendências pedagógicas dentro da pratica escolar dentro das teorias progressista libertadora. O papel da escola progressista libertadora era visar e levar professores e alunos a atingir um nível de consciência da realidade em que vivem na buscada transformação social. A relação do professor e aluno e de igual, horizontalmente com aprendizagem problemática onde propõe uma educação libertadora, na qual o professor e aluno se educam mediados pelo mundo. A dialética progressista pedagógica libertadora tem sido empregada com êxito em vários setores dos movimentos sociais (sindicatos, associações de bairro, alfabetização de adultos, etc). A realidade exerce papel fundamental, uma vez que ela é ao mesmo tempo mediador e próprio conteúdo a ser apreendido. Através da percepção do mundo constroem-se conceitos e atribuem-se significados a cerca da realidade que, em um ciclo, influenciarão posteriormente leituras e ressignificações. Assim, o mundo que cerca o educador e o educando, tem papel fundamental na tendência libertadora, uma vez que o objetivo e o direcionamento da pedagogia de Paulo Freire, como explicitado por Libâneo, é atingir um nível de consciência da realidade. Mas é importante observar que este direcionamento não perde de vista as diferenças entre homens e crianças, como relata o Paulo Freire falando de sua experiência de leitura do mundo: “Mas, é importante dizer, a “leitura” do meu mundo, que me foi sempre fundamental, não fez de mim um menino antecipado em homem, um racionalista de calças curtas. A curiosidade do menino não iria distorcer-se pelo simples fato de ser exercida, no que fui mais ajudado do que desajudado por meus pais.5” Desta forma, Paulo Freire opõe-se à Pedagogia Tradicional uma vez que ele não considera a criança como um adulto em miniatura, mas como ser portador de suas próprias especificidades. [...] a educação é uma atividade onde professores e alunos [...] atingem um nível de consciência [...] [da realidade], a fim de [...] atuarem, num sentido de transformação social - (grifo nosso). Assim, o professor acompanha o aluno na busca constante desde nível de consciência. Tento a realidade como mediador e objeto de aprendizado, a tendência libertadora funciona como abertura para uma sociedade democrática, preocupando-se também com o que está fora da escola em busca da emancipação do homem. É uma perspectiva transformadora da educação onde o foco sai do conteúdo e se dirige para a relação e onde o aluno desloca-se do papel passivo e passa para o ativo. Papel da Escola: Atuação não formal. Consciência da realidade para transformação social. Questionar a realidade. Educação crítica.

Conteúdos: Geradores são extraídos da prática, da vida dos educandos. Caráter político. Método: Predomina o diálogo entre professor e aluno. O professor é um animador que por princípio deve descer ao nível dos alunos. Professor x Aluno: Relação horizontal. Ambos são sujeitos do ato do conhecimento. Sem relação de autoridade. Pressupostos: Educação problematizadora. Educação se dá a partir da codificação da situação problema. Conhecimento da realidade. Processo de reflexão e crítica. Prática Escolar: A pedagogia libertadora tem como inspirador Paulo Freire. Movimentos populares: sindicatos, formações teóricas indicam educação para adultos, muitos professores vêm tentando colocar em prática todos os graus de ensino forma

Tendência progressista libertaria
Pode-se dizer que um dos principais objetivos da pedagogia libertária é preparar os indivíduos para a vivência plena da liberdade. Para isso, desenvolve a autonomia, a responsabilidade, o respeito, a solidariedade, a cooperação e a criatividade nos educandos. Assim, além de estabelecer novas formas de relações interpessoais, é também um instrumento de luta para a superação das condições de exploração que sustentam nossa sociedade. Segundo Gallo (1995a.), o historiador do anarquismo Edgar Rodrigues, diz que educar, na perspectiva libertária, é acima de tudo a preparação do homem para a liberdade, para a criatividade e para a solidariedade. Educar é contribuir para formar caracteres retos, despertar o amor pela humanidade e converter o homem em amigo do homem, responsável por si e pelo grupo. Assim, o objetivo primordial da educação anarquista é formar homens livres e conscientes que lutem pela liberdade de todos, e como a liberdade só adquire sentido quando expressão da coletividade, um indivíduo só pode ser livre quando todos aqueles que compõem o coletivo social também o forem. Partindo sempre em busca deste objetivo, os escritos anarquistas sobre educação são, por um lado, propostas sobre novas bases e objetivos para a educação, e por outro, uma crítica ao sistema de ensino praticado no capitalismo, que sempre existiu para adaptar os indivíduos à sociedade, educando-os para que sejam como devem ser, padronizando suas consciências e suas personalidades: “Essa educação sempre procurou formar as pessoas de acordo com as necessidades da sociedade, servindo operários conformados para o trabalho braçal e formando os filhos da burguesia para as funções de gestão da sociedade, mas ainda assim para gerir de acordo com os desejos da sociedade, e não deles próprios. A educação tradicional capitalista é, ao mesmo tempo, reflexo e fonte da desigualdade social, gerando uma visão de mundo que garante a acomodação, e ensinando ricos e pobres a se conformarem com a estrutura social, que deve ser percebida como inevitável e imutável (GALLO, 1995a., p. 35).” Já o objetivo da educação libertária é educar para que a pessoa seja o que ela realmente é, consciente de si mesma e de sua singularidade, de suas diferenças e da importância de seu relacionamento com o grupo social para a construção coletiva da liberdade. “Por um lado, a integralidade faz referência em parte ao que já acabamos de expor: o ensino tem como objetivo desenvolver todas as possibilidades da criança, tirar tudo o que ela traz dentro de si sem

abandonar nenhum aspecto, mental ou físico, intelectual ou afetivo. Por outro lado, o ensino integral enfrenta diretamente o problema da divisão social e levanta a questão da necessidade de uma divisão entre trabalho braçal e trabalho intelectual que costuma reforçar e justificar a divisão em classes sociais, dominante e dominada (MORIYÓN, 1989, p. 21).” Com isso, chamam-se a atenção para a educação desigual, que não tem outro objetivo senão o de perpetuar e consolidar as desigualdades, em virtude da classe social à qual se pertence. Robin (1837-1912) pode ser considerado o principal nome da pedagogia libertária no século XIX, pois foi o primeiro a conseguir levar para a prática as idéias que vinham sendo discutidas entre os socialistas. Defensor ardoroso da educação integral, Segundo Lipianski (1999), ainda na rede pública de ensino, ele organizava passeios com os alunos estudando botânica, astronomia, geologia, fazia visitas periódicas aos artesãos e às fábricas e organizava cursos técnicos e de música. As crianças viviam a maior parte do tempo ao ar livre, nos jardins ou nos campos, onde também praticavam diversos tipos de esportes, tais como natação e equitação. No tocante ao aspecto moral, segundo Gallo (1995a.) a organização educacional não admitia a realização de provas e exames como forma de classificação dos alunos, nem prêmios ou castigos pelos desempenhos individuais. Os alunos mais adiantados eram estimulados a auxiliarem aos outros, como monitores, o assumir responsabilidades pelas ações praticadas e a solidariedade nos jogos em equipe. Falar de pedagogia libertária no Brasil parece trazer à memória algo já extinto. Salvo os poucos livros, artigos em revistas e algumas dissertações e teses, acessíveis apenas para um pequeno grupo, nada mais resta sobre educação anarquista no Brasil. Kassick (2000) esclarece que isso se deve em parte à necessidade dos militantes anarquistas não deixarem pistas que pudessem comprometer o movimento mais amplo de organização dos trabalhadores na luta contra o Estado. Mas, por outro lado, é notório que foi também vítima do “esquecimento” por parte da pedagogia oficial, resultante da rejeição das idéias libertárias. No caso brasileiro, as idéias libertárias foram introduzidas no movimento sindicalista brasileiro pelos trabalhadores anarquistas vindos da Espanha, Itália e Portugal, durante a época da imigração, e “[...] representou a frente de luta mais significativa dos trabalhadores nas duas primeiras décadas do século contra a exploração do operariado brasileiro” (KASSICK, 2000, p. 15). Por fim, a autogestão, ao invés de instaurar-se imediatamente, deve ser construída progressivamente pela negação paulatina da heterogestão. Além disso, lembrando as “Leis de Renda” de Foucault, a autogestão permanece ainda irrealizável, mas como uma contra-referência à referência heterogestionária posta e imposta pelo capitalismo. A pedagogia libertária contrói-se na tensão entre o dado prático, vivenciado e paulatinamente negado, e o dado conceitual, o projeto, construído e buscado como meta. Papel da Escola: Transformação na personalidade do aluno, modificações institucionais à partir dos níveis subalternos. Conteúdos: Matérias são colocadas à disposição dos alunos, mas não são cobradas. Vai do interesse de cada um. Método: É na vivência grupal, na forma de auto-gestão que os alunos buscarão encontrar as bases mais satisfatórias.

Professor x Aluno: Considera-se que desde o início a ineficácia e a nocividade de todos os métodos, embora sejam desiguais e diferentes. Pressupostos: Aprendizagem informal, relevância ao que tem uso prático. Tendência anti-autoritária. Crescer dentro da vivência grupal. Prática Escolar: Trabalhos não pedagógicos mas de crítica as instituições. Relevância do saber sistematizado.

Tendência progressista Crítico-Social dos Conteúdos
Surge no final dos anos 70 e início dos 80 e é uma reação de alguns educadores que não aceitam a pouca relevância que a pedagogia libertadora dá ao aprendizado do chamado ‘saber elaborado’, historicamente acumulado e que constitui o acervo cultural da humanidade. (...) Compreende que não basta ter como conteúdo escolar as questões sociais atuais, mas é necessário que se possa ter o domínio de conhecimentos, habilidades e capacidades para que os alunos possam interpretar suas experiências de vida e defender seus interesses de classe.” (1, 12-13) Na tendência progressista “crítico-social dos conteúdos”, todos devem ter acesso aos mesmos conteúdos, sem discriminação por classe social. Não há necessidade de permitir que um aluno continue falando ou escrevendo errado para respeitá-lo. Outro fator que torna esta a melhor opção de método de ensino é a postura pedagógica de crítica dos conteúdos. Os alunos aprendem a reavaliarem criticamente toda a aprendizagem que recebem e todo o contexto social em que vivem. Isto é positivo, na medida em que forma seres politizados sem praticar uma pedagogia ideológica, o que tornaria os alunos parciais demais para enxergarem o mundo com alguma criticidade. Quanto aos métodos de ensino, não se trata da forma tradicional de “transmitir” conhecimentos, tampouco da livre expressão de opiniões, mas sim, de uma relação entre a prática vivida pelo aluno e os conteúdos propostos pelo professor. O papel do professor, como o adulto da situação, é muito importante, porém, o aluno também participa ativamente do seu processo de aprendizagem, utilizando sua experiência no contexto social para confrontá-la com os conteúdos apresentados pelo professor. A formulação da pedagogia crítico-social no Brasil está diretamente ligada ao período de abrandamento do regime militar, a partir de 1980 . A retomada do movimento sindical em 1978, os indícios de esgotamento do poder militar e a rearticulação das forças de oposição dão impulso à abertura política e ao movimento de redemocratização do país que culminou, em 1985, com a eleição, por um Colégio Eleitoral, de novo presidente da República, pondo fim à ditadura militar. Por sua vez, a pedagogia críticosocial dos conteúdos surgiu como uma versão da pedagogia histórico-crítica voltada para a didática. A denominação ficou conhecida com a publicação do livro Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos (Libâneo, 1985) . No Brasil a pedagogia crítico-social é uma das correntes da pedagogia crítica que propõe uma educação vinculada à realidade econômica e sócio-cultural dos educandos, ligando ensino e ação transformadora da realidade, ação e reflexão, prática e teoria. Sustenta a idéia de que o conhecimento está comprometido com a emancipação das pessoas, com a liberdade intelectual e política. Por isso, associa as tarefas do ensino a uma análise crítica sócio-histórico-cultural do contexto em que as pessoas vivem.
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A pedagogia crítico-social defende, com muita determinação, que o papel da escola é o de formação cultural, de difusão do conhecimento científico. Formula princípios e orientações para a conversão do saber cientifico em saber escolar. Entende que a ação pedagógica está carregada de intencionalidade e que o ensino da ciência pressupõe interesses que são sociais, políticos, daí a idéia de aprender uma cultura crítica. Na prática, significa uma abordagem crítica dos conteúdos, crítica no sentido de tratar os conteúdos escolares dentro de uma análise concreta das relações econômicas, sociais, culturais que envolvem a prática escolar. A pedagogia crítico-social quer contribuir efetivamente para a formação sujeitos pensantes e críticos. Por isso, compreende que o ensino cria modos e condições para o desenvolvimento da capacidade do sujeito para colocar-se ante a realidade a fim de pensá-la e nela atuar, visando à transformação. Ensinar a pensar criticamente é fazer a ação docente incidir sobre a capacidade do aluno de apropriar-se de forma crítica dos objetos de conhecimento, a partir de um enfoque totalizante da realidade e de sua problematização. A culminação desse ensino deve ser a aquisição, pelos alunos, de conceitos que orientam e fortalecem criticamente suas ações no mundo em que vivem. Mas, pedagogia crítico-social dos conteúdos está aberta também a outras orientações teóricas contemporâneas, desde que enriqueçam idéias assentadas na matriz vygotskiana. Defende, por exemplo, a idéia de escola como um espaço de síntese entre a cultura experiencial (que ocorre na família, nos grupos de vizinhança, na rua, na cidade, nos meios de comunicação etc.) e a cultura formal (os conteúdos do ensino escolar). Assim, considera extremamente relevantes implicações pedagógicas e didáticas vindas do interculturalismo (como o acolhimento da diversidade cultural dos alunos), da educação ambiental, da luta pela paz, dos movimentos sociais. São bem vindas essas contribuições se levarem ao que é essencial na formação dos alunos: que os conteúdos culturais e científicos incidam no desenvolvimento das capacidades cognitivas, das
competências para pensar, das habilidades de pensamento, da aquisição de conceitos unida ao desenvolvimento de uma subjetividade capaz de fazer frente aos problemas e desafios do nosso tempo, da realidade tecnológica, planetária, ambiental, global.

Papel da Escola: É a tarefa primordial. Conteúdos abstratos, mas vivos, concretos. A escola é a parte integrante de todo social, a função é "uma atividade mediadora no seio da prática social e global". Consiste para o mundo adulto. Conteúdos: São os conteúdos culturais universais que se constituíram em domínios de conhecimento relativamente autônomos, não basta que eles sejam apenas ensinados, é preciso que se liguem de forma indissociável. A Postura da Pedagogia dos Conteúdos: assume o saber como tendo um conteúdo relativamente objetivo, mas ao mesmo tempo "introduz" a possibilidade de uma reavaliação crítica frente a este conteúdo. Método: É preciso que os métodos favoreçam a correspondência dos conteúdos com os interesses dos alunos. Professor x Aluno: Consiste no movimento das condições em que professor e alunos possam colaborar para fazer progredir essas trocas. O esforço de elaboração de uma pedagogia dos conteúdos está em propor ensinos voltados para a interação "conteúdos x realidades sociais". Pressupostos: O aluno se reconhece nos conteúdos e modelos sociais apresentados pelo professor. O conhecimento novo se apoia numa estrutura cognitiva já existente.

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