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Suplemento

de Apoio ao Professor

HC-Manual prof. V. 3.1 1 7/14/05, 4:57 PM


Sumário

PARTE I – Apresentação da obra


1. A era da informação ..................................................................................... 3
2. A “hibridização” cultural .............................................................................. 3
3. A história e o tempo presente ................................................................... 4
4. A estrutura da coleção ................................................................................. 5
Páginas de abertura de capítulo, 5 Boxes de diferentes tipos de
texto, 5 Texto complementar, 6 Atividades, 6 Questões de
Vestibular/Enem, 7 Sugestões de filmes, 7 Suplemento de Apoio
ao Professor, 7
5. A avaliação ...................................................................................................... 8

PARTE II – O volume 3

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


UNIDADE I – GUERRA E PAZ
Capítulo 1. O Brasil na Primeira República ................................................ 9
Capítulo 2. A Primeira Guerra Mundial .................................................... 12
Capítulo 3. A Revolução Russa de 1917 ................................................... 14
Capítulo 4. A crise de 1929 e seus reflexos na economia mundial .... 16
Capítulo 5. Ascensão dos regimes totalitários na Europa .................... 18
Capítulo 6. O governo de Getúlio Vargas (1930-1945) ......................... 20
Capítulo 7. A Segunda Guerra Mundial ..................................................... 23
Capítulo 8. A Guerra Fria ............................................................................. 25
Capítulo 9. Governos populistas no Brasil ............................................... 27
Capítulo 10. Experiências de esquerda na América Latina ...................... 29

UNIDADE II – O SONHO NÃO ACABOU


Capítulo 11. O regime autoritário no Brasil .............................................. 32
Capítulo 12. Os limites do socialismo real ................................................. 34
Capítulo 13. Brasil: da redemocratização aos dias atuais ........................ 35
Capítulo 14. Conflitos internacionais ........................................................... 38
Capítulo 15. A globalização e o futuro da economia mundial ................ 41
Respostas das Questões de Vestibular/Enem ............................................. 45

PARTE III – Sugestões bibliográficas


1. Bibliografia para o professor ...................................................................... 50
Metodologia e ensino de História, 50 Temas do volume 1, 50
Temas do volume 2, 52 Temas do volume 3, 53
2. Sugestões de leitura para o aluno.............................................................. 54
Temas do volume 1, 54 Temas do volume 2, 55 Temas do
volume 3, 56

2 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Parte I — Apresentação da obra

1. A era da informação
Tornou-se lugar comum dizer que vivemos numa “sociedade da informa-
ção” ou numa “sociedade do conhecimento”, na qual a informação, o know-
how, o saber, a competência tornaram-se, ao longo das últimas duas décadas,
os bens mais preciosos. Por isso, vale a pena refletir aqui, mesmo que breve-
mente, sobre o significado dessa transformação social e em como ela modifi-
ca a maneira de abordarmos o saber histórico na sala de aula.
A sociedade do conhecimento é marcada, em primeiro lugar, pelo desen-
volvimento explosivo e ininterrupto da tecnologia da informação (TI), que
introduziu novas formas de produção e, em conseqüência, novos modos de
relacionamento entre as pessoas.
A internet, o e-mail, a TV a cabo, o celular, a videoconferência, etc. sedimentaram
uma sociedade em rede, na qual as relações sociais são intensificadas e, ao mesmo
tempo, esvaziadas, aproximando pessoas distantes e distanciando pessoas próxi-
mas, encurtando distâncias e acelerando o tempo, mas reduzindo a possibilidade
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que se tem para desfrutar a companhia dos amigos e familiares.


Tudo se interliga. Os acontecimentos de uma região são formados por
eventos que ocorrem a milhas de distância, não há mais fatos que não produ-
zam uma série de ecos, reflexos e ressonâncias imprevisíveis e inesperados.
Um exemplo disso foram as imensas passeatas contra a guerra do Iraque em
2003, ocorridas simultaneamente quase no mundo inteiro. Um evento apa-
rentemente restrito à política do Oriente Médio mobilizou milhões de pes-
soas no mundo todo, convocadas via internet ou e-mail, que deram uma de-
monstração de força no repúdio à guerra e ao colonialismo. Há, portanto, na
sociedade da informação uma dialética entre o local e o global, na medida em
que problemas aparentemente localizados podem interferir na vida de todas
as pessoas, exigindo uma solução global.

2. A “hibridização” cultural
O efeito mais importante dessa transformação social é a mistura de valo-
res, línguas e culturas, provocando o que os antropólogos hoje chamam de
hibridização cultural. A hibridização ocorre porque os bloqueios físicos e ideo-
lógicos à livre difusão do conhecimento, da cultura e da educação tendem a
diminuir, permitindo que povos de diferentes partes do mundo tenham aces-
so aos valores uns dos outros e se engajem em processos de fusão e difusão
de suas respectivas identidades culturais.
O entendimento entre os povos, porém, não é tão fácil. O recrudescimento
das guerras civis, das rivalidades religiosas ou inter-étnicas em certas regiões do
mundo pode ser interpretado como reações ou movimentos destinados a frear
essas transformações reafirmando identidades regionais. Vivemos, portanto, um
novo cosmopolitismo, semelhante, talvez, aos últimos séculos do Império Romano,
quando ocorreu um grande processo de mistura de diferentes culturas.
O conhecimento histórico não pode ficar indiferente a esse conjunto tão
rico de transformações, que sugerem modificações didáticas e epistemológicas
fundamentais na abordagem do saber histórico na sala de aula. É a esse desa-
fio que este livro tenta responder, adaptando o saber histórico às necessida-
des da sociedade da informação.

PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA 3

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Como já haviam suspeitado filósofos como Kant e Hegel, o conhecimento
não é um dado bruto da realidade, que bastaria coletar e repetir, ao contrário, o
conhecimento depende da intervenção ativa do sujeito que conhece, ele é uma
construção do sujeito que interpreta a realidade segundo seus critérios mentais
e as determinações de sua sociedade e sua cultura. Nietzsche afirmou que todo
saber é perspectivo e a história é o exemplo por excelência dessa idéia. Assim,
num de seus ensaios mais importantes (Sobre a vantagem e a desvantagem da
história para a vida), ele exigia um saber histórico voltado para a vida, que respon-
desse às necessidades do tempo presente dos homens.

3. A história e o tempo presente


A tarefa de construir um saber histórico voltado para a vida, para os problemas
contemporâneos, que possibilite explicar as bases materiais sobre as quais se as-
senta a nossa civilização e reconhecer os rumos para onde elas estão nos condu-
zindo, significa permitir ao aluno reconhecer a relação dinâmica que une o passado,
o presente e o futuro. Não se pode compreender o presente sem conhecer o
passado nem conhecer o passado ignorando o presente. E o conhecimento desses
dois tempos permite que possamos antever o futuro, percebendo os caminhos que

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estamos trilhando, as dificuldades que temos de superar e as condições, limites e
possibilidades de se construir um novo modelo de vida para a humanidade.
O exercício do historiador, de reconstruir a relação entre passado, pre-
sente e futuro, significa reconhecer que a sociedade humana construiu um
modelo de desenvolvimento baseado nas desigualdades sociais, no predomí-
nio da técnica sobre as necessidades humanas e na idéia de que o homem, o
único dotado de razão e cultura, é o dono soberano da natureza e dela pode
fazer uso, de forma predatória e irresponsável. O aumento da miséria, a esca-
lada dos movimentos racistas, especialmente na Europa e nos Estados Unidos,
o crescente poderio da indústria da guerra e a rápida devastação dos recur-
sos naturais do planeta alertam para a necessidade de aprendermos com a
experiência histórica a construir um projeto humanista de sociedade.
Nesta coleção, a tarefa de perceber o saber histórico como uma relação
dinâmica entre passado-presente-futuro concretiza-se particularmente nas
Aberturas de capítulos, nas leituras e questões dos Textos complementares e
nas atividades da seção A história e o tempo presente. Nestas ocasiões, o
aluno poderá, por exemplo, compreender os conflitos atuais entre israelen-
ses e árabes no Oriente Médio e as tradições hebraicas presentes no mun-
do contemporâneo estudando as bases da antiga civilização hebraica; perce-
ber nas instituições do Brasil atual a herança da democracia grega; ou reco-
nhecer nos dias de hoje a permanência da intolerância religiosa que marcou
a formação da chamada Idade Moderna (volume 1).
No volume 2, a obra possibilita, entre outras coisas, identificar os princí-
pios da Revolução Francesa presentes na Constituição e em outras institui-
ções do Brasil atual; perceber a atualidade da luta indígena pelo direito à
terra e à preservação de suas tradições ou reconhecer nas terras dos des-
cendentes dos antigos quilombolas um vínculo com o passado escravista do
Brasil; ou ainda identificar nas cidades históricas de Minas Gerais as marcas da
época do ouro no Brasil. No volume 3, por sua vez, a relação entre o passado
e o presente pode ser percebida ao se abordar a permanência do voto de
cabresto, uma prática que marcou a política da Primeira República; essa rela-
ção aparece também ao se tratar da atual proposta de reforma da legislação
trabalhista herdada do governo Vargas; ou, para citar outro exemplo, ao abor-
dar os movimentos neonazistas atuais, seguidores das idéias de Hitler.

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A elaboração de uma obra com o olhar voltado para o nosso tempo é neces-
sária não somente por possibilitar a leitura e a compreensão do presente à luz do
passado, e vice-versa, favorecendo assim projeções em relação ao futuro, mas
também por representar uma escolha metodológica que transforma a aprendiza-
gem num saber significativo para os alunos, amparada em referenciais conhecidos
e contemporâneos e, por isso mesmo, dotada de sentido e interesse.

4. A estrutura da coleção
Baseando-se numa pedagogia não-diretiva, esta obra procura ser mais do que
um livro básico de consulta; ela pretende oferecer as referências fundamentais
para que o professor possa abordar a história em distintas dimensões. A coleção
não direciona o olhar, não fornece uma narrativa ou interpretação única do pro-
cesso histórico, mas apresenta-se como um texto aberto, contendo múltiplas
referências e sugestões de trabalho e deixando o professor livre para explorá-las
junto com seus alunos na sala de aula.
O professor poderá utilizar o livro de diferentes formas, aprofundando cer-
tos assuntos mais que outros, associando diferentes processos históricos simul-
tâneos ou sucessivos, fazendo interconexões entre épocas e lugares diferentes,
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enfim, explorando as fontes fornecidas pelo texto segundo os objetivos e a pro-


posta pedagógica de cada escola. Como nenhum livro didático poderia ser abso-
lutamente exaustivo, este livro não esgota os assuntos tratados. Nem se pretende
também que seja o único ou o mais importante material didático de uso em sala
de aula. Cabe ao professor planejar o uso desta obra, selecionando os conteúdos
e combinando-os com outros materiais, como livros de apoio didático, textos de
jornais e revistas, músicas, narrativas ficcionais e poesias, depoimentos e o pró-
prio conhecimento que o aluno já traz para a sala de aula.A utilização conjunta do
livro e do suplemento de apoio lhe será muito útil nesse sentido.
As principais seções que constituem os livros da coleção são as seguintes:

Páginas de abertura de capítulo


Diferentes gêneros textuais, pinturas, fotografias, mapas e tabelas, seguidos de
um texto didático, introduzem o tema do capítulo. Quaisquer que sejam os recur-
sos, a abertura apresenta uma problemática atual, que estabelece a ponte passa-
do-presente e contribui para motivar o estudo dos conteúdos do capítulo.

Boxes de diferentes tipos de texto


Quadros destacados em fio verde trazem documentos históricos, textos de
pesquisadores, trechos de obras literárias, os quais possibilitam ao aluno conhe-
cer diferentes interpretações elaboradas sobre determinado acontecimento his-
tórico, conhecer o que os indivíduos pensavam dos fatos que eles vivenciaram e
desenvolver a capacidade de leitura de diferentes tipos de texto, competência
necessária para a prática plena da cidadania.
Nas atividades de final de capítulo, muitas vezes se solicita a retomada de
algumas dessas leituras, com o intuito de desenvolver a habilidade da compreen-
são e da interpretação de textos ou de estabelecer comparações com imagens,
tabelas, mapas ou textos de outros autores. Sugerimos, para ampliar o trabalho
de análise das fontes históricas e exercitar o método de investigação do histo-
riador, que outros textos propostos nesses boxes sejam também explorados pelo
professor, estimulando o aluno a reconhecer as idéias e as intenções sustentadas
pelo autor e a compará-las com o texto didático, com imagens ou outras fontes
que tratem do mesmo tema.

PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA 5

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Texto complementar
As leituras selecionadas para esta seção caracterizam-se pela diversidade
de gêneros textuais (textos jornalísticos, históricos, científicos, de apoio didá-
tico) e pelas possibilidades de ampliar o conhecimento sobre o tema, estimu-
lar o debate e a habilidade de argumentação.
As questões da seção Compreendendo o texto, ao final da leitura, visam
desenvolver a capacidade de compreensão, ou seja, de extrair do texto as infor-
mações e idéias centrais, explícitas ou subentendidas, relacioná-las e, nos casos
pertinentes, posicionar-se diante de um debate ou interpretação histórica.
O trabalho com estes textos pode ser iniciado solicitando aos alunos para
enumerar os parágrafos e, à medida que a leitura for sendo feita, ir destacando as
palavras consideradas difíceis. O próximo passo é procurar no dicionário o signi-
ficado dos termos apontados e anotá-los no caderno. Em seguida, pedir aos alu-
nos para identificar, oralmente, a idéia ou a característica principal de cada pará-
grafo. Feito este estudo prévio, encaminhar o trabalho de formulação das respos-
tas, que pode ser realizado individualmente ou em dupla.

Atividades

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Explorando o conhecimento
As questões propostas neste primeiro item têm como finalidade sistema-
tizar os conteúdos estudados no capítulo e desenvolver habilidades cognitivas
próprias da disciplina e da prática educativa, em especial a comparação, a
observação, a interpretação, a produção de textos, o juízo crítico e as noções
de cronologia.
Nestas atividades, oferecemos ao professor uma variedade de questões
que trazem textos variados, pinturas, gráficos, tabelas, mapas e charges, que
possibilitam aprofundar os conceitos de cada capítulo, discutir a dinâmica da
produção histórica, compreender como os indivíduos do passado enxerga-
vam o seu próprio tempo e como outras pessoas, que viveram em épocas
posteriores, interpretaram os registros do passado.

A história e o tempo presente


As atividades desta seção permitem relacionar o passado e o presente, esti-
mulando o aluno a conhecer e a se posicionar diante de questões relevantes para
a sociedade contemporânea. As questões, que incluem produção de textos, de-
bates, leitura de imagens e textos, elaboração de pesquisas e montagem de pai-
néis, entre outras propostas, visam, igualmente, formar atitudes de valorização do
patrimônio histórico e cultural da humanidade, de preservação dos recursos na-
turais do planeta e de repúdio às guerras e às injustiças sociais.
Entendemos que é papel do ensino de história e de toda prática educativa
contribuir na formação de pessoas conscientes dos problemas sociais do seu
tempo e das mudanças necessárias para superá-los, comprometidas com os
princípios da tolerância, da democracia, da paz e da solidariedade. Não basta
preparar o aluno para ser um excelente leitor, formulador de hipóteses, ob-
servador e capaz de produzir textos bem articulados e persuasivos. É preciso,
no mesmo nível, formar indivíduos que repudiem a indiferença e os precon-
ceitos, que questionem o consumismo e o individualismo, que expressem a
sua afetividade e desenvolvam a sensibilidade e se sintam responsáveis por
construir uma sociedade mais justa e humanizada.

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Questões de Vestibular/Enem
O ensino médio não pode ficar refém de um modelo educacional voltado
para os vestibulares, mas também não pode se esquivar dessa tarefa. Criar
condições para que todos os alunos ingressem em boas universidades e pos-
sam se servir dos recursos públicos destinados ao ensino superior, qualifican-
do-se para exercer a vida social e profissional, é parte da tarefa de democra-
tizar a sociedade brasileira.
Entendemos também que a universalização do ensino superior significaria,
em última instância, a extensão da obrigatoriedade para a educação superior e a
extinção dos vestibulares. Infelizmente, não há perspectivas de que isso ocorra
em um futuro próximo. Diante dessa realidade e da importância de ampliar ao
máximo o acesso à educação superior, selecionamos nesta coleção questões de
diferentes universidades do país e das provas anuais do Enem, procurando con-
templar os conteúdos essenciais de cada capítulo e atender aos objetivos estabe-
lecidos para a disciplina, tanto os que envolvem questões conceituais quanto aqueles
que remetem à tarefa de preparar para a prática da cidadania.
As questões objetivas podem ser respondidas oralmente ou por escrito,
no caderno, conforme critério estabelecido pelo professor. Quanto às ques-
tões discursivas, elas podem ser trabalhadas individualmente ou em dupla, ou
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ainda servir de material de trabalho em grupo. As respostas das questões de


vestibular e do Enem estão no final deste suplemento.

Sugestões de filmes
Ao final dos capítulos, apresentamos um ou mais filmes recomendados
para o trabalho com os conteúdos tratados em cada caso. Sugerimos ao pro-
fessor assistir ao filme antes de exibi-lo aos alunos, para avaliar a adequação
do filme à realidade de seus alunos ou, se for o caso, para selecionar as passa-
gens mais apropriadas para o trabalho que propôs desenvolver.
O trabalho com o cinema nas aulas de História não pode prescindir de
uma demarcação prévia entre o que é conhecimento histórico e o que é
ficção, para não se correr o risco de confundir história com arte. O cinema é
uma interpretação livre do passado, sem compromisso com a objetividade e a
documentação, ao contrário da ciência histórica, que não pode se furtar do
compromisso com a objetividade e os registros do passado. Nesse sentido, a
obra cinematográfica nos diz mais sobre a época em que foi feita do que
sobre o fato histórico que inspirou o enredo.

Suplemento de Apoio ao Professor


Cada volume da coleção vem acompanhado de um Suplemento de Apoio ao
Professor que complementa os conteúdos e as atividades do livro, remetendo
em cada caso a uma bibliografia específica e a outras fontes essenciais para
aprofundar os temas estudados. São citados, além disso, trechos de fontes
primárias que podem ser exploradas em sala, sugerem-se atividades
interdisciplinares e o uso de diversas linguagens (literatura, imagem, música,
etc.) para dar conta dos temas abordados. O suplemento prescreve formas
possíveis e caminhos recomendáveis de utilização dos materiais do livro sem,
contudo, limitar a liberdade e a criatividade do professor, mas, ao contrário,
estimulando-as com sugestões de materiais de apoio, propostas de novas ati-
vidades e informações adicionais.

PARTE I — APRESENTAÇÃO DA OBRA 7

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5. A avaliação
A avaliação tradicionalmente era tratada como instrumento de controle,
vigilância e punição, em geral realizado em ocasiões previamente estabelecidas
pelo professor. Nessa perspectiva, perante os alunos, a avaliação despertava
ansiedade, pavor e insegurança. Felizmente, desde as últimas décadas do sécu-
lo XX, o foco da avaliação tem se deslocado cada vez mais do binômio pro-
moção-reprovação para ajustar-se às necessidade do processo de aprendiza-
gem. Segundo essa nova perspectiva, a avaliação deve ser diferenciada e con-
tínua, ou seja, deve contemplar as especificidades e habilidades prévias dos
alunos e ocorrer durante todo o processo de ensino-aprendizagem, tendo
como referência os objetivos estabelecidos para cada disciplina.
Em vez de funcionar como uma ferramenta de promoção ou reprovação,
a avaliação deve permitir ao educando reconhecer suas conquistas e dificul-
dades, ajudando-o a visualizar os desafios e os caminhos possíveis para a sua
superação. Para o professor, a avaliação possibilita rever sua prática pedagógi-
ca e ajustá-la às necessidades do grupo, alterando procedimentos e
readequando os instrumentos avaliatórios. Sob esse ponto de vista, a avalia-
ção não só permite verificar se os conteúdos estão sendo aprendidos, mas
também perceber os avanços e as fragilidades do processo de ensino-apren-

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dizagem, criando condições para que o aluno atinja os objetivos estabelecidos
para a disciplina e para a prática educativa como um todo.
Organizar um projeto de avaliação centrado na aprendizagem pressupõe
também avaliar o crescimento global do aluno nos conhecimentos da discipli-
na. Assim, o professor deve fazer uso, em sua experiência pedagógica, de uma
diversidade de instrumentos de avaliação, que considerem as diferentes habi-
lidades dos alunos. Nesta coleção apresentamos atividades de vários gêneros,
agrupadas nas seções Compreendendo o texto, Atividades e Questões de
Vestibular/Enem, que podem ser utilizadas pelo professor para avaliar e aper-
feiçoar o aprendizado dos alunos e os resultados do seu trabalho: atividades
de leitura, compreensão e produção de textos, análise de imagens, de gráficos
e mapas, elaboração de pesquisas, montagem de painéis, debates, entre outras.
A prática da avaliação, utilizada como instrumento da aprendizagem e não
como mecanismo de controle e punição, é uma tarefa que pode envolver os
alunos, para que eles também compreendam a importância dos critérios uti-
lizados na avaliação e identifiquem, à luz desses critérios, os avanços já con-
quistados e as dificuldades que precisam ser superadas. A auto-avaliação, po-
rém, não pode ser vista como a possibilidade de manipular ou escamotear os
resultados da aprendizagem, mas, ao contrário, como uma oportunidade de
discutir com os alunos os erros, acertos e desafios do processo educativo.

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Parte II — O volume 3

UNIDADE I – GUERRA E PAZ Semana de Arte de 1922 foi o marco da revolução


estética ocorrida na Primeira República.
CAPÍTULO 1. O BRASIL NA PRIMEIRA Com esse estudo, pretendemos desenvolver as
REPÚBLICA seguintes habilidades, procedimentos e atitudes:
• Observar imagens, reconhecendo nelas as con-
Conteúdos e objetivos
tradições que caracterizavam o Brasil da Primeira
Este capítulo vai tratar da primeira fase do regi- República.
me republicano no Brasil, um período marcado por • Caracterizar a Primeira República.
duas tendências distintas, que expressavam situações • Ler e interpretar texto, relacionando-o ao de-
de mudanças e de permanências: no plano econômi- senvolvimento da indústria de bens de consumo no
co, ocorria o desenvolvimento das indústrias de bens Brasil da Primeira República.
de consumo, estimulado pela política de substitui- • Ler imagem relacionada aos 100 anos da publi-
ção das exportações, e a crescente urbanização; no cação de Os sertões e relacionar a obra à Guerra de
plano político e institucional, a oligarquia agrária, Canudos.
sustentada pela riqueza da atividade cafeeira, tenta-
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• Ler e interpretar texto memorialista, relacionan-


va garantir o controle total do poder, manipulando do-o ao movimento anarquista da Primeira República.
as eleições, o Congresso e a política nacional. O cho-
• Estabelecer, mediante a realização de pesquisa,
que entre essas tendências distintas gerava uma ten-
relações entre o passado e o presente, identificando
são crescente entre a oligarquia cafeeira paulista e
diferenças e semelhanças (voto de cabresto e traba-
os setores médios e populares dos centros urbanos
lho infantil).
e com as oligarquias de outros estados que, em ge-
• Repudiar situações de injustiça social e cor-
ral, ficavam alijados das benesses do poder.
rupção política.
Nos grandes centros urbanos, especialmente São
Paulo e Rio de Janeiro, a Primeira República foi
Tendências republicanas p. 8
marcada pela organização do movimento sindical,
dirigido por correntes comunistas, anarquistas e so- É necessário esclarecer os educandos a respeito
cialistas, que, em essência, passou a exigir a implemen- das principais tendências que caracterizaram a defesa
tação de políticas públicas de saúde, habitação, edu- do ideal da República. Um ponto importante a respei-
cação e transporte, melhores salários e a redução to do processo republicano brasileiro foi a exclusão
da jornada de trabalho. das correntes mais radicais e da participação popular.
No meio rural, a questão social também cobra-
va soluções. Os conflitos por terras — que se mis- O Brasil da Primeira República p. 10
turaram com as disputas políticas regionais, os mo- O Brasil da Primeira República apresentava um
vimentos messiânicos ou se expressaram no acentuado contraste entre pobres e ricos. No cam-
banditismo social — transformaram o campo numa po, a população rural era predominantemente anal-
área de constantes enfrentamentos com o poder fabeta e não tinha os direitos sociais e trabalhistas
público e os grandes fazendeiros. Não havia na épo- hoje garantidos pela Constituição. Nas cidades, a si-
ca uma agenda clara de reivindicações, como ocorre tuação não era melhor. Os operários das fábricas
hoje com as organizações de trabalhadores rurais.A tinham turnos de trabalho de 10 a 12 horas diárias,
característica básica era a espontaneidade desses mo- sendo comum o trabalho de mulheres e crianças,
vimentos, revelando que questão agrária era um grave que recebiam menos do que os homens adultos para
problema social no Brasil. desempenhar a mesma função. O professor pode
Na arte, a Primeira República caracterizou-se estimular os alunos a fazer paralelos com a situação
pelo choque entre a estética tradicional, herdeira atual do Brasil. O trecho em destaque na página 11
do parnasianismo, e a estética modernista, que ex- relata como era o trabalho de crianças nas fábricas
pressava as transformações sociais e econômicas da época. Os alunos podem pesquisar reportagens
produzidas pela industrialização e os movimentos sobre o trabalho infantil hoje em dia e estabelecer
de renovação estética que floresciam na Europa. A comparações.

PARTE II — O VOLUME 3 9

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A implantação da República: rumo mundo (1980), de Mário Vargas Llosa, que também
ao autoritarismo p. 11 se baseia no episódio de Canudos.
Os dois primeiros governos da Primeira Repú-
blica corresponderam ao período chamado Repúbli- Os sertões e a Guerra de Canudos
ca da Espada (1889-1994), que se caracterizou pela O escritor Euclides da Cunha esteve no ce-
hegemonia dos militares do Exército. O professor nário da Guerra de Canudos como correspon-
pode esclarecer melhor aos alunos sobre a nature- dente do jornal O Estado de S. Paulo, que o encar-
za da política do “Encilhamento”, desastrosa para o regou de tomar nota dos principais acontecimen-
país. Essa política permitia que os bancos emitissem tos do conflito. Em 1902, cinco anos depois do
dinheiro, lastreado não mais por ouro, mas sim por término da guerra, Euclides publicou a obra que
títulos da dívida federal, o que causou o aumento da o consagrou na nossa literatura e o vinculou para
especulação, da inflação e do custo de vida. O sempre à luta da comunidade de Belo Monte: Os
Encilhamento deixou o país seriamente endividado. sertões.
Os alunos podem ser indagados a respeito das con- O livro está dividido em três partes:“A terra”,
seqüências dessa dívida, e de outras que se somari- “O homem” e “A luta”. Na primeira parte, o autor
am a ela, para o futuro do Brasil. faz uma análise das condições geográficas do ser-
tão nordestino; na segunda, analisa a formação ét-
Sob o poder das elites rurais p. 13 nica e os tipos sociais da região; na terceira, Euclides
Com a eleição de Prudente de Morais, o primei- relata — a partir da sua experiência e de seu talen-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


ro presidente civil, começou o período conhecido to literário — o conflito entre o Exército republi-
como República Oligárquica. Esse período se caracte- cano e os homens de Antônio Conselheiro.
rizou pela política do café-com-leite, que consistia
É preciso destacar para os alunos que o livro
na alternância de paulistas e mineiros na presidência
Os sertões não pode ser lido como um retrato fiel
da República.Também foi um momento marcado por
dos acontecimentos que marcaram o conflito, mas
muitas fraudes eleitorais e práticas de corrupção.
como uma obra que contém tanto dados da rea-
lidade como aspectos ficcionais, próprios da arte
Sugestão de atividade literária.
No boxe Novos tempos, antigas questões, o lí-
der petista José Genoíno faz uma análise crítica Movimentos urbanos p. 20
da permanência de práticas de corrupção no Bra- A Revolta da Chibata, liderada por marinheiros
sil do final do século XX. Ironicamente, o próprio predominantemente negros e mestiços, foi um mo-
representante do PT seria acusado, mais vimento que registrou a permanência de relações
tarde, de participar de um esquema de corrupção de violência características do período escravista no
envolvendo a liberação de dinheiro a parlamenta- Brasil.
res do Congresso, em troca de apoio aos proje- O relato no boxe a seguir, feito pelo escritor
tos do governo federal. Oswald de Andrade, descreve a revolta como ela
Essa é uma boa oportunidade para se discutir ficou registrada na memória da testemunha.
em sala de aula o problema da corrupção política
no nosso país. Pode-se organizar um debate ten- A Revolta da Chibata na
do como base as seguintes questões: Por que há memória de um escritor
tanta corrupção nas instituições? O poder inevi-
“Acordei em meio duma maravilhosa aurora
tavelmente corrompe? A corrupção reflete um
de verão. A baía esplendia com seus morros e
desvio individual ou social? O que fazer para com-
enseadas. Seriam talvez quatro horas da manhã. E
bater esse mal?
vi imediatamente na baía, frente a mim, navios de
guerra, todos de aço, que se dirigiam em fila para
Movimentos rurais p. 17
a saída do porto. Reconheci o encouraçado
Um dos movimentos sociais mais importantes Minas Gerais que abria a marcha. Seguiam-no o
da Primeira República foi o conflito em Canudos. São Paulo e mais outro. E todos ostentavam, numa
Para abordar esse tema, o professor pode propor a verga do mastro dianteiro, uma pequenina ban-
leitura de trechos do livro Os sertões (1902), de deira triangular vermelha. [...] de repente vi acen-
Euclides da Cunha, ou do romance A guerra do fim do ➜

10 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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➜ ➜
der-se um ponto no costado do Minas e um es- guesa e de Artes. Os alunos podem ser solicita-
trondo ecoou perto de mim, acordando a cidade. dos a encenar eles mesmos a sua Semana de Arte
[...] Meus olhos faziam linha reta com a boca-de- Moderna, reproduzindo algumas das apresenta-
fogo que atirava. Naquele minuto-século, espera- ções originais e acrescentando as suas próprias
va me ver soterrado, pois parecia ser eu a própria contribuições.
mira do bombardeio. [...] Era contra a chibata e a
carne podre que se levantavam os soldados do Texto complementar p. 28
mar. O seu chefe, o negro João Cândido, imedia- Todos nós temos
tamente guindado ao posto de almirante, tinha se nossos arraiais de Canudos
revelado um hábil condutor de navios. [...] A re-
O texto tenta chamar a atenção do aluno para o
volta de 1910 teve o mais, infame dos desfechos.
fato de que não só percebemos a desigualdade e a
Foi solenemente votada pelo Congresso a anistia
opressão nos acontecimentos registrados e analisa-
aos rebeldes, mas, uma vez entregues e presos,
dos pela história, mas que, se as procurarmos, as
foram eles quase todos massacrados e mortos.
encontraremos na nossa própria casa, no nosso am-
Escapou o Almirante João Cândido e quando, na
biente de trabalho, no nosso dia-a-dia.
década de 1930, o jornalista Aporelli Aparício
As atividades desenvolvem a habilidade da leitura
Torelli tentou publicar uma crônica do feito foi
e da compreensão de texto. A questão 3, especial-
miseravelmente assaltado por oficiais da nossa
mente, permite aprofundar o debate em sala de aula.
Marinha de Guerra que o deixaram nu e surrado
O professor pode dividir o quadro em duas partes,
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

numa rua de Copacabana.”


anotando, em uma delas, o que deve ser feito e, na
(ANDRADE, Oswald de. Um homem sem profissão. outra, como deve ser feito. Isso pode permitir que
São Paulo, Globo, 2002.) se discuta o que é preciso ser feito para garantir o
exercício pleno da cidadania em nosso país.
O tenentismo p. 24

O tenentismo foi um movimento de oficiais de Atividades p. 29


baixa patente, os tenentes, contra a ordem oligárquica As questões desta seção compõem um importan-
da Primeira República. Um de seus líderes mais im- te bloco temático que pode ser explicitado e debatido:
portantes foi Luís Carlos Prestes, que mais tarde O que faz uma nação crescer e se desenvolver?
atravessaria o Brasil com a Coluna Prestes e se filiaria Naquele momento da sua história o Brasil era
ao Partido Comunista do Brasil (PCB). Sobre a im- tomado de grandes agitações sociais. Agitações em
portância política de Prestes, o professor pode utili- que seus sujeitos reivindicavam, exigiam, questio-
zar o documentário O Velho – A história de Luís Carlos navam e transformavam a realidade, muitas vezes à
Prestes (1997), de Toni Ventura. O documentário é custa de grande sacrifício. Foi ali que se deu o ver-
dividido em cinco partes: a inocência, a coragem, a dadeiro despertar do cidadão brasileiro, que tivera
esperança, a sombra e o resto dos anos. Os na campanha pela abolição da escravatura os pri-
educandos podem buscar em cada uma dessas par- meiros ensaios.
tes referências aos acontecimentos e personagens A ação dos modernistas foi contundente nesse
históricos que têm estudado. Outra sugestão é a lei- sentido, da mesma forma que a ação de João Cândi-
tura do livro Olga (1985), de Fernando Morais, uma do. Os primeiros foram ridicularizados, estereotipa-
biografia de Olga Benário Prestes, esposa de Pres- dos, incompreendidos, mas a ousadia da estética que
tes e militante do Partido Comunista.Também pode inauguraram assinalou um marco na produção cul-
ser sugerida uma comparação entre os eventos abor- tural brasileira. O segundo levantou toda uma arma-
dados nas duas obras. da contra as brutalidades do regime disciplinar da
Marinha brasileira. A luta de João Cândido e outros
Sugestão de atividade marinheiros contribuiu para abolir a prática de cas-
Além de ser o ano da primeira revolta tigos corporais na corporação.
tenentista, 1922 também entrou para a história Em igual medida contribuíram para mudanças
como o ano da Semana de Arte Moderna, realiza- sociais os imigrantes anarquistas nos Estados Uni-
da em comemoração ao centenário da indepen- dos Sacco e Vanzetti, os operários das nascentes in-
dência. Essa é uma boa oportunidade para um tra- dústrias brasileiras e os moradores de Canudos.
balho conjunto entre as áreas de Língua Portu- Enfatizar a ação desses agentes sociais é importante
➜ para desenvolver a noção de sujeito histórico.

PARTE II — O VOLUME 3 11

HC-Manual prof. V. 3.1 11 7/14/05, 4:57 PM


CAPÍTULO 2. A PRIMEIRA GUERRA de alianças: de um lado, a união entre Alemanha, Im-
MUNDIAL pério Austro-Húngaro e Itália e, de outro, o bloco
que reunia França, Grã-Bretanha e Rússia.
Conteúdos e objetivos
No livro Era dos extremos (1995), o historiador
Dois são os objetivos gerais deste capítulo. O pri- Eric Hobsbawm escreve sobre o horror que esta guer-
meiro, relacionado ao conteúdo, é analisar os fatores ra significa na memória de franceses e britânicos.
que levaram à guerra, o significado deste longo conflito
e algumas das mudanças essenciais que ele produziu. O A “Grande Guerra”
segundo objetivo geral — relacionado à formação de
“[...] Não surpreende que na memória dos bri-
atitudes — é o de estimular o aluno a elaborar
tânicos e franceses, que travaram a maior parte da
questionamentos pertinentes a respeito do caráter do
Primeira Guerra Mundial na Frente Ocidental, esta
patriotismo bélico, da lógica da guerra, da guerra de
tenha permanecido como a ‘Grande Guerra’, mais
propaganda que ocorre nesses momentos e da real
terrível e traumática na memória que a Segunda
motivação que se esconde por trás das justificativas
Guerra Mundial. Os franceses perderam mais de
dadas para a maioria das guerras.
20% de seus homens em idade militar, e se incluir-
Para isso, os alunos devem conhecer a destruição
mos os prisioneiros de guerra, os feridos e os per-
que as guerras trazem, particularmente para a popu-
manentemente estropiados e desfigurados [...] —
lação civil, enquanto alguns poucos, em geral aqueles
que se tornaram parte tão vívida da imagem pos-
que produzem e comercializam equipamentos béli-
terior da guerra —, não muito mais que um terço
cos, ganham muitíssimo. O segundo objetivo poderá

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


dos soldados franceses saiu da guerra incólume.
ser tratado também à luz da recente guerra contra o
Os britânicos perderam uma geração — meio mi-
Iraque (2003), que o governo norte-americano e seus
lhão de homens com menos de trinta anos [...].”
aliados divulgaram como parte da tarefa humanitária
(HOBSBAWM. Eric J. Era dos extremos: o breve sé-
de derrubar a ditadura de Saddam Hussein e destruir
culo XX: 1914-1991. São Paulo, Companhia das
armas químicas e bacteriológicas. O desenrolar dos Letras, 1995.)
acontecimentos demonstrou, no entanto, que as mo-
tivações eram econômicas e políticas. Quatro anos de destruição p. 37
Com o estudo deste capítulo, os principais obje-
Nos seus primeiros meses (de agosto a novem-
tivos específicos são os seguintes:
bro de 1914), a Primeira Guerra Mundial foi uma
• Identificar e explicar os fatores que levaram a
guerra de movimento, em que os exércitos tenta-
Europa à Primeira Guerra Mundial.
vam avançar sobre o território inimigo. Depois, no
• Explicar o sistema de alianças que se formou
período entre novembro de 1914 e março de 1918,
antes da guerra e como ele contribuiu para a eclosão
ela se transformou em uma guerra de posições ou
do conflito.
trincheiras, em que a frente de batalha ficou prati-
• Identificar, por meio da leitura de mapas, as
camente imobilizada, e os soldados, entrincheirados.
mudanças geopolíticas ocorridas na Europa após a
A partir de 1918, com o surgimento dos tanques e
Primeira Guerra Mundial.
o implemen-to da aviação, as ofensivas recomeça-
• Caracterizar o Tratado de Versalhes, assinado
ram. É importante ressaltar a saída da Rússia do
em 1919, e relacioná-lo à eclosão, mais tarde, de um
conflito em 1917, em virtude da Revolução de
novo conflito mundial.
Outubro, e a entrada dos Estados Unidos. A guerra
• Interpretar obras de arte produzidas sobre a guer-
assinalou o declínio da Europa como centro do
ra, reconhecendo nelas uma manifestação pela paz.
poder político e econômico mundial e a ascensão
• Debater a respeito do desenvolvimento científico
dos Estados Unidos.
e tecnológico empregado na indústria da destruição.
• Repudiar as guerras e solidarizar-se com os
povos que são vítimas delas. Um soldado no front
O escritor alemão Erich Maria Remarque
O assassinato de Francisco Ferdinando: combateu na Primeira Guerra Mundial. Em seu
28 de junho de 1914 p. 35 livro Nada de novo no front, ele narra, em primei-
A Primeira Guerra Mundial foi o resultado dos ra pessoa, os combates de um soldado alemão
contínuos conflitos desencadeados pela expansão em território francês. Leia a seguir um trecho
imperialista das grandes potências européias, que se do livro.
agruparam em torno de dois sistemas antagônicos ➜

12 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 12 7/14/05, 4:57 PM


➜ ➜
“Nossos rostos não estão nem mais pálidos, saiba como. Se não fosse isto, há muito já não ha-
nem mais corados do que antes; não estão mais veria mais ninguém de Flandres até os Vosges.
tensos nem mais relaxados, e, no entanto, estão Partimos como simples soldados casmurrões
indiferentes. Sentimos como se o contato de uma ou bem-humorados... chegamos na zona onde
corrente elétrica alvoroçasse nosso sangue. Isto não começa a frente de batalha, e já nos tornamos
é só força de expressão; é um fato. É o front, a cons- homens-animais.”
ciência de estarmos na linha de frente, que estabe- (REMARQUE, Erich M. Nada de novo no front. São
lece este contato. No mesmo instante em que as Paulo, Abril Cultural, 1981.)
primeiras granadas assobiam, quando o ar estre-
mece sob os tiros, insinua-se, repentinamente, uma O fim da era européia p. 39

expectativa mal reprimida em nossas veias, em O fim da Primeira Guerra Mundial inaugurou a
nossas mãos, em nossos olhos, um esperar mais era da hegemonia norte-americana, que se consoli-
vigilante, uma consciência mais intensa do nosso daria, no mundo ocidental, a partir da Segunda Guer-
ser, um estranho aguçamento dos sentidos. O cor- ra. Esse foi um momento importante na história
po, de repente, fica preparado para tudo. [...] contemporânea, pois marcou o nascimento do im-
É sempre a mesma coisa: partimos, e somos pério norte-americano, baseado no controle do sis-
simples soldados casmurrões ou bem-humorados tema financeiro, na exportação de tecnologia e cul-
— vêm as primeiras posições, e cada palavra de tura e em sua poderosa força militar. Por outro lado,
nossas conversas passa a ter um som diferente
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a guerra assinalou o declínio do antigo modelo impe-


[...] rialista de dominação, como o implantado na África e
Para mim, a frente é um redemoinho sinistro. na Ásia. A partir da guerra, vários pequenos movi-
Quando se está em águas calmas, ainda longe de mentos insurgentes começaram a florescer naqueles
seu centro, já se lhe sente a força de aspiração que continentes, visando à conquista da independência.
nos arrasta, lenta e implacavelmente, sem encon-
trar muita resistência. Mas a terra e o ar fornecem- Texto complementar p. 40

nos forças defensivas; principalmente a terra. Para Marcas da guerra


nenhum homem a terra é tão importante quanto O texto traça rapidamente um quadro da destrui-
para um soldado. Quando ele se comprime contra ção provocada pela guerra, longe do glamour dos fil-
ela demoradamente, com violência, quando nela mes e da propaganda. A dor e o sofrimento são a única
enterra profundamente o rosto e os membros, na herança para os que dela participaram. Pode-se, apro-
angústia mortal do fogo, ela é seu único amigo, seu veitando este tema, buscar relatos de veteranos da
irmão, sua mãe. Nela ele abafa o seu pavor, e grita guerra do Vietnã que, mesmo sendo considerados he-
no silêncio e na sua segurança; ela o acolhe e o róis nos Estados Unidos, passaram o resto de sua vida
liberta para mais dez segundos de corrida e de vida, atormentados pelas visões de morte e destruição.
e volta a abrigá-lo: às vezes, para sempre!
Com um sobressalto, uma parte do nosso ser, Atividades p. 41
ao primeiro ribombar das granadas, recua no pas- As telas de Otto Dix, na abertura e na atividade
sado milhares de anos. É o instinto do animal que 9, a questão 2 e conceito de ufanismo, tratado na
desperta em nós, que nos guia e nos protege. Não questão 4, permitem retomar a temática desenvol-
é consciente; é muito mais rápido, muito mais se- vida no Texto complementar. Recomendamos que o
guro, muito mais infalível do que a consciência. trabalho com essas atividades tenha como eixo a
Não se pode explicar. Andamos sem pensar em construção ideológica da figura do herói nacional.
nada... De repente, estamos deitados numa de- As guerras contra o Iraque (1991 e 2003) foram
pressão da terra, enquanto acima de nós voam os pródigas em mostrar os orgulhosos soldados nor-
estilhaços... Mas a gente não se lembra de ter te-americanos felizes por combater por seu país e
ouvido as granadas chegarem, nem de ter pensa- por lutar contra um representante do “mal”.
do em se deitar. Se confiássemos no pensamento, É importante, pois, fazer uma distinção entre
já seríamos um monte de carne espalhada por essas imagens e as mensagens que elas veiculam para
todos os lados. Foi este outro que habita dentro poder organizar as idéias. Cabe aqui questionar a
de nós, foi o sentido clarividente que em nós existe figura do herói nacional. Se o herói é oficial, cabe
que nos atirou ao chão e nos salvou, sem que se verificar qual é a mensagem que se quer passar por
➜ meio dele. Em geral, o herói oficial serve de modelo

PARTE II — O VOLUME 3 13

HC-Manual prof. V. 3.1 13 7/14/05, 4:57 PM


de conduta e comportamento e sempre, ao fundo, • Diferenciar o programa político dos
representa também uma ideologia. Caso esse herói bolcheviques do dos mencheviques.
seja proclamado por uma minoria, ele, provavelmen- • Reconhecer, por meio da análise de uma charge,
te, será símbolo de uma resistência e/ou da defesa de o impacto da Revolução Russa no Brasil.
algum ponto de vista e/ou de uma ideologia também. • Interpretar versos de um poema, identificando
Outra questão a ser analisada são as suas quali- neles as idéias socialistas da Revolução Russa.
dades ou o que lhe foi atribuído como qualidade. É • Desenvolver atitudes de repúdio às injustiças
comum o herói ter seus méritos exagerados, pois o sociais e de interesse em discutir os principais pro-
objetivo é engrandecê-lo aos olhos das pessoas, blemas que afetam a vida das pessoas.
diferenciá-lo dos cidadãos comuns, pois assim ele se
transforma numa figura digna de idolatria. O que não “Socialismo real” p. 45
se pode esquecer é que os personagens que se trans- Com o desaparecimento da União Soviética em
formaram em heróis pela historiografia ou pela pro- 1991, chegou ao fim o socialismo burocrático que
paganda foram seres humanos, com defeitos e quali- existia naquele país. O professor pode debater com
dades, e que as ações que os consagraram foram os alunos o que esse acontecimento representou
realizações de um grupo social, de uma coletividade, para o pensamento de esquerda em todo o mundo.
em condições históricas determinadas. O que deve Será que o fim da experiência soviética inviabilizou
ser valorizado na ação desses personagens é a sua para sempre o sonho de construir uma sociedade
persistência e o seu esforço em atingir o objetivo. mais justa? Hoje, haveria alguma alternativa ao capi-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


talismo? Que tipo de socialismo havia sido construído
CAPÍTULO 3. A REVOLUÇÃO RUSSA DE
na União Soviética? Que futuro está colocado para
1917 a humanidade? Como solucionar os problemas so-
ciais e ambientais gerados pelo modelo de desen-
Conteúdos e objetivos volvimento nascido com a sociedade industrial? Es-
A Revolução Russa, desde o seu início até o fim, sas são algumas questões que podem introduzir o
sempre foi fonte de questionamentos e certezas, estudo deste capítulo.
esperanças e ceticismos. Agora, extinto o socialis-
mo burocrático ou o socialismo real, como se conven- A Revolução de 1905 p. 47
cionou chamar, fica a dúvida de como tratar essa A Revolução de 1905 é considerada o “ensaio ge-
revolução que marcou todo o século XX, já que hoje, ral” da Revolução de 1917 e teve como marco o Do-
principalmente aos olhos dos mais jovens, ela pare- mingo Sangrento, episódio em que os operários que
ce uma relíquia histórica, como o ferro de malhar solicitavam reformas sociais no país foram assassina-
do ferreiro. dos pelos soldados do czar. Em protesto contra o mas-
Porém, da mesma forma que a Comuna de Paris sacre efetuado pelo governo, houve revoltas em todo
foi a abertura da ópera da revolução social, a Revolu- o país. Uma dessas rebeliões foi imortalizada no filme
ção de 1917 foi o primeiro ato dessa ópera, que tem O encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein,
como tema as lutas dos povos para conquistar a igual- feito sob encomenda do governo revolucionário para
dade, a fraternidade e a liberdade, proclamadas pela comemorar os vinte anos da Revolução de 1905. O
Revolução Francesa. Assim, a explicação dos fatores
professor pode utilizar o filme para abordar o tema.
que levaram à realização da Revolução Russa, a partir
Com a ajuda do professor de Artes ou Educação Artís-
das contradições do capitalismo, serve de justificativa
tica, pode ser proposto um trabalho em que os
para a permanência desse conteúdo nos livros didáti-
educandos analisem a técnica de montagem usada por
cos e nas aulas de História, não como simples fato
Eisenstein e suas implicações simbólicas.
histórico, apenas como passado, mas como um estu-
do das possibilidades de superação das contradições
do sistema capitalista, que não só permaneceram como O cinema russo
cresceram em todo o planeta. Os diretores russos Serguei Eisenstein e Dziga
Com esse estudo, pretendemos desenvolver as Vertov foram pioneiros da linguagem, da teoria e
seguintes habilidades, procedimentos e atitudes: da estética cinematográfica, sugerindo e definin-
• Explicar as condições históricas que tornaram do padrões que influenciaram outros cineastas no
possível a eclosão da Revolução Russa de 1917. mundo todo. Eisenstein pode ser considerado o
• Explicar por que a Revolução Russa de 1917 pode criador do processo de montagem do filme.
ser caracterizada como uma revolução socialista. ➜

14 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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➜ A caminho da revolução bolchevique p. 50
Ainda durante o período czarista, diretores
russos adaptaram obras de autores clássicos como Para abordar a revolução bolchevique de 1917,
Tolstói, Dostoiévski e Pushkin para as telas, crian- o professor pode propor a leitura do livro Os dez
do os primórdios do cinema russo. dias que abalaram o mundo (1920), de John Reed. Reed
Logo após a Revolução de 1917, o novo go- foi um jornalista norte-americano que estava na Eu-
verno bolchevique deu grande incentivo às pro- ropa, cobrindo a Primeira Guerra Mundial, quando a
duções cinematográficas por considerá-las peças Revolução Russa eclodiu. Em seu livro, ele narra, na
estratégicas para a propaganda ideológica. Assim, forma de uma grande reportagem, os acontecimen-
obras que exaltassem a força e o heroísmo do tos que antecederam e sucederam à revolução
povo russo eram estimuladas, financiadas e am- bolchevique. Essa experiência fez com que Reed se
plamente distribuídas pelo Estado. tornasse um defensor do novo governo e tentasse
São dessa época as obras-primas de Eisenstein difundir os ideais comunistas nos Estados Unidos.
Encouraçado Potemkin, Outubro, Alexandre Nevsky e Outra opção, mostrando uma outra face do evento,
Viva México! é o filme Doutor Jivago (1965), dirigido por David
O filme Outubro, lançado em 1927, para a Lean e baseado no livro homônimo de Boris
comemoração do décimo aniversário da Revo- Pasternak. O filme mostra um médico e poeta de
lução Russa de 1917, foi o terceiro longa- família burguesa que se sente oprimido no novo re-
metragem do cineasta Sergei Eisenstein e gime e luta para manter seus ideais liberais. Os
retrata, usando métodos experimentais e sofis- educandos podem tentar fazer uma comparação
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ticados, os acontecimentos que precederam a entre essas duas visões diferentes da Revolução.
revolução e a própria tomada do poder pelos
bolcheviques. O ponto de partida foi o livro Os Texto complementar p. 53
dez dias que abalaram o mundo, do jornalista e
militante John Reed.
O ano de 1927 marcou a expulsão de Leon Vida de operário
Trotski do Partido Comunista.A cúpula do PC So- O texto escolhido desse extraordinário escritor
viético, já em acelerado processo de burocratização, russo é uma excelente narrativa das condições de
obrigou Eisenstein a cortar as partes do filme em vida dos operários russos do início do século XX, e
queTrotski aparecia e alguns discursos de Lênin con- que, de certa forma, retrata uma situação universal,
siderados impróprios por Stalin, eliminando, assim, própria do sistema de fábrica surgido com a grande
cerca de um terço da película. indústria. Além da leitura e da interpretação da leitu-
ra, pode-se estabelecer uma comparação entre o qua-
dro social descrito no texto e o conteúdo do capítu-
Sugestão de leitura
lo, estabelecendo diferenças entre ambos, tanto do
EISENSTEIN, Sergei. A forma do filme. Rio de Janeiro, ponto de vista do conteúdo quanto da linguagem.
Jorge Zahar, 1990.
Sugestão de atividade
O fim do regime czarista p. 48 O trecho da obra de Máximo Gorki pode ser
Antes da Revolução de 1917, a Rússia era um aproveitado também na realização de outra ativi-
país predominantemente agrário. O czar detinha o dade. Em dupla, os alunos vão tentar dar continui-
poder, e as terras eram propriedade dos nobres. Os dade ao texto, criando personagens, novas situa-
camponeses viviam miseravelmente. Para que os ções e um desfecho para a história. Chamar a aten-
educandos tenham uma idéia de como era a vida ção dos alunos para a necessidade de preservar a
dos camponeses na Rússia czarista, o professor pode estética literária do autor, construindo uma nar-
exibir o filme Um violinista no telhado (1971), de rativa próxima do estilo do escritor.
Norman Jewison, que narra a história de um judeu
russo, um pobre leiteiro, que vive numa pequena al- Atividades p. 54
deia e luta contra a opressão do governo czarista. A atividade 5, que propõe a análise de uma charge,
Depois de assistirem ao filme, os alunos podem ser possibilita perceber a forma caricatural com a qual
solicitados a elaborar um texto sobre as condições se lutou no Brasil, e em várias partes do mundo,
de vida dos camponeses e sobre as perseguições contra as idéias socialistas e comunistas. O que cabe
sofridas pelos judeus na Rússia czarista. aqui discutir é o uso do estereótipo e da ironia como

PARTE II — O VOLUME 3 15

HC-Manual prof. V. 3.1 15 7/14/05, 4:57 PM


armas de combate ideológico e a força que a grande • Analisar os efeitos que a crise de 1929 teve
imprensa exerce no imaginário coletivo. sobre o comportamento da população norte-ame-
A atividade 8 também permite um excelente tra- ricana.
balho com a área de Literatura ao trazer várias figu- • Diferenciar, a partir da leitura de textos, três
ras de linguagem e de pensamento próprias do tex- visões sobre os fatores das crises do capitalismo e
to poético, como a aliteração, a metáfora, o anacoluto, sobre os caminhos que devem ser seguidos para
além das rimas. superá-las.
• Ler e interpretar gráfico que representa as cur-
vas de desemprego nos Estados Unidos depois da
CAPÍTULO 4. A CRISE DE 1929 E SEUS
crise de 1929.
REFLEXOS NA ECONOMIA
• Reconhecer no New Deal, adotado pelo presi-
MUNDIAL
dente Roosevelt, características de programa
Conteúdos e objetivos intervencionista para combater a crise econômica.
A crise de 1929 é emblemática do novo mundo • Estabelecer, com base na leitura de textos, com-
surgido com o capitalismo. Mesmo sem ter à dispo- parações entre os efeitos da crise de 1929 e as con-
sição os atuais meios de comunicação, que interli- tradições socioeconômicas dos dias de hoje.
gam sistemas de comunicação e redes de computa-
dores em uma grande teia mundial, o capital e o co- The american way of life p. 60

mércio já haviam interligado todo o planeta. O aba- Com a Primeira Guerra Mundial, os Estados

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


lo sísmico da economia norte-americana, somado à Unidos viveram um período de grande prosperida-
incipiente recuperação européia dos anos de 1920, de, vendendo produtos industrializados, matérias-
propagou-se por todo o mundo à semelhança de primas e alimentos para os países europeus belige-
um enorme tsunami, abalando as economias da maio- rantes. No final da década de 1920, o país já havia se
ria dos países do globo. tornado a maior nação credora do mercado inter-
Outro elemento importante para o qual se deve nacional, emprestando enormes quantidades de di-
chamar a atenção é a transformação, parcial, do capi- nheiro para os governos europeus utilizarem na re-
talismo liberal em um capitalismo intervencionista, em construção de seus países.
decorrência da crise econômica. A experiência de Porém, alguns anos depois do término da guer-
1929 demonstrou que não era mais possível deixar o ra, uma crise de superprodução começou a se mani-
mercado livre, sujeito às suas próprias regras, uma festar nos Estados Unidos. Isso porque o país havia
vez que ele ameaçara a sobrevivência da própria eco- mantido o mesmo ritmo de produção que havia al-
nomia capitalista. Foi necessário introduzir na econo- cançado durante o conflito. Como os países euro-
mia a figura do Estado, contrariando os princípios do peus já haviam retomado a sua própria produção, o
liberalismo. O Estado, representado nos Estados Uni- volume de exportações norte-americanas caiu e o
dos pela política do presidente Roosevelt, passou a mercado interno do país não deu conta de absorver
controlar a economia (leis, financiamentos, conces- todos esses produtos. Para abordar esse tema, o
sões etc.) e a garantir alguns benefícios mínimos aos professor pode utilizar o filme Clamor do sexo (1961),
trabalhadores, criando o sistema de assistência social. de Elia Kazan. O filme narra uma história de amor
A crise de 1929, que teve como efeito a retomada apaixonada entre dois adolescentes no final da dé-
parcial do intervencionismo do Estado, permite uma cada de 1920, mas o pano de fundo da história é
comparação com a história recente do Brasil. Por exem- justamente o crash da Bolsa de Valores e a crise eco-
plo, os vários planos econômicos decretados nos anos nômica decorrente. Os alunos podem ser instiga-
de 1980 e 1990, que expressavam a intervenção do dos a verificar quais as atitudes dos personagens
Estado na economia (através do congelamento dos durante a fase de euforia (a família do rapaz, por
preços e dos salários, da criação de uma nova moeda exemplo, investe todo o seu capital em ações en-
ou do controle da remessa de lucros), resultaram de quanto a família da moça é mais cautelosa) e quais
graves crises econômicas que afetavam o Brasil, cujo foram as conseqüências enfrentadas por eles.
índice mais evidente era a alta inflacionária.
Com o estudo deste capítulo, pretende-se atin- A Lei Seca nos Estados Unidos
gir os seguintes objetivos: Um dos acontecimentos marcantes na histó-
• Explicar as condições da economia norte-ame- ria dos Estados Unidos nos anos de 1920 e início
ricana que levaram à crise de 1929. de 1930 foi a promulgação da Lei Seca, com o

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➜ aumento significativo do desemprego e da miséria
objetivo de combater o absenteísmo no trabalho da população. Uma boa sugestão para se estudar o
e outras práticas sociais consideradas desagre- período da Grande Depressão americana é exibir o
gadoras. filme As vinhas da ira (1940), dirigido por John Ford, e
Movidos pelo idealismo e patriotismo ampla- baseado no romance homônimo de John Steinbeck.
mente divulgados na Primeira Guerra Mundial, se- Nesse filme, é mostrada a vida de uma família de
tores da população, especialmente a Liga Antibar trabalhadores rurais de Oklahoma que, na época da
(Anti-Saloon League) e as mulheres da Associação Depressão, parte numa jornada de caminhão em
Feminina pela Temperança Cristã, mobilizaram-se busca de trabalho na Califórnia.
numa "cruzada a favor da proibição". Segundo eles,
a bebida seria responsável pela desagregação mo-
Sugestão de leitura
ral da sociedade.
Em 1o- de julho de 1916, 24 estados america- McCOY, Horace. Mas não se mata cavalo? São Pau-
nos proibiram as bebidas alcoólicas, prenuncian- lo, Círculo do livro, 1975.
do a Lei Seca. A 18o- emenda entrou em vigor em
1920 e durou quase 14 anos, proibindo a fabrica-
Sugestão de atividade
ção, o transporte, a venda ou o porte de qualquer
bebida alcoólica. A ilegalidade das bebidas fez pro- Uma ótima possibilidade de trabalho é a aná-
liferar os gângsteres e a corrupção policial. lise das fotografias produzidas no período sob a
A histeria e o fanatismo demonstrados pelos encomenda do Farm Security Administration, de
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

defensores da proibição e os da liberação dividi- que há uma cópia na página 61 e que podem ser
ram o país em "secos" e "molhados". Apesar de apreciadas, na íntegra, através do site (http://
os primeiros terem vencido no começo, logo os lcweb2.loc.gov/ammem/fsowhome.html). Essas fo-
efeitos se mostraram contrários. Segundo a Cons- tografias ficaram famosas por retratar a pobreza,
tituição, os norte-americanos não podem ter sua para alguns, de uma maneira realista e, para ou-
liberdade individual restringida, muito menos o tros, de uma forma idealizada, estetizada.
sagrado direito à propriedade. Essas e outras con- Com a orientação do professor de Educação
siderações geraram uma lei contraditória e im- Artística ou Artes, os alunos podem traçar para-
possível de ser cumprida. lelos, por exemplo, entre essas imagens e as fotos
Assim, o Volstead Act, nome oficial da Lei Seca, contemporâneas de Sebastião Salgado, reunidas
proibia a venda de bebidas, mas liberava o consu- em seus livros Trabalhadores (1996), Terra (1997,
mo e a fabricação caseira em alambiques. Milha- em parceria com Chico Buarque de Holanda), e
res de speakeasies, os bares clandestinos, foram Outras Américas (1999). De que forma os pobres
abertos com a fachada de lanchonetes ou sorve- são representados nessas obras?
terias. Milhões de litros de "luar", bebida alcoólica
artesanal, foram comercializados clandestinamen- Texto complementar p. 63

te. Como resultado, a cada ano morriam 5 mil Tempos despreocupados


pessoas, vítimas dessas misturas venenosas. O texto ajuda a identificar a relação entre o
O filme Os intocáveis (1987), de Brian de Pal- domínio econômico e o domínio cultural. É interes-
ma, reconta a história da guerra movida pela polí- sante notar como a Europa, em decadência e sus-
cia federal dos Estados Unidos contra o crime tentada pelo capital financeiro norte-americano, sem-
organizado, durante os anos da Lei Seca. O filme pre tão orgulhosa da sua produção cultural, vê-se
traz também uma cena antológica (o tiroteio na trazendo, junto com os dólares, uma cultura
escadaria da estação de Chicago) feita em ho- alienígena e extravagante para o padrão europeu,
menagem ao filme Encouraçado Potemkin, de mas que foi alegremente incorporada. Ao mesmo
Eisenstein. tempo, o texto mostra como certas mudanças ocor-
rem nos valores e costumes dos povos.A mulher de
O New Deal p. 61 antes da guerra e aquela do pós-guerra, particular-
O New Deal foi um programa do governo dos mente as jovens, são praticamente opostas em ter-
Estados Unidos, executado entre os anos de 1933 e mos de atitude, postura e indumentária. Os dois ele-
1945, para a retomada do crescimento econômico. mentos podem ser trabalhados em sala de aula iden-
Isso porque, após a quebra de 1929, o país havia tificando o que faria os alunos mudarem de valores
entrado numa grande depressão econômica, com um e posturas no futuro.

PARTE II — O VOLUME 3 17

HC-Manual prof. V. 3.1 17 7/14/05, 4:57 PM


CAPÍTULO 5. ASCENSÃO DOS REGIMES • Estabelecer relações entre o nazifascismo da
TOTALITÁRIOS NA EUROPA época de Hitler com os movimentos neonazistas que
se formam hoje em vários lugares do mundo.
Conteúdos e objetivos
• Desenvolver atitudes de tolerância em relação
A análise do processo de implantação dos regi- às diferenças e de repúdio a toda e qualquer forma
mes nazifascistas na Europa deve ser feita no con- de preconceito étnico e cultural.
texto da crise e da polarização política que existia
na época. Nesse sentido o fascismo deve ser enten- Um passado muito recente p. 68
dido também como uma reação da burguesia euro-
É importante esclarecer os educandos a res-
péia ao crescimento do movimento operário e co-
peito dos perigos do neonazismo no Brasil, cujos
munista na Europa e em nível internacional.
principais adeptos são os skinheads (carecas). Os
A proximidade com a Rússia revolucionária,
neonazistas tentam difundir o ódio aos judeus,
União Soviética depois de 1922, era um lembrete
negros, nordestinos e homossexuais. A melhor
diário à burguesia de que o proletariado poderia
maneira de se combater essa intolerância é sen-
romper em revolta a qualquer momento, se a pola-
sibilizar os educandos para as diferenças e para
rização política aberta perdurasse. Dessa forma, os
a necessidade de respeitá-las. Muitas pessoas re-
grupos conservadores viram no estabelecimento de
lacionam erroneamente os skinheads ao movi-
governos fortes a garantia de preservação da or-
mento punk, que é um movimento artístico-mu-
dem política (mesmo que à custa da democracia) e
sical. Na verdade, os skinheads muitas vezes utili-
da saúde financeira do Estado, da indústria e do co-

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zam a estética e a musicalidade punk, que têm
mércio, além de assegurar a propriedade privada.
grande aceitação entre os jovens, para aliciar
Outro elemento do nazifacismo é o exacerbado
novos adeptos. Mas os principais artistas do
ódio cultural e étnico alimentado contra judeus, ci-
movimento punk são totalmente contrários às
ganos, homossexuais, deficientes físicos e outros. Essa
idéias neonazistas. Os alunos podem fazer uma
é uma questão que ainda está por ser devidamente
pesquisa a respeito da música punk para que se
esclarecida, pois, por mais que em algumas épocas
desfaça essa confusão.
se acreditou na superioridade de determinados po-
vos em relação a outros (os gregos e os romanos
Fascismo: origem e expansão mundial p. 69
acreditavam na sua superioridade em relação aos
chamados bárbaros), é muito difícil entender a enor- Na Itália, a crise do período entreguerras deu
me mobilização de recursos em termos de logística, origem ao fascismo. O Partido Nacional Fascista
homens, equipamentos, propaganda etc. que os na- foi fundado em 1921. No ano seguinte, os fascis-
zistas empregaram para promover o holocausto, sem tas já contavam com o apoio maciço da burguesia,
um significado militar ou político definido, já que esse que temia o avanço da esquerda. É importante res-
massacre foi realizado secretamente. saltar que o fascismo se caracterizava por ser con-
Independentemente das razões que levaram ao trário ao liberalismo, ao parlamentarismo, que até
holocausto, econômicas, políticas ou irracionalidade então vigorava na Itália, e também ao comunismo.
coletiva, é importante abordar este assunto para Além disso, pregava o nacionalismo exacerbado, a
combater, no presente ou no futuro, qualquer políti- idéia de partido único e o Estado totalitário, con-
ca que semeie o ódio e a intolerância étnica. trolado por um chefe forte e absoluto. A partir da
Os objetivos estabelecidos para o estudo deste Itália, o fascismo, com o seu modelo de regime,
capítulo são os seguintes: espalhou-se pela Europa. Historicamente, além de
• Caracterizar os regimes nazifascistas, estabe- constituir um regime autoritário, o fascismo foi a
lecendo diferenças e semelhanças entre eles. primeira tentativa de estabelecer um capitalismo
• Explicar as condições sociais, econômicas e não liberal, modificando o papel do Estado, que
políticas da Alemanha e da Itália que possibilitaram a passou a ter forte presença reguladora do merca-
ascensão do nazismo e do fascismo. do de trabalho e das relações entre trabalhado-
• Identificar, por meio de leitura de documento, res e patrões, além de assumir o papel de investi-
os principais itens do programa nazista. dor e o de comprador. Esses elementos serão
• Reconhecer o holocausto como um episódio adotados, depois, pelo New Deal nos Estados Uni-
vergonhoso na história da civilização humana. dos e se generalizarão no mundo após a Segunda
• Explicar a polarização que levou à Guerra Civil Guerra Mundial, já sob os auspícios da elaboração
Espanhola e os resultados do conflito. teórica de John Keynes.

18 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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O Terceiro Reich p. 70 rubar o governo democrático da Frente Popular.
Sobre a guerra civil espanhola, há o filme Terra e liber-
Intelectuais perseguidos dade (1995), de Ken Loach, que narra a história de
pelo nazismo um jovem britânico que vai à Espanha lutar contra
O filósofo e crítico literário alemão Walter as forças fascistas. Os educandos podem ser instiga-
Benjamin, membro da chamada Escola de Frank- dos a observar as diferenças ideológicas entre os
furt, foi uma das vítimas da perseguição nazista. personagens do filme e verificar como eles traba-
Em setembro de 1939, devido à intolerância em lham essas diferenças.
relação aos judeus e intelectuais de esquerda, ele
deixou a Alemanha e estabeleceu-se em Paris. Texto complementar p. 73

Quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial, Ben- Miséria e politização


jamin foi preso em um campo de concentração O texto mostra claramente que o discurso na-
francês. Em 1940, foi publicada sua obra Teses so- zista em nada diferia do discurso de qualquer outro
bre a filosofia da história, escrita na prisão. partido, inclusive do de esquerda, no que se referia à
Em julho de 1940, quando Paris foi invadida denúncia da situação econômica e da inércia dos
pelas tropas nazistas, Benjamin fugiu em direção à governantes em relação aos trabalhadores e à na-
Espanha, na tentativa de chegar a alguma cidade ção. Mas, ao mesmo tempo, o texto mostra a dife-
portuária que lhe permitisse fugir para os Esta- rença em relação aos demais partidos ao proclamar
dos Unidos. Na noite de 25 de setembro de 1940, um homem — Hitler — o “salvador da pátria”.
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porém, percebendo que seria capturado e execu- Contrariando uma prática eleitoral centrada nas
tado pelas tropas franquistas, Walter Benjamin idéias e no programa político do partido, o cartaz
suicidou-se. nazista exemplifica o culto à personalidade e a trans-
Outra vítima da perseguição nazista entre os formação de Hitler em um ser todo-poderoso.
intelectuais foi o historiador francês de origem
judaica Marc Bloch, co-fundador da Revista dos Atividades p. 74
Annales, em 1929. Quando a França foi ocupada
A questão 6 trata dos campos de concentração
pelos nazistas, Bloch ingressou no movimento de
criados pelos nazistas, destinados a recolher os
Resistência de Lyon. Em 1944, Marc Bloch foi pre-
opositores do regime e a exterminá-los fisicamente.
so e fuzilado por ordem do chefe da Gestapo na
No Brasil, como nos Estados Unidos, os campos de
França, Klaus Barbie.
concentração foram criados para impedir a livre ação
de supostos agentes secretos ou de sabotadores que
Autoritarismo na Península Ibérica p. 71
estariam misturados à população desses países (ler
Portugal e Espanha também tiveram governos boxe Campos de concentração no Brasil). O princípio
autoritários surgidos nas décadas de 1920 e 1930. era: qualquer alemão poderia ser nazista, apenas
Em Portugal, esse regime recebeu o nome de pelo fato de ser alemão, ou um italiano ser fascista
salazarismo, numa alusão a Antônio de Oliveira por ser de origem italiana. Esses princípios, aplica-
Salazar, ditador português. Já na Espanha, houve o dos aqui no Brasil e nos Estados Unidos, têm con-
franquismo, assim chamado em decorrência do nome teúdo claramente preconceituoso e racista. O mes-
do ditador, general Francisco Franco. O salazarismo mo podemos ver na questão 7, que trata do
perdurou de 1932 até 1974, quando o sucessor de neonazismo. Novamente, faz-se uma generalização
Salazar, Marcelo Caetano, foi derrubado pela Revo- a partir de um componente cultural ou supostamente
lução dos Cravos, um movimento militar que teve o biológico, caindo outra vez na esfera do preconcei-
apoio da população. Para tratar da Revolução dos to e do racismo.
Cravos, o professor pode utilizar a música Tanto mar,
de Chico Buarque de Holanda, composta em 1975,
num momento em que o Brasil também enfrentava Campos de concentração no Brasil
um governo ditatorial. Os alunos podem, com base “Em todo o país foram 11 os campos de con-
na composição, estabelecer relações entre os regi- centração para os presos políticos. [...] Os presos
mes autoritários dos dois países. considerados mais perigosos ou ‘súditos do Eixo’
O franquismo levou a Espanha a uma guerra ci- eram encaminhados para o Campo de Concen-
vil em 1936, quando os grupos de direita ligados ao tração da Trindade [Santa Catarina]. Para o Minis-
general Franco iniciaram uma ação armada para der- ➜

PARTE II — O VOLUME 3 19

HC-Manual prof. V. 3.1 19 7/14/05, 4:57 PM



Além disso, o crescimento das massas urbanas
tério da Justiça, o isolamento dos ‘súditos de po-
exigia, a exemplo do que ocorria na Europa e nos
tência inimiga’ era admitido pelo direito interna-
cional, sem formalidades, mesmo que não hou- Estados Unidos, uma política de direitos sociais e de
vesse indício de ‘atividade criminosa’. regulamentação do mercado de trabalho. O período
Nestes campos de concentração os presos do entreguerras, fortemente atingido pelos efeitos da
trabalhavam na construção de estábulos, destoca queda da bolsa de Nova York, contribuiu para fortale-
de árvores, plantio e capina. [...] eles dormiam em cer no Brasil os defensores de uma política industrial
celas que acomodavam três a quatro pessoas; a que deixasse o país menos vulnerável às crises da
alimentação diária era composta de feijão-preto economia capitalista.
e dois pãezinhos [...]. Externamente ainda, à medida que os efeitos
Os campos de concentração foram uma es- da crise de 1929 atingiam vários países através do
tratégia do governo para tirar de circulação os aumento do desemprego e da queda na produção,
alemães, italianos, japoneses [...] e descenden- crescia a polarização política entre os movimentos
tes, considerados elementos indesejáveis [...].” e partidos autoritários e as correntes de esquerda,
(FÁVERI, Marlene de. Brasil teve 11 campos de embate que se manifestou também no Brasil.
concentração. In: Nossa história. Rio de Janeiro, É nesse contexto que temos de analisar a Era
Biblioteca Nacional; São Paulo,Vera Cruz, ano 2,
n. 21, jul. 2005.) Vargas, caracterizada, ao mesmo tempo, por intenso
desenvolvimento industrial, avanço nas leis trabalhis-

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O texto da questão 3 permite perceber o ca- tas e dura repressão política.
ráter antidemocrático do programa nazista, que O capítulo, portanto, deve ser trabalhado tendo
prega a submissão total da nação à autoridade do em vista as transformações atuais do Brasil, que apon-
governante. A questão 7, por sua vez, estimula a tam para a desmontagem, no âmbito do papel do
leitura de imagens e a identificação de seu conteú- Estado e das políticas de assistência social e de re-
do com o programa nazista. Em suma, as atividades gulamentação do mercado, de grande parte da es-
permitem construir um quadro panorâmico das trutura criada na Era Vargas. Assim, há uma clara
principais características do nazismo, em especial ponte entre estes dois momentos, passado e pre-
o totalitarismo, a intolerância étnica e a exaltação sente, tão distintos em termos de projeto, mas
do Estado e da nacionalidade. umbilicalmente ligados pelas contradições que re-
presentam.
Os objetivos estabelecidos para o estudo deste
CAPÍTULO 6. O GOVERNO DE GETÚLIO
capítulo são os seguintes:
VARGAS (1930-1945)
• Caracterizar a política econômica implantada
Conteúdos e objetivos durante a Era Vargas.
Os governos provisório e constitucional de Ge- • Compreender e discutir a controvérsia relacio
túlio Vargas e o Estado Novo constituíram um dos nada à caracterização do movimento de 1930 como
mais importantes períodos da história do Brasil con- um acontecimento revolucionário.
temporâneo. Essa fase foi marcada pela combinação • Explicar por que o período do Estado Novo se
de distintas transições, tanto no Brasil como em ní- caracterizou como uma ditadura.
vel internacional.
• Caracterizar a legislação trabalhista criada du-
Internamente, esse período caracterizou-se pela
rante o Governo Vargas.
necessidade de adequar as instituições políticas à nova
realidade social, muito mais diversificada e complexa • Organizar cronologicamente as três fases do
do que aquela em que a república foi implantada, gra- Governo Vargas: governo provisório, governo cons-
ças ao desenvolvimento da indústria, das cidades e do titucional e Estado Novo.
comércio. Os novos setores sociais (profissionais li- • Conhecer e discutir o projeto de flexibilização
berais, empresários, comerciantes, classe média, tra- das leis trabalhistas, Projeto de lei no- 5.483/2001.
balhadores urbanos e fabris) queriam estar represen- • Explicar a importância do rádio como instru-
tados no governo; enquanto as elites dos estados exi- mento de controle ideológico da Era Vargas e iden-
giam maior autonomia política e o fim do controle do tificar quais os principais veículos de propaganda po-
poder pelas oligarquias paulista e mineira. lítica nos dias atuais.

20 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 20 7/14/05, 4:57 PM


O atrito entre a lei e a realidade p. 79 ➜
to econômico do país. Getúlio Vargas, o maior re-
O texto é um bom exemplo dos debates, em presentante do populismo brasileiro, construiu seu
geral parciais, realizados no Brasil a respeito da legis- governo sobre o apoio das camadas populares ur-
lação trabalhista. Ele traz algumas das justificativas banas, mediante a criação de uma legislação social
articuladas (custo institucional e empresarial) para inédita no país e o trabalho de propaganda política.
justificar a urgência da reforma da legislação, em fa-
vor de uma livre negociação entre empregados e em-
pregadores. É interessante o professor organizar com 1930: revolução ou golpe? p. 81
os alunos pesquisas sobre as várias posições exis-
tentes sobre esse tema, tanto hoje quanto no passa- O texto reproduzido no boxe das páginas 81 e
do. Depois, com as pesquisas em mãos, pode-se mon- 82 é importante porque permite discutir o empre-
tar um painel comparativo entre as distintas propos- go do conceito de revolução. De acordo com o tex-
tas e, a partir daí, observar as permanências e as rup- to, em 1930, apesar de ter havido uma rearticulação
turas, as diferenças e as semelhanças entre esses dois das classes dirigentes no poder e uma ruptura da
momentos da história do Brasil. ordem constitucional, não ocorreu uma alteração
A partir dessa possibilidade, é possível fazer uma significativa na estrutura de classes no país nem houve
análise estrutural do texto com o objetivo de avali- uma substituição dos grupos no poder.
ar a maneira como se compõe e se organiza o dis- O texto a seguir expressa uma visão diferente a
curso, enfatizando a costura lógica e coerente entre respeito do movimento de 1932. Se for possível,
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

a argumentação e as justificativas, que devem ser cor- reproduza o texto para os alunos para que eles co-
roboradas por dados empíricos verificáveis. nheçam essa outra visão e possam se posicionar a
respeito desse importante debate.
A modernização autoritária p. 80
A Revolução de 1930
Getúlio Vargas ficou, ao todo, dezoito anos no
poder (1930-1945 e 1951-1954). É importante res- “A crise econômica de 1929 [...] proporciona
saltar que o seu governo coincidiu com uma fase de a circunstância favorável [...] para tornar claras as
modernização da sociedade brasileira, marcada pelo divergências profundas.A aliança que se estabelece
desenvolvimento industrial e pela expansão urbana. entre os grupos militares já precursores de uma
O professor também deve enfatizar que Vargas transformação de que não tinham consciência muito
implementou um eficiente mecanismo de governo, exata e os grupos da classe dominante insatisfeitos
atendendo ora os interesses das oligarquias e das com a orientação financeira e econômica do go-
elites urbanas, ora os interesses dos trabalhadores. verno, responsável sempre por todos os males,
Assim, formaram-se compromissos que o ajudaram a constituiu uma força contra a qual o poder oficial
controlar melhor o Estado. Além disso, também é im- não tem recursos. A Revolução de 1930 assinala,
portante observar que Vargas pode ser considerado o na história brasileira, o primeiro exemplo de movi-
melhor exemplo de governante populista no Brasil. mento revolucionário que parte da periferia para
Leia no boxe a seguir uma explicação sobre o o centro. Esta característica, por si só — até aqui
conceito de populismo. esquecida —, bastaria para distingui-lo, na seqüên-
cia de levantes militares abortivos e precursores.
O populismo Era uma nova fase que se abria.”
Mais adiante, o autor toma o exemplo do de-
De modo geral, o termo populismo tem sido
senvolvimento industrial ocorrido no Brasil nos anos
utilizado, no Brasil e na América Latina, para de-
de 1930, estimulado pela expansão do mercado in-
signar a liderança política que procura se dirigir
terno, para sustentar sua tese de que o movimento
diretamente à população sem a mediação das ins-
de 1930 constituiu uma revolução burguesa.
tituições políticas representativas, como os parti-
“Em 1933, [...] quando ainda não se haviam
dos e os parlamentos.
manifestado nos Estados Unidos os sinais de re-
Os governos populistas caracterizaram-se pela
cuperação [da crise de 1929], a renda nacional,
incorporação das massas urbanas ao jogo políti-
entre nós, recomeçava a crescer. Isso provava, com
co, pela exaltação do trabalho e pela identificação
rigorosa clareza, que a recuperação brasileira não
do governante aos anseios da nação, apresentado
foi proveniente de fatores externos, mas de fato-
como defensor das causas sociais e do crescimen-
res internos. [...] A demanda interna é, pois, o gran-
➜ ➜

PARTE II — O VOLUME 3 21

HC-Manual prof. V. 3.1 21 7/14/05, 4:57 PM


➜ autoritarismo. Com o Departamento de Imprensa e
de elemento dinâmico que resguarda a economia
Propaganda (DIP), estabelecia-se a censura a todos
brasileira. [...] Acontece, então, a transferência de
os órgãos de comunicação.Vários artistas e intelec-
capitais de um campo a outro, não apenas do campo
tuais desse período tiveram problemas com o regi-
do café ao do algodão, mantidos os demais fatores
me autoritário do Estado Novo. Um dos mais im-
de produção, no caso, mas do campo agrícola para
portantes foi o escritor Graciliano Ramos, autor de
outros campos, inclusive o campo industrial. [...]
Caetés (1933), São Bernardo (1934), Vidas secas (1938),
Assim, sob o impacto da crise, o país não só im-
entre outros. Graciliano foi preso em 1936, acusado
pulsionou um produto de exportação que há muito
de participar da ANL, sendo levado para a terrível
permanecia em nível baixíssimo [o algodão, empre-
prisão de Ilha Grande (RJ). O escritor registrou sua
gado nas indústrias têxteis que se expandiram na
experiência na prisão na obra Memórias do cárcere
década de 1930] como desenvolveu um parque in-
(1953). O professor pode solicitar a leitura do livro
dustrial capaz de suprir a demanda interna.”
ou, se preferir, exibir o filme homônimo dirigido por
(SODRÉ, Nelson Werneck. Formação histórica do
Brasil. 11. ed. São Paulo, Difel, 1982.)
Nélson Pereira dos Santos em 1984.

A deportação de Olga Benário


Sugestão de leitura
A militante comunista judia de origem alemã Olga
DE DECCA, Edgar. O silêncio dos vencidos. São Paulo, Benário Prestes, esposa do líder comunista Luís Carlos
Brasiliense, 1981. Prestes, foi presa pela polícia política de Getúlio Vargas,

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


comandada por Filinto Müller, em março de 1936, pou-
Comunistas versus integralistas p. 85 cos meses após o fracasso da Intentona Comunista.
O governo constitucional de Vargas (1934-1937) O texto a seguir narra a reação dos colegas de
caracterizou-se por um clima de tensão entre as prisão de Olga no dia em que ela foi deportada para
forças de esquerda, representadas pela Aliança Na- a Alemanha, no mês de setembro de 1936.
cional Libertadora (ANL), e as de direita, reunidas “Ninguém tinha a ilusão de que a resistência
em torno da Ação Integralista Brasileira (AIB). Em pudesse ter algum êxito, mas todos sabiam que a
1935, a ANL planejou tomar o poder com o apoio agitação daria à polícia a impressão de que eles
dos militares e a conflagração de greves gerais e estavam dispostos a tudo. Os presos atiravam para
manifestações populares. Esse levante golpista, cha- a ‘Praça Vermelha’ tudo o que havia dentro das
mado pelo governo de “Intentona Comunista”, foi celas, arrancavam as portas de ferro das dobradi-
violentamente reprimido, e seus líderes, presos. É ças enferrujadas e jogavam-nas do primeiro an-
interessante, nesse momento, retomar os temas tra- dar ao chão, num ruído ensurdecedor, enquanto
tados no capítulo anterior, para os alunos percebe- os outros batiam as canecas no chão, nas paredes,
rem a relação entre a polarização política que ocor- nas grades, gritando como malucos:
ria no Brasil e o contexto internacional de confron- — Não levam! Não levam! Não levam!
to ideológico entre os grupos de tendência fascista Um único preso não participava daquilo. En-
e as correntes de esquerda. Pode-se comparar, por colhido sobre a cama, acendendo um cigarro no
exemplo, com a Guerra Civil Espanhola e com os resto do anterior, Graciliano Ramos parecia que
enfrentamentos políticos que marcaram a história iria mesmo enlouquecer. Olhando fixo para o chão,
política alemã e italiana no período do entreguerras. com a cabeça presa entre as mãos, ele repetia,
paralisado, com a voz quase inaudível no meio
Sugestões de leitura daquele inferno:
MORAIS, Fernando. Olga. 13. ed. São Paulo, Com- — Não é verdade que queiram fazer isto...
panhia das Letras, 1993. Para a Alemanha de Hitler? Ela é judia... Ela está
RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. 32. ed. grávida... O Brasil não pode fazer isto com ela.
Rio de Janeiro, Record, 1996. No meio da noite a polícia deu mostras de
que não estava disposta a nenhuma forma de ne-
O Estado Novo: a ditadura gociação. Chefiadas por Filinto Müller, tropas da
varguista (1937-1945) p. 86
Polícia Especial armadas de metralhadoras, lança-
granadas de gás e até lança-chamas cercaram o
A partir de 1937, Vargas estabeleceu o Estado
conjunto carcerário da rua Frei Caneca. Um gru-
Novo, suspendendo a Constituição de 1934, abolin-
po de atiradores de elite isolou o pavilhão confla-
do os partidos políticos e inaugurando uma era de ➜

22 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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➜ ➜
grado, todos aguardando ordens para entrar. A varguista. O importante nessa simulação não é che-
tensão durou a noite inteira. Embora armados de gar a uma conclusão, mas estimular o exercício
tamancos, garrafas vazias e estiletes inofensivos, da argumentação e contra-argumentação através
comparados com o arsenal que os cercava, os de um discurso coerente e objetivo.
presos continuavam falando grosso:
— Para levar Maria Prestes daqui vocês terão Atividades p. 90
que matar trezentos brasileiros, cachorros fascistas!” A questão 8 merece um debate maior em sala
(MORAIS, Fernando. Olga. 7. ed. São Paulo, Alfa- de aula devido à capital importância dos meios de
Omega, 1986.) comunicação nos dias de hoje. Influenciados pelo
Olga Benário foi conduzida a um presídio fe- avanço do nazifascismo na Europa, inúmeros inte-
minino na Alemanha. Após o nascimento de sua lectuais de esquerda, muitos deles reunidos no que
filha Anita (uma homenagem à revolucionária se convencionou chamar Escola de Frankfurt, de-
farroupilha Anita Garibaldi), foi levada para um cam- bruçaram-se sobre o tema da capacidade dos meios
po de concentração, onde foi executada, em 1942. de comunicação ou mass media, como ficaram co-
nhecidos, de influenciar a opinião pública. Os inte-
O fim do Estado Novo p. 88 grantes da Escola de Frankfurt analisaram e desen-
É fundamental ressaltar a participação do Brasil volveram a teoria da indústria cultural.
na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos aliados, Segundo os teóricos frankfurtianos, entre os quais
se destacaram Walter Benjamin e Theodor Adorno, o
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como um fato político que impulsionou as mobiliza-


ções democráticas no país. Uma vez que o Brasil processo de massificação da cultura visava transformá-
lutava contra o fascismo e o nazismo na Europa, re- la em produto de consumo da grande população, uma
forçando o bloco democrático, não fazia mais senti- mercadoria como sabão em pó, roupas ou automó-
do manter um regime autoritário no país. Assim, em veis. Para atingir esse objetivo, as grandes empresas
1943, foi publicado o Manifesto dos Mineiros, consi- ligadas às atividades culturais rebaixavam e simplifica-
derado a primeira oposição formal contra o gover- vam o conteúdo dos filmes, livros e canções, por exem-
no Vargas. O documento expressava o descontenta- plo, para que ele pudesse ser compreendido e degus-
mento de grupos liberais de oposição ao governo tado pela população. Esse rebaixamento da qualidade
ditatorial, exigindo a volta do Estado de direito. cultural provocaria uma espécie de embriaguez cole-
tiva, deixando as pessoas incapazes de criticar as men-
sagens veiculadas pela mídia e de apreciar produções
Texto complementar p. 89
culturais de maior refinamento.
Poder e política
A leitura escolhida para este capítulo, uma entre- CAPÍTULO 7. A SEGUNDA GUERRA
vista feita com a neta de Getúlio Vargas, permite con- MUNDIAL
frontar as visões que se têm do político GetúlioVargas.
Além disso, as características que ele atribuiu a Getúlio Conteúdos e objetivos
— agente de um projeto político que “visava ao inte- A guerra de 1939-1945 deve ser analisada à luz
resse da nação, ao trabalhador, à sociedade” — uma das condições socioeconômicas e políticas surgidas
oportunidade de discutir a atuação dos políticos atuais ao final da Primeira Guerra Mundial. De um lado, um
como representantes da população que os elegeu. grande setor da Alemanha ressentido com a puni-
As questões buscam desenvolver a compreen- ção imposta pelo Tratado de Versalhes e sob a dire-
são leitora e analisar o termo maquiavélico, um jar- ção da política expansionista, revanchista e
gão que pode ser discutido sob distintos aspectos, e antidemocrática do nazismo de Hitler. De outro, as
que aqui seria interessante abordar sob a perspecti- grandes potências do mundo capitalista — Grã-
va da ética política. Bretanha, França, Estados Unidos, Alemanha, Japão
— disputando o mercado mundial; e, em um tercei-
Sugestão de atividade ro lado, o Estado socialista soviético, representando
Com base na entrevista com a neta de Getú- uma ameaça a todas essas potências.
lio Vargas e no estudo realizado em aula, reco- O desfecho dessa guerra abriu uma nova fase na
mendamos dividir a sala em duas turmas, defesa e história da humanidade. As disputas bélicas entre as
acusação, em uma simulação de julgamento da era grandes potências deixaram de ser viáveis, princi-
➜ palmente na Europa, pois evidenciaram que confli-

PARTE II — O VOLUME 3 23

HC-Manual prof. V. 3.1 23 7/14/05, 4:57 PM


tos daquele tipo produziam a aniquilação total. A Pode-se informar aos alunos que a antiga
Segunda Guerra fechou também a fase imperialista Stalingrado, onde se travou uma das batalhas mais
das conquistas territoriais, como a praticada na África importantes para a vitória aliada na Segunda Guerra
e Ásia desde o século XIX, substituindo-a pela do- Mundial, se chama atualmente Volgogrado.
minação indireta através do domínio comercial e fi-
nanceiro, do controle tecnológico e da influência A caminho de uma nova guerra p. 96
cultural. Por outro lado, essa guerra inaugurou um O professor deve ressaltar, entre os fatores que
novo paradigma militar: o poderio de um exército é conduziram a Europa à Segunda Guerra Mundial, a
proporcional ao grau de tecnologia incorporado às importância das condições que haviam sido impos-
armas de que dispõe. As forças armadas norte-ame- tas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes, assinado
ricanas e soviéticas tornaram-se, depois da guerra, depois da Primeira Guerra Mundial, e da crise eco-
os grandes impulsionadores da produção bélica de nômica causada pelo crash da Bolsa de Valores de
alta tecnologia em seus respectivos países. Nova York, em 1929.
Os objetivos com o estudo deste capítulo são
os seguintes: “Paz para a nossa época” p. 97
• Explicar os principais fatores que conduziram A “Política de Apaziguamento” da Liga das Na-
à Segunda Guerra Mundial. ções expressava uma posição de neutralidade britâ-
• Identificar os países do Eixo e os países aliados. nica e francesa diante do expansionismo nazifascista
• Reconhecer a entrada dos Estados Unidos e no entreguerras. Essa política foi reafirmada na Con-

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da União Soviética no conflito foi decisivo para a ferência de Munique (1938), quando os governos da
derrota da Alemanha. Grã-Bretanha e da França reconheceram o direito
• Analisar a obra Guernica, de Picasso, e relacioná- de Hitler anexar cerca de 20% do território tcheco.
la à Guerra Civil Espanhola, reconhecendo na obra É importante observar que essa política estimulou
um manifesto contra a guerra. o governo nazista a prosseguir com seus planos
• Caracterizar a política industrial do regime na- expansionistas, anexando a Áustria, o restante da
zista como um fator decisivo para o fortalecimento Tchecoslováquia e invadindo a Polônia.
de Hitler e de sua política expansionista.
• Reconhecer a importância da Batalha de A ofensiva do Eixo p. 99
Stalingrado e dos combates na Frente Oriental para Sobre o ataque japonês à base militar japonesa
a derrota dos países do Eixo. no Havaí, levando o governo norte-americano a de-
• Descrever as mudanças geopolíticas ocorridas clarar guerra ao Japão, há o filme Pearl Harbor (2001),
na Europa como decorrência do conflito. de Michael Bay. Nesse filme, três jovens americanos
• Explicar a importância dos encontros diplo- vivenciam um triângulo amoroso, tendo como pano
máticos ocorridos durante e no pós-guerra na con- de fundo os acontecimentos ao redor do bombar-
figuração de uma nova ordem mundial, marcada pela deio. Depois de Pearl Harbor, os Estados Unidos só
polarização ideológica, estabelecida depois de 1945. seriam atacados novamente em seu território em
• Desenvolver uma atitude de repúdio às guer- 11 de setembro de 2001, quando dois aviões seqües-
ras, à intolerância e de valorização da democracia. trados por membros do grupo terrorista Al Qaeda
se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade
Carta a Stalingrado p. 95 Center em Nova York. O professor pode estabele-
Os versos do poema de Carlos Drummond po- cer relações entre as reações dos Estados Unidos
dem ser trabalhados de forma interdisciplinar com nas duas ocasiões. O primeiro ataque levaria o país
a área de Língua Portuguesa. Chamar a atenção dos a decretar guerra contra o Japão e a lançar duas
alunos para a presença da personificação (“Stalin- bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e
grado, seus peitos que estalam e caem”), da metáfo- Nagasaki. No segundo caso, o que se seguiu foi uma
ra (“o hálito selvagem da liberdade dilata os seus “guerra contra o terror”, com o ataque norte-ame-
peitos”), da gradação (“contra o céu, a água, o metal, ricano ao Afeganistão e, posteriormente, ao Iraque.
a criatura combate, contra milhões de braços e en-
genhos mecânicos a criatura combate, contra o frio, a A ofensiva dos aliados p. 100
fome, a noite, contra a morte a criatura combate, e O ataque a Hiroshima e Nagasaki assinalou o
vence”) e outros recursos de linguagem utilizados pelo desfecho da Segunda Guerra Mundial. Para uma abor-
poeta para criar um efeito estético especial. dagem diferente do bombardeio, o professor pode

24 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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utilizar o filme Hiroshima, meu amor (1959), dirigido por que diz respeito ao compromisso de lutar pela paz
Alain Resnais com roteiro de Marguerite Duras. Nesse quanto ao esforço de proporcionar o progresso so-
filme, dois amantes se encontram na cidade de cial e melhores condições de vida para a humanidade.
Hiroshima, em 1957, doze anos, portanto, após o ata- As guerras da Coréia (1950-1953), do Vietnã, (1964-
que nuclear. Porém, a memória da cidade, acesa ao bri- 1975), do Golfo (1991), da Bósnia (1992-1995) e a
lho dos mil sóis da bomba atômica, assombra os per- recente guerra contra o Iraque (2003) demonstra-
sonagens e dá um caráter trágico à sua história de amor. ram o fracasso das Nações Unidas em garantir a paz
Outra possibilidade é o filme Rapsódia em agosto, de mundial. Por outro lado, a existência de 820 milhões
Akira Kurosawa (1991), um filme sobre o esquecimen- de pessoas no mundo em estado de desnutrição gra-
to do passado por parte das gerações mais jovens do ve e permanente (FAO, 2002) confirma que o pro-
Japão e o processo de aceitação dos costumes ociden- gresso social está longe de ser uma realidade.
tais, apesar da tragédia de Hiroshima e Nagasaki.
Sugestão de atividade
Texto complementar p. 102 Recomendamos solicitar uma pesquisa deta-
A libertação de Paris lhada que comprove ou não essas afirmações a
A leitura complementar proposta para este capítu- respeito da expansão da indústria bélica. Come-
lo permite discutir com os alunos o significado, na me- çando pela Segunda Guerra Mundial e tomando
mória dos franceses, do dia da retirada das tropas ale- como referência equipamentos como o avião a
mãs de Paris. O texto permite discutir ainda a importân- jato e o tanque anfíbio, é possível verificar a evo-
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cia dos depoimentos orais e da memória para os estu- lução e a variedade dos armamentos criados até
dos de história. Uma boa sugestão para abordar o tema hoje, bem como a elevação do seu valor unitário
é o filme Casablanca, de Michael Curtiz (1943). e a dimensão do seu comércio em todo o mundo.
Com os dados, pode-se criar um mapa-múndi gi-
Sugestão de leitura gante que identifique os principais fornecedores
MONTELLO, Josué. Antes que os pássaros acordem. e compradores dos equipamentos quanto dinhei-
2. ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1995. ro é movimentado e qual a situação política de
cada país que participa ou participou da produ-
Atividades p. 103
ção e do comércio dos armamentos.
As questões 2 e 6 possibilitam discutir um tema
de grande importância para os nossos dias, o da in- CAPÍTULO 8. A GUERRA FRIA
dústria bélica. A Segunda Guerra Mundial foi a guerra
Conteúdos e objetivos
da indústria, ou seja, não só exigiu capacidade física
de produção, mas, inclusive, a capacidade de especi- O mundo do pós-guerra, compreendendo o pe-
alizar as armas, os equipamentos e a munição. A po- ríodo que vai de 1945 a 1989, foi marcado pela pola-
larização ideológica que marcou o mundo pós-1945 rização política e ideológica. De um lado estavam os
fez da guerra uma atividade autônoma e lucrativa, Estados Unidos, as grandes potências européias, o
como qualquer outro ramo industrial. Japão, além de países aliados, defendendo a bandeira
A venda de armas cada dia mais sofisticadas, pro- do capitalismo, representada pelo paradigma da de-
duzidas por uma mão-de-obra que tende a ser tam- mocracia e da felicidade; do outro lado estavam a
bém cada vez mais especializada, faz da indústria União Soviética, os países do Leste Europeu e ou-
bélica um dos ramos econômicos mais poderosos tros países de menor peso, defendendo a bandeira
do mundo, principalmente nos Estados Unidos, onde do socialismo sob o paradigma da igualdade social e
o governo é o mais forte cliente. Mesmo que não do bem-estar de todos os seres humanos.
haja guerras, a ameaça é suficiente para elevar os Entre esses dois blocos, não tão homogêneos
gastos militares das grandes potências. Para se ter como a descrição faz parecer, estavam os demais
uma idéia, no ano de 2004 os gastos militares dos países do mundo, classificados como o bloco do Ter-
Estados Unidos atingiram 454 bilhões de dólares, mais ceiro Mundo. Na época, devido à forte polarização
que o dobro da dívida externa brasileira, que em ideológica, a solução para os problemas sociais e
2005 era de 200 bilhões de dólares. econômicos dos países do chamado Terceiro Mun-
A questão 8, por sua vez, permite debater as do necessariamente passava pelo alinhamento a um
dificuldades da ONU em transformar em realidade ou outro bloco principal. Isso ajuda a entender por
a carta de princípios aprovada em 1945, tanto no que os países desse terceiro bloco foram marcados

PARTE II — O VOLUME 3 25

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por lutas internas entre os defensores do projeto O confronto de ideologias p. 109
capitalista e os defensores do projeto socialista. É importante o trecho em destaque no boxe, em
Há duas interpretações sobre o significado des- que Eric Hobsbawm nos dá uma definição da Guerra
se período bipolar. Há aqueles, a maioria, que acre- Fria. A partir da leitura do texto, os educandos de-
ditam que de fato a Terra esteve a um passo da ani- vem elaborar a sua própria definição do termo, ano-
quilação, devido ao possível confronto entre os Es- tando-a em seu caderno de conceitos.
tados Unidos e a União Soviética, em uma guerra
atômica. Por duas vezes, pareceu que esse quadro A corrida nuclear p. 111
se concretizaria: na Guerra da Coréia e na crise dos
Depois da rendição da Alemanha, o país foi divi-
mísseis em Cuba, no início dos anos 1960. Porém,
dido entre os países vencedores da Segunda Guerra
de fato, nunca os exércitos das duas potências tro-
Mundial: França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e
caram um só tiro. União Soviética. Mas, na prática, o que houve foi uma
Outros, entretanto, afirmam que a polarização polarização, confirmada com a formação da Repú-
jamais esteve próxima de um confronto militar di- blica Democrática Alemã (RDA) e a República Fede-
reto, pois, apesar das rusgas, havia um grande acor- ral da Alemanha, em 1949. Apesar de Berlim estar
do entre os dois blocos para impedir uma guerra de situada na zona soviética, a antiga capital também foi
fato. Na prática, haveria uma espécie de divisão de dividida em quatro zonas de influência. Em 1961, a
áreas de influência entre os dois blocos, garantindo intensa migração de alemães para o lado ocidental
um equilíbrio de forças. levou o governo da RDA a construir o Muro de

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Esse quadro pode ser apresentado aos alunos Berlim, que se transformou no principal símbolo da
para enfatizar a grande diferença entre a época atual Guerra Fria e só foi derrubado em 1989.
e aquela da juventude dos pais ou avós dos alunos.
O mundo da época da Guerra Fria era sentido como Sugestão de atividade
tendo apenas dois lados, duas opções, duas verda- Uma maneira de abordar o significado da cons-
des absolutas. Era difícil ser algo diferente da oposi- trução e da queda do Muro de Berlim é exibir o
ção capitalista versus comunista, revolucionário versus filme Adeus, Lênin! (2003), de Wolfganger Becker,
alienado, reformista versus transformador. Discutir que, de forma bem-humorada, aborda a nostalgia
esse contraste pode ser um bom meio para fazer os de alguns alemães orientais em relação à vida que
alunos refletirem sobre os problemas que afetam os desapareceu junto com o muro.
jovens das novas gerações, como as drogas e a vio- Em seguida, o professor pode questionar os alu-
lência, resultado em grande parte da crise econômi- nos a respeito dos efeitos da unificação da Alemanha
ca e da falta de perspectiva ideológica. para os alemães orientais e para o resto do mundo.
Os objetivos estabelecidos para o estudo deste
capítulo são: A Revolução Chinesa p. 113
• Identificar as principais características do pe- A Revolução Chinesa foi um movimento conduzi-
ríodo conhecido como Guerra Fria. do por Mao Tse-tung para tirar a China do atraso eco-
• Explicar por que o Muro de Berlim pode ser nômico e fazer dela uma potência socialista, ao lado da
considerado o principal símbolo da Guerra Fria. União Soviética. Uma das realizações do regime socia-
• Identificar na leitura de texto a política de “caça às lista implantado na China foi a rápida industrialização
bruxas” nos Estados Unidos, conhecida como macar- do país e a quase erradicação do analfabetismo.
thismo, relacionando-a ao contexto da Guerra Fria. O governo de Mao Tse-tung também se caracte-
• Explicar os fatores que levaram à Guerra do rizou por um profundo autoritarismo. O filme Balzac
Vietnã. e a costureirinha chinesa (2004), de Dai Sijie, traz uma
• Reconhecer a Conferência de Bandung como história ambientada no período da ditadura de Mao
uma iniciativa dos países do chamado Terceiro Mun- Tse-tung, quando dois jovens da burguesia, um médi-
do para estabelecer uma política independente das co e o outro dentista, têm que passar por uma “ree-
duas grandes potências mundiais. ducação”, ou seja, enfrentar o trabalho braçal numa
• Estabelecer comparações entre a ordem mun- aldeia chinesa. Nessa aldeia, eles influenciam os cam-
dial nascida após 1945 e a situação vigente na socie- poneses com o seu conhecimento, inclusive uma
dade atual, identificando diferenças e semelhanças. costureirinha, que se encanta pelos livros de Balzac
• Construir uma linha do tempo que registre os trazidos pelos dois jovens. Os alunos podem refletir a
principais acontecimentos que marcaram os anos da respeito da mensagem do filme de que a arte e a
Guerra Fria e elaborar uma conclusão sobre o tema. cultura podem influenciar a vida de qualquer pessoa.

26 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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Texto complementar p. 122 Este capítulo traça o quadro conturbado em que
A nova corrida armamentista o país se dividiu entre o fim da Segunda Guerra
Mundial e o golpe militar de 1964, período de gran-
O artigo evidencia algumas continuidades e rup-
de industrialização e urbanização do Brasil, condu-
turas do presente em relação ao período da Guerra
zidas por governantes que atuaram nos moldes do
Fria. Nota-se como a indústria bélica teve um papel
populismo. O surgimento do populismo na América
importante na condução da economia norte-ameri-
Latina deve ser compreendido no contexto da Guer-
cana naquele período e como, diante de uma nova
ra Fria, momento em que os governos, para conter
crise econômica, tenta-se ressuscitar o mesmo mé-
a “ameaça comunista”, precisaram se aproximar das
todo, por meio da criação de um poderoso sistema
camadas populares urbanas, por meio da
de defesa, que tornaria os Estados Unidos inatacáveis.
implementação de uma política social de amparo aos
Pode-se verificar que os Estados Unidos conside-
ram o exterior como a principal fonte de ameaça ao trabalhadores.
país, como ocorreu durante a Guerra Fria. Os objetivos que esperamos atingir com o estu-
Ao contrário do período precedente, a ênfase mili- do deste capítulo são os seguintes:
tar desse novo projeto não está na construção de mais • Caracterizar a política populista.
armas destrutivas, mas na construção de defesas • Identificar as principais características do populismo
intransponíveis. Manteve-se, entretanto, o investimento de Vargas expressas na sua carta-testamento.
em alta tecnologia. Esse tipo de comparação pode gerar • Apontar os principais objetivos e resultados
um amplo debate em sala de aula, que discuta a enorme do Plano de Metas do governo de Juscelino
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

contradição criada pela sociedade humana, que admite Kubitschek.


tanto investimento em armas enquanto cerca de 1 bi- • Caracterizar a situação econômica do Brasil
lhão de pessoas vivem em situação de extrema miséria. no período de 1950 a 1964, identificando a influên-
cia da Guerra Fria no Brasil desse período.
Atividades p. 123
• Avaliar se o populismo é um fenômeno políti-
co ainda presente nos dias de hoje.
As atividades permitem que os alunos compre-
• Identificar as mudanças econômicas, políticas e
endam as principais características e acontecimentos
demográficas ocorridas no Brasil com a construção
do período conhecido como Guerra Fria. Assim, eles
de Brasília.
vão poder avaliar a importância da corrida espacial
para os dois países centrais do período (questão 1) e
Populismo e inclusão social p. 128
a importância simbólica do Muro de Berlim para o
mundo bipolar (questão 3), reconhecer os efeitos da É muito importante a distinção entre políticos
Guerra Fria na política macarthista, nos conflitos mi- populistas e políticos conservadores. Os populistas
litares mais importantes do período e no processo têm um projeto de inclusão social, ainda que ele seja
de descolonização da África e discutir a situação ineficaz ou paternalista. Já os conservadores agem
atual dos países africanos, em grande parte resultado principalmente em benefício da classe dirigente. O
da política colonial (questões 4, 5 e 8). A atividade 7 é professor pode solicitar que os educandos, a partir
interessante porque permite sistematizar o conheci- desse esclarecimento, procurem identificar na atua-
mento e aprofundar noções de temporalidade. lidade políticos que se apresentam publicamente com
um discurso populista, mas cuja atuação não traz
benefícios para as camadas populares.
CAPÍTULO 9. GOVERNOS POPULISTAS NO
BRASIL O governo de Getúlio Vargas p. 131
Conteúdos e objetivos Para tratar do último período do governo Vargas,
O conceito de populismo, bastante controver- o professor pode solicitar a leitura do livro Agosto (1990),
so, foi desenvolvido para designar a relação política de Rubem Fonseca. Nesse romance, o renomado es-
estabelecida entre os governos autoritários surgi- critor narra as aventuras de um delegado de polícia
dos na América Latina no século XX e as massas para desvendar o assassinato de um empresário no
trabalhadoras urbanas, por meio de políticas sociais mesmo mês do suicídio do presidente Vargas: agosto
que atendiam a algumas das reivindicações históri- de 1954. Pode ser solicitada uma pesquisa em que os
cas desses setores da população. Dessa forma, esses educandos tenham que verificar que fatos e persona-
governos obtinham uma base política de sustenta- gens condizem com os registros documentais do pe-
ção e até uma certa legitimidade. ríodo e quais foram criados pelo autor.

PARTE II — O VOLUME 3 27

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Sugestão de leitura contribuiu para a formação de outras Ligas Campone-
sas, em Pernambuco e em outros estados. Em 1961,
FONSECA, Rubem. Agosto. São Paulo, Companhia
elas já existiam em 13 estados do Brasil. A desagrega-
das Letras, 1990.
ção das Ligas Camponesas com a repressão que se
seguiu ao golpe militar de 1964 não significou o desa-
Juscelino Kubitscheck (1956-1961):
parecimento das reivindicações básicas do movimen-
um presidente bossa-nova p. 134
to, que foram incorporadas pelos sindicatos rurais nos
É importante esclarecer os alunos a respeito do anos seguintes e pelo Movimento dos Trabalhadores
movimento musical conhecido como bossa-nova. O Rurais Sem Terra (MST), a partir dos anos de 1980.
texto no boxe a seguir pode ajudar nessa tarefa.
Após a leitura desse texto, os alunos podem tam- As reformas de base e o golpe militar p. 139
bém se organizar em grupos e pesquisar um artista, Com o golpe de 31 de março de 1964, chegava ao
disco ou canção da bossa-nova, apresentando-os para fim um período da história brasileira chamado de de-
a classe e explicando o porquê da escolha. mocracia populista. O presidente João Goulart seria,
assim, o último dos populistas brasileiros. Para finalizar
A bossa-nova o trabalho com o conceito de populismo, pode-se su-
“Criada na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, gerir aos alunos a construção de uma ficha em que
por jovens músicos de classe média, a bossa-nova eles vão anotar as principais características da política
nada mais era do que uma nova maneira de tratar o populista, o nome dos governantes brasileiros que fo-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


samba. Mas que maneira: a nova batida, presente no ram denominados populistas e quais foram as ações
violão de João Gilberto, no piano de João Donato e desenvolvidas por eles que os definem como populistas.
de Tom Jobim e na flexão vocal de Johnny Alf,
consubstanciava a fusão entre técnicas típicas da Texto complementar p. 140

música do Brasil [...] com influências do jazz [...], Brasília


propondo a integração entre melodia e ritmo, valo- O texto relata um importante acontecimento
rizada pelas letras depuradas e intrigantes.” da história do país, a construção de Brasília. A leitu-
(BUENO, Eduardo. Brasil: uma história. ra e a realização das questões de compreensão po-
São Paulo, Ática, 2002.) dem ser acompanhadas do trabalho com estes ver-
sos da literatura de cordel, que tratam do governo
Sugestão de leitura JK e da construção de Brasília.
CASTRO, Ruy. Chega de saudade. São Paulo, Com-
panhia das Letras, 1990. A beleza de Brasília e a
miséria do Nordeste
Os resultados da política “Juscelino Kubitschek
desenvolvimentista p. 136
O seu sonho realizou
Edificando Brasília
A formação das Ligas Camponesas, em 1955, re- Como ele assim pensou
presentou um marco na história da organização dos Dando vida ao sul e leste,
trabalhadores rurais no Brasil. O movimento que se Porém sofreu o Nordeste
tornou nacionalmente conhecido como Liga Campo- Que na miséria ficou.
nesa nasceu no engenho Galiléia, na zona da mata de [...]
Pernambuco, congregando 140 famílias de trabalha- Edifícios gigantescos
dores rurais, com a fundação da Sociedade Agrícola e Obras arquiteturais
Pecuária de Plantadores de Pernambuco (SAPPP). O Não solucionou a crise
objetivo do movimento era a obtenção de recursos Que aumenta mais a mais
para garantir assistência médica e educacional e a com- Assim a crise perdura
pra de adubos para melhorar a produção. Só porque em agricultura
O movimento repercutiu no meio político e obte- O governo nada faz.
ve o apoio do advogado socialista Francisco Julião, que [...]
assumiu a causa dos camponeses. Sob a direção de Fran- Enquanto o Norte e o Nordeste
Sofrerem inanição
cisco Julião, o movimento conseguiu a desapropriação
Não louvarei nenhum feito
do engenho Galiléia, conquista que se transformou num
De cabal ostentação
símbolo da luta pela reforma agrária no país. A vitória ➜

28 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 28 7/14/05, 4:57 PM


➜ tal estrangeiro, a dependência das economias nacio-
E desta forma critico
Brasília é boa pra rico, nais ao mercado internacional, o déficit na balança de
comércio — decorrente das importações de produ-
Mas para o pobre: isto não!”
tos industrializados e de tecnologia —, o crescimen-
(CAVALCANTE, Rodolfo Coelho. A beleza de
Brasília e a miséria do Nordeste, 1960.)
to da dívida externa e pública são problemas que
persistem e ocupam um lugar de destaque na agen-
da dos governos atuais.
Atividades p. 141
Em meados do século passado, para grande par-
No último parágrafo do texto da questão 6, o te da população latino-americana, a solução desses
autor Emerson Cervi esclarece que os populistas, graves problemas passava pela conquista da sobera-
no início do século XX, eram necessários, e se al- nia nacional e pela revolução socialista.As ações polí-
guém fosse assim chamado era sinal de prestígio, por- ticas na América Latina do período seguiam a lógica
que, não havendo canais de interlocução convencio- do mundo bipolar, o que impedia uma convivência
nais, o povo buscava alternativas para ver atendidas pacífica entre o projeto capitalista e o socialista. O
suas demandas. Esse ponto é importante porque resultado foi a eclosão de importantes movimentos
permite discutir o papel do Estado, do cidadão, do revolucionários em Cuba e na Nicarágua, que servi-
político e das instituições políticas. ram de modelo para partidos e mobilizações de es-
Sobre esse tema, há no Brasil duas tendências querda em outros países latino-americanos.
principais em choque hoje em dia. A que se popula- Neste capítulo, vamos estudar três experiências
rizou, graças a um grande esforço dos próprios po- políticas inspiradas nos ideais de soberania nacional e
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

líticos, de que o Estado tudo deve prover ao cida- igualdade social — Cuba, Chile e Nicarágua —, os
dão; assim, toda insatisfação e reivindicação deve ser mesmos ideais que alimentaram outros movimentos
dirigida ao governo. Conjuntamente a essa idéia fir- revolucionários pelo planeta nos anos da Guerra Fria.
mou-se, nos processos eleitorais, a figura do salva- Os principais objetivos traçados para o estudo
dor da pátria e político competente, aquele capaz deste capítulo são os seguintes:
de resolver os problemas do povo. • Compreender os movimentos revolucionários
A outra tendência, oposta, é a de transferir qua- em Cuba e na Nicarágua e a experiência de socialismo
se todos os serviços e necessidades atendidas pelo democrático no Chile no contexto da Guerra Fria.
Estado para a iniciativa privada, segundo o modelo • Explicar por que os governos de Fulgêncio
vigente nos Estados Unidos. Batista, em Cuba, e da família Somoza, na Nicarágua,
Cabe perguntar, diante desse debate, se é corre- foram caracterizados como “fantoches” dos Esta-
to que empresas ou grupos acumulem lucros eleva- dos Unidos.
dos ao assumir uma função antes garantida pelo Es- • Caracterizar o regime implantado em Cuba,
tado. Em que medida, em países pobres, é legítimo no plano econômico, político e social.
cobrar por serviços que muitos não podem pagar? • Caracterizar as medidas tomadas pelo gover-
Segundo a Declaração Universal dos Direitos do no de Salvador Allende no Chile e explicar o pro-
Homem, aprovada em 1948 e ratificada pelo Brasil, cesso que levou o país ao golpe de 1973.
não é direito de todo ser humano ter um padrão de • Analisar mural homenageando Augusto Sandino,
vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde e relacionando-o à revolução sandinista.
bem-estar, cuidados médicos, alimentação e instru- • Analisar o processo que levou à mitificação do
ção? Esse é um debate muito interessante, principal- líder revolucionário Ernesto Che Guevara.
mente porque contribui para combater o individua- • Posicionar-se a respeito dos debates ocorridos no
lismo e a indiferença que caracterizam os nossos dias. Chile no final dos anos de 1990 decorrentes da prisão
de Pinochet na Grã-Bretanha, acusado de ordenar o as-
CAPÍTULO 10
10.. EXPERIÊNCIAS DE ESQUERDA sassinato de cidadãos espanhóis durante a ditadura.
NA AMÉRICA LATINA

Conteúdos e objetivos Texto de abertura p. 144


Este é um capítulo importante para explorar as O argentino Ernesto Che Guevara foi uma das
contradições que marcaram a história da América figuras históricas mais emblemáticas da América La-
Latina no século XX e que perduram até hoje. Aqui tina. Após participar do movimento que derrubou o
vamos analisar como essas contradições se manifes- governo de Fulgêncio Batista em Cuba e assumir o
taram naquele período e como seus habitantes ten- Ministério da Indústria do governo de Fidel Castro,
taram resolvê-las. A miséria da maior parte da popu- Che Guevara saiu do país e foi lutar pela expansão
lação, a concentração de terras, a exploração do capi- da revolução socialista no restante da América Lati-

PARTE II — O VOLUME 3 29

HC-Manual prof. V. 3.1 29 7/14/05, 4:57 PM


na. Em outubro de 1967, ele foi capturado e morto as grandes fortunas, além de propor a criação de or-
por militares na selva Valle Grande, na Bolívia. ganismos de duplo poder em todo o país.
Para que os educandos se familiarizem com a vida O presidente Allende não soube controlar as
desse importante personagem latino-americano, o pro- duas pressões e perdeu a popularidade que tinha
fessor pode exibir o filme Diários de motocicleta (2004), quando fora eleito. Assim, três anos após a vitória
de Walter Sales, que reconstrói um momento da juven- eleitoral, Allende, desgastado e isolado politicamen-
tude de Che, quando ele viajou pela América Latina numa te, foi deposto pelos militares e executado na sede
motocicleta em companhia de seu amigo Alberto do governo, em 11 de setembro de 1973.
Granado. Os alunos podem tentar reconhecer no jo- O filme Missing, o desaparecido (1982) faz uma re-
vem Che reconstruído pelo diretor as bases dos princí- construção bem documentada do momento do golpe
pios revolucionários que norteariam a sua vida adulta. e de suas conseqüências, podendo ajudar os alunos a
refletir sobre essa importante fase da história latino-
A Revolução Cubana p. 144 americana e sobre os rumos que tomamos. Outra su-
gestão de filme é o recente Machuca (2004), que abor-
Em janeiro de 1959, um grupo de guerrilheiros
da o golpe de 1973 a partir da amizade que une dois
liderados por Fidel Castro tomou o poder em Cuba.
garotos num período conturbado da história chilena.
Castro assumiu o comando do governo, prometen-
do a realização de eleições assim que a situação se Sugestão de atividade
normalizasse. Porém, até 2005 Castro ainda perma-
necia no poder. O professor pode aproveitar a opor- Recomendamos ao professor assistir aos dois
tunidade para discorrer sobre a especificidade de filmes e exibi-los depois aos alunos, selecionando,

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Cuba no contexto mundial e latino-americano e se achar necessário, os trechos que considerar
sobre as relações atuais entre esse país e o Brasil. mais adequados para o trabalho. Depois da exibição,
Outra discussão que pode ser feita é a manu- pode-se organizar os alunos em grupos para fazer
tenção do embargo econômico dos Estados Unidos um roteiro de análise dos dois filmes, procurando
a Cuba, privando a população de recursos como estabelecer uma comparação ente eles. Ao final,
remédios, artigos de consumo e bens de produção, pode-se promover um debate em que os grupos
medida condenada pela União Européia, pelo Cana- vão expor o quadro comparativo dos dois filmes.
dá e por países da América Latina. As dificuldades
impostas pelo embargo econômico, aliadas ao cará- Atividades p. 150
ter repressivo do regime, explicam o grande núme- A notícia reproduzida na atividade 9 permite um
ro de refugiados cubanos nos Estados Unidos. aprofundamento maior.
A idéia de que é necessário fiscalizar a demo-
Chile p. 147 cracia, como forma de prevenir a ocorrência de gran-
O golpe de setembro de 1973 foi um dos mais des crises institucionais, não pode ser discutida de
dramáticos da história sul-americana. O Chile era o forma descolada dos princípios de soberania nacio-
único país que ainda mantinha um regime democrá- nal e de autodeterminação dos povos. Pode-se indagar
tico na época, junto com a Venezuela. Além de estar também se os norte-americanos admitiriam uma in-
cercada por ditaduras militares de todo tipo, era a tervenção externa no país caso houvesse uma ameaça
única nação sul-americana que vivia uma experiên- à sua democracia. Outro aspecto é avaliar o que de
cia de socialismo moderado, sob o comando do in- fato está por trás do discurso que justifica interven-
telectual presidente Salvador Allende. ções em defesa da democracia e da liberdade.
O mundo acompanhava atentamente essa ex- O recente ataque ao Iraque, realizado pelos Es-
periência, que poderia mudar radicalmente a histó- tados Unidos e países aliados em 2003, teve como
ria da América Latina ao estabelecer um governo de
justificativa pública a necessidade de destruir supos-
bases populares orientado por uma política de inde-
tas armas químicas produzidas pelo governo de
pendência em relação ao capital estrangeiro. Allende,
Saddam Hussein e que seriam usadas para equipar
entretanto, tornou-se alvo da direita e da esquerda
grupos terroristas islâmicos. A guerra foi declarada
radical, que atacaram sua política econômica e social.
A direita, com o apoio articulado dos Estados Uni- sem o aval da ONU e resultou na deposição do go-
dos, que criticavam as nacionalizações e os elevados verno iraquiano e na ocupação do Iraque pelas for-
gastos públicos com políticas sociais, planejava um ças norte-americanas. A economia do país foi esfa-
golpe militar contra Allende. A esquerda radical exi- celada, em decorrência da guerra e da luta de resis-
gia que Allende fosse além nas reformas, exproprian- tência que se iniciou, mas as armas bacteriológicas
do os latifundiários e aumentando os impostos sobre que justificaram a guerra nunca foram encontradas.

30 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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LEITURAS COMPLEMENTARES

1. A BANALIDADE DO MAL

As principais questões colocadas pelos trágicos acontecimentos da


Segunda Guerra Mundial diziam respeito à alienação e à inconsciência,
características sociais e culturais que levaram aos crimes praticados
nos campos de concentração.
“Os mais altos responsáveis pelo extermínio seriam “monstros” como “Os mais altos
mostram os filmes de horror? A resposta — por ser negativa — é pavorosa: responsáveis pelo
eles eram funcionários disciplinados, empenhados antes de mais nada na or-
dem e na produtividade. Mas tratava-se de uma produtividade especial: aniqui-
extermínio [...] eram
lar o máximo de pessoas num mínimo de tempo, da maneira mais discreta funcionários
possível, o que supunha uma organização meticulosa. Sobre esse aspecto, men- disciplinados,
cionaremos apenas dois documentos. Nas semanas anteriores à sua execução, empenhados antes
Rudolf Hess, comandante do campo de Auschwitz, escreveu suas memórias. de mais nada na
Vamos lhe dar a palavra.“Minha vocação parecia traçada de antemão, pois meu
ordem e na
pai tinha feito a promessa de que eu ingressaria na religião. [...] Lembro-me de
como meu pai pregava diante de seus amigos a total submissão à autoridade produtividade.”
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

[...]. Com as naturezas sensíveis, às vezes se obtêm milagres com um sorriso,


um aceno de cabeça, uma palavra amável [...]. Em meu foro íntimo, eu me
sentia extremamente solidário com os internos, tendo eu mesmo vivido por
muito tempo a penosa existência de um prisioneiro. [...] Eicke dizia: ‘Um SS
tem de ser capaz de matar os próprios pais, se eles se rebelarem contra o
Estado ou contra as concepções de Adolf Hitler’. [...] Minha mulher muitas
vezes me achava insuportável. Eu só pensava em meu trabalho [...]. Depois de
minha prisão, fizeram-me notar que eu poderia ter me recusado a executar as
ordens, ou mesmo, se necessário fosse, liqüidado Himmler. Não creio que uma
tal idéia pudesse aflorar no espírito de um único oficial dentre os milhares de
SS [...]. Em sua qualidade de Reichsführer, Himmler era intocável. [...]
Nesse ambiente incomum, as crianças menores geralmente começavam a “Eu era uma
choramingar. Mas, depois de serem consoladas pela mãe ou pelos homens do
comando, elas iam para as câmeras de gás brincando ou implicando uma com
engrenagem
a outra, com um brinquedo nos braços [...]. A partir do momento em que se inconsciente na
procedeu o extermínio em massa, não me senti feliz em Auschwitz. Eu estava imensa máquina de
descontente comigo mesmo. Estafado de trabalho, não podia confiar em meus extermínio do III
subordinados, e não era compreendido e sequer ouvido por meus chefes Reich.”
hierárquicos. Eu me encontrava realmente numa situação pouco invejável, ao
passo que todo mundo dizia que ‘o comandante tem uma vida das mais agra-
dáveis’ [...]. Nunca fui cruel e nunca me deixei arrastar a sevícias. [...] Eu era
uma engrenagem inconsciente da imensa máquina de extermínio do III Reich.
A máquina se quebrou, o motor desapareceu, e devo fazer o mesmo. O mun-
do assim o exige”.
Em Eichmann em Jerusalém, Hannah Arendt afirma que é a ‘normalidade de
Eichmann’ que lhe parece constituir um fato absolutamente novo. Nem per-
verso nem sádico, ele se julga fiel aos princípios morais de Kant. Carreirista,
sem dúvida, mas ‘certamente não assassinaria seu superior para tomar seu
lugar [...]. Ele jamais se deu conta do que fazia [...]. Nisso consiste a banalidade
do mal’, mais medonha que o sadismo [...].”
(VINCENT, Gerard. Guerras ditas, guerras silenciadas e o enigma identitário. In:
PROST, A.; VINCENT, G. História da vida privada: da Primeira Guerra aos nossos
dias. São Paulo, Companhia das Letras, 1992. v.5.)

PARTE II — O VOLUME 3 31

HC-Manual prof. V. 3.1 31 7/14/05, 4:57 PM


UNIDADE II • Caracterizar os atos institucionais publicados
pelo regime militar, em particular o AI-5.
O SONHO NÃO ACABOU
• Explicar a importância do movimento das Di-
CAPÍTULO 11. O REGIME AUTORITÁRIO NO retas Já na campanha nacional pelo fim da ditadura.
BRASIL • Identificar os principais aspectos do crescimen-
to econômico do período militar.
Conteúdos e objetivos • Analisar as diferentes expressões estéticas pro-
A ditadura militar no Brasil foi fruto de inúme- duzidas durante a ditadura.
ras tendências e conflitos, e, de forma alguma, o gru- • Valorizar os ideais democráticos, repudiando
po militar golpista era homogêneo. O Brasil na épo- todos os instrumentos de tortura e autoritarismo.
ca vivia as contradições da Guerra Fria. O setor
popular do país, estimulado pelos partidos de es- Cone Sul do Terror p. 155
querda e alguns sindicatos e, principalmente, pelas O texto de abertura chama a atenção para a
próprias necessidades, tentava obter algumas refor- interligação entre as ditaduras que vigoraram na
mas sociais organizando várias manifestações. A eli- América Latina a partir da década de 1960. Essa ar-
te, por sua vez, entendia essas manifestações como ticulação estabelecida pela Operação Condor reve-
uma grave ameaça à ordem estabelecida e uma ten- la a existência de objetivos comuns no que se refere
tativa de desestabilizar o capitalismo. Essa foi a con- à ideologia e aos métodos políticos adotados nes-
juntura que uniu inúmeros setores políticos, empre- ses regimes, guardadas as devidas proporções. O

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


sariais e as camadas médias em torno dos militares. professor pode destacar que só recentemente a
Porém, concretizado o golpe, os militares se vi- existência dessa operação foi comprovada (por meio
ram diante de vários dilemas. Convocar eleições (pla- de documentos históricos).
no declarado originalmente) e voltar à caserna ou Pode ser interessante ainda discutir a noção de
ficar e impor as reformas pretendidas? O desenvol- documento como prova legal, justificando a impor-
vimento econômico será de caráter nacionalista ou tância de sua preservação e divulgação. Se possível,
vinculado ao capital estrangeiro? Realizar reformas aproveite para informar que os documentos perten-
sociais e educacionais ou priorizar o desenvolvimen- centes ao Deops (Departamento de Ordem Políti-
to industrial e tecnológico? ca e Social), ligado à Secretaria de Segurança Pública
Essas foram algumas das questões debatidas na estadual, um importante órgão da repressão políti-
cúpula do Exército e de seus aliados civis. Estes pas- ca, encontram-se franqueados à consulta e à pesqui-
saram a exigir o retorno dos militares aos quartéis sa pública, em alguns casos, para qualquer cidadão.
e a realização de eleições, já que eles haviam apoia-
do o golpe para que seus adversários fossem elimi- Contestação, rebeldia e repressão p. 156
nados e eles pudessem assumir o comando político
do país. Os militares não aceitaram a pressão, e as- Para abordar as diferentes interpretações quanto
sim muitos dos antigos apoiadores tornaram-se ini- ao significado do golpe de 1964, aproveite os dois tre-
migos e foram também cassados. Essas foram algu- chos de depoimentos selecionados, solicitando a leitura
mas das contradições vividas nos primeiros anos do e a compreensão por parte dos alunos. Ao final do estu-
regime militar e que explicam por que a ditadura só do deste capítulo, cada aluno pode construir sua visão
se consolidou quatro anos depois do golpe. do acontecimento e registrá-la num pequeno texto.
É esse período da nossa história recente, mar-
cado por intensa repressão, arrocho salarial, desen- Construindo a ditadura p. 157

volvimento da indústria de base e da infra-estrutura O importante nessa seção é entender como se


urbana e crescimento da dívida externa, que será deu a construção da ditadura militar no Brasil. Perce-
estudado neste capítulo. ber como o Brasil estava integrado ao que acontecia
Os objetivos traçados para este estudo são: no mundo; a radicalização da direita e da esquerda, a
• Explicar o processo que resultou no golpe mi- revolução das idéias, dos costumes, das artes etc.
litar de 1964. Deve-se esforçar para perceber as contradições
• Caracterizar, no plano político, econômico e e as opções feitas no calor dos acontecimentos pe-
social, o regime implantado no Brasil em 1964. los militares, políticos, partidos, Congresso etc.
• Entender o golpe militar de 1964 no contexto Márcio Moreira Alves agiu certo ao atacar os milita-
da Guerra Fria e da implantação de regimes milita- res nos seus discursos? Deveria o Congresso Nacional
res em vários países da América Latina. ter permitido a punição do deputado, evitando assim a

32 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 32 7/14/05, 4:57 PM


decretação do AI-5? Essas perguntas podem servir de vel discuta a especificidade do modelo de anistia
guia para a aula e para ajudar os alunos a refletir sobre brasileiro em relação ao de outros países da Améri-
o peso das decisões em momentos de tensão. ca Latina, como a Argentina. Lá, os militares acusa-
A análise dos Atos Institucionais, instrumentos dos de abusos contra os direitos civis e o uso de
utilizados durante a ditadura como estratégia de tortura foram julgados, condenados e muitos foram
governo para impor normas e regras à sociedade, detidos, só sendo anistiados por decisão do presi-
ajuda a entender como os militares reagiam à resis- dente Raúl Alfonsín e seu sucessor Carlos Menem,
tência popular. Discuta cada item apontado, em es- no início da década de 1990. Em 2005, no entanto, a
pecial os itens e e f do AI-1 (página 157), que serão Justiça argentina revogou a anistia, abrindo a possi-
incorporados a outros Atos Institucionais. Para veri- bilidade de levar os militares a um novo julgamento.
ficar o recrudescimento desse regime de exceção,
peça a eles que comparem o AI-1 com o AI-5, este Sugestão de atividade
último o mais radical do período.
A canção O bêbado e a equilibrista, de João Bosco
e Aldir Blanc, composta em 1979 e consagrada na
Boxe — 1968, o ano que abalou o mundo p. 159
voz de Elis Regina, tornou-se um ícone da campa-
A seção destaca uma série de acontecimentos nha pela anistia no Brasil. A letra faz uma homena-
no Brasil e no mundo que indicam o grau de gem a importantes figuras da política brasileira exi-
radicalização social e política em 1968. O professor ladas pela ditadura, como Henfil e Betinho, e, ao
pode selecionar um ou mais eventos que conside- mesmo tempo, aponta uma esperança para o país.
rar mais significativos e aprofundar essa exposição.
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O professor pode providenciar o CD dessa músi-


Há também a possibilidade de solicitar que os alu- ca e tocá-la em sala de aula. É interessante repro-
nos pesquisem esse contexto e a partir daí produ- duzir a letra da canção, para que os alunos anali-
zam uma reflexão por escrito. sem seus elementos políticos e estéticos.

A máquina da repressão e da tortura p. 162


O verão da abertura p. 167
É importante que o professor chame a atenção É importante chamar a atenção dos educandos
para a prática da tortura no regime militar e as es- para a luta pela preservação da memória daqueles
tratégias de resistência dos movimentos que se opu- que combateram o regime militar e que morreram
nham ao regime.Verificar o uso da propaganda e da ou desapareceram. A luta também se refere à con-
mídia em geral como veículo privilegiado para re- quista de indenizações pagas pelo Estado àqueles
passar e consolidar a ideologia dos quartéis para toda cidadãos ou familiares que reconhecidamente foram
a sociedade. O professor pode estabelecer relações
prejudicados nesse período. O estado de São Paulo,
com a propaganda do regime nazista na Alemanha,
com base na lei 10.726/2001, resolveu conceder in-
conduzida pelo Ministério da Educação do Povo e
denizações aos ex-presos políticos do regime mili-
da Propaganda, sob a direção de Joseph Goebbles.
tar.Vale ressaltar que, no caso dos desaparecidos, há
O professor pode aproveitar a emergência de dois
um agravante, que é o fato de ele não poder ser
acontecimentos recentes que se relacionam à tortu-
considerado legalmente morto (a não ser que se
ra. O primeiro acontecimento diz respeito à Guerra
encontre e se identifique a sua ossada), o que im-
do Iraque e à divulgação das práticas de tortura pelos
possibilita que a família receba benefícios legais, como
norte-americanos contra os prisioneiros de guerra.
O segundo refere-se ao depoimento de militares que heranças, seguros, patrimônio etc.
combateram na guerrilha do Araguaia nos anos de
o
1970, publicado no jornal Folha de S. Paulo (1 /5/2005), Sugestões de leitura
confessando e descrevendo explicitamente as práti- DINGES, John. Os anos do Condor: uma década de
cas de tortura desse período. A intenção dessa dis- terrorismo internacional no Cone Sul. São Pau-
cussão é sensibilizar os educandos para as implica- lo, Companhia das Letras, 2005.
ções da permanência desse tipo de prática nos regi- ARQUIDIOCESE de São Paulo. Brasil, nunca mais.
mes ditos democráticos dos dias de hoje. 18. ed. Petrópolis,Vozes, 1986.

Na era do “Brasil grande” p. 164 Seguindo a canção... p. 169


Neste item é importante destacar o Movimen- No que se refere às manifestações culturais da
to pela Anistia, que se desencadeou no país, e suas década de 1960 e 1970, aproveitando as informa-
implicações em relação ao regime vigente. Se possí- ções do livro do aluno, o professor pode programar

PARTE II — O VOLUME 3 33

HC-Manual prof. V. 3.1 33 7/14/05, 4:57 PM


uma pesquisa sobre os principais movimentos musi- Como analisa o historiador Eric Hobsbawm, a
cais (a Jovem Guarda, a música de protesto, o samba queda do Muro de Berlim, em 1989, e o fim da União
do morro e o tropicalismo), trabalhando com letras Soviética, em 1991, encerraram uma era na história
de música, imagens, programas de TV, filmes, entre da humanidade, nascida da Revolução Russa de 1917
outras fontes que registraram essa época. Peça para e marcada por guerras catastróficas, polarização ide-
os alunos investigarem a ligação entre a arte e a ológica e revoluções movidas por sonhos de liber-
política e também a herança cultural desses movi- dade e justiça social. No entanto, as mesmas condi-
mentos em relação ao período atual. ções sociais que impulsionaram as lutas revolucio-
nárias no século passado continuam a constranger a
Texto complementar p. 170 nossa civilização.
Pequenos luxos, grandes horrores Com o estudo deste capítulo, os objetivos prin-
cipais são os seguintes:
O texto é um exemplo das várias contradições
• Explicar os fatores que levaram ao fim da União
vivenciadas sob a ditadura militar. O enfoque do tre-
cho escolhido concentra-se na crise existencial ex- Soviética e o seu significado para o mundo.
perimentada pela classe média, dividida entre a cons- • Identificar o Muro de Berlim como o principal
ciência humanista e a venal, a crítica e a acomoda- símbolo da Guerra Fria.
ção. O professor pode, então, usando as atividades • Diferenciar o mundo da Guerra Fria daquele
de compreensão de texto, fazer um quadro das con- que nasceu com o fim do Muro e da União Soviética.
tradições da sociedade brasileira durante a ditadura • Construir uma linha do tempo organizando

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militar e organizar um debate sobre os sentimentos cronologicamente os acontecimentos que marcaram
e as atitudes das pessoas diante das contingências o fim do socialismo no Leste Europeu.
da vida, por um lado, e seus princípios, por outro. • Refletir sobre a realidade atual, caracterizada
pelo fim da bipolaridade e pela crise dos ideais soci-
Atividades p. 171
alistas.
As atividades, tomadas em conjunto, têm duas pre-
O fim da União Soviética p. 176
ocupações básicas: fazer o aluno rever as principais
caraterísticas da ditadura militar no Brasil — o Para discutir o processo de mudanças pelas quais
autoritarismo, a supressão das liberdades políticas, o passou a antiga União Soviética a partir do governo de
crescimento econômico, o uso da propaganda pelos Gorbatchev, peça para os alunos analisarem, inicialmente,
órgãos oficiais — e sensibilizá-lo para refletir sobre o o seu depoimento (página 177), em que ele justifica a
uso da tortura e da violência como forma de resolver necessidade das mudanças. No texto, destacar a luci-
os conflitos. Os textos das questões 4 e 12 fazem a dez da análise do dirigente, que já previa as conseqüên-
denúncia da tortura, largamente utilizada pelos milita- cias da demora no processo de abertura, que criaria
res na luta contra a guerrilha, como também daquela um “terreno fértil para a eclosão de uma grave crise
praticada em instituições correcionais ou cadeias pú- social, econômica e política”. Como sabemos, esse qua-
blicas nos dias de hoje. A questão permite discutir, as- dro realmente veio a se configurar mais tarde. Nesse
sim, a permanência do desrespeito aos direitos civis. sentido, podemos dizer que a política de abertura gra-
dual e de modernização do Estado soviético não foi
bem-sucedida? Discuta essa questão com os alunos.
CAPÍTULO 12. OS LIMITES DO SOCIALISMO A partir das informações disponíveis no livro, debata
REAL os custos sociais da passagem de uma economia so-
Conteúdos e objetivos cialista para o modelo de economia de mercado.
Para quem viveu os anos da Guerra Fria, era difí-
As dificuldades da economia russa p. 178
cil imaginar o mundo sem o antagonismo entre soci-
alismo e capitalismo, Estados Unidos e União Soviéti- Dentro da mesma temática proposta, o livro
ca,Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental. No en- destaca a crise do ano de 1997, que atingiu a Rússia
tanto, no final da década de 1980 e início da década e também os países do Sudeste asiático. O texto
seguinte mobilizações populares levaram à queda do destaca a “fuga de capitais especulativos” e a “eva-
Muro de Berlim, à desagregação dos regimes socialis- são de capital” daqueles países, duas expressões eco-
tas implantados na Europa Oriental e ao fim da União nômicas que fazem parte do capitalismo financeiro
Soviética, processo que assinalou o fim da Guerra Fria e que estão presentes cotidianamente nas análises e
e o início de uma nova ordem política mundial. comentários econômicos na mídia. Sobre esse tema,

34 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 34 7/14/05, 4:57 PM


é importante discutir com os alunos o caráter glo- A atividade 8 permite que se discutam duas ques-
bal da economia capitalista, expressa no elevado grau tões: a primeira é a ação de grupos terroristas con-
de alcance da crise asiática e russa, cujos efeitos che- tra a população civil, crianças, idosos, homens e mu-
garam até o Brasil. lheres, que reflete a banalização da morte e da vio-
lência, como se a vida humana tivesse perdido o seu
O colapso dos sistemas socialistas valor. A segunda questão é a recusa do governo rus-
da Europa Oriental p. 179 so em reconhecer o direito dos chechenos à sua
O livro traça um panorama dos países do Leste autodeterminação, o que explica, por exemplo, a
europeu, destacando conflitos étnicos, religiosos e po- política do governo de Wladimir Putin em não ne-
líticos que emergiram no contexto de desarticulação gociar com os seqüestradores, precipitando o mas-
da antiga União Soviética e dos regimes socialistas. O sacre dos inocentes.
professor poderá escolher um ou mais países e Pode-se também analisar o tom preconceituoso
aprofundar a pesquisa e a discussão das implicações do texto, que leva o leitor a associar o terrorismo
dessas mudanças. Sugerimos que entre esses países fi- aos povos árabes e islâmicos.
gure a antiga Iugoslávia, pela dimensão que o conflito
atingiu naquela região e pelos resultados que ele pro-
duziu. Essa pode ser uma boa oportunidade tanto para CAPÍTULO 13. BRASIL: DA REDEMOCRATIZAÇÃO
AOS DIAS ATUAIS
estimular a capacidade de pesquisa dos alunos quanto
para discutir a importância do respeito e da valoriza- Conteúdos e objetivos
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ção da diversidade cultural, princípio fundamental para O capítulo não está estritamente vinculado a um
a convivência harmoniosa entre os povos. exercício historiográfico, pois ainda não há um estu-
do aprofundado dos documentos oficiais, diários e
Sugestões de filmes apontamentos dos principais personagens e grupos
A eternidade e um dia. Direção de Theo sociais que fizeram a história desse período. Não há
Angelopoulos, GRE/FRA/ITA, 1998. também distanciamento suficiente para analisar os
Terra de ninguém. Direção de Danis Tanovic, FRA/ fatos com a objetividade necessária de quem não
BEL/ITA/ING/ESL, 2001. está participando dos eventos.
De certa forma, o capítulo é um relato jornalís-
Texto complementar p. 183
tico da política e da cultura nacionais desde o fim do
regime militar até o governo Lula. Nesse sentido, a
Propina em rublo
análise feita nos temas tratados no capítulo reflete o
O texto trata de um dos sérios problemas que caráter embrionário das investigações de historia-
enfrenta a Rússia, após o fim do regime soviético: a dores e outros cientistas sociais a respeito desse
corrupção. A leitura relaciona a corrupção à burocra- período da nossa história.
cia, na medida em que ela dificulta o desenvolvimento Admitir a dificuldade de tratar de um momento
dos negócios impondo restrições, muitas vezes sem sobre o qual ainda não há teorias amadurecidas sig-
sentido, estimulando empresas e cidadãos comuns a nifica que o professor e os alunos — com base na
subornar os funcionários em troca da agilidade na libe- própria experiência e nos estudos que a cada dia
ração dos negócios. Além do paralelo que pode ser vêm sendo desenvolvidos — podem elucidar muitas
feito com o Brasil e outros países, onde a corrupção é das questões lacunares deste capítulo.
um problema grave, o professor pode trabalhar com a Os principais objetivos para o estudo do capítu-
idéia de ética no mundo dos negócios e da política e lo são os seguintes:
de como devem se comportar as pessoas e o Estado • Apontar as principais mudanças políticas e
diante dos abusos do poder público. institucionais ocorridas no Brasil durante o governo
de José Sarney.
Atividades p. 184 • Explicar o quadro de crise econômica que le-
As questões 8 e 9 têm especial interesse neste vou aos planos Cruzado, Collor e Real.
momento em que, conforme a versão de alguns inte- • Conhecer e discutir o programa de privatizações
lectuais, vivemos em um mundo sem ideologia (pelo dos governos que sucederam o de José Sarney.
menos no que se refere às ideologias que marcaram os • Interpretar cartaz de filme brasileiro recente,
anos da Guerra Fria). O objetivo é estimular o debate identificando nele as mudanças ocorridas no Brasil
e avaliar se de fato as ideologias deixaram de existir. depois da queda do regime militar.

PARTE II — O VOLUME 3 35

HC-Manual prof. V. 3.1 35 7/14/05, 4:57 PM


• Realizar pesquisa sobre os capítulos I, III e VII mobilização pelos direitos dos consumidores dian-
da Constituição Federal e produzir um texto sinte- te de produtos e serviços oferecidos pelas empre-
tizando as principais resoluções contidas nesses tre- sas. Como se trata de um fato recente na história
chos da lei. do país, o professor pode propor que os alunos
• Estimular o interesse por discutir as questões organizem uma entrevista com amigos e familiares
atuais do nosso país, atuando de forma consciente, com o objetivo de coletar depoimentos sobre as
crítica e responsável na vida social. experiências e lembranças deles com relação a esse
período da história. Em sala, ajudar os alunos a mon-
Comida p. 187 tar um roteiro de perguntas essenciais e a organi-
O trecho de música do grupo Titãs, que abre este zar o material depois de concluída a fase das en-
capítulo, pode ser trabalhado na forma e no conteú- trevistas.
do, estabelecendo relações com as demais músicas
citadas no texto e também com o que já foi discutido 1988: a Constituição cidadã p. 190
no capítulo anterior. Se o professor achar convenien- No que se refere à Constituição de 1988, o
te poderá reproduzir trechos dessas músicas em sala professor pode confrontar os exemplos aponta-
de aula como forma de sensibilizar os alunos para os dos acerca dos avanços dos direitos políticos e
temas que estarão em foco nas seções subseqüentes. sociais com a crítica do historiador Boris Fausto
(ambos na página 190). Num segundo momento,
Mais uma eleição indireta!!! p. 188 o professor poderá propor uma análise mais de-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


O depoimento do poeta Ferreira Goulart é in- talhada dessa Constituição, estabelecendo com-
teressante, pois revela o clima de entusiasmo e eu- parações com a Constituição de 1967, discutindo
foria que tomou conta de parte da população com a a sua estrutura e, principalmente, ressaltando as
candidatura e a posterior vitória de Tancredo Neves maneiras de transformar em realidade as resolu-
à presidência da República.A eleição estava revestida ções estabelecidas na lei.
de forte conteúdo simbólico, representando a rup-
tura com o passado e, ao mesmo tempo, o início de Sugestões de sites para consulta
novos tempos, repletos de esperança e de fé na de- www.planalto.gov.br/ccivil
mocracia. O trecho pode servir também para cha- www.senado.gov.br/con1988
mar a atenção dos alunos para o fato de que as pes-
soas comuns em seu cotidiano vivem, compartilham Eleições diretas à vista p. 191
e fazem a história sem consciência disso.
Atualmente é consenso entre pesquisadores e
especialistas em educação a necessidade de a escola
Sugestão de atividade
desenvolver a chamada educação para a mídia, como
Aproveitando o depoimento do poeta Ferreira forma de capacitar os educandos a fazer uso crítico,
Goulart, o professor pode questionar os alunos a ativo e inteligente das informações recebidas diaria-
respeito de situações ou fatos que eles tenham mente através da mídia. É necessário ressaltar esse
vivenciado e considerem relevantes para a coleti- aspecto porque a mídia é um importante formador
vidade, desenvolvendo a noção de sujeito históri- de opinião, seja no campo da política, dos costumes
co. Ou, ainda, pode questioná-los a respeito de as- ou das preferências de consumo.
pectos da sua vida cotidiana — relacionados aos Por exemplo, a construção da imagem pública de
costumes, à moda, ao tipo de música que ouvem Fernando Collor de Mello como político jovem, dinâ-
— que caracterizam o comportamento da sua ge- mico e comprometido com o combate aos marajás
ração. Ao final, os alunos podem produzir um tex- foi obra da mídia, a mesma que dois anos depois, diante
to registrando a sua experiência de vida, no que se das denúncias de corrupção, tratou de capitanear a
refere tanto a ações relevantes para a coletividade campanha que levou à renúncia e à condenação do
quanto àquelas ligadas ao mundo privado. presidente por crime de responsabilidade.

O governo José Sarney (1985-1990) p. 188 A educação para a mídia


No governo do presidente José Sarney um dos Segundo Maria Luiza Belloni, para realizar de
acontecimentos mais significativos foi a participa- maneira satisfatória a tarefa de educar para a mídia,
ção popular durante a vigência do Plano Cruzado. devemos desenvolver:
Os chamados “fiscais do Sarney” representavam a ➜

36 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 36 7/14/05, 4:57 PM


➜ luzes dos holofotes o então ministro da Fazenda
1) o conhecimento dos aspectos técnicos da
Fernando Henrique Cardoso. Nesse sentido, o pro-
produção e transmissão de mensagens;
fessor pode aproveitar para trabalhar noções essen-
2) a capacidade de distinguir elementos reais e
ciais à compreensão da dinâmica econômica, conhe-
fictícios da mensagem e de perceber os aspectos
cimento importante para o entendimento do mun-
técnicos;
do atual: conceitos como PIB (Produto Interno Bru-
3) a compreensão dos objetivos (consumo) e
to), IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), in-
dos modos de funcionamento (persuasão) das
flação, deflação, recessão, monopólio, privatização,
mensagens publicitárias;
estatal, transnacional etc.
4) uma visão crítica sobre a violência presen-
te nas mensagens ficcionais e informativas; Sugestão de leitura
5) uma percepção lúcida das diferentes formas
de representação dos eventos sociais, econômicos SINGER, Paul. Aprender economia. São Paulo,
e políticos nas mensagens de informação. Brasiliense, 1986.
(Adaptado de BELLONI, Maria Luiza. Educação
para a mídia: missão urgente da escola. Os governos de Fernando
In: Revista de Comunicação. Comunicação e Henrique Cardoso (1994-2002) p. 195
Sociedade. v. 10, n. 17, ago. 1991. Adaptado.)
No que se refere ao período de governo do pre-
sidente FHC, há duas questões importantes que o
Sugestão de leitura
professor poderá privilegiar: as privatizações e os
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

FARIA, Maria Alice. Como usar o jornal na sala de conflitos com o MST (Movimento dos Trabalhado-
aula. São Paulo, Contexto, 1996. res Rurais sem Terra), especialmente o caso de
Eldorado dos Carajás. Em relação às privatizações,
O governo Fernando Collor proponha um estudo de caso, como recomendamos
de Mello (1990-1992) p. 192 na sugestão de atividade a seguir. O problema da
Para abordar o processo de impeachment que terra no Brasil é uma questão antiga e complexa,
sofreu o presidente Collor e a atuação dos jo- que precisa ser analisada buscando suas origens his-
vens no movimento dos “caras-pintadas”, o pro- tóricas e os diferentes segmentos que se posicionam
fessor pode estabelecer comparações com outros contra ou a favor da reforma agrária. Nesse sentido,
acontecimentos em que a atuação dos jovens foi o professor pode propor a investigação em fontes
crucial ao processo de mudança, como em maio diversas com vista a produzir uma matéria jornalística
de 1968. É importante os alunos perceberem que relatando o ocorrido e analisando a situação.
a cidadania é sempre uma conquista e que a am-
Sugestão de atividade
pliação dos direitos do cidadão é resultado de luta,
de manifestações, de pressão; daí a necessidade Desde o governo de Fernando Collor, várias
de uma postura ativa e crítica diante dos aconte- empresas estatais foram privatizadas no país. Uma
cimentos do mundo. forma de conhecer melhor o processo de priva-
A atuação da mídia é sempre controversa. Se- tizações e o seu resultado é realizar um estudo
gundo vários analistas, a mesma mídia que fez cam- de caso. Em pequenos grupos, os alunos vão ele-
panha para eleger o presidente Collor fez, mais ger uma das empresas privatizadas até o momen-
tarde, campanha pelo impeachment. A partir dessa to. Em seguida, eles vão realizar uma pesquisa pro-
constatação, o professor pode elaborar um plano curando informações sobre a atual situação da
de discussão que permita apurar quais são os fa- empresa, comparando-a com a situação antiga. Cri-
tores determinantes do comportamento dos gru- térios de comparação possíveis:
pos formadores de opinião, ou seja, quais são as • número de funcionários hoje e antes da
razões que levam a grande imprensa a adotar de- privatização;
terminada posição, apoiando este ou aquele can- • qualidade dos serviços oferecidos à população;
didato político. • lucratividade da empresa;
• ações realizadas pela empresa na área social,
O governo Itamar Franco (1992-1994) p. 194 cultural e ambiental.
Ao final os alunos devem produzir um qua-
O governo Itamar Franco ficou marcado pela
dro comparativo da situação da empresa antes e
crise econômica e as tentativas de superá-la, che-
depois da privatização.
gando ao famoso Plano Real, que colocou sob as ➜

PARTE II — O VOLUME 3 37

HC-Manual prof. V. 3.1 37 7/14/05, 4:57 PM


➜ ➜
Algumas empresas que podem ser pesqui- nos estaduais, municipais e pela sociedade civil or-
sadas: Companhia Vale do Rio Doce, Companhia ganizada que buscam combater a fome por meio
Siderúrgica Nacional, Empresa Brasileira de Te- de restaurantes populares, bancos de alimentos,
lecomunicações, empresas estaduais de forneci- modernização do abastecimento, incentivo à agri-
mento de energia elétrica, entre outras. cultura urbana, apoio ao autoconsumo alimentar e
à agricultura familiar. [...]”
O programa Fome Zero p. 201 (Instituto da Cidadania, 2001.)
No Brasil, segundo dados do Ipea/IBGE 2001,
54 milhões de pessoas viviam em estado de po- A partir da leitura do texto, propor aos alu-
breza, isto é, ganhavam o suficiente apenas para nos as seguintes questões:
garantir as condições mínimas de sobrevivência e a) Quais das propostas do documento po-
não morrer de fome. O combate à fome era o dem ser consideradas medidas de amenização da
principal objetivo de Lula ao assumir o governo pobreza ou assistencialistas? Quais visam comba-
em janeiro de 2003, o que o levou a lançar o pro- ter de fato a pobreza?
grama Fome Zero. b) Quais das propostas desse programa fo-
O texto reproduzido na atividade a seguir é um ram concretizadas no governo Lula?
trecho do documento que orientou a elaboração c) Na sua opinião, do ponto de vista das con-
do programa Fome Zero. O documento reúne pro- dições sociais, o Brasil melhorou ou piorou nos
últimos anos? Justifique sua resposta com exem-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


postas elaboradas pelo Partido dos Trabalhadores
em 2001. plos da realidade.

CAPÍTULO 1
144. CONFLITOS INTERNACIONAIS
Sugestão de atividade
Programa de inclusão social Conteúdos e objetivos

“A [...] fome segue matando a cada dia, pro- O capítulo apresenta um panorama do mundo atual,
duzindo desagregação social e familiar, doenças, mostra os vários pontos de conflito no planeta e as
desespero e violência crescentes. Para combater contradições de uma ordem mundial instável e ainda
a fome, não podemos nos limitar às doações, bol- indefinida, muito diferente do mundo polarizado e divi-
sas e caridade. É possível erradicar a fome por dido de vinte anos atrás. O estudo dos conteúdos des-
meio de ações integradas que aliviem as condi- te capítulo possibilita não só entender a origem dos
ções de miséria. Articuladas com uma política eco- principais conflitos que assolam o planeta, mas tam-
nômica que garanta uma expansão do Produto bém visualizar as tendências que estão colocadas para
Interno Bruto de, pelo menos, 4% ao ano, esse o futuro, caso os governos e os habitantes de cada país
objetivo pode ser conseguido em até uma gera- não busquem formas de vida baseadas na tolerância e
ção. Os instrumentos que colocaremos em ação no respeito à autodeterminação dos povos.
permitirão promover o desenvolvimento, gerar Os principais objetivos colocados para o estudo
emprego e distribuir renda. O combate à fome se deste capítulo são os seguintes:
integra, assim, à concepção de um novo tipo de • Esboçar algumas características do quadro
desenvolvimento econômico. geopolítico nascido do fim da Guerra Fria.
O projeto Fome Zero inclui, além de medidas • Explicar o conceito de fundamentalismo.
estruturais, uma política de apoio efetivo à agricul- • Analisar, com base na leitura de texto, o pro-
tura familiar; o direito à Previdência Social para to- cesso de expansão do fundamentalismo islâmico nos
dos os trabalhadores familiares, da economia rural países asiáticos.
ou da economia informal urbana, garantindo a uni- • Produzir texto sobre o regime do apartheid na
versalidade prevista na Constituição; o direito à África do Sul, da sua implantação até a eleição de
complementação de renda para que todas as cri- Nelson Mandela para a presidência da República.
anças das famílias pobres possam ter formação edu- • Conhecer e discutir a Questão Palestina.
cacional adequada; a ampliação da merenda esco- • Analisar, a partir de leitura de imagens, o signi-
lar, atingindo todas as crianças que freqüentam es- ficado e os efeitos do ataque terrorista às Torres
colas públicas, inclusive creches; e, finalmente, o Gêmeas de Nova York, em 2001.
apoio aos inúmeros programas criados por gover- • Valorizar a diversidade cultural que caracteriza
➜ as sociedades humanas.

38 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 38 7/14/05, 4:57 PM


Ásia: um continente explosivo p. 209 ➜
Bush propôs a substituição da ‘contenção’ e
Para discutir os principais problemas e conflitos da ‘dissuasão’, princípios da Guerra Fria, pela rea-
que assolam algumas regiões do continente asiático, lização de ataques preventivos, inclusive com ar-
peça para os alunos localizarem essa região e os mas nucleares, contra grupos terroristas ou Esta-
principais países envolvidos em conflitos, trabalhan- dos hostis aos EUA. A pedra de toque do novo
do o mapa que está na página 209. Em seguida, ques- governo Bush passou a ser política externa.”
tione o que os alunos conhecem sobre cada um des- (AITH, Marcio. Folha de S.Paulo. São Paulo, 8 nov. 2002.)
ses países.
O livro traça um panorama histórico dos confli- Palestina p. 212
tos existentes em alguns países nos continentes asi-
ático, africano e europeu, analisando cada um deles No caso da Palestina é importante que o profes-
separadamente. O professor pode sugerir que os sor destaque o episódio do Êxodo, explique o con-
alunos, organizados em grupos, escolham um desses ceito de Diáspora e discuta o movimento sionista.
países e, a partir das informações disponíveis no li- No que se refere aos conflitos entre israelenses e
vro, expliquem ao restante da classe do que se trata. árabes, é importante destacar a criação do Estado de
A idéia é que cada grupo se coloque no papel de Israel, em 1948; a Guerra dos Seis Dias, que resultou
uma equipe de jornalistas de uma agência interna- na ocupação de áreas palestinas, fato que constituiu
cional ou de um veículo de comunicação que preci- uma das principais razões dos conflitos atuais; e a
sa noticiar e esclarecer o que está ocorrendo nesses Guerra do Yom Kippur, conflito que desencadeou a
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

países. O professor poderá acompanhar o trabalho crise do petróleo de 1973. Outro acontecimento que
de cada grupo esclarecendo eventuais dúvidas. precisa ser destacado é a Intifada, também chamada
revolução das pedras, movimento espontâneo da ju-
ventude palestina contra as forças israelenses, fora
Afeganistão p. 209
do controle das organizações palestinas constituídas.
Para analisar cada um desses diferentes países O professor pode analisar o mapa da página 214
na sua especificidade é importante chamar a aten- para mostrar a localização dos territórios ocupados
ção para algumas questões que o professor poderá por Israel. A Questão Palestina e a política do Estado
esclarecer na sua exposição: de Israel também podem ser vinculadas à política ex-
1) o papel dos Estados Unidos na década de 1980, terna dos Estados Unidos no contexto do pós-aten-
fornecendo armas e treinamento à resistência (da tado de 11 de setembro. Para o governo norte-ame-
qual fazia parte Osama Bin Laden); ricano, o fortalecimento do Estado israelense faz par-
2) o Talebã no poder e a introdução da “versão te da política de criar um escudo de defesa no Orien-
ortodoxa do islamismo”; te Médio contra os grupos terroristas. Para finalizar o
3) os atentados de 11 de setembro; trabalho com esse tema, é importante destacar que a
4) a ofensiva dos Estados Unidos. criação do Estado palestino, determinado pelas Na-
Veja o trecho a seguir referente ao atentado de ções Unidas, não saiu do papel, o que explica, em par-
11 setembro e às mudanças significativas nas rela- te, o acirramento dos conflitos naquela região.
ções internacionais. No que se refere aos principais momentos na
cronologia da paz, o professor pode solicitar um
Nova doutrina exercício de investigação e síntese que complemente
“Em resposta aos atentados, Bush conduz a as informações sobre as tentativas de estabelecer a
maior mudança da política externa dos EUA dos paz nessa região a partir do ano de 2002, comple-
últimos 50 anos, por meio de uma série de princí- mentando o relato da página 215.
pios — reunidos no que seria uma ‘Doutrina Bush’
— que colocaram de cabeça para baixo suas pro- As guerras contra o Iraque p. 217
postas iniciais nos campos militar e de política Neste item, recomendamos destacar a seguinte
externa. [...] relação: as guerras de 1991 e 2003, que atingiram o
Depois dos atentados, Bush definiu o terro- equilíbrio mundial como um todo, sobretudo em
rismo como principal inimigo da humanidade e razão do petróleo. Nesse sentido, o professor pode
condicionou qualquer apoio financeiro e diplomá- programar uma atividade interdisciplinar com a área
tico dos EUA ao engajamento de outros países à de Geografia que envolva o tema do petróleo no
guerra contra o terror. Oriente Médio e a sua importância como fonte de
➜ energia para o mundo globalizado.

PARTE II — O VOLUME 3 39

HC-Manual prof. V. 3.1 39 7/14/05, 4:57 PM


Angola, um país dilacerado p. 222
Sugestão de atividade
O livro traz diversas informações sobre o proces-
Aproveitando o tema das guerras contra o
so de independência de Angola e os conflitos que opu-
Iraque, o professor pode propor ainda aos alunos
seram diferentes representantes da resistência, o que
o levantamento de notícias de jornais, revistas e
desencadeou uma longa e desastrosa guerra civil no
de matérias da internet que trataram dos atenta-
país. Atualmente, após o acordo de paz, a população
dos terroristas em Madri, na Espanha (março de
angolana convive com as seqüelas da guerra, como é o
2004), e em Londres, na Grã-Bretanha (julho de
caso das minas terrestres. Como se trata de um país de
2005), países cujos governos enviaram tropas para
língua portuguesa na África, o professor poderá propor
lutar, ao lado das forças norte-americanas, contra
uma investigação sobre a presença da comunidade an-
o governo de Saddam Hussein. As notícias trazidas
golana no Brasil, estabelecendo comparações entre os
podem ser reunidas em um painel, motivando
dois países. Se possível, convide os alunos a pesquisar
depois a realização de um debate que tenha como
na internet essas comunidades e programar uma en-
tema os danos que os atentados terroristas tra-
trevista virtual enfocando questões como:
zem para a população civil.
1) A guerra civil em Angola.
2) A sua experiência de vida no Brasil.
África: miséria e opressão p. 220
3) As semelhanças e/ou diferenças entre os dois
Neste item estarão em foco as relações países.
conflituosas em dois países africanos: a África do Sul, Para finalizar promova uma discussão sobre qual deve

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


com a política do apartheid, e Angola, país de língua ser o papel do Brasil na recepção de imigrantes africa-
portuguesa que viveu um longo período de guerra nos, com base na política externa do governo federal.
civil durante o processo de libertação colonial. Para
tratar da África do Sul, o professor pode centrar a Sugestão de filme
abordagem na história do líder Nelson Mandela, que
O herói. Direção de Zezé Gamboa, ANG, 2004.
durante mais de 25 anos esteve preso por defender
os direitos dos negros e mais tarde, pela mesma causa,
Conflitos na Europa p. 223
recebeu o Prêmio Nobel da Paz e foi eleito presi-
dente do país (1994). Os alunos poderão fazer uma O livro destaca duas situações de conflito no con-
pesquisa e, em seguida, redigir uma biografia do lí- tinente europeu: a questão basca na Espanha e a ques-
der sul-africano que se transformou num símbolo tão da Irlanda no Reino Unido. O professor pode esco-
da luta contra o racismo em seu país e no mundo. lher um dos casos para analisar mais cuidadosamente.
Veja um trecho do discurso de Mandela feito em Caso decida pela questão do País Basco, procure
fevereiro de 1990, repetindo as palavras ditas no seu problematizar a origem do conflito na região e desta-
julgamento em 1964. car as diferenças entre as culturas espanhola e basca.
O País Basco é uma comunidade autônoma formada
Morrer por um ideal por três províncias: Alava, Guspúzcoa e Vizcaya.
“Tenho lutado contra a dominação branca e De acordo com o jornal independente La Insíg-
contra a dominação negra.Tenho acalentado o ide- nia (www.lainsignia.org), o novo estatuto proposto
al de uma sociedade livre e democrática, na qual (jan. 2005) para reger o País Basco pede o direito de
todas as pessoas vivam em harmonia e com opor- autodeterminação do povo basco e estabelece um
tunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver novo pacto político de relação com o Estado espa-
e que espero alcançar. Mas se for necessário, é um nhol, baseado na livre associação e compatível com
ideal pelo qual estou preparado para morrer.” as possibilidades de desenvolvimento de um Estado
composto, plurinacional e assimétrico.
(Nelson Mandela)
Como se vê, o povo basco não defende a separa-
ção da Espanha, mas sim o direito de manifestar sua
Sugestões de sites, leitura e filme identidade cultural. Essa opinião é compartilhada pelo
www.biografiasyvidas.com; www.nelsonmandela.org jornalista português Vitor Pinto Basto, que acaba de
MANDELA, Nelson. Mandela: a luta é a minha vida. lançar um livro que reflete a sua experiência naquele
São Paulo, Globo, 1989. país. O livro, intitulado Gente que dói – o conflito basco
Um grito de liberdade. Direção de Richard por quem o vive, acaba de ser lançado em Portugal.
Attenborough, ING, 1987. Se o professor achar conveniente poderá traba-
lhar com o documentário: Pelota basca: pele contra

40 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 40 7/14/05, 4:57 PM


pedra (Júlio Medem, 2003). O documentário baseia- CAPÍTULO 15. A GLOBALIZAÇÃO E O
se em entrevistas de 70 pessoas com inclinações FUTURO DA ECONOMIA
ideológicas e opiniões diferentes sobre o conflito. MUNDIAL
Conta também com o depoimento de importantes
Conteúdos e objetivos
personalidades políticas da Espanha.
O principal objetivo deste capítulo é capacitar o
Texto complementar p. 227
aluno a entender melhor o mundo contemporâneo e
auxiliá-lo a adquirir um vocabulário conceitual básico
que lhe permita interpretar e discutir a realidade atu-
Carta da América al. Para dar início a esse processo, o professor pode
O trecho escolhido do documento Carta da optar pela leitura e interpretação do trecho de aber-
América, assinado por 60 intelectuais norte-ame- tura, Vamos internacionalizar as riquezas do mundo?, que
ricanos, é eloqüente em explicitar um dos aspec- chama a atenção para a forma como o termo
tos da visão de mundo do país hegemônico, os globalização está mais vinculado a interesses particu-
Estados Unidos. É importante enfatizar a visão que lares do que a uma real globalização dos recursos do
separa o passado do tempo presente e julga as planeta. A discussão do próprio termo globalização
ações terroristas apenas pelo aspecto ideológico servirá de subsídio para entender os demais concei-
e moral, reduzindo a zero as responsabilidades tos centrais do capítulo. Termos como Estado míni-
dos Estados Unidos pela ação ou reação dos mo, multipolaridade, neoliberalismo, desemprego es-
agressores. Por outro lado, também seria um erro trutural, apartheid social etc. devem ser definidos e
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

eximir de responsabilidade os agressores, justifi- contextualizados na medida do possível, de preferên-


cando as suas atitudes pelas ações passadas ou cia usando notícias de jornais, para que os educandos
presentes do governo norte-americano. possam assimilar e trabalhar com os conceitos de
A ação terrorista significa, em última instância, forma concreta e não apenas abstratamente.
a renúncia à ação política direta com a população Os objetivos específicos para o estudo deste
local e mundial, substituindo a mobilização pelo ata- capítulo são:
que à população civil. Em lugar da luta política, há a • Caracterizar o processo de globalização.
ação violenta, individual e isolada de um indivíduo • Relacionar o processo de globalização ao cres-
ou grupo, que atinge indiscriminadamente a popu- cimento do desemprego.
lação. Esse é um debate que pode ser feito em sala • Identificar as características do Estado neoliberal.
de aula, acompanhado ou não de uma pesquisa que • Realizar pesquisa sobre o Fórum Social Mundial,
recupere as críticas feitas aos Estados Unidos, que identificando os objetivos do Fórum e estabelecendo
a Carta tenta responder. diferenças com o Fórum Econômico Mundial.
• Interpretar texto e debater, a partir da leitura,
Atividades p. 228 o problema do desemprego.
A atividade 4 exige do aluno não só uma revisão • Estimular o interesse pela discussão e pela par-
do texto estudado, como também que pesquise, ticipação consciente, crítica e responsável na reali-
quando for o caso, o atual estágio da história dessas dade contemporânea.
organizações ou políticas. O ideal seria perceber se
Neoliberalismo: a política do
elas permanecem e quais foram as transformações
ocorridas na ação desses grupos ou nas políticas, Estado mínimo p. 233

comparando a época atual com a da Guerra Fria, O texto do livro aponta algumas características
pois, em alguns casos, os fatores desencadeadores essenciais da teoria neoliberal. Se for conveniente, o
desses movimentos não desapareceram, como é o professor pode retomar a explicação sobre o con-
caso, por exemplo, dos bascos e de sua organização ceito de liberalismo e, assim, apontar o que há de
paramilitar ETA. Além de uma atualização histórica, novo no que se refere ao neoliberalismo. No caso
perceber as possíveis mudanças e relacioná-las ao das privatizações brasileiras, exemplo da aplicação
novo contexto existente possibilita aos educandos desse receituário econômico no país, vale analisar
a oportunidade de perceberem como a cada fase da os gráficos da página 234, observando a percenta-
história de uma organização, povo ou país é possível gem das privatizações realizadas por ramo de ativi-
reinterpretar velhas questões a partir dos novos dade. No caso da energia elétrica e das telecomuni-
pontos de vista que surgem com a dinâmica trans- cações, por exemplo, pode-se sugerir que os alunos
formação social e cultural. investiguem as mudanças na prestação do serviço

PARTE II — O VOLUME 3 41

HC-Manual prof. V. 3.1 41 7/14/05, 4:57 PM


dessas empresas, os principais problemas e os pre- vido de fato é, principalmente, a mundialização da
ços das tarifas, comparados ao modelo estatal que cultura norte-americana, de seus filmes, seus va-
vigorava anteriormente. Outra possibilidade é iden- lores, sua moda e sua língua. É importante reco-
tificar o que justifica que o setor elétrico tenha um nhecer esse processo para evitar que as tradições
grau de privatização 30 vezes maior que o de sane- e os valores que identificam cada povo sejam en-
amento, por exemplo. golidos no processo — para muitos inexorável —
da massificação cultural.
Globalização p. 234

Para tratar o tema da globalização, já discuti- Texto complementar p. 240

do em outras unidades, o professor pode, apro- O levante da juventude


veitando as informações do livro, relacioná-lo com Para tratar do tema dos movimentos atuais
o caso do Brasil. O texto do discurso do presi- de oposição ao sistema neoliberal e à globalização,
dente Lula, da página 235, dá uma medida de como o professor poderá inicialmente aproveitar o tex-
a globalização não mudou o rumo que a econo- to de Frei Betto no livro (página 240), que trata
mia mundial até então trilhava. Analise junto com justamente da mobilização mundial contra o pro-
os alunos os principais argumentos e estabeleça cesso de globalização. A questão 6, da seção Ativi-
comparações com o desenvolvimento recente do dades, possibilita ampliar o conhecimento sobre
Brasil. Em que medida é possível estabelecer igual- esse assunto.
dades e diferenças entre o que acontece no Brasil O texto complementar deste capítulo pode

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


e a globalização mundial? É possível afirmar que ajudar na discussão sobre por que há uma espécie
as dificuldades que o Brasil enfrenta têm sua ori- de levante da juventude contra o atual estágio do
gem na política de globalização? Como responder desenvolvimento da globalização e como se orga-
a essas questões? niza esse movimento. O texto apresenta dados,
mesmo não sendo os mais recentes, que apontam
Multipolaridade ou “ditadura claramente para a tendência da distribuição da ri-
de Washington”? p. 236 queza no planeta. Além disso, traz informações
Neste item discute-se a emergência de duas ver- sobre as várias organizações antiglobalização que
tentes político-econômicas divergentes no mundo se formaram em vários países.
atual: a idéia da multipolaridade, ou seja, de que o
mundo atualmente é regido pelos diferentes blocos Atividades p. 242
econômicos, e a da “ditadura de Washington”, que As questões 1, 4 e 5 permitem ao aluno obter
defende o predomínio da hegemonia dos Estados um amplo panorama das características da
Unidos em relação ao restante do mundo. O pro- globalização, as políticas que a ela estão atreladas e
fessor poderá analisar junto com os alunos os dois quais as suas conseqüências. O importante é reunir
casos: primeiro, aproveitando o mapa da página 236, esses aspectos em um todo coerente. As questões,
identificando os diferentes blocos econômicos e dis- em particular a 1, permitem discutir os aspectos
cutindo a relação geopolítica entre eles. No segun- positivos da globalização, cujas conquistas podem ser
do caso, pode-se retomar a guerra contra o Iraque usadas a favor de uma melhor distribuição da rique-
(2003), que foi conduzida pelos Estados Unidos za, impedindo também a hegemonia de uma única
mesmo sem a aprovação do Conselho de Segurança nação sobre o planeta. Essa é uma questão polêmi-
da ONU. ca, que divide especialistas, partidos políticos e mo-
vimentos da sociedade civil.
Boxe – Cultura e globalização p. 238

A análise feita na leitura desse boxe possibili-


ta discutir a diferença entre globalização cultural Sugestão de atividade
e massificação da cultura norte-americana. É im- É importante, neste último capítulo do livro,
portante fazer essa diferenciação porque, diante que os alunos elaborem um trabalho escrito, que
da integração da economia mundial, típica destes pode ser realizado em grupo, abordando ampla-
tempos pós-Guerra Fria, não podemos dizer que mente o fenômeno da globalização. Pesquisas em
os valores culturais dos povos têm sido dissemi- livros de apoio didático, revistas e jornais, além
nados pelo mundo, passando a formar um da internet, podem ajudar nessa tarefa.
patrimônio de toda a humanidade. O que tem ha-

42 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 42 7/14/05, 4:57 PM


LEITURAS COMPLEMENTARES

1. COMUNICAÇÃO DE MASSA E AUTORITARISMO

A televisão marcou a cultura brasileira da segunda metade do século XX,


transformando-se em símbolo da sociedade de consumo e dos valores da
classe dominante, esvaziando a diversidade cultural e o debate político, mesmo
após a redemocratização do país.

“[...] Para além da violência que empregou durante o período autoritário, “O centro de nossa
a ‘Revolução de 64’ moldou uma outra forma extremamente eficaz de garantir
duradouramente a dominação dos ricos e privilegiados. Forma até muito
indústria cultural
prazerosa, disfarçada de entretenimento, ou forma muito séria, revestida de tornou-se, como em
informação objetiva: a indústria cultural americanizada. [...] todo o mundo, a
O centro de nossa indústria cultural tornou-se, como em todo o mundo, a televisão.”
televisão. A televisão veio para o Brasil em 1950, por iniciativa de Assis
Chateaubriand, proprietário do conglomerado jornalístico Diários Associados.
Mas seu raio de ação era limitado, não só pelo número de telespectadores — a
classe média de renda superior — mas, também, pela frágil organização empre-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

sarial e pelas limitações tecnológicas, quer do país, quer das próprias empresas.
Estes obstáculos foram sendo vencidos. O aparelho de TV vai se difundindo
rapidamente para a base da sociedade, com o auxílio valioso do crédito ao consu-
mo. Bastaram vinte anos para que 75% dos domicílios urbanos o possuíssem: em
1960, havia em uso apenas 598 mil televisores; dez anos depois, 4 584 000; em
1979, nada menos do que 16 737 000, sendo 4 534 000 televisores em cores.
Por outro lado, o Estado montou uma infra-estrutura de telecomunica-
ções que possibilitou, já em 1970, a instalação de rede nacional. Simultanea-
mente, o negócio se organiza como uma grande máquina capitalista, que utiliza
os processos tecnológicos mais avançados, voltada para a produção da merca-
doria entretenimento, que, consumida, dá suporte aos anúncios das grandes
empresas. Os aspectos educativos e culturais da televisão ficam restritos —
sem grande sucesso — às fundações paraestatais.
E o que é mais importante: a ‘Revolução de 1964’ permitiu — mas muitos “Os aspectos
acham que até estimulou — que a Rede Globo de Televisão se transformasse
educativos e culturais
numa empresa praticamente monopolista, que pode opor barreiras quase
intransponíveis à entrada de novos concorrentes ou ao crescimento dos que da televisão ficam
já estavam estabelecidos. [...] restritos — sem
Para além da censura imposta pelo autoritarismo, a preeminência, na TV, grande sucesso — às
do entretenimento sobre a educação, de um lado, e, de outro, a liquidação do fundações
embrião de opinião pública associado ao triunfo da empresa jornalística gigan-
te levaram a um esvaecimento dos valores substantivos: a verdade cede o
paraestatais.”
passo à credibilidade, isto é, ao que aparece como verdade; o bem comum
subordina-se inteiramente aos grandes interesses privados; a objetividade abre
espaço à opinião, isto é, à opinião dos formadores de opinião, em geral mem-
bros da elite ligados direta ou indiretamente aos grandes interesses.
O domínio da grande empresa da indústria cultural, estabelecido à sombra
do autoritarismo plutocrático, caracteriza um monopólio tecnológica e
organizacionalmente avançado, o dos novos meios de comunicação social, que
escapa inteiramente ao controle público. Mas não é um monopólio qualquer:
difunde valores — morais, estéticos e políticos — que acabam por determinar
atitudes e comportamentos dos indivíduos e da coletividade. [...]”
(MELLO, J. M. Cardoso de; NOVAIS, Fernando A. Capitalismo tardio e sociabilidade
moderna. In: SCWARCZ, L. M. (org.). História da vida privada no Brasil: contrastes da
intimidade contemporânea. São Paulo, Companhia das Letras, 1998, v. 4.)

PARTE II — O VOLUME 3 43

HC-Manual prof. V. 3.1 43 7/14/05, 4:57 PM


2. NOVENTA MILHÕES NA TORCIDA

A conquista do tricampeonato mundial de futebol em 1970 pela seleção brasileira


ajudou a construir uma imagem ufanista que se dissolveu nas crises econômicas e
na violência das épocas seguintes, da mesma forma que a Taça Jules Rimet, que
foi roubada e derretida por ladrões.

“Em 1970, os brasileiros viveram uma grande alegria no mundo do espor- “[...] o futebol
te: a conquista do tricampeonato mundial de futebol. A seleção brasileira, com brasileiro alegre e
craques do porte de Pelé, Rivelino, Jairzinho, Gérson e Clodoaldo, fez uma bonito das quatro
campanha brilhante. Venceu as seis partidas que disputou, marcou 19 gols e
levou apenas sete. Ao derrotar a Itália por 4 x 1, na partida final, os jogadores
linhas do gramado não
conseguiram apagar o fiasco que fora a participação brasileira na copa de deixava de sofrer as
1966, quando o Brasil se desclassificou no início da competição. Era também a limitações impostas
consagração de Pelé, eleito o melhor jogador do mundo e o único a ganhar pela ditadura militar.”
três das quatro Copas do Mundo que disputou. E, o mais importante, era o
primeiro país do mundo a conquistar a Taça Jules Rimet. [...]
No Brasil, onde pela primeira vez a copa era vista pela TV, a festa explodiu
nas ruas. A música tema — 90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a
seleção — invadiu lares, ruas, bares e praias, cantada em ritmo de samba.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


Mas o futebol brasileiro alegre e bonito das quatro linhas do gramado não
deixava de sofrer as limitações impostas pela ditadura militar. Dois dos
preparadores físicos da Seleção eram membros do Exército e, numa época em
que os cabelos compridos estavam na moda, os atletas brasileiros tinham o
cabelo cortado à moda militar. Depois de escolhidos os jogadores, e montada a
seleção, o presidente Médici derrubou o técnico João Saldanha, identificado como
de esquerda, substituindo-o por Zagallo, que ganhou os louros da vitória.
A conquista do tri ajudou a enaltecer o discurso ufanista dos militares, “A conquista do tri
numa época em que os órgãos de repressão cresciam em importância dentro
ajudou a enaltecer o
do governo e o próprio presidente era um egresso do Serviço Nacional de
Informações (SNI). Aliás, enquanto Carlos Alberto Torres, capitão da seleção, discurso ufanista dos
levantava a Taça Jules Rimet, no México, um outro capitão, Carlos Lamarca, militares[...].”
instalava-se na região do Vale do Ribeira (SP) para, junto com outros jovens,
tentar uma guerra de guerrilhas que derrubasse os militares do poder.
Lamarca foi morto no ano seguinte.A Taça Jules Rimet foi roubada da sede
da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no Rio de Janeiro, em 26 de
dezembro de 1983, e nunca mais foi encontrada.”
(A cobertura jornalística do século. In: Nosso Tempo. São Paulo, Klick, s.d.)

44 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 44 7/14/05, 4:57 PM


Respostas das Questões
de Vestibular/Enem
UNIDADE I — GUERRA E PAZ tos e tecidos, acelerando ainda mais as migrações
internas e externas para a capital, que por sua
CAPÍTULO 1 O BRASIL NA PRIMEIRA REPÚBLICA vez estimulavam ainda mais a industrialização.
1. A população brasileira não participou da procla- 4. a) No Brasil agrário, o coronel exercia um papel
mação da República, apenas “assistiu” aos aconte- dominante na política, dado seu poder econô-
cimentos. A palavra “público” foi usada, nesse sen- mico como grande proprietário de terras. O ca-
tido, como “espectador”. Ao mesmo tempo, nas ráter não-secreto das votações na época permi-
decisões e nos discursos políticos da República tia que a fidelidade ou não ao coronel fosse
havia a preocupação com a “ordem” pública, mas verificada. A prática do clientelismo e da com-
não com a formação de uma identidade nacional pra de votos foi essencial à manutenção da po-
ou com a igualdade democrática e popular. A vi- lítica dos governadores, pela qual as oligarquias
são subjetiva do grande cronista brasileiro identi- agrárias locais sustentavam o poder dos gover-
ficava aí, numa simples frase, as características nadores e da presidência da República, que por
oligárquicas e elitistas da Primeira República. sua vez referendavam todas as fraudes e abusos
2. a) A greve de 1917 foi a primeira e também a maior eleitorais dos coronéis como forma de alijar gru-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

mobilização do proletariado brasileiro, manifes- pos adversários que almejavam o poder.


tando-se como uma ação coordenada pelo mo- b)O movimento tenentista, surgido no exército
vimento anarquista, e, apesar da forte repressão, brasileiro, e o movimento operário, agrupado es-
conseguiu organizar a classe trabalhadora para pecialmente em torno dos movimentos anarquis-
lutas posteriores, colocando o operariado na tas e, posteriormente, do PCB.
cena política nacional, como força a ser ouvida 5. A charge refere-se à política do café-com-leite,
em suas reivindicações. pela qual São Paulo e Minas Gerais revezavam-se
b)A repressão à greve foi violenta e autoritária, no poder, graças aos acordos (iniciados por Cam-
utilizando-se de meios policiais para expulsar os pos Sales) da política dos governadores, em que
grevistas e os líderes anarquistas estrangeiros, e estes se comprometiam a apoiar os candidatos das
para censurar a imprensa operária. elites mineira e paulista, em troca da perpetuação
c) A imprensa operária publicava diversos jornais, no poder das oligarquias agrárias, cujas fraudes elei-
muitos deles escritos na língua da maioria ope- torais e abusos políticos eram referendados pela
rária, o italiano. Esses jornais eram veículos de Comissão Verificadora, controlada pelo legislativo
difusão e propaganda do movimento, e a adesão e que diplomava os candidatos fiéis ao governo.
ao movimento revelava o nível de alfabetização 6. O Convênio de Taubaté estabelecia a compra da
e educação dos operários na época. produção de café pelos estados de SP, RJ e MG por
3. a) Dois momentos importantes da sociedade bra- um preço mínimo preestabelecido (subsídio à pro-
sileira na década de 1920 são a fundação do PCB dução), a estocagem do produto pelos estados para
(Partido Comunista Brasileiro), cuja proposta era interferir no mercado e a realização de emprésti-
organizar a luta operária e o levante do forte de mos externos para realizar tal política.
Copacabana, primeira manifestação do tenen- 7. b 8. b 9. d 10. d 11. d
tismo, movimento militar cuja proposta era mo-
CAPÍTULO 2 A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
dificar a política oligárquica característica da
Primeira República. Ambos os movimentos vi- 1. A Bósnia-Herzegovina, povoada por eslavos e mu-
savam a modificação política e social do país, çulmanos, pertencera ao Império turco-otomano,
embora em graus diferentes. mas na década de 1910 era administrada pelo Im-
b)A cidade de São Paulo conheceu um vertigino- pério austro-húngaro. Ao mesmo tempo, a Sérvia,
so crescimento populacional e econômico nas nação independente na qual predominava uma ide-
primeiras décadas do século XX pelo fato de ser ologia nacionalista eslava, pretendia incorporar a
a capital do estado mais rico da federação. Seu região por causa de sua população eslava. O assas-
caráter de grande entroncamento ferroviário sinato do herdeiro do trono do Império austro-hún-
para o qual convergiam as mercadorias produzi- garo por um nacionalista sérvio em Sarajevo, ca-
das no interior e de onde partiam produtos im- pital da Bósnia-Herzegovina, foi a causa imediata
portados facilitou a dinamização de seu papel do conflito, que opôs este império à Sérvia e ati-
comercial, tornou a cidade um centro de atra- vou uma série de acordos militares de proteção mú-
ção de mão-de-obra e condicionou sua escolha tua, deflagrando uma guerra por toda a Europa.
como centro de produção industrial de alimen- 2. c 3. a 4. e 5. b

PARTE II — O VOLUME 3 45

HC-Manual prof. V. 3.1 45 7/14/05, 4:57 PM


6. a) A mudança no papel social da mulher, em dire- mas condições de trabalho dos operários, além
ção a uma participação mais ativa na vida pú- da organização do proletariado soviético.
blica. Dessa forma, a guerra deu sentido prático b)Os sovietes eram os conselhos revolucionários
ao discurso do movimento feminista. formados por soldados, operários e camponeses,
b)As dificuldades de comunicação e comércio pro- organizados em três níveis: os sovietes das al-
piciaram um período em que a indústria local deias, das cidades e o Congresso de todos os
foi estimulada a realizar um processo de substi- sovietes. No decorrer da revolução, os sovietes
tuição de importações, procurando produzir in- tornaram-se um órgão deliberativo do Estado.
ternamente produtos antes importados. Este fato 7. d 8. c 9. c 10. a 11. b
incentivou o crescimento da indústria brasilei- 12. a 13. e 14. b
ra no período.
7. a) Art. 81 – A Alemanha reconhece a completa CAPÍTULO 4 A CRISE DE 1929 E SEUS
independência da Polônia [...]. REFLEXOS NA ECONOMIA MUNDIAL
b)Entre outros fatores que tornavam o Tratado de
Versalhes excessivamente rigoroso e humilhan- 1. a 2. a
te para os alemães podemos citar o artigo 45, 3. No liberalismo econômico clássico, a intervenção
pelo qual as fontes de energia e recursos indus- do Estado na economia é considerada uma ação
triais localizadas no Ruhr e no Sarre deixavam antinatural em um sistema natural e harmônico: o
de pertencer à Alemanha, o que se constituía “mercado”. O New Deal, ao contrário, ainda que
numa anexação territorial que serviria de pre- mantendo os princípios básicos de respeito à pro-
texto ao nacionalismo alemão exacerbado. priedade e à livre concorrência, caracterizou-se por
8. a) O colonialismo europeu, caracterizado pela uma política de realização de grandes obras públi-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


disputa de mercados e fontes de matérias-pri- cas e subsídios às atividades empresariais como for-
mas industriais, estimulava a competição pela ma de resolver o grave problema do desemprego
posse de terras. As nações de desenvolvimento no período entreguerras.
industrial tardio, como Alemanha e Rússia, pas- 4. c 5. b
saram a concorrer com França e Inglaterra pe- 6. a) A situação dos camponeses era de endividamento,
los territórios coloniais. Neste sentido a políti- que levava à falência e ao êxodo rural.
ca expansionista alemã foi um dos fatores da Pri-
b)A geração de empregos por meio da realização
meira Guerra Mundial.
de grandes obras públicas e o subsídio governa-
b)As derrotas militares da Rússia na guerra auxi- mental aos pequenos proprietários.
liaram o processo da Revolução Russa de 1917,
7. b
estimulando a adesão dos militares às propostas
bolcheviques, culminando na queda do czar e 8. a) A União Soviética não sofreu com os efeitos da
no fim do Império Russo, substituído pela URSS. crise de 1929, uma vez que sua economia plani-
9. O crescimento industrial brasileiro recebeu estí- ficada, característica de um modelo socialista,
mulo pela dificuldade de importação de produtos estava desvinculada do fluxo financeiro capita-
europeus durante a Primeira Guerra Mundial, uma lista, ao contrário da Alemanha, que dependia
vez que as indústrias européias voltaram-se à pro- de investimentos norte-americanos em sua eco-
dução armamentista. A substituição das importa- nomia.
ções pela produção interna teve, nesse sentido, um b)A realização de grandes obras públicas para es-
efeito benéfico à produção brasileira. timular a indústria de construção e combater o
10. c 11. d desemprego.
9. a) A Grande Depressão foi uma crise de superpro-
CAPÍTULO 3 A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917 dução industrial associada à falência da maioria
1. a) Em 1848 e em 1871 (Comuna de Paris). dos pequenos investidores na Bolsa de Valores
de Nova York, o que gerou uma forte recessão
b)A industrialização acelerou-se a partir do final
que se propagou por todo o mundo capitalista,
do século XIX a partir de investimentos estran-
uma vez que a economia norte-americana ha-
geiros (principalmente franceses), expansão fa-
via, já nessa época, espalhado seus investimen-
cilitada pela mão-de-obra barata, disponibilida-
de de matéria-prima e mercado consumidor ex- tos pelo mundo.
tenso, devido à grande população. A moderni- b)A crise da economia cafeeira, provocada pela
zação russa contrastava com o poder absolutista queda do preço do produto no exterior, devido
do czar, e as derrotas militares na Primeira Guer- à recessão econômica, combinada ao fim dos
ra Mundial mostraram que a industrialização rus- empréstimos para a valorização artificial dos pre-
sa era insuficiente ante as potências européias. ços do café pelo governo brasileiro.
2. a 3. c 4. b 5. d 10. a) F; b) F; c) V; d) V 11. c 12. d
6. a) O absolutismo czarista, que estimulava a oposi- 13. a) O crash da bolsa de valores de Nova York em
ção tanto liberal quanto socialista, e as péssi- 1929.

46 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 46 7/14/05, 4:57 PM


b)A classe média norte-americana vivia uma fe- nos e anarquistas contavam com voluntários oriun-
bre de consumo e melhoria do padrão de vida. dos de diversas partes do mundo.
A alta produtividade melhorou também a ren- 11. a 12. e
da dos trabalhadores das fábricas.
14. d CAPÍTULO 6 O GOVERNO DE GETÚLIO
VARGAS (1930-1945)
CAPÍTULO 5 ASCENSÃO DOS REGIMES
1. d 2. a
TOTALITÁRIOS NA EUROPA
3. a) Estado Novo.
1. a) No regime totalitário o Estado controla rigida- b) A Segunda Guerra Mundial.
mente a sociedade civil, que deve se manter sub- 4. a
missa aos desejos governamentais.
5. a) A ascensão dos empresários urbanos, a expan-
b)Por meio de uma rígida censura e fiscalização são da classe média e do operariado, que não
da sociedade, realizada pela polícia de seguran- tinham representatividade política dentro do
ça. Qualquer crítica ou oposição ao regime é sistema corrupto e das eleições fraudulentas da
vista como traição ao Estado e ao povo, sujei- Primeira República.
tando-se o réu inevitavelmente à condenação
b) Com a ascensão dos empresários industriais ao po-
ou à degradação pública.
der houve maior estímulo à industrialização, devi-
2. d 3. b do ao projeto econômico de Vargas no sentido de
4. a) A ideologia nazista explicava a história e a socie- transformar a estrutura econômica do Brasil, que se
dade pela ótica da superioridade de algumas raças refletiu na criação do Ministério da Indústria e Co-
em relação a outras, constituindo-se a “raça” aria- mércio, protecionismo alfandegário e grandes pro-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

na como superior, a quem deveriam prestar servi- jetos industriais voltados para a siderurgia (CSN).
ços todas as outras. Os judeus, que Hitler tentava 6. a) O sistema federativo da Primeira República es-
caracterizar como “raça” e não como grupo religi- tabeleceu um pacto entre as oligarquias locais,
oso, deveriam ser particularmente combatidos. pelo qual as elites agrárias de São Paulo e Minas
b)Os nazistas consideravam parte de um único im- Gerais se revezariam na presidência do país e
pério ariano todos os territórios em que havia facilitariam a perpetuação das oligarquias locais
falantes da língua alemã de origem ariana. As- no governo de seus estados. A tentativa paulista
sim, o regime nazista procurou em primeiro lu- de desrespeitar o rodízio no governo com Minas
gar ocupar os territórios em que estes grupos es- Gerais e os interesses da oligarquia gaúcha e da
tavam presentes, para isso invadindo territórios Paraíba no poder federal compõem o quadro po-
de povos de origem eslava e outras etnias. lítico às vésperas de 1930.
5. a) A República de Weimar foi o regime que subs- b)Depois da tomada do poder por Getúlio Vargas,
tituiu, na Alemanha, o poder imperial do kaiser, São Paulo organizou um movimento para a derru-
derrotado na Primeira Guerra Mundial. O cará- bada do presidente, em 1932. Derrotado, o estado
ter democrático de sua Constituição, aliado à de São Paulo ficou alijado dos grupos políticos li-
fraqueza do Estado alemão, permitiu o gados ao poder central, mesmo porque o regime
surgimento de diversos movimentos à direita e federativo tornou-se cada vez mais centralizado.
à esquerda, que tentavam propor soluções tota- 7. a) A criação do DIP, a censura dos meios de comu-
litárias à crise social e econômica, num contex- nicação, o fechamento dos partidos políticos e
to de radicalização política. a subordinação dos sindicatos ao Estado.
b)O Tratado de Versalhes foi o acordo diplomáti- b)O torpedeamento de navios brasileiros pelos ale-
co que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, pelo mães, que levou à indignação popular e à entra-
qual a Alemanha foi obrigada a ceder sua prin- da do Brasil na guerra contra países politicamen-
cipal área industrial (o Ruhr), as províncias da te assemelhados ao Estado Novo.
Alsácia e Lorena (obtidas na guerra franco-
prussiana de 1871) e teve estabelecidas limita- 8. c 9. c 10. a 11. b 12. e
ções ao tamanho das forças militares de que po- 13. Na Constituição de 1934 a participação sindical
deria dispor. A rigidez dessas condições tornou foi contemplada com cadeiras na Assembléia
a paz politicamente inaceitável para o povo ale- Constituinte, fato que consagrava a aliança entre
mão e foi uma das causas da ascensão do nazis- Estado e sindicatos. Apesar dos direitos trabalhis-
mo. tas, a atuação política dos trabalhadores continu-
6. c 7. c 8. c 9. a ava controlada pelo Estado.
10. Durante o período em questão a Espanha foi o te- 14. d
atro de operações em que as principais tendências
CAPÍTULO 7 A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
políticas da época defrontaram-se, inclusive com
o apoio militar de nações estrangeiras. Assim, os 1. d 2. a 3. c
falangistas eram apoiados por Alemanha e Itália, 4. a) O uso da bomba atômica revelou um poder de
os comunistas, pela URSS, e os grupos republica- destruição nunca antes visto, suficiente para ex-

PARTE II — O VOLUME 3 47

HC-Manual prof. V. 3.1 47 7/14/05, 4:57 PM


tinguir a vida na Terra, e provocou o início da 2. As metas do governo JK eram basicamente industri-
corrida armamentista entre os EUA e a URSS, ais: indústria de base, automobilística, construção na-
ao mesmo tempo em que estabeleceu a supre- val e civil, de energia, de alimentação. A construção
macia estratégica das potências nucleares sobre de Brasília sintetizava esses objetivos. A educação
os demais países. também estava presente entre as metas.
b)Ambos os países, que tinham sistemas opostos e 3. a) Antes: 1930 – Revolução; 1937 – Estado Novo;
eram inimigos, procuravam ganhar tempo para 1945 – Deposição de Vargas. Depois: 1961 – Li-
se prepararem para a guerra, enquanto estabele- mitação da autonomia de Jango; 1964 – Golpe.
ciam uma fronteira entre nazismo e comunismo b)Democracia, liberalismo, anticomunismo ou de
no território polonês. segurança nacional.
5. a 4. c 5. a 6. c 7. b 8. e 9. c
6. a) Como valores característicos da ideologia na- 10. a) As notícias se referem aos antecedentes do gol-
zista presentes no texto, podemos citar as idéias pe militar de 1964.
da superioridade racial dos arianos, a xenofobia b)O primeiro texto expressa a visão golpista, versão
(ódio ao estrangeiro) e a valorização da brutali- brasileira do anticomunismo, que se insurgia con-
dade e da impiedade (concebida como “dure- tra a política do presidente João Goulart. O se-
za”). gundo texto caracteriza a visão do PCB, que
b)A entrada do Brasil na guerra resultou do afun- alertava para o risco de retrocesso político nas con-
damento de navios brasileiros no Atlântico, ao quistas sociais do governo João Goulart.
mesmo tempo em que os EUA acenavam com 11. c
uma aliança economicamente vantajosa, o que
levou o governo Vargas a apoiar os Aliados, em CAPÍTULO 10 E XPERIÊNCIAS

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


DE ESQUERDA NA
troca de apoio à industrialização brasileira. A MÉRICA LATINA
7. a) F; b) V; c) V; d) F; e) F; f) F; g) V
1. a) Autorizava a intervenção militar quando os in-
8. a 9. b 10. b
teresses norte-americanos eram contrariados.
b)A visão política da América Latina como
CAPÍTULO 8 A GUERRA FRIA
“quintal” dos EUA, território essencial ao do-
1. b mínio geopolítico norte-americano.
2. a) Os EUA, país capitalista hegemônico e imperi- c) Ao aceitar o apoio soviético para a construção
alista com sistema político democrático liberal, do país, Cuba abriu um precedente para a con-
considerava-se ameaçado pelo sistema soviéti- testação da hegemonia norte-americana na re-
co. A URSS, nação socialista com sistema polí- gião.
tico totalitário, não aceitava a interferência ca- 2. a 3. c 4. c 5. a 6. e
pitalista em suas áreas de influência. 7. e 8. b
b)A Guerra da Coréia, em que os soviéticos apoi-
aram a separação do norte da Coréia em rela- UNIDADE II — O SONHO NÃO
ção ao sul, de sistema capitalista. ACABOU
3. e 4. a 5. a 6. c 7. e
8. Ambos os blocos se equilibravam em poder mili- CAPÍTULO 11 O REGIME AUTORITÁRIO NO

tar e esta situação impedia a deflagração de um BRASIL


conflito aberto, de forma que cada bloco se man- 1. c 2. a) F; b) F; c) V; d) V; e) V 3. e
tinha fechado às influências externas. 4. a) V; b) F; c) F; d) F; e) V; f) V 5. a
6. a) O slogan expressava um otimismo materializado
CAPÍTULO 9 GOVERNOS POPULISTAS NO
na melhoria dos salários e do poder aquisitivo da
BRASIL classe média urbana (junto com o sucessivo cres-
1. a) O nacionalismo econômico, como parte de um cimento do PIB brasileiro), associado à conquista
projeto de desenvolvimento que garantiria a so- do tricampeonato mundial de futebol.
berania do Brasil no contexto internacional, e a b)Pelo slogan, a oposição ao regime militar era con-
autonomia técnica e estratégica, expressa na pos- vidada a deixar o país, a exemplo do que acon-
se pelo Estado de seus recursos energéticos. tecia com os exilados desde 1964, porque, na
b)Como argumento favorável, pode-se citar o uso distorcida ótica ditatorial, a crítica ao regime
dos recursos a investir e liberados pelas priva- significava falta de amor à pátria.
tizações em áreas ligadas à saúde e à educação. c) Além dos diversos movimentos guerrilheiros, liga-
Como argumento desfavorável, há a perda da dos às facções do PCB, PC do B e outras organiza-
capacidade de controlar o mercado, deixando ções, podemos citar o bem-sucedido Movimento
de auferir os dividendos das estatais lucrativas pela Anistia, que, durante os governos de Geisel e
e a capacidade de controlar os recursos estraté- Figueiredo, conseguiu repatriar os exilados pela di-
gicos. tadura militar.

48 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

HC-Manual prof. V. 3.1 48 7/14/05, 4:57 PM


7. b CAPÍTULO 14 CONFLITOS INTERNACIONAIS
8. Podemos citar: o fechamento do Congresso Nacional 1. a 2. d 3. a 4. d 5. d
e a atribuição legislativa ao presidente da República, 6. c 7. b 8. a
a suspensão de direitos e garantias individuais, censu-
9. a) O pan-americanismo corresponde à idéia de uni-
ra prévia à imprensa, extensão do controle do Execu-
ficação política dos países da América Latina,
tivo sobre as funções do Judiciário. Todas estas medi-
ou, pelo menos, a uma atuação conjunta no pla-
das visavam destruir a liberdade de opinião inerente
no da política externa como forma de fortalecer
ao regime democrático.
as nações latino-americanas.
9. a) Entre as críticas, podemos citar: a ausência de cará-
b)A Venezuela é um dos principais produtores mun-
ter amplo, geral e irrestrito, as dificuldades na reinte-
diais de petróleo e se opõe às tentativas dos EUA
gração dos servidores anistiados e o favorecimento
de controlar o mercado deste produto. Ao mesmo
aos agentes da repressão política, beneficiados da
tempo, Chávez alinha-se a Cuba e defende o pan-
mesma forma que os grupos de esquerda.
americanismo.
b)Podemos citar: o poder de cassar mandatos par-
lamentares, privar cidadãos de direitos políti- 10. d
cos, decretar o recesso do Congresso Nacional. 11. a) O monopólio da terra inviabilizou os pequenos
10. a 11. a 12. e 13. b 14. d proprietários por meio da invasão de terras de
pequenos camponeses e pelo controle político e
CAPÍTULO 12 OS LIMITES DO SOCIALISMO REAL da justiça por parte das elites proprietárias de
terras.
1. e 2. d 3. d 4. c 5. a
b)Porque são produtos que alcançam valor mui-
6. b 7. a 8. b
tíssimo maior do que os produtos agrícolas tra-
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

CAPÍTULO 13 BRASIL: DA REDEMOCRATIZAÇÃO


dicionais, especialmente os voltados para a ali-
AOS DIAS ATUAIS
mentação.
1. a 2. A. a B. c 3. c 4. a c) Bolívia e Peru.
5. c 6. c, d 7. b 8. c 9. d 10. d 12. a
11. a) Comissão Parlamentar de Inquérito.
CAPÍTULO 15 A GLOBALIZAÇÃO E O FUTURO DA
b)As CPIs têm o papel de permitir ao Legislativo
ECONOMIA MUNDIAL
investigar os atos do poder Executivo, no caso de
suspeitas justificadas de crimes cometidos no âm- 1. d 2. d 3. c 4. d 5. a
bito deste poder. 6. a 7. e 8. d 9. a 10. b
12. d 11. c 12. d 13. e

PARTE II — O VOLUME 3 49

HC-Manual prof. V. 3.1 49 7/14/05, 4:57 PM


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50 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS 51

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52 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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PARTE III — SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS 53

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54 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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56 SUPLEMENTO DE APOIO AO PROFESSOR

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