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O parlamentarismo é um sistema de governo no qual o

Chefe de Estado, que pode ser um monarca a exemplo da


Inglaterra ou presidente como ocorre em Portugal, o qual
pode ser destituído do poder executivo pelo parlamento.
Este (parlamento) é quem escolhe um chefe de governo
entre os blocos políticos - partidário com maior presença no
parlamento, normalmente o partido que obteve mais
cadeiras parlamentar, mas nada impede da oposição
ganhar.

O presidencialismo é um sistema de governo em que o líder


do poder executivo é escolhido pelo povo para mandatos
regulares acumulando a função de chefe de estado e chefe
de governo. Esse sistema de governo foi criado pelos norte-
americanos no século XVIII. A monarquia inglesa atuava
como chefe de Estado sobre as treze colônias. O
descontentamento com a atuação do monarca e as
influências de autores que se opunham ao sistema
absolutista, principalmente Locke e Montesquieu, foram
determinantes para que os americanos adotassem um
sistema onde houvesse mecanismos que impedissem a
concentração de poder. Juridicamente, o presidencialismo
se caracteriza pela separação de poderes. O presidente é o
chefe de Estado, e é ele que escolhe os chefes dos grandes
departamentos (ministérios). O Legislativo, o Judiciário e o
Executivo são independentes entre si.

Parlamentarismo x

Presidencialismo no
Mundo moderno: revisão

De um debate atual*
ALFRED STEFAN

O presente trabalho trata de quatro temas centrais:

— relações cívico-militares;

— a queda da democracia;

— a dimensão institucional na política;

— e a problemática da consolidação democrática.

Vou continuar tratando desses quatro temas, mas o foco específico de

minha pesquisa atual é uma análise comparativa entre o

presidencialismo e o parlamentarismo.

Nesta sala, há gente que tem interesse neste tema e, no mundo, meus

colegas acadêmicos — como o professor espanhol Juan Linz, o

professor alemão Dieter Nohlen, o professor brasileiro Bolívar

Lamounier, o professor chileno-americano Arturo Valenzuela e quase


vinte outros — também estão trabalhando nele.

No mundo político há igualmente muito interesse. Por exemplo, no

Chile, a consideração do parlamentarismo é um ponto importante do

programa do PPD de Ricardo Lagos.

Eu ainda tenho oito meses de meu sabático para fazer pesquisas para o

livro em tempo integral. Portanto, para mim é uma honra e uma

oportunidade valiosa passar essa tarde com vocês no Instituto de

Estudos Avançados, para explorar o meu próximo livro em sua forma

preliminar.

Por enquanto, na minha cabeça, o livro terá seis capítulos e um

apêndice, mas, obviamente, se eu for um pesquisador sério, esse

esquema ainda vai mudar. Comecei, entretanto, com o seguinte plano

de pesquisa.

* Conferência magna do mês de novembro proferida pelo Prof. Alfred


Stepan, decano da School of International and

Public Affairs da Columbia University — New York.

(1) Na transcrição, conservamos o tom coloquial da apresentação do dia 23


de novembro de 1989.
Capítulo I

Tratará do problema da consolidação democrática, decision rules

(regras de decisão) é os incentivos à cooperação no parlamentarismo e

no presidencialismo.

Neste capítulo, não vou analisar casos concretos. Simplesmente vou

desenvolver argumentos baseados no modelo formal, na teoria de

jogos e, especialmente, num tipo de incentivo chamado, em inglês, de

rational choice.

Capítulo II

Tratará de uma análise quantitativa do universo completo dos cerca de

cem países que se tornaram independentes depois da Segunda Guerra

Mundial.

Capítulo III

Fará uma reinterpretação do peso das instituições políticas nas quedas

de democracia no Brasil em 64, no Chile em 73, no Uruguai em 73 e

na Argentina em 76.

Capítulo IV
Fará a análise do peso das instituições presidenciais e parlamentares na

tarefa da consolidação democrática em dois sistemas parlamentaristas

— Espanha e Itália — e em quatro sistemas presidencialistas — Brasil,

Argentina, Chile e Uruguai.

Capítulo V

Fará uma reanálise da questão do " excepcionalismo dos Estados

Unidos" e uma comparação histórica do presidencialismo nos Estados

Unidos e na América Latina.

Capítulo VI

Incluirá a análise do discurso e a análise empírica das razões para

mudar — ou não mudar — o sistema presidencialista no Chile, no

Brasil, na Argentina e no Uruguai.

Apêndice

O primeiro-ministro Andreotti, da Itália, e o ex-primeiro-ministro

Suarez, da Espanha, parecem ter interesse em me dar uma série de

entrevistas sobre as suas quatro crises mais importantes como

primeiros-ministros, como empregaram o sistema parlamentar para


atravessá-las e também para reanalisar todas essas crises supondo que

todas as variáveis do contexto econômico, geopolítico e

político-cultural sejam as mesmas, mas mudando uma macrovariável:

que o sistema político não fosse o parlamentarismo mas sim o

presidencialismo.

Se possível, vou gravar essas entrevistas e incluí-las no apêndice. Este é

o meu propósito geral. Obviamente, será muito útil para mim receber

suas dúvidas e recomendações, hoje mesmo ou depois, em nossos

contatos pessoais.

Por hoje, vou me limitar a cinco questões esquemáticas para abrir essa

palestra.

1º) Quais são as três capacidades políticas mais importantes, em nível

teórico, para a consolidação democrática?

2º) Em que sentido podemos dizer que, grosso modo, as instituições do

parlamentarismo e do presidencialismo (especialmente os incentivos,

que são parte de ambos os sistemas) ajudam, ou impedem, o

desenvolvimento dessas três capacidades?


3º) Que evidência quantitativa nos fornece o universo de países que se

tornaram independentes depois da Segunda Guerra Mundial, para

ilustrar a questão?

4º) Qual foi e qual é o impacto do sistema presidencialista no Chile

quando analisamos a crise de 68/73 e as tarefas de consolidação atuais?

5º) Qual é a flexibilidade comparativa entre regimes parlamentares e

presidencialistas ?

Vamos incialmente pensar sobre capacidades.

E possível que sejam outras as capacidades políticas mais importantes

para a consolidação democrática, mas a essa altura me parece que as

três capacidades mais importantes são:

1 — A eficácia. Quer dizer, a capacidade do sistema político de

produzir maiorias no Poder Legislativo e no Poder Executivo, para

formular e implantar as mudanças necessárias.

2 — A legitimidade. Quer dizer, a capacidade de manter uma

vinculação com as opiniões majoritárias no país e de praticar uma

maneira de governo que seja fiel ao espírito e à letra da carta magna.


3 — A flexibilidade para controlar uma crise. Quer dizer, a capacidade

do sistema político de prevenir e resolver crises do governo antes que

a crise do governo se converta numa crise do regime.

Então, como eu defino o sistema parlamentarista e o sistema

presidencialista?

Na minha opinião, se estivermos falando sobre características que são

necessárias e suficientes, ambos os sistemas têm apenas duas

características primárias.

O sistema parlamentarista é um sistema de dependência mútua. Quer

dizer: nele, o Poder Legislativo tem a capacidade de dar um voto de

não-confiança ao governo e, ainda, o Poder Executivo tem a

capacidade de dissolver o Congresso e convocar eleições.

O sistema presidencialista é um sistema de independência mútua. Quer

dizer: nele, o Poder Legislativo tem um mandato fixo e próprio, e o

Poder Executivo tem seu mandato fixo e próprio.

Isso implica que ambos os poderes têm sua própria fonte de

legitimidade e independência.
Uma análise ampla tem que estudar a fundo as tendências relativas aos

incentivos institucionais e individuais de cada sistema de criar essas

três capacidades.

Parece-me que a teoria de jogos e a análise de rational choice podem ser

uma ferramenta útil neste estudo.

Esse ano, vou trabalhar muito sobre a questão de incentivos. Mas

podemos fazer algumas observações preliminares sobre a capacidade

relativa do sistema parlamentarista e o sistema presidencialista de

criarem as três capacidades mais importantes para a consolidação

democrática: a eficácia, a legitimidade e a flexibilidade para controlar

uma crise.

Com respeito à eficácia

O sistema parlamentarista, por definição, é um sistema que depende

da maioria de um partido ou normalmente da coalizão de partidos

para sua existência no dia-a-dia. Há grandes incentivos para o governo

negociar com o Congresso, porque a existência do governo depende

da conservação de uma maioria. Além disso, para os membros do


Congresso em coalizão, a sua participação no governo é real — e pode

terminar se o governo cair.

Ainda não tenho a proporção exata, mas provavelmente os governos

em sistemas parlamentaristas têm, durante 90% do tempo, maioria no

Congresso.

Pelo contrário, num sistema presidencialista a existência do governo

não depende do Congresso, e se estivermos falando de políticas

necessárias, mas impopulares, o cálculo de incentivos para os membros

do Congresso é a favor de um distanciamento do presidente.

Esse cálculo é ainda mais difícil com relação à eficiência, nos últimos

dois anos do governo, quando não apenas a oposição, mas também os

pré-candidatos presidenciais do partido do presidente quase sempre

fazem sua própria política.

Eu tenho aqui uma lista sobre incentivos que existem, ou não existem,

para que os membros do Congresso apóiem, ou deixem de apoiar, o

governo que é de seu partido, ou de uma coalizão governante à qual

pertencem.
Parece-me que, ao tratar este assunto através de uma análise sobre

incentivos, parlamentarismo é um sistema que constrói partidos e

governos, enquanto o presidencialismo os destrói. Em inglês, eu diria

que presidencialism has party smashing tendencies, parlamentarianism


has

party building tendencies.

Enquanto a norma no regime parlamentarista é que o Executivo

governe com maioria, a norma no regime presidencialista é que o

Executivo raramente tenha maioria no Congresso.

Acho que ao final de muitas pesquisas poderei demonstrar que

presidentes só têm maioria em ambas as casas menos de um terço do

tempo. Isto obviamente tem impacto sobre a questão da eficácia, mas

também sobre a questão da legitimidade.

Com respeito à legitimidade

E impossível que um governo parlamentarista governe contra a

vontade da maioria da Câmara. Isso implica dizer que o uso de

medidas excepcionais, como decretos e poderes especiais, é raro.

Dentre os sistemas presidencialistas, há muito, em meu universo de


pesquisa, que nunca tiveram uma maioria legislativa nos últimos trinta

anos. Nesses sistemas, ocorrem bloqueios ou impasses, ou ocorre a

utilização de medidas excepcionais. Ambos são fatores negativos para a

legitimidade.

Com respeito à flexibilidade institucional

do controle de uma crise

Sim, há crise nos sistemas parlamentaristas, mas para o voto de

não-confiança bastam 51% da câmara mais significativa, que quase

sempre é a câmara baixa. Assim sendo, normalmente uma crise do

governo não se torna uma crise do regime.

Ao contrário, nos sistemas presidencialistas a possibilidade de baixa

eficácia e baixa legitimidade é mais alta. Entretanto, se estivermos

falando da capacidade de reequilibrar o sistema político, um

impeachments muito mais difícil, perigoso e virtualmente não ocorre.

Se há mudanças no governo, normalmente não se devem a votos de

não-confiança no Congresso e, sim, a ações político-militares.

Poderíamos falar muito mais sobre todas essas afirmações, mas vou
passar aos dados quantitativos em nível mundial.

Meus dados ainda são preliminares, mas, com a ajuda dos oito

institutos regionais de nossa Escola de Assuntos Internacionais da

Universidade de Columbia, tenho alguma informação sobre todos os

cento e poucos países que se tornaram independentes desde 1945.

Ainda estou classificando esses dados. Só os tenho na memória, e de

forma muito preliminar.

Classifiquei os cento e poucos países em cinco categorias que são

quase, para usar uma expressão da sociologia, mutually exclusive and

collectively exhaustive. São elas:

l9) Sistemas que começaram sob o controle real de um monarca;

25) Sistemas que começaram como regimes monopartidários

revolucionários;

3-) Sistemas que começaram como regimes unipartidários

não-revolucionários (Tanzânia);

4q) Sistemas que começaram como regimes presidencialistas;

5-) Sistemas que começaram como regimes parlamentaristas.


Os dados indicam — mas eu insisto que são preliminares —• que os

regimes presidencialistas são aproximadamente duas vezes mais

sujeitos a sofrer golpes militares que qualquer das outras quatro

categorias.

Os dados indicam ainda que 100% dos países de meu universo de

pesquisa que tiveram sistemas democráticos de governo, por nove

anos sem interrupção, entre 1979 e 1987, começaram sua vida

independente como regimes parlamentaristas.

Ainda não tenho total certeza quanto a esses dados. Um problema é a

importância quantitativa dos pequenos países da Micronésia e do

Caribe. Mas trata-se de um indício interessante, e tenho que pensar

mais sobre as evidências.

Gostaria agora de falar sobre o Chile, um de meus seis casos de

estudo.

Por falta de tempo, farei apenas nove rápidos comentários:

l — No mundo dos países democráticos, o Chile está numa posição

muito singular, pois adota um sistema presidencialista,


multipartidário. Vejam só o quadro. Se incluirmos todos os países,

independentemente do tamanho, haverá no máximo 41 democracias

sem interrupção no mundo entre 79-88. Dentro desse universo,

(dependendo do critério de tamanho) os resultados são:

2 — Principalmente devido a essa posição, entre 1946 e 1973, só por

dois anos o Chile teve um presidente com maioria em ambas as casas.

3 — Dado o medo de impasse ou bloqueio, e problemas com a

eficácia, em 1943 e especialmente em 1970, houve reformas

constitucionais (muito semelhantes à reforma havida no Uruguai em

1966) para aumentar os poderes de exceção de iniciativa do

presidente.

4 — Se estivermos falando de eficácia, devemos falar não apenas da

capacidade do sistema político de produzir maiorias, mas também da

capacidade do governo de formular políticas e de negociar com

corporações nacionais e transnacionais. Essa dimensão de eficácia está

relacionada com a memória institucional do governo.

Esse ponto será importante no próximo livro do sociólogo argentino


Juan Carlos Torres, que foi membro do governo Alfonsín.

Um possível índice de eficácia comparativa da memória institucional

(IMI) poderia ser a duração do mandato ministerial por país.

Em nível intuitivo, vocês podem estimar que o México provavelmente

terá a média mais alta, e a Bolívia, a média mais baixa de IMI, e

segundo a obra, muito importante, de Waldino Suarez, sociólogo

argentino, o México teve entre 1945 e 1980 uma média de duração

ministerial de 47,9 meses, e a Bolívia teve uma média de 10,8 meses.

Qual seria a média no Chile?

Pois bem, só a Bolívia teve média mais baixa. O Chile teve uma média

de 12,1 meses, sendo que no período Salvador Allende esta média caiu

para 7 meses.

Gostaria de fazer duas observações mais genéricas sobre este ponto:a

vida média de um ministro nos sistemas parlamentaristas é duas vezes

mais alta do que nos sistemas presidencialistas; o sistema parlamentar

tem uma taxa de retorno de ministros muito maior.

Entre 1945 e 1980, mais de 65% dos ministros no sistema


parlamentarista serviram mais de um governo na sua vida pública, e

menos de 25% dos ministros de governos presidencialistas voltaram a

ocupar postos .ministeriais em outros governos.

5 — Obviamente, vocês podem fazer seus próprios cálculos sobre as

possibilidades hipotéticas de um sistema de um simples voto de

não-confiança no Chile em comparação com um impeachment.

6 — Com exceção da questão de Pinochet e os militares, a oposição

chilena está segura de que terá a melhor transição na América Latina.

A ausência de uma crise econômica é muito importante, mas a

oposição dá ainda mais importância à sua capacidade de criar

coalizões.

7 — Em conversas particulares, quase todos os dirigentes da transição,

como Edgardo Bennenger, Ricardo Lagos, Sérgio Bitar, Andrés

Zaldíver, reconhecem que a capacidade de fazer esta coalizão vem de

dois fatores externos à própria coalizão: o medo da esquerda com

relação a Pinochet; e a necessidade de ambos os partidos, PPD e PDC,

de usarem votos da direita democrática para modificar a Constituição.


8 — Esses líderes .consideram que, quando começar a campanha

presidencial de 1992, esses fatores extrínsecos à coalizão vão

desaparecer.

9 — Publicamente, o presidente do PPD, Ricardo Lagos, o presidente

do PDC, Andrés Zaldíver, o secretário-geral da Renovação Nacional

(direita democrática), Andrés Allemand, afirmaram em agosto em

Santiago, depois de nossa conferência de três dias, que o sistema

presidencialista chileno deverá ser mudado por um sistema mais

parlamentarista.

Gostaria de terminar com algumas reflexões sobre consolidação

democrática e as implicações da flexibilidade e inflexibilidade dos

mandatos.

O sistema parlamentar europeu deu flexibilidade a uma série de

primeiros-ministros para poderem enfrentar diferentes problemas. Por

exemplo: entre 1980 e 1981, Suarez na Espanha teve uma série de

problemas com a direita e com os militares, mas avançou. Ele sabia

que não teria mais força política e ia renunciar no dia em que houve a
tentativa de golpe em 23 de fevereiro de 81. Em março de 81, seu

sucessor levou a cabo a condenação dos rebeldes militares e findou-se

esta fase. Quando este perdeu o apoio parlamentar, as eleições foram

antecipadas e Felipe Gonzales venceu. Isto significa que graças ao

sistema parlamentarista, em curto prazo de tempo, três

primeiros-ministros levaram a cabo três tarefas distintas, com três

mandatos distintos. Esta flexibilidade ajudou muito a consolidação da

democracia espanhola.

Por outro lado, a inflexibilidade do calendário eleitoral presidencial na

América do. Sul trouxe complicações para a consolidação.

Para concluir, gostaria que os senhores refletissem sobre as seguintes

proposições e medissem a sua insensatez:

— Na Argentina, Alfonsín foi completamente derrotado nas eleições

de 87, mas tendo que continuar no governo até 89, os militares

recapturaram a sua força e a inflação fugiu de controle.

— No Chile, Patrício Aylwin, que apoiou o golpe de 73, poderia

possivelmente ter sido primeiro-ministro numa fase de transição deum


ano com o apoio dos socialistas num sistema parlamentarista, mas

é difícil para os socialistas aceitar que, dada a inflexibilidade do

calendário presidencial, Patrício Aylwin vá ser presidente por quatro

anos.

— O " Primeiro-ministro Sarney governou o Brasil entre 1985 e

1990".

Pensem nisso.

Obrigado por sua atenção.

Palavras Chave: Parlamentarismo, Chefe de Governo,


parlamento, regime representativo.

1.0 INTRODUÇÃO

A presente pesquisa pressupõe em dizer sobre o sistema


parlamentarista. Verificaremos, através de um panorama
histórico donde e como se procedeu a implantação deste
regime governamental, segundo entenderes dos autores
pesquisados. Inclusive, iremos dispor, sobre a época de
instalação de cada um dos três tipos de sistema
parlamentarista encontrados na história.

Após a perspectiva histórica trataremos de mostrar de


forma breve sobre as principais características do
parlamentarismo, seguindo também, algumas orientações
teóricas. Afirmamos, porém, que ao mostrar para vocês
leitores às características gerais do Parlamentarismo,
podemos deixar de verificar algumas peculiaridades, mas
não deixaremos de expor as idéias necessárias para a
compreensão deste sistema. Nosso maior
comprometimento.

Esta pesquisa pressupõe também a averiguação do início


deste sistema no território brasileiro. Notaremos também,
os principais personagens deste contexto e quais são as
características percebidas.

Esta pesquisa dispõe divisões notáveis através de títulos, o


que facilita também na compreensão. Iremos dividir nosso
trabalho em duas partes. Por fim, será verificada no
decorrer deste uma linguagem fácil de ser compreendida.

2.0 ASPECTO HISTÓRICO: SURGIMENTO DO SISTEMA


PARLAMENTAR E SUA EXPANSÃO

Antes de mencionarmos as peculiaridades deste sistema


político, fica indispensável saber como foi o procedimento
histórico do parlamentarismo segundo a perspectiva de
alguns doutos estudiosos da disciplina de Teoria Geral do
Estado.

Segundo Dallari a Inglaterra é considerada o berço deste


sistema. Vejamos sua colocação.

“A Inglaterra pode ser considerada o berço do governo


representativo. Já no século XIII, o mesmo que assistiu à
elaboração da Carta Magna, numa rebelião dos barões e do
clero contra o monarca, irá ganhar forma de parlamento.
No ano de 1265 um nobre francês, Simom de Montefort,
neto de inglesa e grande amigo de barões e eclesiásticos
ingleses, chefiou uma revolta contra o rei da Inglaterra,
Henrique III, promovendo uma reunião que muitos apontam
como a verdadeira criação do parlamento. (DALLARI, 1995,
p.195)

Como vimos, a Inglaterra é o berço do sistema parlamentar,


podemos dizer que á idéia principal deste é quebrar com o
poderio das monarquias absolutistas.

Segundo Dallari, a faísca do parlamentarismo surgiu no ano


de 1213, onde, o “João sem Terra convocará ´quatro
cavaleiros discretos´ de cada condado, para com eles
´conversar sobre os assuntos do reino´. (DALLARI, 1995,
p.195). Bem sabe que somente reuniam pessoas de igual
condição política, econômica e social, mas com o propósito
de poderem influenciar nas decisões do Estado.

O parlamento Inglês na “segunda metade do século XIV,


(...) já se apresentava com a sua fisionomia atual: Câmara
dos Lordes e Câmara dos Comuns” (SOARES, 2001, p 513).
Mas é imprescindível mencionar que vários foram os fatores
que contribuíram para a implantação do sistema político
parlamentar na Inglaterra. Esposa Mário Lucio Quintão tais
motivos:

- A vitória em 1688, após a Glorious Revolution, do governo


representativosobre o absolutismo;

- o controle parlamentar sobre o governo na votação da


proposta tributária anual;

- a formação de dois grandes partidos;

- o preparo cultural da aristocracia inglesa;

- O advento de uma linhagem estrangeira de monarcas que


não dominavam a língua inglesa, demonstrando-se incapaz
de acompanhar as deliberações do parlamento (DUGUIT
1928:648, t.I) (SOARES, 2001, 514)

Alguns autores entendem que o sistema parlamentarista já


funcionava a todo vapor após os motivos influenciadores
esposados, já LOEWESTEIN, citado por Mário Lucio Quintão
Soares, afirma que “o sistema parlamentar da Inglaterra
autêntico, apenas começou a funcionar normalmente após
a Reform bill de 1832, com ampliação do sufrágio à classe
média enriquecida” (SOARES, 2001, p 513).

O Parlamentarismo teve tamanha importância, no que


tange a Declaração de Direitos dos cidadãos. Contribuiu-nos
bastante Paulo Bonavides afirmando que com o “Bill of
Rights se tem o verdadeiro documento constitucional que
afiança as liberdades publicas, as liberdades de opinião de
ação política e consciência” (BONAVIDES, 1995, p.237). Tal
Declaração assegura à liberdade, a vida, a propriedade
privada dentre outros direitos fundamentais.

Notamos que após a instalação do parlamentarismo na


Inglaterra influenciou a política de outros paises,
alastrando-se por praticamente toda Europa. A começar
pela França que “empolgou-se com as maravilhas do
sistema inglês e passou a adaptá-lo às suas instituições, por
meio de reformas parciais desde a primeira metade do
século XIX” (MALUF, 1999, p.259). Posteriormente o
sistema parlamentarista alastrou-se em cada país da
Europa. “Bélgica, Prússia, Alemanha, Polônia,
Checoslováquia, Áustria, Grécia, Iugoslávia, Finlândia,
Espanha e outros” (MALUF, 1999, p 260) o adotaram.

Em suma, podemos observar três tipos de sistema


parlamentarista na história do homem: o clássico ou
dualista, o racionalizado ou monista e o misto.

Como bem sabemos, o Clássico foi “construído na Inglaterra


durante o século XVII” (SOARES, 2001, p 511). O
Parlamentarismo racionalizado decorre “das constituições
formuladas, após a Primeira Guerra” (SOARES, 2001, p
512). Por fim, o Parlamentarismo Misto deriva-se da
“racionalização de outros setores do sistema parlamentar,
cristalizando-se nas modalidades de tendência diretorial,
presidencialista e de equilíbrio” (SOARES, 2001, p.512).

Está aí, portanto, o panorama histórico de forma bem


sucinta com exclusiva finalidade, de que os leitores
compreendam como decorreu a surgimento e a expansão
do sistema parlamentarista. Torna-se necessário, portanto,
caracterizá-lo em alguns pontos que julgamos essências.

3.0 CARACTERISTICAS GERIAS DO SISTEMA


PARLAMENTAR

Já passado por todo panorama histórico a respeito deste


sistema de governo, que se alastrou por quase toda a
Europa a partir da metade do século XIX. Trataremos de ver
agora as principais características do parlamentarismo,
seguindo algumas orientações teóricas.

O teórico Mário Lúcio Quintão Soares demonstra-nos de


forma bem genérica que o sistema político parlamentarista

“é uma forma de regime representativo dentro do qual a


direção dos negócios públicos pertence ao parlamento e ao
chefe do Estado, por intermédio de um gabinete
responsável perante a representação nacional” (SOARES,
2001p. 510)

Logo, percebemos que parlamentarismo é: um sistema


políticorepresentativo, onde o Executivo representa a
sociedade em geral, e que Tal sistema é baseado pelo
principio da Distribuição de Poderes. Notamos também, que
o poder Executivo/Gabinete “ou conselho de Ministros dirige
a política geral do país. È o órgão dinâmico e responsável; o
eixo de todo o mecanismo” (MALUF, 1999, p. 262)

Antes de adentrarmos no assunto destacado pelo título


acima, resolvemos destacar as peças essenciais do sistema
parlamentarista e posteriormente desenrolaremos algumas
características que julgamos necessário. Segundo Sahid
Maluf, as peças essenciais, são cinco, vejamos sua
classificação;

“a) organização dualística do Poder Executivo; b)


colegialidade do órgão governamental; c) responsabilidade
política do Ministério perante o Parlamento; d)
responsabilidade política do Parlamento perante o Corpo
Eleitoral; e) interdependência dos Poderes Legislativos e
Executivo” (MALUF, 1999, p 262)

Na Inglaterra podemos observar que compunham o


parlamento

“o monarca (Coroa) a Câmara dos Lords (aristocracia) e a


Câmara dos Comuns (popular) (...).Deste se elege um
gabinete, órgão colegial encarregado do exercício efetivo
do poder” (SOARES, 2001, p.514)
Dallari observa em sua obra que o “chefe de Estado (...)
não participa das decisões políticas, exercendo
preponderantemente uma função de representação do
Estado. Sendo secundária a sua posição” (DALLARI, 1995,
p.198), Portanto, qual seria o papel do Chefe do Estado
mediante esta forma de Governo?

Podemos dizer que é inegável, que o Chefe de Estado seja


uma figura respeitável, pois alem das funções de
representação ele possui “um papel de especial relevância
nos momentos de crise, quando é necessário indicar um
novo Primeiro Ministro à aprovação do Parlamento”
(DALLARI, 1995, p.198).

Já o chefe de Governo é uma figura “central do


parlamentarismo, pois é ele que exerce o poder executivo,
(...) ele é apontado pelo Chefe de Estado para compor o
Governo” (DALLARI, 1995, p.198).

Portanto, o parlamentarismo, se funda sobre poucos


requisitos. Klaus Stern, citado por Paulo Bonavides, os
enumera. Vejamos:

“a presença em exercício do governo, enquanto a maioria


do Parlamento não dispuser o contrário retirando-lhe o
apoio; a repartição entre o governo e o parlamento da
função de estabelecer as decisões políticas fundamentais; e
finalmente, a posse recíproca de meios de controle por
parte do governo e do Parlamento, de modo que o primeiro,
sendo responsável perante o segundo, possa ser destituído
de suas funções mediante um voto de desconfiança da
maioria parlamentar” (BONAVIDES, 1995 p,277)

A título de curiosidade, mostra-nos a doutrina de Maluf que


o Sistema Parlamentarista possuía um caráter democrático
que se baseava na existência

“de partidos fortemente organizados, caracteriza-se,


sobretudo, por um profundo respeito à opinião da maioria e
por uma constante subordinação dos corpos representativo
a vontade soberana do povo” (MALUF, 1999, p 261)
Claro que tal sistema não possui a mais perfeita
democracia, devido ao sufrágio restrito. Mas as aspirações
de direitos fundamentais do cidadão já haviam sido
pregadas, porem poucos usufruía destas.

È importante lembrar que esposamos as características


gerais do Parlamentarismo, e que análises genéricas levam-
nos a inobservância de determinadas situações ou
peculiaridades. Para tanto, é indispensável buscar os
teóricos lembrados nesta pesquisa.

4.0 PARLAMENTARISMO NO BRASIL: ASPECTOS


HISTÓRICOS

Verifica-se acima, primeiramente um panorama histórico


sobre o parlamentarismo: tem por início no em país inglês,
alastrando-se por quase toda a Europa. É eficaz fazer
algumas verificações históricas sobre o parlamentarismo no
território brasileiro. Procuraremos responder focalizando as
seguintes perspectivas: Quando houve o sistema
parlamentar no Brasil? Qual era o contexto? Principais
personagens da História do Brasil que optaram por
parlamentarismo?

Notamos que o Brasil apresenta três momentos históricos


diferentes que “demarcam a inserção do sistema
parlamentarista no Brasil: a monarquia Constitucional do
Império e o breve interregno ao presidencialismo, de 1961
a 1963”, (SOARES, 2001, p.515) e a Constituição de 1988
que alimentou os ideários parlamentaristas. Veremos,
portanto, detalhadamente estes três períodos. A começar
pela monarquia constitucional do império.

4.1 A MONARQUIA CONSTITUCIONAL DO IMPÉRIO E


SUAS CARACTERISTICAS

O sistema parlamentarista segundo alguns autores começa


com D. Pedro I e seu filho, D. Pedro II, aperfeiçoa em seu
reinado. Outros aceitam apenas que o parlamentarismo
surgiu com D. Pedro II. Não resta duvida que o período da
monarquia constitucional, ou período regencial, o sistema
parlamentarista dominou o cenário político brasileiro, mais
propriamente no “segundo Império (...), desenvolvendo-se
como uma manifestação espontânea das consciências”
(MALUF, 1999, p. 273)

Nosso ponto de partida, portanto, é a Carta de 1824,


“outorgada por D. Pedro I, seguiu a trilha de outras
constituições monárquicas européias do século XIX”
(SOARES, 2001, p, 515). Esta constituição consagrou uma
monarquia constitucional “tendo como legítimos detentores
da soberania nacional o imperador e o parlamento,
denominado de Assembléia Geral” (SOARES, 2001, 515)

Verificamos que a Assembléia Geral ou parlamento possuía


uma estrutura bicameral, ou seja, “a câmara dos
deputados, eletiva e temporária e o senado, composto por
membros vitalícios, designados pelo imperador” (SOARES,
2001, p 515)

A constituição imperial de 1824, outorgada por D. Pedro I,


já afirmado por nós, defendia uma forma de governo de

“monarquia hereditária, constitucional e representativa.


Não se tratava de uma Constituição parlamentarista, mas
sob sua égide, ou à sua revelia, ou (...) com a maior parte
do seu conteúdo normativo, surgiu e evoluiu o
parlamentarismo brasileiro” (MALUF, 1999, p.273)

Os adeptos que discordam que o sistema parlamentarista


surgiu no reinado de D. Pedro I chegam apenas a afirmar
que a Constituição instaurada, apenas influenciou para o
surgimento e a evolução do parlamentarismo brasileiro.

D. Pedro II teve um papel imprescindível na formação do


parlamentarismo. Este percebendo que “o Ministério
deveria contar com a confiança da Câmara dos Deputados”
(MALUF,1999,p.274), deu o primeiro passo, colocando às
responsabilidades da implantação deste sistema ao
encargo do Senador Honório Hermeto Carneiro Leão.

Com o intuito de não perder o total poder sobre o território,


D. Pedro II cria um instrumento chamado de Ato
Constitucional, podendo assim, modificar a constituição de
1824. Este instrumento reservará ao imperador “as
atribuições de nomear os senadores, prorrogar, adiar ou
dissolver as sessões do legislativo, nomear ministros de
Estado, conceder clemência ou anistia aos condenados”
(CHAGAS p185)

A estas atribuições do imperador foi denominado de Poder


Moderador, que daria ao soberano uma autoridade superior
aos demais. A princípio, a criação deste poder, era de
“introduzir na vida política um elemento de equilíbrio, mas
o texto da Constituição permitiria ao imperador um
Governo quase autocrático (CHAGAS, p 185). Não resta
duvida que D.Pedro II foi o diretor de toda a vida pública
nacional. Justificando tal Poder Pimenta Bueno citado por
Mário Lucio Quintão Soares, afirma que

“qualquer que seja a face pela qual se contemple a sanção,


ele revela-se como um grande elemento de
aperfeiçoamento das leis, de harmonia entre os poderes
políticos, de ordem contra os perigos e abusos, e enfim
como um atributo inseparável da Monarquia constitucional”
(SOARES, 2001, p 516)

Apesar de pleno poder D. Pedro II, não o desempenho com


abusos. È importante verificar que Carmo Chagas menciona
na obra Grandes Personagens da Nossa História, da Editora
Cultural, que o “imperador desempenhava suas funções
constitucionais com firmeza, mas sem se deixar levar pela
paixão. Mesmo quando a oposição se empenhava em
atacá-lo pessoalmente” (CHAGAS p 185). Segundo a
descrição, D. Pedro II não tentava gestos violentos e nem se
abalava.

Finda, portanto, este sistema culminando-se em Republica


Federativa do Brasil. Porém, o sistema parlamentarista,
volta no período de 1961 e vai até 1963, claro que não com
as mesmas características do primeiro. Assunto que será
reservado ao próximo Título.

4.2 SISTEMA PARLAMENTAR DE 1961 A 1963

Verificado o primeiro momento da História do Brasil que se


instalou o parlamentarismo, observemos de forma breve o
segundo momento, em que o sistema parlamentarista
perdurou e os motivos que levaram ao seu declínio.

O primeiro motivo constatado para a instauração de um


sistema parlamentarista foi a renuncia de Jânio Quadros e a
investidura de seu vice-presidente, João Goulart. Sabemos
que este homem tinha ideários reformistas e que estava

“vinculado ao trabalhismo reformista, que preconizava as


reformas de base, tais como fundiárias previdenciárias e de
políticas econômicas, contemplando a nacionalização de
empresas estrangeiras” (SOARES, 2001, p 518)

È Instaurado, portanto, o sistema parlamentar, melhor,


semiparlamentar “foram presidentes do Conselho de
Ministros neste breve período, Tancredo Neves, Brochardo
da Rocha Santiago Dantas” (SOARES, 2001, p 518). Porém
a experiência semi-parlamentar no Brasil foi falha.

“falhou por defeitos institucionais e falta de elemento


humano para levá-la a bom termo. O Presidente João
Goulart continuou investido de poderes presidencialistas,
manteve-se na chefia do Ministério e conservou,
praticamente, o controle político e administrativo” (MALUF,
1999, p. 277)

4.3 CONTSTITUIÇÃO DE 1988 ALIMENTOU O IDEÁRIO


PARLAMENTARISTA

Sabemos que Raul Pilla foi um médico, jornalista, professor


e político brasileiro. Inclusive um dos maiores “defensores
da adoção do regime parlamentarista, Pilla era apelidade
de O Papa do parlamentarismo no Brasil”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Pilla), pelo simples fato de
defende-lo como melhor forma de governo.

Não há duvida que sob a liderança de Raul Pila o ideal


paralamentarista como forma de governo “esteve em
pauta, embora rejeitado pela maioria sob fundamentos de
que o povo brasileiro não atingiu o estágio político cultural
propício a este sistema de governo” (MALUF, 1999, p.277)
Sobre o Terceiro momento, este, apenas de tentativa de
inserir o parlamentarismo novamente. Miguel Reale citado
por Sahid Maluf fez uma análise cronologia do que concerne
à nova tentativa de adoção do parlamentarismo e o seu fim
total.

Durante os debates estabelecidos na Constituinte de 1986,


que resultaram na promulgação da atual Constituição de
1988, destacou-se um forte movimento favorável à adoção
do Parlamentarismo como sistema de governo. Embora
derrotado, esse movimento conseguiu inserir no ´ato das
Disposições Transitórias´ o art. 2º que convocou para 7 de
setembro de 193 um plebiscito, através do qual o eleitorado
brasileiro deveria escolher a forma (republica ou Monarquia
constitucional) e o sistema de governo (Parlamentarismo ou
Presidencialismo). Realizado o plebiscito, por considerável
maioria foi mantida a forma republicana e confirmado o
sistema presidencialista (Miguel Reale citado por MALUF
1999, p.277)

Hoje como bem sabemos, prevalece o sistema


presidencialista com a forma de governo republicano.

Portanto, estão aí as verificações necessárias sobre o


Parlamentarismo, desde o seu início até a sua expansão.
Inclusive, o que concerne ao Brasil.

5.0 CONCLUSÃO

Concluímos com a presente pesquisa que o berço do


regime Parlamentarista está na Inglaterra e que vários
foram os fatores que contribuíram para a implantação deste
tais como a Glorious Revolution,a formação de dois grandes
partidos, o preparo cultural da aristocracia inglesa para
acatar este sistema político dentre outros. Porém, a nosso
ver, e segundo alguns autores o sistema parlamentar da
Inglaterra autêntico começou a funcionar a todo vapor após
a famosa Reform bill. É certo também queo sistema
parlamentar devido a reforma citada, teve um verdadeiro
documento constitucional que garantia liberdades publicas,
de opinião dentre outras.
Concluímos que para a época o parlamentarismo se fazia
favorável, no entanto que se estendeu por quase toda
Europa, como França, Bélgica, Prússia, Alemanha, Áustria,
Grécia e outros.

Sobre as características principais ou idéia principal deste


sistema concluímos, que o parlamentarismo é uma forma
de regime representativo a comando do parlamento, do
chefe do Estado através de um representante, estes
subordinados a soberania popular.

Percebemos que este sistema de origem inglesa influenciou


fortemente o Brasil em três épocas distintas. A primeira
tem sua raiz com o surgimento/criação da Carta de 1824,
outorgada por D. Pedro I e posteriormente aperfeiçoada
pelo seu filho, D. Pedro II. Concluímos que com o “Ato
Constitucional” teve a finalidade de assegurar seu poder
pleno. Podendo então de nomear os senadores, ministros;
etc. quando bem entendesse. Notamos estas atribuições se
dá o nome de O Poder Moderador, criado aqui no Brasil. Faz
com que soberano tenha uma autoridade plena, ou seja,
superior aos demais. Há duvidas quanto o comportamento
de D.Pedro II, se ele andou ou não conforme a constituição.
Se o imperador abusou ou não de seu poder. Resta-me
dizer que nenhum governo anda em seus conformes. Mas
podemos concluir que D. Pedro II não abusou do poder
conforme o seu pai.

Concluímos que o segundo momento em que o


parlamentarismo se instaura no Brasil, foi breve
correspondendo o ano de 1961 a 1963. Este semi-
parlamentarismo não permaneceu tanto tempo, pois para o
Brasil já não era mais apropriado tal sistema. Prevaleceu,
portanto, o presidencialismo. Assim também correu no
terceiro momento em que ideários parlamentaristas
tentavam retornar com o regime de Monarquia
constitucional e o sistema de governo parlamentarista. O
que não ocorreu
Palavras Chave: Parlamentarismo, Chefe de Governo,
parlamento, regime representativo.
1.0 INTRODUÇÃO

A presente pesquisa pressupõe em dizer sobre o sistema


parlamentarista. Verificaremos, através de um panorama
histórico donde e como se procedeu a implantação deste
regime governamental, segundo entenderes dos autores
pesquisados. Inclusive, iremos dispor, sobre a época de
instalação de cada um dos três tipos de sistema
parlamentarista encontrados na história.

Após a perspectiva histórica trataremos de mostrar de


forma breve sobre as principais características do
parlamentarismo, seguindo também, algumas orientações
teóricas. Afirmamos, porém, que ao mostrar para vocês
leitores às características gerais do Parlamentarismo,
podemos deixar de verificar algumas peculiaridades, mas
não deixaremos de expor as idéias necessárias para a
compreensão deste sistema. Nosso maior
comprometimento.

Esta pesquisa pressupõe também a averiguação do início


deste sistema no território brasileiro. Notaremos também,
os principais personagens deste contexto e quais são as
características percebidas.

Esta pesquisa dispõe divisões notáveis através de títulos, o


que facilita também na compreensão. Iremos dividir nosso
trabalho em duas partes. Por fim, será verificada no
decorrer deste uma linguagem fácil de ser compreendida.

2.0 ASPECTO HISTÓRICO: SURGIMENTO DO SISTEMA


PARLAMENTAR E SUA EXPANSÃO

Antes de mencionarmos as peculiaridades deste sistema


político, fica indispensável saber como foi o procedimento
histórico do parlamentarismo segundo a perspectiva de
alguns doutos estudiosos da disciplina de Teoria Geral do
Estado.

Segundo Dallari a Inglaterra é considerada o berço deste


sistema. Vejamos sua colocação.
“A Inglaterra pode ser considerada o berço do governo
representativo. Já no século XIII, o mesmo que assistiu à
elaboração da Carta Magna, numa rebelião dos barões e do
clero contra o monarca, irá ganhar forma de parlamento.
No ano de 1265 um nobre francês, Simom de Montefort,
neto de inglesa e grande amigo de barões e eclesiásticos
ingleses, chefiou uma revolta contra o rei da Inglaterra,
Henrique III, promovendo uma reunião que muitos apontam
como a verdadeira criação do parlamento. (DALLARI, 1995,
p.195)

Como vimos, a Inglaterra é o berço do sistema parlamentar,


podemos dizer que á idéia principal deste é quebrar com o
poderio das monarquias absolutistas.

Segundo Dallari, a faísca do parlamentarismo surgiu no ano


de 1213, onde, o “João sem Terra convocará ´quatro
cavaleiros discretos´ de cada condado, para com eles
´conversar sobre os assuntos do reino´. (DALLARI, 1995,
p.195). Bem sabe que somente reuniam pessoas de igual
condição política, econômica e social, mas com o propósito
de poderem influenciar nas decisões do Estado.

O parlamento Inglês na “segunda metade do século XIV,


(...) já se apresentava com a sua fisionomia atual: Câmara
dos Lordes e Câmara dos Comuns” (SOARES, 2001, p 513).
Mas é imprescindível mencionar que vários foram os fatores
que contribuíram para a implantação do sistema político
parlamentar na Inglaterra. Esposa Mário Lucio Quintão tais
motivos:

- A vitória em 1688, após a Glorious Revolution, do governo


representativosobre o absolutismo;

- o controle parlamentar sobre o governo na votação da


proposta tributária anual;

- a formação de dois grandes partidos;

- o preparo cultural da aristocracia inglesa;

- O advento de uma linhagem estrangeira de monarcas que


não dominavam a língua inglesa, demonstrando-se incapaz
de acompanhar as deliberações do parlamento (DUGUIT
1928:648, t.I) (SOARES, 2001, 514)

Alguns autores entendem que o sistema parlamentarista já


funcionava a todo vapor após os motivos influenciadores
esposados, já LOEWESTEIN, citado por Mário Lucio Quintão
Soares, afirma que “o sistema parlamentar da Inglaterra
autêntico, apenas começou a funcionar normalmente após
a Reform bill de 1832, com ampliação do sufrágio à classe
média enriquecida” (SOARES, 2001, p 513).

O Parlamentarismo teve tamanha importância, no que


tange a Declaração de Direitos dos cidadãos. Contribuiu-nos
bastante Paulo Bonavides afirmando que com o “Bill of
Rights se tem o verdadeiro documento constitucional que
afiança as liberdades publicas, as liberdades de opinião de
ação política e consciência” (BONAVIDES, 1995, p.237). Tal
Declaração assegura à liberdade, a vida, a propriedade
privada dentre outros direitos fundamentais.

Notamos que após a instalação do parlamentarismo na


Inglaterra influenciou a política de outros paises,
alastrando-se por praticamente toda Europa. A começar
pela França que “empolgou-se com as maravilhas do
sistema inglês e passou a adaptá-lo às suas instituições, por
meio de reformas parciais desde a primeira metade do
século XIX” (MALUF, 1999, p.259). Posteriormente o
sistema parlamentarista alastrou-se em cada país da
Europa. “Bélgica, Prússia, Alemanha, Polônia,
Checoslováquia, Áustria, Grécia, Iugoslávia, Finlândia,
Espanha e outros” (MALUF, 1999, p 260) o adotaram.

Em suma, podemos observar três tipos de sistema


parlamentarista na história do homem: o clássico ou
dualista, o racionalizado ou monista e o misto.

Como bem sabemos, o Clássico foi “construído na Inglaterra


durante o século XVII” (SOARES, 2001, p 511). O
Parlamentarismo racionalizado decorre “das constituições
formuladas, após a Primeira Guerra” (SOARES, 2001, p
512). Por fim, o Parlamentarismo Misto deriva-se da
“racionalização de outros setores do sistema parlamentar,
cristalizando-se nas modalidades de tendência diretorial,
presidencialista e de equilíbrio” (SOARES, 2001, p.512).

Está aí, portanto, o panorama histórico de forma bem


sucinta com exclusiva finalidade, de que os leitores
compreendam como decorreu a surgimento e a expansão
do sistema parlamentarista. Torna-se necessário, portanto,
caracterizá-lo em alguns pontos que julgamos essências.

3.0 CARACTERISTICAS GERIAS DO SISTEMA


PARLAMENTAR

Já passado por todo panorama histórico a respeito deste


sistema de governo, que se alastrou por quase toda a
Europa a partir da metade do século XIX. Trataremos de ver
agora as principais características do parlamentarismo,
seguindo algumas orientações teóricas.

O teórico Mário Lúcio Quintão Soares demonstra-nos de


forma bem genérica que o sistema político parlamentarista

“é uma forma de regime representativo dentro do qual a


direção dos negócios públicos pertence ao parlamento e ao
chefe do Estado, por intermédio de um gabinete
responsável perante a representação nacional” (SOARES,
2001p. 510)

Logo, percebemos que parlamentarismo é: um sistema


políticorepresentativo, onde o Executivo representa a
sociedade em geral, e que Tal sistema é baseado pelo
principio da Distribuição de Poderes. Notamos também, que
o poder Executivo/Gabinete “ou conselho de Ministros dirige
a política geral do país. È o órgão dinâmico e responsável; o
eixo de todo o mecanismo” (MALUF, 1999, p. 262)

Antes de adentrarmos no assunto destacado pelo título


acima, resolvemos destacar as peças essenciais do sistema
parlamentarista e posteriormente desenrolaremos algumas
características que julgamos necessário. Segundo Sahid
Maluf, as peças essenciais, são cinco, vejamos sua
classificação;
“a) organização dualística do Poder Executivo; b)
colegialidade do órgão governamental; c) responsabilidade
política do Ministério perante o Parlamento; d)
responsabilidade política do Parlamento perante o Corpo
Eleitoral; e) interdependência dos Poderes Legislativos e
Executivo” (MALUF, 1999, p 262)

Na Inglaterra podemos observar que compunham o


parlamento

“o monarca (Coroa) a Câmara dos Lords (aristocracia) e a


Câmara dos Comuns (popular) (...).Deste se elege um
gabinete, órgão colegial encarregado do exercício efetivo
do poder” (SOARES, 2001, p.514)

Dallari observa em sua obra que o “chefe de Estado (...)


não participa das decisões políticas, exercendo
preponderantemente uma função de representação do
Estado. Sendo secundária a sua posição” (DALLARI, 1995,
p.198), Portanto, qual seria o papel do Chefe do Estado
mediante esta forma de Governo?

Podemos dizer que é inegável, que o Chefe de Estado seja


uma figura respeitável, pois alem das funções de
representação ele possui “um papel de especial relevância
nos momentos de crise, quando é necessário indicar um
novo Primeiro Ministro à aprovação do Parlamento”
(DALLARI, 1995, p.198).

Já o chefe de Governo é uma figura “central do


parlamentarismo, pois é ele que exerce o poder executivo,
(...) ele é apontado pelo Chefe de Estado para compor o
Governo” (DALLARI, 1995, p.198).

Portanto, o parlamentarismo, se funda sobre poucos


requisitos. Klaus Stern, citado por Paulo Bonavides, os
enumera. Vejamos:

“a presença em exercício do governo, enquanto a maioria


do Parlamento não dispuser o contrário retirando-lhe o
apoio; a repartição entre o governo e o parlamento da
função de estabelecer as decisões políticas fundamentais; e
finalmente, a posse recíproca de meios de controle por
parte do governo e do Parlamento, de modo que o primeiro,
sendo responsável perante o segundo, possa ser destituído
de suas funções mediante um voto de desconfiança da
maioria parlamentar” (BONAVIDES, 1995 p,277)

A título de curiosidade, mostra-nos a doutrina de Maluf que


o Sistema Parlamentarista possuía um caráter democrático
que se baseava na existência

“de partidos fortemente organizados, caracteriza-se,


sobretudo, por um profundo respeito à opinião da maioria e
por uma constante subordinação dos corpos representativo
a vontade soberana do povo” (MALUF, 1999, p 261)

Claro que tal sistema não possui a mais perfeita


democracia, devido ao sufrágio restrito. Mas as aspirações
de direitos fundamentais do cidadão já haviam sido
pregadas, porem poucos usufruía destas.

È importante lembrar que esposamos as características


gerais do Parlamentarismo, e que análises genéricas levam-
nos a inobservância de determinadas situações ou
peculiaridades. Para tanto, é indispensável buscar os
teóricos lembrados nesta pesquisa.

4.0 PARLAMENTARISMO NO BRASIL: ASPECTOS


HISTÓRICOS

Verifica-se acima, primeiramente um panorama histórico


sobre o parlamentarismo: tem por início no em país inglês,
alastrando-se por quase toda a Europa. É eficaz fazer
algumas verificações históricas sobre o parlamentarismo no
território brasileiro. Procuraremos responder focalizando as
seguintes perspectivas: Quando houve o sistema
parlamentar no Brasil? Qual era o contexto? Principais
personagens da História do Brasil que optaram por
parlamentarismo?

Notamos que o Brasil apresenta três momentos históricos


diferentes que “demarcam a inserção do sistema
parlamentarista no Brasil: a monarquia Constitucional do
Império e o breve interregno ao presidencialismo, de 1961
a 1963”, (SOARES, 2001, p.515) e a Constituição de 1988
que alimentou os ideários parlamentaristas. Veremos,
portanto, detalhadamente estes três períodos. A começar
pela monarquia constitucional do império.

4.1 A MONARQUIA CONSTITUCIONAL DO IMPÉRIO E


SUAS CARACTERISTICAS

O sistema parlamentarista segundo alguns autores começa


com D. Pedro I e seu filho, D. Pedro II, aperfeiçoa em seu
reinado. Outros aceitam apenas que o parlamentarismo
surgiu com D. Pedro II. Não resta duvida que o período da
monarquia constitucional, ou período regencial, o sistema
parlamentarista dominou o cenário político brasileiro, mais
propriamente no “segundo Império (...), desenvolvendo-se
como uma manifestação espontânea das consciências”
(MALUF, 1999, p. 273)

Nosso ponto de partida, portanto, é a Carta de 1824,


“outorgada por D. Pedro I, seguiu a trilha de outras
constituições monárquicas européias do século XIX”
(SOARES, 2001, p, 515). Esta constituição consagrou uma
monarquia constitucional “tendo como legítimos detentores
da soberania nacional o imperador e o parlamento,
denominado de Assembléia Geral” (SOARES, 2001, 515)

Verificamos que a Assembléia Geral ou parlamento possuía


uma estrutura bicameral, ou seja, “a câmara dos
deputados, eletiva e temporária e o senado, composto por
membros vitalícios, designados pelo imperador” (SOARES,
2001, p 515)

A constituição imperial de 1824, outorgada por D. Pedro I,


já afirmado por nós, defendia uma forma de governo de

“monarquia hereditária, constitucional e representativa.


Não se tratava de uma Constituição parlamentarista, mas
sob sua égide, ou à sua revelia, ou (...) com a maior parte
do seu conteúdo normativo, surgiu e evoluiu o
parlamentarismo brasileiro” (MALUF, 1999, p.273)
Os adeptos que discordam que o sistema parlamentarista
surgiu no reinado de D. Pedro I chegam apenas a afirmar
que a Constituição instaurada, apenas influenciou para o
surgimento e a evolução do parlamentarismo brasileiro.

D. Pedro II teve um papel imprescindível na formação do


parlamentarismo. Este percebendo que “o Ministério
deveria contar com a confiança da Câmara dos Deputados”
(MALUF,1999,p.274), deu o primeiro passo, colocando às
responsabilidades da implantação deste sistema ao
encargo do Senador Honório Hermeto Carneiro Leão.

Com o intuito de não perder o total poder sobre o território,


D. Pedro II cria um instrumento chamado de Ato
Constitucional, podendo assim, modificar a constituição de
1824. Este instrumento reservará ao imperador “as
atribuições de nomear os senadores, prorrogar, adiar ou
dissolver as sessões do legislativo, nomear ministros de
Estado, conceder clemência ou anistia aos condenados”
(CHAGAS p185)

A estas atribuições do imperador foi denominado de Poder


Moderador, que daria ao soberano uma autoridade superior
aos demais. A princípio, a criação deste poder, era de
“introduzir na vida política um elemento de equilíbrio, mas
o texto da Constituição permitiria ao imperador um
Governo quase autocrático (CHAGAS, p 185). Não resta
duvida que D.Pedro II foi o diretor de toda a vida pública
nacional. Justificando tal Poder Pimenta Bueno citado por
Mário Lucio Quintão Soares, afirma que

“qualquer que seja a face pela qual se contemple a sanção,


ele revela-se como um grande elemento de
aperfeiçoamento das leis, de harmonia entre os poderes
políticos, de ordem contra os perigos e abusos, e enfim
como um atributo inseparável da Monarquia constitucional”
(SOARES, 2001, p 516)

Apesar de pleno poder D. Pedro II, não o desempenho com


abusos. È importante verificar que Carmo Chagas menciona
na obra Grandes Personagens da Nossa História, da Editora
Cultural, que o “imperador desempenhava suas funções
constitucionais com firmeza, mas sem se deixar levar pela
paixão. Mesmo quando a oposição se empenhava em
atacá-lo pessoalmente” (CHAGAS p 185). Segundo a
descrição, D. Pedro II não tentava gestos violentos e nem se
abalava.

Finda, portanto, este sistema culminando-se em Republica


Federativa do Brasil. Porém, o sistema parlamentarista,
volta no período de 1961 e vai até 1963, claro que não com
as mesmas características do primeiro. Assunto que será
reservado ao próximo Título.

4.2 SISTEMA PARLAMENTAR DE 1961 A 1963

Verificado o primeiro momento da História do Brasil que se


instalou o parlamentarismo, observemos de forma breve o
segundo momento, em que o sistema parlamentarista
perdurou e os motivos que levaram ao seu declínio.

O primeiro motivo constatado para a instauração de um


sistema parlamentarista foi a renuncia de Jânio Quadros e a
investidura de seu vice-presidente, João Goulart. Sabemos
que este homem tinha ideários reformistas e que estava

“vinculado ao trabalhismo reformista, que preconizava as


reformas de base, tais como fundiárias previdenciárias e de
políticas econômicas, contemplando a nacionalização de
empresas estrangeiras” (SOARES, 2001, p 518)

È Instaurado, portanto, o sistema parlamentar, melhor,


semiparlamentar “foram presidentes do Conselho de
Ministros neste breve período, Tancredo Neves, Brochardo
da Rocha Santiago Dantas” (SOARES, 2001, p 518). Porém
a experiência semi-parlamentar no Brasil foi falha.

“falhou por defeitos institucionais e falta de elemento


humano para levá-la a bom termo. O Presidente João
Goulart continuou investido de poderes presidencialistas,
manteve-se na chefia do Ministério e conservou,
praticamente, o controle político e administrativo” (MALUF,
1999, p. 277)
4.3 CONTSTITUIÇÃO DE 1988 ALIMENTOU O IDEÁRIO
PARLAMENTARISTA

Sabemos que Raul Pilla foi um médico, jornalista, professor


e político brasileiro. Inclusive um dos maiores “defensores
da adoção do regime parlamentarista, Pilla era apelidade
de O Papa do parlamentarismo no Brasil”
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Raul_Pilla), pelo simples fato de
defende-lo como melhor forma de governo.

Não há duvida que sob a liderança de Raul Pila o ideal


paralamentarista como forma de governo “esteve em
pauta, embora rejeitado pela maioria sob fundamentos de
que o povo brasileiro não atingiu o estágio político cultural
propício a este sistema de governo” (MALUF, 1999, p.277)

Sobre o Terceiro momento, este, apenas de tentativa de


inserir o parlamentarismo novamente. Miguel Reale citado
por Sahid Maluf fez uma análise cronologia do que concerne
à nova tentativa de adoção do parlamentarismo e o seu fim
total.

Durante os debates estabelecidos na Constituinte de 1986,


que resultaram na promulgação da atual Constituição de
1988, destacou-se um forte movimento favorável à adoção
do Parlamentarismo como sistema de governo. Embora
derrotado, esse movimento conseguiu inserir no ´ato das
Disposições Transitórias´ o art. 2º que convocou para 7 de
setembro de 193 um plebiscito, através do qual o eleitorado
brasileiro deveria escolher a forma (republica ou Monarquia
constitucional) e o sistema de governo (Parlamentarismo ou
Presidencialismo). Realizado o plebiscito, por considerável
maioria foi mantida a forma republicana e confirmado o
sistema presidencialista (Miguel Reale citado por MALUF
1999, p.277)

Hoje como bem sabemos, prevalece o sistema


presidencialista com a forma de governo republicano.

Portanto, estão aí as verificações necessárias sobre o


Parlamentarismo, desde o seu início até a sua expansão.
Inclusive, o que concerne ao Brasil.

5.0 CONCLUSÃO

Concluímos com a presente pesquisa que o berço do


regime Parlamentarista está na Inglaterra e que vários
foram os fatores que contribuíram para a implantação deste
tais como a Glorious Revolution,a formação de dois grandes
partidos, o preparo cultural da aristocracia inglesa para
acatar este sistema político dentre outros. Porém, a nosso
ver, e segundo alguns autores o sistema parlamentar da
Inglaterra autêntico começou a funcionar a todo vapor após
a famosa Reform bill. É certo também queo sistema
parlamentar devido a reforma citada, teve um verdadeiro
documento constitucional que garantia liberdades publicas,
de opinião dentre outras.

Concluímos que para a época o parlamentarismo se fazia


favorável, no entanto que se estendeu por quase toda
Europa, como França, Bélgica, Prússia, Alemanha, Áustria,
Grécia e outros.

Sobre as características principais ou idéia principal deste


sistema concluímos, que o parlamentarismo é uma forma
de regime representativo a comando do parlamento, do
chefe do Estado através de um representante, estes
subordinados a soberania popular.

Percebemos que este sistema de origem inglesa influenciou


fortemente o Brasil em três épocas distintas. A primeira
tem sua raiz com o surgimento/criação da Carta de 1824,
outorgada por D. Pedro I e posteriormente aperfeiçoada
pelo seu filho, D. Pedro II. Concluímos que com o “Ato
Constitucional” teve a finalidade de assegurar seu poder
pleno. Podendo então de nomear os senadores, ministros;
etc. quando bem entendesse. Notamos estas atribuições se
dá o nome de O Poder Moderador, criado aqui no Brasil. Faz
com que soberano tenha uma autoridade plena, ou seja,
superior aos demais. Há duvidas quanto o comportamento
de D.Pedro II, se ele andou ou não conforme a constituição.
Se o imperador abusou ou não de seu poder. Resta-me
dizer que nenhum governo anda em seus conformes. Mas
podemos concluir que D. Pedro II não abusou do poder
conforme o seu pai.

Concluímos que o segundo momento em que o


parlamentarismo se instaura no Brasil, foi breve
correspondendo o ano de 1961 a 1963. Este semi-
parlamentarismo não permaneceu tanto tempo, pois para o
Brasil já não era mais apropriado tal sistema. Prevaleceu,
portanto, o presidencialismo. Assim também correu no
terceiro momento em que ideários parlamentaristas
tentavam retornar com o regime de Monarquia
constitucional e o sistema de governo parlamentarista. O
que não ocorreu. O plebiscito, se encarregou de manter a
forma republicana e o sistema presidencialista.

Parlamentarismo e Presidencialismo

1 - INTRODUÇÃO:

Sabemos que o conceito de Estado é muito complexo e


admite várias definições. É consenso que três são os
elementos formadores do Estado: População, Território e
Governo. Cada Estado organiza o seu governo, que são as
decisões políticas que mantêm a ordem social dos
indivíduos do Estado. Nesse trabalho vamos apresentar
algumas definições de Formas de Estado, Formas de
Governo e Sistemas de Governo. A partir daí poderemos
elucidar algumas dúvidas mais pertinentes à organização
do Estado.

2 - FORMAS DE ESTADO:

Cada Estado adota certas idéias como princípios


norteadores da vida comunitária. Na base da organização
estatal teremos sempre uma ideologia política, isto é , um
conjunto sistematizado de idéias. Definimos Regime Político
como o modo pelo qual cada Estado se organiza e se
orienta de acordo com determinada ideologia. Como
Formas de Estado temos basicamente dois tipos: Estado
Democrático e Estado Totalitário.

Estado Democrático: O Estado Democrático é aquele que


adota como princípios a participação política dos cidadãos
nas decisões governamentais e a primazia do bem comum
e dos interesses individuais. Tem como características a
existência de voto universal ou censitário, governo
geralmente com Três poderes independentes ( Executivo,
Legislativo e Judiciário). Possui também sistema
representativo que decide, teoricamente com base no voto
popular, as decisões governamentais. Todos os países
modernos adotam essa filosofia democrática como forma
de governo.

Estado totalitário: É o Estado que adota como princípio a


vontade soberana do governante sobre o interesse comum.
O Estado totalitário faz do Estado um fim em si mesmo e as
pessoas só têm valor quando servem aos interesses do
Estado. O interesse coletivo anula o indivíduo e reduz ao
máximo a participação popular nas decisões
governamentais. A centralização do poder é uma
característica marcante. Os exemplos mais famosos no
mundo moderno são o nazismo alemão , o fascismo
italiano, o comunismo chinês e o socialismo utópico de Fidel
Castro em Cuba.

Estados unitários e federados: Dentro dos conceitos de


Estado democrático ou totalitário podemos definir como
Estado unitário aquele em que há um só Legislativo, um só
Executivo e um só Judiciário para todo o território. Como
Estado Federado temos aquele em que há divisões político-
administrativas, com certa autonomia para cuidar dos
interesses regionais.

3 - FORMAS DE GOVERNO:

O Estado pode exercer o poder de várias maneiras. Daí, a


grande diversidade de formas governamentais. Alguns
autores adotam a classificação de Aristóteles ( monarquia,
aristocracia e democracia) outros preferem a definição de
Maquiavel ( monarquia e república). O sentido exato e o
alcance de cada desses termos é outro problema sobre o
qual ainda não se teve acordo. Cremos que a questão
prende-se a definição dos seguintes pontos:
1) Quem governa

2) Com que direito governa

3) De que modo governa

MONARQUIA: É a forma de governo, em que o cargo de


chefe de Estado é hereditário e vitalício. É o caso de países
como Inglaterra e Espanha. A Monarquia é uma forma
muito antiga de governo tendo suas origens já no Egito
Antigo e teve seu apogeu na Idade Média com o poder
central dos reis Europeus. Após a Revolução Gloriosa na
Inglaterra e a Revolução Francesa teve modificações
significativas em sua estrutura, principalmente retirando
poderes dos reis e reduzindo sua atuação como
mandatário.

REPÚBLICA: É a forma de governo em que o cargo de


chefe de Estado é eletivo e periódico. República quer dizer
rés pública ou coisa pública. Com o declínio da monarquia e
a ascensão dos interesses burgueses na Europa, os Estado
começaram a eleger governantes, tornando a participação
popular nas decisões governamentais mais ativas. Países
como Brasil, EUA, França e outros adotam a República
como forma de governo.

4 - SISTEMAS DE GOVERNOS:

Geralmente na distribuição de poder do Estado o Judiciário


tem seus limites bem definidos, o que não ocorre com o
Legislativo e o Executivo, pois suas áreas de atuação se
interpenetram frequentemente. Podemos ter então
sistemas diferenciados em cada país. Os dois principais são
Presidencialismo e Parlamentarismo.

Vamos adotar uma tabela para melhor identificar as


características de cada sistema.

NO PRESIDENCIALISMO

i. O sistema só pode ser usado em repúblicas


ii. O chefe de estado(presidente) é o chefe de governo e
portanto tem plena responsabilidade política e amplas
atribuições.

iii. O chefe de governo é o presidente eleito pelo povo,


direta ou indiretamente. Fica no cargo por tempo
determinado, previsto na Constituição.

iv. O poder executivo é exercido pelo presidente da


República auxiliado pelos ministros de estado que são
livremente escolhidos pelo presidente. A responsabilidade
dos ministros é relativa à confiança do presidente.

v. Adotado no Brasil, nos EUA, México.

vi.

NO PARLAMENTARISMO

i. O sistema pode ser usado em monarquias ou repúblicas.

ii. O chefe de Estado( rei ou presidente) não é o chefe de


governo e portanto não tem responsabilidade política. Suas
funções são restritas.

iii. O chefe de governo é o premier ou primeiro ministro,


indicado pelo chefe de Estado e escolhido pelos
representantes do povo. Fica no cargo enquanto tiver a
confiança do Parlamento.

iv. O poder Executivo é exercido pelo Gabinete dos


Ministros. Os Ministros de Estado são indicados pelo
premier e são aprovados pelo parlamento. Sua
responsabilidade é solidária; se um sair todos saem em
tese

v. È o caso de Inglaterra, França, Alemanha.

O sistema parlamentarista e o sistema presidencialista só


se aplicam em regimes democráticos, sejam monarquias ou
repúblicas. Não são aplicados em ditaduras. Em caráter
excepcional podemos encontrar modelos alternativos como
os diretórios encontrados na Suiça.
5 - O CASO DO BRASIL:

Tivemos o parlamentarismo no Brasil na fase final do


Império( 1847-1889. Na República, vigorou o
presidencialismo, com exceção de um curto período de
tempo ( setembro de 1961 a janeiro de 1963), em que o
parlamentarismo foi adotado como solução para a crise
política consecutiva `renúncia do presidente Jânio Quadros.
Em 1993 tivemos um plebiscito nacional, como exigência
da Constituição de 1988, e o povo votou pela manutenção
do presidencialismo como sistema de governo.
6 - CONCLUSÃO:
Após definirmos todas essas características políticas
adotadas pelos Estados estamos em condições de afirmar
que a despeito de todas as diferenças, os Estados procuram
sempre a organização da sociedade e a busca da justiça
social. Ao analisarmos cada Estado devemos identificar qual
a sua ideologia e qual seus objetivos políticos através das
definições acima.
7 - BIBLIOGRAFIA:
1- DAMASCENO, Duarte. Conjuntura em OSPB. São Paulo:
Editora Lê, 1985.
2- MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. São Paulo: Editora
3- Saraiva, 1992.