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WEG INDÚSTR IAS LTDA CENTRO DE TREINAMENTO DE CLIENTES MÓDULO 4 Geração de Energia WEG
WEG INDÚSTR IAS LTDA CENTRO DE TREINAMENTO DE CLIENTES MÓDULO 4 Geração de Energia WEG
WEG INDÚSTR IAS LTDA
CENTRO DE TREINAMENTO DE CLIENTES
MÓDULO 4
Geração de Energia
WEG – Transformando Energia em Soluções
tr_CTC-241_P1
Módulo 4 – Geração de Energia * “ Material sujeito a alterações sem prévio aviso!”
Módulo
4
Geração
de
Energia
*
“ Material sujeito a alterações sem prévio aviso!”
Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

Índice

1 Introdução

1.1 Definição de energia e potência

9

10

1.1.1 Energia

10

1.1.2 Potência

_10

1.2 O que é geração e cogeração?

12

1.2.1 Geração

_12

1.2.2 Cogeração

12

1.3 O sistema de geração

15

1.3.1 Máquina primária

15

1.3.2 Geradores

15

1.3.3 Transformadores

15

1.3.4 Controle, comando e proteção

15

2 Máquinas Primárias

17

2.1 Hidráulicas

17

2.2 Diesel

21

2.3 Termelétricas

24

2.4 Termonucleares

26

2.5 Turbina a Gás

30

2.5.1 Turbinas a gás em circuito aberto

31

2.5.2 Turbinas a gás em circuito

33

2.6 Turbinas Eólicas

3 GERADORES

36

42

3.1 Introdução

42

3.1.1 Histórico

_42

3.1.2 Noções de aplicações

42

3.1.2.1Tipos de acionamentos

43

3.2 NOÇÕES FUNDAMENTAIS

44

3.2.1 Princípio de funcionamento

44

3.2.2 Geração de corrente trifásica

47

3.2.2.1Ligações no sistema trifásico

47

3.2.2.2Tensão nominal múltipla

49

3.2.3 Comportamento do gerador em vazio e sob carga

_52

3.2.4 Máquinas de pólos lisos e salientes

55

3.2.5 Reatâncias

56

3.2.6 Potência em máquinas de pólos salientes

59

3.2.7 Definições

61

3.2.7.1Distorção harmônica

61

3.2.7.2Fator de desvio

61

3.2.7.3Modulação de tensão

63

3.2.7.4Desequilíbrio angular

63

3.2.7.5Desbalanceamento de tensão

63

3.2.7.6Transiente de tensão

63

3.2.7.7Tolerância de tensão

64

3.3 GERADORES WEG

3.3.1 Normas aplicáveis

65

65

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

3.3.2

Geradores com excitação por escovas

65

3.3.2.1Tipo SL (antigo DL)

65

3.3.3 Geradores com excitação sem escovas (Brushless)

66

3.3.4 Geradores c om excitação sem escovas para aplicações especiais

69

3.3.5 Motores síncronos

70

3.3.6 Regulador de tensão

72

3.3.7 Tempo de regulagem da tensão (tempo de resposta)

72

3.3.8 NOMENCLATURA DAS MÁQUINAS SÍNCRONAS WEG

73

3.4 CARACTERÍSTICAS DO AMBIENTE

76

3.4.1 Altitude

_76

3.4.2 Temperatura

76

3.4.3 Determinação da potência útil do gerador nas diversas condições de temperatura e a ltitude 76

3.4.4 Atmosfera Ambiente

77

3.4.4.1Ambientes Agressivos

77

3.4.5

Graus de proteção

78

3.4.5.1Código de identificação

78

3.4.5.2Tipos usuais

80

3.4.6 Limites de ruído

80

 

3.4.7 Vibração

_81

3.4.8 Ventilação

82

3.4.8.1Gerador aberto

82

3.4.8.2Gerador totalmente fechado

83

3.4.9

Acessórios/especialidades

85

3.4.9.1Resistência de aquecimento

85

3.4.9.2Proteção térmica de geradores elétricos

85

3.5 CARACTERÍSTICAS DE DESEMPENHO

88

3.5.1 Potência nominal

88

3.5.2 Elevação de temperatura -classe de isolamento

91

3.5.2.1Aquecimento do enrolamento

91

3.5.2.2Classes de isolamento

92

3.5.2.3Medida da temperatura do enrolamento

92

3.5.2.4Aplicação à máquinas elétricas

93

3.5.3

Queda de tensão

94

3.5.3.1Cálculo da queda de tensão

94

3.5.3.2Influência do fator de potência

96

3.5.3.3Influência da carga inicial

96

3.5.4 Limitações na partid a de motores

98

3.5.5 Sobrecarga

103

3.5.6 Sobrevelocidade

104

3.5.7 Corrente de curto-circuito

104

3.5.8 Conversão de reatâncias

105

3.5.9 Proteção do gerador

106

3.5.10Regime de serviço

106

3.5.10.1 Regimes Padronizados

106

3.5.11Diagrama de carga

108

3.5.12Operação em paralelo de geradores

110

3.5.13Cálculo da bobina de aterramento do ponto estrela de geradores

113

3.6 CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

114

3.6.1

Componentes Principais

114

3.6.1.1Estator da máquina principal

114

3.6.1.2Rotor da máquina principal

114

3.6.1.3Estator da excitatriz principal

114

3.6.1.4Rotor da excitatriz principal e d iodos retificadores girantes

114

3.6.1.5Excitatriz auxiliar

115

3.6.1.6Enrolamento auxiliar (ou bobina auxiliar)

115

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

3.6.2 Placa de identificação

115

3.6.3 Normas

_116

3.6.4 Pintura - Geradores para aplicação geral

116

3.6.5 Terminais de aterramento

116

3.6.6 Forma construtiva

116

3.6.7 Condições usuais de serviço

120

3.7 SELEÇÃO DE GERADORES

121

3.7.1 Características necessárias para a correta seleção

121

3.7.2 Principais aplicações de geradores

121

 

3.7.2.1Conversão de freqüência

122

3.7.2.2Conversão de Corrente

123

3.7.2.3NO-BREAK

124

3.7.2.4Short-Break Diesel

125

3.7.2.5Geradores para CPD

125

3.7.2.6Geradores linha Industrial

126

3.7.2.7Geradores para Telecomunicações (padrão TELEBRÁS)

126

3.7.2.8Geradores alimentando cargas deformantes

.127

3.8

ENSAIOS

128

3.8.1 ENSAIOS DE ROTINA

128

3.8.2 ENSAIOS DE TIPO

128

3.8.3 ENSAIOS ESPECIAIS

128

4

3.9 COLETÂNEA DE FÓRMULAS

129

CARACTERISTICAS E ESPECIFICAÇÕES DE TRANSFORMADORES DE DISTRIBUIÇÃO E FORÇA

130

4.1 INTRODUÇÃO

130

4.2 NOÇÕES FUNDAMENTAIS

131

4.2.1 Transformadores e suas aplicações

131

4.2.2 Tipos de Transformadores

132

4.2.2.1Divisão dos Transformadores quanto à Fina lidade

133

4.2.2.2Divisão dos Transformadores quanto aos Enrolamentos

133

4.2.2.3Divisão dos Transformadores quanto aos Tipos Construtivos

133

4.2.3 COMO FUNCIONA O TRANSFORMADOR

133

4.2.4 Sistemas Elétricos

135

4.2.4.1Sistemas de Corrente Alternada Monofásica

135

4.2.4.2Sistemas de Corrente Alternada Trifásica

136

4.2.5

POTÊNCIAS

142

4.2.5.1Potência Ativa ou Útil

143

4.2.5.2Potência Reativa

143

4.2.6

Potência Aparente

143

4.3 DEFINIÇÕES IMPORTANTES E NORMALIZAÇÃO

147

4.3.1

Potência Nominal

147

4.3.1.1Transformadores Trifásicos

147

4.3.1.2Transformadores Monofásicos

147

4.3.1.3Potências nominais normalizadas

147

4.3.2

TENSÕES

148

4.3.2.1Definições

148

4.3.2.2Escolha da Tensão Nominal

149

4.3.3

Derivações

151

4.3.3.1Definições

151

4.3.4

Correntes

153

4.3.4.1Corrente nominal

153

4.3.4.2Corrente de excitação

.153

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

4.3.4.3Corrente de curto-circuito

154

4.3.4.4Corrente de partida ou In rush

155

4.3.5 Frequência Nominal

155

4.3.6 Nível de Isolamento

155

4.3.7 Deslocamento angular

156

4.3.8 Identificaç ão dos Terminais

158

4.4 Características de Desempenho

163

4.4.1 Perdas

163

4.4.2 Rendimento

165

4.4.3 Regulação

166

4.4.4 Capacidade de sobrecarga

167

4.5 CARACTERÍSTICAS DA INSTALAÇÃO

173

4.5.1 OPERAÇÃO EM CONDIÇÕES NORMAIS E ESPECIAIS DE

173

4.5.2 CONDIÇÕES NORMAIS DE TRANSPORTE E INSTALAÇÃO.

173

4.5.2.1O transporte e a instalação devem estar de acordo com NBR 7036 ou a NBR 7037, a que

 

for

173

4.5.3

OPERAÇÃO EM PARALELO

175

4.5.3.1DIAGRAMAS VETORIAIS COM MES MO DESLOCAMENTO ANGULAR

175

4.5.3.2RELAÇÕES DE TRANSFORMAÇÃO IDÊNTIC AS INCLUSIVE DERIVAÇÕES

175

4.5.3.3IMPEDÂNCIA

175

4.5.4

OPERAÇÃO EM PARALELO

178

4.6 SELEÇÃO DOS TRANSFORMADORES

179

4.6.1 DETERMINAÇÃO DA POTÊNC IA DO TRANSFORMADOR

179

4.6.2 FATOR DE DEMANDA (d)

179

4.6.2.1DETERMINAÇÃO DA DEMANDA MÁXIMA DE UM GRUPO DE MOTORES

179

4.6.2.2DETERMINAÇÃO DA DEMANDA MÁX IMA DA INSTALAÇÃO

181

4.6.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO DAS TABELAS

182

4.6.4 CRITÉRIOS DE ESCOLHA DOS TRANSFORMADORES COM BASE NO VALOR

OBTIDO NA

182

4.6.4.1EVENTUAIS AUMENTOS DA POTÊNCIA INSTALADA

186

4.6.4.2CONVENIÊNCIA DA SUBDIVISÃO EM MAIS UNIDADES

186

4.6.4.3POTÊNCIA NOMINAL NORMALIZADA

187

4.6.5

DADOS NECESS ÁRIOS PARA IDENTIFICAÇÃO DE UM TRANSFORMADOR

187

4.7 CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

188

4.7.1.1NÚCLEO

188

4.7.1.2ENROLAMENTO

189

4.7.1.3DISPOSITIVOS DE PRE NSAGEM, CALÇOS E ISOLAME NTO

190

4.7.1.4COMUTADOR DE DERIVAÇÕES

190

4.7.2 BUCHAS

191

4.7.3 TANQUE

194

4.7.3.1SELADOS

195

4.7.3.2COM CONSERVADOR DE ÓLEO

196

4.7.3.3TRANSFORMADORES FLANGEADOS

196

4.7.4 RADIADORES

197

4.7.5 TRATAMENTO SUPERFICIAL E PINTURA

_198

4.7.6 LÍQUIDO DE ISOLAÇÃO E REFRIGERAÇÃO

198

4.7.7 PLACAS DE IDENTIFICAÇÃO E DIAGRAMÁTICA

201

4.7.8 ACESSÓRIOS

203

4.7.8.1RELÉ BUCHHOLZ (TRAFOSCÓPIO)

204

4.7.8.2TERMÔMETRO COM CONTATOS

205

4.7.8.3INDICADOR DE NÍVEL DE ÓLEO

207

4.7.8.4IMAGEM TÉRMICA

.209

4.7.8.5VÁLVULA DE ALÍVIO DE PRESSÃO

211

4.7.8.6RELÉ DE PRESSÃO SÚBITA

213

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

4.8

ENSAIOS

218

4.8.1 ENSAIOS DE ROTINA

218

4.8.2 ENSAIOS DE TIPO

219

4.8.3 ENSAIOS ESPECIAIS

219

4.8.4 OBJETIVOS DA REALIZAÇÃO DE ALGUNS ENSA IOS DE ROTINA:

219

4.8.4.1RESISTÊNCIA ELÉTRICA DOS ENROLAMENTOS:

219

4.8.4.2RELAÇÃO DE TENSÕES:

220

4.8.4.3RESISTÊNCIA DE ISOLAMENTO

220

4.8.4.4POLARIDADE

220

4.8.4.5DESLOCAMENTO ANGULAR E SEQUÊNCIA DE FASES

220

4.8.4.6PERDAS EM VAZIO

.221

4.8.4.7PERDAS EM CARGA

221

4.8.4.8ENSAIOS DIELÉTRICOS

222

4.8.4.9ESTANQUEIDADE

223

4.8.5

OBJETIVO DA REALIZAÇÃO DE ALGUNS ENSAIOS DE TIPO E ESPECIAIS

223

4.8.5.1ELEVAÇÃO DE TEMPERATURA:

223

4.8.5.2IMPULSO ATMOSFÉRICO:

223

4.8.5.3NÍVEL DE RUÍDO

224

4.8.5.4CURTO-CIRCUITO

224

4.8.5.5FATOR DE POTÊNCIA DO ISOLAMENTO

224

4.8.5.6TENSÃO DE RADIOINTERFERÊNCIA

224

4.9 INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO

225

4.9.1

TRANSFORMADORES DE DISTRIBUIÇÃO

_225

4.9.1.1RECEBIMENTO

225

4.9.1.2MANUSEIO

225

4.9.1.3ARMAZENAGEM

225

4.9.1.4INSTALAÇÃO

226

4.9.1.5MANUTENSÃO

226

4.9.1.6INSPEÇÃO PERIÓDICA

226

4.9.1.7REVISÃO COMPLETA

227

4.9.2

TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA (FORÇA)

227

4.9.2.1RECEBIMENTO

227

4.9.2.2DESCARRE GAMENTO E MANUSEIO

227

4.9.2.3VERIFICAÇÕES E ENSAIOS DE RECEBIMENTO

228

4.9.2.4ARMAZENAMENTO

228

4.9.2.5INSTALAÇÃO

228

4.9.2.6MONTAGEM DO TRANSFORMADOR

229

4.9.2.7CUIDADOS RECOMENDADOS DURANTE E APÓS A MONTAGEM

229

4.9.3 ENSAIOS

230

4.9.4 ENERGIZAÇÃO

231

4.9.5 MANUTENÇÃO

231

4.10 Conforme Anexo

5

Quadros

5.1 Manobra e Proteção

234

236

236

5.1.1

Aspectos Gerais

236

5.1.1.1Manobra

236

5.1.1.2Proteção - Aspectos considerados

236

5.1.1.3Análise generalizada da proteção

237

5.1.1.4Características gerais dos equipamentos de proteção

238

5.1.1.5Características Funcionais do Releamento

241

5.1.2

Aspectos es pecíficos

242

5.1.2.1Equipament os de manobra

242

5.1.2.2Proteção de motores

244

5.1.2.3Proteção de Geradores

244

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

5.1.2.4Proteção de

transformadores

245

5.1.2.5Proteção de barramentos

245

5.1.3

Coordenação

246

5.1.3.1Proteção de linhas

 

247

5.1.4

Princípios de coorden ação

248

5.2 Diagramas elétricos

249

5.2.1 Diagrama Unifilar

249

5.2.2 Diagrama Trifilar

250

5.2.3 Diagrama Funcional

251

5.2.4 Diagramas Construtivos

252

5.2.4.1Diagrama Sinóptico

253

5.3 Consideração a respeito de quadros elétricos

254

5.3.1

Classificações

254

5.3.1.1Quanto a função

254

5.3.1.2Quanto ao local de instalação

257

5.3.1.3Quanto ao grau de proteção

257

5.3.1.4Quanto ao tipo de construçã o

258

5.3.2 Comportamento dos metais (estrutura e barramento)

258

5.3.3 Característi cas dos metais

258

5.3.3.1Densidade

258

5.3.3.2Propriedades térmicas

.259

5.3.3.3Propriedades elétricas

.259

5.3.3.4Propriedades químicas

260

5.3.3.5Propriedades Mecanicas

260

5.4 Graus de Proteção

261

5.5 Condições Normais de Serviço

265

5.6 Considerações de Normalização

267

5.6.1

Definições (Segundo IEEE C 37.20.2 - 1993)

267

5.6.1.1Painéis Metal Clad

267

5.6.1.2Painéis Cubicle

268

5.6.1.3Painéis Interrupter

268

5.6.1.4Painéis Baixa Tensão

269

6 Produção Independente de Energia Elétrica no Brasil

270

6.1 Introdução

270

6.2 Ligação em Autoprodutores em paralelo com o sistema de distribuição

272

6.2.1

Paralelismo

272

6.2.1.1Condições para o Paralelismo

273

6.2.1.2Métodos para o Sincronismo

273

6.2.2

Proteção Contra Faltas

274

6.2.2.1 Nomenclatura para Relés (NBR 5175 - Maio 1988)

274

6.2.3

Projeto Elétrico

283

7 Dimensionamento de Fios e Cabos de Baixa Tensão

284

7.1 Os Seis Critérios Técnicos de Dimension amento de Condutores Elétricos

284

7.2 Seção do Condutor Neutro

285

7.3 O Condutor de Proteção

286

7.4 Cores dos Condutores Neutro e de Proteção

287

7.5 Tabelas

288

7.5.1 Grupos Contendo Cabos de Dimensões Diferentes

299

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

7.5.2 Correntes Máximas de Curto -Circuito

310

7.5.3 Correntes Máximas de Curto -Circuito

311

7.5.4 Correntes Máximas de Curto -Circuito

312

7.5.5 Determinação da Integral de Joule (l 2 t) de Condutores Elétricos

313

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

1

INTRODUÇÃO

A eletricidade é a forma mais fácil de se transportar energia para a sua utilização nos

processos de manufatura. Ela surgiu como forma de substituir a energia da máquina a vapor, pilastra mestra da atual revolução industrial. Com o crescimento do setor industrial no Brasil a partir do inicio dos anos 90, o aumento da demanda de energia elétrica superou a capacidade de crescimento do sistema de geração das concessionárias de energia levando o governo a considerar possibilidade de produção de energia elétrica por empresas do setor privado, com o objetivo de atrair investimentos no setor e assim “desafogar” o sistema elétrico Brasileiro.

A economia e a produção de energia elétrica passaram a ser prioridade para o Ministério

das Minas e Energia e o DNAEE (hoje ANEEL), que através de campanhas informativas incentivavam o uso racional de energia elétrica visando diminuir o desperdício e, através da modificação da legislação regulamentar a geração e a cogeração de energia por grupos e empresas privadas.

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

1.1 DEFINIÇÃO DE ENERGIA E POTÊNCIA

1.1.1 ENERGIA

Os físicos definem a palavra energia como a quantidade de trabalho que um sistema é capaz de fornecer. Energia, de acordo com os físicos, não pode ser criada, consumida ou destruída. No entanto a energia pode ser transformada ou transmitida de diferentes formas: a energia cinética do movimento das moléculas de ar podem ser convertidas em energia cinética de rotação pelo rotor de uma turbina eólica, que por sua vez pode ser convertida em energia elétrica através de um gerador acoplado ao rotor da turbina. Em cada processo de conversão de energia, parte da energia da fonte é dissipada em forma de calor (energia térmica) em função do atrito entre as engrenagens, moléculas de ar e esforços mecânicos da máquina conversora. A relação entre a energia que entra no sistema de conversão e a energia que sai desse sistema chama-se rendimento. Costuma-se medir a capacidade de produção de energia em quilowatt hora ou megawatt hora durante um certo período de tempo. Note que a unidade de energia é quilowatt hora [kW.h], e não apenas quilowatt [kW]. Confundir estas unidades é um erro bem comum.

Unidades de Energia

1 J [joule]

=

1 [W.s] = 4.1868 [cal]

1 GJ [gigajoule]

=

109 J

1 TJ [terajoule]

=

1012 J

1 PJ [petajoule]

=

1015 J

1 kWh [quilowatt hora]

=

3,600,000 [joules]

1 toe [tonelada de óleo equivalente]

= 7.4 barris de óleo cru na máquina primária

= 7.8 barris no total de consumo final

= 1270 m 3 de gás natural

1 Mtoe [milhão de toneladas de óleo equivalente] = 41.868 PJ

1.1.2 POTÊNCIA

A potência elétrica é normalmente medida em watt [W], quilowatt [kW], megawatt [MW], etc. Ou seja, potência é a quantidade de energia transferida por unidade de tempo. A potência pode ser medida em qualquer instante de tempo, enquanto a energia precisa ser medida em um intervalo de tempo, como um segundo, uma hora, um ano, etc. Por exemplo, se uma turbina ou gerador possuem uma potência nominal de 600 quilowatts [kW], significa que aquela turbina pode produzir 600 quilowatts hora [kW.h] de energia por hora d e operação, trabalhando no ponto máximo de eficiência. Dizer, por exemplo, que um país como a Dinamarca possui 1.000MW de potência eólica instalada, não quer dizer quanta energia as turbinas produzem. As turbinas eólicas funcionam cerca de 75% das horas do ano, mas funciona com capacidade máxima apenas durante um numero limitado de horas no ano. Para calcular a quantidade de energia produzida por uma turbina eólica é necessário conhecer a distribuição da velocidade do vento por cada turbina. No caso acima citado, as

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

turbinas retornam, na média, 2.300 horas de funcionamento a plena carga por ano. Para calcular a energia total produzida multiplica-se os 1.000MW de potência instalada pelas 2.300 horas de funcionamento a plena carga, que é igual a 2.300.000 [MWh] ou 2,3 [TW.h] de energia. Em outras áreas, tais como a Escócia, ou o oeste da Irlanda, encontramos turbinas que trabalham, na média, 3.000 horas a plena carga, e até mais. No entanto na Alemanha não são encontradas turbinas que trabalham mais que 2.000 horas por ano a plena carga. A potência dos motores de automóveis são geralmente medidas em cavalos e não em kW. A unidade “cavalo vapor” da uma idéia intuitiva de quanto “músculo” o gerador ou motor possui, enquanto a energia da uma idéia de quanto um motor ou gerador “trabalhou” durante um período de tempo.

Unidades de potência.

1 kW = 1.359 CV

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

1.2 O QUE É GERAÇÃO E COGERAÇÃO?

1.2.1 GERAÇÃO

A geração de energia elétrica é a transformação de qualquer tipo de energia em energia elétrica. Esse processo ocorre em duas etapas. Na 1 a etapa uma máquina primária transforma qualquer tipo de energia, normalmente hidráulica ou térmica, em energia cinética de rotação. Em uma 2 a etapa um gerador elétrico acoplado à máquina primária transforma a energia cinética de rotação em energia elétrica. Como exemplo podemos tomar uma hidroelétrica onde uma turbina hidráulica transforma a energia potencial da água em desnível, em energia cinética de rotação que é transferida a um eixo acoplado a um gerador, tal como mostrado na figura 1.

1.2.2 COGERAÇÃO

De acordo com a ANEEL (Agencia Nacional de Energia Elétrica), “Cogeração de

energia é definida como o processo de produção combinada de calor e energia elétrica (ou mecânica), a partir de um mesmo combustível, capaz de produzir benefícios sociais, econômicos

e ambientais. A atividade de cogeração contribui efetivamente para a racionalização energética, uma vez que possibilita maior produção de energia elétrica e térmica a partir da mesma

quantidade de combustível.” Diferentemente da geração, na cogeração a energia térmica, ou outro tipo de energia, é utilizado diretamente nos processos de manufatura, tais como fornos, caldeiras, entre outros. A cogeração é o reaproveitamento dos “resíduos” de energia dessas fontes para a geração de energia elétrica diminuindo, assim, as perdas e, conseqüentemente, aumentando o rendimento e

o aproveitamento das fontes de energia.

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 1 – Central hidráulica em circuito aberto a céu

Figura 1 – Central hidráulica em circuito aberto a céu aberto, Rio Paraná, Itapu, Brasil. 1- Barragem, 2- grades, 3- tomada de águas, 4- conduto forçado, 5- turbina, 6- alternador, 7- casa de máquinas, 8- pórtico-ponte, 9- sistema de descarga 10- transformadores, 11- sistema de transmissão.

A cogeração é a forma mais eficiente de gerar calor e energia elétrica a partir de uma mesma fonte de energia. Comparando a utilização de combustível fóssil com a quantidade de calor que é normalmente gasta no processo de geração de energia, a cogeração alcança níveis de eficiência 3 vezes maior, podendo chegar a 4 vezes, do que no processo convencional de geração. No entanto a cogeração passou a ser utilizada a muito pouco tempo. No meio da déca da de 80, com o preço do gás natural relativamente baixo, a cogeração tornou-se uma alternativa atrativa como uma nova forma de geração de energia elétrica. De fato, a cogeração é um dos maiores responsáveis pela grande diminuição da construção de usinas hidrelétricas e termonucleares ocorrida na década de 80. Hoje a cogeração corresponde a mais da metade da capacidade das novas usinas instaladas na América do Norte na ultima década. Os equipamentos de cogeração podem utilizar outros combustíveis além do gás natural. Existem instalações em operação que utilizam madeira, bagaço de cana-de-açúcar, e outros combustíveis dependendo do local e disponibilidade. As implicações ambientais da cogeração são bem menores quando comparadas às do processo convencional de geração, não apenas pela sua inerente eficiência, mas também pelo seu caráter descentralizador. Isto se deve ao fato de ser impraticável o transporte de calor (energia térmica) a grandes distâncias, e os equipamentos de cogeração são localizados fisicamente próximos aos processos que utilizam calor. Desta forma a energia elétrica tende a ser gerada

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próxima aos centros consumidores, reduzindo as perdas pela transmissão e a necessidade de equipamentos para a distribuição. Um número significativo de conseqüências positivas para o meio ambiente decorrem deste fato. As plantas de cogeração tendem a ser pequenas por isso podem pertencer e serem operadas por companhias menores e afastadas de um centro industrial. Como regra geral, elas também são construídas próximas a áreas populacionais, o que significa que devem ser mantidas no mais alto padrão ambiental. Como por exemplo, na Europa e ,cada vez mais, na América do Norte, a cogeração é o coração do sistema de calefação da cidade. Calefação distrital e cogeração combinados podem reduzir as emissões de gases poluentes mais do que qualquer outra tecnologia.

de gases poluentes mais do que qualquer outra tecnologia. Figura 2 – Esquema geral de cogeração

Figura 2 – Esquema geral de cogeração em uma industria

Para entender cogeração, é necessário saber que a forma mais convencional de se gerar energia é baseada na queima de um combustível para produzir vapor. É a pressão do vapor que gira a turbina e gera energia, em um processo inerentemente ineficiente. Por causa de um principio básico da física, pouco mais que um terço da energia liberada pela queima do combustível pode ser convertida em pressão de vapor para gerar energia elétrica. A cogeração, no entanto, utiliza esse excesso de calor, normalmente na forma de vapor, a uma temperatura relativamente baixa, liberada pelas turbinas. Esse vapor é utilizado em uma gama de aplicações das mais variadas, e efetivamente diminui a combustão de combustíveis a base de carbono, juntamente com todas as implicações ambientais que a queima desses combustíveis possui. Além da cogeração, há um grande número de tecnologias que fazem uso do vapor liberado pelas turbinas a baixas temperatura e pressão. Essas tecnologias são conhecidas como sistemas de “ciclo combinado”. Elas são mais eficientes que a geração convencional de energia, mas não tão eficiente quanto a cogeração.

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1.3 O SISTEMA DE GERAÇÃO

O sistema de geração é formado pelos seguintes componentes: Máquina primária, geradores, transformador e sistema de controle, comando e proteção.

1.3.1 MÁQUINA PRIMÁRIA

É a maquina primária que faz a transformação de qualquer tipo de energia em energia cinética de rotação para ser aproveitada pelo gerador. Por exemplo, a máquina que transforma a energia liberada pela combustão do gás em energia cinética é a turbina a gás. As principais máquinas primárias utilizadas hoje são motores Diesel, turbinas hidráulicas, turbinas a vapor, turbinas a gás e eólicas. Normalmente as centrais elétricas onde as máquinas primárias são turbinas a vapor, as centrais são classificadas em relação ao combustível utilizado para aquecer o vapor. Onde ocorre o processo de combustão as centrais são chamadas de termelétricas e onde ocorre o processo de fissão nuclear são chamadas de termonucleares.

1.3.2 GERADORES

São os geradores que transformam a energia cinética de rotação das máquinas primárias em energia elétrica. Os geradores são dimensionados de acordo com a potência que a máquina primária pode fornecer. Além da potência, o tipo de máquina primária ( eólica, hídrica, térmica, etc ) define também a velocidade de rotação que irá ser transmitida ao gerador e, em função dessa velocidade é definido o número de pólos do gerador. O funcionamento, especificação e detalhes do projeto serão estudados mais profundamente no capitulo 3.

1.3.3 TRANSFORMADORES

Uma vez gerada a energia elétrica, existe a necessidade de se compatibilizar o nível da tensão de saída com a tensão do sistema ao qual o grupo gerador será ligado. O equipamento utilizado para elevar ou rebaixar o nível de tensão é o transformador. Desta forma um grupo gerador que gera energia a uma tensão de 13.8 kV pode ser ligado a uma linha de transmissão de 69kV desde que um transformador de 13,8/69 kV faça o ajuste da tensão. O funcionamento dos transformadores será estudado com mais detalhes no capitulo 5.

1.3.4 CONTROLE, COMANDO E PROTEÇÃO

Para interligar um grupo gerador a uma rede de transmissão ou distribuição são necessários vários requisitos. Em primeiro lugar, a tensão de saída do gerador não pode variar mais que 10% para cima ou para baixo. O controle da tensão é feito através da excitatriz do próprio gerador e será estudada no capitulo 3. No entanto, não basta apenas compatibilizar a tensão. É necessário que se faça o sincronismo com a rede antes de comandar o fechamento da linha. Para que estas medidas sejam tomadas, são necessários vários equipamentos de manobra e

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proteção, tais como TC’s, TP’s, relés e disjuntores. O quadro de comando e proteção reúne todos estes equipamentos, e permite ao operador supervisionar o funcionamento do sistema e atuar imediatamente caso se faça necessário. A freqüência do sistema elétrico é a variável mais importante e a mais difícil de ser controlada. Para que o sistema de geração funcione corretamente, é necessário que a freqüência de tensão de saída do gerador seja constante e de acordo com o sistema elétrico da região em que se encontra. Por exemplo, no Brasil a freqüência de operação do sistema elétrico é de 60 Hz, e o sistema de geração de energia elétrica do Paraguai é de 50 Hz. Esta freqüência é função da rotação do gerador, portanto o gerador deve funcionar sempre em uma rotação fixa, que é aplicada pela máquina primária. Portanto ela depende da velocidade de rotação da máquina primária. Cabe ao sistema de controle atuar nos reguladores de velocidade das máquinas primárias e assim garantir uma freqüência fixa da tensão na saída do gerador. A potência elétrica de saída do gerador é diretamente proporcional a potência mecânica transmitida pela máquina primária através do eixo. Sabemos que a potência mecânica na ponta do eixo de uma máquina girante é diretamente proporcional ao produto da velocidade de rotação e o torque na ponta de eixo:

P = k C n

onde k é uma constante de proporcionalidade.

Portanto, se o gerador precisar entregar mais potência para o sistema devido a um aumento súbito de carga, a máquina primária precisa aumentar o torque transferido ao gerador, uma vez que a rotação deve-se manter constante. Algumas das principais diferenças entre os turbogeradores e os hidrogeradores é a velocidade de rotação e o momento de inércia da parte girante. Nos hidrogeradores a velocidade de rotação é normalmente bem mais baixa e o momento de inércia bem maior do que nos turbogeradores, uma das conseqüências desta diferença é a de que os turbogeradores necessitam de sistemas de controle de corrente de campo e controle da velocidade de rotação da máquina primária mais confiáveis e mais rápidos do que os hidrogeradores, pois uma perturbação na carga requer uma adaptação rápida e precisa do sistema de geração.

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2

MÁQUINAS PRIMÁRIAS

2.1 HIDRÁULICAS

Toda eletricidade é proveniente de uma fonte de energia encontrada na natureza, como

os

fonte de energia é a energia potencial de um volume de água, em função da diferença de

altitude entre o montante e a juzante. Para iniciar o processo de conversão da energia potencial da água em energia elétrica, a água dos reservatórios é captada, através de um sistema de adução onde a água é transportada através de condutos de baixa pressão. Os condutos de baixa pressão possuem uma declividade muito baixa, pois a sua finalidade é apenas o transporte da água até a entrada dos condutos forçados, que conduzem a água até a casa de máquinas onde se encontram as turbinas.

A

combustíveis fósseis, os ventos, entre outros. Nas hidrelétricas este princípio não é diferente.

Nas hidrelétricas este princípio não é diferente. Figura 2.1.1 – Exemplo de turbinas em barragens A

Figura 2.1.1 – Exemplo de turbinas em barragens

A turbina hidráulica é uma máquina com a finalidade de transformar a energia cinética do escoamento contínuo da água que a atravessa em trabalho mecânico. Para isso elas são equipadas com uma série de pás (ou conchas, no caso das turbinas Pelton). Quando a água atravessa essas pás, as turbinas giram com uma grande força. A força com que gira essa turbina depende inicialmente da altura da queda de água, que corresponde, aproximadamente, a diferença de altitude entre a adução e a entrada da turbina. Existem várias formas de conseguir um desnível aproveitável: Por represamento, onde uma barragem acumula as águas dos rios em alturas necessárias para obtenção dessa energia. Neste caso as casas de máquinas são localizadas nos pés das barragens. Por Desvio, onde uma parte do rio é desviada de seu curso normal para aproveitar-se um desnível de terreno. Ou por

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derivação, onde parte da água de um rio é desviada e jogada em outro rio aproveitando-se o desnível entre os dois rios. Nestes últimos as casas de máquinas são localizadas o mais próximo possível da jusante dos desníveis.

o mais próximo possível da jusante dos desníveis. Figura 2.1.2 – Corte longitudinal em uma turbina

Figura 2.1.2 – Corte longitudinal em uma turbina tipo francis, eixo vertical. 1- rotor, 2- pá, 3- labirinto interno, 4- labirinto externo, 5- Orifícios de equilíbrio de pressão, 6- tubo de equilíbrio de pressão, 7- palheta diretriz, 8- tampa, 9- caixa espiral, 10- palheta fixa, 11- tubo de sucção, 12- eixo, 13- flange de acoplamento, 14- servomotor das aletas ajustáveis.

Basicamente existem 2 tipos de turbinas hídricas: as turbinas de reação ou propulsão, e turbinas de ação ou impulso.

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 2.1.3 - Corte longitudinal em uma turbina tipo hélice,

Figura 2.1.3 - Corte longitudinal em uma turbina tipo hélice, kaplan, de eixo vertical. 1- rotor, 2- pá, 3- palheta diretriz, 4- tampa intermediaria, 5- tampa externa, 6- tampa interna, 7- anel periférico, 8- caixa, 9- palheta fixa, 10- tubo de sucção, 11- eixo, 12- flange de acoplamento.

a) Turbinas de Reação (ou propulsão): São turbinas em que o trabalho mecânico é obtido pela transformação das energias cinéticas e de pressão da água em escoamento através do rotor. As turbinas de reação são as do tipo Francis e Kaplan.

b) Turbinas de Ação (ou impulso): Aquela em que o trabalho mecânico é obtido pela obtenção da energia cinética da água em escoamento através do rotor. As turbinas de ação são as do tipo Pelton.

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 2.1.4 – Corte transversal em uma turbina pelton de

Figura 2.1.4 – Corte transversal em uma turbina pelton de dois injetores, de eixo horizontal e coroa em uma única peça. 1- rotor, 2- pá, 3- coroa de pás, 4- tampa, 5- desviador frontal, 6- poço, 7- blindagem, 8- canal de fuga, 9-eixo de turbina, 10- injetor, 11- freio de jato, 12- agulha, 13- cruzeta pelton, 14- defletor.

A turbina hidráulica utiliza a energia cinética de rotação de seu rotor para girar o

gerador ao qual está conectado. Um dispositivo elétrico chamado transformador converte a tensão de saída do gerador em tensões aproveitáveis pelas concessionárias. Estima-se que o Brasil tenha um potencial de geração de energia hidrelétrica da ordem de 200.000MW, capaz de fornecer 1 milhão de GWh de eletricidade anualmente, dos quais somente 25% estão sendo utilizados. A capacidade nominal instalada de geração de energia elétrica no Brasil é de 57.232MW, dos quais 92% são derivados de hidrelétricas. A ELETROBRÁS participa com 27.052MW da capacidade nominal instalada. Em 1996, o sistema teve energia disponível da ordem de 311.379GWh, para um consumo de 260.908GWh, empregava 157.063 trabalhadores e tinha aproximadamente 39,8 milhões de consumidores.

O Brasil, juntamente com o Paraguai, possui uma das maiores usinas hidrelétricas do

mundo, a Itaipú Binacional, com capacidade instalada de 12.600MW, localizada no rio Paraná,

fronteira dos dois países.

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2.2 DIESEL

O motor Diesel é uma maquina térmica, ou seja, transforma energia térmica em energia

mecânica através do mesmo principio de funcionamento dos motores a explosão, como os conhecidos motores de automóveis. Esses motores são chamados de máqu inas térmicas a pistão ou motores de combustão interna. Seu objetivo é a obtenção de trabalho através da liberação da energia química do combustível.

através da liberação da energia química do combustível. Figura 2.2.1 – Grupo gerador com motor Diesel

Figura 2.2.1 – Grupo gerador com motor Diesel 1- Máquina térmica motora, motor Diesel. 2- Máquina elétrica geradora. 3- Árvore, através da qual o motor Diesel fornece a potência para o gerador. 4- Saída dos produtos da combustão. 5 - Entrada ou saída do fluido refrigerante.

A figura 2.2.1 mostra um grupo gerador onde um motor Diesel é a máquina térmica

motora que está acoplada a um alternador, máquina elétrica geradora ou operadora. Observa-se

que o motor Diesel fornece na árvore um trabalho em uma unidade de tempo, potência, entregando ao meio externo, através de seus sistemas de refrigeração e nos produtos de combustão, calor. Tal potência e calores são resultado da liberação de uma energia química liberada através de reações exotérmicas entre um combustível, no caso o óleo Diesel, e um comburente, no caso o oxigênio do ar. Os motores a pistão de combustão interna podem ser classificadas de várias maneiras, entre as quais algumas merecem destaque:

Quanto ás propriedades do gás na fase de compressão: motores Otto e motores Diesel;

Quanto ao ciclo de trabalho: Motores de 2 e 4 tempos. Nos motores de 2 tempos ocorre um processo de trabalho a cada giro da árvore, e no motor 4 tempos são necessários 2 giros para completar um ciclo do processo;

Quanto ao movimento do pistão: motores a pistão rotativos ou alternativos;

Quanto ao número de cilindros.

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 2.2.2 – Corte no cabeçote de um motor de

Figura 2.2.2 Corte no cabeçote de um motor de combustão interna PM1- Ponto morto superior. PM2- Ponto morto inferior. 1- Cilindro. 2- Pistão ou êmbolo. 3- Vela. 4- Válvulas.

Quanto a disposição dos cilindros: motores a pistão com cilindros em linha, V. L, H, W, em estrela e com cilindros opostos.

Os motores a pistão de combustão interna mais utilizados em grupos geradores são os motores Diesel. Diferentemente do motores Otto, em que a mistura combustível e comburente é preparada fora do motor pelo carburador e injetada no cilindro, nos motores Diesel o ar é admitido no cilindro, comprimido, e o combustível é injetado na massa de ar comprimido através de um circuito independente ocasionando assim a inflamação espontânea. O ciclo de funcionamento de um motor Diesel é a 4 tempos onde a combustão ocorre com pequena variação de pressão a volume constante sendo sua maior parte desenvolvida a pressão constante. Tal fato é uma característica única nos motores a diesel. No caso dos motores diesel, a regulação de velocidade é feita a partir da injeção de combustível no motor, tal como é feita nos motores diesel convencionais. Esta regulação de velocidade é fundamental para que a freqüência do grupo gerador seja constante, em 60 ou 50 Hz dependendo do sistema, independentemente da variação da carga. As centrais Diesel, apesar de sua limitação de potência, ruído e vibração, constituem um tipo de central muito utilizado até potências de 40 MW. Isto porque são bastante compactas, entram em carga em um tempo muito pequeno, são de fácil operação e apresentam um plano de manutenção de fácil execução, entre outros motivos.

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 2.2.3 – Ciclo de trabalhe de motor Diesel a

Figura 2.2.3 – Ciclo de trabalhe de motor Diesel a 4 tempos. PM1 e PM2 – Pontos mortos superior e inferior. VA – Válvula de admissão. VE – Válvula de escape. D – diâmetro do pistão. E – curso. R – Raio da árvore de manivelas. Vm – volume morto. Vc – Volume da cilindrada. I – Pistão ou êmbolo. II – Biela. III – Árvore de manivelas. IV – Camisa. V – Cavernas, para refrigeração. VI – Injetor. Estado 2 – Início da injeção. Estado 3 – final da combustão. 1 o tempo, 0-1, admissão 2 o tempo, 1-2, compressão 3 o tempo, 2-3-4, injeção, combustão e expansão 4 o tempo, 4-0, escape.

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2.3 TERMELÉTRICAS

As máquinas a vapor foram as primeiras máquinas a produzirem energia mecânica aproveitável para processos industriais. Por isto essas máquinas foram fundamentais para o acontecimento da revolução industrial. Com o aparecimento da eletricidade, as máquinas a vapor se tornaram peças fundamentais para a geração de energia elétrica, uma vez que já existia o domínio dessa tecnologia. As instalações de potência com turbinas a vapor podem visar apenas a obtenção de energia elétrica ou mecânica ou simultaneamente elétrica ou mecânica e vapor para o processo. Essas centrais podem trabalhar em circuito aberto ou fechado, sendo o circuito aberto muito utilizado quando se pretende utilizar calor para o processo.

utilizado quando se pretende utilizar calor para o processo. Figura 2.3.1 – Funcionamento de uma instalação

Figura 2.3.1 Funcionamento de uma instalação de potência a vapor.

O aquecimento da água é feito através da queima de algum combustível. De um modo geral denomina-se combustível, qualquer corpo cuja combinação química com outro seja exotérmica. Entretanto, condições de baixo preço, existência na natureza ou processo de fabricação em grande quantidade limitam o número de combustíveis usados tecnicamente. Tendo em vista seu estado físico, os combustíveis podem ser classificados em sólidos, líquidos ou gasosos. Os combustíveis sólidos são formados de C, H 2 , O 2 , S, H 2 O e cinzas. Sendo combustíveis apenas os 4 primeiros elementos. Entre os combustíveis sólidos temos os minerais

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como turfas linhitos e carvão, e os não-minerais como lenha, serragem, bagaço de cana, de pinho etc. Os combustíveis líquidos também podem ser minerais ou não minerais. Os minerais são obtidos pela refinação do petróleo, destilação do xisto betuminoso ou hidrogenação do carvão. Os mais usados são a gasolina, o óleo diesel e o óleo combustível. Os combustíveis líquidos não- minerais são os álcoois e os óleos vegetais. Os combustíveis gasosos são divididos em naturais e

artificiais. Entre os naturais destacam-se o gás dos pântanos CH 4 e os gases de petróleo. Entre os artificiais temos o gasogênio, gás de alto-forno e gás de esgoto. Basicamente, uma instalação a vapor é composta de bomba, caldeira, turbina e condensador. Tendo em vista a pressão na saída da turbina, temos as instalações a vapor de condensação e de contrapressão. Nas primeiras, a pressão do vapor na saída da turbina é menor que a atmosférica, nas segundas maior.

A combustão ocorre na caldeira, dentro da câmara de combustão onde são injetados o

combustível e o comburente (ar). Após a combustão são retirados, como produto do processo, gases e cinzas constituídos de produtos não queimados. A liberação de energia térmica devido ao

processo de combustão aquece a água na caldeira até evaporar. Uma vez na tubulação um superaquecedor eleva a temperatura do vapor aumentando assim a pressão para entrar na turbina. Ao passar pela turbina o vapor perde pressão e vai para o condensador onde volta ao estado líquido e é bombeado de volta para a caldeira.

A turbina é a máquina que transforma a energia da pressão do vapor em energia cinética

de rotação e, através de um eixo de acoplamento, transmite essa energia para o gerador.

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2.4 TERMONUCLEARES

A usinas termonucleares funcionam utilizando o mesmo princípio de funcionamento das

usinas térmicas, ou seja, as máquinas que entregam energia para o gerador são as turbinas a vapor (ver figura 2.4.1). O que torna essas usinas especiais é o combustível utilizado. Ao invés de uma reação química de combustão, o que acontece é uma liberação de energia a nível atômico.

acontece é uma liberação de energia a nível atômico. Figura 2.4.1 – Funcionamento de uma usina

Figura 2.4.1 – Funcionamento de uma usina nuclear

O núcleo do átomo foi descoberto em 1911 por Rutherford ao analisar as partículas

liberadas pelos átomos, mas somente após a descoberta do nêutron por Chadwick e as reações

feitas pelo casal Joliot-Curie em 1932 é que o núcleo começou a adquirir a sua real importância.

O tamanho do núcleo é muito pequeno. Ele ocupa o centro do átomo, e a carga total

positiva, bem como quase toda a massa do átomo está no núcleo. Ele é formado basicamente por prótons e nêutrons. Os prótons possuem uma carga positiva numericamente igual a carga do elétron (1.602 x 10 -19 C). Os nêutrons são eletricamente neutros. As partículas do núcleo são chamadas de nucleons. As forças que mantém as partículas do núcleo unidas entre si são provenientes da repulsão eletrostática entre os prótons e de forças pequenas da natureza que aparecem dentro do núcleo que são chamadas de forças nucleares.

A energia acumulada por essas forças nucleares são chamadas de energia de coesão e é

calculada pela equação de Einstein: E=MC 2 .

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Ao se determinar a massa do núcleo, descobrimos que ela é menor que a soma das massas dos seus componentes. A diferença entre as duas é chamada de erro de massa (Dm) e a energia de coesão fica E=Dm.C 2

Uma parte da massa do núcleo é transformada em energia de coesão para manter as partículas do núcleo unidas. Essa energia é liberada durante a reação nuclear. Dividindo a energia de coesão pelo número de componentes do núcleo obtemos a energia média do núcleo, um valor que indica a estabilidade do núcleo. Se o valor da energia de coesão média é alto, então este núcleo é estável. Se esse valor é baixo, então ele é instável e tende a emitir alguns de seus componentes para tornar-se mais estável. Neste caso o núcleo é radioativo. O elemento natural mais pesado que se encontra na Natureza é o urânio . A maior part e dele constitui-se de átomos estáveis , dotados de 92 prótons e 146 nêutrons . A soma dessas quantidades determina o número atômico 238 . Aproximadamente 1 % do urânio , porém , é constituído de átomos com apenas 143 nêutrons , o que resulta no número atômico 235 : estes são instáveis . Os termos energia atômica e energia nuclear são sinônimos e definem o mesmo conceito. A razão para esse nome duplo é histórica.

A fissão nuclear é a reação na qual um núcleo pesado, quando bombardeado por

nêutrons, dividem-se em dois núcleos, um com aproximadamente metade da massa do outro. Esta reação libera uma grande quantidade de energia e emite dois ou três nêutrons. Estes por su a vez podem causar outras fissões interagindo com outros núcleos que vão emitir novos nêutrons, e assim por diante, proporcionando uma liberação de energia em progressão geométrica. Este efeito é conhecido como reação em cadeia. Em uma fração de segundos o numero de núcleos que foram divididos liberam 106 vezes mais energia do que a obtida na explosão de um bloco de dinamite de mesma massa. Em vista da velocidade com que a reação nuclear ocorre, a energia é liberada muito mais rapidamente do que em uma reação química. Este é o princípio no qual a bomba nuclear é baseado. As condições sob as quais a bomba atômica foi descoberta e construída fazem parte da historia da humanidade e é familiar a todo mundo. Se, por outro lado, apenas um desses nêutrons liberados produzir apenas uma fissão, o numero de fissões por segundo passa a ser constante e a reação é controlada. Este é o principio de operação no qual os reatores nucleares são baseados, os quais são fontes controláveis de energia proveniente de fissões nucleares.

A maioria dos reatores usa como combustível o urânio enriquecido, em que a

porcentagem de U-235 é elevada de 1 para 3. O urânio, normalmente em forma de óxido, encontra-se acondicionado no interior de longas hastes. Estas são arranjadas paralelamente, formando elementos cilíndricos. Inicia-se a reação em cadeia bombardeando com nêutrons esses elementos de combustível. Ao se fissionarem, os núcleos de U-235 liberam nêutrons animados de alta energia para que estes possam ser usados na fissão de novos núcleos, sua velocidade de deslocamento precisa ser reduzida. Nesse momento, entra em cena um moderador, substância que envolve os elementos de combustível no núcleo do reator. Os moderador mais comuns são a água pesada e o grafite. Regula-se a taxa com que se dá a reação em cadeia por meio de hastes de controle, que podem ser introduzidas entre tubos de combustível. As hastes são feitas de materiais capazes de absorver nêutrons: quanto mais nêutrons forem absorvidos, menos núcleos experimentam a fissão e menor a energia produzida. O calor gerado na reação nuclear é absorvido no circuito de

refrigeração. Na ausência deste, o núcleo do reator aqueceria de tal forma que acabaria por derreter.

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Há dois tipos básicos de reatores nucleares modernos. O primeiro deles emprega grafite como moderador e um gás no circuito de refrigeração. O segundo utiliza água pesada como moderador e água comum pressurizada como refrigerante. A água é mantida sob uma pressão tão alta que, mesmo em temperaturas na faixa de 300 graus centígrados, mantém seu estado liquido.

faixa de 300 graus centígrados, mantém seu estado liquido. Figura 2.4.2 – Partes componentes de uma

Figura 2.4.2 – Partes componentes de uma usina nuclear

Em ambos os tipos de reator, o fluido refrigerante passa através de um trocador de calor que contém água comum com o intuito de se transformar em vapor. Este vapor é usado para mover uma turbina, que por sua vez gera eletricidade. Depois de alguns anos o U-235 presente no urânio esgota-se. As hastes que contém o combustível são então retiradas e em seguida enviadas a uma u sina de reprocessamento, onde se realiza a separação de componentes aproveitáveis. Os principais são o próprio urânio e o plutônio, bastante utilizado na confecção de artefatos nucleares. O plutônio é formado nos reatores pela absorção de nêutrons pelos núcleos de U-238. Um novo tipo de reator, chamado de enriquecimento rápido, produz quantidades bem mais elevadas de plutônio. Para que possam funcionar, esses reatores de enriquecimento rápido exigem a disponibilidade de uma enorme quantidade de nêutrons, uma vez que grande parcela deles é absorvida pelos núcleos de U-238. Como deve restar um fluxo de nêutrons suficiente para manter a reação em cadeia do U- 235, os reatores de enriquecimento rápido trabalham apenas com nêutrons rápidos. Em outras palavras, não contam com um moderador. Em compensação, exigem que o circuito de refrigeração seja preenchido por uma substância capaz de absorver as altas quantidades de calor resultantes - por exemplo sódio liqüefeito. Além de alimentar a indústria de armamentos nucleares, o plutônio produzido nos reatores é armazenado, para uso no futuro em reatores que o utilizem como combustível . Em muitos países a utilização da energia nuclear é tão grande que ultrapassa 60% de toda a energia gerada. A tabela a seguir mostra o quanto alguns países produzem de energia nuclear em relação ao total de energia gerada.

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País

Eletricidade de origem nuclear

França

70%

Bélgica

67%

Suécia

50%

Suíça

39%

Alemanha

30%

Espanha

29%

Japão

25%

Tabela 2.1 – Percentual de eletricidade de origem nuclear

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Geração
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2.5 TURBINA A GÁS

As primeiras turbinas a gás foram idealizadas a mais de 150 anos. No entanto o desenvolvimento e a implementação dessa tecnologia foi dificultada por uma série de motivos. Destacamos entre eles:

A máquina a vapor era o grande avanço da engenharia na época, e todo o desenvolvimento industrial estava fundamentado neste tipo de máquina. Portanto, para que houvesse concorrência, um novo tipo de máquina teria que possuir níveis de rendimento muito altos, o que só era possível a temperaturas próximas de 500 o C. Essas temperaturas só foram alcançadas nos últimos 50 anos com o avanço da metalurgia que passou a fornecer materiais que suportassem esses níveis de temperatura por longos períodos de tempo. Em função do número excessivo de estágios do turbocompressor, a potência para instalações estacionárias era limitada. Apesar dos avanços consideráveis na resolução deste problema, ele ainda ocupa a cabeça de muitos engenheiros encarregados de desenvolver esta tecnologia. baixo rendimento dos compressores resultavam em um baixo rendimento para a instalação, problemas estes que só foram resolvidos nas últimas décadas através do desenvolvimento da mecânica dos fluidos, das técnicas construtivas, da teoria dos modelos e dos respectivos ensaios, que permitiram a fabricação de turbocompressores com rendimentos superiores a 85%.

Não há duvidas que os grandes avanços tecnológicos que viabilizaram o desenvolvimento das turbinas a gás são mérito da indústria aeronáutica que, necessitando aumentar a velocidade dos aviões, abandonaram os motores a pistão para se dedicarem ao desenvolvimento de motores a reação. Desta forma surgiram o primeiro turboélices e turbojatos na Segunda guerra mundial.

turboélices e turbojatos na Segunda guerra mundial. Figura 2.5.1 – Grupo gerador a gás com turbina

Figura 2.5.1 – Grupo gerador a gás com turbina em circuito aberto

De uma forma bem geral podemos classificar as instalações de turbinas a gás em dois grandes grupos: Turbinas a gás em circuito aberto e Turbinas a gás em circuito fechado.

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

2.5.1 TURBINAS A GÁS EM CIRCUITO ABERTO

As instalações das turbinas a gás em circuito aberto, estacionárias, podem ser com ou

sem recuperação. Neste tipo de instalação encontram-se os motores a reação turboélice e turbojato. O princípio de funcionamento dos motores a reação é simples. No item 2.2 vimos o funcionamento dos motores a pistão. Esses motores utilizam a força exercida nos pistões devida a rápida expansão dos gases em função da explosão. Como já sabemos, a toda força que exerce uma ação corresponde uma força de reação de mesma intensidade, mas com o sentido oposto ao da força atuante. Na figura 2.5.2 estão representadas, de forma simplificada, as forças que atuam em um cilindro quando ocorre a combustão no seu interior.

em um cilindro quando ocorre a combustão no seu interior. Figura 2.5.2 - forças atuantes em

Figura 2.5.2 - forças atuantes em um cilindro com pistão

Em função do princípio da ação e reação, as forças que agem nas laterais do cilindro se anulam, uma vez que a superfície é cilíndrica. A força que provoca o deslocamento do pistão é equilibrada por outra de mesma intensidade no fundo do cilindro, provocando também o seu deslocamento se nenhum vínculo existir para impedir. Dizemos que o pistão sofre um deslocamento pela “ação” de uma força, enquanto o cilindro é deslocado pela “reação” de um a força de igual modulo e direção, porem no sentido contrário. Normalmente utilizamos a ação e

procuramos eliminar a reação através de vínculos. Isto ocorre, por exemplo, em todos os motores a pistão, em fuzis, metralhadoras , canhões, etc. Nos motores a reação, a idéia é usar a força de reação. No entanto essa força é de curta duração, como a força do recuo de um tiro. Contudo, se usarmos uma metralhadora que dispara milhares de tiros por minuto, essa força terá maior duração, mas com grandes oscilações. A amplitude das oscilações pode ser reduzida diminuindo-se os tamanhos dos projéteis. Se essas dimensões tenderem a zero, também essas amplitudes o farão. O escoamento contínuo de um gás corresponde a realização prática desse princípio. Uma vez que as moléculas do gás representarão os elementos expelidos em dimensões diminutas, logo teremos uma força de reação constante. Como em um balão de borracha cheio onde o ar é expulso através de uma abertura.

A figura acima representa uma esfera oca, com uma abertura por onde escoa

continuamente uma massa m de fluido a uma velocidade c. Consequentemente ela sofrerá uma reação ou impulsão com uma força F de módulo igual a:

F = m c

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
4
Geração
de
Energia

Desta forma, quanto maior a massa de gás que sai da esfera por unidade de tempo, maior a velocidade para a mesma seção, logo, maior a reação.

a velocidade para a mesma seção, logo, maior a reação. Figura 2.5.3 – Força de reação

Figura 2.5.3 – Força de reação

Este é o princípio de funcionamento dos motores a reação, dos quais fazem parte o Turboélice, motojato, turbojato, pulsojato, estatorreator ou impactorreator e o foguete. Se fixarmos essas máquinas e colocarmos na saída uma hélice, podemos transformar a energia cinética do gás de escape, que sai por causa da diferença de pressão entre o interior e o exterior, em energia cinética de rotação. Essa energia cinética de rotação pode ser transmitida a um gerador através de um eixo acoplado as hélices.

a um gerador através de um eixo acoplado as hélices. Figura 2.5.4 – Principio de funcionamento

Figura 2.5.4 – Principio de funcionamento do rotor

Este é o princípio de funcionamento da turbina a gás em circuito aberto. Este tipo de instalação possui um rendimento médio em torno de 30%. O combustível utilizado é o gás natural. Em seguida é mostrado, de uma forma simplificada, o ciclo teórico para o funcionamento da turbina.

o ciclo teórico para o funcionamento da turbina. Figura 2.5.5 – Turbina 32 WEG – Transformando

Figura 2.5.5 – Turbina

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
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Geração
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Energia

Em um ciclo simples da turbina, o ar a baixa pressão entra em um compressor (estado 1) onde tem sua pressão elevada (estado 2). O combustível é adicionado ao ar comprimido e enviado à câmara de combustão onde ocorre o processo de combustão. O produto desta combustão entra na turbina (estado 3) e se expande para o estado 4. Uma parte do trabalho produzido é utilizado para fazer o compressor funcionar e o restante é utilizado para fazer funcionar o equipamento auxiliar e produzir energia elétrica. O ciclo de Bryton descreve um ciclo simplificado de uma turbina a gás. As quatro etapas do ciclo são:

(1-2) Compressão adiabática (2-3) Aquecimento isobárico, isto é, a pressão constante (3-4) Expansão adiabática (4-1) Resfriamento isobárico.

Os diagramas p x v (pressão x volume) e T x s (temperatura x entropia) são mostrados a

seguir.

e T x s (temperatura x entropia) são mostrados a seguir. Figura 2.5.6 – Ciclo de

Figura 2.5.6 – Ciclo de Bryton

2.5.2 TURBINAS A GÁS EM CIRCUITO FECHADO.

Instalações com turbinas a gás em circuito fechado, onde a combustão ocorre fora do circuito e o funcionamento é semelhante ao das turbinas a vapor, com a diferença que o fluido utilizado é um gás, podendo ser o próprio ar ou outro gás como o hélio por exemplo. Nas turbinas a gás com circuito fechado o fluido a baixas temperaturas (ambiente) passa por um estágio de compressão onde 2 ou mais turboco mpressores elevam a pressão do gás em torno de 5 vezes. Após o estágio de compressão o gás é aquecido, aproveitando-se o calor da saída da turbina e passando por uma caldeira, até atingir temperaturas superiores a 700 o C de onde vai para a entrada das turbinas. As turbinas funcionam por diferença de pressão, ou seja, aproveitam a energia cinética do gás que passa de um lugar de da alta para um lugar de baixa pressão. Após passar por alguns estágios de turbinas o gás volta a pressão inicial e passa por um trocador de calor onde pré- aquece o gás que entra no aquecedor, abaixando a sua temperatura para perto de 100 o C. O gás então é resfriado e retorna a sua condição inicial recomeçando o ciclo. O esquema mostrado a seguir proporciona uma visão de como ocorre o processo a partir da compressão do gás, até a sua expansão após a passagem pela turbina de baixa pressão. Para entender o funcionamento basta acompanhar os valores de temperatura e pressão em cada etapa do processo.

Módulo 4 – Geração de Energia
Módulo
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Geração
de
Energia
Módulo 4 – Geração de Energia Figura 2.5.7 – Esquema geral de uma central térmica a

Figura 2.5.7 – Esquema geral de uma central térmica a gás em circuito fechado. 1 – Turbocompressor de baixa pressão. 2 – Turbocompressor de alta pressão. 3 – Turbina de alta pressão. 4 – Redutor. 5 – Turbina de baixa pressão. 6 – Pré-refrigerador. 7 – Refrigerador intermediário. 8 – Trocador de calor. 9 – Aquecedor de ar.

Note que a turbina a gás em circuito fechado não usa o gás como combustível. A combustão é feita com qualquer produto combustível com a intenção de fornecer energia térmica ao sistema. O gás é utilizado apenas como o fluido que transforma a energia térmica em energia cinética para tocar as turbinas. Por exemplo existem usinas nucleares que utilizam o sistema de turbinas a gás em circuito fechado para geração de energia elétrica, onde a energia térmica é gerada a partir de combustível nuclear.

energia térmica é gerada a partir de combustível nuclear. Figura 2.5.8 – Ciclos teóricos da turbina

Figura 2.5.8 – Ciclos teóricos da turbina a gás com circuito fechado (Carnot, Ericsson)

Esse tipo de turbina utiliza o ciclo básico teórico de Carnot com duas isotérmicas e duas adiabáticas tal como mostrado na figura 2.5.8, que é aproximado na prática pelo ciclo de Ackeret e Keller onde a compressão isotérmica 1,2 é substituída por compressões adiabáticas e

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
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Energia

refrigeração isobárica enquanto a expansão isotérmica 3,4 é substituída por expansões adiabáticas e aquecimentos isobáricos.

por expansões adiabáticas e aquecimentos isobáricos. Figura 2.5.9 – Ciclo de trabalho da turbina a gás

Figura 2.5.9 – Ciclo de trabalho da turbina a gás com circuito fechado (Ackeret e Keller)

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
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Energia

2.6 TURBINAS EÓLICAS

Para se entender o funcionamento da turbina eólica faz-se necessário conhecer um pouco da origem da energia transformada em eletricidade por esses equipamentos que, apesar de seu princípio de funcionamento aparentemente simples, são hoje o que existe de mais moderno na área de geração de energia elétrica para fins comerciais. Toda a energia renovável (exceto a geotérmica e a das marés), bem como a energia dos combustíveis fósseis, são provenientes do Sol. O sol irradia 10 14 kwh por hora de energia para a terra. Cerca de 1 a 2% dessa energia proveniente do Sol é convertida em energia eólica. Isto corresponde a cerca de 50 a 100 vezes mais do que a energia convertida em biomassa por todas as plantas do planeta. Diferenças de temperatura fazem com que o ar circule. As regiões em volta do equador, na latitude 0 o , são mais atingidas pelo calor do sol do que o restante do globo. Se não houvesse a rotação da terra o ar simplesmente circularia na direção dos pólos a 10 Km d e altitude, desceria e retornaria ao equador. Uma vez que o globo está rodando, todo o movimento do hemisfério norte é dirigido para a direita, se observarmos este fenômeno em uma posição fixa olhando para o equador (no hemisfério sul ela tende para a esquerda). Essa força aparente de curvatura é conhecida como força de Coriolis (nome do matemático francês Gustave Gaspard Coriolis 1792 – 1843). A força de Coriolis é um fenômeno visível. Por exemplo, os trilhos das estradas de ferro desgastam mais de um lado que do outro, os rios são mais profundos em uma margem que na outra (O lado depende de em qual hemisfério você está). Isto também funciona para os ventos. No hemisfério norte, por exemplo, o vento tende a rodar no sentido anti-horário, enquanto no hemisfério sul, é no sentido horário. Estes dois fatores (as diferenças de temperatura e a força de Coriolis) aliados à geografia, que impõe obstáculos à passagem dos ventos e considera as costas dos continentes, definem o movimento dos ventos. Uma turbina eólica obtém potência convertendo a força dos ventos em um torque atuando nas pás do rotor. A quantidade de energia que o vento transfere para o rotor depende da densidade do ar, da área do rotor, e da velocidade do vento.

do ar, da área do rotor, e da velocidade do vento. Figura 2.6.1 – Um cilindro

Figura 2.6.1 – Um cilindro de ar de1500m 2 e 1m de largura atravessa o rotor de uma turbina eólica.

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
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Energia

A figura mostra como uma fatia de ar de 1 metro de espessura se move através de um

rotor de área de 1500m 2 de uma típica turbina eólica de 600kW. Com 43m de diâmetro do rotor,

cada cilindro de ar pesa 1,9 toneladas, isto é, 1500 vezes 1,25kg que é o peso de 1m 3 de ar.

A energia cinética de um corpo em movimento é proporcional a sua massa. A energia

cinética do vento também depende da densidade do ar, ou seja, de sua massa por unidade d e volume. Em outras palavras, quanto mais pesado for o ar, mais energia é recebida pela turbina. Sob pressão atmosférica normal e a 15 o C a massa do ar é de 1,25 kg por metro cúbico, mas a densidade aumenta com o aumento da umidade. De forma análoga, quanto mais frio o ar, mais denso. Em altas altitudes (em montanhas por exemplo) a pressão do ar é menor e portanto a densidade é menor. Uma turbina eólica típica de 600kW possui um rotor com 43 a 44 metros de diâmetro, o que significa que cobre uma área de 1500m 2 . A área do rotor determina quanta energia o rotor está apto a retirar do vento. Como a área do rotor aumenta com o quadrado do diâmetro, uma turbina que possua um rotor 2 vezes maior recebe 2 2 = 4 vezes mais energia.

rotor 2 vezes maior recebe 2 2 = 4 vezes mais energia. Figura 2.6.2 – Visão

Figura 2.6.2 – Visão geral de uma turbina eólica

A velocidade do vento é extremamente importante para a quantidade de energia que

uma turbina pode converter para energia elétrica. A energia contida no vento varia com o cubo da velocidade média do vento. Por exemplo, se a velocidade do vento aumenta 2 vezes, a energia convertida aumenta 2 3 = 2 x 2 x 2 = 8 vezes. Mas por que a energia eólica varia com o cubo da velocidade média do vento? Observando o nosso dia-a-dia sabemos que se dobrarmos a

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
de
Energia

velocidade do carro, será necessário 4 vezes mais energia para movimentá-lo (essencialmente isto é conseqüência da Segunda lei de Newton para o movimento dos corpos). No caso da turbina eólica utiliza-se a energia de frenagem do vento, e se a velocidade do vento for o dobro, tem-se duas vezes mais volume de ar por segundo movendo-se através do rotor, e cada unidade de volume possui 4 vezes mais energia, como no exemplo do carro. O gráfico mostra que a uma velocidade de 8 m/s tem-se uma potência (quantidade de energia por segundo) de 314 Watts por metro quadrado exposto ao vento (o vento que chega perpendicular a área coberta pelo rotor). A 16 m/s tem-se 8 vezes mais potência, isto é, 2509 W/m 2 .

m/s tem-se 8 vezes mais potência, isto é, 2509 W/m 2 . Figura 2.6.3 – Gráfico

Figura 2.6.3 Gráfico da potência por unidade de área em função da velocidade do vento.

A tabela mostra a potência por metro quadrado exposto ao vento para diferentes velocidades.

m/s

W/m 2

m/s

W/m 2

m/s

W/m 2

0

0

8

314

16

2509

1

1

9

447

17

3009

2

5

10

613

18

3572

3

17

11

815

19

4201

4

39

12

1058

20

4900

5

77

13

1346

21

5672

6

132

14

1681

22

6522

7

210

15

2067

23

7452

Tabela 2.6.1 – Valores discretos de potência por unidade de área.

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
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Energia

Para “captar” a energia cinética do vento e transferir para a flange do rotor transformando em energia cinética de rotação, as pás do rotor e são desenhadas conforme as asas de um avião. Ou seja, o desenho aerodinâmico cria regiões de diferentes pressões em torno das pás fazendo com que elas se movam. Em uma turbina de 600kW moderna, as pás do rotor medem cerca de 20 metros.

de 600kW moderna, as pás do rotor medem cerca de 20 metros. Figura 2.6.4 – Princípio

Figura 2.6.4 – Princípio de funcionamento da asa

O corpo da turbina eólica faz o encapsulamento dos componentes principais, incluindo

o redutor e o gerador elétrico. O pessoal da manutenção pode entrar dentro do corpo a partir da

torre da turbina quando houver necessidade. Em uma das extremidades do corpo fica o rotor, isto

é, as pás interligadas pela flange, na outra o namômetro e o cata-vento.

pela flange, na outra o namômetro e o cata-vento. Figura 2.6.5 – Corpo da turbina À

Figura 2.6.5 – Corpo da turbina

À flange do rotor está ligado um eixo de baixa rotação que é acoplada a um ampliador.

Uma turbina de 600kW possui uma rotação relativamente baixa, cerca de 19 a 30 rpm. No eixo

de baixa rotação estão localizadas bombas para o sistema hidráulico que opera o freio aerodinâmico como veremos mais adiante.

O ampliador é um dispositivo mecânico que transmite potência através de dois eixos

girando em velocidades diferentes. Em uma turbina de 600kW, por exemplo, o ampliador

transmite uma potência recebida da turbina através do eixo de baixa rotação a uma velocidade de 19 a 30 rpm para um gerador através do eixo de alta rotação a uma velocidade de aproximadamente 1500 rpm, isto é, 50 vezes mais rápido. Por causa das perdas em função do atrito mecânico das engrenagens, a temperatura do ampliador aumenta e um sistema de refrigeração a óleo é responsável pela manutenção da temperatura dentro de faixas aceitáveis.

O eixo de alta rotação interliga o ampliador e o gerador. Ele esta equipado com um freio

a disco mecânico de emergência que é usado no caso do freio aerodinâmico falhar ou quando a

turbina está em manutenção.

O gerador usado nas turbinas eólicas é um gerador de indução ou gerador assíncrono,

que utiliza o mesmo princípio de funcionamento do motor assíncrono. Esta característica torna

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
de
Energia

os geradores de turbinas eólicas mais baratos e com um menor custo de manutenção. No entanto isso só é possível porque a potência máxima das turbinas eólicas fica compreendida em uma faixa que vai de 500 a 1500kW.

O controlador eletrônico é um computador que monitora continuamente as condições do

vento na turbina e controla o mecanismo de direcionamento da turbina, que tem a função de

manter a turbina sempre perpendicular à incidência do vento. No caso de algum defeito, como o sobreaquecimento do gerador ou do ampliador, o controlador comanda a parada da turbina e avisa o computador do operador via linha telefônica através de um modem.

O mecanismo de direcionamento utiliza um motor elétrico para virar o corpo da turbina

de forma que ela fique totalmente contra o vento. Ele é operado por um controlador eletrônico que monitora a direção do vento utilizando o cata-vento.

O sistema hidráulico é utilizado para operar o freio aerodinâmico da turbina. Mudando-

se o angulo de ataque das pás, pode-se variar a velocidade da turbina. Desta forma o controlador

atua no sistema hidráulico com o objetivo de manter a velocidade da turbina constante. A unidade de refrigeração é responsável por manter a temperatura do gerador e do ampliador dentro de uma faixa aceitável para que não se diminua a vida útil destes equipamentos. Por isso o sistema de refrigeração possui um ventilador elétrico independente que tem a função de resfriar o gerador, bem como o óleo que é utilizado pelo ampliador.

o gerador, bem como o óleo que é utilizado pelo ampliador. Figura 2.6.6 – partes componentes

Figura 2.6.6 – partes componentes da turbina

O papel da torre da turbina eólica é sustentar o corpo e o rotor da turbina. Geralmente é

uma vantagem a utilização de torres altas uma vez que a velocidade do vento cresce conforme a distância do solo. Uma turbina de 600kW, hoje, fica suspensa a uma altura que varia entre 40 e 60 metros, o que corresponde aproximadamente a uma altura de um prédio de 13 a 20 andares. As torres podem ser tubulares (como mostrado na figura) ou em treliça. Torres tubulares são mais seguras para as pessoas que trabalham na manutenção, uma vez que é utilizado o interior da

torre para se alcançar o topo. A vantagem da torre em treliça é que ela é bem mais barata.

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Geração
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Energia

O anemômetro é usado para medir a velocidade enquanto o cata-vento mede a direção do vento. Os sinais eletrônicos enviados pelo transdutor de velocidade do anemômetro é utilizado pelo sistema de controle da turbina para aciona-la quando a velocidade do vento chegar a 5 metros por segundo. O computador também para a turbina automaticamente se a velocidade do vento chegar a 25 metros por segundo com a finalidade de proteger a turbina e seus arredores. Os sinais eletrônicos utilizados pelo transdutor de direção do cata-vento são utilizados pelo sistema de controle para acionar o mecanismo de direcionamento.

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Geração
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Energia

3

GERADORES

3.1 INTRODUÇÃO

3.1.1 HISTÓRICO

O gerador elementar foi inventado na Inglaterra em 1831 por MICHAEL FARADAY, e nos Estados Unidos, mais ou menos na mesma época, por JOSEPH HENRY. Este gerador consistia basicamente de um ímã que se movimentava dentro de uma espira, ou vice-versa, provocando o aparecimento de uma f.e.m. registrado num galvanômetro.

o aparecimento de uma f.e.m. registrado num galvanômetro. Figura 3.1 - O galvanômetro "G" indica a
o aparecimento de uma f.e.m. registrado num galvanômetro. Figura 3.1 - O galvanômetro "G" indica a

Figura 3.1 - O galvanômetro "G" indica a passagem de uma corrente quando o ímã se move em relação a bobina.

A WEG INDÚSTRIAS LTDA, DIVISÃO MÁQUINAS iniciou sua fabricação em

1980, tendo adquirido ao longo destes anos uma larga experiência e tecnologia na fabricação de geradores de pequeno e grande porte.

3.1.2 NOÇÕES DE APLICAÇÕES

Geradores síncronos são máquinas destinadas a transformar energia mecânica em energia elétrica.

Praticamente toda a energia consumida nas indústrias, residências, cidades, etc ,são proveniente destes geradores.

A WEG INDÚSTRIAS LTDA, DIVISÃO MÁQUINAS fabrica geradores para as

seguintes aplicações:

Geração Eólica; Alimentação de Fazendas, Sítios, Garimpos, Carros de Som; Pequenos Centros de Geração de Energia para uso Geral; Grupos Diesel de Emergência; Centro de Processamento de Dados;

Módulo 4 – Geração de Energia Telecomunicações; Usinas Hidroelétricas PCH’s; Cogeração / Turbo
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Geração
de
Energia
Telecomunicações;
Usinas Hidroelétricas PCH’s;
Cogeração / Turbo Geradores;
Aplicações Específicas para uso Naval, Usinas de Açúcar e Álcool, Madeireiras,
Arrozeiras, Petroquímica, etc.
3.1.2.1 TIPOS DE ACIONAMENTOS
A
- Grupo Diesel
São geradores acionados por Motores Diesel;
Potência: 50 a 1500 kVA
Rotação: 1800 rpm (IV pólos)
Tensão: 220, 380 ou 440 V - 50 ou 60 Hz.
B
- Hidrogeradores
São geradores acionados por Turbinas Hidráulicas;
Potência: até 20.000 kVA
Rotação: 360 a 1800 rpm (XX a IV pólos)
Tensão: 220 a 13.800 V
C
- Turbogeradores

São geradores acionados por Turbinas a Vapor;

Potência: até 20.000 kVA

Rotação: 1800 rpm ( IV pólos )

Tensão: 220 a 13.800 V

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
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Energia

3.2 NOÇÕES FUNDAMENTAIS

3.2.1 PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO

A característica principal de um gerador elétrico é transformar energia mecânica em elétrica. Para facilitar o estudo do princípio de funcionamento, vamos considerar inicialmente uma espira imersa em um campo magnético produzido por um ímã permanente (Figura 3.2). O princípio básico de funcionamento está baseado no movimento relativo entre uma espira e um campo magnético. Os terminais da espira são conectados a dois anéis, que estão ligados ao circuito externo através de escovas. Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória.

Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de
Este tipo de gerador é denominado de armadura giratória. Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de

Figura 3.2 - Esquema de funcionamento de um gerador elementar (armadura girante)

Admitamos que a bobina gira com velocidade uniforme no sentido da flecha dentro do campo magnético "B" também uniforme (Figura 3.2). Se "v" é a velocidade linear do condutor em relação ao campo magnético, segundo a lei da indução (FARADAY), o valor instantâneo da f.e.m. induzida no condutor em movimento de rotação é determinada por:

e = B l v sen( q )

Onde:

e = força eletromotriz;

B

= indução do campo magnético;

l

= comprimento de cada condutor;

v

= velocidade linear;

q = ângulo formado entre B e v.

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
de
Energia

Para N espiras teremos então:

e = B l v sen( q ) N

A variação da f.e.m. no condutor, em função do tempo, é determinada pela lei da

distribuição da indução magnética sob um pólo. Esta distribuição tem um caráter complexo e

depende da forma da sapata polar. Com um desenho conveniente da sapata poderemos obter uma distribuição senoidal de induções. Neste caso, a f.e.m. induzida no condutor também varia com o tempo sob uma lei senoidal.

A Figura 3.4a. mostra somente um lado da bobina no campo magnético, em 12 posições

diferentes, estando cada posição separada uma da outra de 30o.

A Figura 3.4b nos mostra as tensões correspondentes a cada uma das posições.

Já nos geradores de campo giratório (Figura 3.3) a tensão de armadura é retirada

diretamente do enrolamento de armadura (neste caso o estator) sem passar pelas escovas. A potência de excitação destes geradores normalmente é inferior a 5% da potência nominal, por este motivo, o tipo de armadura fixa (ou campo girante) é o mais utilizado.

de armadura fixa (ou campo girante) é o mais utilizado. Figura 3.3 - Esquema de funcionamento

Figura 3.3 - Esquema de funcionamento de um gerador elementar (armadura fixa).

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
de
Energia
Módulo 4 – Geração de Energia Figura 3.4 - Distribuição da Indução Magnética sob um Pólo

Figura 3.4 - Distribuição da Indução Magnética sob um Pólo

A cada giro das espiras teremos um ciclo completo da tensão gerada, para uma máquina de um par de pólos. Os enrolamentos podem ser construídos com um número maior de pares de pólos, que se distribuirão alternadamente (um norte e um sul). Neste caso, teremos um ciclo a cada par de pólos. Sendo "n" a rotação da máquina em "rpm" e "f" a freqüência em ciclos por segundo (HERTZ) teremos:

Onde:

f

= p

n

120

[ Hz ]

f = frequência (Hz)

p

= número de pólos

n

= rotação síncrona (rpm)

Note que o número de pólos da máquina terá que ser sempre par, para formar os pares de pólos. Na tabela 3.1 são mostradas, para as freqüências e polaridades usuais, as velocidades síncronas correspondentes.

Número de pólos

60 Hz

50 Hz

2

3600

3000

4

1800

1500

6

1200

1000

8

900

750

10

720

600

Tabela 3.1 - Velocidades Síncronas

Módulo 4 – Geração de Energia
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Geração
de
Energia

3.2.2 GERAÇÃO DE CORRENTE TRIFÁSICA

O sistema trifásico é formado pela associação de três sistemas monofásicos de tensões

U1 , U2 e U3 tais que a defasagem entre elas seja de 120 o (Figura 3.5).

O enrolamento desse tipo de gerador é constituído por três conjuntos de bobinas

dispostas simetricamente no espaço, formando entre si também um ângulo de 120 o . Para que o sistema seja equilibrado isto é, U1 = U2 = U3 o número de espiras de cada bobina também deverá ser igual.

de espiras de cada bobina também deverá ser igual. Figura 3.5 - Sistema Trifásico A ligação
de espiras de cada bobina também deverá ser igual. Figura 3.5 - Sistema Trifásico A ligação
de espiras de cada bobina também deverá ser igual. Figura 3.5 - Sistema Trifásico A ligação
de espiras de cada bobina também deverá ser igual. Figura 3.5 - Sistema Trifásico A ligação

Figura 3.5 - Sistema Trifásico

A ligação dos três sistemas monofásicos para se obter o sistema trifásico é feita

usualmente de duas maneiras, representadas nos esquemas seguintes. Nestes esquemas (Figuras 2.2.2 e 2.2.3) costuma-se representar as tensões com setas inclinadas, ou vetores girantes mantendo entre si o ângulo correspondente à defasagem (120 o ).

3.2.2.1 LIGAÇÕES NO SISTEMA TRIFÁSICO

a) Ligação triângulo:

Chamamos "tensões/correntes de fase" as tensões e correntes de cada um dos três sistemas monofásicos considerados, indicados por Vf e If. Se ligarmos os três sistemas

monofásicos entre si, como indica a figura 2.2.2.a, podemos eliminar três fios, deixando apenas um em cada ponto de ligação, e o sistema trifásico ficará reduzido a três fios U, V e W.

A tensão entre dois quaisquer destes três fios chama-se "tensão de linha" (Vl), que é a

tensão nominal do sistema trifásico. A corrente em qualquer um dos fios chama-se "corrente de

linha" (Il).

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Figura 3.6 - Ligação Triângulo

Examinando o esquema da figura 3.6b, vê-se que:

1)

A cada carga é aplicada a tensão de linha "Vl", que é a própria tensão do sistema

2)

monofásico correspondente, ou seja, V L = V F . A corrente em cada fio de linha, ou corrente de linha "I L ", é a soma das correntes das duas fases ligadas a este fio, ou seja, I L = I F1 + I F3 .

Como as correntes estão defasadas entre si, a soma deverá ser feita graficamente, como

mostra a figura 3.6c. Pode-se mostrar que

I L

= I

F

como mostra a figura 3.6c. Pode-se mostrar que I L = I F 3 = 1

3 = 1,732 I

F

Exemplo: Temos um sistema trifásico equilibrado de tensão nominal 220 V.

A corrente de linha (Il) medida é 10 A. Ligando a este sistema uma carga trifásica

composta de três cargas iguais ligadas em triângulo, qual a tensão e a corrente em cada uma das

cargas?

Temos V F = V1 = 220V em cada uma das cargas.

Se I L = 1,732 x I F , I F = 0,577 x I L = 0,577 x 10 = 5,77 A em cada uma das cargas.

b) Ligação estrela:

Ligando um dos fios de cada sistema monofásico a um ponto comum aos três, os três fios restantes formam um sistema trifásico em estrela como na figura 6.7a. Às vezes, o sistema trifásico em estrela é "a quatro fios" ou "com neutro".

O quarto fio é ligado ao ponto comum às três fases. A tensão de linha, ou tensão

nominal do sistema trifásico, e a corrente de linha são definidos do m esmo modo que na ligação triângulo.

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Figura 3.7 - Ligação Estrela

Examinando o esquema da figura 3.7b vê-se que:

1)

A corrente em cada fio da linha, ou corrente de linha (I L ), é a mesma corrente

da

2)

fase à qual o fio está ligado, ou seja, I L = I F . A tensão entre dois fios quaisquer do sistema trifásico é a soma gráfica figura 3.7c das tensões das duas fases as quais estão ligados os fios considerados, ou seja,

V L

= V

F

estão ligados os fios considerados, ou seja, V L = V F 3 = 1 ,

3 = 1,732 V

F

Exemplo: Temos uma carga trifásica composta de três cargas iguais, cada carga é feita para ser ligada a uma tensão de 220V, absorvendo, 5,77A. Qual a tensão nominal do sistema trifásico que alimenta esta carga em suas condições normais (220V e 5,77A) Qual a corrente de linha (I L )?

Temos V F = 220V (nominal de cada carga)

V L = 1,732 x 220V = 380V I L = I F = 5,77 A.

3.2.2.2 TENSÃO NOMINAL MÚLTIPLA

A grande maioria dos geradores são fornecidos com terminais do enrolamento religáveis, de modo a poderem pelo menos fornecer duas tensões diferentes. Os principais tipos de religação de terminais de geradores ou motores assíncronos para funcionamento em mais de uma tensão são:

a) Ligação série-paralela:

O enrolamento de cada fase é dividido em duas partes (lembrar que o número de pólos é sempre par, de modo que este tipo de ligação é sempre possível).

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Ligando as duas metades em série, cada metade ficará com a metade da tensão de fase nominal da máquina. Ligando as duas metades em paralelo, a máquina poderá ser alimentada com uma tensão igual à metade da tensão anterior, sem que se altere a tensão aplicada a cada bobina. Veja os exemplos numéricos da figura 3.8.

a cada bobina. Veja os exemplos numéricos da figura 3.8. Figura 3.8 - Tensão Nominal Múltipla

Figura 3.8 - Tensão Nominal Múltipla

É

comum em geradores o fornecimento em três tensões 220/380/440.

O

procedimento nestes casos para se obter 380 V é ligar o gerador em 440 V, e alterar a

referência no regulador de tensão, de modo a se obter a redução de tensão (redução da indução magnética). Deste modo, poderemos obter três tensões na ligação Y, que é a mais comum em

geradores.

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LIGAÇÃO

TENSÃO DE LINHA

CORRENTE DE LINHA

POTÊNCIA (VA)

Y

V

L

=

V

F

3
3
 

I L = I F

 

P

= 3 V

F

I

F

D

 

V L = V F

I

 

=

I

 
3
3

P

=

3 V

3 V

L

I

L

 

L

F

 

Tabela 3.2 - Relação entre tensões(linha/fase) correntes (linha/fase) e potência em um sistema trifásico.

b) Ligação estrela-triângulo:

É comum para partida de motores assíncronos a ligação estrela-triângulo. Nesta ligação, o enrolamento de cada fase tem as duas pontas trazidas para fora do motor. Se ligarmos as três fases em triângulo cada fase receberá a tensão da linha, por exemplo (figura 3.9b) 220 Volts. Se ligarmos as três fases em estrela (figura 3.9a), o motor pode ser

ligado a uma linha com tensão igual a 220 x 3 = 380 V sem alterar a tensão no enrolamento que continua igual a 220 Volts por fase. Este tipo de ligação exige 6 terminais acessíveis no motor e serve para quaisquer

tensões nominais duplas, desde que a segunda seja igual a primeira multiplicada por

desde que a segunda seja igual a primeira multiplicada por 3 . Exemplos :220/380V - 380/660V
3 .
3 .

Exemplos:220/380V - 380/660V - 440/760V.

Note que uma tensão acima de 600 Volts não é considerada baixa tensão, mas entra na faixa da alta tensão, em que as normas são outras, nos exemplos 380/660 e 440/760V, a maior tensão declarada serve somente para indicar que o motor pode ser religado em estrela-triângulo, pois não existem linhas dessas tensões.

pois não existem linhas dessas tensões. Figura 3.9 - Ligação Estrela-Triângulo 51 WEG –
pois não existem linhas dessas tensões. Figura 3.9 - Ligação Estrela-Triângulo 51 WEG –

Figura 3.9 - Ligação Estrela-Triângulo

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3.2.3 COMPORTAMENTO DO GERADOR EM VAZIO E SOB CARGA

Em vazio (em rotação constante), a tensão de armadura depende do fluxo magnético

gerado pelos pólos de excitação, ou ainda da corrente que circula pelo enrolamento de campo. Isto porque o estator não é percorrido por corrente, portanto é nula a reação da armadura cujo efeito é alterar o fluxo total.

A relação entre tensão gerada e a corrente de excitação chamamos de característica a

vazio (figura 3.10) onde podemos observar o estado de saturação da máquina.

onde podemos observar o estado de saturação da máquina. Figura 3.10 Característica a Vazio. Em carga,

Figura 3.10 Característica a Vazio.

Em carga, a corrente que atravessa os condutores da armadura cria um campo magnético, causando alterações na intensidade e distribuição do campo magnético principal. Esta alteração depende da corrente, do cosj e da carga, como descrito a seguir:

a) Carga puramente resistiva:

Se o gerador alimenta um circuito puramente resistivo, é gerado pela corrente de carga um campo magnético próprio. Campo magnético induzido produz dois pólos (gerador bipolar figura 3.11a) defasados de 90 o em atraso em relação aos pólos principais, e estes exercem sobre os pólos induzidos uma força contrária ao movimento, gastando-se potência mecânica para se manter o rotor girando.

O diagrama da fig. 3.11b mostra a alteração do fluxo principal em vazio F 0 em relação

ao fluxo de reação da armadura F R . A alteração de F 0 é pequena, não produzindo uma variação muito grande em relação ao fluxo resultante. Devido a perda de tensão nos enrolamentos da armadura será necessário aumentar a corrente de excitação para manter a tensão nominal (figura

3.14)

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Figura 3.11 - Carga Puramente Resistiva

b) Carga puramente indutiva:

Neste caso, a corrente de carga está defasada em 90 o em atraso com relação a tensão, e o campo de reação da armadura estará conseqüentemente na mesma direção do campo principal, mas em polaridade oposta. O efeito da carga indutiva é desmagnetizante (figura 3.12a e b). As cargas indutivas armazenam energia no seu campo indutor e a devolvem totalmente ao gerador, não exercendo nenhum conjugado frenante sobre o induzido. Neste caso, só será necessário energia mecânica para compensar as perdas. Devido ao efeito desmagnetizante será necessário um grande aumento da corrente de excitação para se manter a tensão nominal (figura 3.14).

excitação para se manter a tensão nominal (figura 3.14). Figura 3.12 - Carga Puramente Indutiva 53
excitação para se manter a tensão nominal (figura 3.14). Figura 3.12 - Carga Puramente Indutiva 53

Figura 3.12 - Carga Puramente Indutiva

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c) Carga puramente capacitiva:

A corrente de armadura para uma carga capacitiva está defasada de 90 o em adiantamento em relação a tensão. O campo de reação da armadura conseqüentemente estará na mesma direção do campo principal e com a mesma polaridade. O campo induzido, neste caso, tem um efeito magnetizante (figura 3.13a e b). As cargas capacitivas armazenam energia em seu campo elétrico e a devolvem totalmente ao gerador, não exercendo também, como no caso anterior, nenhum conjugado de frenagem sobre o induzido. Devido ao efeito magnetizante será necessário reduzir a corrente de excitação para manter a tensão nominal (figura3.14)

Figura 3.13 - Carga Puramente Capacitiva
Figura 3.13 - Carga Puramente Capacitiva

Figura 3.14 - Variação da corrente de excitação para manter a tensão de armadura constante.

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d) Cargas intermediárias:

Na prática, o que encontramos são cargas com defasagem intermediária entre totalmente indutiva ou capacitiva e resistiva. Nestes casos o campo induzido pode ser decomposto em dois campos, um transversal e outro desmagnetizante (indutiva) ou magnetizante (capacitiva). Somente o campo transversal tem um efeito frenante consumindo, desta forma, potência mecânica da máquina acionante. O efeito magnetizante ou desmagnetizante deverá ser compensado alterando-se a corrente de excitação.

3.2.4 MÁQUINAS DE PÓLOS LISOS E SALIENTES

Os geradores síncronos são construídos com rotores de pólos lisos ou salientes.

PÓLOS LISOS: São rotores nos quais o entreferro é constante ao longo de toda a periferia do núcleo de ferro.

constante ao longo de toda a periferia do núcleo de ferro. Figura 3.15 - Rotor de

Figura 3.15 - Rotor de pólos lisos

PÓLOS SALIENTES: São rotores que apresentam uma descontinuidade no entreferro ao longo da periferia do núcleo de ferro. Nestes casos, existem as chamadas regiões interpolares onde o entreferro é muito grande, tornando visível a saliência dos pólos.

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 3.16 - Rotor de pólos salientes 3.2.5 REATÂNCIAS A

Figura 3.16 - Rotor de pólos salientes

3.2.5

REATÂNCIAS

A análise básica do desempenho transitório de máquinas síncronas é muito facilitada

por uma transformação linear de variáveis, na qual as três correntes de fase do estator I A , I B , e I C ,

são substituídas por três componentes, a componente de eixo direto, I d , a componente de eixo em quadratura, I q , e uma componente monofásica I 0 , conhecida como componente de seqüência zero (eixo zero). Para operação equilibrada em regime permanente (figura 3.17), I 0 é nula (não sendo discutida, portanto).

O significado físico das componentes de eixo direto e em quadratura é o seguinte: A

máquina de pólos salientes tem uma direção preferencial de magnetização determinada pela

saliência dos pólos de campo. A permanência ao longo do eixo polar ou direto, é apreciavelmente maior do que ao longo do eixo interpolar ou quadratura.

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 3.17 - Diagrama Esquemático para uma Máquina Síncrona Um

Figura 3.17 - Diagrama Esquemático para uma Máquina Síncrona

Um circuito efetivo de rotor, no eixo direto, além do enrolamento de campo principal, é formado pelas barras amortecedoras. Considere-se uma máquina operando inicialmente em vazio, e um curto-circuito trifásico súbito aparece em seus terminais. No desenho abaixo, pode ser observada uma onda de corrente de estator em curto- circuito, tal como pode ser obtida num osciloscópio (figura 3.18).

tal como pode ser obtida num osciloscópio (figura 3.18). Figura 3.18 - Corrente de Armadura Simétrica

Figura 3.18 - Corrente de Armadura Simétrica em Curto-Circuito em uma máquina síncrona

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Reatância subtransitória

É o valor de reatância da máquina correspondente a corrente que circula na armadura

durante os primeiros ciclos, conforme pode ser visto na figura 3.18 (Período Subtransitório). Seu

valor pode ser obtido dividindo o valor da tensão da armadura antes da falta, pela corrente no início da falta, para carga aplicada repentinamente e à freqüência nominal.

Onde:

x ¢¢ d =

E

I ¢¢

E =

Valor eficaz da tensão fase a neutro nos terminais do gerador síncrono,

I'' =

antes do curto-circuito Valor eficaz da corrente de curto-circuito do período sub-transitório em regime permanente. Seu valor é dado por:

I ¢¢ =

Reatância transitória

I max 2
I
max
2

É o valor de reatância da máquina correspondente a corrente que circula na armadura

após o período sub-transitório, perdurando por um número maior de ciclos (maior tempo). Seu

valor pode ser obtido dividindo a tensão na armadura correspondente ao início do período transitório pela respectiva corrente, nas mesmas condições de carga.

x d =

¢

E

I ¢

I' =

valor eficaz da corrente de curto-circuito do período transitório considerado em regime permanente Seu valor é:

I

¢

=

I m x 2
I m
x
2

Reatância síncrona

É o valor da reatância da máquina correspondente à corrente do regime permanente, ou

seja, após o término do período transitório, seu valor pode ser obtido pela tensão nos terminais da armadura ao final do período transitório dividido pela respectiva corrente. A importância do conhecimento destas reatâncias está no fato de que a corrente no estator (armadura) após a ocorrência de uma falta (curto-circuito) nos terminais da máquina terá valores que dependem destas reatâncias.

Assim, pode ser conhecido o desempenho da máquina diante de uma falta e as conseqüências daí originadas.

xd =

E

I

Módulo 4 – Geração de Energia
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Onde:

I

=

valor eficaz da corrente de curto-circuito em regime permanente.

I =

I m x RP

2
2

O gerador síncrono é o único componente do sistema elétrico que apresenta três reatâncias distintas, cujos valores obedecem a inequação:

Xd"< Xd' < Xd

3.2.6 POTÊNCIA EM MÁQUINAS DE PÓLOS SALIENTES

A

potência de uma máquina síncrona é expressa por:

P = m . U F . I F . cosj

m

U F = Tensão de fase I F = Corrente de fase

= Número de fases

A potência elétrica desenvolvida em máquinas de pólos salientes também pode ser expressa em função do ângulo de carga, que surge entre os fasores Uf (tensão de fase) e E 0 (força eletromotriz induzida) determinado pela posição angular do rotor em relação ao fluxo girante de estator (figura 3.19a)

em relação ao fluxo girante de estator (figura 3.19a) Figura 3.19a - Ângulo de Carga em

Figura 3.19a - Ângulo de Carga em Máquinas de Pólos Salientes

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 3.19b - Diagrama de Tensão - Gerador Síncrono de

Figura 3.19b - Diagrama de Tensão - Gerador Síncrono de Pólos Salientes

Onde: xd e xq reatância de eixo direto e em quadratura respectivamente

P = P d + P q P d = U F . I d . senj P q = U F . I q . cosj

F . I d . sen j P q = U F . I q .

Figura 3.20 - Curva de potência em máquinas síncronas

A potência eletromagnética que é a potência transmitida pelo rotor de um gerador ao

estator pode ser expressa por:

P=

m .

E

0

.U

F

xd

sen(

d

)+

m .U

2

F

Ê

Á

Á

Ë

1

1

-

2

xq

xd

ˆ

˜ sen( 2

˜

¯

d

)

O primeiro termo da expressão anterior:

P

=

m .

E

0

.U

F

e xd

sen(

d

)

,

é a potência que

depende da tensão da rede U F e da excitação da máquina (figura 3.20).

O segundo termo da expressão:

m .U F Ê

Á

Á

Ë

2

1

1

-

2

xq

xd

ˆ

˜ sen( 2

˜

¯

d

)

, é adicional

devido a

diferença de relutância do entreferro, a qual não depende da excitação da máquina (figura 3.20).

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3.2.7

DEFINIÇÕES

3.2.7.1 DISTORÇÃO HARMÔNICA

O formato ideal da onda de tensão de uma fonte de energia CA é senoidal. Qualquer onda de tensão que contenha certa distorção harmônica (figura 3.21) pode ser apresentada como sendo equivalente a soma da fundamental mais uma série de tensões CA relacionadas harmonicamente de amplitudes específicas. A distorção pode ser definida para cada harmônica em relação a sua amplitude como uma percentagem da fundamental. A distorção harmônica pode ser calculada utilizando-se a fórmula:

Onde:

Distorção =

2 m (E m ) Â E 2 1
2
m
(E
m )
Â
E
2
1

E m = Tensão harmônica de ordem "m"; E 1 = Fundamental;

Na figura 3.21 está representada a forma de onda tomada entre fase-fase em gerador. A distorção calculada foi de 2,04%. Na figura 3.22 temos a forma de onda tomada entre fase- neutro. A distorção calculada foi de 15,71%

entre fase- neutro. A distorção calculada foi de 15,71% (a) (b) Figura 3.21 (a) - Forma

(a)

(b)

Figura 3.21 (a) - Forma de onda com 2,04% de distorção harmônica;

(b) - Forma de onda com 15,71% de distorção harmônica

3.2.7.2 FATOR DE DESVIO

Desvios ou variações do formato senoidal da onda podem ocorrer durante qualquer parte da onda: positivo, negativo ou durante o cruzamento por zero (figura 3.22)

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Módulo 4 – Geração de Energia Figura 3.22 - Fator de Desvio A amplitude da variação

Figura 3.22 - Fator de Desvio

A amplitude da variação (figura 3.23) expressa como uma percentagem do valor de pico

de uma onda senoidal de referência é o fator de desvio.