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o-riso-e-o-tragico

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O riso e o trágico na indústria cultural: a catarse administrada Bruno Pucci1 Theodor Adorno, no ensaio Teoria da Semiformação (2003)2, escrito em 1959, constatava que a burguesia, quando conquistou o poder nos países europeus, estava mais desenvolvida culturalmente que os senhores feudais e que sua formação foi um dos fatores fundamentais para a afirmação enquanto classe hegemônica e para o desempenho de tarefas econômicas e administrativas. Por outro lado, o proletariado inicial, oriundo de camponeses sem propriedade, de pequenos comerciantes e artesãos, mergulhados em prolongadas jornadas de trabalho e em precárias condições de vida, não tiveram tempo e nem condições para se dedicarem às coisas do espírito, para se formarem culturalmente. Diz o frankfurtiano: A desumanização implantada pelo processo capitalista de produção negou aos trabalhadores todos os pressupostos para a formação e, acima de tudo, o ócio (Adorno, 2003, p. 06). O ócio – il dolce far niente – seria o tempo livre destinado à restauração das forças desgastadas pelo trabalho, mas, sobretudo o tempo que o trabalhador deveria dispor para reorganizar seus momentos de vida, a partir de seus interesses e necessidades, em atividades que lhe dessem prazer, crescimento espiritual, conhecimentos novos, gosto pela vida; momentos integrais de sua existência. No entanto a burguesia, através da impotência econômica e da exclusão do ócio, manteve por muito tempo o proletariado pobre e ignorante. E quando os trabalhadores, após muitas lutas e revoltas, conseguiram diminuir progressivamente a jornada de trabalho, melhorar o salário e as condições de vida, a burguesia continuou o processo de exclusão dos trabalhadores da formação (Bildung) pela semiformação (Halbbildung). Continuou-lhes negando as condições de formação e em seu lugar possibilitou-lhes um arremedo de formação (Cfr. Pucci, 1998, pp.93-94).

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Professor Titular do PPGE/ UNIMEP, pesquisador do CNPq e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas “Teoria Crítica e Educação”, com apoio do CNPq e da FAPESP. 2 Theorie der Halbbildung foi traduzido inicialmente, por Newton Ramos de Oliveira, Bruno Pucci e Claúdia Barcelos de Moura Abreu, por Teoria da Semicultura e publicado na revista Educação e Sociedade (1986). Em 2003, Newton Ramos de Oliveira e membros do Grupo de Estudos e Pesquisa “Teoria Crítica e Educação” da UFSCar, elaboraram uma revisão completa da tradução anterior, com o título Teoria da Semiformação, que está ainda inédita.

através das vozes da música e da poesia dramática. aliviam suas tensões. O homem se sente em paz consigo mesmo e com os outros. E nessas condições. como purificação. ao mesmo tempo. **** O termo káthasis tem origem na medicina antiga. se transforma em prolongamento do trabalho e se torna plenamente preenchido pelos encantos da indústria cultural. aos desejos. uma espécie de libertação ou serenidade que a poesia e a música provocam no homem. já que lhes minaram a capacidade criativa e suas expressões de espanto e resistência? O “riso e o trágico” são duas manifestações humanas habilmente trabalhadas pela indústria dos bens culturais para manterem as pessoas ocupadas e distraídas e. de conservação do que traz bem estar espiritual. como exigir dos trabalhadores que realizem alguma coisa produtiva em seu tempo livre. Em Platão. p. interconectadas às infindas informações que invadem seus lares e suas vidas. para o bem estar espiritual: catarse é uma forma de purificação e absolvição dos atos injustos através de sacrifícios e jogos aprazíveis. suscita nos participantes o terror e a piedade. Significa liberação do que é estranho ao organismo e lhe causa perturbações. Purgação. de desembaraço de tudo que gera distúrbios. mas não só eles. É conhecida a afirmação de Horkheimer e Adorno de que a indústria cultural se encarrega de “ocupar os sentidos dos homens da saída da fábrica. e com isso leva-os à purificação de . recolhimento da alma em si mesma. pela imitação sublime e próxima dos conflitos humanos. em Orfeu. à noitinha. apaziguam suas consciências. E não se sentem nem um pouco acrescidos espiritualmente. É também o primeiro a dar a ela uma expressão estética. É o que vamos ver neste ensaio. purgação. até a chegada ao relógio do ponto na manhã seguinte (1986. se sente livre da culpa que o perseguia. a partir das análises de Horkheimer e Adorno. De bem estar físico-somático se passa. desembaraço. agora aparentemente liberado como uma reserva para as coisas do espírito. Através do riso e do trágico os trabalhadores. além disso. do mal que o incriminava. Aristóteles utiliza freqüentemente catarse no sentido médico. 123)”. catarse confirma o sentido primeiro de purificação. alívio. e. reencontro com a sabedoria. extravasam seus sentimentos. A tragédia. aos prazeres. ganha conotações novas: designa libertação da alma em relação ao peso da materialidade corporal.2 O tempo livre.

na arte dionisíaca. Goethe retoma a interpretação aristotélica da catarse. mas antes camuflado. experimentava e queria exprimir sentimentos até então desconhecidos. As paixões terríveis que derrubavam os homens e mostravam-lhes toda sua fragilidade. que lamenta o desaparecimento. O fenômeno conserva sua dimensão médica. À semelhança da tragédia grega. medo e entusiasmo. se realizam. E da liberação (Cfr. purificadas. podem desenvolver nos leitores e nos ouvintes uma função catártica (Cfr. nesse trajeto. as obras de arte. depois de ter suscitado nele essas mesmas emoções.113). 1996. desde que se possa. então. de forma corriqueira e vibrante. apresentando-lhes os aspectos da crueldade da existência. 49 e 84). escondido atrás de luzes e cores cintilantes Tem-se uma aparente e momentânea sensação de alívio. sana o espírito e o corpo. manifestações sensíveis da catarse. o agradável alívio. serenamente. gerando calma. pode ter sempre um final feliz. e no fundo da alma do mundo anunciava a verdade. o homem era arrebatado até a exaltação máxima de todas as suas faculdades. Na Política observa que algumas pessoas. ao espírito. não é mais purgado. ao mesmo tempo um affaire perigoso e agradável. que é estranho ao organismo. são agora edulcoradas. fortemente influenciadas por emoções como piedade. não anula as emoções humanas. mas reduz as tensões nelas presentes a um nível em que a razão possa. pp. Aquilo que perturba. enfatizando o equilíbrio das emoções que a arte trágica traz ao espectador. Nietzsche. . administrá-las. dominar com maior segurança impulsos irracionais e estar de acordo com a existência reproduzida. o que se percebe é a progressiva despotencialização da catarse. p. a mensagem de que a vida humana. participava também da sabedoria. no mundo contemporâneo. e. do potencial libertador da tragédia grega.3 tais afetos. ao ouvirem os cantos sacros que impressionam a alma. continuamente. No processo de onipresença da semiformação cultural no mundo contemporâneo. enquanto um fenômeno estético. particularmente a música e a literatura. ao mesmo tempo em que participava integralmente do sofrimento da existência. serenidade. E com isso se repassa ao espectador. se sentem como que curadas. durante e principalmente nos finais felizes dos filmes e das novelas. 1970. Abbagnano. Para Nietzsche. qualquer que seja ela. do sofrimento e do conhecimento. A purificação. pela arte. Articulava-se nele as dimensões do prazer.

4 A arte séria. a música de sucesso do momento (Cfr. a arte degenerada industrial — ao mesmo tempo em que o usufruto de suas produções se encontra cada vez mais à disposição de todos os clientes — leva ao extremo a contradição entre produtores e consumidores de cultura: estes últimos não têm necessidade de elaborar a mais simples cogitação. o cinema e as mais “diferentes” revistas das milhares de bancas espalhadas pela polis entoam festivas. à fusão impessoal com o real. na arte sem sonho destinada ao consumo. Se um dos resultados benfazejos da catarse estética era gerar em seus participantes a purgação espiritual para que pudessem aguçar os elementos de resistência e de confronto à realidade adversa. gerando alimento. o rádio. ascetismo. segurança. São ascéticas. a dimensão . 1998. Hoje. pp. Horkheimer e Adorno. assume contradições reais. pp. 1986. a equipe de produção pensa o tempo todo por eles. enlevação. a se elevarem (ascenderem). através de exercícios efetivos de recolhimento e interpretação. a indústria cultural é pornográfica e puritana. antecipa um mundo não mais regido pelo mercado. p. as obras de arte. 131). explicita a todo momento seu caráter afirmativo e glorifica perenemente o sempre dado (Cfr. O que é salutar é o que se repete. bem como a filosofia antiga. 1986. e. mesmo vivendo na era da troca. ao mesmo tempo e sintonizadamente. a toda hora ecoa. aponta dissonâncias de seu tempo. Rouanet. As modelos desnudadas nas revistas eternamente sorriem para os passantes agitados do dia a dia. desenvolve em seus admiradores a sensibilidade crítica. nos milhares e diversificados aparelhos de som. em busca da plenitude de seu sentido. As obras de arte são ascéticas e sem pudor. calor. expressão estética de um sofrimento sublimado. disseram os pensadores frankfurtianos na Dialética do Esclarecimento (Horkheimer e Adorno. Para que uns poucos pudessem realizar expressões imortais da alta cultura ou usufruir esteticamente da essência purificadora das obras primas era preciso que a maioria dos mortais trabalhasse duro. 124 e seguintes). E nesse ensaio de elevação. nunca dado. são frutos da cisão entre intelectuais e trabalhadores manuais. o que se processa é uma catarse às avessas: sua pseudo poética leva os participantes à identificação integral com o todo. o repetido refrão: eis a realidade como é. como deve ser e como será. 118119). como os processos cíclicos da natureza e da indústria. além dos aspectos imediatos e grosseiros do artefato. como promesse de bonheur. enquanto desafiam seus criadores e recriadores. A televisão. Enquanto a arte séria. a obra aligeirada industrial extirpa de sua forma estética os elementos críticos presentes na cultura. sempre. nunca esgotado.

porque enquanto apresentam a realidade ultrajada com suas vestes rompidas. 55-80). tem todo direito de explorar sua performance sexual. Mas ter acesso àquela bela mulher que se lhe oferece a todo momento nas revistas. Ao escrever sobre a origem da tragédia grega. 5 e 8)”. astutamente. banalizando-o. desnudam sua intimidade e revogam a humilhação de sua paixão. pois a desordem. As obras de arte são também sem pudor.5 ética. na realidade da “semiformação”. 1999. a orgia são prejudiciais ao próprio sistema. observa que a criação e o desenvolvimento da arte resultam de . expondo repetida e explicitamente o objeto do desejo. expõe de maneira ostensiva as cenas de sexo. objetos fabricados e consumidos ad hoc. não sublima suas pulsões. Neutralizados e petrificados. A dimensão catártica do trágico. no fundo se torna rigorosa na aplicação da moral sexual. Türcke apud Duarte e Figueiredo. pp. O olhar nu que lhe gera tristeza pelo conhecimento das mazelas da vida. perturba o trabalho e a produção. por sua vez. mas deixa-os frustrados pela não realização desse mesmo prazer (Cfr. no entanto. se incorpora a onipresença do espírito alienado e tudo fica aprisionado nas malhas de socialização. mesmo que ainda não realizada. e. excitando assim o prazer preliminar nos espectadores. o nega. é pornográfica e puritana. pp. Se na idéia de “formação” ressoam momentos de finalidade que deveriam levar os indivíduos a ser afirmarem como racionais numa sociedade racional e como seres livres em uma sociedade livre. desenvolvida com a pronta e integral ajuda da indústria cultural. no recinto privativo da internet. 2003. a expressão estética. ajudam a manter no devido lugar aqueles para os quais nada existe de muito elevado ou caro (Adorno. isso é coisa para a imaginação. aparências. “Por inúmeros canais se oferecem às massas bens de formação cultural. enquanto processo purificador do indivíduo. não para as circunstâncias do dia a dia. lhe gera prazer pela perspectiva de uma promessa de mudança. com imagens. O indivíduo. A arte trágica. A indústria cultural. A indústria cultural não eleva asceticamente seus freqüentadores. a seus consumidores. particularmente no de 1871. se encontra densamente analisada nos escritos de Nietzsche (1996). nas telas. Ao mesmo tempo em que explora o lado luxurioso dos indivíduos e das circunstâncias. no interior de si mesmo e de seus recintos reservados.

cantam seus hinos. beleza e expressão artística. Mas vede – diz Nietzsche – Apolo não podia viver sem Dioniso. intimamente vinculado às faculdades anteriores. Articulam-se. diria. o triste. 49. 43. convida-o insistentemente a aniquilar-se no total esquecimento de si mesmo.6 seu duplo caráter: ela é. 1996. As características que configuram o espírito apolíneo e o espírito dionisíaco se negam frontalmente. portanto.37-43). p. 1996. O artista examina minuciosamente os sonhos e consegue descobrir nessa aparência a verdadeira interpretação da vida. representa o excesso de vitalidade presente na renovação primaveril. é também o deus da advinhação. do equilíbrio perfeito (Cfr. o livre domínio de si nas emoções mais violentas e a serena sabedoria nas ações da vida. da existência. o sinistro. da expressão. cheia de beleza. No entanto na tragédia grega primordial. Com Apolo. 1996. o mito trágico . 57). pp. as expectativas. as instâncias do prazer. da interpretação a partir dos indícios da aparência. Apolo é o deus do sonho. e até da própria natureza. pp. uma outra linha delicada que é a extrema ponderação. o homem eleva-se ao grau universal da espécie. ao mesmo tempo. se desenvolvem sob seu olhar. Mais ainda: vamos encontrar em Apolo. Nietzsche vai mais longe em sua análise ao observar que. Apolo. Dionisos o da embriaguez. ao mesmo tempo em que participa integralmente do sofrimento do mundo. se consideradas em si mesmas. do mundo do sonho. também o sombrio. É o deus da lógica. participa também da sabedoria. por sua vez. num todo. o deus da faculdade criadora de formas. as contrariedades. Dionisos. da coerência interna. Nietzsche. pois. como também uma parte essencial da poesia. O titânico ou bárbaro era finalmente uma necessidade tão imperiosa como o olímpico (Nietzsche. polarizado. E não são apenas imagens agradáveis e deliciosas as que o artista descobre dentro de si. a tensão entre esses dois espíritos lhe dá força. desperta a vontade de viver no indivíduo. Nietzshe. Na arte dionisíaca. apolínea e dionisíaca. No êxtase experimentado. 84. é a condição primeira de todas as artes plásticas. expressam febrilmente seus desejos. do estado narcótico. com a ajuda de tais imagens ele se exercita a tomar contato com a realidade. e no fundo da alma do mundo anuncia e proclama a verdade. se de um lado. em que os homens se liberam de suas amarras culturais. desindividualiza-se para emergir plenamente na unidade. no mergulho absoluto na unidade cósmica. do sofrimento e do conhecimento (Cfr. representa o mundo da embriaguez. aquela que alegremente explode em toda a natureza. 95). a aparência.

crítico. da aparência. pessimista. pela arte trágica. ele conduz o mundo da aparência – da forma artística apolínea – até os limites em que procura negar a si próprio e buscar refúgio no seio da verdadeira e única realidade. então. pela primeira vez. O conhecimento verdadeiro mata a ação. graças à alegria que sentimos ao ver as aparências. pp. pp.. melodia e capacidade de arrebatamento à tragédia grega. nem o indivíduo era simplesmente tragado pelo todo. Nietzsche. para que o indivíduo seja obrigado a criar a visão libertadora.. Era essa interdependência que dava ritmo. reforçado. liberação do ser humano: o processo catártico. chamando-o sempre para a espécie. E mesmo a manifestação artística. para despertar o homem dionisíaco de seu torpor letárgico e trazê-lo de volta. de outro lado.) a música dionisíaca excitava esses sonhadores com um arrepio de terror (Nietzsche. impotente. A intervenção do momento apolíneo é fundamental.) Nelas. da espécie ou da natureza. graças à felicidade na libertação que para nós nasce da forma exterior. para agir é indispensável que sobre o mundo paire o véu da ilusão.7 deve ser compreendido como uma representação simbólica da sabedoria dionisíaca. porém. assumindo uma configuração apolínea específica. a de ser festas da redenção liberadora do homem e dias de transfiguração. E nesse campo intenso de forças. o alegre delírio da arte invadiu a natureza. Apolo mostra que o mundo dos sofrimentos é necessário. pela primeira vez. 48-49). E a arte apolínea é uma forma de se garantir isso: pois ela é a prodigiosa potência que transfigura a nossos olhos as coisas mais horríveis. desintegrando-se. o conhecimento/visão da verdade horrível anula no indivíduo todos os impulsos e motivos de agir. É por isso que a experiência dionisíaca dá ao homem possibilidade de ser poderosamente negativo. 1996. para as dificuldades terríveis do cotidiano. que assume formas próprias graças ao auxílio de processos artísticos apolíneos. para a natureza (Cfr. Ele se sente inútil. Nietzsche reconhece nas orgias dionisíacas dos Gregos uma significação superior. abismado na contemplação da beleza. purgação. 1996. Na com(tra)posição do dionisíaco e do apolíneo. continuava sempre enxertada e fertilizada pelo hûmus da exuberância da vida. 172-174). (.. se dava o processo de elevação. liberado. nelas. porque só assim. . o aniquilamento do princípio de individuação tornou-se um fenômeno artístico (. e nem o todo perdia sua força poderosa sobre o indivíduo. Ao mesmo tempo..

Essa insistência sobre a bondade é a maneira pela qual a sociedade confessa o 3 “O homem é lobo do próprio homem”. é preciso o tempo todo levantar a bandeira da bondade. ajudando-o a se constituir como um ser autônomo.8 permanecerá calmo e cheio de serenidade. autoreflexiva. nas sociedades desenvolvidas economicamente. tão divergentes como hoje. a cultura se converte em máscara. realidade constitutiva. 2000). a chamada cultura intelectual e a arte verdadeira foram tão estranhas uma à outra. . mesmo que levado na sua frágil barca por entre as vagas do alto mar (Nietsche. Horkheimer e Adorno (1986). pp. Compreendemos por que uma cultura tão miserável odeia a verdadeira arte: receia prever nesta a causadora da sua ruína (Nietzsche. Nietzsche deflagra contra ela sua impiedosa crítica. integra-se cada vez mais na sociedade de troca. da cooperação para disfarçar o sentimento de frieza de ânimo que perpassa as relações existentes. Transformada em mercadoria. ávido de formas belas e sublimes. submetido às leis do mercado. analisando a Alemanha da segunda metade do século XIX. pela atmosfera de camaradagem dos serviços de assistência social e de filantropia. — homo homini lupus est 3 — é aparentemente camuflado. retomam e aprofundam as críticas nietzscheanas à cultura “democratizada” e mostram como a sociedade da indústria cultural tem necessidade de administrar o trágico para que ela continue a se reproduzir febrilmente. O trágico. 59 e 109). incita o pensamento a ir além da aparência e a apreender o significado mais profundo das coisas (Cfr. Pucci. Os organizadores das instituições artísticas e dos estabelecimentos de ensino se tornam "filisteus da cultura". comerciantes dos produtos do espírito. 1996. pois. o espírito sanguinário do poder e da repressão se torna mais incisivo e onipresente. no contexto norteamericano das revoluções tecnológicas. 1996. percebe que a cultura deixa de ser desinteressada e se transforma em um bem venal. em engodo. Já que nessas sociedades. mais de setenta anos após.161)”. A arte trágica carrega em si. ela faz o indivíduo sair da universalidade viscosa do estado dionisíaco. A tragédia do trágico no mundo da Indústria cultural Nietzsche. educativa. “Em nenhuma época artística. desenvolve e potencializa o instinto estético. inscrita desde os primórdios na história desigual dos homens. perde sua potencialidade crítica. uma dimensão formativa. p.

O trágico.9 sofrimento que ela causa: todos sabem que não podem mais. Os meios de comunicação. se transformava em um momento purgativo. A arte surgia. assim também a indústria cultural faz com o trágico. não seguem as prescrições das instituições estabelecidas. 77 e 84). Nos filmes hollywoodianos. inefável. ao inundarem as casas dos espectadores de cenas bárbaras e chocantes. Ou o trágico é fruto de um destino. e propiciavam um conhecimento mais aproximado dos fatos. . querem nadar contra corrente. nas revistas semanais. 142). ao mesmo tempo em que era manifestação de resistência desesperada à ameaça mítica. e que suscita às suas vítimas compaixão. Assim como a sociedade desenvolvida não consegue suprimir o sofrimento de seus membros. 1986. então. Na cultura de massas das sociedades contemporâneas. nos programas de entretenimento. mais de 60 anos após. ajuda dos donos do poder. extraídas de ângulos que favorecem seus interesses comerciais ou publicitários. aquele que participava da sabedoria da vida. o trágico perde sua virulência. Os autores frankfurtianos captaram bem a fragilidade do trágico nos anos 40 do século passado. neste sistema. Na tragédia grega. 142-143). avassalador. mas registra-o à sua maneira e planeja-o. que retratam o cotidiano da vida das pessoas. administra-o. Esta. p. para que o sistema seja preservado. e é isso que a ideologia deve levar em conta (p. nas novelas das rádios e TVs. pp. quase sempre. emancipatório. 141). assume a forma de um destino fatal de todos aqueles que não colaboram com o sistema (Horkheimer e Adorno. os horrores da existência eram atingidos em profundidade e abrangência pela arte. como o resultado punitivo dos que infringem os valores vigentes. como um deus salvador. Hoje. e se apresenta como inexplicável. quanto mais impregnada for pelo sofrimento necessário tanto mais gerará a impressão de ser grandiosa. particularmente a TV. 1996. poderosa (Horkheimer e Adorno. e vai buscar na arte empréstimos apropriados para torná-lo tolerável. 1986. que trazia consigo o ungüento aprazível para suavizar as feridas (Nietzsche. o trágico se apresenta. sua debilidade anunciada se torna mais aguda ainda. Não só. A arte fornece a substância trágica que os mais diversos entretenimentos não podem por si só desenvolverem. ao mesmo tempo. O indivíduo que participava do sofrimento era. assistência. ao mesmo tempo. que escapa à programação da sociedade de consumo. ajudar-se a si mesmos. e. precisam reproduzir para se aproximarem mais da triste realidade estabelecida. pp.

companheiro de nosso dia-a-dia. catarse dissolvida. Hoje o trágico dissolveu-se na falsa identidade da sociedade e do indivíduo. invencível condição” (p. É assim que se demite o indivíduo./ Com que inocência demito-me de ser/ Eu que antes era e me sabia/ tão diverso de outros. subscrever a derrota — e já estamos integrados. em que o poeta assim se expressa: “Estou. Indivíduo liquidado. E são extraídos os fermentos da crítica e da oposição que levavam os indivíduos a manifestarem sua indignação e sua autonomia contra os valores e os poderes estabelecidos. a cultura. 144)”. o riso tem sua origem no desenvolvimento infantil. através dos tempos. tornando-o natural. A despotencialização da função catártica do riso na indústria cultural Segundo Freud. A sociedade é uma sociedade de desesperado e. Basta se dar conta de sua própria nulidade. que atingem os espectadores em seu dia-a-dia. Com a repetição de sons e com a articulação de palavras. açambarcando todas as marcas registradas/ todos os logotipos do mercado. acabam mostrando a todos que. Ela exercita o indivíduo no preenchimento das condições sob as quais ele está autorizado a levar essa vida inexorável. não obstante os sofrimentos. 1986. a presa de bandidos (p. p. tão mimmesmo. sua obstinação. expressão da implacável sina humana. de um problema terrificante (Horkheimer e Adorno. nas malhas do todo social. vai mais longe ainda. numerado e etiquetado. estou na moda/ É doce estar na moda. daí resultante. Para Horkheimer e Adorno (1986). sobretudo os revolucionários. trágico eliminado. mas. Sucede. Ao serem continuamente reproduzidas. por isso mesmo. A cultura industrializada. Etiqueta. Essa situação faz lembrar os versos de Drummond (1984). diluído. Ela glorificava “a valentia e a liberdade do sentimento em face de um inimigo poderoso. desencadeia um . de uma adversidade sublime. então. Outrora. impiedosamente. ainda que a moda seja negar minha identidade/ trocá-la por mil. em Eu. as situações trágicas. O desamparado é acolhido pela autoridade que o força a engolir. uma catarse às avessas: O indivíduo desaparece. o jogo verbal. 144).10 colaboram no sentido de banalizar o trágico. é possível continuar a viver./ ser pensante. óbvio. a tensão entre indivíduo e sociedade era a substância constitutiva da própria sociedade. é assim que se elimina o trágico. catalogado. sentinte e solidário/ com outros seres diversos e conscientes/ de sua humana. sociedade reproduzida. sempre contribuiu para domar não apenas os instintos bárbaros dos indivíduos. contudo. 85).

É o riso do preconceito contra a pessoa discriminada. amiúde. em manifestação explícita de agressividade. seria obrigado a se conter. regride ao desumano (Adorno. catártico. O “ridendo castigat mores4”.. Não desafia o poder: está a seu serviço. esse prazer é reprimido. escapulindo assim das malhas da civilização. funciona como pretexto para iludir a vigilância da razão. na era dos regimes fascistas. Como o que predominou no desenvolvimento da civilização hominídea foi a lógica coerente da racionalidade instrumental. p. . através de artimanhas. 134). sob formas subtis de expressão. o riso. O riso. O riso coletivo das piadinhas contra os nordestinos. Com o advento da razão. O riso. (. a brincadeira. uma manifestação feliz de humanidade. da cátedra. é o riso libertador que fustiga o poder.. A fim de não renunciar totalmente a esse prazer infantil. Rouanet. do altar. 1998. cujo uso está agora sujeito às leis da maioridade racional. 1998. contra o preto. em que o riso. formas mascaradas de adaptação ao poder. predominantemente. de Moliére a Brecht (Rouanet. as expressões de espontaneidade e de negatividade ainda nele possíveis foram cada vez menos toleradas. numa feliz regressão infantil. sua função primitiva: pelos momentos irracionais e espontâneos que os adultos criam para externar seus intensos instantes de humanidade. desterradas e o riso foi assumindo.) É a própria repressão que se transforma em prazer (Rouanet. e na era da cultura de massas.11 prazer ingênuo pelo balbucio do semelhante. O adolescente e o adulto não podem mais permitir-se o manejo puramente lúdico dos sons e das palavras. p. em sinal de concordância dócil com o estabelecido. um riso mórbido. contra o falar desajeitado do imigrante. ironiza as façanhas do poder e ajuda a provocar fissuras na estrutura do trono. 05). o adulto recorre a um substituto do jogo. 2001. Mas. antes. 4 “Rindo. sempre que a racionalidade entra em ação. 1998. De expressão feliz de humanidade e de resistência. p. de Horácio. mesmo nos momentos em que predomina a razão. pelos momentos incisivos de negatividade.134). contra as “bichas”. em sua origem. pp. açoita os costumes”. conquistar sua cumplicidade para um exercício regressivo que seria normalmente condenado como irracional (Cfr. volta a assumir. que se realiza como gratificação furtiva de impulsos proibidos. da ordem estabelecida. Esta. pela redescoberta do conhecido. é. 134-135). O riso anti-semita não é um riso humanizante. se transformou. liberador de energias construtivas. outrora a imagem da humanidade. prenhe de crueldade.

chocho. Entre os espetáculos de entretenimento da indústria cultural. O riso gerado pela indústria do entretenimento é um riso sintético. Ao mesmo tempo é um riso amarelo. 132)”. reproduzido de maneira uniforme e universal. São cada vez menores as fendas na estrutura da ordem estabelecida. Rimos deles. mesmo que por questão de sobrevivência. p. para não rirmos de nós mesmos. aparentemente. geradoras de risadas estrondosas. ao satisfazer seus espectadores. pelo riso contínuo e abundante. que provocam um riso compulsivo e resignado.131).. é verdade. cada uma das quais se entrega ao prazer de estar decidida a tudo às custas dos demais e com o respaldo da maioria. tímido. não realizadas. uma fuga da realidade ruim e sobretudo uma fuga dos últimos bastiães de resistência que essa realidade ainda pode apresentar. Cria as condições para a gestação de uma pseudo catarse. aliviá-los das tensões do quotidiano. para que eles possam com maior segurança na vida real dominar seus próprios impulsos humanos. “Rir-se de alguma coisa é sempre ridicularizar. com sucesso e rendimento. p. enfeitiçado. uma manifestação inconsciente de aceitação ingênua da situação dada. a serviço da perfeita integração dos indivíduos no social. expressam às avessas a profundidade da insatisfação das pulsões instintivas reprimidas. Sua harmonia é a caricatura da solidariedade (Horkheimer e Adorno. O riso da conciliação com o poder é um riso “liberalizante”. fraco. 1986. O espectador ri do riso fabricado e metálico do gravador.. e esse riso se torna uma farsa ridícula do prazer e do gozo. que expressa o alívio imediato de se ter escapado. Nos “enlatados” predomina o riso orquestrado. Rimos do fato de que não há nada de que se rir (Horkheimer e Adorno. distinguem-se facilmente os “enlatados” e os feitos por aqui mesmo. São mônadas. Nos espetáculos cômicos “nacionais”. em qualquer outra praça semicultural do planeta. por onde o riso catártico possa ainda espalhar sua essência e auxiliar o indivíduo e suas circunstâncias na administração das tensões e de tudo aquilo que os incomoda. testemunha sua passagem para o lado das instâncias que inspiram terror. predominam os chistes maliciosos. . dos considerados mais fracos. de nossas debilidades e miopias. A indústria da diversão visa assim. arbitrariamente imposto. das garras da lógica e da repressão.) Um grupo de pessoas a rir é uma paródia da humanidade.12 Descarregamos vingativamente sobre os outros as porretadas que recebemos continuamente do estado e da sociedade. outrora propiciadores de momentos de liberação. (. pois estampa no rosto do ridente a renúncia de sua individualidade. As contínuas piadas maliciosas. 1986. para ser faturado.

Lamenta-se pelo riso que já não sorri mais. de outras maneiras. Com seu poder mágico. É só deixar o tempo consumir o seu destino. Eles controlavam os dias e o destino dos homens. atualidade e possibilidade? Parece-me que sim. A tragédia uma pilhéria. Cada um de nós é peça de uma engrenagem maior. do show da vida? Teve sua parca imagem reproduzida na tela dos sonhos? Então esse alguém terá um pouco mais de sobrevivência. Grande leva de peças está enferrujada. potencializada ainda mais pelo alcance das novas tecnologias em seu conluio com o capital global. pelo desuso. porque não haveria de brincar com bonecos e com peças espalhadas de um jogo em desuso? Rir o riso da vida. a proposta de Adorno (1995. inverte os sentimentos a seu bel prazer. expressão da tristeza de olhos ocos e vazios. **** Se a barbárie perdura na sociedade de hoje em outras formas. É preciso e urgente que a escola tome ou retome em suas mãos o processo de formação cultural (die Bildung). e chorar o choro da morte ainda podem ser expressões felizes. pois o progresso da ciência e da tecnologia . O sistema de troca dita os dias e os afazeres das peças. Talvez nunca serviram. porque alguns outros perceberam sua existência. existirá. p. Se ele tem o poder de dar ao homem o status de coisa e de transformar as coisas em seres sociais que comandam vidas. Outras peças ainda têm a sorte de substituir e de serem substituídas. apesar da terrível e contínua banalização que os meios de comunicação e o próprio processo educativo fizeram e fazem da violência que diuturnamente se descarrega sobre os homens. algum dia. arrancar os cabelos e chorar lágrimas de sangue? É preferível que se instale o choro seco. Alguém já fez parte. mesmo que por um tempo insignificante. cruéis e possíveis de resistência. a reflexão crítica e as formas de resistência ao império cada vez mais dominante das máquinas sobre as pessoas.13 Ri-se do trágico que um dia já foi trágico. quem se lembrará dele. Como num filme de terror! O riso será trágico. mesmo que por poucos segundos a mais. Caso contrário. Para que. Terão uma função limitada. então. nesta sociedade da sensação? O sistema de troca tem mais força que os deuses míticos. Não servem mais. que favoreça o esclarecimento. 155) de que “desbarabarizar tornou-se a questão mais urgente da educação hoje em dia” ainda tem sentido.

W. 1970. e fortalece um modo de ser acrítico. p. E quem sabe – nessa perspectiva – o riso da vida e o choro trágico da morte readquiram sua dimensão catártica. de Alfredo Bosi.W.W. Campinas: autores Associados/Editora da UNIMEP/FAPESP. genéticas e cibernéticas? Partimos do pressuposto. 155-168. Se na era das revoluções mecânicas lutar pela formação na educação escolar era anacrônico.14 caminha em sentido oposto ao progresso da humanidade do homem. T. ao analisar a crise da formação cultural de seu tempo. N. A Arte é alegre? Trad. como persistir nesse ideal em plena era das tecnologias digitais. de “construtor de becos sem saída”. a eficiência. nos fazia ver que lutar com firmeza pela formação depois que a sociedade a privou de sua base era algo fora de moda. na Alemanha – vivia ele ainda a era das revoluções mecânicas –. a única possibilidade de sobrevivência que restava à formação era a auto-reflexão crítica sobre a semiformação. para afirmar sua humanidade. É por isso e para isso que ele pensava fundo. que favorece o desenvolvimento das “virtudes” do capital: o cálculo. 2001. de que na luta desigual entre formação e informação. Trad. 1995. E que o exercício do pensamento crítico – apesar de tudo jogar contra ele –. a funcionalidade. In ADORNO. sempre acreditou no poder de recuperação do homem. ADORNO. o elemento mais frágil é o ponto de apoio para uma possível emancipação. Tradução e Introdução de Wolfgang Leo Maar. Adorno. em que tinha ela se convertido (Adorno. São Paulo: Editora Mestre Jou. de Newton Ramos-de-Oliveira. se transforme no instrumento ímpar que o homem ainda tem em mãos para reagir. T. São Paulo: Paz e Terra. pp. “Educação e Emancipação”. à semelhança do pensador frankfurtiano. Dicionário de Filosofia: verbete Catarse.27). no entanto. apesar de tachado por seus críticos de “pessimista”. “A Educação contra a Barbárie”. . A racionalidade que se apodera de nossos educadores e educandos para modelá-los de acordo com os objetivos da nova ordem. 2003. a precisão em detrimento da formação humana. Ao final de seu ensaio Teoria da Semiformação. Referências Bibliográficas ABBAGNANO. ADORNO. T. realiza uma espécie de darwinismo social e tecnológico. pré-reflexivo. não racional e não espiritual.

Trad. Origem da Tragédia. PUCCI. T. e FIGUEIREDO.W. Sétima Edição. G. 89-116. 2003 (inédito). 1984. Lisboa: Guimarães Editores. In ADORNO. A. In PUCCI. Trad. TÜRCKE. “Educação após Auschwitz”. In COHN. “Educação e Emancipação”. A. de Aldo Onesti. “Eu. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1986. F. In ANDRADE. 1986. B. NIETZSCHE. 55-80. Um encontro de Adorno e Nietzsche nas Minima Moralia. C. (Orgs.P. pp. Rio de Janeiro: Record. HORKHEIMER.W. p. C.). In DUARTE. RAMOS-de-OLIVEIRA. PUCCI.D. T. R. T. e ADORNO. Theodor W. dez/1996. ANDRADE. . 33-45. pp. C. B. Prazeres preliminares — virtualidade — expropriação: indústria cultural hoje. Belo Horizonte: Editora Opera Prima Ltda. 1995. S. ROUANET. 111-122. T. Teoria da Semiformação. nº 28. pp. “A Educação contra a barbárie”. pp. 2000. de. 1998.W. N. 1998. Guido Antonio de Almeida. “A teoria da semicultura e suas contribuições para a teoria crítica da educação”. e ZUIN. pp. 388-411. Rio de Janeiro: Zahar Editores. São Paulo: Paz e Terra. Tradução e Introdução de Wolfgang Leo Maar. In Educação & Sociedade: Revista quadrimestral de ciência da educação. etiqueta”. Campinas: Editora Papirus.W. A Educação danificada: contribuições à Teoria Crítica da Educação. ADORNO. São Paulo: Paz e Terra. pp.85. São Carlos: UFSCar. Tradução e Introdução de Wolfgang Leo Maar. (Orgs. 155-168. Petrópolis: VOZES. “Teoria da Semicultura”. Teoria Crítica e Psicanálise.W. Bibliografia Complementar ADORNO. T. Tradução de Newton Ramos de Oliveira. B.15 ADORNO. Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos. 1995. ADORNO. ADORNO.W.).D. São Paulo: Ática. M. As Luzes da Arte.W. Trad. “Educação e Emancipação”. ano XVII. T. Adorno.. de Álvaro Ribeiro. Piracicaba: Editora da UNIMEP. In Impulso: Revista de Ciências Sociais. T.S. nº 56. 1999. V. O Corpo.

pp. e FIGUEIREDO. 1999. B. Ed. S. Estética e Educação. Disserte sobre o seguinte tema: O trágico na era da indústria cultural. C. Analise como a indústria cultural apresenta. As duas canções abordam temáticas relacionadas ao papel da mulher na sociedade de hoje. TÜRCKE. “A arte é alegre?”. que sentimentos essas imagens televisivas nos proporcionam. (Orgs. 2002. 1995. virtualidade. R. Indústria Cultural e Educação: ensaios. pp. da Rede Globo de Televisão. pesquisas. Ouça e analise a letra e a música de duas canções da música popular brasileira: “A dança do bumbum”. da banda É o Tchan e “Mulheres de Atenas”. In ADORNO. Trata-se de um programa humorístico. As luzes da arte: homenagem aos cinqüenta anos de publicação da Dialética do Esclarecimento. Estética da Violência: jornalismo e produção de sentidos. Araraquara: JM Editora Ltda. Trad. ZUIN. COSTA. Belo Horizonte: Editora Opera Prima Ltda. 4. de Newton Ramos de Oliveira. 3. à noite. 1999. T.). Teoria Crítica. “Indústria Cultural e Educação”. formação. ADORNO. In VAIDERGORN. (Orgs. de Chico Buarque. J. Petrópolis: Vozes. B et alii.W. 2001. da UNIMEP/ FAPESP. T. A. Que elementos de formação cultural. “Prazeres preliminares. C. “Tempo Livre”.W. Trad. In DUARTE. 55-80. pp. em que o riso corre solto em cima da tragédia dos mais . a fazer? 3. M. L. 11-18. da. PUCCI. de Maria Helena Ruschel. enquadra e trabalha as imagens de um acontecimento trágico. Palavras e Sinais: modelos críticos 2. Indústria Cultural e Educação: o novo canto da sereia. 2003. 1. In PUCCI. & BERTONI. 70-82. Campinas: Autores Associados. da UNIMEP/ FAPESP. Campinas: Editores Associados/ FAPESP. pp. 09-30. sábado.).16 ADORNO. a reagir. A. 2. Assista e grave um programa do “Zorra total”. Exercícios 1. Campinas: Editores Associados/ Ed. B. expropriação”. T. Responda com suas palavras a questão: que elementos constituem o sentido da palavra catarse? 2. G. o que elas nos levam a pensar. educacional e crítico as canções lhe inspiram? 4. V.W.

conformistas do programa? Como as expressões relacionadas ao sexo. por escrito as seguintes questões: É um filme que atende antes aos interesses do mercado ou leva as pessoas a pensarem. eminentemente político. Examine detidamente o programa e responda. como promessa de dias melhores ou se deixa mergulhar num beco saída. justamente no terreno em que o capitalismo de ponta deseja controlar: a tecnologia digital” (Laymert Garcia dos Santos). que se manifesta como expressão estética de um sofrimento sublimado. ao cotidiano se manifestam nele? 5. à violência. Quais os valores morais que sobressaem na película? Como os elementos dionisíaco e apolíneo se manifestam no filme? Qual o alcance da dimensão trágica naquela obra? É uma obra de arte séria. uma obra do cinema digital. num “nihilismo” absoluto? É uma obra catártica no sentido pleno do termo? . por escrito. Assista e analise o filme de Lars Von Trier Dançando no escuro. Quais os elementos acríticos. Responda. à mulher. Trata-se de um “cinema utópico. as seguintes questões: Tratase de um programa catártico ou pseudo-catártico? Porque? Detecte situações em que e como o riso e o trágico se manifestam durante as cenas do programa. 5.17 fracos. preconceituosos. de combate. a refletirem? destaque momentos que justifiquem sua resposta.

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