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Estado-Providência e Políticas sociais_saude

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Universidade da Beira Interior Departamento de Ciências Sociais e Humanas 2º Ciclo: Sociologia: Exclusões e Políticas Sociais Estado-Providência e Políticas

Sociais

Estado-Providência e Políticas Sociais: Saúde e Exclusão Social

Docente: Prf. Dr. Nuno Augusto Discente: Sandra Matos (m3453)

a sociedade industrial entrou num processo de “(auto)destruição” o que deixou os indivíduos sem as certezas absolutas. ou seja. sem as âncoras. Segundo Beck (2000:2). pois não . Num segundo momento. hoje vive-se numa sociedade ambivalente e recheada de riscos. Assim no seguinte trabalho tem-se como principais objectivos caracterizar as políticas de saúde primeiramente no âmbito da sociedade do risco e posteriormente e de modo mais amplo no quadro do Estado-providência português. políticas de saúde. deixamos de possuir os modelos estandardizados que nos encaminhavam na sociedade industrial e procuramos fazer as nossas próprias escolhas tendo em conta os riscos que a elas vem associadas. Conceitos Chave: Sociedade do Risco. Estado-providência. esta transição é o resultado de uma “modernização reflexiva”. que o auxiliavam na sociedade industrial. Uma das principais características desta nova sociedade é o facto de que a individualidade de cada um. se antes se tinha uma sociedade de certezas.Introdução Em resposta à sociedade do risco. exclusão social 1 A saúde no quadro da Sociedade do Risco Viveu-se a transformação ou transição de um tipo de sociedade para outro. vem ao de cima. Políticas sociais. o Estado-providência surgiu como suposta resposta a estas conjunturas. Individualização. à cada vez maior desigualdade entre sectores da sociedade e às elevadas situações de exclusão social. irá analisar-se o conceito de exclusão social e o modo como este está patente no acesso aos serviços de saúde. e tem implicações nas condições de saúde.

por exemplo. já não respondem às suas necessidades. 1) o desemprego. onde se acentua a condição de mulher e de baixo nível de escolaridade. primeiro de “descontextualização” em que os indivíduos começam por se libertar das bases sociais. nos quais têm a necessidade de se exporem e adaptarem a novas situações e relações permanentemente.sabemos ainda em que sociedade estamos a entrar. 2004: 73). Bauman). existem três áreas onde a noção de risco se evidencia. evidenciadas em Hespanha et al (2002) O trabalho é cada vez mais precário. como a família e a classe social. visto serem as mulheres quem possui mais habilitações. dos padrões da sociedade industrial. e por último. segunda modernidade… 2 A vida dos indivíduos é comparada a uma “colcha de retalhos” em que os indivíduos sobre a identidade que possuem cozem “novas crenças. fazendo assim por “produzir. habitação e vestuário. 1 2 Sociedade do Risco (Beck). encenar e montar eles próprios as suas biografias” (Beck. 4) pluriactividades do emprego. se na sociedade Industrial. Modernidade Líquida (Z. trata-se apenas “do surgimento de uma nova forma de conduzir e organizar a vida. que na linguagem de Giddens se designa pela criação de uma “biografia reflexiva” (in Mitjavila. Baudrillard). 2000: 13). Segundo Pedro Hespanha (2002: 29-36) e outros autores. os indivíduos deixam de ter uma profissão para passarem a ter várias que vão gerindo. não é estável. esta individualização é um processo. a questão do trabalho. modernidade tardia. in Mitjavila. e de seguida ocorre uma “recontextualização” aos novos modelos da sociedade em que vivem. 2004: 73)2. Para além da importante questão da (construção da) identidade. e daí. Para Beck. da política e da sociedade de providência. a existência dos recibos verdes que não garantem as condições de trabalho como os subsídios. mas não menos importante 5) o elevado nível de endividamento. apresentando assim um paradoxo. saberes e identificações” (Paiva e Calheiros. flexível e temporário. ter trabalho significava estabilidade laboral e a garantia de acesso à não-exclusão. os indivíduos têm assim espaço para escolher o seu percurso identitário. Sociedade do Consumo (J. 2) a precariedade do emprego. o trabalho é marcado por cinco dimensões importantes. já não mais obrigatória e vinculada a modelos tradicionais” (Beck. que surge para satisfazer necessidades básicas como a alimentação. . pois percebem que os modelos padronizados. hoje apenas é apresentado como um dos contextos onde a vulnerabilidade é acentuada. devido às diversas situações os indivíduos sujeitam-se aos chamados “biscates”. ainda a dificuldade em designa-la1. pós-modernidade. 2001:143). 3) baixos rendimentos. mas não no vazio.

contudo ainda são estas “relações de entreajuda baseadas em relações de parentesco e de vizinhança que assumem a cobertura do risco social” (Hespanha e tal. estão cada vez mais diversificadas e mais especializadas. uma doença «domina a realidade da experiencia e a estrutura das representações» ” (Herzlich e Pierret in Carapinheiro. o que antes também era impensável. acções e interpretações dos membros de uma sociedade. A saúde que antes era considerada algo do âmbito familiar. através de forças divinas. velhice. da sociedade industrial. e tal. privado passou para as agendas políticas e tornou-se um assunto público. esta é uma construção social. Logo se houve uma alteração no tipo de sociedade. 1986: 20). Contudo é . Com a modernização a saúde e a doença passaram para um período secular. já para não referir que existem políticas que respondem às necessidades da anterior realidade. sem lhes ser atribuído qualquer tipo de indícios de doença. abordada anteriormente. o que significa que as características importantes da saúde e da doença são criadas e influenciadas pelas atitudes. 1986:10). sexualidade. Neste âmbito existem também novos agentes a quem cabe também as decisões e o controle. 2002:46) nomeadamente em situações de exclusão e/ou pobreza. contudo estas são também geradoras de desigualdades. escola. esta é posta em casa de devido às características da nova sociedade. com a globalização muitas das decisões estatais ultrapassam os próprios estados. esta modificação tem consequências na maneira como é entendida e vivida a saúde. antes eram consideradas como situações normais. o exemplo claro disto é a doença da “obesidade” e da “hiperactividade”. 2002: 37). “foi penetrando em domínios não tradicionais. em asa época. 3 Referindo mais especificamente a área da saúde. mais enraizadas no âmbito do discurso científico. e a redução de confiança nas relações interpessoais. “a ausência de respostas adequadas às necessidades torna-se num factor activo de risco social para esses agregados” (Hespanha. o âmbito específico deste trabalho. a saúde e a doença estavam ligadas ao sagrado. “a história social das doenças nas sociedades europeias tem revelado que. A regulação Estatal tem vindo a perder força e não só a nível da saúde. revelando-se inadequadas e insuficientes. situação que se veio a alterar. ou seja não são compatíveis com as necessidades actuais. a individualização. desporto. Por último a Sociedade Providência. etc” (Carapinheiro. como o trabalho.O Estado responde a este contexto com políticas sociais.

4 Estado-Providência e as Políticas Sociais – o caso das políticas de Saúde Estado-Providência em Portugal Já os outros países se encontravam com o seu Estado-providência em crise quando Portugal constrói o seu “tardiamente e de forma problemática”. Portugal viveu sobre um regime ditatorial até aos inícios da década de 70 e o facto de Portugal ser altamente rural.S. O Estado-providência é o resultado de “ um compromisso. o modelo . nos termos do qual os capitalistas renunciam a parte da sua autonomia e dos seus lucros e os trabalhadores a parte das suas reivindicações” com o objectivo de obter paz social e a acumulação de capital para a posterior distribuição em direitos sociais. sem o terceiro sector e sem urbanização (Portugal. isto porque. ou de um certo pacto teorizado no plano económico por Keynes. Mas relembre-se que em primeiro lugar acredita-se no poder da medicina e dos médicos” (Carvalho. B. entre Estado. os indivíduos tanto se dirigem ao hospital. Os indivíduos fazem escolhas e ponderam os riscos a elas associadas.16) existem três modelos de Estado-providência construídos tendo em conta o modo como “repartem as responsabilidades sociais entre o estado.visível que ainda hoje estas duas lógicas coexistem. através das políticas sociais (Santos. 1990:194) Segundo Esping-Andersen (1998: 15. como de seguida vão aos “curandeiros” ou ao “endireita”. assim tem-se o modelo Anglo-saxónico. através das “ novas competências e técnicas adaptadas à especificidade da actuação médica (…) maior clarificação das funções sociais da medicina (…) inauguração de estratégias de apropriação de novas posições de poder nunca experimentadas anteriormente” (Carapinheiro. sem industrialização. “os indivíduos experimentam formas alternativas de curar se uma eventualidade surgir. 1986: 20). o capital e o trabalho. 2005:1-2). o mercado e a família”. s/d:2) isto ocorre devido aos vincos que a medicina deixa na sociedade.

S. leva também há existência de discordâncias entre os vários teóricos. 2005:3). B. e afirmando o contrário encontram-se os teóricos Juan Mozzicafreddo e António Barreto. e Ferreira. aposta numa privatização da segurança social e dos direitos sociais não os universalizando. Esping-Andersen.S. Ferrera in Santos. mas em 3 O modelo anglo-saxónico é considerado o mais excludente. 2002:192). Portugal não possui um Estado-providência. consideram a existência de um quarto modelo de “welfare state”. ocorreram “já num contexto de “crise” internacional do Estado-providência” (Santos. entre capitalismo e democracia” (1990: 196). concebidas dentro de um mesmo conceito. contudo Portugal não “obedece” a estes pontos. entre acumulação e legitimação. a tentativa de interdependência entre acumulação e legitimação também não ocorreu. 2005:3.. a intervenção do Estado é mínima. tendo em conta as características comparativas que levaram há existência deste nos outros países. S. entre os quais Boaventura Sousa Santos. O modelo Escandinavo serve a totalidade dos indivíduos. G. um sistema “fragmentado e corporativista” o que leva a uma protecção social desigual. depende do trabalho (masculinizado) sobre o qual recai uma protecção excessiva o que leva a uma quebra das taxas de natalidade e de fecundidade (Santos. a existência de um SNS que procura o carácter de universalista. ou mais amplamente. apoiando a fecundidade e a maternidade. a articulação entre democracia e capitalismo e a concertação entre capital e trabalho. S. B. 1998:15-17) . no qual Portugal se insere segundo o mesmo autor. Espanha e Grécia. o de Estado-Providência. 2002:179-181. legitimou-se o modelo político. Este tem como principais características. uma vez que dirige a acção social para os mais desfavorecidos. como Maurizio Ferrera que devido às especificidades do caso português. De acordo com o mesmo autor. a combinação ente público e privado sem intervenção por parte do Estado e ainda a visão assistencialista do Estado (Ferrera in Portugal. o emprego feminino. 5 Devido às divergências entre as várias realidades. o papel do Estado é valorizado em detrimento do mercado. Sílvia. constituindo assim o “modelo social do sul” (in Portugal. e Ferreira. 2002: 186). após esta. que para além de Portugal inserem também Itália. o crescimento demográfico. S. antes da revolução de 1974 era permitida a acumulação mas não existia legitimação democrática..Escandinavo e o modelo da Europa continental3. é universalista.. um Estado-providência “assenta na ideia de compatibilidade (e até complementaridade) entre crescimento económico e políticas sociais. que coloca em causa a existência de um Estado Providência em Portugal. Contudo existem outros autores. procura a universalidade mas ao mesmo tempo combina privado – público. e Ferreira. O modelo da Europa continental combina características dos anteriores. aposta numa lógica de colectivização do dos direitos sociais. Segundo Boaventura Sousa Santos. B.

indica outros três factores para a crise do Estado-providência. a “menor visibilidade. B. sendo eles “o impacto da internacionalização . 1990). Por outro lado Esping-Andersen. neste ponto “Portugal está ainda longe o modelo europeu de burocracia social. não permitia. os elevados gastos em capital social. isto é. analítica e política. isto é “o Estado tende a fazer despesas acima dos seus recursos”. encontram-se Juan Mozzicafreddo e António Barreto que afirmam. por sua vez. a crise de legitimidade e a crise de eficiência. das despesas e serviços sociais como direito dos cidadãos”. a crise de eficiência em que o Estado não consegue efectuar o papel que lhe compete de regulador do pacto social. o que faz com que se veja os direitos sociais não como tal mas sim como uma “benevolência estatal”. O nível de desenvolvimento destas questões tem que ser analisado tendo em conta o contexto político e social português. das características do Estadoprovidência em Portugal não indica necessariamente a não existência desta forma política e social do Estado de direito” (Mozzicafreddo. de manter em quantidade e qualidade os direitos sociais (Santos. que apesar de fraco e incipiente é indiscutível a existência de um Estado-providência em Portugal. A Crise financeira diz respeito à descontinuidade existente entre o crescimento económico e as despesas sociais. mais recentemente. em algumas áreas” (Santos. Na base das suas teorias estão argumentos como a “existência política e administrativa do Estado-providência”. faz com que ocorra a crise de legitimação e por último. 1997:31). 6 A crise do Estado-providência poderá se chamar de tripla crise. “de uma internalização. e ainda a tentativa de “diminuição das desigualdades sociais através da consertação entre parceiros sociais e económicos” (Mozzicafreddo. S. o rápido desenvolvimento de “políticas sociais e de compensação”. o facto de a questão das desigualdades continuar a existir de forma marcante e os privilégios serem dirigidos apenas para alguns sectores da população. 1997:32). a “intervenção do Estado no mercado através da regulação económica e de políticas macroeconómicas”. uma vez que os factores para tal se situam em três elementos importantes.contrapartida a acumulação económica era fraca o que. 2002: 190). Do lado discordante. também. por parte da burocracia estatal. e Ferreira. Também é de referir que em Portugal o Estado-providência não resultou de processos democráticos e conquista social. a crise financeira.S. isto é..

7 Como já referido em cima no trabalho. Foi a partir da década de 80 que a saúde deixou de ter algumas das características anteriores. Assim. consideram-se políticas as que forem “desenvolvidas pelo Estado em vista da realização das prestações materiais e individuais a que os cidadãos tenham direito” (Carreira. 1996:37). e Pinto. G. «tendo em 4 Ver também (Portugal. foi implementado em Portugal. geral e gratuito (Carreira. o Sistema Nacional de Saúde (SNS) que tem como principais objectivos fornecer cuidados de saúde a toda a população e gratuitamente. G. as políticas sociais visam atender a situações de risco. aos beneficiários. 1999:1). A saúde foi uma das áreas onde o Estado-providência trouxe grandes alterações. depois da revolução de 1974. trabalho e Estado. 1996:124)4.económica… as mudanças demográficas… as mudanças a nível da família [incluindo] o novo papel económico das mulheres” (1998:13-14) As Políticas Sociais – o caso específico da Saúde Devido à vivência numa sociedade do risco. 2005:6. um sistema universal. 83. e por sua vez cabe a este a “incumbência de mobilizar os recursos financeiros indispensáveis ao SNS. et al. de desigualdade social. a gratuitidade. tal como foi definida anteriormente. 1996:125). 1996:125). Incumbe. Carapinheiro. M. “o financiamento passa a ser também da responsabilidade de outras entidades. os cuidados médicos de clínica geral e de especialidades. além do Estado. o suposto papel do Estado-providência é o de regulador do pacto entre capitalismo. como por exemplo.. Mozzicafreddo. 1997:53) . 1987:75. isto porque o Estado começou com a política de racionalização da saúde. é assim. os cuidados de enfermagem. o internamento hospitalar. os meios complementares de diagnóstico e terapêuticos. e deste modo traduzir os direitos sociais (Rodrigues. com a implementação das taxas moderadoras em 1981. tem sobre a sua alçada os “cuidados de promoção e vigilância da saúde e de prevenção da doença. com a entrada em vigor da Constituição (1976). de modo a assegurar a sua progressiva implantação e realização” (Carreira. os medicamentos e produtos medicamentosos” (Carreira. O SNS é extremamente vasto. nomeadamente.

as de natureza económico-financeira” (Carapinheiro e Pinto. e ao aparecer o privado. (…) [as respostas que o Estado tem dado baseiam-se na criação de] barreiras/preço junto dos utentes” (Carapinheiro e Pinto. e por conseguinte o recuo do Estado. Tal como refere Correia de Campos o sistema politico português nem é publico nem privado. a existência de um “mercado misto [de saúde. passando de suplemento para substituto. Coexistem com este regime oficial. esta. uma situação temporária. 2004:315) a organização burocrática e centralizada da saúde. o que reflecte a “incapacidade do sector Estatal para responder às solicitações da população. este foi completamente esvaziado da sua concepção inicial. no âmbito dos processos de contratualização descentralizada”. não conseguindo “dar conta” de todas as áreas. devido a alguns factores que são em parte consequência da melhoria das condições de saúde como a inversão da pirâmide etária: aumento da esperança média de vida e diminuição da natalidade a nível demográfico. onde se tem em conta o bem-estar de todos (público) e o lucro (privado) (1986:617) Apesar de o SNS continuar a ser o elemento principal. pois uma “política social coerente (…) tem de ser definida com ponderada consideração de um conjunto de variáveis entre as quais assumem especial relevância. acaba por ser um sistema misto.conta as suas condições económicas e sociais…» ” (Carreira. deixou que este servisse de suplemento em algumas áreas. sobretudo nos meios complementares de diagnóstico (Mozzicafreddo. SNS. outros subsistemas. entre os quais a ADSE. sendo estes 8 . o privilégio dos hospitais em detrimentos dos centros de saúde. contudo o primeiro ainda serve cerca de 86% da população (Carapinheiro e Pinto. 1997:59). e no caso da saúde não é excepção. 1987: 94). onde o público não estivesse. 1996:127). 1987:86) aspecto crucial na altura em Portugal. devendo ser. a nível político a existência de um lobbie forte com interesses imperativos (a Ordem dos Médios) (Cabral e Silva. 2009:21). 1987:90) O papel do Estado tem vindo a diminuir. menos capital. o modo como se concebe os cuidados de saúde. (Ferreira. o Estado. A transferência do público para o privado tem vindo a aumentar como resultado de acordos e contratos entre os dois sectores. onde] tanto prestadores públicos como privados competem por contratos. Com toda esta situação o SNS entra também ele em crise. contudo o privado foi alargando a sua influência.

contudo é importante de ter em conta que existe na teoria quem refira a exclusão como uma “causa individual”. processo que pode assumir duas formas principais: por um lado. profissionais. educacionais. afirmam que a exclusão se deve a “factores sociais”. afirmando assim que a “exclusão social deve-se a um conjunto imbricado de factores sociais e individuais que importa em cada contexto ou caso concreto identificar”. a exclusão decorre de factores sociais.. (Augusto A. os excluídos estão nessa situação por culpa própria e só a eles cabe a efectuar o processo contrário. 2007:8) 9 . visto este ser um tanto ou quanto complexo. Muitas outras definições existem. Neste sentido para além de ser necessário a intervenção do Estado. Pelo contrário outros. 2007:8).. isto é. e Simões Mª J. a ruptura pela ausência de um conjunto de recursos básicos (…) por outro. e neste caso a culpa é atribuída à sociedade e às estruturas sociais. económicos. De acordo com a primeira parte deste trabalho e segundo Peter Townsend os excluídos “são indivíduos que acumulam um conjunto de riscos. Exclusão social e acesso à Saúde Antes de se iniciar a análise de exclusão social no acesso à saúde é de extrema importância conceptualizar o conceito de exclusão. a ruptura como consequência de estigmatização que afectam grupos sociais específicos…” (Rodrigues. e Simões Mª J. 2000:174). e cabe ao governo implementar medidas para os indivíduos voltarem a estar integrados e inseridos na sociedade (Augusto A. através de trajectórias de vida que reforçam diferentes tipos de rupturas e perdas ou privações…” (in Rodrigues. 2000:175). políticos. De modo mais completo e eficaz existe a chamada teoria de síntese que combina os factores individuais com os sociais.últimos descapitalizados de status e de poderes na dimensão médico-cientifica (Cabral e Silva. de dificuldades ou de handicaps. requer-se uma participação activa do indivíduo no seu processo de inserção social. 2009:21). Exclusão social diz assim respeito a um “processo de ruptura com a sociedade.

1987:97. das áreas mais especializadas. existem “assimetrias regionais” na distribuição e oferta destes serviços. encontram-se apenas neste. Isto coloca um entrave ao acesso à saúde. contudo este parque não é equilibrado a nível regional. “observa-se uma . Estes meios estão assim. algumas. Trabalho. 2006:32-33) ou noutra terminologia como refere Thompson “os que se chamam de desvantajosos. passam a ficar. e existem vários elementos e/ou factores que estão implicados na concretização desta integração.Devido á grande diversidade de situações em que o indivíduo se pode encontrar nos diferentes domínios da vida social há autores que definem “zonas” em que os indivíduos se podem inserir tal como o próprio nome indica: “zona de integração … zona de vulnerabilidade …[e] zona de exclusão” (Díez.. O parque hospitalar é constituído pela seguinte hierarquia de organizações de saúde: centros de saúde – Hospitais distritais – Hospitais centrais – Entidades privadas. Porto e Coimbra (Carapinheiro e Pinto. Família e Comunidade (ISS. Outro aspecto diz respeito ao sector privado. Estado. A exclusão ou vulnerabilidade à exclusão é analisada recorrendo a três dimensões explicitadas resumidamente da seguinte forma: 1) privação diz respeito “ao acesso a recursos materiais (…) para manter condições de vida aceitáveis”. assim como no que diz respeito a recursos humanos. 2) desqualificação social é o “descrédito a que estão sujeitos aqueles que não participam na vida económica e social” e 3) desafiliação implica a junção de “dois vectores: um eixo de integração (…) e um eixo de inserção” que quando não ocorrem originam a quebra dos laços sociais nos 4 pilares fundamentais. 99). quem não possui fica à margem. quem o possui tem acesso. o que conduz a um “problema de acessibilidade por parte dos indivíduos aos serviços de saúde”. limitados de acordo com os seus rendimentos. 2007:10-11) 10 A saúde é um elemento importante no processo de integração dos indivíduos. se não mesmo a maioria. Tipificação das Situações de Exclusão em Portugal Continental in Augusto A. e mais uma vez a questão de capital. isto é. reportando-se aos profissionais de saúde. e Simões Mª J. ou não. neste âmbito a condição laboral tem grande influência no acesso à saúde. principalmente nas cidades de Lisboa. não só a nível de quantidade mas também de qualidade e desenvolvimento (especialização) na faixa litoral de Portugal. (…) os marginalizados ou inseguros (…) [e por fim] os privilegiados” (2000:2). para os indivíduos que vivem no interior do país. maioritariamente disponíveis.

mais individuais. mas também dentro da própria organização. e quem possui mais habilitações. dizem respeito ao “sexo. s/d:13). acedem com mais frequência aos serviços de saúde. que é tanto maior quanto mais elevado é o escalão de rendimento em que o agregado familiar se situa” (Barros. independentes das regiões. É visível que as mulheres. Contudo estes dois pontos de análise e muitas outras situações ficarão para um próximo trabalho.maior propensão à escolha de consulta privada. É de referir também que a exclusão e as desigualdades não ocorrem só no acesso por parte dos doentes. escolaridade. s/d: 16.17) Outros elementos. rácio peso/altura” (Barros. 11 . por exemplo existe uma clara discriminação entre os hospitais e os centros de saúde. idade.

é de referir que foram analisados apenas as assimetrias regionais a nível de serviços disponibilizados. e importante de referir.Conclusão A entrada num novo tipo de sociedade. 12 . A questão específica da saúde. Contudo também existem aspectos que não mudam. pois muito do que é feito não tem em conta a verdadeira realidade. político. na vida de cada indivíduo. trouxe várias alterações a nível dos vários sistemas: económico. no sentido de perceber as alterações que a própria noção de saúde sofreu. social. como as desigualdades sociais e a exclusão social. que ficarão para um próximo trabalho. que apesar de se viver sobre um Estado-providência. do nível de desenvolvimento dos mesmos e a relação entre público/privado através das escolhas que são feitas tenho em conta a classe de rendimentos dos indivíduos. foi aqui analisada. e também o que existe que sustente esta área de intervenção social. Em relação à exclusão no acesso à saúde. cultural. este é incapaz de dar todas as respostas necessárias para se ultrapassarem estas questões que são demasiado complexas e que requerem ainda muita investigação. que tem como um dos princípios básicos a igualdade. mesmo com a aplicação de políticas e programas específicos. Muitos outros elementos se poderiam ter em conta inclusive os de cariz mais individual.

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