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Como e Quando Nasceu a Lingua Portuguesa

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Como, onde e quando nasceu a língua portuguesa? Ataliba T.

de Castilho (USP, CNPq) No texto “Como as línguas nascem e morrem”, você viu que as línguas pertencem a famílias, sendo que o Português faz parte da família das línguas românicas, que por sua vez descendem do Latim, que por sua vez descende do Indoeuropeu. Ótimo, já temos uma árvore genealógica! Para saber como, onde e quando nasceu a Língua Portuguesa, precisaremos em primeiro lugar entender o que é a Europa Latina. Índice: 1. Formação da Europa Latina (390 a.C. – 124 d.C) 2. Como foi que os romanos invadiram a Península Ibérica? (197 a.C. – 400 d.C.) 3. Diz aí, como era mesmo esse Latim Vulgar? 4. Preparando o cenário para a formação do Português 4.1 O período do Romance (600-1000). 4.2 România Ocidental, România Oriental, formação das línguas românicas 4.3 Povos pré-romanos na Península Ibérica 4.4 Povos pós-romanos que invadiram a Península Ibérica 4.4.1 Os germanos 4.4.2 Os árabes 5. Que consequências houve na invasão árabe da península e a formação do Português? Por que eu tenho de pensar nisto? 6. Português Arcaico: a primeira variedade de Português que se ouviu no mundo 6.1 Primeira fase do Português Arcaico: o Galego-Português (1100-1350) 6.2 Segunda fase do Português Arcaico (1380-1540) 7. Quando ocorreu o reconhecimento do Português como uma nova língua? 8. Primeiras Gramáticas do Português 9. Principais dicionários do Português 10. Mas como era mesmo esse Português Arcaico? 11. Amostras do Português Arcaico 12. Novas Perguntas 13. Bibliografia para aprofundamento 14. Glossário

1. Formação da Europa Latina (390 a.C. – 124 d.C) Pra começo de conversa, você sabia que existe a América Latina, mas sabia também que existe uma Europa Latina? Pois é, além de América Latina também existe uma Europa Latina. É isso mesmo, só que ao contrário. É porque existiu uma Europa Latina que temos hoje uma América Latina, onde se falam o Português, o Espanhol e o Francês, trazidos pelos colonizadores. A Europa Latina é a parte européia do que sobrou do Império Romano. O Império Romano desapareceu enquanto organização política e administrativa, mas sua cultura continua viva, sendo cultivada, por exemplo, aqui no Brasil! Daí a importância em conhecer a Europa Latina. Vamos sintetizar no próximo quadro a formação de Roma, as conquistas romanas e a latinização de grande parte da Europa. Expansão de Roma e formação da Europa Latina
753 a.C. 616-509 a.C. 509 a.C. 390 a.C. 312 a. C. 241 – 238 a.C. 197 a.C. 191 a.C. 167 a.C. 148-146 a.C. 146 a.C. 120 a.C. 58 a 50 a.C. 15 a.C. 43 a 49 d.C. 106-124 d.C. Fundação de Roma no monte Palatino, e o rapto das Sabinas Os reis etruscos organizam o Reino dos Tarqüínios. Constrói-se a Cloaca Máxima, para drenar os pântanos em que se fundara Roma. Expulsão de Tarqüínio e nascimento da República. Invasão dos Gauleses, que queimam Roma mas são expulsos. Construção da primeira estrada romana, a Via Ápia, que liga Roma a Cápua. Conquista da Sicília, Sardenha e Córsega, transformadas em províncias romanas Conquista da Península Ibérica Conquista da Gália Cisalpina, no norte da Itália. Conquista da Ilíria, na costa setentrional do Adriático. Conquista da Macedônia e da Grécia Primeiras expedições enviadas à África, na Tunísia. Conquista da Gália Transalpina, que passou a chamar Prouincia Narbonensis. Conquista da Gália Setentrional. Conquista da Récia (Grisões, Tirol, Lombardia). Primeira expedição à Inglaterra. Conquista da Dácia, atual Romênia.

A formação da Europa Latina foi o primeiro passo para o surgimento de dois grandes grupos lingüísticos na chamada România Velha*, a saber, as línguas românicas orientais e as línguas românicas ocidentais.

Este mapa mostra como se deu a formação do Império Romano, e aqui nos interessam apenas os territórios da Europa. Para entender como o Império Romano foi sendo construído, leia esse mapa assim:     Vermelho: 133 a. C. Laranja: 44 a.C. Amarelo: 14 d. C. Verde: 117 d.C.

Vejamos agora como a invasão romana da Península Ibérica teve como um de seus resultados a formação da Língua Portuguesa. 2. Como foi que os romanos invadiram a Península Ibérica? (197 a.C. – 400 d.C.) Os romanos invadiram a Península Ibérica entre 197 antes de Cristo e 400 depois de Cristo. Quem diria, dois mil anos mais tarde, nós aqui no Brasil estamos falando uma língua latina! Quando os romanos conquistaram a Península Ibérica eles atiraram (lanças e flechas) no que viam (os coitados dos ibéricos) e acertaram no que não viam (os povos da América Latina). Será que os romanos tinham isso em mente? Claro que não, Zezinho, eles nem sabiam que existiam terras do outro lado do “mar oceano”, muito além do mundo mediterrâneo onde eles passearam suas hostes e suas frotas de comércio. Mas enfim, o que levou os romanos a invadirem a Península Ibérica foi uma razão tão simples quanto antiga: a ambição humana. Uma resposta mais precisa nos fará viajar para Cartago, cidade localizada no norte da África, atualmente Túnis. Já ouviu falar nas Guerras Púnicas? Pois é, os romanos precisaram de três delas para acabar com o poderio dos cartagineses, povo descendente dos fenícios, que tinham instalado sua matriz em Cartago, e que concorriam com os Romanos nas rotas comerciais do Mediterrâneo. Então por que essas guerras foram chamadas “púnicas”? Porque fenício em grego é phóinikos, palavras que os romanos adaptaram para púnico. Você já sabe que o Latim Vulgar importou muitas palavras do Grego; phóinikos foi mais uma delas.

O norte foi particularmente resistente. graças à chefia de Viriato. Foram necessários dois séculos para que a ocupação da Ibéria se completasse. implantava o Latim. Em 139 a. I a. plantava também uma rede lingüística muito importante. atual Lisboa.. antes mesmo que eles tomassem a Gália Cisalpina. mas o norte e o centro permaneceram por muito tempo na mão dos antigos donos do negócio. Quem diria que o interesse pela prata e pela rede comercial criada pelos cartagineses daria nascimento. cai a região pirenaica. . de onde extraíam prata. pois o Latim Vulgar só se implantou no séc. na altura de Gibraltar. onde hoje é a Catalunha. estes foram atrás de suas possessões. A invasão romana começou no séc. Diferente da vitória pelas armas foi a vitoria lingüística. à medida que estirava seus músculos pelo mundo então conhecido. hein? Roma. Eles tinham conquistado uma parte da Península Ibérica.. então chamado “Colunas de Hércules”. V da nossa era.C. o que só ocorreria no séc.C.C. ao Português. e foi assim que a Península Ibérica entrou na dança. Sem saber.O fato é que os cartagineses / púnicos tinham dominado a bacia mediterrânea. comprando e vendendo produtos em sua rede de filiais ali instaladas. Entre 24 e 19 a. portanto. Augusto consuma a conquista. Derrotados pelos romanos em sua cidade-matriz. II a.C. O segundo desembarque ocorreu no sul. O sul da Península foi rapidamente submetido.C. Um ano antes tinha sido fundada a cidade de Felicitas Julia Olisipo. por volta dos anos 400. eles foram atraiçoados e eliminados pelos romanos. sua vizinha.C – curiosamente. além de fabricarem eles mesmos tecidos e outras mercadorias. Entre 80 e 71 a. A penetração romana na Ibéria se deu em duas direções: o primeiro desembarque ocorreu em 218 a. a Rede Línguas Românicas SA. bem mais tarde. a primeira potência globalizada do Ocidente. chefe dos Lusitanos.

mais para cá (“citerior”). mais para lá (“ulterior”). formada pela Tarraconense. A Hispânia Ulterior. só de navio. O texto de Júlio César que você leu trata de um episódio ocorrido na Hispânia Ulterior. Arevaci. formada pela Bética e pela Lusitânia. portanto. Tarraconense e Cartaginense. com conseqüências no surgimento das línguas românicas peninsulares. onde surgiria o Português. posteriormente dividida em Galaecia. segundo Tavani (1968: 21). particularmente na Bética. em que a Pax Romana esteve ameaçada. desenvolveu-se nessa região uma modalidade conservadora do Latim Vulgar. e habitada pelos Verrones e pelos Lusitani: dessa direção resultaram o Galego e o Português. Esta língua românica. na fonética e na sintaxe. e mais isolada de Roma: para viajar à capital do Império. Cada uma dessas grandes províncias teve um esquema de colonização próprio. seria mais conservadora no vocabulário. Até mesmo escolas de nível superior foram ali instaladas. e a segunda era mais próxima. tendo sido administrada durante séculos pelo Senado. Oretani. mais desenvolvida economicamente.Cada uma dessas direções daria origem a uma divisão administrativa da Península Ibérica. Em conseqüência. Da entrada pelo norte resultou a Hispânia Citerior. em que iria surgir o Galego-Português. Formou-se uma cultura citadina. . habitadas pelos Celtiberi. transformando menos o Latim Vulgar. Por que “ulterior” e “citerior”? É fácil: olhando o novo território desde Roma. Da entrada pelo sul resultou a Hispânia Ulterior. Vaccaei e Galleci: dessa direção resultaram o Catalão e o Espanhol. foi colonizada pela aristocracia senatorial e pelas ordens eqüestres. a primeira Hispânia era mais distante. Carpetani.

É o que se verifica. entretanto. germanu com as . É isso aí: quanto mais desenvolvida uma cultura. Uma cultura menos desenvolvida não cultiva esse sentimento. logo alterado pelas mudanças gramaticais. tanto quanto às influências de outras culturas. Em conseqüência. As línguas são. há um passado a conservar. seria mais inovador. mais ligada a Roma.e o –l. O Catalão se constitui num caso à parte.A Hispânia Citerior foi colonizada por militares. de onde era accessível por terra. assumindo propriedades linguísticas da Ibero-România e da Galo-România: Baldinger (1962). A própria escola é o lugar da transferência da tradição. menos desenvolvida economicamente. Pessoas expostas a essas instituições desenvolvem naturalmente o conceito de que há uma tradição. e a comunidade está mais aberta às tendências próprias de mudança lingüística. conservados por este.intervocálicos. transformando mais fortemente o Latim Vulgar. Explicando melhor. o Castelhano ou Espanhol. conhecido pelo que se aprende na escola e se lê nas bibliotecas. disseminando-se a informação mais regularmente. Num caso como no outro. substituída nas comunidades ágrafas pela transmissão oral dessa tradição. Nas culturas desenvolvidas há um número maior de escolas. quanto menos desenvolvida uma cultura. tendo-se ali desenvolvido uma cultura mais rural. Ao contrário. mais complexas do que um quadro esquemático como o que acabo de desenhar poderia representar. alguns particulares organizam bibliotecas. o conservador Português passou à frente do Castelhano inovador quando perdeu o –n. tanto mais conservadora sua língua. Assim. tanto mais inovadora sua língua. conserva-se mais o estágio de língua recebido da geração anterior. É por isso que se entende o “convervadorismo lingüístico”. comparando aas palavras latinas como palu. Conserva-se menos o estágio lingüístico herdado dos antepassados. com sua natureza de “língua-ponte”. É isso que se entende por “inovadorismo lingüístico”. ali desenvolvido.

O jeito então é comparar as línguas românicas entre si. irmão. A literatura romana atingiu seu apogeu nesta área: Sêneca e Lucano eram de Córdoba. estradas. arcos-de-triunfo e monumentos tumulares. surgindo como inovações os ditongos oral au e nasal ão. Para piorar as coisas. Olhando essas e outras palavras. e estes as civitates. 3. desta vez não vai dar! O Latim Vulgar era só falado. como era mesmo esse Latim Vulgar? Agora que ficou clara a importância do Latim Vulgar.castelhanas palo. os japoneses ainda não tinham inventado o gravador eletrônico portátil. Diz aí. guardaram traços dele. você poderia procurar outros consultando a bibliografia. pisos em mosaico. também uma língua de gente analfabeta . e falado por quem não dominava a escrita – sendo que naqueles tempos. meu caro. ainda por cima. de Bílbilis. em que se conservaram essas consoantes. sendo este uma novidade em termos de Latim. hermano. É como diziam os antigos: “quem sai aos seus não degenera”. Lembre-se de que no texto “Como as línguas nascem e morrem?” se mostra que o Indoeuropeu. pois sendo descendentes do Latim Vulgar. de Cádis. em que elas foram omitidas. tendo constituído a base dos atuais municípios. Da arquitetura restam ainda hoje magníficos exemplares de pontes. Eles mostram que a oposição “conservadorismo / inovadorismo” não pode ser tomada como uma verdade absoluta. de Calahorra. Marcial. Foi grande a floração cultural de Roma na Península Ibérica. Pois é. A Hispânia Ulterior e a Citerior compreendiam administrativamente os conventus. qual dessas línguas mudou mais? Casos como estes são muito freqüentes. e Columela. Quintiliano. termas. teatros. aquedutos. e as portuguesas pau. poucos indivíduos dominavam a escrita. que eram a base da administração romana. seria o caso de de ler algum texto escrito nessa língua.

Para evitar que seus alunos usassem formas vulgares.C. que deriva do vulgar speclum O genitivo –ae estava mudando para i. imperfeito do indicativo culto de amare. e deveria ser utilizada. e deveria ser evitada. A consoante b estava mudando para v. também se pode buscar por aí um ou outro texto latino que tenha documentado essa variedade. A palavra da esquerda era culta. por exemplo). . non pelvis QUE SE APRENDE COM ISSO A vogal depois da tônica estava sumindo. fez uma lista de palavras separadas pelo advérbio non. a coisa se repetiu. como as comédias romanas. a da direita era latino-vulgar. Esse é o caso do de uma famosa listinha preparada pelo gramático Probo. as inscrições em arcos-do-triunfo e em pedras tumulares. No caso do Latim Vulgar. pois é evidente que quem os escreveu sabia Latim Culto. Veja aqui o que dizia o gramático: Texto-amostra do Appendix Probi: LISTA DE PALAVRAS Speculum. mas o bom da história é que ele nos deixou uma relação de palavras latino-vulgares que não poderíamos ter obtido de outra forma. non aquiductus Formica. que deve ter vivido no séc. escrito comida. os grafitti em paredes que tenham sobrevivido (como em Pompéia. Não sei se o método de Probo deu certo. Mas é preciso tomar cuidado com esses testemunhos. daqui tendo derivado Português aqueduto A vogal antes da tônica estava se fechando. e pode ter misturado sem querer as duas variedades. teve de ser reconstituída a partir da comparação de suas línguas-filhas. e por aí vai. por isso dizemos agora amava e não amaba. e o método históricocomparativo* atacou de novo! Para ajudar na reconstituição do Latim Vulgar. III d.(“ágrafos” é mais elegante). non furmica Plebes. non speculum Aquaeductus. é por isso que dizemos agora espelho. o que ocorre ainda hoje em cumida.

Note-se de novo o particípio presente. também. é a monja Egéria. Lembre-se que o Latim Culto não tinha artigos. que seria substituído pela prep. Segundo São Jerônimo. O numeral sedecim sobreviverá no Italiano sedice e no Francês seize. pois dali veio o Português e vieram todas as outras línguas românicas.  Texto-amostra do Testamentum Porcelli TEXTO E TRADUÇÃO QUE SE APRENDE COM ISSO . quantum potuimus videntes aestimare que tem talvez pelo que pudemos julgar olhando aut ipsi dicebant in longo milia passuum forsitam sedecim ou eles mesmos [os moradores] diziam. nesta busca do Latim Vulgar. perdido o valor identificador original. mas deixa escapar aqui e ali alguns traços que viriam a consolidar-se nas línguas românicas. quae habet forsitam. em que mistura formas latinas vulgares a formas cultas. ditadas ao cozinheiro e aos parentes pouco antes de sua morte”: Ilari (2004: 114). que escreveu no séc. que substituiria as construções com particípio presente. C. o Testamento do Porquinho. esse vale é um grande vale iacens subter latus montis Dei que se estende sob o flanco do monte de Deus QUE SE APRENDE COM ISSO O demonstrativo ipsa funciona como artigo. o “Testamentum Porcelli”. pelo gerúndio. Ora. divertindo-se a valer. talvez. Só formas cultas: (1) aparece o particípio presente iacens. (3) mantém-se o genitivo em Dei. em que se registram as últimas vontades do porquinho M. V d. as crianças recitavam partes do texto. Também aqui o que interessa é espiar os vulgarismos. do advérbio forsitam derivou o Italiano forse. isto é. Esse mesmo autor comenta que o texto é uma paródia. IV depois de Cristo. Seu autor tinha domínio do Latim Culto. dezesseis mil passos de cumprimento Ficou famoso. Grunnius Corocotta. sua Peregrinatio ad locca sancta. criou a forma talvez em seu lugar. “datado possivelmente do séc. Leia esta amostra: Texto-amostra da Peregrinatio ad locca sancta TEXTO E TRADUÇÃO Vallis autem ipsa ingens est vallis. através de dez +e + seis. (2) não aparece o pronome relativo + indicativo. mas o Port.Outra figura importante. de + substantivo. substituído em Port. que desapareceu nas línguas românicas. mas o Português e o Castelhano reconstruiriam a forma.

legarei os pelos aos sapateiros. em que se omitia a vogal u de coquus. Grunnius Corocotta porcellus testamentum fecit. (. Preparando o cenário para a formação do Português . aures / auricula > orelha. dispensáveis no Latim Culto. scribendum dictaui.. porcelli aponta para o grande número de palavras portuguesas que derivaram do diminutivo em -elus. lambedor do chão. domine coce. cursoribus et venatoribus talos. 4.. (.. De. e de clamare como “chamar” também evidencia traços discrepantes do Latim Culto. rogo. e hoje acabo com tua vida. mostra a mudança do grupo nd para nn. aos meninos a bexiga. ut de cibariis suis aliquid dimittere eis. concede roganti”. puellis caudam.) Et de meis visceribus dado donabo sutoribus saetas. Qui ait: (. aos corredores e aos caçadores os calcanhares. de modo que lhes legasse algo de seus alimentos. Começa o testamento do porquinho. aos salsicheiros as coxas. às mulheres os lombos. Chamou a si seus parentes. Na sintaxe. vas / vascella > baixela. nota-se o uso das preposições ad. como no uso culto de caelo cadere “cair do céu”.) E como percebeu que ia morrer.. como ovis / ovicula > ovelha. su qua vascella pedibus meis confregi. coquina.. pueris vesicam. é um partitivo em de meis visceribus. e o segundo “lamentar-se aos gritos.. calcado em grundire “grunhir”. destruidor da casa. M. porquinho fugitivo. tendência ainda hoje observada quando dizemos falano em vez de falando. si qua peccavi. as cerdas da cabeça aos briguentos. Corocotta porcellus dixit: “si qua feci.) E de minhas vísceras. de Grundius. se cometi algum erro. causidicis et verbosis linguam. fugitive porcelle. aos ladrões os cascos (. senhor cozinheiro. Grunnius. O uso de parentes como “parentes”. buculariis intestina. doarei”).et) e na repetição do verbo (dabo donabo “darei. latronibus ungulas.) Et ut videt se moriturum esse. peço a vida. ditei para ser escrito Magirus cocus dixit: “veni huc. O cozinheiro Magiro disse: “vem aqui. proclamar”. pediu o tempo de uma hora. nestes casos.. e não indica origem de cima para baixo. Quoniam manu mea scribere non potui. aos efeminados os músculos.. permitindo neste caso a derivação portuguesa cozinha. aos vaqueiros os intestinos. perdoa ao suplicante”. cinaedis musculos. por exemplo. solivertiator. Clamavit ad se suos parentes. mulieribus lumbula..Incipit testamentum porcelli. eversor domi. às meninas a cauda. Ele disse: (..) O diminutivo de porcus.. surdis auriculas. e rogou ao cozinheiro para que pudesse fazer um testamento. Cocus (e cocina) apontam para a pronúncia popular. O texto imita o estilo repetitivo dos documentos públicos. Como não pude escrever com minha mão. variedade em que o primeiro termo quer dizer “pais”.. horae spatium petiit et cocum rogavit ut testamentum facere posset. esiciariis femora. de. visível nos polissíndetos (et. aos advogados e prolixos a língua. O porquinho Corocota disse: “se fiz algo. vitam peto. et hodie tibi dirimo vitam”. rixatoribus capitinas. aos surdos as orelhas. O nome do porquinho. rogo. se quebrei algumas vazilhas com os meus pés.

Vamos nos limitar neste texto aos três primeiros capítulos. segunda fase. vai de 1350 a 1540. falou-se na Europa o Romance. veja no seguinte esquema como o Latim Culto morreu. Entre os últimos tempos do Latim e o surgimento das línguas românicas. de que resultou a formação do Romance Ibérico. a segunda fase. com duas fases: primeira fase. Veja a esse respeito o esquema que aparece no texto “Como as línguas nascem e morrem?” O Latim Vulgar trazido para a Ibéria era mais arcaico que aquele levado para a Gália. aproximadamente entre os anos 600 e 1000. era mais arcaico que aquele levado à Dácia. a do Português propriamente dito.A latinização da Península Ibérica pelos romanos e a existência de povos e culturas pré e pós-romanos no território criaram as condições para o surgimento do Português. o que permite dividi-lo em duas fases: primeira fase. século XIX.C. (4) Português Moderno. e como o Latim Vulgar foi se multiplicando na Europa Latina: . vai de 1100 a 1350. atual Romênia.: olhe de novo o resumo sobre as duas Românias para entender bem isto. derivadas do Latim Vulgar. e este. por sua vez. a do Galego-Português. A expansão romana pela Europa teria como resultado o surgimento de um grande conjunto de línguas. Para facilitar as coisas. conquistada no ano 107 d. A formação da Língua Portuguesa é uma história que pode ser contada em pelo menos cinco capítulos: (1) Latinização da Península Ibérica e contactos lingüísticos com os povos pré e pósromanos. Vamos ver isso passo a passo. (2) Transformações do Romance Ibérico do noroeste da Península Ibérica no Português Arcaico. (5) Português Contemporâneo: séculos XX a XXI. denominadas línguas românicas. séculos XVI a XVIII (1540 a 1750). (3) O Português Arcaico sofreu mudanças.

de 838. isto é. as variedades do Latim eram reconhecidas e designadas pelas expressões latine loqui. 1 O período do Romance (600-1000).4. isto é. o azeite. intermediária entre o Latim Vulgar e as futuras línguas românicas. falar o Latim Vulgar dialetado que se espalharia pela Europa. É no primeiro desses sentidos que se toma aqui a palavra Romance. que aparece na expressão romanice loqui. e romanice loqui. Você sabe. mudaria foneticamente para Romance. dadas as profundas alterações operadas na gramática da língua de Roma. Naquele tempo. os bons ares do lugar.. ele parece ter sido extinto em 800. quando distinguimos o Português Culto do Português Popular. nem era ainda algumas das línguas românicas que hoje conhecemos. e já não podia mais ser considerado como Latim. O período Romance não é conhecido em detalhes.. O advérbio romanice. Tudo o que se sabe é que o Romance variava geograficamente. A própria duração do Romance variou no tempo: na França. o queijo e o vinho. Os cidadãos romanos tinham consciência das variedades de Latim que estavam usando. falar Latim Culto. passando a designar primeiramente a resultante européia da dialetação do Latim Vulgar por toda a Europa Latina. e posteriormente um gênero literário – precisamente as narrativas redigidas nessa língua. tal como hoje. Na Ibéria o “prazo de validade” do Romance foi mais extenso. e ele deve ter sobrevivido até 1100. os Juramentos de Estrasburgo. quando surge o primeiro documento em Francês. .

post Lupu. Espanhol los hombres. (2) manterem as consoantes surdas intervocálicas. Será verdade que as diferenças entre elas se limitou à formação do plural. o Romance Ocidental e o Romance Oriental. “telha”. amico . bambino – bambini “menino – meninos”. (4) terem o Nominativo como caso único. amado. 4. România Oriental. como em Latim Vulgar tegula > Italiano tegola. em que não se pronuncia o –s do substantivo. poi Lupo. conforme sugerido acima? Não mesmo! Observe o próximo Quadro e tire você mesmo suas conclusões.2 România Ocidental. donde fazerem o plural em –s. Romeno. România Oriental e România Ocidental ROMÂNIA ORIENTAL A România Oriental é subdividida em DacoRomânia (de que derivou o Romeno). (3) assimilarem o grupo consonantal octo > otto.As muitas diferenças na formação sociohistórica das línguas românicas podem ser melhor entendidas quando se reconhecem dois grandes domínios do Romance da Alta Idade Média. Castelhano e Português). amatu. As línguas da România Oriental se caracterizam por (1) manterem a vogal postônica. amigo ITALIANO Noi. donde fazerem o plural em –e para as palavras femininas. Sardo) e aquelas da România Ocidental (Francês. ROMÂNIA OCIDENTAL A România Ocidental é subdividida em GaloRomânia (de que derivaram o Francês. como em oito (4) terem o Acusativo como caso único. como em Latim tegula > tegla > Português telha. o Catalão e o Provençal) e Ibero-România (de que derivaram o Castelhano. Catalão. como em Latim focu >Italiano fuocu. Provençal. Diferenças entre o Português (România Ocidental) e o Italiano (România Oriental) LATIM VULGAR Nos. pois Lobo. (3) semivocalizarem a primeira consoante do grupo ct. amicu PORTUGUÊS Nós. formação das línguas românicas No Quadro a seguir são recolhidas as principais diferenças entre as línguas da România Oriental (Italiano. o Português e o Galego). (2) sonorizarem as consoantes surdas intervocálicas. independentemente do gênero: Francês les hommes [lezòm]. e em –i para as palavras femininas: Italiano sorella – sorelle “irmã – irmãs”. como em fogo. As línguas da România Ocidental se caracterizam por (1) perderem a postônica. Vamos agora comparar duas línguas originárias das “duas Românias”: o Português e o Italiano. Português os homens. ÍtaloRomânia (de que derivou o Italiano) e RetoRomânia (de que derivou o Rético). amato.

notte. ele restituiu o percurso dos Ambroilírios pela península.Octo. na Ásia. os Fenícios ou Cartagineses (a quem derrotaram) e os Gregos. sertu] Otto. muito complexas mesmo quando aparentadas. certu [dito kera. surgindo os Celtiberos. Lígures ou Ambroilírios Originários aparentemente da Ligúria. o que se pode ver pelo Mapa “Ambroilírios na Península Ibérica” . misturando-se aos Iberos. feito Cera. organize alguns quadros comparativos e localize outros pontos de contacto e de afastamento. fixaram-se na região Entre-Tejo-eGuadiana. descendiam de uma raça denominada “Ambrones” pelos Romanos. supõe-se que os Bascos tenham aprendido a língua daqueles. Bascos ou Iberos Os Bascos. e ainda os Celtas. Dada a superioridade cultural dos Iberos. na Itália. kertu] Oito. mas Ramón Menéndez Pidal conseguiu prová-lo ligando topônimos que remetem ao nome próprio “Ambrones”. originária da Ásia Menor e da Líbia. noite. A eles mesclaramse os Ilírios. nocte. certo [dito tchera. São obscuras as relações entre os Bascos e os Iberos. factu Cera. Durante certo tempo. Eles encontraram aqui os Vascos ou Iberos. migraram para a Península Ibérica entre 800 e 300 a. aquele povo não Indoeuropeu. Vascos ou Iberos estão na Península Ibérica desde tempos imemoriais. Estes últimos integraram a Cultura Capsense. Assim são as línguas. 3 Povos pré-romanos na Península Ibérica A Ibéria não era nenhum deserto humano quando os Romanos chegaram. povo originário da Europa Central. e do Douro até a Lusitânia. como havia no Cáucaso um povo denominado “hoi ibéroi” pelos gregos. Entretanto. tcherto] Qual dessas línguas se mostra mais próxima do Latim Vulgar? Em que elas se aproximam. pensou-sse que esse povo não tivesse passado pela Península Ibérica. e em que elas se afastam de sua língua-mãe? Consulte uma gramática das duas línguas. outros supõem que Bascos e Iberos integrem a mesma etnia. os Ambroilírios. Com isso. No segundo período. 4. donde a designação Ambroilírios. Eles são originários da região do Cáucaso. fatto Cera. ocuparam o centro do território. No primeiro momento.C. e não eram indo-europeus. certo [dito sera. Os romanos os Celtas Os Celtas. Leia no quadro a seguir uma síntese da história desses povos.

brio. terra dos Vascos. Do lado francês. a Ibéria. lausiae (que deu lousa). guitarra). você encontrará algumas palavras que o Português tomou de empréstimo às línguas dos povos pré-romanos. da Espanha. Ver Tovar (1958). cachorro. caminho. antropônimos Sancho / Sanches. palavra que significava antes “galeria das minas”). ocupam a Gasconha.denominaram “Vascones”. substituindo-se a palavra latina aratrum. por etimologia popular barriguilha. grafados em grego ou no alfabeto epicórico. Vinodunum > Verdun. com exceção dos Bascos. que eles acabaram por dar seu nome patronímico ao território. Urraca. arrugia (que deu arroio. bragas “roupa branca” (e. palavras que entraram na composição dos topônimos Conímbriga > Coimbra. decifrado por M. Gómez Moreno. Arribas (1967). e que entra no topônimo Navarra). por importação francesa. légua. preservado  . carrus > carro. Gimeno / Gimenes. deixou diversos documentos epigráficos espalhados pela bacia do Mediterrâneo. -rdo / -rda (como em esquerdo. piçarra. Stella (1963). O Latim Vulgar receberia deles contribuições lexicais. Palavras oriundas do Celta: sufixo –essu > -és (em Algés. o Português e o Castelhano mantêm até hoje uma gramática neolatina. que suplantou o latim equus. tendo preservado sua morfologia e sua sintaxe. É por isso que o Galego. Sua importância é tanta. formado a partir de braguilha). aliás. ou êuscara. Tagus (que deu Tejo). manteiga. sagum > saio / saia. nava (que quer dizer “depressão”. briga e dunum “fortaleza”. Schuchardt (1947). barro. No quadro a seguir. palavra suplantou a latina sinônima sinister).  Palavras oriundas do Basco: A língua basca. camisa. cujo nome. bizarro. Lugdunum > Lião. e ainda hoje em dia eles ocupam as Províncias Vascongadas. Nenhum desses povos conseguiu preservar sua língua diante do avanço romano. carruca > charrua. caballus> cavalo. cogula “veste sacerdotal”. Arbués). resultou de Vasconia. Contribuições lingüísticas do Basco: sufixos –rro / -rra (como em bezerro.

governar.4 Povos pós-romanos que invadiram a Península Ibérica A Península Ibérica não virou um paraíso na terra só porque os romanos tinham chegado e tomado conta do pedaço. donde o “santa”). quando o lugar entrou na mira dos germanos. lá vieram os Árabes acabar com a graça dos descendentes dos invasores germânicos. lança. bico. que tanta confusão já tinham armado no coração mesmo do Império. você pode se perguntar o seguinte: que sons se repetem nas palavras bascas? Que domínios do vocabulário foram enriquecidos pelas palavras herdadas dos povos pré-romanos? Dá para conversar bem. Essas tribos eram assim divididas: (1) Grupo Oriental: . gato. em 497 d.4. basium > beijo e basiare > beijar. que se atiraram sobre a Europa em diferentes épocas históricas. greda. drama. Não são aqui mencionados os termos técnicos de que o Grego abasteceu abundantemente o Português. igreja. cima. tomilho. por não terem entrado para a língua neste período histórico.C! Mas não apenas os germanos fizeram estrepulias no lugar! Mal começada a Era Moderna. golpe. ângelo. gesso. Vejamos isto. monarquia. no topônimo Santa Comba Dão (em que deve ter havido uma reinterpretação de comba como colomba. Estavam os descendentes dos romanos muito felizes com suas novas propriedades hispânicas. cumba “vale”. bodega. escola. cerveja.  Palavras oriundas do Grego: púrpura. e que acabariam por dar-lhe fim. Lendo essas listas. cada. mesmo não usando essas palavras? 4. batizar. mecânica. trado. Logo os germanos. blasfêmia e blasfemar. cambiare > cambiar. que em alguns casos suplantou a palavra latina correspondente mutare. 4. bispo. cabana.1 Os germanos O nome “germanos” recobre um conjunto de tribos.no português como o feminino égua.

evitaram inicialmente casar-se com os hispano-romanos. Hérulos e outros. variante do Cristianismo. devastando as províncias romanas da Mauritânia e Tingitânia. mas são logo repelidos.Vândalos. Os mais importantes dentre os germanos foram os Visigodos. VIII a monarquia visigótica se envolvera em brigas internas. tendo sido conquistados pelos Visigodos. o Conde Julião. Lembre-se que os Francos transformaram a antiga província romana das Gálias em Francia. Eles desenvolveram uma civilização que se tornaria notável pela codificação das leis. iniciando-se a miscigenação – fato que impediu a Ibéria de transformar-se numa Gótia. Alamanos e Suevos. Esse reino teve fim em 585.C. No começo do séc. fragmentando-se a bela construção. fato que levou os Visigodos a mudarem de atitude. os Alanos e os Vândalos. No mapa a seguir você pode fazer uma idéia da importância dos Germanos nesta altura da história européia: . Os Suevos criaram em 429 um importante reino na Gallaecia. que chegaram em 416. o rei Recaredo abjura do Arianismo. Alanos. com capital em Braga. Os Vândalos tomam a Bética – cujo nome mudam para Vandaluzia. os Visigodos. ter facilitado a invasão árabe. tendo dominado a península até 624. os Suevos. (1) Grupo Ocidental: Francos. vieram para a Ibéria a partir de 409 d. Eles ocuparam a meseta castelhana. Em 589. Professando o Arianismo. a ponto de um visigoto. Os Alanos tomam a Lusitânia. Burgúndios. atualmente Andaluzia mas logo passaram à África. atual França. após derrotar as “tribos-irmãs”. Godos (que compreendiam os Visigodos e os Ostrogodos). compondo a famosa Lex Visigothorum. Desses grupos. desde Burgos até Madri e Toledo.

em conseqüência. e entre os sécs. começou a dialetar-se nos diversos Romances de que surgiriam a partir do séc . VI e IX o Latim Vulgar Hispânico. (1) palavras vindas do germânico ocidental (como os Francos) ou do germânico oriental (como os Godos) que penetraram no Latim Vulgar independentemente da invasão da Península . I. Há. não mais considerada como metrópole.A grande importância lingüística da invasão germânica está em que seu domínio libertou as potencialidades diferençadoras da península em relação a Roma. suas contribuições léxicas devem ser consideradas segundo o grupo germânico de que procedem e segundo o local em que se deu o contacto. Formou-se um sentimento nacional. matizado pelos germanismos. X as línguas românicas ibéricas. Como os germanos tinham entrado em contacto com os romanos desde o séc.

V ao VIII. Godinho. íngreme. orgulho. do séc. Godo. Ramilde. brasa. força”. luva. roubar. coifa. Borgonha. V tinha sido extinto o Império Romano do Ocidente. donde guisado “disposto. aio. Rodolfo. Mir e Mil “glória”. Argemil. introduzidas durante o período Romance (germanismos francos na Gália. gabar-se. Wilhelm > Guilherme. Guedes. Fernando. Melo. Gradim. Vera. ganso.   O domínio germânico na Península estendeu-se. Ermegilde. Alvarenga. Topônimos: Vimaranis > Guimarães. Afonso. Elvira. Rigo e Riz “poder”. longobardos na Itália. sabão. guardar. espora. Substantivos próprios: os nomes próprios germânicos compunham-se de elementos significativos. arranjado”. é difícil distinguir os germanismos a partir desses critérios. Gomes / Gomide.Ibérica. feudo. Godói. Guiães. “calúnia”). (3) franquismos e galo-romanismos difundidos mais tarde. Gunths “espada. laverca. Viliati > Guilhade. Brandão. agasalhar. Gondomar. devendo-se lembrar que no séc. Obviamente. ostrogodos e visigotos em outras áreas. durante a Idade Média. britar. Fafiães. Baião. com sua capital . donde Ruderigo > Rodrigo. guerra (que suplantou Latim bellum). solarengo. parra. Valdemir. (2) palavras germânicas regionais. guisa “maneira”. Gonçalo. Assim. Esses elementos aparecem em Teodulfo. tais como Wulf “lobo. seguindo Rafael Lapesa. Eis aqui algumas palavras germânicas que entraram para o Português:  Substantivos comuns: elmo. aleive (donde aleivosia. sufixo –ardo (bastardo). Gonçalves. albergue. com a expansão do Império Carolíngio e da cultura provençal e francesa. Atiães. burgo. bramar. burgúndios. ufano. branco. Muitos desses topônimos transformaram-se em antropônimos. Gondemir “célebre na luta”. Lobão. rico. Ramiro. Ourique. embaixada. Resende. Álvaro e Alvarenga. embora se reconheça que o aporte visigótico foi mais acentuado na Península Ibérica. Esposende. valor guerreiro”. portanto. realengo. Gouveia. Ataíde. aleive. vamos enumerá-los sem essa preocupação. Teodorigo. Burgo. sufixo –engo (avoengo. gastar. Rugerius > Rogério. atual França. fralda. Teles. trégua. guarir e guarecer “curar”. bruno. abadengo). Brito.

Destes reinos surge o movimento da Reconquista. A chegada dos árabes obriga os remanescentes hispano-godos. até sua expulsão em 1492 – quando os espanhóis já descobriam a América! De 711 a 756 a Hispânia Muçulmana é governada por emires. Dessa data até 929 organiza-se o Califado de Córdoba. II e III sucedem-se no poder.2 – Os árabes Por volta de 710. de onde foram definitivamente expulsos com a tomada de Algarves e sua inclusão em Portugal.em Roma. “cabo de Tárique”. a monarquia visigótica entrou em séria crise. e os emires hispânicos tornam-se independentes. os generais Musa e Tárique atacam os hispano-godos. no ano de 1263. Desse ponto de vista. abre as portas de Ceuta aos árabes e pede uma expedição que tome a Península Ibérica. pelo contrário. ligados ao Califado de Damasco. . a fugirem para o Norte. acelerou as mudanças de que resultariam o Galego. então redenominada Gibraltar (de geb-al-Tárik. general árabe) e se instalam na Península por largos anos. após um acordo com Castela. Em 711. visigodo. em que fundam diversos reinos. reforçando a latinidade nesta parte da Europa. O Conde Julião. registrando-se lutas entre católicos e arianos. o Português e o Espanhol.4. Em 785 começa a construção da mesquita de Córdoba. que teria como resultado pôr em contacto essas duas variedades românicas. o tiro dos germanos saiu pela culatra! 4. nortistas bascos e sulistas visigodos. Mas a invasão germânica não conseguiu extinguir o Latim da Península Ibérica. atravessam as Colunas de Hércules. que falavam um Romance bastante inovador se comparado ao Romance moçarabizado do Sul. Abderrahman I. Os árabes ficaram 552 anos em Portugal.

Tendo traduzido para o árabe os clássicos gregos. islamizados pelos árabes. 781 anos. Basta que se diga que a chegada árabe dividiu a sociedade hispano-romana em três segmentos sociais: (1) Os árabes invasores. a Agricultura e a Arquitetura. que falavam árabe em suas relações com os novos proprietários do estabelecimento. A Lex Visigothorum foi mantida. os costumes. Os árabes trouxeram para a Ibéria sua desenvolvida cultura. ou muladíes. que adotaram a língua. O maior esplendor de sua cultura ocorreu na região chamada “Al Andalus”. hispano-godos bilíngües submetidos aos invasores. usos e os juízes hispânicos foram conservados. caracterizando-se por uma grande tolerância religiosa e politica. (4) Os moçárabes (palavra que significa “submetido aos árabes”). (5) Os judeus. em que se sobressaíram Ben Haiane. os costumes e as roupas dos árabes. tendo sido expulsos após a captura de Granada. Benalcatibe. que se tornaram os novos donos do pedaço. Ben Saíde. passando por uma extraordinária Arquitetura preservada até hoje. salvaram para o Ocidente textos como os de Aristóteles. Estudos lingüísticos foram cultivados. os baladiyym. Detalhar tudo o que ocorreu no período escapa às limitações deste texto.Eles ficaram mais tempo na Espanha. palavra adaptada de Vandaluzia. Benelabar. (2) Os mouros ou bereberes vindos da Mauritânia. a Filosofia. no sul da península. destruídos na Europa pela intolerância cristã. A cultura aqui desenvolvida foi superior à africana. que tinham sido conquistados e (3) Os muwalladim. em 1492. além da Música. Desenvolveu-se a História e a Geografia. que incluía desde a Agricultura até a Filosofia. que dispunham dos mesmos direitos dos moçárabes. O desenvolvimento literário foi muito intenso. a Medicina. e romance em suas relações familiares. a ponto de pensarem alguns historiadores da literatura que a poesia lírica medieval da Península Ibérica seja de origem árabe. a Botânica. hispano-godos convertidos ao Islamismo. . para as explicações do Alcorão.

Mas não há dúvida que essas composições “oferecem uma modalidade de língua a que chamamos moçárabe. Ibn al-Jatib e Judá Ha-Leví. aí incluídas as carjas. e latinismos penetraram no árabe. e também por alguns dos conquistadores”: Galmés de Fuentes (1994: 85). anteriores aos árabes. árabes e hebraicas. praticada em al-Andalus por cristãos. M. Através deles. 3 ou 4 versos que acompanhavam as composições poéticas dos árabes e dos hebreus peninsulares. arabismos penetraram nas línguas ibero-românicas. É natural que os copistas que transcreveram esses manuscritos. Eles tiveram também uma enorme importância no desenvolvimento da poesia lírica ibérica. ou muaxahas. As carjas mesclavam palavras moçárabes. retiradas de Galmés de Fuentes (1994: 31 e 39) Carja árabe . e mostram que nos sécs. reiterpretaram-nos de mil modos. muladíes ou renegados. este ponto segue inconcluso. XI e XII tinha existido uma lírica tradicional. não se podendo afirmar que a poética árabe peninsular deu surgimento a um movimento artístico que poderia ter sido criado pelos Gallaeci. não conhecendo o Romance. se encontram em obras manuscritas de Ibn Busra. espécie de remates poéticos de 2. Entretanto. sem extingui-lo. com sua tradução: Amostra de carjas romances. Eis aqui algumas carjas. As sucessivas etnias árabes que com frequência invadiam a península diminuíram fortemente o contingente moçárabe. as moaxas. a que viriam a assemelhar-se as cantigas d’amigo galego-portuguesas. Hoje se sabe que em língua moçárabe foram compostas as carjas ou findas. que só surgiriam no século seguinte. As carjas foram descobertas em 1948 por S.A tradição latina na península foi mantida pelos moçárabes. a que se seguiu em 1952 o trabalho de Emilio García Gómez. As muaxahas árabes em que se encontram carjas romances. Stern. que publicou as muaxahas completas.

ven. Irei(me) a ti Diz aonde (posso) unir-me (contigo Carjas hebraicas Ven. Ven filyo d’Ibn ad-Dayyeni Vayse miew o qorachón de míb. O querido é um grande bem Deste momento. se não queres. si non keres. Ya Rabb! Se se me tornarad? Tan mal me duwóled li-l-habib. Ireyme a tíb. confessando seu amor à sua mãe e às suas amigas.Ven çidi Ibrahim Ya nuwemne dolche! Vente a mib De nohte In non. Gárrame a ob Ligarte Vem. ou mesmo formulando seu desejo com a clareza das composições acima. filho de Ibn ad-Dayyeni Vai-se de mim meu coração Ai senhor! Acaso me voltará? Tanto me dói pelo amigo. Enfermo yed: Kuwand sanarad? Vem. em que uma mulher fala pela boca do poeta. çidi. vem. El querid(o) es tanto ben(i) D’este az-zameni. Olhe aqui como se deu a ocupação (e a desocupação) da Península Ibérica pelos árabes: . meu senhor. Vem. (que) está doente: quando sarará? É evidente a proximidade destas carjas com as canções d’amigo. dom Ibrahim Oh nome doce! Vem-te a mim De noite Se não.

almotacé (funcionário encarregado da metrologia). alarido. alfange. alcalde (“juiz municipal”. alcachofra. assassino. açúcar. açafrão. adaga. almocreve. sorvete. Ofício da guerra: adail (“soldado da vanguarda”). alféloa. álcool.Vejamos agora algumas palavras árabes que penetraram no Português  Pessoas e profissões: alfaiate. alcaçuz. alcáçar (arabização da palavra latina castrum). alfajeme. xarope. fulano. Comidas: azeite. alfazema. alfarroba. almoxarife (“inspetor”). azeitona. aletria. Agricultura: alforreca (“urtiga”). açucena. diferente de alcaide. alcáçova (“castelo”).    . cuscus. almôndega. algaravia (variante de aravia). alfenim. acém. marfim. alarde. alfafa. alferes. “governador do concelho”). algazarra. xerife (“nobre”). acepipe. acicate (“espinho”). algara. alfavaca. azáfama.

até. aldeia. parece que a história se repete: os invasores germanos cortaram os laços da Ibéria com Roma. Vejamos como isso aconteceu. andaimes. concorrendo para a organização do mapa lingüístico ibérico atual. e depois o cavalo).  Comércio e construções: almoeda (“anúncio”). Topônimos: Algarve. arraia (“rebanho”. que só completaria seus objetivos no séc. alface. como Santa Iria > Xantarim > Santarém. xaveco (“barco”). com a expulsão dos mouros / árabes da Península Ibérica. donde arraia-miúda). alfândega. Com a chegada dos árabes.    Já no final do período Romance tem origem o movimento da Reconquista. Albufeira. hoje estaríamos falando alguma variedade do árabe. açougue. alcatraz (“pelicano”. adarve (“torre”). albarrã (“fortificações”). papagaio. benjoim. açude. alcatéia. alvenaria (note-se o sufixo românico). XV. rês. barraca. récua (“besta de carga”). o mesmo que albatroz). acelga. alforje. Os invasores árabes uniram . Arrábida. formado por uma roda dotada de vasos”.almeirão. argola. limão. Guadalquivir. pataca. alcouce (“prostíbulo”). tâmara. aduana. pois de certa forma completou o trabalho das direções de penetração romana. Isso não aconteceu graças aos moçárabes e ao movimento da Reconquista. que tinham começado a se desenvolver em razão da colonização romana do território? Desapareceram? Claro que não. Alcalá. azulejo. lima. café. Almada. cifra. o que aconteceria aos romances ibéricos. Gibraltar (de Geb al Tárik “cabo de Tárique”). Assim. Alcântara (“a ponte”). sarrago (“moeda. lacrau. armazém. adobe. romã. leilão. Expressões: oxalá. Alhambra. Guadiana. Esse movimento teve uma enorme importância lingüística. tabique. Nora / Noras / Norinha / Noura. cambista”). adufe. caravana. gazela. algarismo. tremoço. laranja. Algumas palavras românicas são arabizadas e depois re-entram no Português. Alvalade. arroz. Medina. mesquita. alcova. bazar. álgebra. Guadalajara. formadas sobre a palavra nora “aparelho para tirar água. javali. aldrava. alicerce. Alfama. Animais: ginete (“cavaleiro”. Se a tradição latina da península tivesse desaparecido. atum. almude. saguão. Faro.

que ganhou um grande impulso já a partir do ano de 930. que acabou por assimilar o leonês e o aragonês. Mas voltemos ao Português.os hispano-romanos cristãos em movimentos guerreiros que consolidaram a cultura romana. . 5. Foi lento o movimento da Reconquista. Que consequências houve na invasão árabe da península e a formação do Português? Por que eu tenho de pensar nisto? Entre 711 (chegada dos árabes) e 1492 (expulsão dos últimos árabes) formaram-se os reinos cristãos da Ibéria e surgiram as línguas românicas na península. até a total expulsão dos árabes. o Português no noroeste da Península Ibérica. sujeitos a muitas modificações. Formação dos Estados Cristãos Medievais Reino de Astúrias Reino de Leão (720-905?) Condado de Castela (932-1029) Reino de Aragão Condado de Barcelona Reino de Navarra (800-1512) (719-910) Reino de Leão e Astúrias (1035-1162) (875-1137) Reino de Aragão e Catalunha (910-1037) (1162-1479) Reino de Leão e Castela (1037-1479) Reino de Aragão e Castela. O Português e o Catalão escaparam do formidável desempenho do Castelhano. movimentando-se sempre em direção ao sul. anexação do Reino de Navarra Com o movimento da Reconquista. Em 1512. o Castelhano no centro e o Catalão a leste foram ocupando os territórios dos moçárabes. Quem levou a melhor foi o Castelhano. Inicialmente. surgido com o casamento de Fernando de Aragão e Isabel de Castela (14791516). O quadro abaixo tenta captar essa complicada época histórica. os hispano-godos repelidos pelos árabes refugiaram-se no norte da península e organizaram os Estados Cristãos Medievais. dadas as guerras que moviam entre si e contra o mouro. Vamos ver isso de perto. preservando sua identidade nacional e lingüística.

Lutando contra os árabes. Teresa declara-se Rainha de Portugal e trama a recondução do Condado ao domínio de Castela. D. primeira Casa Real portuguesa. Morre o herdeiro de Iuçufe. com direito ao título de rei. primeiro passo para a criação do Reino de Portugal. D. pela Ordem de Avis. Raimundo a partilha do reino de Afonso VI. Ajudado por cruzados ingleses e alemães. para submeter o condado à sua tutela. Começa. juntado a Portu. desgostando os barões de Entre-Douro-e-Minho. e recebe o Condado de Portugal e Coimbra como dote. D. Na Gália. Chega o general árabe Iuçufe à testa de um poderoso exército mouro. Inicia-se a dinastia dos Borgonha. Teresa. sendo coroado Rei de Portugal. o Francês é documentado pela primeira vez em 838. Afonso Henriques vence-os na Batalha de Ourique.O seguinte quadro histórico é importante para que você acompanhe os acontecimentos simultâneos à formação do Português. estrata. tais como abelia. assim. para combater os árabes invasores da Europa ela mesma. D. termo que. da Língua Portuguesa). fala-se Romance durante este período. Afonso Henriques prende sua mãe no Castelo de Guimarães e vence os castelhanos na Batalha de São Mamede. Teresa. Sua vida foi um conjunto de batalhas contra os árabes. Convocados pelo Papa. mais tarde. Os interesses portugueses deslocam-se cada vez mais para o Sul. Raimundo de Borgonha casa-se com D. Afonso VII. que passam a pressionar Afonso Henriques a que declare a independência do condado. Henrique começa a agir como soberano independente. Observe esta palavra Gaia: ela procede de Cale. ativado pelas ordens religiosas e militares dos Hospitalários. Afonso VI. que se retira apressadamente para a África. no Alentejo. Afonso VII cerca o Castelo de Guimarães. O Romance do Noroeste e o surgimento do Português Arcaico (1100 – 1540) 800-1100 Considerado como o período proto-histórico do Galego-Português (e. Hugo. documentando-se em textos do Latim Medieval as primeiras palavras portuguesas. padulibus. O Condado localiza-se na margem esquerda do Rio Douro. Henrique e D. com o título de D. D. Nasce Afonso Henriques. conseqüentemente. e recebe o Condado de Galiza como dote. e D. Afonso I ocupa Leiria. É a época do Cid. Fernando II. Calatrava. onde hoje é a cidade de Vila Nova de Gaia. tramando com seu primo D. outra filha de Afonso VI. deu origem à palavra Portugal. Henrique. Urraca. mas na Ibéria o período do Romance se estendeu mais. Hugo de Borgonha. incorporando ao seu Reino Santarém. Morre D. a quem sucede D. que envia em sua ajuda seus primos Eudo e Henrique de Borgonha. Viúva. que ocupavam o sul do atual território português. Afonso I. e. conelium. Afonso I. D. Situamos nele o Romance do Noroeste da Península e o Português Arcaico em seu contexto histórico. ele prossegue nas conquistas do Sul. Morre D. Aparentemente sugestionado por seu primo D. a influência francesa sobre Portugal. filho de D. Em desespero de causa. que derrota Afonso VI. filha de Afonso VI e sua herdeira. após ter fundado os Mosteiros de Santa Cruz de Coimbra e de 1085 1090 1094 1107 1109 1112 1127 1128 1139 1147 1157 1185 . este rei recorre ao poderoso Abade de Cluny. Henrique de Borgonha casa-se com D. Durante cinqüenta anos. Lisboa e o Alentejo. Santo Sepulcro ou dos Templários. guerreiros de muitas partes acorreram à Península. Afonso VII herda o domínio de Galiza. Afonso VII é proclamado Rei de Leão e Castela. Afonso VI de Leão e Castela entra em Toledo e ameaça Valência. Santarém e Lisboa. Morre D. Morre D. Era o espírito das cruzadas.

na costa de Malabar. Henriques. Carta de Pero Vaz Caminha endereçada a D. Ele passa a residir por mais tempo em Lisboa. Duarte. D. seu filho D. Cabo Verde. dá início a um longo reinado. no séc. Dona Felipa de Lencastre. como nação imperial. fundada por Afonso Henriques. até que a tomada de Algarves completa o mapa de Portugal tal como é hoje conhecido. atravessa o Golfo de Bengala e chega a Malaca. na atual Nigéria. Afonso II.por retomar sua antiga possessão têm como conseqüência o surgimento da dinastia dos Avises. cujo tratado tinha sido assinado em 1494. que viriam a ter grande importância cultural. continuando a tarefa de seus antepassados. Fernando de Castro. chega a Cochim. Afonso III sobe ao trono. descobrindo-se o Arquipélago de Bijagós na costa da Guiné. Afonso de Albuquerque conquista Goa. Sancho I e D. D. Pedro I. Viagem ao Cabo Branco. cujos descendentes trariam sua fala para o Sul do Brasil.que por essa altura absorvera o Reino de Leão . O início desta dinastia coincide com o término da primeira fase do Português Arcaico. Descoberta do Brasil. Pedro. Manuel. . Duarte Pacheco Pereira é encarregado de dirigir uma expedição secreta às costas do Brasil e de discutir com os espanhóis a fixação da linha de Tordesilhas. Descobrimento das ilhas de Fernão do Pó. O primeiro carregamento de açúcar da Ilha da Madeira chega à Inglaterra. inicialmente rodeando a costa africana. Diogo Lopes de Sequeira dobra o Cabo da Boa Esperança e explora a costa oriental de Madagascar. com a tomada de Ceuta. Duarte e o Infante D. Gomes Eanes de Zurara sucede a Fernão Lopes como cronista do Rei. Duarte. o filósofo D. Expedição às Ilhas Canárias sob o comando de D. Inicia-se o povoamento dos Açores. Viagem à Guiné. Morre D. prepara Portugal para as grandes navegações. Inicia-se o povoamento da ilha de Santiago. Ele era filho bastardo de D. João I. XVIII. Príncipe e Ano Bom.1211 1223-1279 1385-1415 1415 1422 1424 1427 1433 1438 1441 1443 1444-1445 1450 1456 1462 1470 1484-1486 1487 1498 1500 1501 1509 1510-1511 Alcobaça. Afonso V é menor. Pedro assume a regência. Seu filho D. Tem início a expansão marítima e colonial. Casado com uma inglesa. Com sua morte. Substituição da Era de César pela Era de Cristo. e D. Morre D. Sancho II herda o trono. decisivo para o futuro de Portugal. São Tomé. Uma crise dinástica e os esforços de Castela . Morre D. prisioneiro em Fez. Índia. Expedição de Gonçalo Eanes e Pero de Évora ao interior africano (Tucurol e Tumbuctu). Dom João I foi pai da “ínclita geração”: o navegador Infante D. Sancho I sobe ao trono. Os primeiros escravos negros são trazidos a Portugal. Sobe ao trono seu filho D. Rei de Portugal. graças à ação de Nuno Álvares Pereira e o apoio dos ingleses. também conhecido como período do Galego-Português. Morre Dom Fernando. Cadamosto descobre o arquipélago de Cabo Verde. à busca de ouro. Tendo vencido os castelhanos em Aljubarrota. Descobrimento de parte do Arquipélado dos Açores. Bartolomeu Dias dobra o cabo da Boa Esperança. Dom João I é o primeiro Avis que se torna monarca. Exploração do Reino de Benim. Toma Malaca e faz a primeira expediçãol oficial portuguesa ao Pacífico. Pedro Álvares Cabral chega a Cochim. e depois aventurando-se pelo mar oceano e descobrindo o Brasil. A Escola de Sagres. para onde transfere gradualmente os serviços públicos. Morre d. Afonso II ocupa o trono de Portugal.

até o ano de 1540. Até aí tudo bem. Sob esse pano de fundo sociohistórico. “Como se estruturou a língua portuguesa”.Você deve ter notado por esse Quadro que o nome Afonso está muito ligado aos primeiros tempos de Portugal. Os primeiros estudos históricos do Português derivavam erradamente nossa língua do Latim Culto. De modo que vamos olhar estas datas todas com um pé atrás. Português Arcaico: a primeira variedade de Português que se ouviu no mundo O Português Arcaico foi falado e escrito entre os sécs. Veja isso de perto no texto de Rosa Virgínia Mattos e Silva. 6. é por que já vinha sendo falada há muito tempo! Há quanto tempo? Impossível saber. quando uma dada língua chega a ser escrita. discípulo de Alexandre Herculano. Chegou a hora de estudar o Português Arcaico. foi o primeiro a reconhecer que o Português derivava do “sermo vulgaris”. Ora. Se há um assunto complicado é o da datação das línguas e das fases históricas pelas quais elas passaram. no seu livro Origem da Língua Portuguesa. afinal ela é uma narrativa de eventos que se dispõem na linha do tempo. mais precisamente. em seu caminho para o Português Arcaico. sempre que se quer referir a tempos remotos. ou Latim Vulgar. XIII e XVI. morfológicas e sintáticas ocorreram no Latim Vulgar e no Romance Hispânico. . A história dos povos exige datas. Pense um pouco. O problema é que na história das línguas só podemos datá-las através de documentos nos quais elas apareçam escritas. Surgiu daqui a expressão “no tempo dos afonsinhos”. entendendo que elas são aproximativas. Augusto Soromenho (1834-1878). ou Clássico. de 1867. várias mudanças fonológicas.

deslocando-se do Norte para o Sul. entre o séc. a segunda fase vai desta data até 1540. vai de 1100 a 1350. leis locais e leis gerais. diplomas particulares. leia Mattos e Silva (1994). isso se deu por volta de 1200. pelos muçulmanos que tinham permanecido na península. o Português Arcaico passou por duas fases: a primeira fase. Esses primeiros documentos são diplomas reais. Logo. igualmente no começo desse século. e que portanto já existe há 800 anos. o Galego-Português vai ocupando os novos territórios. O Francês é pouco mais de três séculos mais velho. Essa língua românica foi adotada pelos moçárabes. Tanto um fato quanto outro decorrem das correrias e ações guerreiras promovidas pela Reconquista. e o Castelhano existe desde 900 e tal. XIII. Velhinho. e a Notícia de Torto (cerca de 1214). XIII: o Testamento de Afonso II (1214). e por outros contingentes que desciam do Norte para ocupar as terras abandonadas pelos árabes. Segundo essa autora. Os primeiros documentos escritos na Língua Portuguesa aparecem no séc. da China e do Japão! Se você quiser ver o quanto se tem quebrado a cabeça para datar o Português e reconhecer suas fases históricas. XII e o séc. Enquanto o Reino se consolida. podemos dizer – até que se descubram documentos mais antigos – que o Português se formou nessa data. Ora. Imagine então a idade das línguas da Índia. Você encontrará esses dois textos no Vínculo 2 deste Portal. talvez um pouco antes. isto é.Neste quadro de dificuldades. diversos autores têm trabalhado com a hipótese de que o Português surgiu quando se deixou de escrever documentos no Romance do Noroeste da Península. adotando-se a língua que decerto já vinha sendo falada há tempos. hein? Pois não é não. também conhecida como a do Galego-Português. 6 . com a . de que se conhecem várias versões. Língua literária mesmo ocorreria.1 Primeira fase do Português Arcaico: o Galego-Português (1100-1350) Os primórdios do Galego-Português coincidem com a criação do Reino de Portugal.

Três categorias de poesia são recolhidas nesses cancioneiros: (1) as cantigas de amor. área em que os árabes não conseguiram fixar-se. ao sul do Mondego. Lembre-se do que já foi aqui dito sobre a precariedade das datações linguísticas. Assim.extraordinária floração da poesia lírica. em documentos do final do séc. compreende o nordeste e o resto de Portugal. etc. palavras que mostravam características dessa língua. IX já encontramos “palavras portuguesas”. moásticas em lugar de monásticas. tais como elemosias. 2 Segunda fase do Português Arcaico (1380-1540) A transição do Galego-Português para o Português Arcaico se deu “por volta de 1350”. menos povoada porém mais extensa. em que fala a mulher. de inspiração provençal. Antes e depois dessa data o Galego-Português ainda existia. reunida nos cancioneiros: Cancioneiro da Ajuda. isto é. esses documentos foram escritos em duas áreas territoriais: a primeira área corresponde a Galiza e o noroeste de Portugal. (2) as cantigas de amigo. até o rio Mondego. administrada pelas ordens militares. Entretanto. e a segunda fase do Português Arcaico já teria aparecido. habitualmente grosseiros. inclinando-se muitos a considerar que a Carta de Caminha. 6. as datas aqui indicadas são meramente aproximativas. e (3) as cantigas d’escarnho e mal dizer. Vamos insistir em que os períodos lingüísticos não coincidem com as datas do calendário civil. Cancioneiro da Vaticana. finaliza o período medieval do Português. escrita em 1500. mais populares. . poemas satíricos. Segundo Castro (1991: 185). visto que os períodos de mudança lingüística se interpenetram. Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa. a segunda área. em que fala o homem. em lugar de elemosinas.

pomba: mantém o Plomo. Portu > Porto. TRATAMENTO DAS CONSOANTES Lana.O Reino de Portugal consolida-se cada vez mais no sul.intervocálico. chama: os grupos Llaga. porém dão origem a são palatizados em ʃ. formado por vogal nasal + vogal oral. Muito próximo do Galego desde o passado longínquo. Plaga. Entretanto. chave. passado e outra que “olha” para o futuro): mantém o ditongo ai. ei. cl-. bonu. o deus de duas frontes) frontes. paucu > Ouro. Plumbum. Afonso III instala-se em Lisboa. dito [portu]: mantém o o Puerto: ditonga o o e transforma e o –u final. como em v~io. fl. Já no séc. ainda hoje as duas línguas são de fácil intercompreensão. uma que “olha” para o transformando ai do Latim em e. au > ou depois em o. bom. transformando-o em outro ditongo. Auru. Em 1290 funda-se a Universidade de Lisboa. paloma: perde o grupo grupo mb. como se pode ver pelo Quadro-resumo a seguir. ditongo. bueno. Diferenças entre o Português e o Castelhano PORTUGUÊS CASTELHANO TRATAMENTO DAS VOGAIS Metus Medo: conserva a vogal e. Januariu / Januairu (= variantes . O isolameno se acentua no séc. LATIM VULGAR .> Janeiro (= o mês de duas > Enero: perde o ditongo. flamma Chaga.> lana. e o centro cultural e político passa a girar ente Lisboa e Coimbra. pouco: mantém o > Oro. XII. poco: perde o ditongo. palumba Chumbo. llave. vinu > lã. vino: mantém o – intervocálico. a fronteira do Reino de Leão e Castela isola a Galícia de Portugal. XIV. mb. transformando-o em mudando au do Latim em ou e outro ditongo.consonantais também são palatizados. Miedo: ditonga a vogal e. de Janus. ʎ. desenvolve a consoante [ñ]. –u em –o. clave. o Galego-Português sofre alterações lingüísticas. transferida para Coimbra em 1308. mesmo separadas. llama: esses grupos consonantais iniciais pl-. vinho: perde o –n. Em 1255 D. separando-se do Português. o Português entretando sempre se diferenciou do Castelhano. e se surgir um hiato n.

Quando ocorreu o reconhecimento do Português como uma nova língua? Levou tempo para que se tomasse consciência do Português como uma nova língua. que agiram como centros irradiadores de cultura na Idade Média: os mosteiros.7. um dos quais. diversos autores portugueses “castelhanizam”. Escreviam ali fidalgos e trovadores. como se pode ler nos primeiros gramáticos. Eles se opunham àqueles que julgavam as línguas românicas veículos toscos. Tiveram importância nesse ofício duas instituições. 33) A ninguém passou despercebida a relação entre a expansão do Império e a Língua Portuguesa. insuficientes para as altas criações do espírito. João de Barros. E aqui entra Camões. mas por ser a castelhana culturalmente mais importante e de maior penetração. para a qual convergiam os interesses nacionais. aprimorando a língua literária. quando o debate hoje rotulado como “a questão da língua”. Paralelamente a isso. Escritos evidenciam essa percepção. em que trata igualmente do assunto. escreveu as Décadas da Ásia. não por uma suposta inferioridade da Língua Portuguesa. focalizaram a importância do Português. na qual quando imagina Com pouca corrupção crê que é a Latina (Lus. onde se levavam a cabo traduções de obras latinas. Esse sentimento da Língua Portuguesa como . I. passamos ao século XVI. com seus célebres versos E na língua. francesas e espanholas (Mosteiros de Santa Cruz e Alcobaça) e a Corte. Gramáticos portugueses dos séculos XVI e XVII proclamam as virtudes da língua pátria. sua expansão e sua oposição ao castelhano. Constituída essa consciência lingüística. que seria levada aos quatro cantos do mundo. capaz de veicular quaisquer tipos de sentimentos e arrazoados. além da publicação das primeiras gramáticas e dicionários.

propondo uma volta aos clássicos de quatrocentos e quinhentos. surgem no século XVII os estudos de Duarte Nunes de Leão (Origem da língua portuguesa). de origem galega. Na fase final do século XVIII a Arcádia Lusitana propõe o Francês como exemplo. por sua vez. Era o racionalismo iluminista que derrocou o princípio da autoridade e estimulou estudos mais aprofundados da língua. e a valorizar a clareza de sua pronúncia. no séc. Nos anos setecentos. argumento que se tornou tópico. Clarificada e assente a necessidade de cultivá-la. uma vez que o derivavam do Castelhano. apenas o Espanhol.culturalmente menos importante levou Fernão de Oliveira a pregar sua propagação. O padre beneditino Feijóo. propugnando o enriquecimento da língua através da adoção de neologismos. a fuga à imitação servil dos clássicos. . no seio da família românica. XVI. pois são os homens que fazem a língua. Ressurgem então as apologias da Língua Portuguesa. conceito que tomou de empréstimo a Cícero. Lembre-se que até então. reclama a inclusão do Português e Galego. entidades indistintas. e o abandono da roupagem barroca espanhola que sufocava o idioma escrito. A atitude de Feijóo foi também uma resposta aos gramáticos castelhanos que reduziam o Português a um subdialeto. O fluxo gaulês se avoluma. por um critério arbitrário. que já tinham comido muito pó na estrada. João de Barros. provocando o renascimento da questão da língua. movendo a cultura portuguesa de uma sujeição para outra. o Italiano e o Francês eram aí compreendidos. o binômio Português-Castelhano é complicado com o equacionamento do problema do Galego. A Academia Real das Ciências arvorase em defensora da pureza do idioma (donde o glossário de francesismos do Cardeal Saraiva). Dois fatos poriam fim à querela suscitada pelo binômio Português-Castelhano: a independência portuguesa em 1640 e a atitude de Verney no século XVIII. aconselha o policiamento da língua pelo uso.

Origem da Lingoa Portugueza 1619 – Amaro de Reboredo. o Romantismo vem encontrar os gramáticos atentos ao gênio da língua e ao papel do povo em sua elaboração. personificada em Francisco Adolfo Coelho. Orthographia 1606 – Duarte Nunes de Leão. Grammatica Philosophica da Lingua Portugueza. Regras da lingua portugueza. espelho da lingua latina 1736 – Luís Caetano de Lima. Ortografia 1739 – João de Madureira Feijó. Ortografia 1746 – Verney. Grammatica da Lingua Portugueza 1574 . Breves Louvores da Lingua Portugueza 1721 – Jerônimo Contador de Argote.Pero de Magalhães de Gândavo.Finalmente. . Grammatica da Lingoagem Portugueza 1540 – João de Barros. Regras que ensinam a maneira de escrever a hortografia da língua portuguesa com um diálogo que adiante se segue em defensão da língua portugueza 1576 – Duarte Nunes de Leão. Primeiras gramáticas do Português             1536 – Fernão de Oliveira. Methodo Grammatical para todas as Lingoas 1631 – Álvaro Ferreira de Vera. fundador da Linguística Portuguesa. Verdadeiro Methodo de Estudar 1782 – Jerônimo Soares Barbosa. E nisto estamos. A história da língua passa a incorporar a língua não escrita. Já agora a questão da língua é entregue à ciência. 8.

2 volumes. 1789 – Morais e Silva. 1940 – Francisco da Luz Rebelo Gonçalves. Prosodia in Vocabularium Trilingue. 1958.9. 1611 – Agostinho Barbosa. 1956-1959 – José Pedro Machado. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Vocabulario Português e Latino. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Dicionário Etimológico. 1900-1901 – Antonio Augusto Cortesão. Dicionario Lusitânico – Latino. ou Lexicon Etimológico das palavras e nomes portugueses que têm origem arábica. 2002 – Francisco da Silva Borba. Latinum. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. J. Subsídios a um dicionário completo (histórico-etimológico) da Língua Portuguesa. segunda parte. 2 volumes. ed. Dicionário de Vocábulos Brasileiros. 1712-1728 – Dom Rafael Bluteau. Dicionario da Lingua Portuguesa. . 1948. Nomes comuns. ed. 2001 – Antônio Houaiss. 1647 – Bento Pereira. compôs o melhor dicionário para o estudo do Português Clássico. 1888 – Caldas Aulete. Vestígios da língua arábica em Portugal. Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa. de Macedo Soares. Apostilas aos Dicionários Portugueses. Autor brasileiro. Dicionário Etimológico. Nomes próprios. Influências do Vocabulário português em línguas asiáticas. 3ª. 2 volumes. 1982 – Antônio Geraldo da Cunha. 1889 – Visconde de Beaurepaire Rohan. Vocabulário Ortográfico da Academia das Ciências. 10 volumes. 1789 – Frei João de Sousa. 1789-1799 – Frei Joaquim de Santa Viterbo. primeira parte. 1986 – Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário Etimológico. Elucidário das palavras. – Sebastião Rodolfo Dalgado. e 1921 – Sebastião Rodolfo Dalgado. Tesouro da Lingua Portuguesa. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. termos e frases que em Portugal antigamente se usaram. Dicionário de Usos do Português do Brasil. 1906 – Anicedo dos Reis Gonçalves Viana. Glossário Luso-Asiático. Principais dicionários do Português                       1562 – Jerônimo Cardoso. 1634 – Bento Pereira. 4ª. Dicionario Lusitânico – Latino. Lusitanum et Castelhanum. 1888 – A. 1932 e 1952 – Antenor Nascentes.

com surgimento de vogais nasais finais: -ane > am predominância da vogal –om. medesmo > meesmo. Você poderá aumentar esse quadro. /z/ mais dois apicoalveolares predorsoalveolares /s/. Você vai ter algumas surpresas! Características do Português Arcaico SEGUNDA FASE Fonologia Quatro fonemas sibilantes. intervocálica: sigillu > seello. esta uma -onu > om (bonu > bom). ter. amaes. /ś/. PRIMEIRA FASE . fé.Para mais informações. simplesmente lendo e anotando textos escritos nos dois primeiros momentos de nossa língua. como em cão. disponibilizados neste Portal. surgindo hiatos. fizeram. sabido. tenere > teer. mesmo. bão. ditongados posteriormente. tais como em des. 3 volumes. por ele organizado. escrito por Jacinto do Prado Coelho para o Dicionario das Literaturas Portuguesa. /ż/. que passam a gênero: hum / hua pastor português receber –a para a marcação do feminino: hua pastora portuguesa Particípios dos verbos em –er terminam por –udo: Esses particípios passam a terminar em ido: tido. Manutenção do /d/ no morfema número-pessoal – Perda desse fonema. Castro (1991). fezerom) Morfologia Palavras em –or e –es são uniformes quanto ao Regularização dessas palavras. Mas como era mesmo esse Português Arcaico? Descrições recentes do Português Arcaico são encontradas em Mattos e Silva (1989. que muda para –ão. A forma teúdo sobrevive em conteúdo. Perda da consoante nasal intervocálica e Simplificação dessas nasais finais. Brasileira e Galega. E como falante do Português Brasileiro. observe o vocabulário. (cane > cam). comparando os dados assim recolhidos com a língua que falamos hoje em dia no Brasil. sabudo. fazees. /z/. consulte o verbete Linguística. sermão. a fonética e a morfossintaxe da segunda fase. 1991. 1994). -unt > om (fecerunt > forma curiosamente não aceita na língua culta. Maia (1994: 42-43). -one > om (sermone > sermom). fazedes. como em amades. No quadro a seguir são reunidas as principais diferenças entre o Português Arcaico da primeira e da segunda fases. Surgimento de hiatos dada a queda de consoante Crase das vogais do hiato: selo. sendo dois Redução para dois fonemas sibilantes predorsoalveolares /s/. entre outras obras. 10. teúdo. fide > fee.

ali. cantigas d’amigo e cantigas de mal dizer – só para ver. ta. O interesse em ler este texto está em que você leu Júlio César diretamente no Latim. teu / tua) e átonas (ma. e divirta-se vendo como era nossa língua “no tempo dos afonsinhos”. e depois algumas Cantigas d’amor.O pronome possessivo tem formas tônicas (meu / minha. Olhe o que aconteceu com esse texto durante a fase medieval de nossa língua. Lisboa: Imprensa Nacional / Casa da Moeda. identifique outros autores e textos. pondes. De Bello Hispaniensis. . Leia inicialmente a Notícia de Torto. leia algumas narrativas. vol. aló. Amostras do Português Arcaico Procure amostras do Português Arcaico no Portal da Língua Portuguesa. 80. intitulado Como Julyo Cesar foi aas Spanhas contra os filhos de Pompeo que andavam aló. neste caso. pág. A Crônica Geral de Espanha foi escrita no século XIV. como a Demanda do Santo Graal e esta amostra da Crônica Geral de Espanha. Achou esquisito esse aló? Pois é. Luís Felipe Lindley Cintra editou a obra em 4 volumes. Você está tendo um primeiro encontro com os arcaísmos. e acó. Consultando uma boa história da Literatura Portuguesa. sa) Manutenção em verbos monossilábicos: ides. naqueles tempos as expressões locativas eram mais completas que hoje. 1954. edição crítica do texto português por Luís Felipe Lindley Cintra. Havia aqui. II. 11. 126. pois escolhemos da Crônica parte do Cap. Depois. O trecho selecionado pela Linha do Tempo levará você de volta ao livro de Júlio César. como a maledicência corria solta entre nossos antepassados. Que tal você sair por aí usando essas formas? Procure entender nos livros sobre Português Arcaico acima indicados (naqueles tempos se diria “suso indicados”) as palavras que causarem estranheza. Desaparecem as formas átonas. vindes.

Que devo fazer para facilitar minha leitura deles? Que importância isso tem? 13. Meier (1962). 12. Novas perguntas     Que faço para saber se meu nome é pré-romano. veheronsse pera as Spanhas e apoderaronsse dellas e ajuntavã a sy muytas gentes. E. Maurer Jr. des o dia que sayu de Roma. Bibliografia para aprofundamento 2. consulte Gamillscheg (1932). Lubio e Acio Varo. que scaparon da batalha. e os feytos que fez no Egipto e nas terras que sojugou e meteu sob o seu poderio. Maurer Jr. que em dez e sete dias foy na cidade de Segonça. quando o soube Julyo Cesar e que ouve ordenado daquella vez ena cidade de Roma aquello que teve por bem com o senado. que alló andavã. Piel (1933. que eram hy por caudees cõ aqueles dous filhos de Pompeo”. E. ou eles se integrariam em alguma organização maior? Os textos medievais às vezes são difíceis de entender. Os filhos de Pompeo. ler Baldinger (1962). Sobre o Latim Vulgar. 4. como aquel a que todo o mundo em aquel tempo era so (= sob) seu senhorio e todos lhe obedeeciam. foisse logo pera as Spanhas cõntra os filhos de Pompeo. Silva Neto (1952-1957 / 1979). E soube novas (= teve notícias) dos filhos de Pompeo. (1959). Ilari (2004). . 3. por hyr apressa sobre seus inmiigos a deshora. 1942). Sobre as contribuições lexicais dos povos pré e pós-romanos. supondo-se que ele tenha uma dessas derivações? As palavras que herdamos dos povos não-latinos são vitais em nosso dia-a-dia? Os Cruzados agiram isoladamente na retomada das terras ibéricas aos árabes. (1952).“Depois que Julyo Cesar venceo a grã batalha de Tasalia. hu erã (= onde estavam). romano ou pós-romano. onde se perdeo Pompeo. Sobre a Ibéria romana. tanto andou. veja Silva Neto (1950). Lapesa (1968). e tornouse para Roma muy honrrado. e foy logo contra elles e contra outros dous pryncipes que eram com elles.

Sobre o português arcaico. Herculano de Carvalho (1968).Ramo da Linguística voltado para a reconstrução de estágios linguísticos insuficientemente documentados. Glossário Texto: Formação da Europa Latina (390 a. ver Silva Neto (1952-1957 / 1979). . como era mesmo esse Latim Vulgar? (Link3) Método histórico-comparativo . 1993). 7. 6. Dozy / Engelman (1915). Castro (1991). Sobre os árabes na Península Ibérica. mediante a análise de indícios por eles deixados ou de suas línguas-filhas.C. ver Souza (1830). 14. Sobre a história da língua portuguesa. Teyssier (1982).5.C) (Link1) • Românica Velha . Steiger (1932). Machado (1952).Designação alternativa para Europa Latina. ver Mattos e Silva (1991. Partes da Europa em que se desenvolveram as línguas românicas. – 124 d. Asín Palacios (1940). Texto: Diz aí.

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