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A Formação de Portugal e a

Distribuição de Poderes

Índice

Introdução

A fixação do território Nacional

O País Urbano e Concelhio

O exercício comunitário de poderes concelhios

O País rural e senhorial

O Poder Régio

Cronologia dos Reis de Portugal2

Glossário

Bibliografia

Introdução

Portugal nasceu e consolidou-se como reino independente e definiu as suas


fronteiras em estreita ligação com o processo da Reconquista cristã
peninsular.

Por isso podemos dizer que o nosso País é um produto da Reconquista.

Ao longo do tempo Portugal foi-se definindo e consolidando o território e a


autonomia politica.

Na Reconquista já é feita uma distinção entre concelhos rurais e concelhos


urbanos, sendo os primeiros constituídos por pequenos grupos de
povoadores, enquanto os segundos se dividiam em burgos, onde as pessoas
viviam dependentes do poder senhorial e onde uma carta de foral concedia
aos seus moradores igualdade de direitos.

Os concelhos criados ou legalizados pelos forais, dispunham de graus


variáveis de autonomia. Esta exprimia-se nomeadamente, através da
existência de uma assembleia e de magistrados locais eleitos, na garantia das
liberdades individuais e na exclusão do exercício dos direitos senhoriais na
área municipal e era simbolizada pelo uso de um selo próprio e pela
existência do pelourinho.

O rei era o maior e mais poderoso dos senhores, reservando para si, em
exclusivo, certos direitos, como o de justiça maior, o comando militar e a
cunhagem da moeda.

A partir do século XIII, a reestruturação central e local e a abertura das Cortes


à participação dos representantes dos concelhos vieram dar mais força e
autoridade à realeza para combater a expansão senhorial.

A Fixação do território – do termo da


Reconquista ao estabelecimento e
fortalecimento de fronteiras.
A definição do
território de
Portugal e a sua
existência como
entidade politica
independente no
Oeste peninsular,
está
intimamente
ligada ao
processo da
Reconquista
(Séculos VIII-XV). A Reconquista Cristã deu-se com a
formação do condado Portucalense em 1096,
quando D. Afonso VI separou este território da Galiza
para o conceder ao conde D. Henrique de Borgonha, que viera para a
Península para ajudar na luta contra os mouros. O condado foi concedido a D.
Henrique a titulo de dote hereditário, pelo seu casamento com D. Teresa, filha
de D. Afonso VI, quando D. Afonso VI separou este território da Galiza para o
conceder ao conde D. Henrique de Borgonha, que viera para a Península para
ajudar na luta contra os Mouros. O condado foi concedido a D. Henrique a
título de dote hereditário, pelo seu casamento com D. Teresa, filha de D.
Afonso VI. Pode-se mesmo afirmar que Portugal é um produto da reconquista
cristã. Quer a autonomização politica e o alargamento territorial do reino de
Portugal, resultaram da luta contra os muçulmanos que dominavam a
Península.

Com efeito, foram as vitórias no campo de


batalha contra o Islão, que deram a D. Afonso
Henriques o prestigio e a autoridade
necessários para reivindicar, junto das
autoridades castelhana e papal, o direito de
usar o titulo de rei e ser aceite como
soberano pelos seus súbditos. Foi ainda o
sucesso militar que lhe permitiu obter um
território suficientemente amplo para
viabilizar a existência de Portugal como reino
independente. Alargando a sua fronteira para
sul até à linha do Tejo -Sado, Afonso
Henriques conquista a cidade de Santarém
em 1147. A sua posse abriu-lhe caminho à
tomada de Lisboa, feito alcançado com a
ajuda dos cruzados, em 14 de Outubro desse mesmo ano. Seguiram-se-lhes
as conquistas de Sintra, Almada e Palmela, fortalezas importantes para a
defesa de Lisboa, e mais tarde de Alcácer do Sal (1158-1160).

Ao mesmo tempo que se ia


processando o alargamento
territorial para Sul, D. Afonso
Henriques e os seus sucessores
dividiam os seus esforços no
povoamento e na organização
administrativa, e económica e
social das áreas conquistadas,
elementos fundamentais para a consolidação das fronteiras e para a própria
sobrevivência do Reino.

Para realizar estes


objectivos, foram
concedidos inúmeras
cartas de Foral,
criaram-se os
primeiros órgãos da
administração central
e fizeram-se
importantes doações de terras e privilégios às ordens religiosas e às ordens
militares.

A conquista ou a tomada de posse por D. Afonso III, em 1249, das cidades e


castelos do Algarve que ainda se encontravam nas mãos dos mouros
concretizaram o grande objectivo de estender as fronteiras de Portugal até ao
limite Sul do território até ao mar.

A definição do espaço territorial português ficou concluída em 1297 com a


celebração do Tratado de Alcanices entre D. Dinis, de Portugal e D. Francisco
IV de Castela. Fixou-se assim de forma praticamente definitiva, a fronteira
Leste do País: O rei de Portugal assegurou a posse das praças tomadas na
terra de Riba-Côa, juntamente com Olivença, Campo Maior, Ouguela e São
Feliz de Galegos, assim como Moura e Serpa, já cedidas em 1295 mas não
entregues em contrapartida, desistiu das suas pretensões relativamente a
Aracena, Aroche, Ferreira, Esparregal e Aiamonte.

Portugal estabelecia assim, ainda no século XIII, as fronteiras do seu território,


que com pequenas alterações posteriores, haveriam de permanecer até aos
nossos dias.
O País Urbano e Concelhio
As formas de povoamento e de
organizações das populações no território
Português reflectem as características do
meio geográfico e sobretudo, as condições
históricas em que se processou a definição
desse mesmo território, concluída no
século XIII.

A configuração e o contraste natural entre


as regiões do Norte e do Sul, do litoral e do
interior, condicionaram a distribuição
populacional.

Os elementos geográficos a Sul do Tejo,


com excepção da costa algarvia, eram então, como ainda o são ainda hoje,
adversos a uma densidade populacional elevada pelo que os homens tendiam
a concentrar-se nas cidades, algumas das quais de dimensão significativa. O
norte em especial a região do litoral, dispunha de uma maior densidade
humana, mas os seus núcleos populacionais eram bastante reduzidos e muito
dispersos.

Com efeito, no século XIII de norte e para sul, até ao vale do Tejo, apenas as
cidades do Porto, Coimbra, Braga e Guimarães apresentavam alguma
dimensão – para os valores medievais, evidentemente. Os maiores
aglomerados populacionais situavam-se no Sul, onde sobrevivera a forte
tradição urbana romana e muçulmana e onde se destacava, Lisboa a Évora,
entre outras cidades de menor dimensão, como Santarém, Elvas, Silves, Faro
e Tavira.

Mas as condições históricas


resultantes dos avanços da
Reconquista Cristã para Sul
terão tido uma influência
mais marcante. A conquista e
integração destes territórios
no domínio português
implicaram importantes
movimentos de populações
originárias do Norte, mais
povoado, para as regiões que
iam sendo tomadas aos Mouros, o que acabaria por favorecer a coesão étnica
e cultural do País.

Esta tarefa de povoamento fundamental para


assegurar a defesa e promover a exploração
económica do território, foi incentivada pelos
Reis através de generosas doações às ordens
religiosas e às ordens militares como
contrapartida pelo auxílio prestado na luta
contra o Islão: a ordem dos Templários recebeu
largos domínios na Beira Baixa e entre o
Mondego e o Tejo; a dos Hospitaleiros dispôs
de terras no Alto Alentejo, Vale do Tejo e no
Guadiana; a de Calatrava (depois conhecida
como Avis) obteve a maior parte do Alto
Alentejo; a de Santiago ficou com quase todo o
Baixo Alentejo, a região de Setúbal e algumas
terras no Algarve.

As ordens monásticas também receberam importantes doações: os Cónegos


regrantes de Santo Agostinho, na zona Centro do País, os Cistercienses,
sediados em Alcobaça, também no centro e na região beirã.

Reis e Senhores (nobres e eclesiásticos) concederam cartas de foral às vilas e


cidades de Portugal, documentos de diversos tipos que, definiam um
determinado conjunto de liberdades individuais e colectivas, formas de
autogoverno e normas relativas ao sistema de impostos e à administração da
justiça. Desta forma, foram criados muitos concelhos. Noutros casos, porém,
as cartas de foral mais não fizeram do que reconhecer a existência, uma vez
que as suas populações já tinham a tradição de se regerem segundo usos e
costumes próprios.

O exercício comunitário de poderes


concelhios
Os concelhos, criados ou legalizados pelos forais, dispunham de graus
variados de autonomia. Esta exprime-se de várias formas, na existência de
uma assembleia (ou concilium, de onde vem a palavra concelho), de notáveis
ou homens-bons que dispunham do direitos de eleger os seus magistrados,
de criar leis próprias e de organizar as suas forças militares, na garantia de
determinadas liberdades individuais, com a posse de bens, e ainda na
exclusão do exercício dos direitos senhoriais no interior da área municipal.

Até ao século XIV, a assembleia municipal reunia em espaços abertos, na


praça, no adro da igreja ou num claustro suficientemente amplo para permitir
a participação da comunidade na tomada de decisões sobre as matérias
relativas à vida publica do concelho. São por isso raros, até então, os edifícios
municipais.

A autonomia das comunidades concelhias era


exteriorizada por certos símbolos: o selo
municipal em que cada concelho autenticava
os seus documentos, o pelourinho era o local
da execução das sentenças que, para além de
símbolo da autonomia, é também a
representação visível da justiça praticada no
concelho; a bandeira e certos emblemas
representativos do espírito de solidariedade
colectiva, como as muralhas, o castelo, o
cavaleiro ou ainda certos elementos
identificativos da comunidade, como um barco, uma ponte, uma árvore ou até
um animal característico.

Se a autonomia é o elemento essencial do regime do concelho, o exercício


comunitário dos poderes é o instrumento decisivo da sua realização.

De facto, o concelho é fundamentalmente


uma comunidade de vizinhos, embora tal
não exclua a existência de diferentes
categorias sociais e de direitos e
obrigações desiguais para os seus
habitantes.

Os magistrados eram em número variável


e tinham diversas designações segundo
os diferentes concelhos. No entanto, é
possível encontrar um certo consenso
relativamente ao conjunto de magistrados
permanentes eleitos pela assembleia
municipal. Os mais importantes eram os
juízes, também designados por alcaldes
ou alvasis (o mesmo que vereados de um
concelho, supremos representantes e
dirigentes do concelho. Depois vinha um
grupo de funcionários com funções em áreas especificas: os meirinhos,
encarregados das execuções fiscais e judiciais; o almotacé, responsável pela
organização da vida económica; os mordomos, que tinham a seu cargo a
administração dos bens concelhios e os sesmeiros, responsáveis pela
distribuição e vigilância das terras.

O rei estava sempre representado por um ou mais magistrados por ele


nomeados: o alcaide, assim designado se existia castelo ou cidadela; o
almoxarife, encarregado de cobrar os direitos régios: o mordomo do rei,
administrador dos bens da Coroa existentes no concelho.

Nos finais do século XIII, princípios do século XIV, reflectindo o reforço da


política de centralização régia, foram introduzidas algumas reformas pelo
poder central com o objectivo de controlar melhor a vida concelhia. Foram
assim criados os meirinhos-mores e os corregedores, delegados do rei nos
concelhos e representantes destes nas Cortes.
O País Rural e Senhorial
A origem e evolução da maioria das famílias nobres portuguesas na Idade
Média, estão relacionadas com a emigração de além-fronteiras (Leão, Castela,
França, Norte da Europa) e a promoção social como recompensa por serviços
prestados nas lutas da Reconquista, ao longo dos séculos XI e XII. Esta
realidade histórica permite compreender a predominância do regime
senhorial no Noroeste português na região entre Douro e Minho, e no litoral
até ao Mondego, onde um grande número de senhores sujeitou pela posse
das armas e pelo exercício de poderes públicos uma numerosa massa de
camponeses. O regime senhorial avançou depois para Sul do Tejo, através
das concessões ás ordens militares, encontrando os maiores obstáculos na
política de centralização régia e nas instituições concelhias, criadas ou
preservadas pela concessão de cartas de foral.

Como nos demais reinos europeus, em Portugal a nobreza era uma categoria
social privilegiada, distinguindo-se pelo exercício de funções politicas e
militares, que faziam dela um auxiliar imprescindível da Realeza. Os reis
governavam através dos nobres, que aparecem muitas vezes na
documentação qualificados como fideles, os fiéis, e faziam a guerra com o
apoio das suas armas e dos seus homens. O uso das armas e do cavalo, a
posse de terras e a sua familiaridade com o poder davam-lhes uma enorme
superioridade sobre o conjunto da população.

A nobreza como as restantes ordens sociais, não constituía uma categoria


social semelhante. Na realidade integravam-na grupos ou classes com níveis
de rendimento e até de estatuto muito diferenciados. Os ricos-homens,
magnates conhecidos como nobres de pendão e caldeira – tinham o poder e a
autoridade para arregimentar sob o seu estandarte cavaleiros e peões e os
meios para os sustentar no decurso de uma campanha militar, aproveitaram
as acções militares da luta contra os mouros para conquistar os favores dos
reis. A quem se encontravam ligados pelo sistema de vassalidade, para obter
imunidades, enriquecer e transformar-se no grupo mais importante de entre
os nobres. Abaixo destes homens-ricos situava-se um grupo muito mais
numeroso de aristocratas terratenentes que, na sua maioria, descendiam das
antigas famílias de homens livres dos períodos romano, suevo e visigodo, os
infanções (nobres de nascimento) e ainda uma nobreza que vivia
fundamentalmente do serviço militar e que era constituída por cavaleiros e
escudeiros.

A nobreza senhorial vivia da terra e das rendas dominiais, conjunto de bens


em espécie, dinheiro ou serviço, que cobrava aos camponeses que cultivavam
as suas propriedades (as honras) e sobre os quais exercia uma jurisdição
limitada. As honras beneficiavam de um conjunto de privilégios e imunidades
muito favoráveis para os seus titulares, como o direito de proibição de
entrada a funcionários régios, a isenção do pagamento de impostos e a
autonomia judicial e administrativa. No entanto, a Realeza manteve sempre o
controlo sobre o poder senhorial, reservando para si determinados direitos,
como a justiça maior (pena de morte ou corte de membros), ou mesmo
combatendo-o abertamente.

O Poder Régio
À cabeça do Reino encontrava-se o Rei. O rei chefiava o exército,
administrava a justiça, garantia a ordem e a paz internas e dirigia as relações
externas. Pertencia-lhe ainda, em exclusivo, o direito de cunhar a moeda ou
de desvalorizar a moeda. Por outro lado, os tribunais reais reservavam para
sim, também em exclusivo, a aplicação da justiça maior (pena de morte os
corte de membros), constituindo este facto uma limitação da jurisdição
senhorial e ao mesmo tempo uma afirmação clara da supremacia da justiça
real.

Outra regalia régia era o direito de aposentadoria a que se obrigavam as


terras onde o monarca e a sua corte se instalavam nas deslocações do País. O
rei tinha a seu cargo os aspectos mais diversos da administração pública e
beneficiava de uma autoridade indiscutível sobre os restantes corpos sociais e
políticos do País.

A legitimidade e a força da Monarquia Feudal Portuguesa explicam-se por um


conjunto de condicionalismos favoráveis, nos quais se incluem: a tradição
visigótica do exercício do poder real em nome de Deus; a enorme riqueza de
terras adquirida ao longo do processo da Reconquista; o reconhecimento do
direito real a possuir as terras tomadas na guerra contra os Mouros; o facto
de o rei ser um dos maiores proprietários fundiários; e o carácter patrimonial
do poder que legitimava a transmissão da Realeza de pais para filhos,
segundo a regra da primogenitura masculina, património esse que era tido
como indissolúvel. De facto, em nenhum momento se assistiu em Portugal à
tentativa, por parte de um monarca, de proceder à repartição do Reino pelos
seus filhos: o Trono era considerado indivisível e inalienável e o ofício de
reinar que lhe estava associado – e que constituía um património real, era
tido como um dever antes de ser um direito.
Aparentemente, os poderes do rei não conheciam limites, já que das suas
decisões não existia apelo. No entanto, o rei jurava obedecer às leis e manter
os privilégios e as liberdades do Reino, o que representava uma notável
limitação ao seu poder. Por outro lado, reforçadas pelas doações territoriais e
pela evolução das imunidades que se vão transformando em verdadeiros
senhorios jurisdicionais, as hierarquias superiores do clero e a alta nobreza
dos ricos-homens não deixavam de reagir contra os reis quando se
encontravam em causa as suas prerrogativas.

Conflitos graves e de funestas consequências ocorreram no reinado de D.


Sancho II (1223-48), quando, na sequência da interdição decretada em 1231
pelo papa Gregório IX, por queixa do bispo de Lisboa e de vários outros
prelados portugueses sobre a desordem que imperava no Reino
(nomeadamente, alegados abusos de autoridade por parte dos oficiais
régios), estalou uma verdadeira guerra civil entre o monarca e as hierarquias
eclesiásticas.

A reestruturação da administração
central e local – o Reforço dos poderes da
chancelaria e a institucionalização das
Cortes.
No desempenho das suas atribuições, o Rei era
auxiliado por um grupo de altos funcionários com
funções bem determinadas: o alferes-mor, a quem
competia a chefia do exército na ausência do
monarca; o mordomo da corte, responsável pela
administração da casa real; o chanceler, guarda do
selo real utilizado na autenticação dos documentos.
Até ao termo da Reconquista com D. Afonso III, o
mais importante destes cargos era o de alferes-mor,
facto que se explica pela situação de guerra que se viveu até então.
Terminada a Reconquista e numa altura em que a Realeza deu especial
atenção à produção legislativa, foi o chanceler a ocupar o primeiro lugar na
hierarquia dos altos funcionários do Estado. Organizou-se, a partir de então, a
chancelaria régia, à frente da qual se encontrava o chanceler, auxiliado por
escrivães, encarregados da redacção dos diplomas, e por notários, a quem
competia submeter os documentos para efeitos de validação.
A crescente complexidade das tarefas administrativas e financeiras obrigou a
Coroa a criar novos funcionários, homens especializados em determinadas
tarefas, como o porteiro-mor, que superintendia à cobrança dos impostos, e o
tesoureiro-mor, que tinha o encargo de guardar o dinheiro nos cofres reais.

A administração central integrava ainda um grupo restrito de conselheiros – a


Cúria ou Conselho.

A partir do século XIII, a Cúria deu origem a dois órgãos distintos: O conselho
régio, composto por prelados, ricos-homens e militares que frequentavam a
corte e as Cortes.

As Cortes eram assembleias que o rei convocava para ouvir o parecer dos
membros do clero e da nobreza – a partir de 1254 (Cortes de Leiria),
passaram a participar também os procuradores dos concelhos – em matérias
importantes para a governação, como o lançamento de impostos, a
modificação do valor da moeda e a promulgação de leis.

A reunião das Cortes era também uma oportunidade para os representantes


das várias ordens apresentarem as suas petições ou queixas e sugerirem
medidas de resolução para situações anormais.

As cortes mais antigas de que há notícia realizaram-se em Coimbra, em 1211,


no reinado de D. Afonso II. A sua importância deriva do facto de terem sido aí
aprovadas as primeiras leis gerais que se conhecem em Portugal. Em 1254,
as Cortes de Leiria contaram já com a activa participação dos representantes
dos concelhos, facto que revela o reconhecimento real do papel do terceiro
Estado na administração do Reino. Ao mesmo tempo, esta participação foi
aproveitada pela Realeza para estabelecer uma espécie de aliança com este
grupo social heterógeneo e reforçar a sua autoridade sobre o clero e a
nobreza.

Este objectivo de reforço do poder real passou também por um controlo mais
rigoroso da administração local dos concelhos e dos senhorios. Para isso, a
Coroa recorreu ao aumento do número e dos poderes de intervenção dos
funcionários régios e as medidas legislativas de combate à expansão
senhorial o que, gerou reacções e conflitos vários.

Reis de Portugal

1ª Dinastia (Afonsina)

Nascimento
Imagem Nome Cognome Factos do reinado
/ Morte

D. Afonso O Conquistador / O Foi o primeiro rei de Portugal e conquistou


1108 - 1185 território até Lisboa e Alentejo.
Henriques Fundador Reinou entre 1143 e 1185.

Conquistou Silves e passou a chamar-se «Rei


D. Sancho I O Povoador 1154 - 1211 de Portugal e dos Algarves».
Reinou entre 1185 e 1211.

Convoca as primeiras cortes portuguesas, em


D. Afonso II O Gordo 1185 - 1223 Coimbra (1211).
Reinou entre 1211 e 1223.

Não teve descendência, pelo que o reino


D. Sancho II O Capelo 1209 - 1248 passou para o irmão.
Reinou entre 1223 e 1248.
Manda efectuar Inquirições Gerais (1258) -
D. Afonso III O Bolonhês 1210 - 1279 reduz abusos do clero e nobreza.
Reinou entre 1248 e 1279.

Incentivou o comércio, a cultura, a agricultura


D. Dinis O Lavrador 1261 - 1325 e mandou plantar o pinhal de Leiria.
Reinou entre 1279 e 1325.

Tomou medidas muito polémicas e chamou


D. Afonso IV O Bravo 1290 - 1357 toda a justiça do reino para as suas mãos.
Reinou entre 1325 e 1357.

O Justiceiro / O Vingou a morte de D. Inês de Castro.


D. Pedro I 1320 - 1367 Reinou entre 1357 e 1367 com uma enorme
Cruel (Cru) prosperidade económica.

Gerou conflitos com Castela que levaram à


D. Fernando O Formoso 1345 - 1383 crise de 1383/1385.
Reinou entre 1367 e 1383.

Glossário
Reconquista – Processo de recuperação do domínio cristão na Península
Ibérica face à conquista e ocupação muçulmana, sarracena ou moura. Este
processo iniciou-se a partir das Astúrias, ainda na primeira metade do século
VIII, e levou à criação de vários reinos cristãos, entre eles o de Portugal.

Carta de Foral – Diploma jurídico concedido em regra pelo Rei, com a


finalidade de criar e regulamentar a vida nos concelhos, em particular, o
sistema de impostos e a administração da justiça.
Concelhos – Circunscrições territoriais e administrativas com um variável
grau de autonomia; cada concelho possuía uma assembleia de notáveis ou
homens-bons, que elegia diversos magistrados, estando também o rei aí
representado através de magistrados por si nomeados.

Mesteirais – Trabalhadores dos ofícios (mesteres) do artesanato ou industria


e alguns pequenos comerciantes (almocreves e carniceiros); nas cidades mais
importantes, estavam reunidos por profissões numa mesma rua. A partir do
século XIII, crescem em número e em força económica e nos séculos XIV e XV,
vão adquirir poder na administração local.

Vizinhos – Designa os habitantes com residência permanentemente na área


do Concelho e com posses suficientes para pagar os tributos devidos.

Mirinhos-mores – Oficiais de justiça encarregados de executar os mandatos


judiciais.

Imunidades – Privilégios que davam aos seus titulares um conjunto de


regalias, como a isenção de pagamento de impostos à Coroa, com a
consequente proibição da entrada dos funcionários régios nos seus domínios.

Vassalidade – Sistema sociojurídico feudal assente numa complexa rede de


solidariedades aristocráticas estabelecidas a partir de um vinculo de
fidelidade e de dependência pessoal de um homem (vassalo) para com um
outro (senhor).

Monarquia Feudal – Um tipo de monarquia hereditária caracterizada pela


existência de uma relação estreita entre o poder pessoal do rei e o exercício
do poder público e pela extrema fragmentação/dispersão desse poder.

Cortes/Parlamentos – Assembleias com funções essencialmente consultivas


e fiscais, convocadas pelos reis e constituídas por representantes das três
ordens sociais – Clero, Nobreza e povo.

Cúria – Conselho formado pelos favoritos régios, altos funcionários e


membros da família real, que aconselhavam o monarca. Em assuntos mais
importantes que exigiam um debate e um consenso mais alargados, o rei
convocava um grupo mais alargado de personalidades respeitadas e da sua
confiança, da nobreza, do clero e do funcionalismo.

Bibliografia
Avelino Ribeiro e Mário Cunha, (2005), Caminhos da História, Lisboa, Edições
Asa.
Ana Oliveira, e Paula Torrão, (2002), História, Lisboa, Texto Editora.

Porto Editora 2003, Diciopédia

http://pt.wikipedia.org

http://junior.te.pt

www.cm-tvedras.pt

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