TEORIA DO CRIME: TIPICIDADE, ANTIJURIDICIDADE, CULPABILIDADE E SUAS EXCLUDENTES.

Crime é um todo unitário e indivisível, caracterizado pelo fato típico, ilícito e culpável. Juízo de tipicidade: é a análise se uma determinada conduta apresenta os requisitos que a lei exige, para qualifica-la como infração penal. Se o resultado for negativo há a atipicidade. Se for positivo há a tipicidade. Assim, TÍPICO é o ajuste perfeito do fato com o tipo, ou seja, a exata correspondência do fato praticado com a descrição legal existente. É a decorrência natural do princípio da reserva legal, identifica o bem jurídico a ser protegido. A adequação do fato ao tipo faz surgir o indício de que a conduta é antijurídica, e essa presunção só cederá ante a configuração de uma causa de justificação. Além disso, quando o processo intelectual-volitivo não atinge um dos componentes descritos na lei, o dolo não se aperfeiçoa, isto é, não se completa. O autor só poderá ser punido pela prática de um crime doloso quando conhecer as circunstâncias fáticas que o constituem. O tipo compõe-se de elementos objetivos – identificados pela simples constatação sensorial - , normativos – são circunstâncias que não se limitam a descrever o natural, mas implicam um juízo de valor (ex.: “fraudulenta”) - e subjetivos - são dados ou circunstâncias que pertencem ao campo psíquico-espiritual e ao mundo de representação do autor (ex.dolo). Tem-se no tipo do injusto a ação/omissão, o resultado (consequência externa da conduta do agente), nexo causal (relação de causalidade entre a ação e o resultado que permite a imputação do resultado à conduta do agente) e a tipicidade, a falta de qualquer um desses componentes não permite a concretização ou a caracterização do crime. O fato típico pode ser excluído pelo erro de tipo, princípio da adequação social e da insignificância:  Princípio da adequação social: o tipo penal implica uma seleção de comportamentos e sua valoração, pois alguns, mesmo típicos, carecem de relevância por serem correntes no meio social, pois muitas vezes há um descompasso entre as normas penais incriminadoras e o socialmente permitido ou tolerado. Assim, o direito penal só tipifica as condutas que tenham certa relevância social, pois o comportamento que se amolda a determinada descrição típica formal, porém materialmente irrelevante, adequando-se ao socialmente permitido ou tolerado, não realiza materialmente (desvalor da ação e do resultado lesando efetivamente o bem jurídico protegido) a descrição típica.  Princípio da insignificância (Bagatela): é necessária a efetiva proporcionalidade entre a gravidade da conduta que se pretende punir e a drasticidade da intervenção estatal. Muitas vezes a ofensa aos bens ou aos interesses não é suficiente para configurar o injusto típico, pois não representa relevância material. É importante aferir a importância do bem juridicamente atingido e a extensão da lesão produzida, pois a insignificância pode afastar a tipicidade.  Erro de tipo é aquele que recai sobre circunstância elementar da descrição típica. É quando alguém não conhece, ao cometer o ato, uma circunstância que pertence ao tipo legal, assim o agente não sabe o que faz. Por ter a falsa percepção da realidade sobre um elemento constitutivo do crime, falta-lhe a consciência, afastando o dolo. Em suma, o eventual desconhecimento de um ou outro elemento constitutivo do tipo constitui ERRO DE TIPO, excludente de dolo, e, por extensão, da própria tipicidade. Entretanto, se o erro de tipo for vencível (atuação não foi com a diligência exigida) o agente é punido a titulo de culpa, se tiver previsão legal.(Diferentemente do ERRO DE PROIBIÇÃO,que é quando a realidade é percebida, ou seja, o agente sabe o que faz, mas desconhece a sua proibição, imaginando ser lícita a sua ação.). Lembrando que:

Responde pelo o crime considerando o objeto EFETIVAMENTE ATINGIDO.Ex. apesar do erro.: tenta matar A. No erro de tipo acidental o agente sabe da ilicitude de seu comportamento. fodeu!”). atingindo coisa diversa da pretendida. 73. ERRO NA EXECUÇÃO O alvo é bem representado. caso ocorra dois resultados aplica-se o art. provoca lesão em bem jurídico diverso do pretendido. ou seja. resultado ilícito).70.: furto de pulseira de bijuteria pensando ser de ouro. CP. Relação coisa – pessoa Há pena. não se abstém de agir. c) Erro na execução (de pessoa para pessoa. Observação: ERRO SOBRE A PESSOA O alvo é mal representado. atinge o mesmo bem jurídico.). art. considerando as qualidades da vítima PRETENTIDAe. Observação: ERRO NA EXECUÇÃO Agente. atingindo com sua conduta.3º. 20. (“Foda-se”). -> Direto: o agente quer efetivamente cometer a conduta tipificada. par. por erro ou acidente na execução. assumindo o risco de produzir o resultado previsto e já aceito. Ex. mata B que estava no local. art. 70. Responde pelo resultado diverso do pretendido a titulo de culpa.: arremessa pedra em vitrine para destruí-la. caso acerte as duas pessoas. erra o alvo. CP). CP):o agente. Relação pessoa-pessoa Não exclui dolo ou culpa. -> Inconsciente: resultado previsto + agente não o prevê. art. (CUIDADO! :não há erro na execução do crime. embora não querendo diretamente praticar o crime. A execução foi errada (Por acidente ou por erro no uso dos meios). Responde considerando as qualidades da vítima PRETENTIDA. porem erra o alvo e atinge uma pessoa. atinge pessoa diversa da pretendida e corretamente representada. -> Indireto: Eventual: o agente. responde no concurso formal (art. CP): o agente por acidente ou erro no uso dos meios de execução. Ex. b) Erro sobre a pessoa (dolo existe. Há pena Responde pelo resultado considerando a vitima pretendida. salvo se o . A execução foi correta. mas na representação da vítima. Ex. para o concurso formal de delitos. assim não assume e nem quer o risco (“ih. -> Consciente: resultado previsto + agente acredita q não venha a ocorrer por poder evita-lo. porém de pessoa diversa. 74. NEGLIGÊNCIA OU IMPERÍCIA + PREVISIBILIDADE SUBJETIVA(finalidade lícita. CULPA = INOBSERVÂNCIA DE UM DEVER OBJETIVO DE CUIDADO POR IMPRUDÊNCIA.DOLO = VONTADE LIVRE + CONSCIENCIA QUERIDA DA ILICITUDE (finalidade e resultado ilícito). d) Resultado diverso do pretendido (de coisa para pessoa.: matar o pai ao confundi-lo com o vizinho. Responde pelo resultado diverso do pretendido. mas se engana em algum elemento essencial: a) Erro sobre o objeto:o agente representa equivocadamente o objeto material. pelo resultado produzido na forma culposa. CP):o agente representa equivocadamente a pessoa visada. O crime é mal executado e o agente responde pelo crime cometido. RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO Agente em razão do erro atinge bem jurídico diverso. pessoa diversa.

por ter sido esganada. -> Erro invencível: isenta o agente da pena. O agente responde pelo crime cometido. achando que a filha estava morta.em estado de necessidade.em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. Se evitável a pena é diminuída de 1/6 a 1/3. 20. porém com nexo de causal diverso OU em dois ou mais atos. é formada por duas partes: formal – contrariedade de uma proibição legal e material – implicação da lesão ao bem protegido. -> Erro vencível: embora agindo com dolo é responsabilizado por delito culposo. em qualquer das hipóteses deste artigo.: médico faz com que enfermeira ministre no paciente droga letal. ->Erro determinado por terceiro (art.: Em um ato: joga vitima da ponte para morrer afogada. A ilicitude. provoca o resultado pretendido. e) Curso causal: o agente mediante um só ato provoca o resultado pretendido.resultado pretendido for mais garve. Mais de dois atos: é o caso da menina Isabela. quem determina culposamente responde por crime culposo. Ex. ficará isento de pena. joga a menina pela janela. responderá pelo excesso doloso ou culposo. Quem determina dolosamente o erro responde por crime doloso (autoria mediata).Não há crime quando o agente pratica o fato: I . é necessário também que ele tenha consciência de ter agido acobertado pela excludente (pressuposto subjetivo). ter tido a vontade de evitar um dano pessoal ou alheio. não basta que estejam presentes os pressupostos objetivos (expressos ou implícitos na lei penal) da causa de justificação. A ANTIJURIDICIDADEouILICITUDEé a relação de antagonismo.  Estado de necessidade: . se existisse. O erro de tipo deve ocorrer sobre uma situação de fato que.21). Se inevitável afasta-se a potencial consciência de ilicitude e também a culpabilidade havendo isenção de pena. assim. contrariedade que se estabelece entre o fato típico e o ordenamento legal. Descriminantes putativas: o agente supondo estar em alguma situação do art. Parágrafo único . Para o agente se valer de uma das excludentes de ilicitude. II . onde o pai. OBSERVAÇÃO: Quando o erro recair sobre a existência ou mesmo sobre os limites de uma causa de justificação tem-se erro de proibição (art. se não age com dolo ou culpa. 2º. 23 atua de certa maneira. tornaria a ação legitima. Causas legais de exclusão da ilicitude (torna lícito o que é ilícito): Art. isto é. 23 . contudo a mesma bate a cabeça em uma pedra e morre por traumatismo craniano. III .O agente. porém com nexo causal diverso. do CP): existe alguém induzindo a erro outrem para pratica o crime (erro não espontâneo). de sorte a causar ou expor a perigo de lesão um bem jurídico tutelado.em legítima defesa. O enganado. Ex. p.

que não provocou por sua vontade. devendo um deles ser sacrificado em prol do outro.Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual. policial. seja dolo direto ou eventual. Requisitos:  Existência de perigo atual e inevitável: é o perigo presente. estado de necessidade é a situação de perigo atual.Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. O perigo e a ação devem acontecer simultaneamente. vontade dolosa.Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado.etc. O agente deve sempre escolher o meio que produza o menor dano possível (ponderação dos bens). Assim.) que tem por lei a obrigação de enfrentar o risco não pode optar pela saída mais cômoda. não era razoável exigir-se. haver a inexigibilidade de conduta diversa a culpabilidade poderá ser afastada. quando o socorro for impossível. não se exige que se sacrifique desnecessariamente.  Inevitabilidade da conduta (dodanopor outro meio): deve haver sempre a inexistência de um meio menos lesivo ou gravoso do qual foi empregado para eliminar o perigo.Art. quando não reconhecido como excludente de culpabilidade. não provocado voluntariamente pelo agente. Eventualmente. a ameaça concreta ao bemjurídico. será inadmissível o reconhecimento do estado de necessidade. se devido as circunstâncias. mesmo que o meio seja a fuga. É indispensável à inevitabilidade do perigo por outro meio.Diminuição da pena: essa causa somente é compatível com o estado de necessidade exculpante. para não sacrificar direito seu ou alheio. deixando de enfrentar o risco. a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. entretanto. assim como a ponderação dos bens.  Elemento subjetivo: finalidade de salvar o bem do perigo: essa motivação do agente deve ser configurada no momento da ação. caso contrário estaria entrando no campo do excesso. Por isso o agente deve sempre orientar-se pelo princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. não se configura inexigibilidade de conduta diversa. cujo sacrifício.  Direito próprio ou alheio: a intervenção para o direito alheio pode ser feito caso o bem seja indisponível. o que ainda permite a consideração de situação menos culpável.  Não provocação voluntária do perigo pelo o agente: entende-se.  Ausência de dever legal de enfrentar o perigo: é advindo da lei(abrange também o dever jurídico advindo de outras relações previstas no ordenamento jurídico). uma vez que o dano já ocorreu ou pode até mesmo não ocorrer. Entretanto. 2º . em que este lesa bem de outrem. cujo sacrifício não podia ser razoavelmente exigido. caracterizando assim o estado de necessidade exculpante. e é afastado o perigo passado ou o futuro. É prevalecente a inclusão do perigo iminente. a pretexto de proteger bem jurídico próprio. nas circunstâncias. pois a ação deve ser moderada. 24 . nem podia de outro modo evitar. . não podendo assim afastar a ilicitude da ação. O estado de necessidade caracteriza-se pela colisão de interesses juridicamente protegidos. direito próprio ou alheio. salvando um bem de menor valor e sacrificando um de maior valor. majoritariamente.  Inexigibilidade de sacrifício do bem ameaçado: quando o bem jurídico sacrificado for de maior valor ao preservado. Espécies do estado de necessidade:  Quanto à titularidade: . 1º . Aquele(bombeiro.

que configura aberratio criminis. Não é amparada pelo o ordenamento jurídico e legitima a pronta reação. Representa. pois se trata de um abuso de direito e de uma manipulação do agressor. ocorrendo resultado diverso do pretendido. mas acaba lesando bens de outrem. É necessário.a) Próprio: proteção a bem próprio. b)Terceiro: proteção a bem de terceiro. repele injusta agressão. Não pode ser confundida com provocação.  Atual ou iminente: a agressão atual é aquela que está acontecendo. mas acaba ultrapassando o limite permitido pela lei. Requisitos:  Agressão injusta: é a conduta humana que põe em perigo ou lesa um interesse juridicamente protegido. agia amparado por uma causa de justificação.  Quanto ao elemento subjetivo do agente: a) Real: quando existe efetivamente a situação de perigo. inicialmente. discriminantes putativas. permite aos cidadãos agir em sua própria defesa. pois este responderá pelo seu dolo. b)Putativo: quando a situação de risco é imaginada por erro do agente (v. a forma primitiva da reação contra o injusto. a direito seu ou de outrem. não provocador da situação de perigo. mediante a lesão de um bem do agressor. pois esta produzirá dano maior. Excesso no estado de necessidade: Agente. a iminente é a que está prestes a ocorrer (futuro imediato). § 1º. amparado pela causa de justificação pratica o ato a fim de evitar a situação de perigo. 25 . pois na provocação não pode ser alegada a excludente em benefício do agente. 20. Estado de necessidade e dificuldades econômicas: Avalia-se a razoabilidade da ação do agente e fazse uma ponderação dos bens protegidos. Aberratio e estado de necessidade: Quando o agente. CP)  Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: a) Defensivo: conduta do agente dirige-se ao produtor da situação de risco.Entende-se em legítima defesa quem.  Legítima defesa Art. pois. A legítima defesa corresponde a uma exigência natural. usando moderadamente dos meios necessários. o agredido deve impedir o início ou continuidade da ofensa. b) Agressivo: conduta do necessitado sacrifica bem de um inocente. a um instinto que leva o agredido a repelir a agressão a um seu bem tutelado. atual ou iminente. Também não se pode considerar a pretensa defesa legítima quando a agressão foi provocada intencionalmente para invocar a legítima defesa. art. O Estado por não poder estar em todos os lugares ao mesmo tempo. . a fim de eliminá-la. contudo. que o agente se veja diante de uma situação de total impossibilidade de recorrer ao Estado e que estejam presentes os requisitos objetivos e subjetivos para que se fale em legitima defesa. A demora na repulsa descaracteriza a legítima defesa. Os tribunais não chegaram num acordo e costumam proferir decisões conflitantes.

bem como deve ser razoável. O excesso tem inicio no momento seguinte em que o agente faz cessar a agressão que contra ele era praticada ou ainda quando o perigo contra o bem tutelado protegido passa. Legítima defesa sucessiva: permissão da legítima defesa do agressor inicial para defender-se do excesso. É a razoável proporção entre a defesa empreendida e o ataque sofrido. É importante também verificar a proporcionalidade dos bens tutelados. erroneamente. Sua natureza jurídica é a da legitima defesa preordenada. Ofendículos: aparelhos predispostos para a defesa da propriedade visíveis (arame farpado. Logo. Se esse erro for inevitável o autor é exculpado. o limite permitido pela lei.  Excesso intensivo: excesso na intensidade lesiva. quando o agente tiver à sua disposição vários meios aptos a ocasionar a repulsa à agressão. Legítima defesa recíproca: Somente é possível quando ocorrer um erro: defesa real x defesa putativa. Direito próprio ou alheio: No direito alheio. não se deve por ex. etc.). sob pena de incorrer no chamado excesso. o agente deve usar o meio adequado com moderação. ex.  Animus defendendi: Subjetivamente orientada pela vontade de defender-se. mas a defesa poderia e deveria adotar intensidade lesiva menor. quando se tratar de bem indisponível. a vida. A defesa se prolonga durante mais tempo do que dura a atualidade da agressão.  Meios necessários usados moderadamente: deve-se utilizar de meios suficientes e indispensáveis para o exercício eficaz da defesa. a vítima deve consentir a intervenção. contudo. O resultado advindo também estará amparado pela causa de justificação da legítima defesa. devemos afastar a causa de exclusão da ilicitude. cacos de vidro no muro. Caso contrário. ou mesmo a ambos. O EXCESSO: O agente. A reação deve ser proporcional ao ataque. mas apesar da exclusão da responsabilidade penal. e não ultrapassar o estritamente necessário para o fim proposto. quando a questão é de bem disponível. Legítima defesa putativa: quando alguém se julga.  Excesso extensivo: excesso na duração da defesa. patrimônio. . etc. já que se o agente defender bem de menor valor fazendo perecer bem de valor muito superior deverá responder por excesso. ultrapassando. Entretanto. deverá sempre optar pelo menos gravoso. ex. sob pena de responder pelos resultados advindos de sua utilização. o agente não necessita do consentimento do titular. não há impedimento da responsabilidade civil. O agente deverá tomar certas precauções na utilização desses instrumentos. na qual o instante de seu funcionamento ocorre quando o infrator busca lesionar algum interesse ou bem jurídico protegido. E é justamente isso que distingue a ação criminosa da reação legitima autorizada pelo o Direito. Além disso. agia amparado por uma causa de justificação. a) b) c) d) Legítima defesa e aberratio ictus: o agente agindo com animus defendendi acaba ferindo outra pessoa que não o seu agressor. eletrificar uma cerca com intensidade para provocar a morte do invasor e sim apenas de afugenta-lo. atual ou iminente. se for evitável terá a pena diminuída. Espécies: Legítima defesa real ou própria: tradicional. de modo que a escolha do meio defensivo seja de menor carga ofensiva possível. diante de uma agressão injusta.) e os meios mecânicos ocultos (eletrificação de fios. inicialmente. A agressão é atual.

em alguns casos. ou seja. Fora desses limites. crime por estar exercitando uma prerrogativa a ele conferida pela lei. pois às vezes sentimentos não permitem um raciocínio sobre a situação em que se encontra envolvido. por uma medida de política criminal. acredita que ainda está sendo ou poderá vir a ser agredido e dá continuidade à repulsa. em virtude de. Excesso doloso: Há duas situações: a) O agente dá continuidade ao ataque. que a ninguém é permitido fazer justiça pelas próprias mãos. contudo. em confronto com o atingido pela repulsa. Acontece aqui que o pavor da situação em que se encontra envolvido o agente é tão grande que não lhe permite avaliá-la com perfeição. O exercício regular do direito consiste na atuação do agente dentro dos limites conferidos pelo ordenamento legal. desde que regular (contido nos limites objetivos e subjetivos. Essa perturbação mental leva. não poder ser exigida do agente outra conduta que não aquela por ele adotada. a afastar a culpabilidade. diante da gritante desproporção entre os bens a serem protegidos. Deve-se ter presente. formais e materiais impostos pelos próprios fins do Direito). no caso concreto.  Excesso na causa: quando há inferioridade do valor do bem ou interesse defendido. o fato típico e antijurídico. DIFERENÇAS ENTRE: ESTADO DE NECESSIDADE Conflito entre bens jurídicos protegidos Bem exposto a um perigo atual Perigo proveniente de conduta humana ou animal Conduta pode se dirigir a um 3º inocente Em regra é uma ação Pode haver ação contra uma agressão justa (est. diante do temor. portanto. assim. aturdimento ou emoção que o levou ao excesso. a lei determina que seja fixada a pena do crime culposo. b) O agente excede-se em virtude de um erro de cálculo quanto à gravidade do perigo ou quanto ao modus da reação.recip) Obrigado a fugir se puder LEGÍTIMA DEFESA Repulsa contra um ataque não protegido Bem exposto a uma agressão atual ou iminente Perigo proveniente de uma agressão humana Conduta só pode se dirigir ao agressor Em regra é uma reação Deve haver somente reação a uma agressão injusta Não obrigação de fuga  Exercício regular do direito O exercício de um direito. salvo quando a lei o permita. acreditando que possa ir até o fim em virtude de erro de proibição indireto (erro sobre os limites de uma causa de justificação). mesmo depois de fazer cessar a agressão. se previsto em lei. excluída essa causa de justificação. já que o sujeito atuou por um erro vencível na sua ação ou reação. O exercício regular do direito jamais poderá ser antijurídico. porque quer causar mais lesões no agressor inicial. não pode ser.  Excesso exculpante: Busca-se eliminar s culpabilidade do agente. fazendo com que atue além do necessário para fazer cessar a agressão. Há o dolo no excesso culposo também. ao mesmo tempo. O limite do lícito . proibido pela ordem jurídica.n. não cometendo. O agente nesta situação responde pelo o seu ato. mesmo depois de fazer cessar a agressão. haverá o abuso de direito e estará.  Excesso culposo: Há duas situações: a) O agente ao avaliar mal a situação que o envolvia. b) O agente continua o ataque. no entanto.

embora típica.  O excesso nas causas de justificação Em qualquer das causas de justificação. compreenda o sentido e as consequências de sua aquiescência. de cunho administrativo. pois aí o dever deixa de ser cumprido estritamente no âmbito da legalidade. como requisito do tipo penal e.  Estrito cumprimento do dever legal Quem pratica uma ação em cumprimento de um dever imposto por lei não comete crime. da lei jurídica com caráter geral. . o agente. obrigatoriamente. explícito ou implícito. o consentimento torna o fato atípico. pois embora o “cumprimento do dever” se tenha iniciado dentro dos limites do estritamente legal. configurar obediência hierárquica. para mostra-se abusivo. eventualmente. por isso não há crime quando pessoa maior de idade autoriza outra a destruir bem de sua propriedade.  Dever legal: o dever deve decorrer. d) Que o fato típico se limite e se identifique com o consentimento do ofendido. caracterizando sua ilicitude. excedendo-se na sua consumação. inicia-se nos estritos termos da lei. Requisitos: a) Que a manifestação do ofendido seja livre. no momento de consentir. fraude ou outro vicio de vontade.termina necessariamente quando começa o abuso. só se tipificam quando. quando o agente.  Consentimento do ofendido Alguns crimes pressupõem o dissenso. Em outros termos. caracterizando-se sua ilicitude. Se a norma tiver caráter particular. é indispensável que a situação inicialmente caracterize a presença de uma excludente. no caso concreto. assim. Nos crimes em que o dissenso é elementar. sem coação. não existe o consentimento. Exatamente assim configura-se o excesso. exceder-se dos limites da norma permissiva. mas não o dever legal. não será ilícita. b) Que o ofendido. em um segundo momento. dolosa ou culposamente. Em suma. Ocorrem situações em que a lei impõe determinada conduta e. acaba indo além do estritamente permitido. responderá pelo excesso. possua capacidade para fazê-lo. Caso o excesso decorra de caso fortuito não se fala em responsabilidade penal. pelo seu procedimento ou condução inadequada. uma vez que aí o direito deixa de ser exercido regularmente. o consentimento será causa supralegal de exclusão da ilicitude. mostra-se excessivo. para mostrar-se abusivo. No entanto dois requisitos devem ser estritamente observados:  Estrito cumprimento: somente os atos rigorosamente necessários justificam o comportamento permitido. ainda que cause lesão a um bem juridicamente tutelado. quando não for elementar. mas como tal não se consuma. o limite do lícito termina necessariamente onde começa o abuso. poderá. em face da qual. desde que se trate de bem disponível e a vitima seja capaz. isto é. c) Que se trate de bem disponível. cujo exercício. excessivo e improprio. Para a análise do excesso.

nas circunstancias. 27 do CP e art. a titulo de dolo ou culpa. O agente. Será culposo o excesso quando for involuntário. era. A CULPABILIDADEé a reprovação que se faz ao autor por ter abusado de sua imputabilidade em relação a um determinado ato punível. responderá dolosamente pelo fato praticado. se o agente. que pode configurar-se nas excludentes legais. temos a: I – inimputabilidade por doença mental: Art. na hipótese do § único. (art. 65. deve-se averiguar a existência de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto e se o agente era. É uma qualidade negativa da ação do autor. c. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. É a reprovabilidade da configuração da vontade e é dirigida ao autor da ação ou omissão quando este podia conhecer o injusto e adequar o seu proceder de acordo com esse conhecimento. podendo decorrer de erro de tipo inescusável. ao tempo da ação ou omissão. Os elementos que integram a culpabilidade são:  Imputabilidade: corresponde à possibilidade de se atribuir. em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não erainteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. ou com a minorantedo art. 228. o excesso punível. . nessa situação. É o conjunto de condições pessoais que conferem ao sujeito ativo a capacidade de discernimento e compreensão para entender seus atos e determinar-se conforme esse entendimento. 121. Só pode decorrer de erro. II.A pena pode ser reduzida de um a dois terços. lhe era possível avaliar adequadamente. por isso. Assim. É constituída por dois elementos (critério biopsicológico): um intelectual (capacidade de entender o caráter ilícito do fato) e outro volitivo (capacidade de determinar-se de acordo com esse entendimento). Imputabilidade é a capacidade de imputação. que acaba produzindo efeito mais grave do que o razoavelmente suportável e.. aproveitar-se da situação excepcional que lhe permite agir. nas circunstancias. ao tempo da ação ou da omissão. III. havendo uma avaliação equivocada do agente quando. 26 .O excesso será doloso quando o agente. 97 com base no art. ou mesmo de erro de proibição evitável.98 do CP. §1º. é a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. para impor sacrifício maior do que o estritamente necessário à salvaguarda do seu direito ameaçado ou lesado. Parágrafo único . por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. Se o condenado. ou seja. necessitar de tratamento especial poderá ser utilizado o art. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. beneficiandose somente pela atenuante do art. decorre do exercício imoderado ou excessivo de determinado direito ou dever. Portanto. imputar fato típico e ilícito ao agente. quando for o caso. Enfim. não permitido. deliberadamente.inimputabilidade por imaturidade natural: é aquela que gozam os menores de 18 anos pela presunção legal de que não possuem a plena capacidade de entendimento.É isento de pena o agente que. CF).

1º. I): não excluem a imputabilidade penal. art. a título de culpa consciente.21) é estudado na aferição da culpabilidade do agente. do CP ou art. Entretanto. portanto.Responderá por homicídio doloso.O agente bebe e prevê o risco (tem previsão) . mas se for vencível ocorre a diminuição da pena. art.Responderá por homicídio doloso. 27) 3. 65 do CP. Lembrando quea teoria finalista adotada pelo CP retirou o dolo e a culpa da culpabilidade e os transferiu para o tipo (na conduta do agente). . Observações: 1)Emoção e paixão (art. Exemplos:Imagine o condutor embriagado (embriaguez não acidental). Menoridade (art. há previsibilidade e punibilidade. Embriaguez acidental completa (art. as causas de exclusão da imputabilidade são: 1. 26. que atropela uma vítima que vem a falecer. deve-se analisar o momento em que o agente bebeu. O erro de . 121. Entretanto pode ser usados como atenuantes ou minorantes de pena como. §1º)  Potencial consciência da ilicitude do fato: é necessário que o autor conheça ou possa conhecer as circunstâncias que pertencem ao tipo e à ilicitude.Responde por homicídio culposo. p. podendo ocorrer cinco hipóteses: . decorrente de dolo eventual. a título de culpa inconsciente. Aplicar a teoria da actio libera in causa é aplicar a responsabilidade penal objetiva. Ressalta-se que o erro de tipo incide sobre elementos circunstanciais ou qualquer outro dado que se agregue à figura típica. . porém. 2. caput). no § 1º e 2º: a embriaguez involuntária e completa + total incapacidade de entender o caráter ilícito do fato = isenção de culpabilidade. caput) e ao semiimputável impõe-se uma condenação com redução na pena (§ único. Já o erro de proibição (art.O agente não tem previsão.Responde por homicídio culposo.Ao inimputável deverá ser aplicada medida de segurança (art.28.O agente bebe e acredita que não causará qualquer acidente (tem previsão). . A ausência de conhecimento de proibição exclui a culpabilidade. 26.. 28. . 28. procurando verificar se nas condições em que se encontrava o agente teria ele condições de compreender que o fato que praticava era ilícito. Diante do exposto. mantendo somente a potencial consciência da ilicitude do fato (retirada do dolo) na culpabilidade. 26). ex. analisado no tipo. e é.O agente bebe e assume o risco de atropelar alguém (tem previsão). decorrente de dolo direto. embriaguez involuntária e incompleta = pena pode ser reduzida.Não há sequer previsibilidade (ex: tinha uma pessoa deitada na rodovia 3 horas da manhã). . segundo a teoria da actio libera in causa. 2)Embriaguez voluntária e culposa (art. . . II): não exclui a imputabilidade penal. que é o caso de erro de proibição invencível. por. Neste caso. Anomalia psíquica (art. .Não há dolo e culpa.

sendo este o autor mediato. Essa intimidação recai sobre sua vontade. d) Existência de pelo menos três partes envolvidas como regra: o coator. é a possibilidade determinada pelo ordenamento jurídico. . nesse caso o executor é considerado apenas um instrumento da realização da vontade do coator. no momento da ação ou omissão. ameaça o coagido. a culpabilidade permanece. tendo o agente direito a uma atenuante de pena (art. “c”. CP). Ressalta-se que. b) Ameaça voltada diretamente contra a pessoa do coato ou contra as pessoas queridas a ele ligadas.  Exigibilidade de conduta diversa: possibilidade que tinha o agente de. de atuar de uma forma distinta e melhor do que aquela a que o sujeito se decidiu. o crime só existe na imaginação do agente. Se a coação for resistível. na verdade. Exclui-se a culpabilidade. III. é causa de diminuição da pena. o coato e a vítima. considerando-se a sua particular condição de pessoa humana. seja pela força policial. A coação física irresistível exclui a própria ação por ausência de vontade. de modo a retirar a exigência legal de agir de maneira diferente. não se encontra prevista no ord. seja pela atuação do próprio coagido. 22. eliminando ou reduzindo o seu poder de escolha. No delito putativo o agente quer praticar uma infração penal que. Jurídico. Observação: a diferença entre o erro de proibição e o delito putativo: No erro de proibição o agente supõe ser lícita uma conduta que. Requisitos: a) Existência de uma ameaça de um dano grave. no entanto. por medo. a potencial consciência da ilicitude. c) Inevitabilidade do perigo na situação concreta do coato: se o perigo puder por outro meio ser evitado. este imagina ser proibida uma conduta permitida. injusto e atual. e não mera atenuante. é proibida no ordenamento jurídico. 1) Coação (moral) irresistível: Coação irresistível é tudo o que pressiona a vontade do coagido impondo-o determinado comportamento. quando evitável. com maior razão estará excluída a culpabilidade. e este. em face da inexigibilidade de conduta diversa. para alcançar o resultado ilícito desejado. Suas excludentes são a coação irresistível e a obediência hierárquica (art. CP). e) Irresistibilidade da ameaça avaliada segundo o critério do homem médio (homo medius) e do próprio coato. realiza a conduta criminosa. se o mal é atual. extraordinariamente difícil a ser suportado pelo coato: ameaça precisa ser séria e ligada à ofensa séria. O coator. agir de acordo com o direito. viciando-a. Situações:  Coação física: o fato é atípico em virtude da ausência de vontade e o coagido não responde por crime algum. 65. o agente imagina ser permitida uma conduta que é proibida.proibição corresponde aúnica hipótese de exclusão desse elemento (potencial consciência da ilicitude) da culpabilidade.

CP. Assim. Seus requisitos são: a) Que a ordem seja proferida por superior hierárquico b) Que essa ordem não seja manifestamente ilegal: o agente pode. CP. neste caso. 62. público ou privado. embora esteja viciada. respondendo pelo crime em concurso.65. . Subordinado: estrito cumprimento de um dever (legal).  Ordem legal: Superior: estrito cumprimento de um dever (legal). Coação moral irresistível: exclui a culpabilidade. afasta a culpabilidade do agente em virtude de não lhe ser exigível. Subordinado: inexigibilidade de conduta diversa (impunível). o subordinado sabendo ou não da ilegalidade da ordem não é culpado. CP.: caso o subordinado tenha ciência de que é ilegal responde da mesma forma que o superior. Não há concurso de pessoas. caso contrário pode responder por excesso. assim. OBS. 2) Obediência hierárquica:a ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico.  Ordem não manifestamente ilegal *: Superior: responde pelo crime com agravante do art.Situações:  Ordem manifestamente ilegal: Superior: responde pelo crime como autor mediato – agravante do art. Há concurso de pessoas.  Coação moral resistível: Não exclui a culpabilidade. c) Que o cumpridor da ordem se atenha aos limites da ordem. Caso a ordem seja manifestamente ilegal o superior e o subordinado são puníveis. No caso de subordinado militar ele tem o dever legal de obediência. nessas condições. a culpabilidade do subordinado militar pode ser excluída pela coação irresistível (quando a ordem/ameaça representar uma coação irresistível). caso contrário pode responder por crime de insubordinação. Apenas responderá pelo o crime o autor da ordem. pois o coagido age com vontade. Subordinado: responde pelo crime como autor imediato – atenuante do art. 62. . um comportamento conforme o direito. mas o coagido tem direito a uma atenuante genérica. Observação: quando a ordem é legal o subordinado público apenas age no estrito cumprimento de dever legal. avaliar incorretamente a ordem e recair em erro de proibição. Além disso.