TEORIA DO CRIME: TIPICIDADE, ANTIJURIDICIDADE, CULPABILIDADE E SUAS EXCLUDENTES.

Crime é um todo unitário e indivisível, caracterizado pelo fato típico, ilícito e culpável. Juízo de tipicidade: é a análise se uma determinada conduta apresenta os requisitos que a lei exige, para qualifica-la como infração penal. Se o resultado for negativo há a atipicidade. Se for positivo há a tipicidade. Assim, TÍPICO é o ajuste perfeito do fato com o tipo, ou seja, a exata correspondência do fato praticado com a descrição legal existente. É a decorrência natural do princípio da reserva legal, identifica o bem jurídico a ser protegido. A adequação do fato ao tipo faz surgir o indício de que a conduta é antijurídica, e essa presunção só cederá ante a configuração de uma causa de justificação. Além disso, quando o processo intelectual-volitivo não atinge um dos componentes descritos na lei, o dolo não se aperfeiçoa, isto é, não se completa. O autor só poderá ser punido pela prática de um crime doloso quando conhecer as circunstâncias fáticas que o constituem. O tipo compõe-se de elementos objetivos – identificados pela simples constatação sensorial - , normativos – são circunstâncias que não se limitam a descrever o natural, mas implicam um juízo de valor (ex.: “fraudulenta”) - e subjetivos - são dados ou circunstâncias que pertencem ao campo psíquico-espiritual e ao mundo de representação do autor (ex.dolo). Tem-se no tipo do injusto a ação/omissão, o resultado (consequência externa da conduta do agente), nexo causal (relação de causalidade entre a ação e o resultado que permite a imputação do resultado à conduta do agente) e a tipicidade, a falta de qualquer um desses componentes não permite a concretização ou a caracterização do crime. O fato típico pode ser excluído pelo erro de tipo, princípio da adequação social e da insignificância:  Princípio da adequação social: o tipo penal implica uma seleção de comportamentos e sua valoração, pois alguns, mesmo típicos, carecem de relevância por serem correntes no meio social, pois muitas vezes há um descompasso entre as normas penais incriminadoras e o socialmente permitido ou tolerado. Assim, o direito penal só tipifica as condutas que tenham certa relevância social, pois o comportamento que se amolda a determinada descrição típica formal, porém materialmente irrelevante, adequando-se ao socialmente permitido ou tolerado, não realiza materialmente (desvalor da ação e do resultado lesando efetivamente o bem jurídico protegido) a descrição típica.  Princípio da insignificância (Bagatela): é necessária a efetiva proporcionalidade entre a gravidade da conduta que se pretende punir e a drasticidade da intervenção estatal. Muitas vezes a ofensa aos bens ou aos interesses não é suficiente para configurar o injusto típico, pois não representa relevância material. É importante aferir a importância do bem juridicamente atingido e a extensão da lesão produzida, pois a insignificância pode afastar a tipicidade.  Erro de tipo é aquele que recai sobre circunstância elementar da descrição típica. É quando alguém não conhece, ao cometer o ato, uma circunstância que pertence ao tipo legal, assim o agente não sabe o que faz. Por ter a falsa percepção da realidade sobre um elemento constitutivo do crime, falta-lhe a consciência, afastando o dolo. Em suma, o eventual desconhecimento de um ou outro elemento constitutivo do tipo constitui ERRO DE TIPO, excludente de dolo, e, por extensão, da própria tipicidade. Entretanto, se o erro de tipo for vencível (atuação não foi com a diligência exigida) o agente é punido a titulo de culpa, se tiver previsão legal.(Diferentemente do ERRO DE PROIBIÇÃO,que é quando a realidade é percebida, ou seja, o agente sabe o que faz, mas desconhece a sua proibição, imaginando ser lícita a sua ação.). Lembrando que:

A execução foi correta. fodeu!”). Responde considerando as qualidades da vítima PRETENTIDA. não se abstém de agir. CP):o agente representa equivocadamente a pessoa visada. Observação: ERRO NA EXECUÇÃO Agente. CP): o agente por acidente ou erro no uso dos meios de execução. Ex. caso acerte as duas pessoas. caso ocorra dois resultados aplica-se o art. pessoa diversa. porém de pessoa diversa. CP.Ex. Responde pelo o crime considerando o objeto EFETIVAMENTE ATINGIDO.DOLO = VONTADE LIVRE + CONSCIENCIA QUERIDA DA ILICITUDE (finalidade e resultado ilícito). Observação: ERRO SOBRE A PESSOA O alvo é mal representado. A execução foi errada (Por acidente ou por erro no uso dos meios). mas na representação da vítima. Ex. Relação coisa – pessoa Há pena. RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO Agente em razão do erro atinge bem jurídico diverso. atinge pessoa diversa da pretendida e corretamente representada. art. CULPA = INOBSERVÂNCIA DE UM DEVER OBJETIVO DE CUIDADO POR IMPRUDÊNCIA. par. pelo resultado produzido na forma culposa. d) Resultado diverso do pretendido (de coisa para pessoa. 73.: tenta matar A. ERRO NA EXECUÇÃO O alvo é bem representado. Ex. erra o alvo.). ou seja. apesar do erro. b) Erro sobre a pessoa (dolo existe. Responde pelo resultado diverso do pretendido a titulo de culpa. No erro de tipo acidental o agente sabe da ilicitude de seu comportamento. provoca lesão em bem jurídico diverso do pretendido.3º. Há pena Responde pelo resultado considerando a vitima pretendida. mas se engana em algum elemento essencial: a) Erro sobre o objeto:o agente representa equivocadamente o objeto material. porem erra o alvo e atinge uma pessoa. CP):o agente. assumindo o risco de produzir o resultado previsto e já aceito. CP). responde no concurso formal (art. considerando as qualidades da vítima PRETENTIDAe. (“Foda-se”). -> Indireto: Eventual: o agente. (CUIDADO! :não há erro na execução do crime. por erro ou acidente na execução. Responde pelo resultado diverso do pretendido. c) Erro na execução (de pessoa para pessoa. atingindo com sua conduta. atinge o mesmo bem jurídico. 74. NEGLIGÊNCIA OU IMPERÍCIA + PREVISIBILIDADE SUBJETIVA(finalidade lícita.70. 20. Relação pessoa-pessoa Não exclui dolo ou culpa. mata B que estava no local. para o concurso formal de delitos. salvo se o . atingindo coisa diversa da pretendida. resultado ilícito). O crime é mal executado e o agente responde pelo crime cometido.: matar o pai ao confundi-lo com o vizinho. assim não assume e nem quer o risco (“ih. -> Consciente: resultado previsto + agente acredita q não venha a ocorrer por poder evita-lo.: arremessa pedra em vitrine para destruí-la.: furto de pulseira de bijuteria pensando ser de ouro. embora não querendo diretamente praticar o crime. -> Inconsciente: resultado previsto + agente não o prevê. art. -> Direto: o agente quer efetivamente cometer a conduta tipificada. 70. art.

se existisse. p. de sorte a causar ou expor a perigo de lesão um bem jurídico tutelado. ter tido a vontade de evitar um dano pessoal ou alheio. O enganado. achando que a filha estava morta. Para o agente se valer de uma das excludentes de ilicitude. OBSERVAÇÃO: Quando o erro recair sobre a existência ou mesmo sobre os limites de uma causa de justificação tem-se erro de proibição (art. Ex. O erro de tipo deve ocorrer sobre uma situação de fato que. quem determina culposamente responde por crime culposo. -> Erro invencível: isenta o agente da pena. 23 atua de certa maneira. Mais de dois atos: é o caso da menina Isabela. Se evitável a pena é diminuída de 1/6 a 1/3. em qualquer das hipóteses deste artigo. 2º. do CP): existe alguém induzindo a erro outrem para pratica o crime (erro não espontâneo).resultado pretendido for mais garve.em legítima defesa. porém com nexo de causal diverso OU em dois ou mais atos. Se inevitável afasta-se a potencial consciência de ilicitude e também a culpabilidade havendo isenção de pena.em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. 23 .  Estado de necessidade: . não basta que estejam presentes os pressupostos objetivos (expressos ou implícitos na lei penal) da causa de justificação. O agente responde pelo crime cometido.21). -> Erro vencível: embora agindo com dolo é responsabilizado por delito culposo. Ex. Quem determina dolosamente o erro responde por crime doloso (autoria mediata). assim. contrariedade que se estabelece entre o fato típico e o ordenamento legal. II . A ilicitude. Causas legais de exclusão da ilicitude (torna lícito o que é ilícito): Art. joga a menina pela janela. A ANTIJURIDICIDADEouILICITUDEé a relação de antagonismo. porém com nexo causal diverso. 20.Não há crime quando o agente pratica o fato: I . é formada por duas partes: formal – contrariedade de uma proibição legal e material – implicação da lesão ao bem protegido.: médico faz com que enfermeira ministre no paciente droga letal. ficará isento de pena. por ter sido esganada. provoca o resultado pretendido. tornaria a ação legitima. Parágrafo único . ->Erro determinado por terceiro (art.: Em um ato: joga vitima da ponte para morrer afogada. se não age com dolo ou culpa. onde o pai. contudo a mesma bate a cabeça em uma pedra e morre por traumatismo craniano. III .O agente. e) Curso causal: o agente mediante um só ato provoca o resultado pretendido. responderá pelo excesso doloso ou culposo. é necessário também que ele tenha consciência de ter agido acobertado pela excludente (pressuposto subjetivo). Descriminantes putativas: o agente supondo estar em alguma situação do art. isto é.em estado de necessidade.

vontade dolosa. a ameaça concreta ao bemjurídico. Entretanto.) que tem por lei a obrigação de enfrentar o risco não pode optar pela saída mais cômoda. não era razoável exigir-se. 2º .  Ausência de dever legal de enfrentar o perigo: é advindo da lei(abrange também o dever jurídico advindo de outras relações previstas no ordenamento jurídico). Eventualmente. assim como a ponderação dos bens. Assim. direito próprio ou alheio. não provocado voluntariamente pelo agente. caso contrário estaria entrando no campo do excesso. não podendo assim afastar a ilicitude da ação.Art. será inadmissível o reconhecimento do estado de necessidade. Aquele(bombeiro. Espécies do estado de necessidade:  Quanto à titularidade: .  Não provocação voluntária do perigo pelo o agente: entende-se. O perigo e a ação devem acontecer simultaneamente.etc. majoritariamente. caracterizando assim o estado de necessidade exculpante. que não provocou por sua vontade.  Inexigibilidade de sacrifício do bem ameaçado: quando o bem jurídico sacrificado for de maior valor ao preservado. cujo sacrifício. .  Inevitabilidade da conduta (dodanopor outro meio): deve haver sempre a inexistência de um meio menos lesivo ou gravoso do qual foi empregado para eliminar o perigo.Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo. mesmo que o meio seja a fuga. salvando um bem de menor valor e sacrificando um de maior valor. pois a ação deve ser moderada. haver a inexigibilidade de conduta diversa a culpabilidade poderá ser afastada.  Direito próprio ou alheio: a intervenção para o direito alheio pode ser feito caso o bem seja indisponível. O estado de necessidade caracteriza-se pela colisão de interesses juridicamente protegidos.  Elemento subjetivo: finalidade de salvar o bem do perigo: essa motivação do agente deve ser configurada no momento da ação. a pretexto de proteger bem jurídico próprio. deixando de enfrentar o risco. se devido as circunstâncias. É indispensável à inevitabilidade do perigo por outro meio. o que ainda permite a consideração de situação menos culpável. 1º . estado de necessidade é a situação de perigo atual. cujo sacrifício não podia ser razoavelmente exigido.Diminuição da pena: essa causa somente é compatível com o estado de necessidade exculpante. a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. devendo um deles ser sacrificado em prol do outro.Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado. nas circunstâncias. policial. uma vez que o dano já ocorreu ou pode até mesmo não ocorrer. É prevalecente a inclusão do perigo iminente. seja dolo direto ou eventual. não se configura inexigibilidade de conduta diversa.Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual. quando o socorro for impossível. Requisitos:  Existência de perigo atual e inevitável: é o perigo presente. e é afastado o perigo passado ou o futuro. quando não reconhecido como excludente de culpabilidade. para não sacrificar direito seu ou alheio. entretanto. nem podia de outro modo evitar. 24 . Por isso o agente deve sempre orientar-se pelo princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. O agente deve sempre escolher o meio que produza o menor dano possível (ponderação dos bens). não se exige que se sacrifique desnecessariamente. em que este lesa bem de outrem.

A demora na repulsa descaracteriza a legítima defesa. discriminantes putativas. o agredido deve impedir o início ou continuidade da ofensa. inicialmente. Não é amparada pelo o ordenamento jurídico e legitima a pronta reação. mediante a lesão de um bem do agressor. § 1º. Também não se pode considerar a pretensa defesa legítima quando a agressão foi provocada intencionalmente para invocar a legítima defesa. ocorrendo resultado diverso do pretendido. b)Terceiro: proteção a bem de terceiro. repele injusta agressão. Os tribunais não chegaram num acordo e costumam proferir decisões conflitantes. O Estado por não poder estar em todos os lugares ao mesmo tempo. 20. a forma primitiva da reação contra o injusto.a) Próprio: proteção a bem próprio. 25 .  Quanto ao elemento subjetivo do agente: a) Real: quando existe efetivamente a situação de perigo. CP)  Quanto ao terceiro que sofre a ofensa: a) Defensivo: conduta do agente dirige-se ao produtor da situação de risco. Estado de necessidade e dificuldades econômicas: Avalia-se a razoabilidade da ação do agente e fazse uma ponderação dos bens protegidos. Não pode ser confundida com provocação. Requisitos:  Agressão injusta: é a conduta humana que põe em perigo ou lesa um interesse juridicamente protegido. pois esta produzirá dano maior. mas acaba lesando bens de outrem. usando moderadamente dos meios necessários. contudo. mas acaba ultrapassando o limite permitido pela lei. Representa. . agia amparado por uma causa de justificação. art. a fim de eliminá-la.Entende-se em legítima defesa quem. pois este responderá pelo seu dolo. b) Agressivo: conduta do necessitado sacrifica bem de um inocente. a um instinto que leva o agredido a repelir a agressão a um seu bem tutelado. a direito seu ou de outrem.  Legítima defesa Art. É necessário. b)Putativo: quando a situação de risco é imaginada por erro do agente (v. pois. que o agente se veja diante de uma situação de total impossibilidade de recorrer ao Estado e que estejam presentes os requisitos objetivos e subjetivos para que se fale em legitima defesa. não provocador da situação de perigo.  Atual ou iminente: a agressão atual é aquela que está acontecendo. pois na provocação não pode ser alegada a excludente em benefício do agente. permite aos cidadãos agir em sua própria defesa. atual ou iminente. Aberratio e estado de necessidade: Quando o agente. amparado pela causa de justificação pratica o ato a fim de evitar a situação de perigo. a iminente é a que está prestes a ocorrer (futuro imediato). Excesso no estado de necessidade: Agente. pois se trata de um abuso de direito e de uma manipulação do agressor. A legítima defesa corresponde a uma exigência natural. que configura aberratio criminis.

ex.) e os meios mecânicos ocultos (eletrificação de fios. diante de uma agressão injusta. contudo. Caso contrário. Direito próprio ou alheio: No direito alheio. quando o agente tiver à sua disposição vários meios aptos a ocasionar a repulsa à agressão. a vida. já que se o agente defender bem de menor valor fazendo perecer bem de valor muito superior deverá responder por excesso. quando a questão é de bem disponível. sob pena de incorrer no chamado excesso.  Excesso extensivo: excesso na duração da defesa. A reação deve ser proporcional ao ataque. a vítima deve consentir a intervenção.  Excesso intensivo: excesso na intensidade lesiva. o limite permitido pela lei. patrimônio. E é justamente isso que distingue a ação criminosa da reação legitima autorizada pelo o Direito. Sua natureza jurídica é a da legitima defesa preordenada. Se esse erro for inevitável o autor é exculpado. Logo. a) b) c) d) Legítima defesa e aberratio ictus: o agente agindo com animus defendendi acaba ferindo outra pessoa que não o seu agressor. ex. não se deve por ex. Ofendículos: aparelhos predispostos para a defesa da propriedade visíveis (arame farpado. O EXCESSO: O agente. mas apesar da exclusão da responsabilidade penal. A defesa se prolonga durante mais tempo do que dura a atualidade da agressão. ultrapassando. e não ultrapassar o estritamente necessário para o fim proposto.). devemos afastar a causa de exclusão da ilicitude.  Meios necessários usados moderadamente: deve-se utilizar de meios suficientes e indispensáveis para o exercício eficaz da defesa. eletrificar uma cerca com intensidade para provocar a morte do invasor e sim apenas de afugenta-lo. O agente deverá tomar certas precauções na utilização desses instrumentos. É importante também verificar a proporcionalidade dos bens tutelados. mas a defesa poderia e deveria adotar intensidade lesiva menor. O resultado advindo também estará amparado pela causa de justificação da legítima defesa. Legítima defesa putativa: quando alguém se julga. O excesso tem inicio no momento seguinte em que o agente faz cessar a agressão que contra ele era praticada ou ainda quando o perigo contra o bem tutelado protegido passa.  Animus defendendi: Subjetivamente orientada pela vontade de defender-se. Legítima defesa recíproca: Somente é possível quando ocorrer um erro: defesa real x defesa putativa. Além disso. inicialmente. etc. agia amparado por uma causa de justificação. Legítima defesa sucessiva: permissão da legítima defesa do agressor inicial para defender-se do excesso. o agente não necessita do consentimento do titular. deverá sempre optar pelo menos gravoso. A agressão é atual. o agente deve usar o meio adequado com moderação. bem como deve ser razoável. Entretanto. ou mesmo a ambos. atual ou iminente. etc. se for evitável terá a pena diminuída. Espécies: Legítima defesa real ou própria: tradicional. na qual o instante de seu funcionamento ocorre quando o infrator busca lesionar algum interesse ou bem jurídico protegido. de modo que a escolha do meio defensivo seja de menor carga ofensiva possível. . cacos de vidro no muro. quando se tratar de bem indisponível. É a razoável proporção entre a defesa empreendida e o ataque sofrido. não há impedimento da responsabilidade civil. erroneamente. sob pena de responder pelos resultados advindos de sua utilização.

a afastar a culpabilidade. O exercício regular do direito jamais poderá ser antijurídico. em alguns casos. em confronto com o atingido pela repulsa.  Excesso culposo: Há duas situações: a) O agente ao avaliar mal a situação que o envolvia. assim. mesmo depois de fazer cessar a agressão. não pode ser. DIFERENÇAS ENTRE: ESTADO DE NECESSIDADE Conflito entre bens jurídicos protegidos Bem exposto a um perigo atual Perigo proveniente de conduta humana ou animal Conduta pode se dirigir a um 3º inocente Em regra é uma ação Pode haver ação contra uma agressão justa (est. portanto. diante da gritante desproporção entre os bens a serem protegidos. acredita que ainda está sendo ou poderá vir a ser agredido e dá continuidade à repulsa. Deve-se ter presente. excluída essa causa de justificação. crime por estar exercitando uma prerrogativa a ele conferida pela lei. O exercício regular do direito consiste na atuação do agente dentro dos limites conferidos pelo ordenamento legal. pois às vezes sentimentos não permitem um raciocínio sobre a situação em que se encontra envolvido. se previsto em lei. ou seja. não poder ser exigida do agente outra conduta que não aquela por ele adotada. O limite do lícito . salvo quando a lei o permita.recip) Obrigado a fugir se puder LEGÍTIMA DEFESA Repulsa contra um ataque não protegido Bem exposto a uma agressão atual ou iminente Perigo proveniente de uma agressão humana Conduta só pode se dirigir ao agressor Em regra é uma reação Deve haver somente reação a uma agressão injusta Não obrigação de fuga  Exercício regular do direito O exercício de um direito. b) O agente excede-se em virtude de um erro de cálculo quanto à gravidade do perigo ou quanto ao modus da reação. ao mesmo tempo. no entanto.  Excesso exculpante: Busca-se eliminar s culpabilidade do agente. por uma medida de política criminal. não cometendo. proibido pela ordem jurídica. em virtude de. O agente nesta situação responde pelo o seu ato. Essa perturbação mental leva. o fato típico e antijurídico. formais e materiais impostos pelos próprios fins do Direito).n. diante do temor. haverá o abuso de direito e estará. Excesso doloso: Há duas situações: a) O agente dá continuidade ao ataque. b) O agente continua o ataque. Há o dolo no excesso culposo também. a lei determina que seja fixada a pena do crime culposo. Acontece aqui que o pavor da situação em que se encontra envolvido o agente é tão grande que não lhe permite avaliá-la com perfeição. fazendo com que atue além do necessário para fazer cessar a agressão. porque quer causar mais lesões no agressor inicial.  Excesso na causa: quando há inferioridade do valor do bem ou interesse defendido. Fora desses limites. acreditando que possa ir até o fim em virtude de erro de proibição indireto (erro sobre os limites de uma causa de justificação). aturdimento ou emoção que o levou ao excesso. contudo. que a ninguém é permitido fazer justiça pelas próprias mãos. no caso concreto. mesmo depois de fazer cessar a agressão. já que o sujeito atuou por um erro vencível na sua ação ou reação. desde que regular (contido nos limites objetivos e subjetivos.

como requisito do tipo penal e. poderá. cujo exercício. exceder-se dos limites da norma permissiva. acaba indo além do estritamente permitido. compreenda o sentido e as consequências de sua aquiescência. quando não for elementar. obrigatoriamente. possua capacidade para fazê-lo. Nos crimes em que o dissenso é elementar. mas como tal não se consuma. não será ilícita. em face da qual.  Consentimento do ofendido Alguns crimes pressupõem o dissenso. dolosa ou culposamente. Requisitos: a) Que a manifestação do ofendido seja livre. pois aí o dever deixa de ser cumprido estritamente no âmbito da legalidade. Se a norma tiver caráter particular. só se tipificam quando. Caso o excesso decorra de caso fortuito não se fala em responsabilidade penal. Exatamente assim configura-se o excesso. inicia-se nos estritos termos da lei. para mostrar-se abusivo. ainda que cause lesão a um bem juridicamente tutelado. isto é. sem coação. da lei jurídica com caráter geral. o agente.  Estrito cumprimento do dever legal Quem pratica uma ação em cumprimento de um dever imposto por lei não comete crime. por isso não há crime quando pessoa maior de idade autoriza outra a destruir bem de sua propriedade. fraude ou outro vicio de vontade. excedendo-se na sua consumação. explícito ou implícito. caracterizando-se sua ilicitude. o limite do lícito termina necessariamente onde começa o abuso. em um segundo momento. embora típica. responderá pelo excesso. é indispensável que a situação inicialmente caracterize a presença de uma excludente.  Dever legal: o dever deve decorrer. d) Que o fato típico se limite e se identifique com o consentimento do ofendido. o consentimento será causa supralegal de exclusão da ilicitude. pelo seu procedimento ou condução inadequada. no caso concreto. excessivo e improprio. b) Que o ofendido.  O excesso nas causas de justificação Em qualquer das causas de justificação. eventualmente. c) Que se trate de bem disponível. caracterizando sua ilicitude. no momento de consentir. pois embora o “cumprimento do dever” se tenha iniciado dentro dos limites do estritamente legal. o consentimento torna o fato atípico. para mostra-se abusivo. Em outros termos.termina necessariamente quando começa o abuso. mas não o dever legal. quando o agente. Para a análise do excesso. desde que se trate de bem disponível e a vitima seja capaz. uma vez que aí o direito deixa de ser exercido regularmente. . assim. mostra-se excessivo. de cunho administrativo. não existe o consentimento. No entanto dois requisitos devem ser estritamente observados:  Estrito cumprimento: somente os atos rigorosamente necessários justificam o comportamento permitido. Em suma. Ocorrem situações em que a lei impõe determinada conduta e. configurar obediência hierárquica.

quando for o caso. inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. deliberadamente. Assim. ao tempo da ação ou omissão. nas circunstancias. . Enfim. deve-se averiguar a existência de doença mental ou desenvolvimento mental incompleto e se o agente era. nas circunstancias. que acaba produzindo efeito mais grave do que o razoavelmente suportável e.98 do CP. aproveitar-se da situação excepcional que lhe permite agir. Os elementos que integram a culpabilidade são:  Imputabilidade: corresponde à possibilidade de se atribuir. 121. §1º. que pode configurar-se nas excludentes legais. Só pode decorrer de erro. 65. 26 .A pena pode ser reduzida de um a dois terços. lhe era possível avaliar adequadamente. era.inimputabilidade por imaturidade natural: é aquela que gozam os menores de 18 anos pela presunção legal de que não possuem a plena capacidade de entendimento. ou com a minorantedo art. (art. responderá dolosamente pelo fato praticado. o excesso punível. O agente. por isso. a titulo de dolo ou culpa. II. É constituída por dois elementos (critério biopsicológico): um intelectual (capacidade de entender o caráter ilícito do fato) e outro volitivo (capacidade de determinar-se de acordo com esse entendimento). inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. nessa situação. ou mesmo de erro de proibição evitável. Se o condenado. ou seja. é a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração penal. 27 do CP e art. não permitido. podendo decorrer de erro de tipo inescusável. É uma qualidade negativa da ação do autor. se o agente. Portanto. c. necessitar de tratamento especial poderá ser utilizado o art. por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado.É isento de pena o agente que. 97 com base no art. Parágrafo único . imputar fato típico e ilícito ao agente. Imputabilidade é a capacidade de imputação. temos a: I – inimputabilidade por doença mental: Art. III. É a reprovabilidade da configuração da vontade e é dirigida ao autor da ação ou omissão quando este podia conhecer o injusto e adequar o seu proceder de acordo com esse conhecimento. em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não erainteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.. para impor sacrifício maior do que o estritamente necessário à salvaguarda do seu direito ameaçado ou lesado. na hipótese do § único. A CULPABILIDADEé a reprovação que se faz ao autor por ter abusado de sua imputabilidade em relação a um determinado ato punível. Será culposo o excesso quando for involuntário.O excesso será doloso quando o agente. 228. beneficiandose somente pela atenuante do art. ao tempo da ação ou da omissão. decorre do exercício imoderado ou excessivo de determinado direito ou dever. CF). É o conjunto de condições pessoais que conferem ao sujeito ativo a capacidade de discernimento e compreensão para entender seus atos e determinar-se conforme esse entendimento. havendo uma avaliação equivocada do agente quando.

. A ausência de conhecimento de proibição exclui a culpabilidade.O agente bebe e acredita que não causará qualquer acidente (tem previsão). .Não há dolo e culpa. mantendo somente a potencial consciência da ilicitude do fato (retirada do dolo) na culpabilidade. Lembrando quea teoria finalista adotada pelo CP retirou o dolo e a culpa da culpabilidade e os transferiu para o tipo (na conduta do agente).. Menoridade (art. a título de culpa consciente. analisado no tipo. embriaguez involuntária e incompleta = pena pode ser reduzida. a título de culpa inconsciente. 26. 2. as causas de exclusão da imputabilidade são: 1. Já o erro de proibição (art. 26. caput). 28.O agente não tem previsão. .Ao inimputável deverá ser aplicada medida de segurança (art. e é. mas se for vencível ocorre a diminuição da pena. Embriaguez acidental completa (art. deve-se analisar o momento em que o agente bebeu. que atropela uma vítima que vem a falecer. 65 do CP. §1º)  Potencial consciência da ilicitude do fato: é necessário que o autor conheça ou possa conhecer as circunstâncias que pertencem ao tipo e à ilicitude. 28. Entretanto pode ser usados como atenuantes ou minorantes de pena como. Neste caso. art. O erro de . segundo a teoria da actio libera in causa. art. . Aplicar a teoria da actio libera in causa é aplicar a responsabilidade penal objetiva.Responde por homicídio culposo. 27) 3. do CP ou art. podendo ocorrer cinco hipóteses: . 26). Diante do exposto. .O agente bebe e prevê o risco (tem previsão) . procurando verificar se nas condições em que se encontrava o agente teria ele condições de compreender que o fato que praticava era ilícito. no § 1º e 2º: a embriaguez involuntária e completa + total incapacidade de entender o caráter ilícito do fato = isenção de culpabilidade. 121. Observações: 1)Emoção e paixão (art. Anomalia psíquica (art. ex. por.Não há sequer previsibilidade (ex: tinha uma pessoa deitada na rodovia 3 horas da manhã). há previsibilidade e punibilidade. portanto. que é o caso de erro de proibição invencível. 2)Embriaguez voluntária e culposa (art. decorrente de dolo eventual. caput) e ao semiimputável impõe-se uma condenação com redução na pena (§ único. I): não excluem a imputabilidade penal. p. 1º. porém.Responde por homicídio culposo.28. Ressalta-se que o erro de tipo incide sobre elementos circunstanciais ou qualquer outro dado que se agregue à figura típica.O agente bebe e assume o risco de atropelar alguém (tem previsão). .21) é estudado na aferição da culpabilidade do agente.Responderá por homicídio doloso. . . II): não exclui a imputabilidade penal. Entretanto.Responderá por homicídio doloso. decorrente de dolo direto. Exemplos:Imagine o condutor embriagado (embriaguez não acidental).

d) Existência de pelo menos três partes envolvidas como regra: o coator. tendo o agente direito a uma atenuante de pena (art. realiza a conduta criminosa. considerando-se a sua particular condição de pessoa humana. no momento da ação ou omissão. O coator. a culpabilidade permanece. é causa de diminuição da pena. 22. por medo. Se a coação for resistível. A coação física irresistível exclui a própria ação por ausência de vontade. o agente imagina ser permitida uma conduta que é proibida. Exclui-se a culpabilidade. 1) Coação (moral) irresistível: Coação irresistível é tudo o que pressiona a vontade do coagido impondo-o determinado comportamento. Ressalta-se que. Requisitos: a) Existência de uma ameaça de um dano grave. extraordinariamente difícil a ser suportado pelo coato: ameaça precisa ser séria e ligada à ofensa séria. CP). ameaça o coagido. “c”. c) Inevitabilidade do perigo na situação concreta do coato: se o perigo puder por outro meio ser evitado. eliminando ou reduzindo o seu poder de escolha. se o mal é atual. III. seja pela força policial. nesse caso o executor é considerado apenas um instrumento da realização da vontade do coator. seja pela atuação do próprio coagido. é proibida no ordenamento jurídico. Jurídico. quando evitável. e este. 65. Observação: a diferença entre o erro de proibição e o delito putativo: No erro de proibição o agente supõe ser lícita uma conduta que. de atuar de uma forma distinta e melhor do que aquela a que o sujeito se decidiu. a potencial consciência da ilicitude.proibição corresponde aúnica hipótese de exclusão desse elemento (potencial consciência da ilicitude) da culpabilidade. na verdade. . e não mera atenuante. e) Irresistibilidade da ameaça avaliada segundo o critério do homem médio (homo medius) e do próprio coato. não se encontra prevista no ord. Suas excludentes são a coação irresistível e a obediência hierárquica (art. em face da inexigibilidade de conduta diversa. o coato e a vítima. o crime só existe na imaginação do agente. no entanto. b) Ameaça voltada diretamente contra a pessoa do coato ou contra as pessoas queridas a ele ligadas. viciando-a. agir de acordo com o direito. injusto e atual. sendo este o autor mediato. para alcançar o resultado ilícito desejado. este imagina ser proibida uma conduta permitida.  Exigibilidade de conduta diversa: possibilidade que tinha o agente de. Essa intimidação recai sobre sua vontade. CP). é a possibilidade determinada pelo ordenamento jurídico. No delito putativo o agente quer praticar uma infração penal que. com maior razão estará excluída a culpabilidade. Situações:  Coação física: o fato é atípico em virtude da ausência de vontade e o coagido não responde por crime algum. de modo a retirar a exigência legal de agir de maneira diferente.

Subordinado: inexigibilidade de conduta diversa (impunível). pois o coagido age com vontade. Observação: quando a ordem é legal o subordinado público apenas age no estrito cumprimento de dever legal. Caso a ordem seja manifestamente ilegal o superior e o subordinado são puníveis. Seus requisitos são: a) Que a ordem seja proferida por superior hierárquico b) Que essa ordem não seja manifestamente ilegal: o agente pode. neste caso.  Ordem legal: Superior: estrito cumprimento de um dever (legal). No caso de subordinado militar ele tem o dever legal de obediência. .65. . OBS.: caso o subordinado tenha ciência de que é ilegal responde da mesma forma que o superior. CP. Assim. afasta a culpabilidade do agente em virtude de não lhe ser exigível. embora esteja viciada. CP. caso contrário pode responder por excesso. avaliar incorretamente a ordem e recair em erro de proibição. Apenas responderá pelo o crime o autor da ordem.  Coação moral resistível: Não exclui a culpabilidade. c) Que o cumpridor da ordem se atenha aos limites da ordem. assim. 62. nessas condições. Subordinado: estrito cumprimento de um dever (legal). a culpabilidade do subordinado militar pode ser excluída pela coação irresistível (quando a ordem/ameaça representar uma coação irresistível). 62.Situações:  Ordem manifestamente ilegal: Superior: responde pelo crime como autor mediato – agravante do art. CP. Há concurso de pessoas. respondendo pelo crime em concurso. Coação moral irresistível: exclui a culpabilidade.  Ordem não manifestamente ilegal *: Superior: responde pelo crime com agravante do art. público ou privado. Subordinado: responde pelo crime como autor imediato – atenuante do art. o subordinado sabendo ou não da ilegalidade da ordem não é culpado. Não há concurso de pessoas. Além disso. um comportamento conforme o direito. mas o coagido tem direito a uma atenuante genérica. caso contrário pode responder por crime de insubordinação. 2) Obediência hierárquica:a ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico.

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