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Dr José Marcelo de Oliveira Penteado Médico do Trabalho. Especialista em Doenças Ocupacionais Perito Judicial

Dr José Marcelo de Oliveira Penteado

Médico do Trabalho. Especialista em Doenças Ocupacionais Perito Judicial Membro Titular da Associação Nacional de Medicina do Trabalho Member of International Commission on Occupational Health Membro da Sociedade Brasileira de Perícias Médicas Consultor em Ergonomia LER/DORT Analista Certificado de Occupational Repetitives Actions pela Escola OCRA Internacional

Tendinite do supra-espinhoso(Síndrome do impacto) CID: M75.1

Dr José Marcelo de Oliveira Penteado Médico do Trabalho ANAMT

http://www.doutorjosemarcelo.com.br

Consiste em um processo inflamatório do tendão do supraespinhoso, que é a principal estrutura do chamado manguito rotador. O músculo supra- espinhoso tem como principal função a realização da elevação e abdução do braço, que em palavras mais simples seria afastar o braço do corpo como fosse ser colocado em uma cruz. Devido a sua alta prevalência na população, a tendinite do supra-espinhoso é uma das principais patologias relacionadas a LER/DORT e exige alto conhecimento médico

Causas não ocupacionais:

e exige alto conhecimento médico Causas não ocupacionais: Algumas doenças não relacionadas ao trabalho possuem alta

Algumas doenças não relacionadas ao trabalho possuem alta possibilidade de acometer o supra-espinhoso e devem ser alvo da investigação pericial. Destacam-se entre elas as

artropatias degenerativas (artrite reumatóide e artrite gotosa) e o diabetes mellitus. Neste último caso, vários estudos tem demonstrado a alta prevalência de tendinite de supra-espinhoso em diabéticos, independente do tendo de evolução da doença ou do tipo(diabetes tipo I ou diabetes tipo II). Foi descrito por Codmam que a hipovascularização na zona crítica do tendão é o ponto inicial da degeneração e doenças como o diabetes que leva

a uma diminuição da vascularização do tendão pode levar à

tendinite. Importante salientar também que é comum encontrar alterações de exames de imagem em pessoas acima de 40 anos, mesmo na ausência de sintomas. Vários estudos epidemiológicos demonstraram claramente que tal prevalência aumenta com a idade, inclusive com rupturas parciais ou totais de tendão sem a presença de traumas ou riscos ergonômicos. A revisão bibliográfica publicada em Novembro de 2004 pela Revista Brasileira de Ortopedia sobre as lesões do manguito rotador demonstra que a patologia deve ser considerada como um processo degenerativo relacionado ao envelhecimento natural dos tendões (entesopatia), devido a mudanças na vascularização do manguito ou outras alterações metabólicas associadas com a idade. Como causas da lesão não relacionada ao trabalho, podemos citar também traumas e/ou luxações de ombro. Devemos lembrar também a prática de atividade esportiva com elevação e abdução de ombro tais como voleibol, basquetebol, natação, entre outras causam a patologia. Foi descrito também por Bigliani, que dependendo dos tipos morfológicos de acrômio(planos, curvos

ou ganchosos) existiria uma predisposição maior pois levariam a uma maior probabilidade de atrito

do tendão

Causas ocupacionais:

Atividades laborais que exijam movimentos repetitivos de ombro ou postura inadequada com ombro elevado e abduzido causam sem dúvida nenhuma a doença. De acordo com Kilbom em 1994, considera-se movimentos repetitivos de ombros atividades com freqüência de elevação de ombro maior que duas vezes e meio por minuto, e esta atividade deve ocorrer por pelo menos duas horas totais da jornada de trabalho. Já a postura estática é aquela em que ocorre contrações estáticas por pelo menos 30 a 60 segundos por um período de uma hora contínua ou então por duas horas totais de trabalho. Publicada pela enciclopédia da OIT, estudos indicam que contração estática acima de 45º já promove alterações na circulação do tendão e portanto implicando em risco ergonômico.

do tendão e portanto implicando em risco ergonômico. Elevação e abdução de ombros 1 Rua Rubens

Elevação e abdução de ombros

Dr José Marcelo de Oliveira Penteado Médico do Trabalho. Especialista em Doenças Ocupacionais Perito Judicial

Dr José Marcelo de Oliveira Penteado

Médico do Trabalho. Especialista em Doenças Ocupacionais Perito Judicial Membro Titular da Associação Nacional de Medicina do Trabalho Member of International Commission on Occupational Health Membro da Sociedade Brasileira de Perícias Médicas Consultor em Ergonomia LER/DORT Analista Certificado de Occupational Repetitives Actions pela Escola OCRA Internacional

São atividades de alto risco de patologias de supra-espinhoso com movimentos repetitivos os cortadores de cana, os pintores de parede, ou atividades afins. Com relação a postura estática é comum em costureiras, soldadores, mecânicos, motoristas de ônibus urbano, entre outras.

Fato importante a ser relatado que o trabalho em micro-computador, com posturas ergonômicas corretas, não causam patologia do supra-espinhoso, pois na atividade por óbvio, inexiste movimentos repetitivos de elevação de ombros ou ainda postura estática com abdução acima de 45º.

Instrução Normativa INSS/DC 98/2003 (Atualização Clinica das LER/DORT)

QUADRO I RELAÇÃO EXEMPLIFICATIVA ENTRE O TRABALHO E ALGUMAS ENTIDADES NOSOLÓGICAS

LESÕES

CAUSAS OCUPACIONAIS

EXEMPLOS

ALGUNS DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

Tendinite do Supra Espinhoso

Elevação com abdução dos ombros associada a elevação de força.

Carregar pesos sobre o ombro, jogar vôlei ou peteca

Bursite, traumatismo, artropatias diversas, doenças metabólicas

Quadro Clínico

A dor no ombro com piora quando realiza esforços e ao elevar o braço e é acompanhada de outros sintomas tais como diminuição da força muscular e impotência funcional.

Exame Físico

Arco doloroso positivo

Sinal de Neer, Jobe, Hawkins, Mazion e Yokum positivos, entre outros

Diagnóstico

Radiografia de ombro AP e AP verdadeira(para identificar tipo de acrômio)

Ultrassonografia de Ombros Bilateral com transdutor de alta freqüência

Ressonância Magnética

Tratamento

Medicamentoso com anti-inflamatórios e analgésicos.

Fisioterapia.

Cirúrgico (Artroscopia com desbridamento de tendão, rafia de tendão se necessária e acromioplastia)

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