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MARCELLA CASCIONE CERQUEIRA NETTO

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS

Estrangeirismos:
Os anglicismos em língua portuguesa

SANTOS – 2007

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MARCELLA CASCIONE CERQUEIRA NETTO

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS

Estrangeirismos:
Os anglicismos em língua portuguesa

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


como exigência parcial para obtenção do grau
de Letras à Universidade Católica de Santos.
Orientador: Prof. Me. José Martinho Gomes.

SANTOS – 2007

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MARCELLA CASCIONE CERQUEIRA NETTO

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS

Estrangeirismos:
Os anglicismos em língua portuguesa

Banca Examinadora

_____________________________________________________
Prof. Me. José Martinho Gomes, Universidade Católica de Santos

_____________________________________________________
Profª Ms. Elita Cezar Argemon, Universidade Católica de Santos

SANTOS – 2007

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NETTO, Marcella Cascione Cerqueira. Estrangeirismos: os anglicismos em


língua portuguesa. Santos, 2007, 55 p. (Trabalho de Conclusão de Curso)
Universidade Católica de Santos.

Resumo

O intuito do presente trabalho é constatar o processo de trocas entre as


línguas e mostrar este fenômeno em língua portuguesa por meio dos
estrangeirismos, especificamente os anglicismos. Apresentamos as diversas
formas de incorporação de vocábulos estrangeiros em nosso vernáculo e
apontamos os reflexos que se sucedem no português. Também indicamos as
causas da invasão de palavras de origem inglesa em nosso léxico e citamos as
mais relevantes tentativas de coibições do uso de termos oriundos de outros
idiomas. Fomentamos nosso estudo no dinamismo inerente aos idiomas
embora consideremos inadequados alguns abusos lingüísticos.

Palavras-chave: estrangeirismo, empréstimo, anglicismo, língua inglesa,


língua portuguesa e neologismo.

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NETTO, Marcella Cascione Cerqueira. Estrangeirismos: os anglicismos em


língua portuguesa. Santos, 2007, 55 p. (Trabalho de Conclusão de Curso)
Universidade Católica de Santos.

Abstract

The goal of the present paper is to verify the exchange process among
languages and present this phenomenon in Portuguese by analyzing foreign
words, especially those originated in English, the anglicisms. Thus we aim to
introduce the different ways foreign words / phrases are absorbed and the
natural consequences that follow in Portuguese. We also identify the causes for
such invasion in our lexicon, as well as mentioning the most important attempts
to restrain their use. We base our work on the dynamism inherent to all
languages, although we consider some linguistic abuses inadequate.

Key-words: foreign words and phrases, loanwords, anglicism, English


language, Portuguese language and neologism.

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Agradecimentos

Ao meu professor ‘Pepe’ pela impecável orientação e constante


dedicação.

Aos meus avós, Haroldo e Denise, por tornarem possível a realização


deste trabalho.

Aos meus pais, Maria Flávia e Luis Paulo, por estarem sempre ao meu
lado e incentivarem meus estudos.

Ao meu amigo Jailson Gomes da Silva pelos materiais de pesquisa.

À minha irmã Fernanda pela compreensão nos dias em que eu passava


horas redigindo o trabalho.

Ao meu amor Luigi DiVaio pela força, incentivo e compreensão


imensuráveis.

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Dedico este trabalho ao meu avô Haroldo Netto.

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Sumário

Introdução ....................................................................................................... 09

I. Tipologia em importação estrangeira ........................................................ 11


1. Os neologismos ....................................................................... 11
2. Importação estrangeira e suas diversas vertentes................... 13
2.1. Os vícios de linguagem: barbarismos e peregrinismos .... 16
2.2. Releituras dos estrangeirismos ........................................ 17
3. Os galicismos........................................................................... 18

II. A língua inglesa e os anglicismos no Brasil e no mundo ....................... 20


1. A posição da língua portuguesa no mundo.............................. 20
2. A posição da língua inglesa no mundo .................................... 20
2.1. A substituição do francês pelo inglês como língua
dominante ............................................................................... 21
2.2. O período pós-Segunda Guerra Mundial ......................... 23
2.3. O inglês hoje como língua imperial .................................. 24
2.4. O inglês hoje como língua franca em um mundo
globalizado............................................................................. 26
2.4.1. Pidgin e Pidgin English ......................................... 26
2.4.2. World English........................................................ 28
2.4.3. O globês................................................................ 28
3. Os anglicismos........................................................................... 29
3.1. Como os anglicismos são incorporados em nosso léxico 30
3.2. Agentes de inserção e difusão ......................................... 32
3.3. Razões: carência, status e auto-estima ........................... 33
3.4. Anglicization ..................................................................... 34
3.5. Os anglicismos em Portugal............................................. 35

III. Estrangeirismos: uma questão de legitimação....................................... 37


1. O que é uma língua legítima ...................................................... 37
1.1. O estrangeirismo como conseqüência e não causa......... 38
1.2. O predomínio da linguagem oral ...................................... 39
2. Os inconvenientes dos estrangeirismos.................................... 40
2.1. Os excessos..................................................................... 43
3. A xenofobia ............................................................................... 45
3.1. Tentativas de impedimento dos estrangeirismos ............. 46
4. A ponderação do uso ................................................................ 48
4.1. O acolhimento .................................................................. 48

Conclusão ....................................................................................................... 50

Referências Bibliográficas............................................................................. 51

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Introdução

Os anglicismos, vertente predominante de estrangeirismo no Brasil e no


mundo, embora nem sempre notados em nossa comunicação diária, estão
invariavelmente e, para alguns, irremediavelmente presentes em nosso
cotidiano. O uso de vocábulos estrangeiros, entretanto, gera um grande leque
de discussões e críticas, mesmo havendo razões que justifiquem a penetração
de tais termos na língua portuguesa.
O presente trabalho, assim, visa a um estudo pormenorizado acerca do
processo lingüístico que envolve a sua introdução e seu desenvolvimento em
nosso idioma. Este trabalho será sustentado por opiniões de diversos
estudiosos, como Yves Lacoste, Carlos Alberto Faraco, Francisco da Silva
Borba, Mário Eduardo Viaro, Joaquim Mattoso Camara Junior, Marcos Bagno e
David Crystal.
Iniciaremos mencionando que todos os idiomas se constroem em
processos de trocas. Isto significa que a formação de um idioma se deve, entre
outros fatores, ao contato constante entre as línguas. Tal processo está
relacionado com os seguintes termos: importação estrangeira, empréstimos e
estrangeirismos, vertentes neológicas presentes em todos os idiomas.
Elucidaremos também as distinções feitas por alguns autores acerca das
nomenclaturas referidas. Além disso, haverá a explanação de outros termos
intrínsecos a este estudo. Apresentaremos também a significativa presença
dos galicismos em nosso vernáculo.
O segundo capítulo tem o intento de mostrar a importância atual da
língua inglesa no mundo, comparando-a, em um primeiro momento, com a
língua portuguesa. Evidenciaremos a ascensão do inglês, desbancando a
língua francesa como língua dominante. Polarizaremos a língua inglesa em
duas circunstâncias essenciais: a de língua imperial e a de língua globalizada,
desenvolvendo esta última fenômenos como o globês, o Pidgin English e o

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World English. Além disso, discorreremos sobre o Anglicization, processo


inverso em que há incorporação de palavras oriundas de outros idiomas,
inclusive o português, para a língua inglesa.
Trataremos, ainda, da forte presença do inglês nos diversos meios de
comunicação, na informática e em outras áreas em que é perceptível o seu
domínio. Apontaremos alguns motivos que demonstram esta notável e
inevitável realidade. Também procuraremos elucidar como esta influência se dá
em outros países e no Brasil, pois nós brasileiros utilizamos um número
considerável de vocábulos de origem inglesa, com uma breve incursão em
Portugal.
Verificaremos, entretanto, que nem sempre a ascendência de uma
língua sobre outra é vista de uma maneira positiva. Esta questão também será
o cerne de uma análise mais detalhada no segundo capítulo, quando
apresentaremos os agentes e as razões do uso específico dos anglicismos.
Observaremos ainda os processos de formação de palavras, assim como
citaremos outras nomenclaturas essenciais para a fomentação de nosso
estudo.
O terceiro capítulo abrangerá a questão da legitimidade de um idioma,
incluindo a força atual da oralidade proporcionada pela aceleração do mundo
globalizado que muitas vezes não permite a sistematização gráfica dos
anglicismos. Salientaremos que estes últimos resultam, entre outros fatores, de
fatos históricos intrínsecos ao mundo lingüístico. Acrescido a isso,
mostraremos seus inconvenientes e excessos, assim como exporemos certas
circunstâncias nas quais os estrangeirismos se inserem, tais como alguns
esforços para coibir o seu uso por um lado, e sua aceitação por outro.

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I. Tipologia em importação estrangeira

1. Os Neologismos

Para que possamos discorrer sobre os estrangeirismos ao longo deste


trabalho, faz-se essencial partirmos da definição de neologismos como
“palavras ou expressões novas que se introduzem ou tentam introduzir-se na
língua. Considera-se também neologismo o uso de uma palavra antiga com
acepção nova” (COUTINHO, 1984, p. 215).
Podemos classificar os neologismos em intrínsecos, criados a partir do
próprio idioma, e extrínsecos, relacionados à adoção de palavras oriundas de
qualquer outra língua que não seja a nossa língua portuguesa (ibid.1, p. 218).
Essa adoção pode servir para suprir uma carência, isto é, quando a língua que
importa o vocábulo não possui uma palavra equivalente em seu léxico.
Os neologismos intrínsecos e extrínsecos subdividem-se em dois tipos:
sintáticos e lexicais ou de palavras. O primeiro grupo refere-se às novas
maneiras de se construir uma frase. Já, o segundo, o dos lexicais, abrange os
termos científicos, literários e populares. Os termos científicos remetem às
palavras que, com o desenvolvimento tecnológico, vão sendo acrescentadas à
língua para designar coisas antes inexistentes ou desconhecidas. Os termos
literários são aqueles criados por escritores, particularmente os poetas. Os
populares associam-se às palavras novas criadas pelo povo (GOULART;
SILVA, 1975, p. 104). Como mencionado em Estudo Dirigido de Gramática
Histórica e Teoria da Literatura, os neologismos originam-se, principalmente,
da gíria, da nomenclatura técnica e da importação estrangeira (ibid., p. 217,
grifo do autor).

1
Por questão de clareza e padronização, optamos pelo uso de ibid. para indicar mesmo autor e
mesma publicação e ibidem para mesmo autor, mesma publicação e mesma(s) página(s).

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É difícil identificarmos o modo como uma palavra passa a surgir em uma


língua. Tanto no caso da criação de um vocábulo do mesmo idioma como na
importação de um termo proveniente de um idioma alheio, são variadas as
origens de formação. Dentre as inúmeras possibilidades de viabilização de um
novo termo, “a palavra sai do idioleto (linguagem individual) ou da gíria e passa
para a língua comum” (VIARO, 2006a, p. 55).
O idioleto é uma variante de uma língua exclusiva a um ser humano.
Sua manifestação se dá por meio da seleção de vocábulos, frases e metáforas
que são próprias de um determinado indivíduo (IDIOLETO2).
Dentre as terminologias mencionadas acima acerca das fontes mais
comuns de neologismos lexicais, a gíria figura como “linguagem especial,
usada pelos indivíduos que abraçam uma mesma carreira ou profissão”
(COUTINHO, 1984, p. 217). Sendo um registro informal de linguagem, a gíria
se prende à expressão oral e, nos dias de hoje, qualquer grupo determinado de
pessoas, como estudantes, esportistas e operários, utiliza esse estilo de
linguagem em determinadas circunstâncias (BORBA, 1984, p. 60).
É possível concluirmos que tanto o idioleto quanto a gíria são meios de
manifestação e propagação de neologismos, podendo estes últimos ser
oficialmente incorporados a um idioma.
As nomenclaturas técnicas são palavras formadas de elementos gregos.
Curiosamente, contra essa prática, na língua francesa, Remy de Gourmont
proclamou a necessidade de substituir, sempre que possível, tais compostos
por palavras nativas (COUTINHO, 1984, p. 217).
No caso específico da língua portuguesa, é válido apresentarmos a
definição de corrente estrangeira, presente nas gramáticas históricas
estudadas, como sendo “as línguas estranhas que, de algum modo, exercem
influência sobre a nossa. Esta influência manifesta-se comumente no
vocabulário” (ibid., p. 201, grifo do autor).
Para maior clareza, atribuímos mais uma definição indispensável:

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Embora cientes das reservas quanto à confiabilidade da referida fonte, por se tratar de uma
enciclopédia livre e sujeita a modificações, optamos pelo seu uso por oferecer subsídios
terminológicos e lingüísticos práticos, que, de outro modo, não nos seria possível obter.
Utilizamos apenas conteúdos de conhecimento consolidado.

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Existem várias palavras introduzidas no português através de línguas


estrangeiras, principalmente no século XIII, devido ao maior contacto
que houve então entre Portugal e Provença, Espanha e Itália. Tais
palavras constituem a corrente estrangeira. Muitas vezes, um termo
que penetrava no português através de uma língua estrangeira, já
encontrava termo correspondente, formado diretamente do
português. (GOULART; SILVA, 1975, p. 94)

Apesar de contextualizado, podemos conferir a este termo uma


denotação mais atual. Este fenômeno que ocorria nos séculos passados ainda
é presenciado nos dias de hoje. Porém, são institucionalizados nomes
diferentes para designar este contato inevitável existente entre as línguas.
Originados a partir de termos populares, resultado da evolução natural
do latim vulgar, e eruditos, os latinismos, trazidos diretamente do latim clássico
pelos estudiosos, os vocábulos latinos constituem mais de oitenta por cento do
léxico português. Formam ainda o nosso vernáculo, os lexemas pré-latinos e os
pós-latinos. Os primeiros abrangem as seguintes origens: ibéricas, celtas,
fenícias e gregas. Os termos pós-latinos compõem os de origem germânica,
árabe, provençal, francesa, espanhola, italiana, inglesa e asiática. Em minoria,
ainda encontramos elementos russos, poloneses, turcos e africanos (ibid., p.
122-25).
Os termos não-latinos que fazem parte do vocabulário português são
classificados como palavras hereditárias, empréstimos e estrangeirismos.
Constituem o primeiro grupo aqueles vocábulos que já pertenciam à língua
portuguesa quando ela começou a adquirir fisionomia própria, ou seja, das
origens da língua até o século XII. Incluem-se nesse grupo os arabismos e os
elementos ibéricos, célticos e gregos, entre outros (ibid., p. 125).

2. Importação estrangeira e suas diversas vertentes

De linhagem direta da corrente estrangeira descrita acima, o termo


abrangente importação estrangeira, que engloba algumas das nomenclaturas a
serem estudadas posteriormente, é visto em Gramática Histórica como:

[...] outra fonte não menos fecunda de neologismos. Os vocábulos


importados, enquanto se não adaptam ao gênio da língua e não
estão em franca circulação, devem ser usados com reserva.
Constituem os chamados barbarismos ou peregrinismos, que

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compreendem várias espécies: o galicismo, o italianismo, o


espanholismo, o latinismo, o anglicismo, o germanismo, etc.
(COUTINHO, 1984, p. 21, grifo do autor)

Duas vertentes da importação estrangeira são os estrangeirismos e os


empréstimos. No caso dos primeiros, é importante ressaltarmos que alguns
autores divergem sobre seu conceito. Para Goulart e Silva (1975, p. 125), os
estrangeirismos são “os vocábulos que a partir do século XVI, entraram para o
português já na sua fase moderna”. Já segundo Garcez e Zilles (apud
FARACO, 2004, p. 15), eles se referem ao “emprego, na língua de uma
comunidade, de elementos oriundos de outras línguas”.
As definições de estrangeirismo referidas ratificam o conceito de que é
impossível existir uma língua pura, isto é, livre de contato com outras línguas.
Vejamos mais uma importante definição:

O estrangeirismo é um fenómeno natural, que revela a existência


duma certa mentalidade comum européia. Os povos que dependem
económica e intelectualmente de outros não podem deixar de
adoptar, com os produtos e idéias vindos de fora, certas formas de
linguagem que não lhes são próprias. [...] O estrangeirismo tem
vantagens: aumenta o poder expressivo das línguas, esbate a
diferença dos idiomas, tornando-os mais compreensivos e facilita,
por isso mesmo, a comunicação das idéias gerais. (LAPA, 1945, p.
51-2)

Estrangeirismos e empréstimos são muitas vezes tidos como sinônimos,


porém alguns autores os distinguem pelo fato de os primeiros serem as
palavras que conservam a forma original, não se incorporando fonetica,
ortografica e sintaticamente à língua receptora. Já os empréstimos são
assimilados praticamente sem impedimento estrutural, fazendo com que
normalmente suas origens não sejam notadas.
Da mesma forma, Domício Proença Filho (2000) aponta uma curiosa
diferença entre os termos mencionados: “O estrangeirismo que continua com a
sua forma na língua é estrangeirismo mesmo. Aquele que se veste de verde-e-
amarelo passa a ser empréstimo e se incorpora à língua”.
Há também os chamados empréstimos semânticos, em inglês
conhecidos como semantic borrowings ou designados como translation-loans
por Otto Jespersen e loanshifts por Einar Haugen. São palavras que, quando
apresentadas por meio da língua que fez o empréstimo, não remetem aos

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vocábulos de origem, embora elas contenham material de discurso nativo


(SANTOS, 2004, p. 30). Ao proferi-las em língua portuguesa, os falantes não
percebem que elas são de origem inglesa. Bons exemplos são os vocábulos
tecnicalidade (technicality) e casual (casual).
Sinônimo de ‘tecnicidade’ e ‘tecnicismo’, ‘tecnicalidade’, segundo o
dicionário Houaiss (2001, p. 2683), além de indicar “qualidade ou condição do
que é técnico”, como no exemplo ‘A excessiva tecnicalidade de uma
abreviação’, também denota “sentido especializado dentro do jargão próprio de
um ofício, uma arte, indústria ou ciência”, ilustrado em ‘Ele fala utilizando
tecnicalidades de computação que não domino’. Entretanto, essas não são as
únicas definições originais do termo importado do inglês. Conforme consta do
dicionário Oxford (2000, p. 1334), o vocábulo tem a acepção jurídica de um
pequeno detalhe em uma lei, principalmente aquele que não parece justo,
exemplificado em She was released on a technicality, em que o termo equivale
a uma ‘brecha da lei’. Esse último sentido não é previsto pelos dicionários de
língua portuguesa, mas já foi assimilado na prática, como podemos observar
no trecho abaixo, retirado de um site jurídico:

Em outros casos, os tribunais rejeitaram os argumentos


apresentados pelos autores, baseados em certas tecnicalidades e
na falta de provas suficientes de que realmente houve concorrência
desleal. (DANIEL, 2007)

É importante ressaltarmos que, em língua inglesa, casual significa um


“comportamento descontraído e natural, informal” (MCCARTHY, 2007, p. 105).
Mesmo usado com o sentido referido em língua portuguesa, o mesmo vocábulo
também denota “eventual, acidental” (PRIBERAM).
Evanildo Bechara (SANTOS, 2004, p. 30) chama os empréstimos
semânticos (ou indiretos) de decalque, calque ou calco, como em ‘cachorro-
quente’, contrapondo-se a hot dog, que considera um empréstimo do inglês
(VIARO, 2006b, p. 62). Notamos, aqui, uma inconsistência entre este conceito
de empréstimo e aqueles estabelecidos por outros teóricos, que julgariam este
último termo um caso de estrangeirismo.

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2.1. Os vícios de linguagem: barbarismos e peregrinismos

Como descreve Rodrigues Lapa, os estrangeirismos são considerados


um fenômeno natural. Contudo, a definição a seguir vai de encontro à
explanação do autor citado:

Estrangeirismo é considerado um vício de linguagem, isto é,


denominação geral que se dá aos erros graves cometidos com
relativa freqüência pelos que falam e escrevem uma língua. Refere-
se a todo e qualquer emprego desnecessário de palavras e
expressões estrangeiras. Entretanto, não se considera vício de
linguagem o emprego de palavras de uma outra língua, desde que já
se encontrem incorporadas ao vocabulário da língua portuguesa,
tendo sido consagradas pelo uso. (RUSSO)

Se entendermos vícios de linguagem, segundo Napoleão Mendes de


Almeida, como sendo “palavras ou construções que deturpam, desvirtuam ou
dificultam a manifestação do pensamento” (ALMEIDA apud VÍCIO...), os
estrangeirismos, assim, ganham um aspecto pejorativo, adquirindo sinônimos
como barbarismos e peregrinismos (ALMEIDA apud VÍCIO...). Evidenciamos,
por exemplo, que Russo não propõe um outro termo para as palavras
provenientes de outras línguas já consagradas pelo uso.
É muito importante que especifiquemos alguns significados do termo
barbarismo, sinônimo de estrangeirismo. Os latinos consideravam os povos
estrangeiros bárbaros (VÍCIO...). Convém revelarmos também que a
designação bárbaro foi cunhada pelos gregos (MIGRAÇÃO...).
Contemporaneamente, o termo tem a acepção de crueldade, como mostra a
definição do dicionário Michaelis: “ação de gente bárbara; barbaridade;
barbárie” (MICHAELIS). Consultando outro dicionário online de língua
portuguesa, deparamo-nos com as seguintes definições:

Vício contra as regras e purezas de uma língua; estrangeirismo na


linguagem; erro contra a significação, na composição ou na
derivação das palavras; erro ortográfico; silabada e condição dos
povos bárbaros. (PRIBERAM)

Analogicamente, peregrinismo nasce dos sentidos construídos em torno


do sujeito peregrino, ou seja, aquele que caminha por terras estranhas, o
estrangeiro.

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É possível ratificar, então, que estes termos carregam um teor negativo


baseado no contexto em que foram cunhados, embora atualmente um
peregrino, ou seja, um romeiro, não seja mal visto.
Há ainda uma definição que resume o conservadorismo acerca dos dois
termos referidos. Vejamos: “Peregrinismo ou Barbarismo é o emprego, na
língua, de palavras estranhas na forma ou na idéia, ou inteiramente
desnecessárias ou contrárias à índole” (ALMEIDA, 1963, p. 426, grifo do autor).

2.2. Releituras dos estrangeirismos

Atualmente, podemos dizer que o barbarismo mudou seu significado:

Hoje não chega a ser um vício, mas apenas a necessidade de usar a


palavra estrangeira [...] Parece que o barbarismo está na contramão.
As pessoas antigamente evitavam a palavra estrangeira. Atualmente
passou a ser sinônimo de bom tom, de condição social diferenciada,
condição social melhorada, o uso de palavras estrangeiras.
(SANTOS)

Seguindo essa trilha, com relação à nossa língua, podemos dizer que o
termo estrangeirismo é mais moderno e, além disso, condizente com o cenário
lingüístico atual. Martins (1988, p. 29) os vê, por exemplo, como resultado
natural da influência cultural estrangeira, principalmente a partir do século XIX
por meio da literatura da época.
Também de suma importância, os empréstimos são tidos como os
“vocábulos que, entre os séculos XII e XVI, foram acrescentados ao léxico
português para suprir as deficiências do idioma que, apesar de já formado, era
ainda incipiente” (GOULART; SILVA, 1975, p. 125). Hoje em dia, são também
vistos como um fenômeno indispensável na formação de um idioma. Vejamos a
seguinte citação:

Há empréstimo lingüístico quando um falar A usa e acaba por


integrar uma unidade ou um traço lingüístico que existia
precedentemente num falar B e que A não possuía; a unidade ou o
traço emprestado são, por sua vez, chamados de empréstimo. O
empréstimo é o fenômeno sócio-lingüístico mais importante em todos
os contatos de línguas. (DUBOIS apud NEVES)

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A necessidade de suprir carências de uma língua é preenchida pelos


empréstimos. Como dissemos, nem sempre são constatadas divergências
entre as acepções de estrangeirismo e empréstimo. Embora já tenhamos
mostrado algumas contradições entre os termos, é válido que apontemos uma
convergência inerente ao fato de serem fenômenos constantes no contato
entre comunidades lingüísticas, sendo assim, muitas vezes, tidos como
sinônimos (GARCEZ; ZILLES apud FARACO, 2004, p. 15).
Ora vistos como um fenômeno natural, ora chamados de vícios de
linguagem, qual seria o porquê dessa divergência de opiniões sobre os
estrangeirismos? Talvez essa discussão abranja o uso indiscriminado de
palavras provenientes de outras comunidades lingüísticas quando há
vernáculos correlatos na língua que o toma emprestado, conforme
observaremos mais adiante no terceiro capítulo.
Embora força motriz de tal abuso nos dias de hoje, o inglês, como
sabemos, não foi o primeiro idioma moderno a contribuir e se fazer presente
com um número significativo de vocábulos. Dentre as línguas formadoras do
português, a título de comparação, analisemos a influência do francês sobre o
nosso vernáculo nos séculos anteriores.

3. Os galicismos

Conhecidos como galicismos ou francesismos, os termos de origem


francesa incorporados ao acervo lingüístico português tiveram grande
notoriedade entre os séculos XIX e o início do século XX. Tal influência remete
à posição destacada em que a França se encontrava no período referido. “Por
volta de 1920, era o francês, língua de alto prestígio entre nossos intelectuais
que, para alguns, representava ameaça” (COSTA).
É notável a saliência da língua francesa neste período como língua
universal de cultura e, por conseguinte, a sua grande contribuição de
empréstimos para outros idiomas (MARTINS, 1988, p. 29).
No que se refere aos aspectos lingüísticos, a língua francesa influenciou
estruturas sintáticas do nosso idioma. As frases que possuem algum elemento
de sintaxe do francês são chamadas construções afrancesadas. Um reflexo

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disso é a presença de preposições em determinadas orações (FILHO, 2000).


Mostremos, pois, dois exemplos que confirmam tal fenômeno:

Ensaio sobre a língua portuguesa.


Fogão a gás.

Em relação ao léxico, que, segundo Faraco (2005, p. 42), “é um dos


pontos em que mais se percebe a intimidade das relações entre língua e
cultura”, podemos citar alguns exemplos de palavras perfeitamente inseridas
na língua portuguesa: avalanche, crachá, buquê, bijuteria, assassinato, emoção
e chance (COUTINHO, 1984, p. 195).

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II. A língua inglesa e os anglicismos


no Brasil e no mundo

1. A posição da língua portuguesa no mundo

A língua portuguesa é oficial em oito países: Brasil, Portugal, Angola,


Moçambique, Guiné-Bissau, Timor Leste, São Tomé e Príncipe e as Ilhas de
Cabo Verde. Os dados a seguir são recenseados de 1995 a 2000 e projetados
em 2002. Nos quatro primeiros países mencionados, temos um total
aproximado de cento e noventa e sete milhões de falantes nativos. Já, nos
quatro últimos, há um menor número de pessoas que se expressam em
português (SCHÜTZ). Vejamos:

Nas ilhas de Cabo Verde, a população é de apenas 435 mil


habitantes dentre os quais, a maioria fala crioulo. Em Guiné-Bissau,
com população de 1 milhão e 300 mil, apenas 2% falam português.
Em São Tomé e Príncipe, a população é de apenas 140 mil. No
Timor Leste, cuja população é de 750 mil, de 15% a 20% falam
português. (Ibid., grifo do autor)

2. A posição da língua inglesa no mundo

Os países que têm o inglês como primeira língua são os Estados


Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Irlanda. O total de
falantes nativos nestas nações chega a aproximadamente trezentos e quarenta
e oito milhões. Se incluirmos países como África do Sul, Índia, Nigéria,
Filipinas, entre outros, em que o inglês é segunda língua, estima-se que esse
número alcance quinhentos e oitenta milhões (SCHÜTZ).

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Se ainda considerarmos o inglês falado pelo mundo afora, torna-se


praticamente inviável estabelecer o número exato de falantes da língua e sua
distribuição geográfica, embora David Crystal sugira um número que ultrapassa
um bilhão de falantes (SCHÜTZ). O trecho a seguir reitera tal fato:

O inglês está um pouco presente em todos os lugares do mundo. Os


principais núcleos estão na Europa (Reino Unido), na América do
Norte (Estados Unidos e Canadá), na Austrália, na Nova Zelândia,
na África do Sul. Esses núcleos agrupam populações para os quais o
inglês é a língua materna. Para outros - ex-colônias em sua grande
maioria -, o inglês não é a língua materna; seguramente não a língua
materna da grande maioria da população. Em compensação, ele é,
de facto, a língua do poder - nas instituições políticas, mas também
nos negócios, no comércio, na indústria e na cultura. (LE BRETON
apud LACOSTE, 2005, p. 16, grifo do autor)

Percebemos, assim, que é significantemente superior o número de


anglófonos (pessoas que se exprimem em inglês) em relação ao de lusófonos
(pessoas que falam o português).
Definitivamente, a língua inglesa assume uma importância inigualável
nos dias atuais e este destaque vem ocorrendo desde o século XIX. Os
Estados Unidos dão as cartas nos setores econômicos e culturais por todo o
mundo (SCHUMACHER apud DIEFENTHAELER).
Segundo David Crystal (apud BUCK), o inglês tornou-se o símbolo da
opulência e da modernidade, pois os Estados Unidos detêm uma tecnologia
altamente superior. Para as pessoas comuns, essa língua é sinônimo de
prestígio. Em diversos lugares no mundo, a língua inglesa está na moda.
Como se percebe, o inglês ocupa no mundo a posição da língua
hegemônica e de dominação, ou, como muitos preferem, língua franca.
Estudaremos, pois, os fatores que contribuíram para que esta língua atingisse
tal grau de prestígio e como isto se reflete no Brasil.

2.1. A substituição do francês pelo inglês


como língua dominante

Conforme mencionamos, no século XIX, o francês, por excelência, a


língua de cultura, passa a ter uma importância muito grande. É, entretanto,
neste mesmo século que o inglês começa, aos poucos, a se tornar influente por

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22

conta da Revolução Industrial que nasce e se desenvolve na Inglaterra. São,


por exemplo, inglesas as primeiras grandes empresas que vão instalar os
serviços públicos brasileiros, tais como o transporte urbano e interurbano e as
comunicações (SANTOS).
Na década de 60, a língua francesa, considerada língua franca no início
do século XX, tem sua posição enfraquecida perante o mundo uma vez que vai
sendo substituída pelo inglês. O então presidente da França, Charles de
Gaulle, cria um novo órgão intitulado Haut comité pour la défense et
l´expansion de la langue française a fim de zelar pela promoção da língua
francesa no mundo. A este acontecimento nomeamos francofonia
(RAJAGOPALAN apud LACOSTE, 2005, p. 142, grifo do autor).
Não obstante, com relação às instituições internacionais, como a OCDE
(Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico), sediada em
Paris, a língua inglesa também tem se destacado atualmente (GADRIOT-
RENARD apud LACOSTE, 2005, p. 27): “as duas línguas oficiais são o inglês e
o francês, mas o inglês vem se tornando hegemônico, tanto mais porque se
exige dos francófonos que falem corretamente o inglês” (ibidem).
No prefácio de seu livro Negrinha, Monteiro Lobato (1988) constata, sob
a ótica da lingüística, que uma das causas da decadência da língua francesa
foi o excesso de acentos nesse idioma, pois enquanto os franceses ocupavam
o tempo acentuando as palavras, a língua inglesa ia contagiando o mundo. É
possível afirmar que a ausência de acentuação em vocábulos ingleses é um
dos fatores que contribuiu para a eminência deste idioma entre outras culturas.
Atentemos a um posicionamento especial de Lobato: “Pois não vê que a maior
das línguas modernas, a mais rica em número de palavras, a mais falada de
todas, a de mais opulenta literatura – a língua inglesa – não tem um só
acento?” (ibid.). Podemos ainda lembrar de outros aspectos relevantes, como a
facilidade da conjugação dos verbos em inglês contrapondo-se à complexidade
dos franceses.
Indubitavelmente, hoje em dia, o inglês se sobressai em relação ao
francês. Garcez e Zilles (apud FARACO, 2004, p. 22) sugerem que se o inglês
é hoje “a tal língua franca do contato internacional, isso se deve ao sucesso da
empresa imperial britânica e norte-americana, da qual o Brasil sempre foi
cliente servil”.

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23

2.2. O período pós-Segunda Guerra Mundial

Focaremos na influência que sofremos da língua inglesa, sobretudo a


norte-americana, a partir da Segunda Grande Guerra, que representa um novo
estágio nas posições geopolíticas da língua inglesa. A guerra faz com que a
força norte-americana se acentue, solidificando a condição de potência do país,
em detrimento da até bem pouco tempo poderosa Europa, agora devastada. O
progresso da economia estadunidense é arrebatador, pois os quatro anos de
guerra proporcionaram o dobro das produções americanas, à custa justamente
do flagelo europeu. As indústrias culturais, musical e cinematográfica, são, a
partir daí, dominadas pela superpotência (LE BRETON apud LACOSTE, 2005,
p. 20).
Até os anos vinte, a economia brasileira era de base essencialmente
agrícola. A partir de 1930, inicia-se a industrialização em nosso território. É,
entretanto, somente após a guerra que o idioma dominante vai influenciar
diretamente o português. O período pós-guerra foi, sem dúvida, o grande
propulsor para que a força norte-americana invadisse e penetrasse
demasiadamente nosso país com o seu destaque tecnológico. A propagação
hegemônica dos Estados Unidos por meio das multinacionais é o que leva à
sua aceleração econômica, tecnológica e lingüística (SANTOS).
A invasão americana, assim designada por alguns autores, remete à
expansão da língua inglesa no mundo diretamente associada com o avanço e
sucesso tecnológico dos países anglófonos. O êxito desse idioma se deu pelo
fato de nações, como os EUA e a Inglaterra, gozarem do poder no mundo pós-
Segunda Guerra Mundial. Por isso, não podemos dizer que o avanço
internacional do idioma mencionado se deu pelo fato de que a globalização
exigisse uma língua para facilitar a transmissão comunicativa entre os mais
diversos povos do planeta (RAJAGOPALAN apud LACOSTE, 2005, p. 146-7).
A juventude, de um modo geral, cheia de esperanças e objetivos, vê
como padrão a cultura anglo-saxônica e é por meio dela que se identifica
ideologicamente (GIBLIN apud LACOSTE, 2005, p. 127).
Podemos dizer que alguns fatores como a música e o cinema ajudaram
a disseminar a língua inglesa em diversos países do mundo. Iniciando-se,

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especialmente nos Estados Unidos, as novidades dessas áreas reanimam


internamente o país e despontam mundo afora. Conforme menciona Giblin
(apud LACOSTE, 2005, p. 127-8), a população sente desejo de sair, renovar as
idéias e, principalmente, sonhar. A juventude vê a América como país ideal,
uma vez que a cinzenta Europa ainda está se reconstruindo.
Estilos musicais como o jazz, o rock´n roll, o blues e o country, além das
produções cinematográficas de Hollywood, são alguns elementos culturais que
contribuíram fortemente para a penetração da língua inglesa no mundo. A
citação a seguir retrata o cenário mencionado:

O jazz oferece uma real alternativa à música francesa, que nada


mudara durante a guerra. O jazz é novo, inventivo, complexo,
dançante ou melancólico, enervante para uns e fascinante para
outros. Além disso, faz parte do mito americano veiculado por
Hollywood, que mostra um país pleno de opulência, onde todo
mundo parece poder alcançar o sucesso e onde a juventude parece
viver uma fase dourada [...] Em termos musicais, o rock´n roll
representará para a juventude uma ruptura, por meio da língua e do
estilo, que a nova música francesa não oferece. De 1954 até hoje, o
rock´n roll foi dominado pelos americanos e pelos britânicos. (GIBLIN
apud LACOSTE, 2005, p. 128, grifo do autor)

Assim, torna-se fácil perceber as razões pelas quais, após 1950,


acentuou-se a preponderância da língua inglesa na vida brasileira. Além do
avanço de que o Brasil carecia, a tecnologia trouxe, sobretudo, uma linguagem
peculiar que acompanhou o seu conhecimento teórico e prático (SANTOS).

2.3. O inglês hoje como língua imperial

Hoje em dia, o inglês é a língua oficial dos computadores, dos negócios


e da comunicação global (HOLDEN; ROGERS, 2002, p. 8) e isso se deve, em
grande parte, à crescente expansão tecnológica da informática e,
conseqüentemente, da internet. Observemos a seguinte citação:

O inglês ocupa o campo do digital. A densidade dos internautas


acompanha os avanços do inglês. A internet é um índice revelador
da potência cultural americana - isto é, da língua inglesa. Realmente
o inglês se impõe como a língua da inovação [...] O inglês goza de
uma posição dominante nos setores da pesquisa científica, da
comunicação, da imagética, da cultura de massa. Ele dispõe de um
quase-monopólio no setor da inovação tecnológica. (LE BRETON
apud LACOSTE, 2005, p. 23)

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Sendo o inglês a língua da nova sociedade da informação, é admissível


que os valores gerados por essa cultura sejam associados à economia do país
sobressalente, no caso, os Estados Unidos. “A ascendência cultural, ou mais
especificamente a idiomática, tem a ver com ascendência econômica. Numa
perspectiva mais cínica, diria que dinheiro é cultura” (BALEIRO).
Com o advento da internet entre os anos oitenta e noventa, a alta
tecnologia acaba ‘obrigando-nos’ a entender e usar a língua inglesa para
podermos, assim, compreender o funcionamento dos aparelhos eletrônicos e,
principalmente, o computador, pois é norte-americano o jargão tecnológico que
domina a informática (LACOSTE, 2005, p. 11).
Podemos afirmar que a língua inglesa representa um imperialismo
político, social, econômico e lingüístico. Francisco da Silva Borba vê no inglês
um imperativo cultural. Machado e Junior (apud Borba, 2005, p. 29) chegam a
dizer que “o inglês norte-americano é a língua universal, queiram ou não”.
Como já mencionamos, o imperialismo de uma língua está associado
aos valores do país que difunde tal idioma. A expansão mundial do inglês fez
com que notássemos o fenômeno de uma língua nacional tornar-se imperial e
caminhar para um âmbito universal, não só geograficamente (LE BRETON
apud LACOSTE, 2005, p. 21). É possível veicular aos Estados Unidos, por
exemplo, uma imagem de sucesso, pois o que percebemos é a “extensão
progressiva do inglês como língua de ascensão, de prestígio ou língua da
moda, fenômeno que se passa também em todos os países que não são
oficialmente anglófonos” (LACOSTE, 2005, p. 8).
Referentes à língua inglesa, vejamos a seguir os valores que podem ser
indissociáveis a este idioma:

O inglês aspira manifestamente a se tornar a língua do progresso, da


ciência, da pesquisa; a língua da inovação, da conquista material; a
língua da riqueza; a língua dos homens que são seguros de si e que
podem ser tomados como modelo, sem deixar de ser a língua do
não-conformismo e da liberdade de espírito. Essa é a nova fase da
progressão do inglês. (LE BRETON apud LACOSTE, 2005, p. 21)

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26

2.4. O inglês hoje como língua franca


em um mundo globalizado

Esse novo estágio da progressão da língua inglesa a que se refere Le


Breton nos sugere uma nova visão acerca do seu posicionamento e da sua
função.
É possível asseverarmos que “o inglês se mundializou efetivamente
como língua franca na conjuntura econômica da globalização” (VOGT). Ou
como já previa Francisco Knöpfli, quando apontava para a nova condição
globalizante da língua em questão (2000).
O parágrafo acima constata que a adjetivação imperial ou da
superpotência dá lugar à da globalização, já presente e evidente em nossos
dias levando a fenômenos como o pidgin English, o globês e o World English.
Knöpfli ainda afirma que não se pode contornar a globalização lingüística
referente à língua inglesa (SCHMITZ apud FARACO, 2004, p. 89).

2.4.1. Pidgin e Pidgin English

Para entendermos um desses fenômenos, o pidgin, faz-se necessária a


definição de língua crioula ou creole na língua inglesa:

Línguas crioulas são, por uma definição mais ampla, linguagens


originárias da necessidade de comunicação forçada entre povos
falantes de duas ou mais línguas diferentes. Desse contato,
originalmente, surge o chamado pidgin, língua formada normalmente
a partir de uma base (entenda-se por isso a língua de maior prestígio
social) e geralmente composta de uma estrutura simples, adaptada
apenas às necessidades de comunicação entre esses povos. Nesse
estágio os falantes usam-na apenas como meio de comunicação
entre os dois ou mais povos [...] O processo pelo qual se transforma
um pidgin em um crioulo é a crioulização. (LÍNGUAS CRIOULAS,
grifo nosso)

O pidgin é, assim, “uma língua de contato, uma mistura de duas ou mais


línguas e é usado para a comunicação entre grupos que falam línguas
diferentes. Não é falado como primeira língua ou língua nativa” (THE FREE

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27

DICTIONARY, tradução nossa)3. Em muitos aspectos, esse fenômeno se


materializa, por exemplo, no tétum em Timor Leste:

Bondia (= Bom dia)


Obrigadu (= Obrigado)
Ha´u komprende (= Compreendo)

e no crioulo cabo-verdiano (criol, kriolu):

Ké tal? Manèra? (= Como está? Tudo bem?)


Tud´kool. Tud´nice (= Tudo legal. Tudo bem)4

Há também o chamado pidgin English, que “é uma criação nacional ou


regional, que mescla ao inglês usual termos e pronúncias indígenas, criando
uma língua franca própria do país ou de uma certa área geográfica” (SÉBILLE-
LOPEZ apud LACOSTE, 2005, p. 107).
Este tipo de pidgin é encontrado, entre outros lugares, em alguns países
africanos, como Camarões e Nigéria, sendo falado, sobretudo, no sul deste
último país em uma grande área costeira e principalmente nas áreas urbanas.
Como exemplos do pidgin nigeriano, podemos citar:

Wetin dey happen (= What is happening?)


I no no, I no know, Me no no e Me no know (= I don´t know)

Convém enfatizarmos que, no plano puramente lingüístico, não há uma


unidade-padrão de pidgin e os dialetos podem ser muito distintos uns dos
outros (ibidem).

3
“It´s a contact language. Mixture of two or more languages. It is used for communication
between groups speaking different languages, and is not spoken as a first or native language”.
4
Nota-se aqui a fusão das línguas portuguesa e inglesa em ambientação cabo-verdiana.

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28

2.4.2. World English

Similar, porém com uma nomenclatura diferente, o World English é o


inglês que é falado por outros povos que não sejam aqueles que têm este
idioma como língua materna. Atentemos a uma definição mais apurada:

O World English não é simplesmente a língua inglesa que se tornou


uma lingua mundi [...]. A língua inglesa que circula no mundo, que
serve como meio de comunicação entre os diferentes povos do
mundo de hoje, não pode ser confundida com a língua que se fala
nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Austrália ou onde quer que
seja. A língua inglesa, tal qual vai se expandindo no mundo inteiro (a
que chamo de World English) é um fenômeno lingüístico, pois,
segundo as estimativas, nada menos que dois terços dos usuários
desse fenômeno lingüístico são aqueles que, segundo os nossos
critérios antigos e ultrapassados, seriam considerados não-nativos.
(RAJAGOPALAN apud LACOSTE, 2005, p. 150-1, grifo do autor)

Convém ressaltarmos também que o World English é um fenômeno que


pode ser facilmente observado ao redor do mundo, como nos aeroportos, em
eventos esportivos ou congressos acadêmicos internacionais (RAJAGOPALAN
apud LACOSTE, 2005, p. 152).
Um exemplo bem usual e que ocorre em diversos lugares é o fato de
que “todos os pilotos do mundo falam mais ou menos inglês para conversar
com as torres de controle de diferentes países, assim como o pessoal das
companhias aéreas, para falar com passageiros de outros países” (LACOSTE,
2005, p. 10). O fato natural mencionado consolida a imprescindível
necessidade de diversos grupos de pessoas, nos mais distintos setores,
expressarem-se em inglês, mesmo não o tendo como língua materna. Não se
trata mais de considerá-lo imperial. O inglês, desse modo, passa a ser global.

2.4.3. O globês

O inglês do mundo globalizado tem, também, uma designação peculiar:


o globês ou globish. Trata-se de um neologismo criado por Jean-Paul Nerrière
a partir dos termos global e English. O globês condiz com um inglês
simplificado e internacional, falado por pessoas que não têm este idioma como

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29

língua materna (GLOBISH). Nesse sentido, podemos considerá-lo uma


ramificação artificial do World English.
É uma expressão recente e que vigorou a partir dos anos 1990, quando
um grande número de artigos da imprensa anglófona, incluindo jornais como
The Economist e The New York Times, abordou o assunto (RENARD apud
LACOSTE, 2005, p. 28).
Suscetível a críticas, Nerrière compilou um mil e quinhentos termos
básicos do inglês como um kit de sobrevivência e estabeleceu regras para seu
uso, como a clareza da pronúncia, o emprego de frases curtas e a eliminação
de expressões idiomáticas, além daquelas que contenham humor.
O criador do termo considera o globês apenas uma ferramenta ou um
meio de comunicação, e não um idioma (ENTENDEU..., 2005). A idéia é que
pessoas por todo o mundo se utilizem dessa inovação para conseguirem se
expressar. Um fato interessante apontado por Nerrière é que os anglófonos
não entendem o globês. Além do uso de expressões inexistentes em língua
inglesa como, por exemplo, the children of my brother (‘os filhos do meu irmão’)
como substituto de niece e nephew (‘sobrinha’ e ‘sobrinho’), os usuários do
globês devem se utilizar de muita mímica para se fazerem compreendidos
(ibidem).

3. Os anglicismos

Os termos em inglês que utilizamos corriqueiramente em língua


portuguesa são chamados anglicismos. A posição dos Estados Unidos como
superpotência contribuiu para a invasão dessas palavras em nosso
vocabulário. Assim como no início do século XX, quando passamos a utilizar
um número significativo de palavras francesas, hoje, é a língua inglesa que nos
empresta um número altamente expressivo de vocábulos.

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30

3.1. Como os anglicismos são incorporados


em nosso léxico

Podemos considerar dois grandes grupos de manifestação de palavras


de origem inglesa em nosso léxico: as adaptações ou aportuguesamento
correspondentes aos empréstimos, e os xenismos, relacionados aos
estrangeirismos (SANTOS).
A primeira forma de incorporação é comum e acontece
permanentemente em todas as línguas, pois como já apresentamos em nosso
estudo, os idiomas estão sempre em contato. Vejamos alguns exemplos de
palavras de origem inglesa adaptadas ao nosso vocabulário:

- beef à bife
- club à clube
- football à futebol
- hamburger à hambúrguer
- leader à líder
- test à teste
- tourist à turista

Os xenismos são as palavras que conservam a grafia original do inglês,


ou seja, ainda não foram assimiladas em nosso vernáculo, mas são
empregadas constantemente na comunicação oral e escrita no Brasil
(SANTOS). Consultando um dicionário, observamos que xenismo significa
“abuso do que é estrangeiro” (PRIBERAM). Coerentemente, é por isso que
serve para designar as palavras de origem inglesa cuja utilização é excessiva
em língua portuguesa. Conseqüentemente, vêm ocorrendo diversas críticas e
ponderações quanto ao seu uso.
Entretanto, o seu dinamismo se dá, entre outras razões, pela velocidade
de nosso mundo globalizado, ao passo que os aportuguesamentos têm um
ritmo mais lento de inserção em nossa língua, seja em dicionários ou na
linguagem oralizada.

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31

A seguir, uma pequena amostra dos numerosos xenismos: high tech,


free shop, squash, snowboard, talk show, telemarketing, delivery, coffee-break,
country, diet, outdoor, home page, personal trainer, upgrade, workaholic, top
model, upgrade, mouse e notebook.
Há também um outro tipo de manifestação de anglicismos que deve ser
mencionado. São os neologismos criados a partir de palavras inglesas e que
constituem uma mescla dos aportuguesamentos e xenismos. Mesmo alguns
ainda não sendo reconhecidos em dicionários de língua portuguesa, são
usados com freqüência. Para melhor elucidação, exemplificaremos a seguir:
deletar, estartar, logar, printar. Os quatro verbos citados são derivados de to
delete, to start, to log e to print, respectivamente. Coincidentemente, são
ligados à área da informática, talvez aquela que mais traga tentativas de
aportuguesamento neste sentido. Além de termos vocábulos em língua
portuguesa que perfeitamente substituem estes neologismos, como ‘apagar’
para deletar, ‘começar’ ou ‘iniciar’ para estartar e ‘imprimir’ para printar, o que é
válido apurar não é o julgamento do uso, mas sim, o processo pelo qual estas
palavras passam.
Podemos dizer que a forma de incorporação dessas palavras foi a
mesma, ou seja, a analogia. Todos os verbos citados são terminados em ‘ar’, o
que denota a primeira conjugação dos verbos em língua portuguesa. Portanto,
“nenhum verbo importado é defectivo ou simplesmente irregular, e todos são
da primeira conjugação e se conjugam como os verbos regulares da classe”
(POSSENTI, 2005, p. 32).
Analogia é, pois, “o princípio pelo qual a linguagem tende a uniformizar-
se, reduzindo as formas irregulares e menos freqüentes a outras regulares e
freqüentes” (COUTINHO, 1984, p. 150). Este processo lingüístico, que vem
sendo observado desde os vocábulos do latim incorporados à língua
portuguesa, é notado também nos exemplos dos referidos verbos porque a
analogia resulta “da influência de um vocábulo sobre o outro, determinando
igualdade ou aproximação” (ibid., p. 151).
Além disso, todos os ramos da atividade humana visam à simplificação
dos processos; no campo da Lingüística não poderia ser diferente. Daí a
pertinência da denominação “lei do menor esforço ou da economia fisiológica”,
uma das três leis fonéticas que presidiram à evolução das palavras

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portuguesas (COUTINHO, 1984, p. 137). Um exemplo comum é o verbo


‘checar’, emprestado da língua inglesa (to check) e já incorporado em nosso
léxico. Em vez de utilizarem ‘averiguar’ ou ‘verificar’, as pessoas, de um modo
geral, optam por ‘checar’. Este fato foi ironizado por José Saramago, em uma
vinda ao Brasil: “Ora, pois, não se pode mais verificar, averiguar?”
(PIACENTINI).

3.2. Agentes de inserção e difusão

Sabemos que é muito difícil identificar quem introduz vocábulos


estrangeiros em nossa língua. Entretanto, não podemos desconsiderar que os
jornalistas, os escritores e os tradutores, podem, muitas vezes, ser a ponte
principal de inserção de palavras advindas de outros idiomas.
Os meios de comunicação utilizam anglicismos nos veículos em que
transmitem as notícias. Nos exemplos a seguir, atentemos às notícias retiradas
de alguns jornais na cidade de São Paulo (SCHMITZ apud FARACO, 2004, p.
95):

‘Sites organizam a vida do internauta’


‘EUA vão sobretaxar ação por dumping’
‘Tasso lidera ranking; Covas é o pior’
‘Trekking é utilizado para reforçar trabalho de equipe’

Entretanto, a imprensa vem sendo alvo de críticas pelo fato de


normalmente usá-los indiscriminadamente, sem critério ortográfico algum.
Segundo a nossa ortografia oficial, é recomendado que se use aspas ou
marcações em itálico (SANTOS).
A título de exemplo, notemos a falta de qualquer realce nos vocábulos
underground e Beat no trecho a seguir de um artigo jornalístico publicado pela
Uol News sobre a obra On the Road de Jack Kerouac:

Ambos foram marcos culturais: "Peyton Place" como um precursor


da moderna novela de televisão e "On the Road" como conclamação
à Geração Beat e, mais tarde, como a bíblia underground das
décadas de 1960 e 1970. (RICH; RYZIC, 2007)

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33

Unido a este fato, Paulo Brossard (2000) acredita que “o jornalista em


causa tem a missão de dar certa uniformidade à linguagem do jornal, hoje
invadida pelas mais variadas expressões estrangeiras, principalmente
inglesas”.
Como se viu, os jornalistas recebem muitas críticas, pois lidam
diretamente com a linguagem. Eles precisam redigir uma gama enorme de
textos em um espaço relativamente curto de tempo. Há de se considerar
também outras questões igualmente relevantes, como certos procedimentos
jornalísticos impostos por guias de estilo e o perfil dos leitores.
A moda, o entretenimento, a alta tecnologia e o ambiente empresarial
representam certas áreas em que também notamos mais comumente essas
palavras. A seguir, vejamos alguns exemplos que justificam a argumentação
mencionada: car wash, best seller, fashion, know-how, free lance, full time,
office boy, self-service, drive-in, happy hour, in, out, clean, design, home
theater, royalty, playboy, meeting, folder, flyer e offshore.

3.3. Razões: carência, status e auto-estima

O empréstimo de um vocábulo estrangeiro, pela lógica, deve estar


associado à necessidade de suprir uma carência, isto é, quando não
possuímos em nosso léxico um termo correspondente ao emprestado.
A despeito desse fato usual, a importação de palavras oriundas da
língua inglesa para o nosso vocabulário pode estar fortemente ligada à questão
do status. Ou seja, utilizamos palavras do inglês porque a língua carrega em si
a imagem do sucesso e do desenvolvimento de países desenvolvidos,
especialmente os Estados Unidos. “O Brasil, o país pobre mais metido a besta
do mundo, começou a achar que pra ser ‘globalizado’, ‘civilizado’ ou ‘primeiro-
mundista’, tem que importar cacoetes verbais de grandes nações” (MEDAGLIA,
grifo do autor).
É perceptível o uso de anglicismos quando estes estão relacionados ao
status, principalmente em nomes de estabelecimentos. Mesmo quando há
vocábulos correspondentes em língua portuguesa, os de origem inglesa são
utilizados. Chico´s Bar soa muito mais ‘chique’ do que ‘Bar do Chico’.

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34

Foquemos em uma citação que reforça o argumento mencionado, abrangendo


o uso geral dos estrangeirismos:

Parece que o estrangeirismo vira elemento de diferenciação. Quem o


usa parece acreditar-se num círculo ou em um patamar social
superior. Mesmo se não dominam a língua, fazem uma trôpega
mistura (ou mix, como preferem dizer) de pedantismo com
insegurança, temperada por maldisfarçada ignorância. (MACHADO;
JUNIOR, 2005. p. 29)

O domínio tecnológico, cultural e político estadunidense nos faz pensar


que tudo o que vem de fora é melhor. O grande número de expressões que
atualmente utilizamos emprestadas do inglês reflete-se em uma questão de
baixa auto-estima (MASSINI-CAGLIARI apud ALMANAQUE..., 2001).
Segundo Sonia Costa, “a verdadeira e lamentável submissão a valores
estrangeiros não se funda certamente na língua, que é apenas um reflexo”
(COSTA). O discurso da autora citada possui um tom mais radical quando
afirma que nós brasileiros estamos mudando nosso estilo de vida em favor de
hábitos americanos e ainda critica, por exemplo, o fato de que o Halloween tem
sido mais festejado que as comemorações de São João (ibid.).

3.4. Anglicization

Assim como nós tomamos emprestadas e convertemos palavras


oriundas da língua inglesa, os nativos desta língua também o fazem,
transformando vocábulos de outras línguas em inglês. Este processo inverso é
conhecido como anglicization, isto é, “um processo de tornar algo inglês. O
termo freqüentemente refere-se ao processo de alteração de pronúncia ou
ortografia de uma palavra estrangeira quando emprestada para o inglês”
(ANGLICIZATION, tradução nossa)5.
Atentemos a alguns exemplos que demonstram esse fato:
• A palavra dodo, que dá nome à ave das ilhas Seicheles, tem sua
origem no vocábulo ‘doudo’, versão antiga de ‘doido’ (FARACO,
2004, p. 20, grifo do autor);

5
“It´s a process of making something English. The term most often refers to the process of
altering the pronunciation or spelling of a foreign word when it is borrowed into English.”

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35

• Apartheid, fruto do movimento de segregação racial originado na


África do Sul, foi importado para o inglês a partir do Afrikaans,
língua sul-africana derivada do holandês, e significa
conceptualmente ‘processo ou estado de separação’
(AFRIKAANS);
• Banana, do português, e guava, do espanhol mesclado com a
língua nativa das Índias Ocidentais, são dois casos de frutas
tropicais (banana e goiaba) importadas para territórios, que, até
então, não havia o cultivo;
• O termo pickaninny ou picaninny é derivado da língua portuguesa,
‘pequenino’, e foi bastante utilizado para denominar crianças afro-
americanas no sul dos Estados Unidos por volta de um século
atrás (de 1831 a 1930). Ainda hoje, o vocábulo faz parte do léxico
americano, porém não é comumente usado por ser considerado
etnicamente incorreto (PICKANINNY).

3.5. Os anglicismos em Portugal

Como não poderíamos deixar de mencionar a realidade em Portugal


perante os anglicismos, citaremos um trecho de um texto de Marcos Bagno, em
que comprova que, apesar de, na maioria das vezes, os portugueses não
utilizarem os mesmos anglicismos que nós usamos, como em qualquer outra
língua, os estrangeirismos estão também fortemente presentes neste país:

Um exemplo muito citado é o mouse, o pequeno aparelho usado nos


computadores, que em Portugal é chamado tranqüilamente de rato.
Ora, isso nada a tem a ver com o fato de um povo ser mais
“colonizável” do que o outro e sim com as vicissitudes que
acompanham o aparecimento e incorporação (ou não) das palavras
estrangeiras no vocabulário da língua. A tese se mostra enganosa
quando nos lembramos, por exemplo, de que o que nós, brasileiros,
chamamos de tela (de cinema) os portugueses chamam de ecrã, que
é simplesmente o francês écran escrito à portuguesa. No caso de
mouse/rato, os portugueses simplesmente atribuíram um significado
a mais à já existente palavra rato, ao passo que nós aqui preferimos
reservar rato para designar o animal e usar mouse especificamente
para o equipamento de informática (apud FARACO, 2004, p. 76, grifo
do autor).

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36

O nosso trabalho tem como foco o uso dos anglicismos no Brasil,


entretanto, não podíamos omitir a presença de estrangeirismos na terra de
nossos colonizadores.

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37

III. Estrangeirismos: uma questão de legitimação

1. O que é uma língua legítima?

Para que nos aprofundemos propriamente na questão dos


estrangeirismos e, conseqüentemente, anglicismos, é válido que analisemos,
primeiramente, as definições de linguagem e língua.
Segundo Coutinho (1984, p. 21), a “linguagem é o conjunto de sinais de
que a humanidade intencionalmente se serve para comunicar as suas idéias e
pensamentos”. A definição remete aos fatores que tornam viável a
comunicação entre os homens. Francisco da Silva Borba (1984, p. 2) afirma
que trata-se da mais eficaz ferramenta “de ação e interação social” que o ser
humano possui.
Já, a língua é uma forma de linguagem restrita a um país ou a um
âmbito social (FILHO apud GOULART; SILVA, 1975, p. 36). Por meio de um
idioma, o ser humano é capaz de expressar informações, sentimentos e
ideologias.
Complementando a referência citada, Carlos Alberto Faraco declara:

Significa, isto sim, reconhecer a língua como uma realidade


essencialmente social que, correlacionada com a multifacetada
experiência econômica, social e cultural dos falantes, apresenta-se,
em qualquer situação, como uma realidade heterogênea, como um
conjunto de diferentes variedades. (2005, p. 67)

O que de fato nos servirá de sustentação a este trabalho é que a


mudança é contínua e se dá em todas as línguas, que, por sua vez, ”não
degeneram [...], nem progridem [...], elas apenas mudam e o fazem
obedientes a uma força que está em seu próprio interior” (ibid., p. 81, grifo
nosso).

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38

Esta noção de movimento inerente a um idioma é confirmada pela


historiadora Beatriz Protti Christino quando declara que a língua não é
paralisada, mas fruto de uma construção histórica da cultura (CHRISTINO apud
SOUZA). Reiterando a idéia de que uma língua não é inerte, acrescentamos
um depoimento do cantor Tom Zé: “Língua é dinamismo e impureza”
(ALMANAQUE..., 2001, grifo nosso).
A afirmação acima vai de encontro com aqueles que acreditam no
purismo de um idioma. Conforme Camara Junior (1997, p. 123), “o purismo
consiste em imaginar a língua como uma espécie de água cristalina e pura, que
não deve ser contaminada”. A teoria purista é inválida se considerarmos as
constituições de todos os idiomas. Vejamos uma importante citação de Marcos
Bagno:

Embora os puristas se recusem a aceitar o fato, a ciência lingüística


já demonstrou fartamente que as línguas não se desenvolvem, não
progridem, não decaem, não evoluem, nem agem conforme qualquer
uma dessas metáforas que implicam um ponto final específico e um
nível de excelência: as línguas simplesmente mudam. (apud
FARACO, 2004, p. 70)

Segundo Aldo Rebelo (2001), a língua é meio de comunicação, é meio


de expressão e é instrumento para decifrar, conhecer e transformar o mundo,
além do que não é a língua que vive em nós, mas somos nós que vivemos na
língua.
Para Faraco (2006, p. 20), a língua é “dinâmica, plástica, aberta, em
contínuo movimento, e não há dicionário ou gramática que consiga congelá-la”.
Levando em consideração que a língua é um produto social, ela será
sempre uma forma de expressão dos usos e costumes da sociedade que a
utiliza, pois um idioma se constrói num processo de trocas, portanto
apresentando variações.

1.1. O estrangeirismo como conseqüência e não causa

Baseados nesse conceito de que os idiomas se formam por meio de


trocas, parece-nos claro que a ocorrência de estrangeirismos em uma língua é
um fato natural.

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Os anglicismos, no caso, são muitas vezes conseqüências da


globalização ou da posição imperial, já descritas nesse trabalho, do inglês no
mundo.
Os empréstimos recentes que presenciamos no contato diário com a
língua portuguesa são mais notáveis por não terem finalizado o processo de
incorporação a nossa língua pela padronização escrita (GARCEZ; ZILLES apud
FARACO, 2004, p. 19).

1.2. O predomínio da linguagem oral

Convém mencionarmos a existência das duas formas de linguagem: a


oral e a escrita. Conforme é assinalado por Carlos Alberto Faraco (2005, p. 24),
“a língua escrita é normalmente mais conservadora que a língua falada e o
contraste entre as duas pode nos levar a perceber fenômenos inovadores em
expansão na fala e que não entrariam na escrita”.
Como as línguas estão em constante mutação, as constatações das
transformações são mais perceptíveis na linguagem escrita. A comparação
entre textos antigos e mais recentes ajuda a revelar alterações pelas quais uma
língua tenha passado.
Contudo, a língua falada geralmente tende a apontar as primeiras
mudanças que venham a ocorrer em uma língua. Porém, podem ser
percebidas mais tardiamente na língua escrita, quando passam a ser
oficialmente incorporadas no idioma. Em uma dimensão de permanência, isto
nos leva a assegurar que a fala é mais dinâmica, enquanto que a escrita, mais
estática. Garcez e Zilles apontam que “a fala é dotada de vitalidade
incontrolável” (apud FARACO, 2004, p. 28).
No entanto, é necessário salientar uma ressalva. Como aponta Faraco
(2005, p. 26-7), algumas diferenças entre a fala e a escrita não são indícios de
mudanças. Uma parte significante delas decorre de peculiaridades da
linguagem oral que se oposicionam às características da escrita.
Para muitos, a predominância da oralidade no final do século passado e
início do século XXI causa um empobrecimento do idioma, pois as pessoas, de
um modo geral, preferem falar pelo telefone a mandar cartas, assistirem à

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televisão a lerem romances. E quando se comunicam via internet fazem,


normalmente, transcrição da linguagem oral.
A constante aceleração da linguagem oral evita a sistematização da
grafia de estrangeirismos, que acabam sendo usados por nós na sua forma
original (SANTOS). Não é, portanto, apenas coincidente a crítica que se faz
tanto à oralidade quanto ao uso de vocábulos estrangeiros.
Soma-se a isso o processo demorado de aportuguesamento de palavras
oriundas de outros idiomas e, por conseqüência, a lenta inserção desses
vocábulos nos dicionários de língua portuguesa, fatos esses já elucidados.

2. Os inconvenientes dos estrangeirismos

Para Mattoso Camara Junior (1997, p. 123), os três inconvenientes


concernentes ao emprego de vocábulos estrangeiros estão relacionados ao
sentido das palavras, à construção das frases e aos sons elementares distintos
ou fonemas.
Um exemplo bem usual do primeiro inconveniente discriminado acima é
o uso da palavra disk. Evidentemente de origem inglesa, o termo significa
‘disco’ (HOUAISS, 1982, p. 214); todavia, em língua portuguesa utilizamos a
palavra mencionada no sentido de ‘ligar, telefonar’. É comum encontrarmos
esse vocábulo em estabelecimentos comerciais que fazem entregas de
determinados produtos em domicílios por meio de ligações. O verbo
correspondente a ‘discar’ em inglês, entretanto, é dial (ibid., p. 208).
A fim de ilustrarmos esse fenômeno, vejamos outro exemplo de um
vocábulo que, quando utilizado na nossa língua, diverge completamente do
original. Outdoor, que na língua inglesa significa ‘ao ar livre’ (ibid., p. 548), é
usado em português como um ‘quadro para fixar cartazes ou anúncios’. Para
esta definição, em inglês, utilizamos billboard (ibid., p. 71).
Outro inconveniente que devemos ressaltar relaciona-se ao plural das
palavras estrangeiras ainda não aportuguesadas. O primeiro impulso é
acrescentarmos a desinência ‘s’. Alguns plurais coincidem com os da língua de
origem como, por exemplo, o vocábulo leads. “Outros apresentam flexão
diferente: os de fonte inglesa dandy, lady, penny, sportsman fazem o plural

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dandies, ladies, pennies ou pence, sportsmen” (BECHARA, 2006, p. 44). Vale


mencionarmos que a questão do plural também diverge em outros idiomas.
Usados corriqueiramente em língua portuguesa, especificamente no
Brasil, mouse e ‘mídia’ sintetizam alguns exemplos de plural incorreto. Quando
nos referimos a mais de um mouse, como dispositivo manual de comando para
computadores, atribuímos a marca de plural ‘s’; sendo assim, o vocábulo torna-
se mouses. Contudo, em língua inglesa, a mesma palavra possui plural
irregular e a maneira correta de indicarmos mais de uma quantidade é mice.
‘Mídia’ é outro exemplo interessante. Embora de origem latina,
importamos esse termo do inglês. ‘Mídia’, em nossa língua, é tida como uma
palavra no singular para designar os meios de comunicação ou a imprensa de
um modo geral, assim como cds ou dvds disponíveis para gravações, e seu
plural é ‘mídias’. Há inclusive um livro do francês Patrick Charaudeau cuja
tradução é ‘O discurso das mídias’. Na língua inglesa, media já indica plural.
Medium corresponde a sua forma no singular.
A esse respeito, Eugênio Trivinho, na apresentação de seu livro A
Dromocracia Cibercultural, inclui uma nota-de-rodapé explanando sobre sua
opção em usar media em seu texto:

A utilização, na presente obra, do termo media (médium, no singular)


e de seus derivados, mediático(a) e mediatizado(a), atende ao
imperativo – incondicional e a priori – de consideração à herança
latina de nossa língua. O procedimento, que não cumpre senão
princípios básicos de política teórica e epistemológica, tem a
vantagem lógica e estratégica de evitar dois enganos: um, histórico-
cultural – já socialmente consagrado no Brasil -, o de fixar, em
português, o termo media por influência direta da prosódia da língua
inglesa (“mídia”); outro, etimológico-gramatical, o de converter para o
singular o que em latim já era plural. (2007, p. 19, grifo do autor)

Mais um fenômeno que deve ser mencionado diz respeito às palavras


estrangeiras que contêm uma carga de costumes e idéias de sua origem,
fazendo com que, muitas vezes, elas sejam intraduzíveis (JUNIOR, 1997, p.
126). É o caso de uma festa tipicamente norte-americana, o Halloween, já
comentado anteriormente.
Com relação às frases, podemos citar a influência de estruturas
sintáticas. Sentenças como ‘semana passada’ (last week), em vez de ‘na
semana passada’ refletem bem essas alterações. Frases como ‘vou estar

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chamando’ e ‘você vai estar recebendo’ parecem inspiradas em estruturas da


língua inglesa. Esses últimos vícios ganharam nome especial, gerundismo, e
são alvos constantes de críticas dos lingüistas.
Outras expressões como I´ll do my best (‘Farei o meu melhor’) são
traduzidas, eventualmente, de forma literal em filmes dublados (MACHADO;
JUNIOR, 2005, p. 31, grifo do autor).
Facilmente encontramos nomes de estabelecimentos comerciais em
línguas estrangeiras. Muitas dessas denominações, quando traduzidas, são
errôneas. Optamos em apresentar Beauty Car, a fim de exemplificarmos esse
acontecimento constante. Beauty, que significa ‘beleza’, é um substantivo
assim como car. A idéia possivelmente era qualificar o objeto, no caso, o carro.
A construção errada faz com que tenhamos uma tradução sem sentido: ‘o carro
da beleza’. Nesse mesmo caso, os nomes apropriados seriam Beautiful Car
(‘carro bonito’) ou The Beauty of the Car (‘a beleza do carro’).
Concernente aos fonemas, percebemos uma distorção dos sons pelos
usuários do idioma, causando estranheza. Contrariando as leis fonéticas da
nossa língua, que apresentam um caráter de constância e inflexibilidade, as
palavras estrangeiras são pronunciadas similarmente ao som da língua original,
embora quase sempre esta sonoridade seja imperfeita. Como exemplo,
podemos citar o vocábulo diet. Nós brasileiros pronunciamos o vocábulo à
maneira inglesa, com o fonema /ai/6 para a letra i, porém apresentando uma
característica tipicamente brasileira: a letra ‘t’, acrescida de vogal, criando,
como conseqüência, uma sílaba final, originalmente inexistente: algo como
/tchi/, tornando-se assim uma espécie de pidgin. Vejamos o que relata Marcos
Bagno:

Nossa pronúncia dessas palavras estrangeiras se faz de acordo com


as características fonético-fonológicas do português brasileiro, ou
seja, elas são tratadas foneticamente como se não fossem
estrangeiras. É bem provável que a palavra email pronunciada à
brasileira – [i-mey-yu] -, trissílaba – seja irreconhecível para um
falante nativo de inglês, que a pronuncia [i-mèl], dissílaba. Pode ser
que daqui a pouco tempo, quando a coisa a que se refere deixar de
ser uma novidade, o vocábulo já apareça escrito imeio ou imêiu e
não seja mais percebido como um estrangeirismo, exatamente como
aconteceu com sinuca (> snooker), panqueca (> pancake), e

6
Optamos por uma transcrição fonética pessoal por questões de adaptabilidade lingüística
peculiar, ocasionada pelo seu caráter híbrido.

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maxambomba (> machine-pump). (apud FARACO, 2004, p. 75, grifo


do autor)

Com relação aos termos já citados mouse e ‘mídia’, há também


distorção fonética se comparados a suas formas originais. Pronunciamos em
português algo como /mauzi/, com forte entonação no ‘i’, enquanto no inglês há
uma única sílaba com ‘s’ forte: /maus/. Sabemos que ‘mídia’ é um termo
importado da língua inglesa por causa da pronúncia. Como já mencionado, o
vocábulo é de origem latina e se pronunciaria com ‘e’. Porém, incorporamos a
pronúncia à inglesa, uma vez que na língua dos anglófonos o ‘e’ de media tem
o som do nosso ‘ i ’. Vale notarmos que a palavra ‘médium’, de mesmo radical,
foi introduzida em nosso léxico diretamente do latim, evidenciando, assim, dois
caminhos distintos de importação fonética.

2.1. Os excessos

Acreditamos que os excessos de neologismos oriundos do inglês são


prejudiciais. Vejamos por quê: “Muitos são usados por preguiça mental, aliada
à influência do cinema e da informática. É a cultura de um povo sobrepondo-se
à de outro, mais frágil e receptivo” (BORBA apud MACHADO; JUNIOR, 2005,
p. 30).
Segundo Barreto, há algumas condições para que os neologismos
sejam aceitos:

1ª “Hão de satisfazer uma necessidade da língua, designando


objetos, expressando idéias ou matizes duma idéia que careçam de
palavra apropriada para serem significados;
2ª Hão de observar-se na sua formação, as leis morfológicas
relativas à estrutura das palavras simples e primitivas e à construção
das derivadas, compostas e justapostas;
3ª Finalmente, hão de estar autorizados pelo uso dos bons
escritores. (apud GOULART; SILVA, 1975, p. 103-4)

Analisaremos, a partir delas, algumas criações de palavras que estão


sendo usadas indiscriminadamente por pessoas que trabalham em diversos
setores, especialmente em empresas multinacionais. Vejamos algumas frases
que exemplificam esse assunto:

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Eles não têm commitment com a gente.


(sentido: comprometimento – pronúncia: /co’mítchimentchi/)

O customer service não vai entender isso.


(sentido: serviço ao consumidor – pronúncia: /cóstumer sérvici/)

Não precisa setar a máquina para fazer o tryout e estartar o


processo para aprovar o concern.
(sentidos: preparar, experimentação, começar e preocupação-objetivo –
pronúncia: /cetar, traiaoutchi, istartar, conçârne/)

Todos esses anglicismos possuem palavras correspondentes em língua


portuguesa. Logo, nesses casos específicos, não há necessidade de suprir
uma lacuna existente na língua que se apropria de tais termos. Esta questão já
confronta a primeira condição anteriormente citada para que os neologismos
sejam aceitos.
O acolhimento dessas novas palavras não serve para preencher uma
necessidade da língua portuguesa, pois, como mostrado, há termos
correspondentes aos ingleses em nosso idioma. Julgamos, pois, coerente
considerar excessivo o uso de tais palavras inglesas.
Também notamos a inobservância da segunda condição, que diz
respeito à formação das palavras, pois os anglicismos acima não foram
aclimatados a nossa morfologia. Podemos observar ainda que os verbos
importados tendem a regularizar-se na primeira conjugação, como é o caso do
neologismo estartar.
Sintaticamente, é interessante mencionarmos que, mesmo usando
palavras oriundas de outros idiomas de maneira exagerada, o entendimento
para um falante de língua portuguesa é claro, pois as palavras se dispõem de
um modo perfeitamente concebível em nossa língua. Vejamos um exemplo:

O office boy flertava com a baby-sitter no hall do shopping-center.

Segundo afirma Marcos Bagno, a sintaxe e a morfologia dessa sentença


são indubitavelmente portuguesas, como observamos pela desinência dos
verbos, pelos artigos e preposições. Sendo assim, as palavras no enunciado
referido aclimatam-se à nossa ordem sintática (apud FARACO, 2004, p. 74-5).

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Porém, tendo por base a citação acima, nós brasileiros temos a


tendência de pronunciar apenas shopping para o referido local, eliminando o
último item lexical. O resultado é completamente distinto de seu sentido
original, pois o termo, isoladamente, corresponde à ação de fazer compras.
Assim, o seu uso em português torna-se ininteligível a um nativo da língua
inglesa. Isso se dá porque shopping em shopping center funciona como
adjetivo em posição atributiva. Já em português, a tendência é que o adjetivo
venha após o seu substantivo.

3. A xenofobia

Não é apenas lingüístico o preconceito gerado por pessoas que se


posicionam severamente contra os estrangeirismos em uma língua.
Juntamente com a aversão aos vocábulos, podem surgir outros sentimentos
xenófobos, como, por exemplo, um posicionamento contra a cultura e os
países dos quais a língua estrangeira faça parte.
A crítica ao uso de palavras advindas de outro idioma pode ter raízes
ideológicas. Devido às atitudes e posições que os países representantes de
uma língua têm perante o mundo, pode existir uma repulsa por tudo que é
produzido e oriundo desses lugares. No caso particular da língua inglesa,
devem ser levados em consideração alguns acontecimentos que ocorreram
especificamente nos Estados Unidos há alguns anos e que se refletem até os
dias de hoje. O antiamericanismo é um sentimento comum em determinados
povos. Observemos:

Se os atentados de 11 de setembro escandalizaram os meios


intelectuais, por outro lado, suscitaram uma certa satisfação (“ bem
feito para eles”) nos meios populares de numerosos países, da Ásia
e da América Latina especialmente, e mais ainda no mundo
muçulmano. A guerra do Iraque, evidentemente, em nada diminuiu
esse antiamericanismo, assim como não conseguiu frear
minimamente a moda de seguir tudo o que seja americano.
(LACOSTE, 2005, p. 11)

O paradoxo evidenciado acima se reproduz no campo lingüístico sob a


forma dos anglicismos, causando esses últimos uma reação contrária e, muitas

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vezes, xenófoba, mas por outro lado, indicando os valores positivos associados
a uma cultura.
Ao mesmo tempo em que a utilização de anglicismos pode simbolizar
status, criar uma imagem elitista e até esnobe, ela também pode se tornar alvo
de críticas e coibições, sendo um dos motivos o fato de associarmos os
vocábulos ingleses a características dos Estados Unidos, reprovadas pelos
brasileiros particularmente, como “progressismo, consumo, grosseria,
conservadorismo retrógrado, artificialidade insensível e poder nocivo”
(GARCEZ; ZILLES apud FARACO, 2004, p. 16).

A língua do rock, seja ele cantado por franceses, japoneses ou


russos, e pouco importa que o sentido das palavras não seja
compreendido. Ele contribuiu para manter na moda tudo o que é
americano. E tudo isso tem conseqüências geopolíticas e participa
das rivalidades de poderes e de influências em nível mundial e no
quadro de todos os países. O paradoxo – que é sobretudo
geopolítico – é que o papel e a influência dos Estados Unidos nunca
foram tão grandes e nunca o antiamericanismo se exprimiu tão
claramente na opinião pública de todos os países. [...] A guerra do
Iraque, evidentemente, em nada diminuiu esse antiamericanismo,
assim como não conseguiu frear minimamente a moda de seguir
tudo o que seja americano. (LACOSTE, 2005, p. 11)

3.1. Tentativas de impedimento dos estrangeirismos

Algumas pessoas já tentaram coibir o uso dos estrangeirismos em


língua portuguesa. Brevemente em nosso estudo citaremos o latinista Antônio
de Castro Lopes e o deputado Aldo Rebelo.
Já no final do século XIX, Castro Lopes propôs uma lista de neologismos
formados de elementos latinos para substituir os estrangeirismos mais usuais
em língua portuguesa. Os novos termos sugeridos pelo latinista foram,
majoritariamente, recusados pelo povo (COUTINHO, 1984, p. 217).
Vejamos, a seguir, algumas palavras criadas pelo erudito: preconício
(réclame), runimol (avalanche), ludâmbulo (tourist) e ludopédio (football). Os
dois primeiros exemplos passíveis de substituição são de palavras francesas, e
os dois últimos, de inglesas. Com relação aos anglicismos, vale ressaltarmos
que tourist e football têm formas aportuguesadas: ‘turista’ e ‘futebol’,

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respectivamente. Apesar do insucesso de suas novas nomeações, Lopes


consagrou a palavra ‘cardápio’ no lugar da francesa menu (COUTINHO, 1984,
p. 217).
Recentemente, foi a vez do político Aldo Rebelo tentar impedir, por meio
do projeto de lei 1676/1999, o uso de estrangeirismos em língua portuguesa. A
intenção do deputado federal do PCdoB era, além de coibir o uso, multar
pessoas e estabelecimentos que utilizassem palavras estrangeiras,
especialmente os anglicismos, tão presentes nas áreas do comércio e da
informática (ZILLES apud FARACO, 2004, p. 144).
Se Machado de Assis ainda vivesse, ele ironizaria o ‘bom intento’ do
deputado, como o fez em seus textos contra a posição antiestrangeirista do
médico Castro Lopes, no final do século XIX (FARACO, 2004, p. 44).
Para Machado e Junior (2005, p. 29), o projeto do político não é uma
idéia interessante, pois os idiomas se transpõem reciprocamente e se
enriquecem, portanto, com criações de palavras e absorções.
O projeto de Rebelo foi alvo de críticas de personalidades envolvidas no
mundo lingüístico. Vejamos:

O escritor Luís Fernando Veríssimo [...] considerou-o improcedente e


xenófobo. A escritora Lya Luft [...] considerou absurdo interferir
desse modo na vida e no direito das pessoas, qualificando o projeto
de fascista. O humorista Millôr Fernandes [...] chamou-o de uma
idioletice (um misto de idioleto e idiotice); enquanto o gramático da
mídia (Pasquale Cipro Neto) destacou ser inviável tentar proibir por
lei o uso lingüístico. (FARACO, 2004, p. 10-1, grifo do autor)

Ironiza Marcos Bagno: “A quem confessarei meu pecado por ter


pensado em comer num self-service? Ou por ficar ansioso, durante uma
palestra, pelo coffee-break? Ou por gostar de viajar de van?” (apud FARACO,
2004, p. 54).
O fracasso das tentativas de privação do uso de estrangeirismos
confirma a teoria de que é inexeqüível restringir o usufruto de um idioma. Em
relação às línguas, as leis não funcionam. “A única lei que funciona na língua é
a própria lei lingüística. Por exemplo, a lei do menor esforço. Essa língua vai
funcionar porque vai facilitar a comunicação” (SANTOS).
As línguas não devem ser legisladas, pois o próprio idioma é um sistema
auto-regulador, que supre suas necessidades, acolhendo o que lhe é

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imprescindível e eliminando o que é dispensável. Assevera Bagno que não é a


língua que existe, mas sim, seres humanos que fazem parte de contextos
sócio-históricos característicos e que querem, sobretudo, comunicar-se (apud
FARACO, 2004, p. 82-3).
Monteiro Lobato (1988) é enfático ao afirmar que “não há lei nenhuma
que dirija uma língua, porque língua é um fenômeno natural, como a oferta e a
procura, como o crescimento das crianças, como a senilidade, etc”.

4. A ponderação do uso

Freqüentemente, não notamos que palavras usadas em nosso léxico


corrente são formas aportuguesadas de estrangeirismos. A condenação do uso
de vocábulos alheios ao nosso idioma está normalmente associada às palavras
que mantêm a grafia original e que são usadas no lugar das de língua
portuguesa. Devemos ser muito cautelosos em apontarmos críticas ao termo
abrangente estrangeirismos.
Quando utilizados para suprir uma carência, isto é, caso não existam
termos correlatos no idioma que os utiliza, são altamente vantajosos para o
enriquecimento e manifestação expressiva das linguagens oral e escrita
(JUNIOR, 1997, p. 125).

4.1. O acolhimento

Curioso é o fato de que as pessoas contrárias aos estrangeirismos,


muitas vezes, nem se dão conta de que as palavras que pronunciam
diariamente e inúmeras vezes não são genuinamente da língua portuguesa.
‘Detalhes tão pequenos de nós dois’ é um bom exemplo. Poucas
pessoas sabem que ‘detalhes’ é um galicismo. Mesmo aqueles que se julgam
contra os estrangeirismos, não utilizariam ‘minúcias’ em seu lugar (FILHO,
2000).
Outro fenômeno interessante abrange os termos relacionados ao
futebol. Muitas pessoas também não reparam que o esporte tão apreciado
pelos brasileiros contém várias palavras procedentes da língua inglesa. ‘Gol’

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(goal), ‘pênalti’ (penalty), ‘chute’ (shoot) e ‘time’ (team) são alguns dos termos
futebolísticos que foram incorporados ao léxico da língua portuguesa
(LUTIBERGUE). Ainda assim, é possível encontrar algumas palavras que
mantêm a forma original, como o tão usual play-off, também utilizado em outros
esportes, como o ‘basquetebol’ (basketball).
Um ponto importante diz respeito ao tempo. Talvez daqui a alguns anos,
os xenismos da atualidade se tornem vocábulos aportuguesados e as pessoas
poderão não perceber a verdadeira origem dos termos. É o que confirmam
Garcez e Zilles:

É importante notar que, embora pareça fácil apontar, hoje, home


banking e coffee break como exemplos claros de estrangeirismos,
ninguém garante que daqui a alguns anos não estarão sumindo das
bocas e mentes, como o match do futebol e o rouge da moça; assim
como ninguém garante que não terão sido incorporados
naturalmente à língua, como o garçom e o sutiã, o esporte e o clube.
(apud FARACO, 2004, p. 18, grifo do autor)

Luis Adonis Valente Correia acredita ser uma perda de tempo traduzir
palavras como software, por exemplo (2006). Possenti faz uma constatação
veemente e que servirá de desfecho para o nosso trabalho:

Para mostrar que nossa língua está vivíssima, nada melhor que uma
grande invasão, que a muitos parece lingüística, mas que é só lexical
– e periférica, O que certamente está mal das pernas é nossa
economia. Talvez, também nossa cultura. (2005, p. 32)

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Conclusão

Baseando-nos na linha mestra desse trabalho que se fundamentou no


dinamismo e na mobilidade das línguas, podemos reafirmar que os
estrangeirismos presentes na língua portuguesa são decorrentes de um
processo natural. Haja vista que eles são fruto de uma situação permanente, é
ineficaz a tentativa de bani-los de nosso vernáculo. Ainda mais pelo fato de
nosso léxico consistir em palavras originadas de diferentes línguas, ratificando
a condição inerente de trocas entre diversos idiomas.
Entretanto, não devemos ser plenamente favoráveis a qualquer
substituição de termo alheio ao português, a partir do momento que este já
possua um vocábulo correlato instituído. Evitar os excessos é o que propomos
no presente trabalho, embora consideremos válida a adoção de palavras
estrangeiras a fim de suprir necessidades e carências dentro de uma língua.
Devemos partir do pressuposto de que a integração dos idiomas é
enriquecedora e inócua. A mutação existe e sempre existirá. As línguas não
são estanques e tentar impor restrições denota atitudes inconsistentes.

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Embora cientes das reservas quanto à confiabilidade da referida fonte, por se tratar de uma
enciclopédia livre e sujeita a modificações, optamos pelo seu uso por oferecer subsídios
terminológicos e lingüísticos práticos, que, de outro modo, não nos seria possível obter.
Utilizamos apenas conteúdos de conhecimento consolidado.

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