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CEUNSP CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO Estratégia e Competitividade Empresarial Salto/SP - outubro de

CEUNSP

CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO

Estratégia e Competitividade Empresarial

Salto/SP - outubro de 2009

Introdução

O meio empresarial é formado por empresas de pequeno, médio e grande porte, cuja competição pelo mercado em que estão inseridas é bastante acirrada.

Mais do que ter seus produtos na mente do cliente, as empresas necessitam conhecer o mercado em que atuam, quem são seus concorrentes, e principalmente seus processos, a fim de melhorá-los e elevar seu potencial.

Além de ser especialista na sua atividade principal, para sobreviver em meio às disputas mercadológicas se faz necessário o uso de ferramentas que permitam a identificação de todos os fatores, internos e externos à organização, que possam prejudicar ou melhorar sua participação no mercado.

Essas ferramentas, quando bem aplicadas, permitem a elaboração de estratégias que nortearão os passos para o alcance dos objetivos e metas estabelecidas.

Duas são as ferramentas mais utilizadas para a análise interna e externa da organização:

a Análise SWOT, que estuda os pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades, e o método das Cinco Forças de Porter (Michael Porter), que expande a análise aos fornecedores, clientes, novos entrantes, substitutos e a concorrência, ou seja, ao segmento da economia onde a empresa está inserida.

Com foco no negócio da empresa, a Matriz BCG permite analisar, dentre os produtos ou serviços oferecidos, quais são os mais rentáveis, os de sobrevivência duvidosa, os que estão em “fim de vida” etc., auxiliando na estratégia de melhoria ou substituição no seu portfólio.

Para elaboração deste trabalho, escolhemos uma empresa do ramo educacional de informática, na cidade de Indaiatuba/SP, cuja franquia possui grande participação no segmento.

Análise SWOT

Descrição

O método SWOT é uma abreviatura de quatro focos de análise, considerando os êxitos

(objetivos alcançados, aspectos fortes, benefícios, satisfação); deficiências (dificuldades, fracassos, aspectos fracos, descontentamento); potenciais (capacidades

sem explorar, idéias de melhoramento) e obstáculos (contexto adverso, oposição, resistências contra mudança).

POSITIVO

oposição, resistências contra mudança). POSITIVO NEGATIVO I N Forças Fraquezas T E (S) (W) R N
oposição, resistências contra mudança). POSITIVO NEGATIVO I N Forças Fraquezas T E (S) (W) R N
NEGATIVO
NEGATIVO
I N Forças Fraquezas T E (S) (W) R N Strengths Weaknesses O S E
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Oportunidades
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Analisando o ambiente interno, podemos citar para cada quadrante:

Forças

- Marca consolidada no mercado;

- Boa localização;

- Profissionais com alto conhecimento técnico;

- Material didático completo. Fraquezas

- Rápida depreciação dos computadores;

- Baixos salários;

- Nem todos os professores são preparados para lecionar.

Já no ambiente externo, detectamos os seguintes pontos:

Oportunidades

- Novos softwares e atualização dos existentes;

- Uso de computadores em quase todas as atividades profissionais;

- Computadores cada vez mais baratos;

- Inclusão digital;

- Internet cada vez mais acessível;

- Cursos In Company.

Ameaças

- Alto custo das licenças dos softwares;

- Custo elevado para manter a franquia;

- Programa de ensino determinado pela matriz (inflexibilidade);

- Inexistência de curso para formação de professores de informática;

- Inadimplência;

- Facilidade de aprendizado autodidata.

As Cinco Forças de Porter

O modelo das Cinco Forças de Porter possibilita analisar o grau de atratividade de um setor da economia. Este modelo identifica um conjunto de cinco forças que afetam a competitividade, dentre os quais uma das forças está dentro do próprio setor e os demais são externos.

As cinco forças são:

setor e os demais são externos. As cinco forças são: Com relação à empresa estudada, identificamos:

Com relação à empresa estudada, identificamos:

Ameaça de novos entrantes:

Os fatores identificados como barreiras que minimizam a ameaça de novos entrantes resumem-se no aporte inicial de recursos financeiros, que envolve as taxas para a abertura da empresa, aquisição de computadores modernos, aquisição de licenças dos softwares, locação do ponto, adequação do imóvel, material didático, marketing.

Se o novo concorrente pertencer a uma franquia, adiciona-se o custo da marca.

Ameaça de produtos substitutos:

No caso da empresa estudada, atuante no segmento do ensino de informática, identificamos como produtos substitutos os cursos de informática dentro da grade do ensino fundamental em algumas escolas, além do aprendizado autodidata e cursos de idiomas, onde é mais difícil aprender sozinho.

Poder de barganha dos fornecedores:

No caso de uma franquia de escola de informática, o fornecedor de todo o material didático e publicitário é a gráfica da rede, sem opções de negociação. Apenas alguma divulgação local e direcionada é feita em gráficas externas.

No caso dos softwares, a compra de licenças é feita diretamente com a empresa detentora dos direitos através de contratos corporativos. Os distribuidores oficiais costumam praticar os mesmos preços.

Entendemos que nesse caso, o poder de barganha dos fornecedores é pequeno.

Poder de barganha dos clientes:

No ato da contratação do curso escolhido é estipulado pela escola o número de pagamentos. No entanto, em casos de inadimplência, o cliente é chamado para negociar a dívida, e possui poder de barganha para adequar as condições de pagamento à sua necessidade. Na maioria das vezes a escola prefere negociar e receber sua dívida aos poucos do que acionar juridicamente o devedor, demonstrando que o cliente inadimplente possui certo poder de barganhar.

Rivalidade entre concorrentes:

Pelo porte da cidade, não há disputas com outras escolas de mesma franquia. Porém existe a disputa com escolas de demais franquias ou independentes, que se dá basicamente no preço das mensalidades. Como os cursos oferecidos são praticamente os mesmos, diferenciando apenas a carga horária e conseqüente duração do curso, as principais armas utilizadas pela escola analisada para conquistar o cliente é o renome da escola como fator de qualidade e peso no currículo, e seu material didático.

Apesar de as escolas menores por vezes oferecerem cursos inferiores, devido ao baixo

valor do curso acabam angariando mais alunos.

Matriz BCG

A Matriz BCG (Boston Consulting Group) é um modelo para análise de portfólio de

produtos ou de unidades de negócio baseado no conceito de ciclo de vida do produto.

Para garantir a criação de valor em longo prazo, a empresa deve ter um portfólio de

produtos que contenha tanto mercadorias com altas taxas de crescimento no mercado

(que precisam de investimentos) e mercadorias com baixo crescimento (que geram

receita).

e mercadorias com baixo crescimento (que geram receita). Os quadrantes formados são: ∑ Estrela: os produtos

Os quadrantes formados são:

Estrela: os produtos caracterizados como “estrelas” têm alta participação em um mercado que apresenta altas taxas de crescimento;

Vaca leiteira: as “vacas leiteiras” têm alta participação em mercados já estabilizados, cujas taxas de crescimento são moderadas. É comum vermos “estrelas” se transformarem em “vacas leiteiras” após um tempo;

Ponto de interrogação: pertencem a esse quadrante os produtos que tem baixa participação em um mercado que apresenta altas taxas de crescimento. Têm um poder de competitividade razoável e, com as estratégias corretas, podem conquistar o consumidor;

Abacaxi: baixa participação em um mercado maduro, que já não apresenta sinais de crescimento, caracterizam os “abacaxis”. Às vezes, pode ser adequado que a empresa simplesmente livre-se dos seus “abacaxis”, do ponto de vista estratégico e financeiro.

Em relação aos cursos oferecidos pela escola, podemos definir:

Duvidoso: Linux. Sistema operacional concorrente do Windows, da Microsoft.

Apesar do baixíssimo custo de aquisição, ainda não conseguiu um número expressivo

de usuários domésticos. Talvez com as iniciativas governamentais para utilização dos

chamados softwares livres, seu melhor posicionamento no portfólio pode tornar-se

interessante. Muitas lojas vendem computadores já com o sistema Linux instalado de

fábrica, entretanto, devido à similaridade com o Windows, um curso pode tornar-se

desnecessário.

Estrela: Montagem e manutenção de micros.

Devido à inclusão digital e preços cada vez mais acessíveis, os computadores estão em

cada vez mais residências.

Vaca leiteira: Pacote MSWindows + Office.

Este curso é o carro-chefe da escola, amplamente divulgado e com longa duração, já

consolidado no mercado.

Vira-Latas: Linguagens de programação.

Cursos de linguagens não são exatamente “vira-latas”, uma vez que são ministrados

apenas quando existe a procura.

Considerações finais

Ao analisar a escola de informática e o segmento onde a mesma está inserida, na cidade de Indaiatuba/SP, concluímos que a empresa não possui concorrentes à altura, devido à força de seu nome.

As escolas de outras franquias ou de menor porte absorvem uma parte do mercado, conquistando os clientes através dos preços inferiores que são praticados.

Tendo em vista a análise SWOT, podemos dizer que a empresa possui grandes perspectivas de se manter no topo, visto que as ameaças e fraquezas são administráveis e possíveis de serem eliminadas, exceto a ameaça denominada como facilidade de aprendizado autodidata, que requer maior atenção e melhor planejamento estratégico visando suprir a possível falta de clientes, ou até mesmo a empresa se reinventar.

Baseando-se nas Cinco Forças de Porter, acreditamos que o segmento é rentável considerando não existir ainda um concorrente franqueado com posição solidificada na região. As escolas independentes não conseguem angariar clientes suficientes que venham a desestimular o negócio.

Já a Matriz BCG mostra que o segmento ainda oferece produtos consumíveis. Até mesmo os produtos identificados como abacaxis ou vira-latas, pois são cursos sob demanda, que necessitam de um mínimo de investimento e angariam um bom valor financeiro.