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GÊNERO DA OBRA

RAPSÓDIA – O próprio autor classificou o livro de rapsódia, fugindo, assim, à denominação comum de
romance. Com essa classificação, o autor sugere que a obra é uma narrativa poética das aventuras de
Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Por conta da classificação, a história permeia-se de lendas,
crendices, provérbios, enfim, elementos do nosso folclore.

TRÊS ESTILOS

Há, em Macunaíma, três estilos bem nítidos: de lenda, épico-lírico, solene; de crônica, cômico, despachado;
de paródia, nos traços da criança feia, do anti-herói.

NÚMERO DE CAPÍTULOS

17 CAPÍTULOS – Macunaíma é composto de 17 capítulos, numerados em algarismos romanos, e um


epílogo. Todos os capítulos têm numeração e título

TÍTULO

BRASILIDADE – O título do livro é o nome do próprio herói, um índio sem nenhum caráter. Hoje, na
Literatura Brasileira, Macunaíma virou sinônimo de brasilidade, simbologia de lendas, crendices, costumes,
qualidades e defeitos do povo brasileiro.

CLASSIFICAÇÃO DO LIVRO

OBRA NACIONALISTA – Macunaíma é uma obra nacionalista. O herói, ao pé da letra, não é de nenhuma
região específica do Brasil, embora tenha nascido no Amazonas. A intenção do autor foi construir um livro
enfeixando influências diversas de um mesmo país.

FOCO NARRATIVO

TERCEIRA PESSOA – Macunaíma é narrado na terceira pessoa (narrador onisciente). Um homem


(provavelmente o próprio autor) chega às margens do Uraricoera, já desertas, e encontra apenas um
papagaio falador que, antes de voar para Lisboa, conta-lhe a saga de Macunaíma. Essa história contada
pelo papagaio é o livro Macunaíma.

TIPO DE LINGUAGEM

SIMPLES, ORAL, DESCONTRAÍDA – A linguagem de Mário de Andrade, em Macunaíma, é simples, oral,


descontraída. O autor transpôs para o livro a maneira de falar do brasileira, em sua vida diária.

FALA INDÍGENA
A construção das frases reflete ora o modo de falar dos índios, ora a fala popular. São comuns, em todo o
livro, as seguintes formas: si, pra, dandava, de-noite, de primeiro. Elas estão no lugar de se, para, andava, à
noite, primeiramente.

ERROS GRAMATICAIS

A narrativa de Macunaíma inclui todos os erros gramaticais que o brasileiro comum comete no ato da fala.

TEMPO

SÉCULO XX – Não se pode negar a vinculação da história narrada às primeiras décadas do século XX.
Mas isso numa análise superficial, pois fábulas e lendas não estão presas às normas de verossimilhança do
tempo ou do espaço. Macunaíma é, ao mesmo tempo, criança e adulto num piscar de olhos, capaz que é
de se metamorfosear de acordo com a própria conveniência.

CENÁRIO

SELVA AMAZÔNICA – Macunaíma nasceu no fundo do mato virgem. Com isso, o autor indeterminou o
local exato de nascimento do herói, mas sugeriu-lhe a origem natural: interior da selva amazônica. Alencar,
em Iracema, fez algo parecido. A heroína nasceu além, muito além daquele serra que ainda azula no
horizonte.

SÃO PAULO – O herói, de origem indígena e negra, vai para São Paulo. Antes de chegar à cidade grande,
fica branco, recebendo a influência européia dos imigrantes que vieram para o Brasil.

ESPAÇO MÍTICO – Macunaíma movimenta-se no espaço com uma velocidade espantosa. Antes de
embarcar para São Paulo, vai à foz do rio Negro (como se fosse bem pertinho) e deixa lá a sua consciência.
Numa outra passagem, diz que vai caçar bem ali e atravessa as matas de Pernambuco e do Pará para, logo
depois, estar de volta à região de origem. Com se vê, tempo e espaço assumem caráter mítico.

ESCOLA LITERÁRIA

MODERNISMO – Mário de Andrade valoriza as raízes naturais, primitivas dos brasileiros. É a tendência
primitivista, nacionalista faz parte do ideário modernista.

OBRA NACIONALISTA – Mário Andrade personifica, em Macunaíma, o brasileiro com suas qualidades e
defeitos. O herói é negro, branco, preguiçoso, mulherengo, mentiroso...

ANTIPARNASIANA – A obra Macunaíma revela-se antiparnasiana ao subverter a forma e ao desobedecer


às normas ditadas pela gramática.
ENREDO PRINCIPAL

À semelhança de relatos épicos ditos populares, Macunaíma é uma longa seqüência de lendas variadas e
justapostas, com numerosas ações, quase todas praticadas pelo herói que dá título à obra. O fluxo dos
acontecimentos é, às vezes, caótico, impossibilitando uma seqüência lógica para os fatos narrados.

O enredo principal de Macunaíma é a aventura do herói e de seus irmãos rumo à cidade de São Paulo.

PERSONAGENS

As personagens criadas por Mário de Andrade fogem a qualquer classificação tradicional. O herói, de
origem indígena e negra, fica branco num passe de mágico. Ci, a Mãe do mato morre e vai para o céu por
um cipó. Sem contar que o herói mata a própria mãe e não fica traumatizado.

Macunaíma

É o herói sem nenhum caráter. Com isso, o autor insinua que Macunaíma não tem características próprias,
não tem identidade definida.

Nasceu índio, preto retinto e feio. Passou mais de seis anos sem falar; motivo: preguiça. Ainda criança, o
herói odiava homens, fazia tudo por mulheres e respeitava os mais velhos.

Durante a aventura, o herói morreu duas vezes. Na primeira, foi vítima do Gigante Piaimã; na segunda, o
próprio Macunaíma matou-se quando tentou quebrar os testículos com uma pedra.

O herói, no final da aventura, fica sem uma perna e vai para o céu por um cipó. O Pai do Mutum
transformou-o na constelação de Ursa Maior.

Tapanhumas

Índia, mãe de Macunaíma, Maanape e Jiguê. Certa vez, abandonou Macunaíma no mato, com intenção de
se livrar do filho. Foi morta pelo herói que a confundiu com uma veada parida.

Ci, a Mãe do Mato

Companheira de Macunaíma deu à luz um filho vermelho. Depois da morte do filho, foi para o céu por um
cipó e virou a estrela Beta do Centauro.

Maanape

É o irmão mais velho de Macunaíma. Era velhinho e feiticeiro, capaz de transformar tudo em tudo. No final,
é devorado pela sombra do irmão Jiguê.

Jiguê

Irmão mais novo de Macunaíma. Arranjou, durante a aventura, três mulheres: Sofará, Iriqui e Suzi. Todas o
traíram com o herói. Uma ferida provoca por dente de sucuri devorou-o aos poucos, restando dele apenas a
sombra.

Sofará

Primeira companheira de Jiguê. Levou Macunaíma para passear no mato e teve uma surpresa: o herói virou
um príncipe lindo e possuiu-a. Por causa da traição amorosa, Jiguê devolveu-a para os pais.

Iriqui

Segunda companheira de Jiguê. Era jovem e vaidosa, vivia pintando o corpo e os lábios. Trazia um rato
escondido nos cabelos. Mesmo depois de saber que ela brincou com Macunaíma, Jiguê não a mandou
embora. Quando os irmãos voltavam de São Paulo, Macunaíma foi buscá-la em um bambuzal.

Suzi

Mulher que Jiguê arranjou na cidade de São Paulo. Também traiu o companheiro com Macunaíma.

Venceslau Pietro Pietra

É o nome completo do gigante Piaimã, o maior inimigo de Macunaíma. Morreu dentro de um tacho cheio de
macarrão fervendo. Quem o matou foi o herói.

Velha Ceiuci

Companheira do gigante Piaimã, também perseguia o herói. Tinha duas filhas; Macunaíma brincou com a
mais nova. Por isso, a moça foi expulsa de casa.

Curupira

Tentou devorar Macunaíma, quando o herói era criança, no meio da selva, mas não conseguiu.

Vó Cotia

Usando água envenenada da mandioca, fez que o herói ficasse com corpo de homem e cabeça de menino.

Cobra Preta
Chupou o único peito vivo de Ci, envenenando-lhe o leite. Quando o filho de Ci e do herói mamou o leite
envenenado, morreu.

Mianiquê-Teibê

Assombração medonha que tentou engolir o herói. "Respirava com os dedos, escutava pelo umbigo e tinha
os olhos no lugar das mamicas".

Oibê

Minhocão temível, monstro que perseguiu Macunaíma. Transformou-se em cachorro-do-mato.

Tzaló

O feiticeiro Tzaló andava numa perna só e tinha uma cabaça mágica: bastava mergulhá-la na água do rio e
despejá-la na praia que um montão de peixe aparecia misteriosamente.

Caicãe

O feiticeiro Caicãe nunca teve mãe. Tinha uma viola mágica: bastava tocá-la e muitas caças apareciam.

Mapinguari

Macaco-homem que anda no mato fazendo mal para as moças. O monstro agarrou Macunaíma, pensando
tratar-se de uma mulher, porém o herói mostrou-lhe o pênis. O monstro riu e deixou Macunaíma passar.

CAPÍTULO I

Macunaíma

PRETO E FEIO - Macunaíma nasceu no fundo do mato virgem. "Era preto, retinto e filho do medo da noite".
Na meninice, fez coisas de espantar.

PREGUIÇOSO - Passou mais de seis anos sem falar; motivo: preguiça. Era interesseiro: não podia ver
dinheiro. Quando a família ia tomar banho no rio, todos nus, o herói ficava esperto. Mergulhava e pegava na
parte das mulheres.

AVERSÃO A HOMENS - Não gostava de homens. "Nos machos cuspia na cara".

SONHOS IMORAIS - O herói dormia num berço alto, com a rede da mãe por baixo. De noite, mijava sobre
a velha e espantava os mosquitos. "Adormecia sonhando palavras feias, imoralidades estrambólicas e dava
patadas no ar".

REI NAGÔ - Numa pajelança, Rei Nagô fez um discurso e avisou que Macunaíma era inteligente.

SEIS ANOS - Quando completou seis anos, deram-lhe água em um chocalho, e o herói passou a falar com
desembaraço.

SOFARÁ - A mãe de Macunaíma pediu à nora, Sofará, para levar Macunaíma para um passeio pelo mato.
Lá, o herói virou um príncipe lindo e brincou com a cunhada. Agora, quando Macunaíma chorava, querendo
passear no mato, Sofará logo se oferecia para levar o menino.

ARMADILHA - Macunaíma fez, às escondidas, armadilha para pegar uma anta e conseguiu laçar o animal
antes do seu irmão Jiguê. Na hora de repartir o animal, Jiguê deu somente as tripas para o herói. Ele ficou
zangado e prometeu vingança.

BRINCADEIRAS COM SOFARÁ - No outro dia, Macunaíma e Sofará foram para o mato logo cedo,
passaram o dia brincando e só retornaram à noite. Jiguê seguiu os dois, viu a transformação e "pegou num
rabo-de-tatu e chegou-o com vontade na bunda do herói. O berreiro foi tão intenso que encurtou o
tamanhão da noite e muitos pássaros caíram de susto no chão e se transformaram em pedra." Jiguê, depois
de surrar o herói, devolveu Sofará para os pais dela.

CAPÍTULO II

Maioridade

IRIQUI - Logo depois de se livrar de Sofará, Jiguê arranjou uma cunhã nova. Chamava-se Iriqui. Trazia
sempre um rato escondido nos cabelos.

FOME - Depois que a carne de anta acabou, a tribo começou a passar fome. Maanape matou um boto, e
Maraguigana, pai do boto, ficou zangado e mandou uma enchente, e o milharal apodreceu.

ENGANANDO A MÃE - Macunaíma pediu que velha Tapanhumas fechasse os olhos. A mãe do herói
obedeceu e, quando o filho pediu que ela olhasse, estavam do outro lado do rio, cercados de fartura: caça,
peixe, bananeiras dando. De repente, a velha começou a juntar comida com intenção de levá-la para aliviar
a fome de Maanape, de Jiguê e de Iriqui. O herói ficou zangado, pediu que ela fechasse os olhos de novo e,
quando os abriu, estavam de volta na maloca antiga, todos com fome.

CURUPIRA - A mãe de Macunaíma colocou-o nas costas e entrou na mata até não poder mais. Depois,
abandonou o filho e voltou para a maloca. O herói ameaçou chorar, criou coragem e botou o pé na estrada.
Perdido, depois de vagar por uma semana, topou com o Curupira. O monstro deu-lhe para comer um
pedaço da própria perna. Depois, montado num veado, correu atrás do herói, gritando: "Carne de minha
perna! Carne de minha perna!" E a carne respondia dentro da barriga de Macunaíma: "Que foi?" O herói só
escapou porque bebeu lama e vomitou o pedaço de carne.

VÓ COTIA - Depois de enganar o Curupira, Macunaíma foi sair na casa da vó Cotia que estava fazendo
farinha. A vó deu-lhe comida, ouviu-lhe a história do Curupira e jogou caldo envenenado de aipim no corpo
do herói para fazê-lo crescer. O líquido molhou todo o corpo do herói, menos a cabeça. De repente, ele
ficou com corpo de homem, mas a cabeça era de menino.

BRINCANDO COM IRIQUI - Macunaíma voltou para a tribo tapanhumas. Os manos foram caçar e pescar, e
a velha foi ao roçado. Macunaíma ficou sozinho com Iriqui e brincou com ela. Jiguê, quando voltou,
percebeu, mas Maanape disse ao irmão que Macunaíma agora era homem troncudo. Jiguê aceitou a
traição sem fazer barulho.

CAÇANDO A PRÓPRIA MÃE - Macunaíma foi caçar. "Atravessou o reino encantado da Pedra Bonita em
Pernambuco e quando estava chegando na cidade de Santarém topou com uma veada parida." O herói
flechou a veada e, quando foi olhar de perto, tinha matado a própria mãe. Quando voltou do desmaio, foi
avisar os manos. Os três choraram muito e passaram a noite bebendo cachaça e comendo peixe com
farinha. Depositaram o corpo da velha debaixo de uma pedra no lugar chamado Pai da Tocandeira. "A
barriga da morta foi inchando foi inchando e no fim das chuvas tinha virado num cêrro macio".

PARTIDA - Depois da morte da índia tapanhumas, "Macunaíma deu a mão pra Iriqui, Iriqui deu a mão pra
Maanape, Maanape deu a mão pra Jiguê e os quatro partiram por êsse mundo."

CAPÍTULO III

Ci, Mãe do mato

O ENCONTRO - Os quatro (Macunaíma, Maanape, Jiguê e Iriqui) estavam caminhando no mato penando
muita sede. Macunaíma encontrou Ci, a Mãe do Mato. A cunhã estava dormindo. O herói saltou sobre ela,
querendo brincar. A icamiaba acordou e lutou com Macunaíma. Depois de muito apanhar, o herói pediu
ajuda aos irmãos. A icamiaba, depois de levar uma porrada na cabeça, desmaiou. E foi assim que
Macunaíma a possuiu. “Vieram então muitas jandaias, muitas araras vermelhas tuins coricas periquitos,
muitos papagaios saudar Macunaíma, o novo Imperador do Mato-Virgem”.

EXCESSO DE BRINCADEIRA - A vida estava tranqüila para Macunaíma e para os manos. O herói não
conseguia satisfazer os desejos da Mãe do Mato. Ela queria brincar a noite inteira. Chegava a preparar
remédios para aumentar a resistência do herói.

FILHO VERMELHO - Antes de seis meses, a Mãe do Mato pariu um filho encarnado. Macunaíma, com o
nascimento do filho, ficou de repouso um mês inteiro, mas recusou-se a jejuar. A criança tinha cabeça
chata, "e Macunaíma inda a achatava mais batendo nela todos os dias".
COBRA PRETA - Macunaíma bebeu demais e dormiu a noite inteira, deixando de vigiar a Mãe do mato.
Então, veio a Cobra Preta e mamou no único peito vivo de Ci. O curumim chupou o peito da mãe no outro
dia, deu um suspiro envenenado e morreu.

MUIRAQUITÃ - Depois do enterro do filho, a Mãe do mato tirou do colar uma muiraquitã famosa, deu-a para
Macunaíma e subiu para o céu por um cipó. Virou uma estrela: é a Beta do Centauro. No outro dia, quando
o herói foi visitar o túmulo do filho, do corpo dele nascera uma plantinha: era o guaraná.

CAPÍTULO IV

Boiúna Luna

PARTIDA - No outro dia, sentindo que ia chorar com saudades de Ci, Macunaíma chamou os manos e
partiu, levando a muiraquitã no beiço furado.

BOIÚNA - Continuando a caminhada, Macunaíma e os irmãos enfrentaram a boiúna Capei (cobra-grande),


que morava debaixo de uma pedra que, outrora, fora uma moça. O herói venceu a cobra, mas foi
perseguido pela cabeça dela por muito tempo. Os três esconderam-se em um rancho e fecharam a porta.
Só então Macunaíma notou que perdera a muiraquitã. A cabeça de Capei não queria fazer nenhum mal ao
herói; perseguia-o porque ficara escrava dele.

BOIÚNA NO CÉU - Ajudada pelas caranguejeiras, a cabeça da boiúna Capei subiu para o céu comendo
teias. Estava gorducha de tanto fio comido e pálida do esforço. Lá no campo vasto do céu, é a cabeça da
Lua.

PARADEIRO DA MUIRAQUITÃ - Foi o uirapuru, com seu canto, que informou a Macunaíma o paradeiro da
muiraquitã. A pedra foi engolida por uma tartaruga. O pescador que apanhou a tartaruga vendeu a jóia para
um regatão peruano chamado Venceslau Pietro Pietra. O dono do talismã ficara muito rico, virara fazendeiro
e morava em São Paulo. Macunaíma conta aos irmãos o que ouviu do pássaro, e os manos resolveram
seguir o herói porque ele precisava de proteção.

CAPÍTULO V

Piaimã

SEM CONSCIÊNCIA - No dia seguinte, Macunaíma deu uma chegada, de canoa, até a foz do rio Negro
para deixar a consciência na ilha de Marapatá. Pendurou-a na ponta de um mandacaru de dez metros para
não ser devorada pelas saúvas.

ÁGUA MÁGICA - Os manos seguiam para São Paulo pelo rio Araguaia remando canoa. O herói, coberto de
suor, lembrou-se de tomar banho. Mas no rio era impossível por causa das piranhas. De repente, bem no
meio do rio, Macunaíma viu uma piscina no feitio da marca de um pé gigante (pé de São Tomé). O herói
entrou na água e lavou-se inteirinho. A água era mágica e lavou a cor do herói; ao sair, estava branco, louro
e de olhos azuizinhos. Jiguê, vendo que o mano mudara de cor, atirou-se também no líquido mágico. Porém
a água já estava suja da negrura do herói, e por mais que Jiguê esfregasse o corpo, só conseguiu ficar da
cor de bronze novo. Quando Maanape foi lavar-se, já existia pouca água no fundo da piscina, ele conseguiu
molhar só a palma dos pés e das mãos.

RIO TIETÊ - Quando chegaram ao rio Tietê, os caroços de cacau não valiam mais como dinheiro. O herói
ficou com medo de ter que trabalhar.

CHEGADA A SÃO PAULO - Quando chegaram à cidade de São Paulo, a papagaiada imperial fez uma
grande gritaria e despediu-se do herói, voltando para os matos do norte. Na primeira noite na cidade
grande, Macunaíma dormiu com três cunhãs brancas.

INTELIGÊNCIA PERTURBADA - Ao acordar, no outro dia, o herói ficou perturbado. Confundia as máquinas
da cidade e seus barulhos com bichos da selva. As cunhãs tentaram explicar as coisas da cidade para
Macunaíma, mas ele não queria acreditar em tudo aquilo.

MÁQUINAS - Os três irmãos foram morar em uma pensão. O herói já tinha sapinhos na boca por causa da
noite de amor com as cunhãs paulistanas. Macunaíma demorou uma semana para se acostumar às
máquinas da cidade. Jiguê foi transformado em telefone, e o herói ligou para os cabarés, encomendando
lagosta e francesas.

GIGANTE PIAIMÃ - No primeiro encontro entre o herói e Venceslau Pietro Pietra, o gigante Piaimã, o
gigante matou o herói com uma flechada, cortou-o em pedaços pequenos e transformou-o em torresmos.
Maanape, ajudado por uma formiga e por um carrapato, juntou todos os pedaços, deixou esfriar, embrulhou
em folhas de bananeira e levou para a pensão. Soprou fumo, e Macunaíma ressuscitou. Depois de tomar
guaraná, ficou taludo outra vez.

OFENSA AO GIGANTE - Macunaíma conseguiu uma arma, muitas balas e uísque. Estava-se preparando
para enfrentar o gigante. Jiguê foi novamente transformado em telefone, e Macunaíma ligou para o gigante
e xingou-lhe a mãe.

CAPÍTULO VI

A francesa e o gigante
PERSEGUIÇÃO - Depois de várias desavenças com os irmãos durante a construção de um rancho,
Macunaíma telefonou a Piaimã e, fazendo-se passar por uma francesa, marcou um encontro com ele.
Ajudado pela dona da pensão, o herói fantasiou-se de mulher e foi ao palácio de Venceslau Pietro Pietra. O
gigante começa a seduzir a francesa, e ela insiste em ver a muiraquitã. Então Piaimã mostrou-lhe a pedra e
muitas outras, confessou à francesa que comprara a jóia da imperatriz das icamiabas. Quando o gigante
quis brincar com a francesa, Macunaíma correu pelo jardim. O gigante correu atrás. O herói caiu numa
armadilha de Piaimã e foi colocado dentro de um cesto. Conseguiu escapar do cesto e foi perseguido por
Xeréu, um cão do gigante. Na carreira, passou por Guajará Mirim, Itamaracá, Barbacena, atravessou o
Paraná e foi parar na ilha do Bananal. O herói enfiou-se num formigueiro, e o cão Xeréu acuou-o. O gigante
veio e fez várias tentativas de tirar Macunaíma do formigueiro. Por fim, ameaçou pôr no buraco uma cobra
jararaca. Para ganhar tempo, o herói foi pondo na boca do buraco os peitos, o vestido, o sapato... Quando
não tinha mais nada para pôr, colocou o próprio pênis para o gigante pegar. Piaimã pegou e atirou o pênis
com herói e tudo légua e meia adiante. Só assim, o herói livrou-se do gigante e voltou para São Paulo.

CAPÍTULO VII

Macumba

PROTEÇÃO DE EXU - Macunaíma vai, de trem, ao Rio de Janeiro pedir proteção de Exu. O terreiro de
macumba ficava no Mangue, onde tia Ciata, uma negra velha com um século de sofrimento, é mãe-de-
santo. Uma polaca entra em transe, e o herói é consagrado filho de Exu. Os presentes, um a um, vão
fazendo pedidos a Exu. Macunaíma pede vingança contra o gigante Piaimã. Exu promete ajudar o herói e,
ato contínuo, o gigante sofre, no corpo da polaca, uma série de torturas que Macunaíma vai solicitando. Ao
mesmo tempo, em São Paulo, Piaimã vai sendo massacrado: surra, chifrada de touro, coice de potro.
Quando a sessão de macumba termina, os macumbeiros saem pela madrugada. Entre eles, Manu
Bandeira, Raul Bopp, Ascenso Ferreira e outros.

CAPÍTULO VIII

Vei, a Sol

CASTIGO DA ÁRVORE - Macunaíma, depois da macumba, topou com a árvore Volumã. Pediu-lhe frutos,
mas ela não quis dar. Então, o herói falou uma frase mágica e todos os frutos caíram. A árvore pegou o
herói pelos pés e atirou-o para além da Baía de Guanabara, em uma pequena ilha deserta. Ali ele
adormeceu, e um urubu fez cocô sobre o herói.

VEI, A SOL - Vei, a Sol, com suas três filhas, chegou e fez que as meninas limpassem o herói, catassem os
carrapatos e examinassem-lhe as unhas. Vei queria que o herói se casasse com uma de suas filhas. O dote
seria a Europa, a França e a Bahia. Mas havia uma condição: o herói tinha que ser fiel, não podia brincar
com outras mulheres. Macunaíma aceitou e jurou pela memória da mãe dele. Vei com as três filhas foram
embora, e o herói já estava com vontade de brincar com as cunhãs. De repente, veio-lhe esta frase: "pouca
saúde e muita saúva, os males do Brasil são!" E foi logo brincar com uma cunhã com cheiro de peixe.
Quando Vei descobriu a traição, avisou ao herói que ele agora ia ficar igual a qualquer pessoa: ia
envelhecer com o tempo. Se se cassasse com uma das suas filhas, ganharia a fonte da juventude.

MIANIQUÊ-TEIBÊ - Macunaíma foi dormir em um banco do Flamengo com uma cunhã. De noite, chegou
uma assombração medonha: era Mianiquê-Teibê que vinha para engolir o herói. "Respirava com os dedos,
escutava pelo umbigo e tinha os olhos no lugar das mamicas". O herói fugiu para São Paulo, e a
assombração comeu a cunhã.
CAPÍTULO IX

Carta pras icamiabas

ESTILO CLÁSSICO - Novamente em São Paulo, Macunaíma escreve, em estilo clássico, uma carta para as
icamiabas, contando sobre os costumes dos habitantes da cidade e pedindo-lhes dinheiro (bagos de
cacau), pois gastara todo o que trouxera, principalmente com as donas paulistanas, que cobram caríssimo
por seus carinhos. Informa, ainda, que está para recuperar a muiraquitã.

CAPÍTULO X

Pauí-Pódole

PROTEÇÃO - O gigante Piaimã (Venceslau Pietro Pietra) está-se recuperando da surra, das chifradas e
dos coices resultantes da macumba. Para proteger a muiraquitã, Piaimã deita-se em cima dela.

PAI DO MUTUM - Em suas andanças pela cidade de São Paulo, Macunaíma interrompe a cerimônia do Dia
do Cruzeiro e faz um discurso contando para o público paulistano a lenda indígena do Pai do Mutum (ou
Pauí-Pódole), que é o verdadeiro Cruzeiro do Sul.

CAPÍTULO XI

A velha Ceiuci

CAÇADA - Uns oito dias depois, o herói convidou os manos para caçar, e foram para o bosque da Saúde.
Dispôs os manos nas esperas, botou fogo no bosque e ficou amoitado esperando que saísse algum animal
para que ele o caçasse. Saíram apenas dois ratos chamuscados. O herói comeu-os e voltou para a pensão.

MENTIRA - Depois do fracasso da caçada, o herói reuniu as pessoas na porta da pensão e contou-lhes que
matara dois veados catingueiros na feira do Arouche e comera-os com os irmãos. Quando os manos
voltaram, confirmaram que o herói estava mentindo. As pessoas foram ao quarto de Macunaíma para saber
a verdade. Ele, com a cara mais limpa, confessou que havia mentido.

TUMULTO - O herói tentou envolver os irmãos numa brincadeira, em plena rua, e terminou metido numa
grande confusão. O herói terminou preso, mas conseguiu fugir antes de chegar à cadeia. Pegou um bonde
e foi visitar o gigante Piaimã. Ele estava na porta da frente com toda a família e não se recolheu com os
palavrões de Macunaíma. Só entrou quando veio um chuvisco.

NAS MALHAS DE CEIUCI - Macunaíma foi pescar no igarapé Tietê e caiu na tarrafa da velha Ceiuci,
mulher do gigante Piaimã. O herói foi levado para a sala, e a velha chamou as filhas para comerem o pato
que ela caçara. Enquanto Ceiuci foi preparar o fogo, a filha mais nova desenrolou a tarrafa, encontrou
Macunaíma, levou-o para o quarto, e os dois brincaram.

FUGINDO DE CEIUCI - Macunaíma teve que fugir da velha Ceiuci. Montou no "cavalo cardão-pedrez pra
carreira Deus o fez" e partiu em louca disparada. Já perto de Manaus, o cavalo tropeçou, e o herói caiu
dentro de um buraco. Depois, no mesmo cavalo, chegou perto de Mendonza, na Argentina, e pediu
esconderijo aos padres.

O herói, fugindo da velha ceiuci, passou pelo Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí e Pernambuco.
Teve que pedir esconderijo à cobra surucucu. Macunaíma, depois de muitas peripécias, pediu ajuda ao
pescador tuiuiú que se transformou em avião e, depois de sobrevoar várias regiões brasileiras, pousou na
porta da pensão, em São Paulo.

CAPÍTULO XII

Tequeteque, chupinzão e a injustiça dos homens

SARAMPÃO - O herói pegou sarampão. Maanape foi buscar o famoso Bento curandeiro em Beberibe, e
Macunaíma, às custa de água do pote e de rezas, ficou curado. Piaimã e toda a família tinham ido para a
Europa passear.

TEQUETEQUE - Macunaíma caiu no conto do trequetreque (mascate): comprou um gambá que defecava
dinheiro por quarenta contos. Quando o animal fez sujeira no bolso do herói e ele entendeu o logro, correu
gritando para a pensão e brincou com a patroa.

TESOURO ENTERRADO - Sem dinheiro, os manos vararam o Brasil todo à procura de algum tesouro
enterrado, mas não acharam nada.

CHUPINZÃO - Numa praça, o herói presenciou uma cena de injustiça: um tico-tico bem pequeno esforçava-
se para alimentar um chupinzão. O pequeno não comia nada porque o chupinzão não deixava, pedindo
comida o tempo todo. Macunaíma pegou um cacete e matou o tico-tico. Quando foi embora, o chupinzão foi
atrás do herói pedindo comida. Para se livrar do pássaro, Macunaíma deu-lhe o cocô de gambá que trazia
guardado no bolso. Chupinzão comeu e virou um pássaro preto bem grande.

MORTE - Um macaco que quebrava coco entre as pernas disse ao herói que ele podia quebrar os próprios
cocos e comer. O herói acreditou, pegou uma pedra e tentou quebrar os testículos. Morreu. O corpo foi
levado para a pensão. Maanape, que era feiticeiro, fez o herói ressuscitar. Deram-lhe guaraná, ele voltou a
ficar forte. Para resolver o problema de dinheiro, Maanape arranjava um número, o herói jogava no bicho, e
ganhavam sempre.

CAPÍTULO XIII

A piolhenta do Jiguê
ERISIPELA - Macunaíma pegou erisipela, e os manos trataram dele com remédios que todos os brasileiros
aconselhavam. Jiguê arranjou uma nova cunhatã. Chamava-se Suzi. Logo Macunaíma se tornou namorado
de Suzi, deixando Jiguê desconfiado. De noite, Suzi inventava que estava doente para não brincar com
Jiguê. O ciúme terminou em surra: Jiguê flagrou os dois de mãos dadas no Jardim da Luz e bateu em
ambos. Passou a trancar a companheira no quarto por causa de Macunaíma. Ela matava o tempo contando
os piolhos. Na primeira oportunidade, Suzi e o herói brincaram de novo e de novo apanharam de Jiguê.
Tudo terminou em separação. Suzi foi para o céu e virou a estrela que pula.

CAPÍTULO XIV

Muiraquitã

A VOLTA DE PIAIMÃ - Venceslau Pietro Pietra, o gigante, voltou da Europa. A partir de então, Macunaíma
ficou observando de longe a casa dele. O gigante, certa vez, agarrou o chofer do carro em que Macunaíma
chegara e jogou-o, depois de torturá-lo, em um tacho de macarrão fervendo. Percebendo que seu destino
seria o mesmo, o herói resolveu enfrentar o gigante e terminou enganando-o: em vez de cair no tacho,
derruba o gigante dentro dele. O cheiro forte de couro cozido fez o herói desmaiar. Quando acordou, o
gigante estava morto. O herói, então, recuperou a muiraquitã e voltou de bonde para a pensão.

CAPÍTULO XV

A pacuera de Oibê

CAMINHO DE VOLTA - Os três irmãos empreenderam a viagem de volta. O herói estava muito contente. Já
nas águas do rio Araguaia, o séquito de pássaros voltou a acompanhar o herói, que voltava a ser o
Imperador do Mato-Virgem. Em determinado ponto, Macunaíma entrou em um bambuzal e foi buscar a linda
Iriqui, ex-companheira de Jiguê e, agora, companheira do herói.

MAPINGUARI - O herói, no caminho de volta, topou com o monstro Mapinguari, macaco-homem que anda
no mato fazendo mal para as moças. O monstro agarrou Macunaíma, pensando tratar-se de uma mulher,
porém o herói mostrou-lhe o pênis. O monstro riu e deixou Macunaíma passar.

OIBÊ - O monstro Oibê era um minhocão temível. O herói foi pedir pousada no rancho da fera. Oibê
recebeu-o gentilmente, mas na hora da comida, negou a pacuera que estava assando na brasa. O herói
terminou enganando o minhocão e comendo-lhe a pacuera. Começou, então, uma perseguição. Oibê queria
a pacuera e corria atrás do herói. A aventura acabou quando Macunaíma, já na companhia de uma
princesa, reencontro os manos e a linda Iriqui que o esperavam na beira de um rio. O herói fugiu pelas
águas, e Oibê, que também era lobisomem, virou cachorro-do-mato. Iriqui, enciumada, começou a chorar,
mas Macunaíma só queria brincar com a princesa. Então, a linda Iriqui chamou seis araras canindés e subiu
com elas para o céu. Todas viraram estrelas.
CAPÍTULO XVI

Uraricoera

TERRA NATAL - Finalmente, chegaram ao rio Uraricoera e, logo depois, à cabana primitiva. Macunaíma
estava com malária. Todos foram trabalhar, menos o herói que deu uma chegadinha à foz do rio Negro para
buscar a consciência deixada na ilha de Marapatá. Não a encontrando, Macunaíma aproveitou a
consciência de um hispano-americano e ficou bem.

TZALÓ - O feiticeiro Tzaló andava numa perna só e tinha uma cabaça mágica: bastava mergulhá-la na
água do rio e despejá-la na praia que um montão de peixe aparecia misteriosamente. Jiguê roubou a
cabaça de Tzaló e deixou os manos encabulados. Era só querer, e voltava do rio com muitos peixes.
Macunaíma descobriu o truque do irmão e, às escondidas, fez o mesmo com a cabaça mágica. Empolgado
com os peixes, deixou a cabaça afundar no rio.

CAICÃE - O feiticeiro Caicãe nunca teve mãe. Tinha uma viola mágica: bastava tocá-la e muitas caças
apareciam. Jiguê roubou a viola de Caicãe. Macunaíma apossou-se da viola, fez a mágica das caças e,
com medo de tanta bicharada, correu. Na carreira, quebrou a viola mágica.

MORTE DE JIGUÊ - Macunaíma enfeitiçou um anzol com dente de sucuri. Quando Jiguê foi pegar o
instrumento de pesca, o dente de sucuri entrou-lhe na pele da mão, despejando ali todo o veneno. Apesar
de muitas tentativas, a ferida foi devorando Jiguê aos poucos, até deixar-lhe apenas a sombra.

MORTE DE MAANAPE - A sombra de Jiguê, por vingança, começou a devorar tudo. O alvo número um era
Macunaíma. O herói escapou, mas Maanape foi engolido pela sombra de Jiguê.

CAPÍTULO XVII

Ursa maior

SOLIDÃO - O herói, volta à cabana primitiva, estava sozinho. Todos se foram. Nem cunhã havia para
brincar. Até os papagaios, que sempre seguiam o herói, sumiram. Só ficou um, o aruaí, para quem
Macunaíma ia contando, dia a dia, as suas aventuras. Depois, até o papagaio falador abandonou o herói.
Para amenizar a solidão, Macunaíma brincou com a Uiara dentro de um lagoão. As perdas, porém, foram
muitas: ficou todo mordido, perdeu uma perna, os dois dedões, as orelhas, o nariz e a muiraquitã. Depois,
colocou tudo de volta, mas não encontrou a perna nem a muiraquitã.

FUGA PARA O CÉU - O herói, agora capenga, resolveu ir para o céu por um cipó. Da terra, só levava a
gaiola com o casal de galinhas legornes que trouxera de São Paulo. Macunaíma chegou à Lua, pediu
abrigo, mas foi rejeitado. Zangado, deu várias bofetadas na cara da Lua. Foi ter com a estrela-da-manhã,
mas ela não o aceitou. O herói foi bater na casa de Pauí-Pódole, o Pai do Mutum que, apesar de gostar de
Macunaíma, também o rejeitou. Com dó do herói, o Pai do Mutum fez uma feitiçaria e transformou o herói
com gaiola, galo, galinha, relógio e revólver na constelação de Ursa Maior.

Epílogo

A terra do Uraricoera ficara deserta, Certa ocasião, um homem chega até lá e ouve uma voz. Era o aruaí
falador, papagaio para quem Macunaíma contou as suas aventuras. O pássaro contou ao homem toda a
saga do herói e, em seguida, voou para Lisboa. O homem era o autor do livro, Mário de Andrade.

Vida e obra de MÁRIO DE ANDRADE

Paulistano da Rua Aurora

Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo, na Rua Aurora, no dia 9 de outubro de
1893. Seus pais: Carlos Augusto de Andrade e Maria Luísa Leite de Morais Andrade.

Primeiros estudos

Fez o curso primário no Grupo Escolar da Alameda Triunfo. Em 1905, ingressou no Ginásio Nossa Senhora
do Carmo, ali completando o então chamado bacharelado em Ciências e Letras.

Escola de Comércio

Mário de Andrade, depois da formatura em Ciências e letras, chegou a freqüentar a Escola de Comércio
Álvares Penteado, mas não progrediu. Depois de um conflito com alguns professores, desistiu
definitivamente.

Conservatório dramático

Em 1911, entrou para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, diplomando-se como professor
de piano em 1917.

Primeira obra

Em 1917, estreou na literatura com Há uma gota de sangue em cada poema, um livro de poesias
parnasianas inspirado na Primeira Guerra Mundial.

Preparativos para o Modernismo

A partir da primeira obra, Mário de Andrade não deixou mais o palco das atividades literárias e artísticas,
destacando-se, nos anos que se seguiram, como o principal animador do movimento que marcaria a história
cultural do Brasil - a Semana de Arte Moderna, realizada em 1922.
Primeira obra do Modernismo

No mesmo ano da Semana, 1922, Mário publicou Paulicéia Desvairada, livro de poemas logo acatado como
marco do Modernismo brasileiro. A parte mais importante da obra chama-se Prefácio Interessantíssimo em
que o autor declara a fundação do Desvairismo.

Professor de História da Música

Ainda em 1922, foi nomeado para a cátedra de História da Música e da Estética, no Conservatório
Dramático e Musical de São Paulo. Não abandonou, porém, a literatura, participando ativamente da
efervescência artística, ideológica e até política daqueles anos.

Ensaio de teoria poética

Em 1925, publica a obra A escrava que não é Isaura, verdadeira súmula da teoria poética modernista.

Fim da fase radical

Em 1926, Mário de Andrade publica os livros Losango cáqui (poesias) e Primeiro andar (contos),
encerrando, segundo os estudiosos de sua obra, a fase mais radical e experimentalista.

Obras mais importantes

Em 1927, Mário de Andrade publicou Amar, verbo intransitivo, marcando a sua estréia no romance. Em
1928, publicou sua obra mais lida e admirada, Macunaíma. Os dois livros são considerados os mais
importantes de sua produção literária.

Criação literária e música

Mário de Andrade soube conjugar uma vida de intensa criação literária com o estudo apaixonado da
música, das artes plásticas e do folclore brasileiro.

Diretor de cultura

De 1934 a 1937, Mário de Andrade dirigiu o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, fundou a
Discoteca Pública, promoveu o I Congresso da Língua Nacional Cantada e dinamizou a excelente Revista
do Arquivo Municipal.

"Eu sou trezentos"

Deduz-se dessa frase que Mário de Andrade foi um autor de múltiplas atividades intelectuais. Foi grande
poeta, ensaísta, folclorista, crítico de arte e de literatura, ficcionista.

Morte aos 51

Mário de Andrade faleceu na sua cidade natal, em 25 de fevereiro de 1945, aos 51 anos de idade.

Obras de MÁRIO DE ANDRADE

POESIAS PROSA

1. Há uma gota de sangue em cada poema - 1. Primeiro andar (contos) - 1926


1917
2. Amar, verbo intransitivo (romance) - 1927
2. Paulicéia Desvairada - 1922
3. Macunaíma (rapsódia) - 1928
3. Losango Cáqui - 1926
4. Losango Cáqui - 1926
4. Clã do Jabuti - 1927
5. Clã do Jabuti - 1927
5. Remate dos Males - 1930
6. Remate dos Males - 1930
6. Lira Paulistana (póstuma) - 1947
7. Lira Paulistana (póstuma) - 1947
7. O Carro da Miséria (póstuma) - 1947
8. O Carro da Miséria (póstuma) - 1947

CRONOLOGIA BIOGRÁFICA DE MÁRIO DE ANDRADE

1893 - 9 de outubro - Mário Raul de Morais Andrade nasceu na cidade de São Paulo, na Rua Aurora. Seus
pais: Carlos Augusto de Andrade e Maria Luísa Leite de Morais Andrade.

1905 - Ingressou no Ginásio Nossa Senhora do Carmo, ali completando o então chamado bacharelado em
Ciências e Letras.

1905 - Entrou para o Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, diplomando-se como professor de
piano em 1917.

1905 - Publicou o primeiro livro: Há uma gota de sangue em cada poema, poesia parnasiana inspirada na I
Guerra Mundial. Na obra, adotava o pseudônimo de Mário Sobral.

1921 - Oswald de Andrade publicou o artigo Meu Poeta Futurista, no Jornal do Comércio de São Paulo,
sobre a poesia de Mário de Andrade.

1922 - Tornou-se professor de História da Música no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo.

1922 - Participou das atividades da célebre Semana de Arte Moderna, em São Paulo.

1922 - Publicou o livro Paulicéia Desvairada, inaugurando, oficialmente, o Modernismo brasileiro.

1925 - Publicou A escrava que não é Isaura, ensaio de poética em que o autor retoma as idéias do Prefácio
Interessantíssimo (de Paulicéia Desvairada).

1926 - Publicou o primeiro livro de contos, Primeiro andar.

1926 - Publicou Losango cáqui, livro de poemas.

1927 - Estreou no romance com a obra Amar, verbo intransitivo.

1927 - Publicou Clã do jabuti, livro de poemas.

1928 - Publicou sua obra máxima, Macunaíma, classificada pelo próprio autor de rapsódia.

1928 - Publicou Ensaio sobre a Música Brasileira.

1929 - Publicou Compêndio de História da Música, livro didático escrito em estilo até então desconhecido
em obras do gênero. A partir de 1942, o livro passa a se chamar Pequena História da Música.

1930 - Publicou Remate dos males, livro de poesias. O título foi tirado de um lugarejo à margem do rio
Amazonas.

1933 - Publicou Música, Doce Música, volume de crítica e folclore.

1934 - Publicou Belas artes, volume de contos. O título faz paródia à obra Malas arte, de Graça Aranha.

1935 - Organizou a passou a dirigir o Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

1935 - Publicou O Aleijadinho e Álvares de Azevedo.

1935 - Criou a Discoteca Pública de São Paulo.

1935 - Promoveu o I Congresso de Língua Nacional Cantada.

1938 - Tornou-se Diretor do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal (Rio de Janeiro).
1939 - Publicou Namoros com a Medicina, volume de folclore.

1942 - Publicou a célebre conferência O Movimento Modernista, síntese crítica desse movimento literário no
Brasil.

1943 - Publicou Aspectos da Literatura Brasileira, livro de crítica literária.

1943 - Publicou Os Filhos de Candinha, coletânea de crônicas.

1945 - Morreu, em São Paulo, aos 51 anos, Mário de Andrade.