ELETRÔNICA DE POTÊNCIA 

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EVANDRO DE CARVALHO GOMES 
CHAVES SEMICONDUTORAS DE POTÊNCIA 
 
DIODOS DE POTÊNCIA 
1. INTRODUÇÃO 
1.1. Um diodo age como uma chave para realizar várias funções. 
1.2. Quando  o  diodo  é  diretamente  polarizado,  ele  começa  a  conduzir  com  uma 
pequena  tensão  direta  sobre  ele,  que  está  na  ordem  de  1V.  Quando  o  diodo  é 
reversamente  polarizado,  apena  uma  corrente  muito  pequena  percorre  o 
dispositivo (IS) até que a tensão reversa (VR) seja alcançada. Essa tensão não deve 
alcançar a tensão de ruptura (VBD) do diodo. 
 
2. CURVA CARACTERÍSTICA REAL DO DIODO 
2.1. As curvas características v‐i do diodo podem ser expressa pela equação conhecida 
como equação de Schockley, que é dada por: 

1  

Onde: 
a)
b)
c)
d)

 = corrente através do diodo; 
 = tensão do diodo; 
 = corrente de fuga ou corrente de saturação reversa; 
 = fator de idealidade ou coeficiente de emissão. 
 é uma constante chamada tensão térmica e é dada por  

 , onde: 

a) q = carga do elétron; 
b) T = temperatura absoluta em Kelvin; 
c) k = constante de Boltzmann. 
 
3. CURVA CARACTERÍSTICA IDEAL DO DIODO 
3.1. Devido  à  baixa  corrente  na  polarização  reversa  e  baixa  tensão  na  polarização 
direta, as características i‐v de um diodo podem ser idealizadas como mostrado na 
Fig.1. Essa idealização pode ser usada para analisar as topologias de conversores. 
3.2. Na transição do estado desligado para ligado, o diodo pode ser considerado uma 
chave ideal, pois se liga rapidamente comparado aos transitórios nos circuitos de 
potência. Entretanto, na transição do estado ligado para desligado, a corrente do 
diodo se inverte durante um período de tempo (trr) antes de cair para zero, como 
mostrado na Fig.2. 

Fig.1 – Diodo e curva característica ideal 
 

 

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Fig.2 – Tempo de recuperação reversa do diodo. 

 

 
4. CURVA CARACTERÍSTICA DA RECUPERAÇÃO REVERSA 
4.1. Uma  vez  que  o  diodo  esteja  no  modo  de  condução  direta  e  então  sua  corrente 
direta  seja  reduzida  a  zero,  o  diodo  continua  conduzindo  devido  os  portadores 
minoritários que permanecem armazenados na junção PN. 
4.2. O tempo de recuperação reversa é dependente da temperatura da junção, da taxa 
de decaimento da corrente direta e da corrente direta antes da comutação. 
4.3. Podemos  calcular  o  tempo  de  recuperação  reversa  e  a  corrente  de  recuperação 
reversa de pico da seguinte maneira: 

 
4.4. Observando  o  gráfico,  a  corrente  de  recuperação  reversa  de  pico  pode  ser 
expressa através de 

, pois quando 

 teremos 

. Assim: 

 
 
 
(1)

  

(2)
(3)

 
 

De (1) podemos retirar a equação (5) 
Substituindo a equação (3) em (5) teremos (6) 

 
 

Se   for desprezível, quando comparado com  , o que normalmente é o caso, 
então: 

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2

2

 

 

5. TIPOS DE DIODOS DE POTÊNCIA 
5.1. Dependendo dos requisitos de aplicação, vários tipos de diodos estão disponíveis: 
a) Diodo Schottky; 
b) Diodo de recuperação rápida; 
c) Diodos genéricos (ou diodos de linha) 
5.2. Idealmente um diodo não deve ter tempo de recuperação reversa. 
5.3. Os  diodos  retificadores  genéricos  têm  tempo  de  recuperação  reversa 
relativamente alto (25µs) e são utilizados em aplicações de baixa velocidade e são 
utilizados em retificadores e conversores de baixa frequência (até 1kHz). 
5.4. Os  diodos  de  recuperação  rápida  têm  trr  baixo  (<5  µs)  e  são  usados  em 
conversores CC‐CC e CC‐CA. 
5.5. O problema de armazenamento de cargas em uma junção PN pode ser eliminado 
(ou  minimizado)  em  um  diodo  Schottky.  Isso  é  obtido  fazendo  uma  barreira  de 
potencial com um contato entre um metal e um semicondutor. 
5.6. Um  diodo  Schottky  tem  uma  queda  de  tensão  no  sentido  direto  relativamente 
baixa e a corrente de fuga é maior que a de um diodo de junção PN. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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TIRISTORES: CHAVE CONTROLADA DE SILÍCIO ‐ SCR 
 
1. INTRODUÇÃO 
1.1. Tiristor é o nome genérico atribuído a uma série de componentes semicondutores 
de quatro camadas PNPN. 
1.2. O  SCR  é  um  retificador  que  pode  ser  controlado  cujas  características  são 
semelhantes  as  do  diodo.  Pode  ser  considerado  como  chaves  ideais  para  muitas 
aplicações; 
1.3. O SCR possui três terminais: anodo, catodo e gatilho; 
1.4. A queda de tensão direta é pequena e tipicamente 1V; 
1.5. A corrente de travamento (ou partida) é a mínima corrente de  anodo necessária 
para manter o tiristor no estado de condução imediatamente após um tiristor ter 
sido ligado e o sinal de gatilho ter sido removido; 
1.6. O  tiristor  entrará  em  seu  estado  de  bloqueio  se  a  corrente  direta  de  anodo  for 
reduzida abaixo de um nível conhecido como corrente de manutenção; 
1.7. A corrente de travamento é maior que a corrente de manutenção; 
1.8. Um tiristor pode ser ligado pelo aumento da tensão direta 
 além de 
, mas 
tal forma de ligá‐lo pode ser destrutiva; 
1.9. O tiristor é disparado pela aplicação de uma tensão positiva entre seus terminais 

de gatilho e catodo, mantendo o valor da tensão direta abaixo de 
 
2. CURVA CARACTERÍSTICA 
 
 
 
 
 
 
 

 

Curva característica V‐I 
 

Símbolo do SCR 

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3. MODELO DO TIRISTOR COM TRANSISTORES 

 
 
4. DISPARO DE UM TIRISTOR 
4.1. Um  tiristor  é  disparado  aumentando‐se  a  corrente  de  anodo.  Isto  pode  ser 
conseguido através de uma das seguintes formas: 
a) Disparo por pulso de gatilho (corrente de gatilho); 
b) Disparo por Sobretensão (Tensão elevada VBO); 
c) Disparo por   (Taxa de crescimento da corrente anodo‐catodo) ; 
d) Disparo por aumento de temperatura; 
e) Disparo por luz ou radiação (LASCR). 
4.2. CIRCUITO DE CONTROLE DE GATILHO: 
• O sinal de gatilho deve ser removido após o disparo do SCR; 
• Enquanto  o  SCR  estiver  reversamente  polarizado,  não  deverá  haver  sinal  de 
gatilho; 
• A  largura  do  pulso  de  gatilho  deve  ser  maior  que  o  tempo  necessário  para  a 
corrente de anodo crescer até o valor da corrente de manutenção. 
 
5. MÉTODOS DE COMUTAÇÃO DE UM TIRISTOR (SCR) 
5.1. Comutar um tiristor significa levá‐lo ao estado de bloqueio; 
5.2 Existem três formas principais de bloqueio de um SCR: 
a) Comutação Natural 
¾ Quando se reduz a corrente de anodo abaixo de um valor mínimo 
 , chamado corrente de manutenção (holding current). 
b) Comutação por Polarização Reversa 
¾ A comutação por fase ou comutação pela rede bloqueia o SCR 
devido o semi‐ciclo negativo. (CA) 
¾ A comutação forçada utiliza um capacitor carregado para polarizar 
reversamente o SCR. (CC) 

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c) Comutação por Pulso de Corrente 
¾ Existem dispositivos especiais em que a aplicação de um pulso 
negativo de corrente no gatilho faz seu bloqueio. Ex: GTO. 
 
6. TEMPO DE DESLIGAMENTO 
6.1. É  o  tempo  necessário  para  a  corrente  de  anodo  atingir  zero  e  a  tensão  anodo‐
catodo  também  atingir  zero.  É  um  parâmetro  importante  do  tiristor  especificado 
nos datasheets por (tq); 

 
 
7. PROTEÇÕES DO TIRISTOR 
a) CONTRA  

 

Na prática, a taxa de variação da corrente é evitada através de um indutor 
em série; 

 
 

b) CONTRA  

 

A proteção contra a taxa de variação da tensão será realizada através de 
um circuito snubber (circuito RC) em paralelo com o tiristor. 
 
c) CONTRA TRANSITÓRIOS NO GATILHO 
• Para evitar transistórios no gatilho provenientes do acoplamento indutivo 
ou capacitivo entre as partes de potência e de sinal utilizamos 
transformadores de pulso, acopladores ópticos, diodos entre gatilho e 
catodo para evitar polarização reversa e resistores para eliminar a 
sensibilidade de gatilho. 
 
d) CONTRA SOBRETEMPERATURA 
• Proteção com dissipador de calor e sensores de temperatura. 
 
e) CONTRA SOBRETENSÃO 

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Evitar a tensão de Breakover através de supressores de transientes 
(fusíveis associados a varistores). 

 
8. CARACTERÍSTICAS DE GATILHO E CIRCUITOS DE DISPARO DE TIRISTORES 
 ficar negativa, há a possibilidade de fluir uma corrente negativa no 
8.1. Se a tensão 
gatilho podendo danificar o componente; 
8.2. A permanente aplicação de tensão positiva no gatilho pode provocar dissipação 
adicional no dispositivo; 
8.3. A presença de uma resistência entre gatilho e catodo torna o SCR menos sensível, 
melhorando sua especificação 

 ; 

8.4. Um capacitor entre o gatilho e catodo além de melhorar o 

 , também 

remove o ruído de alta frequência. No entanto, esse capacitor pode provocar 
retardo no disparo e por ficar com uma tensão armazenada pode provocar falha 
de comutação; 
8.5. Ponto de Operação do Gatilho: 

 
8.6. O disparo por pulso reduz a potência dissipada. Através de dispositivos adequados 
consegue manter isolação entre o sinal de disparo e o dispositivo, possibilitando o 
disparo de vários tiristores com uma única fonte geradora de sinal. 
8.7. Para pulsos longos (100µs), os valores CC são aplicados. Na prática, para pulsos 
curtos, aplicamos um valor de corrente 5 vezes (Igt) durante 5 µs. 
8.8. Podemos utilizar pulsos de qualquer forma de onda. 
 
9. TIPOS DE TIRISTORES 
a) Tiristor de controle de fase → opera geralmente na frequência da rede (SCR); 
b) Tiristor de chaveamento rápido → utilizado em aplicações de alta velocidade com 
comutação forçada (CHOPPERS); 
c) Tiristor de desligamento pelo gatilho – GTO → É disparado por um pulso positivo e 
desligado por um pulso negativo em seu gatilho; 
d) Tiristores triodos bidirecionais → Pode conduzir em ambos os sentidos e é 
normalmente utilizado em controle de fase CA (TRIAC); 

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e) Tiristor de condução reversa → Um diodo em atiparalelo é conectado através de 
um SCR (RCT); 
f) Tiristores de indução estática → É normalmente disparado por uma tensão 
positiva no gatilho e desligado por uma tensão negativa (SITH); 
g) Retificadores controlados de silício ativados pela luz → disparado por radiação 
direta de luz ( LASCR); 
h) Tiristores controlados por FET → Combina um MOSFET e um tiristor em paralelo. 
Aplicado onde o disparo óptico é utilizado (FET‐CTH); 
 negativa e 
i) Tiristores controlados por MOS → O MCT é ligado por uma tensão 
 positiva. Ele não pode ser facilmente excitado a 
desligado por uma tensão 
partir de um transformador de pulso. 
j) A chave controlada de silício (SCS) → Possui aplicações para baixa potência, tempo 
de comutação menor, conduz por pulso positivo no gatilho ou através de um pulso 
negativo no gatilho de anodo e o bloqueio é realizado por pulso positivo no gatilho 
de catodo. 
 
10. COMPONENTES UTILIZADOS EM CIRCUITOS DE DISPARO: 
a) Circuito de disparo com rede defasadora; 
b) TUJ 
c) TUP 
d) Diodo de 4 camadas Schottky 
e) SUS/SBS 
f) DIAC 
g) Lâmpada Neon 
h) Transformador de pulso 
i) Opto‐acoplador 
j) Circuitos Integrados Dedicados 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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TIRISTORES TRIODOS BIDIRECIONAIS ‐ TRIAC 
 
1. INTRODUÇÃO 
1.1. Um  TRIAC  pode  conduzir  em  ambos  os  sentidos  e  é  normalmente  utilizado  em 
controle de fase CA; 
1.2. Pode ser considerado como dois SCRs conectados em antiparalelo com um gatilho 
comum; 
1.3. Além de conduzir nos dois sentidos, o mesmo pode ser disparado com tanto por 
pulso positivo como por pulso negativo; 
 
 

 

Curva característica V‐I 

Símbolo do TRIAC 

 

 

 
 
Circuito equivalente com SCRs 

 
Estrutura 

 
2. MODOS DE DISPARO; 
2.1. Disparo no Quadrante I 
2.2. Disparo no Quadrante II 
2.3. Disparo no Quadrante III 
2.4. Disparo no Quadrante IV 

 

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Modos de disparo 
 
 
TRANSISTOR DE JUNÇÃO BIPOLAR ‐ BJT 
 

 
 
TRANSISTOR DE EFEITO DE CAMPO METAL‐ÓXIDO‐SEMICONDUTOR ‐ MOSFET 
 

 
 

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TIRISTOR COM DESLIGAMENTO PELA PORTA ‐ GTO 

 
 
TRANSISTOR BIPOLAR DE PORTA ISOLADA ‐ IGBT 

 
 
TIRISTOR CONTROLADO POR MOS ‐ MCT 

 
 

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