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O DIREITO NA ORDEM DO DIA: COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS” Vol. 03
O DIREITO NA ORDEM DO DIA: COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS” Vol. 03
O DIREITO NA ORDEM DO DIA: COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS” Vol. 03

O DIREITO NA ORDEM DO DIA:

COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS”

O DIREITO NA ORDEM DO DIA: COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS” Vol. 03 N.

Vol.

03

N.

02

TAUÃ LIMA VERDAN RANGEL (Organizador)
TAUÃ LIMA VERDAN RANGEL (Organizador)

TAUÃ LIMA VERDAN RANGEL (Organizador)

TAUÃ LIMA VERDAN RANGEL (Organizador)

O DIREITO NA ORDEM DO DIA:

COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS” (Vol. 03 n. 02)

Capa: Salvador Dalí, “Vestígios atávicos após a chuva” (Atavistic vestiges after the rain), 1934. Comissão
Capa: Salvador Dalí, “Vestígios atávicos após a chuva” (Atavistic
vestiges after the rain), 1934.
Comissão Científica
Tauã Lima Verdan Rangel
Editoração, padronização e formatação de texto
Tauã Lima Verdan Rangel
Conteúdo, citações e referências bibliográficas
Os autores
É de inteira responsabilidade dos autores os conceitos aqui
apresentados. Reprodução dos textos autorizada mediante
citação da fonte.

APRESENTAÇÃO

O Projeto “Dispersar Direitos” substancializa uma proposta apresentada pelo Professor Tauã Lima Verdan Rangel, na ministração de suas disciplinas. O escopo principal do projeto supramencionado é despertar nos discentes do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo uma visão reflexiva e crítica sobre o universo jurídico. Trata-se de uma abordagem de temas tradicionais e contemporâneos do Direito, tal como suas implicações e desdobramentos em uma realidade concreta. Com o título “O Direito na Ordem do Dia”, a coletânea de Projetos de Trabalho de Curso busca explicitar para a Comunidade Acadêmica e o público interessado os esforços dos discentes do terceiro período, turno noturno, turma A, do Curso de Direito na construção de artigos acadêmicos interdisciplinares arrojados e contemporâneos. Para tanto, a proposta pauta-se na conjugação de diversos segmentos do conhecimento e a utilização de mecanismos de ensinagem que dialoguem conteúdo teórico com habilidades prática em conteúdos jurídicos,

despertando e aprimorando habilidades

imprescindíveis aos Operadores do Direito.

O leitor poderá observar que os temas são

heterogêneos, abarcando realidades locais e peculiares

do entorno da Instituição de Ensino Superior, tal como

questões mais abrangentes. Trata-se da

materialização do diferencial do Curso de Direito do

Centro Universitário São Camilo-ES, ao formar

Bacharéis em Direito capazes de atuar com o plural e

diversificado conhecimento inerente ao Direito, sem

olvidar da realidade regional, dotadas de

peculiaridades e aspectos diferenciadores que

vindicam uma ótica específica.

Boa leitura!

Tauã Lima Verdan Rangel Coordenador do Núcleo de Trabalho de Curso e Pesquisa do Curso de Direito

Í N D I C E

A importância humanística do patrimônio cultural na

formação do indivíduo: um viés interdisciplinar

08

Conciliação:

o

que

a

sociedade

tem

como

conceito?

30

O direito humano a autonomia dos arranjos familiares: o reconhecimento do poliamor como

manifestação da busca pela felicidade e realização do

indivíduo

50

Aspectos

médicos

e

jurídicos

sobre

o

direito

de

morrer

74

A

percepção

da

população

cachoeirense

sobre

a

utilização

de

drogas

ilícitas

no

tratamento

de

doenças

96

Estupro: conceituação, comentários e a culpabilização da vítima em uma sociedade patriarcal e

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COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS”

O DIREITO NA ORDEM DO DIA: COLETÂNEA DE ARTIGOS DO PROJETO “DISPERSAR DIREITOS”

A

IMPORTÂNCIA

HUMANÍSTICA

DO

PATRIMÔNIO

CULTURAL

NA

FORMAÇÃO

DO

INDIVÍDUO:

UM

VIÉS

INTERDISCIPLINAR.

GALVÃO, Amanda das Neves 1 , CASTILHO, Marize Ribeiro 2 BAYERL, Paula Bahiense 3 RANGEL, Tauã Lima Verdan 4

Resumo: Este artigo propõem expor a importância da implementação da Cultura no currículo escolar Brasileiro, buscando demonstrar que há Leis que garantam aos discentes a implementação do currículo escolar. Pretende-se expor que, com a socialização do aluno diante as outras culturas, trará uma maior integração, visto que a sociedade atual é feita por uma sociedade mista, tendo como objetivo a escola ser uma das grandes responsáveis pela socialização dos alunos, e de extrema importância que a família demonstre em parceria com o corpo docente, assim procura-se formar cidadãos conscientes.

1 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, amandaneves12@hotmail.com;

2 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, marizecastilho@hotmail.com;

3 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, paula-bahiense@hotmail.com;

4 Doutorando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense. Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFF. E-mail:

taua_verdan2@hotmail.com

Palavra-Chave: Cultura, Educação, Leis. Cultura Afro.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo pretende expor a importância da cultura na vida educacional do discente, pois é por meio da cultura que se conhece a história do local, os motivos enraizados em cada gesto, desde alimentação até o modo de se vestir. Sabe-se que o Brasil é um país que sofreu uma influência da miscigenação dos povos muito forte, e que a cultura mista é uma consequência disto. No entanto esta mistura de costumes, tradições, somente acrescentou a uma nova identidade, a cultura brasileira. Visando que todos tenham acesso a um estudo mais profundo ou ao um melhor conhecimento de tais culturas foi inserida a lei nº 11.645, de Março de 2008, que regulamenta e introduz nos estabelecimentos públicos ou privados de ensino fundamental e médio, o estudo da história, da cultura afro-brasileira, e indígena. Mediante a introdução da cultura afro, pode-se citar

Kabengele e a sua concepção no que diz respeito à importância da introdução da cultura afro:

O resgate da memória coletiva e da história da comunidade negra não interessa apenas aos alunos da

ascendência negra (

essa memória não pertence somente aos negros. Ela pertence a todos, tendo em vista que a cultura da qual nos alimentamos cotidianamente é fruto de todos os segmentos étnicos que, apesar das condições desiguais

disso,

)

Além

nas quais se desenvolvem, contribuíram cada um de seu modo na formação da riqueza econômica e social e da identidade nacional. (MUNANGA, 2006, p. 98).

É perceptível que antes da introdução da Lei 11.645, os povos indígenas e a cultura afro- brasileira vivenciaram um período de esquecimento, de agressão a cultura, visto que suas etnias são bases alicerçadas na construção da história do país. É possível recorda que os próprios portugueses chamaram os habitantes aqui encontrados de nativos, dentre outras expressões; muitas depreciativas que diminuíam e demonstrava que a influência sofrida por povos aqui já existentes não

tinham a menor relevância para a construção da cultura brasileira. Apesar de tardia o reconhecimento da miscigenação da cultura hoje existente no Brasil, é de extrema importância, pois é por meio do conhecimento que se forma cidadãos conscientes que buscam a igualdade social, e a diminuição de preconceitos, tais como o racismo e a injúria racial. O objetivo de implantar tal lei é o fortalecimento de identidade e a garantia de que não sejam negadas ou distorcidas práticas advindas de outras culturas, além de resgatar e preservar as mesmas, no qual não se encontram apenas nas técnicas preservadas por um povo, também transcendem os locais que caracterizam e demonstram expressamente a história do local, ultrapassando valores financeiros, tornando-se patrimônio local. A Constituição Federal traz em seu dispositivo legal o comprometimento do Estado como garantidor das manifestações culturais, e o acesso a elas, tal diretriz encontra-se no artigo 215 da CF/88, onde diz:

Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e

a difusão das manifestações culturais.

§ 1º O Estado protegerá as

manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de

outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.

§ 2º A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para os diferentes segmentos étnicos nacionais.

§ 3º A lei estabelecerá o Plano

Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à

integração das ações do poder público

que conduzem à:

I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;

II produção, promoção e difusão de

bens culturais;

III formação de pessoal qualificado

para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões;

IV

democratização do acesso aos bens

de

cultura;

V valorização da diversidade étnica e

regional.(BRASIL, 1988)

2 CULTURA

Passa-se, agora, a analisar o que é cultura e como ela pode influenciar na formação do indivíduo de modo geral. A palavra cultura em uma análise ampla não pode ser conceituada de forma taxativa, pois, a depender da abordagem, que pode ser filosófica, sociológica, antropológica, jurídica e até mesmo social, entre outros, têm-se conceitos e fundamentos diferentes. Em uma abordagem de forma genérica, podemos entender a cultura como um conjunto de conhecimentos, crenças, comportamentos, costumes, práticas sociais, que caracterizam determinado grupo ou povo e que é transmitido de pai para filho, perdurando de geração em geração. Nesse aspecto, percebemos que a pratica cultural é definida a depender de onde se vive, e a qual grupo social o indivíduo faz parte, ou seja, o homem passa a se organizar socialmente de forma racional, pontuando características específicas de grupo, formulando bases para um comportamento comum a todos

daquele grupo, e com isso cria automaticamente um patrimônio que perpassará gerações, e essas gerações poderão ou não acrescer ou diminuir o que se tem como comportamento padrão, ou seja, o conjunto definidor do patrimônio cultural. E isso ocorre porque, o processo de formação cultural de um indivíduo, ou um grupo tem como característica marcante a adaptação, ou seja, com o passar do tempo, acaba por ser necessário criar formas comportamentais ou estruturais diferentes das tidas como comuns, conforme as mudanças e hábitos do ambiente do qual se está inserido. Quando se fala de patrimônio cultural, falamos de uma construção evolutiva de características específicas de grupos sociais, com fundamentos em crenças, costumes, valores fortalecidos ao longo do tempo. E para que este patrimônio seja vivenciado por várias gerações é preciso que sua divulgação seja iniciada desde cedo, ou seja, os ensinamentos sobre a cultura de um povo devem ser transmitidos de forma sistemática ao indivíduo desde seus primeiros anos,

acompanhando seu desenvolvimento e formação, sustentando os princípios característicos do meio em que se vive. A cultura em todos os seus aspectos tem como princípio a busca pelo fortalecimento da identidade pessoal e social do indivíduo, através da integração deste na família e na comunidade, o que permitirá a identificação e construção de valores sociais e éticos-morais alicerçados na formação educacional de cada um. A formação educacional do indivíduo abarca os ensinamentos transmitidos de pai para filho, ou seja, no âmbito familiar, assim como na própria escola, e nesse sentido surge a importância da educação patrimonial e o papel determinante do educador como propulsor de praticas preservacionista do patrimônio cultural. E nesse sentido discorre Márcia Botelho Fagundes:

A educação esta comprometida com valores éticos. Educar não é somente informar, transmitir conhecimentos, mas também integrar o educando em uma cultura com características particulares, como a língua, as tradições, as crenças e os estilos de

vida de uma sociedade (FAGUNDES, 2001, p. 17).

Portanto, o processo de desenvolvimento e propagação cultural de um povo deve ser harmonicamente transmitido, tanto pela família quanto pela escola. Sendo assim, podemos identificar que cultura é um vasto campo de análise, onde seus aspectos e características sustentam ideologicamente a formação de um povo, de um grupo social, uma comunidade ou até mesmo uma família, e que a transmissão e manutenção do patrimônio cultural vão muito além do âmbito familiar, tendo a escola um papel determinante na construção de valores éticos e culturais do indivíduo.

3

FORTALECIMENTO DO PATRIMÔNIO

IMPORTANCIA DA ESCOLA NO

A

CULTURAL

Inicialmente, é sabido que a educação e aprendizagem das crianças começam dentro do seio

familiar, com a participação indispensável dos pais ou responsáveis, antes mesmo que elas entrem no meio escolar, ou que estejam inseridas com o mundo externo. Portanto, como já mencionado, a primeira ideia de cultura trazida ao individuo é transmitida pelo meio familiar, e dentro deste aspecto o conceito de cultura acaba por ser mais restrito, pois se limitas em muitos casos ao aprendizado da própria cultura, sem muita abrangência aos conceitos culturais de outros grupos. Dentro do contexto escolar, temos uma estruturação que permite criar elos entre várias gerações, com uma abrangência mais ampla que possibilita um entendimento interdisciplinar dos vários conceitos de cultura, além de uma maior aproximação entre culturas diversas. Com isso, a escola através da educação e do ensino coletivo proporciona o fortalecimento do patrimônio cultural, intensificando a relação das pessoas com suas heranças culturais, e possibilitando o entendimento de sua responsabilidade no tocante a preservação deste patrimônio mostrando ao educando a

necessidades e uma maior consciência e efetivação da valorização deste bem comum. São varias as formas que a escola pode trabalhar para trazer ao educando essa conexão entre aprendizagem e entendimento sobre conceitos e diferenças culturais, e preservação do patrimônio cultural, entre elas: visitas a museus, a bibliotecas públicas, o incentivo de estudos sobre culturas diferentes através de livros ilustrados e com linguagem atrativa, com a apresentação de objetos culturais em sala de aula, além de ações de cunho pedagógico-participativo que envolva toda comunidade escolar, instigando assim a curiosidade do educando e possibilitando a este um maior entendimento do todo cultural.

A educação patrimonial nada mais é

do

de

para

Compreende

desde

de

ensino,

conteúdos

versem sobre o conhecimento e a

que

de

interdisciplinar

ao

patrimônio

currículos

escolares

proposta

voltada

que

uma

ensino

questões

a

atinentes

níveis

ou

cultural.

inclusão,

de

de

todos

nos

os

temáticas

programáticos

conservação do patrimônio histórico, até a realização de cursos de aperfeiçoamento e extensão para os educadores e a comunidade em geral, a fim de lhes propiciar informações acerca do acervo cultural, de forma a habilitá-los a despertar, nos educandos e na sociedade, o senso de preservação da memória histórica e o conseqüente interesse pelo tema (ORIÁ, 2005).

Portanto é de suma importância que a educação patrimonial esteja inserida nos currículos escolares, pois possibilitando uma maior proximidade do educando com a aprendizagem de conceitos culturais, contribui para que este tenha uma real consciência no tocante a da preservação de memórias históricas.

4 A DEFESA DO PATRIMÔNIO CULTURAL NO BRASIL

O Brasil tem como característica a miscigenação cultural, ou seja, devido a grandes transformações históricas, vários povos com culturas diferentes passaram a viver aqui, e essa

diversidade cultural contribuiu para a formação da etnia brasileira. Com o passar do tempo, surge à preocupação de preservar e manter o patrimônio cultural característico de cada grupo, e uma das formas encontradas, é a propagação desse patrimônio através da educação.

A necessidade da educação

patrimonial ou da utilização do acervo cultural brasileiro como objeto de

estudo nos currículos e programas escolares já se constituía uma preocupação dos ideólogos do patrimônio cultural, a exemplo de Rodrigo Melo Franco de Andrade.

Para ele, só havia um meio eficaz de

assegurar a defesa do patrimônio histórico e artístico nacional - a educação popular. Tanto assim é que o prêmio concedido anualmente pelo IPHAN às melhores ações de preservação do país contempla, entre outras categorias, a modalidade de educação patrimonial (ORIÁ, 2005)

Outro mecanismo de preservação do patrimônio cultural brasileiro foi à criação do Instituto Histórico e Artístico Nacional IPHAN. Este órgão criado inicialmente como uma

secretaria no governo Vargas, vem atuando no sentido de concretizar esse processo educacional, e para isso criou o Guia Básico de Educação Patrimonial, que contem propostas para o desenvolvimento de ações que possibilitam o reconhecimento das pessoas no tocante as questões do patrimônio cultural. Além disso, o legislador preceitua no artigo 1°, caput, da Lei 9.394/96 a importância das manifestações culturais do processo de formação do indivíduo, onde descreve:

A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. (BRASIL, 1996)

Atualmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional destaca, no seu artigo 26, que a parte diversificada dos currículos dos ensinos fundamental e médio deve observar as

características regionais e locais da sociedade e da cultura, o que abre espaço para a construção de uma proposta de ensino voltada para a divulgação do acervo cultural dos estados e municípios.

5 A CULTURA AFRO NO BRASIL

Como já mencionado anteriormente, o Brasil tem como característica a miscigenação e um dos povos que mais proporcionou e ainda proporciona a efetivação dessa diversidade cultural, são os africanos. O Brasil conta com uma grande parte da população africana em seu território. A maior parte da população africana fora do seu continente de origem encontra-se em terras brasileiras, e isso faz com que o patrimônio cultural dos africanos se misture com o patrimônio cultural dos brasileiros, pois sua cultura é muito marcante em todo território brasileiro, o que contribui para a formação étnico-social brasileira. As manifestações culturais africanas por muito tempo sofreram represálias no Brasil, ou seja,

por um longo período, os negros foram proibidos de exporem qualquer forma de manifestação cultural próprias de seu grupo social, como rituais, manifestações de crenças, costumes, entre outros. Mas, a partir de meados do século XIX essas manifestações africanas foram liberadas no Brasil. Em todo território nacional, pode-se identificar aspectos característicos da cultura e comunidade africana, tanto é, que os afros descendentes acabam por contribuir na formação atual da identidade do povo brasileiro. Essas contribuições culturais podem ser percebidas na música, na culinária, na linguagem, na dança entre outros. E com intuito de que essa identidade cultural tão presente no Brasil não se perca ou de certo modo seja esquecida, ou ainda, para que seja preservado o patrimônio cultural do povo afro descendente no Brasil, foi criada a Lei 11.645/08, que modifica a Lei 9.394 de20 de dezembro de 1996, trazendo em seu artigo 26-A a obrigatoriedade de introduzir a regulamentar o Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena em todos os

níveis de ensino, ou seja, passa a ser obrigatório em todas as escolas brasileiras, sendo elas públicas ou particulares no nível fundamental e médio.

Art. 1° O art. 26-A da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena. § 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.” (NR)(BRASIL, 2008)

Como já foi visto, a escola tem um papel fundamental nas afirmações e propagação de conceitos culturais. É através da escola que o educando tem a oportunidade, de forma interdisciplinar de estar mais próximo a realidades diferentes, culturas diferentes, e é através desse ensino que passam a respeitar e valorizar as riquezas e legados culturais existentes. E foi pensando nisso que o legislador trouxe para o ordenamento jurídico leis que defendam o patrimônio cultural dos negros e indígenas, ou seja, para que a história dos afros descendentes e indígenas, que foram tão importantes para o Brasil, sejam revividas e reverenciadas ao longo de gerações, pois, são duas culturas que tiveram e ainda tem uma importante parcela na construção social, econômica e histórica do Brasil. Para ilustrar essa miscigenação e influência da cultura afro, na cultura brasileira, segue abaixo, uma figura que caracteriza antes de tudo a união e igualdade ente povos.

Fonte: Maringá . Disponível em <http://www.maringa.com/>. Acesso em 14 jun. 2015. 6 CONCLUSÃO Enfim, todo

Fonte: Maringá. Disponível em <http://www.maringa.com/>. Acesso em 14 jun. 2015.

6 CONCLUSÃO

Enfim, todo legado cultural do Brasil deve-se a esta miscigenação, dessa junção de africanos, índios, portugueses, espanhóis, dentre outros povos que aqui se agregaram. Devida a tantas influências é possível afirmar que a carga cultural aqui existente é extensa e extremamente rica.

Foi possível identificar toda a importância da complementação do currículo escolar, pois por meio do conhecimento de práticas distintas as nossas, que, descobre-se que o diferente é aceitável e respeitável, é inegável que com a implantação da lei 11.645 é que houve uma maior consciência e respeito ao legado cultural. As instituições educacionais tem como dever propor a integração, deve-se dispor de meios pelo qual o discente tenha o contato direto com uma proposta curricular, como ter acesso a Museus, centros de arte e cultura, comunidades quilombolas, locais tombados e resguardados de carga histórica. Vale ressaltar, também, sobre a importância da opinião dos pais sobre a prática de culturas distintas, pois se deve lembrar que a primeira concepção de cultura e educação vem de casa, sendo uma conjunção com a escola. Assim sendo, foi possível observar no presente trabalho, que quando não se tem conhecimento de cultura distinta a nossa, pode-se equivocar-se mediante a cultura alheia, para que

isso não ocorra, é necessário que a família e a

escola, incentivem o conhecimento ao desconhecido

com respeito. Foi perceptível que a cultura afro, por

anos sofreu discriminação, levando há um grande

caminho até ser reconhecida como grande

precursora caracterizante da cultura aqui existente.

REFERÊNCIA

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 12 jun.

2015.

Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 12 jun.

2015.

Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei n o 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei n o 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em 12 jun. 2015.

BRASÍLIA. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana. DF, jun. 2005.

FAGUNDES, Márcia Botelho. Aprendendo

valores éticos. 4. ed. Belo Horizonte: Autêntica,

2001.

MUNANGA, Kabengele. Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais. Brasília: SECAD, 2006.

ORIÁ, Ricardo. Educação patrimonial: conhecer para preservar. Disponível em:

SEGUINDO os passos da história. : Disponível em: <http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br> Acesso em 12 jun. 2015.

CONCILIAÇÃO: O QUE A SOCIEDADE TEM COMO CONCEITO?

GONÇALVES, Debora de Souza 5 BALDUÍNO, Geiziane Lima Oliveira 6 MARTINS, Pricila de Almeida 7 RANGEL, Tauã Lima Verdan 8

Resumo: O presente tem como objetivo esclarecer se realmente a população sabe o que é Conciliação. Tendo como metodologia pesquisas quantitativas, de observação e doutrinária. Todo indivíduo pode reivindicar os seus direitos através do Judiciário e cada vez mais o acesso à justiça tem aumentado. Entretanto, devido a esse aumento o Judiciário não tem êxito, pois os servidores são poucos e, com isso, gera a insatisfação devido à demora, atendo-se ao tradicionalismo processual pautado na estrutura adversarial.

5 Graduanda do 3º período do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES. E-mail:

deborasohgon@hotmail.com

6 Graduando do 3º período do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES. E-mail:

geiziane_bauduino@hotmail.com

7 Graduanda do 3º período do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES. E-mail:

priciladalmeida@hotmail.com 8 Professor Orientador. Bolsista CAPES. Mestrando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense. Integrante da Linha de Pesquisa “Direito Processual e Acesso à Justiça” e coordenador da sublinha “Direito Fraterno e Mediação”, do Grupo de Estudo e Pesquisa “Constitucionalização de Direito”; taua_verdan2@hotmail.com e tauarangel@saocamilo-es.br

Conciliação, no Poder Judiciário, é nome dado ao acordo de duas pessoas em litigio. Estruturou-se, culturalmente, uma banalização do acesso ao Judiciário, utilizando como mecanismo para obter indenizações e não de resolver os conflitos.

Palavras-Chaves: Conciliação; Acesso à justiça; Cultura do Diálogo; Demandismo; Acordismo.

1 INTRODUÇÃO

O Judiciário de forma a pacificar a sociedade usa da jurisdição para resolver os conflitos de interesses que acarretam uma serie de outros problemas sociais. O Estado como detentor do poder jurisdicional busca manter a paz social, sendo impossibilitado de negar a sociedade o acesso à justiça.

O abuso por parte das empresas prestadoras de serviços, rede de lojas, montadoras, distribuidoras, entre outras, deixam o consumidor aborrecido ao comprar ou contratar algo que no dado momento não era nada daquilo que se dizia ser. Defeitos em mercadorias é o mais comum motivo de ações no Juizado. O que a determinada

empresa poderia resolver com uma simples troca do produto acaba ganhando um repercussão maior, pois negam-se a trocar o produto e acabam tendo que pagar uma indenização maior devido aos danos morais causados ao consumidor. O que poderia ser resolvido com um simples acordo acaba aumentando o número de processos nos cartórios. A demanda é muito grande e os servidores são poucos, acarretando uma insatisfação quanto à agilidade na solução das lides. O que se faz necessário a busca por outros meios para a resolução dos conflitos. Meios mais rápidos e menos estressantes, garantindo ao cidadão uma maior eficácia. O mais comum desses meios é a Conciliação.

2 O SURGIMENTO DA CONCILIAÇÃO E SUA UTILIZAÇÃO COMO MÉTODO DE PACIFICAÇÃO SOCIAL

Na história da conciliação não é possível dizer o momento exato de seu surgimento. Pois se

trata de um comportamento que o homem foi desenvolvendo ao longo da história e que ganhou o meio jurídico. Muito embora este método não tenha muito destaque por parte da sociedade, é o mais indicado, mas devido à falta de esclarecimento por parte do judiciário aos cidadãos, a sociedade fique à deriva e busca o mais burocrático, o judiciário. A prática da conciliação tem como grande objetivo diminuir os conflitos e solucionar os litígios que existem entre as partes através de um consenso que ambas as partes buscaram, evitando a intervenção estatal.

De forma singular, o conciliador, o qual auxilia as partes na solução de divergências, não pode impor-se de forma compulsória ao sugerir, peculiaridade intrínseca ao árbitro ou ao juiz togado. Tecnicamente, deve-se atuar de forma a favorecer o entendimento mútuo fundamentado na aceitação quanto às ponderações e alternativas a fim de solucionar ou dirimir oposição de interesses. Portanto, na conciliação, a conclusão para o impasse se condiciona ao acordo estabelecido entre as partes.

A conciliação espelha-se na autocomposição, uma vez que o mediador se limita, concomitantemente, a orientar as partes com o intuito de se promover a pacificação sem imposição de decisão. O conciliador deve preenche alguns requisitos o mesmos deve ser formado em Direito, Psicologia, Pedagogia, Administração, Economia, ou Assistência Social, estudantes de Direito que já estejam pelo menos no 3º ano. Para que seja mantida a credibilidade do conciliador o mesmo não deve ter interesse na causa, não pertencer ao núcleo familiar das partes. A solução de conflitos garantida pelo Poder Judiciário materializa-se, de forma sistemática, por meio do papel exercido pelo Estado, o qual deve revelar, com imparcialidade, a real vontade da lei. Todavia, diferente da jurisdição estatal, na conciliação, as partes litigantes depositam confiança a um terceiro, que deve atuar com neutralidade ao manifestar-se como um facilitador da promoção de um acordo entre os envolvidos, fomentando um contexto favorável à

harmonização das relações, buscando uma solução consensual que põe um ponto final no litígio ao contrário da jurisdição estatal que pode eternizar o litígio. Assim afirma Francisco José Cahali:

Daí porque se diz uma solução consensual geralmente é respeitada e entendida voluntariamente; já uma solução adjudicada pela sua imposição contrária à vontade das partes provoca inúmeros recursos e, ainda, quando estes não forem possíveis, leva ao descumprimento do decidido, a exigir execução com seus incidentes, tendo como consequência a “eternização” do litígio (CAHALI,

2013).

O artigo 2º, inciso VI, do Código de Ética da Advocacia prenuncia que o advogado deve fomentar a conciliação entre as partes conflitantes, prevenindo a incidência de litígios. Também a mesma lei, no artigo 3º, prediz que o operador do Direito deve entender a ciência jurídica como um meio de dirimir as desigualdades ao solucionar o problema de forma justa, além de compreender a lei

como instrumento garantidor da igualdade de todos (BRASIL, 1995). O meio solucionador de conflitos supracitado tem relevância, sobretudo, nos Juizados Especiais, os quais se fundamentam naquele mediante as causas apresentadas, conforme o que está disposto na lei 9.099 de 26 de setembro de 1995, a qual dispõe sobre os Juizados Cíveis e Criminais (PARANÁ, 2015). A forma conciliada tem sido o alvo preferido das relações conflituosas em detrimento da conciliação judicial, na qual o próprio juiz atua como conciliador do processo. Isso pode ser justificado pelo simples fato de que, no sistema processual brasileiro, aquela tem proporcionado mais agilidade, celeridade, pacificidade e menor custo, além de a probabilidade da incidência de injustiça ser desprezível, uma vez que não se cria uma dicotomia entre vencedor e perdedor, já que são as partes que buscam pela solução do conflito de interesses sob a intermediação do conciliador.

Por ser um terceiro imparcial, o conciliador não possui conhecimento a respeito das relações estabelecidas entre as partes, motivo que facilita a execução do processo de conciliação, tornando o seu desenvolvimento mais célere.

Pela sua natureza, e principalmente por não se investigar, posto que inexistente, a inter-relação subjetiva das partes, o desenvolvimento da conciliação mostra-se mais rápido e de

menor complexidade(

Outras duas

características fundamentais da conciliação são a celeridade do procedimento que, muitas das vezes, se resume a uma única sessão e a desnecessidade de conhecimento

profundo da relação das partes pelo conciliador. (CAHALI, 2013. p.40)

).

Atualmente, há um grande número de processos que tramitam nas Varas do Poder Judiciário, circunstância que tem instigado a procura, pelas partes, de uma das vias extrajudiciais a fim de se solucionar as lides. As normas legislativas têm conferido, progressivamente, mais direitos aos jurisdicionados, os quais têm se aprofundado, incessantemente, no

conhecimento tangível aos seus direitos. O entendimento legal propiciou ao cidadão a faculdade de exigir do Estado o provimento jurisdicional e a efetiva aplicação da norma. Consequentemente, as controvérsias têm se proliferado, contribuindo, de forma indubitável, para um aumento significativo das demandas judiciais. Situação que bem elucida esse contexto são as pertinentes ações judiciais com base no direito do consumidor. A abundância de processos tem onerado os cofres públicos de maneira desnecessária, deixando em desvantagem tantas áreas sociais em virtude dos dispêndios efetuados com as ações judiciais. O moderno sistema jurídico tem apresentado imperfeições, as quais se configuram como porta de entrada para muitas críticas. A conscientização social da existência de uma interface entre os direitos subjetivos e o efetivo acesso à justiça veio à tona a partir do momento em que a percepção humana passa a sensibilizar-se à violação ou ameaça daqueles, buscando como refúgio o Poder Judiciário para a justa reparação de

danos. Logo, o descontentamento surge como fruto de um ineficiente serviço jurisdicional que não se sabe, ao certo, a quem o seu funcionamento tem beneficiado. A inquietação se exterioriza por meio de operadores do Direito e de vários intelectuais como cientistas políticos, sociólogos e economistas, antropólogos, entre outros, com várias indagações em relação à morosidade e ao caráter dispendioso apresentado pelos processos judiciais, além do questionamento sobre quem se responsabilizará em arcar com os custos. Nesse ínterim, foi imprescindível a proeminência do Estado em certificar vias alternativas de solução de situações conflitantes mediante à inidoneidade em prestar tutela jurisdicional para todos os casos que surgiam. CAHALI (2013) chama de zona cinzenta todas as peculiaridades, a qual os intermediários ou orientadores devem analisar para encaminhar as partes para o meio de solução de conflitos pertinentes:

diante de um conflito, pela sua

origem (objetivo ou subjetivo), ou mesmo pelas características pessoais dos envolvidos, detalhes, abrangência ou reflexos posteriores, há uma zona cinzenta, e extensa, entre as situações em que se recomenda um ou outro método de solução. Desta forma, o intermediário, o juiz, o advogado ou aquele orienta as partes a buscar a solução pacífica deverá saber identificar as peculiaridades do conflito para encaminhá-las ao meio de solução alternativa mais eficiente. (CAHALI, 2013. p. 42)

), (

Apesar dos ganhos que a conciliação traz consigo nem sempre será o caminho, pois a caso que não cabe a conciliar onde a situações geralmente relacionadas a direitos indisponíveis ou a situações realmente gravosas, que terá que haver a intervenção do Estado, no caso de homicídio, por exemplo, seria inviável tentar conciliar a família do réu com o autor, pois se trata de um bem maior que é a vida, e por mais que a família entrasse em consenso com o autor, ainda assim o Estado tem que intervir, pois gera um problema social.

3 A VISÃO DA POPULAÇÃO ALEGRENSE ACERCA DO PODER JUDICIÁRIO, BEM COMO A SATISFAÇÃO OBTIDA NAS RESOLUÇOES DOS CONFLITOSA

Os gráficos abaixo trazem os resultados

da pesquisa de cunho quantitativo que foi realizada

com trinta(30) moradores do município de Alegre-

ES, com o intuito de analisar o quão as pessoas

estão satisfeitas com o judiciário e se antes de pedir

a intervenção estatal as mesmas buscam de

maneira consensual estar resolvendo seu conflitos.

buscam de maneira consensual estar resolvendo seu conflitos. Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de

Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de 2015, na cidade de Alegre-ES

Durante pesquisa realizada no município

de Alegre-ES, pode-se observar que são poucas as

pessoas que buscaram o Poder Judiciário para a

resolução dos conflitos. O motivo pelo qual se evitam o judiciário seria o transtorno e aborrecimento causados pela demora.

seria o transtorno e aborrecimento causados pela demora. Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de

Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de 2015, na cidade de Alegre-ES

Dos pesquisados que optaram pelo judiciário (10%), durante a audiência de conciliação ficaram insatisfeitos quanto a posição do conciliador, uma vez que o mesmo se mostrou indiferente não se esforçando para resolver a lide.

Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de 2015, na cidade de Alegre-ES Nas audiências,

Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de 2015, na cidade de Alegre-ES

Nas audiências, em sua maioria, a parte requerida apresenta uma proposta de acordo, porém algumas não são aceitas devido à desproporcionalidade em comparação ao dano sofrido.

proposta de acordo, porém algumas não são aceitas devido à desproporcionalidade em comparação ao dano sofrido.

Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de 2015, na cidade de Alegre-ES

As propostas compatíveis com o dano são aceitas pela parte autora de modo a pôr um fim no conflito.

aceitas pela parte autora de modo a pôr um fim no conflito. Fonte: Pesquisa realizada no

Fonte: Pesquisa realizada no mês de junho de 2015, na cidade de Alegre-ES

No que tange à eficácia do poder judiciário, mesmo aqueles que nunca ajuizaram nenhum tipo de ação, mas que presenciaram alguém da família ou amigos durante o tramite, bem aqueles que já ajuizaram algum tipo de ação avaliaram o Poder Judiciário como sendo bom em

relação a solução dos conflitos. Em algumas das justificativas durante a realização do questionário foi possível analisar que, por mais que demore os resultados, os interesses buscados foram conquistados.

4

DISCUSSÃO

A partir da pesquisa realizada foi possível constatar que a população busca a conciliação e em sua maioria evitam o judiciário, porém quando são obrigadas a solicitar a participação do Estado ficam insatisfeitas, uma vez que não se vê um esforço do judiciário e dos operadores do direito acerca da resolução da lide. A população sabe o que é conciliação e busca o acordo, porém são as empresas que em sua maioria leva a entender que desconhece tal procedimento, violando leis e normas estabelecidas pelo Estado para alegar improcedência do pedido da parte autora. São oferecidas propostas de acordo, porém ao comparar-se com o dano causado à pessoa se tornam

abusivas. Por outro lado sempre que oferecida uma proposta de acordo satisfatória para a parte autora, essa é aceita para que o litígio tenha fim. É o que se pode observar durante as audiências de conciliação. A parte autora quando faz uso da boa-fé não leva em consideração o custo, mas sim a finalização do processo. Há casos em que o judiciário é visto como fonte de lucro onde ações são movidas sem um motivo pertinente. Banalizam o acesso à justiça fazendo com que as pessoas que realmente precisem tenham que esperar anos para ter seus interesses defendidos. O que é considerado algo lamentável para um país com um enorme acervo de Leis. Mesmo em meio a tanta demora o poder judiciário é considerado bom acerca das resoluções de conflitos cumprindo com o papel de lavar a justiça a todos, garantindo os direitos da sociedade como um todo. Quanto mais as pessoas adquirem conhecimento acerca dos seus direitos mais ações serão ajuizadas. Porém uma conscientização que promova a Conciliação deve ser feita em face da

população, pois se trata de um método pouco visto e valorizado.

5 CONCLUSÃO

Quando se fala da valoração do método de conciliação leva-se em conta a satisfação das partes litigantes, uma vez que por intermédio de um conciliador busca-se a os interesses de ambos fazendo com entrem em um consenso no qual o resultado seja de bom proveito para cada um. Cabe observar que aplicação do método de conciliação judicial e extrajudicial é de grande proveito para o meio jurídico para que diminua os processos nos cartórios, acelerando os resultados e aumentando os níveis de satisfação da população. A celeridade é um de muitos benefícios oferecidos pela conciliação, pois o conciliador leva as partes a trabalhar dentro da zona do possível, não existindo autor e réu, e sim partes. Todas as formas de se poupar tempo de maneira legitima é bem recepcionada pela sociedade. Buscar alternativas

amigáveis de se resolver os problemas é o melhor

para as partes, vez que evita transtornos futuros.

Portanto a Conciliação como método

eficaz de resolução de conflitos busca diminuir o

risco de insatisfação das partes, uma vez que não há

imposição de decisão de um terceiro, são as partes

que, mediadas e auxiliadas pelo juiz/conciliador,

analisam o que é melhor para ambos, ou seja, os

próprios componentes da lide que decidem o

desfecho a ser dado.

A conscientização da população em

relação a constituição está acontecendo dia após dia.

Mesmo que seja algo que possa levar tempo até que

todos tomam conhecimento A Conciliação é a forma

mais aconselhável de resolução de conflitos, a forma

mais benéfica, pois é um meio mais ágil, mais

econômico, e eficaz que tem como base o consenso

das partes.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Código de Ética e Disciplina da OAB. Disponível

em:<http://www.oab.org.br/content/pdf/legislacaooa b>. Acesso em: 14 jun. 2015.

CAHALI, Francisco José. Curso de Arbitragem:

resolução CNJ 125/2010 (e respectiva emenda de 31 de janeiro de 2013): mediação e conciliação. 3.ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais,

2013.

OLIVEIRA JUNIOR, Evaldo Rosário de. Revista Jus Navigandi. Disponível em:

mediacao-conciliacao-e-arbitragem >. Acesso em: 09 jun. 2015.

PARANÁ (ESTADO). Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. Disponível em:

<https://www.tjpr.jus.br>. Acesso em: 09 jun. 2015.

SCAVONE JÚNIOR, Luiz Antônio. Manual de Arbitragem, mediação e conciliação. 5.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014.

O DIREITO HUMANO A AUTONOMIA DOS ARRANJOS FAMILIARES: O RECONHECIMENTO DO POLIAMOR COMO MANIFESTAÇÃO DA BUSCA PELA FELICIDADE E REALIZAÇÃO DO INDIVÍDUO

PEREIRA, Carlos Tadeu Decoté 9 ZAPOLLA NETTO, José Carlos 10 RANGEL, Tauã Lima Verdan 11

Resumo: Esse presente estudo tem como objetivo demonstrar modelos mais diversificados de arranjos familiares, o poliamor, que pretende expor o livre manifesto do indivíduo pela busca da felicidade, o que é algo que sempre esteve presente na sociedade, porém ainda é mal visto, e como o direito é uma poderosa ferramenta que sempre está presente na sociedade e evoluindo junto com a mesma deve se atentar para essas novas situações, pois como é sabido a legislação vigente já aceita alguns modelos diversificados de constituição de família, e como esses arranjos estão evoluindo em

9 Graduando do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, carlostadeuads@gmail.com; 10 Graduando do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, josecarloszapolla@hotmail.com; 11 Professor Orientador. Doutorando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense.

taua_verdan2@hotmail.com.

proporções diversificadas, não caberia ao Estado privar o indivíduo de buscar a sua felicidade ou a sua realização pessoal ao se relacionar com outra pessoa além de seu cônjuge.

Palavras-Chave: Poliamor; Arranjos Familiares; Relacionamentos Simultâneos; Famílias Simultâneas.

1 INTRODUÇÃO

O desdobramento desse trabalho irá explanar sobre o poliamor, um assunto que gera bastante repercussão e que sempre esteve presente na sociedade, mesmo que de maneira ilegal. A partir disso pretende-se abordar o direito a autonomia dos arranjos familiares, em uma visão de que o poliamor seria uma maneira de determinado indivíduo se manifestar pela busca de sua felicidade para assim ser um indivíduo realizado, já que é algo que está diretamente ligado a dignidade da pessoa humana.

Pretende-se abordar também a nova concepção de família, uma vez que este é um fator que está diretamente ligado, e sabe-se que na atualidade a família não é mais considerada pela

antiga tradicionalidade que a constituía, mas definida por é algo muito mais amplo que são os laços afetivos. O objetivo deste estudo foi o de examinar um problema que a sociedade há muito tempo enfrenta e que o sistema jurídico ainda não está totalmente presente, pois o direito tende a evoluir juntamente com a sociedade e deve sempre estar presente para solucionar os mais diversos tipos de situações do mundo contemporâneo.

2 A EVOLUÇÃO DO DIREITO JUNTAMENTE COM A SOCIEDADE

A sociedade e o direito são elementos dinâmicos, uma vez que a partir da necessidade de um o outro evolui continuamente. O direito de família segue a mesma linha, já que diversas são as transformações e novos acontecimentos no mundo social. Ao se adentrar um pouco mais neste assunto é possível perceber que na atualidade está a

discutir-se um assunto que gera muita polêmica que diz respeito a famílias simultâneas.

O ato da poligamia é muito mal visto pela

sociedade e ilegal perante a Constituição, pelo fato de vivermos em uma sociedade sob dogmas religiosos, onde as crenças e Estado se apoiem a tal

ato.

Em nosso ordenamento jurídico, assim como em nossa sociedade, não é admitida a poligamia, não sendo possível o reconhecimento de efeitos de união estável na relação extrafamiliar, ou seja, nas relações concubinárias. (SILVA, 2012, s.p).

O que diverge de outros países, onde um

homem pode ter mais de um cônjuge desde que tenha condições de sustentar e manter uma relação saudável, isto se dá ao fato de se acreditarem que um homem tem a capacidade de amar e manter várias mulheres, já uma mulher não consegue amar mais que um homem isso se devendo a sua própria natureza. A África é o país onde podemos encontrar o maior número de nações que aceitam a poligamia,

estas nações quase sempre seguem a religião Muçulmana que adota o Alcorão como livro sagrado, este garantindo aos homens terem até quatro cônjuges.

No Brasil é notório que há muito tempo a família era reconhecida pelo Estado com sua formação por pais e filhos unidos pelo matrimonio. Como pode ser observado nas palavras de Letícia Ferrarini:

O padrão familiar tradicional era

fundado no matrimônio, sendo o vínculo do casamento a única forma

legítima de constituição da família. O caráter instrumental que lhe era conferido estava condicionado a interesses extrínsecos, sobretudo do Estado. A família não estava voltada à realização de cada indivíduo dentro

do próprio grupo, mas, ao contrário,

cada membro era visto como promotor dos interesses dessa instituição. O bom funcionamento da família, a sua prosperidade, era de fundamental importância para o desenvolvimento

do Estado. (FERRARINI, 2010, p. 3).

Isso no decorrer dos anos teve algumas alterações, pois na atualidade o direito protege

diversas formas de famílias e não apenas aquelas constituídas pelo casamento. Vale lembrar que no direito de família o casamento é a união estável estabelecida por relação monogâmica, e caso o indivíduo se case novamente, este segundo ato é nulo, regulado pelo art. 1723 do Código Civil Brasileiro. Entretanto os direitos humanos estão diretamente ligados ao direito das famílias que tem como base o princípio da dignidade da pessoa humana. Tendo como definição final, que o princípio da dignidade humana, provém de igual dignidade para todas as entidades familiares. Portanto, é indigno dar tratamento diferenciado a diferentes formas de filiação ou até mesmo a diversos tipos de constituição de família.

Embora por puro preconceito, a Constituição tenha emprestado, de modo expresso, juridicidade somente às uniões estáveis entre um homem e uma mulher, que em nada se diferencia das demais as uniões homoafetivas. A nenhuma espécie de vínculo que tenha por base o afeto pode-se deixar de conferir status de entidade familiar, merecedora da proteção do Estado, pois a

Constituição consagra, em norma pétrea, o respeito à dignidade da pessoa humana. (DIAS; REINHEIMER, s.d, p. 2).

Compreende-se assim que a concepção de família é mais voltada para a afetividade e com isso é possível extrair a ideia de que este seria o fator primordial para estabelecer a entidade familiar.

3 A NOVA CONCEPÇÃO DE FAMÍLIA E O ROMPIMENTO DA TRADICIONALIDADE

As relações familiares estão em constante evolução, já que no mundo contemporâneo diversas notícias de relacionamentos extraconjugais perambulam a todo o momento, e os indivíduos que praticam este ato de concubinato alegam que é uma possibilidade de atingir a felicidade desejada não adquirida com o casamento, sem que venham a romper o seu atual enlace matrimonial.

[

]

havendo

uma

relação

concubinária,

não

eventual,

simultânea ao casamento, presume-se

que o matrimônio não foi dissolvido e prevalecem os interesses da mulher casada, não reconhecendo a união estável (SILVA, 2012, s.p).

Um fato curioso é que atualmente existem redes sociais com intuito de promover a traição e o diretor do maior site de relacionamentos extraconjugais da internet, Eduardo Borges, afirma que cometendo tal ato é possível salvar o casamento. Em entrevista a revista Veja foi questionado o seguinte:

As pessoas veem o site como um destruidor de casamentos? Recebo críticas de grupos religiosos. Falam que vou para o inferno, que o site promove o pecado. Mas os usuários só me mandam histórias bonitas. A traição salva o casamento. Em vez de o sujeito se divorciar, ele trai e ponto final. A família continua inteira. Às vezes o casamento vai bem, mas deseja-se uma experiência extraconjugal por curiosidade. (DEARO, 2012, s.p).

Isso pode parecer algo abominável aos olhos da sociedade que está acostumada com a

família tradicional, ou até mesmo ser algo mal visto por questão de cultura ou religião. Todavia é algo que está presente na sociedade, e o sistema jurídico se encontra ausente nestes casos. Situações como essas estão a surgir com o passar dos anos na sociedade, e também é importante lembrar que são guiados seguindo logicamente o principio do pluralismo, principio da dignidade humana e principio da afetividade que foram consagrados na atual constituição, pois a partir do momento em que o direito defende a possibilidade de diversos modos de constituição de família, nesse mesmo contexto ao evoluir as etapas vem surgindo as famílias simultâneas com os mais diversos tipos de arranjos familiares.

4 DESENVOLVIMENTO DA ACEITAÇÃO DE NOVOS MODELOS FAMILIARES

Costa (2011) afirma em seu artigo em defesa da aceitação do desenvolvimento de novos modelos de família fala que hoje o Estado já aceita

com validez o casamento homossexual, o que foge bruscamente os princípios da família tradicional, isso há séculos atrás seria visto como algo pecaminoso, indigno, que feria todos os princípios da família, entretanto era algo que estava presente na sociedade e no decorrer do tempo foi aumentando, casos e mais casos. Depois de um árduo trabalho com muitas lutas, os homossexuais na atualidade possuem direitos defendidos por lei e podem estabelecer suas próprias famílias. É a partir dessas diversidades e com o grande número de casos ocorridos como esse que o direito evolui e isto é válido principalmente para o direito de família, pois sabe-se que a família não é uma instituição estática, ou seja, evolui ao decorrer do tempo de acordo com as características e necessidades de cada sociedade. (COSTA, 2011). Atualmente, existe até mesmo um grupo de cristãos dos Estados Unidos que defendem a poligamia, está sendo capaz de fazer com que as pessoas alcancem aquilo que tanto desejam neste campo, ou seja, conseguiriam se satisfazer sem

cometer um ato errôneo como é considerado hoje. Estes cristãos afirmam que a poligamia entre outros atos considerados banais pela sociedade já estão se instalando no Brasil.

Como argumento, o grupo afirma que dentro das tradições atuais, “muitas pessoas não podem ser honestas sobre seus desejos”, e a poligamia “responsável” poderia promover a “satisfação dessa necessidade com dignidade e a honestidade nos relacionamentos”. (CHAGAS, 2014, s.p).

A partir dessa linha de pensamento pode- se levar em conta a privação do indivíduo para a conquista de sua satisfação pessoal, pois como o relacionamento simultâneo é algo mal visto pela a sociedade e não é regularizado por lei, a pessoa que possui o desejo de sanar essa necessidade precisa utilizar de meios desonestos, ou seja, estabelecer um relacionamento a parte, escondido do seu atual parceiro, o que poderia ser feito de uma maneira mais digna caso houvesse uma aceitação social para essa prática, ou até mesmo uma regularização legal.

É imprescindível que o direito regule a

área dos arranjos familiares com envolvimento do poliamor, uma vez que o indivíduo possui autonomia para estabelecer seu relacionamento e ainda a liberdade para isso, é importante se atentar para o fato de ele estar realmente sendo feliz, ou se

sentindo plenamente realizado. Isso envolve claramente o princípio da dignidade da pessoa humana, pois este está diretamente envolvido no âmbito familiar.

É possível entender que se o sistema

jurídico brasileiro regularizasse os relacionamentos

simultâneos transtornos maiores poderiam ser evitados, como por exemplo, uma separação, uma vez que esses relacionamentos já existem as escondidas no meio social, apenas começariam a serem vistos com outros olhos para assim estabelecer o início de uma aceitação social.

A separação judicial é um instituto do direito de família que viabiliza a cessação do vínculo conjugal tanto por acordo recíproco entre os cônjuges quanto da forma litigiosa. O primeiro

se dá quando os cônjuges estão de mútuo consentimento, desde que estejam casados há mais de um ano, sob a égide do artigo 1574 do código civil de 2002. Na forma litigiosa um dos cônjuges atribui culpa ao outro pela dissolução, podendo ser requerida a qualquer tempo. (DALVI, 2011, s.p).

Já a bigamia, acontece quando uma pessoa já casada juridicamente entra em um segundo casamento e configura crime em orbita penal, sendo o segundo casamento um ato nulo, sem validade. Sendo este passível de punição que pode variar entre pena de reclusão de dois a seis anos para o contratante do novo casamento. Existe também uma punição para o cônjuge que varia de um a três anos de reclusão, caso este seja conivente com o ato. É possível ainda ter uma visão mais explanada do que foi citado acima com as palavras de Silva, que utilizou como base o código civil. "A bigamia acarreta a nulidade do segundo casamento. (Código Civil, artigo 1.548, inciso II, c/c artigo 1.521,

inciso VI). A bigamia é crime, com imposição de pena de reclusão." (SILVA, 2012). Entretanto por se tratar algo que atinge diretamente o princípio da dignidade da pessoa humana é algo que deve ser regulado por lei como afirma Costa:

Importante ressaltar a construção de um novo modelo de racionalidade norteador das estruturas familiares na pós-modernidade, cujo fundamento não mais se encontra na axiologia e na religião, mas sim no afeto. Nesse ínterim verifica-se que o Direito das Famílias passa a ter como foco de preocupação não mais uma definição legislativa e taxativa sobre o que é família, mas sim o reconhecimento jurídico das modalidades estáveis de constituição de entidades familiares democráticas e plurais pautados na afetividade. Pelo principio da autonomia privada ao Estado não cabe definir o que é família, porque dessa forma violará o principio da autonomia privada e o Direito Fundamental de Liberdade. Ao Judiciário cabe o dever de reconhecer as modalidades estáveis de constituição de entidades familiares que não foram previamente previstas pelo legislador infraconstitucional.

O animus de constituição de família, a existência de vinculo de afetividade entre duas ou mais pessoas e a estabilidade da relação são considerados os elementos essenciais para a configuração e o reconhecimento jurídico das entidades familiares no Direito pátrio. Verifica- se que a diversidade de sexo e a monogamia não podem ser consideradas requisito para o reconhecimento das entidades familiares, uma vez que pensar dessa assim é o mesmo que legitimar o preconceito e a discriminação como formas de não reconhecimento das Uniões Homoafetivas. (COSTA, 2011, p. 1).

Silva (2012) apresenta de forma bem clara em seu artigo o entendimento do Supremo Tribunal Federal que expõe que a união estável e o casamento, consistem em poligamia, desta feita fica a dúvida de como seria tratada essa relação que concorre com a relação principal de fato, aquela regulada pelo Direito, se nesta segunda poderiam ou seria viável a instalação dos mesmos direitos e deveres da relação principal. O código civil

Brasileiro traz em seus dispositivos a impossibilidade da aquisição destes direitos por parte desta segunda relação, uma vez que a própria relação estável já possui os mesmo efeitos jurídicos do casamento civil, caracterizando desta a impossibilidade do relacionamento por ocorrência da poligamia. Desta forma segundo o entendimento do STF, esta segunda relação/família não teria as proteções especiais trazidas às uniões lícitas, já que esta não caracteriza família. Assim a única possibilidade legal para aqueles que visam outro relacionamento seria através do divorcio, uma vez que já deslumbrado que uniões concorrentes ao casamento são ilegais e ainda não geram os efeitos legais do casamento. (SILVA, 2012). Já alguns doutrinadores trazem o entendimento de que estas relações sempre foram presentes na sociedade e desde que haja boa fé por parte da outra mulher ou homem, ou seja, seu companheiro a engana, a induz ao erro. Neste raciocínio seria possível se solicitar a putatividade (algo que apesar de sua ilegalidade se torna

autêntico) do ato ao tribunal, objetivando assim o

reconhecimento dos direitos de um casamento lícito.

essa parece ser a posição mais justa

dentro dos limites do princípio da eticidade, com vistas a proteger aquele que, dotado de boa-fé subjetiva, ignorava um vício a acometer a união” TARTUCE; SIMÃO (2012, apud BUCHE, 2011. p. 13). Assim observa-se que a legislação já aceita alguns modelos diversificados de constituição de família, e como os arranjos familiares estão evoluindo em proporções diversificadas, não caberia ao Estado privar o indivíduo de buscar a sua felicidade ou a sua realização pessoal ao se relacionar com outra pessoa além de seu cônjuge, seja essa do mesmo sexo ou do sexo posto, pois o direito não pode vedar os seus olhos para a realidade social e como já foi explanado acima, isto é algo que acontece com frequência no mais diversificados tipos de famílias, e pelo fato direitos humanos serem ligados diretamente ao direito de família, não pode assim ferir o princípio da dignidade humana.

"[

]

5 DISCUSSÕES

A autonomia dos arranjos familiares vem sendo alvo de diversas discussões, uma vez que advimos de uma sociedade tradicional, onde a concepção de família perante a sociedade e o direito é tida como um homem, uma mulher, e filhos, estes estando convivendo juntos e em harmonia, e esta relação sendo regulada e protegidas pelo ordenamento jurídico vigente. No sistema jurídico Brasileiro o adultério não configura crime na orbita penal, pois não gera dano social, porem a fidelidade é algo a ser cumprida em um casamento, caso não seja pode acarretar um ato ilícito civil, o que leva a um constrangimento das partes perante a toda sociedade. O adultério também pode levar a uma separação judicial culposa, desde que a traição seja provada. É imprescindível que o direito regule a área dos arranjos familiares com envolvimento do poliamor, uma vez que o indivíduo possui autonomia para estabelecer seu relacionamento e

ainda a liberdade para isso, é importante se atentar para o fato de ele estar realmente sendo feliz, ou se sentindo plenamente realizado. Isso envolve claramente o princípio da dignidade da pessoa humana, pois este está diretamente envolvido no âmbito familiar. Vale lembrar que ao tratar do tema poliamor, muitos pensadores divergem suas opiniões, pois seguem juntamente a lei, já que o amor e a vontade de se estabelecer um laço matrimonial é um fenômeno que acontece naturalmente entre os seres humanos de forma complexa e inexplicável, portanto a sociedade e o Estado não identificam o casamento como uma obrigação ou direito, uma vez que ninguém é obrigado a manter uma relação com quem não se sente satisfeito, sendo assim é assegurado aos indivíduos à separação ou divorcio seja de forma consensual ou de forma forçada, ou seja, contra a vontade do outro. Já a bigamia, acontece quando uma pessoa já casada juridicamente entra em um segundo casamento e configura crime em orbita

penal, sendo o segundo casamento um ato nulo, sem validade. Sendo este passível de punição que pode variar entre pena de reclusão de dois a seis anos para o contratante do novo casamento. Existe também uma punição para o cônjuge que varia de um a três anos de reclusão, caso este seja conivente com o ato.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O contexto exposto no decorrer do trabalho leva a refletir como o Estado e a sociedade vem atuando diante de tal embate, já que o poliamor ainda é alvo de múltiplas críticas e dificuldades na integração junto ao ordenamento jurídico brasileiro. Em uma sociedade onde prevalece o cristianismo e tudo que diverge de suas doutrinas em grande parte das vezes são tidas como condutas erradas, inadequadas ao contexto social em que atuamos, fica difícil promover a conscientização e trazer essas novas concepções de família a tona, estas que sempre existiram de forma

ilícita e as sombras da sociedade. Mas se tratando

de um direito Humano Fundamental, este vem

sendo muito discutido a fim de se estabelecer um

consenso entre sociedade e o direito, pois hoje já são

aceitos diversas formações de família que há alguns

anos atrás não eram aprovadas e agora são

reguladas pelo Direito e ainda respeitadas pela

sociedade, demonstrando desta forma que é possível

que sejam estabelecidos normas reguladoras de tal

relação e ainda promover uma aceitação pela

sociedade, já que todos têm o direito de fazerem e

viverem da forma que lhes satisfazem, desde que

esta não viole nenhum dispositivo legal ou não

adentre de forma prejudicial na esfera jurídica de

outrem em detrimento de tal escolha.

REFERÊNCIA:

BRASIL. Código civil, 2002. Código civil. 53.ed. São Paulo: Saraiva; 2002.

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SILVA, Regina Beatriz Tavares da. Poliamor é negado pelo Supremo e pelo STJ. Consultor Jurídico, abr. 2012. Disponível em:

<http://www.conjur.com.br/2012-abr-26/regina-

beatrizpoliamor-negado-supremo-stj>. Acesso em 30

nov. 2014.

ASPECTOS MÉDICOS E JURÍDICOS SOBRE O DIREITO DE MORRER

CANSI, Brunela 12 REZENDE, Hanna de 13 RANGEL, Tauã Lima Verdan 14

Resumo: A elevada complexidade da prática da eutanásia, considerada como um dos temas mais difíceis do Direito Penal, desenvolve posicionamentos antagônicos entre a medicina e o ordenamento jurídico. Para o médico, eliminar a dor e o sofrimento de pacientes terminais por meio da omissão de certas terapias não significa a interrupção do tratamento, nem o abandono do enfermo, e sim, poder proporcionar ao paciente uma morte mais digna, livre de angústia. Este raciocínio influenciou o Conselho Federal de Medicina a baixar a resolução 1.805/2006 autorizando a ortotanásia. Apesar de, à luz da legislação penal brasileira, essa pratica parecer ilícita, a pormenorizada analise dos institutos doutrinários e legais demonstram que o tratamento do enfermo terminal proposto pela associação médica é lícito e tem amparo legal.

12 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, brunela.ca@hotmail.com; 13 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, hannaderezende@hotmail.com; 14 Professor Orientador. Doutorando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense.

taua_verdan2@hotmail.com.

Palavras-chave: Bioética; Eutanásia; Ortotanásia; Terminalidade da vida; Suicídio assistido, Ordenamento jurídico.

INTRODUÇÃO

Durante a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, o Partido Nazista liderado por Adolf Hitler visando alcançar a eugenia ariana impôs o programa Aktion T4 que, através da eutanásia, eliminou mais de 70 mil pessoas em 10 anos. Esta prática da época Hitler se tornou o primeiro programa político de eutanásia, estudado e posto em ação. Devido a essas práticas monstruosas, durante o pós-Guerra, a opinião pública se encontrava extremamente sensibilizada, impossibilitando debates que abordassem os benefícios que podem existente através da prática da eutanásia. Com o passar dos anos entretanto o termo eutanásia deixou de ser tabu. É discutido abertamente, e existem declarações coletivas de importantes personalidades como os prêmios Nobel Monod, Pauling e Thompson que no manifesto à eutanásia

publicado no The humanista (julho de 1974) admitem ética e legalidade a prática da eutanásia. A união da medicina com a tecnologia aumentou espetacularmente a qualidade de vida do ser humano na face da terra, entretanto também pode prolongar um longo e penso processo de morrer. Os franceses definem essa situação através do termo: encarniçamento terapêutico. Sendo assim, sem dúvidas, o progresso da medicina proporcionou novidades em nível de opções pela qualidade de nossas vidas, mas também questões éticas. Por exemplo, a mesma tecnologia que prolonga a vida de uma pessoa pode simplesmente prolongar o processo de morrer da outra. Neste sentido afirma Jean Ziegler:

O médico ‘constatava’ a morte, diagnosticava uma ocorrência indiscutível da natureza. Era testemunha, não ator. Agora o médico já não constata a morte, provoca-a. É senhor da morte. Não mais registra a hora final de uma vida, fixa-a segundo sua escolha. (ZIEGLER,

1997)

Tendo como base esse entendimento, em novembro de 2006, a Resolução 1.805/2006 foi aprovada pelo Conselho Federal de Medicina, autorizando o médico assistente de enfermos terminais, com o consentimento obrigatório do paciente ou de seus representantes legais, a suspender ou limitar o tratamento sempre que os procedimentos utilizados promovam a mera protelação da morte. Dessa forma, o médico não prolonga a vida do paciente de forma contra a vontade deste, o médico considera inaceitável as dores físicas e o desgaste psicológico sofridos pela pessoa em estado terminal e por isso age com intuito de amenizá-las, ocorrendo, indiretamente, a morte do paciente. Essa prática é conhecida como ortotanásia, em tradução literal, “morte correta”. A aprovação desta Resolução, entretanto, só foi possível após amplos debates promovidos pela associação médica de todo o país, reunindo profissionais, representantes de grupos religiosos e da sociedade em geral.

Entretanto, o “atrasado Código Penal” – expressão abordada em um dos debates referidos anteriormente - incrimina por homicídio, em seu artigo 121, o médico que praticar a ortotanásia. Essa normatização não impede que o médico brasileiro permita ao paciente a morte digna e sem sofrimento, possibilitando a evolução da doença, através da omissão do tratamento. Porém, essa prática tem sido realizada de forma velada pelo temor médico das possíveis consequências legais. Haja vista que os conselheiros do Conselho Federal de Medicina reconhecem que a Resolução 1.805/2006 não tem força jurídica para impedir a responsabilização penal dos médicos que praticarem a ortotanásia, considerada juridicamente como uma forma de eutanásia.

1 DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES

Para o estoicismo escola de filosofia helenística fundada em Atenas , que aceitava que o sábio podia e deveria assumir a sua própria morte

quando a vida não tivesse mais sentido para ele, o termo eutanásia significava (do grego eu, “boa”, e thanatos, “morte”), morte boa, sem dores e angustias. Nesse sentido, Claus Roxin entende que o termo eutanásia refere-se à:

Ajuda prestada a uma pessoa gravemente doente, a seu pedido ou pelo menos em consideração a sua vontade presumida, no intuito de lhe possibilitar uma morte compatível com a sua concepção de dignidade

humana. (ROXIN, 2008, p. 189)

Apesar de a prática de abandonar ou provocar a morte dos que sofrem ou são considerados incuráveis ser ancestral, na atualidade, o reconhecimento da dignidade humana como princípio fundamental de quase todas as sociedades impede a eliminação de qualquer ser humano em nome de razões coletivas. Devido a esta perspectiva, a acepção do termo eutanásia passou por uma revolução semântica ao longo dos séculos.

Haja vista este entendimento, o advogado Rogério Marinho Leite Chaves discorre:

Pode-se afirmar, sem maiores riscos, que a eutanásia é prática tão antiga quanto a vida em sociedade. Desde tempos imemoriais ela vem sendo utilizada em comunidades tão distintas quanto a dos esquimós do Alasca e dos índios brasileiros. Na Grécia antiga, a "morte serena" era advogada tanto por Platão quanto por Sócrates. (CHAVES, 1997, p. 6)

Não obstante essa milenar prática, e ainda a grande quantidade de obras escritas sobre eutanásia, seja em seu favor, ou em oposição a ela, nunca se encontrou uma fórmula interpretativa conciliatória sobre o tema junto à comunidade jurídica, filosófica e médica. No século XVII, Tomás Morus e Roger Bacon encaminham o termo eutanásia para o seu significado clássico: ato de pôr fim a vida do ser humano por considerações humanísticas. Através deste entendimento, o debate sobre a eutanásia se centra na legitimidade de dispor da vida de uma

pessoa enferma, para a qual não existe esperança de vida em condições que possam ser consideradas humanas.

Ademais, para completar o panorama das definições de eutanásia é vital discorrer não somente do doente grave e terminal, mas também

de outras duas situações que ocorrem na sociedade contemporânea. Uma é a eutanásia neonatal, que ocorre quando a criança nasce com defeito congênito

e para evitar o seu sofrimento se subtrai o alimento.

O outro entendimento é a chamada eutanásia social em que não se trata de opção da pessoa, mas da sociedade, em consequência de se recusar investir em casos de custos elevadíssimos no tratamento de doentes com enfermidades prolongadas, muitas vezes incuráveis. Haja vista que os recursos econômicos seriam reservados aos dentes em condições de voltar sadios a vida produtiva, visa-se

o critério custo-benefício. A eutanásia possui duas classificações, podendo ser ativa (positiva ou direta) ou passiva. No primeiro caso, trata-se de uma ação médica pela

qual se põe fim a vida de uma pessoa enferma, por um pedido do paciente ou a sua revelia. A eutanásia ativa pode ser dividida em direta, quando a provocação de morte visa aliviar as dores do moribundo e indireta, quando o tratamento da dor por medicamentos provoca de forma consciente ou consentida a morte do doente. Tem-se como exemplo

a administração de uma superdose de morfina com

a intenção de se pôr fim a vida do enfermo. Já a

classificação passiva consiste na omissão médica, isto é, a não aplicação de uma terapia médica com a qual se poderia prolongar a vida de uma pessoa enferma.

Tendo como base as duas classificações abordadas acima, alguns autores, entre os quais o eticista Javier Gafo, propõem a distinção entre os termos “deixar morrer em paz” e “eutanásia”. Nesta percepção, deixar morrer em paz se associa com a decisão de não prolongar a vida, tutelada pela eutanásia passiva. Enquanto o termo eutanásia é vinculado a classificação ativa, ao ato de pôr fim a vida do enfermo.

2 A PRÁTICA DA EUTANÁSIA PARA O PROFISSIONAL DA SAÚDE

A morte de indivíduos que sofrem intensamente, quando realizada por leigos movidos de compaixão, não deveria ser denominada eutanásia, mas sim homicídio piedoso. Isso porque, essa prática admite como móvel o sofrimento físico ou psíquico do indivíduo sem consideração das

chances reais de tratamento, já que o leigo não pode realizar esta avaliação. Para o profissional de saúde, por outro lado, a provocação da morte em um doente que sofre é inadmissível, pois estes possuem

o

dever de utilizar as alternativas terapêuticas para

o

alívio do quadro. Além disso, a regulamentação da

atuação dos profissionais de saúde, que são aqueles autorizados pela sociedade a tratarem dos doentes, é vital para a institucionalização das diversas formas de eutanásia. Considerando a eutanásia, genericamente, como uma forma de “ajuda”, está se torna equivalente a uma prestação de serviço por

parte de um profissional de saúde, assim como ao praticar as terapias admitidas. Entretanto a divergência se dá, pois, ao provocar a morte de um enfermo grave ainda que irrecuperável, o profissional de saúde fere as normas do Código de Ética Médica que expressa a vedação da interrupção intencional da vida pelo médico em seu artigo 66. O mesmo código, em seu art. 6º, proibi o uso do conhecimento médico para o “extermínio do ser humano” e evidencia em seus artigos 51 e 56 que a autonomia do paciente tem por limite o risco de morte que suas decisões implicarem, garantindo ao médico o dever de trata-lo quando este risco existir. Além disso, o artigo 57 proíbe que o médico deixe de utilizar todas as medidas diagnósticas e terapêuticas em favor do doente. Entretanto, a Resolução 1.805/2006 contraiu parcialmente essas disposições, mas manteve-se dentro dos princípios da ética médica que considera a medicina uma profissão a serviço do bem estar do ser humano e da coletividade.

Portanto, a eutanásia não pode ser considerada simples prestação de serviço, já que a provocação da morte é vedada. Sendo assim, a única forma eticamente admissível de eutanásia para os profissionais de saúde é a que visa a morte como meio que alivia a dor dos doentes graves que estão no processo de morrer ou que padecem de doenças incuráveis, e não a que visa a morte como terapia. A Bioética, com o princípio da autonomia, e a Constituição Federal, através do direito da autodeterminação, abrangem a prática da eutanásia àqueles que sofrem de doenças graves que os impedem de ter uma morte de acordo com o seu conceito de dignidade humana. Entende-se então que o ser humano não deve se submeter a meios terapêuticos cujo resultado seja uma prolongação quantitativa da vida, com o preço de seguir vivendo em condições humanas precárias ou então uma existência puramente biológica. No entanto, esse respeito a concepção pessoal do doente introduz um elemento de insegurança na definição e submete a prática as opiniões. Todavia, o consentimento do

paciente é visto como parte essencial para a legitimação da eutanásia. O direito de morrer com dignidade é reivindicado por associações, como a VES e a EXIT, que entendem que muitos outros fatores, além do médico, interferem no juízo que alguém deve proferir sobre sua vida e sua própria morte:

aspectos afetivos, familiares, econômicos, psicológicos. Ademais, essas associações, em seus programas, substituem a palavra eutanásia pela expressão “direito de morrer com dignidade”, desmedicalizando o problema. Esses entendimentos conferem aos enfermos autonomia sobre a decisão de vida ou morte, excluindo a legitimidade de qualquer autoridade, médica ou não, para tomar esta decisão. Dessa forma, Maria Helena Diniz afirma que prolongar a vida de um paciente incurável tem efeitos piores do que os causados no processo te tratamento. Sob essa mesma perspectiva, o autor

Gilmar Ferreira Mendes afirma que “(

humano tem o direito à vida (

a abranger não

ser

)

O

),

apenas a preservação da existência física, mas designando, além disso, um direito a uma vida

digna.(

O “Direito de morrer” se depara com a Dignidade da Pessoa humana, no sentido de qualidade de vida. Não há qualidade de vida em pacientes que se encontram em situação vegetativa (mesmo que possua atividade cerebral), ou em casos que o paciente não possui cura e fica sentenciado a conviver com intensas dores até sua morte. Cabe ao paciente, então, decidir sobre sua autonomia de sobre sua vida. Nesse contexto, Letícia Ludwing Moller discorre que:

)”

(MENDES, 2009, p. 400)

Protege-se juridicamente o direito à vida, o qual, todavia, não deve ser entendido como pressupondo uma obrigação de viver, exigível pela sociedade ao menos, segundo o autor, não nas situações de prolongamento penoso do final da vida dos pacientes terminais. (MÖLLER, 2010, p.95).

Fonte: Disponível em: <http://cemanosdeitabuna.ning.com>. Acesso em 14 jun. 2015. 3 EUTANÁSIA ANÁLISE JURÍDICA

Fonte: Disponível em: <http://cemanosdeitabuna.ning.com>. Acesso em 14 jun. 2015.

3 EUTANÁSIA

ANÁLISE JURÍDICA

NA

TEORIA

DO

DELITO

E

Para o ordenamento brasileiro a vida é bem jurídico indisponível e irrenunciável, sendo quase sempre condenável sua interrupção. Sendo assim, as modalidades de eutanásia podem ser abordadas de diferentes formas, a partir das

classificações de eutanásia descritas acima, pela teoria de delito aceita no ordenamento penal brasileiro.

Em princípio, quem pratica eutanásia ativa, passiva ou a ortotanásia tem sua conduta subsumida ao tipo incriminador do artigo 121 do Código Penal (CP). Haja vista que ao aceitar esse entendimento, considera-se que o médico assume a função de garantir a vida de seu paciente nos termos do art. 13 § 2° do CP, tornando a não evitação do resultado morte uma ação comissiva por omissão. Mais que isso, na eutanásia ativa direta ocorre o dolo específico de matar, impossibilitando

qualquer causa de justificação. Já na ativa indireta,

o dolo pode ser considerado eventual, porém a

tipicidade da conduta não é afastada. Sendo assim, a eutanásia direta, por se submeter perfeitamente

ao tipo do art. 121, é considerada típica. Enquanto a passiva é taxada atípica por razão de ser socialmente adequada, portanto, não há crime. A prática da eutanásia ativa não pode ser considerada como conduta de agir em estado de

necessidade, pois não se considera o sacrifício de uma vida bem jurídico de alta valoração pelo ordenamento como preferível ao bem estar e a saúde do doente, já que a saúde não é preservada com a interrupção da vida. Ademais, nem mesmo a causa extralegal do consentimento do enfermo para a realização da eutanásia tem o poder de excluir a ilicitude da conduta do agente, visto que a vida é bem indisponível. Contraposto a isso, na prática da eutanásia passiva e da ortotanásia, a conduta do agente de interromper o tratamento é considerada omissiva da atividade terapêutica. Sendo assim, o resultado morte decorre de uma comissão por omissão do médico juridicamente irrelevante para o resultado, o que o exclui da posição de garante. Baseado neste entendimento, o médico tem o dever de agir determinado por Lei, porém, no caso de um paciente terminal não pode, ainda que o queira, impedir o resultado morte. Haja vista que na ortotanásia inexiste a vontade de causar a morte, a conduta do agente não pode ser classificada como

dolosa, embora seja de reconhecer-se o dolo direto ou eventual na eutanásia passiva. Por fim, assim como na prática ativa o consentimento do enfermo não extingue a ilicitude da ação. À luz dessa faculdade, os principais doutrinadores brasileiros se opõem aos procedimentos em nome da sacralidade da vida, fazendo com que o ordenamento nacional permita o entendimento de que a prática da eutanásia possui natureza delituosa. Entretanto, a dignidade humana como valor basilar do ordenamento jurídico e a garantia a liberdade de autodeterminação como direito fundamental do cidadão, expressos na Constituição Federal vigente no pais, contempla a possibilidade da eutanásia em suas diversas modalidades. Assim, aquele que, por um ato de compaixão e respeito, auxiliar o enfermo a interromper o sofrimento por meio da abreviação da vida, não fere os princípios constitucionais. Ocorre, porém, que a legislação infraconstitucional deve explicitamente disciplinar essas práticas para a sua

licitude,

constitucionais.

edificando

impotência

aos

princípios

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O termo eutanásia deve ser reservado ao tratamento de doentes graves em estado terminal ou vítimas de grandes limitações e sofrimentos físicos realizados por profissionais de saúde tutelados pelo ordenamento jurídico. Sendo assim, a morte provocada por misericórdia ou piedade por leigos deveria ser denominada homicídio piedoso. Essa diferenciação embasa que são diversos os motivos que levam os médicos e os leigos a praticarem essas condutas, porém, só é possível regulamentar essa prática em ambientes tecnicamente controlados. Apesar de as diferentes formas de abreviação da vida em fase terminal serem juridicamente proibidas pelo ordenamento brasileiro, é possível descaracterizar algumas delas como delito. A ortotanásia, por exemplo, pode ser

caracterizada como atípica ou justificada pelo

exercício regular de direito do médico no tratamento

de seus enfermos, pela inexigibilidade de conduta

diversa por parte do profissional assistente.

Por tudo anteriormente exposto, a

eutanásia ativa direta e o suicídio assistido não são

procedimentos eticamente admissíveis pela

medicina, sendo proibidos pelo seu ordenamento. O

homicídio piedoso por razão eutanásica praticado

por leigos pessoas que não possuem conhecimento

técnico para avaliar a efetiva necessidade de

eliminar o sofrimento do doente também é

proibido.

REFERÊNCIAS

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VIEIRA, Tereza Rodrigues. Bioética e direito. São Paulo: Jurídica Brasileira, 1999.

A PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO CACHOEIRENSE SOBRE A UTILIZAÇÃO DE DROGAS ILÍCITAS NO TRATAMENTO DE DOENÇAS

CATTEM, Cristyane Silva 15 CASSA, Isabela de Souza 16 RANGEL, Tauã Lima Verdan 17

Resumo: Quando se fala a palavra “droga” logo já se pensa sobre: os danos à saúde, famílias desestruturadas, grande número de usuários, sendo a maioria adolescentes/jovens, só nos malefícios, mas o que o presente artigo retratará, será o oposto disso, será sobre os benefícios através de tratamentos utilizando componentes dessas drogas ou até mesmo as mesmas em dosagem mínima. Ainda não há uma legislação que ampare esse uso para fins medicinais e precisa haver pesquisas para a confirmação de que realmente serão benéficas à saúde do ser humano, consequentemente o fato da legalização para fins curativos, será um avanço

15 Graduanda do 3° período do curso de Direito do Centro Universitário São Camilo, cristyane_cattem@hotmail.com 16 Graduanda do 3° período do curso de Direito do Centro Universitário São Camilo, isabela_souzac15@hotmail.com 17 Professor Orientador. Doutorando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF). Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense.

taua_verdan2@hotmail.com.

Cachoeiro de Itapemirim ES, junho de 2015

tanto na saúde, na ciência como também na sociedade em geral.

Palavras-Chave: Drogas Ilícitas. Entorpecentes. Drogas Medicinais. Doenças. Legislação Brasileira.

1 INTRODUÇÃO

Presentemente, as drogas são um fator que muito tem causado preocupação no cotidiano da população. Isso se deu pelo fato da necessidade de um crescimento na globalização e, principalmente nas áreas tecnológicas, fazendo com que o mundo seja cada vez mais capitalista, tendo aí, uma imensa necessidade de se ganhar dinheiro e possuir bens, para isso acontecer, muitas pessoas entraram no “mundo do tráfico” ou no “mundo das drogas”, o que aparentemente se tornou mais fácil para se ter o que almeja, porém, o que acontece na realidade é totalmente o oposto. Para melhor entendimento, segundo o site ABC da saúde o termo “droga” é analisado por qualquer tipo de elemento que seja usado e que consequentemente venha a sofrer mudança de

humor, funcionamento cerebral, nível de percepção, podendo elas serem, lícitas ou ilícitas (ABC, s.d), então, percebe-se que quaisquer substâncias utilizadas de maneira indevida, mesmo que esta seja legal, mas havendo uma alteração de humor, ou de outros sentidos, já é considerada droga, contudo, vê-se um uso abusivo tanto de medicamentos, como de entorpecentes. Com o avanço da sociedade e o fortalecimento do homem, o mesmo esclarecendo mistérios e buscando soluções de quesitos fundamentais para a sobrevivência humana, fez com que o Direito se consagrasse e buscasse sempre preservar critérios mínimos de sobrevivência física e moral a todo ser humano. Com o surgimento de doenças que aparentemente são incuráveis, surgiu a necessidade de um avanço na ciência, assim como na tecnologia e na saúde, descobrindo deste modo que, componentes de drogas ilícitas podem ser a solução para esse atual problema, porém, pelo fato desses componentes também serem ilícitos no Brasil, fazendo com que a comercialização do

mesmo seja impossível, eclode concomitantemente outro impasse para essa tal solução entre o direito, a ciência, a saúde e o bem estar de muitas pessoas. Ao longo do presente artigo, será apresentada a Lei nº 11.343/06, a qual se volta para

o controle social do uso indevido de drogas,

estabelece sanções, medidas preventivas reintegração dos usuários e dependentes de drogas e institui normas para reprimir a produção, distribuição. Também será abordado, o uso desses componentes como o THC, no caso da maconha, anfetamina, LSD, ecstasy, cocaína, heroína, entre

outras, na cura de várias doenças como epilepsia, enxaquecas, distúrbios de ansiedade, mal de Parkinson, câncer nos ossos, entre outros. E por fim, irá se tratar acerca da visão da população cachoeirense sobre esse método de “cura” por meio

da utilização de entorpecentes, por meio de pesquisa

quantitativa.

2 DEFINIÇÃO DE DROGAS E SEU USO COMO CURA DE DOENÇAS

Segundo a legislação brasileira, são classificadas como drogas ilícitas, aquelas que por eventual circunstância não podem ser consumidas, nem comercializadas pela população. A lei nº 5.991/73 que regula o controle Sanitário do Comércio de Drogas, Medicamentos, Insumos Farmacêuticos e Correlatos, dispondo em seu artigo 4º inciso I que droga é toda “substância ou matéria- prima que tenha a finalidade medicamentosa ou sanitária”, (BRASIL,1973). Para o dicionário Aurélio, droga significa "coisa de pouco valor; coisa enfadonha; desagradável" (AURÉLIO, 1986, s.p.). O conceito de drogas se distingue de entorpecentes como está explícito no artigo 1º da Portaria SVS/MS nº 3.441/1998, que “Entorpecente é substância que pode determinar dependência física ou psíquica relacionada, como tal, nas listas aprovadas pela Convenção Única sobre Entorpecentes”. Consequentemente, pode-se chegar

a conclusão que “todo entorpecente é droga, mas nem toda droga é entorpecente” (NASCIMENTO, 2012, s.p.), assim corrobora Pablo Everton Macedo do Nascimento. Porém, com os avanços da tecnologia, ciência, saúde, de doenças e do próprio homem, surge uma necessidade de progresso em todas as áreas, todavia, a que mais intriga a sociedade atualmente, é a área da saúde. Essa área se fortaleceu graças ao surgimento de doenças, aparentemente incuráveis, ou quase impossíveis de se achar um medicamento adequado, a partir dessa premissa, cientistas começaram a realizar várias pesquisas com substâncias contidas em drogas, ou até mesmo as próprias drogas, só que em quantidade mínima a ponto de não fazer mal para o ser humano e sim chegar a cura através de tratamentos. Como exposto acima, essas drogas podem ser utilizadas em tratamento de doenças, como é o caso da maconha, que pode atuar como fonte de tratamento para o câncer, reduzindo as chances de

se fazer quimioterapia ou até uma radioterapia, que para a maioria dos pacientes é a pior fase do tratamento, pode também, ser usada para o tratamento da AIDIS que até então é uma das maiores preocupações do governo devido ao grande número de pessoas infectadas com a doença, poderia combater também, doenças como glaucoma, dores crônicas, esclerose múltipla, náusea decorrente da quimioterapia, doença de Crohn, epilepsia, insônia, enxaqueca, artrite, falta de apetite, anorexia, síndrome de Tourette, mal de Alzheimer, distrofia muscular, fibromialgia, entre outras. A maconha, também é conhecida como cannabis devido a um princípio ativo, que tem o poder da cura de doenças, conforme pode ser explicada pela notícia do site Pragmatismo, dizendo que:

O canabinoide

THC

(tetrahidrocanabinol),

atua

em

diversos sintomas de várias doenças, dependendo da quantidade presente na maconha. Existem tipos da

cannabis que possuem

THC mais elevado e servem para

teor de

um

certas doenças e outros tipos com um teor de THC mais baixo, para doenças mais simples (PRAGMATISMO, 2013, s.p.).

De acordo com a mesma notícia, “o THC da maconha medicinal age ligando-se aos receptores de endocanabinoide do cérebro, ocasionando no usuário uma redução de ansiedade e dor, mas também uma alteração da consciência” (PRAGMATISMO, 2013, s.p.). Então, como se pode analisar, a maconha realiza mudanças no cérebro e no organismo, ocasionando melhora devido a esse princípio ativo. Há também, outros tipos de drogas que ter efeitos curativos, como o LSD, esctasy, cocaína, heroína, ketamina, entre outras. Essas drogas tem o princípio ativo para cura de diversas doenças como a câncer, o alcoolismo, enxaquecas, Parkinson, para uso como analgésico, etc. Sendo que uns dos grandes problemas dessas drogas é que na atualidade elas são consumidas de maneira descontrolada, resultando no vício.

Porém, como essas drogas estão em fase de pesquisa, elas ainda são ilícitas, não tem como se precisar o mal e o bem que cada uma delas pode fazer a saúde, sendo assim, ainda não é seguro o consumo delas nem para fins medicinais, portanto, serão necessárias inúmeras pesquisas para a comprovação dos reais efeitos benéficos dessas drogas.

Contudo, muitas drogas ilícitas causam menos problemas do que as lícitas, como se pode analisar, não é pelo fato de não estar legalizada que elas causam menos danos e problemas, como é o caso do álcool e do cigarro, que apesar de lícito, possui efeitos prejudiciais à saúde, igual ou até maior do que certas drogas ilícitas. Desse modo, comprova Tiago Dantas “Segundo a OMS, as drogas ilícitas respondem por 0,8% dos problemas de saúde em todo o mundo, enquanto o cigarro e o álcool, juntos, são responsáveis por 8,1% desses problemas” (DANTAS, 2015, s.p.). Portanto, como supradito, não importa se a droga é legalizada ou não, ela causará mal ao ser

humano do mesmo jeito, a diferença é que uma, é aceita pela sociedade e pela legislação, sendo lícita e por outro lado, a outra, ilícita, contudo, todas prejudiciais à saúde dos usuários e à estrutura familiar. Conforme uma pesquisa publicada pelo site AntiDrogas, os índices de dependes tóxicos no Brasil são assustadores, “a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, no Brasil, o índice é de 3% de dependentes na população geral, ou seja, 6 milhões de brasileiros(ANTIDROGAS, s.d., s.p). O Conselho Nacional de Medicina não apoia a utilização dessas substâncias ilícitas em tratamentos médicos, de acordo com o conselho, o uso da maconha de forma indevida nos tratamentos, por exemplo, podem causar dano à saúde. O vice- presidente do Conselho, Emmanuel Fortes, disse a reportagem produzida pela DW que “é uma discussão ainda incipiente. Não vamos criar obstáculos para a ciência. Se tiver alguma vantagem para o uso medicinal da maconha, vamos dizer que sim" (FORTES, 2014, s.p). Portanto, de acordo com ele, precisa-se de análises detalhadas

acerca do assunto, para retirar qualquer hipótese de erros, trazendo assim nenhum prejuízo a saúde da sociedade.

As drogas já tomaram grandes proporções no país, elas estão presentes no cotidiano da população, pelo qual a maioria das pessoas que a consome, perdem seus limites, causando perdas e sofrimento, contudo pode-se afirmar que a mesma se tornou uma “epidemia mundial”. Em diversos locais, há passeatas e protestos para a legalização dessas drogas, como a maconha, por exemplo, a respeito disso o Ministro Celso de Melo no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental ADPF nº 187 deu seu voto, como certo a manifestação da população, sendo ato previsto na legislação que a população tem o direito de se manifestar, graças à liberdade de expressão, cujo ministro, é um defensor da não descriminalização dos entorpecentes e da liberdade de manifestação, conforme pode analisar sua fala abaixo, em seu voto:

A liberdade de expressão, considerada

em seu mais abrangente significado, traduz, ela própria, o fundamento que nos permite formular ideias e transmiti-las com o intuito de

provocar a reflexão em torno de temas que podem revelar-se impregnados de elevado interesse social. As ideias, Senhor Presidente, podem ser fecundas, libertadoras, subversivas ou transformadoras, provocando mudanças, superando imobilismos e rompendo paradigmas até então estabelecidos nas formações

a defesa, em espaços

sociais. (

públicos, da legalização das drogas, longe de significar um ilícito penal, supostamente caracterizador do delito de apologia de fato criminoso, representa, na realidade, a prática legítima do direito à livre

manifestação do pensamento, propiciada pelo exercício do direito de reunião, sendo irrelevante, para efeito da proteção constitucional de tais prerrogativas jurídicas, a maior ou a menor receptividade social da proposta submetida, por seus autores

e adeptos, ao exame e consideração da

própria coletividade (BRASIL, 2011, s.p.).

)

É inegável que há uma grande necessidade de rigorosos estudos antes de tomar providências, no caso da legalização, primeiramente

devem haver estudos detalhados, para saber se a sociedade está preparada para eventual mudança.

3 O USO DE DROGAS ILÍCITAS NO ÂMBITO DO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

Os questionamentos acerca de substâncias ilícitas vêm desde o passado no Brasil, com Decreto nº 847, de 11 de Outubro de 1890, que instituiu o Código Penal, previa punições a quem usasse ou vendesse substâncias ilícitas sem a autorização do governo, como, por exemplo, as drogas, que até então não tinha tamanha grandiosidade de conhecimento, de como se tem atualmente. Neste sentido, dispunha o artigo 159 do CP/1890 “expor á venda, ou ministrar, substancias venenosas, sem legitima autorização e sem as formalidades prescritas nos regulamentos sanitários. Pena - de multa de 200$ a 500$000” (BRASIL,1890, s.p). No passado, a Lei nº 6368/19 de 1976, que atualmente foi revogada pela Lei nº 11.343/2006,

essa lei passada previa sanções para quem utilizasse de substâncias ilícitas entorpecentes, porém ela não fazia uma clara distinção entre o usuário e o traficante. Sendo ela considerada como uma contravenção penal, em que dispões de pena de até 06 (seis) meses a dois anos para quem cometia tal ato. Portanto, tanto os traficantes quanto os usuários eram punidos, ficou prevalecente esse ato até a revogação em 2006. Pelo qual após essa revogação o usuário passou a ser punido de forma mais branda, como prestação de serviço comunitário, advertência, medida educativa, e os traficantes de maneira mais rigorosa. A Lei nº 11.343 de 23 de agosto de 2006 prevê medidas preventivas ao uso indevido de drogas, como reintegração dos usuários e dependentes na sociedade, como forma de extinguir preconceitos gerados pela própria população. Institui também normas para reprimir a produção, distribuição, estabelecendo também entre outros fatores sanções e definições para esse crime. Em seu artigo segundo, estabelece, que ficam proibidas em

território nacional o plantio, cultura, colheita e a exploração de vegetais que possam ser extraídos ou produzidos algum tipo de droga, conforme se pode analisar abaixo:

Art. 2 o Ficam proibidas, em todo o

território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização legal ou

regulamentar [

]

(BRASIL, 2006

,s.p.).

Deste modo, a lei estabelece sanções para aqueles que “quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo para consumo pessoal, drogas sem autorização legal ou

regulamentar” assim, disposto em seu artigo 28. A lei de 2006 conforme expressa Rodrigo Silveira da Rosa, trouxe grandes avanços para a legislação, deixando de forma bem clara a diferenciação de traficantes e usuários, contribuindo assim para aplicação da pena mais eficaz, conforme se pode

observar

[

]

com distanciamento entre ambos,

atenua as condutas dos usuários e dependentes, e agrava a situação penal dos traficantes e dos agentes responsáveis pela disseminação de drogas.” (ROSA, 2008, s.p.) Percebe-se que essa nova lei foi um grande avanço, com ela ocorreu a distinção/separação de usuário e traficantes, colocando o usuário como pessoa dependente de algo, e não trazendo prejuízo para a sociedade ao redor, mas somente para si mesmo, ao contrário dos traficantes prejudicam a sociedade as corrompendo- as. Porém, essa lei não colocou esses usuários de forma discriminada, mais sim penalizou de maneira mais branda, como preleciona Vicente Greco Filho e João Daniel Rassi:

A lei não descriminalizou, nem

despenalizou a conduta de trazer consigo ou adquirir para uso pessoal, nem a transformou em contravenção.

Houve alterações, abrandamentos, como adiante se comentará, mas a conduta continua incriminada. A denominação do capítulo é expressa. As penas são próprias e específicas,

mas são penas criminais [ FILHO, RASSI, 2009, p. 44)

] (GRECO

A Constituição Brasileira de 1998, em seu

artigo 5º, inciso

XLIII, prevê o tráfico de drogas

como um crime inafiançável e sem direito a anistia,

contribuindo assim para junto com as leis auxiliares

a

repreensão

contra

o

tráfico

e

o

uso

de

entorpecentes ilegais. O governo brasileiro está em

constantes debates não só para repreender o uso

das drogas ilícitas, mas também das lícitas, como

está explícito em uma notícia vinculada no site do

como está explícito em uma notícia vinculada no site do Senado “ As discussões em torno

Senado As discussões em torno das leis que tratam

do tráfico e dependência de drogas continuam a ser feitas no Congresso, envolvendo ainda aspectos como o aumento de impostos e o controle do álcool e do cigarro” (SENADO, s. p., 2015), portanto, o governo tem como pretensão, o aumento dos impostos como forma de inibir essas pessoas ao consumo exagerado de drogas lícitas, como cigarro e álcool.

Contudo, percebe-se que devido a altos índices de usuários de drogas no país, a sociedade

ao decorrer dos anos foi aprendendo a conviver com os mesmos, por morarem muitas vezes próximas a áreas onde são ocupadas por esses dependentes, ou até então onde há domínio do tráfico, em favelas, por exemplo. Logo, nota-se que há uma necessidade de atuação do governo para amenizar esses grandes índices, porém, muitas vezes quem deveria ser o protetor da lei, assim como os policiais, não combatem esses crimes com eficácia, não cumprindo seu dever como profissionais da lei, deixando a sociedade a mercê do crime. Apesar disso, um dos meios para a solução desses conflitos, além de uma melhoria na atuação do Estado, seria a conscientização da população, por que não adianta a criação de leis e projetos, sendo que a sociedade não sabe fazer ou cumprir seu dever como cidadão. Entretanto, todos anseiam por melhorias, todavia o uso dessas drogas somente para fins medicinais é uma forma de evolução não só da ciência, mas também da sociedade.

4 A VISÃO DA POPULAÇÃO CACHOEIRENSE ACERCA DO USO DE DROGAS ILÍCITAS PARA O TRATAMENTO DE DOENÇAS

A população cachoeirense, quando questionada acerca do conhecimento sobre o termo

“drogas ilícitas”, a maioria foi bem clara ao dizer que conhece, sendo que 89% dos pesquisados, tinha conhecimento sobre o que são drogas ilícitas e somente 11% não sabia. Outro fator levantado foi se

a população concorda com o uso dessas drogas para

a cura/tratamento de doenças, pelo qual o resultado

foi satisfatório, revelando que 81% alegou que admitia o uso e apenas 19% discordou, mostrando consequentemente que a sociedade tem uma mente aberta, quando se refere a novas técnicas medicinais. Foi exposta também, uma situação hipotética, dizendo que, caso algum familiar dessas pessoas, estivesse doente e a única solução seria o tratamento com droga ilícita, elas optariam ou não pela utilização, mesmo esta sendo crime, a resposta

foi que 74% dos entrevistados a utilizaria no

tratamento em seus familiares mesmo sendo crime,

e somente 22% não sabia qual atitude tomar.

Portando percebe-se que quando se trata de drogas para tratamento médico a população ainda fica receosa, devido ao fato de ser um “problema” atual,

e que muitos ainda não têm o devido conhecimento. Por outro lado, quando os entrevistados foram indagados sobre o fato de se o governo brasileiro deveria criar leis e projetos para a liberação das drogas para o tratamento de doença, em sua maioria disseram que sim, sendo esses 71%,

e unicamente 15% disseram que não. Entretanto, o fato mais intrigante, foi que ao serem interrogados sobre se o Brasil está preparado para a liberação dessas drogas, a resposta foi em sua maioria negativa, 63% dos entrevistados, demonstrando que

a sociedade em sua grande parte ainda se não acredita que o país esteja preparado para significativa mudança.

Ora, se essas mesmas pessoas não acreditam que o país esteja preparado para essa liberação, por que responderam afirmativamente quando indagados sobre o fato do governo criar leis e projetos? Vê-se claramente uma oposição de ideias, por um lado as pessoas não acreditam que o país esteja pronto para essa transformação, por outro, elas querem que sejam elaboradas leis e projetos, ainda há o fato de que a maioria delas (74%) utilizaria essas drogas em tratamento de seus familiares, mesmo sendo crime, até então.

5 CONCLUSÃO

Nota-se perfeitamente o fato de que as drogas já se tornaram para a maioria das pessoas algo que só traz malefícios, entretanto, com certos avanços tanto na ciência, como nas áreas da saúde, esse “pré-conceito” está mudando, assim como exposto neste artigo. Portanto, ainda é difícil acreditar que as drogas, que fizeram mal durante muito tempo, fará o bem presentemente, afinal, não

existe ainda uma legislação para ampará-las.

Contudo, é evidente que para essa legalização serão

necessárias várias pesquisas, para que não ocorra

eventual dano à saúde da população, para assim

finalmente, trazer somente benefícios como a

cura/tratamento de doenças.

Logo, percebe-se que a sociedade em geral

precisa, não só se conscientizar sobre essa possível

liberação para fins medicinais, como também ter um

significativo conhecimento a respeito desses

componentes utilizados nos tratamentos. É notório

também, que o país ainda precisa se desenvolver

para ter suportes para quando isso vir a acontecer e

consequentemente o governo terá seu papel de

realizar projetos e criar leis para o amparo da

sociedade brasileira.

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1973.

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m>. Acesso em: 23 mai. 2015.

Disponível em:

Lei nº 11.343 de 23 de agosto de 2006. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-

2006/2006/lei/l11343.htm>. Aceso em: 22 mai. 2015.

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ESTUPRO: CONCEITUAÇÃO, COMENTÁRIOS E A CULPABILIZAÇÃO DA VÍTIMA EM UMA SOCIEDADE PATRIARCAL E MACHISTA

PEREIRA, Caroliniy Louzada 18 PIN, Laísa 19 CYPRIANO, Poliana Cardozo 20 RANGEL, Tauã Lima Verdan 21

Resumo: O crime de estupro tipificado no artigo 213 do

Código

penal

brasileiro

consiste

em

Constranger

alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso” como a própria letra fria da lei o descreve. Está relacionado entre os crimes hediondos, ou seja, aqueles que causam aversão e grande repugno em toda a sociedade e consequentemente possuem uma punição ais severa , por tratar-se de uma conduta que afeta a liberdade sexual que é e não poderia ser diferente tutelada pela carta magna. A Constituição

Federal Brasileira assegura no art 5º incisos

II

e

III:

ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma

18 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES,;carolinylouzada@hotmail.com; 19 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, paperweight-t@hotmail.com; 20 Graduanda do Curso de Direito do Centro Universitário São Camilo-ES, polianacardozo@outlook.com; 21 Professor orientador: Doutorando vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense. Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense,

taua_verdan2@hotmail.com

coisa senão em virtude de lei; e ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante, logo torna-se inconstitucional forçar uma pessoa a aceitar, praticar e concordar com atos que não provem de vontade.

Palavras-chave: O crime de estupro, estupro de vulneráveis, pesquisas sobre estupro, cultura do estupro.

OBJETIVO

Definir e analisar por meio deste as causas e consequências de um dos crimes mais bárbaros existentes, assim como os ideais patriarcais e machistas de nossa sociedade e como os mesmos afetam a vida feminina diariamente. Destacar o papel da mídia brasileira na culpabilização das vítimas e o dever do judiciário para com elas de protegê-las desse mal.

METODOLOGIA

O presente estudo constitui-se de uma série de pesquisas bibliográficas, realizadas no período de junho de 2015, no qual se realizaram

consultas a artigos científicos e sites educacionais, além de uma revisão na legislação brasileira.

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O agente que pratica o crime de estupro é

objeto de estudo em diversas áreas, haja vista que

pode ser simplesmente considerado um criminoso,

mas também há uma grande discussão a respeito da

condição psicológica que pode levar um indivíduo a

cometer tamanha atrocidade, por isso esse crime é

tratado com muito cuidado pelo legislador, alguns

desses

criminosos

são

conduzidos

a

manicômios

penitenciário, pois em certos casos são considerados

doentes mentais, psicopatas, indivíduos que por

circunstâncias traumáticas vividas em sua maioria

na

infância,

desenvolvem

esse

comportamento

criminoso, mas contudo não tem controle sobre os

seus próprios atos.

É

sabido

que

a

psicologia

busca

no

decorrer do tempo e dos acontecimentos “entender”

o porquê dessas pessoas sentirem necessidade de

cometer esse ato ilegal e cruel, e o que mais assusta

a sociedade é que na maioria das vezes o praticante

não demonstra ser uma ameaça para a vítima,

muito pelo contrário, busca primeiro conquistar e

transmitir confiança para depois sim praticar o

crime.
crime.

uma

grande

revolta

por

parte

da

sociedade quando ocorrem os casos de estupros, e

não poderia ser diferente, pois são crimes praticados

com violência que em muitas vezes levam a morte

ou causam um grande trauma na vítima que torna

quase impossível retomar a vida normal, pois as

lembranças e as lesões permanecem na memória de

quem sofreu tamanha violência, ocorrendo muitas

vezes a justiça feita com as próprias mãos, por parte

dos familiares e da sociedade em geral que abomina

tal conduta.

Sobre o estupro

Lourdes Bandeira diz

constitui-se um ato racional com legitimidade, pois apóia-se na ideologia da virilidade; utiliza-se de forma abusiva e desigual da força e do poder real ou simbólico de que dispõe;

expressa-se com a imposição de um desejo ou de uma vontade narcísica de um indivíduo sobre outro; rompe com os mecanismos de identificação e de identidade da agredida, uma vez que manifesta uma vontade de destruição e de morte (BANDEIRA, 1999, p.

360).

Por ser o crime de estupro violador da

liberdade sexual, causa um grande constrangimento

nas vítimas, pois mesmo sem ter nenhuma culpa se

sentem envergonhadas e sofrem grande abalo em

sua

moral,

pois

além

de

terem

sofrido

as

consequências do crime ainda chegam a ser vítimas

do preconceito por parte da sociedade que muitas

vezes covardemente descrimina os vitimados.

Outro fator relevante é que além do abuso

sexual muitas vítimas são ameaçadas e coagidas a

manterem sigilo sobre as violências sofridas com

medo das consequências que poderão ser suportadas

caso chegue ao conhecimento geral a ocorrência do

crime.
crime.

Vale ressaltar que o criminoso na maioria

das vezes busca a confiança do responsável pelo

incapaz, se oferecendo para ajudar, tomar conta,

passear, mas na verdade com a intenção de facilitar

o contato com o vulnerável sem grande risco de ser

surpreendido por um flagrante de algum familiar,

acabando

também

conquistando

a

confiança

do

vitimado apresento-lhe ser uma pessoa amigável,

dando pressentes e tratamentos que transmitem

sinceridade; dentre estas e outras características

dos estupradores, fica

muito

difícil

distinguir a

conduta do criminoso antes da ação ser cometida,

trazendo para sociedade ainda mais problemas no

que tange o assunto, pois no geral a vítima tem que

ser submetida

a

esse tipo

de

tortura

antes do

criminoso ser descoberto.

A maioria dos estupros é cometido por conhecidos da vítima, e não por um homem que espera, sorrateiro e com arma em punho, num beco escuro. Toda mulher tem verdadeiros rituais para se livrar do ataque de estranhos, como segurar as chaves como se fossem pequenos canivetes ao caminhar sozinha ou evitar a parte de trás dos ônibus. Fomos ensinadas desde pequenas a não sermos estupradas, quando o foco devia ser em ensinar os homens a não estuprar. E puni-los quando o fizessem.

Justamente por nos ensinarem que o estupro é um crime que acontece na rua e com garotas que "não se comportaram", fica mais difícil reconhecer quando o crime acontece dentro de casa. Infelizmente, as estatísticas apontam parentes e conhecidos como os agressores. Segundo o Dossiê Mulher, do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, somente 27% dos estupros registrados no estado em 2012 foram cometidos por desconhecidos. Enquanto isso, pais e padrastos são responsáveis por 18,4% dos crimes. Ex-companheiros respondem por 10% dos casos, e parentes foram apontados como estupradores em 11,3% dos registros. Entre as mulheres violentadas sexualmente, 22% também sofreram violência doméstica. Isto é, uma a cada cinco mulheres foi agredida de outras maneiras, além do estupro, por pessoas com quem mantinham relações de afeto. Logo, "estar em casa estudando" não garante a segurança de ninguém. (LAPA, 2013)

Outra modalidade do crime de estupro

está disposto no Art 217-A do Código Penal, é o

praticado contra vulnerável, ou seja, pessoa que não

possui

discernimento

de

suas

próprias

atitudes,

sejam menores de 14 anos, pessoas enfermas ou

deficientes mentais, quando o teor do crime está

aplicado

a

algum

desses

casos,

a

revolta

da

sociedade torna-se ainda maior, pois as vítimas não

possuem condicionamento físico e/ou mental para

pelo menos ter a chance de se defender e também de

relatar o ocorrido, facilitando que este crime seja

uma conduta continua, e devido a essa incapacidade

de

autodefesa

dos

vulneráveis,

estão

nesta

modalidade

os

maiores

índices

de

pratica

do

estupro.
estupro.

2 OPINIÃO PÚBLICA ACERCA DO ESTUPRO

Existem diversas opiniões e doutrinas que

sintetizam o estupro, porém uma chamou a atenção

do público, onde uma pesquisa realizada pelo IPEA

(Instituto de pesquisa econômica aplicada) no ano

de

2014,

indicou

brasileiros

concordavam com a frase “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, tal pesquisa repercutiu rapidamente e espantosamente no país, pois a população ficou

que

63%

dos

revoltada com tal índice, criando inclusive campanhas através de redes sociais, postando fotos seminuas com o slogan “eu não mereço ser estuprada”, com toda a repercussão o Instituto de pesquisa admitiu equivoco quanto ao resultado da pesquisa e lançou uma nova mostrando que 70% discordam que a mulher tem culpa de ser estuprada, sendo ainda assustador o resultado, pois 30% concordaram que a figura feminina que usa roupa curta e é estuprada tem alguma ou total parcela de culpa.

As pesquisas citadas causaram tamanho alvoroço exatamente por esse motivo: relembrou os brasileiros, e principalmente as brasileiras, de que, infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade patriarcal. Ou seja, nossa organização social ainda é baseada na crença da dominação de homens sobre as mulheres, que por sua vez devem se sujeitar à sua autoridade e vontade. Inegável que nas últimas décadas as mulheres ganharam espaço na vida pública, porém o ordenamento patriarcal é reiteradamente reforçado em nossa cultura pela própria sociedade, seja na desvalorização das mulheres em todos os aspectos, seja na aceitação

implícita

(MAGALHÃES, 2014)

da

violência

sexual

Essa culpabilização da vítima foi lentamente introduzida na sociedade através de anos de propaganda midiática e pobre educação que protagonizam mulheres como objetos disponíveis ao uso de quem bem entender. O brasileiro aceitou a idéia de que a mulher tem que “se dar o respeito”, quando na verdade o respeito é dela por direito. Uma vítima de assalto não tem que responder que tipo de roupa usava no momento do crime ou o motivo de estar sozinha na rua, por que teria então a vítima de estupro? O argumento de que “está na natureza do homem agir quando tentado” nos faz refletir se voltamos à pré-história, onde o indivíduo é movido por instintos animais e não por sua capacidade mental. Além de todos os absurdos, existem aqueles que ainda assim desprezam a luta feminista, quando a verdade é que vivemos em um país extremamente machista que considera normal o

fato que mulheres necessitam andar em grupos para se sentirem seguras. Se você nasce mulher em um país de terceiro mundo existem certos cuidados que aprende com o tempo, aprende a andar de cabeça baixa e nunca sozinha, aprende a nunca encarar homens ao caminhar, aprende a ser extra cuidadosa com qualquer bebida, até as que você mesmo compra, aprende a transformar objetos do dia a dia em

armas se necessário, chaves, canetas, lixas de unha.

A sociedade te ensinará mil maneiras de evitar um

estupro, quando na verdade deveria estar ensinando mil maneiras de como não estuprar. A cultura do estupro é inserida diariamente na mente dos jovens, no Brasil é

normal ver propagandas explicitamente objetificando mulheres e vangloriando homens que às conquistam. A cultura do estupro é acreditar que

a vítima, de alguma forma, tem responsabilidade

sobre a violência que lhe foi cometida, a cultura do estupro é ensinar meninas que as roupas que

vestem podem funcionar como gatilho de destruição,

a cultura do estupro é perigosa, pois leva centenas de mulheres a ficarem de boca fechada quando agredidas por medo ou ideia que o agressor continuará impune pois a mesma, de alguma forma, o levou a cometer o ato.

Atualmente, a compreensão é de que não se deve opor homens a mulheres, como fez Brownmiller, pois o problema está na estrutura social antiquada que determina papéis de gênero fixos: homens deveriam agir de determinada forma; mulheres, consideradas inferiores a eles, deveriam agir de forma diferente para evidenciar essa inferiorização e deveriam se subordinar aos homens. Às pessoas caberia simplesmente acatar e se enquadrar nos papéis predeterminados. Nessa estrutura, a forma utilizada para constranger mulheres a se submeter aos homens está no controle do corpo e de sua sexualidade:

deveriam ser virgens ou sexualmente recatadas, não deveriam usar determinadas roupas ou frequentar certos locais. E a punição para as que não aceitassem era a legitimação da violência por meio de hostilidade e, em casos extremos, estupro e morte. Ou seja, a cultura do estupro é o processo de constrangimento social que garante a manutenção dos papéis

de gênero. Não é uma ação individual (como se todo homem odiasse mulheres), mas uma convenção social que mantém determinados papéis e estruturas sociais. (SOARES, 2013)

O crime de estupro dentre os hediondos é considerado um dos mais abomináveis prova disso é que os praticantes serem inseridos no sistema penitenciário sofrem um tipo de sanção aplicada pelos próprios companheiros de cela, que revoltados com a conduta violenta do estuprador, praticam violência contra este, na maioria das vezes estas violências são sexuais, como se fosse uma forma de puni-los fazendo com que eles sofram as mesmas dores e humilhações que foram suportadas por suas respectivas vítimas.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dentre os crimes hediondos o estupro é um dos mais repugnantes, pois muitas vezes suas vítimas chegam a óbito e quando não, ficam com traumas psicológicos dificilmente curados, devido ao

fato de o bem jurídico violado ser a liberdade sexual

e também a própria vida bens que são garantias

constitucionais invioláveis, o código penal em seus

artigos 213 e 217-A faz a capitulação legal deste

crime e determina a pena a qual será submetido o

agente criminoso, contudo devido a própria

desenvoltura do processo penal, nem sempre os

criminosos são punidos devidamente, muitas vezes

por falta de prova , outras pela coação e ameaça

sofrida pela própria vítima, enfim esse crime que

causa revolta social, deverá sempre ser cuidado com

especialidade pelo legislador, haja vista o dever do

Estado em proteger o cidadão em todos os âmbitos.

REFERÊNCIAS

AVITAL, Natasha.

contando com você. 30 de jan. 2013. Disponível em:

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