São Paulo, 30 de Abril de 2010.

Resumo crítico do artigo:

Sob o Impacto da Luz
Publicado no site da Ag ência FAPESP por Alex Sander Alcântara http://www.agencia.fapesp.br/materia/11844/especiais/sob -o-impacto-da-luz.htm
Por Dante Rangel e PalomaMontanaro 3B

A luz artificial é um grande benefício da vida moderna, tendo acelerado o processo de desenvolvimento. Mas, passados quase 200 anos do in ício da difusão da iluminação elétrica, pesquisadores chamam a atenção para o impacto da luz artificial sobre o meio ambiente. Esclarecer a população sobre benefícios e riscos da iluminação artificial é um dos objetivos do livro Antes que os vaga-lumes desapareçam ± ou A influência da iluminação artificial sobre o ambiente, de Alessandro Barghini, que será lançado no dia 27 de março. rticipação de Nesse dia será realizada a Hora do Planeta, evento que pede a pa pessoas, comunidades, empresas e instituições de todo o mundo para que apaguem as luzes por um período de uma hora como forma de protesto contra o aquecimento global. No Brasil, o início será às 20h30 (hora de Brasília). O livro chama a atenção para os efeitos negativos da iluminação artificial sobre plantas, insetos e também no metabolismo humano. Além disso, propõe medidas de controle da luminosidade para reduzir seus efeitos. ³A idéia foi fazer um amplo apanhado das pesquisas mundiais e mos trar que precisamos usar a luz de forma parcimoniosa, não só como economia de recursos, mas também porque a luz artificial não é tão inofensiva como se imagina. Ela afeta insetos, plantas e pessoas´, disse à Agência FAPESP o autor, que é pesquisador do Ins tituto de Eletrotécnica e Energia e do Laboratório de Estudos Evolutivos do Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP). O livro é resultado de sua pesquisa de doutorado, apresentada no IB -USP e orientada por Walter Alves Neves, professor associado do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva da universidade, e contou com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa ± Publicações. A obra parte de um estudo específico, que foi o de analisar a influência da iluminação sobre a vida silvestre tropical, com enfoque especial sobre os insetos. ³Os países tropicais são ricos em arbovírus transmitidos por insetos causadores de doenças como malária, mal de Chagas ou leishmaniose´, disse Barghini. Para fornecer exemplos concretos das implicações da iluminação artificial, o pesquisador utilizou o bosque da USP na capital paulista de modo a testar a hipótese de que

a atração da iluminação artificial por parte dos insetos seria fundamentalmente uma desorientação da navegação dos insetos. ³Parti da idéia de que os insetos são atraídos pela radiação ultravioleta, presente em algumas lâmpadas. Observamos que, ao tirar o componente ultravioleta com o uso de um filtro de baixo custo, consegue-se reduzir o número de insetos atraídos. No caso dos insetos, eles utilizam as luzes noturnas para orientar o vôo, mas as luminárias acabam prejudicando sua trajetória e atraindo-os para o ambiente antrópico, facilitando a transmissão´, explicou. Barghini cita outros estudos, como os feitos com tartarugas marinha em que a luz s, impede a reprodução da espécie. ³Na Bahia, é proibido o uso de iluminação artificial na orla marítima onde elas desovam. Em São Paulo, por exemplo, vemos sabiás machos que cantam à noite no verão, antecipando o que ocorreria na primavera, t amanha a incidência de luz na cidade´, disse. O título do livro é referência ao efeito da iluminação na reprodução dos vaga -lumes. O lampejo desses insetos é uma forma de atrair o parceiro para o acasalamento, mas a radiação por eles emitida é muito tênue. Para ser percebida pelo potencial parceiro é necessário que a iluminação ambiente seja inferior a 0,5 lux (medida da intensidade luminosa). ³Por uma economia de recursos, os vagalumes não emitem radiação quando o nível de iluminação ambiente é superior a 0,5 lux. Com a iluminação pública, acima desse valor, que se espalhou pelo país, os vagalumes acabaram reduzindo o número de acasalamentos e a população vem definhando´, apontou. Outras pesquisas conservação dos apoiadas por pela serem FAPESP alertam bioindicadores para de a necessidade de

vaga-lumes,

impactos

ambientais.

Pesquisadores tentam entender também como a luz produzida por eles pode ajud no ar diagnóstico e tratamento de doenças como o câncer e infecções bacterianas, a partir de enzimas responsáveis pela bioluminescência.

Benefícios ³A iluminação artificial intensa altera o comportamento dos insetos e do homem, podendo introduzir novos mecanismos de transmissão de doenças´, disse Barghini, destacando o caso do mal de Chagas. Antigamente o mal de Chagas era uma típica doença das popula ções pobres, que viviam em casas de adobe e recobertas de palha, onde o barbeiro se escondia com facilidade e picava no escuro. Com a introdução da iluminação artificial se intensificou um novo mecanismo de transmissão, a contaminação oral. ³Os barbeiros, atraídos pela iluminação, chegam no ambiente antrópico, pousando, por exemplo, em uma palmeira de açaí, onde parasitam o gambá. Os caboclos, ao colher açaí para fazer suco, trituram o fruto sem lavar, com as fezes do barbeiro, permitindo a transmissão oral. Em 2005, em Navegantes (Santa Catarina) 12 pessoas foram

contaminadas em uma venda de caldo de cana, onde o barbeiro tinha sido atraído por uma forte lâmpada´, contou.

O livro está dividido em dez capítulos, que falam da radiação natural do sol e de seu aproveitamento na biosfera e da evolução da iluminação artificial, com um espectro diferente da radiação natural. Segundo o autor, o espectro da luz, diferente da radiação natural, resulta no envio para a biosfera de um sinal que é mal interpretado. ³A fai a de onda da luz azul, por x exemplo, sensibiliza a melanopsina, proteína que gera sinais para o núcleo

suprasquiasmático do cérebro, responsável por regular o metabolismo do corpo. Dessa forma, o organismo entende que é dia e aumenta o ritmo metabólico, po dendo causar dificuldades para dormir´, disse. Mas a iluminação artificial, além das vantagens óbvias, pode proporcionar benefícios até mesmo no tratamento de algumas doenças. O caso típico é o da desordem afetiva sazonal, uma manifestação de depressão que se manifesta durante o inverno (dias curtos) nos países de clima temperado. Estudos também indicam que o uso intenso da iluminação consegue contornar, sem recorrer a drogas, o estado de depressão. ³A luz artificial vem sendo usada em alguns países em tratamentos com pacientes com mal de Alzheimer que apresentam distúrbios do sono e também em alguns casos de distúrbios psicológicos´, disse Barghini. ³No livro, proponho uma reflexão. As luzes artificiais podem ser benéficas desde que haja o cuidado de avaliar o modo de exposição´, reforçou o autor.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful