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Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho FUNDACENTRO Programa de Pós-Graduação em Trabalho, Saúde e Ambiente

Exposição ocupacional à poeira de sal marinho no processo de beneficiamento em salinas no Rio Grande do Norte.

Pedro Câncio Neto

São Paulo

2014

Pedro Câncio Neto

Exposição ocupacional à poeira de sal marinho no processo de beneficiamento em salinas no Rio Grande do Norte.

Dissertação

apresentada

ao

Programa

de

Pós-graduação em Trabalho, Saúde e Ambiente,

da

Fundação

Jorge

Duprat

Figueiredo

de

Segurança e Medicina do Trabalho

FUNDACENTRO,

como

requisito

parcial

para

obtenção do título de Mestre em Trabalho, Saúde e Ambiente.

Área

de concentração: Segurança e Saúde do

Trabalhador.

Linha de pesquisa: Avaliação, comunicação e controle de riscos nos locais de trabalho.

Orientadora: Dr.ª Cláudia Carla Gronchi

Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho FUNDACENTRO São Paulo

2014

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Serviço de Documentação e Biblioteca SDB / Fundacentro São Paulo SP Erika Alves dos Santos CRB-8/7110

Câncio Neto, Pedro. Exposição ocupacional à poeira de sal marinho no processo de beneficiamento em salinas no Rio Grande do Norte [texto] / Pedro Câncio Neto. 2014. 111 f. : il. color., enc. ; 29 cm. Orientadora: Cláudia Carla Gronchi. Texto datilografado. Dissertação (mestrado)-Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, São Paulo, 2014. Estudo de caráter exploratório sobre a caracterização da poeira de sal suspensa em ambientes de beneficiamento de sal marinho e exposição ocupacional dos trabalhadores de salinas nos municípios de Grossos e Mossoró (RN). Referências: f. 102-109. 1. Sal marinho Poeira respirável Avaliação da exposição. 2. Cloreto de sódio Poeira em suspensão. 3. Higiene ocupacional. I. Gronchi, Cláudia Carla. II. Título.

É expressamente proibida a comercialização deste documento tanto na sua forma impressa como eletrônica. Sua reprodução total ou parcial é permitida exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, desde que na reprodução figure a identificação do autor, título, instituição e ano da dissertação.

Pedro Câncio Neto

Exposição ocupacional à poeira de sal marinho no processo de beneficiamento em salinas no Rio Grande do Norte.

Dissertação

apresentada

ao

Programa

de

Pós-graduação em Trabalho, Saúde e Ambiente,

da

Fundação

Jorge

Duprat

Figueiredo

de

Segurança e Medicina do Trabalho

FUNDACENTRO,

como

requisito

parcial

para

obtenção do título de Mestre em Trabalho, Saúde e Ambiente.

Aprovado em 09 de outubro de 2014.

Banca examinadora:

Pedro Câncio Neto Exposição ocupacional à poeira de sal marinho no processo de beneficiamento em salinas

Aos trabalhadores do sal.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, que permitiu e deu condições para que este sonho se realizasse. Sempre iluminando meus caminhos e presente nos momentos difíceis.

A minha Orientadora, Prof.ª Dr.ª Cláudia Carla Gronchi, por desde o

princípio acreditar em mim e no potencial do tema

a ser pesquisado. Suas

constantes orientações, apoio e confiança foram decisivos para o sucesso desta

pesquisa.

A Prof.ª Dr.ª Teresa Cristina Nathan Outeiro Pinto e ao Prof. Dr. João Apolinário da Silva, pela contínua e estimada colaboração nesta pesquisa. Das viagens às salinas até a disponibilização dos sistemas de coleta, as suas valiosas contribuições permitiram que esta pesquisa se concretizasse.

A Prof.ª Dr.ª Ana Maria Tibiriçá Bon, por todas as orientações técnicas e científicas sobre o tema a ser pesquisado. A sua dedicação à Saúde e Segurança do Trabalhador é inspiradora.

Ao Prof. Dr. Albertinho Barreto de Carvalho, pela importante orientação na análise estatística utilizada nesta pesquisa.

A Sr.ª Leila Cristina Alves Lima, a Sr.ª Glaucia Nascimento de Souza e ao Sr. Amarildo Aparecido Pereira, pelo cuidado especial com o preparo e envio dos sistemas de coleta, como também com a análise gravimétrica das amostras.

Ao Prof. Dr. Gilson Lúcio Rodrigues, do Centro Regional de Pernambuco da FUNDACENTRO, pelo apoio logístico e incentivo.

Ao Prof. Dr. Eduardo Algranti, Prof. Dr. José Tarcísio Penteado Buschinelli, Dr. Salim Amed Ali, e Dr. Amós Oliveira de Assis, pelas orientações quanto aos aspectos médicos.

A todos os demais Professores: Dr.ª Alcinéa Meigikos dos Anjos Santos, Dr. Álvaro César Ruas, Me. Antonio Vladimir Vieira, Dr. Carlos Sérgio da Silva, Dr. Eduardo Garcia Garcia, Dr. Gilmar da Cunha Trivelato, Dr. Irlon de Ângelo da Cunha, Dr. José Marçal Jackson Filho, Dr.ª Marcela Gerardo Ribeiro, Esp. Marco Antonio Bussacos, Dr.ª Maria Cristina Aguiar Campos, Dr.ª Mina Kato,

Dr. Ricardo Luiz Lorenzi, Dr.ª Thaís Helena de Carvalho Barreira e Dr. Walter dos Reis Pedreira Filho, por se disporem a compartilhar seus relevantes conhecimentos e experiências conosco.

A Prof.ª Me. Maria Margarida Teixeira Moreira Lima e a Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO), pelo incentivo desde o princípio da pesquisa.

Ao Sr. Antônio Roberto Toscano Lara Rúbio, Sr.ª Erika Alves dos Santos, Sr.ª Maria Denize Meneguetti e Sr.ª Verônica de Lourdes Loureiro Paciullo, pela contribuição a este trabalho.

Ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), por ter autorizado a minha participação no Programa de Pós-graduação “Trabalho, Saúde e Ambiente” da FUNDACENTRO.

A Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO), por ter me aceitado como aluno e pelo apoio material.

Aos colegas do IFRN: Me. Alexandre Lúcio Dantas, Esp. Carlos Pereira da Silva Junior, Dr.ª Claudia Regia Gomes Tavares, Esp. Cleber Medeiros de Lucena, Me. Edwar Abreu Goncalves, Dr. Jonas Eduardo Gonzales Lemos, Me. Miguel Cabral de Macedo Neto e Me. Ramon Evangelista dos Anjos Paiva, por terem incentivado e apoiado a minha participação neste programa de pós-graduação.

Aos amigos Yuri Fujishima e Giann Carlo Silva Medeiros, também participantes do projeto “Saúde e segurança do trabalhador na indústria de extração e beneficiamento e transporte do sal marinho” da FUNDACENTRO, por todo o companheirismo, incentivo e apoio.

A todos os colegas da 2ª turma (2012) do Mestrado da FUNDACENTRO. A convivência, aprendizado e companheirismo de vocês foram excelentes.

A todos os queridos familiares, especialmente a minha mãe, Joana D’arc Martins Câncio e minha irmã, Tarciana Flávia Martins Câncio, pelo apoio incondicional. A Nara Tatiana Varela de Assis, pelo companheirismo e incentivo. Ao meu amado filho, João Pedro Varela Assis Câncio, pelos momentos de alegria e inspiração.

A Me. Nívia de Araújo Lopes, pelo incentivo e dedicação depositada a mim e a esta pesquisa.

A todas as empresas que permitiram a realização desta pesquisa.

A todas as pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram para que este trabalho pudesse ser realizado.

RESUMO

O Cloreto de Sódio (Na + Cl - ) é um produto utilizado na indústria alimentícia, química e na agricultura como suplemento dietético animal. Estudos indicam que a inalação da poeira de sal pode ser prejudicial à saúde do trabalhador e praticamente não existem estudos sobre avaliação quantitativa da exposição dos trabalhadores à poeira de sal. Dessa forma, o objetivo deste estudo exploratório é caracterizar a poeira suspensa nos ambientes de trabalho no processo de beneficiamento do sal marinho em salinas nos municípios de Grossos e Mossoró no Rio Grande do Norte (RN). Primeiramente, foi realizado o reconhecimento dos riscos dos ambientes de trabalho, das operações que são fontes de geração de poeira de sal e foram realizadas coletas individuais de poeira nos trabalhadores identificados com Expostos de Maior Risco (EMR). Neste trabalho foram selecionados dois tipos de dispositivos de coleta: o porta-filtro de plástico condutivo desenvolvido no Institute of Occupational Medicine (IOM), selecionado para a coleta de partículas na fração inalável, e o ciclone de alumínio de 37 mm de diâmetro, selecionado para a coleta de partículas na fração respirável. Foi possível identificar diversos aspectos no ambiente de trabalho e processos que contribuem para a geração e dispersão da poeira de sal. Observou-se também que na fração inalável, para o sal refinado e micronizado, em 3 das 4 empresas avaliadas, as concentrações de poeira de sal estão acima do valor de referência adotado (10 mg/m 3 ) neste estudo, e que as concentrações de poeira de sal para a fração respirável nas 4 empresas avaliadas encontram-se abaixo do valor de referência adotado (3 mg/m 3 ). Os resultados sugerem que as partículas de sal suspensas no ar nos ambientes de trabalho das operações de moagem, refino e ensacamento do sal têm diâmetro aerodinâmico menor que 100 µm (fração inalável) e são capazes de entrar pelas narinas e pela boca, penetrando no trato respiratório dos trabalhadores durante a inalação. Dessa maneira, verifica-se a necessidade de ampliar e complementar com estudos na área médica sobre os possíveis efeitos agudos e crônicos que a poeira de sal na fração inalável pode acarretar à saúde dos trabalhadores. Além disso, diante de uma temática tão pouco explorada, medidas de controle em caráter preventivo devem ser consideradas a fim de preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores.

Palavras-chave: Cloreto de Sódio. Partículas em Suspensão. Amostragem. Poluentes Ocupacionais do Ar. Exposição Ocupacional. Saúde do Trabalhador.

ABSTRACT

The Sodium chloride (Na + Cl - ) is a product used in food industry, chemical and agriculture in animal dietary supplement. Studies indicate that inhalation of salt dust can be harmful to workers' health and there are virtually no studies on quantitative assessment of worker exposure to dust of salt. Thus, the aim of this exploratory research is to characterize the suspended dust in the workplace in the beneficiation process of sea salt in salt evaporation ponds in the cities of Grossos and Mossoró in Rio Grande do Norte (RN). First, were performed the identify hazards of the work environment was conducted, of operations that are sources of generation salt dust and personal sample collections of dust on workers identified as Maximum Risk Employees. In this study two types of personal samples collection were selected: the conductive plastic personal sampler developed in Institute of Occupational Medicine (IOM), selected for the collection in the inhalable particulate matter, and the aluminum cyclone of 37 mm diameter selected for the collection in the respirable particulate matter. It was possible to identify several aspects in the work environment and processes that contribute to the generation and dispersion of salt dust. It was also observed that the inhalable particulate matter, for refined and micronized sea salt, in 3 of the 4 companies surveyed, salt dust concentrations are above the reference value adopted (10 mg/m 3 ) in this study, and salt dust concentrations to the respirable particulate matter in 4 surveyed companies are below the reference value adopted (3 mg/m 3 ). The results suggest that the salt particles suspended in the air of working environments in operations of milling, refining and bagging the salt, have an aerodynamic diameter smaller than 100 µm (inhalable particulate) and are able to enter the nostrils and mouth, penetrating the respiratory tract of workers during inhalation. Thus, it turns the need to expand and complement with studies in the medical field about the possible acute and chronic effects of inhalable salt dust may lead to worker health. In addition, before a theme so little explored, preventive measures should be considered in order to safeguard the health and physical integrity of workers.

Keywords: Sodium Chloride. Suspended Particles. Sampling Studies. Air Pollutants, Occupational. Occupational Exposure. Industrial Hygiene.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 3.1 -

Produção mundial de sais em

20

Figura 3.2 -

Produção nacional de sal em 2013................................................

20

Figura 3.3 -

Produção de sal marinho por estado em

21

Figura 3.4 -

Microrregiões Homogêneas do

22

Figura 3.5 -

Microrregião Salineira Norte-rio-grandense...................................

22

Figura 3.6 -

Distribuição percentual da produção de sal marinho por município do RN em 2013..............................................................

23

Figura 3.7 -

Consumo interno de sal em

23

Figura 3.8 -

Representação esquemática das principais regiões do trato

respiratório e sua correspondência com as frações inalável,

torácica e

29

Figura 3.9 -

Alterações no diâmetro e densidade de partículas higroscópicas no interior do trato respiratório (fora de escala)

.............................

31

Figura 3.10 -

Influência

do

diâmetro

aerodinâmico

da

partícula

na

sua

deposição em uma das três regiões do trato respiratório

..............

34

Figura 3.11 -

Deposição de partículas por região do trato respiratório humano em relação ao diâmetro da partícula inalada.................................

35

Figura 3.12 -

Curvas das frações inalável, torácica e respirável em função do

diâmetro aerodinâmico da partícula

...............................................

.........

46

Figura 3.13 -

Sistema de coleta no próprio trabalhador (coleta individual)

48

Figura 3.14 -

Posicionamento do dispositivo de

49

Figura 3.15 -

Sistema de coleta ambiental (coleta de área ou estática)

.............

50

Figura 3.16 -

Diagrama representativo da quantidade e tipo de amostras, segundo o tempo de duração da amostragem..............................

52

Figura 4.1 -

Posicionamento do sistema de coleta individual

............................

63

Figura 4.2 -

Ciclone de alumínio, sendo: a) suporte para o dispositivo de coleta, b) parte inferior do porta-filtro, c) suporte do filtro, d) filtro de membrana, e) anel central do porta-filtro, f) separador de

partículas, e g)

65

Figura 4.3 -

Dispositivo IOM para particulado inalável, sendo: a) parte inferior do porta-filtro, b) anel de vedação, c) suporte do filtro, d) filtro de membrana, e) parte central do porta-filtro, f) parte superior do porta-filtro com orifício de entrada de 4 mm, g) tampa do porta-

filtro, e h)

65

Figura 4.4 -

Laboratório de Gravimetria do CTN da FUNDACENTRO

.............

66

Figura 4.5 -

Caixa para estabilização de filtros do Laboratório de Gravimetria

do CTN da FUNDACENTRO

.........................................................

67

Figura 5.1 -

Amostra

da

camada

de

sal

agregada

aos

exaustores

Figura 5.2 -

Peneiras vibratórias mecânicas sem contenção de poeira e o Catador de impurezas do sal (Empresa D) ....................................

75

Figura 5.3 -

Acúmulo

de

poeira

de

sal

na

tubulação de

exaustão

das

máquinas dosadoras e empacotadoras (Empresa A)

....................

75

Figura 5.4 -

Sal derramado no piso durante o enchimento manual de sacos

(Empresa C)

...................................................................................

76

Figura 5.5 -

Enchimento de Big Bag sem a válvula superior para conexão

com o sistema de envase (Empresa C)

.........................................

77

Figura 5.6 -

Presença de grande quantidade sal sob e próximo ao palete

onde são empilhados os sacos (Empresa B)

.................................

77

Figura 5.7 -

Junta de interligação em tecido danificada e saturada de sal

....

(Empresa A)...................................................................................

78

Figura 5.8 -

Limpeza a seco do piso com auxilio de vassoura (Empresa D)

78

Figura 5.9 -

Poeira de sal em suspensão visível na Empresa B

.......................

79

Figura 5.10 -

Acúmulo de poeira de sal nas estruturas de sustentação do teto na Empresa A................................................................................

79

Figura 5.11 -

Acúmulo de poeira de sal na estrutura do equipamento e no piso na Empresa B................................................................................

80

Figura 5.12 -

Acúmulo de

poeira de

sal na estrutura do equipamento

na

Empresa B.....................................................................................

80

Figura 5.13 -

Presença de poeira de sal nas vestimentas do trabalhador na Empresa A.....................................................................................

81

Figura 5.14 -

Concentração de poeira de sal na fração inalável por amostra nas empresas A, B, C e D. A linha representa o valor de

referência adotado de 10 mg/m 3

 

90

Figura 5.15 -

Concentração de poeira de sal na fração respirável por amostra nas empresas A, B, C e D. A linha representa o valor de referência adotado de 3 mg/m 3 ......................................................

91

LISTA DE TABELAS

Tabela 3.1 -

Eficiência de

coleta, em massa, para fração de particulado

inalável

...........................................................................................

45

Tabela 3.2 -

Eficiência de

coleta, em massa, para fração de particulado

torácico...........................................................................................

45

Tabela 3.3 -

Eficiência de

coleta, em massa, para fração de particulado

respirável

........................................................................................

46

Tabela 4.1 -

Quantidade de trabalhadores por tipo de beneficiamento do sal

...

61

Tabela 5.1 -

Características físicas das empresas avaliadas............................

70

Tabela 5.2 -

Medidas de controle em caráter coletivo e individual existentes nas empresas avaliadas ................................................................

71

Tabela 5.3 -

Fontes/atividades geradoras de poeira de sal

...............................

74

Tabela 5.4 -

Descrição das funções e atividades em que se encontravam os trabalhadores EMR........................................................................

82

Tabela 5.5 -

Quantidade e distribuição dos tipos de amostras coletadas por empresa

.........................................................................................

82

Tabela 5.6 -

Quantidade de amostras, tipo de fração coletada e quantidade

de jornadas diárias de trabalho correspondentes por função

........

84

Tabela 5.7 -

Concentração de poeira nas frações respirável e inalável na Empresa A.....................................................................................

85

Tabela 5.8 -

Concentração de poeira nas frações respirável e inalável na Empresa B.....................................................................................

86

Tabela 5.9 -

Concentração de poeira nas frações respirável e inalável na Empresa C.....................................................................................

87

Tabela 5.10 -

Concentração de poeira nas frações respirável e inalável na

Análise estatística da fração inalável na Empresa A.....................

Tabela 5.11 -

Empresa D.....................................................................................

88

92

Tabela 5.12 -

Análise estatística da fração respirável na Empresa A..................

93

Tabela 5.13 -

Análise estatística da fração inalável na Empresa B.....................

94

Tabela 5.14 -

Análise estatística da fração respirável na Empresa B..................

95

Tabela 5.15 -

Análise estatística da fração inalável na Empresa C.....................

96

Tabela 5.16 -

Análise estatística da fração respirável na Empresa C..................

97

Tabela 5.17 -

Análise estatística da fração inalável na Empresa D.....................

98

Tabela 5.18 - Análise estatística da fração respirável na Empresa

98

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ABNT ACGIH ® ACS AIHA ANVISA BOE CA CAS CBO CCOHS CEN CEREST CNAE CNS CRPE CTN DNPM EMR EPC EPI FIERN FUNDACENTRO

Associação Brasileira de Normas Técnicas American Conference of Governmental Industrial Hygienists American Chemical Society American Industrial Hygiene Association Agência Nacional de Vigilância Sanitária Boletín Oficial del Estado Certificado de Aprovação Chemical Abstracts Service Classificação Brasileira de Ocupações Canadian Centre for Occupational Health and Safety Comité Européen de Normalisation Centro de Referência de Saúde do Trabalhador Classificação Nacional de Atividades Econômicas Conselho Nacional de Saúde Centro Regional de Pernambuco Centro Técnico Nacional Departamento Nacional de Produção Mineral Exposto de Maior Risco Equipamento de Proteção Coletiva Equipamento de Proteção Individual Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do

HSE

Trabalho Health and Safety Executive

ICRP

International Comission on Radiological Protection

IFA

Institut

für

Arbeitsschutz

der

Deutschen

Gesetzlichen

INSHT

Unfallversicherung Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo

IOM

Institute of Occupational Medicine

 

ISO

International Organization for Standardization

ITC

Instrucción Técnica Complementaria

IUPAC

International Union of Pure and Applied Chemistry

LCI

Limite de Confiança Inferior

LCS

Limite de Confiança Superior

LEO

Limite de Exposição Ocupacional

LT

Limite de Tolerância

 

LTS

Limite de Tolerância Superior

MCE

Éster de celulose mista

MDHS

Methods for the Determination of Hazardous Substances

MTb

Ministério do Trabalho

MTE

Ministério do Trabalho e Emprego

NIOSH

National Institute for Occupational Safety and Health

NHO

Norma de Higiene Ocupacional

NR

Norma Regulamentadora

NTP

Notas Técnicas de Prevención

OSHA

Occupational Safety and Health Administration

PEL

Permissible Exposure Limit

PFF

Peça Semifacial Filtrante

PNOS

Partículas

(insolúveis

ou

de

baixa

solubilidade)

não

PPR

Especificadas de Outra Maneira Programa de Proteção Respiratória

 

PVC

Policloreto de vinila

RAIS

Relação Anual de Informações Sociais

RBC

Rede Brasileira de Calibração

RDC

Resolução da Diretoria Colegiada

REL

Recommended Exposure Limit

RN

Rio Grande do Norte

TCLE

Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

TDI

Tolilenediisocianato

TLV ®

Threshold Limit Value

TR

Tecnical Report

UNE

Una Norma Española

VAI

Vias Aéreas Inferiores

VAS

Vias Aéreas Superiores

VLA-ED

Valor Límite Ambiental para la Exposición Diaria

VRA

Valor de Referência Adotado

WHO

World Health Organization

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

  • 1 ..................................................................................................................

16

OBJETIVOS

  • 2 ......................................................................................................................

19

  • 2.1 Objetivo geral

...........................................................................................................

19

  • 2.2 Objetivos específicos ..............................................................................................

19

  • 3 FUNDAMENTOS TEÓRICOS

20

  • 3.1 Panorama produtivo do sal marinho

20

  • 3.2 Processo de produção do sal marinho

24

  • 3.3 O cloreto de sódio e sua aplicação

25

  • 3.4 Aerossol: Poeira

26

  • 3.5 Parâmetros de classificação da poeira

27

  • 3.5.1 Forma e origem das partículas

27

  • 3.5.2 Tamanho das partículas

28

  • 3.5.3 Higroscopicidade

30

  • 3.6 Deposição de partículas no trato respiratório

32

  • 3.6.1 Mecanismos de defesa pulmonar

37

  • 3.6.2 Potencial patogênico das partículas

37

  • 3.6.3 A inalação do cloreto de sódio e os possíveis efeitos à saúde

38

  • 3.7 Coleta de material particulado

41

  • 3.7.1 Elemento de retenção

42

  • 3.7.2 O Separador de

43

  • 3.8 Planejamento de coletas de amostras

47

  • 3.8.1 Tipos de coleta

48

  • 3.8.2 Tempo de coleta

51

  • 3.8.3 Características das amostras segundo o período de coleta

51

  • 3.8.4 Exposto de Maior Risco (EMR)

53

  • 3.9 Limite de Exposição Ocupacional (LEO)

54

3.10

Análise gravimétrica

56

  • 4 MATERIAIS E MÉTODOS

59

  • 4.1 Seleção das Salinas

59

  • 4.1.1 Critérios de seleção das

61

  • 4.1.2 Reconhecimento dos riscos

62

  • 4.2 Coleta de amostras de poeira

62

  • 4.2.1 Sistema de coleta

63

  • 4.2.2 Dispositivo de coleta

64

  • 4.2.3 Registro de dados

66

  • 4.2.4 Transporte das amostras

66

  • 4.3 Análise Gravimétrica e concentração de poeira ..................................................

66

  • 4.3.1 Valor de Referência Adotado (VRA)

68

  • 4.3.2 Análise estatística

68

  • 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

69

  • 5.1 Reconhecimento dos riscos nas salinas

69

  • 5.1.1 Características físicas dos ambientes de trabalho

70

  • 5.1.2 Medidas de controle da poeira

70

  • 5.1.3 Fontes de poeira de sal

73

  • 5.1.4 Trabalhadores Expostos de Maior Risco

81

  • 5.2 Concentrações de poeira nas frações respirável e inalável

82

  • 5.2.1 Análise estatística das frações inalável e respirável de poeira

89

  • 6 CONCLUSÕES

100

REFERÊNCIAS

102

ANEXO A FORMULÁRIO PARA REGISTRO DE

110

ANEXO B CAIXA DE ALUMÍNIO PARA TRANSPORTE DE AMOSTRAS CONTENDO

CAMADAS DE

111

16

1 INTRODUÇÃO

O Cloreto de Sódio (NaCl) ou simplesmente sal é considerado como uma substância essencial à vida humana e animal. Existem relatos sobre a sua importância desde o século 19 a.C., onde os chineses obtinham cristais de sal fervendo a água do mar em vasilhas de barro. Também há registros arqueológicos demonstrando que os celtas em 1300 a.C., cavoucavam a terra em busca do sal, sendo esses tidos como os inventores da mineração do sal-gema (PAIVA; PENNA, 2002).

Na Roma antiga, o sal passou a ser tributado pelo governo, e devido a sua importância, foi uma grande fonte de impostos. Pela sua escassez e valor, também era utilizado como moeda, chegando a ser parte da remuneração dos soldados, o que deu origem à palavra salário (NORSAL, 2014).

No Cristianismo também há relatos da sua importância, como no texto bíblico do Livro de São Mateus, capítulo 5, versículo 13:

Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens (BÍBLIA SAGRADA, 1995, p. 7).

O

sal

é

um produto largamente utilizado não só como complemento

alimentar, mas também na indústria química para produção de cloro e seus

derivados, e na agricultura como suplemento dietético animal (DNPM, 2014).

Quanto às suas formas de produção, tem-se o sal oriundo do processo de salmoura, o sal de rocha (sal-gema), o sal por evaporação a vácuo, e o sal por evaporação solar (DNPM, 2014).

De acordo com a World Health Organization (WHO), as poeiras geralmente são originadas por meio da ruptura mecânica de grandes massas de um mesmo

material. E “se nuvens de poeira são vistas no ar, é quase certo que a poeira de

tamanho potencialmente (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. xi).

perigoso

está

presente

Ramazzini (2000) ao discorrer sobre as Doenças dos Salineiros, da cidade

de Sérvia, onde na época havia uma grande produtora de sal italiana, afirma que

[

...

]

o ar se acha saturado de vapores tão corrosivos que atacam o ferro, o qual se

17

torna mole como cera e depois se reduz a pó” (RAMAZZINI, 2000, p. 157-158). Complementa ainda, o Pai da Medicina do Trabalho, que quase todos os operários

são

[

]

caquéticos, hidrópicos e padecem de pútridas chagas nas pernas”

... (RAMAZZINI, 2000, p. 158).

Mckenzie (1905) relatou que de um total de 7 mulheres que trabalhavam embalando sal, 4 apresentaram perfurações no septo nasal. O mesmo ainda relata que a exposição das trabalhadoras a poeira de sal foi comprovada in loco pelo abundante empoeiramento de seus cabelos e roupas.

Hatem et al. (1987), em estudo pioneiro realizado no Rio Grande do Norte, em 18 salinas manuais, 6 salinas mecanizadas e 28 armazéns de beneficiamento, com cerca de 5.900 trabalhadores, afirmam que as principais patologias ocupacionais diagnosticadas nos trabalhadores são de ordem dermatológica e

oftalmológica. Os autores condicionam à existência de tais doenças a “[

...

]

agressão

intensa sofrida pela pele e globo ocular, devido ao contato direto com a substância,

à luminosidade intensa e à poeira de sal” (HATEM et al., 1987, p. 29). Especificamente quanto às doenças oftalmológicas (pterígio, hiperemia conjuntival, e

catarata), os autores atribuem o elevado número de enfermidades ao “[

]

intenso

... reflexo da luz solar sobre a visão, nas salinas (até 140.000 lux), e pela intensa

quantidade de poeira ambiental observada nos armazéns de beneficiamento”

(HATEM et al., 1987, p. 30).

Hatem et al., (1987, p. 24) também menciona o “pó de sal em suspensão” como um dos “riscos ambientais” presentes durante a fase de beneficiamento do sal.

Como parte integrante do estudo anterior, Ali (1988) examinou trabalhadores de 9 salinas com produção manual, 1 salina com produção mecanizada e 3 armazéns de beneficiamento de sal, totalizando 326 trabalhadores. O autor destaca a presença de ferimentos e lesões traumáticas, choques elétricos devido à degradação de condutores elétricos, dermatoses e carcinoma. O mesmo também chama a atenção para a necessidade da intervenção de outras especialidades médicas, como a oftalmologia, ortopedia, traumatologia e clínica médica (ALI, 1988).

Haldiya et al. (2005) avaliou o risco na elevação da pressão arterial em trabalhadores de uma planta de moagem de sal em Rajasthan, Índia. Ao todo, foram estudados 474 trabalhadores de não-salmoura (responsáveis pela britagem,

18

moagem, embalagem, carregamento de sal, e aqueles que desenvolvem atividades nas proximidades das plantas de moagem) e 284 trabalhadores de salmoura (aqueles que desenvolvem atividades no interior dos cristalizadores com o propósito de reorganização dos cristais e amontoamento do sal bruto). A concentração média total de partículas de sal, durante os 6 dias de avaliação, foi de 376 mg/m 3 , sendo 361 mg/m 3 de partículas maiores do que 10 µm e 15 mg/m 3 de partículas menores do que 10 µm. Os autores concluem que os trabalhadores de não-salmoura que laboram perto das plantas de moagem de sal podem inalar partículas de sal dispersas no ar, conduzindo a um aumento do sódio plasmático, o qual, por sua vez, pode aumentar a pressão arterial e o risco de hipertensão (HALDIYA et al., 2005).

As poucas referências científicas encontradas em bases de dados científicas (PubMed, Lilacs, Scielo, Bireme, dentre outras) sobre saúde e segurança do trabalhador nos processos de produção de sal marinho e mencionadas anteriormente, abordam somente aspectos qualitativos, fruto das observações dos ambientes de trabalho, e análises clínicas e dermatológicas dos trabalhadores das salinas.

Dessa maneira, este trabalho de caráter exploratório, que faz parte do projeto da Saúde e segurança do trabalhador na indústria de extração e beneficiamento e transporte do sal marinho” da FUNDACENTRO, tem como proposta ampliar o conhecimento nesta área e retratar mais detalhadamente a exposição do trabalhador a poeira de sal marinho no processo de beneficiamento em indústrias salineiras dos municípios de Grossos/RN e Mossoró/RN.

19

2 OBJETIVOS

  • 2.1 Objetivo geral

O objetivo geral desta

pesquisa é caracterizar a poeira de sal marinho

suspensa nos ambientes de trabalho gerada no processo de beneficiamento em salinas nos municípios de Grossos e Mossoró no Rio Grande do Norte (RN).

  • 2.2 Objetivos específicos

Realizar um reconhecimento dos riscos nos ambientes de trabalho das salinas a fim de identificar no processo de beneficiamento quais são as operações que são fontes de geração de poeira de sal;

Caracterizar as medidas de controle adotadas no processo de beneficiamento relativas à exposição dos trabalhadores a poeira de sal;

Estabelecer uma estratégia de amostragem para avaliação quantitativa da poeira de sal marinho a fim de caracterizar as frações inalável e respirável de material particulado suspenso no ar a que estão expostos os trabalhadores que desempenham suas atividades no processo de beneficiamento.

20

3 FUNDAMENTOS TEÓRICOS

  • 3.1 Panorama produtivo do sal marinho

A produção mundial de

todos

os tipos de sais

em 2013 foi estimada em

264 Mt (milhões de toneladas). A Figura 3.1 mostra a distribuição da produção mundial de sais por países (DNPM, 2014).

Produção Mundial em Mt

40.100 18.000 12.000 11.000 11.000 9.500 8.000 7.275 71.000 76.125
40.100
18.000
12.000
11.000
11.000
9.500
8.000
7.275
71.000
76.125

Figura 3.1

Produção mundial de sais em 2013.

Fonte: DNPM, 2014.

No

Brasil, durante

o

ano

de

2013, a

produção foi estimada em

7,2

Mt,

incluindo a produção de sal por evaporação solar e a mineração do sal-gema (DNPM, 2014), conforme mostra a Figura 3.2 a seguir:

Produção de Sal no Brasil

5,9 Mt 1,3 Mt (18%) (82%) Sal Marinho (Evaporação solar) Sal-gema (Mineração)
5,9 Mt
1,3 Mt
(18%)
(82%)
Sal Marinho
(Evaporação solar)
Sal-gema
(Mineração)

Figura 3.2

Produção nacional de sal em 2013.

Fonte: DNPM, 2014.

21

As reservas nacionais de sal-gema, medidas e indicadas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), estão localizadas nos estados do Espírito Santo que contêm 63% do total dessas reservas (13.626,9 toneladas), Sergipe com 17% (3.677,1 toneladas), Alagoas com 14% (3.028,2 toneladas) e Bahia com 6% (1.297,8 toneladas). Em Nova Olinda, situada no estado do Amazonas, são conhecidas reservas de silvinita associada a sal-gema que somam cerca de 1 bilhão de toneladas (DNPM, 2014).

A Figura 3.3 mostra a distribuição da produção nacional de sal marinho segundo o estado produtor durante o ano de 2013.

Produção de Sal Marinho no Brasil Quantidade (Mt) Percentual 5,60 95,0% 0,21 2,9% 0,11 1,5% 0,01
Produção de Sal Marinho no Brasil
Quantidade (Mt)
Percentual
5,60
95,0%
0,21
2,9%
0,11
1,5%
0,01
0,1%
Rio Grande do Norte
Rio de Janeiro
Ceará
Piauí

Figura 3.3

Produção de sal marinho por estado em 2013.

Fonte: DNPM, 2014.

A produção

de

sal

no

Estado do Rio

Grande do Norte

concentra-se na

Zona Mossoroense (Figura 3.4), especificamente na Microrregião Salineira Norte-rio-grandense (Figura 3.5), que compreende os municípios de Baraúna, Mossoró, Tibau, Grossos, Areia Branca, Serra do Mel, Porto do Mangue, Carnaubais, Macau, Pendências, Alto do Rodrigues e Guamaré (FIERN, 2009).

22

22 Figura 3.4 Microrregiões Homogêneas do RN. Fonte: FIERN, 2009, p. 14. Figura 3.5 Microrregião Salineira

Figura 3.4

Microrregiões Homogêneas do RN.

Fonte: FIERN, 2009, p. 14.

22 Figura 3.4 Microrregiões Homogêneas do RN. Fonte: FIERN, 2009, p. 14. Figura 3.5 Microrregião Salineira

Figura 3.5

Microrregião Salineira Norte-rio-grandense.

Fonte: adaptado de FIERN, 2009.

A Figura 3.6 mostra a distribuição percentual da produção de sal marinho por município do RN em 2013 (DNPM, 2014).

23

Municípios Produtores de Sal no RN

1,70 0,59 0,45 30% 0,39 10% 9% 7% 0,06 1% Macau Areia Branca Grossos Galinhos Guamaré
1,70
0,59
0,45
30%
0,39
10%
9%
7%
0,06
1%
Macau
Areia Branca
Grossos
Galinhos
Guamaré
0,60
11%
Porto do
Mangue
1,80
32%
Mossoró
Quantidade (Mt)
Percentual

Figura 3.6

Distribuição percentual da produção de sal marinho por município do RN em 2013.

Fonte: DNPM, 2014.

O

consumo

interno

de

sal durante

o

ano

de

2013, de acordo

com

o

DNPM (2014), apresentou um decréscimo de 7% em relação ao ano anterior (8,5 Mt em 2012 para 7,9 Mt em 2013). A Figura 3.7 mostra a demanda interna por sal.

Consumo Interno de Sal

27% 24% 20% 2,1Mt 1,9 Mt 1,6 Mt 2,3 Mt 29%
27%
24%
20%
2,1Mt
1,9 Mt
1,6 Mt
2,3 Mt
29%
  • Indústria Química

  • Consumo humano, animal e agricultura

  • Frigoríficos, indústria farmacêutica, petróleo e tratamento d’água

  • Indústria em geral

Figura 3.7

Consumo interno de sal em 2013.

Fonte: DNPM, 2014.

As exportações de sal durante o ano de 2013 cresceram 220% em relação ao ano de 2012, aumentando de 89.908 mt (mil toneladas) em 2012 para 287.725 mt em 2013. De acordo com o DNPM (2014), esse crescimento foi devido à prolongada

24

estiagem do período e a retomada da confiança do mercado externo na produção de sal do Rio Grande do Norte. Os principais países compradores de bens primários de sal brasileiro foram Nigéria (53%), Estados Unidos (17%), Camarões (16%), Canadá (9%), Reino Unido (3%) e outros (2%) (DNPM, 2014).

No Brasil, os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam um total de 289 empresas no setor salineiro que empregam um total de 5.030 trabalhadores (RAIS, 2012).

A Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), referente ao setor salineiro, abrange as subclasses 0892-4/01(extração de sal marinho), 0892-4/02 (extração de sal-gema) e 0892-4/03 (refino e outros tratamentos do sal) (CNAE, 2014).

Na subclasse 0892-4/01 tem-se 178 empresas com um total de 3.249 empregados, a subclasse 0892-4/02 abrange 10 empresas com 28 empregados, e a subclasse 0892-4/03 compreende 101 empresas com 1.753 empregados (RAIS, 2012).

No Rio Grande do Norte, para a subclasse 0892-4/01 tem-se 71 empresas com um total de 2.433 empregados, para a subclasse 0892-4/02 tem-se 2 empresas com 3 empregados, e para a subclasse 0892-4/03 tem-se 70 empresas com 1.268 empregados (RAIS, 2012).

  • 3.2 Processo de produção do sal marinho

O processo de produção do sal marinho divide-se basicamente em quatro fases: a concentração da água do mar, a cristalização do cloreto de sódio, a colheita e a lavagem, e o beneficiamento (NORSAL, 2014).

A primeira fase compreende o bombeamento da água do mar para os evaporadores onde fica exposta ao sol, e na medida em que a sua densidade aumenta, ela é transferida para outros evaporadores. Essa densidade é aferida em Graus de Baumé (ºBe) (SILVA, 2001).

A salmoura, ao atingir uma concentração aproximada entre 24º a 28º Be, é transferida para os cristalizadores para drenagem e evaporação da água (SILVA, 2001; MEDEIROS JUNIOR, 2011).

25

Ao

se

formar

uma

lâmina

de

cloreto

de

sódio

cristalizado

de

aproximadamente 17 cm de espessura, a fase da colheita é iniciada utilizando-se escavadeiras ou colheitadeiras. Em seguida, o sal é transportado por meio de caminhões caçamba para empilhamento ao ar livre. O objetivo desse empilhamento, também conhecido como cura, é a perda de umidade (CARVALHO; CALDAS NETO; ARAÚJO, 2006).

Depois de alcançado o grau de umidade desejado, o sal é transferido por meio de tratores ou caminhões caçamba para as unidades de beneficiamento. Esta fase consiste na moagem e/ou refino e ensacamento do sal para comercialização (SILVA, 2001).

Na moagem, o sal é transportado por esteiras rolantes ou transportadores helicoidais e inserido em um moinho mecanizado para obtenção de cristais em uma menor granulometria.

Na

operação

de

refino,

o

sal

moído

passa

por

peneiras

vibratórias

mecânicas, nas quais ocorre a separação dos cristais por tamanho.

Em seguida, o sal moído e/ou peneirado é transportado por meio de esteiras rolantes ou transportadores helicoidais e são depositados em sacos plásticos posicionados nos alimentadores por trabalhadores.

  • 3.3 O cloreto de sódio e sua aplicação

O cloreto de sódio, ou simplesmente sal, é um metal alcalino com fórmula química Na + Cl - . É encontrado, em seu estado físico sólido, por todo o planeta em depósitos subterrâneos naturais, sendo assim denominado como halita ou sal de rocha. Também pode ser obtido por meio da evaporação de lagos salgados ou de águas do mar represadas (FELDMAN, 2005 apud CCOHS, 2009).

Possui aparência de cristais cúbicos transparentes, incolores ou brancos. É inodoro e higroscópico, ou seja, possui a capacidade de absorver a umidade do ar. É um sólido não combustível e muito solúvel em água (CCOHS, 2009; IFA, 2011).

Registrado no Chemical Abstracts Service (CAS) da American Chemical Society (ACS) sob o número 7647-14-5, o cloreto de sódio é utilizado na produção de outros produtos químicos, como o hidróxido de sódio (NaOH), carbonato de

26

sódio (Na 2 CO 3 ), cloreto de hidrogénio (HCl), cloro (Cl), e sódio metálico (Na). Na indústria alimentícia é utilizado no processamento de alimentos e no controle da fermentação, da textura e do sabor. Nos países onde há neve, o sal é utilizado para o degelo da superfície de estradas. Na indústria têxtil, o sal é utilizado no tingimento e impressão em tecidos. Na indústria em geral, é utilizado na fabricação de borracha, produção de detergentes, fabricação de tintas, cerâmicas (vitrocerâmica) e produtos de higiene pessoal (sabão, sabonete e shampoo). Na indústria petrolífera, o sal é utilizado na perfuração de poços de petróleo e gás natural. Também é utilizado no processamento e curtimento do couro animal. Na indústria agrícola o sal é largamente utilizado como suplemento dietético para animais (CCOHS, 2009).

  • 3.4 Aerossol: Poeira

Para Yeh, Phalen e Raabe (1976), um aerossol pode ser definido como um sistema de partículas sólidas ou líquidas dispersas num meio gasoso, capazes de permanecer em suspensão por um longo período de tempo.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define os aerossóis ou aerodispersóides como um “sistema disperso, em um meio gasoso, composto de partículas sólidas e/ou líquidas” (ABNT, 1991, p. 1).

A Norma de Higiene Ocupacional, Método de Ensaio, NHO-03: “Análise Gravimétrica de Aerodispersóides Sólidos Coletados Sobre Filtros de Membrana”,

define aerodispersóides como uma “reunião de partículas sólidas e/ou líquidas suspensas em um meio gasoso por tempo suficiente para permitir sua observação

ou medição. Estão incluídas nessa categoria as partículas menores que 100 μm” (FUNDACENTRO, 2001, p. 14).

Segundo Lippmann (1998) tais aerossóis podem ser classificados de acordo com o seu respectivo processo de formação, sendo: poeira, vapor, fumo, névoa, smog, neblina, núcleos de condensação, modo de acumulação e modo de partícula grossa. Esses contaminantes atmosféricos encontrados na forma gasosa, líquida e sólida podem dispersar-se no ar em condições normais de temperatura e pressão (LIPPMANN, 1998).

Especificamente quanto ao aerossol classificado como poeira, o Glossary of Atmospheric Chemistry Terms da International Union of Pure and Applied Chemistry

27

da International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC) (1990), a define como:

Partículas sólidas, pequenas e secas, projetadas no ar por forças naturais, como o vento, erupção vulcânica, e por processos mecânicos ou devidos à ação humana tais como esmagamento, polimento, moagem, perfuração, demolição, escavação, transporte, peneiramento, ensacamento e varredura. Partículas de poeira usualmente se situam na faixa de tamanho que vai de 1 a 100 µm de diâmetro, e se sedimentam vagarosamente sob a influência da gravidade (IUPAC, 1990 apud WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. 1).

A NHO-03 define poeira como sendo “toda partícula sólida, de qualquer

tamanho, natureza ou origem, formada pela ruptura de um material original sólido,

suspenso

ou

capaz

de

se

(FUNDACENTRO, 2001, p. 14).

manter

suspensa

no

ar

[

...

]

Neste trabalho, será adotada a definição de poeira preconizada pela IUPAC (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999).

  • 3.5 Parâmetros de classificação da poeira

A poeira pode ser classificada de acordo com os seguintes parâmetros:

forma, origem e tamanho da partícula (SANTOS, 2001).

Esses parâmetros, somados a densidade da partícula e ao seu caráter higroscópico, são determinantes do comportamento das partículas no ar e na

eficiência da

inalação

e

deposição no trato respiratório (SANTOS, 2005;

BON, 2006).

  • 3.5.1 Forma e origem das partículas

As formas das partículas de poeira geralmente são irregulares e maiores que 0,5 µm. Existe uma variedade de formas como: esféricas, cúbicas, irregulares, com formato de flocos, fibras, cadeias, plaquetas ou escamas (SANTOS, 2001).

A forma da partícula influencia na sua resistência aerodinâmica e na sua área superficial, afetando, portanto, as suas possibilidades de movimentação e deposição no trato respiratório (LIPPMANN, 1998).

28

Quanto a sua origem, as partículas podem ser classificadas como: minerais (quartzo, asbesto e metais), animais (peles, couros, pelos, plumas e escamas) e vegetais (madeiras, grãos, cereais, algodão, bagaço) (SANTOS, 2001).

  • 3.5.2 Tamanho das partículas

Segundo a World Health Organization (WHO) (1999) o tamanho geométrico de uma partícula não explica completamente como ela se comporta no seu estado de suspensão no ar.

Dessa forma, Santos (2001) afirma que para os aerodispersóides o interesse da Higiene Ocupacional 1 está frequentemente centrado no comportamento aerodinâmico das partículas, onde as suas propriedades aerodinâmicas são levadas em consideração quando da caracterização do seu tamanho.

Portanto, a medida mais apropriada para o tamanho de partícula, para a maioria das situações na Higiene Ocupacional, é o diâmetro aerodinâmico, que foi definido pela WHO (1999) como sendo:

O

diâmetro de uma esfera

hipotética de densidade 1 g/cm³ que

possui a mesma velocidade de sedimentação terminal em ar calmo

que a partícula em questão, independentemente de seu tamanho geométrico, forma ou densidade verdadeira (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. 1).

De acordo com a WHO (1999), tal definição do diâmetro aerodinâmico é

mais apropriada porque relaciona diretamente a “[

...

]

habilidade de uma partícula em

penetrar e se depositar nos diferentes locais do trato respiratório, e também ao transporte da partícula na amostragem de aerossol e dispositivos de filtração [ ]... (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. 2).

Para o Instituto Nacional de Seguridad e Higiene en el Trabajo (INSHT), o diâmetro aerodinâmico é útil para descrever o comportamento das partículas que penetram no trato respiratório, independentemente da sua forma e composição (INSHT, 2006).

1 Higiene Ocupacional é a ciência que trata da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos originados nos locais de trabalho ou com ele relacionados e que podem comprometer a saúde e o bem-estar dos trabalhadores, também levando em consideração o possível impacto nas comunidades vizinhas e no meio ambiente em geral (GOELZER, 1998, 2003, 2013).

29

Santos (2001, p. 22) também afirma que

o

[

...

]

local de deposição das

partículas no sistema respiratório humano depende diretamente do tamanho das partículas”, assim, as faixas de estudo de maior interesse para a Higiene Ocupacional estão divididas de modo a relacioná-las com o seu respectivo local de deposição.

No período de 1989 a 1992, a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH ® ), a International Organization for Standardization (ISO) e o Comité Européen de Normalisation (CEN), coordenaram internacionalmente a harmonização dos critérios que relacionam a avaliação quantitativa da poeira com o risco potencial à saúde, assim, as frações de partículas suspensas no ar foram convencionadas em: frações inalável, torácica e respirável, como mostra a Figura 3.8 (LIPPMANN, 1998; NIOSH, 1998; WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; SANTOS, 2001; SANTOS, 2005; BON, 2006; INSHT, 2006; MOREIRA LIMA, 2007; FUNDACENTRO, 2007).

29 Santos (2001, p. 22) também afirma que o “ [ ... ] local de deposição

Figura 3.8

Representação esquemática das principais regiões do trato respiratório e sua correspondência com as frações inalável, torácica e respirável.

Fonte:

adaptado

de

LIPPMANN,

1985;

SANTOS,

2001,

p.

32;

BON, 2006, p. 16; MOREIRA LIMA, 2007, p. 59.

30

Desta forma, tem-se que a fração inalável é composta por partículas suspensas no ar com diâmetro aerodinâmico menor que 100 µm, que são capazes de entrar pelas narinas e pela boca, penetrando no trato respiratório, durante a inalação (SANTOS, 2001; SANTOS, 2005; BON, 2006; MOREIRA LIMA, 2007; FUNDACENTRO, 2007).

A fração torácica é composta por partículas suspensas no ar com diâmetro aerodinâmico menor que 25 µm, sendo capazes de passar pela laringe, entrar pelas vias aéreas superiores e penetrar nas vias aéreas dos pulmões (SANTOS, 2001; SANTOS, 2005; BON, 2006; MOREIRA LIMA, 2007; FUNDACENTRO, 2007).

A fração

respirável é

constituída por partículas suspensas no ar com

diâmetro aerodinâmico

menor

que

10

µm,

capazes

de

penetrar

além

dos

bronquíolos terminais e se depositar na região de troca de gases dos pulmões

(SANTOS,

2001;

SANTOS,

2005;

BON,

2006;

MOREIRA LIMA, 2007;

FUNDACENTRO, 2007).

3.5.3 Higroscopicidade

Ruzer e Harley (2013) definiram a higroscopicidade como sendo a propensão de uma partícula em absorver água, umidade ambiental, mudando o seu diâmetro e densidade. Alguns dos fatores que influenciam o crescimento higroscópico são: composição química do aerossol, temperatura, umidade relativa, tamanho inicial da partícula e o tempo da mesma no interior do trato respiratório (RUZER; HARLEY, 2013).

A umidade relativa no interior dos pulmões pode chegar a 99,5%, ou seja, próximo à saturação. Dessa forma, as partículas higroscópicas podem sofrer alterações no seu tamanho e densidade, quando no interior do trato respiratório, como ilustra a Figura 3.9 (BARTLEY; VINCENT, 2011; RUZER; HARLEY, 2013).

31

d i ρ i d 0 ρ 0 d i ρ i
d i ρ i
d 0 ρ 0
d i ρ i

na qual:

d 0 = diâmetro inicial da partícula ρ 0 = densidade inicial da partícula d i = diâmetro da partícula nas vias áreas ρ i = densidade da partícula nas vias áreas

Figura 3.9

Alterações

no

diâmetro

e

densidade

de

partículas

higroscópicas no interior do trato respiratório (fora de escala).

Fonte: adaptado de RUZER; HARLEY, 2013. Ilustração: Produção do próprio autor.

Devido a tal crescimento higroscópico, o local de deposição das partículas inaladas também poderá sofrer alteração, portanto, o padrão de deposição dos aerossóis higroscópicos inalados não será, necessariamente, determinado pelo tamanho e densidade das partículas pré-inspiradas (RUZER; HARLEY, 2013).

Agnew (1984) afirma que o rápido crescimento higroscópico de uma partícula inalada pode acarretar numa probabilidade bastante diferente de deposição nas vias aéreas, o que poderia ser diferente na ausência do crescimento higroscópico.

Para Ferron e Busch (1996 apud Schum e Phalen, 1997), uma partícula de NaCl com diâmetro aerodinâmico inicial de 1 µm, pode chegar a 4 µm em aproximadamente 10 segundos no interior do trato respiratório, à uma umidade relativa de 99,5%.

32

Numa modelagem do crescimento higroscópico de partículas nas vias aéreas pulmonares de humanos adultos, Schum e Phalen (1997) concluíram que dependendo da frequência respiratória, as partículas altamente higroscópicas dobram ou triplicam seu tamanho nas vias aéreas pulmonares.

Mitsakou, Helmis e Housiadas (2005), em estudo sobre a deposição no trato respiratório de partículas higroscópicas (NaCl) e inertes (aluminossilicato) utilizando uma modelagem matemática, concluíram que a deposição das partículas é significativamente influenciada pelo seu crescimento higroscópico.

Para Broday e Georgopoulus (2001), a maioria dos estudos que tratam sobre a deposição das partículas higroscópicas no trato respiratório humano é baseada em predições computacionais. Dados in vivo sobre as diferentes regiões de deposição são escassos e sua análise é complexa, pois a dispersão, a deposição e o crescimento das partículas são variáveis dependentes entre si (FINLAY et al. 1996 apud BRODAY; GEORGOPOULUS, 2001).

Martonen et al. (1982 apud AGNEW, 1984) acrescentam ainda que existem discrepâncias entre as avaliações teórica e a experimental quanto ao crescimento de partículas higroscópicas no interior do trato respiratório. A evidência experimental sugere que partículas secas de NaCl que entram na traqueia a um fluxo de 30 L/min, com 5 µm de diâmetro deve aumentar para 5,9 µm ao alcançar os bronquíolos terminais, acarretando num pequeno efeito sobre a deposição dessas partículas. Os autores ainda relatam que uma situação muito diferente surge com as pequenas partículas higroscópicas, pois as mesmas podem duplicar seu diâmetro nas primeiras regiões das vias aéreas (MARTONEN et al., 1982 apud AGNEW, 1984).

  • 3.6 Deposição de partículas no trato respiratório

De acordo com Lippmann (1998), o sistema respiratório estende-se desde a zona respiratória 2 , localizada fora do nariz e da boca, através das vias aéreas condutoras situadas dentro da cabeça e do tórax, até os alvéolos, onde são realizadas as trocas gasosas.

2 Região hemisférica com (FUNDACENTRO, 2007, p. 16).

um

raio

de

150

±

50

mm,

medido

a

partir

das

narinas

do

trabalhador

33

A International Comission on Radiological Protection

(ICRP), em 1994,

resumiu de forma concisa o trato respiratório em três regiões distintas

(LIPPMANN, 1998). Sendo elas:

a) Região extratorácica: inclui como estruturas anatômicas o nariz, a nasofaringe, a boca, a orofaringe e a hipofaringe; b) Região traqueobrônquica: inclui a traqueia e os brônquios; c) Região alveolar: abarca os bronquíolos respiratórios, os dutos alveolares, os sacos alveolares e os alvéolos.

De acordo

com Algranti et

al. (2003, 2013), para haver penetração de

aerossóis líquidos ou sólidos no trato respiratório, necessariamente, as partículas devem possuir um diâmetro aerodinâmico inferior a 100 µm. Algranti et al. (2013) acrescentam ainda que, normalmente, as partículas maiores que 10 µm ficam

retidas na região extratorácica (região nasal), enquanto que as partículas menores podem depositar-se em qualquer nível do trato respiratório (ALGRANTI et al., 2003, 2013; TORLONI; VIEIRA, 2003).

A probabilidade da inalação de partículas depende diretamente do seu diâmetro aerodinâmico, da taxa de respiração e da movimentação do ar ao redor da zona respiratória (YEH; PHALEN; RAABE, 1976; WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; SANTOS, 2005).

Assim,

na

Figura

3.10

pode-se

visualizar

a

influência

do

diâmetro

aerodinâmico da partícula na sua deposição em uma das três regiões do trato

respiratório. Salienta-se

que

os

valores

são

calculados

para

uma

frequência

respiratória de 15 ciclos/minuto e

um

volume

de

ar

de

1,45

litros

(ALGRANTI et al., 2003, 2013; BON, 2006).

34

34 Figura 3.10 Influência do diâmetro aerodinâmico da partícula na sua deposição em uma das três

Figura 3.10

Influência do diâmetro aerodinâmico da partícula na sua deposição em uma das três regiões do trato respiratório.

Fonte: ALGRANTI et al., 2003, p. 1331, 2013, p. 1231; BON, 2006, p. 23.

Para Santos (2014), as partículas maiores do que 10 µm e menores do que 0,001 µm se depositam nas vias aéreas superiores (VAS), enquanto que as partículas menores do que 10 µm se depositam nas vias aéreas inferiores (VAI). O autor acrescenta ainda que as partículas menores do que 5 µm e as fibras finas com largura menor do que 2 µm atingem e se depositam nos bronquíolos e ductos alveolares.

A Figura 3.11 mostra uma estimativa da deposição de partículas inaladas de acordo com a região do trato respiratório humano. As curvas são baseadas em um modelo matemático preditivo da International Commission on Radiological Protection (ICRP) de 1994, sob condições de respiração nasal e em repouso (OBERDÖRSTER, G.; OBERDÖRSTER, E.; OBERDÖRSTER, J., 2005).

35

35 Figura 3.11 Deposição de partículas por região do trato respiratório humano em relação ao diâmetro
35 Figura 3.11 Deposição de partículas por região do trato respiratório humano em relação ao diâmetro

Figura 3.11

Deposição de partículas por região do trato respiratório humano em relação ao diâmetro da partícula inalada.

Fonte:

adaptado

de

OBERDÖRSTER,

G.;

OBERDÖRSTER, E.;

OBERDÖRSTER, J., 2005; SOUZA, 2014.

Ilustração: J. Harkema.

O estudo da deposição das partículas de acordo com o seu tamanho desempenha um importante papel na determinação da dose inalada e da região afetada pelo aerossol, e isso pode melhorar o entendimento da patogenicidade das partículas (KOEHLER; VOLCKENS, 2013).

Especificamente

quanto

às

partículas

higroscópicas,

Bartley

e

Vincent (2011) afirmam que as curvas de deposição são expressas a partir do diâmetro inicial de uma partícula seca, portanto, essas curvas devem ser todas

36

deslocadas para diâmetros menores, devido ao crescimento higroscópico quando no interior do trato respiratório.

Para Yeh, Phalen e Raabe (1976), os principais fatores que influenciam na deposição das partículas inaladas são a física dos aerossóis, a anatomia do trato respiratório e os padrões de fluxo de ar nas vias aéreas pulmonares. Na física dos aerossóis, as forças que atuam sobre uma partícula e suas propriedades físicas e químicas, tais como o tamanho das partículas, densidade, forma, caráter higroscópico ou hidrofóbico, e as reações químicas da partícula afetarão a sua deposição. Com relação à anatomia do trato respiratório, os parâmetros determinantes da deposição são os diâmetros, comprimentos e os ângulos de ramificação de segmentos da via aérea. Já nos fatores fisiológicos têm-se os padrões de fluxo de ar e respiração que influenciam a deposição de partículas.

A

deposição

de

partículas

no

trato

respiratório

é

regida

por

cinco

mecanismos diferentes, sendo eles: a sedimentação, a impactação inercial, a

difusão, a interceptação e a deposição eletrostática (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999).

Blanchard e Willeke (1984), em estudo sobre a deposição de partículas ultrafinas (0,026 a 0,19 µm) de cloreto de sódio nos pulmões humanos, identificaram que a sedimentação e a difusão são os mecanismos responsáveis pela deposição dessas partículas nos pulmões, pois a deposição das partículas aumentou significativamente com um período de respiração prolongado, enquanto que a taxa de fluxo era constante. De acordo com os autores, esta é uma prova de que as partículas foram depositadas por mecanismos dependentes do tempo de permanência dessas partículas nas vias aéreas.

Mitsakou, Helmis e Housiadas (2005), em estudo comparativo entre a deposição no trato respiratório de partículas higroscópicas (NaCl) e partículas inertes (aluminossilicato), concluíram que a difusão é responsável pela deposição das partículas ultrafinas, enquanto que a sedimentação e a impactação são responsáveis pela deposição das partículas maiores.

Para Bartley e Vincent (2011), a deposição de partículas higroscópicas depende da sua densidade, da sua massa molecular em relação à massa molecular da água, do número de íons/molécula dissociadas na solução, da temperatura e da umidade relativa no interior do trato respiratório.

37

  • 3.6.1 Mecanismos de defesa pulmonar

De acordo com Santos (2014) as defesas pulmonares são formadas pelo clearance mucociliar, pelo sistema de defesa imunocelular, pelas defesas antioxidantes, pelos mecanismos de reparação e apoptose.

O trato respiratório responde de forma ativa à deposição de partículas e os seus principais mecanismos de defesa atuam de forma independente e complementar, pois atuam em locais distintos. Enquanto o transporte mucociliar é o principal mecanismo de defesa das vias aéreas superiores, o macrófago alveolar é a principal defesa dos bronquíolos terminais contra as pequenas partículas que atingem essa região (SANTOS, 2001; ALGRANTI et al., 2003, 2013; BON, 2006).

A contínua exposição ao material particulado leva o organismo humano a aumentar a demanda dos mecanismos protetores do trato respiratório (ALGRANTI et al., 2003, 2013; SANTOS, 2014).

De acordo com o Institut für Arbeitsschutz der Deutschen Gesetzlichen Unfallversicherung (IFA), estudos realizados em voluntários demonstraram que uma parte das partículas de NaCl inaladas são depositadas nas vias aéreas superiores, onde são submetidas ao transporte mucociliar do trato respiratório, sendo então transportadas para o trato gastrointestinal, onde são absorvidas (IFA, 2011).

Algranti et al. (2003, 2013) afirmam que o batimento dos cílios epiteliais propelem em direção à orofaringe as partículas aderidas ao muco respiratório, onde o material exógeno poderá ser eliminado pela tosse ou deglutido.

Koehler e Volckens (2013) também afirmam que as partículas depositadas nas vias áreas superiores e na região traqueobrônquica acabam sendo deglutidas devido ao transporte mucociliar.

  • 3.6.2 Potencial patogênico das partículas

De acordo com Yeh, Phalen e Raabe (1976), na avaliação do potencial patogênico dos aerossóis inalados, é importante se levar em consideração o padrão de deposição das partículas inaladas, pois isso determinará qual será o mecanismo de defesa pulmonar ativado, a dose do contaminante e a lesão causada ao tecido.

38

Para Lippmann (1998) os principais determinantes do potencial patogênico das partículas são a quantidade de partículas depositadas (dose) e sua distribuição ao longo do trato respiratório, como também as propriedades tóxicas dessas partículas.

A toxicidade do material particulado inalado depende das suas propriedades físicas e químicas, como também das características inerentes ao trabalhador, como propriedades genéticas, hábitos de vida e doenças adquiridas (ALGRANTI et al., 2003, 2013; BON, 2006).

Dentre as propriedades físicas e químicas das partículas, Yeh, Phalen e Raabe (1976) e Bon (2006) ressaltam que a composição química, o diâmetro da partícula, a área de superfície da partícula, forma, densidade, solubilidade em água e em lipídeos, a reatividade química, seu caráter higroscópico e as propriedades eletrostáticas são as principais características contributivas para sua toxicidade.

3.6.2.1 Solubilidade

Dentre as suas propriedades físicas e químicas,

o

cloreto de

sódio

é

considerado como um metal alcalino extremamente solúvel. Na água, a sua

solubilidade é de 358 g/L a 20º C (IFA, 2011).

De acordo com a WHO (1999), substâncias muito solúveis podem ser absorvidas a partir de qualquer parte do trato respiratório, de modo que o local de deposição das partículas solúveis é de menor importância.

Aerossóis solúveis depositados no trato respiratório podem se difundir para o interior dos líquidos e células da superfície do trato respiratório, e através dele, serem rapidamente transportados pela corrente sanguínea para todo o corpo humano (LIPPMANN, 1998; WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; SANTOS, 2001; SANTOS, 2005; INSHT, 2006).

  • 3.6.3 A inalação do cloreto de sódio e os possíveis efeitos à saúde

Especificamente, quanto à inalação da poeira do cloreto de sódio por trabalhadores, o primeiro caso pesquisado foi o de Mackenzie (1905), que relatou a perfuração no septo nasal de mulheres que trabalhavam embalando sal.

39

O Journal Officiel de la République Française (1983) publicou uma alteração no Decreto N.º 46-2959 de 31 de dezembro de 1946, onde incluiu no rol de doenças ocupacionais da França, aquelas causadas pela exposição ocupacional ao cloreto de sódio em minas de sal, sendo então consideradas como doenças profissionais as úlceras e perfurações nasais, provenientes da inalação do sal (FRANÇA, 1983).

O Canadian Centre for Occupational Health and Safety (CCOHS), por meio da sua base de dados denominada CHEMINFO, classifica os potenciais efeitos da exposição ao cloreto de sódio em efeitos agudos para exposição de curto prazo e em efeitos crônicos para exposição de longo prazo (CCOHS, 2009).

Para os efeitos agudos, nas exposições de curto prazo, devido a inalação da poeira de NaCl, tem-se que o mesmo pode ser ligeiramente irritante para o nariz e garganta, mas não deverá causar efeitos prejudiciais significativos. Porém, não há informações quanto à toxicidade em humanos. Em animais, há sugestão de uma baixa toxicidade pela via inalatória (CCOHS, 2009; IFA, 2011).

Nas exposições de longo prazo, o CCOHS (2009) e o IFA (2011), citam o aumento da pressão arterial em trabalhadores expostos a poeira de sal, estudada por Haldiya et al. (2005), como um dos seus efeitos crônicos.

Adamek, Witkowska e Zysnarska (2010) realizaram um estudo de caso na mina de sal Klodawa, localizada na província de Wielkopolska, na Polônia. Com 26 km de comprimento, 2 km de largura máxima e 700 m de profundidade, Klodawa emprega 850 trabalhadores. O estudo foi baseado em dados estatísticos documentados pela própria planta produtiva. De acordo com os autores, desde o início de suas operações em 1955 até o ano de 2007, foram registrados 101 casos de doenças profissionais, sendo 65 casos de perfuração do septo nasal, 34 casos de perda auditiva ocupacional, 1 caso de dermatite alérgica nas mãos, e 1 caso de bronquite crônica. Os autores ainda pontuam que os efeitos da poeira de sal sobre o corpo humano, podem causar danos mecânicos às membranas mucosas, doenças alérgicas, pneumoconiose, e câncer.

O

IFA

(2011) também

relata

a formação de úlceras nas membranas

mucosas do nariz e a ocorrência da perfuração de septo nasal em trabalhadores de

minas de sal.

40

Jaisheeba, Sornaraj e Gayathri (2012) em estudo transversal realizado em 10 importantes plantas de beneficiamento de sal localizadas no município de Thoothukudi, na Índia, realizaram medições de pressão arterial (sistólica e diastólica) em 657 empregados expostos a poeira de sal durante os processos de fabricação, moagem e embalagem do sal. Utilizando a metodologia descrita em Haldiya et al. (2005), os autores concluem que a maioria dos trabalhadores avaliados, independentemente do sexo e da natureza do trabalho, há um aumento significativo de suas pressões arteriais quando comparadas com o grupo controle (executivos de Thoothukudi). Os autores ainda afirmam que as partículas de sal entram no corpo dos trabalhadores através das rachaduras e úlceras presentes em seus membros (mãos e pés) e por meio da inalação, aonde através do transporte mucociliar chegam à garganta onde podem ser absorvidas ou deglutidas.

Ocholla et al. (2013) em estudo de caso sobre as questões socioeconômicas e ambientais da mineração de sal no Distrito de Magarini, no Quênia, relataram que as partículas de sal no ar afetavam o sistema respiratório dos moradores da região, causando também a transmissão de doenças como a tuberculose.

Especificamente quanto aos aerossóis considerados irritantes, Lippmann (1998) afirma que eles produzem um padrão de inflamações tissulares generalizadas e inespecíficas. As altas concentrações dos agentes irritantes podem provocar uma sensação de ardor no nariz e garganta, e em alguns casos, também nos olhos. Também podem provocar dor torácica, tosse, traqueíte e bronquite que são resultados da inflamação da mucosa, reacional ao irritante inalado.

As concentrações elevadas de material particulado, mesmos com propriedades químicas pouco irritantes, possuem a capacidade de causar irritação mecânica nos brônquios, e entrar no trato gastrointestinal, contribuindo para o desenvolvimento de câncer de estômago e cólon (LIPPMANN, 1998).

Para exposições curtas, o CCOHS (2009) considera que à poeira de cloreto de sódio pode ser ligeiramente irritante para o nariz e para a garganta.

Adamek, Witkowska e Zysnarska (2010) consideram o sal como um forte irritante e os trabalhadores expostos a este material particulado em suspensão poderão desenvolver reações atróficas, crônicas, hipertróficas, inflamação alérgica nas membranas mucosas do nariz e perfuração do septo nasal.

41

  • 3.7 Coleta de material particulado

Para Roach (1973) a coleta de aerodispersóides é realizada por meio de um trem de amostragem”, sendo esse composto por um orifício de entrada de ar, separador de partículas, medidor de vazão de ar, válvula de controle de vazão e bomba de sucção.

Vincent (1994) define os instrumentos de medição de aerossóis como:

[

...

]

meio técnico pelo qual os relevantes contaminantes

do

ar

possam ser coletados, tal como indicado nos critérios específicos, passíveis de quantificação. Isso inclui a instrumentação para amostragem seletiva de partículas apoiada por metodologia analítica adequada (VINCENT, 1994, p. 13).

De acordo com a WHO (1999), a coleta de amostras é usualmente realizada por meio de um amostrador individual, preso ao trabalhador, constituído por uma bomba de amostragem e um dispositivo de coleta, localizado na zona respiratória do trabalhador.

A maioria dos países possuem suas próprias orientações técnicas para avaliação e análise da exposição ocupacional ao material particulado. Nos Estados Unidos, tanto a Occupational Safety and Health Administration (OSHA), como o National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), possuem normas técnicas para coleta e análise de material particulado (NIOSH, 1994; NIOSH, 1998; OSHA, 2003). Na Inglaterra, a normatização é feita pelo Health and Safety Executive (HSE) por meio dos Methods for the Determination of Hazardous Substances (MDHS) (HSE, 2014). Na Espanha, o INSHT publicou algumas Notas Técnicas de Prevención (NTP) sobre a avaliação da exposição ocupacional a aerossóis. As NTP do INSHT são baseadas nas Normas UNE-EN 481:1995, UNE-482:2007, UNE-EN 13205:2002 e no Tecnical Report CEN/TR 15230:2005 (INSHT, 2006; INSHT, 2007; INSHT, 2007; INSHT, 2008; INSHT, 2011).

No Brasil, os fundamentos teóricos e técnicos para coleta e análise de material particulado sólido suspenso no ar dos ambientes de trabalho são prescritos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO) (ABNT, 1991; FUNDACENTRO, 2001; FUNDACENTRO, 2002; FUNDACENTRO, 2007).

42

De acordo com a Norma de Higiene Ocupacional, Procedimento Técnico, NHO-08: “Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho” publicada pela FUNDACENTRO, as amostras devem ser coletadas por

meio de um sistema de coleta, composto por uma bomba de amostragem, mangueira e dispositivos de coleta, e se necessário um separador de partículas. A bomba de amostragem deve possuir um sistema automático de controle de vazão com capacidade para manter um fluxo de sucção de ar constante, dentro de um intervalo de ± 5%, durante o tempo de coleta. As mangueiras a serem utilizadas deverão ser de material plástico inerte flexível, de preferência do tipo Tygon ® , com diâmetro e comprimento compatíveis com a bomba de amostragem e com o dispositivo de coleta (FUNDACENTRO, 2007).

O dispositivo de coleta é definido pela Norma de Higiene Ocupacional,

Procedimento Técnico, NHO-07: Calibração de Bombas de Amostragem Individual pelo Método da Bolha de Sabão, publicada pela FUNDACENTRO, como sendo o “conjunto de materiais necessários para a coleta de um determinado contaminante presente no ar dos ambientes de trabalho” (FUNDACENTRO, 2002, p. 11).

  • 3.7.1 Elemento de retenção

Na coleta das amostras de aerodispersóides na Higiene Ocupacional, o material particulado em suspensão é retido em um elemento de retenção posicionado no interior do dispositivo de coleta (ROACH, 1973; INSHT, 2006).

Os elementos para retenção de aerodispersóides geralmente utilizados são os filtros, e mais recentemente as espumas. Esses elementos podem possuir diferentes características em seu material constituinte e também nos tamanhos dos seus poros (TODD, 1998; INSHT, 2008).

Os filtros utilizados na coleta de aerodispersóides podem ser de fibra ou de membrana porosa. Os filtros de fibra são constituídos por um emaranhado de fibras individuais podendo ser de vidro borosilicatado, quartzo, plástico e celulose. Já os filtros de membrana porosa são géis formados a partir de dissoluções coloidais e se caracterizam por possuir uma microestrutura muito complicada e uniforme, podendo ser de éster de celulose mista (MCE), policloreto de vinila (PVC), teflon ou metais sinterizados (ROACH, 1973; TODD, 1998; INSHT, 2006).

43

Os filtros de fibra possuem de 60% a 99% da sua superfície constituída por poros, e se caracterizam por uma alta eficiência na retenção de partículas com baixa perda de carga (INSHT, 2006). Já os filtros de membrana possuem de 70% a 80% de suas superfícies constituídas por poros, o que resulta numa razoável taxa de fluxo de ar, enquanto os seus poros não forem obstruídos pelo material particulado na sua utilização (SANTOS, 2001).

A

NHO-08 define o filtro

de membrana como um

“filtro de malha rígida,

uniforme e contínua, de material polímero, com tamanhos de poro determinados

precisamente durante a fabricação” (FUNDACENTRO, 2007, p. 13).

As espumas de poliuretano também podem ser utilizadas na amostragem de aerodispersóides. A maioria das espumas são confeccionadas em poliéster tolilenediisocianato (TDI) com diversas porosidades. As partículas são depositadas na superfície e nos espaços internos da espuma (INSHT, 2006).

O elemento de retenção utilizado na coleta de algum material particulado deve ser devidamente selecionado levando-se em consideração fatores como as características do material particulado que será coletado, o método de análise química que será utilizado e as características do filtro, como: a sua massa, a higroscopicidade, a espessura, a sua composição química e o tamanho do poro (TODD, 1998; SANTOS, 2001).

  • 3.7.2 O Separador de partículas

Utilizado desde os anos 1960, o ciclone é o separador de partículas mais antigo utilizado (SANTOS, 2001). O seu princípio básico de seleção de partículas é baseado na força centrífuga. Em um ciclone típico, o ar entra tangencialmente pela lateral e forma redemoinhos no seu interior, onde a força centrífuga arremessa as partículas acima de certo tamanho contra as paredes internas do ciclone. Ao serem impactadas, essas partículas irão perder movimento, sendo então removidas da corrente de ar e coletadas na base do ciclone (grit-pot) (ROACH, 1973; TODD, 1998; WHO/SDE/OEH/99.14, 1999).

De acordo com Higgins e Dewell (1967), uma das principais vantagens do ciclone enquanto separador de partículas é a sua insensibilidade à orientação,

44

sendo essa um requisito essencial, pois a posição do corpo do trabalhador está em constante alteração ao longo de sua jornada.

O ciclone é acoplado à montante ao porta-filtro, dessa forma, o ar succionado pela bomba de amostragem passa primeiramente pelo separador de partículas, onde o movimento centrífugo do ar e a sua taxa de fluxo estabelecem a separação requerida de acordo com o diâmetro aerodinâmico da partícula. Em seguida, as partículas já selecionadas, de interesse para a análise, ficam retidas no elemento de retenção (SANTOS, 2001; MOREIRA LIMA, 2007; OSHA, 2014).

Por selecionar determinadas faixas de tamanhos de partículas, o separador de partículas é utilizado para a avaliação da exposição ocupacional ao material particulado nas frações inalável, torácica e respirável, e sua eficiência de coleta é compatível com a curva de distribuição do tamanho da partícula e com a sensibilidade do método analítico adotado (TODD, 1998; SANTOS, 2001; BON, 2006; OSHA, 2014).

Assim, de acordo com as convenções adotadas pela ACGIH ® (1993-1994), ISO (1992) e CEN (1992), os critérios harmonizados para objetivos de amostragem, quanto à eficiência de coleta ou diâmetro de corte, deverão ter as seguintes características: para a coleta da fração inalável, o separador de partículas deve ser projetado para selecionar aquelas com diâmetro aerodinâmico de até 100 µm com 50% de eficiência nessa fração. Para a coleta da fração torácica, o separador de partículas deve ser projetado para selecionar aquelas com até 25 µm com 50% de eficiência de coleta nas partículas com diâmetro aerodinâmico de até 10 µm. Por último, para a coleta da fração respirável, o separador de partículas deve ser projetado para selecionar partículas com até 10 µm com 50% de eficiência de coleta em partículas com diâmetro aerodinâmico de até 4 µm (LIPPMANN, 1985; INSHT, 2001; SANTOS, 2001; SANTOS, 2005; BON, 2006; INSHT, 2006; MOREIRA LIMA, 2007; FUNDACENTRO, 2007).

As

Tabelas

3.1,

3.2

e

3.3

apresentam

os critérios harmonizados

internacionalmente pela ACGIH ® , ISO e CEN quanto às [

]

necessidades para a

coleta com dispositivos que classificam as partículas por seleção de tamanhos

correspondentes a regiões específicas de deposição

no

trato respiratório

45

(FUNDACENTRO,

convenções.

2007,

p.

12).

A

Figura

3.12

ilustra

graficamente

essas

TABELA 3.1 Eficiência de coleta, em massa, para fração de particulado inalável.

Diâmetro aerodinâmico da partícula (µm)

% Massa de particulado inalável

  • 0 100

  • 1 97

  • 2 94

  • 5 87

  • 10 77

  • 20 65

  • 30 58

  • 40 54,5

  • 50 52,5

100

50

Fonte: WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; FUNDACENTRO, 2007; ACGIH ® , 2014.

TABELA 3.2 Eficiência de coleta, em massa, para fração de particulado torácico.

Diâmetro aerodinâmico da partícula (µm)

% Massa de particulado torácico

  • 0 100

  • 2 94

  • 4 89

  • 6 80,5

  • 8 67

  • 10 50

  • 12 35

  • 14 23

  • 16 15

  • 18 9,5

  • 20 6

  • 25 2

Fonte: WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; FUNDACENTRO, 2007; ACGIH ® , 2014.

46

TABELA 3.3 Eficiência de coleta, em massa, para fração de particulado respirável.

Diâmetro aerodinâmico da partícula (µm)

% Massa de particulado respirável

  • 0 100

  • 1 97

  • 2 91

  • 3 74

  • 4 50

  • 5 30

  • 6 17

  • 7 9

  • 8 5

10

1

Fonte: WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; FUNDACENTRO, 2007; ACGIH ® , 2014.

46 TABELA 3.3 – Eficiência de coleta, em massa, para fração de particulado respirável. Diâmetro aerodinâmico
46 TABELA 3.3 – Eficiência de coleta, em massa, para fração de particulado respirável. Diâmetro aerodinâmico
46 TABELA 3.3 – Eficiência de coleta, em massa, para fração de particulado respirável. Diâmetro aerodinâmico

Figura 3.12

Curvas das frações inalável, torácica e respirável em função do diâmetro aerodinâmico da partícula.

Fonte: adaptado de LIPPMANN, 1985; MOREIRA LIMA, 2007, p. 59.

Ilustração: Produção do próprio autor.

47

Porém, Bartley e Vincent (2011) enfatizam que os critérios harmonizados internacionalmente pela ACGIH ® , ISO e CEN, não abrangem todas as variáveis que influenciam na deposição das partículas inaladas, pois as doenças das vias aéreas pulmonares (asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, e enfisema) podem afetar a deposição das partículas nas diferentes regiões do trato respiratório. Os autores ainda afirmam que existem poucas informações sobre as eficiências de deposição associadas a uma determinada doença e que quando essas informações estiverem disponíveis, esta variável poderá ser considerada.

  • 3.8 Planejamento de coletas de amostras

Para o NIOSH, a duração e a quantidade de amostras, como também a forma como essas amostras são obtidas em relação à jornada padrão de 8 horas

diárias,

podem

influenciar

diretamente

nos

(LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977).

resultados obtidos

De acordo com a WHO (1999) em seu manual intitulado Harzad Prevention and Control in the Work Environment: Airbone Dust, para que os dados obtidos nas amostragens ocupacionais sejam representativos da exposição dos trabalhadores, alguns fatores importantes devem ser incluídos nas avaliações, como:

dia, semana ou mês em que a amostragem é realizada, taxa de produção, matérias primas, jornada de trabalho, tarefa executada, a

[

...

]

forma como a tarefa é executada, medidas de controle da poeira, tecnologia usada, número de trabalhadores, clima, outros processos nas vizinhanças, distância entre o trabalhador e a fonte, erros nos procedimentos de amostragem e procedimentos analíticos (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. 59).

A NHO-08 estabelece que é no planejamento da coleta que devem ser

“definidos os locais de trabalho e as situações de exposição a serem avaliados e os respectivos tipo de coleta, tempo de coleta, número e tipo de amostras, materiais e

equipamentos a serem utilizados, assim como o laboratório que realizará a análise”

(FUNDACENTRO, 2007, p. 19).

O INSHT (2013) afirma que para as avaliações quantitativas da exposição ocupacional de agentes químicos presentes no ambiente de trabalho:

48

[

...

]

devem

ser

estabelecidos

os

requisitos

mínimos

de

representatividade das medições, justificando a quantidade e o tempo de duração das amostras, a sua localização, a quantidade de trabalhadores à serem amostrados e a quantidade de dias durante os

quais você estará realizando as medições (INSHT, 2013, p. 80).

  • 3.8.1 Tipos de coleta

As avaliações quantitativas dos aerodispersóides dispersos no ar podem ser

realizadas por meio de coleta individual (pessoal) e/ou ambiental (área ou estática)

(LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977;

ABNT,

1991;

TODD,

1998;

WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; FUNDACENTRO, 2007).

SANTOS,

2001;

SANTOS,

2005;

BON,

2006;

A coleta individual ou pessoal deve ser utilizada para se estimar a exposição

dos trabalhadores. Dessa forma, faz-se “[

]

necessário caracterizar o ar que os

trabalhadores realmente estão inalando [

]

(WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. 60).

Ela é caracterizada pelo posicionamento do sistema de coleta no próprio trabalhador, como mostra a Figura 3.13. Deve-se observar que o dispositivo de coleta esteja posicionado dentro da zona respiratória do trabalhador, como mostra a

Figura 3.14 (LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977; TODD, 1998; WHO/SDE/OEH/99.14, 1999; SANTOS, 2005; FUNDACENTRO, 2007; INSHT, 2013).

48 [ ... ] devem ser estabelecidos os requisitos mínimos de representatividade das medições, justificando a

Figura 3.13

Sistema de coleta no próprio trabalhador (coleta individual).

49

49 Figura 3.14 Posicionamento do dispositivo de coleta. Fonte: adaptado da ABNT, 1991. A coleta ambiental,

Figura 3.14

Posicionamento do dispositivo de coleta.

Fonte: adaptado da ABNT, 1991.

A coleta ambiental, denominada pela NHO-08 como coleta de área ou estática, é utilizada para identificar as fontes de contaminação no ambiente, como também para verificar a eficácia das medidas de controle presentes no ambiente de trabalho. Neste tipo de coleta, o sistema de coleta é posicionado em um ponto fixo do ambiente de trabalho, como mostra a Figura 3.15 (TODD, 1998; SANTOS, 2005; BON, 2006; FUNDACENTRO, 2007; INSHT, 2013).

Para a WHO (1999), as coletas de área podem apresentar uma menor variabilidade das concentrações do que as coletas individuais. Portanto, as coletas de área podem colaborar na distinção entre uma fonte de exposição e uma variação aleatória da concentração (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999).

50

Figura 3.15

50 Figura 3.15 Sistema de coleta ambiental (coleta de área ou estática). Fonte: FUNDACENTRO, 2007, p.

Sistema de coleta ambiental (coleta de área ou estática).

Fonte: FUNDACENTRO, 2007, p. 29.

O NIOSH dedicou o Technical Appendix C do seu Occupational Exposure Sampling Strategy Manual para tratar sobre a inadequação das coletas de área. Após a citação de vários estudos que demonstram a inadequação dessas coletas em fornecerem uma estimativa adequada da exposição ocupacional, o NIOSH recomenda que as amostras só devam ser coletadas na zona respiratória do trabalhador (LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977).

Todd (1998) afirma que as amostras ambientais tendem a subestimar as exposições individuais, além de não fornecerem uma boa estimativa da exposição da inalação do contaminante pelo trabalhador.

De acordo com a WHO (1999), especificamente para a fração de poeira

inalável:

51

as medições são dependentes do padrão de fluxo de ar externo, portanto, um amostrador de área não irá fornecer os mesmos

[

...

]

resultados como se estivesse sendo usado por um trabalhador (WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. 68).

Para Fantazzini e Oshiro (2007), as amostras ambientais não possuem correlação com a exposição dos trabalhadores. Segundo esses autores “não é permitida nenhuma inferência sobre a exposição de pessoas a partir de amostras de área” (FANTAZZINI; OSHIRO, 2007, p. 276).

  • 3.8.2 Tempo de coleta

A NHO-08 estabelece que o tempo de duração de cada coleta deve ser o suficiente para que seja amostrada uma quantidade de material particulado que esteja contemplada dentro da faixa de trabalho do método analítico que será utilizado (FUNDACENTRO, 2007).

Fantazzini e Oshiro (2007) afirmam que o tempo de coleta é dependente do método analítico a ser adotado, como também da concentração de material particulado presente no ambiente de trabalho. Caso a concentração do contaminante seja subdimensionada, poderá haver uma rápida saturação do filtro de membrana (FANTAZZINI; OSHIRO, 2007).

De

acordo

com

a NHO-03, as amostras que apresentam material

desprendido do filtro de membrana (amostras saturadas), deverão ser consideradas invalidadas (FUNDACENTRO, 2001).

  • 3.8.3 Características das amostras segundo o período de coleta

A concentração de contaminantes em um ambiente de trabalho varia aleatoriamente ao longo de um dia, e de um dia para o outro. Isto pode ser motivado por alterações não percebidas nas condições de trabalho, nas formas de realização das tarefas, no tempo dedicado em cada tarefa, por correntes de ar, pela movimentação dos trabalhadores, além de outros fatores (INSHT, 2013).

Para que os resultados das medições sejam representativos da exposição do trabalhador, as concentrações quantificadas devem corresponder com aquelas realmente existentes no ambiente de trabalho (INSHT, 2013).

52

O NIOSH categorizou os tipos de amostras de acordo com a forma com que elas são obtidas em relação à jornada padrão de 8 horas diárias, ao tempo de duração da amostragem, e a quantidade de amostras realizadas (LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977).

Dessa

forma,

a

Figura

3.16

ilustra

um

diagrama

representativo

da

quantidade e tipo de amostras, segundo o tempo de duração da amostragem.

52 O NIOSH categorizou os tipos de amostras de acordo com a forma com que elas

Figura 3.16

Diagrama representativo da quantidade e tipo de amostras, segundo o tempo de duração da amostragem.

Fonte: adaptado de LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977.

53

A Amostra Única de Período Completo compreende apenas uma única coleta de ar que cobre toda a jornada diária de trabalho (FUNDACENTRO, 2007).

As Amostras Consecutivas de Período Completo compreendem várias coletas de ar, que juntas, correspondem à jornada diária de trabalho (FUNDACENTRO, 2007). Este tipo de amostragem proporciona uma melhor detecção de contaminações acidentais das amostras, como também das variações nas concentrações ao longo da jornada (INSHT, 2013).

A Amostra Única de Período Parcial compreende apenas uma única coleta de ar que cobre parte da jornada diária de trabalho (FUNDACENTRO, 2007).

As Amostras Consecutivas de Período Parcial compreendem várias coletas de ar, que juntas, correspondem à parte da jornada diária de trabalho (FUNDACENTRO, 2007).

Nas amostragens de período parcial, é necessário que o tempo total de coleta seja representativo. Assim, ela deve cobrir, pelo menos, de 70% a 80% da

jornada diária (LEIDEL; BUSH; LYNCH, INSHT, 2013).

1977; FUNDACENTRO, 2007;

Para que as amostragens de período parcial sejam representativas da exposição diária do trabalhador, é necessário que as condições durante o período de tempo não amostrado, sejam similares as do período de tempo amostrado (INSHT, 2013).

As Amostras Pontuais de Curta Duração (Grab Samples) são tomadas

aleatoriamente durante

a

jornada

de

trabalho

e

em

geral,

abrangem

uma

determinada quantidade de curtos períodos de medição

(LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977;

SANTOS,

2001;

FANTAZZINI;

OSHIRO,

2007).

Geralmente, este tipo de amostragem é realizada por meio de instrumentos de leitura direta que quantificam o contaminante em tempo real (TODD, 1998).

  • 3.8.4 Exposto de Maior Risco (EMR)

De acordo com Leidel, Bush e Lynch (1977), numa situação ideal, cada trabalhador, potencialmente exposto, deve ser amostrado individualmente, para que

54

a tomada de decisão seja feita de forma adequada em relação aos trabalhadores não expostos, expostos ou superexpostos aos contaminantes.

Porém, na maioria dos casos, a realização de amostragens em todos os trabalhadores pode ser inviável, devido a grande quantidade de trabalhadores em uma empresa e/ou ao seu custo financeiro.

Dessa forma, para a realização das coletas individuais, deve-se antes ser caracterizado e selecionado o trabalhador de maior risco para cada atividade (FUNDACENTRO, 2007).

Na identificação dos trabalhadores expostos de maior risco, deve-se observar a sua proximidade em relação à fonte geradora de material particulado, a sua mobilidade, o tempo de exposição, a movimentação do ar no ambiente de trabalho, e as diferenças em hábitos operacionais (LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977; FUNDACENTRO, 2007).

Para Todd (1998), a seleção dos trabalhadores expostos de maior risco pode ser baseada em critérios de produção, da proximidade com a fonte geradora do material particulado, em dados de pesquisas anteriores, e na toxicidade química do contaminante.

Fantazzini e Oshiro (2007) caracterizam o exposto de maior risco por esse possuir uma ou mais características que lhe conferem um maior potencial de exposição, como:

[

...

]

exercer suas atividades mais próximo da fonte do agente, exercer

suas atividades em região do ambiente onde ocorre maior concentração ou intensidade aparente do agente, exercer suas atividades de maneira a se expor por mais tempo ao agente, exercer as rotinas operacionais (modus operandi) de forma a se expor mais ao agente (FANTAZZINI; OSHIRO, 2007, p. 270).

  • 3.9 Limite de Exposição Ocupacional (LEO)

No Brasil, o Limite de Exposição Ocupacional (LEO) é denominado como Limite de Tolerância (LT). A Norma Regulamentadora N.º 15 (NR 15), intitulada “Atividades e Operações Insalubres”, aprovada pela Portaria MTb N.º 3.214 de 08 de junho de 1978, define Limite de Tolerância (LT) como:

55

[

]

a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada

... com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará

dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral (MTE, 2014, p. 1).

Os

Limites

de

Tolerância

(LT)

para

poeiras

são

estabelecidos pelo

Anexo N.º 12 (Limites de Tolerância para Poeiras Minerais) da NR 15, porém, tal

anexo não contempla um LT específico à poeira de sal (NaCl) (MTE, 2014).

A Norma Regulamentadora N.º 9 (NR 9), intitulada “Programa de Prevenção de Riscos Ambientais”, em seu subitem 9.3.5.1 afirma que:

deverão ser adotadas as medidas necessárias suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais

sempre que forem verificadas uma ou mais das seguintes situações:

[

...

]

c)

quando

os

resultados

das

avaliações

quantitativas

da

exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR-15 ou, na ausência destes os valores limites de exposição ocupacional adotados pela ACGIH - American Conference of Governmental Industrial Higyenists, ou aqueles que venham a ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais

rigorosos do que os critérios técnico-legais estabelecidos [ ] ... (MTE, 2014, p. 2-3).

Compulsando os Threshold Limit Values (TLVs ® ) da ACGIH ® , observa-se que os mesmos também não contemplam, especificamente, a poeira de sal (ACGIH, 2014).

Nos

Estados

Unidos,

tanto

o

Permissible

Exposure Limit (PEL) da

Occupational Safety and Health Administration (OSHA) quanto o Recommended

Exposure

Limit

(REL)

do

National

Institute

for

Occupational

Safety

and

Health (NIOSH), não possuem um LEO específico para a

poeira

de

sal

(OSHA, 2014).

Foram realizadas pesquisas sobre limites de exposição ocupacional ou valor de referência na Argentina (ARGENTINA, 2014), Eslováquia (ESLOVÁQUIA, 2011), Espanha (ESPANHA, 2014), Estônia (ESTÔNIA, 2001), Índia (ÍNDIA, 2014), Lituânia (LITUÂNIA, 2011), Noruega (NORUEGA, 2014), Polônia (POLÔNIA, 2014), República Checa (REPÚBLICA CHECA, 2012) e Chile (CHILE, 2000), mas foi observado que tais países também não possuem um valor específico à poeira de sal.

56

O

Institut

für

Arbeitsschutz

der Deutschen Gesetzlichen

Unfallversicherung (IFA) em seu banco de dados sobre substâncias químicas presentes no local de trabalho, GESTIS International Limit Values, relata que a Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Hungria, Irlanda, Itália, Japão e a União Europeia, também não possuem um valor limite específico à poeira de sal. Porém, a Letônia possui um valor de limite de 5 mg/m 3 para exposição

ao NaCl durante 8 horas diárias (IFA, 2014).

Na Espanha, a Instrucción Técnica Complementaria 2.0.03 aprovada pela Orden ITC/933/2011, de 5 de abril de 2011, que trata da proteção dos trabalhadores na exposição à poeira nas atividades de mineração de sais solúveis sódicos e potássicos, adotou um Valor Límite Ambiental para la Exposición Diaria (VLA-ED) para a fração respirável de 5 mg/m 3 (ESPANHA, 2011).

3.10 Análise gravimétrica

Durante a avaliação de um ambiente de trabalho, regularmente, faz-se necessário estimar a concentração dos contaminantes presentes no ar por meio de análises laboratoriais (FUNDACENTRO, 2001).

No estudo da exposição aos aerossóis no ambiente ocupacional, pode-se coletar amostras de um volume (m 3 ) de ar conhecido por meio de filtros e medir o seu incremento em massa (mg) através da análise gravimétrica, também pode-se contar o número total de partículas ou identificar o aerossol coletado por meio de análises químicas (TODD, 1998).

Especificamente quanto à análise gravimétrica, a mesma fornece subsídios para proposição e verificação de medidas de controle no ambiente de trabalho, colaborando com a prevenção de doenças ocupacionais devido à exposição a poeiras (FUNDACENTRO, 2001).

O método de análise gravimétrica é inespecífico, ou seja, pode ser aplicável a todos os tipos de materiais particulados, e também permite a determinação das diferentes frações de material particulado, desde que sejam utilizados os dispositivos de coleta apropriados (SANTOS, 2001; SANTOS, 2005; INSHT, 2011; HSE, 2014).

57

Para Santos (2005, p. 69-70) a gravimetria é a técnica mais usada para a

análise de amostras de poeira coletadas em ambientes de trabalho”, “[

...

]

uma vez

que determina a massa de qualquer material particulado que possa ser retido no filtro”.

Especificamente

quanto

às

partículas

em

suspensão,

após

a

sua

amostragem, a massa do contaminante é medida e sua concentração é calculada

dividindo-se essa massa encontrada pelo volume de ar amostrado, sendo o resultado da concentração expresso em mg/m 3 (TODD, 1998).

Dessa forma, a bomba de amostragem é um importante componente do sistema de coleta, pois fornece o volume de ar amostrado durante a coleta de amostras, sendo esta uma das variáveis para o cálculo da concentração do contaminante (TODD, 1998).

O procedimento padronizado para análise gravimétrica de aerodispersóides sólidos coletados sobre filtros de membrana, com o intuito de determinar a massa de material particulado coletada do ar de um ambiente de trabalho, é estabelecido pela Norma de Higiene Ocupacional, Método de Ensaio, NHO-03: “Análise Gravimétrica de Aerodispersóides Sólidos Coletados sobre Filtros de Membrana”, publicada pela FUNDACENTRO (FUNDACENTRO, 2001).

As interferências analíticas podem comprometer os resultados das pesagens dos filtros, devendo-se realizar as correções necessárias para a adequada aplicação da técnica analítica (SANTOS, 2001; BON, 2006).

Com o intuito de se obter resultados confiáveis, a NHO-03 propõe a utilização de filtros testemunhos para que sejam compensadas quaisquer variações possivelmente ocorridas no ambiente laboratorial, como temperatura e umidade (FUNDACENTRO, 2001).

A obstrução no dispositivo de coleta durante a amostragem e a possível perda de massa durante o manuseio do filtro de membrana, são fatores que podem interferir na determinação da massa amostrada (INSHT, 2011).

O princípio do método analítico é a diferença

nas pesagens do filtro de

membrana

antes

e

após

a

coleta do material particulado conforme mostra a

58

Equação 3.1, para determinação

da

massa

na

amostra

coletada

(FUNDACENTRO, 2001; SANTOS; 2001; BON, 2006).

= −

na qual:

MA = massa da amostra (mg) MFC = massa do filtro carregado (mg) MFV = massa do filtro virgem (mg)

(3.1)

Em seguida, faz-se necessário realizar o cálculo do volume de ar amostrado por meio da Equação 3.2 (FUNDACENTRO, 2007).

na qual:

  • =

×

  • V = volume de ar amostrado (m 3 )

Q m = vazão média (L/min) t = tempo total de coleta (min)

(3.2)

Com o quantitativo de massa definido, como também do volume de ar amostrado, é possível calcular a concentração da amostra de material particulado presente no ambiente laboral por meio da Equação 3.3 (FUNDACENTRO, 2007).

na qual:

=

  • C = concentração da amostra (mg/m 3 )

  • m = massa da amostra (mg)

  • V = volume de ar amostrado (m 3 )

(3.3)

59

4 MATERIAIS E MÉTODOS

Neste capítulo serão descritos os critérios de seleção das salinas, a escolha das operações que geram poeira para o ambiente de trabalho, os materiais e os métodos utilizados para a coleta, preparação e análise da poeira gerada no beneficiamento do sal, assim como o método estatístico utilizado no tratamento dos dados.

Os materiais e métodos selecionados foram empregados de forma que representassem as reais condições de exposição dos trabalhadores.

  • 4.1 Seleção das Salinas

O setor salineiro

do

Rio

Grande

do Norte

(RN)

é

composto por 143

empresas, estando distribuídas pelos municípios de Mossoró (73), Grossos (31), Areia Branca (16), Macau (12), Natal (3), Parnamirim (2), Porto do Mangue (2), Assú (1), Guamaré (1), Pendências (1) e Tibau (1) (RAIS, 2012).

Formalmente, as 143 empresas do ramo salineiro empregam um total de 3.704 trabalhadores, distribuídos nos municípios de Mossoró (1.415), Areia Branca (1.041), Macau (810), Grossos (302), Assú (51), Porto do Mangue (50), Natal (14), Guamaré (11), Pendências (8), Parnamirim (2) e Tibau (0) (RAIS, 2012).

Para a realização deste estudo exploratório nessas salinas, a equipe de

pesquisadores do projeto “Saúde e Segurança do trabalhador na indústria de

extração e beneficiamento e transporte do sal marinho” da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO), em maio de 2013, com apoio logístico do Centro Regional de Pernambuco (CRPE) da FUNDACENTRO, realizou uma reunião com o Centro de Referência de Saúde do Trabalhador (CEREST) de Mossoró na qual se obteve a colaboração deles na intermediação do contato com dois grupos empresariais que atuam no setor salineiro da região.

Esses grupos empresariais controlam 8 salinas situadas nos municípios de Areia Branca (1), Grossos (3), Mossoró (3) e Porto do Mangue (1).

60

O CRPE por meio do CEREST de Mossoró formalizou a autorização para realização dos estudos nas salinas pertencentes a esses grupos.

Durante o contato com os responsáveis dos grupos empresariais foi explicado o objetivo desta pesquisa e os pesquisadores se comprometeram em descaracterizar as empresas de forma que não sejam identificadas. Também foi acordado que os resultados das pesquisas seriam disponibilizados para as empresas para que estas pudessem utilizá-los na promoção e preservação da saúde e segurança dos trabalhadores. Dessa maneira, os grupos empresariais oficializaram os estudos em suas oito salinas.

Paralelamente, o proprietário de uma salina de pequeno porte, situada em Areia Branca, que não faz parte dos grupos empresariais citados acima, também autorizou a realização dos estudos dentro das condições acordadas descritas no parágrafo anterior.

Todos os trabalhadores envolvidos nesta pesquisa foram informados dos objetivos do estudo, e de forma voluntária, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), conforme a Resolução CNS N.º 466 de 12 de dezembro de 2012.

Em posse das devidas autorizações, e com apoio logístico do CRPE da FUNDACENTRO, em novembro de 2013, foram realizadas incursões nas nove salinas contatadas, com o intuito de realizar um estudo preliminar sobre o processo de produção, operações, fontes geradoras de poeira de sal, e o produto final (sal moído e refinado).

Em todas as nove salinas visitadas, foram registrados os contatos dos responsáveis por cada unidade produtiva, o que facilitou o posterior agendamento para a realização das coletas de amostras.

As

coletas

das

amostras

foram

previamente agendadas com os

responsáveis de cada unidade produtiva e foram realizadas entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014.

61

  • 4.1.1 Critérios de seleção das salinas

O primeiro critério tomou como base as variações granulométricas do sal produzido em cada salina, enquanto moído ou refinado. Dessa forma, o estudo abrangeu os dois tipos de produção de sal nas amostras coletadas. Devido a menor granulometria do sal refinado, deu-se preferência a este e suas características.

O segundo critério adotado foi à quantidade de trabalhadores envolvidos nas atividades relacionadas à moagem ou refino do sal. Foi dada prioridade as empresas com um maior número de trabalhadores.

Na Tabela

4.1

é descrita

a quantidade de trabalhadores por tipo de

beneficiamento de sal das empresas visitadas nos municípios. Para descaracterizar

e preservar a identidade das empresas avaliadas, elas foram identificadas

alfabeticamente neste estudo de “A” a “I”.

TABELA 4.1 Quantidade de trabalhadores por tipo de beneficiamento do sal.

 

Empresa

Município

 

Número de trabalhadores

 

Sal Moído

Sal Refinado

A

Mossoró

1

18

B

Grossos

0

8

C

Grossos

8

0

D

Grossos

0

8

E

Areia Branca

0

11

F

Mossoró

0

8

G

Areia Branca

6

0

H

Mossoró

0

5

I

Porto do Mangue

0

0

Dessa forma, as empresas A, B, critérios acima descritos.

C

e

D foram

as escolhidas devido aos

Apesar da empresa E possuir um maior número de trabalhadores do que as empresas B, C e D, a mesma foi preterida porque sua produção estava parcialmente paralisada, devido à substituição de maquinário.

Nos critérios inclusivos para seleção das salinas, também foram observadas características no ambiente de trabalho e no processo produtivo, como: visibilidade de material particulado em suspensão, empoeiramento dos trabalhadores, das

62

máquinas e do piso, e a constância na produção. Assim, a empresa F foi preterida porque não foi visualizada poeira de sal no ar ou depositada nos trabalhadores, equipamentos ou piso. A empresa G não foi selecionada pela inconstância das atividades de produção.

  • 4.1.2 Reconhecimento dos riscos

No reconhecimento dos riscos nos ambientes de trabalho das salinas foram identificadas as operações que geram poeira de sal para o ambiente de trabalho, as características do beneficiamento do produto, as características físicas dos ambientes de trabalho, as fontes de geração de poeira, as medidas de controle existentes, e os trabalhadores a serem avaliados.

Esse reconhecimento ocorreu em novembro de 2013 e também, durante o período de coleta das amostras de poeira de sal, de dezembro de 2013 a janeiro de 2014. As informações relevantes para descrição física dos ambientes das salinas e das operações identificadas como fontes que geram poeira de sal para o ambiente de trabalho foram coletadas em formulário específico conforme Anexo A. Esse formulário corresponde ao Anexo G - Modelo de formulário para registro de dados, da Norma de Higiene Ocupacional, Procedimento Técnico, NHO-08: “Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho” (FUNDACENTRO, 2007, p. 41).

  • 4.2 Coleta de amostras de poeira

Para a coleta das amostras de poeira, foi utilizada a metodologia prescrita pela Norma de Higiene Ocupacional, Procedimento Técnico, NHO-08: “Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho”, publicada

pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO) (FUNDACENTRO, 2007).

As coletas realizadas foram do tipo individual (pessoal), ou seja, o sistema de coleta foi colocado na vestimenta do próprio trabalhador onde o dispositivo de coleta foi posicionado no interior da zona respiratória, como mostra a Figura 4.1.

63

63 Figura 4.1 Posicionamento do sistema de coleta individual. Fonte: Produção do próprio autor. Quanto ao

Figura 4.1

Posicionamento do sistema de coleta individual.

Fonte: Produção do próprio autor.

Quanto ao tipo de amostragem, foi adotada a amostra única de período parcial, onde se estabeleceu um período mínimo de coleta entre 70% a 80% da jornada diária (LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977; FUNDACENTRO, 2007; INSHT, 2013). As coletas foram realizadas durante 3 dias em cada empresa selecionada (SANTOS, 2001; SANTOS, 2005; BON, 2006).

Os trabalhadores participantes das coletas de amostras foram selecionados com base nas características do conceito de Exposto de Maior Risco (EMR) (LEIDEL; BUSH; LYNCH, 1977; TODD, 1998; FANTAZZINI; OSHIRO, 2007; FUNDACENTRO, 2007).

  • 4.2.1 Sistema de coleta

O sistema de coleta utilizado é composto por uma bomba de amostragem portátil de baixa vazão, modelo Buck-VSS TM 5, fabricada pela A.P. Buck Inc. A bomba pode fornecer uma vazão de até 6,0 L/min, com bateria recarregável e blindada contra explosão.

Todas as bombas de amostragem individual utilizadas nas coletas foram calibradas com um calibrador eletrônico, do tipo padrão primário de vazão que utiliza

64

o método da bolha de sabão, modelo Gilian ® Gilibrator 2, fabricado pela Sensidyne, e calibrado periodicamente em laboratório com padrões rastreáveis à Rede Brasileira de Calibração (RBC).

Foram realizadas calibrações nas bombas de amostragem individual antes de cada coleta, como também após o término de cada uma dessas. Todas as variações percentuais de vazão foram inferiores aos ±5% recomendados pela Norma de Higiene Ocupacional, Procedimento Técnico, NHO-07: Calibração de bombas de amostragem individual pelo método da bolha de sabão” (FUNDACENTRO, 2002).

  • 4.2.2 Dispositivo de coleta

Neste trabalho foram selecionados dois tipos de dispositivos de coleta: o porta-filtro de plástico condutivo desenvolvido por James H. Vincent e David Mark no Institute of Occupational Medicine (IOM), e o ciclone de alumínio de 37 mm de diâmetro, ambos fabricados pela SKC ® . O IOM foi selecionado para a coleta de partículas na fração inalável, enquanto que o ciclone de alumínio foi selecionado para a coleta de partículas na fração respirável. Os dispositivos de coleta utilizados são descritos a seguir:

a) Fração Respirável: suporte para porta-filtro, porta-filtro, suporte do filtro, filtro de membrana de PVC com 37 mm de diâmetro e 5 µm de poro, separador de partículas do tipo ciclone de alumínio (Figura 4.2), e bomba de amostragem calibrada com vazão de 2,5 L/min.

65

65 Figura 4.2 Ciclone de alumínio, sendo: a) suporte para o dispositivo de coleta, b) parte

Figura 4.2 Ciclone de alumínio, sendo: a) suporte para o dispositivo de coleta, b) parte inferior do porta-filtro, c) suporte do filtro, d) filtro de membrana, e) anel central do porta-filtro, f) separador de partículas, e g) porta-resíduos.

Fonte: FUNDACENTRO, 2007, p. 36.

b) Fração Inalável: filtro de membrana de PVC com 25 mm de diâmetro e 5 µm de poro para o porta-filtro tipo IOM de plástico condutivo (Figura 4.3), e bomba de amostragem calibrada com vazão de 2 L/min.

65 Figura 4.2 Ciclone de alumínio, sendo: a) suporte para o dispositivo de coleta, b) parte

Figura 4.3

Dispositivo IOM para particulado inalável, sendo: a) parte inferior do porta-filtro, b) anel de vedação, c) suporte do filtro, d) filtro de membrana, e) parte central do porta-filtro, f) parte superior do porta-filtro com orifício de entrada de 4 mm, g) tampa do porta-filtro, e h) plugue.

66

  • 4.2.3 Registro de dados

Todas as informações levantadas durante as coletas como data, horário do início e término da coleta, código do filtro, número da bomba de amostragem, Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e demais dados, foram anotadas em formulário de registro específico, conforme modelo apresentado no Anexo A.

  • 4.2.4 Transporte das amostras

Todas as amostras foram acomodadas com a face amostrada voltada para cima, em caixa apropriada para transporte, conforme modelo apresentado no Anexo B. Tal procedimento faz-se necessário para evitar o desprendimento do material coletado (FUNDACENTRO, 2007).

  • 4.3 Análise Gravimétrica e concentração de poeira

Tanto a preparação dos porta-filtros utilizados neste estudo, como a análise das amostras de poeira de sal coletadas, foram realizadas pelo Laboratório de Gravimetria do Centro Técnico Nacional (CTN) da FUNDACENTRO (Figura 4.4).

66 4.2.3 Registro de dados Todas as informações levantadas durante as coletas como data, horário do

Figura 4.4

Laboratório de Gravimetria do CTN da FUNDACENTRO.

Fonte: Produção do próprio autor.

Para determinação da massa de partículas de poeira de sal encontradas nas amostras de ar coletadas nas salinas foi utilizado o método de análise gravimétrica, descrito na Norma de Higiene Ocupacional, Método de Ensaio, NHO-03: “Análise

67

Gravimétrica de Aerodispersóides Sólidos Coletados Sobre Filtros de Membrana”

(FUNDACENTRO, 2001).

Antes das pesagens, todos os porta-filtros foram abertos e introduzidos numa caixa de estabilização (Figura 4.5), onde foram deixados em repouso por um período mínimo de 3 horas, para que haja equilíbrio das condições de umidade e temperatura entre o seu interior e o ambiente em que se encontra. De acordo com a NHO-03, “o período de estabilização é necessário para que os filtros se equilibrem com as condições do ambiente em que se encontra a balança analítica(FUNDACENTRO, 2001, p. 20).

Figura 4.5

Caixa para estabilização de filtros
Caixa
para
estabilização
de
filtros

do

Laboratório

de

Gravimetria do CTN da FUNDACENTRO.

Fonte: Produção do próprio autor.

A balança analítica utilizada nas pesagens é fabricada pela Sartorius ® , modelo SE2-F, com sensibilidade de 0,0001 mg. A mesma foi calibrada utilizando padrões com massas rastreáveis a Rede Brasileira de Calibração (RBC).

Após as análises gravimétricas, as concentrações das frações de poeira inalável e respirável foram calculadas em acordo com o método de ensaio e com o procedimento técnico, descritos, respectivamente, na NHO-03 e na Norma de

Higiene

Ocupacional,

Procedimento

Técnico,

NHO-08:

Coleta

de

Material

Particulado

Sólido

Suspenso

no

Ar

de

Ambientes de Trabalho

(FUNDACENTRO, 2007).

68

  • 4.3.1 Valor de Referência Adotado (VRA)

Devido a ausência de um Limite de Tolerância (LT) ou de um Limite de Exposição Ocupacional (LEO) específico à poeira de sal, e também, de um maior detalhamento técnico e científico sobre a utilização dos limites na Letônia (IFA, 2014) e na Espanha (ESPANHA, 2011), serão adotados neste estudo como valor de referência os TLVs ® da ACGIH ® para Partículas (insolúveis ou de baixa solubilidade) não Especificadas de Outra Maneira (PNOS) de 3 mg/m 3 para a fração respirável e de 10 mg/m 3 para a fração inalável (ACGIH, 2014).

Apesar

de

serem

mais

restritivos

que

os

limites

utilizados

na

Letônia (IFA, 2014) e na Espanha (ESPANHA, 2011), os valores de referências adotados serão empregados neste estudo apenas como guias de orientação para auxiliar as partes interessadas na tomada de decisão com relação à adoção de

medidas preventivas, tendo em vista à melhoria das condições de trabalho e a prevenção das possíveis doenças ocupacionais descritas no subitem 3.6.3.

  • 4.3.2 Análise estatística

A análise estatística dos resultados das amostras de concentração de poeira de sal teve como base a planilha eletrônica denominada Multilingüe IHSTAT+, da American Industrial Hygiene Association (AIHA), desenvolvida originalmente por John R. Mulhausen. A IHSTAT+ utilizada para a análise estatística das amostras coletadas foi a versão 235, de dezembro de 2013 (AIHA, 2013).

Na

análise

dos

dados,

foram

utilizados

os

parâmetros

da

estatística

descritiva, das estatísticas paramétricas lognormais e normais fornecidos pela

planilha.

Foi

utilizado

o

Teste

de

Grubbs

para

a

identificação

dos

valores

estatisticamente discrepantes dos demais (outliers).

 

Para todas as análises, foi considerado (p 0,05).

o

nível

de

significância de

5%

69

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Neste capítulo serão apresentados os resultados obtidos nas fases de reconhecimento dos riscos e de avaliação quantitativa de poeira de sal nas salinas durante o processo de beneficiamento do sal marinho.

Com os resultados das avaliações quantitativas foi possível realizar uma comparação dos valores das concentrações de poeira de sal nas frações inalável e respirável com os valores de referência adotados neste estudo, conforme descritos no subitem 4.3.1 do Capítulo 4.

  • 5.1 Reconhecimento dos riscos nas salinas

No processo de beneficiamento do sal marinho foram identificadas as seguintes operações como fontes de geração de poeira para o ambiente de trabalho:

moagem, refino e ensacamento do sal para consumo humano, animal, ou para a utilização na indústria.

Pôde-se observar que o sal moído, utilizado na indústria química e na agricultura como suplemento dietético animal, sofre um processo de moagem sem muita rigorosidade (Empresa C); o sal refinado, utilizado na indústria alimentícia, é moído e peneirado de forma a obter uma maior uniformidade dos cristais (Empresas A, B e D) e o sal micronizado, também utilizado na indústria alimentícia, de papel e vestuário, é aquele que entra em suspensão durante o processo de peneiramento do sal refinado (Empresas A, B e D), sendo então succionado e transportado através de tubulações para posterior ensacamento.

Verificou-se durante o reconhecimento dos riscos, a adição de iodo na forma de iodeto de potássio (KIO) ao sal destinado para o consumo humano. Esta operação é uma exigência definida pela Resolução RDC N.º 28 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, 2000). Observou-se também que, tanto na produção do sal moído quanto do sal refinado, ocorrem a adição do antiumectante ferrocianeto de sódio, de fórmula molecular Na 4 FeCN 6 , conforme o Decreto N.º 75.697, de 6 de maio de 1975 (BRASIL, 1975).

Além

disso,

independente

do

processo

de

beneficiamento do sal

(moagem ou refino), pôde-se observar que o empacotamento do sal pode ser

70

realizado em embalagens de 1, 10, 20, 25 e 50 kg, ou em contentores flexíveis (Big Bag) de 500, 1.200 ou 1.500 kg. Após a embalagem, o produto pode ser estocado ou já ser alocado no veículo de transporte de carga do cliente.

5.1.1

Características físicas dos ambientes de trabalho

 

Os ambientes físicos de trabalho dos setores de moagem e refino das salinas apresentam características construtivas semelhantes. Todos esses setores estão instalados em galpões de alvenaria, com piso industrial de concreto, contando com iluminação artificial e natural, e em sua grande maioria, ventilação apenas natural. A Tabela 5.1 traz um resumo das principais características físicas desses ambientes.

 

TABELA 5.1 Características físicas das empresas avaliadas.

Empresa

Pé-direito

Cobertura

Iluminação

Ventilação

Empresa A

4 m

Fibrocimento

Lâmpadas fluorescentes e

Natural

 

natural

Empresa B

6 m

PVC

Lâmpadas fluorescentes e

Natural e forçada

 

natural

(exaustores eólicos)

 

Refletores e

Natural e forçada

Empresa C

8 m

Fibrocimento

natural

(ventiladores)

 

Refletores e

Empresa D

15 m

Fibrocimento

natural

Natural

5.1.2

Medidas de controle da poeira

 

As medidas de controle para prevenção da exposição dos trabalhadores à poeira, tanto de caráter coletivo como de caráter individual, existentes nas empresas avaliadas, foram resumidas na Tabela 5.2.

71

TABELA 5.2 Medidas de controle em caráter coletivo e individual existentes nas empresas avaliadas.

Medidas de controle

Empresa

 

Coletiva

Individual

Ventilação

Ventilação Local

Contenção

Proteção

 

Geral

Exaustora

Respiratória

Empresa A

Natural

Máquinas dosadoras e

Não há

PFF1

(clarabóia)

empacotadoras

(CA 14.104)

 

Forçada

PFF1

Empresa B

(exaustores

eólicos)

Não há

Não há

(CA 14.104)

 

Natural

(clarabóia)

Apenas na

Empresa C

Forçada

Não há

área de

moagem

PFF1

(CA 14.104)

(ventiladores)

 

PFF1

(CA 18.682)

 

Natural

Empresa D

(cobogós)

Não há

Não há

Máscara reutilizável de tecido na cor branca

Especificamente, quanto à ventilação geral do galpão industrial da Empresa B, o mesmo possui 6 exaustores eólicos, porém, apenas 4 funcionavam de maneira parcial, pois foi observada a existência de uma camada de sal agregada por toda a extensão das paredes internas dos exaustores eólicos (Figura 5.1), limitando parcial ou totalmente a sua rotação.

72

72 Figura 5.1 Amostra da camada de sal agregada aos exaustores eólicos. Fonte: Produção do próprio

Figura 5.1

Amostra da camada de sal agregada aos exaustores eólicos.

Fonte: Produção do próprio autor.

Foi observado na empresa C pontos de vazamento de material particulado na barreira de contenção na operação de moagem. A WHO (1999) define contenção como inserção de uma barreira física entre o contaminante e o trabalhador. Além disso, acrescenta ainda que um sistema de contenção deve possuir um sistema de ventilação que mantenha a área enclausurada sob pressão negativa, não permitindo vazamento de poeira através de fendas, por exemplo.

De uma forma geral, verificou-se que em todas as empresas avaliadas não há uma boa delimitação dos setores, o que dificulta a contenção da poeira e contribui para a disseminação da mesma em outros setores. Além disso, a ventilação geral do tipo natural aparenta ser insuficiente, em virtude da poeira de sal visualizada em todos os ambientes de trabalho avaliados, tratada em mais detalhes no subitem 5.1.3.

Para a WHO (1999), o controle da poeira não pode ser considerado de forma isolada, sendo então necessária a inclusão de estudos sobre a emissão (fonte), transmissão (meio) e exposição (receptor) à poeira na estratégia de controle da mesma.

Nas empresas analisadas neste estudo observou-se que as medidas de proteção individual são as mais utilizadas.

73

Alguns trabalhadores avaliados da Empresa D utilizavam uma máscara reutilizável confeccionada em tecido na cor branca que não indicava o seu Certificado de Aprovação (CA).

No Brasil, o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) está estabelecido na Norma Regulamentadora N.º 6 da Portaria MTb N.º 3.214/78, a qual caracteriza como EPI apenas aquele que possua indicação do Certificado de Aprovação (CA). O emprego do EPI dentro da hierarquia de controle é a última opção recomendada, devendo ser precedida por medidas de ordem geral e medidas de proteção coletiva, respectivamente (MTE, 2014). De acordo com Santos (2001), as medidas de controle coletivas de poeira devem beneficiar o maior número

possível de trabalhadores. Tais “[

...

]

medidas devem ser instaladas tanto na fonte

como na trajetória de propagação da poeira, poupando o trabalhador do uso de

equipamentos de proteção individual [

...

]”

(SANTOS, 2001, p. 46).

  • 5.1.3 Fontes de poeira de sal

No que se refere às fontes que geram

poeira de sal para o ambiente de

trabalho, foi realizada uma análise no ambiente e nas atividades de trabalho, para

posteriormente identificar os trabalhadores Expostos de Maior Risco (EMR).

A Tabela 5.3 apresenta as fontes geradoras de poeira de sal identificadas durante o reconhecimento dos riscos nos ambientes de trabalho.

74

TABELA 5.3 Fontes/atividades geradoras de poeira de sal.

Fonte/atividade

Observação

 

Empresa

 

Empresa A

Empresa B

Empresa C

Empresa D

Peneira vibratória mecânica

O movimento da peneira coloca em suspensão as

sim

sim

não

sim

Máquinas dosadoras e empacotadoras

partículas de sal O desentupimento e limpeza das máquinas são realizados com ar comprimido que coloca em suspensão as

sim

não

não

sim

Enchimento Manual de sacos

partículas de sal O posicionamento incorreto do saco no alimentador ocasiona derramamento de sal

não

não

sim

não

Big Bag

A ausência da válvula superior para conexão com o sistema de envase do sal, pode colocar em suspensão as partículas de sal devido à queda livre

sim

sim

sim

sim

Válvula de

O funcionamento incorreto da válvula

estocagem

fechamento dos

provoca vazamento

sim

sim

sim

sim

sacos

de sal ao redor dos

paletes de

Juntas de interligação de tecido que ligam os mais diversos tipos de equipamentos da planta produtiva

Existem diversas juntas danificadas e saturadas de sal, que podem facilitar a dispersão de

sim

não

não

sim

Limpeza

poeira no ambiente Utilização de vassoura sem

sim

sim

sim

sim

umidificação

As peneiras vibratórias mecânicas das empresas avaliadas não possuíam algum tipo de contenção à poeira, como exemplifica a Figura 5.2. Segundo a WHO (1999), a contenção ou isolamento de uma peneira é uma aplicação de fácil implementação, onde uma simples cobertura pode reduzir significativamente a exposição à pós-finos. Porém, a implementação da contenção à poeira iria impedir a realização da atividade de catação.

75

75 Figura 5.2 Peneiras vibratórias mecânicas sem contenção de poeira e o Catador de impurezas do

Figura 5.2 Peneiras vibratórias mecânicas sem contenção de poeira e o Catador de impurezas do sal (Empresa D). Fonte: Produção do próprio autor.

Quanto às máquinas dosadoras e empacotadoras, verificou-se que o operador de máquina é obrigado periodicamente a desconectar a tubulação de exaustão (responsável pela sucção da poeira de sal), e desentupir a mesma com ar comprimido. Observou-se também, que o ar comprimido também é utilizado para limpeza da máquina dosadora e empacotadora, pois o sal depositado sobre a seladora de sacos plásticos da referida máquina, interfere na soldagem das embalagens. A Figura 5.3 mostra o acúmulo de sal nesses equipamentos.

75 Figura 5.2 Peneiras vibratórias mecânicas sem contenção de poeira e o Catador de impurezas do

Figura 5.3

Acúmulo de poeira de sal na tubulação de exaustão das máquinas dosadoras e empacotadoras (Empresa A).

Fonte: Produção do próprio autor.

76

Também foi verificado que durante o enchimento manual de sacos a rapidez exigida para a execução da tarefa conduzia a um posicionamento incorreto do saco no alimentador, ocasionando derramamento de sal no chão, como ilustra a Figura 5.4. A WHO (1999) complementa ainda que o deslocamento do trabalhador, aliado a possíveis correntes de ar presentes no ambiente de trabalho, também podem colaborar para a geração e dispersão do material particulado no ambiente de trabalho.

76 Também foi verificado que durante o enchimento manual de sacos a rapidez exigida para a

Figura 5.4

Sal derramado no piso durante o enchimento manual de sacos (Empresa C).

Fonte: Produção do próprio autor.

A queda livre do sal foi observada quando do enchimento de contentores flexíveis (Big Bag), devido à ausência da válvula superior para conexão com o sistema de envase do sal, ilustrada na Figura 5.5. De acordo com a WHO (1999),

[

...

]

quanto mais alto for o impacto, maior a disseminação de poeira. Além disso,

quanto maior a altura de queda, maior é o fluxo de ar arrastado, o que favorece a

disseminação da poeira [

...

]

(WHO/SDE/OEH/99.14, 1999, p. 9).

77

77 Figura 5.5 Enchimento de Big Bag sem a válvula superior para conexão com o sistema

Figura 5.5

Enchimento de Big Bag sem a válvula superior para conexão com o sistema de envase (Empresa C).

Fonte: Produção do próprio autor.

Observou-se também a presença de uma grande quantidade de sal no piso, sob e próximo ao palete onde são empilhados os sacos de 25 kg, como ilustra a Figura 5.6, sugerindo problemas na válvula de vedação dos mesmos.

77 Figura 5.5 Enchimento de Big Bag sem a válvula superior para conexão com o sistema

Figura 5.6

Presença de grande quantidade de sal sob e próximo ao palete onde são empilhados os sacos (Empresa B).

Fonte: Produção do próprio autor.

Nas Empresas A e D foi observada a presença de juntas de interligação em tecido danificadas e saturadas de sal, conforme mostra a Figura 5.7. Esta situação

78

pode também

contribuir para a

geração de

poeira de

sal para

o ambiente de

trabalho.

78 pode também contribuir para a geração de poeira de sal para o ambiente de trabalho.

Figura 5.7

Junta de interligação em tecido danificada e saturada de sal (Empresa A).

Fonte: Produção do próprio autor.

Observou-se também que em todas as empresas estudadas, a limpeza do piso é feita a seco com auxílio de vassouras, como exemplifica a Figura 5.8. Na Empresa A, o ar comprimido também é utilizado na operação de limpeza das máquinas.

78 pode também contribuir para a geração de poeira de sal para o ambiente de trabalho.

Figura 5.8

Limpeza a seco do piso com auxilio de vassoura (Empresa D).

Fonte: Produção do próprio autor.

79

Além das fontes e atividades identificadas anteriormente, também foram adotados outros critérios para a escolha dos trabalhadores EMR, como:

a) Presença de nuvens de poeira de sal visíveis a olho nu. A Figura 5.9 ilustra a presença de poeira de sal em suspensão na Empresa B, que pode ser observada pela incidência de um feixe de luz solar no ambiente de trabalho.

79 Além das fontes e atividades identificadas anteriormente, também foram adotados outros critérios para a escolha

Figura 5.9

Poeira de sal em suspensão visível na Empresa B.

Fonte: Produção do próprio autor.

b) Localização de pontos com acúmulo de poeira. Foram identificados nas paredes e estruturas de sustentação do teto e no piso e nos equipamentos, e também nas vestimentas do trabalhador, conforme exemplificam as Figuras 5.10 a 5.13, respectivamente.

79 Além das fontes e atividades identificadas anteriormente, também foram adotados outros critérios para a escolha

Figura 5.10

Acúmulo de poeira de sal nas estruturas de sustentação do teto na Empresa A.

Fonte: Produção do próprio autor.

80

80 Figura 5.11 Acúmulo de poeira de sal na estrutura do equipamento e no piso na

Figura 5.11 Acúmulo de poeira de sal na estrutura do equipamento e no piso na Empresa B. Fonte: Produção do próprio autor.

80 Figura 5.11 Acúmulo de poeira de sal na estrutura do equipamento e no piso na

Figura 5.12 Acúmulo de poeira de sal na estrutura do equipamento na Empresa B. Fonte: Produção do próprio autor.

81

81 Figura 5.13 Presença de poeira de sal nas vestimentas do trabalhador na Empresa A. Fonte:

Figura 5.13 Presença de poeira de sal nas vestimentas do trabalhador na Empresa A. Fonte: Produção do próprio autor.

  • 5.1.4 Trabalhadores Expostos de Maior Risco

Após o reconhecimento dos riscos da exposição à poeira nos ambientes e processos de trabalho, foram verificadas quais as atividades e postos de trabalho que expunham mais os trabalhadores à poeira de sal, e dessa forma, todas as coletas das amostras nas frações respirável e inalável foram realizadas simultaneamente nos trabalhadores considerados como Expostos de Maior Risco (EMR).

Na Tabela 5.4 serão descritas as funções e atividades nas quais foram identificados os trabalhadores EMR. Foram preservadas as funções e atividades descritas pelos próprios trabalhadores, pois se observou que não há correspondências com as funções e atividades descritas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob os títulos e códigos de Garimpeiro (7114-05), Operador de Salina (7114-10), Moedor de Sal (8412-05) e Refinador de Sal (8412-10) (MTE, 2002). Assim, de acordo com as observações in loco e com as informações dos trabalhadores, as principais funções e atividades envolvidas no processo de beneficiamento do sal são:

82

TABELA 5.4 Descrição das funções e atividades em que se encontravam os trabalhadores EMR.

Função

Atividade

 

Empresa

Empresa A

Empresa B

Empresa C

Empresa D

Catador

Retira impurezas contidas no sal durante o processo

não

não

não

sim

Enchedor

de peneiramento Posiciona o saco vazio no

Manual de

alimentador que libera o

sim

sim

sim

sim

Sacos

Forneiro

sal para envase Controla a temperatura interna do forno para

não

sim

não

sim

Operador

secagem do sal Responsável pelo controle e manutenção

de Máquina

das máquinas dosadoras

sim

não

não

não

 

Operador de Painel de Controle

e empacotadoras Controla diversos tipos de máquinas distribuídas por toda a planta de beneficiamento

sim

não

não

não

Operador