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Faculdade Baiana de Direito

Metodologia da pesquisa

“Pesquisa de Survey como método das ciências sociais”


Prof: Guilherme Cortizo Bellintani

Salvador, março/08
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Pesquisa de Survey como método das ciências sociais

1. Breve incursão histórica

2. Noções gerais acerca da pesquisa de survey

3. Principais aplicações da pesquisa de survey

4. Objetivos gerais da pesquisa de survey

5. Argumento importante acerca da lógica da amostragem de survey

6. A seleção da amostra

7. Questões acerca do instrumento de coleta de dados

8. A ética na pesquisa de survey

9. Conclusões

10. Referências bibliográficas


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1. Breve incursão histórica

Um dos primeiros e mais marcantes usos do survey data de 1880, quando Karl Marx enviou
questionários pelo correio a 25.000 trabalhadores franceses, com o objetivo de verificar o nível
de exploração trabalhador/empregado, através de duas perguntas básicas: “Seu empregador ou
representante dele lança mão de desonestidade para privá-lo de parte do seu salário? Se você se
abastece nos armazéns da empresa, a qualidade dos produtos serve de pretexto para deduções
fraudulentas do seu salário?”

Apesar deste exemplo precursor de Marx, e de registros de que também outros pesquisadores
clássicos utilizaram-se deste método para desenvolvimento das suas análises - Max Weber, por
exemplo, usou métodos de pesquisa de survey no seu estudo sobre a ética protestante – a
pesquisa de survey contemporânea tem destaque sobretudo nos Estados Unidos.

Neste sentido, Earl Babbie (1999, p.78) destaca a importância do método em três setores
distintos da sociedade americana.

O primeiro destaque da importância e da influência do survey na sociedade americana é o U. S.


Bureau Census. Mesmo sendo conhecido pelo recenseamento decenal da população americana,
fez importantes contribuições aos campos de amostragem e coleta de dados, sendo a grande
maioria das atividades desta agência ligadas a uma série contínua de surveys amostrais que
constantemente atualizam dados demográficos e econômicos entre os recenseamentos.

Se o este primeiro destaque encontra sobretudo um fundamento social, no sentido de auxiliar as


políticas públicas e nortear ações governamentais, o segundo destaque do método survey nos
Estados Unidos está ligado às atividades de empresas de pesquisas de opinião, que
concentraram as suas atividades principalmente nas áreas de marketing de produtos e de
pesquisas eleitorais.

Por fim, a pesquisa científica na universidade pode ser considerada como a terceira área de
concentração na qual destacou-se o método survey. Inicialmente utilizado em poucas
universidades, afirma-se que o método sofreu um refinamento científico, com a inserção de
métodos sofisticados de análise, com a colaboração fundamental de Samuel A. Stouffer e Paul
F. Lazarsfeld, considerados pioneiros da pesquisa de survey como ela é conhecida hoje.
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2 Noções gerais acerca da pesquisa de survey

A palavra survey pode ser traduzida para língua portuguesa através da expressão
“levantamento”. Como denominação de método de pesquisa, mantiveram-se as relações
lingüísticas, tendo a pesquisa de survey o mesmo significado do levantamento. Neste trabalho,
foi adotada com mais freqüência a expressão “pesquisa de survey”, apesar de por vezes surgir,
no mesmo sentido, a caracterização do “levantamento”.

Inicialmente, cumpre ressaltar a noção geral da pesquisa de survey, que possui como fator
principal o levantamento de informações a um determinado grupo de pessoas, no sentido de
realizar uma análise quantitativa do problema estudado através da aplicação de instrumentos
apropriados, sobretudo questionários, no intuito de obter uma conclusão sobre aquele estudo de
forma correspondente aos dados coletados.

Inseridos na expressão “pesquisa de survey” encontram-se diversos tipos de formatos que o


survey pode absorver. O termo pode tratar, portanto, de censos demográficos, pesquisas de
opinião pública, pesquisas de mercado sobre preferências do consumidor, estudos acadêmicos,
estudos epidemiológicos, e outros, podendo diferir, ainda, quanto a objetivos, custos e tempo. A
metodologia de survey é hoje empregada nas mais diversas áreas do conhecimento - economia,
política, meio-ambiente, marketing, ciências sociais, saúde, entre muitas outras.

Para Antônio Carlos Gil (2002, p.51), “quando o levantamento recolhe informações de todos os
integrantes do universo pesquisado, tem-se o censo”. O censo pode ser caracterizado, portanto,
como o maior levantamento possível. Enquanto em um levantamento menos abrangente a
amostra analisada é projetada para toda a população da qual se deseja retirar conclusões, o censo
já é, por si só, a reunião de dados referentes a toda a população que se deseja estudar,
dispensando a projeção.

A maioria das aplicações da pesquisa de survey, no entanto, não envolve todos os integrantes da
população estudada, sobretudo em função das dificuldades materiais envolvidas e do tempo
necessário para a análise.

O levantamento por amostragem, por sua vez, é um dos métodos mais freqüentes entre os
pesquisadores sociais, sobretudo em função de três vantagens destacadas por Gil (2002, p.51):
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a) conhecimento direto da realidade: à medida que as próprias pessoas informam
acerca de seu comportamento, crenças e opiniões, a investigação torna-se mais livre
de interpretações calcadas no subjetivismo dos pesquisadores;
b) economia e rapidez: desde que se tenha uma equipe de entrevistadores,
codificadores e tabuladores devidamente treinados, torna-se possível a obtenção de
grande quantidade de dados em curso espaço de tempo. Quando os dados são obtidos
mediante questionários, os custos tornam-se relativamente baixos;
c) quantificação: os dados obtidos mediante levantamento podem ser agrupados em
tabelas, possibilitando sua análise estatística. As variáveis em estudo podem ser
quantificadas, permitindo o uso de correlações e outros procedimentos estatísticos. À
medida que os levantamentos se valem de amostras probabilísticas, torna-se possível
até mesmo conhecer a margem de erro dos resultados obtidos.
Indispensável, também, destacar as principais limitações da pesquisa de survey, também
selecionadas de forma bastante apropriada por Gil (2002, p.51-52):

a) ênfase nos aspectos perceptivos: os levantamentos recolhem dados referentes à


percepção que as pessoas têm acerca de si mesmas. Ora, a percepção é subjetiva, o
que pode resultar em dados distorcidos. Há muita diferença entre o que as pessoas
fazem ou sentem e o que elas dizem a esse respeito. Existem alguns recursos para
contornar este problema. É possível, em primeiro lugar, omitir as perguntas que
sabidamente a maioria das pessoas não sabe ou não quer responder. Também se pode,
mediante perguntas indiretas, controlar as respostas dadas pelo informante. Todavia,
esses recursos, em muitos casos, são insuficientes para sanar os problemas
considerados.
b) pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais: mediante
levantamentos, é possível a obtenção de grande quantidade de dados a respeito dos
indivíduos. Como, porém, os fenômenos sociais são determinados sobretudo por
fatores interpessoais e institucionais, os levantamentos mostram-se pouco adequados
para a investigação profunda desses fenômenos;
c) limitada apreensão do processo de mudança: o levantamento, de modo geral,
proporciona visão estática do fenômeno estudado. Oferece, por assim dizer, uma
espécie de fotografia de determinado problema, mas não indica suas tendências à
variação e muito menos as possíveis mudanças estruturais. Como tentativa de
superação dessas limitações, vêm sendo desenvolvidos com freqüência crescente os
levantamentos do tipo painel, que consistem na coleta de dados da mesma amostra ao
longo do tempo. Muitas informações importantes têm sido obtidas mediante esses
procedimentos, particularmente em estudos sobre nível de renda e desemprego.
Entretanto, os levantamentos do tipo painel apresentam séria limitação, que é a
progressiva redução da amostra por causas diversas, tais como mudança de residência
e fadiga dos respondentes.
Diante do exposto, Gil (2002, p.52) conclui que os levantamentos tornam-se muito mais
adequados para estudos descritivos que explicativos, sendo inapropriados para o
aprofundamento de aspectos psicológicos e psicossociais mais complexos. Revelam a sua
utilidade, porém, nos estudos de opiniões e atitudes.

3 Principais aplicações da pesquisa de survey


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Os surveys geralmente envolvem a coleta de dados através de entrevistas aplicadas a uma
amostra selecionada representativa da população em estudo. Questionários elaborados com
conhecimento e rigor metodológicos; um desenho amostral representativo do universo
pesquisado; rígidos procedimentos internos de controle do levantamento do campo; e
abrangente treinamento dos coletores de dados em técnicas de entrevista são procedimentos
necessários para a execução de pesquisas com resultados confiáveis e que se enquadrem dentro
da margem de erro definida pelo plano amostral.

As pesquisas de survey geralmente buscam medir valores, crenças, opiniões, conhecimento e


comportamento das pessoas. A grande utilidade deste tipo de metodologia é o acesso ao
conhecimento das atitudes e comportamentos de grandes populações (como por exemplo, de um
país, estado ou cidade) entrevistando apenas um número relativamente pequeno de pessoas
escolhidas através procedimentos estatístícos/ probabilísticos.

São as seguintes as principais aplicações da pesquisa de survey:

 Eleições - Esse tipo de survey é hoje amplamente empregado para avaliar


comportamento eleitoral e projetar resultados das eleições. Os dados obtidos em surveys
de opinião política são utilizados para embasar plataformas de campanha de partidos
políticos e programas de governo.

 Mercado - Utilizada por empresas e pelas indústrias junto a consumidores para avaliação
de hábitos de consumo, de produtos específicos e de demanda em relação a novos
produtos.

 Meio Ambiente - Agências governamentais, grupos ambientalistas, cientistas sociais têm


utilizado a metodologia de survey para conhecer os valores, nível de conhecimento e
comportamento ambiental da população. Os resultados oferecem subsídio à formulação e
implementação de programas de educação ambiental, programas de saneamento e saúde
da população e medidas diversas de proteção ambiental.

 Políticas Públicas - O survey é muito empregado por órgãos governamentais


interessados em informações sobre a população: composição da força de trabalho,
estatísticas de saúde, levantamento do emprego e desemprego, dentre outros aspectos da
vida dos habitantes do país, estado ou município. Os dados coletados são utilizados na
elaboração e implementação de políticas públicas.
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 Estudos nas áreas de Ciências Sociais - O survey é um dos principais métodos
empregados por cientistas sociais para estudar temas como religiosidade, raça, relações
de gênero, educação, mercado de trabalho, organização sindical e profissional entre
vários outros.

4 Objetivos gerais da pesquisa de survey

Assim, a partir do exposto, pode-se perceber que três objetivos gerais permeiam os interesses de
que propõe uma pesquisa de survey: descrição, explicação e exploração.

Sobre o objetivo descritivo da pesquisa de survey, Babbie (1999, p.96) analisa que este
caracteriza-se com o intuito da pesquisa de descobrir a distribuição de certos traços e atributos
de alguma população, não se preocupando o pesquisador com o porquê da distribuição
observada existir, mas sim com o que ela é, complementando que:

Distribuições por idade e sexo relatadas pelo U. S. Bureau of Census são exemplos
deste tipo de survey. De forma semelhante, o Ministério do Trabalho pode procurar
descrever a extensão do desemprego no país num ou em vários pontos do tempo.
Também o Gallup pode tentar descrever os percentuais do eleitorado que votarão nos
vários candidatos a presidente (...). O percentual de uma população que
provavelmente comprará um novo produto comercial é outro exemplo de pesquisa
descritiva.
Está claro, portanto, que a maioria dos surveys, ou ao menos aqueles mais frequentes, têm o
perfil descritivo. Muitos, porém, têm o objetivo adicional de proferir situações explicativas
sobre a população. Babbie (1999, p.96) explica que:

ao estudar preferências eleitorais, por exemplo, você pode querer explicar por que
alguns eleitores preferem um candidato, enquanto outros optam por outro candidato.
Ao estudar o desemprego, você pode querer explicar por que parte da força de
trabalho está empregada e o restante não. Explicar quase sempre requer análise
multivariada – o exame simultâneo de duas ou mais variáveis. Preferências por
diferentes candidatos políticos podem ser explicadas em termos de variáveis como
filiação partidária, educação, raça, sexo, região do país etc. Ao examinar as relações
entre preferências por candidatos e as diversas variáveis explicativas, o pesquisador
pode tentar “explicar” por que eleitores escolheram um ou outro candidato.
Por fim, o terceiro objetivo geral que caracteriza a pesquisa de survey destaca o caráter
exploratório que a pesquisa pode assumir. Este objetivo pode determinar uma espécie de survey
menos controlado, que não vise propriamente respostas às questões básicas para o planejamento
da pesquisa, mas sim o aprofundamento de determinadas questões ainda não totalmente
esclarecidas no início da investigação. Pode ser aplicado sobretudo quando a população
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estudada ainda não é conhecida o suficiente para a elaboração de um survey mais controlado, no
qual a amostra possa ser bem delineada e os resultados mais conclusivos. Funciona, portanto,
como um mecanismo exploração, e não de resultados específicos.

5 Argumento importante acerca da lógica da amostragem de survey

Considerando que praticamente todas as pesquisas de survey têm na amostragem o seu principal
mecanismo de análise da população estudada, à exceção do censo, entendemos como
importantes alguns argumentos acerca da lógica da amostragem. Sabe-se, diante de tudo já
exposto, que uma amostragem não condizente com o perfil e os objetivos na pesquisa
fatalmente direciona o trabalho a um resultado cientificamente inválido.

Já foi abordado, em capítulo anterior, o porquê da escolha da amostragem em vez da análise de


toda a população, concluindo-se neste aspecto sobretudo em função das questões que envolvem
custos e tempo da pesquisa. Tratou-se, também, acerca das principais vantagens da amostragem
(conhecimento direto da realidade, economia, rapidez e quantificação). Ênfase nos aspectos
perceptivos, pouca profundidade no estudo da estrutura e dos processos sociais e limitada
apreensão do processo de mudança são fatores considerados como negativos da pesquisa de
survey por amostragem.

Conhecendo-se, portanto, os motivos da amostragem e destacando-se os seus aspectos positivos


e negativos, surge necessário um esclarecimento sobre a lógica da amostragem que
identificamos como necessário.

Trata-se de um argumento curioso e relevante suscitado por Babbie, que afirma (1999, p.114)
que, muitas vezes, surveys por amostragem são mais precisos do que entrevistar todos os
componentes de uma população. Neste argumento aparentemente estranho e inválido surge um
importante elemento da lógica da amostragem assim defendido por Babbie:

Primeiro, um grande projeto de entrevistas requer um número enorme de


entrevistadores. Pesquisadores caracteristicamente tentam limitar seu pessoal aos
melhores entrevistadores disponíveis, e um grande projeto provavelmente exige
contratar qualquer pessoa disponível, resultando que a qualidade geral dos
entrevistadores é mais baixa do que a habitual. A qualidade dos dados coletados se
reduz pela menor qualidade dos entrevistadores. Além disso, uma pesquisa em menor
escala permite procedimentos mais severos, aumentando a taxa de entrevistas
completas.
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Ainda ressaltando os benefícios específicos da pesquisa por amostragem, Babbie (1999, p. 114)
acrescenta que, se a pesquisa visa medir o índice de desemprego numa grande cidade, por
exemplo, torna-se praticamente impossível especificar a época à qual se referem os dados, se
não foi escolhido o sistema de amostragem. Na seqüência, justifica sua argumentação com a
informação de que o U. S. Bureau Census produz um survey por amostragem após o censo
decenal para avaliar os dados colhidos na enumeração total.

Neste raciocínio, permitimo-nos o entendimento de que o grau de precisão presumidamente


obtido através da análise de toda a população, ao invés de apenas uma amostra, pode ser
compensado, conforme exemplo, pelo elevado preparo dos entrevistadores ou pela exatidão
temporal da pesquisa por amostragem.

6 A seleção da amostra

A amostra pode ser caracterizada como uma pequena parte dos elementos que compõem o
universo, pelo que a seleção bem feita de uma amostra é diretamente responsável pelo sucesso
da pesquisa de survey. A forma de seleção da amostra deve variar conforme as características
gerais da pesquisa, bem como em função do tipo de população, condições materiais e perfil do
objeto pesquisado. Alguns tipos de amostragem merecem destaque.

A amostragem aleatória simples (também conhecido por causal, randômica ou acidental)


seleciona a amostra de maneira casual, dentre os elementos que compõe o universo, através da
identificação de cada elemento com um número.

A amostragem estratificada utiliza-se da uma amostra de cada subgrupo da população


considerada. Os subgrupos são definidos a partir de propriedades como sexo, idade ou classe
social, podendo haver combinação de propriedades, como, por exemplo, “homem maior de 40
anos”.

A amostragem por conglomerados, por sua vez, deve ser aplicada quando surge dificuldade de
identificação dos elementos. “É o caso, por exemplo, de pesquisas cuja população seja
constituída por todos os habitantes de uma cidade (...). Torna-se possível, então, colher uma
amostra de quarteirões e fazer a contagem de todas as pessoas que residem naqueles
quarteirões”, cita Gil (2002, p.123).
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A amostragem por cotas, finalmente, seleciona a amostragem a partir de três fases: a) classifica
a população em função de propriedades tidas como relevantes para o fenômeno a ser estudado;
b) determina a proporção; c) fixa cotas para cada entrevistador, de forma que a amostra total
seja composta em observância à proporção das classes consideradas. É muito utilizada em
pesquisas eleitorais e de mercado, sobretudo em função do baixo custo.

Cumpre ressaltar, por fim, a importância da determinação do tamanho da amostra. A amplitude


da amostra deve variar, logicamente, em função da amplitude da população (universo), sendo
determinante, por exemplo, no que se refere à margem de erro da pesquisa.

7 Questões acerca do instrumento de coleta de dados

Torna-se necessário, para melhor conhecimento acerca da pesquisa de survey, alguns


esclarecimentos sobre a elaboração do instrumento de coleta de dados. Neste sentido, Gil (2002,
p.114) afirma que:

Para a coleta de dados no levantamento são utilizadas as técnicas de interrogação: o


questionário, a entrevista e o formulário. Por questionário entende-se um conjunto de
questões que são respondidas por escrito pelo pesquisado. Entrevista, por sua vez,
pode ser entendida como a técnica que envolve duas pessoas numa situação “face a
face” e em que uma delas formula questões e a outra responde. Formulário, por fim,
pode ser definido como a técnica de coleta de dados em que o pesquisador formula
questões previamente elaborada e anota as respostas.
Nitidamente, o questionário configura-se como o instrumento de mais fácil aplicação, não
exigindo um treinamento mais rigoroso daquele que o aplica, gerando sobretudo uma redução
de tempo e custo. Pode, ainda, garantir o anonimato daquele que fornece as informações, já que
faculta a aplicação, por exemplo, pelo correio, internet ou qualquer outro instrumento que
preserve a identidade do pesquisado.

A entrevista, por sua vez, possibilita vantagens não encontradas no questionário, como, por
exemplo, permitir a obtenção de informações daqueles que não sabem ler ou escrever e a análise
do comportamento não-verbal. Entre as técnicas de interrogação, é a que apresenta maior
flexibilidade, podendo ser informal, parcial ou totalmente estruturada. No entanto, tem a sua
aplicação mais complexa e não preserva o anonimato.

O formulário, por fim, apesar de não preservar o anonimato e necessitar um treinamento


elaborado de pessoal, é uma das mais práticas e eficientes técnicas de coleta de dados.
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Diferentemente do questionário, o formulário é aplicado com a presença do pesquisador. Nele,
os dados são mais facilmente quantificáveis que na entrevista, já que as perguntas devem ser
feitas exatamente da mesma forma como foram estabelecidas previamente, evitando explicações
ou interferências pessoais do pesquisador. É aplicável a praticamente todos os segmentos da
população.

8 A ética na pesquisa de survey

Existem questões que, apesar de não fazerem parte do método científico, formam um grupo de
normas obrigatórias aos cientistas que utilizam a pesquisa de survey. São as normas éticas, que
formam quase um consenso em relação à aplicação das pesquisas, sobre as quais trata-se com
brevidade a seguir.

Inicialmente, cumpre ressaltar que a participação do pesquisado deve ser voluntária. E essa
condição deve ser explícita, não podendo ser considerada como entendimento tácito. Não
descarta-se, no entanto, um comportamento persuasivo do entrevistador (no caso de entrevista),
no sentido de convencer o indeciso a participar da pesquisa. “Só levará alguns segundos” ou
“posso voltar em algum momento mais conveniente” são expressões absorvidas de forma
razoável perante a ética da pesquisa de survey.

É importante destacar, também, que a pesquisa de survey não deve, em nenhum momento,
prejudicar o entrevistado, que voluntariamente cooperou. Neste sentido, a revelação de
informações confidenciais, por exemplo, é considerada um desvio sério dos propósitos da
pesquisa. Devem ser ressaltados, ainda neste sentido, o anonimato e o sigilo.

9 Conclusões

Configura-se a pesquisa de survey, portanto, como um importante instrumento de metodologia,


aplicado nas mais diversas esferas de conhecimento do indivíduo. Surge, por muitas vezes,
como sinônimo cotidiano de pesquisa, sobretudo em função da grande penetração social das
pesquisas de mercado, eleitorais e dos censos populacionais. Neste âmbito, talvez seja o método
aplicado com mais freqüência em todo o mundo.
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o que se refere às ciências sociais, a pesquisa de survey oferece instrumentos de suma
importância aos pesquisadores, sobretudo em função da possibilidade de obtenção de objetivos
razoavelmente complexos através de um sistema confiável, a custo baixo e dentro de um prazo
que pode ser adequado com facilidade aos objetivos da pesquisa.

10 Referências

GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.

BABBIE, Earl. Métodos de pesquisa de survey. Belo Horizonte: UFMG, 1999.