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Química 2

Química Geral 2
Pré-Vestibular
Teoria e Exercícios Propostos
índice.química 2

Capítulo 01. Propriedades da Matéria


1. Propriedades Gerais, Funcionais e Específicas .......................................................... 9
1.1. Matéria, Corpo e Objeto ............................................................................................. 9
1.2. Propriedades da Matéria ............................................................................................. 9
1.3. Estados Físicos da Matéria ......................................................................................... 10
1.4. Mudanças de Estado ................................................................................................ 10
1.5. Densidade ................................................................................................................ 10
2. Substância ......................................................................................................... 10
2.1. Substância Pura ....................................................................................................... 11
2.2. Mistura .................................................................................................................... 11
2.3. Tipos de Misturas ..................................................................................................... 12
3. Sistemas ........................................................................................................... 13
4. Fenômenos ........................................................................................................ 13
4.1. Fenômeno Físico ...................................................................................................... 13
4.2. Fenômeno Químico .................................................................................................. 13
5. Separação de Misturas Heterogêneas ................................................................... 13
5.1. Sifonação ................................................................................................................. 13
5.2. Flotação ................................................................................................................... 14
5.3. Levigação ................................................................................................................. 14
5.4. Filtração Simples ....................................................................................................... 14
5.5. Filtração à Pressão Reduzida ou Filtração a Vácuo ...................................................... 15
5.6. Dissolução Fracionada ............................................................................................... 15
5.7. Separação Magnética ................................................................................................ 15
5.8. Decantação .............................................................................................................. 15
6. Separação de Misturas Homogêneas ..................................................................... 16
6.1. Destilação ................................................................................................................ 16
6.2. Extração .................................................................................................................. 17
7. Constituição da Matéria ....................................................................................... 17
7.1. Modelo de Dalton ..................................................................................................... 17
7.2. Alotropia .................................................................................................................. 18
7.3. Balanceamento das Equações: Método das Tentativas ........................................... 19

Capítulo 02. Teoria Atômico-Molecular


1. Massa Atômica ................................................................................................... 20
1.1. Introdução ............................................................................................................... 20
1.2. Importância .............................................................................................................. 20
1.3. Unidade de Massa Atômica ....................................................................................... 20
1.4. Massa Atômica (MA) ................................................................................................. 21
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1.5. Massa Atômica de um Elemento ............................................................................... 21


2. Massa Molecular ................................................................................................ 21
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3. Constante de Avogadro (N) .................................................................................. 22


4. Conceito de Mol ................................................................................................. 22
5. Massa Molar ...................................................................................................... 22
5.1. Massa Molar de um Elemento ................................................................................ 22
5.2. Massa Molar de uma Substância ................................................................................ 22
5.3. Massa Molar de um Íon ............................................................................................. 23
5.4. Quantidade de Matéria ou Quantidade em Mols (n) .................................................. 23

Capítulo 03. Gases


1. Transformações Gasosas ..................................................................................... 24
1.1. Introdução ............................................................................................................... 24
1.2. Leis Físicas dos Gases ................................................................................................ 24
1.3. Gás Perfeito ou Ideal ................................................................................................ 26
1.4. Gás Real ................................................................................................................... 26
2. Equação Geral dos Gases .................................................................................... 26
3. Condições Normais de Temperatura e Pressão (CNTP, CN ou TPN) ........................... 26
4. Lei de Avogadro ................................................................................................. 26
5. Volume Molar ..................................................................................................... 26
6. Equação de Clapeyron ......................................................................................... 27
7. Densidade dos Gases .......................................................................................... 27
7.1. Densidade Absoluta .................................................................................................. 27
7.2. Densidade Relativa .................................................................................................... 28
8. Mistura Gasosa .................................................................................................. 28
8.1. Equação de Estado .................................................................................................. 28
8.2. Equação Geral .......................................................................................................... 28
8.3. Pressão Parcial .......................................................................................................... 29

Capítulo 04. Leis Ponderais


1. Lei de Lavoisier (Lei da Conservação das Massas) .................................................. 30
2. Lei de Proust (Lei das Proporções Fixas ou Definidas) ............................................. 30

Capítulo 05. Determinação de Fórmulas


1. Introdução ......................................................................................................... 32
2. Fórmula Percentual ou Composição Centesimal ...................................................... 32
3. Fórmula Mínima, Empírica ou Estequiométrica .................................................... 33
4. Fórmula Molecular .............................................................................................. 34
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Capítulo 06. Estequiometria


1. Conceito ............................................................................................................ 35
2. Importância ....................................................................................................... 35
3. Revendo Conceitos sobre Relações Básicas ............................................................ 35
4. Conduta de Resolução ......................................................................................... 35
5. Tipos de Cálculos Estequiométricos ...................................................................... 37

Capítulo 07. Química Descritiva


1. Constituição da Terra .......................................................................................... 39
1.1. Atmosfera ................................................................................................................ 39
1.2. Hidrosfera ................................................................................................................ 40
1.3. Litosfera ................................................................................................................... 40
2. Substâncias Simples e Compostas Importantes ...................................................... 42
2.1. Halogênios ............................................................................................................... 42
2.2. Hidrogênio (H2) ........................................................................................................ 43
2.3. Oxigênio (O2) ........................................................................................................... 44
2.4. Nitrogênio (N2) ......................................................................................................... 44
2.5. Amônia ou Gás Amoníaco (NH3) ................................................................................ 44
2.6. Ácido Nítrico (HNO3) ................................................................................................. 45
2.7. Enxofre .................................................................................................................... 45
2.8. Ácido Sulfúrico (H2SO4) ............................................................................................ 45
2.9. Alumínio (Al) ............................................................................................................ 46
2.10. Ferro (Fe) .............................................................................................................. 46
2.11. Cobre (Cu) ............................................................................................................. 47

Exercícios Propostos ................................................................................................................................. 49


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.02 Química Geral 2

Capítulo 01. Propriedades da Matéria

1. Propriedades Gerais, • Extensão


Todos os corpos ocupam lugar no espaço.
Funcionais e Específicas • Impenetrabilidade
A Química é a ciência que estuda a consti- Dois corpos não ocupam, ao mesmo
tuição da matéria, sua estrutura interna, as tempo, um mesmo lugar no espaço.
relações entre os diversos tipos de materiais
• Divisibilidade
encontrados na natureza, além de determi-
nar suas propriedades, sejam elas físicas – Os corpos podem ser divididos em
como, por exemplo, cor, ponto de fusão, den- partes cada vez menores.
sidade, etc. – ou químicas, que são as trans- • Compressibilidade
formações de uma substância em outra. Os corpos possuem a propriedade de
poder diminuir de tamanho, sob a ação de
1.1. Matéria, Corpo e Objeto forças externas.
Chamamos matéria a tudo que tem mas-
• Elasticidade
sa, ocupa lugar no espaço e pode, portanto,
de alguma forma, ser medido. Por exemplo: Os corpos possuem a propriedade de
madeira, alumínio, ferro, ar, etc. voltar à forma e volume originais, cessada a
causa que os deformou.
Corpo é uma porção limitada da matéria
e objeto é um corpo fabricado para um de- II. Propriedades Funcionais da Matéria
terminado fim. São propriedades observadas somente em
Resumindo, podemos dizer que o ferro é determinados grupos de matéria. Esses gru-
matéria, uma barra de ferro é um corpo e um pos são chamados funções químicas, e as
portão de ferro é um objeto. principais são: ácidos, bases, sais e óxidos que
serão estudados oportunamente.

1.2. Propriedades da Matéria III. Propriedades Específicas da Matéria


São propriedades que permitem identifi-
A matéria apresenta várias propriedades
car uma determinada espécie de matéria.
que são classificadas em gerais, funcionais e
Dentre as propriedades específicas, podemos
específicas.
citar:
I. Propriedades Gerais da Matéria – Propriedades físicas: ponto de fusão,
São comuns a toda e qualquer espécie de ponto de ebulição, densidade.
matéria, independentemente da substância – Propriedades organolépticas: odor,
de que ela é feita. As principais são: massa, sabor.
extensão, impenetrabilidade, divisibilidade,
compressibilidade e elasticidade. – Propriedades químicas: reações químicas.
• Massa
Todos os corpos possuem massa.

Capítulo 01. Propriedades da Matéria PV2D-06-QUI-21 9


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1.3. Estados Físicos da Matéria Vaporização: é a passagem do estado lí-


quido para o estado gasoso. A vaporização
I. Estado Sólido
pode ocorrer de três formas: evaporação, ca-
As substâncias apresentam formas defini-
lefação e ebulição.
das e seu volume não varia de forma conside-
rável com variações de temperatura e pressão. Condensação: é a passagem do estado ga-
soso para o estado líquido. A condensação de
As partículas que constituem o sólido
um gás para o estado líquido é denominada
encontram-se ligadas uma às outras de
de liquefação.
modo que não podem movimentar-se li-
vremente. Ponto de Ebulição: é a temperatura constan-
te na qual um líquido passa para o estado gasoso.
II. Estado Líquido
Sublimação: é passagem do estado sólido
As partículas que constituem o estado lí-
diretamente para o estado gasoso.
quido não estão unidas fortemente, visto que
deslizam umas sobre as outras, adaptando- 1.5. Densidade
se à forma do recipiente que as contém, mas É a relação entre massa (em gramas) de
estas forças de atração entre as partículas são uma amostra de matéria e o volume (geral-
suficientemente fortes para que não ocorra mente em cm3) ocupado por esta amostra.
variação no volume e as partículas dificilmente
podem ser comprimidas.
2
1
1 = 123451612 789
1 2
III. Estado Gasoso
As substâncias apresentam densidade me-
1=
3 34

=
6446 7
nor que a dos sólidos e líquidos, ocupam todo = 
2 19
2 1

o volume do recipiente que as contém, podem


expandir-se indefinidamente e são comprimi-
das com grande facilidade. Este comportamen-
2. Substância
to pode ser explicado pelas forças de atração Quando dizemos que um material é mais
entre as partículas muito fracas as quais pos- denso que o outro, significa que, comparan-
suem, portanto, alta mobilidade. do-se volumes iguais de ambos, o mais denso
é o que possui maior massa.
1.4. Mudanças de Estado Vamos acompanhar as mudanças de es-
tado de um cubo de gelo formado por água
pura. Inicialmente, notamos que sua tempe-
ratura está abaixo de 0 °C. Em seguida, aque-
cemos o recipiente, e o gelo começa a absor-
ver calor até que sua temperatura atinja 0 °C,
momento no qual começa a fusão se o experi-
Fusão: passagem do estado sólido para o mento estiver sendo realizado ao nível do
líquido. mar. Observando o termômetro, notamos que
Solidificação: passagem do estado líqui- a temperatura permanece 0 °C até o término
do para o sólido. da fusão. Quando não há mais fase sólida, a
temperatura volta a subir e, quando atinge
Ponto de Fusão: é a temperatura cons-
100 °C, o líquido começa a ferver. Durante a
tante na qual um sólido se transforma num
ebulição, realizada ao nível do mar (à pres-
líquido.
são de 1 atm), a temperatura permanece em
Os pontos de fusão e solidificação ocor- 100 °C, só voltando a subir quando não hou-
rem numa mesma temperatura. ver mais fase líquida.

10 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 01. Propriedades da Matéria


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2.2. Mistura
É todo tipo de matéria cuja fusão e/ou
ebulição não ocorrem em temperaturas cons-
tantes. A temperatura varia durante a fusão
ou durante a ebulição, ou durante ambas. As
misturas não possuem ponto de fusão e pon-
to de ebulição, e sim intervalo de fusão e in-
tervalo de ebulição. A composição é variável.
Observação – Existem misturas que,
durante uma das mudanças de estado, se
comportam como substâncias puras. São elas
as misturas eutéticas e azeotrópicas.
Vamos agora fazer a mesma experiência
utilizando uma amostra de ouro e cobre ini- I. Mistura Eutética
cialmente no estado sólido. Ao acompanhar- É a mistura que apresenta ponto de fusão.
mos suas mudanças de estado, notamos que Exemplo: algumas ligas metálicas, den-
durante a fusão e a ebulição a temperatura tre elas a solda usada em eletrônica (37% de
não permanece constante. Não há, portanto, chumbo e 63% de estanho).
ponto de fusão e ponto de ebulição e sim
intervalo de fusão e intervalo de ebulição.

II. Mistura Azeotrópica


Através destas observações experi- É a mistura que apresenta ponto de ebulição.
mentais, podemos dizer que o gelo é substân- Exemplo: água e álcool na proporção de
cia pura, e a liga ouro/cobre é mistura. 4% de água e 96% de álcool.

2.1. Substância Pura


É todo tipo de matéria cuja fusão e ebu-
lição ocorrem em temperaturas constantes.
Elas possuem propriedades específicas bem
definidas, como, por exemplo, cor, cheiro, es-
tado físico, ponto de fusão, ponto de ebulição,
etc., e composição química constante.
Exemplo: água, ferro, alumínio, etanol,
etc.

Capítulo 01. Propriedades da Matéria PV2D-06-QUI-21 11


Química Geral 2

Comparando substância pura e mistura, Observações:


encontramos: A existência de superfície de separação in-
dica mudança de propriedades e isto implica
mudança de fase.

2.3. Tipos de Misturas


As misturas são classificadas em homo- Importante notarmos que, em uma
gêneas e heterogêneas. mistura, o número de fases não é necessaria-
mente igual ao número de componentes.
I. Misturas Homogêneas (soluções)
Exemplo: água líquida, gelo e limalha de
São misturas que se apresentam como um
ferro.
todo uniforme. Elas apresentam as mesmas
propriedades físicas e a mesma composição
química em toda sua extensão. Apresentam
um aspecto único (uma única fase).
Exemplo: água e álcool, ar atmosférico fil-
trado, ouro 18 quilates (75% ouro; 12,5% co-
bre e 12,5% prata).

Sistema trifásico constituído por dois componentes

Fase: corresponde a cada porção unifor-


me de uma matéria.
Componente: corresponde a cada subs-
tância que participa da mistura.
II. Misturas Heterogêneas
São misturas que não apresentam as mes-
mas propriedades em toda sua extensão. Mistura de dois ou mais sólidos será sem-
Apresentam mais de uma fase. pre heterogênea e cada sólido corresponde a
Exemplo: água e areia, água e óleo, grani- uma fase.
to, etc. Exemplos
Sal e serragem: 2 componentes e 2 fases.
Granito: 3 componentes (mica, feldspato
e quartzo) e 3 fases.
Mistura de dois ou mais gases será sem-
pre homogênea.

12 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 01. Propriedades da Matéria


Química Geral 2

3. Sistemas  Exemplo

Qualquer substância pura ou mistura a


ser estudada é denominada de sistema.
Os sistemas podem ser classificados em:

1232456728
129 8
8 6 

39 38
 12324567
13
9 93 8  42 4.2. Fenômeno Químico
123245678259 2 8292 É a transformação que altera a identidade
34
93 4 1232456782 química das substâncias. São as chamadas
reações químicas.
Exemplos Exemplo

1º) O sistema água é substância pura,


pois possui PF e PE. É homogêneo, pois
apresenta as mesmas propriedades
em toda sua extensão.

2º) O sistema água + sal dissolvido é mis-


tura, pois a temperatura varia duran-
te a fusão e a ebulição. É homogêneo,
pois apresenta as mesmas proprieda-
des em toda sua extensão.

3º) O sistema água + gelo é substância


pura, porém é heterogêneo, já que gelo
e água possuem superfície de separa-
ção, o que indica mudança de fase.

4º) O sistema água + óleo é mistura, sen-


do heterogênea devido à mudança de
propriedades.

4.  Fenômenos 5. Separação de Misturas


Chamamos fenômeno a toda alteração Heterogêneas
sofrida por um sistema (que é uma porção do Para a separação de misturas heterogê-
universo limitada para o estudo). Os fenô- neas, utilizamos processos mecânicos. Nor-
menos podem ser: malmente, esses processos não exigem mu-
dança de estado físico.
4.1. Fenômeno Físico
É a transformação que não altera a identi- 5.1. Sifonação
dade química da substância (ponto de fusão, É um processo usado para separar as fa-
ses da mistura heterogênea sólido/líquido e
ponto de ebulição, densidade, etc.).
líquido/líquido.

Capítulo 01. Propriedades da Matéria PV2D-06-QUI-21 13


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5.4. Filtração Simples


É o processo de separação das fases de
uma mistura heterogênea (sólido-líquido ou
sólido-gasoso) por meio de uma superfície
porosa denominada filtro. Este retém a fase
sólida em sua superfície, permitindo somen-
te a passagem da fase líquida ou gasosa.
1º Exemplo: água e areia.
A areia fica retida no papel de filtro e é
denominada resíduo. A água que atravessa o
filtro é o filtrado.

5.2. Flotação
É um processo usado para separar as fa-
ses da mistura entre dois sólidos.
Consiste em adicionar à mistura a ser des-
dobrada um líquido que não reaja e não dis-
solva nenhum dos componentes e que tenha
densidade intermediária à dos mesmos. A fase
de menor densidade flutua e a de maior densi-
2º Exemplo: sólido e gás.
dade sedimenta.
A mistura é lançada sobre um filtro, o qual
permite somente a passagem do componente
gasoso.

5.3. Levigação
É um processo usado para separar as fases
da mistura entre dois sólidos. É utilizado quan-
do os componentes da mistura apresentam
densidades diferentes, sendo que o de menor
densidade é arrastado por uma corrente de lí-
quido. É utilizado pelos garimpeiros para sepa-
rar o ouro do cascalho.

14 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 01. Propriedades da Matéria


Química Geral 2

5.5 Filtração à Pressão Reduzida


ou Filtração a Vácuo
É utilizada para acelerar o processo de fil-
tração quando a mistura sólido-líquida é
muito pastosa (como é o caso da mistura água
e farinha de trigo) ou quando o líquido tem
alta viscosidade.

5.8. Decantação
É o processo usado para separar as fases
de misturas heterogêneas constituídas por
um sólido e um líquido, por líquidos imiscí-
veis (não se misturam) ou por sólido em um gás.
Exemplo 1: mistura água/areia

A trompa d’água produz rarefação do ar


no interior do kitassato, fazendo com que o
líquido do funil de Büchner seja sugado, atra-
vessando rapidamente o papel de filtro, ace- Ao deixarmos a mistura heterogênea sólido-
lerando assim a filtração. líquido em repouso, lentamente o componente
sólido (mais denso), pela ação da gravidade,
5.6. Dissolução Fracionada deposita-se no fundo do frasco, ocorrendo a
É um processo utilizado para separar dois sedimentação. Quando a sedimentação do
ou mais sólidos. Consiste em tratar a mistu- componente sólido for completa, inclina-se o
ra com um solvente que dissolva apenas um recipiente para escoar a fase líquida (decantação).
dos componentes. Em seguida filtra-se e, por
evaporação do solvente, recupera-se o com-
ponente sólido dissolvido.
Exemplo: sal e areia

5.7. Separação Magnética


É o processo utilizado para separar mis-
turas sólido-sólido, quando um dos compo-
nentes é atraído por um ímã.
Exemplo: mistura de limalha de ferro e
enxofre.

Capítulo 01. Propriedades da Matéria PV2D-06-QUI-21 15


Química Geral 2

A mistura é deixada em repouso dentro do fu-


nil. O líquido mais denso fica embaixo. Em se-
guida abrimos a torneira, deixando escoar o
líquido de maior densidade. Quando a super-
fície de separação atinge a torneira, esta é fe-
chada, separando assim as duas fases.
Exemplo 3: gás + poeira

Câmara de poeira

Corresponde a um sistema com duas aber-


Podemos acelerar a sedimentação fazen- turas onde a mistura é introduzida num sis-
do uso de uma centrífuga (figura anterior). Em tema em zigue-zague, onde as partículas só-
laboratórios clínicos, a parte sólida do san- lidas ao encontrarem os obstáculos perdem
gue (hemácias, plaquetas e glóbulos brancos) velocidade depositando-se no fundo do reci-
é separada da parte líquida (soro ou plasma) piente.
através de centrífugas. Nela, o sangue gira em
alta velocidade e o material mais denso se de- 6. Separação de Misturas
posita rapidamente.
Exemplo 2: água e óleo
Homogêneas
Para a separação de misturas homogêneas,
utilizamos processos físicos. É necessária a
mudança de estado, para que ocorra a sepa-
ração dos componentes da mistura.

6.1. Destilação
É o método de separação dos componentes
de uma mistura homogênea, constituída por
sólido e líquido, líquido e líquido, gás e gás.

I. Destilação Simples
É utilizada para separar os componentes
de uma mistura homogênea constituída de
um sólido e um líquido.
Exemplo: água e sal
A solução entra em ebulição no balão, mas
Para separar (decantar) dois ou mais líqui- somente o líquido vaporiza-se e caminha pelo
dos imiscíveis de densidades diferentes, utili- condensador. Ao entrar em contato com as
zamos o funil de decantação ou funil de bromo, paredes frias, condensa-se, voltando ao esta-
ou ainda funil de separação (figura anterior). do líquido (figura seguinte).

16 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 01. Propriedades da Matéria


Química Geral 2

Observação – Para separarmos os compo-


nentes do ar atmosférico, liquefazemos a
mistura gasosa (por diminuição da tem-
peratura e aumento da pressão) e, em se-
guida, destilamo-la. O componente de me-
nor ponto de ebulição será destilado em
primeiro lugar.

6.2. Extração
É utilizada para separar os componentes
de uma mistura homogênea ou heterogênea.
A separação ocorre em função da diferença
de solubilidade, em um determinado líquido,
dos componentes da mistura. É utilizada
para a extração da clorofila nos vegetais, para
II. Destilação Fracionada separar substâncias oleosas na indústria de
perfumes (extração de essências).
É utilizada para separar os componen-
tes de uma mistura homogênea constituí-
da por dois ou mais líquidos. Por aqueci-
7. Constituição da Matéria
mento da solução, os líquidos vão se desti- A curiosidade do homem em relação à
lando à medida que se vaporizam. Quanto constituição da matéria é bastante antiga.
Alguns filósofos gregos já achavam, há séculos,
maior for a diferença entre os pontos de
que a matéria poderia ser dividida em pedaços
ebulição dos componentes, mais fácil será cada vez menores, até que se atingisse uma
sua separação. Para aumentarmos o grau de partícula extremamente pequena que não
pureza do destilado, utilizamos a coluna de poderia mais ser dividida.A estas partículas eles
fracionamento. No topo da coluna sai o líqui- deram o nome de átomos (a = não; tomo = parte).
do mais volátil (menor ponto de ebulição) com Porém, foi só no final do século XVIII e começo do
alto grau de pureza. século XIX, que os cientistas passaram a
aceitar definitivamente a existência do átomo.

7.1. Modelo de Dalton


Em 1808, John Dalton imaginou a seguin-
te hipótese, que, mais tarde, foi chamada de
Teoria Atômica de Dalton.
I) Todo tipo de matéria é formado por par-
tículas extremamente pequenas chamadas
átomos. Estes átomos não podem ser dividi-
dos e nem transformados em outros átomos.
II) Elemento químico é um conjunto de
átomos quimicamente iguais (possuem a mes-
ma identidade química) e, portanto, átomos
de um mesmo elemento químico possuem a
mesma massa, o mesmo tamanho e as
mesmas propriedades. Átomos de elementos
químicos diferentes possuem propriedades,
massas e tamanhos diferentes.

Capítulo 01. Propriedades da Matéria PV2D-06-QUI-21 17


Química Geral 2

Cada elemento químico recebe um nome e as mesmas propriedades, em toda a sua exten-
um símbolo, que é formado pela letra inicial são, sugere que ela seja constituída de unidades
(de fôrma e maiúscula) de seu nome. No caso estruturais iguais. Esta unidade estrutural bá-
de elementos com a mesma inicial acrescen- sica que identifica uma substância é a molécula.
ta-se uma segunda letra, minúscula. O sím- No caso do hidrogênio, ele é constituído
bolo é usado universalmente, o que facilita de moléculas H2. É impossível decompor a
enormemente a comunicação entre os cien- substância hidrogênio em substâncias mais
tistas. O nome não é universal. simples,daí podemos chamá-la pura simples.
Existem atualmente cerca de 109 elemen- Exemplo 2: a substância pura água.
tos químicos diferentes que, combinados en- A água, representada por moléculas do
tre si, são responsáveis pela grande varieda- tipo H2O, que se retém em toda a sua exten-
de de materiais encontrados. Veja alguns são,justifica assim o fato de possuir as mes-
exemplos de elementos a seguir: mas propriedades conforme verificado expe-
rimentalmente.
Porém, quando submetida à eletrólise, a
água pode ser decomposta em hidrogênio,
(H2) e oxigênio (O2) e, por esta razão, é uma
substância pura composta ou um composto.
Um composto é constituído pela combinação
de dois ou mais elementos químicos.
Compostos podem ser identificados por
nomes e fórmulas.
Conclusão: quando a matéria é formada
por átomos de um único elemento químico,
Através do modelo de Dalton podemos temos a substância simples (H2, O3, N2, etc.).
entender por que uma substância pura pode Quando a matéria é formada por átomos de
ser simples ou composta. dois ou mais elementos químicos, temos a
Exemplo 1: a substância pura hidrogênio. substância composta, ou, simplesmente, com-
O fato de uma substância pura apresentar posto químico (SO2 , Na2CO3 , H2O, etc.).

Exemplo

7.2. Alotropia
É a propriedade que alguns elementos pos- Alótropos possuem propriedades quími-
suem de formar substâncias simples diferentes. cas iguais, ou seja, reagem da mesma forma.
Constituem exemplos de elementos que Já as propriedades físicas dos alótropos são
apresentam variedades alotrópicas: o carbo- diferentes.
no, oxigênio, fósforo e enxofre.

18 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 01. Propriedades da Matéria


Química Geral 2

As variedades alotrópicas podem diferir Numa reação química, o total de átomos


umas das outras em relação à atomicidade do lado do reagente é igual ao total do lado do
(número de átomos que formam a molécula) produto.
ou quanto à organização de átomos na estru-
tura (arranjo cristalino). II. Balanceamento das Equações
Acertar os coeficientes ou balancear uma
a) Carbono
equação química significa igualar os átomos
12123456789
1  que se encontram nos reagentes com os áto-

3 53 3 6789
1  mos que se encontram nos produtos.
Vamos discutir um primeiro método cha-
n = número muito grande e indeterminado. mado de direto ou “por tentativas” e, mais
A diferença entre Cgr e Cd está no arranjo tarde, discutiremos o método da oxirredução.
cristalino. Consideremos a seguinte equação:
O Cgr é menos energético que o Cd, logo,
CH4 + O2 → CO2 + H2O
é mais estável.
b) Oxigênio Para iniciarmos o balanceamento, deve-
mos procurar o elemento que se encontra
12123456317819
97  1 uma única vez nos reagentes e produtos (car-
31 6317 
2
bono e hidrogênio).
Selecionar o elemento que possui maior
A diferença entre O2 e O3 está na atomicidade. índice (hidrogênio)
O2 é menos energético que O3, logo, é mais
estável.
c) Fósforo
131231454678598
46 1  O índice do elemento do reagente
torna-se coeficiente da substância em que se
23 9368378
 encontra esse mesmo elemento nos produtos
41231454654 2  e vice-versa.
Prosseguir o balanceamento, igualando as
d) Enxofre quantidades dos demais elementos.
1312345617α 48769
47 1  2 CH4 + 4 O2 → 2 CO2 + 4 H2O
23
 711 Se necessário, simplifique os coeficientes,
412345617β7487
424 2 41  exprimindo com os menores números intei-
ros possíveis.
7.3. Balanceamento das Equações: CH4 + 2 O2 → CO2 + 2 H2O
Método das Tentativas
I. Equação Química
É a maneira utilizada para representar-
mos a reação química. Usamos símbolos e
fórmulas:

Capítulo 01. Propriedades da Matéria PV2D-06-QUI-21 19


Química Geral 2

Capítulo 02. Teoria Atômico-Molecular


1. Massa Atômica O quilograma (kg) é uma unidade prática,
mas nem sempre é adequada para uma de-
1.1. Introdução terminada situação, como para indicar a
massa de um grão de areia, em que o padrão
As grandezas utilizadas pelos químicos
conveniente seria o miligrama (mg), ou mes-
relacionam as quantidades ou substâncias
mo de um navio, em que a tonelada (ton) se-
expressas em massa, volume, número de áto-
ria o padrão mais adequado; mas nenhum
mos, número de moléculas, número de íons e,
desses padrões citados seria utilizado para
principalmente, quantidades expressas em
medir a massa de um átomo.
mols que, atualmente, são as de maior im-
portância na Química moderna. Átomos individuais são muito pequenos
para serem vistos e muito menos pesados.
1.2. Importância Porém, é possível determinar as massas re-
A importância das grandezas químicas é lativas de átomos diferentes, quer dizer, po-
determinar na prática a quantidade das subs- demos determinar a massa de um átomo
tâncias químicas envolvidas em uma reação comparando com um átomo de outro elemen-
química. to utilizado como padrão.
Em 1961, na Conferência da União Inter-
1.3. Unidade de Massa Atômica nacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC),
A medida de uma grandeza é feita por com- adotou-se como padrão de massas atômicas
paração com uma grandeza padrão conveni- o isótopo 12 do elemento carbono (12C), ao
entemente escolhida. Desta forma, a medida qual se convencionou atribuir o valor exato
de massa de um corpo é feita comparando-se de 12 unidades de massa atômica.
a massa de um determinado corpo com a massa Uma unidade de massa atômica (1 u)
de um padrão adequadamente escolhido.
1
Para medir a massa do seu corpo, utiliza- corresponde desta forma a de massa de
12
se o quilograma (kg). Por exemplo, se você diz
um átomo de isótopo 12 do carbono.
pesar 65 kg, isto significa que você é 65 vezes
mais pesado que a unidade escolhida (1 kg). Portanto:

O valor de 1 u é de 1,66 · 10–24 g, o que


corresponde aproximadamente à massa de
um próton ou de um nêutron.

20 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 02. Teoria Atômico-Molecular


Química Geral 2

1.4. Massa Atômica (MA) Sendo assim, a massa atômica de um ele-


Massa atômica é o número que indica mento hipotético A, constituído dos isótopos
quantas vezes a massa de um átomo de um naturais A1, A2, ...., An, pode ser calculada por:
determinado elemento é mais pesada que 1u, 2 2 ⋅ 52 + 2 3 ⋅ 5 3 + 1 + 2 4 ⋅ 5 4
12 1 =
1 344
ou seja, do átomo de 12C.
12 Exemplo
Comparando-se a massa de um átomo de Quando dizemos que a massa atômica do
um determinado elemento com a unidade de elemento cloro é 35,5 u, concluímos que:
massa atômica (1u), obtém-se a massa desse
– cada átomo do elemento cloro pesa em
átomo.
média 35,5 u;
Exemplo
Quando dizemos que a massa atômica do – cada átomo do elemento cloro pesa em
átomo de 32S é igual a 32 u, concluímos que: 1
– a massa atômica de um átomo de 32S é média 35,5 vezes mais que da massa do C-12.
12
igual a 32 u;
– a massa atômica de um átomo de 32S é 2. Massa Molecular
1 Os átomos reúnem-se para formar molé-
igual a 32 vezes a massa de do átomo de culas. A massa dessas moléculas é a soma das
12
massas atômicas dos átomos constituintes.
C-12.
– a massa de um átomo de 32S é igual a Como essas moléculas são formadas por
2,7 vezes a massa de um átomo de C-12. um grupo de átomos ligados entre si, o padrão
usado como base para relacionar as massas
1.5. Massa Atômica de um Elemento dessas moléculas é o mesmo usado para os
A maioria dos elementos apresenta átomos: a unidade de massa atômica (u).
isótopos. O cloro, por exemplo, é constituído Portanto:
por uma mistura de 2 isótopos de massas atô-
micas, respectivamente, 35 e 37. Massa Molecular é a soma das massas atômi-
cas dos átomos que constituem a molécula.
1234456278
13 34
12 
→  ou ainda...
9
6 32
3432 Massa Molecular é o número que indica
33 quantas vezes a massa de uma molécula é
4 32
12 
→ 
1
A massa atômica do cloro é dada pela mais pesada que 1 u, ou seja, do átomo
12
média ponderada das massas isotópicas: de C-12.
45 ⋅ 65 + 46 ⋅ 75 Exemplo
1212 = = 45
59 3
899 Quando dizemos que a massa molecular
da água H2O é 18 u, concluímos que:
Portanto: • a massa de uma molécula H2O é igual a
Massa atômica de um elemento é a mé- 18 u;
dia ponderada das massas atômicas dos • a massa de uma molécula H2O é 18 vezes mais
isótopos naturais desse elemento. 1
pesada que do átomo de carbono-12;
12
• a massa de uma molécula de água é 1,5
vezes mais pesada que um átomo de C-12.

Capítulo 02. Teoria atômico-Molecular PV2D-06-QUI-21 21


Química Geral 2

Observação – Os compostos iônicos são Portanto:


denominados de massa-fórmula.
Mol é uma quantidade de 6,02 · 1023 partí-
Por exemplo: NaCl ⇒ MF = 58,5 u
culas quaisquer.
Por comodidade, utilizamos massa mole-
cular tanto para os compostos moleculares Sendo que, por exemplo:
como para os iônicos. • 1 mol de laranjas contém → 6,02 · 1023 la-
ranjas.
3. Constante de Avogadro (N) • 1 mol de moedas contém → 6,02 · 1023
moedas.
Sejam as seguintes amostras: 12 g de car- • 1 mol de átomos contém → 6,02 · 1023 áto-
bono, 27 g de alumínio e 40 g de cálcio. Expe- mos.
rimentalmente verifica-se que o número de • 1 mol de moléculas contém → 6,02 · 1023
átomos N, existentes em cada uma das amos- moléculas.
tras, é o mesmo, embora elas possuam mas- • 1 mol de íons contém → 6,02 · 1023 íons.
sas diferentes. Porém, quantos átomos exis- • 1 mol de elétrons contém → 6,02 · 1023
tem em cada uma dessas amostras? Várias elétrons, etc.
experiências foram realizadas para determi-
nar esse número conhecido como número de 5. Massa Molar
Avogadro (N) e o valor encontrado é igual a:
5.1. Massa Molar de um
6,02 · 1023
Elemento
Assim, o número de Avogadro é o número A massa molar de um elemento é a massa em
de átomos em x gramas de qualquer elemen- gramas de 1 mol de átomos, ou seja, 6,02 · 1023
to, sendo x a massa atômica do elemento, por- átomos desse elemento. A massa molar de um
tanto existem: elemento é numericamente igual à sua massa
atômica expressa em gramas.
• 6,02 · 1023 átomos de C em 12 g de C Exemplo
(MAC = 12 u) Al (MA = 27 u)
• 6,02 · 1023 átomos de Al em 27 g de Al
(MAAl = 27 u)
• 6,02 · 1023 átomos de Ca em 40 g de Ca
(MACa = 40 u)

4. Conceito de Mol
5.2. Massa Molar de uma Substância
Segundo a União Internacional da Quími-
A massa molar de uma substância é a
ca Pura e Aplicada (IUPAC), mol é a quanti- massa em gramas de 1 mol de moléculas da
dade de matéria que contém tantas entida- referida substância. A massa molar de uma
des elementares quantos são os átomos de substância é numericamente igual à sua mas-
carbono-12 contidos em 0,012 kg do C-12. sa molecular expressa em gramas.
Constante de Avogadro é o número de Exemplos
átomos de C-12 contidos em 0,012 kg de C-12 a) CO2 (MAC = 12 u; MAO = 16 u)
e seu valor é 6,02 · 1023 mol–1. MM = 1 · 12 + 2 · 16
MM = 12 + 32 = 44 u

22 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 02. Teoria Atômico-Molecular


Química Geral 2

5.4. Quantidade de Matéria ou


Quantidade em Mols (n)
Exemplo 1
Quantos mols de átomos correspondem a
280 g de ferro?
(Dado: MAFe = 56 u)

b) NaCl (MANa = 23; MACl = 35,5) Resolução


MM = 1 · 23 + 1 · 35,5 1 mol de átomos de Fe 56 g
MM = 23 + 35,5 = 58,5 u n 280 g

123
n= = 5 mols de átomos de Fe
45

Exemplo 2
Quantos mols de moléculas correspondem
a 88 g de dióxido de carbono (CO2)?
(Dado: MAC = 12; MAO = 16)

5.3. Massa Molar de um Íon Resolução


A massa molar de um íon é a massa de 1 1 mol de moléculas de CO2 44 g
mol de íons em gramas que é numericamente
n 88 g
igual à massa de íon expressa em gramas.
Exemplo 11
n= = 2 mols de moléculas de CO2
12 21− 34563 = 78
356 4 = 79 22
Concluímos, portanto, que estes cálculos
podem ser generalizados pela fórmula:
2
1=
23443526738

em que :
• n = quantidade em mols
• m = massa em gramas
• massa molar em gramas / mol

Capítulo 02. Teoria atômico-Molecular PV2D-06-QUI-21 23


Química Geral 2

Capítulo 03. Gases


1. Transformações Gasosas III. Pressão
A pressão é definida como força por uni-
dade de área. No estado gasoso, a pressão é o
1.1 Introdução
resultado do choque de suas moléculas con-
Todo gás é constituído de partículas (mo-
tra as paredes do recipiente que as contém.
léculas) que estão em contínuo movimento
desordenado. Esse movimento de um grande A medida da pressão de um gás é feita atra-
vés de um aparelho chamado manômetro.
número de moléculas provoca colisões entre
elas e, por isso, sua trajetória não é retilínea As unidades de pressão usuais são:
num espaço apreciável, mas sim caminham Atmosfera (atm), centímetros de mercú-
em ziguezague. Essas colisões podem ser con- rio (cmHg), milímetros de mercúrio (mmHg);
sideradas perfeitamente elásticas. torricelli (torr).
O estado em que se apresenta um gás, sob o 1 atm = 76 cmHg
ponto de vista microscópico, é caracterizado 1 atm = 760 mmHg
por três variáveis: pressão, volume e tempera- 1 mmHg = 1 torr
tura. São denominadas variáveis de estado.
1.2. Leis Físicas dos Gases
I. Volume Uma dada massa de gás sofre uma trans-
O volume de qualquer substância é o es- formação quando ocorrem variações nas suas
paço ocupado por esta substância. No caso variáveis de estado. Começamos o estudo
dos gases, o volume de uma dada amostra é modificando-se apenas duas das grandezas
igual ao volume do recipiente que a contém. e a outra se mantém constante.
As unidades usuais de volume são: litro I. Lei de Boyle-Mariotte
(L), mililitro (mL), metro cúbico (m3), decíme- “À temperatura constante, uma determi-
tro cúbico (dm3) e centímetro cúbico (cm3). nada massa de gás ocupa um volume inver-
1 m3 = 1.000 dm3 samente proporcional à pressão exercida so-
bre ele”.
1 dm3 = 1 L
Esta transformação gasosa, onde a tem-
1 dm3 = 1.000 cm3 peratura é mantida constante, é chamada de
transformação isotérmica.
1 cm3 = 1 mL
Experiência da Lei de Boyle-Mariotte
II. Temperatura
É a medida do grau de agitação térmica das
partículas que constituem uma substância.
No estudo dos gases, é utilizada a escala
absoluta ou kelvin (K) e, no Brasil, a escala
usual é a Celsius ou centígrada (°C). Portan-
to, para transformar graus Celsius (t) em
kelvin, temos:

T = t + 273

24 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 03. Gases


Química Geral 2

A lei de Boyle-Mariotte pode ser repre- Graficamente, encontramos:


sentada por um gráfico pressão-volume.
Neste gráfico, as abscissas representam a
pressão de um gás, e as ordenadas, o volume
ocupado.

A reta obtida é representada pela equação:


A curva obtida é uma hipérbole, cuja
V = (constante) · T ou
equação representativa é P.V = constante.
Portanto, podemos representar: 1
= constante
2
P1 · V1 = P2 · V2
Concluindo, temos
II. Lei de Charles/Gay-Lussac 11 12
“À pressão constante, o volume ocupa- =
21 22
do por uma massa fixa de gás é diretamen-
te proporcional à temperatura absoluta.”
III. Lei de Charles/Gay-Lussac
Esta transformação gasosa, onde a pres- “A volume constante, a pressão exercida
são é mantida constante, é chamada de por uma determinada massa fixa de gás é di-
transformação isobárica. retamente proporcional à temperatura ab-
As relações entre volume e temperatura soluta”.
podem ser representadas pelo esquema: Esta transformação gasosa, onde o volu-
me é mantido constante, é denominada de
transformação isocórica, isométrica ou
isovolumétrica.
As relações entre pressão e temperatura
são representadas a seguir:

Capítulo 03. Gases PV2D-06-QUI-21 25


Química Geral 2

Graficamente, encontramos: Ela é obtida por meio da relação matemá-


tica entre as transformações gasosas estuda-
das anteriormente.
A equação é expressa por:

112 2
3 45678968
⇒ 123245676389
252
3 82 24 9 24564 

11 12 121 12 12 122
ou 3
31 32

3. Condições Normais de
A reta obtida é representada pela equação: Temperatura e Pressão
P = (constante) · T ou
1
(CNTP, CN ou TPN)
= constante São definidas como condições normais de
2
temperatura e pressão quando o gás é sub-
Concluindo, temos:
metido a uma pressão de 1 atm e à tempera-
11 12 tura de 0 °C. Portanto, podemos colocar:
=
21 22 P = 1 atm = 760 mmHg
T = 0 °C = 273 K
1.3. Gás Perfeito ou Ideal
Obedece rigorosamente às Leis Físicas dos 4. Lei de Avogadro
Gases em quaisquer condições de tempera-
“Volumes iguais de gases quaisquer, à
tura e pressão.
mesma temperatura e pressão, encerram o
1.4. Gás Real mesmo número de moléculas”.
Não segue o comportamento do gás ideal,
principalmente em pressões muito altas e/ou
em temperaturas baixas, porque ocorre alta
redução de volume e as partículas, muito pró-
ximas, passam a interferir umas no movi-
mento das outras.
Um gás real aproxima-se do comporta-
mento de um gás ideal à medida que diminui Sendo n a quantidade em mols de cada
a pressão e aumenta a temperatura. gás, podemos concluir:
1 2 1 = 13 2 = 1 45
2. Equação Geral dos Gases
Esta equação é utilizada quando ocorre
transformação gasosa em que as três variá- 5. Volume Molar
veis de estado (P, V e T) se modificam simul- Corresponde ao volume ocupado por 1
taneamente. mol de qualquer gás, em determinadas con-
dições de temperatura e pressão.

26 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 03. Gases


Química Geral 2

Determinou-se experimentalmente o volu- A constante R pode assumir vários valo-


me ocupado por 1 mol de qualquer gás nas CNTP res dentre os quais destacamos:
e foi encontrado o valor aproximadamente igual
a 22,4 L. Portanto, podemos dizer que: R = 0,082 atm · L · mol–1 · K–1

Volume molar nas CNTP = 22,4 L/mol e

R = 62,3 mmHg · L · mol–1 · K–1

6. Equação de Clapeyron
As leis de Boyle e Charles/Gay-Lussac 7. Densidade dos Gases
podem ser combinadas com a lei de Avogadro A densidade gasosa pode ser trabalhada
para relacionar volume, pressão, temperatu- sob duas formas: a densidade absoluta e a
ra e quantidade em mols de um gás. densidade relativa.
Tal relação é chamada de equação de esta-
do de um gás. Ela pode ser encontrada das 7.1. Densidade Absoluta
seguintes formas: A densidade absoluta é uma relação entre a
massa e o volume ocupado por um gás, em deter-
I. Lei de Boyle-Mariotte minadas condições de temperatura e pressão:
1 2
V é proporcional a quando T e n são 1=
1 3
constantes.
Esta densidade pode ser encontrada, le-
II. Lei de Charles/Gay-Lussac vando-se em consideração a pressão e a tem-
V é proporcional a T onde P e n são cons- peratura absoluta, partindo-se da equação de
tantes. estado do gás ideal:
P é proporcional a T onde V e n são cons- P·V=n·R·T
tantes.
3
1 ⋅2 = ⋅ 5 ⋅6
III. Lei de Avogadro 4
V é proporcional a n quando T e P são cons-
3
tantes. Agrupando as quatro expressões en- 1⋅2 = ⋅ 5 ⋅6
contramos: 4

1 1 3 ⋅ 52 6 ⋅ 536 2
como 1 =
V é proporcional a 2 14 ou 3

1 1 3 ⋅ 54 6 ⋅ 556 , onde R representa a P·M=d·R·T


1 = 2⋅
2 34 d=
P⋅M
constante de proporcionalidade e é chamada R⋅T
de constante universal dos gases. A equação A unidade utilizada é o g/L.
de estado pode então ser representada por:
Trabalhando-se nas CNTP (P = 1 atm e
P·V=n·R·T T = 273 K), encontramos a seguinte equação:
Esta equação também é denominada de 1⋅ 2
1=
equação de Clapeyron, em homenagem ao fí- 2 7234 ⋅ 456
sico francês que a determinou.
M
d=
22, 4

Capítulo 03. Gases PV2D-06-QUI-21 27


Química Geral 2

7.2. Densidade Relativa 8.1. Equação de Estado


A densidade relativa é encontrada atra-
P · V = Σn · R · T
vés da relação entre as densidades absolutas
de dois gases, medidas nas mesmas condi- Em que:
ções de temperatura e pressão.
131 2 134556789
8 5 3

11 =
2 ⋅ 31
11
2 ⋅ 31 32 2 7 489
8 5 3

4 ⋅5
2 ⋅ 32
= 4 ⋅5
12 2 ⋅ 32 33 2 4 43
3
89
8 5 3

12 =
4 ⋅5 4 ⋅5 4Σ  = 
 9
9484 8 7589
8 5 3

d1 M1 1
= Não esquecer que n = , portanto a mis-
d2 M2 ou 2
tura apresentada fica:
M
d1, 2 = 1 2 11 2 23
M2 1 11 = 4541 23 =
3 11 3 23

Esta relação indica quantas vezes um gás Para uma mistura gasosa qualquer, a
é mais denso ou menos denso que outro gás. quantidade em mols fica:
Por exemplo, uma bexiga com gás hidrogênio
Σ n = 1 12 + 1 3 2 1 4 +1
mantém-se suspensa no ar porque o gás
hidrogênio é menos denso que o ar.
8.2. Equação Geral
Partindo de:
8. Mistura Gasosa
1 1 1 + 1 23 = Σ 1
A mistura entre dois ou mais gases sem-
pre constitui um sistema homogêneo. e sabendo que:
Consideremos inicialmente dois recipien-
tes contendo, o primeiro, gás nitrogênio (N2) 1311 ⋅ 21 3 41 ⋅ 5 ⋅ 61 78949
9
23123 ⋅ 223 3 423 ⋅ 5 ⋅ 62378949
9
1 1 1 1

e o segundo, gás hélio (He). Os dois gases são


misturados em um terceiro recipiente, con-
forme o esquema representado abaixo. 41 ⋅ 2 3 ∑ 4 ⋅ 5 ⋅ 6789
A soma das quantidades em mols fica:
111 ⋅ 21 1 1 ⋅2 1⋅2
5 6 23 23 =
3 ⋅ 41 1 3 ⋅ 423 3⋅4
Podemos representar a equação geral para
mistura gasosa:

11 1 ⋅ 21 1 1 ⋅2 1⋅2
4 5 23 23 =
31 1 323 3

Para a mistura gasosa, é possível estabe-


lecermos as seguintes relações:

28 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 03. Gases


Química Geral 2

Para a equação representada, utilizamos Utilizando a equação de estado, temos:


a mistura de dois gases, portanto, para uma
mistura qualquer, contendo mais de dois ga- 1
1213145 61 1 ⋅ 71 1 = 2 1 1 ⋅ 8 ⋅ 91 1
ses, a equação fica assim representada:
1
1234567 8 1 1 ⋅ 9 =
1 1 ⋅ ⋅
11 ⋅ 21 1 ⋅2 1⋅2 Estabelecendo a igualdade:
4 2 2 =
31 32 3
onde 112 231 4 251 4 213 4 233 4 253 4 2 … representam
a situação inicial de cada gás.
Para o hélio, a equação fica:
8.3. Pressão Parcial 112 ⋅ 212 4 12 ⋅ 2
=
Utilizando o mesmo esquema anterior, 312 3
temos: c) Relação entre pressão da mistura gaso-
sa e pressão parcial.
Inicialmente, definimos uma forma de con-
centração, denominada de fração molar (x).
A fração molar corresponde a razão entre
a quantidade em mols do gás presente na
mistura e a quantidade total, em mols, de gás.
Portanto, a equação fica:
2 11 2
1 11 = 3 1 23 = 23
Σ2 Σ2

A pressão da mistura gasosa (P) corres- 131234526577892839




ponde à soma das pressões exercidas pelo 312 52 3 22 2
em que x 2128 3
52 6 7752 265 3 
hélio e pelo nitrogênio dentro do recipiente.
A pressão que cada gás exerce na mistura 33222 22
3593
52
225 
gasosa é chamada de pressão parcial. Por- 412 1 +  23 = 
1

tanto, podemos enunciar a lei de Dalton (das Para estabelecer a relação entre as pres-
pressões parciais) que diz: a pressão total sões, recorremos à equação de estado:
corresponde à soma das pressões parciais dos pHe · V = nHe · R · T (pressão parcial)
gases componentes da mistura gasosa.
1 ⋅ 2 3 Σ4 ⋅ 5 ⋅ 6 (mistura gasosa)
1 = 2 12 + 2 31 Dividindo uma equação pela outra:
Para o cálculo da pressão parcial pode-
1 12 ⋅ 2 4 12 ⋅ 5 ⋅ 6
mos utilizar: =
3⋅2 Σ4 ⋅ 5 ⋅ 6
a) Equação de estado
encontramos:
1 11 ⋅ 2 = 3 11 ⋅ 4 ⋅ 5 e 1 12 ⋅ 2 = 3 12 ⋅ 4 ⋅ 5 1 12 3 12 1 12
= ou = 112
onde V e T são da mistura gasosa. 2 Σ1 2
b) Equação geral Finalmente: pHe = P · xHe
Como a quantidade em mols de cada gás Para o nitrogênio: 1 11 = 2 ⋅ 111
não varia, podemos escrever:

1 1
1 11 = 1 11
2345467 849
6

Capítulo 03. Gases PV2D-06-QUI-21 29


Química Geral 2

Capítulo 04. Leis Ponderais


No final do século XVIII, a Química se 1234567689
123456789
8 1234356
firma como “ciência”, principalmente devido ⇒ 1
3 33 49 864 1 541 7894
97
aos experimentos e observações de cientistas,
como Lavoisier, Proust e Dalton. Esses 1234567689
1234567898
123245
experimentos foram realizados com base nas ⇒ 1
3 3 3 49 864 1
541 67839
86
observações das massas das substâncias que
participavam dos fenômenos químicos, daí o 1234567689
1234567898
1234356
nome Leis Ponderais. ⇒ 1
3 33 49 864 1
541 7894
97
1. Lei de Lavoisier
(Lei da Conservação das Massas) Assim, Proust concluiu que: Independente-
mente da origem de uma determinada substância pura,
Antoine Laurent Lavoisier foi o primeiro ela é sempre formada pelos mesmos elementos químicos,
cientista a dar conotação científica à Quími- combinados entre si na mesma proporção em massa.
ca. No final do século XVIII, ele fazia experi-
ências nas quais se preocupava em medir a
massa total de um sistema, antes e depois de Uma das conseqüências da lei de Proust é
ocorrer a transformação química. a composição centesimal das substâncias, que
indica a porcentagem, em massa, de cada ele-
mento que constitui a substância.
Exemplo
1234567825 9 5
267825 → 6 Exemplo
13333233334 124
1234333333333333333335234 6234 No caso da água, temos:
12332 45426 27483 12332 4542623 90 g de água fornece 10 g de hidrogênio e
924
273 5
2 5   24
273 5
2 5   80 g de oxigênio.

Através da análise dos dados obtidos em


123453678
12
258  7
6 6
várias experiências, chegou à conclusão que:
96
4 8 
767
6 6 3
258  
Num sistema fechado, a massa total das substân-
cias, antes da transformação química, é igual à massa x = 11,11% de hidrogênio
total após a transformação ou Na natureza nada se
perde, nada se cria, tudo se transforma.
1234536 78
12
258  6 6
2.Lei de Proust 96
4 8 
76 6 6 3
258  
(Lei das Proporções Fixas ou Definidas)
x = 88,88% de oxigênio
Proust se preocupava em analisar a com-
posição das substâncias. Trabalhando com
amostras de água de várias procedências Outra conseqüência da lei de Proust é o
(água de chuva, água de rio, água de lago, cálculo estequiométrico.
previamente purificadas), e decompostas por
eletrólise, ele verificou que:

30 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 04. Leis Ponderais


Química Geral 2

Hidrogênio + oxigênio → água Para 10 g de hidrogênio precisamos de 80 g


10 g 80 g 90 g de oxigênio para reagir, em 30 g de hidrogênio
precisamos de 240 g de oxigênio. Logo, a pro-
30 g x
porção, em massa, com que o hidrogênio reage
12 42 com o oxigênio é a mesma nas duas reações.
= ⇒ 5 6 7829

32 5

Capítulo 04. Leis Ponderais PV2D-06-QUI-21 31


Química Geral 2

Capítulo 05. Determinação de Fórmulas


1. Introdução submetida à análise qualitativa e, em seguida, à
análise quantitativa, revelou:
Quando um químico se depara com um
material desconhecido, por exemplo, uma
amostra de uma pedra lunar ou de um
meteorito, ou ainda de uma matéria encon-
trada em uma caverna que está sendo explo-
rada, ele procura, através de diversas técni-
cas físicas e químicas, encontrar a composi-
ção desse material.
A primeira providência é fazer a análise
imediata do material, isto é, separar através Prosseguindo com seus métodos analíti-
de processos puramente físicos as diversas cos, chegou à conclusão de que a massa
substâncias presentes na amostra.Esses pro- molecular dessa substância era 180.
cessos baseiam-se no fato de que o conjunto Com base nesses dados, o químico já pode
de características, como ponto de fusão, pon- determinar com certeza 3 tipos de fórmula
to de ebulição, densidade, solubilidade, é di- para essa substância: fórmula percentual,
ferente para cada substância e, manejando fórmula mínima e fórmula molecular.
criteriosamente essas diferenças, consegue-
se separá-las uma a uma.
2. Fórmula Percentual ou
Uma vez separadas as diversas substân-
cias da amostra, a próxima providência é fa- Composição Centesimal
zer uma análise elementar de cada uma delas. Para obter a fórmula percentual, basta
A análise elementar divide-se em qualita- calcular a composição centesimal dos elemen-
tiva, cuja finalidade é descobrir os tipos de tos formadores, ou seja, descobrir as percen-
elementos que formam a substância; e quan- tagens em massa de cada elemento.
titativa, que tem por finalidade descobrir a
proporção em que estes elementos aparecem,
ou seja, descobrir a fórmula da substância.
Resumindo, temos:

123 625 523 725


= = =
455 1 2 3

1 = 456 789
 13
23
2 = 6 789 7    8
8  

Suponhamos que o químico submeteu 10,0 g


3 = 6 789  4
de um material inicial à análise imediata e iso- 1 123 2 4563 3 78583
lou 7,5 g de uma substância X. Esta substância,

32 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 05. Determinação de Fórmulas


Química Geral 2

Uma outra maneira de encontrar a fór- A determinação da fórmula mínima de uma


mula percentual é através da fórmula substância pode ser feita de duas maneiras:
molecular da substância. I. A partir das massas dos elementos que
Por exemplo, partindo-se da fórmula se combinam para formar a substância.
molecular do ácido acético (C2H4O2) é possí- Como foi visto no módulo anterior:
vel determinar sua composição centesimal.
Deve-se conhecer também as massas atômi-
cas: H = 1; C = 12; O = 16.
123 45 678
138
 2 
96
9 8 1 3
24 23 
4  2 
2
Portanto, uma molécula de ácido acético, Sabendo-se que 1 = , poderemos fazer
de massa 60 µ , é formada por 24 µ de carbo- 3
no, 4 µ de hidrogênio e 32 µ de oxigênio. O cál- diretamente o cálculo usando as massas ob-
culo da composição centesimal fica: tidas na análise elementar:
60 µ l 100%
24 µ l x 1=
234
= 4367 8 4367 = 5
13
56
33

x = 40% de carbono
60 µ l 100%
9=
437
5
= 437 8 4367 = 6 23

8 19 1

4µ l y 34 33
y = 6,67% de hidrogênio

=
5
= 4367 8 4367 = 5
4
60 µ l 100% Após o cálculo da quantidade em mols,
32 µ l z como não conseguimos os menores números
inteiros possíveis, dividimos todos os núme-
z = 53,33% de oxigênio.
ros pelo menor deles.
Observação – Caso ainda não seja conse-
Concluindo, podemos dizer que em cada guida a seqüência de números inteiros, deve-
100 g de ácido acético encontramos 40 g de mos multiplicar todos os números por um
carbono, 6,67 g de hidrogênio e 53,33 g de oxi- mesmo valor.
gênio.

3. Fórmula Mínima, Empírica II. A partir da composição centesimal

ou Estequiométrica
Indica os elementos que formam a subs- 13
=  9119
tância e a proporção em número de átomos ou 1231456789 1 2 =   9119
em mols de átomos desses elementos expres- 34 =   9119
sa em números inteiros e menores possíveis.

Capítulo 05. Determinação de Fórmulas PV2D-06-QUI-21 33


Química Geral 2

Concluímos que em 100 g da substância


X encontramos: 40 g de carbono, 6,7 g de hi-
4 .Fórmula Molecular
drogênio e 53,3 g de oxigênio. O cálculo da Indica os elementos e o número de átomos
fórmula mínima deve ser feito da seguinte de cada elemento em 1 molécula ou em 1 mol
maneira: de moléculas de substância. Para o cálculo

1=
23
= 6766 8 676 = 4
13 da fórmula molecular é necessário que se co-
nheça inicialmente a massa molecular, que
45
33 no caso é 180, e seguir um dos dois caminhos:
9=

7
4
=
7 8 676 = 5 23 

8 19 1
676 33
=
4

= 6768 676 = 4
4
I. Partindo da fórmula mínima

II. Partindo da composição centesimal

Concluindo, podemos dizer que 1 molécula da substância X é formada por 6 átomos de carbo-
no, 12 átomos de hidrogênio e 6 átomos de oxigênio ou 1 mol de moléculas de X é formada por 6
mols de átomos de carbono, 12 mols de átomos de hidrogênio e 6 mols de átomos de oxigênio.

34 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 05. Determinação de Fórmulas


Química Geral 2

Capítulo 06. Estequiometria


1. Conceito Estéquio: do grego Stoikheion (elemento
ou substância)
É o cálculo das quantidades de reagentes Metria: do grego metron (medida)
e/ou produtos das reações químicas em
mols, em massa, em volume, número de 2. Importância
átomos e moléculas, realizado como conse-
A estequiometria é de extrema importância
qüência da lei de Proust, executado, em ge-
no cotidiano, principalmente nas indústrias ou
ral, com auxílio das equações químicas
laboratórios, pois objetiva calcular teoricamen-
correlatas.
te a quantidade de reagentes a ser usada em uma
A palavra estequiometria é de origem gre- reação, prevendo a quantidade de produtos que
ga e significa medida de uma substância. será obtida em condições preestabelecidas.

3. Revendo Conceitos sobre Relações Básicas


Elementos

1 mol de átomos corresponde à massa atômica expressa em gramas, um número igual a


6,0 · 1023 átomos, que, se forem de um gás e estiverem nas CNTP, ocuparão um volume de 22,4 L.
Substâncias

1 mol de moléculas corresponde à massa molecular expressa em gramas, um número


igual a 6,02 · 1023 moléculas, que, se forem de um gás e estiverem nas CNTP, ocuparão um
volume de 22,4 L.

4. Conduta de Resolução
Na estequiometria, os cálculos serão estabelecidos em função da lei de Proust e Gay-
Lussac, neste caso para reações envolvendo gases e desde que estejam todos nas mesmas
condições de pressão e temperatura.
Em seguida, devemos tomar os coeficientes da reação devidamente balanceados, e, a par-
tir deles, estabelecer a proporção em mols dos elementos ou substâncias da reação.

Capítulo 06. Estequiometria PV2D-06-QUI-21 35


Química Geral 2

Como exemplo podemos citar a reação de combustão do álcool etílico:


1 1 2 2 3 + 3 1 → 13 1 + 2 1 3
Balanceando a equação, ficamos com:

1323
3 456
4 1
12 1 3 2 4 + 54 1 → 624 1 + 53 1 4
7 4568
124 124
1 4568 7 4568

proporção em mols
Estabelecida a proporção em mols, podemos fazer inúmeros cálculos, envolvendo os
reagentes e/ou produtos dessa reação, combinando as relações de várias maneiras.

Para efetuarmos o cálculo estequiométrico, c) relacionar os coeficientes com mols. Te-


vamos obedecer à seguinte seqüência: remos assim uma proporção inicial em mols;
a) escrever a equação envolvida; d) estabelecer entre o dado e a pergunta
b) acertar os coeficientes da equação (ou do problema uma regra de três. Esta regra de
equações); três deve obedecer aos coeficientes da equa-
Observação ção química e poderá ser estabelecida, a par-
Uma equação química só estará correta- tir da proporção em mols, em função da mas-
mente escrita após o acerto dos coeficientes, sa, em volume, número de moléculas, entre
sendo que, após o acerto, ela apresenta signi- outros, conforme dados do problema.
ficado quantitativo.

36 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 06. Estequiometria


Química Geral 2

5. Tipos de Cálculos Equação de estado: P · V = n · R · T


1 · V = 1 · 0,082 · 300
Estequiométricos V = 24,6 L
I. Relação Quantidade em Mols – V. Relação Entre Número de Moléculas
Quantidade em Mols (átomos) e Massa, Quantidade em mols
Os dados do problema e as quantidades ou Volume
incógnitas pedidas são expressos em termos Os dados do problema são expressos em
de quantidade em mols. termos de número de moléculas ou número
de átomos e a quantidade incógnita é pedida
II. Relação entre Quantidade em
em massa, quantidade em mols ou volume.
Mols e Massa
Os dados do problema são expressos em VI. Problemas Envolvendo
termos de quantidade em mols (ou massa) e a mais de uma Reação
quantidade incógnita é pedida em massa (ou Neste caso, devemos escrever todas as re-
quantidade em mols). ações envolvidas no problema e efetuar o
balanceamento. Observa-se, neste caso, que
III. Relação entre Massa e Massa é possível efetuar a soma algébrica dessas
Os dados do problema e as quantidades reações, bastando, para isso, multiplicar ou
incógnitas pedidas são expressos em termos dividir as reações, a fim de cancelarmos as
de massa. substâncias intermediárias e termos, então,
uma única reação.
IV. Relação Entre Massa e Volume
Os dados do problema são expressos em VII. Lei de Gay-Lussac (1808)
termos de massa e a quantidade incógnita é “Os volumes das substâncias gasosas par-
pedida em volume. ticipantes de uma reação química, estando nas
Caso o sistema não se encontrar nas CNTP, mesmas condições de temperatura e pressão,
deve-se calcular a quantidade em mols do gás guardam entre si uma relação constante de
e, a seguir, através da equação de estado, deter- números inteiros e menores possíveis”.
minar o volume correspondente. Por exemplo:
Calcular o volume de CO 2 produzido VIII. Problemas Envolvendo
numa temperatura de 27° e pressão de 1 atm, Reagentes em Excesso
na reação de 16 g de oxigênio com monóxido Quando o exercício fornece quantidades
de carbono. (massa, volume, mols, etc.) de dois reagentes,
Dado: constante universal dos gases: devemos verificar se existe excesso de algum
reagente.
0,082 atm · L · mol–1 · K–1
As quantidades de substâncias que parti-
Resolução
cipam da reação química são sempre propor-
123 123 + 3 4123 ⎯
⎯→ 123 4123
cionais aos coeficientes da equação. Se a quan-
123 1424 3 tidade de reagente estiver fora da proporção
5678 4 6789 → 456465786 indicada pelos coeficientes da equação, rea-
9

6 girá somente a parte que se encontra de acor-
1 · 32 g l 2 mols → relação do problema do com a proporção; a parte que estiver a mais
não reage e é considerada excesso.
16 g l n → dado e pergunta
n = 1,0 mol

Capítulo 06. Estequiometria PV2D-06-QUI-21 37


Química Geral 2

IX. Sistema em que os Reagentes X. Sistema em que o


São Substâncias Impuras Rendimento não É Total
Neste caso é importante calcularmos a Quando uma reação química não produz
massa referente à parte pura, supondo que as quantidades de produto esperadas, de
as impurezas não participam da reação. acordo com a proporção da reação química,
Grau de pureza (p) é o quociente entre a dizemos que o rendimento não foi total.
massa da substância pura e a massa total da Rendimento de uma reação é o quociente
amostra (substância impura). entre a quantidade de produto realmente ob-
tida e a quantidade esperada, de acordo com
12332 34536789
2 4 2
1= a proporção da equação química.
12332 6 62 2 21 36 2

38 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 06. Estequiometria


Química Geral 2

Capítulo 07. Química Descritiva


Neste capítulo, estudaremos a ocorrência 1.1. Atmosfera
dos elementos na natureza, os locais onde Atmosfera é a camada gasosa ao redor da
podem ser encontrados, o estado físico em que Terra.
se apresentam e suas combinações químicas
Sete elementos gasosos podem ser encon-
mais comuns.
trados comumente na atmosfera, entre eles
É de grande interesse estudarmos os pro- nitrogênio, oxigênio e gases nobres.
cessos usados para obtenção dos elementos,
Todos esses elementos são obtidos indus-
a partir de fontes naturais e como são
trialmente a partir do ar atmosférico, com
fabricadas algumas substâncias de grande
exceção do gás hélio (He) que é extraído do
interesse industrial e comercial.
gás natural de certos poços no Kansas,
Apresentaremos agora algumas noções Oklahoma e Texas, onde sua concentração é
sobre a constituição da Terra. bem superior à encontrada no ar atmosférico.
Dependendo do local, clima e altitude, a
1.Constituição da Terra composição da atmosfera pode variar; mas,
O planeta Terra, para efeitos de estudos, é em geral, temos em ordem decrescente de
dividido basicamente em três partes: porcentagem em volume:
litosfera, hidrosfera e atmosfera.

Capítulo 07. Química Descritiva PV2D-06-QUI-21 39


Química Geral 2

1.2. Hidrosfera
Hidrosfera é a parte líquida da Terra que
corresponde a cerca de 80% da superfície.
A água dos oceanos apresenta uma grande
variedade de sais dissolvidos, constituindo-
se em fonte principal de obtenção de vários
elementos, como bromo, magnésio, sódio, clo-
ro, etc.
Os sais dissolvidos correspondem a 3,3%
da água dos oceanos.
Os elementos que podem ser obtidos da
água dos oceanos apresentam a seguinte
abundância:

O oxigênio e o silício são os elementos mais


abundantes da crosta terrestre, seguidos do
alumínio e do ferro. Esses e os demais elemen-
tos encontrados na crosta terrestre compõem
os chamados minerais.
1.3. Litosfera Minerais são substâncias presentes na
Litosfera é a parte sólida da Terra com cer- crosta terrestre que se encontram em deter-
ca de 6.500 km de raio. A parte mais externa, minados depósitos. São provenientes da con-
que corresponde a uma espessura de aproxi- centração de vários elementos que ocorreram
madamente 30 km, é chamada de crosta ter- com o passar das eras geológicas, devido a
restre. É dela que extraímos alguns princi- vários processos como fusão, cristalização,
pais elementos, os quais, em ordem decres- dissolução e precipitação, formando compos-
cente de abundância, são: tos estáveis.

Resumindo:
Mineral é uma substância simples ou
composta que se forma naturalmente na
crosta terrestre.

40 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 07. Química Descritiva


Química Geral 2

Grande parte dos minerais apresentam, Alguns elementos ocorrem na natureza no


na sua formação, elementos metálicos, cuja estado nativo, como Au, Ag, Pt, Hg e Cu, os
extração é desejada. quais são chamados metais nobres.
Se o mineral apresenta facilidade de ex- O minério é encontrado na natureza em
tração, condições de transporte, baixo custo locais que são chamados minas ou jazidas. O
de mercado, ele passa a ser chamado de mi- processo de extração do minério das minas é
nério. chamado de mineração.
Minério é todo o mineral do qual se pode Os processos utilizados para obtenção dos
extrair um elemento químico de forma eco- metais, a partir dos seus minérios, é a meta-
nomicamente viável. lurgia.
Esses processos consistem, de um modo
Os principais minérios e os elementos quí-
geral, em:
micos extraídos encontram-se no quadro a
seguir: I. Purificação (ou concentração) do mi-
nério.
Geralmente o minério obtido da jazida
apresenta uma quantidade muito grande de
impurezas, material rochoso inútil. Portan-
to, as impurezas devem ser removidas.
II. Redução do cátion metálico ao átomo
metálico
Os elementos metálicos encontram-se nos
minerais na forma de cátions metálicos, e,
para que se possa obter o metal, tem-se que
fazer a redução do cátion.

12 1+ −
123 + 3 2 ⎯ ⎯⎯
234567
9 6
⎯→ 12  1
34686
8943
526 8943
526

III. Purificação do Metal


O metal obtido pelas etapas 1 e 2 contém
geralmente pequenas quantidades de outros
metais e/ou não-metais, que devem ser remo-
vidos ou não, dependendo da aplicação do
metal.

Capítulo 07. Química Descritiva PV2D-06-QUI-21 41


Química Geral 2

2. Substâncias Simples e As soluções de HF devem ser guardadas


em recipientes de polietileno ou de parafina.
Compostas Importantes O HF tem uma outra propriedade que o
torna extremamente perigoso, que é causar
2.1 . Halogênios queimaduras extremamente dolorosas e que
Os elementos da família VIIA (atual 17) levam vários meses para cicatrizar.
são conhecidos como halogênios (“formado- Os íons fluoretos (F–) são usados em pre-
res de sal”). venção de cárie dentária. A fonte de íons
Os halogênios, por serem altamente fluoreto pode ser SnF2 (fluoreto estanoso) en-
reativos, não são encontrados livres na na- contrado no creme dental, ou NaF, adiciona-
tureza e ocorrem como íons halogenetos: F–, do à água potável, na proporção de 1 p.p.m.
Cl–, Br– e I–.
II. Cloro (Cl2)
I. Flúor (F2) É um gás amarelo-esverdeado, venenoso,
É um gás amarelo pálido que ocorre em pouco solúvel em água, reagindo com ela,
minerais, como fluorita (CaF 2 ), criolita dando íons cloreto e hipoclorito.
(Na3AlF6) e fluor apatita [Ca5F(PO4)3].
A molécula de fluor F2 é, em princípio, o
mais forte dos agentes oxidantes:
179 1
+ 52 − → 511−23 2 3 8 456 = +5 867 4 O cloro encontra-se combinado como
Na prática, o fluor raramente é utilizado cloreto, como os minerais habita (NaCl) e
como agente oxidante, pois o seu manuseio é siluita (KCl) em depósitos subterrâneos e
extremamente perigoso. A molécula de F2 re- também, nos oceanos.
tira elétrons de praticamente todas as espé- O cloro é um germicida poderoso, usado
cies, incluindo a água, geralmente com explo- na purificação da água de beber.
são violenta. É obtido industrialmente pela eletrólise de
O fluor (F2) é obtido pela eletrólise de uma solução aquosa de cloreto de sódio.
mistura fundida de HF e KF usando ânodo de 1 2345 + 1 6 1 7 → 1 2376 + 6 1 + 45 1
carbono, no qual se produz F2, e um cátodo Em laboratório, pela reação do ácido clo-
de prata ou aço inoxidável no qual se forma o rídrico com dióxido de manganês:
H2. Os produtos devem ser mantidos separa-
dos, pois reagem explosivamente. 123 1 + 7 456 → 1256 1 + 8 4 1 3 + 56 1
O F2 pode ser armazenado em recipiente O cloro é usado como alvejante industrial
de aço, cobre ou certas ligas, somente porque no tratamento da celulose para a fabricação
ele forma rapidamente uma película de de papel, na obtenção de compostos como o
fluoreto na superfície do metal, e impede o ácido clorídrico, o inseticida BHC (bezeno
prosseguimento da reação. hexaclorado), etc.
O fluor reage violentamente com o hidro- Quando o cloro é borbulhado em uma so-
gênio, formando o fluoreto de hidrogênio (HF). lução de hidróxido de sódio à temperatura
ambiente, ocorrre a reação:
122 1 3 + 2 22 1 3 → 3213 1 4
12 2 415
+ 5 34 3
4 23 5 → 123 3
4 23 5 + 12 3
4 23 5 + 4 31 2
2 1
O HF, apesar de ser um ácido fraco, possui
propriedades que o tornam difícil de manu- cuja solução resultante é comercializada
sear. O HF(g), ou em solução aquosa ataca o como água sanitária para uso doméstico e
vidro. como desinfetante.

42 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 07. Química Descritiva


Química Geral 2

III. Bromo (Br2) Em laboratório, é obtido pelo tratamento


É um líquido castanho-avermelhado, de de uma mistura de iodeto de potássio e
cheiro repugnante, tóxico, venenoso. dióxido de manganês com ácido sulfúrico:
Parcialmente solúvel em água, reagindo 1 34 + 567 1 + 2 8 1 97 2 → 1 3897 2 +
com ela e produzindo água de bromo.
+ 1234 1 + 7 5 2 4 + 6 2
O iodo é usado na produção do iodofórmio
(CHI3), na fabricação de remédios, desinfetan-
tes, corantes e na indústria fotográfica (KI e
É obtido industrialmente pela oxidação em AgI).
– O sal de cozinha iodado (NaCl + NaI) tem
meio ácido do Br das águas do mar, usando
cloro como agente oxidante. a finalidade de combater o hipertireoidismo
(doença do bócio).
12 24 1 5 + 5 34 3 4 23 5 → 512 3 + 3421 1 2
2.2. Hidrogênio (H2)
O bromo gasoso é arrastado por uma cor- É um gás incolor, inodoro, combustível
rente de ar e, em seguida, condensado ao es- (chamado combustível do futuro). Na Terra,
tado líquido. o hidrogênio raramente se encontra livre, mas
No laboratório, o bromo pode ser obtido combinado, geralmente com o oxigênio, for-
–
pele oxidação de Br por MnO2 em meio ácido mando água.
ou outro agente oxidante. A molécula de hidrogênio é tão leve que,
O bromo produz queimaduras dolorosas ao ser libertada, rapidamente sobe aos níveis
na pele que dificilmente cicatrizam, por isso mais altos da atmosfera de onde, aos poucos,
deve ser manuseado com extremo cuidado. se perde no espaço.
É usado na fabricação de bromofórmio É obtido industrialmente:
(CHBr3), de desinfetantes, corantes e na in- a) a partir do carvão
dústria fotográfica, principalmente na forma 9

°1
de brometo de prata (AgBr). 1 + 2 8 3 ⎯ ⎯⎯⎯→13 + 2 8
1323 4
2345 3267
IV. Iodo (I2)
É um sólido cinza-escuro, com um brilho b) processo Lane
semimetálico. Sublima a 184 oC, dando vapor 2333 °6
134 + 25 1 6 ⎯ ⎯⎯⎯→ 34 4 6 5 + 25 1
violeta. É praticamente insolúvel em água. É so-
lúvel em etanol, formando a tintura de iodo que c) eletrólise
era utilizada como desinfetante e antisséptico. 1 2 13 → 1 2 1 + 31
É produzido industrialmente pela oxidação
– 1 2345 + 1 6 1 7 → 1 2376 + 6 1 + 45 1
de I com gás Cl2:
(eletrólise aquosa)
12 1 + 43 2 → 412 2 + 3 1 5
d) Em laboratório: pela reação de ácidos
ou pela redução do 12 21 3 1 2 com metais mais reativos que o hidrogênio.

12 41 +5 32 2 + 5 4 2 2 → 1 4 + 5 432 43 +5 4 +
12 112 + 6 345323 4 → 1245 5323 4 + 3 534 4

seguido de oxidação pelo próprio iodato: O hidrogênio é usado na hidrogenação de


óleos vegetais para a produção de margarina,
12 31 +4 1 3 + 5 3 + → 6 1 2 + 6 3 2 2 como combustível, na formação de vários
compostos, como NH3 e HCl.

Capítulo 07. Química Descritiva PV2D-06-QUI-21 43


Química Geral 2

2.3. Oxigênio (O2) O nitrogênio é encontrado em compostos


É um gás incolor, inodoro e, no estado lí- orgânicos em todos os seres vivos, animais e
quido, é azul pálido. É o elemento mais abun- plantas.
dante na Terra, quer em porcentagem de áto- Certas bactérias no solo e raízes de algu-
mos, em massa. Ocorre livre na atmosfera, mas plantas, especialmente os legumes, con-
combinado com hidrogênio na hidrosfera e vertem o nitrogênio atmosférico em nitrogê-
combinado como silício, ferro, alumínio e nio orgânico, que é então transformado por
outros elementos na crosta terrestre outras bactérias em nitrato, a forma de ni-
(litosfera). trogênio mais usada pelas plantas na síntese
de proteínas.
É usado como “comburente”, substância
que alimenta as combustões. O nitrogênio é obtido industrialmente por
liquefação e posterior destilação fracionada
É obtido industrialmente por liquefação e do ar atmosférico.
posterior destilação fracionada do ar atmos-
Em laboratório, é obtido pela decomposi-
férico.
ção do nitrito de amônio 1 12 1 13 2 2
Inicialmente, o ar atmosférico é submeti-
do a sucessivas compressões e resfriamentos ∆
12 1 13 2 ⎯⎯→ 1 2 + 42 2 3
até atingir uma temperatura de aproxima-
damente – 200 °C. O ar torna-se líquido e, Por ser inerte, é usado na forma gasosa no
então, faz-se a destilação fracionada. empacotamento de alimentos e no interior de
Inicialmente, destila o componente mais lâmpadas incandescentes.
leve que é o nitrogênio (PE = –195 °C), depois Na forma líquida, é usado na conservação
argônio (PE ≅ –190 °C) e, por último, o oxigê- de alimentos, na de sêmen para inseminação
nio (PE ≅ –185 °C). artificial.
É obtido também pela eletrólise da água. É usado também na síntese da amônia e
na do ácido nítrico.
1 2 13 → 1 2 1 + 31
Na Medicina, é aplicado em inalações e em 2.5. Amônia ou Gás Amoníaco (NH3)
aparelhos de respiração artificial contra en- É um gás incolor (ponto de ebulição nor-
venenamentos provocados por certos gases mal - 33,4 °C), com odor característico, sufo-
como o monóxido de carbono (CO). É usado cante, e sua inalação, em altas concentrações,
na fabricação do aço e em equipamentos de causa problemas respiratórios.
mergulho. A amônia é extremamente solúvel em
água, produzindo o hidróxido de amônio, o
2.4. Nitrogênio (N2) qual não existe isolado.
É um gás, incolor, inodoro e insípido. 12 1 + 2 2 3 1 12 3 32
É um gás inerte. Ocorre na Terra como
12 3 32 1 12 +3 + 32 −
o principal constituinte do ar atmosférico
(~ 78% em volume) onde se encontra livre (N2). É obtida industrialmente pela síntese
É difícil encontrar compostos inorgânicos catalítica.
do nitrogênio como minerais, pois a maioria 17∆72347
é solúvel em água. 1 5 + 3 2 5 1 4 12 6

44 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 07. Química Descritiva


Química Geral 2

I. Processo Haber-Bosch 2.7. Enxofre


Neste processo, a temperatura fica entre O enxofre é encontrado livre na crosta ter-
500 a 600 °C, a pressão é de 200 atmosferas e restre, bem como combinado com outros ele-
o catalisador é o ósmio ou o urânio. mentos, principalmente na forma de sulfetos,
O resultado é uma solução amoníaca com como a galena (PbS), pirita (FeS2) e vários sul-
rendimento de 15%. fatos, como o sulfato de cálcio etc.
É obtido industrialmente pelo processo
II. Processo de Claude Frasch, no qual o vapor d’água superaqueci-
Neste processo, a temperatura é tam- do (a cerca de 170 oC e sob pressão) e ar com-
bém de 500 a 600 °C, só que a pressão é de primido são injetados por encanamentos até
1.000 atmosferas e o catalisador é o ferro. os depósitos subterrâneos. O enxofre se fun-
Resulta o gás amoníaco liquefeito, com ren- de e é forçado a subir para a superfície como
dimento de 40%. uma espuma de ar-água-enxofre.
Em laboratório O enxofre é um sólido cristalino amarelo,
a) Processo Solvay insolúvel em água e solúvel em dissulfeto de
carbono (CS2).
Ação da cal viva quente sobre o cloreto de
amônio. Apresenta uma variedade de formas
alotrópicas.

1 23 1 45 + 467 ⎯⎯→ 4645 2 + 1 23 3 + 3 2 7 À temperatura ambiente, ou abaixo de
95,5 °C, o enxofre estável é o rômbico ou en-
b) Sal de amônio com base solúvel.
xofre α, cuja molécula é cíclica (S8).

12 1 13 2 + 1432 ⎯⎯→ 1413 2 + 2 3 3 + 12 2 Quando é aquecido lentamente, transfor-
ma-se na forma cristalina monoclínica, está-
A amônia é utilizada em refrigeração, na vel acima de 95,5 °C.
produção de fertilizantes, na preparação de
Quando o enxofre líquido (ponto de fusão
ácido nítrico.
= 119 °C) é resfriado rapidamente, sendo des-
2.6. Ácido Nítrico (HNO3) pejado em água, forma-se o enxofre plástico
ou amorfo. Ele se parece muito com uma goma
Puro, é um líquido incolor, volátil
de mascar e, aparentemente, consiste em ca-
(PE = 86 °C) e solúvel em água. Em solução
deias muito longas e entrelaçadas.
aquosa, dá origem a um ácido forte, (aqua fortis),
de cheiro irritante, muito venenoso se inala- O enxofre é usado na vulcanização da bor-
do ou ingerido, e forte agente oxidante. racha, na fabricação de pólvora e em fogos de
artifício.
É obtido industrialmente pela oxidação da
Em medicina, é empregado em pomadas
amônia, pelo processo Ostwald.
ou sabonetes, no combate de certas molésti-
23
⎯⎯→
as da pele.
1 67 16 1 7 + 2 8 2 6 1 7 344 °5 1 68 1 6 2 + 3 7 2 8 3 74
É usado na síntese do ácido sulfúrico.
4 68 8 6 9 + 8 26 1 7 → 4 68 26 1 7
2.8. Ácido Sulfúrico (H2SO4)
5 68 26 1 7 + 7 2 8 3 74 → 4 768 1 1 45 2 + 68 8 6 9 É um líquido incolor, viscoso, forte agente
oxidante, desidratante, densidade igual a 1,84
Em laboratório:
g/cm3. Seu ponto de ebulição é cerca de 330 °C,
∆ sendo um ácido fixo (difícil de vaporizar). É um
1213 1 + 4 2 53 3 ⎯⎯→ 12453 3 + 413 1
dos reagentes industriais mais importantes.

Capítulo 07. Química Descritiva PV2D-06-QUI-21 45


Química Geral 2

É obtido industrialmente de duas etapas: 2.9. Alumínio (Al)


É o metal mais abundante da litosfera,
I. Obtenção do dióxido de enxofre (SO 2 )
ocorre nos aluminossilicatos, argilas, micas
a) a partir da combustão do enxofre.
e feldspatos.
1 + 2 1 → 12 1
É obtido industrialmente pelo processo
b) a partir da ustulação da pirita (FeS2) Hall, que consiste na eletrólise ígnea da

1567 1 + 22 8 1 ⎯⎯→ 3 56 1 8 2 + 4 78 1 alumina (Al2O3) proveniente da bauxita.
O mineral de alumínio é bauxita, que é óxi-
II. Processo de Contato do de alumínio e hidrato impuro Al2O3· nH2O
Oxidação catalítica do SO2 a SO3, pelo Inicialmente a bauxita é purificada, pelo
pentóxido de divanádio (V2O5) ou pela plati- processo de Bayer, formando a alumina (Al2O3).
na (Pt) finamente dividida.
A alumina é dissolvida em criolita (Na3AlF6)
31 4 2 56
1 23 1 1 3 1 1 1 2 1 23 2 fundida e eletrolisada a cerca de 1.000 °C.
34
8⋅∆
O SO3 é dissolvido em H2SO4, produzindo 1 45 1 6 2 ⎯34
⎯⎯ ⎯→ 2 45 + 36 1
1567 2
o ácido pirossulfúrico, chamado antigamen-
te de oleum ou ácido sulfúrico fumegante O alumínio é um metal extremamente ver-
(H2S2O7). sátil. Ele pode ser prensado, curvado, enrola-
do, moldado, estruturado, dando origem às
12 1 1 + 3 2 12 3 2 → 3 2 1 2 2 4 2
1 2 1 2 1 2 mais variadas formas.
A adição de água ao ácido pirossulfúrico Sua baixa densidade torna-o útil na
produz um ácido sulfúrico de alta concen- construção de aeronaves e está sendo cada
tração. vez mais utilizado nas indústrias automo-
bilísticas para obter veículos mais leves. É
1 2 2 2 335 16 1 1 2 35 16 2 4 1 2 23 45 16 utilizado na fabricação de utensílios do-
Este processo de contato é o mais moder- mésticos, como panelas, bacias, formas
no utilizado para a obtenção de ácido sulfú- etc., e também na produção de fios para
rico. Antigamente, usava-se o processo das eletricidade.
“camadas de chumbo”.
2.10. Ferro (Fe)
A dissolução do ácido sulfúrico em água
Ocorre na natureza sob a forma de miné-
deve ser feita com extremo cuidado, pois li-
rios, como hematita (Fe 2 O 3 ), magnetita
bera grande quantidade de calor.
(Fe3O4) e pirita (FeS2).
Devemos sempre adicionar o ácido à água
O ferro é obtido industrialmente pela re-
lentamente e sob agitação.
dução da hematita num alto-forno, através
Nunca adicionar água no ácido, porque o da siderurgia do ferro.
calor liberado vaporiza rapidamente a água
O alto-forno funciona continuamente e é
à medida que ela vai sendo adicionada, o que
carregado na parte superior, periodicamen-
pode provocar queimaduras graves.
te, com minério de ferro, calcário (CaCO3) e
O ácido sulfúrico é muito corrosivo e car- coque (carbono). O ferro fundido e a escória,
boniza a matéria orgânica. um material semifundido constituído prin-
É utilizado como eletrólito de bateria de au- cipalmente de silicatos, são drenados por
tos, na fabricação de outros ácidos, na produção aberturas de separação, que se encontram na
de fertilizantes e na fabricação de explosivos. parte inferior do forno.

46 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 07. Química Descritiva


Química Geral 2

O ar quente injetado na parte inferior do purezas são geralmente oxidadas e removi-


alto-forno queima o carbono existente, for- das do ferro.
mando monóxido de carbono (CO), o princi- A purificação parcial fornece o ferro fun-
pal agente redutor no forno. dido, que ainda contém quantidades consi-
1 2 4 25 1 3 14 3 5 2 1 234 3 5 deráveis de carbono.
O aço é o ferro que contém 0,1 a 1,5% de
Se o minério for Fe2O3, ele é reduzido pelo carbono
CO a Fe3O4 na parte superior do forno (300 °C).
Ferro doce, ferro praticamente puro, con-
123 1 4 + 5 345 2 63 24 → 6 34 6 2 73 24 + 12 53 14 tém menos de 0,1% de C.

O Fe3O4 vai aos poucos descendo para a Aços inoxidáveis são ligas resistentes à
parte inferior do forno onde é reduzido a FeO corrosão e que apresentam geralmente
(600 °C). crômio e/ou níquel. Outros metais, incluindo
vanádio, titânio e manganês, podem ser tam-
123 14 + 34 5 2 63 24 → 53423 24 + 12 73 14 bém usados em aços.
Na parte mais baixa do forno, FeO é redu- 2.11. Cobre (Cu)
zido a ferro (Fe) (de 800 a 1600 °C). Ocorre na natureza tanto no estado nati-
vo (Cu), como na forma de minérios, Cu2S
121 1 2 + 3421 2 2 → 341 3 2 + 12 41 1 2 (calcocita), Cu 2 O (cuprita), CuFeS 2
O calcário introduzido no forno sofre uma (calcopirita) etc.
decomposição térmica. A obtenção do cobre pode ser feita a par-
tir de sulfetos, aos quais se faz a ustulação do
1213 31 12 → 1231 12 + 13 41 2 2 minério concentrado por flotação.
Após ser produzido, CaO(s) reage com as im- ∆
purezas de sílica e silicato, formando uma escória 1 45678 1 1 2 9 1 2231 45 1 1 679 1 3 89 1
de silicato que é muito menos densa que o ferro, de
O cobre assim obtido apresenta uma pu-
modo que flutua e pode sair separadamente.
reza de 97 a 99%.
123 1 1 2 + 453 91 1 2 → 12453
1 2 2 Para se obter o cobre com aproximada-
13234
3145678 mente 99,99%, faz-se uma purificação por
eletrólise (cobre eletrolítico).
Parte da escória é utilizada para constru-
ção de estradas, blocos, pedras artificiais, fa- O cobre eletrolítico é usado em fios de ele-
bricação de adubos etc. tricidade.
O produto do alto-forno é o ferro-gusa, A liga de latão é uma mistura de Cu e Zn,
que contém até 5% de Si, P, Mn e S. Estas im- e a liga de bronze é Cu e Sn.

Capítulo 07. Química Descritiva PV2D-06-QUI-21 47


Química Geral 2

48 PV2D-06-QUI-21 Capítulo 07. Química Descritiva