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Apresentação

A nutrição do povo brasileiro está afectada de influências que vão da

ignorância de muitos até à superstição de não poucos. Ignorância e superstição andam de mãos dadas, sofrendo o influxo de costumes dos antepassados, não só pela perversão do paladar, com raízes nos conflitos psicológicos, como no comodismo gerado pela indolência dos nossos

patrícios, talados de verminoses, malária e outras endemias que os transformam e os incluem na massa amorfa dos desnutridos, com repercussões sobre o intelecto e a estrutura física, quiçá moral.

O maior problema do mundo no futuro é o problema alimentar. Estatísticas

recentes prevêem que no fim deste século o mundo terá seis bilhões de habitantes.

Um conferencista que ouvi há já mais de quatro anos, apresentou dados provando que no ano 3000, continuando a superpopulação mundial nas mesmas proporções

da ocasião, haveria apenas o espaço de meio metro quadrado para cada habitante em nosso planeta. E óbvio que já muito antes disso, não haveria condições de vida na Terra, por falta de solo cultivável, para a produção de alimentos. Em vista disso, justifica-se que os estudiosos do problema alimentar se preocupem agora com o modo pelo qual o homem possa viver, tomando em

consideração seu modo de alimentar-se

enquanto é tempo

O Professor Durval Stockler de Lima, nesta conjuntura que precede a

grande crise, apresenta um panorama do sistema alimentar vigente no mundo conturbado pela corrupção e a poluição, em que o organismo humano é vítima das intoxicações, não só pelo álcool e o fumo, como pela toxicomania, disturbando o paladar, exigindo a sofisticação do apetite pelos temperos, variedade e misturas de alimentos tóxicos e malsãos; postula a possibilidade da volta da humanidade aos alimentos simples de que se serviam nossos antepassados; focaliza as condições de saúde então observadas, confrontando a situação antiga, da época em que o câncer era uma raridade e a longevidade era extensa, com a calamidade do estado de saúde que observamos actualmente. Com documentário baseado em cientistas, põe em evidência as vantagens de uma alimentação simples, em combinações que baseia em fatos de sua observação; ressalta a excelência dos alimentos não desnaturados pela indústria ou outros, e preparados com conhecimento das propriedades peculiares a cada um, para a boa digestão e nutrição na estrita significação da palavra. Ponto alto de sua dissertação é a conotação da repercussão do carácter e da pureza de vida com a saúde, o que na conceituação de muitos, nesta era de modernismo e sofisticações, é desprezado, quiçá ridicularizado por aqueles que vivem um materialismo brutalizante, no cepticismo e no negativismo dos nobres ideais.

mas

pureza de vida neste final de século vinte? Como?

E isto mesmo;

se você quiser gozar saúde, Pureza de Vida é um requisito.”

O autor se refere aos problemas psico-sexuais e explica: “Porque os

sentimentos, as emoções e o comportamento sexual têm muito que ver com as resistências orgânicas e com a saúde mental. Não há verdadeiro equilíbrio psíquico

e emocional em indivíduos impuros.”

E mais adiante pontifica com acerto: “A impureza em todas as suas

modalidades, deforma o carácter e torna infeliz aquele que a pratica.” Há muita devassidão no casamento. Esse fato que macula a dignidade

matrimonial, ocasionou que uma revista erotizante estampasse uma manchete em letras garrafais: ATÉ QUE O CASAMENTO NOS SEPARE.

A falta de ajustamento sexual, contribui para que o casamento separe os

cônjuges. Noivos exprimem este fato na expressão vulgar: “Não gosto dele (ou dela).” Mas por injunções sociais ou outras, acabam casando-se.

A vida conjugal se assenta no complexo amor-sexo, que é “a mais bela e

mais profunda manifestação amorosa”, no dizer de Kierkegaard. Quando, porém, um dos cônjuges não “gosta” do outro, rompe-se o complexo, e resulta então a frigidez sexual ou a expansão sexual masculina por coacção do inconsciente sobre a obrigação de cumprir um dever marital. Neste passo o casamento separa os dois na mais alta finalidade do matrimónio, que é a união psico-sexual e a satisfação física de que resulta o deleite sexual legítimo e puro. Daí decorrem infelicidades conjugais de que a impureza é a expressão; o remorso e o sentimento de culpabilidade, que são o germe da infelicidade. Ler o livro do Prof. Durval Stockler de Lima é uma oportunidade de adquirir conhecimentos profundos da ciência da nutrição e da vida, e se torna um prazer, pois é muito bem escrito, prático e de agradável leitura.

Dr. Galdino Nunes Vieira ex-director Clínico do Hospital Adventista de São Paulo e do Hospital Adventista Silvestre, do Rio de Janeiro, Membro Efectivo da Sociedade Médica “São Lucas” e por muitos anos Supervisor Médico da revista Vida e Saúde. É autor de Amor, Sexo e Erotismo.

Uma Palavra Aos Leitores

Ao lhes entregar esta obra, desejo dizer uma palavra de esclarecimento, à guisa de introdução. Durante os últimos anos tenho pronunciado algumas centenas de palestras em série, sobre alimentação e saúde, a grupos os mais variados: a jovens estudantes, a professores e enfermeiros, a pessoas muito simples e a outras mais doutas, em colégios, clubes e igrejas. Invariavelmente, nessas ocasiões tenho sido abordado por muitos que me pedem um livro contendo essas conferências, para que possam recapitulá-las em casa. Tive de prometer-lhes que faria esse livro; agora hei- lo aqui em toda a sua simplicidade, pouco mais ou menos aquilo que sempre ensinei. Visando esses milhares de pessoas que me ouviram e aquelas que não tiveram ocasião para isto; e desejando alcançar também tantas outras igualmente ansiosas por conhecimentos neste sentido, escrevi esta obra em linguagem simples e fácil.

Entendo que muitos gostariam de mudar seu regime alimentar para ter mais saúde, e combinar seus alimentos de modo a não sofrer transtornos físicos.

Entretanto, as poucas tabelas de combinações que existem, a maioria delas em língua estrangeira, são tão complicadas ou oferecem oportunidade para cardápios tão pobres em elementos nutritivos ou em sabor, que grande parte dos interessados prefere continuar errando.

A tabela de combinações desta obra é resultado de muito estudo, ao

mesmo tempo que de consideração pela necessidade de simplicidade, a fim de que

todos a possam decorar em poucos minutos. Alguns alimentos permitiriam umas poucas variações nas combinações; mas para o bem da maioria, a tabela dada é

melhor como está. Na última parte do livro estão as orientações quanto à utilização dos agentes da Natureza na cura de doenças comuns. Os tratamentos ali ensinados são aqueles que eu mesmo tenho usado e aplicado em muitas emergências; e são tais, que qualquer pessoa pode aplicá-los em casa, sem nenhum ou quase nenhum equipamento especial.

O ponto alto desta obra é que os conceitos nela expressos se baseiam em

princípios imutáveis do Universo, em Deus e na Natureza; que a saúde só pode ser

gozada na consideração e respeito pelos conselhos e estatutos divinos. Em harmonia com os preceitos escritos e com aqueles que podemos ler na Natureza, temos saúde; em guerra contra eles, ou deles divergentes, ficamos doentes e perecemos.

O grande objectivo em vista é a volta ao regime edênico, tanto quanto

possível, livre do uso da carne e de outros alimentos prejudiciais - um regime que se justifique por si e possa proclamar alto suas virtudes. Com este pensamento, espero que cada leitor receba o máximo do que

segue.

Durval Stockler de Lima

Primeira Parte

Nutrição Orientada

Primeira Parte Nutrição Orientada

Capitulo 1

Capitulo 1 “Deixar de cuidar da máquina viva é um insulto ao Criador. Há regras divinamente

“Deixar de cuidar da máquina viva é um insulto ao Criador. Há regras divinamente indicadas que, se observadas, conservarão os seres humanos livres das enfermidades e da morte prematura.” Medicina e Salvação, pág. 49.

Capítulo 1

Necessidade de Planejamento

Dizemos comumente que a saúde é um dom, e está certa a afirmação até

o ponto em que tenhamos em mente apenas aquela que veio com o início da vida;

mas a que nos acompanha até ao fim de nossos dias, deve ser planejada. Mais que

isto, entretanto, ter saúde ou ser sadio o tempo todo é um dever sagrado, porque nos não ‘ pertencemos a nós mesmos. O apóstolo São Paulo assim se refere a isto:

“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, I e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” I Coríntios 6:19, 20. A nossa responsabilidade portanto, não pode ser minimizada nem desprezada. Homens e mulheres fazem planos para todas as suas actividades nesta vida, menos para a saúde. Quando querem criar galinhas ou coelhos, compram uma dúzia de livros sobre esses animais, e aprendem tudo que podem a respeito de seu alimento, seus hábitos e problemas. Preparam-se para enfrentar as doenças desses animais e para mantê-los tão sadios quanto possível. Mas quando dois jovens planejam casar-se, e sabem que de sua união poderão advir filhos, não compram sequer uma brochura sobre crianças e como mantê-las vivas e com saúde. Nada sabem sobre seu próprio organismo, suas necessidades físicas, sua saúde, seu alimento e menos, muito menos sabem a respeito de crianças. Nós diríamos que parece haver uma espécie de torpor estúpido a manter os seres inteligentes completamente inconscientes e alheios nesta questão de magna importância. Conhecem regras de jogo, nomes de clubes, cidades nacionais

e estrangeiras, nomes de cavernas, montanhas e rios, generais e estadistas do

presente e do passado, decoram poesias, melodias e letra de cânticos os mais inúteis, sabem princípios de matemática e de outras ciências, até de todas as ciências, mas nada sabem sobre saúde e como conservá-la. Isto me faz lembrar uma jovem, filha de vizinhos nossos, quando comprou seu primeiro carro. Diariamente ela passava pelo posto de gasolina para abastecê-lo. O moço atendente, depois de lhe vender a gasolina, sempre perguntava delicadamente: “E só isto, senhorita?” “E só”, respondia ela, e prosseguia. Certa manhã ela chega a pé ao posto de gasolina, nervosa e quase chorando, e pede para alguém ir ali perto ver o carro, que ela achava ter-lhe acontecido alguma coisa grave. Quando o atendente chegou e verificou, viu que o motor estava fundido. Nem um pingo de óleo no cárter. Então ele pergunta à jovem: “Quanto tempo faz que trocou o óleo a última vez ou adicionou mais?” Espantada, ela lhe responde: “Óleo?! Eu não sabia que o carro precisava de óleo. Eu lhe punha gasolina todos os dias, mas nunca pensei noutra coisa.” Assim agem os homens a respeito de seu corpo.

Deus Quer a Nossa Saúde Outro aspecto importante deste assunto é o interesse divino em nós. O apóstolo São João, escrevendo a seu amigo Gaio, disse: “Amado, desejo que te vá

bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai à tua alma.” III João 2.

Neste texto bíblico notamos três faces da questão:

1.Deus quer que sejamos prósperos em todas as coisas, em todos os empreendimentos que possam ter Sua aprovação -“que te vá bem em todas as coisas”, diz João. 2.Que tenhamos saúde física em elevado grau de comparação. 3.Que bem nos vá a alma, isto é, que nossa religião seja sadia e inteligente. Mas notemos como João, o apóstolo, coloca as últimas duas frases: “que tenhas saúde, assim como bem vai à tua alma”. João estabelece um pé de igualdade

entre a saúde física e o estado da alma, ou da religião - a moral, a espiritualidade e a saúde do corpo.

E nem pode ser diferente. Os antigos diziam: “Mente sã em corpo são.” E

os fatos comprovam que uma pessoa caindo aos pedaços, cheia de reumatismo, artritismo, cólica hepática ou enxaqueca não pode ter o espírito em condições de adorar a Deus convenientemente. Como pode alguém ter mente límpida para raciocinar, para projectar o progresso, para idealizar o bem, se seu corpo sofre dores da cabeça aos pés? Creio que foi o Dr. Victor Pauchet quem disse, num de seus escritos, que não existem pessoas más, porém pessoas doentes. Inúmeras experiências através dos anos têm provado que, às vezes a simples mudança da dieta de um doente, de um prisioneiro ou de um adolescente numa instituição correcional, muda-lhe completamente as atitudes e o comportamento.

O Ser Integral São Paulo dizia aos tessalonicenses: “Todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados.” Ele menciona primeiro a parte mental, pois é onde nascem as resoluções e de onde deve partir o desejo de um procedimento correcto. Em seguida ; aponta a ligação com Deus, porque sem Deus nada podemos fazer de durável e perfeito. E então termina mencionando o desempenho físico neste conjunto harmonioso. O ser integral, o homem inteiro deve ser preservado.

É a ideia pagã, e agora cristianizada, que apenas a alma é importante, o

que tem deturpado a felicidade dos seres humanos. Na eternidade o homem estará no reino de Deus, após o juízo final, não a alma apenas (isto é pagão), mas o ser integral, o ser inteligente, o ser à imagem de Deus, o ser físico em suas normas humanas, com todas as suas características pessoais. Ellen G. White, escritora norte-americana, que dedicou grande parte de seus escritos à questão da saúde, disse, comentando palavras de Paulo: “Ninguém que professe piedade, considere com indiferença a saúde do corpo. Existe uma estreita afinidade entre a natureza física e a moral.” E então ela se maravilha com os possíveis resultados de um procedimento harmónico, dizendo: “Que não seriam os homens e mulheres caso tivessem compreendido que o cuidado do corpo tem tudo que ver com o vigor e a pureza da mente e do coração!” Não basta estarmos em condições de nos arrastarmos para o trabalho ou para a escola, gemendo e murmurando, com enxaquecas, reumatismos, varizes, prisão de ventre e obesidade. É preciso que tenhamos saúde plena, abundante, transbordante e irradiante. Todo indivíduo deve ter coragem para lutar pela saúde, como se luta por qualquer outro ideal. Na verdade,’ a saúde é mesmo mais importante do que todas as demais consecuções humanas, e merece o primeiro lugar em nossas ambições.

O Corpo Como Um Todo Outro aspecto da questão é o todo. Em matéria de corpo humano e sua saúde, não existe especialidade em partes ou órgãos. Todas as partes do organismo são dependentes umas das outras; e quando uma apresenta doença, é o organismo todo que está doente. Em outras palavras, é fora de propósito e grande incoerência a especialização no tratamento de órgãos ou doenças, quando, na verdade, não existem doenças, mas doentes. E o todo que deve ser tomado em consideração, e não as partes. Creio que as palavras de São Paulo acima citadas não expressam apenas um conceito de moral e religião, mas são também cientificamente correctas: “Todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados.” O médico deveria ser médico do corpo todo, e não de especialidades; ministro ou consultor psicanalista e conselheiro da alma do enfermo; e mestre do espírito, orientador e animador dos dotes de seu cliente. Quando nós tivermos tal classe de médicos, e não profissionais apenas, então o mundo será um lugar melhor para se viver.

Capítulo 2

Capítulo 2 “Com o esforço despendido, dólar por dólar, mais vidas podem ser salvas por uma

“Com o esforço despendido, dólar por dólar, mais vidas podem ser salvas por uma melhor nutrição do que jamais se conseguirá através da medicina curativa ou

A medicina criativa precisava fundamentar-se

na produção de melhores alimentos. Somente assim podemos criar saúde real para nosso povo.”- Dr. Jonathan Forman.

Capítulo 2

Que é Doença?

A doença não é primariamente o resultado dos micróbios. Esta assertiva poderá parecer atrevida e revolucionária, mas é uma verdade inquestionável e que se pode verificar. Inúmeros pesquisadores a têm reafirmado. Não é descoberta nossa e nem qualquer coisa de conhecimento recente. Se os micróbios, em princípio, fossem responsáveis pela doença, todos seriam doentes, porque todos têm acesso aos mesmos micróbios em maior ou menor quantidade. Mas a realidade é que nem tanto o micróbio quanto o equilíbrio de forças, ou seja, a devida quota de resistência física em contraposição à invasão é que deve ser levada em consideração. Não é a virulência do micróbio que deve ser temida, mas a falta de resistência. Em face de uma doença, não se precisaria sair à caça do vírus dessa doença, conquanto a pesquisa tenha o seu lugar, e não a critiquemos. Mas é preciso que consideremos primeiro, como da mais alta importância, a capacidade de resistência do próprio organismo para se defender contra a invasão dos micróbios. Qualquer pessoa que tenha vivido um pouco ou que tenha vindo da roça, já viu como as plantas de terras virgens produzem frutos sadios e saborosos sem nenhum cuidado especial, nem adubos e pesticidas. Mas logo que se enfraquece a terra, começam os problemas para a planta. E dentro de algum tempo, nem os adubos e nem os recursos de pesticidas conseguem evitar as doenças, que ocasionam a produção de frutos de mau gosto e de péssima aparência. Adelle Davis, já falecida, que eu considero uma das mais respeitáveis nutricionistas, relata em um de seus livros uma notável experiência feita nos Estados’ Unidos da América do Norte. Alguns pesquisadores tomaram um pedaço de terra e o adubaram cuidadosamente durante algum tempo unicamente com matéria orgânica. Quando a área estava assim enriquecida, cobriram-na completamente com capim para pastagens. Logo que o campo estava em condições, puseram nele vários animais jovens, de várias espécies. Após alguns meses, injectaram nesses animais doses maciças dos mais virulentos micróbios. Uma e duas semanas depois, extraíram deles amostras de sangue, e não encontraram nele uma única bactéria viva de todas as que foram injectadas. Todas haviam morrido pela acção bactericida das defesas orgânicas desses animais. Eles se haviam alimentado de ervas saudáveis e nutritivas, e seu sangue podia enfrentar e vencer os invasores. Aí se comprova a sabedoria do ditado caboclo, que diz: “Praga de urubu magro não mata cavalo gordo.”

Uma Única Enfermidade Esta é também a opinião de vários médicos e cientistas no mundo. O Dr.

Jonathan Forman, na ocasião editor do jornal de medicina do Estado de Ohio e distinto presidente da sociedade “Amigos da Terra”, escreveu o seguinte: “Desafio qualquer pessoa a nomear uma única enfermidade, infecciosa ou parasítica em que

o estado de nutrição dos tecidos do paciente não tenha sido mais decisivo do que o germe. As pessoas não morrem de doenças infecciosas como se lhes atribuem; mas realmente, má nutrição, ou subnutrição é a verdadeira causa em cada caso.” Note-se aí a ênfase dada à importância da alimentação correcta. Primeiro,

o Dr. Forman passa por alto o poder do germe e do verme na produção da enfermidade, para salientar como de real peso a falta de nutrição das células. E evidente que ele não menciona aqui “má nutrição” no sentido de apenas carência

alimentar, mas principalmente a subnutrição que resulta de alimentos produzidos em terras depauperadas, destruição dos nutrientes pelo processamento, e o não aproveitamento total e satisfatório na assimilação. Isso tudo envolve um bocado de considerações, que não podemos desenvolver neste tratado resumido. Mas, de qualquer maneira, o que desejamos salientar é que não é o micróbio o maior responsável pela doença, e sim o estado de nutrição dos tecidos. Uma pessoa pode comer abundantemente, ate mesmo dos mais ricos alimentos, e, entretanto, ter células desnutridas.

Também as Plantas Há alguns anos eu tinha sobre a minha escrivaninha um vaso com lindas

violetas africanas. Para mim era um descanso mental contemplar diariamente o viço

e a singela beleza daquelas flores. Mas os meses se foram passando, e um dia, de

repente, notei que a planta estava coberta de pulgões brancos. Pensei: “Que posso fazer para livrá-la desta praga?” Fui a uma loja especializada na cidade, onde me venderam um insecticida para esse fim. Dois dias depois da aplicação, vi que havia matado a planta. Mas notei que um pedacinho do tronco estava vivo. Arrumei nova terra e cuidei daquela mudinha.

Com o tempo ela se tomou vigorosa e se cobriu de flores belíssimas. Eu estava feliz outra vez. Mas, passados alguns meses, um dia descobri que ela estava cheia de pulgões brancos. Então fui a outra loja na cidade e contei o que estava acontecendo. Lá me venderam um outro tipo de veneno. Ao voltar para casa, apliquei-o na planta. Dois dias depois, vi que havia matado a planta. Mas, outra vez, salvou-se uma folha e uma parte do tronco. Cuidei daquilo com carinho e troquei a terra. Dentro de algumas semanas, pela terceira vez ela estava muito robusta e cheia de flores. Entretanto, após alguns meses, um dia vi que estava cheia de pulgões. Então pensei: “Não é possível! Que devo fazer?” Aí me lembrei da acima referida experiência, narrada por Adelle Davis, e disse para mim mesmo: “Como pode você ser tão estúpido, Durval? Você diz em todas as suas conferências que se pode curar quase tudo com alimento, e como não lhe passou pela cabeça que esses pulgões estão aí porque a planta está desnutrida?” Fui à cozinha, fiz um copo de suco de cenouras, e derramei esse suco directamente sobre a terra, ao redor do tronco da violeta. Deixei os pulgões em paz. Dentro de alguns dias a planta estava vendendo saúde, com as folhas verdes e viçosas. E os pulgões? Não sei o que aconteceu com eles. Não havia um sequer. Desapareceram todos tão misteriosamente como haviam vindo. Aprendi uma lição prática. Aprendi por experiência que era verdade o que

o Dr. Forman e outros escreveram. Não há doenças em plantas e animais que estejam bem nutridos. E este é o conhecimento que devemos praticar, se queremos ter saúde.

Outros Médicos Reforçam Isto

O Dr. C. W. Cavanaugh, diz: “A realidade é que existe apenas uma

doença geral, e esta é a má nutrição.”

O conhecido médico Dr. Alexis Carrel avançou a tese em favor da

importância da nutrição, dizendo que “se o médico de hoje não for o nutricionista de amanhã, o nutricionista de hoje será o médico de amanhã”. Também Hipócrates recomendava: “Teu alimento será tua medicina, e tua medicina será teu alimento.”

Noutra ocasião, disse: “Deixa no recipiente a droga, se puderes curar o paciente com alimento.”

De todas estas citações, salienta-se a importância da nutrição como factor de saúde, e, de outro lado, a má nutrição como a causa das enfermidades. Mas a desnutrição ou má nutrição não é uma questão apenas de deficiência de alimentação; pois até mesmo os melhores alimentos, ingeridos sem orientação correcta, podem ser a causa de doenças. E especialmente na segunda parte desta obra, indicamos que, embora o bom alimento ocupe o lugar de maior desta que na saúde, há outros factores coadjuvantes, todos à nossa disposição na Natureza e em nós mesmos. Doutro lado, ao mesmo tempo em que os erros alimentares e os alimentos de má qualidade e mal combinados preparam o organismo para a doença, há factores ambientais e de costumes e atitudes, ou de procedimentos e posições mentais, que produzem enfermidades e a morte. Em outras palavras, a doença é o resultado, não tanto da superioridade dos micróbios, quanto dos factores que criam a falta de resistência do organismo para superá-los, factores estes encimados pela desnutrição. No capítulo seguinte sugerimos, como que de passagem, uns poucos factores de doenças que podemos com facilidade excluir de nossa experiência.

Capítulo 3

Capítulo 3 “A saúde é como a paz – cada uma delas causaria um pânico maior

“A saúde é como a paz – cada uma delas causaria um pânico maior nos meios industriais.” – Dr. M. H. Shelton.

Capítulo 3

Factores de Doenças

1. Os Antibióticos - O uso indiscriminado e abusivo de antibióticos como

se pratica em nossa terra, é grande causa de doenças. Todos devem saber que os antibióticos via oral, tomados frequentemente a propósito de resfriados, dor de garganta ou outras causas, destroem a flora intestinal e a vitamina K. E a consequência mais grave, além de outros inconvenientes ponderáveis, é tomar o corpo carente do complexo B, que é manipulado pela preciosíssima flora intestinal. Com os antibióticos, colocamos na mesma lista negra as sulfas, que causam prejuízos idênticos. Temos de aprender a viver sem os remendos das drogas e outros recursos de laboratórios. Depois de colocar em prática todos os conselhos deste livro o leitor compreenderá que talvez nunca mais precise usar antibióticos. Mas enquanto aguarda a prática deste conhecimento, aqui vai um conselho: A melhor maneira de refazer a flora intestinal e suprir-se do complexo B, uma vez carente, é usar iogurte de boa qualidade, lêvedo de cerveja, germe de trigo, farelo de arroz; leite gordo, coalhada, gorduras não saturadas e nozes. Também abundância de verduras cruas auxilia.

2. Os Analgésicos - O constante uso de analgésicos ou comprimidos para

dores as mais diversas, é grandemente prejudicial. Esses comprimidos, embora

aliviem uma dor de cabeça, dor de dente, uma cólica menstrual, etc., são a causa da destruição, ou melhor, da eliminação da vitamina C do organismo, além de prejudicar também a vitamina K, tão importante para o sangue. Cada analgésico pode continuar a eliminar do corpo boa parte da vitamina C durante três semanas, porque o organismo se utiliza dessa vitamina para expulsar as drogas constantes do comprimido. Imagine-se, pois, uma jovem que tem cólicas menstruais cada 28 dias, tomando analgésicos periodicamente, passa três quartas partes de sua vida eliminando preciosas quantidades de Vitamina C. Não admira que tantas moças estejam constantemente com problemas em torno deste assunto e outros consequentes. O que elas precisam é aumentar sua quota de Vitamina C, em lugar de destruir pelo analgésico a pouca que lhe resta. Tomassem elas diariamente 3 ou 4 copos de leite, sempre precedidos de um bom gole de suco de limão puro, e logo não teriam mais necessidade de analgésicos; sua cor rosada lhes voltaria, e estariam bem calcificadas e supridas de Vitamina C.

3. Os Antiácidos - Todos os antiácidos que se tomam após as refeições

para combater a acidez estomacal, destroem o complexo B; e alguns ocasionam deficiência de magnésio, que pode ser a causa da formação de cálculos renais. Há maneiras de combinar os alimentos, de modo que não produzam nenhum tipo de acidez. Não há muita sabedoria em remediar o errado para continuar errando; o que precisamos é evitá-lo. Mas no caso de uma acidez já instalada, e enquanto se espera pelo conhecimento sobre como evitá-la, recomendamos alguns socorros imediatos: Há pessoas que encontram alívio rápido em um gole de suco de limão, ou engolindo um dente de alho apenas picado em dois ou três pedaços, sem mastigar. Mas se a mucosa do estômago está irritada ou inflamada, a melhor coisa é usar, durante algum tempo, logo após a refeição, um pouco de carvão comum em pó dissolvido em

leite (também 2 ou 3 comprimidos de carvão Merck), ou uma colherinha das de chá de Geléia Real de boa qualidade e procedência inquestionável.

4. O Cigarro. - Conforme afirmação do Dr. W. J. McCormick, cada cigarro

fumado, anula no organismo 25 miligramas de Vitamina C. Para um indivíduo que consome uma carteira de cigarros por dia, isto representa um desperdício de 500 mg

de Vitamina C, um verdadeiro assalto às reservas orgânicas. Significa isto que o fumante é sempre uma pessoa sujeita a resfriados e outras doenças mais graves, por estar, entre outras coisas, exaurindo seu suprimento, a não ser que esteja constantemente repondo as perdas.

5. O Acido Oxálico. - O ácido oxálico na sua melhor forma, combina

satisfatoriamente com o cálcio para beneficiar o corpo. Se ambos forem orgânicos, a combinação será construtiva, visto como o ácido oxálico ajuda a assimilação

digestiva do cálcio e, ao mesmo tempo, estimula as funções peristálticas do organismo. Entretanto, quando o ácido oxálico é destituído de sua forma natural por cozimentos ou processamentos industriais, então ele produz um composto com o cálcio, destruindo o valor de ambos. Isto pode causar séria deficiência de cálcio, enfraquecimento dos ossos e a formação de cristais de ácido oxálico nos rins, resultando em cálculos renais. Os alimentos que mais favorecem estas condições, são: Primeiro, os produtos à base de chocolate, em todas as suas modalidades, especialmente quando já vêm combinados com leite, ovos e açúcar, ou a eles se acrescentam estes ingredientes na preparação; o feijão, usado abusivamente por populações citadinas que não fazem exercício e o tomam em combinações impróprias; e as hortaliças que

mais contêm o ácido oxálico e são usadas muito cozidas ou até fritas - o espinafre, a mostarda, as folhas de beterraba, o nabo, o tomate, etc. Parece que os efeitos negativos deste ácido são vistos com mais frequência em crianças alimentadas com derivados de cacau, nessas preparações que contêm leite, ovos e açúcar. Essas crianças são pálidas, anémicas e sofrem invariavelmente de inapetência.

6. Alimentos Inferiores. - Os produtos de má qualidade, os vegetais

murchos, velhos, doentes ou machucados, produzem sangue inferior. E fácil compreender que não se pode obter sangue bom de alimentos pobres e doentes. Nós somos o que comemos. Algumas donas de casa, pensando em fazer economia, deixam para ir à feira nos últimos instantes por volta do meio-dia, quando os produtos estão sendo arrematados por preços baixos. Então elas levam para sua família grande quantidade de produtos inferiores: bananas maduras demais e machucadas, tomates podres e ruins, laranjas murchas, maçãs com partes em decomposição e hortaliças abatidas pela manipulação e pelo calor. Acham elas que fizeram um excelente negócio, mas não sabem que sua economia na feira será gasta na farmácia com acréscimos e dores. Abundância de alimento ruim não representa aumento de sangue saudável. Devemos adquirir no mercado os maiores tomates e de melhor aparência, as maiores maçãs, as verduras mais frescas e viçosas. O aconselhável mesmo é que cada um procure ter sua própria hortinha caseira, para colher suas verduras na hora de ir para a mesa. Até os que moram em apartamentos podem ter algumas hortaliças em vasos na área: salsa, cebolinha verde, alguns pés de dente-de-leão, caruru, rabanetes, uns pés de alfafa, etc. Quanto mais recentemente colhidas as verduras, tanto melhor. Adiante, daremos algumas instruções a respeito de como poderemos ter verduras colhidas na hora da refeição, cada dia, quer estejamos na cidade ou no campo.

7.

Excesso de Alimentos Cozidos. - O excesso de alimento cozido, ou o

comer quase tudo cozido, é outro factor de enfermidade. O Dr. Albert I. Mosséri afirma que nossas mulheres passam a metade de sua vida na cozinha, ao pé do

fogão a alterar ou a arruinar os alimentos bons. E diz: "Aquele que vive de alimentos crus gasta menos e ao mesmo tempo vive melhor." E. G. White diz em seu livro Conselhos Sobre Saúde, que "a grande

quantidade de cozimentos

que os inválidos crónicos são fruto da grande quantidade de alimentos cozidos. Há algum tempo uma senhora com problemas de coluna e dores reumáticas me procurou para pedir orientação. Eu lhe disse: "Experimente algumas semanas de alimentos inteiramente crus, especialmente sucos de hortaliças e

frutas." Cerca de um mês depois ela me disse: "As minhas dores todas desapareceram."

tem enchido o mundo de inválidos crónicos". Note-se

8. Frituras. - As frituras destroem os ácidos gordurosos essenciais e

causam graves transtornos ao organismo. Sem gorduras de boa qualidade a vitamina A não pode ser absorvida, e haverá interferência no fluxo da bílis, podendo

ocasionar a formação de pedras na vesícula. Mesmo as pessoas obesas não podem prescindir da gordura, muito essencial ao metabolismo. Mas toda vez que as gorduras são aquecidas em cozimentos prolongados ou em frituras, elas se tomam perigosas à saúde. Ratos de laboratório aos quais foram dados somente alimentos fritos, todos morreram de câncer do vigésimo ao trigésimo dia. Daí se poderia depreender que o câncer é um produto das frituras, se bem que esta não possa ser considerada a causa única dessa enfermidade. Mas pelos transtornos físicos que elas causam, como prisão de ventre e retenção de gases, mau funcionamento do

fígado, obesidade ou magreza incorrigível e outras, não há dúvida de que tenha sua quota de responsabilidade também no câncer.

9. Fermentação. - E para resumir aqui as principais causas de

enfermidades, apresentaremos ainda a mais responsável de todas as causas - a

fermentação dos alimentos no aparelho digestivo. Os alimentos que fermentam depois de ingeridos, estão destinados a causar problemas físicos, além de serem desperdiçados em até mais de 80% de seus nutrientes.

E são as más combinações dos alimentos quase que a causa única

destas fermentações. Não é a única, porque também alimentos de má qualidade, frutas e hortaliças murchas, envelhecidas, e produzidas em terras depauperadas, causam fermentações. Mas as combinações erradas, mesmo de alimentos bons em si, ocupam o primeiro lugar nas transformações maléficas que sofrem os alimentos no curso de sua digestão no aparelho digestivo. Deve-se insistir neste aspecto da questão. Os doentes devem ser alertados para compreenderem o quanto as mas combinações nutrientes pela fermentação. Voltamos a nos referir às palavras do Dr. Forman, pelas quais nos afirma que só existe uma enfermidade, e que esta única doença é a má nutrição. Compreendendo que a fermentação destrói grande parte do que se come, senão a maior parte em alguns casos, facilmente percebemos que uma pessoa assim mal

alimentada durante meses e anos, só pode estar seriamente desnutrida - faminta de elementos vitais para seu corpo.

E então, não é o micróbio o grande responsável pela doença, e sim o

preparo do terreno pela desnutrição das células. Estas, incapazes de reagirem, permitem a instalação das bactérias invasoras.

Capítulo 4

Capítulo 4 “Os homens e as mulheres devem informar-se no que tange à filosofia da luz

“Os homens e as mulheres devem informar-se no

que tange à filosofia da

luz da sabedoria de Deus; e através de todas as mutáveis cenas da vida, não descanseis até que saibais estar a vossa vontade em harmonia com a do vosso Criador.” –

Procurai sempre andar na

Conselhos Sobre Saúde, págs.37, 405.

Capítulo 4

Uma Experiência Pessoal Deixem-me contar aqui uma experiência pessoal. Desde muito cedo na vida interessei-me pelo assunto da saúde. Tenho examinado tudo que posso em medicina naturista e alguma coisa na convencional. Nos últimos cinquenta anos tenho lido todo livro que pude adquirir sobre saúde e doença. nas línguas que posso ler.

Certamente, a maior parte dos autores fez o seu melhor, e todos foram maravilhosos em suas pesquisas e na exposição de seus conhecimentos. Mas notei que os assuntos tratados, eram sempre apresentados por um prisma pessoal, e que, tanto a questão da saúde quanto os tipos de alimentos recomendados, eram vistos unilateralmente. Por esta razão, os naturistas não têm alcançado maior êxito em sua pregação e alguns têm até contribuído para que uma causa justa seja vituperada. Coisas boas, tratadas com estreiteza de mente em alguns casos e contradições em outros, acarretaram descrédito ao programa de volta ao Éden, volta à Natureza - a maravilhosa dieta planejada por Deus. Assim, depois de anos de pesquisa e considerações, decidi que devia buscar em outra fonte a verdade que faltava nesses autores. Foi na Bíblia que achei a resposta para harmonizar os bons conceitos dos vários autores bem-intencionados. Tomei como certo, desde cedo, que só em Deus há harmonia e perfeição; que tudo no Universo é harmonioso e bonito enquanto há conformação e submissão à vontade divina; que o transtorno e o desequilíbrio se verificam quando surge o desvio da ordem no Universo de Deus. Desde a maior galáxia, estrela ou planeta até ao minúsculo átomo, com seus vários elementos, os mais infinitamente pequenos órgãos de nosso corpo, suas enzimas e seus hormónios, todos obedecem a leis certas e invariáveis, sob a direcção incansável e imutável do Criador. Assim, pois, aceitei como certo que devia procurar a razão da doença e o conhecimento da saúde nas leis do Universo, na Bíblia e na Natureza. Li com atenção e aceitei como científicas as palavras ditas aos filhos de Israel quando saíram do Egipto. Deus lhes dissera: "Se ouvires atento a voz do Senhor teu Deus, e obrares o que é recto diante de Seus olhos, e inclinares os teus ouvidos aos Seus mandamentos, e guardares todos os Seus estatutos, nenhuma das enfermidades porei sobre ti, que pus sobre o Egipto; por que Eu sou o Senhor que te sara. " Êxodo

15:26

Sempre cri que as promessas de Deus são infalíveis. Então me perguntei a mim mesmo: Por que é que as pessoas que se chamam filhas de Deus, que

professam crer num Pai amoroso, são atingidas pelas enfermidades, muitas das quais, as mesmas que atingiram os ateus egípcios? Não era verdade esta outra

promessa encontrada em Êxodo 23:25: "

enfermidades"? Evidentemente, Deus não Se contradiz. A falha tem de estar com o homem, pois o texto bíblico é claro em afirmar que a promessa era para o caso de os homens guardarem os mandamentos e os estatutos que receberam. As leis aqui referidas não eram apenas especificamente as leis do Decálogo, mas em detalhe as leis naturais relacionadas com o cuidado do corpo e sua manutenção. Li as palavras inspiradas da mais iluminada escritora cristã dos últimos cem anos, Ellen G. White, que afirmou: "Existem muitos meios de praticar a arte de curar, mas só existe um meio que o Céu aprova. Os remédios de Deus são os simples agentes da Natureza, que não sobrecarregam nem debilitam o organismo.”

Eu tirarei do meio de ti as

É o Regime Vegetariano o Melhor? Então me surgiu a mais intrigante das questões. Eu cria piamente que, diante dos conselhos da Bíblia e da melhor literatura sobre o assunto, o regime alimentar mais indicado era o vegetariano; e, quando muito, o regime ovo-lacto-

vegetariano. Entretanto, muitas vezes vi morrer de câncer vegetarianos ardorosos e estritos. Isto me perturbava sobremaneira. Mas o que me deixava indignado, era quando um desses críticos, que nada querem investigar, se aproximava de mim e, com toda a delícia infernal do sarcasmo, dizia: "Está vendo? Que adianta ser vegetariano? Veja Fulano, que era tão zeloso, não comia carne, não comia fora de hora, praticava a mais rigorosa sobriedade e temperança, não fumava e não bebia, e morreu de câncer! O regime vegetariano não salva a ninguém de doenças graves.” Eu ficava ardendo em desapontamento por não poder responder, embora pudesse alegar como fato incontestável que morrem muito menos vegetarianos de câncer do que não vegetarianos. Mas isto não satisfazia a mim, que aceitava como fato indiscutível, que Deus não mente. A promessa era: "Tirarei do meio de ti as enfermidades." Estava convicto de que, se seguíssemos rigorosamente as leis da Natureza, que são estatutos divinos; se procurássemos conhecer os planos de Deus para o alimento do homem, conforme indicados na Bíblia, então todas as enfermidades desapareceriam de nosso meio. Nada menos que a saúde completa e abundante me satisfazia, porque a promessa era: "Nenhuma das enfermidades porei sobre ti." Isto significava, nem mesmo um simples resfriado. E eu precisava ter provas disto, ou produzir essas provas. E aqui reafirmo minha confiança em Deus e na infalibilidade de Sua Santa Palavra, as Sagradas Escrituras: Creio honestamente que os filhos de Deus sinceros

e leais, não devem ser doentes. Não há na Bíblia nenhuma prova que contrarie, este

conceito. Eles poderão estar doentes por ignorância, mas é seu dever adquirir os conhecimentos necessários para sararem.

Em Busca de Compreensão Eu continuava orando por sabedoria celestial para compreender e explicar, não com misticismo, mas com conhecimento aquilo que me intrigava.

Muitos bons livros me ajudaram. Ai estão A Ciência do Bom Viver, Conselhos Sobre

o Regime Alimentar, os livros de Waerland, Ehret, Mosséri, Pauchet, Adelle Davis,

Rosenvold e muitas dezenas de outros. Mas todo livro que examinava, só tinha valor

para mim quando podia enquadrar seus preceitos e conceitos no esquema já montado de que não existe verdade fora do plano de Deus e nem harmonia sem respeito às Suas leis. Mas ainda persistia irrespondida a pergunta: Por que ficam doentes os cristãos em face da promessa divina? Observava em mim o efeito de certos alimentos. Comparei entre si pessoas com hábitos diferentes. Vi através dos anos pessoas transformarem toda a sua aparência pela mudança das maneiras de comer. Queria comprovar o conceito de que o homem é o resultado do que come. Pessoas de pele grossa, ficavam com a pele mais fina; brancos enegreciam com regimes deficientes; pessoas da raça amarela ficavam com a pele fina e rosada. Assim me pareceu que o alimento era o maior responsável pelas grandes mudanças na aparência dos indivíduos, influindo ao mesmo tempo em sua saúde. Considerei: Veja-se o fato de que os patriarcas antediluvianos, vegetarianos, viveram um mínimo de oitocentos anos; que os pós- diluvianos, carnívoros, em apenas nove gerações, baixaram rapidamente sua duração de vida de 600 para apenas 148 anos. E dali por diante, poucos ultrapassaram ou atingiram

essa idade. Outro fato a considerar é que os israelitas estiveram 40 anos no deserto comendo o maná e nunca ficaram doentes. Para mim, parecia ser sem dúvida que o alimento era preponderante na saúde e na enfermidade. Era necessário descobrir onde os vegetarianos estavam errados e traziam a doença sobre si. Perguntava-me a mim mesmo: Por que é que uma criança que nasceu vendendo saúde, robusta e bela, dentro de alguns dias está com febre e o rosto ardendo em brotoejas? Por que é que uma jovem bonita, depois de alguns anos e alguns filhos adquire um corpo horrível, pernas cheias de varizes ou erisipela, celulite por toda parte? Por que se operam transformações berrantes em certas pessoas, que desenvolvem narizes assombrosos, orelhas grossas, protuberâncias em partes do corpo, deformações nas articulações?

Seria o Intestino o Responsável? Estas e outras perguntas me estavam levando ao ponto desejado. Kuhne dizia que toda doença entra pela boca. E o povo diz: "Pela boca morre o peixe." O Dr. Victor Pauchet acreditava que as doenças tinham origem nos intestinos com a prisão de ventre. Alguns médicos europeus chegaram a sugerir a extracção do "cólon assassino" como meio de evitar a doença. Eu estava convencido de que toda doença tem uma causa, e que nós construímos o estado de doença assim como o da saúde. Princípios e leis devem ser seguidos se quisermos ser sadios. E estes princípios e estas leis, nós os encontramos observando a Natureza, estudando nosso corpo e relacionando tudo com a ordem no Universo. Precisava de um ponto de partida, e este encontrei em frases e pensamentos esparsos. O Dr. Tom Douglas Spies, numa reunião anual da American Medical Association, disse o seguinte: "Se tão-somente conhecêssemos o bastante,

todas as doenças poderiam ser evitadas e curadas pela nutrição

pudermos ajudar os tecidos a repararem-se a si mesmos, corrigindo suas próprias

deficiências nutricionais, poderemos fazer a velhice esperar." Outro médico americano, o Dr. George D. Crile, director da Crile Clinic, disse: "Não há morte natural. Todas as mortes das assim chamadas causas

naturais, são meramente o ponto final de uma progressiva saturação ácida. " E para citar apenas mais uma autoridade médica, transcrevemos as palavras do famoso cirurgião inglês, Sir William Abuthnot Lane: "Existe apenas uma doença - drenagem deficiente." E depois, falando numa recepção feita pelo corpo médico do Johns Hopkins Hospital and Medical College, disse, referindo-se ao câncer: "Ele é causado por venenos criados em nosso corpo através do alimento

que

pão de trigo integral, frutas e hortaliças cruas; primeiro, para que sejamos melhor

nutridos, e segundo, para que melhor possamos eliminar os

estado a estudar os genes, quando deveríamos ter estado a estudar dieta e O mundo tem estado na pista errada. A resposta tem estado connosco o tempo todo. Drene o corpo de seus venenos, alimente-o apropriadamente, e o milagre estará feito. Ninguém precisa ter câncer, contanto que se dê ao trabalho de evitá-lo." Note-se que, de todas estas citações e as de outros autores anteriormente mencionados, a preocupação sempre é o regime alimentar conveniente e intestinos limpos. Mas então, como se poderia explicar o fato de que, mesmo comendo os melhores alimentos, ainda alguns morriam de câncer? Parecia razoável, ou pelo menos ponderável, que faltava um elemento para completar o conjunto. Onde estava a solução para o problema?

Se

O que devemos então fazer, se queremos evitar o câncer, é comer

Temos

Entra a Fermentação De vez em quando, alguns autores menc ionavam a "acidez". A princípio

Entra a Fermentação De vez em quando, alguns autores mencionavam a "acidez". A princípio parecia justo que o correcto seria separar os alimentos de efeito ácido daqueles de efeito alcalino, no regime vegetariano. Ambos os tipos são excelentes como alimentos. Que procedimento seguir para evitar a acidificação dos alimentos depois de ingeridos? Continuando a pesquisa, notei que os livros de E. G. White sobre saúde e alimentação, mencionavam frequentemente as palavras "combinação" e "fermentação". Insistiam em que devemos, aprender a combinar convenientemente os alimentos e não toma-los em grande variedade ou em demasia, porque mesmo os alimentos bons e bem combinados, mas comidos sem sobriedade, causam fermentação. Por esse tempo, jornais e revistas publicaram a informação de que um pesquisador europeu, intrigado havia muitos anos com o conhecimento de que as cabras não sofrem de câncer, tinha pesquisado até descobrir que uma série de glândulas intestinais nesses animais, derramam sobre o alimento em digestão sucos antiácidos, que anulam qualquer acidez. Quando li isto, lembrei-me de uma notável frase de E. G. White, que se encontra no livro Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 493:

"Recuso-me a pôr no estômago, sabendo, qualquer coisa que ocasione fermentação. Este é o dever de todo adepto da reforma pró-saúde. Precisamos raciocinar de causa para efeito. E nosso dever ser temperantes em tudo." Aí eu tinha a resposta tão almejada, e esta é a resposta para todos nós. Evitemos as más combinações que causam fermentações, e teremos evitado as doenças. Entretanto, era preciso que alguém pudesse provar por experiência a validade do programa, e esse alguém deveria ser eu mesmo. Errando e acertando, comecei a pôr em prática o que sabia. E hoje, com mais de setenta anos de idade, me sinto mais sadio do que em qualquer outro tempo de minha vida após os vinte anos. Nos últimos vinte e um anos nunca mais precisei de médico ou farmácia, graças a Deus.

Especialmente nos últimos dez ou doze anos tenho proferido centenas de conferências sobre nutrição e saúde em escolas, igrejas, clubes e outros lugares para os quais sou convidado; o tempo tem sido suficiente para provar os efeitos maravilhosos dos métodos que apresentamos neste livro. E o testemunho de todos os que levaram a sério o programa é de molde a estimular-nos a prosseguir. Ninguém que se tenha orientado inteligentemente por estes princípios ficou desapontado.

Capítulo 5

Capítulo 5 “É propósito do Senhor que o Seu povo volte a viver de simples frutas,

“É propósito do Senhor que o Seu povo volte a viver de simples frutas, verduras e cereais.” ”O Senhor tem ciência e compreensão para conceder a todos que desejarem usar sua habilidade no

esforço de aprender como combinar os produtos da terra de modo a torná-los alimentos saudáveis, simples e facilmente preparados.” – Medicina e Salvação, págs. 277 e

267

Capítulo 5

Correctas Combinações de Alimentos Há várias maneiras de evitar as fermentações e putrefacções dos alimentos no aparelho digestivo. E evidente que até sentimentos e atitudes perturbam a digestão, mas aqui falaremos agora apenas da técnica de combinar os alimentos a fim de evitar a fermentação. Entretanto, em primeiro lugar, vamos trazer mais algumas informações valiosas extraídas de Conselhos Sobre o Regime Alimentar.

Efeitos da Abundante Variedade de Pratos- "Muitos ficam doentes por

indulgência para com o

cujo resultado é a fermentação. Esta condição produz enfermidade aguda, seguindo- se frequentemente a morte. - Idem, pág. 110. "A variedade de alimentos numa mesma refeição produz indisposição, e destrói os benefícios que cada artigo, se tomado sozinho, traria ao organismo. Esta prática produz constante sofrimento, e muitas vezes a morte." - Ibidem. Qual a Variedade Recomendada? - "Não deve haver muitas espécies na mesma refeição, mas todas as refeições não devem constar dos mesmos pratos, sem variação. A comida deve ser preparada com simplicidade, todavia de maneira a

se tornar apetecível " - Ibidem. "Seria muito melhor comer apenas duas ou três diferentes espécies numa refeição do que lotar o estômago com muitas variedades." - Ibidem. "Não tenhais à mesa numa mesma refeição, variedade muito1 grande de alimentos; três ou quatro pratos são o bastante. Na refeição seguinte podeis ter uma mudança. Deve a cozinheira apelar para as suas faculdades inventivas a fim de variar os pratos que prepara para a mesa, não devendo o estômago ser compelido ,

a tomar as mesmas espécies de alimentos refeição após refeição." - Idem, págs. 109, 110.

Efeitos das combinações impróprias:- "Criam-se perturbações mediante combinações impróprias de alimentos; há fermentação,. o sangue fica contaminado

e o cérebro

combinação imprópria, faz a sua obra prejudicial. Em vão dão sua advertência os avisos desagradáveis. O sofrimento é a consequência. A doença toma o lugar da

saúde." - Idem, págs. 110, 111. Em resumo, temos nestes conselhos inspirados o seguinte: Para evitar as fermentações e a consequente doença, não devemos ter numa mesma refeição mais do que dois, três ou quatro pratos diferentes de alimentos. Mas devemos sempre variá-los de refeição para refeição, não somente com o fim de evitar a monotonia, mas também devido ao fato de que maior variedade de alimentos dará ao corpo maior quantidade de nutrientes importantes e necessários. Mas como tudo que foi dito até agora ainda poderia deixar margem para erros, apresentaremos um plano em que classificamos os alimentos e os colocamos em apenas cinco diferentes tipos de combinações, de maneira que até as pessoas mais simples poderão aprender a fazer combinações correctas.

São introduzidas no estômago muitas variedades,

A quantidade ' excessiva de alimento ingerido, ou a sua

O Processo da Digestão Como é sabido que os alimentos se agrupam em tipos que exigem

digestões diferentes umas das outras, é lógico que também os separemos conforme

a espécie, e não os tomemos juntos na mesma refeição. Os alimentos mais ricos em

hidratos de carbono como os que provêm principalmente dos cereais e tubérculos,

começam sua digestão na boca, sob a acção da ptialina. Mas os alimentos

protéicos, como os feijões, os ovos, a carne e o queijo recebem sua maior contribuição no estômago, sob os efeitos da pepsina do suco gástrico, em ambiente ácido. Os sucos que digerem os hidratos de carbono e os que atuam sobre as proteínas são elementos diferentes, que não se comportam bem quando forçados a estar juntos. Queremos acentuar que não somos de todo contrários a uma combinação de proteínas vegetais da espécie de feijões com cereais integrais e algumas oleaginosas. Mas em geral, especial- mente as pessoas com problemas de digestão,

notarão que uma combinação mais rigorosa como a que fazemos adiante, evita esses problemas, lhes dá mais lucidez mental e lhes tira a característica sonolência após as refeições. O grande objectivo é impedir as fermentações destrutivas. Visto como a fermentação pode destruir até pouco mais de 80% dos nutrientes ingeridos, acontece que, mesmo as pessoas que comem bem, podem ser mal nutridas. Não é tanto a quantidade que ingerimos ou a qualidade do que ingerimos que tem real valor, mas sim o quanto aproveitamos daquilo que comemos.

A pessoa pode comer cem unidades de nutrientes, dos quais apenas 20 se

incorporam ao organismo, porque a fermentação se encarrega de destruir o restante. Comer bem é mais do que comer alimentos de boa qualidade; é comer de tal maneira, que o máximo dos nutrientes seja incorporado.

O processo da digestão deveria ser mais amplamente discutido, dada a sua

tremenda importância para a saúde; mas este livro não é um tratado de fisiologia, de

modo que temos de resumir o assunto. Nosso objectivo principal é atacar o maior inimigo da saúde na digestão, que é a fermentação. Como as proteínas são digeridas no estômago, em ambiente ácido, é evidente que, se com elas introduzirmos amiláceos, a digestão destes será prejudicada, daí resultando consequências desastrosas. A digestão dos hidratos de carbono é perturbada pela incidência de ácidos estomacais; e a digestão das proteínas sofre uma diminuição dos fluxos estomacais quando em presença dos primeiros.

Assim, o processo da digestão para ambos os elementos, sofre . urna redução de seu poder e eficácia, fazendo com que ele não complete seu trabalho satisfatoriamente; e os alimentos não totalmente digeridos entrarão num estágio de acidificação de resultados indesejáveis para a saúde.

Combinações Aqui vão agora as combinações dos vários alimentos. Como já dissemos anteriormente, são apenas cinco combinações:

- Proteínas com hortaliças e oleaginosas

- Cereais com hortaliças e oleaginosas

- Tubérculos feculentos com hortaliças e oleaginosas

- Cereais com frutas e leite

- Frutas ácidas e leite

Aí temos praticamente todos os alimentos de sobre a face da Terra em apenas cinco combinações fáceis, que qualquer pessoa menos douta pode decorar

e tê-las na mente em qualquer ocasião, quer tenha de preparar suas próprias

refeições, quer tenha de tomar uma decisão para escolher os pratos que lhe convêm numa mesa fora de casa.

Algumas Explanações É bom lembrar que no caso das combinações dos alimentos há muita divergência, especialmente quando se consideram suas classificações. E não pretendemos aqui classificar os alimentos, pois teríamos de entrar em

especificações discutíveis, que não aproveitariam aos interesses das boas combinações. O que desejamos é simplificar ao máximo, a fim de que doutos e indoutos possam compreender e aplicar. Proteínas - Por proteínas, conforme apontadas na primeira combinação acima, consideramos apenas quatro tipos de alimentos: - Todos os feijões, de todas as cores e tipos, incluindo ervilha, grão-de-bico, lentilha, fava, soja, etc.; todas as carnes de qualquer espécie de animal, quer sejam quadrúpedes, aves ou peixes; todos os queijos frescos ou curados; e todos os ovos. Assim, de um modo bem simples, diremos que as proteínas a serem combinadas com hortaliças e oleaginosas são: Feijões, carnes, queijos e ovos. Podemos usar mais do que uma proteína por vez, e no caso dos feijões sempre deveríamos obrigatoriamente incluir mais uma proteína. As razões para isto, daremos no oitavo capítulo. Cereais - Aqui preferimos a designação "cereais", em lugar de "hidratos de carbono", para não confundir com outros hidratos de carbono, como os tubérculos feculentos e as frutas, que virão abaixo, servindo a outras combinações. E absolutamente não desejamos incluir aqui nenhum outro hidrato de carbono, nem mesmo o açúcar. Cereais são os grãos amidosos, como arroz, trigo, centeio, cevada, aveia, milho, sorgo, trigo sarraceno, etc. Nesta classificação, entram também os derivados de cereais como fubá, farinha de trigo ou outros cereais, pão, polenta, macarrão, etc. Tubérculos Feculentos - São tubérculos feculentos: mandioca, batata- doce, batatinha, cará, mandioquinha, mangarito, taioba, inhame, etc. Note-se que aqui não incluímos cenoura, beterraba, nabo, rabanete e outras raízes não feculentas. Estas têm outra classificação. Oleaginosas - São oleaginosas as nozes de todas as espécies, incluindo avelãs, amêndoas, castanhas do pará e de caju, pecã, amendoim, sementes de girassol, de gergelim, de abóboras e outras, as azeitonas, os óleos comestíveis, as gorduras animais, etc. Hortaliças - Como hortaliças, consideramos todos os artigos das hortas:

Alface, couve, repolho, chicória, agrião, caruru, dente-de-leão, leguminosas verdes como ervilha, feijão em vagem, raízes como cenoura, beterraba, nabo, rabanete e as de frutos, como berinjela, jiló, pepino, pimentão, etc. Alguns apresentam argumentos controvertidos a respeito do tomate, mas parece que a maioria concorda que ele vai bem com outras frutas da horta, como o pepino, a berinjela, jiló, pimentão, abóbora ou abobrinha e também com azeitonas, abacate e cereais, melhor do que com frutas doces ou ácidas. Frutas - Parece que se torna desnecessário especificar as frutas, pois que não há muita dúvida a respeito. Já mencionamos anteriormente as frutas da horta e também as da família das oleaginosas, de modo que restam apenas as que são usadas como sobremesa, complementos alimentares e pratos especiais. Elas se dividem em doces, ácidas e semi-ácidas. Alguns autores preferem recomendar o uso das frutas por categoria, o que achamos mais aconselhável particularmente para pessoas com estômago delicado. Embora não exista nos livros de saúde de E. G. White nenhuma indicação específica de que não possamos usar frutas de diferentes classes numa mesma refeição, há, no entanto, o conselho de evitar as grandes variedades. Daí, depreendemos que é aconselhável moderar a variedade, e talvez evitar combinar numa mesma refeição as muito doces com as muito ácidas. Há autores que chegam a recomendar apenas uma espécie de fruta em cada refeição, indo ao extremo de não comerem nenhum outro alimento com essa fruta. Conquanto esse procedimento possa ser válido para pessoas com organismos extremamente delicados e afectados, não encontramos em nenhuma fonte fidedigna

qualquer indicação expressa a respeito, contrariando o uso de algumas frutas com cereais.

Parece, pois, razoável, que possamos comer numa mesma refeição algumas frutas diferentes, não em demasia, e com elas alguns cereais, ou umas torradas, e um copo de leite, conforme indicamos acima, em nossa lista de combinações.

Capítulo 6

Capítulo 6 “No uso dos alimentos devemos exercer discernimento e bom censo. Ao percebermos que certo

“No uso dos alimentos devemos exercer

discernimento e bom censo. Ao percebermos que certo

alimento nos não convém,

menor quantidade de alguns alimentos; experimentemos

outras

individualmente os princípios e usemos a nossa experiência e discernimento para decidir quanto e que alimentos nos convém.” – Conselhos Sobre Saúde, págs. 476, 477.

mudemos a dieta; usemos

Como seres inteligentes, estudemos

Capítulo 6

A Importância da Proteína Praticamente tudo em nosso corpo depende de proteínas. Sem proteínas não se constrói uma única célula em nosso corpo. A pele, os órgãos internos, o cérebro, os nervos, os músculos, o cabelo, as unhas, todos precisam de proteína para formar suas células, e até mesmo os ossos têm na base a proteína. Daí é evidente que só podemos gozar saúde perfeita quando fornecemos ao corpo proteínas em quantidade razoável e de boa qualidade.

A pessoa que ingere diariamente pelo menos sua quota de proteína que

tenha todos os componentes , essenciais e outro tanto dos chamados não essenciais, está-se resguardando ; de problemas físicos no presente e, em parte, protegendo o seu futuro. A proteína não é apenas a substância essencial da célula, mas até certas manifestações vitais oriundas de funções orgânicas, como

movimentos peristálticos, elasticidade da pele, fabricação de anticorpos, produção de enzimas, etc. precisam de proteínas. Os próprios transmissores de comunicações nervosas dependem de minúsculas partículas de proteínas.

O indivíduo bem nutrido não precisa de estímulos especiais para manter o

corpo erecto ou de suportes mecânicos para evitar pés chatos ou ossos que vergam

ao peso do corpo. A Dra. Adelle Davis adverte que quando uma mãe diz ao filho:

"Endireite o corpo", ela se está acusando a si mesma de haver negligenciado seu dever de fornecer à criança a necessária quota de proteína. Há alguns anos, após uma de minhas conferências sobre nutrição e saúde, uma senhora me abordou com um problema. Seu filho de quatro anos não podia andar um dia sequer sem suas botas ortopédicas, que logo suas pernas entortavam. Prescrevi-lhe um programa de alimentação. Cerca de cinco anos depois nos encontramos outra vez, e essa mãe me disse que, quinze dias após o início do tratamento com o regime prescrito, o menino havia abandonado as botas ortopédicas para nunca mais usá-las; e que agora jogava bola com os companheiros, e como qualquer deles.

Nas dilatações e distensões Quando as artérias e veias se dilatam, quer seja no caso de varizes, hemorróidas ou outras distensões; nos casos de derrame cerebral, rompimento de vasos sanguíneos, obstruções de artérias e outros problemas relacionados, sempre uma dose adequada da devida proteína teria evitado a anomalia. Mas, graças a Deus, que ainda não é tarde demais para os portadores de tais problemas recuperarem a saúde. Tenho visto pessoalmente dezenas de indivíduos se restaurarem completamente desses males em pouco tempo, tão logo adoptaram um programa racional de alimentação em que a proteína estava presente em porções notáveis, como adiante indicaremos. Vi há alguns anos um senhor de 75 anos de idade com enormes varizes

em ambas as pernas e uma chaga aberta cobrindo cada um dos tornozelos internamente. Não parecia que uma pessoa tão idosa, pudesse sarar de tais varizes. Entretanto, com o alimento por nós indicado, em 30 meses ele estava com as pernas completamente lisas, sem nem ao menos o sinal de que houvesse tido varizes. E as feridas nos tornozelos haviam cicatrizado perfeitamente.

É evidente que, não havendo suficiente proteína, a falta de reposição de

células, impede a devida elasticidade dos tecidos e permite a dilatação das artérias,

tecidos e órgãos, que assim permanecem até ocorrer o distúrbio. Mas toda vez que salientamos o valor da proteína com todos os seus componentes, queremos dizer

que, na maioria dos casos, não basta que a proteína seja completa: ela tem de ser preferencialmente de fonte vegetal e originária de várias substâncias, e bem combinada, a fim de evitar os grandes desperdícios ocasionados pelas más combinações.

No Envelhecimento Precoce Há um incontável número de actuações da proteína no organismo, que a torna demais preciosa. O cabelo, as unhas e a pele modificam o aspecto em poucos dias, tão logo se ponha em vigor um plano sábio de alimentação, em que a porcentagem de proteína seja considerada com destaque. Ninguém precisa perder o cabelo que tem, ou tê-lo quebradiço, áspero, seco e sem brilho, ou mesmo malcheiroso. As unhas devem ser lustrosas por natureza, bem formadas e resistentes, e a pele deve ter todas as características da saúde, assim

permanecendo por quase toda a vida. Ninguém precisa envelhecer prematuramente, como é o caso com pessoas que, ainda jovens, já têm as marcas da velhice. Podemos prolongar a juventude de nossa aparência sem recursos artificiais, e o vigor físico e a sensação de bem-estar, sem estimulantes. Do ponto de vista da capacidade das nossas células, é fora de dúvida que podemos atingir boa longevidade livres da maior parte dos males que afligem os idosos. Para isto bastaria que soubéssemos o que comer

e como fazê-lo, e que vivêssemos em conformidade com a Natureza o tempo todo, do berço ao túmulo.

Nas Defesas e Equilíbrios Funcionais As proteínas são a matéria-prima de que se fazem muitos dos hormónios de nosso corpo. A produção de anticorpos para nos defenderem da doença tem sua base em proteínas. Estas são igualmente necessárias para evitar que os fluidos de nossos órgãos sejam demasiado ácidos ou alcalinos, ou para combiná-los a fim de neutralizar os excessos.

Na Obesidade As pessoas obesas cometem um erro gravíssimo ao passarem fome para emagrecer. Não é de menos comida que necessitam, senão do alimento correcto. Elas devem chegar ao seu peso de tabela comendo à saciedade, porém do alimento certo.

Organizei programas de alimentação para gordos que chegaram a perder de 40 a 60 quilos em seis meses, sem deixar uma ruga e sem passar fome de qualquer maneira. Os mais insaciáveis glutões deixaram em paz a geladeira dentro de 3 ou 4 dias, desde o momento em que lhe foram aumentadas as proteínas vegetais. Verifiquei em centenas de casos que não era de abstinência que necessitavam, mas de maior quantidade de proteína - a proteína correcta, sem os desperdícios ocasionados pelas más combinações.

Na Gravidez e na Amamentação De modo especial, na gravidez e na amamentação, a mulher precisa

aumentar sua quota de proteínas em cerca de 50%, conforme a indicação encontrada na página 75. Muito da fome e gulodice da gestante é fome de proteínas.

A falta de leite na que amamenta é carência alimentar. Bem entendido, carência dos

correctos nutrientes de que o organismo necessita para o desempenho de suas funções. A Dra. Adelle Davis frisa isto repetidas vezes em seu livro Let's Have

Healthy Children.

Nenhuma mãe precisaria ter falta de leite para seu filho, caso fosse devidamente orientada quanto a sua alimentação durante a gravidez e até antes dela, e depois, enquanto amamentasse.

Capítulo 7

Capítulo 7 “ Ao ver o médico que a doença que se apossou do corpo é

“ Ao ver o médico que a doença que se apossou do corpo é o resultado do comer e beber impróprios, e contudo negligencia dizer ao paciente que seu sofrimento é causado por uma maneira de agir errada, está causando

um prejuízo à família humana.” – Medicina e Salvação, pág.

49.

Capítulo 7

Os Aminoácidos As proteínas são o que são os seus aminoácidos. Elas valem tanto quanto seus componentes em ácidos aminados. Em outras palavras, uma proteína é mais importante que outra na proporção em que tem maior ou menor quantidade de ácidos aminados e, entre estes, aqueles que são denominados aminoácidos essenciais. Mas diga-se de passagem, que não existem aminoácidos não essenciais; todos são essencialíssimos. O que há é que oito deles são chamados essenciais porque o corpo não os pode sintetizar; mas todos executam no organismo funções precisas e atuam na formação de enzimas e hormónios preciosos. Demais, na ausência de algum aminoácido, os outros existentes fabricam o faltante.

Além disto se sabe hoje que outros aminoácidos fora os oito são também essenciais à saúde, especialmente quando se tem de usar métodos artificiais para nutrir o enfermo. Prolina, por exemplo, suprida com outros clássicos, produz uma melhor retenção do nitrogénio. Mas outros dois aminoácidos - arginina e histidina - são muito importantes, e deveriam ser supridos com Prolina, quando agregados aos essenciais. E há evidências de que pelos menos crianças recém-nascidas e as prematuras, deveriam receber também tirosina e cistina, pois seu organismo não está em condições de manipular estes aminoácidos, quando sujeitas à alimentação artificial.

Aminoácidos Essenciais Isoleucina, Lisina, Metionina, Triptófano, Leucina, Fenilalanina, Treonina, Valina

Coadjuvantes Arginina, Histidina e Prolina

Essenciais Para Recém-nascidos e Prematuros Tirosina, Cistina

Utilidade Destes Aminoácidos e Suas Fontes Isoleucina - É importante na renovação dos glóbulos vermelhos e tecidos do corpo, e no metabolismo. Nas crianças e adolescentes, atua na glândula timo; e na pituitária e baço tanto em crianças como em adultos. Sua ausência prejudica a função do fígado na produção de anticorpos, de modo que haverá susceptibilidade para infecções e propensão para inchação. A deficiência deste aminoácido afecta igualmente o nível de leucina e valina. Encontra-se isoleucina em quantidades estupendas no lêvedo de cerveja, no peixe defumado e no soja; depois, ainda em quantidades muito boas, nas nozes e outras oleaginosas, nos legumes, especialmente tremoço e lentilha, na carne e nos ovos; e por fim, no queijo e no germe de trigo. Leucina - A função da leucina é contrabalançar a influência das funções de isoleucina. Este aminoácido é encontrado nos mesmos alimentos do anterior, e mais ou menos na mesma ordem de proporções. Lisina - Este aminoácido é de extrema importância, visto relacionar-se de perto com as glândulas da reprodução. E essência na participação em grupo no corpo pineal, que se relaciona com o desenvolvimento sexual do homem; com as glândulas mamárias; com o corpo lúteo, que produz a progesterona, tão necessária

à renovação da mucosa uterina nos intervalos das menstruações; e com os ovários.

Demais, está presente na preservação da destruição das células e tecidos, e nas funções do fígado e vesícula, actuando de modo especial no metabolismo das gorduras. Há a possibilidade de que a deficiência de lisina cause retardamento mental nas crianças em desenvolvimento, e a perda de cistina na urina. É um aminoácido muito sensível ao calor, de modo que é prejudicado toda vez que sofre altas temperaturas como as usadas no tratamento do leite para torná-lo em pó e na sua concentração, e igualmente as nozes para se conservarem. Esta proteína, quando tratada com calor nos alimentos que se podem comer crus, passa de completa para incompleta. Melhor mesmo seria comer os alimentos que a contêm, em seu estado o mais natural possível. Encontra-se lisina nos seguintes alimentos:

Primeiro no peixe defumado, no lêvedo de cerveja e no soja; depois na lentilha, ervilha, tremoço, germe de trigo, feijão, carne e queijo; e a seguir, nos ovos, nas sementes oleaginosas, principalmente a linhaça, nas nozes, no farelo de trigo e nos cereais.

Fenilalanina - Este ácido aminado tem sua acção nos processos da eliminação de matérias de despejo, tanto os resíduos dos alimentos como os tecidos do corpo e as células mortas. Mas sua eficácia se reduz sensivelmente na presença do álcool no organismo. Deste modo, a pessoa que bebe qualquer quantidade e qualquer espécie de bebida alcoólica, especialmente às refeições, prejudica os benéficos efeitos deste aminoácido. Esta proteína tem acção envolvente nas actividades dos rins e da bexiga. Sua ausência é marcada por olhos vermelhos com intumescência, uma característica, talvez, pelo exposto acima, daqueles que se dão aos grandes jantares bem regados com bebidas alcoólicas. Os alimentos que suprem fenilalanina são: Primeiro soja, lêvedo de cerveja, peixe defumado e amendoim; depois lentilha especialmente, mas também todos os demais legumes secos e o germe de trigo; e a seguir, as carnes, os ovos, a aveia como a primeira entre os cereais, e todos os restantes cereais integrais. Metionina - Este é um dos aminoácidos que contêm enxofre, e muito precioso. Presente nas funções do baço, das glândulas linfáticas e do pâncreas. É elemento vital dos glóbulos vermelhos; todas as células necessitam dele. Somente quando há metionina sobrando é que o organismo com ela fabrica colina, uma importante vitamina do complexo B e considerada um factor emoliente da dissolução do colesterol e de pedras na vesícula. Quando as crianças crescem demasiado rápido, podem desenvolver nefrite, se não houver um bom excesso de metionina.

Nos casos de ferimentos graves, a restauração e cicatrização são tanto mais rápidas quanto mais metionina houver. Sua ausência danifica o fígado, permite que gordura nele se acumule, e o impede de fabricar anticorpos. Verificou-se que nos casos de febre reumática e nos de toxemia das gestantes, metionina está ausente, e também na queda dos cabelos. O aumento de metionina na dieta ajuda a manter o equilíbrio proteico no corpo, mesmo quando não é alta a taxa de lisina, pelo maior uso de cereais, que são deficientes neste aminoácido. Metionina também auxilia no crescimento e diminui as concentrações tóxicas no plasma, no fígado e nos músculos, impedindo as lesões tóxicas. Encontra-se este aminoácido primeiro no peixe defumado e na castanha-do-pará; depois no lêvedo de cerveja e no gergelim;

e a seguir no queijo, soja, amêndoas, galinha e peixe fresco, germe de trigo e

amendoim. Treonina - Muito actuante na mudança dos átomos dos aminoácidos no corpo, estabelecendo equilíbrio entre suas cadeias estruturais e respectivas funções.

Portanto, essencial no metabolismo humano. O treonina favorece o desenvolvimento físico, diminui as concentrações tóxicas no organismo e impede as lesões causadas por toxidez. Alimentos em que se encontra treonina: Primeiro, lêvedo de cerveja,

peixe defumado, soja, tremoço, leite em pó e germe de trigo; depois lentilha, ervilha, feijão, peixe fresco, carne de vaca e sementes de linhaça; e a seguir, carne de galinha, amendoim, gergelim, grão-de-bico, gema de ovo, algas marinhas, ovo integral e nozes. Triptófano - O aminoácido restaurador - substância básica na reprodução de células e tecidos, desde as células do sexo até às últimas de todos os tecidos do corpo. Quando o triptófano é escasso, os testículos dos animais se atrofiam e as fêmeas envelhecem rapidamente, o que naturalmente deve acontecer também com os seres humanos. A ausência desse aminoácido faz com que o fígado não produza anticorpos, e há susceptibilidade para infecções, inchação do corpo e queda dos cabelos. O triptófano tem que ver com a actividade eficiente do sistema óptico, e está presente na formação dos sucos gástricos e em suas funções. Apenas um grama de triptófano é o bastante para a despesa diária do corpo humano; e embora os alimentos não tenham grande quantidade dele, não é difícil conseguir a quota necessária. Encontra-se triptófano, primeiro no soja, no lêvedo de cerveja e no peixe defumado; depois no leite em pó, sementes de linhaça, castanha-do-pará, tremoço e amendoim; e a seguir no gergelim, nozes, germe de trigo, gema de ovo, pistácio, feijão, queijo, peixe fresco, galinha, sementes de girassol, carne de vaca e de ovelha, ovo integral, cevada e farelo de trigo. Valina - Este ácido aminado está envolvido nas funções de todas as glândulas relacionadas com o corpo lúteo, as mamas, os ovários, e as que participam de seu correspondente grupo glandular. Portanto, muito relevante em todas as funções da reprodução na mulher e em suas actividades sexuais. A valina é encontrada primeiro no lêvedo de cerveja, peixe defumado, soja, leite em pó, nozes e amêndoas; depois no queijo, pistácio, amendoim, lentilha, sementes de linhaça, peixe fresco, ervilha, galinha e feijão; e a seguir, na gema de ovo, gergelim, grão-de- bico, algas marinhas, trigo sarraceno, avela e farelo de trigo. Arginina - Actuante na contracção dos músculos e parte importante na formação da cartilagem e ossos, e assim essencial na utilização do cálcio. Controla os processos que impedem a degeneração das células e evitam a formação de úlceras e focos cancerosos. Mantém a estrutura e o bom funcionamento dos órgãos sexuais. Sua ausência causa esterilidade nos animais, e diminui no homem a formação do esperma e sua mobilidade. Encontra-se arginina primeiro nas nozes, amendoim, soja, tremoço, gergelim e peixe defumado; depois na castanha-do-pará, ervilha, lentilha, sementes de linhaça, germe de trigo, amêndoas, lêvedo de cerveja, grão-de-bico e pistácio; e a seguir no feijão, trigo sarraceno, sementes de girassol, gema de ovo, as carnes bovina, de aves e peixes, farelo de trigo, coco, aveia e leite em pó.

Histidina - Importante no fígado para a formação do glicogénio e no controle do muco patogénico. E componente activo da hemoglobina e responsável pela geração e mobilidade do esperma. Sua ausência causa problemas na gestação, como abortos prematuros e partos difíceis; pode produzir esterilidade e outros problemas relacionados. Nos casos de uremia, a histidina atua como um aminoácido essencial. Encontra-se esta proteína primeiro no peixe defumado, no soja, lêvedo de cerveja, tremoço, leite em pó, germe de trigo, amendoim, peixe fresco, feijão e lentilha; depois, na carne de vaca, no queijo, carne de galinha, grão- de-bico e ervilha; a seguir no pistácio, amêndoas, nozes, farelo de trigo, gema de ovo, castanha-do-pará, trigo integral e aveia. Prolina - Este aminoácido é necessário na formação dos leucócitos ou glóbulos brancos, e regulador da emulsificação das gorduras. Sua ingestão deve estar relacionada com o triptófano e a lisina, sendo necessários oito gramas dele para satisfazer a quota diária desses dois aminoácidos, que é de um e quatro

gramas, respectivamente. A prolina é encontrada primeiro no leite em pó, queijo e soja; depois no lêvedo de cerveja, peixe defumado, germe de trigo, nozes, trigo integral, tremoço, cevada, amendoim, lentilha, centeio e amêndoas; a seguir, no

pistácio, ervilha, farelo de trigo, milho integral, grão-de-bico, castanha-do-pará, gergelim, feijão, aveia e gema de ovo. Tirosina - Presente na formação e desenvolvimento das células e tecidos,

e muito importante na produção de glóbulos brancos e vermelhos. O bom funcionamento das supra-renais, pituitária e tireóide depende deste ácido aminado.

É elemento vital na pigmentação das células da pele e do cabelo. A tirosina é

encontrada primeiro no lêvedo de cerveja, no leite em pó, peixe defumado, soja, amendoim e tremoço; depois no queijo, nozes, lentilha, germe de trigo, gema de ovo, peixe fresco, carne de galinha, gergelim, pistácio, carne de vaca e ervilha; e a seguir

nas amêndoas, grão-de-bico, feijão, ovo integral, aveia, castanha-do-pará, centeio, milho e trigo integrais. Cistina - Este é outro aminoácido portador de enxofre. Presente na manutenção de tecidos sadios e na resistência às infecções e intoxicações. Um dos mais importantes elementos do cabelo e dos glóbulos vermelhos. As glândulas mamárias precisam dele, particularmente durante a amamentação. Sua ausência pode causar danos ao fígado e produzir úlceras no estômago e duodeno. Encontramos cistina primeiro no soja, germe de trigo, peixe defumado, tremoço e sementes de linhaça; depois no gergelim, pistácio, aveia, amendoim, farelo de trigo, castanha-do-pará, lêvedo de cerveja e trigo integral; a seguir no trigo sarraceno, cevada, carne de galinha, ervilha, grão-de-bico, gema de ovo e centeio integral.

Uma Palavra de Explicação Nas páginas precedentes, demos apenas alguns dos alimentos que contêm os aminoácidos indicados. Naturalmente se tornou evidente que uns poucos produtos são predominantes no fornecimento da maioria dos aminoácidos essenciais

e também dos não essenciais. É pena que não haja uma pesquisa mais completa a respeito do assunto; mas é de se notar que os povos que se alimentam principalmente das proteínas que comandaram a exposição constante nas páginas anteriores, são os povos mais fortes e sadios, muito embora ainda pratiquem erros dietéticos. Os produtos apresentados acima são os mais ricos que existem em proteínas das espécies aí mencionadas, e sua importância deve ser considerada em escala descendente na ordem de apresentação. Só demos os alimentos que, em pequenas quantidades, podem fornecer a quota necessária para as despesas diárias.

Entretanto, como alguns aminoácidos, essenciais ou não, ajudam a fabricar outros no organismo, é claro que até mesmo alimentos com bem pequenas quantidades de proteínas, como é o caso das frutas e hortaliças, podem contribuir para completar a quota de proteína de que nosso corpo tem necessidade para se manter. Doutro modo, não poderíamos explicar como é que os animais que só comem capim depositam tanta proteína em sua carne. Aqui temos de repetir o conceito já expresso de que o segredo está no fato de eles comerem verduras cruas. Assim pois, como factores complementares na lista apresentada, não podemos deixar de incluir no regime as hortaliças e as frutas. Embora estas contenham bem pouca proteína, é sabido que certos aminoácidos são melhorados com os sais minerais e as vitaminas, e vice- versa. Outro alimento que deixamos de mencionar foi o leite fresco. Conquanto não tenha tão grande quantidade de proteínas quando o comparamos com os demais na base de porcentagem, ele se torna quase um gigante ao considerarmos

que podemos tomar dele até dez ou quinze vezes mais do que de qualquer outro tipo de alimento, sem prejuízo físico e sem enfarar. Se usarmos o leite como o fazem principalmente os habitantes dos países nórdicos e dos Estados Unidos - um litro e mais por pessoa - então poderíamos haver colocado esse alimento à frente de todos os outros na lista dos aminoácidos apresentados. Verão os leitores que, na verdade, se adoptarmos um regime ovo-lacto- vegetariano ou apenas lacto-vegetariano, podemos abandonar o uso da carne. Dela não sentiremos nenhuma falta, e teremos mais saúde. Mas para aqueles que querem um regime mais avançado, podemos dizer que, cuidando para ter abundância de proteínas vegetais, as mais ricas, muitas frutas e hortaliças em estado natural, e razoável quantidade de nozes e sementes oleaginosas, podem esquecer o regime que inclui produtos animais. A seguir damos uma lista mais ou menos completa dos principais alimentos mais substanciosos em proteínas, na ordem descendente, com seus respectivos aminoácidos em miligramas. Observe-se que alguns alimentos com porcentagem mais elevada de proteína têm um total inferior de aminoácidos essenciais.

Capítulo 8

Capítulo 8 “O alimento é o material do qual somos feitos. Se nosso alimento for deficiente,

“O alimento é o material do qual somos feitos. Se nosso alimento for deficiente, o alicerce de nosso corpo será fraco e a estrutura tenderá a ruir. Se ao contrário, nosso alimento não for deficiente, a estrutura será saudável – não desmoronará facilmente.” – Dr. H. E. Kirschner. “Alimento deficiente é a causa primária da doença.” Dr. G. T. Wrench.

Capítulo 8 Proteínas e Sua Aplicação

Proteínas Incompletas Tanto as proteínas completas quanto as incompletas são necessárias ao organismo, com a diferença, apenas, de que as últimas não são armazenadas. Sobre isto há divergências de opiniões, mas parece que as evidências favorecem a ideia apresentada. Quando se come feijão, por exemplo, que contém uma proteína incompleta, seus efeitos são usufruídos só num limitado período de tempo após sua ingestão, e a parte não usada é desperdiçada, muitas vezes se transformando em resíduos prejudiciais. É verdade que o assunto é discutível, e pode bem ser que o desperdício e suas consequências sejam melhor atribuíveis aos efeitos das más combinações. Entretanto, o feijão e seus afins como ervilha, lentilha e grão-de-bico (não o soja) devem ser usados com um critério especial para que possam ser melhor aproveitados. Eles contêm um total de proteínas superior a diversas carnes, mas são deficientes nos aminoácidos portadores de enxofre e contêm igualmente certa quantidade de factores antinutricionais. Quaisquer que sejam os resultados das constantes pesquisas em andamento, o mais seguro é sempre comer uma proteína completa com a incompleta. Assim, quando se comer feijão, lentilha, ervilha ou grão-de-bico, deve-se adicionar uma proteína completa ou uma oleaginosa, de preferência um produto abundante em Metionina e Cistina. Para este fim, sugerimos castanha-do-pará, lêvedo de cerveja, gergelim, soja, germe de trigo, ovo e creme de leite; mas pode ser também alguma carne e queijo. Entretanto, as verduras e hortaliças cruas, sem muito tempero, usadas como primeiro prato na refeição, e comidas com certa liberalidade, são factores complementares de importância apreciável. A proteína ou a oleaginosa que se usar para complementar a proteína incompleta, deve ser ingerida com esta na mesma refeição, não podendo nem mesmo ser tomada uma hora mais tarde, com risco de não desempenhar seu papel. Experiências feitas neste sentido, provaram ser esta a maneira correcta de proceder.

Necessidades Humanas de Proteínas Não há uniformidade entre os vários pesquisadores quanto às necessidades humanas de proteínas. Um bom número, porém, recomenda doses avantajadas; em casos graves de acidentes e queimaduras, alguns médicos chegaram a ministrar 400 e 500 gramas de proteína por dia, com resultados extraordinários. Mas há quem defenda a tese de não mais do que 35 a 70 gramas de proteínas diariamente. Cremos que a razão das divergências de opinião é resultante de não se considerarem os vários tipos de proteínas administradas e a forma em que foram usadas. Proteínas completas e incompletas, proteínas animais e vegetais, proteínas isoladas e naturais, proteínas cozidas e cruas, são todas proteínas que não dão o mesmo resultado no organismo, pois não são absorvidas do mesmo modo e assim distribuídas para manter o equilíbrio, e não deixam os mesmos efeitos. As várias opiniões sobre o assunto têm suas justificativas, pois foram baseadas em pesquisas sérias; mas não podemos passar por alto circunstâncias e factores. Se a pessoa que toma apenas 35 gramas de proteína por dia for vegetariana, e comer pelo menos 50% de seu alimento em vegetais crus e bem combinados de modo a não destruir os seus valores pela fermentação, então esses vegetais sintetizarão no organismo todos os elementos necessários à manutenção

da saúde. O homem que vive predominantemente de um regime vegetariano e

crudívoro, não precisa saber ler nem escrever, como o boi que também é analfabeto,

e no entanto sintetiza em seu corpo todos os elementos de que precisa. O

conhecimento se torna necessário primordialmente porque nos afastamos do regime

edênico. Se o boi comesse apenas capim cozido, morreria em poucos dias. Não é tanto o quanto comemos como a forma em que comemos que faz a

grande diferença. A razão deste estudo é principalmente ensinar como comer para ter saúde. Mas vamos às quantidades de proteínas recomendadas. Como base, estabeleceu-se uma tabela que é considerada bastante razoável. E a seguinte:

1. Do nascimento até aos 7 anos de idade, a criança deve receber

diariamente dois gramas de proteína por quilo de seu próprio peso. Ou seja, um bebé que pese 5 quilos, deveria tomar 10 gramas de proteína por dia.

2. Dos 7 anos de idade até ao fim da adolescência, a criança ou adolescente

precisa de um e meio grama de proteína por quilo de seu próprio peso. Assim, um adolescente com 40 quilos de peso deveria tomar diariamente 60 gramas de

proteína.

3. Do fim da adolescência e pelo resto da vida, o indivíduo precisa de apenas

um grama de proteína por quilo de seu peso.

4. As gestantes e as que amamentam precisam, como os adolescentes, de

um e meio grama de proteína por quilo de peso. A gestante que usa essa quota de proteína diariamente, acrescida de boa quantidade de frutas e vegetais crus, terá gestação e parto felizes e abundância de leite de boa qualidade para alimentar seu filho. Os desejos anormais da mulher durante a gravidez são o resultado natural de um clamor interno do organismo, pedindo mais proteína, sais minerais e vitaminas para o feto em desenvolvimento. Entre os muitos casos que poderíamos mencionar para ilustrar a importância do que estamos a dizer, apresentamos apenas um. Eu estava realizando uma série de palestras sobre o assunto, quando uma senhora de idade madura, à saída, me pediu conselho. Disse-me que estava nos primeiros dois meses da nona gravidez e que sempre havia sofrido muito nas gestações e nunca tivera leite para amamentar nenhum de seus oito filhos. Prescrevi-lhe um regime com cerca de 100 gramas de proteína por dia, abundância de frutas e hortaliças, em combinações correctas, conforme o método que defendemos nesta obra. Pois bem, nunca mais a vi senão no ano seguinte. Então ela veio me mostrar

a

criança e contar-me os resultados. Disse-me que tivera uma gestação maravilhosa

e

parto normal. A criança, durante os 10 meses de vida que tinha na ocasião, nunca

havia provado outro alimento senão o leite materno, que era partilhado o tempo todo

com a criança de uma vizinha, tanta era a abundância. Demais, contou-me que a filhinha nunca tivera um dia de febre ou outro problema de saúde, nunca estivera nem mesmo levemente resfriada e jamais fora

levada a qualquer consultório para ser medicada do que quer que fosse. Ao ver a criança, era evidente a saúde transbordante que ela proclamava.

5. As pessoas doentes, qualquer que seja a enfermidade, terão que duplicar

ou triplicar a sua quota de proteínas. Isto é, um adulto que pese 60 quilos, uma vez enfermo, deverá tomar diariamente pelo menos cento e vinte ou cento e oitenta gramas de proteína, conforme o grau de gravidade de sua doença ou de acordo com

a necessidade que tem de restaurar-se mais depressa. Mas há casos em que se

deveria multiplicar sua quota por 4 ou 5 ou mais, numa doença muito grave ou num acidente de proporções.

A razão é óbvia quando se toma em consideração que não se forma uma

única célula sem proteína, e que a doença destrói, momento a momento, milhões incontáveis de células, que só serão substituídas se houver abundância de proteínas

completas.

Uma Pergunta Oportuna De acordo com as sugestões dos últimos parágrafos, seriam elas válidas também para os portadores de câncer? Como é sabido, a maior parte dos entendidos no assunto desaconselha o uso de proteínas no tratamento do canceroso. Entretanto, creio que devemos ser muito cuidadosos ao responder a essa pergunta. Temos, primeiro, de ser razoáveis. Não podemos contradizer-nos. A Natureza é regida por leis fixas; mas quando ela é abusada, produz aberrações. O excesso de glóbulos brancos ou vermelhos, as calcificações, obesidade, albuminúria, cistinúria e outras, são aberrações causadas por abuso da Natureza - transtornos e desequilíbrios que poderiam ter sido evitados. Não deveríamos primeiro manter o princípio de que todo doente precisa mais do que ninguém de proteína para refazer suas células? A não ser que possamos provar que está errado o conceito de que sem proteínas não se reconstroem células. Mas em face do fato de que é também verdade que proteína aumenta as células cancerosas, não deveríamos então considerar isto como um transtorno a ser reparado, em vez de privar o organismo de nutrientes insubstituíveis, só para evitar que o ladrão também coma? Acima de tudo, creio que devemos responder à pergunta fixando-nos no fato inquestionável de que não há doença sem fermentações e desnutrição. Sobre isto, já enunciamos os melhores conceitos de vários autores, e achamos desnecessário alongar- nos mais. Resumindo, diríamos apenas que em vão palmilharemos os caminhos do mundo em busca de cura para o câncer, enquanto continuarmos a caça ao vírus, seja do que for, para eliminá-lo. Deixemos o vírus, e fortaleçamos o doente. E assim que age a Natureza. Na Natureza não há extermínio de pragas; estas são controladas e adormecidas por elementos vitais e não por forças exterminadoras ou privações. A Natureza nunca nega; sempre dá, e é na prodigalidade de suas dádivas que ela tem sempre muito mais para dar do que para perder.

Uma Questão de Mecanismo

É preciso que mantenhamos sempre em mente os conceitos emitidos pelos

doutores Forman, Cavanaugh e Arbuthnot ,Lane, conforme referidos anteriormente,

de que existe apenas uma enfermidade - a má nutrição e má drenagem. "Temos estado a estudar germes ", disse o Dr. Lane, já citado, "quando deveríamos ter

estado a estudar dieta e

apropriadamente, e se terá operado o milagre. Ninguém que se tenha dado ao trabalho de evitá-Io, precisa ter câncer."

Drene o corpo de seus venenos, alimente-o

E isto é verdade a respeito de cada doença, como temos insistido em

reafirmar. Desejo evitar que esta obra se torne um instrumento para divulgar experiências, mas não podemos deixar de mencionar algumas, de naturezas bastante diversas, de propósito, para provar que existe realmente apenas uma doença, como tantos autores têm insistido em declarar. E nossa intenção demonstrar que, exceptuando acidentes, todas as doenças podem ser evitadas pela alimentação correcta, e curadas praticamente também pela alimentação. Há algum tempo atrás, um casal me procurou, trazendo uma filha de 15 anos de idade com um gravíssimo problema de eczema. Já haviam gasto muito dinheiro com os melhores especialistas sem nenhum resultado satisfatório. A menina era

muito magra, sem nenhum indício ainda da proximidade da puberdade. Depois de algumas perguntas, verificamos, entre outras coisas, que ela ficava muitos dias sem evacuar. Prescrevi-lhe uma mudança completa em seu regime alimentar. Usei uma fórmula apropriada para lhe regular os intestinos e fornecer-lhe pelo menos o dobro de sua quota diária de proteínas. E então para estimulá-Ia a seguir o programa, prometi-lhe que, se fosse rigorosa em seu novo regime, dentro de 4 ou 5 meses, teria formado o corpo de uma perfeita moça, sem nenhum problema físico. Disse-lhe que se não preocupasse com aquele eczema, pois logo não teria mais nada. Resultado: Dentro de 45 dias lhe vieram as regras; com pouco mais de 100 dias tinha formado cintura e busto perfeitos; e, sem se aperceber, o eczema desaparecera como que por encanto. Certa ocasião me trouxeram, amparado por dois homens, um senhor de 84 anos de idade. Estava todo paralítico de um lado, da cabeça aos pés. Fazia pouco, havia tido um derrame cerebral que quase o matara. O estado dele era gravíssimo, além da idade avançada. Sem muita confiança em mim mesmo, prescrevi-lhe um programa de alimentação com duas ou três vezes a quota normal de proteína, e alguns conselhos mais para evitar desperdícios de nutrientes. Ao ele sair, confesso que disse a mim mesmo: "Está com os dias contados." Qual não foi a minha surpresa quando, 6 meses depois, ele apareceu diante de mim, andando desembaraçadamente, com mente lúcida e passos firmes! Viera para me agradecer.

A doença não faz mais do que seguir um curso de processos desencadeados

por nós mesmos. Comemos alimentos pobres ou mal combinados, destruindo seus

valores por excesso de cozimento e tempero. Esses alimentos fermentam e apodrecem no trato digestivo. A putrefacção produz toxinas que infectam a corrente sanguínea e os órgãos vitais. Alguns alimentos cozidos transformam em cristais o ácido oxálico que iria produzir os movimentos peristálticos a fim de estimular os intestinos a se livrarem das fezes. Então aí começa a prisão de ventre que, dentro de pouco tempo, será crónica. O indivíduo, assim enfezado, será doente - doente de qualquer enfermidade, dependendo de vários factores e heranças.

É uma questão de mecanismo - um mecanismo certo e seguro. Se não

cuidamos do que comemos e como comemos, somos nós os culpados. Nós somos os coveiros de nosso corpo. Desencadeamos um processo que começou na boca e terminará no cemitério.

Um Regime Equilibrado Precisamos de alimentos ricos em proteínas, especialmente proteínas vegetais de fácil digestão, proteínas completas e incompletas, preparadas de maneira a não se destruírem os seus valores, e combinadas de acordo com as indicações anteriores, para evitar a fermentação. Mas além disto, precisamos diariamente de cereais integrais, hortaliças, principalmente cruas, frutas frescas em abundância, nozes e sementes oleaginosas, sempre ingeridos em conformidade com a tabela de combinações já prescrita. Não recomendamos os alimentos cárneos e o queijo, porque são factores de putrefacção nos intestinos - uma das grandes causas da prisão de ventre, fezes fétidas, pele e cabelos malcheirosos. Demais, favorecem o envelhecimento prematuro, o colesterol, a arteriosclerose e todas as doenças da circulação. Mas para todos aqueles que escolheram o regime sem carne, queremos deixar aqui um conselho. O regime estritamente vegetariano pode trazer desapontamento e descrédito, quando se transita abruptamente de um regime para

outro, sem o devido conhecimento. Por esta razão lhes recomendamos usarem leite

e

ovos durante um razoável período de adaptação. O regime ovo-lacto-vegetariano é

o

mais indicado para se chegar ao regime vegetariano. Milhares de pessoas têm

fracassado ao tentarem uma mudança abrupta. Ninguém se deve lançar directamente num regime estritamente vegetariano, a não ser que planeje ser crudívoro por excelência, usando abundância de frutas, hortaliças, oleaginosas e alguns cereais integrais. Só assim estará certo de manter a saúde, sem nenhuma carência.

 

%DE PROTEÍNA

ISOLEUCINA

LEUCINA

LISINA

FENILALANINA

METIONINA

TREONINA

TRIPTÓFANO

VALINA

ARGININA

HISTIDINA

PROLINA

TIROSINA

CISTINA

TOTAL DE

AMINOÁCIDOS

ESSÊNCIAIS

ALIMENTO

                             

PEIXE DEFUMADO

40

2080

3238

3680

1594

478

1990

422

2323

2419

1242

1370

1248

435

15805

LÊVEDO DE CERVEJA

38,8

2267

3105

3509

1882

621

2149

429

2850

1944

969

1497

1608

348

16812

SOJA*

38

1889

3232

2653

2055

525

1603

532

1995

3006

1051

2281

1303

522

14484

TREMOÇO

31,2

1369

2241

1652

1153

235

1138

314

1258

2965

814

1283

1103

434

 

9360

LEITE EM PÓ

26

1346

2526

1848

1236

657

1073

363

1640

869

730

2999

1269

241

10689

AMENDOIM

25,6

990

1876

1036

1459

338

764

305

1224

3269

694

1276

1144

366

 

7992

LENTILHA

24,2

1045

1847

1739

1266

194

960

231

1211

2101

662

1033

789

221

 

8493

GERME DE TRIGO

22,9

889

1710

1608

1015

482

1047

261

1240

2026

711

1355

766

514

 

8252

ERVILHA

22,5

961

1530

1692

1033

205

914

202

1058

2142

514

878

616

252

 

7595

FEIJÃO

22,1

927

1685

1593

1154

234

878

223

1016

1257

627

789

559

188

 

7710

GRÃO-DE-BICO

20,1

891

1505

1376

1151

209

765

174

913

1891

531

849

589

238

 

6975

GALINHA

20

1069

1472

1590

800

502

794

205

1018

1114

525

829

669

262

 

7450

NOZES

19,9

1463

1455

690

833

188

623

263

1500

3506

424

1313

878

101

 

7015

PISTÁCIO

18,9

881

1523

1080

1088

367

613

225

1344

1859

471

895

667

385

 

7121

PEIXE DEFUMADO

18,8

900

1445

1713

737

539

861

211

1150

1066

665

692

689

220

 

7556

GERGELIM

18,1

773

1433

585

947

602

763

287

985

2586

523

790

667

386

 

6375

SEMENTES DE LINHAÇA

18

921

1299

806

1017

415

813

330

1153

2033

442

813

578

408

 

6754

QUEIJO

18

956

1864

1559

950

530

725

217

1393

651

556

2344

973

76

 

8194

CARNE DE VACA

17,7

852

1435

1573

778

478

812

198

886

1118

603

668

637

226

 

7012

AMÊNDOAS

16,8

700

1267

454

975

518

492

172

1053

1976

450

982

593

172

 

5631

GEMA DE OVO

16,1

820

1370

1202

728

364

753

240

998

1143

400

617

704

235

 

6475

OVELHA OU CORDEIRO

15,6

778

1203

1275

625

383

733

198

790

1075

428

730

515

200

 

5985

CASTANHA-DO-PARÁ

14,8

474

1168

474

661

984

442

322

729

2252

390

813

458

355

 

5254

FARELO DE TRIGO

13,6

451

896

583

568

220

482

173

680

1058

421

853

425

363

 

4053

AVEIA

13

526

1012

517

698

234

462

176

711

876

292

723

459

372

 

4336

ALGAS MARINHAS(PIN)

12,7

365

1076

467

407

264

690

148

873

386

63

386

203

118

 

4290

OVO INTEGRAL

12,4

778

1091

863

709

416

634

184

847

754

301

515

515

301

 

5522

TRIGO INTEGRAL

12,2

426

871

374

589

196

382

142

577

602

299

1298

391

332

 

3577

TRIGO SARRACENO

12,2

415

720

464

464

183

439

152

817

1195

255

525

293

293

 

3654

CEVADA

11

421

784

406

603

196

389

180

592

555

248

1282

365

267

 

3571

CENTEIO

11

414

728

401

522

172

395

87

561

541

261

1108

227

225

 

3280

MILHO

9,5

350

1190

254

464

182

342

181

461

398

258

850

363

147

 

3394

ARROZ INTEGRAL

7,5

300

648

299

406

183

307

98

433

650

197

369

275

84

 

2674

*Em outras tabelas, o soja aparece com 40g de proteína.

 

Capítulo 9

Capítulo 9 “Quando se abandona a carne, deve-se substituí-la com uma variedade de cereais, nozes, verduras

“Quando se abandona a carne, deve-se substituí-la com uma variedade de cereais, nozes, verduras e frutas, os quais serão a um tempo nutritivos e apetitosos.” – A Ciência do Bom Viver, pág. 316

Capítulo 9

Os Cereais Os cereais integrais, além dos alimentos essencialmente protéicos que já mencionamos, fazem parte da alimentação correcta. O trigo é o rei dos cereais, e deve ser usado frequentemente em várias formas. Mas, como alimento mais comum em muitos países, o arroz integral também é muito importante. No caso de não ser encontrado o arroz integral, o malequizado ou macerado é melhor que o branco polido. Tão logo a pessoa coma o arroz integral algumas vezes, já não sentirá sabor no branco, sem película. Outros cereais como o milho, a aveia, o centeio, o trigo sarraceno, o sorgo, cevada e outros são todos ricos em nutrientes, e devem ser usados para formar uma variedade bem distribuída em nosso cardápio. Mas sempre os devemos usar integrais, e cozidos devidamente. Os cereais exigem cozedura prolongada em fogo moderado, a não ser que sejam brotados previamente. Tanto a cozedura prolongada como a brotação, transformam os amidos dos cereais e lhes adicionam valores, facilitando a digestão. Embora os cereais contenham menos proteínas que os legumes secos, as que possuem são de excelente qualidade. Seu ponto fraco é a carência de alguns aminoácidos essenciais, mas que podem ser satisfeitos quando se usam os cereais em combinação com nozes e sementes oleaginosas. Acima de tudo, porém, o mais perfeito complemento deveria ser o lêvedo de cerveja. Para um regime bem equilibrado e balanceado, não podemos passar por alto os cereais. Além de se constituírem numa fonte de energia, sua grande e importante riqueza está na quantidade de vitaminas do complexo B que possuem, na vitamina E contida no embrião, e nos vários sais minerais, nomeadamente o cálcio, o fósforo, o ferro, o sódio e o potássio. Grandes quantidades de fósforo são encontradas na película dos cereais, e o ferro do trigo integral e do seu farelo é muito mais eficiente para a formação da hemoglobina do que o ferro da carne magra, do fígado ou da gema de ovo". conforme afirmação do Dr. H. Sherman.

Banir Os Refinados e Processados

É preciso que nos conscientizemos da importância de nossa saúde e a ponhamos acima de

aparência e sabores. Precisamos mudar nossa maneira de nos alimentarmos. Temos de fazer sumir

de nossas mesas o pão branco e o arroz polido. Com os cereais integrais em nossas mesas, bastarão algumas semanas para ver nossos filhos mais corados, com melhores notas na escola e

menos irritadiços. Que aqueles que têm sob sua responsabilidade escolas de correcção ou adaptação, orfanatos, hospitais para nervosos e psicopatas, prisões e penitenciárias verifiquem a diferença que fazem os cereais integrais no comportamento daqueles a quem precisam ajudar e tolerar. Alguns dias apenas bastarão para lhes darem a resposta. Dizia bem o Dr. Victor Pauchet, que '"'não existem pessoas más, e sim pessoas doentes". Adelle Davis escreve em seu livro Let's Eat Right to Keep Fit: " A maioria dos assassínios e dos crimes viciosos neste País é cometida por esquizofrénicos. O suicídio, uma das maiores causas

de morte entre estudantes colegiais, é extremamente comum em

reconhecerá que nossa desgraçada taxa de crime, nossa tremenda perda por suicídios e nossos milhões de alcoólatras são em parte produzidos pelas indústrias alimentícias que, ignorando a saúde, inundaram o mercado com produtos super-refinados e super-processados - produtos designados meramente para fazer dinheiro." - Pág. 89. E que diríamos dos artríticos, reumáticos e diabéticos; aqueles com hepatite, prisão de ventre,

arteriosclerose e insónia? Talvez não os conhecêssemos. O nosso mundo seria muito diferente. Mas se não podemos mudar o mundo, vamos mudar nossa família, e, pelo exemplo e pelos resultados em nós, vamos mudar nossa sociedade mais próxima.

Algum dia se

É alarmante a quantidade de valores nutrimentais perdida estupidamente na refinação dos

cereais, perdas estas que chegam a ultrapassar 75% nas vitaminas, e grande quantidade nos sais

minerais. Isto significa que aquele que come cereais refinados, tem de buscar na farmácia quase a totalidade das vitaminas e sais minerais que seu corpo necessita. Mas no caminho para a drogaria, ele passará primeiro pelo médico, onde deixará boa parte de seu salário; e então terá de considerar também o sofrimento, a dor, a infelicidade e a aparência desfigurada. Não podemos deixar de compreender que todos os amidos necessitam de uma boa quantidade de vitaminas do complexo B para serem digeridos e assimilados. Daí a razão por que grande parte dos cereais refinados não alimenta o organismo, e seus resíduos causam prisão de ventre e outros problemas de saúde. Quanto mais refinados usarmos, maior é a necessidade do complexo B. Se o complexo B foi roubado ao produto na refinação, deveríamos acrescentá-Io às refeições em forma de comprimidos ou de injecções. Mas por que comer um alimento desfalcado brutalmente de seus nutrientes para depois completá-lo com comprimidos? Linda Clark, em seu livro Know Your Nutrition e bem assim o Dr. L. Rosenvold, em Nutrition for Life, dão ênfase ao fato de que a deficiência do complexo B nos cereais refinados favorece a neurite, anemia, inapetência, nervosismo, fraqueza, sensação de cansaço; irritabilidade, inclinação suicida, acne e outros problemas mais.

Tomemos as Providências Os que moram nas grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e outras, com algum esforço encontrarão o arroz integral; e os que moram no interior talvez tenham à sua disposição alguma beneficiadora que lhes permitirá adquirir uma quantidade de arroz sem passar pelo processo final. Quanto ao trigo, muitos poderão adquiri-Io inteiro ou partido no comércio árabe-siro-libanês ou nas casas macrobióticas. Ali encontrarão muitas vezes outros cereais integrais. E com um pequeno moinho de cereais, podem moer esses grãos para fazer em casa seu próprio pão. E bom considerar que as farinhas integrais encontradas à venda, muitas vezes já estão nas prateleiras há muitas semanas, possivelmente já com o embrião rançando. Por esta razão insistimos na importância de cada família adquirir seu próprio moinho. Existem uns moinhos para cereais fabricados no Rio Grande do Sul, muito baratos e práticos, com os quais podemos moer não só o trigo, mas qualquer cereal. Com um moinho desses qualquer pessoa pode obter fubá fresquinho para sua polenta ou para o pão, com vantagem de conservar no produto o embrião; pode moer amendoim, gergelim e castanhas-do-pará para fazer delicioso creme e usá-Io no pão e noutros pratos. E uma das mais relevantes vantagens é que as farinhas para o pão poderão ser moídas apenas uns minutos antes de serem transformadas em massa, levando consigo para o alimento todas as vitaminas antes de se oxidarem.

Os germes dos cereais são uma grande fonte de vitamina E e de indispensáveis ácidos gordurosos, vitamina F, e, consequentemente, um meio de adquirir também a vitamina K. Mas quando esse germe é moído muito tempo antes de seu uso, ele rança e pode causar resultados desastrosos para a saúde. Demais, até mesmo as vitaminas do complexo B encontradas na película dos cereais e alguns sais minerais se perdem em farinhas velhas. Já que é para melhorar nossa alimentação, melhoremo-Ia ao máximo, paguemos o preço da saúde; compremos nosso pequeno moinho; forcemos os negociantes de nosso bairro ou de nossa cidade a nos fornecerem arroz integral, trigo integral e outros cereais integrais. Mudemos a face do mundo em que vivemos. Somos fadados a ser reformadores da saúde. Este deve ser o nosso nome, e esta a nossa missão. Mas para aqueles que não têm as facilidades acima referidas, indicamos a aveia em flocos, como o melhor dos cereais, com trigo, centeio e arroz. Conta-se que certa vez um inglês disse a um escocês, em tom de menosprezo: "Vocês comem na Escócia a aveia que aqui damos aos cavalos", ao que lhe respondeu o escocês: "Mas também quando vocês querem um homem forte, procuram- no na Escócia; e nós compramos os nossos cavalos na Inglaterra.”

Para Realçar o Valor Aos que usam aveia, queremos aconselhar a acrescentar-lhe sempre um pouco de germe de trigo, uma pitadinha de lêvedo de cerveja e uma boa colher de leite em pó. Um prato de aveia assim constituído e algumas frutas frescas ou secas, é um alimento substancial como refeição matinal ou vespertina, tanto para crianças como para adultos e jovens.

A revista Nutrition. vol. 12, pág. 233, afirma conforme indicação do Dr. Bamett Sure, que as

proteínas da farinha do arroz integral são superiores ás do trigo e milho. E possível que sua afirmação se tenha baseado no arroz de película vermelha; mas também é verdade que os nutrientes de um produto dependem da espécie de terra em que ele foi cultivado. Exemplificando, verificou-se que há alfafas que não oferecem mais que 9% de proteína, ao passo que outras chegam a atingir 32%, dependendo da terra em que foram cultivadas. Como se vê, a diferença de teor é enorme. Mas de qualquer maneira, o importante é que façamos todo esforço possível por comer melhor, comendo mais cereais integrais.

Cereais Para os Bebés? Entretanto, ao mesmo tempo em que os cereais são um elemento de importância na alimentação, ao lado das proteínas, não devem ser usados para nutrir bebés. A boca das crianças é deficiente em ptialina, o elemento que nos adultos entra na digestão do amido dos cereais e outros. Assim sendo, nenhuma criança com poucos meses de idade deveria provar cereais, mesmo que estes sejam integrais. É erro inquestionável engrossar a mamadeira do bebé com amido de milho, farinha de arroz, farinha de aveia ou outro cereal. Há autores que estabelecem a idade de 3 meses para começar a dar farinhas nas mamadeiras. Mas verificou-se que há bebés que aos 6, 9 e mesmo aos 11 e 12 meses de idade ainda não toleram os amidos. Se estes não podem ser digeridos, vão causar fermentação e prisão de ventre, com agravamento para o futuro. Por segurança, que ninguém se apresse em dar a nenhum bebé qualquer cereal antes dos 9 meses de idade. Na verdade, o único alimento para os bebés até acima de um ano de idade deve ser o leite materno. E quando se começar a lhes dar algum cereal, que seja devidamente cozido por algumas horas, a não ser que tenha sido brotado previamente. Mesmo para os adultos, os cereais devem sofrer cozedura prolongada. O arroz que cozinha apenas 30 minutos à moda brasileira, não está em condições de gerar saúde em nenhum estômago, por mais forte que seja. Todos os cereais precisam de várias horas de cozimento, excepto os brotados, como dissemos acima.

O Pão

O pão, correctamente fabricado, é, entre os produtos derivados de cereais, um dos mais

preciosos e saudáveis alimentos. Pode ser usado diariamente, contanto que seja feito de farinhas integrais, dos melhores cereais, sem aditivos químicos que o tornem perigoso à saúde. Todo pão deveria conter um mínimo de 30 a 50% de farinhas integrais para ser considerado um pão nutritivo. Mas o melhor pão é aquele que pode ser feito de uns 3 cereais integrais. Neste caso, sugerimos trigo, centeio e aveia, ou trigo, centeio e milho. O restante da porcentagem seria completada com farinha de trigo refinado. Sabendo-se fazer bem leve e bem assado por dentro e por fora, pode-se fazê-Io inteiramente de farinha integral, ou seja 100% integral. Nunca se coma pão quente ou feito no mesmo dia. O pão deve ser perfeitamente assado, de maneira que não permaneça massa alguma crua. Depois de assar por mais de uma hora, deve ser deixado a repousar por um mínimo de 24 horas, antes de ser servido como alimento para a saúde da família. Entretanto, o mais saudável ainda é cortá-lo em fatias e assá-Io segunda vez, a fim de destruir nele todo resquício de fermento. Também é muito saudável o pão sem nenhum fermento - fácil de prepará-Io e que se pode fazer para usá-Io quente ou para guardá-Io por algum tempo. Feito de pura farinha integral, de preferência moída meio grossa, com um pouco de creme de leite e sal, é delicioso e um extraordinário alimento para quem sofre de prisão de ventre.

A seguir, damos sobre o pão alguns pensamentos isolados que se encontram nos inspirados conselhos de Ellen G. White, no livro Conselhos Sobre o Regime Alimentar:

Religião no Pão

"Há

mais religião num bom pão do que muitos

E dever religioso de toda jovem

cristã e de toda senhora aprender quanto antes a fazer pão bom, isento de acidez e leve, de farinha integral." - Págs. 316, 317.

Não Comer Pão Quente ou Recém-Assado "O pão deve ser leve e agradável. Nem o mais leve vestígio de acidez se deve tolerar. Os pães devem ser pequenos, e tão perfeitamente assados que, o quanto possível, os germes do fermento sejam destruídos. Quando quente ou fresco, qualquer espécie de pão levedado é de difícil digestão. Nunca deveria aparecer à mesa. Isto não se aplica, entretanto, ao pão sem levedar. Pão fresco de trigo, sem fermento ou levedura, e assado num forno bem quente, é a um tempo saboroso e saudável." . “ Pão de dois ou três dias é mais saudável do que o novo. O pão secado ao forno (cortado em fatias e torrado) é um dos mais saudáveis artigos de alimentação." "As frutas usadas com pão perfeitamente cozido, de dois ou três dias, serão mais benéficas que com pão fresco. Isto, com mastigação lenta e cabal, fornecerá tudo o que o organismo necessita." - Págs. 316, 317, 319.

Pão Sem Fermento "Biscoitos quentes, crescidos com bicarbonato ou fermento, em pó, nunca devem aparecer em nossa mesa. Tais artigos são inapropriados para entrar no estômago. Pão fermentado quente, de qualquer espécie, é de difícil digestão. Broas de farinha integral, a um tempo saborosas e saudáveis, podem ser feitas misturando a farinha integral com pura água fria e leite "Para fazer pãezinhos (sem fermento), usai água leve e leite, ou um pouco de nata; fazei uma massa dura e bem amassada como para bolachas de água e sal. Assai na grelha do forno. Eles são deliciosos. Pedem cabal mastigação, o que é um benefício tanto para os dentes como para o estômago. Dão bom sangue e comunicam força. Com tal pão e abundância de frutas, verduras e cereais que o nosso país produz abundantemente, não se devem desejar maiores regalos." - Págs. 319, 320.

Resumindo Nestes pensamentos sobre o pão, destacam-se os seguintes conselhos:

1. Que o pão seja de farinhas integrais.

2. Que ele é melhor sem fermento; quando fermentado, fazê-lo em pães pequenos para assar

melhor; ou então cortar o pão em fatias para torrá-lo e secar todo resquício de fermento.

3. Nunca usar quente o pão fermentado; é melhor usá-lo amanhecido de dois ou três dias.

4. O pão deve ser leve e sem acidez.

5. Nunca crescido com bicarbonato ou fermento à base de bicarbonato.

6. Faz parte de uma boa religião saber fazer um bom pão. Esse é o dever de toda moça ou

senhora. Muita gente desce ao sepulcro prematuramente por causa do pão que come; isto é, por causa da qualidade do pão que come. Milhares de pessoas correm diariamente às padarias na hora do pão quentinho - pão branco de trigo desvitalizado, mal cozido, ou mais cru do que cozido, e carregado de sorbato de potássio. A ganância de padeiros desonestos alimenta a ignorância de criaturas incultas, especialmente crianças, 'e essa está lotando os hospitais e causando a morte em milhares. Não haverá quem levante a voz contra essa calamidade? Ou não chegarão os nossos conterrâneos a compreender em tempo que satisfazer o paladar não representa todo o prazer de viver?

Não é preciso que condenemos aqueles que se aproveitam da ignorância alheia; basta que um maior número de brasileiros comece a fazer em casa seu próprio pão, ou só compre pães verdadeiramente integrais e feitos sem conservantes químicos. E logo veremos desaparecer um grande número de padarias, que agora infestam uma grande parte das esquinas de nossas cidades. Comecemos a exigir, e logo teremos melhor pão no comércio.

Capítulo 10

Capítulo 10 “Com as nozes se podem combinar cereais, frutas e alguns tubérculos, preparando pratos saudáveis

“Com as nozes se podem combinar cereais, frutas e alguns tubérculos, preparando pratos saudáveis e nutritivos. Deve-se cuidar, no entanto, em não usar grande

proporção de

amendoins, mas estes, em limitadas porções, usados conjuntamente com cereais, são nutritivos e digeríveis. Quando devidamente preparadas, as azeitonas, como as nozes, substituem a manteiga e as comidas de carne. O azeite, comido na azeitona, é muito preferível à gordura animal. Actua como laxativo. Seu uso se verificará benéfico aos tuberculosos, sendo também medicinal para um estômago inflamado e irritado.” A Ciência do Bom Viver, pág. 255.

As amêndoas são preferíveis aos

Capítulo 10

As Gorduras As gorduras são tão necessárias ao nosso organismo quanto qualquer outro nutriente. Isto, a própria Natureza o indica. Grande parte dos alimentos naturais têm apreciáveis quantidades de gordura, o que demonstra sua importância. As gorduras fazem parte de todas as células de nosso corpo: estão nos nervos, no cérebro, são necessárias às glândulas para a produção de hormónios, inclusive os do sexo, e inúmeras outras funções da máquina viva. Sem gordura em nosso alimento, as vitaminas lipossolúveis não podem ser aproveitadas. Modificadas, elas fazem parte dos órgãos vitais. Armazenadas moderadamente, dão formas agradáveis ao nosso corpo e servem de amortecedores. Em proporções correctas na dieta, elas produzem calorias com menor volume de alimento e mantêm as forças por mais tempo.

Ácidos Gordurosos Essenciais Nosso organismo tem capacidade de fabricar algumas gorduras, mesmo que as não comamos com os alimentos. A maior parte dos ácidos gordurosos podem ser obtidos pela transformação dos açúcares provenientes dos hidratos de carbono ingeridos. Mas é preciso observar que a totalidade dos ácidos gordurosos abrange entre eles três que não podem ser desenvolvidos no corpo, e que por esta razão são chamados essenciais, como no caso de algumas proteínas mencionadas anteriormente. Eles precisam estar presentes no alimento que comemos, ou não os teremos nunca e ficaremos doentes. São eles os ácidos gordurosos Linoléico, Araquidônico e Linolênico, sendo o primeiro deles o mais precioso, mesmo porque com ele presente, os dois últimos podem ser fabricados. Enquanto os ácidos gordurosos em geral fornecem energia e dão beleza ao corpo, arredondando as formas, os três essenciais acima referidos nos mantêm a saúde. Sem eles, adoecemos. Por isso, são chamados essenciais - essenciais porque não podem ser fabricados no organismo, e essenciais porque sem eles enfermamos. Sua ausência pode produzir sede excessiva, eczemas, cabelo seco e pele seca ou escamosa; os ovários podem ser prejudicados de modo a interferirem na ovulação, reprodução e lactação; pode produzir esterilidade; retarda o crescimento e danifica os rins. Em muitos casos o suprimento de algumas colheres das de sopa de óleo cru

a um doente, é suficiente para fazê-Io livrar-se imediatamente de um eczema rebelde ou de aftas persistentes. Já houve casos de pessoas que, com apenas uma colher das de sopa de óleo de soja, tomada com o alimento ou após a refeição, dentro de 4 ou 5 horas estavam livres das aftas.

Os Gordos Há pessoas que evitam a gordura com medo de engordar; e é justamente isso que as faz engordar mais. Existe um verdadeiro caos nesta questão de dieta. Toma-

se como certo que quanto mais calorias ingerir o indivíduo, mais engorda. E esta não

é toda a verdade. A pessoa que está sempre comendo, é porque tem fome; está

desnutrida, não importa seu peso ou seu volume. Não existem glutões por natureza; existem sim doentes de fome, sofrendo uma desnutrição interna. Tenho comprovado isto inúmeras vezes.

Conheci glutões insaciáveis, que em três dias no máximo deixaram as sobras da mesa sossegadas, e se sentiam perfeitamente alimentados, comendo moderadamente. Provei que uma pessoa nutrida sob orientação, come apenas o

bastante para viver e perde todo o peso excedente sem forçar nenhuma restrição, sem sofrer fome alguma. Emagrece comendo o quanto lhe apetece e no , final não terá nenhuma ruga ou pele sobrando. Não é questão de mais ou menos gordura, ou de mais ou menos calorias. A questão é se os alimentos ingeridos têm ou não os nutrientes de que o corpo precisa, ou se estes não foram destruídos internamente pela fermentação ou má combinação. E esta não é uma ciência tão complicada que mesmo os menos doutos não possam abrangê-Ia.

O fato é que não podemos prescindir de gorduras, principalmente as contidas

nos óleos vegetais e nos frutos e sementes oleaginosos frescos. As gorduras são necessárias para estimular a produção da bílis e das enzimas que as vão digerir. No

momento em que as gorduras penetram nos intestinos, a vesícula biliar é esvaziada. As vitaminas lipossolúveis A, D, E e K poderão ser ingeridas no alimento, mas não serão absorvidas senão em presença dos ácidos gordurosos e da actuação da bílis. As deficiências destas vitaminas podem ocorrer tanto pela falta de gorduras como pela incapacidade da vesícula em produzir bílis e de esta atingir o intestino.

Gorduras Vegetais e Não Animais As melhores gorduras são as vegetais, especialmente os óleos de soja, milho, girassol e amendoim. Mas uma mistura de óleo de soja, amendoim e um terceiro a escolher, talvez seja mais aconselhável, para reunir maiores quantidades dos três ácidos gordurosos essenciais. As gorduras animais não são recomendadas porque

produzem transtornos, e quanto mais delas comemos, maior é nossa necessidade de colina e inositol - duas vitaminas do complexo B. E estas vitaminas encontram sua melhor fonte na lecitina contida maiormente no óleo de soja. Em outras palavras, quem come muita gordura animal, deveria ingerir outro tanto de óleo de soja cru para contrafazer os efeitos da primeira. Sem a lecitina, grandes partículas de colesterol se fixam nas paredes das artérias, causando problemas cardíacos.

O colesterol é muito precioso ao organismo, e não um inimigo como muitos

julgam. Ele é a matéria-prima com que o organismo manipula a vitamina D, os hormónios do sexo e das supra-renais e os sais da bílis. As maiores concentrações de colesterol são encontradas nos nervos e no cérebro, o que mostra a sua

importância: Mas o colesterol fornecido pelas gorduras saturadas. como são as de origem animal, causa graves transtornos à circulação. Por esta razão insistimos em indicar as gorduras vegetais. Tanto quanto possível, devemos preferir os óleos não refinados, que são grande fonte de vitamina E. Esta vitamina evita a perda das vitaminas A, D e K, e impede a destruição dos hormónios das supra-renais e do sexo. Mas ela é extremamente sensível ao calor e ao ar, rançando facilmente. Produtos que a contêm, como creme de amendoim, manteiga, carne gorda defumada, germe de trigo, amendoim cru, nozes e outros, rançam nas prateleiras dos supermercados e mercearias, e se tornam um perigo à saúde. Estes alimentos devem ser adquiridos sempre frescos, caso contrário não devem ser ingeridos, absolutamente. As gorduras rançosas são cancerígenas. No interesse do bem-estar físico, evitem-se as gorduras hidrogenadas, como

a margarina, gordura vegetal e gordura de coco; a banha de porco ou de qualquer outro animal, a manteiga e as carnes gordas. Todas estas gorduras são prejudiciais

e não são portadoras dos ácidos gordurosos essenciais, ou são deles deficientes.

Guarde-se isto em mente: Todas as gorduras podem desempenhar a parte de fornecer calorias, mas só as que contêm os ácidos gordurosos linoléico, araquidônico e linolênico é que podem manter a saúde. De nada adianta ao indivíduo ficar de pé pelas calorias e cair pela falta de vitaminas, enzimas e hormónios. E estes ácidos gordurosos essenciais, só os óleos vegetais e os frutos e sementes oleaginosos no-los podem fornecer com maiores vantagens e indiscutíveis garantias. Na medida do possível, procuremos adquirir óleos espremidos a frio. Quando não, comamos razoavelmente abacate, nozes, amêndoas, avelãs, castanhas-do- pará, noz-pecã, amendoim cru, germe de trigo, sementes de girassol, de linhaça e de gergelim. Que estas oleaginosas sejam sempre frescas e guardadas em lugares secos, e não por muito tempo. Na lista acima não incluímos o coco fresco por não conter ele gorduras não saturadas. Entretanto, pesquisas recentes dão conta de que ele é uma provável fonte de elementos anti-cancerígenos. Creio que o devemos incluir frequentemente em nosso regime. Ralado cru de mistura com cenoura também ralada, é um excelente prato, de paladar agradável, e extraordinário vermífugo contra várias espécies de vermes.

Como Usar as Gorduras Não podemos deixar de destacar a maneira de usar as gorduras. Devemos evitar e mesmo eliminar toda fritura. O calor excessivo destrói a vitamina F, representada pelos ácidos gordurosos. Daí, também a vitamina K deixará de ser produzida no organismo, pois precisa desses ácidos para ser fabricada. Mas nem só tritura é responsável por esses prejuízos. Qualquer tipo de aquecimento do óleo, prejudica em maior ou menor grau os ácidos gordurosos, e causa transtornos aos órgãos internos, além de destruir os valores nutricionais. Não precisamos mais do que uma ou duas colheres das de sopa de gordura por dia, contanto que seja crua. As gorduras cozidas e superaquecidas, além das desvantagens já mencionadas, favorecem a fermentação dos alimentos no trato digestivo. Esta deve constituir uma razão adicional para evitarmos os cozimentos e sobretudo as frituras. Absolutamente, porém, não se deve temperar com óleo ou azeite nenhuma salada constituída de folhas, como alface, agrião, etc., porque a gordura impermeabiliza a folha e impede que nela atuem os sucos gástricos que a irão desintegrar na digestão. Um pouco de sal e limão, ou uma coalhada fresca temperam bem; mas podemos dispensar