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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS


CÂMPUS DE SÃO LUÍS DE MONTES BELOS
CURSO DE ZOOTECNIA

MÉTODOS DE COLETAS DE MATÉRIAS-PRIMAS


UTILIZADAS EM FÁBRICAS DE RAÇÕES

Acadêmica: Aline Kênia Albino Araújo

Orientadora: Profa Dra Alliny das Graças Amaral

São Luís de Montes Belos


Agosto de 2015
i

ALINE KÊNIA ALBINO ARAÚJO

MÉTODOS DE COLETAS DE MATÉRIAS-PRIMAS


UTILIZADAS EM FÁBRICAS DE RAÇÕES

Monografia apresentada ao Curso de


Zootecnia do Câmpus Universitário de
São Luís de Montes Belos, Universidade
Estadual de Goiás, para obtenção do
grau de Bacharel em Zootecnia.

São Luís de Montes Belos


Agosto de 2015
ii
iii

AGRADECIMENTOS

A Deus por designar o melhor para minha vida, embora muitas vezes eu
não entendia seus objetivos. E por me acompanhar e fortalecer nas dificuldades,
tristezas e lutas.
A minha mãe Divina pela paciência e companheirismo.
A meus avós Lurdes e Divino pelas inúmeras orações e conselhos que
norteiam minha vida.
A meus padrinhos Lindomar e Alciene pelo apoio em diversos momentos.
A minhas primas Alany e Helen pela amizade.
A professora Alliny das Graças Amaral pela orientação na realização
dessa monografia, pela paciência e compartilhar o seu conhecimento.
A Universidade Estadual de Goiás e toda sua equipe do curso de
Zootecnia.
A empresa Jatobá Nutrição Animal e sua equipe, pela oportunidade de
estágio.
iv

RESUMO

A amostragem de matérias-primas consiste em uma etapa importante para o


controle de qualidade, pois através da amostra avaliada realiza-se o aceite ou
recusa do lote. Os pontos coletados devem ser selecionados aleatoriamente
obedecendo aos critérios de amostragem de acordo com o tamanho do lote
representando o total do ingrediente analisado. Uma fábrica de ração é
caracterizada pela interdependência de seus setores. O processo de fabricação
inicia-se com a entrada de matérias-primas, que são coletadas para posterior
análise, onde o resultado destinará o grão para diferentes segmentos da indústria.
Faz-se necessário estabelecer as características nutricionais de cada ingrediente
como a matéria seca, presença de aflotoxinas, teor de extrato etéreo, teor de
proteína, fibra e demais fatores que influenciam na qualidade e estabilidade da
matéria-prima a ser processada. Além da inspeção física dos ingredientes através
de amostragem dos produtos a granel e em sacarias, pode se fazer a inclusão da
análise de impurezas e detritos oriundos do processo de colheita. A falta de
qualidade e uniformidade das matérias-primas são alguns dos problemas
enfrentados pelas indústrias de fabricação de alimentação animal; para controlar
este ponto deve-se estabelecer padrões de ingredientes que podem ser
designados para compra. A composição química e energética dos ingredientes
auxilia para determinar o valor nutricional e limitações, sendo que a variação da
composição dos alimentos é devido a diferentes fatores. Existe a produção de
diversas variedades de milho, sorgo e trigo, naturalmente, a redução do teor de
tanino nos grãos de sorgo resulta em composição química diferenciada,
acontecendo o mesmo com o trigo e subprodutos. Para as matérias-primas milho,
sorgo, soja e subprodutos, algodão e subprodutos há normativas específicas para
cada cultura citada devido à especificidade do grão e suas características
intrínsecas e extrínsecas. O armazenamento contribui para a qualidade final dos
grãos e sofre influência de uma secagem eficiente, do teor de umidade, do
período de armazenagem, controle de pragas, temperatura e umidade relativa do
ar, grãos que foram danificados, impurezas, microrganismos e de insetos. Para a
elaboração correta de rações e aproveitar o potencial nutritivo dos ingredientes e
melhorar o desempenho produtivo é necessário o controle dos pontos críticos do
processo de produção que inicia-se com o recebimento da matéria-prima e
termina com a expedição do produto, destacando a correta mistura dos
ingredientes pois esta etapa tem como objetivo dispersar uniformemente as
matérias-primas no produto final.O estágio curricular foi realizado no período de
16 de março de 2015 a 15 de maio do mesmo ano na empresa Jatobá Nutrição
Animal localizada na cidade de Córrego do Ouro, Goiás. Através das atividades
desenvolvidas foi possível conhecer como funciona uma fábrica de ração e quais
os produtos que eram fabricados, as matérias-primas que eram utilizadas (farelo
de soja, milho, sorgo, torta de algodão, casca de soja), as relações de compra e
venda, relação com os fornecedores e clientes. Objetivou-se, ainda,apresentar
uma revisão de literatura sobre métodos de coletas de matérias-primas utilizadas
em fábricas de ração e relatório de estágio.

PALAVRAS-CHAVE: homogeneidade, legislação, nutrição, silos, unidades


armazenadoras.
v

ABSTRACT

Sampling of raw materials is an important step for quality control as assessed


through this sample performs -if the acceptance or refusal of the lot. The points
collected shall be selected randomly obeying the sampling criteria according to lot
size represents the total analyzed ingredient. A feed mill is characterized by the
interdependence of its sectors. The manufacturing process starts themselves with
the incoming raw materials, which are collected for further analysis, the result will
allocate the grain for different segments of industry. Being necessary to establish
the nutritional characteristics of each ingredient as the dry matter, the presence of
aflatoxins, ether extract content, protein, fiber and other factors that influence the
quality and stability of raw material to be processed. In addition to the physical
inspection of the ingredients through sampling of bulk commodities and sacks, it
can be made to include the analysis of impurities and coming of harvesting debris.
The lack of quality and uniformity of raw materials are some problems faced by
animal feed manufacturing industry; this point is due to control to establish
patterns of ingredients that can be designated for purchase. The chemical
composition of ingredients and energy helps determine the nutritional value and
limitations, the range of composition of the food is due to different factors. There
are several varieties of producing maize, sorghum and wheat course, the
reduction of tannin in sorghum grain results in different chemical composition,
occurring the same with the grain and by-products. For the raw material corn,
sorghum, soybeans and products, and cotton by-products there are specific
regulations for each said grain crop due to their specificity and intrinsic and
extrinsic features. The storage contributes to the final quality of the grain, and is
influenced by an efficient drying, grain moisture content, storage period, pest
control, temperature and relative humidity, grains that have been damaged, dirt,
microorganisms and insects. For the correct preparation of feed and harness the
potential of nutritional ingredients and improve production performance. It is
necessary to control the critical points in production control that start with the
receipt of raw materials and ending with shipment of the product, highlighting the
correct mix of ingredients for this step aims to uniformly disperse the raw materials
in the final product. The traineeship was carried out the day 16 March 2015 to 15
May 2015, In de Jatoba Animal Nutrition Company located in Golden Stream city.
Through the activities developed know how a feed mill and which products were
manufactured, the raw materials that were used (soybean meal, corn, sorghum,
cottonseed meal, soybean hulls, cottonseed meal); the relations of buying and
selling, relationship with suppliers and customers. If aimed to present a literature
review on raw materials collection methods used in feed mills and internship
report.

KEYWORDS: homogeneity, legislation, nutrition, silos, storage facilities.


vi

LISTAS DE FIGURAS

Figura 01 Vantagens e desvantagens das diferentes unidades


armazenadoras........................................................................ 10

Figura 02 Calador Graneleiro de 2,20m com três 11


estágios......................
Figura 03 Calador de 1,70 m para coletas a granel com três 12
estágios......
Figura 04 Sondas pneumáticas fixas utilizadas na amostragem de
grãos a granel.......................................................................... 12
Figura 05 Ilustração de uma carga a granel com o esquema A e B de
pontos aleatórios de coletas de 13
amostras................................
Figura 06 Esquema de coleta de amostras............................................. 13
Figura 07 Coletas de amostras em silo vertical....................................... 14
Figura 08 Esquemas de coleta de amostra em armazéns graneleiros
ou 14
piscinas....................................................................................
Figura 09 Silo artesanal utilizado na armazenagem de grãos e 39
farelos...
Figura 10 Misturador para macroingredientes......................................... 39
Figura 11 Moega para o descarregamento de grãos e farelos................ 40
Figura 12 Esteira para o carregamento dos produtos acabados nos
caminhões............................................................................... 40
Figura 13 Processos básicos para uma fábrica de ração – Jatobá
Nutrição Animal....................................................................... 42
Figura 14 Armazenagem sobre estrados de madeira 45
..............................
Figura 15 Armazenagem em big bags.................................................... 46
Figura 16 Sala para pesagem e pré-mistura de microingredientes......... 48
Figura 17 Sala de armazenagem de sacaria........................................... 50
vii

LISTA DE QUADROS

Quadro 01 Limites máximos de tolerância para grupo expressos em


19
percentual (%).................................................................................
Quadro 02 Composição do farelo de algodão de 28% e 38%.......................... 24
Quadro 03 Vantagens e desvantagens das diferentes unidades
28
armazenadoras.................................................................................
viii

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS................................................................................................
iii
LISTA DE
QUADROS..............................................................................................iv
RESUMO..................................................................................................................v
ABSTRACT.............................................................................................................vi

1. INTRODUÇÃO.....................................................................................................8

2. REVISÃO DA LITERATURA.............................................................................10
2.1 Amostragem e classificação de amostras...................................................10
2.2 Matérias-primas e Normativas....................................................................15
2.2.1 Glycine max (l) Merrill (soja) e subprodutos.........................................16
2.2.1.1 Farelo de soja....................................................................................16
2.2.1.2 Casca de soja....................................................................................17
2.2.2 Zea mays L (milho) e coprodutos.........................................................18
2.2.2.1 Coprodutos do milho..........................................................................20
2.2.3 Sorghum bicolor, (L) Moench – sorgo..................................................22
2.2.4 Gossypium (herbaceum, arboreum, hirsutum) – algodão....................23
2.2.4.1 Farelo de algodão..............................................................................23
2.2.5 Instrução Normativa nº 12, de 30 de novembro de 2004, que
caracteriza os produtos destinados alimentação
animal...................................................25
2.2.6 A Instrução Normativa nº 8, de 25 de março de 2004, estabelece
restrições de ingredientes..............................................................................26
2.2.7 A Instrução Normativa nº 17, de 7 de abril de 2008.............................26
2.3 Armazenagem de grãos...............................................................................27
2.4 Fabricação de rações com qualidade..........................................................32
2.5 Processos....................................................................................................34

3. RELATÓRIO DE ESTÁGIO...............................................................................38
3.1 Caracterização da empresa.........................................................................38
3.2 Atividades desenvolvidas.............................................................................41
3.3 Atividades específicas.................................................................................42
3.3.1 Etapas para o recebimento da matéria-prima......................................43
3.3.2 Armazenagem das matérias-primas.....................................................44
3.3.3 Pesagens de ingredientes....................................................................47
3.3.4 Mistura.................................................................................................48
3.3.5 Ensaque ..............................................................................................49
3.3.6 Vendas e produção..............................................................................50

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................52

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................53

ANEXOS................................................................................................................60
9

1.INTRODUÇÃO

No controle de qualidade e análise de matéria-prima, a amostragem é


uma das etapas mais importantes, pois através da amostra avaliada realiza-se o
aceite ou recusa do lote. Porém, se a amostra coletada não representar
efetivamente o lote, o trabalho será perdido devido à falta de representatividade
da amostragem em relação ao todo. Sendo assim, os pontos coletados devem ser
selecionados aleatoriamente obedecendo aos critérios de amostragem de acordo
com o tamanho do lote representando e o total do ingrediente
analisado(AGROCERES MULTIMIX, 2014).
A produção de alimentos para bovinos de corte sofreu influência do clima
e qualidade das pastagens, contribuindo para que o consumo de suplementos
minerais e rações aumentasse em 3,2% contabilizando 1,31 de toneladas no
primeiro semestre do ano de 2014. De janeiro a junho houve aumento de 5,7% e
foram produzidas 2,6 toneladas de ração destinada apenas ao gado leiteiro. O
setor da suinocultura manteve-se estável contabilizando 7,2 toneladas de ração
(ZANI, 2014). Esses índices refletem a importância da agricultura brasileira na
produção de matéria-prima para produção de alimentos destinados à nutrição de
ruminantes e monogástricos, os quais serão alimentos da população brasileira.
No ano 2010 a produção de rações registrou crescimento de 5,3%. Neste
período foram produzidas 61,4 milhões de toneladas que movimentaram 33
bilhões de reais exclusivamente com matérias-primas, excluindo os custos com
embalagens e fretes (ZANI, 2011).
De acordo com COSTA et al. (2014), o país produz cerca de 61 toneladas
de rações por ano, sendo que, aproximadamente, 65% são compostas por
milho.Porém, parte dessa matéria-prima não é submetida ao controle de
qualidade sendo aceita sem restrições para a composição das dietas. Isso ocorre
devido aos diferentes destinos que a matéria-prima éencaminhada.
O setor de alimentação animal tem se adequado às exigências do
mercado. As tecnologias empregadas no processo e fabricação avançaram com o
objetivo de aumentar a eficiência produtiva, minimizar a perda de nutrientes e a
formulação de produtos de melhor qualidade e valor agregado (BELLAVER &
MAZZUCO, 2015).
10

Uma fábrica de ração é caracterizada pela interdependência de seus


setores. O processo de fabricação inicia-se com a escolha de fornecedores
corretos, entrada de matérias-primas, as quais são coletadas para posterior
análise, onde o resultado destinará o grão para diferentes segmentos da indústria.
Assim, faz-se necessário estabelecer as características nutricionais de cada
ingrediente como a matéria seca, densidade dos grãos, presença de aflotoxinas,
teor de extrato etéreo, teor de proteína, fibra e demais fatores que influenciam na
qualidade e estabilidade da matéria-prima a ser processada. Além da inspeção
física dos ingredientes através de amostragem dos produtos a granel e em
sacarias, pode se fazer a inclusão da análise de impurezas e detritos oriundos do
processo de colheita (BELLAVER & MAZZUCO, 2015).
A falta de qualidade e uniformidade das matérias-primas são alguns
problemas enfrentados pelas indústrias de fabricação de alimentação animal.Para
controlar esse ponto deve-se estabelecer padrões de ingredientes que podem ser
designados para compra de produtos de alta qualidade. A umidade, proteína,
extrato etéreo, fibra, concentração do princípio ativo, macroelementos e outros
fatores de qualidade como uniformidade do lote, granulometria, classificação,
sacaria (limpa, padronizada e nova) são algumas exigências para o produto
(COUTO, 2012).
Diante do exposto, objetivou-se apresentar uma revisão de literatura
sobre métodos de coletas de matérias-primas utilizadas em fábricas de ração e o
relatório de estágio realizado na empresa Jatobá Nutrição Animal.
11

2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1 AMOSTRAGEM E CLASSIFICAÇÃO DE AMOSTRAS

A definição de amostragem consiste na coleta representativa de um


material a ser analisado. Como não é possível avaliar todo o volume de matéria-
prima, utiliza-se as práticas de amostragem. A amostra deve representar
efetivamente o lote, sendo selecionada aleatoriamente e obedecendo aos critérios
de amostragem de acordo com o tamanho do lote, representando o total do
ingrediente analisado (AGROCERES MULTIMIX, 2015).
Para amostragem de grãos, farelos ou ração podem ser utilizadas sondas
perfuradoras.Estas devem ser longas o suficiente para penetrar ao menos três
quartos da profundidade do material; o tubo interno é dividido em compartimentos.
Como exemplo, sondas manuais abertas são usadas para amostragem de
matérias-primas (UNIVATES ,2015).
De acordo com COUTO (2012), os equipamentos utilizados para a coleta
de amostras variam de acordo com os ingredientes como, por exemplo, o calador
simples, ilustrado na Figura 01,que é utilizado para coleta de produtos ensacados.
Recomenda-se que a perfuração da sacaria seja realizada com ângulo de 30° em
movimentos giratórios profundos.

Figura 01: Calador simples


Fonte: Disponível em: <http://comagequipamentos.com> (2015).
12

Pode-se observarna Figura 02 os caladores compostos,que são utilizados


para retirar pequenas amostras em pontos diferentes na carga em até dois metros
de profundidade, em posição vertical ou inclinada. Esse equipamento é utilizado
para ingredientes a granel em veículos. O calador deve ser introduzido fechado
até o fundo do veículo, abrindo e girando sua extremidade. Após o enchimento do
calador, o material amostrado é colocado em recipiente limpo. A quantidade total
da amostra varia de cinco a dez quilos, sendo que o número de amostras
depende do tamanho do veículo(COUTO,2012).

Figura 02:Calador Graneleiro de 2,20m com três estágios


Fonte: Disponível em: <http://www.motomco.com.br>(2015).

O equipamento descrito na Figura 02 possui quatorze aberturas com três


estágios, sendo que as seis primeiras captam a amostra na parte de baixo da
carga e no segundo momento é recolhida a amostra da parte superior em suas
oito últimas gavetas(MOTOMCO GROUP, 2015).
Os caladores graneleiros com três estágios geralmente possuem 1,70m
como ilustra a Figura 03, possuem onze aberturas e três estágios, sendo que os
seis primeiros captam a amostra na parte de baixo da carga e no segundo
momento é recolhida a amostra da parte superior em suas cinco últimas
gavetas.(MOTOMCO GROUP,2015).
13

Figura 03: Calador de 1,70 m para coletas a granel com três estágios
Fonte: Disponível em: http://www.motomco.com.br> (2015).

A sonda de profundidade extrai amostras em até seis metros de


profundidade e é usada para matéria-prima a granel em silos. Recomenda-se de
cinco aoito pontos de coletas(COUTO ,2012).
A sonda pneumática extrai amostras em grandes profundidades, usando
o sistema de ar comprimido, como demonstrado na Figura 04:

Figura 04:Sondas pneumáticas fixas utilizadas na amostragem de grãos a granel


em caminhões ou vagões, retirando as amostras através da sucção dos grãos
Fonte: CONAB (2015).

O caneco tipo pelicano é indicado para coletar amostras de cargas em


movimento. O caneco de tipo bomba é adequado para coleta de amostras de
ingredientes líquidos(COUTO ,2012).
Conforme explicam ALMEIDA et al.(2015), a dinâmica de coleta é
determinada pelo classificador que poderá ser alternada de acordo com a
operação para que o transportador e o proprietário não saibam antes onde irão
14

ser coletadas as amostras.Assim, os pontos de coleta serão distribuídos de várias


formas para a realização da operação como demostrado na Figura 05:

Figura 05:Ilustração de uma carga a granel com o esquema A e B de pontos


aleatórios de coletas de amostras
Fonte: ALMEIDA et al. (2015).

Na Figura 06 podemos observar os esquemas de coleta de amostras de

acordo com a capacidade do caminhão ou vagão.


Figura 06:Esquema de coleta de amostras
Fonte: CONAB (2015).

As amostras na entrada do produto na unidade de armazenagem são


retiradas com amostradores tipo pelicano. As coletas são realizadas durante toda
a descarga, no mínimo em três giros no caminhão (no início, no meio e no final do
descarregamento). Para inspeções em silos ou transferência de propriedade,
estabelece-se a coleta em quatro pontos cardeais, as amostras podem ser
coletadas com sonda pneumática, sonda torpedo ou mesmo caladores. A escolha
15

do equipamento ocorre em função da maior ou menor facilidade e disponibilidade


que o mesmo apresente na ocasião de introdução na massa de grãos (ALMEIDA
et al., 2015), como demonstrado na Figura 07 e na Figura 08:

Figura 07:Coletas de amostras em silo vertical


Fonte: CONAB (2015).

Figura 08:Esquemas de coleta de amostra em armazéns graneleiros ou piscinas


Fonte: CONAB (2015).

Na expedição da unidade para outra filial ou fábrica poderão ser coletadas


amostras nos dutos de carregamento utilizando o equipamento pelicano ou na
carga completa, com uso do calador. Porém, ao utilizar o pelicano a coleta deverá
ser realizada com o mesmo equipamento do início ao término da
operação(ALMEIDA & CIA, 2015).
SILVAet al. (2015) propuseram a classificação de amostras de acordo
com os itens abaixo:
16

 Simples: cada porção de grãos retirados por um amostrador em


pontos diversos nos pontos da carga.
 Composta: formada por combinações de todas as amostras simples.
Por ser maior que o exigido para análise, a amostra composta deve
ser dividida em partes menores.
 Média: é destinada ao laboratório em quantidades suficientes para as
análises.
 Amostra de trabalho: resultante da redução da amostra média, é
usada em cada teste a ser realizado.
 A amostra subjetiva: usada quando o material estiver sob suspeita.

Essa classificação auxilia o segmento de fabricação de rações para a


produção de alimento de qualidade. A matéria-prima deve ser analisada antes de
ser aceita assegurando os padrões de qualidade de cada produto, com ausência
de carunchos, odores, impurezas, umidade elevada, índices elevados de acidez e
peróxido. A armazenagemauxilia no controle do produto final, podendo ser em
silos ou em embalagens estocadas sobre estrados, longe de paredes, em local
seco e arejado(GRUPO VB, 2015).
Para a determinação da qualidade do produto, a amostra obtida deverá
representar a realidade, por isso, é necessário que esta seja composta, embalada
e conservada adequadamente (CONAB, 2015).

2.2 MATÉRIAS-PRIMAS E NORMATIVAS

A composição química e energética dos ingredientes auxilia para


determinar o valor nutricional e limitações. A variação da composição dos
alimentos é devido a diferentes fatores. Existem na produção de diversas
variedades de milho, sorgo e trigo, naturalmente, por exemplo, a redução do teor
de tanino nos grãos de sorgo que resulta em composição química diferenciada,
acontecendo o mesmo com o trigo e subprodutos. São encontrados no Brasil
híbridos de milho com alto teor de óleo apresentando 5 a 8,5% de extrato etéreo e
alto teor de lisina (NUNES, 2008).
17

Para as matérias-primas milho, sorgo, soja e subprodutos, algodão e


subprodutos há normativas específicas para cada cultura citada, devido a
especificidade do grão e suas características intrínsecas e extrínsecas.

2.2.1 Glycine max (l) Merrill (soja) e subprodutos

2.2.1.1 Farelo de soja

A indústria brasileira de alimentação animal demandará 42 milhões de


toneladas de milho e 14,5 milhões de toneladas de farelo de soja no ano de 2015
que, juntamente com os demais, compõem aproximadamente 67 milhões de
toneladas de rações. Esse aumento é dependente da cadeia produtiva de
proteína animal brasileira e dos preços agrícolas que continuam pressionados
pela safra de 202 milhões de toneladas de acordo com a previsão da Companhia
Nacional de Abastecimento (CONAB), sendo 78,6 milhões de toneladas do milho
e 95 milhões da soja (SINDIRAÇÕES, 2015).
O farelo de soja é obtido através da extração do óleo de soja, sendo
queno processamento pode afetar a qualidade nutricional. O ponto crítico na
avaliação de qualidade desse ingrediente é determinar o sub ou
superprocessamento pelo calor. Com o subprocessamento tem-se o risco de
inativação dos fatores antinutricionais. São realizadas análises de Índice de
Atividade Ureática (IAU) e a Solubilidade da Proteína em KOH (AGROCERES
MULTIMIX, 2015).
De acordo com ROSTAGNO et al.(2011), o farelo de soja (45%)
apresenta 88,75% de matéria seca, 45,22% de proteína bruta, 12,38% de amido,
13,79% de fibra em detergente neutro (FDN) e 5,83% de matéria mineral.
ExplicaROSTAGNO et al. (2011) que o farelo de soja (48%) apresenta
89,18% de matéria seca, 48,10% de proteína bruta, 3,0% de amido, 14,93% de
FDN, 5,70% de matéria mineral e 29,74% de extrativo não nitrogenado (ENN).
O farelo de soja Hi-Fiber Soja é uma opção de alimento para
complementação nutricional, pois possui alto teor de fibra digestível, pode ser
utilizado em substituição parcial do volumoso e no lugar de alimentos energéticos,
como sorgo, milho e trigo para bovinos; apresenta teor de nutrientes digestivos
18

totais (NDT) correspondendo a 88% do milho em grão. Ainda, é resistente a


armazenagem e palatabilidade. (CARAMURU, 2015).
Esses valores são referenciais podendo ter mudanças qualitativas de
acordo com as condições edafoclimáticas e de manejo de culturas, associado aos
procedimentos pós colheita.

2.2.1.2 Casca de soja

A casca de soja é resultante do processamento da soja e consiste no


envoltório do grão pericarpo que foi separado do embrião no processamento
industrial.Recomenda-se que seja tostada com o objetivo de destruir a atividade
de uréase (GONÇALVES et al., 2009).
A casca de soja é composta pela película que envolve o grão,
considerada um coproduto do processamento da soja, que se inicia com a pré-
limpeza, as cascas são retiradas por aspiração, mantendo uma porcentagem
residual nos grãos. Pode ser moída ou peletizada para aumentar a densidade e
facilitar o transporte. A casca de soja possui baixo teor de proteína, considerada
um alimento energético com alta digestibilidade de fibras.(NFT ALLIANCE, 2012).
De acordo com ROSTAGNO et al.(2011), a casca de soja apresenta a
seguinte composição química: 89,13 % de matéria seca, 13,88 % de proteína
bruta, 32,70% de fibra bruta, 57,40% de FDN e 4,60% de matéria mineral.
Segundo SANTOS (2008) citado por SANTOS (2012), a casca de soja é
um ingrediente energético, porém o conteúdo em nutrientes varia de acordo com
o processo de industrialização dos grãos.
Para a soja,o Ministério da Agropecuária e Abastecimento (MAPA)emitiu
a Instrução Normativa nº 11/2007 que tem porobjetivo definir o padrão oficial da
classificação da soja, considerando os requisitos de identidade e qualidade
intrínseca e extrínseca, de amostragem e de marcaçãorotulagem. Considera-se
soja grãos provenientes da espécie Glycine max (L) Merrill.
Para o farelo de soja, a Portaria n° 795, de 15 de dezembro de
1993,publicada no Diário Oficial da União de 29/12/93, estabelece a norma de
identidade, qualidade, embalagem, marcação e apresentação, amostragem,
armazenamento e transporte destinado à comercialização interna (MAPA, 2015).
19

Entende-se por farelo de soja o produto resultante da extração do óleo de soja


(Glicine max L (Merril)) por processo mecânico ou químico.

2.2.2Zea mays L (milho) e coprodutos

De acordo com FAO (2013) citado por QUIRINO (2013), o país no ano de
2013 encontrava-se na terceira posição de maior produção de milho, superado
apenas pelos Estados Unidos da América e pela China.
Sendo um dos cereais mais produzidos no mundo e o segundo no Brasil,
o milho Zea mays L obteve uma produção de 80 milhões de toneladas na safa
2013/2014 (CONAB,2015, apudDI DOMENICO, 2015).
Mais de 60% do volume de rações produzido é composto por milho,
cereal importante para fornecer energia a baixo custo. Os sistemas de controle de
qualidade devem dispor de ferramentas para garantir a qualidade dos alimentos.
O milho contém alto conteúdo de amido fornecendo cerca de 3200 Kcal EM/kg
para suínos e aves; apresenta cerca de 8% de proteína bruta e níveis baixos de
cálcio e fósforo, tem conteúdo satisfatório dos aminoácidos metionina e cistina,
porém insatisfatório de lisina. (MACHADO & COSTA,2010).
A alimentação animal consome mais de 60% da produção de milho
brasileira e o setor avícola é responsável por mais de 40% deste
consumo(CORTE REAL,2013).
Os grãos de milho podem ser de coloração branca ou amarela,
apresentando variações do preto ou vermelho. O peso do grão varia de 250 a 300
mg em média, sua composição em matéria seca é 72% de amido, 9,5% de
proteínas, 9% de fibra e 4% de óleo. O grão é formado por quatro estruturas
físicas: endosperma, gérmen, pericarpo (casca) e ponta (PAES,2006).
O endosperma corresponde a 83% do peso seco do grão, consistindo
basicamente de grânulos de amido. No endosperma estão presentes as zeínas,
proteínas que formam os corpos proteicos que compõem a matriz que envolve os
grânulos de amido. De acordo com a distribuição dos grânulos de amido e a
matriz de proteína, o endosperma é classificado em vítreo e farináceo. No
endosperma farináceo os grânulos de amido estão de forma dispersa e são
arredondados, não há matriz proteica envolvendo estas estruturas enquanto o
20

endosperma vítreo possui matriz proteica densa e grânulos de amido em forma


poligonal. O gérmen representa 11% do grão e concentra a totalidade dos lipídeos
(óleo e vitamina E) e de minerais, além de conter quantidades importantes
deproteínas e açúcares. As proteínas encontradas no grão de milho são ricas nos
aminoácidos metionina e cisteína, mas pobres em lisina e triptofano (PAES,
2006).
A membrana interna do grão de milho é a casca ou pericarpo formado por
frações fibrosas.No interior do grão observam-se duas regiões: o endosperma
constituído pelo amido e a proteína zeína; e o gérmen composto pela proteína
gluteína e lipídios. (FIALHO & BARBOSA apud CORTE REAL, 2013).
Segundo ROSTAGNO et al.(2011), o milho apresenta a seguinte
composição química: 87,48 % de matéria seca, 7,88 de proteína bruta, 62,66% de
amido, 1,27% de matéria mineral e 1,73 % de fibra bruta.
Fatores como fertilidade do solo, clima, cultivo da planta, armazenagem e
processamento, determinam a variabilidade da composição nutricional e a
qualidade do milho para a fabricação de rações (CORTE REAL,2013).
Os grãos de milho nos procedimentos de classificação são separados de
acordo com a consistência e formato como observado no Quadro 01:

Quadro 01: Limites máximos de tolerância para grupo expressos em percentual


(%)
Grupo
Duro Apresenta no mínimo de 85% em peso de grãos com as
características de duro, ou seja, endosperma predominantemente
córneo, exibindo aspecto vítreo; quanto ao formato, considera-se
duro o grão que se apresentar ovalado e com a coroa convexa e
lisa.
Dentado Apresenta no mínimo de 85% em peso de grãos com as
características de dentado, ou seja, com consistência parcial ou
total farinácea; é considerado dentado o grão que se apresentar
dentado com a coroa apresentando uma reentrância acentuada.
Semiduro Apresenta no mínimo de 85% em peso de grãos com consistência
e formato intermediários entre duro e dentado.
Fonte: LANAGRO (2013).

A qualidade de um produto é realizada pelo processo de classificação que


supõe a existência de um padrão.Classificar é determinar a qualidade interna e
21

externa de um produto de acordo com padrões. A classificação assume


relevância quando associada à comercialização, ao controle e à manutenção da
qualidade de qualquer produto. Os laudos gerados após a classificação de grãos
são exigidos pelos consumidores finais que buscam produtos com qualidade,
segurança alimentar, regularidade e consistência (BOTELHO et al., 2013).
É necessário que o milho esteja em bom estado de conservação, pois
fatores como umidade elevada no armazenamento, idade (verificada pelo teor de
xantofilas) e temperatura de secagem interferem na boa qualidade do grão, pois
um ingrediente com qualidade inferior prejudicará a qualidade da ração. Além de
quantidades menores de nutrientes, a umidade elevada (acima de 14%) favorece
o crescimento de fungos produtores de micotoxinas (AGROCERES MULTIMIX,
2015).
A perda de valor nutricional do milho acontece devido a problemas com
os grãos avariados, carunchados. Os grãos chochos, mofados e ardidos causam
efeitos negativos na palatabilidade das rações, pois passaram por secagem
excessiva para atingir a umidade necessária (MACHADO & COSTA, 2010).
PARAGINSKI et al. (2015) avaliaram a qualidade dos grãos de milho
armazenados nas temperaturas de 5, 15, 25 e 35° C em um período de doze
meses, no Estado de Rio Grande do Sul.Na pesquisa foram realizadas análises
de classificação dos grãos (teor de umidade, percentual de germinação,
condutividade elétrica). Como Tipo 1 foram classificados os grãos com até seis
meses de armazenamento, pois, após este período houve a redução da qualidade
de enquadramento – os abaixo do padrão. Os autores concluíram que é possível
armazenar grãos de milho nas temperaturas avaliadas e com umidade de 14%
durante seis meses sem alteração na qualidade, no entanto, após este período há
redução da qualidade dos grãos alterando a tipificação em todas as temperaturas
ao final de um ano, exceto nos grãos armazenados à temperatura de 15° C.

2.2.2.1 Coprodutos do Milho

O farelo de gérmen de milho é um subproduto do milho resultante do


processamento industrial do grão integral para fabricação da farinha de milho
destinada ao consumo humano. Esse alimento consiste no gérmen (com ou sem
22

óleo), nos tegumentos e na parte do endosperma do grão contendo pequenas


partículas de amido. O farelo de gérmen de milho integral consiste no resultado
do processamento do milho para fabricação de farinha de milho enquanto o farelo
de gérmen de milho desengordurado é o produto resultante do gérmen de milho
após a extração do óleo por solvente (GOES, 2013).
O processamento do grão de milho por via úmida tem como objetivo a
separação dos componentes do cereal como óleo, amido, glúten e o gérmen
obedecendo à sequência: após a recepção, classificação e pré-limpeza, o milho
com umidade de 12,5% é mergulhado em tanques, submerso numa solução
aquosa por 40 horas, onde ocorre a maceração biológica (lactobacilos) e a
química. Muitos ingredientes são carregados pela água de imersão que é drenada
e concentrada. O processo continua com várias moagens e utilização de peneiras
e centrífugas, com a separação do gérmen inicialmente, em seguida o amido e o
glúten, por fim restam as fibras do grão.A estas são adicionadas a solução
aquosa concentrada, que aumenta a fração proteica do material além de outros
nutrientes. Após seco, o material é peneirado e comercializado na forma de farelo
de glúten de milho 21 apresentado pelos nomes comerciais de Promill e
Refinazill(NFT ALLIANCE, 2011).
De acordo com SANTOS (2012), o farelo de glúten de milho é um
alimento com teor alto de FDN, cerca de 42%, de alta digestibilidade e com teor
de amido de 22,5%, aproximadamente.
O farelo apresenta glúten a 21%, 88,50% de matéria seca, 21,10% de
proteína bruta, 21,53 % de amido, 7,78% de fibra bruta, 36,19% de FDN, 11,08%
de FDA, 50,55% de ENN e 5,73% de matéria mineral. (ROSTAGNO et al., 2011).
O produto com nome comercial Glutenose da empresa Cargill é o farelo
de glúten de milho 60. Este ingrediente oferece maior nível proteico, com 95% de
digestibilidade e alta energia metabolizável e maior nível de arginina; possui
função antioxidante e a presença de betacaroteno(CARGILL, 2015).
Farelo de glúten de milho 60% apresenta 91,11 % de matéria seca,
61,07% de proteína bruta, 2,30% de gordura, 15,80% de amido, 1,12% de fibra,
6,39% de FDN, 8,63% de FDA, 25,02% de ENN e 1,60% de matéria mineral.
(ROSTAGNO et al., 2011).
23

O gérmen de milho apresenta 89,71 % de matéria seca, 10,38% de


proteína bruta, 9,60% de gordura, 48,56% de amido, 4,48% de fibra bruta, 27,80%
de FDN,7,90% de FDA, 61,55% de ENN, 3,70% de matéria mineral. (ROSTAGNO
et al., 2011).
Para o milho, a Instrução Normativa/MAPA n° 60, de dezembro de 2011,
teve como objetivo definir o padrão oficial de classificação do milho, considerando
requisitos e identidade, amostragem, modo de apresentação e a marcação ou
rotulagem, em aspectos referentes à classificação do produto.

2.2.3Sorghum bicolor, (L) MOENCH – sorgo

A avaliação da textura do grão de sorgo tem importância devido esta


característica influenciar na resistência à colheita, armazenamento e ataque de
fungos e pragas e nos processamentos e moagens, além de relacionar com a
qualidade das dietas com sorgo e ao desempenho animal (RIBAS & MACHADO,
2010).
A diferença estrutural e a composição bruta do grão de sorgo e do milho
consistem na distribuição da proteína que envolve o amido no endosperma, pois
nos grãos de sorgo o endosperma divide-se em endosperma periférico córneo
(vítreo) e endosperma central (farináceo) (PEREIRA, 2012).
De acordo com ROSTAGNO et al. (2005) citado por NUNES et al. (2013),
o grão de sorgo possui 65% de amido, 80% de ENN, 2,5% de fibra bruta, 10% de
proteína bruta e são ricos em NDT.O milho possui maior valor de energia
metabolizável (3881 kcal/kg), enquanto o sorgobaixotanino apresenta 3628
kcal/kg e o sorgo alto tanino apresenta 3444 kcal/kg; e menores valores de
proteína bruta sendo9,48% do milho, 10,49% do sorgo baixo tanino e 10,41% do
sorgo alto tanino. Quantoà fibra bruta, os valores são 1,99%, 3,24% e 2,61% do
milho, do sorgo baixo tanino e do sorgo alto tanino, respectivamente; quanto aos
teores de cinzas, o milho apresenta 1,46%, o sorgo baixo tanino 2,17 e o sorgo
alto tanino 1,58%.
Segundo ROSTAGNO et al. (2011), o sorgo apresenta 87,90% de matéria
seca, 8,97% de proteína bruta, 63,24% de amido, 10,03 % de FDN, 1,41 de
matéria mineral, 2,30 % de fibra bruta e 2,6% de gordura.
24

Para o sorgo, a Portaria/MAPA nº 268/1984 tem por objetivo definir as


características de identidade, qualidade, embalagem e apresentação do sorgo
que se destina à comercialização interna. Entende-se por sorgo, os grãos
provenientes da espécie Sorghum bicolor, (L) Moench.

2.2.4Gossypium (herbaceum, arboreum, hirsutum) – algodão

A torta, o caroço e o farelo de algodão são fontes de proteína e energia e


podem diminuir ao custo final da dieta dos animais.Estes alimentos são ricos em
ácidos graxos proporcionando maior deposição de gordura na carcaça e maior
ganho em peso em animais destinados ao abate (PAIN et al., 2010). Como
limitação na nutrição animal,consiste na presença do gossipol. De acordo com
BARBOSA & GATTÁS (2004) citados por PAIM et al.(2010), esta substância é um
terpeno, sendo tóxico quando na forma livre principalmente no caroço.Os
monogástricos são mais sensíveis a esta substância, enquanto os ruminantes
possuem maior tolerância.
De acordo com BUTOLO (2002) citado por CARVALHO et al.(2010), o
alto teor de fibra e o gossipol são fatores que limitam a utilização do farelo de
algodão para monogástricos.
A torta de algodão é um subproduto derivado da extração do óleo do
grão, que esmagado é chamado de torta. Dependendo do processamento do
algodão são produzidas a torta gorda que apresenta 5% do óleo residual
resultante da prensagem mecânica e menos proteína; e a torta magra que contêm
menos de 2% de óleo residual proveniente da extração por solventes e tem mais
proteínas (ICOFORT, 2015).
O processo de moagem da torta resulta no farelo de algodão que
apresenta teores relativamente altos de fósforo e pobre nos aminoácidos lisina e
triptofano. Devido ao processamento, cultivo e inclusão de cascas podem haver
enormes variações na composição química (ICOFORT, 2015).

2.2.4.1 Farelo de Algodão


25

O farelo de algodão é o resultado da extração do óleo do caroço por


métodos físicos e químicos. Este coproduto é utilizado com intuito de diminuir o
uso do farelo de soja visando obter condições econômicas mais vantajosas, no
entanto,apresenta menores teores de energia e proteína. (NRC, 2001, apud
JUNIOR et al., 2011).
De acordo CARVALHO et al.(2010), comercialmente são encontrados
farelos de algodão com teores de proteínas de 28 a 43% sendo que a inclusão de
casca no farelo determina o percentual de proteína bruta.
O farelo de algodão trata-se de um farelo proteico e a composição
bromatológica varia pela relação fibra, proteína e energia. Essa variação deve-se
porque no final do processo de produção são adicionadas casca de algodão para
ajustar o nível proteico, sendo que o farelo de algodão 28% é mais fibroso
(maioradição de casca) e apresenta menos proteína e energia comparando com
aos 38%, as características bromatológicas podem ser vistas na Quadro 02 (NFT
ALLIANCE, 2011).

Quadro 02: Composição do farelo de algodão de 28% e 38%


Nutrientes (%) Farelo de algodão 28% Farelo de algodão 38%
Umidade 9,50 9,50
Proteína 28-30 38-40
Fibra bruta 28 18
Fibra em Detergente Ácido 25,5 18
Fibra em Detergente
31,80 25,50
Neutro
Extrato etéreo 0,5 0,5
Matéria Mineral 7,8 6,7
Nutrientes Digestíveis
Totais 64 70
Cálcio 0,18 0,19
Fósforo 0,94 1,05
Fonte: NFT Alliance (2011).

Essa matéria-prima apresenta várias tonalidades de cores que vão do


amarelo esverdeado até preto (cascas). Cores escuras e odor de queimado
26

indicam excesso de aquecimento e possível diminuição da disponibilidade de


proteínas. O farelo de algodão pode ser armazenado por três a quatro meses,
livre de umidade. Os principais produtores são os Estados de Mato Grosso do
Sul, Mato Grosso, São Paulo, Bahia, Goiás, Paranáe Minas Gerais(NFT
ALLIANCE, 2011).
Com expressiva disponibilidade na região Centro-Oeste, o caroço de
algodão é considerado um coproduto, pois resulta do beneficiamento do algodão
em caroço para retirada da fibra, apresenta alto teor energético, teor alto de fibra
efetiva e teor de óleo elevado (NFT ALLIANCE, 2012).
Para o algodão, a Portaria/Mapanº 55/1990 tem como objetivo
estabelecer a norma de identidade, embalagem e apresentação do algodão em
caroço.

2.2.5 Instrução Normativa n°12, de 30 de novembro de 2004, que caracteriza


os produtos destinados alimentação animal

A Instrução Normativa nº 12, de 30 de novembro de 2004, aprova o


regulamento técnico sobre fixação de parâmetros e das características mínimas
dos suplementos destinados a bovinos. Estabelece as seguintes definições:
O Nitrogênio Não Proteico (NNP) equivalente proteico é a quantidade, em
percentagem, de proteína proveniente de fonte de origem vegetal e de fonte de
nitrogênio não proteico(MAPA, 2015).
A proteína bruta consiste na quantidade, em percentagem, de proteína
proveniente de fonte de origem vegetal e de fonte de nitrogênio não
proteico(MAPA, 2015).
Suplemento é a mistura composta por ingredientes ou aditivos, podendo
conter veículo ou excipiente, que deva ser fornecida diretamente aos animais ou
indicado para a diluição, com o objetivo de melhorar o balanço nutricional. Quanto
aos suplementos, a Instrução Normativa/MAPA nº 15/2009 estabelece as
seguintes denominações:
O suplemento mineral é o produto que possuir na sua composição, macro
e/ou microelemento mineral, podendo apresentar no produto final um valor menor
que 42% de equivalente proteico (MAPA, 2015).
27

O suplemento mineral com ureia é o produto que possui na sua


composição, macro e/ou microelemento mineral e, no mínimo,42% de equivalente
proteico(MAPA, 2015).
O suplemento mineral proteico é o produto que possui na sua
composição, macro e/ou microelemento mineral, pelo menos 20% de proteína
bruta (PB) e fornecer, no mínimo, trinta gramas de proteína bruta por cem quilos
de peso corporal (MAPA ,2015).
O suplemento mineral proteico energético é o produto que possui na sua
composição, macro e/ou microelemento mineral, pelo menos 20% de proteína
bruta, fornecer, no mínimo, trinta gramas de proteína bruta e cem gramas de
nutrientes digestíveis totais (NDT) por cem quilos de peso corporal(MAPA, 2015).

2.2.6 A Instrução Normativa n°8, de 25 de março de 2004,que estabelece


restrições de ingredientes

A Instrução Normativa/MAPA nº 8, de 25 de março de 2004, estabelece a


proibição em todo o território nacional da comercialização e utilização de produtos
animal destinado à alimentação de ruminantes que possuam em sua composição
proteína e gordura de origem animal. São proibidos a utilização de produtos para
uso veterinários que contenham em sua composição insumos de
ruminantes.(MAPA, 2015).
Estão excluídos o leite, produtos lácteos, farinhas de ossos calcinados (sem
proteína e gorduras), gelatina e colágeno produzidos a partir de couro e pele. (MAPA
2015).
Os rótulos e as etiquetas dos produtos destinados à alimentação de não
ruminantes, que contenham qualquer fonte de proteínas e gorduras de origem
animal, deverão conter a expressão: USO PROIBIDO NA ALIMENTAÇÃO DE
RUMINANTES. (MAPA, 2015).

2.2.7A Instrução Normativa n° 17, de 7 de abril de 2008

A Instrução Normativa/MAPA nº 17, de 7 de abril de 2008, estabelece a


proibição em todo território nacional da fabricação na mesma planta, de produtos
28

destinados à alimentação de ruminantes e não ruminantes, exceto os locais que


tiverem: linhas separadas de produção para produtos destinados à alimentação
de ruminantes e monogástricos desde a recepção dos ingredientes ou matérias-
primas até a entrada no misturador; tenha boas práticas de fabricação (BPF)
estabelecidas; aplique procedimentos com intuito de controlar a contaminação
cruzada entre os produtos para ruminantes e produtos que contenham
ingredientes de origem animal na formulação desde o recebimento até a recepção
e transporte; ter programa de monitoramento através de análises laboratoriais de
10%, no mínimo, dos lotes produzidos (MAPA,2015).
Estão excluídos da proibição estabelecimentos que não utilizarem na
composição produtos, ingredientes (proteínas e gorduras) de origem animal ou
qualquer produto que sejam proibidos para alimentação de ruminantes (MAPA,
2015).

2.3 ARMAZENAGEM DE GRÃOS

De acordo com SANTOS (2006), uma característica dos grãos é a


possibilidade de serem armazenados por longos períodos sem perdas
significativas, porém, prolongar o armazenamento só deve ser realizado se forem
adotadas práticas corretas de colheita, limpeza, secagem, combate a insetos e
prevenção de fungos. Um lote de grão armazenado está susceptível a
transformações, deteriorações e perdas; sofrem influência de fatores como a
temperatura, umidade, oxigenação, microrganismos, insetos, roedores e
pássaros.
O armazenamento contribui para a qualidade final dos grãos e sofre
influência de uma secagem eficiente, teor de umidade dos grãos, período de
armazenagem, controle de pragas, temperatura e umidade relativa do ar, grãos
que foram danificados, impurezas, microrganismos e insetos. A presença ou não
desses fatores concordarão para manutenção da qualidade ou aceleração da
degradação do grão (MAGAN & ALDRED,2007, apudDI DOMENICO, 2015).
Segundo PATURCA (2014), o armazenamento é essencial para a
uniformidade do abastecimento porque estoca as produções nas diferentes
29

épocas principalmente em momentos onde ocorre a escassez de produção de


grãos. A atividade permite suprir as demandas do produto anualmente, gerando
estabilidade nos preços e evitando variações bruscas no mercado.
A armazenagem contribui para o processo de comercialização devido a
produção agrícola ser sazonal, podendo distribui-la ao longo do tempo, o que
garante a disponibilidade do produto conforme as demandas de mercado(LEITE,
2013).
De acordo com MACHADO (2000), o armazenamento corresponde à
manutenção dos produtos e ingredientes protegendo sua integridade e
qualidade.Produtos acabados e matérias-primas devem ser armazenados de
acordo com suas respectivas boas práticas impedindo assim contaminações,
proliferações de microrganismos e alterações ou danos nas embalagens ou
recipientes.
Explica PATURCA (2014) que as estruturas de armazenagem de grãos a
granel são aquelas em que a carga está apresentada em forma de grãos
soltos.Os produtos agrícolas sobre os quais esse tipo de armazenagem se aplica
são: milho, soja, sorgo, triticale e trigo que são armazenados em silos, armazéns
graneleiros. No Quadro 03 encontramos os pontos negativos e positivos dos
diferentes tipos de unidades armazenadoras:

Quadro 03: Vantagens e desvantagens das diferentes unidades armazenadoras


(Continua)
Tipos de unidades
Vantagens Desvantagens
armazenadoras
Silo metálico Fundações simples e baratas;
Possível infiltração de
Custo por tonelada inferior ao
água;
silo de concreto; Possibilidade de
Células de capacidade média
vazamento de gases
permitindo maior flexibilidade
durante o expurgo;
operacional. Transmissão de calor
ambiente para dentro da
célula, podendo ocorrer
condensações;
Maior custo de
instalação.
Silo vertical de Menor espaço ocupado, Alto custo de implantação
concreto devido seu desenvolvimento e longo tempo para
vertical; construção;
Paredes espessas, evitando Torre de serviço cara;
30

transmissão de calor para a Grande altura de queda


massa de grãos; dos grãos, causando
Melhor conservação dos quebra.
grãos, permitindo
armazenagem por longo
tempo.
Quadro 03: Vantagens e desvantagens das diferentes unidades armazenadoras
(Conclusão)
Tipos de unidades
Vantagens Desvantagens
armazenadoras
Armazém Baixo custo de instalação;
Menor versatilidade de
granelizado Rapidez de execução; movimentação dos grãos;
Aproveitamento da capacidade
Baixa capacidade
ociosa de armazéns
dinâmica;
convencionais. Grande quantidade de
mão-de-obra para
movimentar os grãos;
Grande possibilidade de
infiltração de água;
Funcionamento
inadequado do sistema
de aeração, quando
existente.
Armazém graneleiro Baixo custo por tonelada Pequena versatilidade na
instalada; movimentação de grãos;
Rapidez de execução; Pequeno número de
Grande capacidade em células;
pequeno espaço. Grande possibilidade de
infiltração d’água;
Possibilidade de ocorrer
dificuldade de aeração.
Fonte: D’ACRE (2015).

A areação de produtos armazenados tem como objetivos uniformizar a


temperatura, teor de umidade da massa dos grãos e renovar o ar presente no
espaço intergranular. São empregadas baixas vazões de ar a valores próximos
das correntes convectivas que ocorrem em silos ou graneleiros. Esses objetivos
referem-se ao uso da aeração como procedimento para prevenção e manutenção
da qualidade do produto armazenado (SILVA,2014).
A temperatura causa efeito no crescimento de microrganismos: os fungos
mais comuns de armazenagem se desenvolvem mais rápido a temperaturas de
28 a 32°C(D'ARCE, 2015).
31

De acordo com SILVA (2014), o aumento do teor de umidade no produto


ocasiona elevação das taxas de respiração e autodeteriorização e implica na
perda de matéria seca. Quanto maior a disponibilidade de água, mais potencializa
o desenvolvimento de fungos e microrganismos, gerando calor, água, gás
carbônico e outros gases. Os fungos podem metabolizar micotoxinas que em
concentrações elevadas tornam o produto impróprio ao consumo animal.
As perdas que ocorrem nos grãos são distinguidas em dois tipos de danos
que são classificados da seguinte forma:
Perda física ou quebra: ocorre quando o produto sofre perda de peso por
ataques de insetos.
Perda de qualidade: aquela que ocorre quando as características
intrínsecas do produto, alteradas por ação de fungos que causam fermentação,
modificação organolépticas e redução do valor nutritivo dos grãos. Estão incluídas
as contaminações por matérias estranhas e outros danos que afetam a qualidade
da matéria-prima (D'ARCE,2015).
Em condições favoráveis de temperatura e umidade, podem iniciar o
processo germinativo, provocar fermentação e favorecer o crescimento de fungos
e a produção de micotoxinas prejudiciais ao desempenho dos animais (aves)
(CORTE REAL, 2013).
JUNQUEIRA et al. (2014) avaliou o efeito das vagens e grãos verdes da
colheita em características de qualidade da soja durante o armazenamento com o
objetivo de determinar a influência desse fator na contaminação por fungos e
bactérias, teores de proteína e óleo após 240 dias de armazenamento do tipo
convencional. Após esse período, 10,1% dos grãos estavam avariados, houve a
presença do fungo Aspergillusspindicando a provável presença de aflatoxina. Não
foi possível determinar a influência dos grãos verdes nos teores de proteína. Os
autores firmaram que ocorreu uma diminuição nos teores de lipídios em função do
aumento dos grãos verdes. As determinações dos defeitos dos grãos de soja
foram realizadas através da amostra composta enviada ao laboratório e a
classificação do grão de soja de acordo com as especificações contidas no
Regulamento Técnico da Soja da Instrução Normativa/MAPA nº 11, de 15 de maio
de 2007, e a Instrução Normativa/MAPA nº 37, de 27 de junho de 2007.
32

A deterioração e contaminação por fungos em grãos podem ocorrer no


campo e aumentam durante os processos de colheita, transporte, secagem,
beneficiamento e armazenagem resultando na diminuição das qualidades
nutricionais, físicas e sanitárias desses grãos e seus derivados. A contaminação
por fungos causa prejuízos comoemboloramento, descoloração, odor
desagradável, diminuição da matéria seca, aquecimento, mudanças químicas e
nutricionais e produção de compostos tóxicos. Esses fatores contribuem para que
os grãos se tornem impróprios ao consumo animal (BENTO, 2012).
A alta umidade favorece a diluição dos nutrientes e favorece o
crescimento de fungos produzindo micotoxinas que são prejudiciais. Os grãos
despadronizados são considerados avariados e apresentam nível nutricional
menor recebendo classificações como carunchados, ardidos, brotados, mofados e
quebrados(MACHADO, 2010).
Os fungos do gênero Fusariumspp., Aspergillusspp. e Penicilliumspp. são
responsáveis por deterioração em grãos armazenados e produção de
micotoxinas, metabólitos secundários tóxicos, prejudiciais à saúde atividade
mutagênica, carcinogênica. (BENTO, 2012).
Alta umidade relativa do ar, teor de água do substrato e temperatura de
armazenamento são fatores que contribuem para a prevalência de fungos tóxicos.
Grãos de milho em condição física boa também podem apresentar fungos que
apresentarão substâncias nocivas(BENTO, 2012).
O crescimento de fungos diminui o conteúdo energético e causa impacto
negativo no perfil nutritivo dos grãos, afetando o perfil de carboidratos, vitaminas,
lipídios e aminoácidos. Os grãos infectados com fungos terão menor rendimento
na fabricação de rações e alguns metabólitos secundários como as micotoxinas
que são responsáveis por problemas de saúde e desempenho nos animais.
Quando os grãos chegam à fábrica de ração, são estocados em silos a qualidade
já começa a diminuir proporcionalmente ao tempo e às condições de
armazenagem. O objetivo principal é manter a qualidade dos grãos
próximaàquela encontrada no início do armazenamento e diminuir a velocidade
de deterioração. Através de um bom gerenciamento de silos e da armazenagem
dos grãos, é possível alcançar o padrão de qualidade (JUNIOR,2011).
33

DAGA et al. (2015) realizaramanálise bromatológica e micotoxicológica do


farelo de soja antes e após processo industrial de micronização. Avaliaram 121
amostras de farelo de soja sendo 66 antes do processo de micronização e 55
após este processo. A composição bromatológica antes da micronização
apresentou 12,4% de umidade, 46,4% de proteína, 5,9% de cinzas e 2,2% de
gordura. Após a micronização as amostras apresentaram 7,0% de umidade e
48,6% de proteína. Obtiveram baixos níveis de micotoxinas no farelo de soja in
natura onde, após a micronização os resultados foram 1,3μg kg-1, 67,5 μg kg-1 e
89,1μg kg-1, para aflatoxina, zearalenona e fumonisina, respectivamente. Os
resultados obtidos evidenciaram conformidade com os padrões estabelecidos
pelo Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal. Porém, foram detectadas pelo
menos uma das três micotoxinas avaliadas principalmente no farelo de soja após
a micronização.(DAGA et al., 2015).
De acordo com SILVA & CORREA (2015), os grãos oleaginosos (soja,
amendoim, girassol) devem conter níveis de umidade menores quando
comparados com os grãos amiláceos (arroz, milho, trigo e sorgo) armazenados
em condições atmosféricas semelhantes.
Para as unidades armazenadoras de grãos a Instrução Normativa/MAPA
nº 29, de 8 de junho de 2011, estabelece os conceitos e definições que orientam
o processo.

2.4 FABRICAÇÃO DE RAÇÕES COM QUALIDADE

Nas empresas de fabricação de alimentos para animais, a adoção de


Boas Práticas de Fabricação são requisitos básicos para manter e assegurar a
qualidade em todas as fases de desenvolvimento dos produtos(BELLAVER &
MAZZUCO 2015).
De acordo com KLEIN (2014), para fazer uma boa ração são necessários:
uma boa fórmula e especificações; suprimentos: matérias-primas de qualidade; e
produção de qualidade visando a capacidade dos processos (infraestrutura),
gestão dos processos e gestão de pessoas. Deve também ter flexibilidade para
receber, armazenar e beneficiar matérias-primas, permitindo usar produtos
alternativos e no processo produtivo.
34

Segundo BELLAVER (2004), a qualidade das rações abrange quatro


pontos que são: nutricional, técnico, segurança para os animas, ambiente e
consumidores e a qualidade emocional. A composição de proteínas e
aminoácidos, ácidos graxos, minerais e vitaminas correspondem a qualidade
nutricional; as características físicas dos ingredientes e das rações e o processo
de fabricação definem a qualidade tecnológica; a ausência de microrganismos e
substâncias nocivas aos animais ao meio ambiente define a qualidade aos
consumidores; o temor do uso de substâncias perigosas nos produtos animais
definem a qualidade emocional.
O segmento de fabricação de rações deve ter procedimentos criteriosos
de qualidade. A matéria-prima deve ser analisada antes de ser aceita
assegurando os padrões de qualidade de cada produto, com ausência de
carunchos, odores, impurezas, umidade elevada, índices elevados de acidez e
peróxido. A armazenagem auxilia no controle do produto final, a matéria-prima
deve ser armazenada em silos ou em embalagens estocadas sobre estrados,
longe de paredes e em local seco e arejado (GRUPO VB,2015).
Para o controle de uma fábrica de ração é recomendada a seguinte lista
de secagem: deve-se avaliar o ambiente (temperatura, umidade, ventilação,
radiação solar); presença de animais (roedores); armazenagem e disposição de
matérias-primas; tempo de armazenagem de insumos; limpeza de equipamentos
(periodicamente); limpeza dos silos (periodicamente); tempo médio de mistura;
acompanhamento das pesagens; aferição de balanças; quantidade produzida;
organização geral das misturas; treinamento da equipe de produção de misturas
(ALLNUTRI, 2003).
A qualidade nos alimentos corresponde à ausência de defeitos, ao
conjunto de propriedades de um produto em conformidade com as características
de um produto relacionada com a habilidade em atender as necessidades
explícitas e implícitas dos alimentos. (SILVA & CORREA, 2009).
CORADI et al. (2011) avaliaram a qualidade de matérias-primas das
diferentes regiões do Estado de Minas Gerais usadas na indústria de ração, as
rações processadas e a qualidade do milho. O estudo foi realizado em indústria
de ração para aves com capacidade de 1000 toneladas, foram coletadas
amostras de milho, soja, farinhas de origem animal, farelos e rações durante o
35

ano de 2008 para análise de teor de água, acidez, peróxidos, proteína bruta,
extrato etéreo e classificação de física do milho por tipo. Concluíram que as
matérias-primas atendiam às exigências mínimas de qualidade quanto a
características físicas, químicas e nutricionais, os subprodutos e o milho
apresentaram teores de umidade elevada que podiam levar a contaminação
microbiológica durante a armazenagem de acordo com o Decreto nº 11, de 12 de
abril de 1996; o milho foi considerado como Tipo 1 para comercialização no
estado onde foram feitas as avaliações.
Nas pequenas fábricas de rações são encontradas a maior carência de
tecnologia e gerenciamento para o desenvolvimento de programas de qualidade.
Porém, ela pode ocorrer com maior rapidez devido aos poucos funcionários e um
relacionamento mais estreito com o conhecimento das limitações financeiras e
físicas (COUTO, 2012).
A qualidade de um produto é realizada pelo processo de classificação que
supõe a existência de um padrão. Classificar é determinar a qualidade interna e
externa de um produto de acordo com padrões estabelecidos. A classificação
assume relevância quando associada à comercialização, ao controle e à
manutenção da qualidade de qualquer produto. Os laudos gerados após a
classificação de grãos são exigidos pelos consumidores finais que buscam
produtos com qualidade, segurança alimentar, regularidade e consistência
(BOTELHO et al., 2013).
O controle de qualidade é definido como os procedimentos que
asseguram a integridade, idoneidade e eficácia nutricional de um ingrediente, de
um processo ou um produto final. Através desse controle podem-se selecionar os
melhores fornecedores, processo importante para garantir a conformidade dos
ingredientes de acordo com os padrões exigidos pela legislação, assegurando a
confiabilidade dos produtos finais atendendo aos interesses dos clientes, servindo
como forma de manter a competividade do mercado (AGROCERES
MULTIMIX,2015).
Para as boas práticas de fabricação de rações a Instrução
Normativa/MAPAnº 4/2007 aprova o regulamento técnico sobre as condições
higiênicas sanitárias e boas práticas para estabelecimentos fabricantes de
produtos destinados à alimentação animal.
36

2.5 PROCESSOS

Para a elaboração correta de rações e aproveitar o potencial nutritivo dos


ingredientes e, por consequência, melhorar o desempenho produtivo é necessário
o controle dos pontos críticos do controle de produção que iniciam com o
recebimento da matéria-prima e terminam com a expedição do produto,
destacando a correta mistura dos ingredientes pois esta etapa tem como objetivo
dispersar uniformemente as matérias-primas no produto final (PAIANO etal.,
2014).
Aformulação e o balanceamento das rações consistem em misturar os
alimentos com o objetivo de atender as exigências nutricionais dos animais
contribuindo para que estes expressem seu potencial genético.(NUNES, 2008).
De acordo com CALDERANO et al. (2010), a formulação de ração
consiste em combinar vários alimentos atendendo as exigências nutricionais dos
animais.
A recepção dos ingredientes em uma fábrica de ração refere-se ao local
que são verificadas as qualidades dos ingredientes de acordo com os padrões de
compra estabelecidos (COUTO, 2012).
As moegas são estruturas destinadas para a recepção de produto a
granel. Para um projeto de unidades armazenadoras a capacidade estática e os
números de moegas podem ser definidos de acordo com os seguintes
parâmetros: tipo de produtos que serão recebidos e a frequência; expectativa do
horário de recebimento; funcionamento do setor de recepção; expectativa da
extensão da fila de caminhões; tempo de retenção definido pelo fluxo horário do
setor de secagem(SILVA, 2010).
O processo de dosagem é um momento propício a erros, pois deve-se
garantir que a quantidade dos ingredientes adicionados no misturador seja aquela
repassada pelo nutricionista através das fórmulas. Qualquer desajuste nessa
etapa, seja por incorreto dimensionamento das balanças, locais em desordens ou
inabilidade de pessoal para a manipulação, comprometerá a qualidade do produto
final. A exatidão das pesagens dos ingredientes de acordo com as especificações
para que as quantidades sejam cumpridas, é necessária a utilização de mais de
37

uma balança na linha paralelamente ao processo de pesagem, nenhum


ingrediente deverá ser pesado em quantidade menor que 4% da capacidade total
da balançapara uma precisão necessária e garantir que os desvios ocorridos
sejam inferiores a 1% da quantidade pesada (NFT ALLIANCE, 2013).
De acordo com COUTO (2012), os ingredientes das formulações devem
ser pesados com precisão e de forma individual. Um erro é considerar irrelevantes
as falhas nessa etapa, pois as variações na composição nutricional do produto
final causam prejuízos no desempenho animal. As variações encontradas entre o
nível formulado que ocorrem, apenas 30% são decorrentes das matérias-primas e
70% devido a deficiência no processo de produção. Quando se pesa grandes
volumes por batida (milho) ou pequenas quantidades (vitaminas) ocorrem as
maiores variações no produto acabado.
A velocidade de dosagem dos ingredientes na balança dosadora é
determinante na capacidade produtiva, pois durante essa etapa devemos
satisfazer duas condições: velocidade e precisão considerando que o extremo de
uma prejudica o processo de outra, sendo que a precisão é determinante para a
qualidade do produto e a velocidade diz respeito à capacidade produtiva (NFT
ALLIANCE,2013).
Produzir eficientemente e com economia um produto que tenha
digestibilidade nutricional e atenda os processamentos subsequentes (produção
de rações fareladas, peletizada e extrusadas) é o objetivo da moagem. (COUTO,
2012).
De acordo com OLIVEIRA et al. (2011), na pré-moagem os ingredientes
são moídos finos e após esse processo são dosados, por exemplo, o grão de
milho e outros grãos como o de sorgo e o farelo de soja. Esta técnica tem a
vantagem do moinho ser independente da linha de mistura permitindo mudanças
nas peneiras e consequentemente no tamanho das partículas, porém gera custos
com silos e transportadoras. Na moagem conjunta dentro da linha de produção
acontece a dosagem e a moagem dos ingredientes. A necessidade de menos
silos e um transporte simples são as características vantajosas de utilizar a
moagem conjunta, porém o fato de estar dependente da linha de mistura pode ser
considerado negativo.
38

Alguns fatores devem ser considerados no processo de moagem como:


dimensionamento dos furos da peneira em relação aos martelos proporcionando a
eficiência na moagem; velocidade das pontas do martelo – velocidade mais rápida
produzirá material mais fino (AVIAGEM, 2008).
O grau de moagem é determinado de acordo com o tamanho das
partículas e se utiliza uma variável que o diâmetro geométrico que é
correlacionado com o tamanho das partículas (POZZA et al., 2005).
A moagem e mistura são extremamente importantes e tem por objetivo
adequar a homogeneidade e balanceamento da mistura. (BELLAVER &
MAZZUCO, 2015).
De acordo com COUTO (2012), o equipamento usado nesse processo é o
misturador. Devem ser observados três etapas: carregamento, mistura e
descarga.
Segundo OELKE & REIS (2013), a moagem pode ser realizada em
moinhos de rolo ou martelos e consiste na redução das partículas dos
ingredientes com o objetivo de homogeneizar a mistura melhorando a qualidade e
eficiência das etapas seguintes.
A etapa em que ocorre a homogeneização dos ingredientes indicados na
fórmula, leva em consideração que a pesagem ocorreu na etapa anterior. O
misturador deve ser aferido constantemente usando traçadores adicionados aos
outros ingredientes da fórmula, sendo resgatados após a mistura para avaliar a
dispersão das partículas nas amostras coletadas obtendo um coeficiente de
variação inferior a 10%.Para a homogeneização adequada podemos citar a ordem
de adição dos ingredientes na câmara de mistura garantindo que 50% dos
macroingredientes já estejam adicionados quando forem adicionados os
microingredientes, evitando que estes permaneçam no fundo do misturador (NFT,
ALLIANCE, 2013).
De acordo com OLIVEIRA et al.(2013), as características dos ingredientes
utilizados, os equipamentos e os parâmetros para o processo influenciam a
uniformidade da mistura. Afirmam que o tamanho da partícula é um indicador que
dois ou mais ingredientes com tamanhos diversos podem separar-se. Sendo que
os materiais mais finos tendem a decantar e serem depositados no fundo do
misturador e, por consequência, comprometer a homogeneidade da mistura.
39

Quando as características eletrostáticas, as partículas tornam-se carregadas


pelas colisões com as demais ou com a parede e pás do misturador atingem as
frações mais finas, pois o pó apresenta maior área superficial permitindo assim
uma carga eletrostática maior ocasionando aderência das partículas carregadas
nas partes metálicas do misturador.

3. RELATÓRIO DE ESTÁGIO

3.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

O estágio curricular foi realizado no período do dia 16 de março de 2015 a


15 de maio do mesmo ano na empresa Jatobá Nutrição Animal, localizada na
cidade de Córrego do Ouro,Estado de Goiás, sediada à Avenida Pires, nº 19.O
estágio foi supervisionado pelo engenheiro agrônomo José Teodoro Rezende e
contemplou a carga horária de 342 horas.
A empresa fundada em junho de 2001 conta com uma fábrica de
suplementos minerais e ração para bovinos, equinos e aves. São adotados todos
os procedimentos necessários e indispensáveis para a obtenção de alimentos de
qualidade.
O fato da carne e o leite serem os principais alimentos consumidos, a
empresa propicia a grande responsabilidade em fabricar produtos de excelente
qualidade, sem contaminação e que não causem doenças nos animais e,
consequentemente,nas pessoas. A Jatobá Nutrição Animal é uma unidade de
produção voltada para a segurança alimentar, tendo como preocupação final a
saúde humana.
Criada por empreendedores da região de São Luís de Montes Belos, é
um empreendimento relativamente novo, mas que se mantém no mercado com
produtos destinados à alimentação animal e atendendo a demanda por qualidade
combinada com preços justos.
40

A empresa conta com uma área de 1792m2, quinze funcionários,


veterinários e agrônomos.Pertence a um grupo formado por uma casa
agropecuária, duas madeireiras nas cidades de São Luís de Montes Belos e
Itaberaí, uma loja e um supermercado, ambos na cidade de Pacajá, no Pará.
As edificações contêm quatro silos com a capacidade de 60 toneladas
como demonstrado na Figura 09; uma balança, dois misturadores para 1000
quilos como demonstrado na Figura 10; um misturador para microingredientes,
uma moega como pode ser visto na Figura 11; elevadores e esteira para
carregamento dos caminhões como demonstrado na Figura 12.A produção média
por dia compreendia 30 toneladas de ração.

Figura 09: Silo artesanal utilizado na armazenagem de grãos e farelos


Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).
41

Figura 10: Misturador para macroingredientes


Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).

Figura 11: Moega para o descarregamento de grãos e farelos


Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).
42

Figura 12: Esteira para o carregamento dos produtos acabados nos caminhões
Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).

3.2 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

De acordo com o direcionamento do supervisor e orientadora, foram


desenvolvidas as seguintes atividades como acompanhamento da produção de
rações visando aprimorar o conhecimento sobre as finalidades dos alimentos e
seu valor nutricional; conhecer os preços dos produtos finais (acabados);
entender a influência do preço da matéria-prima nos preços repassados ao
cliente;conhecer o software de vendas da empresa, seu funcionamento, as formas
de pagamento; acompanhar os padrões de compra, formas de pagamento e o
recebimento das matérias-primas e as formas de estocagem; acompanhardas
pesagens dos ingredientes. O principal objetivo dessas atividades foi conhecer o
funcionamento de uma empresa que trabalha com nutrição animal, quais os
produtos que eram fabricados, os setores e as matérias-primas que eram
utilizadas (farelo de soja, milho, sorgo, torta de algodão, casca de soja), os pontos
críticos, as relações de compra e venda de produtos e suas influências nos
processos, ter noção da relação com os fornecedores e clientes, além de
conhecer os diversos equipamentos e processos.
O fluxograma básico para produção em uma fábrica de ração, adaptado
da literatura e próximo do processo realizado na empresa Jatobá Nutrição Animal.
Nas fábricas de rações, de acordo com OLIVEIRA (2013), refere-se o fluxograma
dos processos de produção na Figura 13:
43

EMPRESA JATOBÁ Controle de


NUTRIÇÃO ANIMAL Área de desgarga qualidade(coleta
de amostras)

milho
Torta de algodão
farelo de soja Elevador
casca de soja
sorgo

Silos de rosca de
Balança
armazenagem transporte

Trituradores
Misturadores Expedição
(moinhos)

Carga dos
caminhãoes

Figura 13: Processos básicos para uma fábrica de ração – Jatobá Nutrição
Animal
FONTE: Adaptado de OLIVEIRA et al. (2013).

3.3 ATIVIDADES ESPECÍFICAS

Foram realizadas atividades na recepção de ingredientes como


elaboração de fichas de controle de produção que continham dados do
fornecedor, a data e hora de recebimento, o produto e peso com objetivo de maior
controle da entrada de matéria-prima, configurando o controle de qualidade.
Tendo em vista a necessidade de controlar o recebimento de ingredientes, de
44

acordo com o observado, este processo não era o ideal, porém, espera-se que as
práticas de amostragem de ingredientes e controle na entrada dos produtos seja
adotada de acordo com as sugestões.

3.3.1 Etapas para o recebimento da matéria-prima

No local de estágio os procedimentos para o recebimento de matérias-


primas consistiam em verificação dos prazos de validade nos produtos ensacados
ou em big bags, onde eram observados se as embalagens estavam limpas, se
eram do material apropriado e se apresentavam defeitos, eram feitas avaliações
simples como aspecto físico e presença de impurezas, observa-se a coloração e
odor característico do produto.As demais avaliações recomendadas não eram
realizadas pois os fornecedores eram considerados idôneos e não houveram
relatos de problemas com os carregamentos de produtos visivelmente
comprometidos.
Não eram realizadas coletas de amostras com os caladores destinados a
cada matéria-prima com o objetivo de estimar a qualidade nos produtos
ensacados ou a granel. Eram disponibilizadas as notas fiscais, a descrição do
produto, o fornecedor, a localização e a área de atuação se eram distribuidores ou
fabricantes.
Porém, a literatura recomenda que se realize diversos procedimentos de
rotina antes da descarga. Os produtos devem ser rigorosamente conferidos
principalmente no aspecto físico. São coletadas amostras de toda matéria-prima
que será analisada em laboratório, estas variam de acordo com a carga recebida.
Nos produtos de origem animal são feitas análises de peróxido, acidez, umidade e
atividade de água. Em matérias-primas de origem vegetal são feitas análises de
umidade, aflatoxina e ausência de contaminantes químicos, físicos e biológicos.
Para a estimativa da composição química da matéria-prima, recomenda-se
encaminhar as amostras ao laboratório de bromatologia para aferição da
composição química apresentada pelos fornecedores de grão (GRUPO VB,
2015).
45

Durante a inspeção de recebimento de ingrediente deve-se considerar os


prazos de validade e estabelecer critérios visuais para cada produto objetivando
verificar alterações nos lotes (AGROCERES MULTIMIX,2013).
As análises bromatológicas são feitas em laboratórios externos.Os
fungos, alta umidade, produto ardido, caruncho, odor desagradável e impurezas
são alguns fatores que depreciam o produto (GRUPO VB,2015).
De acordo com PEREIRA (2008), a Associação Nacional dos Fabricantes
de Alimentos para Animais afirma que os fornecedores de matérias-primas e
ingredientes devem ser registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento.
De acordo com COUTO (2012),o melhor sistema de controle de qualidade
na produção de rações e suplementos minerais é impedir a entrada de matéria-
prima de qualidade inferior. A recepção é o local adequado para a verificação de
qualidade dos ingredientes cumprindo os padrões técnicos de compra.

3.3.2Armazenagem das Matérias-Primas

A armazenagem das matérias-primas tais como milho, sorgo e farelo de


soja eram feitas nos silos. O descarregamento era imediato à chegada dos
caminhões, os produtos a granel eram descarregados na moega (farelo de soja,
milho e sorgo) e transportados aos silos, a torta de algodão e a casca de soja
eram armazenadas em pilhas em cima de palets específicos para
armazenamento, em área coberta.Os produtos ensacados como os
microingredientes eram enviados a sala de micro ingredientes e acondicionados
sob estrados de madeira, assim como a ureia e os macroelementos como, por
exemplo, o fosfato bicálcio e calcário eram armazenados sob estrados de madeira
como demonstrado na Figura 14, o cloreto de sódio era transportado e
armazenado em big bags como pode ser visto na Figura 15.
46

Figura 14:Armazenagem sobre estrados de madeira


Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).

A armazenagem de sacaria era realizada sobre estrados de madeira,


porém o espaço entre as pilhas e a parede era próximo podendo passar
umidade.Não eram colocadas identificação do produto e o prazo de validade.
Para armazenamento de cereais, em geral os silos são grandes e muitas
vezes não possuem termometria e aeração que são necessários para
armazenagem por maior tempo. Em relação à armazenagem de produtos
ensacados encontramos problemas de identificação, nem todo material é
colocado em estrados ou estes são de qualidade inferior, as paredes e pisos
apresentam problemas e não ocorre a separação dos produtos medicados(KLEIN,
2014).
47

Figura 15: Armazenagem em big bags


Fonte:ARQUIVO PESSOAL (2015).

De acordo com COUTO (2012), não se deve autorizar o descarregamento


de ingredientes sem a certificação prévia de sua origem, natureza e volume, a
descarga dos produtos a granel deve ser separada dos ensacados, aumentando a
eficiência das operações de armazenagem e garantir a qualidade.
Recomenda-se que toda fábrica de ração deve propor procedimentos
para recepção do milho, comtemplando análises de umidade, proteína bruta e a
contagem dos grãos avariados. De acordo com os valores encontrados, verifica-
se a conformidade do lote de milho e aceita-se a carga ou não(MACHADO&
COSTA, 2010).
Conforme explica ALLNUTRI (2003), para o controle efetivo da
integridade dos grãos em uma fábrica de ração são recomendados a seguinte
lista de checagem: deve-se avaliar o ambiente, a temperatura, a umidade, a
48

ventilação, a radiação solar; presença de animais (roedores); armazenagem e


disposição de matérias-primas; tempo de armazenagem de insumos; a limpeza de
equipamentos deve ser feita assim como a limpeza dos silos e a calibração;na
mistura dos ingredientes monitorar o tempo médio de mistura; acompanhamento
das pesagens; aferição e calibração de balanças; quantidade produzida e
estocada; organização geral das misturas; treinamento da equipe de produção de
misturas e reciclagem periodicamente.
A limpeza do local era feita frequentemente, assim como a dos
equipamentos, havia um controle eficaz de roedores e não havia infestação de
pombos.
Devido a questões de logística e capacidade de compras,houve falta de
algumas matérias-primas. Em alguns momentos houve a inviabilidade da
produção e a fábrica ficou ociosa por alguns dias. Embora seja comum esses
acontecimentos, foi sugerido um controle de estoque e previsão de compras.
Para realizar o controle de produção deveseter uma previsão de compras
elaborada, mantendo uma quantidade mínima de estoque, sendo ideal manter um
relacionamento entre a fábrica e o setor de compras. A manutenção do controle
de estoque computa-se todo o recebimento e consumo de matéria-prima de
acordo com as formulações e na produção do dia torna-se a forma mais eficiente
de uma previsão de compras (COUTO, 2012).
Nas pequenas fábricas de rações são encontradas a maior carência de
tecnologia e gerenciamento para o desenvolvimento de programas de qualidade.
Porém, ela pode ocorrer com maior rapidez devido aos poucos funcionários e um
relacionamento mais estreito com os fornecedores, dividindo o conhecimento das
limitações financeiras e físicas para a estocagem (COUTO, 2012).

3.3.3 Pesagens de Ingredientes

A sala de microingredientes como demostrado na Figura 16 era o local


onde ocorria pesagens dos ingredientes em uma balança de precisão.Após esse
processo, os minerais passavam por uma pré-mistura, devido a quantidades e
peso serem pequenos, e o processo final da mistura fosse homogêneo.
49

Figura 13:Sala de dosagem de micro ingredientes


Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).
Figura 16: Sala para pesagem e pré-mistura de microingredientes
Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).

Segundo OLIVEIRA et al. (2013), deve-se aferir as balanças e ou levá-las


a manutenção. A fábrica de ração deve ser avaliada como um núcleo de produção
em que todos os setores são interligados. Nas instalações, o manejo da
fabricação deve ser adequado e ocorrer a manutenção dos equipamentos e
treinamento dos colaboradores são fatores que contribuem para garantir a
produtividade, sendo o ponto de equilíbrio para o sucesso da atividade.

3.3.4 Mistura

O processo de mistura era uma etapa em que havia maior atenção por
parte dos funcionários, pois a qualidade final do produto seria influenciada se
houvessem erros, devido as características físicas serem variáveis e buscam-se a
homogeneidade. Os misturadores da empresa eram do modelo tipo vertical, não
eram utilizados marcadores para determinação da homogeneidade da mistura.
50

De acordo com COUTO (2012), a mistura dos ingredientes tem por


objetivo combinar a homogeneidade de todos os macro e micro ingredientes que
foram especificados na formulação garantindo o balanceamento da ração.
Os ingredientes eram adicionados do que tinha maior volume (milho) para
o de menor volume dependendo da formulação, e os de maior densidade como o
fosfato bicálcio, cloreto de soja e calcário e por fim os micros ingredientes já pré-
misturados aguardando o tempo de mistura.
O tempo de mistura para os misturadores verticais são de 15 a 20
minutos (1 rosca) e 8 a 10 minutos (duas roscas) (COUTO, 2012).
Na qualidade da mistura, que é avaliada com auxílio de marcadores, o
resíduo remanescente após descarga do misturador que não deve ser maior que
0,2% da capacidade do misturador, são os principais pontos críticos desse
processo.
De acordo com TOSO & MORABITO (2005), a mistura dos ingredientes
ocorre em três fases: a mistura a seco, adição de líquidos e uma nova mistura.
Após esta etapa o conteúdo encontra-se homogêneo e a mistura é descarregada
no pós-misturador e enviada para o ensaque.

3.3.5 Ensaque

O ensaque dos produtos era feito em sacaria comum, onde eram


colocadas etiquetas adesivas com as informações nutricionais e níveis de
garantia.Além dessa forma de identificação do produto são utilizadas embalagens
de plástico com a marca da empresa e os níveis de garantia já impressos. As
informações a respeito do produto eram expressas de forma clara e objetiva, além
de conter as indicações de uso, a categoria animal o qual era destinado, o prazo
de validade e a forma de melhor conservação. Após o ensaque, eram
armazenados sobre estrados de madeira ou colocados na esteira para o
carregamento dos caminhões. Não eram utilizadas sacarias usadas, estas eram
armazenadas em uma sala específica como demonstrado na Figura 17:
51

Figura 17: Sala de armazenagem de sacaria


Fonte: ARQUIVO PESSOAL (2015).

3.3.6 Vendas e produção

A produção diária era de 30 toneladas e sofria variações de acordo com


os clientes da agropecuária de São Luís de Montes Belos e de Córrego do Ouro e
também pelas compras realizadas diretamente na fábrica. Eram feitas bulas(com
a quantidade de cada produto a ser produzido e qual região que se destinava)
prezando para a fabricação de acordo com a região.Geralmente era estabelecido
um prazo de cinco dias para entrega do produto, esperavam juntar o peso que os
caminhões comportavam e encaminhavam a uma região específica.
Foram realizadas atividades com o software de vendas da empresa,
efetivando as vendas feitas na fábrica, aplicando os descontos e observando as
variações de preço. Na área de vendas foram constatados quais eram os
produtos mais vendidos, a preferência de pagamentos dos produtores (compras a
prazo), as formas de entrega da mercadoria e o cumprimento de prazos.
Constou-se que as vendas mais frequentes eram dos produtos Jatobá
Carne 18% produto destinado à bovinos de corte com 18% de proteína bruta;
Jatobá Leite 24% produto destinado à vacas de leite com 24% de proteína; e os
52

suplementos minerais Jatobá Fos 60 produto indicado para a suplementação de


bovinos de corte em fase de recria; Jatobá Fos 90 Corte produto indicado para a
suplementação mineral de bovinos em fase de cria; Jatobá Fos 90 Leite produto
indicado para a suplementação mineral de bovino leiteiros em fase de lactação.
Os demais produtos como as rações para aves e suínos eram produzidos em
menor escala, correspondiam apenas às compras realizadas por pequenos
produtores para criação de subsistência. A ração destinada à equinos era a
menos produzida, no entanto, nos meses de abril e maio a procura torna-se maior
devido a eventos tradicionais que ocorrem na cidade e região como cavalgadas.
A indústria de alimentação animal apresentou nos últimos anos uma alta
demanda com expressivo crescimento de produção e de vendas. Diante desse
crescimento é necessário elevar os padrões de qualidade, otimizar e reduzir
custos assegurando o preparo das indústrias de alimentação animal para o
mercado globalizado (SILVA & DOMARESKI, 2011).
53

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A determinação de estimativa de qualidade realizada com o auxílio de


coleta de amostras evita que sejam aceitas cargas com matérias-primas
consideradas impróprias para o uso em fabricação de rações, como grãos
chochos, ardidos, quebrados, contaminados por fungos, alta umidade ou padrões
nutricionais diferentes do esperado garantindo a produção de alimentos de
qualidade para os animais de produção.
É importante que as empresas realizem um controle de qualidade na área
de recepção de ingredientes através das coletas de amostras de matérias-primas,
realizem compras de fornecedores idôneos e que os produtos adquiridos atendam
aos requisitos priorizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.
O estágio foi de grande valia pois permitiu observar os pontos fracos e
fortes de uma fábrica de rações, além de agrega conhecimento sobre a realidade
de uma empresa cuja a produção era pequena e contava com equipamentos
simples (artesanais) mas que buscavam produzir produtos com qualidade
competitiva no mercado. Propiciou, ainda, motivação para o aprendizado de
novas situações práticas que diferem aos conceitos e técnicas adquiridas através
da literatura.
54

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGROCERES, M. (2014). Qualidade da máteria prima : Monitoramento e


inspeção de ingredientes para a nutrição animal.Disponível
em:<http://www.agroceresmultimix.com.br>. Acesso em 20 de julho 2015.

ALMEIDA & CIA. Manual de Amostragem de Grãos. Disponível


em:<http://www.acalmeidaecia.com.br/.../manual_de_amostragem_de_graos_alm
eida>.Acesso em 06 de junho de 2015.

BELLAVER, C.(2004).A importância da gestão da qualidade de insumos para


rações visando a segurança dos alimentos. Disponível em:
<http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/.../palestras_z5i79j8b_qualidade_insum>.
Acesso em 16 de julho de 2015.

BELLAVER, C. (2004). Qualidade do processamento de matérias-primas de


origem animal.3° Fórum Pet Food.Disponível
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61

ANEXOS
62

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO


GABINETE DO MINISTRO
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 4, DE 23 DE FEVEREIRO DE 2007

O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E


ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 2º, do Decreto nº
5.741, de 30 de março de 2006, tendo em vista o disposto na Lei nº 6.198, de 26
de dezembro de 1974, e no seu Decreto regulamentador nº 76.986, de 6 de
janeiro de 1976, e o que consta do Processo nº 21000.012692/2006-11, resolve:

Art. 1º Aprovar o REGULAMENTO TÉCNICO SOBRE AS CONDIÇÕES


HIGIÊNICO-SANITÁRIAS E DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO PARA
ESTABELECIMENTOS FABRICANTES DE PRODUTOS DESTINADOS À
ALIMENTAÇÃO ANIMAL e o ROTEIRO DE INSPEÇÃO, constantes dos anexos.

Art. 2º Estabelecer o prazo de até 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias, após a
publicação desta Instrução Normativa, para a entrega do Plano de
Implementação das Boas Práticas de Fabricação, incluindo o manual, pelos
estabelecimentos fabricantes e fracionadores de alimentos para animais.

Art. 3º Estabelecer o prazo de até 545 (quinhentos e quarenta e cinco) dias, após
a publicação desta Instrução Normativa, para que os estabelecimentos
fabricantes e fracionadores de alimentos para animais atendam às especificações
contidas no Regulamento Técnico e Roteiro de Inspeção.

Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 5º Fica revogada a Instrução Normativa SARC nº 01, de 13 de fevereiro de


2003.

LUÍS CARLOS GUEDES PINTO

ANEXO I

REGULAMENTO TÉCNICO SOBRE AS CONDIÇÕES HIGIÊNICO-SANITÁRIAS


E DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO PARA ESTABELECIMENTOS
FABRICANTES DE PRODUTOS DESTINADOS À ALIMENTAÇÃO ANIMAL

1. OBJETIVO
63

Definir os procedimentos básicos de higiene e de boas práticas de fabricação


para alimentos fabricados e industrializados para o consumo dos animais.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO


GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA Nº 55, DE 09 DE FEVEREIRO DE 1990

O Ministro de Estado da Agricultura, no uso de suas atribuições, e tendo em vista


o disposto na Lei nº 6.305, de 15 de dezembro de 1975 e o Decreto nº 82.110, de
14 de agosto de 1978, resolve:

I - Aprovar a norma anexa à presente Portaria, assinada pelo Presidente da


Comissão Técnica de Normas e Padrões, a ser observada na Padronização,
Classificação, Embalagem e Apresentação do Algodão em Pluma, Algodão em
Caroço e Subprodutos e Resíduos de Valor Econômico do Algodão.

II - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as


Portarias nº 214, de 29 de julho de 1982 e nº 222, de 5 de outubro de 1987.

IRIS REZENDE MACHADO

ANEXO I

NORMA DE IDENTIDADE, QUALIDADE, EMBALAGEM E APRESENTAÇÃO DO


ALGODÃO EM PLUMA (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa
63/2002/MAPA) _______________________________________________

Redação(ões) Anterior(es)

ANEXO II
NORMA DE IDENTIDADE, QUALIDADE, EMBALAGEM E APRESENTAÇÃO DO
ALGODÃO EM CAROÇO

1. Objetivo: a presente norma tem por objetivo definir as características de


identidade, qualidade, embalagem e apresentação do algodão em caroço que se
destina à comercialização.
64

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO


GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA Nº 268, DE 22 DE AGOSTO DE 1984.

O Ministro de Estado da Agricultura, no uso de suas atribuições, e tendo em vista


o disposto na Lei nº 6.305, de 15 de dezembro de 1975, e o Decreto nº 82.110,
de 14 de agosto de 1978, resolve:

I - Aprovar as presentes Normas de Identidade, Qualidade, Apresentação e


Embalagem do Sorgo nos termos do documento em anexo, devidamente
assinadas pelo Secretário Nacional de Abastecimento.

II - Esta Portaria entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as


disposições em contrário.

NESTOR JOST

ANEXO
NORMAS DE IDENTIDADE, QUALIDADE, EMBALAGEM E APRESENTAÇÃO
DO SORGO

01.- OBJETIVO: as presentes normas têm por objetivo definir as características


de identidade, qualidade, embalagem e apresentação do sorgo que se destina à
comercialização interna.

02.- DEFINIÇÃO DO PRODUTO: entende-se por sorgo, os grãos provenientes da


espécie Sorghum bicolor, (L) Moench.

03.- CONCEITOS: as bases ou normas e os termos usados nas presentes


especificações deverão ser observados e interpretados conforme o que segue
abaixo:
3.1. Avariados: são os grãos e/ou pedaços de grãos chochos, ardidos, brotados,
mofados. Os grãos quebrados, desde que normais constituem isoladamente uma
avaria.
3.1.1. - Chochos: são os grãos enrugados, por deficiência de desenvolvimento.
3.1.2. - Ardidos: são grãos e/ou pedaços de grãos que se apresentam
fermentados, perdendo a sua coloração característica.
3.1.3. - Brotados: são os grãos que apresentam germinação visível.
65

3.1.4. - Mofados: são os grãos e/ou pedaços de grãos com sinais visíveis de
ataque de fungos, apresentado-se embolorados.

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO


GABINETE DO MINISTRO
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 11, DE 15 DE MAIO DE 2007

O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E


ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 2º, do Decreto nº
5.741, de 30 de março de 2006, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.972, de 25
de maio de 2000, no Decreto nº 3.664, de 17 de novembro de 2000, e o que
consta do Processo nº 21000.014080/2005-73, resolve:

. Art. 1º Estabelecer o Regulamento Técnico da Soja, definindo o seu padrão


oficial de classificação, com os requisitos de identidade e qualidade intrínseca e
extrínseca, a amostragem e a marcação ou rotulagem, na forma do Anexo.

. Art. 2º Na soja destinada à exportação, os aspectos relativos à sua identidade e


qualidade, não contemplados nos contratos referentes a essa operação,
observarão como referência o previsto nesta Instrução Normativa.

. Art. 3º As dúvidas porventura surgidas na aplicação da presente Instrução


Normativa serão resolvidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento.

. Art. 4º Esta Instrução Normativa entra em vigor no prazo de 60 (sessenta) dias a


partir da data de sua publicação.

. Art. 5º Fica revogada a Portaria MA nº 262, de 23 de novembro de 1983.

REINHOLD STEPHANES

ANEXO
REGULAMENTO TÉCNICO DA SOJA

CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º O presente Regulamento Técnico tem por objetivo definir o padrão oficial
de classificação da soja, considerando os seus requisitos de identidade e
qualidade intrínseca e extrínseca, de amostragem e de marcação ou rotulagem.
66

Art. 2º Para efeito deste Regulamento, considera-se:


I - soja: grãos provenientes da espécie Glycine max (L) Merrill;
II - identidade: conjunto de parâmetros ou características técnicas que permitem
identificar ou caracterizar um produto ou processo quanto aos aspectos
botânicos, de aparência, metodologia de preparo, natureza ou forma de
processamento, beneficiamento ou industrialização, modo de apresentação,
conforme o caso;

MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO


GABINETE DO MINISTRO
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 60, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2011

O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E


ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo
único, inciso II, da Constituição, tendo em vista o disposto na Lei nº 9.972, de 25
de maio de 2000, no Decreto nº 6.268, de 22 de novembro de 2007, no Decreto
nº 5.741, de 30 de março de 2006, na Portaria MAPA nº 381, de 28 de maio de
2009, e o que consta do Processo nº 21000.010492/2009-68, resolve:

Art. 1º Estabelecer o Regulamento Técnico do Milho na forma da presente


Instrução Normativa.

Parágrafo único. Este Regulamento Técnico não se aplica ao milho pipoca,


sujeito à regulamentação específica.

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 2º O presente Regulamento Técnico tem por objetivo definir o padrão oficial
de classificação do milho, considerando seus requisitos de identidade e
qualidade, a amostragem, o modo de apresentação e a marcação ou rotulagem,
nos aspectos referentes à classificação do produto.

Art. 3º Para efeito deste Regulamento Técnico, considera-se:


I - milho: os grãos provenientes da espécie Zea mays L.;
II - grãos carunchados: os grãos ou pedaços de grãos que se apresentam
atacados por insetos considerados pragas de grãos armazenados em qualquer
de suas fases evolutivas;
III - grãos avariados: os grãos ou pedaços de grãos que se apresentam ardidos,
chochos ou imaturos, fermentados, germinados, gessados e mofados:
a) ardidos: os grãos ou pedaços de grãos que apresentam escurecimento total,
por ação do calor, umidade ou fermentação avançada atingindo a totalidade da
massa do grão.

ANEXO(*)
67

NORMA DE IDENTIDADE, QUALIDADE, EMBALAGEM, MARCAÇÃO E


APRESENTAÇÃO DO FARELO DE SOJA

1. OBJETIVO: Esta norma tem por objetivo definir as características de


identidade, qualidade, apresentação, amostragem, armazenamento e transporte
do farelo de soja que se destina a comercialização interna.

2. DEFINIÇÃO DO PRODUTO: Entende-se por farelo de soja o produto


resultante da extração do óleo dos grãos de soja (Glicine max (L) Merril), por
processo mecânico e/ou químico.
3. CONCEITOS: Para efeito desta norma, considera-se:

3.1. MATÉRIAS ESTRANHAS: cascas, fragmentos ou detritos vegetais, corpos


estranhos ou substâncias químicas de qualquer natureza, não oriundos da
espécie considerada, ou que não estejam presentes na cultura da soja.

3.2. SUBSTÂNCIAS TÓXICAS: substâncias ou detritos de qualquer natureza,


que apresentam toxidez ao organismo animal.

3.3. UMIDADE: percentual de água e de qualquer outro material volátil,


encontrado na amostra em seu estado original.

4. CLASSIFICAÇÃO: O farelo de soja será classificado em classes, subclasses e


tipos, segundo o tratamento submetido, sua apresentação e suas características
de qualidade, respectivamente.

4.1. CLASSES: O farelo de soja, segundo o tratamento a que foi submetido após
a extração do óleo, será ordenado em 2 (duas) classes:
4.1.1. FARELO CRU: é o farelo que não foi submetido a tostagem após a
extração do óleo, devendo apresentar aspecto e odor peculiares ao produto
fresco, ser livre de matérias estranhas à sua composição e apresentar atividade
ureática com variação no pH igual ou superior a 0,5.
4.1.2. FARELO TOSTADO: é o farelo que foi submetido a tratamento térmico
após a extração do óleo, devendo apresentar aspecto e odor peculiares ao
produto tostado, ser livre de matérias estranhas à sua composição e apresentar
atividade ureática com variação de pH inferior a 0,5.
4.2. SUBCLASSES: O farelo de soja tostado ou cru, segundo a sua
apresentação, será ordenado em 4 (quatro) subclasses:
4.2.1. NATURAL: é o farelo de soja resultante do processo de fabricação sem ter
sofrido outro processo qualquer. Sua apresentação é normalmente em
aglomerados, natural do processo de fabricação.
4.2.2. PELETIZADO: é o farelo de soja que sofreu pressão mecânica, após sua
obtenção, formando aglomerados geralmente de forma cilíndrica.
4.2.3. MOÍDO: é o farelo de soja que sofreu processo de moagem após sua
obtenção.
4.2.4. DESUNIFORME: é o farelo de soja que apesar de ter sido submetido aos
processos de peletização e/ou de moagem, não tomou as formas características
das respectivas subclasses.