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Adriana de Oxalá - 1

A

Umbanda no seu dia-a-dia

2 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Adriana de Oxalá - 3

A

Umbanda no seu dia-a-dia

Proteção para todos os momentos

Adriana de Oxalá - 3 A Umbanda no seu dia-a-dia Proteção para todos os momentos

4 - A Umbanda no seu dia-a-dia

© 2009 Livropostal Distribuidora de Livros

Produção Editorial

Livropostal Editora

Revisão

Autamir Gonzalez

Capa

Nelson Arruda

Diagramação

Gabriela Gonzalez

Editoração Eletronica

Gabriela Gonzalez

Todos os direitos reservados á Livropostal Distribuidora de Livros Ltda. Proi- bida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio eletronico, inclusive xerograficos, incluindo ainda o uso da internet, sem permissão expressa do Editor (Lei nº 9.610 de 19/02/98)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Oxalá, Adriana A Umbanda no seu dia-a-dia/Adriana de Oxalá - Imbituba-SC

1. Orações . 2. Simpatias

I. Titulo

ISBN 978-85-61365-12-7

Livropostal Distribuidora de Livros Ltda Rua Irineu Bornhausen,360 - Sala, 01 - Centro 8870-000 - Imbituba-SC Tel. (48) 3255-8382 - Fax: (48) 3255-1917 livropostal@uol.com.br - www.livropostal.com.br

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A Umbanda é simples, sua prática é simples, mas não basta deixar que os guias trabalhem. Antes é preciso que os sacerdotes tenham, além de preparo espiritual, um grande conhecimento que não deve ser apenas místico, mas filosófico e esotérico. E neste contexto o conhecimento astrológico é fundamental. Enganam-se aqueles que tentam ignorar os conhecimentos dos astros. Pois é inegável, a ligação dos orixás com cada planeta e signo do Zodíaco. Também se percebe que na ritualística, tanto esotérica, quanto umbandista os princípios astrais estão contidos profundamente em todas as praticas essências. Apenas uma coisa é certa: “teoria sem obras é estéril”. Portanto, estudem e não deixem de trabalhar; estudem, mas não usem este estudo para complicar o que já funciona de forma simples ou para questionar quem não teve a mesma oportunidade de estudar, mas tem a garra e a coragem para ajudar o próximo por meio dos espíritos militantes na Umbanda

O Editor

6 - A Umbanda no seu dia-a-dia

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Índice

NORmAS DE TERREIROS NA UmBANDA 09 CUmPRImENTOS E POSTURAS 17 AS FALANGES DE TRABALHO NA UmBANDA 25 CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE SANTO DE CADA ORIXÁ

35

AS CORES E ELEmENTOS DE CADA ORIXÁ NA UmBANDA

49

OS SACRAmENTOS DA UmBANDA 54 OS ORIXÁS 56 Um POUCO DE HISTóRIA SOBRE ORIXÁS 59 ORIXÁS - ELEmENTOS PRImORDIAIS E SUAS RAmIFICAçõES 66

OS TRABALHOS DESENVOLVIDOS NA UmBANDA 69

O USO DAS VELAS 70

DEFUmAçõES 75

O QUE FAZER COm Um “DESPACHO” Em SUA PORTA?

77

DATAS COmEmORADAS NA UmBANDA 78 PRINCIPAIS SÍmBOLOS DOS ORIXÁS 79

OS PATUÁS

FUNDADOR DO PRImEIRO TERREIRO DE UmBANDA 89

GRANDES NOmES DO mUNDO ESPIRITUAL 91

82

8 - A Umbanda no seu dia-a-dia

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Adriana de Oxalá - 9 NORmAS DE TERREIROS NA UmBANDA Conforme o tempo vai passando, algumas

NORmAS DE TERREIROS

NA UmBANDA

Conforme o tempo vai passando, algumas coisas tendem a se perder por nossa memória; porém, existem determinadas significações que jamais devem ser esquecidas, já que consistem em ações básicas de nosso quotidiano, e o ao se perderem poderiam até mesmo fazer com que você não compreendesse o verdadeiro sentido de alguns fatos que fazem parte do nosso dia a dia.

O esquecimento ao qual nos referimos acontece por causa do que costumamos chamar de “rotina”, pois quando passamos a fazer algo com muita constância, este passa a crescer dentro de nós, evoluindo os seus ensinamentos, e nos levando ao conseqüente encobrimento daqueles que foram os ensinamentos básicos, as raízes que nos sustentaram até então.

Por isso agora, relembremos algo que vem lá do inicio da Umbanda que conhecemos, os significados dos principais rituais que nela se realizam contidas numa única Gira, e que por acontecerem tão freqüentemente, são facilmente desapercebidas.

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O Templo

Local, local onde Zelador de Santo (Pai espiritual), filhos, irmãos e simpatizantes, entra em comunhão com Deus Criador, com os Orixás e com os mentores espirituais. É Nesse solo sagrado que recebemos; doamos e principalmente aprendemos

a Amar, Perdoar, resgatar, ajudar ao próximo, sem distinção de cor, condições sócias.

Que todos respeitem esse solo, zelando pela limpeza, não só no aspecto material, mas também no aspecto moral, pois só assim conseguiremos estar mais próximo de Oxalá.

Zelador de Santo (Pai Espiritual / Babalaô) Babalaô ou Pai Espiritual é o responsável

pelos filhos, o templo, cuidar dos Orixás, fazendo as firmezas do terreiro e cuidar da coroa de cada um que

foi entregue a ele por confiança.

É ele que cuida da coordenação de todo o trabalho para que os mesmos não tenham problemas observando tudo ao seu redor, e que muitas vezes falto o tempo para dar atenção a todos os filhos,

ficando a cargo dos Pais Pequenos o desenvolvimento mediúnico ajuda e auxilio aos médiuns quanto da incorporação e desincorporação, não esqueçamos que

o Babalaô é Pai, amigo, conselheiro, aquele a quem

confiamos a espiritualidade, que dispõe do seu tempo, às vezes da família para que cada filho cresça, não esqueçamos irmãos que na figura do Babalaô e Pais pequenos existe seres humanos que também tem seus

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problemas e suas vidas, estão irmãos vamos respeitar essas pessoas que se doam para o nosso bem estar é o mínimo que devemos fazer.

A Preparação para a Gira

Quando sabemos que em determinado dia ocorrerá uma Gira, nós os filhos-de-santo devemos tomar algumas providências que com toda a certeza nos ajudarão a se preparar para ela.

Em primeiro lugar, a abstinência alcoólica é obrigatória. Nunca devemos ir a uma Gira dedicada a Deus e aos Orixás com sequer uma dose de qualquer bebida que seja, isso porque tal ato poderá acarretar problemas sérios ao médium, que terá alguns dos seus sentidos alterados e não poderá entregar-se por completo ao Pai, além de ser um desrespeito à ele próprio.

A carne vermelha deve ser evitada, pois lhe são contidas certas energias que podem interferir no organismo do médium, seja ele de incorporação ou não, dificultando assim o fluxo de energia positiva da corrente e o reabastecimento de suas “baterias divinas”.

Quanto à abstinência sexual, ela deve ser efetuada, não pelo sexo ser impuro como todos pensam, mas sim porque o ato ocorrido consome grande parte da energia corporal, debilitando o corpo do médium que não poderá ser utilizado na sua plenitude devido ao cansaço existente.

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Por ultimo lugar citamos o banho de defesa ou descarrego como se costuma chamar, e que pode ser feito com cinco, sete ou nove Ervas Sagradas, ou o próprio sal grosso.

Este banho tem o poder de limpar e defender o corpo de qualquer negatividade que possa nele existir, dando-lhe melhores condições para desempenhar o seu papel nas Giras. Porém vale o lembrete de que o banho de defesa só é tomado após o banho comum, sendo lavada somente à parte de abaixo do pescoço (pois a cabeça pertence ao Santo de cada um), e deverá ser levemente enxuto deixando com que o restante se seque no próprio corpo.

Para complementar essa preparação, deve também acender uma luz ao nosso anjo-de-guarda, pedindo a sua proteção para que tenhamos condições de nos entregar totalmente à Caridade.

A chegada ao Templo

Os dias que intermediam as Giras realmente demoram a passar, e ao se rever às pessoas que tanto gostamos surge àquela vontade de colocar todos os assuntos em dia. Isso de modo algum é proibido desde que seja feita antes do ato de bater-cabeça e acontecer fora das dependências internas do templo, pois dentro deste deve-se guardar o silêncio em respeito a Oxalá, e aos Guias e Orixás que ali aguardando o inicio da Gira.

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Hora de se Entregar a Oxalá

Depois de colocar a roupa branca, chega a hora de entregar-se ao Pai e realizar todos os rituais necessários a nossa segura permanência dentro da Gira.

Dentre esses rituais, o primeiro é o de bater- cabeça, onde nos entregamos a Oxalá com o verdadeiro intuito de se realizar a caridade com muita seriedade e consciência do ato que se praticará, e o qual nunca devemos nos esquecer.

Abertura dos trabalhos

Ao iniciar os trabalhos, já devemos estar totalmente imbuídos no sentido de entrega plena aos entes espirituais, de modo que à vontade de Oxalá seja feita e possamos mais uma vez cumprir nossa obrigação.

Para que fortificamos este sentimento, se faz necessário que a prece de abertura seja sentida verdadeiramente, e não somente recitada. Temos realmente que nos fazer ouvir por Oxalá para que este esteja presente durante toda a Gira, nos ajudando a recarregar a energia gasta durante toda uma semana. O mesmo é dito ao se bater-cabeça. muitos não conhecem o significado deste ato, que além de transparecer o nosso respeito a nossa humildade aos Orixás, também é a demonstração da união e coletividade que são fatores essenciais a qualquer templo que trabalhe em prol da Caridade.

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Defumação

A firmeza de cada integrante da corrente de faz extremamente necessária nessa hora, pois é ai que toda a negatividade que possa haver se imiscuído dentre a corrente será varrida para fora do Templo, de modo que não possa interferir no perfeito fluxo da Gira. Porem, se os médiuns não se mantiverem mentalmente firmes no propósito de bani-las, essas forças negativas poderão oferecer maior resistência e até permanecer entre a corrente, podendo atrapalhar assim aos rituais que se procederão.

Chamando os Guias

Esse é o momento que compõe a essência básica de todos os rituais que o antecederam. É o momento em que os médiuns devem se dispor realmente à Caridade, em amor aos seus Guias e entregando-se a eles de forma que possam vir trabalhar e ajudar a si e aos que deles necessitam.

mas são muitas às vezes em que somos perturbados por algumas dores ou determinados problemas, e já achamos que não temos condições de deixá-los vir. Bem, esse julgamento é um julgamento que cabe somente a Oxalá, que foi a quem você se entregou quando bateu-cabeça, e aos seus próprios Guias que sabem de suas condições, e não viriam se estas lhe faltassem.

Portanto, não ligamos o nosso Piloto Automáti-

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co, e deixemos que os desígnios divinos cuidem de nós, pois DEUS sabe o que faz, e cabe-nos somente à parte de nos entregarmos de coração, e nos desligar de tudo o que acontece fora dali.

E quanto aos médiuns que ainda não incorporam, que não incorporaram naquela Gira ou fizeram sua opção pela não incorporação, não pensem que foram esquecidos, pois cada um, dentro da sua função, seja de cambono, curimba, cantador, são de essencial importância, pois sem vocês os Guias não teriam condições de trabalhar. Portanto, estes devem manter em silencio e se dispor em ajudar naquilo que for preciso, e assim também estarão contribuindo para a pratica da Caridade.

Irmão de fé – Amar a “Deus” sobre todas as coisas e ao teu irmão como a ti mesmo

Seres humanos imperfeitos que somos costumamos sempre ver e perguntar o porquê de nossos problemas, a falta do perdão e do amor ao próximo é as principais causas deles, aquele que não consegue perdoar amarra-se ao outro por um cordão que não se quebra nunca, ficando ligados um ao outro por toda uma vida, aumentando nossas limitações. Antes de julgarmos aos outros devemos também nos questionar quanto a nossa conduta, para também não sermos julgados, antes de darmos nossos julgamentos, vamos irmãos nos colocar na vez daquela pessoa para sabermos se gostaríamos de saber que estão falando de nós, vamos nos vigiar irmãos para não cometermos com os outros aquilo que não gostaríamos para nós.

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Só quando alcançamos o perdão verdadeiro, aquele que vem do coração é que crescemos tanto espiritualmente quanto materialmente, deixemos de ser mentirosos, hipócritas ou vaidoso, vamos estender nossos braços aqueles a quem precisam e deixarmos o egoísmo de lado. A vaidade pode acabar com a própria espiritualidade do médium e quando ela aparece nunca vem sozinha, vem sempre acompanhada da inveja e desilusão, lembremos sempre irmãos, nós somos os únicos donos da nossa derrota, para combatermos esses maus que nos acompanham, devemos sempre praticar a caridade sem sair pelo mundo daquilo que fez e adotarmos Oxalá em nossos corações.

Nós irmãos de fé, devemos nos respeitar sempre como seres humanos, maridos, esposas, filhos para que a amizade perpetua sempre dentro do terreiro. A intriga, inveja desavença e a preguiça não faz parte da nossa querida Umbanda, esta religião que não faz restrição a nenhum ser encarnado ou desencarnado.

não faz parte da nossa querida Umbanda, esta religião que não faz restrição a nenhum ser
não faz parte da nossa querida Umbanda, esta religião que não faz restrição a nenhum ser

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CUmPRImENTOS E POSTURAS

Cumprimentos:

Bater Cabeça

O médium deita-se de barriga pra baixo e toca com a testa no chão em frente ao Gongá, atabaques e Coluna Energética. N nosso caso, batemos cabeça para Iansã (dona da casa) e para o Caboclo Pena Verde (guia chefe da casa).

Bate-se a cabeça no chão em sinal de respeito e obediência aos Orixás, pois simboliza que nossa cabeça, que nos comanda e nos rege, está se subordinando ao poder dos Orixás aos quais estamos reverenciando ao tocá-la no chão, sejam os Orixás do Zelador ou do Gongá.

Em diversas culturas, sejam ocidentais ou orientais, baixar a cabeça perante alguém ou alguma coisa significa que estamos submissos e obedientes a esta pessoa ou coisa.

No candomblé:

Dobalé = cumprimento feito por filho de santo cujo orixá (principal) dono da cabeça é masculino. Deita-se de bruços no chão (ao comprido) e toca-se o solo com a parte da frente da cabeça (testa).

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Iká = cumprimento feito por filho de santo cujo orixá principal é feminino. Deita-se de bruços no chão, toca-se o solo com a cabeça e, simultaneamente com o lado direito e depois com o esquerdo do quadril no chão (na nação Keto, as mulheres não tocam o chão com o ventre).

Paó (3 palmas lentas)

O Paó (pronuncia = paô) é um gesto que serve

como sinal de que se é preciso comunicar alguma coisa, mas não se pode falar. Isso ocorre muito no candomblé quando as iniciandas estão no roncó e não podem falar, daí batem com as palmas das mãos tentando dizer algo, se comunicar por algum motivo. É usado também como saudação para orixá, e, é diferente de orixá para orixá.

É uma palavra em yorubá que significa: “pa” =

juntar uma coisa com outra; “o” = para cumprimentar Essa palavra é uma contração de ìpatewó que significa

aplauso.

É um preceito do candomblé e normalmente não se usa na Umbanda.

O

paó bate-se 3 vezes assim

3

+ 7 vezes

Intervalo

3 + 7 vezes

Intervalo

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E depois a saudação, por exemplo:

palmas paó

“Laroye Exu

Utilizado

para

saudar e pedir licença.

pedir

permissão

para

entrar,

Bater com as pontas dos dedos, no chão

depois cruzando os

dedos com as palmas das mãos voltadas para o solo;

Saudando Exu;

Da

mão

esquerda,

e

Da

mão

direita,

fazendo

uma

cruz

e

depois

fazendo a cruz no peito; Saudando os Pretos Velhos.

Da mão direita, depois tocando a fronte (Eledá), o lado direito da cabeça (Otum – 2º Orixá) e a Nuca (os Ancestrais); Saudando os orixás e guias;

Da mão direita 3 vezes e depois tocando a fronte, o lado direito da cabeça e a nuca, para saudar Obaluaiê.

Cumprimento Ombro-a-Ombro

Quando um Guia cumprimenta um consulente ou um assistente com o bater de ombro, isto é sinal de igualdade, de fraternidade e grande amizade.

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Posturas

Se observarmos e analisarmos os rituais das inúmeras religiões existentes, encontraremos neles um sentido comum; o de invocar as Divindades, as Potências Celestes, ou melhor, as Forças Espirituais. O objetivo é sempre o mesmo, a preparação de atração destas forças à corrente religiosa que a pratica.

Em qualquer ritual, do mais básico ao mais espiritualizado, é certo que encontraremos atos e práticas que predispõe a criatura a harmonizar-se com o objetivo invocado, isto é, procura-se pô-lo em relação direta, mental com, os deuses, divindades, forças, santos, entidades, etc., e em todos eles, os fenômenos espiritualistas acontecem.

Assim para preparar ou elevar o psiquismo de um aparelho e obter-se o equilíbrio da sua mente com os corpos Astral e físico, indispensável se torna que ensinemos à esses ditos aparelhos, determinadas posições necessárias, com o fito de que eles possam harmonizar sua faculdade mediúnica individual, com as vibrações superiores das Entidades que militam na Lei de Umbanda.

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Repouso vibratório ou isolamento

Adriana de Oxalá - 21 Repouso vibratório ou isolamento Nesta posição, o corpo de médiuns ou

Nesta posição, o corpo de médiuns ou um médium

isolada-mente, permanece com

as mãos cruzadas à frente. Serve

para anular (isolar) os fluídos negativos, as vibrações oriundas

de elementares e pertur-bações mentais, que procuram se aderir ao ambiente.

Nós a utilizamos durante a defumação, mantendo-nos todos isolados até que todos os médiuns da corrente tenham se defumado.

Vênia

Esta posição consiste, na posição genuflectora da perna direita, antebraços formando dois ângulos retos, paralelos, mãos com as palmas voltadas para cima e

a cabeça semi inclinada para

baixo. É a posição da humildade, que acende o fervor religioso e também, a veneração ao Chefe Espiritual dos trabalhos ou Entidade incorporada, para os quais se usa como saudação. Utilizamos ao saudar Oxalá

Chefe Espiritual dos trabalhos ou Entidade incorporada, para os quais se usa como saudação. Utilizamos ao

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Corrente Vibratória

Esta posição é altamente eficaz para precipitar fluídos mediúnicos no Corpo Astral, ao mesmo tempo em que vitaliza, suprindo as deficiências momentâneas de um e de outro, além de servir de descarga. Consiste em todos os médiuns darem as mãos (formando um círculo ou semicírculo), sendo que a mão direita fica espalmada para baixo, sobre a mão esquerda do seu companheiro, espalmada para cima, isto é: a mão direita dando e a esquerda recebendo.

Esta posição gera uma precipitação de fluí- dos, que constitua o ambiente propício ao objetivo da cari- dade, corrigindo qualquer deficiên- cia, quer mediúnica quer orgânica. É de grande eficiência e utilidade nas ses- sões de caridade e nas de desenvolvi- mento. Convém lembrar que, por muitos chamada de Corrente Vibratória, sempre foi usada pelos séculos afora nas diversas escolas e rit- uais, inclusive pelo mestre Jesus, que assim procedia quando se punha em harmonia com as potências div- inas, e sintonizava sua mente Espiritual com o PAI.

que assim procedia quando se punha em harmonia com as potências div- inas, e sintonizava sua

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De Joelhos Sim !!!

Dentro das várias ritualísticas que se desenvolvem nos terreiros de Umbanda, é comum vermos principalmente no início e término dos trabalhos espirituais o corpo mediúnico com os joelhos no chão. Alguns vêem esta postura como arcaica e sem sentido, porém nunca se deram ao trabalho de analisarem detidamente tal comportamento.

É de conhecimento geral que as primeiras religiões do globo terrestre já inseriam a genuflexão em seus rituais, exteriorização de respeito junto ao Criador e também manifestação de humildade que todos devem ter, seja para com o Divino, seja para com o próximo. Da mesma forma, o ato de postar- se de joelhos fazia e faz ver aos fiéis que assistiam ou assistem uma manifestação de religiosidade, a seriedade, o respeito e a simplicidade do sacerdote e dos médiuns, frente ao plano espiritual superior.

A implantação do ajoelhar-se tem como finalidades mostrar a Deus todo o nosso carinho, obediência, respeito e amor e o quanto somos pequeninos diante do universo criado por Ele; e para passar a assistência que aquele espaço de caridade tem a exata noção do papel que desempenha como instrumentos de trabalho dos bons espíritos.

Infelizmente, é do conhecimento de todos que, ao lado de criaturas humildes, simples, meigas e caridosas que estão sempre dispostas a dar seu suor à Umbanda, existem outras tantas orgulhosas,

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vaidosas, “auto-suficientes”, que procuram a todo custo imporem-se aos demais, maximizando suas “qualidades” e minimizando as virtudes alheias.

Ostentam falsas conquistas, querendo submeter

todos a seus caprichos. Contudo, nada mais doloroso

e incômodo para estas pessoas do que ficar em posição de subserviência, de aparente inferioridade.

Tal postura lhes sangra a alma e lhes oprime o pétreo coração.

Suas visões ofuscadas não conseguem enxergar que tal rito e para seu próprio bem, para sua própria libertação dos sentimentos mesquinhos e posterior

elevação espiritual, pois auxilia na quebra da vaidade

e da soberba.

Alguns até podem dizer que ao postar-se de joelhos, o médium pode ter em mente pensamentos diametralmente opostos àquela posição. mas aí meus irmãos é que termina a tarefa dos encarnados e inicia-

se o processo de assepsia e lapidação dos arrogantes e vaidosos, levados a efeito pelos amigos de Aruanda,

assim, dando luz a estas pessoas e reconduzindo-as ao rebanho Divino.

e

levados a efeito pelos amigos de Aruanda, assim, dando luz a estas pessoas e reconduzindo-as ao
levados a efeito pelos amigos de Aruanda, assim, dando luz a estas pessoas e reconduzindo-as ao

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AS FALANGES DE TRABALHO NA UmBANDA

Na Umbanda nós não incorporamos Orixás

e sim os falangeiros dos Orixás que são entidades

evoluídas espiritualmente que vêem trabalhar nas giras de Umbanda.

Falanges: são agrupamentos de espíritos afins que possuem a mesma vibração. São elas: pretos velhos, caboclos, exus, crianças, boiadeiros, ciganos, orientais e mestres que trabalham na cura.

OS CABOCLOS:

São entidades, espíritos de índios brasileiros

e Sul Americanos, que trabalham na caridade como

verdadeiros conselheiros, nos ensinando a amar ao

próximo e a natureza, são entidades que tem como missão principal o ensinamento da espiritualidade e

o

encorajamento da fé, pois é através da fé que tudo

se

consegue.

Usam em seus trabalhos ervas que são passadas para banhos de limpeza e chás para a parte física, ajudam na vida material com trabalhos de magia positiva, que limpam a nossa áura e proporcionam

uma energia de força que irá nos auxiliar para que consigamos o objetivo que desejamos, não existe trabalhos de magia que possam lhe dar empregos

e favores, isso não é verdade, o trabalho que eles

desenvolvem é o de encorajar o nosso espírito e prepara-lo para que nós consigamos o nosso objetivo.

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A magia praticada pêlos espíritos de caboclos

e pretos velhos é sempre positiva, não existe na

Umbanda trabalho de magia negativa, ao contrário, a Umbanda trabalha para desfazer a magia negativa. Eu sei que infelizmente, existem vários terreiros que praticam esta magia inferior, mas estes são os magos

negros, que para disfarçar o seu verdadeiro propósito,

se escondem em terreiros ditos de Umbanda para que

possam atrair as pessoas e desenvolver as suas práticas negativas, com promessas falsas que sabemos nunca são atendidas.

mais graças a Oxalá, esses terreiros estão acabando, pois, o povo esta tendo um maior conhecimento e buscando a verdade e é através desse caminho, de busca da verdade, que esse templo de Umbanda pretende ensinar a todos, o verdadeiro caminho da fé.

Os caboclos de Umbanda são entidades simples

e

através da sua simplicidade passam credibilidade

e

confiança a todos que os procuram, seus pontos

riscados, grafia sagrada dos Orixás, traduzem a mais forte magia que existe atualmente, é através desses pontos que são feitas limpezas e evocações de elementais e Orixás para diversos fins, mais a frente falaremos um pouco mais sobre os pontos riscados de

Umbanda.

Nos seus trabalhos de magia costumam usar pembas, ( giz de várias cores imantados na energia de cada Orixá), velas, geralmente de cêra, essências, flores, ervas, frutas, charutos e incenso. Todo esse

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material será disposto encima de uma mandala ou ponto riscado, para que esse direcione o trabalho.

Quando fazemos um trabalho para uma entidade de Umbanda e colocamos algum prato de comida, como pôr exemplo espigas de milho cozidas com mel, esta comida não é para o Caboclo comer, espíritos não precisam de comida, o alimento que esta

ali depositado, serve como alimento espiritual, isto é,

a energia que emana daquela comida e transmutada

e utilizada para o trabalho de magia a favor do consulente, da mesma forma o charuto que a entidade esta fumando é usado para limpeza, do consulente

através da fumaça e das orações que estas entidades fazem no momento da limpeza, são os chamados passes de Umbanda.

muitas vezes a Umbanda é criticada e

chamada de baixo espiritismo, pois seus guias fumam

e bebem, mais estas críticas se devem a uma falta de

conhecimento da magia ritual que a Umbanda pratica, desde o início, com tanta maestria e poder, e sempre o

fará para o bem de todos.

OS PRETOS VELHOS:

São espíritos de velhos africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos e que trabalham na Umbanda como símbolos da fé e da humildade. Seus trabalhos são de ajuda aqueles que estão em dificuldade material ou emocional, sendo que, o seu trabalho se desenvolve mas para o lado emocional e

28 - A Umbanda no seu dia-a-dia

físico, das pessoas que os procuram, sendo chamados, carinhosamente de psicólogos dos aflitos.

e

aflições dos consulentes, fazem deles as entidades mais procuradas na Umbanda, são chamados de Vovôs e Vovós da Umbanda.

Sua

paciência

em

escutar

os

problemas

Também usam ervas em seus trabalhos de

magia e principalmente para rezar pessoas doentes

e crianças que estão com mal olhado, suas rezas são

conhecidas como poderosas, usam também de patuás, saquinhos que são depositados elementos de magia e

que os consulentes usam no corpo para proteção.

Da mesma forma que os Caboclos, os Pretos Velhos usam cachimbos para limpeza espiritual, jogando sua fumaça sobre a pessoa que esta recebendo

o passe e limpando a aura de larvas astrais e energias negativas.

OS BOIADEIROS:

São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas pôr todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas giras, sessões de encorporação na Umbanda.

Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando,

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como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força e a vontade de conquistar, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta.

Nos

seus

trabalhos

usam

de

velas,

pontos

riscados e rezas fortes para todos os fins.

AS CRIANÇAS:

Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa, atuam em qualquer tipo de trabalho, mas, são mais procurados para os casos de família e gravidez.

OS EXUS:

são entidades em evolução, seu trabalho é dirigido, principalmente a defesa dos seus médiuns e a defesa do terreiro, porém, são muito procurados para resolver os problemas da vida sentimental e material.

Costumam trabalhar com velas, charutos, cigarros, bebidas fortes, punhais em seus pontos riscados, pembas brancas, pretas e vermelhas . Devido ao seu temperamento forte e alegre costumam atrair bastante os consulentes , principalmente pôr que quando falam que vão ajudar certamente o farão.

30 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Os Exús nas sete linhas de Umbanda

Linha de Ogum: Exu Tranca Ruas das Almas, Exu tranca Ruas de Embaré, Exu Tranca Ruas das Sete Encruzilhadas, Exu Veludo, Exu Sete Encruzilhadas, Exu sete Facas, Exu da mangueira e outros.

Linha de Oxossi: Exu marabô, Exu Tronqueira, Exu mangueira e outros.

Linha

de

Xangô

:

Exu

marabô Toquinho,

Exu

Labareda, Exu do Lodo, Exu Pedra Negra e outros.

Caveira, Exu Tata

Caveira, Exu 7 covas, Exu Bananeira, Exu mulambo,

Exu 7 porteira e outros.

Linha

de

Yorimá

:

Exu

Linha

de

Oxalá

:

Exu

Tiriri,

Exu

Veludinho,

Exu Gira mundo, Exu Sete Encruzilhadas e outros.

Linha de Yemanja : Todas as Pombagiras.

Linha de Yori : Todos os Exus mirins.

Adriana de Oxalá - 31

Para um melhor entendimento passarei agora as sete linhas de trabalho da Umbanda:

Linha de Oxalá: Esta linha é regida pôr Jesus Cristo e representa o princípio da criação, a luz divi- na que coordena todas as outras. Os guias principais desta linha são : Caboclo Urubatão de Guia, Caboclo Ubirajara, Caboclo Aymoré, Caboclo Guaracy, Cabo- clo Guarany e Caboclo Tupy. Estes guias são os chefes de falanges, mais existem os demais guias que per- tencem a esta linha e trabalham na caridade, são eles:

Caboclo Pena Branca, Caboclo Águia Branca, Cabo- clo Tupã, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Tamoio, Caboclo Gira Sol e outros. O astro que rege esta linha

é o Sol e tem como guardião o anjo Gabriel.

Linha de Yemanja: Esta linha é regida pôr Nossa Senhora da Glória como principal mais tem também

Nossa Senhora da Conceição, que é sincretizada com Oxúm, representa a Divina mãe, a energia feminina

e da natureza da água, a gestação e a fecundação. Os

guias principais desta linha são : Cabocla Yara, Ca- bocla indayá, Cabocla Estrela do mar, Cabocla Nanã, Cabocla Sereia do mar, Cabocla Oxúm, Cabocla Iansã. Outros guias que trabalham nesta linha são: Cabocla Jandira, Cabocla Iracema, Cabocla Jupira, Cabocla Jacira, Cabocla da Praia, Cabocla Juçanã, Cabocla Sete

Ondas, Cabocla Estrela Dalva e outras.

O astro que rege esta linha é a Lua e tem como guardião o anjo Rafael.

32 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Linha de Xangô: Esta linha é regida pôr São Jerônimo como principal, mais, São João Batista, São Pedro e São Paulo, também regem esta linha como sincretismo de Xangô Kaô e Agodô ou Aganjú. Representa a Justiça Divina, a lei Kármica, é o dirigente das almas, o senhor da balança Universal que afere o nosso estado espiritual. Os guias principais desta linha são : Xangô Kaô, Caboclo Sete montanhas, Caboclo Sete Pedreiras, Xangô da Pedra Preta, Xangô da Pedra Branca, Caboclo Sete Cachoeiras e Xangô Agodô. Outros guias que trabalham nesta linha são:

Caboclo Cachoeira, Caboclo Junco Verde, Caboclo Gira mundo, Caboclo Cachoeirinha, Caboclo Sumaré, Caboclo Rompe montanha, Caboclo Ventania, Caboclo Rompe Serra e outros. O astro que rege esta linha é Júpiter e tem como guardião o anjo miguel.

Linha de Ogum: Esta linha é regida pôr São Jorge representa o fogo da Salvação, a linha das demandas da fé, das aflições, das lutas e batalhas. Os guias principais desta linha são : Ogum de Lei, Ogum Yara, Ogum megê, Ogum Rompe mato, Ogum de malê, Ogum Beira mar, Ogum matinada. Outras entidades conhecidas que trabalham nesta linha são: Ogum Sete Espadas, Ogum Sete Lanças, Ogum Sete Escudos, Caboclo Timbiri, Caboclo Tira Teima, Caboclo Humaitá, Caboclo Rompe mato, Caboclo Araguarí e outros.

tem

como guardião o anjo Samuel. Nesta linha também trabalham os Exus de Umbanda.

O

astro

que

rege

esta

linha

é

marte

e

Adriana de Oxalá - 33

Linha de Oxosse: Esta linha é regida pôr São Sebastião, representa o Caçador das Almas, o mestre que ensina a doutrina e pratica a catequese dos filhos que o procuram. Os guias principais desta linha são

: Caboclo Arranca Toco, Cabocla Jurema, Caboclo

Araribóia, Caboclo Guiné, Caboclo Arruda, Caboclo Pena Branca e Caboclo Cobra Coral. Outras entidades que trabalham nesta linha são : Caboclo Pena Azul, Caboclo Pena Verde, Caboclo Pena Dourada, Caboclo Tupinanbá, Caboclo Tabajara, Caboclo Sete Flechas, Caboclo Tupiára, Caboclo Tupiaçú, Caboclo mata Virgem, Caboclo Rei da mata, Caboclo Pery, Caboclo Rompe Folha, Caboclo Paraguassu, Caboclo Arerê, Caboclo Coqueiro, Caboclo Sete Palmeiras, Caboclo Juremá, Caboclo Folha Verde e outros. O astro que corresponde a esta linha é Vênus e o guardião é o anjo Ismael.

Linha de Yori: Esta linha é regida pôr São Cosme e São Damião, é a linha da Ibejada que são as

crianças, representa a alegria, a luz da espiritualidade,

a ingenuidade e lealdade infantil. Os guias principais

desta linha são: Tupanzinho, Ori, Yariri, Doum, Yari, Damião e Cosme. Outros guias que trabalham neta linha são : Crispim, Crispiniano, mariazinha, Zequinha, Chiquinho, Luizinho, Joãozinho, Paulinho, Luizinha, Ana maria, Joaninha e outros. O astro que corresponde a esta linha é mercúrio, e o guardião é o anjo Yoriel.

34 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Linha de Yorimá: Esta linha é regida por São Lázaro e São Roque respectivamente sincretizados com Obaluaê e Omolú, é a linha dos pretos velho ou linha das almas, representa a palavra da lei, a linha das magias. É composta pêlos espíritos que tem a missão de combater o mal e todas as suas manifestações. São os Senhores da magia. Os guias principais desta linha são : Pai Guiné, Pai Tomé, Pai Arruda, Pai Congo de Aruanda, maria Conga, Pai Benedito e Pai Joaquim. Outras entidades que trabalham nesta linha são :

Pai João, Pai Jacob, Vovó Ana, Vovó Cambinda, Pai Cipriano, Pai Simplício, Tia Chica, Pai Chico, Pai miguel, Vovó Catarina, Pai Congo do mar, Pai mané, Pai Antônio, Pai Congo, Pai moçambique, Pai Zé, Pai Fabrício, Pai Jovino, Pai Tomás, Vovó Luiza e outros. O astro que corresponde a esta linha é Saturno e o guardião é o anjo Iramael.

Estas são as Sete Linhas de Umbanda e seus guias principais, existem outros guias que não foram citados, mais não dá para falar todos os nomes das entidades que trabalham nas giras da nossa querida Umbanda.

foram citados, mais não dá para falar todos os nomes das entidades que trabalham nas giras
foram citados, mais não dá para falar todos os nomes das entidades que trabalham nas giras

Adriana de Oxalá - 35

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE SANTO DE CADA ORIXÁ

Filhos de Oxalá: mercê da própria presença soberana do Orixá maior da Umbanda, os filhos de Oxalá também marcam naturalmente suas próprias presenças. Destacam-se com facilidade em qualquer ambiente, são cuidadosos, generosos e, dada sua exigência no sentido de conseguir sempre a perfeição, são também detalhistas ao extremo. Curiosos, procuram saber detalhes, às vezes, chegando mesmo a tornarem-se aborrecidos por isso.

Pais excelentes. mães amorosas. Dedicam-se com um carinho excepcional às crianças, com quem relacionam-se muito naturalmente e de quem não gostam de afastar-se.

Relacionam-se com facilidade com filhos dos outros Orixás, todavia, tem sempre uma certa prevenção com relação às pessoas que não conhecem muito bem. São um tanto inconstantes e se amuam ou zangam, com grande facilidade. Impõe sua opinião até os extremos e não raramente, por causa dessa característica, se desentendem com filhos de Ogum, Inhaçã e Xangô, principalmente.

São também pessoas de grande capacidade de mando, tornando-se, não raras vezes, lideres em suas comunidades.

Por outro lado, são também ensimesmados, tendo alguma dificuldade em expor problemas e/ou

36 - A Umbanda no seu dia-a-dia

desabafar com estranhos e, às vezes, até mesmo com pessoa intimas. A velhice tende a tornar os filhos de Oxalá irritados e rabugentos.

Por paradoxal que pareça, a vaidade masculina encontra se mais alto ponto nos filhos de Oxalá, sempre preocupados em ostentar boa aparência e em serem agradáveis.

As filhas de Oxalá são boas mães e esposas,

embora, às vezes, se mostrem um pouco dominadoras

e ciumentas. Também gostam de apresentar-se bem, embora discretamente.

Filhos de Inhaçã: Nascido da Luz da manhã,

o filho de Inhaçã são a própria majestade do Orixá.

Sua principal característica exterior é ser sempre uma entidade dominante. Ocupa naturalmente posição de destaque, e nunca passa desapercebido. Gosta de vestir-se sempre na moda e de estar sempre atualizado, embora haja sempre uma certa pitada de exagero em quase tudo o que faz.

Tem personalidade marcante e dificilmente é esquecido. Brilha em quase tudo o que faz. É temperamental Poe excelência, muda de opinião com facilidade, amando ou desprezando objetos, pessoas ou coisas, absolutamente sem motivos aparentes. É inconstante e sentimental, arrependendo-se com facilidade por atos praticados, mas também esquecendo-os e, não raras as vezes, repetindo-os.

Adriana de Oxalá - 37

Os filhos de Inhaçã, herdam de orixá suas características guerreiras, empenham-se em discussões estéreis, às vezes, só pelo prazer de contestar, não se preocupando absolutamente com os resultados finais. Todavia, quase em tudo que tocam conseguem levar a bom termo. São também muito dedicados e prestimosos e, alem de tudo, alegres.

As filhas de Inhaçã, são sempre extremadas, ou amam apaixonadamente, ou simplesmente esquecem. Incapazes de odiar, não exitam em se reaproximar de alguém que lhes tenha magoado, sentindo, não raras vezes, uma real piedade e amor por essa mesma pessoa, se, por qualquer razão, esta estiver em posição de dor ou de inferioridade. Não rara vezes, também assumem as causas alheias trazem parentes enfermos para dentro de suas próprias casas, depois, brigam com maridos e filhos por causa dessa pessoa, posteriormente, invertem toda essa situação, mandando embora quem havia trazido e buscando a paz familiar, como se nada houvesse acontecido.

Fazendo tudo em escala maior, amam com intensidade, dão-se com facilidade, produzem ou promovem e depois, pura e simplesmente, esquecem.

Quer seja homem ou mulher, o filho de Inhaçã será sempre alguém que dificilmente consegue passar desapercebido. Sera sempre um temporal num copo d”agua, passando da tranqüilidade de um lago sereno, à incerteza de um mar tempestuoso. Sua principal característica positiva, reside na sua capacidade de não apenas perdoar quem eventualmente lhe haja

38 - A Umbanda no seu dia-a-dia

ofendido, como principalmente, esquecer a ofensa. Talvez nenhum outro consiga realmente esquecer como o filho de inhaçã.

atividade,

quase sempre marcam de maneira indelével suas administrações, mesmo que isto lhe custe sacrifícios.

Quando

líderes

em

alguma

As filhas de Inhaçã são extremadas, como as chamadas super mães, lutam pela felicidade e progresso de seus filhos e não admitem erros ou

faltas, embora quase nunca tenham coragem de punir

as crianças.

Como esposas, são exageradamente ciumentas, às vezes, chegam a infernizar a vida de seus companheiros com ciúmes.

Filhos de Cosme e Damião: Alegria, sem som- bra de dúvidas, é a principal característica dos filhos de Cosme e Damião. mesmo em circunstâncias difí- ceis, os filhos de Cosme e Damião parecem sempre irradiar alegrias. São simples, generosos, altruístas, embora um tanto inconstantes, sinceros e justos. Têm grandes sacrifícios para beneficiar a outros. Gostam de participar e dividir tudo o que tem, e contentam-se com pouco. Não admitem não ser considerados e ma- goam-se quando acham que não foram tratados com

a devida consideração, embora não guardem rancor.

Custam um pouco para esquecer uma ofensa recebi- da. Exigem um pouco de mimo, de atenção, em quase tudo o que fazem. Adoram ver seu trabalho reconhe- cido e admirado.

Adriana de Oxalá - 39

Os filhos de Cosme e Damião são bons pais

e

bons maridos. Amantes do lar, são ainda calmos

e

tranqüilos. As filhas de Cosme e Damião, são

excelentes esposas e mães, embora geralmente muito dependentes. Costumam estabelecer laços familiares muito fortes. Não raramente, mesmo com idade avançada, não tomam quase nenhuma atitude sem consultar seus pais ou outros parentes ascendentes.

Filho de Iemanjá : Iemanjá e Oxum se confun- dem com o Espírito Criador, e muitas de suas caracter- ísticas se confundem. Representam a própria institu- ição da família, seus laços, suas dependências. O Filho de Iemanjá é empreendedor, ativo, um pouco sovina, sonha grandes progressos, embora, às vezes, de forma ingênua, não tem idéia de proporção, exagerando as vezes, em suas aspirações. Raramente toma atitudes agressivas, executando-se, naturalmente, o plano fa- miliar. De temperamento dócil, sereno, pode também agitar-se por qualquer motivo. Dificilmente consegue esquecer uma ofensa recebida, e custa muito a voltar a depositar confiança em que haja ferido ou magoado.

A mulher que é filha de Iemanjá, tem no marido e nos filhos, seu principal objetivo. Costuma ser muito exigente com os filhos, mas perdoa todas as suas faltas, não raramente escondendo-as, para que as crianças não sejam punidas por mestres ou pais. Como uma fera, briga com quem quer que se interponha entre os filhos e o lar. Também costuma ser desconfiada e não raro, inferniza a vida do companheiro com ciúmes doentios.

40 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Se necessário, alia-se ao marido para fazer frente às dificuldades da vida, dando tudo de si. Nunca deixa de fazer o que lhe pedem, embora tenha uma grande tendência de reclamar por tudo. É empreendedora e ativa, vaidosa e coquete, gosta de adornos discretos

e caros. Exige muitas atenções e geralmente, embora

realize com perfeição os deveres domésticos, parece não sentir grandes atrações para com a cozinha, a não

ser no que diz respeito aos filhos.

O filho de Iemanjá parece estar sempre lutando por galgar um lugar de destaque, qualquer que seja o empreendimento que se dedique. É, por sua própria natureza, um lutador. Profundamente emotivos, são também chamados de chorões.

Filhos de Oxum: Quase tudo que foi dito sobre Iemanjá também poderia ser entendido à Oxum,

cujo relacionamento com seus filhos se equivale, por representarem ambas, o Principio Criador. Também

é aplicado aos filhos de Oxum, ainda mais emotivos

que os de iemanjá, a denominação de chorões. A sensibilidade dos filhos de Oxum é ainda maior e, não rara vezes, chamamos, principalmente as mulheres, de dengosas e de flores de estufa, que fenecem ao menor motivo.

Um fato a ser considerado, é o de que os Filhos de Oxum tendem a guardar mais tempo alguma coisa que lhes tenha atingido, e olham com muita desconfiança quem os traiu uma vez; por outro lado, menos vaidosos que os Filhos de Iemanjá ou Inhaçã, embora

Adriana de Oxalá - 41

aparentem, mesmo em roupas discretas, uma certa

realeza. Ternos e muito carinhosos, são conseqüentes

e seguros, e buscam sempre a companhia de pessoas

de caráter. Preferem não impor a sua opinião, mas detestam ser contrariados.

Custam muito a se irritar, mas quando o fazem, também custam serenar. Oxum, parece ocupar no coração das pessoas, o espaço destinado a figura

da mãe, e esta característica faz com que seus filhos sejam naturalmente bem quistos, e não raras vezes, invejados. O homem e a mulher filhos de Oxum, são

a exemplo de Iemanjá, muito ligados ao lar e a família em geral.

Filhos de Oxosse: Oxosse representa a pureza das matas. Os filhos de Oxosse são honestos, desinteressados, altruístas, espontâneos.

A principal característica dos filhos de Oxosse

é a honestidsade, nunca espera recompensa daquilo

que faz espontaneamente. Os Filhos de Oxosse tem um grande inconveniente, são inconstantes, não persistentes seja qual for o motivo. Com muita freqüência, após lutar por um ideal, às vezes, às vésperas de consegui-lo, desistem e partem para uma

nova idéia.

Geralmente, os filhos de Oxosse reúnem qualidades que são muito importantes. Se alguém esta doente, ele é aquele que vai varias vezes visitar a pessoa, ver como esta passando, se interessa pelo bem-

42 - A Umbanda no seu dia-a-dia

estar dos outros. Não se aborrece com as reclamações

e ouve as lamurias dos outros, sempre com muita

atenção. Dá-se muito bem com qualquer faixa de idade. Sentem-se mais à vontade em ambientes mais descontraídos, não gostam de andar muito presos em roupas sociais, não se sentem bem em cerimônias muito formais.

É dado a ter vida muito singela, não é dado

a luxo e tem verdadeira ojeriza a tudo o que chama

atenção. Adoram andar, gostam do ar livre, não gostam de ficar em ambientes fechados ou escuros. É muito complacente com a aquisição de bens materiais, sendo muito desligados a tudo aquilo que se refira ao luxo.

O filho de Oxosse costuma mudar de atividade

com relativa facilidade, mas há possibilidade de lançar raízes em algum campo de negócio

São tão profundos e seguros, que jamais mudam. O chefe de família, Filho de Oxosse, é um tanto desligado do lar, não que ele não se interesse pelos problemas familiares, é que ele prefere ser servido do que servir. A mulher Filha de Oxosse tende a não ser muito boa dona de casa. Gosta das coisa bem feitas mas não de fazer, gosta das coisas em ordem, mas prefere mandar que outros façam.

Filhos de Ogum: Os filhos de Ogum são tidos como brigões, mas é errôneo este pensamento. Os filhos de Ogum são mais intransigentes e obstinados, do que propriamente brigões.

Adriana de Oxalá - 43

Ogum representa o Espírito da Lei e seus Filhos, tem esta característica bem predominante. Raramente o filho de Ogum pondera as coisas, o regulamento é este, então tem que ser seguido a qualquer custo.

Toda lei tem que ser estudada, para obter-se o verdadeiro sentido daquela lei, para saber-se o espírito da lei. Porem, para o filho de Ogum, esta mesma Lei é usada sem parcimônia. O filho de Ogum segue a Lei sem ligar se ela serve para este ou para aquele caso. É lei, tem que cumprir, implacavelmente.

O pai de família que é Filho de Ogum não da

muitas chances de diálogo para seus filhos, é inflexível e radical. Usa uma lei para si e outra para os outros.

É vaidoso, não gosta de ser contrariado em

suas opiniões. Raramente “arreda pé” da sua posição, mesmo quando não está certo.

Quer sempre fazer prevalecer o seu ponto de vista, não recua nenhuma vez em suas decisões. Tem sempre tendência para resolver as coisas para seu lado, de qualquer forma.

A mulher filha de Ogum, é mais querelante

do que briguenta. É mais belicosa e de atitudes mais extremadas. É excelente mãe de família, porém, coitado do filho que não andar direito, ela é do tipo que bate primeiro para depois perguntar onde foi o erro.

44 - A Umbanda no seu dia-a-dia

O filho de Ogum é dado a fazer conquistas, tem facilidade com o relacionamento com o sexo oposto de qualquer filiação de Orixá.

Filho de Xangô: O filho de Xangô é, por excelência, calmo e muito ponderado. Costuma pesar os fatos com muito cuidado, procurando sempre pó panos quentes em qualquer disputa. Só toma decisões depois de pesar e analisar todos os ângulos dos problemas apresentados, procurando ser o mais justo possível.

Dedica-se de corpo e alma a tudo que se propõe

a fazer mas se desilude com muita facilidade também.

É sonhador por excelência, acha sempre que tudo dará

certo, deixando-se levar com muita freqüência pela ilusão e pelo sonho. Sempre procurando apresentar seus propósitos e planos, da maneira mais bonita, mais bonita, mais enfeitada, o mais claro possível,

sem observar o que há de viável neles. Nunca procura

a fundo ver se há realismo no que se propõe a fazer.

Os filhos de Xangô geralmente são capazes de grandes sacrifícios, mas aborrecem-se profundamente se algo que programou não dá certo. Não admitem mudanças de programação, não só quando não

dependem deles a realização do plano programado. Costumam ficar roendo muito o que lhes acontece, ou

o que não se realizou como eles queriam.

Separam, com muita freqüência, a realidade de si, levando seus pensamentos para altas esferas. Por

Adriana de Oxalá - 45

ser muito honesto, magoa-se com muita facilidade pela ingratidão das pessoas, achando que todo mundo tem obrigação de ser honesto e preciso em suas decisões.

A filha de Xangô, geralmente é muito crédula, acredita em tudo o que lhe dizem. magoa-se profundamente por coisas que não tenham feito, ou que tenham dito que elas fizeram. Guardam mágoas profundas, mas não conseguem guardar raiva.

Em relação ao lar, não gostam de sair de casa, preferem o aconchego do lar e são excelentes mães de família mantendo o lar em perfeita harmonia, não permitindo desavenças entre os familiares, dando possibilidades a todos de se defenderem sempre que for necessário.

Filhos de Nanã: Nanã é uma orixá velha. A mais velha das orixás femininas, talvez por isso seja a orixá mais amorosa, também, a mais egoísta.

Os filhos de Nanã são muito possessivos e tendem a cercar seus amigos. Sãos exclusivistas e não admitem dividir suas idéias. Dedicam-se sem reservas, a seus amigos e parentes, porém, procuram sempre criar barreiras para que os mesmos encontrem novas amizades e novos caminhos.

São rabugentos e costumam guardar no seu intimo, tudo aquilo que lhe fazem. O filho de Nanã jamais esquece o que lhe fazem, mesmo que depois lhe peçam desculpas. Ele sempre comenta e toca no

46 - A Umbanda no seu dia-a-dia

assunto quando houver oportunidade.

Gostam de estar rodeados de amigos, porém, não abrem mão de sua presença, fazendo questão de que seja notada e comentada.

Vestem-se muito bem e possuem um pouco de intransigência (de Ogum). São resmungões e acham dificuldade em tudo que precisam fazer, esperam sempre que os outros façam ou resolvam seus problemas. São muito ladinos, sempre acham uma maneira para que os outros façam suas coisas.

Por serem demasiadamente possessivos, não admitem que seus filhos e familiares mais próximos, tomem decisões sozinhos, ou que seus companheiros saiam sós.

Filhos de Abaluaiê: Os filhos de Abaluaiê são muito controvertidos, seu caráter, às vezes, é taciturno, calado, fechado em si próprio. Às vezes, tem piques de alegria, descontração e satisfação, indo, de um pólo para outro com facilidade e com muita freqüência.

Os filhos de Abaluaiê gostam de ocultismo, tem certa tendência para tudo o que é misterioso. Gostam, e freqüentemente estudam a vida dos astros. Gostam das artes e das pesquisas, dedicando-se muito por isso.

que

com as mais jovens.

Convivem

melhor

com

pessoas

idosas,

do

Adriana de Oxalá - 47

Não tem paciência necessária para suportar arroubos da mocidade, mesmo seus filhos )de Abaluaiê), de menos idade, sempre procuram pessoas de mais idade para conviver.

Não gostam de aglomerados, preferem o isolamento, utilizando seu tempo em coisas que ele considera de maior utilidade.

seus

problemas, preferem “curtir” a mágoa ou a dor sem participar a ninguém. muito sentimentais, e muito freqüentemente são profundamente negativistas.

Raramente

se

abrem

a

respeito

de

NOTA EXPLICATIVA

Os filhos de fé não recebem influencia de apenas um ou dois orixás, da mesma forma que nós não ficamos presos à educação e orientação de um pai ou mãe espiritual, nós não ficamos também sob a tutela do nosso orixá de Frente ou Junto.

Freqüentemente nós recebemos influencias de outros orixás (como se fossem professores, avos, tios, amigos mais chegados na nossa vida material). O fato de recebermos estas influencias não quer dizer que somos filhos ou afilhados desses orixás, trata-se apenas de uma afinidade espiritual.

48 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Uma pessoa ,as vezes, não se dá melhor com uma tia do que com uma mãe?

Assim também é com os orixás, podemos ser filhos de Oxosse ou Inhaçã e receber mais influencia de Ogum ou Oxum.

Posso ser filho de Abaluaiê e não gostar de trabalhar com entidades que mais lhe dizem respeito, preferindo trabalhar com entidades de cachoeiras, o que, de forma alguma, me faz ser adotado por estes outros orixás.

O importante é que nos momentos mais decisivos de nossas vidas, suas influencias benéficas se fazem presentes. Quase sempre um soma de valores e não apenas, e individualmente, a característica de um único orixá.

fazem presentes. Quase sempre um soma de valores e não apenas, e individualmente, a característica de
fazem presentes. Quase sempre um soma de valores e não apenas, e individualmente, a característica de

Adriana de Oxalá - 49

AS CORES E ELEmENTOS DE CADA ORIXÁ NA UmBANDA

OGUM - A cor é vermelho e branco, pre- dominando o vermelho, sua erva é folha de arueira, mangueira, espada de são jorge, seu símbolo é a espa- da, sua saudação é ogunhê patacurí ogum, sua guia

é de cristal em contas vermelhas e brancas com firma

vermelha, sua pedra é a ágata de fogo, rubí, sárdio e garnet, sua essência é violeta, seu metal é o ferro, seu

número é o três, sua comida preferida é inhame acará assado com palitos de dendezeiro, ele come também feijão preto cozido com camarão seco dendê e cebola, feijoada, inhame cozido com mel, sua bebida é o vinho de palma ou vinho tinto ou cerveja branca, sua fruta

é manga espada, seu dia é terça-feira, é sincretizado com São Jorge.

OXOSSI - A cor é verde, vermelha e branca predominando o verde, sua erva é folha de guiné, peregum, mangueira, seu símbolo é o arco e a flecha, sua saudação é okearô oxossi coquê maió, sua guia é de cristal verde, vermelha e branca com firma branca,

sua pedra é jasper verde, quartzo verde, esmeralda, sua essência é eucalipto, sândalo, seu metal é o latão branco, seu número é o cinco, sua comida é o axoxô, milho de galinha cozido com coco e mel, sua bebida

é o vinho rosado ou tinto, sua fruta é cajá, maracujá,

mamão, seu dia é quinta-feira, é sincretizado com São Sebastião.

50 - A Umbanda no seu dia-a-dia

XANGÔ - Sua cor é o marrom, sua erva é elevante, abre caminho, manjericão, seu símbolo

é a machada e o raio que ele divide com iansã, sua

saudação é kaô kabecilê, sua guia é de contas de cristal marrom, sua pedra é topázio e citrino, sua essência é de morango, seu metal é o bronze e o cobre, seu número

é o seis, sua comida é o amalá, quiabos cortados

em rodelas pequenas refogado com dendê, cebola e camarão seco com 7 ou 9 quiabos inteiros formando a sua coroa ou quiabos contados em cruz amassados

com mel, o ajebó, sua bebida é cerveja preta, sua fruta

é caquí, manga rosa, mamão, cajá manga, seu dia é

quarta-feira, é sincretizado com são Jerônimo e são

João Batista.

OXALÁ - Sua cor é o branco, sua erva é boldo, manjericão, seu símbolo é o opachorô, cetro de metal branco com os símbolos da criação, sua saudação é acheuepa babá, sua guia é de contas brancas de louça com firma branca, sua pedra é o cristal branco, sua essência é de alfazema e mirra, seu metal é o ouro amarelo e branco e o estanho, seu número é o 16 e o 10, sua comida é a canjica de milho branco cozida com mel e o acaçá no leite de coco, sua bebida e o aluá de oxalá ou vinho de palma, sua fruta é pêra, uva verde, maçã verde, seu dia é sexta-feira, é sincretizado com Jesus Cristo.

EXÚ - Sua cor é o vermelho e preto, sua erva

é folha da fortuna, seu símbolo é o tridente, sua

saudação é laroiê cobaralô exú mojubá ê, sua guia é

Adriana de Oxalá - 51

vermelha e preta de louça ou cristal, sua pedra é a

ágata de fogo ou ágata vermelha, sua essência é cedro ou verbena, seu metal é o ferro que ele divide com ogum e o mercúrio, seu número é o sete, sua comida

é o padê de exú, farinha de mesa ou fubá misturados

com dendê ou cachaça em um alguidar, sua bebida é a cachaça ou bebidas fortes, sua fruta é cajá e amêndoa, seu dia é segunda-feira, têm como guardião Santo Antônio.

OBALUAÊ - Sua cor é o preto e branco, sua erva é canela de velho, guiné, seu símbolo é o brajá de búzios, xaxará, instrumento de obaluaê como um chocalho, sua saudação é atotô ajoberu, sua guia

é de contas pretas e brancas de louça, sua pedra é

a turmalina negra e ônix, sua essência é de cravo e

canela, seu metal é o bronze, seu número é o 21 e o 9, sua comida é o doburu milho de pipoca estourados na areia da praia, sua bebida é o vinho de palma e o aluá de obaluaê ou vinho moscatel, sua fruta é fruta do conde, abacaxi, seu dia é segunda-feira, é sincretizado com São Lázaro ou São Roque.

OXUMAÊ - Sua cor são as cores do arco-íris, sua erva é o pente de oxumarê e a folha de tangerina, seu símbolo é o arco-íris e a cobra, sua saudação é arroboboi, sua guia é de contas amarelas e verde de louça com firma verde, sua pedra é a turmalina colorida ou melancia como é conhecida, sua essência

é de bergamota ou de rosas, seu metal é o ouro

amarelo e o latão branco ou amarelo, seu número é

52 - A Umbanda no seu dia-a-dia

o 13, sua comida é batata doce cozida amassada com

mel e dendê colocadas em forma de cobra, sua bebida

é o aluá de oxumarê e vinho branco, sua fruta é uva

rosada, melancia, seu dia é sábado, é sincretizado com São Bartolomeu. O arco-íris é o elemento da natureza que representa Oxumarê.

OXÚM - Sua cor é o azul e branco, sua erva é

folha de colônia, oriri e lírios, seu símbolo é o espelho e

o coração, sua saudação é oraieieô, sua guia é de contas

azuis e brancas de cristal com firma azul, sua pedra é

a sodalita e a pirita, sua essência é angélica, seu metal

é o ouro amarelo, seu número é o 6 e o 8, sua comida

é o omolocum, feijão fradinho cozido refogado com

dendê camarão seco e cebola, sua bebida é o aluá de

oxum, sua fruta é melão, uva verde, seu dia é sábado,

é sincretizado com Nossa Senhora da Conceição.

IANSÃ - Sua cor é o amarelo ou coral, sua erva é espada de iansã ou para raio, seu símbolo é o raio, sua saudação é eparei oyá, sua guia é de contas amarelas de louça ou cristal, sua pedra é o quartzo rosa, sua essência é benjoim, seu metal é o bronze e o cobre, seu número é o 7 e o 9, sua comida é acarajé feito com feijão fradinho descascado e moído misturado com cebola e camarão seco e fritos no dendê, mel ou azeite doce, sua bebida é o aluá de iansã, sua fruta é a manga rosa, seu dia é quarta-feira, é sincretizada com Santa Bárbara.

Adriana de Oxalá - 53

YEMANJÁ - Sua cor é o branco cristal, sua

erva é santa luzia , rama de leite e colônia, seu símbolo

é o peixe e a estrela de cinco pontas, sua saudação é

odoiá eruiá yemonjá, sua guia é de cristal, sua pedra

é a pérola e a turquesa, sua essência é de jasmim, seu

metal é a prata e o ouro branco, seu número é o 10, o 7 e o 12, sua comida é o peixe assado ou cozido com azeite doce camarão seco e cebola ou a canjica cozida com mel e maçã em rodelas, sua bebida é o aluá de yemanjá, sua fruta é a maçã, pêra e uvas verdes, seu dia é sábado, é sincretizada com Nossa Senhora da Glória.

NANÃ - Sua cor é o violeta ou roxo, sua erva é o

manjericão da folha roxa, folha de limão, seu símbolo

é o ibiri que ela traz na mão para afastar a morte, sua saudação é saluba nanã boruquê, sua guia é de contas

de cristal roxa, sua pedra é a ametista, sua essência é de limão, seu metal é o estanho e o bronze, seu número

é o 7 e o 21, sua comida é feijão preto cozido com

folha de taioba cebola e camarão seco, repolho roxo cozido com arroz cebola e camarão seco, sua bebida é o aluá de nanã, sua fruta é o limão e a laranja, seu dia é sábado, é sincretizada com Santana.

seco, sua bebida é o aluá de nanã, sua fruta é o limão e a laranja,
seco, sua bebida é o aluá de nanã, sua fruta é o limão e a laranja,

54 - A Umbanda no seu dia-a-dia

OS SACRAmENTOS DA UmBANDA

A Umbanda trabalha com alguns sacramentos

que são parecidos com os da Igreja Católica, que são:

casamento, funeral e batismo.

O casamento é realizado pelo guia chefe da

casa ou pelo sacerdote responsável pêlo Terreiro, e não pertence só aos médiuns da casa, qualquer um

que deseje casar-se na Umbanda pode pedir este sacramento.

O funeral é realizado pelo sacerdote do terreiro

e sofre alterações de acordo com a condição do morto,

se é iniciádo na Umbanda ou não.

O batismo é realizado sempre pêlo guia chefe do terreiro e pode ser para crianças ou adultos e também não se restringe apenas aos médiuns da casa.

Os outros sacramentos da Umbanda são referentes aos graus de iniciação dos médiuns da casa, são eles:

• Amaci: ritual de lavagem da cabeça do médium, já desenvolvido, com ervas e outros elementos rituais, que consiste na preparação da vibração deste médium para encorporar o seu guia protetor de umbanda, que se manifestará no ritual e dirá qual o trabalho que aquele médium irá desenvolver na umbanda.

•Confirmação:

ritual

para

médiuns

que

Adriana de Oxalá - 55

completam 21 anos de idade carnal, e já pertencem a umbanda e possuem o amaci.

•Deitadas: ritual em que o médium da casa é recolhido com oferendas para o seu orixá e exús para fortalecer a sua mediunidade.

•Feitura: ritual de iniciação na umbanda que consiste em vários rituais de limpeza e em um recolhimento, que pode variar de 3 a 7 dias, de acordo com o orixá da pessoa, e saída do orixá principal e do guia protetor do médium.

•Coroação: para médiuns já com feitura e que possuem a missão de se tornarem zeladores de umbanda.

Todos estes rituais são realizados pelo zelador do terreiro acompanhado pelo pai pequeno da casa.

zeladores de umbanda. Todos estes rituais são realizados pelo zelador do terreiro acompanhado pelo pai pequeno

56 - A Umbanda no seu dia-a-dia

OS ORIXÁS

Orixás são elementos da natureza, cada orixá representa uma força da natureza.Quando cultuamos nossos orixás, cultuamos também as forças elementares oriundas da água, da terra, do ar, do fogo, etc.

Essa forças em equilíbrio produzem uma

enorme energia (axé), que nos auxilia em nosso dia

a dia, ajudando para que nosso destino se torne

cada vez mais favorável.Sendo assim, quando dizemos que adoramos deuses, nós nos referimos

a estarmos adorando as forças da natureza, forças

essas pertencentes a criação do grande pai. Pai esse conhecido por nós como “ólorum” (deus supremo). No brasil, erroneamente diz-se que oxalá é o pai maior. Na verdade oxalá é o mais velho* e respeitado entre os orixás.A grande maioria das nações africanas anterior a era cristã, conheciam a existência de ólorum como grande criador, ser fundamental.Acreditamos que nosso deus “é o todo”. E o todo é a natureza e seus integrantes, (animais, vegetais,homens,planetas,etc.).

Nota: olorum está acima da vaidade pessoal e de religiões que buscam sempre monopolizar o seu poder.Nosso deus jamais pune seus filhos tão pouco condena-os a fogueira eterna, também nunca os entregou ao seu maior inimigo (satanás) após cometer erros divinos chamado de pecados eternos, nosso deus não destrói países e não aniquila civilizações de filhos amados por ciúmes quando não adorado, amado ou seguido

Adriana de Oxalá - 57

Como pai, jamais deixaria de perdoar meus filhos, tão pouco condenaria-os ao extermínio por erros que cometem ou possam cometer.O verdadeiro pai perdoa, ensina, ama e protege seus filhos.

Portanto nosso deus é um pai mais perfeito que qualquer outro pai

Como já havíamos comentado, nosso panteão nada mais é que a junção das energias de todo os elementos da natureza, cada elemento da natureza é por nós representado por um orixá

Aprendemos a sentir e manipular essas energias individualmente através de cada orixá, os filhos (iawos) nascidos sobre a influência do orixá detém mais energia do seu influente que os filhos de outros orixás.Exemplo: os filhos de ossain possuem mais energia voltada para as curas e plantas do que os filhos de oxum que possuem por sua vez mais energia voltada a sentimentos, a magia etc.

Em resumo, quase todos os orixás tiveram uma curta passagem pelo nosso mundo, após fatos heróicos ou divinos, encantaram-se e retornaram ao orum (céu), deixando para nós, segredos e ensinamentos, encurtando a ligação do material ao espiritual. Ligação essa, que nós preservamos e usamos não só para nós, mas também para as pessoas que nos procuram, mesmo sem ter ligações diretas com a religião.Em nossa religião, é fundamental a integração com a natureza, pois quanto maior o contato com a natureza, maior seráseu desenvolvimento, sua energia, seu axé

58 - A Umbanda no seu dia-a-dia

e, portanto, maior será o cordão (elo) de ligação com seu orixá aproximando mais de olorum(deus criador/ construtor de todo o universo.

Finalizando:

energia

=

orixá; orixá = poder.

natureza;

natureza

=

de olorum(deus criador/ construtor de todo o universo. Finalizando: energia = orixá; orixá = poder. natureza;

Adriana de Oxalá - 59

Um POUCO DE HISTóRIA SOBRE ORIXÁS

Na aurora de sua civilização, o povo africano mais tarde conhecido pelo nome de iorubá, chamado de nagô no Brasil e lucumi em Cuba, acreditava que forças sobrenaturais impessoais, espíritos, ou entidades estavam presentes ou corporificados em objetos e forças da natureza. Tementes dos perigos da natureza que punham em risco constante a vida

humana, perigos que eles não podiam controlar, esses antigos africanos ofereciam sacrifícios para aplacar a fúria dessas forças, doando sua própria comida como tributo que selava um pacto de submissão e proteção e que sedimenta as relações de lealdade e filiação entre

os homens e os espíritos da natureza.

muitos desses espíritos da natureza passaram a ser cultuados como divindades, mais tarde designadas orixás, detentoras do poder de governar aspectos do mundo natural, como o trovão, o raio e a fertilidade

da terra, enquanto outros foram cultuados como guardiões de montanhas, cursos d’água, árvores e florestas. Cada rio, assim, tinha seu espírito próprio, com o qual se confundia, construindo-se em suas margens os locais de adoração, nada mais que o sítio onde eram deixadas as oferendas. Um rio pode correr calmamente pelas planícies ou precipita-se em quedas e corredeiras, oferecer calma travessia

a vau, mas também mostra-se pleno de traiçoeiras

armadilhas, ser uma benfazeja fonte de alimentação piscosa, mas igualmente afogar em suas águas os que nelas se banham. Esses atributos do rio, que o torna

60 - A Umbanda no seu dia-a-dia

ao mesmo tempo provedor e destruidor, passaram a ser também o de sua divindade guardiã. Como cada rio é diferente, seu espírito, sua alma, também tem características específicas. muitos dos espíritos dos rios são homenageados até hoje, tanto na África, em território iorubá, como nas Américas, para onde o culto foi trazido pelos negros durante a escravidão e num curto período após a abolição, embora tenham, com o passar do tempo, se tornado independentes de sua base original na natureza.

O contato entre os povos africanos, tanto em razão de intercâmbio comercial como por causa das guerras e domínio de uns sobre outros, propiciou a incorporação pelos iorubás de divindades de povos vizinhos, como os voduns dos povos fons, chamados jejes no Brasil, entre os quais se destaca Nanã, antiga divindade da terra, e Oxumarê, divindade do arco- íris. O deus da peste, que recebe os nomes de Omulu, Olu Odo, Obaluaê, Ainon, Sakpatá e Xamponã ou Xapanã, resultou da fusão da devoção a inúmeros deuses cultuados em territórios iorubá, fon e nupe. As transformações sofridas pelo deus da varíola, até sua incorporação ao panteão contemporâneo dos orixás, mostra a importância das migrações e das guerras de dominação na vida desses povos africanos e seu papel na constituição de cultos e conformação de divindades.

Dentro da cultura do Candomblé, o Orixá é considerado a existência de uma “vida passada na Terra”, na qual os Orixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram

Adriana de Oxalá - 61

ensinamentos diretos e se mostraram em forma humana. Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presença física dos Orixás, pois o ser humano ainda se encontrava em um estágio muito primitivo, tanto materialmente como espiritualmente.

Após passarem seus ensinamento voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.

O que é Orixá?

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza. A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias. Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação e a transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver- se a cada segundo. Sem essa harmonia energética o planeta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos

primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos físicos sentem, assim como também são

62 - A Umbanda no seu dia-a-dia

constituintes destes corpos.

Acreditamos que esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de CRIAR, mANTER e TRANSFORmAR a dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.

A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS, usando um vocábulo de origem Yorubana. Na Umbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. São conhecidos em outras partes do mundo como “ministros” ou “Devas”, espíritos de alta vibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com que Suas Leis sejam cumpridas constantemente.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e o indivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam. Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturais em diferentes proporções. Além dos espíritos amigos que se empenham em nossa vigilância e auxílio morais, contamos com um espírito da natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Adriana de Oxalá - 63

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso “arquétipo”.

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, “Chefe de Cabeça”, “Pai ou mãe de Cabeça”, ou o nome esotérico “ELEDÁ”. A forma como nosso corpo reage às diversas situações durante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e características emocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás. Junto a essa energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de “Juntós”, corruptela de “Adjuntó”, palavra latina que significa auxiliar, ou ainda, chamamos de “OSSI” e “OTUm”, respectivamente na sua ordem de influência.

Quando um espírito vai encarnar, são consultados os futuros pais, durante o sono, quanto à concordância em gerar um filho, obedecendo-se à lei do livre arbítrio. Tendo os mesmos concordado, começa o trabalho de plasmar a forma que esse espírito usará no veículo físico. Esta tarefa é entregue aos poderosos Espíritos da Natureza, sendo que um deles assume a responsabilidade dessa tarefa, fornecendo a essa forma as energias necessárias para

64 - A Umbanda no seu dia-a-dia

que o feto se desenvolva, para que haja vida. A partir desse processo, o novo ser encarnado estará ligado diretamente àquela vibração original. Assim surge

o ELEDÁ desse novo ser encarnado, que é a força energética primária e atuante do nascimento.

Nesse período, os Elementais trabalham incessantemente, cada um na sua respectiva área, partindo do embrião até formar todas as camadas materiais do corpo humano, que são moldadas até nascer o novo ser com o seu duplo etérico e corpo denso.

Após o nascimento, essa força energética vai promovendo o domínio gradativo da consciência da alma e da força do espírito sobre a forma material até que seja adquirida sua personalidade por meio da Lei do livre Arbítrio. A partir daí essa energia passa a atuar de forma mais discreta, obedecendo a esta Lei, sustentando-lhe, contudo, a forma e energia material pela contínua manutenção e transformação, no sentido

de manter-lhe a existência.

A cada reencarnação, de acordo com nossas necessidades evolutivas e carmas a serem cumpridos, somos responsáveis por diferentes corpos, e para cada um destes nossos corpos, podemos contar com o auxílio de um Espírito da Natureza, um Orixá protetor. É normalmente quem se aproxima do médium quando estes invocam seu Eledá. Em todos os rituais de Umbanda, de modo especial nas Iniciações, a invocação dessa força é feita para todos os médiuns quando efetuam seus Assentamentos,

Adriana de Oxalá - 65

meio de atração, para perto de si, da energia pura do seu ELEDÁ energético e das energias auxiliares, ou “OSSI” e “OTUm.

Eledá,

Ossi

e

Otum

formam

a

Tríade

do

Coronário do médium na Umbanda.

energias auxiliares, ou “OSSI” e “OTUm. Eledá, Ossi e Otum formam a Tríade do Coronário do
energias auxiliares, ou “OSSI” e “OTUm. Eledá, Ossi e Otum formam a Tríade do Coronário do

66 - A Umbanda no seu dia-a-dia

ORIXÁS - ELEmENTOS PRImORDIAIS E SUAS RAmIFICAçõES

Orixás

Elemento

Ramificação

Cor

Saudação

Oxalá

Ar

Ar

Branco

Epa babá

Iemanjá

Água

Salgada

Branco/

Odô Yá

Azul

Nanã

Água

Chuva

Roxo

Saluba

Nanã

Oxum

Água

Doce

Azul

Ora Yeyê-

ô

Oxumarê

Água

Evaporação

Verde/

Arrobobô

Amarelo

Ogum

Fogo

Ígneo

Vermelho

Ogum Yê

Ibeji

Fogo

Purificador

Rosa /

Oni

Azul

Ibejada

Xangô

Fogo

Elétrico

Marrom

Kaô

Cabecile

Iansã

Fogo

Emoções

Amarelo

Eparrei

Oyá

Oxossi

Terra

Fauna

Verde

Okê Arô

Ossãe

Terra

Flora

Verde/

Euê-a

Branco

Obaluaiê

Terra

Transfor-

Branco/

Atotô

mação

Preto

OS ELEMENTAIS:

Entre esses espíritos de atuação dentro do campo vibratório dos Orixás de comando, encontramos aqueles que trabalham mais perto de nossa realidade, relacionando-se de forma estreita com os elementos:

Adriana de Oxalá - 67

são os ELEmENTAIS. São os grandes artífices e alquimistas que nos oferecem as pedras, as folhas, as flores, a água, as forças da natureza. Eles estão, muito perto de nós, atuando também nos trabalhos dos Guias e da própria Umbanda como um todo.

Os Elementais se apresentam com forma semelhante à humana. De acordo com a variação de consciência e emoção produzem mudanças em sua coloração e até mesmo em sua forma. Usam seu corpo astral e quando necessário, até materializam seu veículo etéreo. A forma astral, de acordo com revelação e depoimento de videntes, consiste numa aura esférica multicolorida energética. O veículo etérico dessas entidades é que lhes permite um senso de individualidade. Nas épocas de crescimento, germinação e desenvolvimento dos vegetais, a vitalidade e atividade desses seres aumenta pelo contato maior com o mundo físico, tornando-os mais visíveis aos médiuns videntes, quando não se materializam temporariamente, dançando e brincando como seres humanos.

No elemento Terra:

•Nas florestas, por exemplo temos as Dríades, ligadas ao campo vibratório de Oxossi, possuem cabelos compridos e luminosos, são de rara beleza e trabalham diretamente nas árvores.

•Os Gnomos das árvores trabalham dentro do duplo etérico das mesmas.

68 - A Umbanda no seu dia-a-dia

•As Fadas manipulam a clorofila das plantas, estabelecendo a multiplicidade dos matizes e fragrância das flores, formando as pétalas e brotos. Estão associadas à vida das células da relva e outras plantas.

•Os Duendes que cuidam da sua fecundidade, das pedras e metais preciosos e semi-preciosos.

No elemento Água:

•Encontramos

as

Sereias

que

ficam

perto

dos

Oceanos, rios e lagos, de forma graciosa e energética.

muito

ajudam nos trabalhos de purificação realizados pela Umbanda nas cachoeiras.

•Nas

cachoeiras

estão

as

Ondinas,

que

No Elemento Ar:

de

Oxalá. Como as Fadas, se apresentam com asas,

movimentando-se com extrema rapidez.

•Os

Silfos

que

estão

sob

a

regência

No Elemento Fogo:

Se

apresentam como correntes de energia ígnea, que se precipitam, sem se afigurarem como seres humanos. Atuam nas energias ígneas solar e do fogo em geral.

•As Salamandras são elementais do FOGO.

Adriana de Oxalá - 69

OS TRABALHOS DESENVOLVIDOS NA UmBANDA

A Umbanda trabalha com sessões públicas, onde os espíritos guias incorporam em médiuns pre- parados e através da palavra de amor ajudam a todos que os procuram.

Trabalha também com a magia para desfazer encantos maléficos e para limpar a aura dos que pre- cisam.

Todos os trabalhos desenvolvidos na UmBANDA são executados pôr entidades guias como caboclos, pretos velhos, crianças, boiadeiros e exus, que são espíritos em evolução mais próximos a nós do plano terrestre e guias orientais que trabalham na cura de males físicos e espirituais.

mais próximos a nós do plano terrestre e guias orientais que trabalham na cura de males

70 - A Umbanda no seu dia-a-dia

O USO DAS VELAS

As velas tem sido, desde os tempos mais antigos,

fonte de luz e símbolo de conforto para o homem. Em função de sua importância, as velas acabaram cercadas de mitos e lendas, fato que ilustra a grande estima em

que foram tidas.

O homem pré-histórico começou a utilizar

a gordura dos animais que ele utilizava para a sua alimentação, para iluminar a sua caverna.

mais tarde, ele percebeu que no inverno, essa

gordura endurecia e era possível então, utilizá-la com

o uso de um pavio. Nasceu, deste modo, o que hoje conhecemos como velas.

A caça à baleia, produzia uma quantidade

enorme de gorduras que passou a ser utilizada com exclusividade na confecção de velas, chamadas velas de espermacete. Com o crescimento da industria petrolífera, passou-se a utilizar um de seus subprodutos, a parafina, misturada com estearina, para a confecção das velas.

A introdução das velas nos rituais religiosos,

deu-se quando o homem tentou afastar as trevas de suas cavernas e tendo esta iluminada, podia ocupar- se de render graças ao criador por uma boa caçada ou uma colheita farta, e até mesmo pedir auxilio, bênção ou perdão. A chama brilhando no escuro da caverna, significava a própria presença de Deus, que nunca deixaria de existir no coração dos homens.

Adriana de Oxalá - 71

Simbolicamente, a luz sempre representou

o poder do bem para a humanidade. Nos antigos

mistérios da antiguidade clássica, simbolizava a

sabedoria e iluminação.

A chama da vela era associada a alma imortal brilhando

nas trevas do mundo.

Das crenças sublimes como estas surgiu a

pratica de acender velas como arte mágica.

O uso das velas é um ritual simples e acessível a qual

religioso. O único pré-requisito para o ritual com uma vela é a crença num Criador Supremo. As velas funcionam como agentes focalizadores da

mente e auxiliam na concentração ou mentalização (lembre-se: quando você sopra as velinhas do bolo de aniversário e faz um pedido).

O uso das velas comuns, geralmente brancas, na Umbanda, chegou até nós através da Igreja Católica

Tradicional, já que os altares católicos sempre foram iluminados por velas, destacando-se a chamada VELA DE QUARTA, que é confeccionada à mão, e que além de conter outros produtos, contém também

a cera virgem de abelha, clarificada. Este tipo de vela

é ideal para qualquer trabalho e muito utilizada em obrigações.

Com a divulgação das Sete Linhas de Umbanda

e as cores aplicadas a cada orixá, houve a procura de

velas nas cores dos respectivos orixás. Este fato surge como uma deturpação do ritual original da Umbanda

já que no Candomblé usam-se velas exclusivamente

brancas e na Tenda Nossa Senhora da Piedade, até os

72 - A Umbanda no seu dia-a-dia

dias de hoje, usam-se apenas velas brancas.

Quando acendermos uma vela para determi- nado orixá ou entidade, é necessário fazê-lo com bas- tante firmeza, orando e se concentrando mentalmente no pedido que irá fazer.

Para apagar uma vela não devemos soprá-la e sim, usar dois dedos ou um abafador de velas.

DIVINA

UNIVERSAL. A energia nelas concentrada serve a um determinado fim, ou seja, a compreensão de certas

leis. Quando um ritual ou cerimônia se completa, não extinguimos a luz no sentido de destruirmos ou eliminarmos a existência da chama da vela.

As

velas

representam

a

LUZ

Quando apagamos uma vela com um abafador ou com os dedos úmidos, simplesmente alteramos sua manifestação concentrada. Fazemos com que os pontos de luz das velas se fundam na energia total da luz que existe em todas as partes. Quando a vela é soprada, fica subtendida a intenção de desintegrá-la, de fazer com que a luz não mais exista, mesmo em sua forma invisível e vibratória.

a intenção de desintegrá-la, de fazer com que a luz não mais exista, mesmo em sua

Adriana de Oxalá - 73

Velas para as Almas:

As velas para as almas perturbadas devem ser acesas numa igreja, capela, terreiro ou cruzeiro das almas e nunca casa.

Velas para Orixás:

Oxalá: Vela branca

Inhaçã:

Vela

amarela,

fazer

pedidos

para

negócios e problemas financeiros.

Cosme e Dmião: Vela cor de rosa fazer pedidos para saúde, proteção de crianças e harmonização.

Iemanjá: Vela azul, fazer pedidos para gravidez, harmonia no lar e proteção dos filhos e

Oxum: Velas azuis e Brancas

Oxosse: Vela verde, fazer pedidos para saúde e abrir caminhos.

Ogum:

Vela vermelha, fazer pedido para lutas

difíceis, demandas, proteção pessoal contra inimigos.

Xangô: Vela marrom, fazer pedidos para justiça, negócios onde haja desonestidade, apaziguar o mau gênio das pessoas, tolerância, paciência etc

Nanã:

Vela

roxa,

fazer

pedidos

para

abrir

74 - A Umbanda no seu dia-a-dia

caminhos, paciência, persistência.

Abaluaiê:

para saúde.

Vela

preta

e

branca,

fazer

pedidos

Pretos-Velhos: Vela preta e branca, fazer pedidos de ordem geral desde que não prejudiquem ninguém.

Baianos: Vela amarela, fazer pedidos para abrir caminhos, desentendimentos em geral

Caboclos: Velas Amarelas

Kaô do Oriente: (São João Batista): Vela cor de rosa, fazer pedidos para doenças da cabeça (inteligência, desequilíbrio mental ). Esta vela deve ser acesa dentro de um triangulo riscado na terra ou riscado no chão, com pemba.

Anjo da Guarda: Vela branca.

vela deve ser acesa dentro de um triangulo riscado na terra ou riscado no chão, com

Adriana de Oxalá - 75

DEFUmAçõES

As defumações são rituais usados nos terreiros

e nas obrigações para eliminar maus fluidos. Pode-

se também usar este ritual para limpeza dos maus fluídos de uma casa.

Pode-se utilizar os defumadores em cubo ou defumadores que queimam em brazeiro ou ainda aqueles que queimam sem brasas como o “mãe maria”, para a operação de defumação utiliza-se um turíbulo ou um incensador de barro.

Defumação em Geral

Fazer uma mistura de incenso, mirra, benjoim, arruda, guiné, alfazema (bastante) e pó de sândalo

e adicionar num turíbulo ou incensador de barro, contendo brasas.

Começar do fundo da casa para a frente, passando em todos os cantos de cada cômodo, fazendo uma oração ou cantando um ponto.

Para Harmonia e fartura

Usar

café,

açúcar,

mangericão e alecrim.

louro,

arruda,

alfazema,

76 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Defumação com Tabletes

Usar

3,

5

ou

7

tabletes

e

passar

pela

casa.

Terminar de queimar na entrada.

Todas

as

sobras

das

defumações

devem

ser

descarregadas em água corrente.

pela casa. Terminar de queimar na entrada. Todas as sobras das defumações devem ser descarregadas em

Adriana de Oxalá - 77

O QUE FAZER COm Um “DESPACHO” Em SUA PORTA?

muitas vezes as pessoas tem nos questionado

a respeito dos “despachos” que aparecem em suas

portas. Daremos, a seguir, algumas orientações sobre como proceder nestes casos.

Em hipótese alguma, tocar, diretamente, com

as mãos no despacho. Isto evita a absorção direta das

vibrações negativas.

Não jogar ruína, nem sal grosso, em cima do despacho, pois esta atitude irá fixar ainda mais o trabalho, já que o sal é um “elemento terra”.

No caso da pessoa em questão ser um médium preparado, pede licença à sua entidade negativa e pega diretamente com as mãos.

Se a pessoa for leiga, deve chamar um médium preparado. Não sendo possível, deve envolver o material num pano preto ou um saco de lixo preto e, em ultimo caso, pode envolver o material em jornais.

Ou

ainda

use

dois

pedaços

de

madeira

ou

envolva as mãos com pano preto.

Feito isso, levar tudo a um rio de corredeiras, o mais rápido possível. Depois, lavar o local onde estava o trabalho, com bastante água e, se possível, com um pouco de amaci. Para finalizar, fazer uma banho de defesa.

78 - A Umbanda no seu dia-a-dia

DATAS COmEmORADAS NA UmBANDA

20-01 – São Sebastião – Oxose.

23-04 – São Jorge – Ogum.

13-05 – Pretos-Velhos.

24-06 – São João Batista – Falange do Oriente.

26-07 – Sant’Ana – Nanã Buruquê.

15-08 – Nossa Senhora da Glória – Iemanjá.

27-09 – São Cosme e São Damião – Ibeijis.

30-09 – São Gerônimo – Xangô.

02-11 – Dia dos mortos – Abaluaiê.

15-11 – Dia da Umbanda.

04-12 – Santa Bárbara – Inhaçã.

08-12 – Imaculada Conceição – Oxum.

25-12 – Natal de Oxalá.

Adriana de Oxalá - 79

PRINCIPAIS SÍmBOLOS DOS ORIXÁS

Adriana de Oxalá - 79 PRINCIPAIS SÍmBOLOS DOS ORIXÁS OXALA:   INHAçÃ: IBEIJI:  
Adriana de Oxalá - 79 PRINCIPAIS SÍmBOLOS DOS ORIXÁS OXALA:   INHAçÃ: IBEIJI:  

OXALA:

 

INHAçÃ:

INHAçÃ:
INHAçÃ:

IBEIJI:

 
Adriana de Oxalá - 79 PRINCIPAIS SÍmBOLOS DOS ORIXÁS OXALA:   INHAçÃ: IBEIJI:  
Adriana de Oxalá - 79 PRINCIPAIS SÍmBOLOS DOS ORIXÁS OXALA:   INHAçÃ: IBEIJI:  

80 - A Umbanda no seu dia-a-dia

80 - A Umbanda no seu dia-a-dia IEmANJA: OXUm: OXOSSE OGUm
80 - A Umbanda no seu dia-a-dia IEmANJA: OXUm: OXOSSE OGUm

IEmANJA:

OXUm:

OXUm:
OXUm:

OXOSSE

80 - A Umbanda no seu dia-a-dia IEmANJA: OXUm: OXOSSE OGUm
80 - A Umbanda no seu dia-a-dia IEmANJA: OXUm: OXOSSE OGUm
80 - A Umbanda no seu dia-a-dia IEmANJA: OXUm: OXOSSE OGUm

OGUm

80 - A Umbanda no seu dia-a-dia IEmANJA: OXUm: OXOSSE OGUm
80 - A Umbanda no seu dia-a-dia IEmANJA: OXUm: OXOSSE OGUm

Adriana de Oxalá - 81

XANGÔ:

Adriana de Oxalá - 81 XANGÔ: NANÃ: ABALUAIÊ:
Adriana de Oxalá - 81 XANGÔ: NANÃ: ABALUAIÊ:

NANÃ:

Adriana de Oxalá - 81 XANGÔ: NANÃ: ABALUAIÊ:
Adriana de Oxalá - 81 XANGÔ: NANÃ: ABALUAIÊ:

ABALUAIÊ:

Adriana de Oxalá - 81 XANGÔ: NANÃ: ABALUAIÊ:
Adriana de Oxalá - 81 XANGÔ: NANÃ: ABALUAIÊ:

82 - A Umbanda no seu dia-a-dia

OS PATUÁS

PODE COm mANDIGA, NÃO

antiga expressão,

hoje muito usada como sinônimo de outra que diz:

“QUEm

ESTABELECE”.

CARREGA PATUÁ”,

“QUEm

NÃO

diz

uma

NÃO

TEm

COmPETÊNCIA, NÃO SE

TALISmÃ,

é feita, principalmente, por quem se sente inseguro, conseqüentemente, necessitado de maior proteção.

Na

verdade,

a

busca

do

PATUÁ

ou

Comete engano quem acredita que a expressão esteja se referindo á mANDINGA, como FEITIçO, EBO, “COISA FEITA” etc.

mANDINGA, é um grupo (ou nação) africana do norte, que por sua proximidade com os árabes, acabou por se tornar muçulmano, e sendo esta uma religião fanatizante, seus adeptos tem verdadeiro ódio aos que não aceitam ALÁ como DEUS, ou mAOmÉ como seu profeta.

Com o desenvolvimento do tráfego de escravos, muitos negros mANDINGAS vieram parar nas Américas, vitimas que foram da ambição dos brancos. Por serem os negros mANDINGAS muçulmanos, muitos desses escravos sabiam ler e escrever em árabe, além de conhecerem a matemática melhor do que os brancos, seus senhores.

Este estado superior de cultura de um deter- minado grupo negro, fez com que esses fossem tidos

Adriana de Oxalá - 83

como feiticeiros, passando a expressão “mandinga”, a sinônimo de FEITIçO.

Por outro lado, os negros que praticavam o culto aos Orixás, eram vistos como infiéis pelos negros muçulmanos. O branco, aproveitando-se dessa rivalidade e, confiando aos mANDINGAS funções superiores que os demais, fazia a animosidade entre eles crescer. Os mANDINGAS não eram obrigados pelos brancos, a ingerir restos de carne de porco, e até mesmo permitiam que estes trouxessem trechos do alcorão encerrados em pequenos invólucros de pele pendurados ao pescoço. Geralmente eram os mANDINGAS que acabavam ocupando o lugar de CAçADORES DE ESCRAVOS FUJõES, os chamados, “CAPITÃES DO mATO”.

Por isso, quando um negro pretendia fugir, além de se preparar para lutar sem armas, através da capoeira e do makulelê, ele deixava o cabelo carapinha, de forma a parecer um mANDINGA, e pendurava no pescoço um “PATUÁ”, de forma que pensassem tratar-se de um mANDINGA, para não ser perseguido. Todavia, se um verdadeiro mANDINGA falasse com ele e o mesmo não soubesse responder em árabe, o verdadeiro mANDINGA descarregaria todo seu furor nesse infeliz negro fujão.

Daí

nasceu

a

expressão:

“QUEm

NÃO

PODE

COm mANDINGA, NÃO CARREGA PATUÁ”.

A vingança de quem se atravesse a portar um falso objeto considerado sagrado pelo muçulmano,

84 - A Umbanda no seu dia-a-dia

era qualquer coisa de terrível. mais tarde, porém,

o habito de utilizar PATUÁS entre os negros, foi se

generalizando, pis estes acreditavam que o poder dos mANDINGAS era devido; em grande parte, aos poderes do PATUÁ. Por outro lado, os padres também utilizavam, e ainda hoje utilizam, crucifixos

e medalhas, agnus dei etc, que depois de benzidos

a maioria das pessoas acreditam que possam trazer proteção aos devotos nelas representados.

Na verdade, o uso do TALISmà se perde na origem do tempo e confunde-se com a própria historia do homem.

Nos primeiros Terreiros de Candomblé que se organizavam, era comum o pedido de PATUÁ por parte dos simpatizantes, e até mesmo por aqueles que temiam o culto afro, pois dizia-se que o PATUÁ poderia até mesmo neutralizar trabalhos de mAGIA NEGRA.

mas afinal o que é Patuá

O PATUÁ é um objeto consagrado que traz em

si o ACHÉ, a FORçA mÁGICA do ORIXÁ, do Santo

católico ou Guia de Luz, à quem ele é consagrado.

Entre os católicos, já era hábito usar um fragmento de qualquer objeto que houvesse pertencido

a um Santo, ou um Papa, até mesmo fragmento de

ossos de um mártir, ou lascas de uma suposta cruz que teria sido a de Cristo. Até mesmo terra era trazida pelos cruzados que voltavam da Terra Santa, e que

Adriana de Oxalá - 85

utilizavam nesses relicários, considerados poderosos amuletos, que deveriam atrair bons fluidos e proteger dos azares. Estes eram chamados de RELICÁRIOS.

Nome

de

RELICARE-RELIGAR, palavra RELÍQUIA.

RELICÁRIO,

que

é

originário

do

latim:

a

acabou

formando

Logo, o Clero percebeu que não poderia impedir

o uso dos PATUÁS pelos negros que o tiravam antes

de entrar na igreja, mas voltavam a usá-los ao afastar- se delas. Decidiram então, substituir o PATUÁ africano, (o autêntico) que trazia trechos do alcorão,

por outro que trazia orações católicas, medalhas sagradas, agnus de (uma espécie de medalha com o formato de coração, que abre-se ao meio e encontram- se as figuras de Jesus e maria, ou ainda, símbolos da igreja tradicional).

Com a formação dos primeiros templos de Umbanda, a possibilidade de um contacto mais estreito com diversas entidades espirituais, as pessoas que buscavam proteção, começaram a encontrar nesse objetos sagrados, um apoio (era algo material que continha a força mágica vibratória da entidade que a trabalhara, e que o crente poderia ter sempre consigo).

A partir daí, as Entidades de Luz passaram a orientar

sua elaboração, indicando quais os objetos que seriam incluídos na confecção do PATUÁ, e como se deveria proceder com elas, para que recebessem o seu ACHÉ, isto é, a FORçA mÁGICA.

Os

ingredientes

geralmente

mais

utilizados

86 - A Umbanda no seu dia-a-dia

para a confecção dos PATUÁS, são os seguintes:

- Figas de Guiné, Cavalos marinhos, Olho de

Lobo (raros e caros), Estrela de Salomão (signo de salomão), Estrela da Guia, Cruz de Caravaca, Couro de lobo, Pelo de Lobo, Santo Antônio de Guiné, Imagens

de Exu e Pomba Gira de Guiné, Pontos Diversos, Orações, Semente variadas, Imãs etc

Não nos esqueçamos que essas coisas singelas não tem nenhum valor se não forem preparadas pelas entidades incorporantes, somente estas podem dar o ache do PATUÁ.

Modo de Preparar:

A pessoa reúne os ingredientes solicitados pela

entidade e os leva ao Templo. Quando forem cantados os pontos para as entidades e os da defumação, deve descobri-los, defumando-os.

Quando a entidade estiver incorporada, a pessoa apresenta-lhe os objetos para que ela lhe dê a benção. Anexo, a pessoa deve levar o nome, por extenso, a data do nascimento, e outras informações que digam respeito á pessoa que vai usá-lo, se possível, o nome do Orixá que rege o destino deste Filho de Fé etc. a entidade manifestada fará então, mais comumente chamado de “CRUZAmENTO DOS OBJETOS”, seguindo a ordem em que os pediu.

Após o cruzamento (ou benção) da entidade,

Adriana de Oxalá - 87

os objetos são encerrados em um pequeno saquinho preparado para recebê-los, e entregue ao Filho da Fé, que deverá pegá-lo pela primeira vez, com a mão direita e levá-lo à altura do coração por algum tempo. Se for possível, deve transportá-lo de preferência junto ao coração.

Patuás de Exu:

Pessoas que se acreditam muito expostas às influencias negativas, costumam pedir proteção às entidades negativas, objetos similares, mas que tenham sido consagradas por Exus e Pombas Giras.

por aquelas que

pretendem favores dessas mesmas entidades, favores freqüentemente escusos.

O

mesmo

se

aplica

É costume procurar-se a ajuda de Exus e Pomba Giras em negócios amorosos e comerciais, quando esses não são legais.

É costume procurar-se a ajuda de Exus e Pomba Giras em negócios amorosos e comerciais, quando
É costume procurar-se a ajuda de Exus e Pomba Giras em negócios amorosos e comerciais, quando

88 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Adriana de Oxalá - 89

FUNDADOR DO PRImEIRO TERREIRO DE UmBANDA

de Oxalá - 89 FUNDADOR DO PRImEIRO TERREIRO DE UmBANDA Zélio Fernandino de moraes Não é

Zélio Fernandino de moraes

Não é o esforço de uma ou outra pessoa e sim o de tantos que deram suas vidas pela caridade que realmente mostra resultados na missão de unir os irmãos umbandistas. Podemos começar citando o próprio Zélio de moraes, fundador da Umbanda com o Caboclo das Sete Encruzilhadas. A história começa com ele mesmo, pois foi com a orientação do Caboclo das Sete Encruzilhadas que em 1939 foi fundada a primeira “Federação Espírita de Umbanda” do Brasil.

90 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Com este ideal de união se realizou em 1941 o Primeiro Congresso Brasileiro de Espiritismo de Umbanda, também por orientação desse mesmo mentor e da lá pra cá vem crescendo muito, tanto o numero de fieis, quanto os conhecimentos adquiridos.

Por ocasião desse evento foi publicado um livro, em 1942, que leva como título o nome do congresso, contendo tudo o que foi registrado antes, durante e depois do encontro

Zélio Fernandino de moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida.

Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financei- ramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espiri- tuais, que segundo o que dizem parecia um albergue.

Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vez- es isto ser oferecido a ele.”

ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vez- es isto

Adriana de Oxalá - 91

ALLAN KARDEC

Adriana de Oxalá - 91 ALLAN KARDEC Codificador do Espiritismo “A felicidade depende das qualidades próprias

Codificador do Espiritismo

“A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em que se acha.”

“A felicidade depende das qualidades próprias do indivíduo e não do estado material do meio em

92 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Adriana de Oxalá - 93

CHICO XAVIER

Adriana de Oxalá - 93 CHICO XAVIER Frases e Pensamentos de Chico Xavier Deus nos concede,

Frases e Pensamentos de Chico Xavier

Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta.

O sentimento de ódio é um processo de auto- obsessão.

94 - A Umbanda no seu dia-a-dia

Deixe algum sinal de alegria, onde passes.

A criança desprotegida que encontramos na

rua não é motivo para revolta ou exasperação, e sim um apelo para que trabalhemos com mais amor pela edificação de um mundo melhor.

A

desilusão de agora será benção depois.

 

A

desilusão é a visita da verdade.

 

A

repercussão

da

prática

do

bem

é

inimaginável

sair do seu próprio lugar ou reivindicar condições diferentes daquelas que possui.

Para servir a Deus, ninguém necessita

A

verdade que fere é pior do que a mentira que

consola.

A

vida,

como

a

fizeres,

estará,

contigo

em

qualquer parte.

A árvore nascente aguarda-te a bondade e a

tolerância para que te possa ofertar os próprios frutos

em tempo certo.

Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. mesmo as críticas nos auxiliam muito

mas quem sou eu senão uma formiguinha,

das menores, que anda pela Terra cumprindo sua

Ah

Adriana de Oxalá - 95

obrigação!

Ambiente limpo não é o que mais se limpa e sim o que menos se suja.

Em qualquer dificuldade, não nos esqueçamos

da oração

procurando sintonia com os Espíritos bons.

Elevamos o pensamento a Deus,

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, Qualquer Um pode Começar agora e fazer um Novo Fim.

Estou convencido de que todos os políticos, sejam eles quais forem, merecem o nosso respeito e a nossa cooperação para serem para nós aquilo que nós esperamos deles.

96 - A Umbanda no seu dia-a-dia

O Editor indica e sugere a leitura dos livros abaixo, onde se encontram diversos temas e assuntos relacionados a esta obra:

Antigo livro de São Cipriano o Gigante e verdadeiro Capa de Aço

Livro de São marcos e São manso

Cruz de Caravaca, Orações poderozas

São Cipriano - Capa Preta

O Poderoso livro de Preces e Orações

Feitiços para prender seu Amor

magias para atrair Riquezas

Saravá Seu Tiriri

Como desmanchar trabalhos e feitiços

Os segrdos da Salamandra