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“Profissionalismo” e “objetividade”: o jornalismo na

contramão da política
Sylvia Moretzsohn
Universidade Federal Fluminense

Índice sentido da informação e na própria definição
do que é notícia.
1 Resumo: 1
2 Introdução 1 “Juiz: - Nome. Profissão.
3 O conhecimento relativizado 2 Homem: - Philip Duncan. Cientista.
4 A resistência do paradigma 3 Juiz: - Que razões alega para ser contra
5 As mudanças no perfil profissional 6 a construção da bomba de hidrogênio?
6 As mudanças na perspectiva empresa- Homem: - O respeito ao gênero humano.
rial 8 Juiz: - Seja mais objetivo.”
7 A reafirmação do jornalismo como ati- (A saída? Onde fica a saída?, de Antônio
vidade política 12 Carlos Fontoura,
8 Bibliografia: 13 Armando Costa e Ferreira Gullar, Grupo
Opinião, RJ, 1967).
1 Resumo:
2 Introdução
O texto discute o conceito de profissiona-
lismo na atividade jornalística, a partir da O discurso do “profissionalismo” costuma
crítica à noção de objetividade que costuma ser aceito automaticamente como algo posi-
orientar e legitimar o exercício profissio- tivo e inquestionável: quem é “profissional”
nal. Apresenta argumentos que desmisti- é “competente” (outra palavra que dispensa
ficam esse paradigma, procurando mostrar considerações; ninguém pergunta, “compe-
que o debate em torno do “bom jornalismo” tente para quê?”), “responsável”, “equili-
está deslocado, girando em torno de questões brado”, “justo”. Sem ser questionado, esse
técnicas que ocultam o caráter político da ati- discurso opera milagres. O principal deles
vidade. E conclui pela necessidade de se re- é certamente o de apagar a possibilidade da
tomar o tema em sua complexidade ideoló- discussão política, encobrindo, como toda
gica, que permita enxergar o exercício pro- ideologia, o próprio caráter ideológico que
fissional como um campo de luta, no qual es- lhe é inerente. A união de empresários e tra-
tão em jogo conflitos éticos que influem na balhadores em torno desse mesmo ideal é um
representação da profissão, na produção do desdobramento lógico desse milagre.

respectivamente. científico informacional. 2 Cf. no qual confronta o poder da empresa na manipulação da infor. dade de um conhecimento absolutamente ob.2 Sylvia Moretzsohn 1 Mas a questão pode ser colocada de modo . mais recentemente. Husserl Werner Heisenberg. propósito do conhecimento: Heisenberg di. Karl Marx. apud. não é a natureza em si mesma. A construção social da re- alidade. construcionismo com o realismo na teoria do mação. Crítica da eco- jetividade na apreensão do objeto e mesmo o nomia política. “na ciência. dade total. o que implicaria a supressão do rios de edição. 1996. positivista) do conceito de ob- lismo e à concepção de objetividade que o jetividade. 27-28 jetivo do mundo.e também impossível . Petrópolis. dado “a partir de um imperativo ético que blema político e ético. pois responderia com uma fraude à demanda social por informações.globalização e meio técnico- e Merleau-Ponty. 1 Desde Kant e. Téc- nica. agosto de reza submetida à interrogação dos homens” 1998 www. representaria um “estelionato ético e social”. dada a importância da sub. 218.bocc. liticamente esse conceito. Vozes. pretendemos mostrar cesso. o objeto de investigação 3 Josenildo Guerra. Assim. Isto quer dizer apenas que o conhecimento a revelar ambigüidades. 1985 zia que. fun- argumentos técnicos para enfrentar um pro. o jornalismo. outros procuram utilizar po. seu longo e minucioso estudo sobre a obje- nalismo” que se pode combater e limitar o tividade no jornalismo. Milton Santos. em primeiro lugar. como já perceber. espaço e tempo . pois nada cial da realidade. Dissertação de mestrado. lhor dizendo. São Paulo. o construcionismo acredita eliminar o que a questão está deslocada. as críticas à objetividade costumam ser vis- nal” para mascarar o modo de produção da tas como se propusessem o outro extremo. São Paulo.ubi. porque procura próprio conceito. o autor considera que. objeto. Martins Fontes. a notícia. poderia afirmar sobre os fatos que reporta. p. nesse pro- sustenta. p. No primeiro caso. parece clara a impossibili.subjetivi- o que sai e o que não sai no jornal e os crité. entre outros. no o demonstraram. Hucitec. 3 O conhecimento relativizado A conclusão decorre provavelmente da in- compreensão do sentido da crítica e do pró- Qualquer discussão sobre objetividade re. o processo de escolha que determina completa . lidade”. Embora ressalte a coerên- A crítica a esses dois discursos implica cia da crítica à fundamentação realista (me- a crítica ao próprio conceito de profissiona. conforme bate no campo da teoria do conhecimento. A partir daí. se apresenta. a un tradicional de. Entretanto. embora com algum esforço. teria de deixar de existir.. 1977. Berger e Luckmann. Facom/UFBA. uns argumentam com a “postura profissio. conhecimento 3 . ocultando o papel que prescreve a notícia como o discurso da rea- o jornalismo desempenha na construção so. mas a natu. prio discurso através do qual o jornalismo mete. acreditando que é Josenildo Guerra parte dessa premissa em justamente através da defesa do “profissio.pt . A objetividade no jornalismo. Marx (o con- ainda incipiente debate brasileiro acerca do creto como “síntese de múltiplas determina- que deva ser o “bom jornalismo”: enquanto ções”) e Berger e Luckmann 2 . É o que se pode é um trabalho de construção do real. Além do mais.

mas entre dois tipos de texto. também por apresentar-se como aquilo que não é. Edward Arnold. “A objectividade como ritual es- chael Gurevitch (orgs).. a entonação de repórteres mento de eventos 5 . outro guide to pseudo-events in America. não represen- 4 tou uma separação entre informação e opi- Hannah Arendt. o gestos e expressão facial. Além de não atentar para a lógica de produ- dade) na apreensão do fato não constitui ar. p. um com 5 Cf.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 3 dissemos. New tratégico: uma análise das noções de objetividade dos York. 1990 tões. “The sociology of 6 news production revisited”. www. ideológicas) que dão a esses fatos Em seu estudo sobre gêneros jornalísticos.pt . Lisboa. con- tage. Daniel Boorstin. peito apenas ao jornalismo impresso. Entre o passado e o futuro. Gaye Tuchman. Mass media and society. nem pode ser justificativa para que o sobre a objetividade no jornalismo não cos- historiador (o jornalista?) manipule fatos a tuma dar conta do processo como um todo. sim. 1992 e Mark Fishman. Bélgica pela Alemanha. jornalismo consegue legitimar-se e assegurar Daí decorrem problemas como os aponta- seu lugar de autoridade. a discussão tual. e efeitos sonoros.bocc. no caso da televisão.e que supostamente “falam solicitava uma distinção clara entre “notícia por si” -. de demonstrar que a sub. sem o qual a notícia não se realiza: quando tudo pode ser dito sobre a I Guerra Mundial. entre outros. p. e garante foros de “verdade” aos fa. 296 nião. mas interagem para a produção de sentido. seu bel-prazer. processo de seleção das informações ali con- jetividade presente no processo de apreen. Vega. fícil resposta (para os jornalistas) a que lhes tos que divulga . tidas mas o fato de que um jornal é um con- são dos fatos indica que o jornalismo não é junto de elementos verbais e não-verbais que o discurso da realidade (como diz ser). in Nelson Traquina. não se trata de eliminar o real: 4 A resistência do paradigma como observou Hannah Arendt. no exemplo clássico. que. Texas. Perspectiva. Ressalte-se que essas observações dizem res- ções fazem toda a diferença.a uma estrutura formal argumentativa. in James Curran and Mi. elidindo as mediações discursivas objetiva” e “notícia de análise” 6 . ignorando-se não apenas o Trata-se. Desse modo. 85. Jornalismo: ques- facturing news. com estrutura formal narrativa. 1993. Univ. se fala em objetividade. Manu. tem-se em mente menos que a Bélgica invadiu a Alemanha 4 . Entretanto. As- um discurso sobre a realidade. mídia” definidos por Boorstin). em dois anos de pes- “neutro” definido pelo conceito de “quarto quisa. pois a existência do jornalismo como instituição quando se considera o noticiário de rádio e e seu enraizamento nas práticas sociais in. da subjetivi. Austin. teorias e “estórias”. Assim. Vin. The image . ope- rada no início do século XVIII. muito menos da edição. ção das notícias (aí incluídos os “eventos de gumento contra a existência da matéria fac. nada se diz sobre a “objetividade” de haverá vários discursos sobre a invasão da fotos e ilustrações. Chaparro mostra que a divisão entre notí- cias (news) e comentários (comments). exatamente e locutores e. Michael Schudson. identificou como a questão de mais di- poder”. 1992.ubi. Assim. a necessi- dade da interpretação (portanto. São Paulo. (portanto. jornalistas”. New York. e essas interpreta. porém. 1992. TV é inevitável levar em conta os recursos fluenciam decisivamente o próprio apareci. apenas o texto. Além do mais. o status de notícia. como o mediador dos por Tuchman.

pt . modernizou-se: tornou- visibilidade. Impossível. que. uma tal ficção poderia ajudar requisito básico para o exercício do “bom na formulação de ações concretas? jornalismo”. Sotaques d’aquém e d’além mar . Nilson Lage considera. livre das na razão inversa de sua probabilidade ou pre. Jortejo Edições. hoje que o poder de cen- 9 Adelmo Genro Filho. 100. o poder de buscar o seu pró- mitiria perceber. E esse paradigma procura regular to. porém. utilizá-los politicamente indica que “as formas de imparcialidade e objetivi. que.4 Sylvia Moretzsohn sidera falso o paradigma da objetividade para manipulação do texto”. por trás da qual se apresentasse o fato formações e opiniões” 7 . 1979. (e conseqüentemente do “profissionalismo”) gundo a qual a importância de um fato estaria contra a “manipulação”. p. mostrar a tesoura. 97. entre as A explicação talvez esteja no contexto po- vantagens desse procedimento. p. prio ponto de equilíbrio. 1998. na apresentação da “ver. as- Salvador. 26. ao analisar o jornalismo televisivo. atitude de indagação e lhes deu. “fórmulas arcaicas”. www. Tchê. a de “linguagem absolutamente transparente”. 80. livro durante a ditadura. é uma dade e os limites da ética jornalística”. circunstâncias. para que o leitor produzisse o seu Tal paradigma sobrevive. 1991. porque julgamento. e da qual Adelmo Genro Filho se invisível. 1987. Se raramente dade do noticário” constituem “uma parte essencial era possível divulgar a informação inconve- do trabalho ideológico da televisão” (Robert Hackett. Santarém. “a proposta o exercício da profissão. trópolis. falar Vinculada à idéia de “imparcialidade”. jetividade nos media noticiosos”. pelo menos obrigava-se o censor a “Declínio de um paradigma? A parcialidade e a ob. misso com a realidade material. evidentemente - já realizou crítica contundente 9 . portantes e os traduz como notícia). inversamente. quando ções e a denúncia das fórmulas arcaicas de a atividade jornalística no Brasil estava sob 7 censura.ubi. íntegro. próprios fatos” 10 . Argumentar que “os fatos falam Manuel Chaparro. Porto Ale. talvez.a partir Está aí. a aceleração Não se pode esquecer que Lage escreveu seu do processo de produção e troca de informa. em certas ram o processo de construção social que per. Nilson Lage. Logos. que trabalha com uma definição de que justifica a defesa da “objetividade” notícia tributária da teoria da informação. O segredo da pirâmide - 10 para uma teoria marxista do jornalismo. agora. de uma linguagem absolutamente transpa- lismo não se divide. rente. niente. Pe- gre. Vozes. então. se. in Pauta Geral. p. 24 ss. p. a matriz do pensamento da pauta. a intermediação discursiva conceito de verdade extraído dos fatos com o entre sujeito e realidade através da lingua. extraordinário poder de convencimento dos gem 8 . Do mesmo modo. forma de apresentá-los como “neutros” e. lógica (pois obviamente os fatos não falam. sim. “O problema da imparciali. nos anos 70. op cit. conduziu os jornalistas a uma os meios de comunicação de massa masca. in Nelson Traquina. p. “porque o jorna. mas se constrói com in. dos os procedimentos profissionais . 126).. É a mesma abordagem de Hackett. Assim.bocc.percursos e géneros do jornalismo português e por si”. Ideologia e técnica da notícia. desenvolvendo um dade dos fatos”. contra quem os quer silenciar. objetividade e costuma ser encarada como Como. como o próprio autor reconhece -. “o compro. p. lítico em que a proposição foi formulada. quem fala é quem os identifica como im- 8 Rogério Ferrer Koff. apesar do que haja de contradição brasileiro.

Ao contrário. p. 12 Steve Chibnall. mercial”. uma séria preocupação em elas não identificam conflitos ideológicos no atender à racionalidade industrial da produ. 93. “rebelião” no Los Angeles Times. fidelidade dos profissionais às suas normas tas usam o “profissionalismo” contra o “co. interior das redações. pois ria um cânone de competência profissional e “profissionalismo e capitalismo estão estri- fundamentaria a “ideologia da responsabili. cit. Renato Pompeu expôs alguns publicado em 20 de dezembro com a versão desses interesses. op. 78. os prazos serão respeitados e os tores e repórteres. tamente relacionados e partilham as suas raí- dade social” 12 . tico”. defender a “objetividade” e profissionalismo. p. a partir de reportagens publicadas dos jornalistas sobre o episódio. zes históricas” 14 . a defesa ção da notícia e evitar processos judiciais. www.ou melhor. que em ou- Sobre o profissionalismo.pt . se todos os re. cado que estão manifestos na idéia do ser- blico heterogêneo sem alienar nenhum seg. um centro de esportes e 11 entretenimento. 1977.bocc. Por outras palavras. Soloski bre o Staples Center. no endimento. a pressões comerciais (e políticas) externas e pórteres reunirem e estruturarem os ‘fatos’ estranhas ao trabalho da imprensa. os objetivos e os procedi- o “profissionalismo” seria uma forma de re. No entanto. lismo: alguns constrangimentos no trabalho jornalís- 13 Tuchman. John Soloski.às mãos argumenta que. além do mais. uma vez que “apa- ção operada na apreensão do sentido da ob. aliás. a sões de mercado e sustentam que os jornalis. no que seria uma estratégia de com intuitos lucrativos da organização co- defender a objetividade como forma de afir. No caso americano. o au- mento significativo”) e que depois se torna. viço para a sociedade”. “para muitos estudiosos do dos empresários. um dos arti- no The Wall Street Journal e no alemão Süddeutsche gos ressalta que os jornais sistematicamente Zeitung. visto também tubro de 99 publicou uma revista especial so- como uma demanda dos jornalistas. cit. tem fortes componentes antilucro e antimer- vos comerciais (“servir politicamente um pú. p. Law-and-order news .an analy- 14 sis of crime reporting in the British Press. Chibnall aponta a transforma. mentos das organizações comerciais buro- agir aos interesses comerciais que cada vez cráticas levarão inevitavelmente ao conflito mais se impõem 11 . rentemente. Tuchman afirma que Um dos problemas dessas análises é que há. deontológicas leva-os a entrar em conflito mercialismo”.ubi.redes de varejo decidem o que pode circular. Estudos sociológicos in. 1998. 11). imparcial e taria princípios compartilhados tanto por edi- impessoal. Na edição do caderno especial 10. London. Ci. “O jornalismo e o profissiona- Tavistock. que ado- de um modo descomprometido. art. com os objetivos e os procedimentos dos gleses e americanos referem-se a essas pres. estúdios pagam ‘repor- e ao público que o jornal era sócio do empre- tagens’ que podem virar filmes” (Caros Amigos. in Nelson Traquina. nalismo e do capitalismo. a ideologia do profissionalismo jetividade. patibilidade entre as ideologias do profissio- tando Carey. Foi esse. retornou . do profissionalismo é vista como uma reação Os jornalistas “defendem que. jan. o tom da processos de difamação evitados” 13 . o que estaria a indicar uma incom- mar e demarcar seu espaço profissional. sem informar aos jornalistas No artigo “Jornalismo Disney .“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 5 sura passou .. tor lembra que essa oposição é ilusória. baseada originalmente em moti. seus profissionais.

conforme (mas não apenas) as posições a área editorial e o departamento comercial. Serge Halimi aponta a conivência de segredos do poder (e dos micropoderes) e jornalistas famosos com o poder (político e anunciá-los ao público. foi capaz de seduzir gerações que se traprofissionais. lançavam à “aventura da reportagem” (não nalismo americano é pródigo de exemplos por acaso. para ocupar tas pra quê? .. de Janeiro. Em sua dissertação de mes- trado 19 .ubi. tos”. Jornalis- les.15 indicar mesmo o desejo de afirmação de um Essa perspectiva remete ao sentido pú. mas podem (grifos nossos). evidenciando conflitos no interior da profis- dade de preservação da linha divisória entre são. e considera 5 As mudanças no perfil possível preservar a prática jornalística dos profissional vínculos econômicos e políticos estabeleci- dos pela empresa. Dissertação 17 Halimi. 16 19 Cf. polis. Conflitos que “A área editorial . 20/12/99. tico. não revelam necessariamente uma ambição sentem que devem sua lealdade básica não por ascensão profissional pura e simples (de aos anunciantes nem à empresa . acreditando que sua econômico) e suas conseqüências para a qua. onal comprometido com “a verdade dos fa- tas. Márcia Lisboa identifica no jorna- 15 David Shaw. Petró. Rio o cargo de executivo-chefe da rede Times Mirror Co. função se revestia de um sentido iluminista e lidade da informação que chega ao público mesmo revolucionário. No Brasil. profissão: passageiro lição para a mídia”. blico e à “responsabilidade social” da ativi- dade. Os novos cães de guarda. mas aos princípios básicos do jornalismo” editor conservador de amanhã). reforça a A imagem do jornalista como um profissi- concepção corporativa em torno dos jornalis. de mestrado em Comunicação e Cultura. formações contrárias à orientação da pauta. 1989. 20 de novembro de 99 cia na grande imprensa brasileira atual.os repórteres e editores .bocc. in Los Angeles Times.as relações de trabalho dos profissionais da notí- da Imprensa. Vozes. Argemiro Ferreira. misso com o público”. ECO-UFRJ. Sindicato dos Jornalistas Profissionais do da qual o LA Times é a principal publicação Município do Rio de Janeiro. repórter) e se orgulhavam do papel social cessariamente num mesmo sentido 16 .os profissionais diante da ética. Chico Nelson et al. www. entre outros. independentemente dos cargos que ocu. dando no país. baseados no conceito clássico da im- prensa como “quarto poder”. edição eletrônica do Observatório . 17 .o jornal . 1998 1994. e não enxerga conflitos ideológicos in. No entanto. modo que o repórter crítico de hoje será o . Além disso. como ficou conhecido.pt .6 Sylvia Moretzsohn cospem no prato em que comem (oferecido velam suas estratégias para fazer passar in- pelos anunciantes) devido ao seu “compro. foi o auge de 18 uma crise que se instalou com a entrada de Mark Wil. Cf. “Rebelião na redação é Márcia Lisboa. começam a se tornar popu. título de livro de um famoso de que “editores e repórteres” não agem ne. do desafio de descobrir França. No entanto. Serge.. o perfil profissional vem mu- lares os depoimentos de repórteres que re. “Journalism is a very different bu. militante e a desistência do ideal de mudar o O “Staplesgate”. lista de hoje o progressivo abandono da aura siness .here is why”. ex-executivo de uma rede de cereais. hierárquicas de cada um 18 . à parte o que tinha de ilusório e român- pam.. o próprio jor. Na que representavam. Jornalista. e reitera a necessi. jornalismo a serviço das mudanças sociais.

Não se podia fa- vel. porque. a do presidente da e que a chamada postura “profissional”. confrontos entre jornalistas e patrões. desagravo a si próprios. em boa parte ao fracasso do modelo comu- porque o profissionalismo é uma palavra-de. exata da palavra (grifos nossos). aqui. Queremos ape- que militância não é ação exclusiva da es. sunto era visto. Esse pensamento A “acepção exata” não é definida. bastidores da imprensa em sua relação com nhada pela remuneração salarial que lhe se. de cia nota que os empresários apreciam essa Mario Sergio Conti. tos ou patrulhamento dos defensores desta fissionalismo” contra a manipulação uma es. que a qualifi. negócios e até Essas transformações que se operam hoje entretenimento sem esbarrar nos preconcei- tornam a defesa da “objetividade” e do “pro. Roberto Civita. e também melhor prepa- relações de poder e “justifica” a manipula. porém.ao contrário. dita editora Abril. como vere. editorial .pois o livro prometia desvendar os brança do “profissionalismo” não é acompa. conotação negativa. e legítima.pt . jornalistas estão menos polarizadas do que curso vitorioso da técnica. em um caráter progressista quanto conservador.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 7 mundo para tornar-se um profissional (grifo vem conquistando os jovens que ingressam nosso). De to- a atitude deliberada. da qual tiram proveito para manter e vulgarem aquilo que previam ser um sucesso até aumentar seus lucros. a notícia cada vez mais é as. em segundo. que preserva a mística da “mis. por oposição à positivi. nas realçar como esse episódio forneceu uma querda. jornais e revistas ria correspondente. apressaram-se a editar matérias e artigos em É preciso ressaltar. Már. lançado em fins de no- mudança. na profissão. vembro de 99. Hoje. as novas gerações de ordem do empresariado. de intervir das as entrevistas publicadas pelo Globo nas sobre a realidade. no mérito do livro não se disse que o velho se veste de novo?).ubi. dade do “moderno” (mas quantas vezes já Não vamos entrar. como a do discurso ou pela percepção de que não paixão pela profissão. que encobre as seus antecessores. é quem expli- assim sem considerandos. 27 de novembro de 99. encobre o fato de cita melhor essa questão: que esse “profissionalismo” corresponde a Lembro dos tempos em que qualquer as- um determinado modo de produção. Em primeiro lugar. de modo que a co. e que pode assumir tanto quatro páginas que dedicou ao assunto. lar de política. O grande marco dessa aceitá-lo é praticamente condenar-se ao de- nova realidade seria a descaracterização dos semprego. tornando-se mais “profissional” e “objetiva”. embora ainda mantenha certas carac. graças tratégia pouco eficaz. discutido e enquadrado do rece como o único modo de produção possí. mostrando como a cação “arcaico” é arbitrária e traz em si uma atividade teria mudado nos últimos 10 anos. radas para a tarefa de apurar e relatar os fa- ção sutil. tos com maior profissionalismo. que apa. talvez www. corrobora essa análise: ao di- são”. deve ser considerada como do profissionalismo serve à empresa. ou daquela visão do mundo. nem no sentido dessa reação. nista no planeta inteiro. amparado no dis. nem antônimo de profissionalismo oportunidade para demonstrar que o discurso . ponto de vista ideológico. o ex-presidente Collor -. de economia. na acepção mos a seguir.bocc. sumida como mercadoria. não importa se pela eficácia terísticas “arcaicas” (palavras dela). A reação ao livro Notícias do Planalto.

ali- por essa razão que ele ocupava o lugar onde mentando processos complexos de comuni- estava. Eu lhe perguntava: “por que coloca isto quando conquista a confiança e atrai as ex- em primeiro lugar e aquilo em segundo?” E pectativas do público. porque suas categorias de per. análises e opiniões cepção estavam ajustadas às exigências ob. carregada de emoções. a Folha de S. 20 21 Pierre Bourdieu. que chegou ao auge edades procuram se aproximar de seu mo- com a adesão à campanha das diretas. nal que “se enraíza nas forças de mercado e construindo uma racionalidade própria para adota uma atitude de independência em face o desempenho dessa atividade nos moldes a grupos de poder”. o Projeto Editorial 97. Rio de Ja. Uma só superpotência impôs seu lato dos fatos. Praticava um jornalismo ex- predomínio ao mundo. Com pouca variação de grau. Ou porque é “evi. Pragmática do jornalismo. 20 de povos e nações 21 . na qual sedimenta bilizou por privilegiar aquilo que passou a a idéia do mercado como regulador da ativi- ser conhecido como “jornalismo de autor”. 1994. 17 de agosto de 1997. 1997. isto é. p. www.bocc. há uma 1983 e 1984. as próprias anos depois. serve como serem tratadas com rigor técnico”. em 1984.e.ubi. Além do mais. resultando no enquadramento empresarial ou na exclusão de repórteres e desencade- ando uma busca obsessiva pela objetividade. Paulo tem se desta- Em seu último manual de redação. a Folha se nota- ças ocorridas no mundo. dade jornalística e das próprias ações huma- expressão que procurava mostrar a valoriza- nas.8 Sylvia Moretzsohn porque seja conveniente insinuar que há um Já se disse que esse engajamento do jor- consenso sobre o assunto. neiro. quando se inaugurou a “era 6 As mudanças na perspectiva dos manuais”. procurando justificar-se anteriormente. ção da intervenção do profissional . e dado o sucesso mer- sidera notícias e idéias como mercadorias a cadológico de sua empreitada. teve a vantagem de provar trevistar um diretor de programação que “vi. quase todas as soci- plicitamente militante. São Paulo.no re- consenso. como notou Pierre Bourdieu ao en. que “um jornal não é só um produto a ser ge- via na evidência total”. essa estratégia se reorientou a partir do Projeto Folha. através de uma análise das recentes mudan- No início dos anos 80. Sobre a televisão. E é sem dúvida social e cultural.que. que podem contribuir para mudar os rumos jetivas. Cinco padrão de análise. publi- mudanças de política editorial pelas quais cado em duas páginas no caderno principal a Folha passou são representativas dos dois de um domingo. No Brasil. de cado como a primeira empresa que assumiu 1992. entretanto.pt . Manuel Chaparro. 91-92. Summus. da sua subjetividade . . Seja como for. Jorge Zahar. cação com informações. a Folha se apresenta como um jor- explicitamente o jornalismo como negócio. p. renciado com mais ou menos competência. Por isso. rei- modelos de jornalismo a que nos referimos tera essas premissas.36. torna-se uma entidade ele respondia: “é evidente”. con- A dualidade política foi substituída por um seqüentemente. entre delo. E deixa claro que “con- capitalistas. nal foi uma brilhante estratégia de marketing dente”.

de “organizar a experiência recente e apon- jetividade nos vários procedimentos (escolha tar perspectivas para o futuro do jornalismo do assunto. mas atém os argumen. embora não com “apatia nem desin. Pouco menos de um ano depois. ao comprometer o jornal com a ao jornalismo ao longo de sua história já se tarefa de “tornar a notícia mais compreen. www. esse projeto propõe. Sob o título “Admirá- teresse” 22 . Paulo. pode estimular os jornalistas a buscar lização”. no qual o se a se desenvolver o que se passa. debate ideológico”. Definição cara à imagem da jornalismo. 117. Como na hi- tanque. superiores por meio dos quais ele se colo- 22 Folha de S. suporte ruim. já batizado como “fim da história”. um aprofundamento da pauta. da narra- debate técnico substituiu. O relógio de Pascal . 110. 1991. mas reno se recusou a gastar dinheiro e usou um “refiná-la e torná-la mais aguda num ambi. p. mas que se propõe a enquadrar toda pótese de Claudio Abramo: diversidade étnica ou cultural num mesmo Existe o jornalista que só conta o fato: um modelo.bocc. nas como caricatura. resumia e radicalizava o que frieza”. extinguiram ou estão associados a ele ape- sível em seus nexos e articulações”. capaz de nos fazer caminhar embora incorporar mecanismos da publicidade e do sabendo que jamais a alcançaremos.pt . dirá que o muro caiu porque o dono do ter- ria “aplacar a sua disposição crítica”. com o objetivo nada modesto tos ao reconhecimento da influência da sub. de Alcino Leite Neto. Siciliano. o que signifi. cava como consciência da realidade e fazia 23 Costa. p.a ex- 24 periência do primeiro ombudsman da imprensa bra. São Paulo. ainda que indiretamente. Aí começa- ente que não é mais dicotômico. da empresa. presume que jeto editorial abre.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 9 só receita econômica (o mercado). num fonte inesgotável de conflitos na própria re- mundo que tende inevitavelmente à “globa. Companhia das Letras. se choca contra o detalhamento em verbetes Essa mutação presume que todos os ele- específicos do próprio manual. o jornalismo não precisa. Claudio Abramo. O Projeto Editorial 97 sintetizava a série O jornal admite que “não existe objetivi. afirmava a morte do Túlio Costa: “objetividade jornalística é uma jornalismo tradicional e sua lenta mas inexo- balela mas aproximar-se dela é dever do pro. algo brasileiro”. um pequeno artigo ser o mais objetivo possível”. Caio Túlio. puro e simples. então editor do ca- caria “encarar o fato com distanciamento e derno “Mais!”. p. o pro. que não exime o jornalista “da obrigação de em 27 de julho de 98. competição e da técnica. que estaria levando a imprensa a utopia. mentos morais ou transcendentes agregados Porém. mas que entretenimento. em boa medida. uma só ções de um mesmo fato. Isto é um fato. Daí a famosa definição de Caio vel novo jornalismo”. Ou seja. que ameaçava cair.ubi. o jornalismo já não se alimenta dos valores uma brecha para a pluralidade de interpreta. redação e edição do texto). sileira. Pois não se trata de um sistema es. o que. rável substituição pelo que chamou de publi- fissional” 23 . dação. Haverá outro jornalista que Nesse contexto. o tiva do fato para a crítica da sociedade 24 .17/8/97. de discussões realizadas no âmbito interno dade em jornalismo”. muro caiu na cabeça da dona Maria e ela desde que cumpridos os preceitos da livre morreu debaixo de 35 tijolos. embora seja fórmula institucional (a democracia). 1988.19. A regra do jogo. São Paulo.

cerca de meio século an- armamentista. dade e entretenimento data pelo menos do Jornal Los Angeles Mirror News século passado.. jornais americanos sacordo com o mercado. com o sucesso popular dos “A Conferência de Cúpula falhou. tinuarão aumentando.000 empregados exemplo prático dessa atitude “publijorna. “Fracasso da Conferência de Cúpula: um quela segunda-feira e praticamente repetia tônico para o mercado” 26 . (. de fato. Armando Costa e Fer- 25 Alcino Leite Neto.pt . Dezembro. a este artigo também nos ajuda a recordar. Nos próximos anos quanto é absurda essa idéia de que o “novo” os efeitos financeiros da nova bomba con- jornalismo deixaria de influir numa deter. Rio de Janeiro. Mas não genérica e imprecisa para se deter a corrida esqueçamos de que. Grande lística” diante do mundo: “Ganhe dinheiro alta!” com a crise asiática”. que estará tam. fornecia um dólares em salários. gico numa sociedade 25 . tal. Bilhões de mesma edição de 27 de julho. a peça de teatro que forneceu a epígrafe cifrar”. além de estar em perfeito de- tes. em plena guerra fria. 1951. Stalin. A chamada remetia New York Times ao caderno “Folhainvest”. o “respeito ao gênero humano” é mesmo uma razão muito Cinismo pós-moderno? Talvez.bocc. A Bomba-H destruiu minada realidade . naquela mento da indústria eletrônica. lica. como produto não lhe retira o valor simbó. como seu antepassado (o jornalismo). Mas tem o valor de lidavam com a mesma lógica ao justificar a revelar que o que está em jogo. Os americanos explodem sua primeira Alcino ressalva que encarar a informação bomba de hidrogênio tecnicamente perfeita.ubi. os atores se revezam ao um melhor produto e vendendo a si mesmo anunciar as notícias: o tempo todo. a manchete: “Tire proveito da turbulência asiática”. rássemos a realidade como um dado. 1967. Diante desses argumentos. Mas devemos ressaltar que. quaisquer temores de depressão”. ou cumprindo um papel cultural ou ideoló- 1954. são manutenção do investimento na indústria bé- duas concepções éticas diante da vida. e não porque julga. a manchete da Folha.) O “publijornalismo” só contesta. e não “Na nação como um todo. 67-68. bem nifica isto para você? Tremendo cresci- a propósito. Que sig- folhetins. elucida ou investiga porque está vendendo No trecho abaixo. Redigida num registro semidocumen- 26 Antonio Carlos Fontoura. 27/7/98.10 Sylvia Moretzsohn da própria realidade um objeto que devia de. 2. 110. Paulo. Março. mundo dos negócios um longo período de Talvez não seja o caso de demonstrar o grandes encomendas.. A saída? Onde fica a saída? Grupo lismo”. Folha de S. Nem de dizer que calculavam que entre um quarto e um terço de toda a atividade econômica gira em torno a “novidade” de juntar notícia com publici- das despesas militares”. mas implica que “o próprio conteúdo “A bomba de hidrogênio representa para o passou para a escala do consumo”.S. as autoridades uma construção social. bém influindo numa determinada realidade Estamos fazendo experiências com bombas atômicas de vários tipos e tamanhos. Opinião.a não ser que conside. p. Revista U. “Admirável novo jorna. www. numa indústria do sul da Califórnia. que estreava na. reira Gullar.News & World Report lico. p.

obviamente. Fundação Perseu Abramo. p. blica.) Quando. 29 1998. pertencem a 27 . de Balzac. dis. E. prensa brasileira. cruamente retra. a situação estava longe de ser uma ambigüidade central cruza a grande im- luminosa. mite. os grandes jor- nais passam a fazer parte da “indústria da di- 27 Nicolau Sevcenko in Bernardo Kucinski. Pela maior rentabilidade. ocultando o pa- belar as trevas da tirania pelas práticas da in. assim. A imprensa logo se tornou ela prensa: ela desempenha uma função pú- mesma um instrumento de manipulação.bocc. diz Emir Sader. quando no início do regime republi- minimamente democrático de debate. aquela que mais cresce no mundo. mostrando que rente com as novas ideologias yuppies. Ressalte-se. que o “distanciamento quias absolutistas. procura reiterar a idéia de nais representavam as luzes que viriam de.. mas a coragem que ela exige prensa dos EUA.28 o monopólio de poder exercido pelas monar.ubi. drome da antena parabólica . ao im- Nicolau Sevcenko sobre a indissociabilidade por “um padrão de relações de trabalho coe- entre política e imprensa. eri- tícias”. Bernardo Kucinski. mas é uma empresa privada. São Paulo. no lugar da solida- da sociedade moderna. 78. grandes conglomerados que possuem vín- Finalmente. www. os jor. Todos os grandes órgãos da im- de sua crítica. participando de outros ousadia. Por lismo e um espírito de competição de que o outro lado. torna-se incompatível a busca de ren- tado nas Ilusões perdidas. Bernardo Kucinski analisa culos com os mais diferentes tipos de in- como a radicalização da idéia da notícia dústrias . sua obra foi submetida a um boicote ramos econômicos e. art. da fiscalização e da transparência. por exemplo.p. passando a ter geral. Lima independência. visto pela tico que se escorava na força. que “jornalismo é coisa séria demais para que o justificam e enaltecem a luta do indivíduo público se contente apenas em consumir no.. No tabilidade por parte da empresa jornalística com a função de informar e ser um espaço Brasil. Contra o Estado autocrá. op cit. plantado e se instalaram os primeiros regi- mes liberais. cit. por esse meio. gindo a competição e o sucesso profissional Desde os primeiros momentos de gestação como valores superiores. com o Estado e suas distintas políticas. um “quarto poder” neutro.e. nos dá a conhecer todos os dias 29 . ainda. o Absolutismo foi su. trabalho. pel da mídia na construção do mundo que ela formação. Fato que comprova não só a pertinência sua isenção. interesses materiais que limitam ainda mais tor.ética no jornalismo 28 brasileiro. conforme passa a buscar Barreto fez uma denúncia semelhante. Robert Hackett. porém. que comprometeu a carreira do escri. a imprensa foi vista riedade e da identidade de classe” (grifos como um recurso fundamental para romper nossos).pt . contra seus companheiros de trabalho. A sín.das telecomunicações à produção como mercadoria interfere nas relações de de armas para o Pentágono . 107. No li- torção e corrupção política.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 11 É assim que faz sentido o argumento de Projeto Folha seria o melhor exemplo. como (. versão”. cano o jornalismo passou a ter um papel de- Sua lucratividade faz com que ela perca cisivo na condução da vida pública. em relação aos centros de poder”. traduzindo-se por um individua. na censura e Folha como uma conquista da grande im- no segredo para submeter os súditos.

tretanto. Assim. Robert Hackett. “seriam ne- cas e processos judiciais. não por acaso. mas não houve pe- personagens e com os valores que ela di. 9. por- como atividade política tanto. p. netração” 31 .os pro- nistro. mas essa perspectiva esquece tões ainda sem resposta. “antiprofissional”. curso “técnico” das modernas empresas jor- nados (nos termos em que. Em outras palavras. menos uma evolução do que um re- postos. prática jornalística. Jornalistas pra quê . com um estilo de vida. “Ética. por aqueles que “estiveram ontem com o mi. “se quisermos onal. consumo. vulga” 30 . em relação aos quais se colocam ques- significativas.. o que obriga a reconhecer a exis- sificou de jornalismo amestrado. mais grave. gências administrativas como os prazos de Questionando os pressupostos básicos da fechamento e do estabelecimento do que Tu. mente chamou de “violinos a serviço da gas- rados pelas necessidades de obediência a exi. Janeiro. É um modo de domesticar de ser vitorioso hoje não quer dizer que esse o ímpeto da crítica e justificar teoricamente discurso seja definitivo. a importância política do jornalismo e. p. nalísticas defensoras de uma “objetividade” as empresas pretendem fazer) é um modo de que esconde o trabalho de produção do sen- reduzir sua importância e sua possibilidade tido da notícia. com seus estiveram com o ministro. 32 cit. assumindo-se como pa- de resumir o jornalismo a seu aspecto de ati. op. cit. não conseguindo romper o círculo torno a um ideal de profissão que teria a van- vicioso da análise formalista. Significa entender que o fato transformadora. apenas. Desse modo. um modo de esquecer que o “campo” profissional é um campo de luta . acaba vítima de seus próprios pressu. É. timidade “profissional”.bocc. Rio de Janeiro. cessários critérios editoriais inteiramente no- Não que essas preocupações sejam pouco vos”. nossa companheira”.12 Sylvia Moretzsohn com o comprometimento com um tipo de perguntas incômodas.pt .luta desigual. 19. 1989. como “ideológica” e.. Hackett indica a necessi- chman chama significativamente de “rituais dade de mudança de paradigma (da “parci- estratégicos” definidores da prática profissi. praticado 31 Licínio Rios Neto. por Essa mudança de paradigma significa. poderoso. en- isso. in Chico Nelson et. “Apresentação” a Serge Halimi. contrariando o dis- nal” obediente a procedimentos predetermi. art. compreender suficientemente os papéis polí- teger corporativamente a categoria de críti. p. Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de 30 Emir Sader. mas preferiram uísque nas pedras às fissionais diante da ética. al. Perceber o tagem de restituir ao “militante” a sua legi- jornalista estritamente como um “profissio. como observou Kucinski - 7 A reafirmação do jornalismo e desqualificar. que é mais aquilo que Licínio Rios Neto certa vez clas. a atitude questio- Enxergar o exercício profissional sob a ótica nadora que permanece em uma parcela dos da adequação entre meios e fins é uma forma próprios jornalistas. ticos do jornalismo” 32 . www.ubi. que teriam a função primordial de pro. alidade” para a “ideologia”). concentra-se funcionalidade daquilo que Licínio ironica- o foco da análise em torno dos problemas ge.. radigma de comportamento a disciplina e vidade industrial. tronomia”. 101-130.

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