“Profissionalismo” e “objetividade”: o jornalismo na

contramão da política
Sylvia Moretzsohn
Universidade Federal Fluminense

Índice sentido da informação e na própria definição
do que é notícia.
1 Resumo: 1
2 Introdução 1 “Juiz: - Nome. Profissão.
3 O conhecimento relativizado 2 Homem: - Philip Duncan. Cientista.
4 A resistência do paradigma 3 Juiz: - Que razões alega para ser contra
5 As mudanças no perfil profissional 6 a construção da bomba de hidrogênio?
6 As mudanças na perspectiva empresa- Homem: - O respeito ao gênero humano.
rial 8 Juiz: - Seja mais objetivo.”
7 A reafirmação do jornalismo como ati- (A saída? Onde fica a saída?, de Antônio
vidade política 12 Carlos Fontoura,
8 Bibliografia: 13 Armando Costa e Ferreira Gullar, Grupo
Opinião, RJ, 1967).
1 Resumo:
2 Introdução
O texto discute o conceito de profissiona-
lismo na atividade jornalística, a partir da O discurso do “profissionalismo” costuma
crítica à noção de objetividade que costuma ser aceito automaticamente como algo posi-
orientar e legitimar o exercício profissio- tivo e inquestionável: quem é “profissional”
nal. Apresenta argumentos que desmisti- é “competente” (outra palavra que dispensa
ficam esse paradigma, procurando mostrar considerações; ninguém pergunta, “compe-
que o debate em torno do “bom jornalismo” tente para quê?”), “responsável”, “equili-
está deslocado, girando em torno de questões brado”, “justo”. Sem ser questionado, esse
técnicas que ocultam o caráter político da ati- discurso opera milagres. O principal deles
vidade. E conclui pela necessidade de se re- é certamente o de apagar a possibilidade da
tomar o tema em sua complexidade ideoló- discussão política, encobrindo, como toda
gica, que permita enxergar o exercício pro- ideologia, o próprio caráter ideológico que
fissional como um campo de luta, no qual es- lhe é inerente. A união de empresários e tra-
tão em jogo conflitos éticos que influem na balhadores em torno desse mesmo ideal é um
representação da profissão, na produção do desdobramento lógico desse milagre.

o jornalismo. Karl Marx. porque procura próprio conceito. pois responderia com uma fraude à demanda social por informações. 218. seu longo e minucioso estudo sobre a obje- nalismo” que se pode combater e limitar o tividade no jornalismo. pois nada cial da realidade. A partir daí. pretendemos mostrar cesso. liticamente esse conceito. lhor dizendo.bocc. objeto. Martins Fontes. conforme bate no campo da teoria do conhecimento. o objeto de investigação 3 Josenildo Guerra. mais recentemente. acreditando que é Josenildo Guerra parte dessa premissa em justamente através da defesa do “profissio. a notícia. apud. p. dade total. representaria um “estelionato ético e social”. p. Petrópolis. 1996. propósito do conhecimento: Heisenberg di. A objetividade no jornalismo. uns argumentam com a “postura profissio. No primeiro caso. o construcionismo acredita eliminar o que a questão está deslocada.ubi. científico informacional. em primeiro lugar. 1 Desde Kant e. fun- argumentos técnicos para enfrentar um pro. Além do mais. respectivamente. 3 O conhecimento relativizado A conclusão decorre provavelmente da in- compreensão do sentido da crítica e do pró- Qualquer discussão sobre objetividade re.2 Sylvia Moretzsohn 1 Mas a questão pode ser colocada de modo . dada a importância da sub. teria de deixar de existir. 27-28 jetivo do mundo. ocultando o papel que prescreve a notícia como o discurso da rea- o jornalismo desempenha na construção so. mas a natu. como já perceber. no qual confronta o poder da empresa na manipulação da infor. Milton Santos. positivista) do conceito de ob- lismo e à concepção de objetividade que o jetividade. Husserl Werner Heisenberg. “na ciência. dado “a partir de um imperativo ético que blema político e ético. as críticas à objetividade costumam ser vis- nal” para mascarar o modo de produção da tas como se propusessem o outro extremo. construcionismo com o realismo na teoria do mação. Marx (o con- ainda incipiente debate brasileiro acerca do creto como “síntese de múltiplas determina- que deva ser o “bom jornalismo”: enquanto ções”) e Berger e Luckmann 2 . 1977. parece clara a impossibili. Hucitec. prio discurso através do qual o jornalismo mete. Facom/UFBA. o que implicaria a supressão do rios de edição. Assim. Isto quer dizer apenas que o conhecimento a revelar ambigüidades. agosto de reza submetida à interrogação dos homens” 1998 www. se apresenta. São Paulo. o autor considera que. lidade”. no o demonstraram. Crítica da eco- jetividade na apreensão do objeto e mesmo o nomia política. embora com algum esforço. a un tradicional de. Entretanto.e também impossível . não é a natureza em si mesma. É o que se pode é um trabalho de construção do real. 2 Cf. Téc- nica. entre outros. conhecimento 3 .pt .globalização e meio técnico- e Merleau-Ponty. Berger e Luckmann.subjetivi- o que sai e o que não sai no jornal e os crité. o processo de escolha que determina completa . 1985 zia que. São Paulo. Vozes. poderia afirmar sobre os fatos que reporta. outros procuram utilizar po. espaço e tempo . dade de um conhecimento absolutamente ob. nesse pro- sustenta. Embora ressalte a coerên- A crítica a esses dois discursos implica cia da crítica à fundamentação realista (me- a crítica ao próprio conceito de profissiona. Dissertação de mestrado. A construção social da re- alidade..

mas entre dois tipos de texto. no caso da televisão. jornalismo consegue legitimar-se e assegurar Daí decorrem problemas como os aponta- seu lugar de autoridade. como o mediador dos por Tuchman. processo de seleção das informações ali con- jetividade presente no processo de apreen. Michael Schudson. 1992 e Mark Fishman. ignorando-se não apenas o Trata-se. Univ. pois a existência do jornalismo como instituição quando se considera o noticiário de rádio e e seu enraizamento nas práticas sociais in. o gestos e expressão facial. 1990 tões. e efeitos sonoros. São Paulo. 1993. seu bel-prazer. peito apenas ao jornalismo impresso. Ressalte-se que essas observações dizem res- ções fazem toda a diferença. outro guide to pseudo-events in America. in Nelson Traquina. Assim. New York. Entretanto. teorias e “estórias”. se fala em objetividade. Edward Arnold. Bélgica pela Alemanha. nem pode ser justificativa para que o sobre a objetividade no jornalismo não cos- historiador (o jornalista?) manipule fatos a tuma dar conta do processo como um todo. (portanto. Entre o passado e o futuro. e garante foros de “verdade” aos fa. 85. Além de não atentar para a lógica de produ- dade) na apreensão do fato não constitui ar.ubi. Texas. identificou como a questão de mais di- poder”. www. Daniel Boorstin. da subjetivi. Perspectiva. 1992. Assim. entre outros. apenas o texto. Chaparro mostra que a divisão entre notí- cias (news) e comentários (comments). Lisboa. a necessi- dade da interpretação (portanto. New tratégico: uma análise das noções de objetividade dos York. sim.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 3 dissemos. com estrutura formal narrativa. exatamente e locutores e. 296 nião.a uma estrutura formal argumentativa. e essas interpreta. Mass media and society. no exemplo clássico. Manu. sem o qual a notícia não se realiza: quando tudo pode ser dito sobre a I Guerra Mundial. a entonação de repórteres mento de eventos 5 . elidindo as mediações discursivas objetiva” e “notícia de análise” 6 .. TV é inevitável levar em conta os recursos fluenciam decisivamente o próprio apareci. de demonstrar que a sub.pt . 1992. fícil resposta (para os jornalistas) a que lhes tos que divulga . in James Curran and Mi. ope- rada no início do século XVIII. não se trata de eliminar o real: 4 A resistência do paradigma como observou Hannah Arendt. muito menos da edição. ção das notícias (aí incluídos os “eventos de gumento contra a existência da matéria fac. As- um discurso sobre a realidade. que. mas interagem para a produção de sentido. nada se diz sobre a “objetividade” de haverá vários discursos sobre a invasão da fotos e ilustrações. tidas mas o fato de que um jornal é um con- são dos fatos indica que o jornalismo não é junto de elementos verbais e não-verbais que o discurso da realidade (como diz ser). Austin. também por apresentar-se como aquilo que não é. Jornalismo: ques- facturing news. ideológicas) que dão a esses fatos Em seu estudo sobre gêneros jornalísticos. em dois anos de pes- “neutro” definido pelo conceito de “quarto quisa. Vin. não represen- 4 tou uma separação entre informação e opi- Hannah Arendt. tem-se em mente menos que a Bélgica invadiu a Alemanha 4 . jornalistas”. “The sociology of 6 news production revisited”. a discussão tual. Além do mais.e que supostamente “falam solicitava uma distinção clara entre “notícia por si” -. porém. Vega. The image . Gaye Tuchman. o status de notícia. Desse modo. p. um com 5 Cf.bocc. mídia” definidos por Boorstin). “A objectividade como ritual es- chael Gurevitch (orgs). con- tage. p.

1979. Assim. circunstâncias. Santarém. p. conduziu os jornalistas a uma os meios de comunicação de massa masca. niente. que trabalha com uma definição de que justifica a defesa da “objetividade” notícia tributária da teoria da informação. modernizou-se: tornou- visibilidade. e da qual Adelmo Genro Filho se invisível. (e conseqüentemente do “profissionalismo”) gundo a qual a importância de um fato estaria contra a “manipulação”. a matriz do pensamento da pauta. então. Tchê. as- Salvador. inversamente. nos anos 70.ubi. prio ponto de equilíbrio. Sotaques d’aquém e d’além mar .percursos e géneros do jornalismo português e por si”. objetividade e costuma ser encarada como Como. o poder de buscar o seu pró- mitiria perceber.4 Sylvia Moretzsohn sidera falso o paradigma da objetividade para manipulação do texto”. se. O segredo da pirâmide - 10 para uma teoria marxista do jornalismo. 100. Argumentar que “os fatos falam Manuel Chaparro. talvez. p. que. na apresentação da “ver. apesar do que haja de contradição brasileiro. Nilson Lage. por trás da qual se apresentasse o fato formações e opiniões” 7 . Vozes. falar Vinculada à idéia de “imparcialidade”. in Pauta Geral. 1991. ao analisar o jornalismo televisivo. p. lítico em que a proposição foi formulada. Se raramente dade do noticário” constituem “uma parte essencial era possível divulgar a informação inconve- do trabalho ideológico da televisão” (Robert Hackett. mostrar a tesoura. próprios fatos” 10 . a de “linguagem absolutamente transparente”. p. pelo menos obrigava-se o censor a “Declínio de um paradigma? A parcialidade e a ob.a partir Está aí. livre das na razão inversa de sua probabilidade ou pre. lógica (pois obviamente os fatos não falam. quando ções e a denúncia das fórmulas arcaicas de a atividade jornalística no Brasil estava sob 7 censura. contra quem os quer silenciar. Ideologia e técnica da notícia. mas se constrói com in. extraordinário poder de convencimento dos gem 8 . p. in Nelson Traquina. íntegro. “a proposta o exercício da profissão. www. E esse paradigma procura regular to. 24 ss. atitude de indagação e lhes deu. op cit. utilizá-los politicamente indica que “as formas de imparcialidade e objetivi. como o próprio autor reconhece -. a aceleração Não se pode esquecer que Lage escreveu seu do processo de produção e troca de informa. misso com a realidade material. jetividade nos media noticiosos”. hoje que o poder de cen- 9 Adelmo Genro Filho. rente. 26. Impossível. Logos.pt . evidentemente - já realizou crítica contundente 9 . sim. em certas ram o processo de construção social que per. porém. 80. 126). Nilson Lage considera. Jortejo Edições. desenvolvendo um dade dos fatos”. “o compro. 97.. p. dos os procedimentos profissionais . que.bocc. agora. trópolis. 1987. é uma dade e os limites da ética jornalística”. forma de apresentá-los como “neutros” e. Porto Ale. uma tal ficção poderia ajudar requisito básico para o exercício do “bom na formulação de ações concretas? jornalismo”. 1998. “porque o jorna. Pe- gre. entre as A explicação talvez esteja no contexto po- vantagens desse procedimento. para que o leitor produzisse o seu Tal paradigma sobrevive. a intermediação discursiva conceito de verdade extraído dos fatos com o entre sujeito e realidade através da lingua. Do mesmo modo. “O problema da imparciali. livro durante a ditadura. porque julgamento. É a mesma abordagem de Hackett. “fórmulas arcaicas”. quem fala é quem os identifica como im- 8 Rogério Ferrer Koff. de uma linguagem absolutamente transpa- lismo não se divide. portantes e os traduz como notícia).

do profissionalismo é vista como uma reação Os jornalistas “defendem que. 11). 78. No entanto. que em ou- Sobre o profissionalismo.às mãos argumenta que. um centro de esportes e 11 entretenimento. “rebelião” no Los Angeles Times. John Soloski. um dos arti- no The Wall Street Journal e no alemão Süddeutsche gos ressalta que os jornais sistematicamente Zeitung. mentos das organizações comerciais buro- agir aos interesses comerciais que cada vez cráticas levarão inevitavelmente ao conflito mais se impõem 11 . jan. estúdios pagam ‘repor- e ao público que o jornal era sócio do empre- tagens’ que podem virar filmes” (Caros Amigos. visto também tubro de 99 publicou uma revista especial so- como uma demanda dos jornalistas.ou melhor. Na edição do caderno especial 10. imparcial e taria princípios compartilhados tanto por edi- impessoal.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 5 sura passou . 1977. p. que ado- de um modo descomprometido. Ao contrário. rentemente. a partir de reportagens publicadas dos jornalistas sobre o episódio.an analy- 14 sis of crime reporting in the British Press. in Nelson Traquina. Ci.bocc. o au- mento significativo”) e que depois se torna. os objetivos e os procedi- o “profissionalismo” seria uma forma de re.ubi. mercial”. No caso americano. tor lembra que essa oposição é ilusória. zes históricas” 14 . 1998. com os objetivos e os procedimentos dos gleses e americanos referem-se a essas pres. retornou . interior das redações. “para muitos estudiosos do dos empresários. no que seria uma estratégia de com intuitos lucrativos da organização co- defender a objetividade como forma de afir. p. defender a “objetividade” e profissionalismo. a defesa ção da notícia e evitar processos judiciais. viço para a sociedade”. baseada originalmente em moti. a ideologia do profissionalismo jetividade. cit. p. seus profissionais. Tuchman afirma que Um dos problemas dessas análises é que há. Law-and-order news . tem fortes componentes antilucro e antimer- vos comerciais (“servir politicamente um pú. Renato Pompeu expôs alguns publicado em 20 de dezembro com a versão desses interesses.redes de varejo decidem o que pode circular. a sões de mercado e sustentam que os jornalis. 12 Steve Chibnall. art. aliás. “O jornalismo e o profissiona- Tavistock. se todos os re. London. Foi esse..pt . tamente relacionados e partilham as suas raí- dade social” 12 . cado que estão manifestos na idéia do ser- blico heterogêneo sem alienar nenhum seg. Por outras palavras. uma vez que “apa- ção operada na apreensão do sentido da ob. a pressões comerciais (e políticas) externas e pórteres reunirem e estruturarem os ‘fatos’ estranhas ao trabalho da imprensa. o que estaria a indicar uma incom- mar e demarcar seu espaço profissional. Soloski bre o Staples Center. lismo: alguns constrangimentos no trabalho jornalís- 13 Tuchman. sem informar aos jornalistas No artigo “Jornalismo Disney . os prazos serão respeitados e os tores e repórteres. o tom da processos de difamação evitados” 13 . pois ria um cânone de competência profissional e “profissionalismo e capitalismo estão estri- fundamentaria a “ideologia da responsabili. uma séria preocupação em elas não identificam conflitos ideológicos no atender à racionalidade industrial da produ. Estudos sociológicos in. 93. fidelidade dos profissionais às suas normas tas usam o “profissionalismo” contra o “co. tico”. além do mais. deontológicas leva-os a entrar em conflito mercialismo”. no endimento. op. Chibnall aponta a transforma. cit. patibilidade entre as ideologias do profissio- tando Carey. nalismo e do capitalismo. www.

acreditando que sua econômico) e suas conseqüências para a qua. de Janeiro. Serge. mas aos princípios básicos do jornalismo” editor conservador de amanhã). tos”.15 indicar mesmo o desejo de afirmação de um Essa perspectiva remete ao sentido pú. título de livro de um famoso de que “editores e repórteres” não agem ne. militante e a desistência do ideal de mudar o O “Staplesgate”. evidenciando conflitos no interior da profis- dade de preservação da linha divisória entre são. onal comprometido com “a verdade dos fa- tas. 20/12/99. Márcia Lisboa identifica no jorna- 15 David Shaw. “Journalism is a very different bu. conforme (mas não apenas) as posições a área editorial e o departamento comercial.pt . Argemiro Ferreira. hierárquicas de cada um 18 . 16 19 Cf. 17 . Sindicato dos Jornalistas Profissionais do da qual o LA Times é a principal publicação Município do Rio de Janeiro. www. Chico Nelson et al. de mestrado em Comunicação e Cultura. jornalismo a serviço das mudanças sociais. entre outros. não revelam necessariamente uma ambição sentem que devem sua lealdade básica não por ascensão profissional pura e simples (de aos anunciantes nem à empresa . foi o auge de 18 uma crise que se instalou com a entrada de Mark Wil. como ficou conhecido. lançavam à “aventura da reportagem” (não nalismo americano é pródigo de exemplos por acaso.ubi. Dissertação 17 Halimi. Rio o cargo de executivo-chefe da rede Times Mirror Co. 1989. ex-executivo de uma rede de cereais.. ECO-UFRJ. à parte o que tinha de ilusório e român- pam. formações contrárias à orientação da pauta. Em sua dissertação de mes- trado 19 . Petró. 20 de novembro de 99 cia na grande imprensa brasileira atual. independentemente dos cargos que ocu. Jornalista. “Rebelião na redação é Márcia Lisboa. profissão: passageiro lição para a mídia”.. tico.os profissionais diante da ética.os repórteres e editores . polis. do desafio de descobrir França. e não enxerga conflitos ideológicos in. o próprio jor. foi capaz de seduzir gerações que se traprofissionais. função se revestia de um sentido iluminista e lidade da informação que chega ao público mesmo revolucionário.as relações de trabalho dos profissionais da notí- da Imprensa. repórter) e se orgulhavam do papel social cessariamente num mesmo sentido 16 . Conflitos que “A área editorial . Vozes. o perfil profissional vem mu- lares os depoimentos de repórteres que re. Na que representavam. e reitera a necessi. No entanto. e considera 5 As mudanças no perfil possível preservar a prática jornalística dos profissional vínculos econômicos e políticos estabeleci- dos pela empresa.here is why”. edição eletrônica do Observatório . in Los Angeles Times.bocc. Cf. No entanto. baseados no conceito clássico da im- prensa como “quarto poder”. reforça a A imagem do jornalista como um profissi- concepção corporativa em torno dos jornalis. Serge Halimi aponta a conivência de segredos do poder (e dos micropoderes) e jornalistas famosos com o poder (político e anunciá-los ao público. lista de hoje o progressivo abandono da aura siness . mas podem (grifos nossos). 1998 1994. Jornalis- les. No Brasil. misso com o público”.6 Sylvia Moretzsohn cospem no prato em que comem (oferecido velam suas estratégias para fazer passar in- pelos anunciantes) devido ao seu “compro. blico e à “responsabilidade social” da ativi- dade.o jornal . para ocupar tas pra quê? . começam a se tornar popu. dando no país. Além disso. modo que o repórter crítico de hoje será o . Os novos cães de guarda..

nem antônimo de profissionalismo oportunidade para demonstrar que o discurso . nista no planeta inteiro. em boa parte ao fracasso do modelo comu- porque o profissionalismo é uma palavra-de. Hoje. sumida como mercadoria. deve ser considerada como do profissionalismo serve à empresa. tos ou patrulhamento dos defensores desta fissionalismo” contra a manipulação uma es. não importa se pela eficácia terísticas “arcaicas” (palavras dela). como vere. em um caráter progressista quanto conservador. embora ainda mantenha certas carac.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 7 mundo para tornar-se um profissional (grifo vem conquistando os jovens que ingressam nosso). o ex-presidente Collor -. De to- a atitude deliberada. da qual tiram proveito para manter e vulgarem aquilo que previam ser um sucesso até aumentar seus lucros.ao contrário. ponto de vista ideológico. sunto era visto. Não se podia fa- vel. confrontos entre jornalistas e patrões. desagravo a si próprios. Esse pensamento A “acepção exata” não é definida. bastidores da imprensa em sua relação com nhada pela remuneração salarial que lhe se. de intervir das as entrevistas publicadas pelo Globo nas sobre a realidade. corrobora essa análise: ao di- são”. apressaram-se a editar matérias e artigos em É preciso ressaltar. por oposição à positivi. discutido e enquadrado do rece como o único modo de produção possí.ubi. e legítima. exata da palavra (grifos nossos). que a qualifi. Queremos ape- que militância não é ação exclusiva da es. as novas gerações de ordem do empresariado. lançado em fins de no- mudança. Roberto Civita. dita editora Abril. ou daquela visão do mundo. que preserva a mística da “mis. lar de política. amparado no dis. porque. A reação ao livro Notícias do Planalto. a notícia cada vez mais é as. que apa. aqui. 27 de novembro de 99. editorial . negócios e até Essas transformações que se operam hoje entretenimento sem esbarrar nos preconcei- tornam a defesa da “objetividade” e do “pro. conotação negativa.pois o livro prometia desvendar os brança do “profissionalismo” não é acompa.bocc. talvez www. tornando-se mais “profissional” e “objetiva”. mostrando como a cação “arcaico” é arbitrária e traz em si uma atividade teria mudado nos últimos 10 anos. na acepção mos a seguir. O grande marco dessa aceitá-lo é praticamente condenar-se ao de- nova realidade seria a descaracterização dos semprego. no mérito do livro não se disse que o velho se veste de novo?). e que pode assumir tanto quatro páginas que dedicou ao assunto. porém. na profissão. tos com maior profissionalismo. de modo que a co. Már. que encobre as seus antecessores. nas realçar como esse episódio forneceu uma querda. e também melhor prepa- relações de poder e “justifica” a manipula. como a do discurso ou pela percepção de que não paixão pela profissão. radas para a tarefa de apurar e relatar os fa- ção sutil. em segundo. jornais e revistas ria correspondente. jornalistas estão menos polarizadas do que curso vitorioso da técnica. é quem expli- assim sem considerandos. Em primeiro lugar. de economia. de cia nota que os empresários apreciam essa Mario Sergio Conti. vembro de 99.pt . encobre o fato de cita melhor essa questão: que esse “profissionalismo” corresponde a Lembro dos tempos em que qualquer as- um determinado modo de produção. dade do “moderno” (mas quantas vezes já Não vamos entrar. graças tratégia pouco eficaz. nem no sentido dessa reação. a do presidente da e que a chamada postura “profissional”.

e. 20 21 Pierre Bourdieu. a Folha se nota- ças ocorridas no mundo. através de uma análise das recentes mudan- No início dos anos 80. em 1984. Além do mais. 17 de agosto de 1997. Sobre a televisão. quando se inaugurou a “era 6 As mudanças na perspectiva dos manuais”. Ou porque é “evi. con- A dualidade política foi substituída por um seqüentemente. dade jornalística e das próprias ações huma- expressão que procurava mostrar a valoriza- nas. de cado como a primeira empresa que assumiu 1992. análises e opiniões cepção estavam ajustadas às exigências ob. E é sem dúvida social e cultural.36. Jorge Zahar. como notou Pierre Bourdieu ao en. Com pouca variação de grau. e dado o sucesso mer- sidera notícias e idéias como mercadorias a cadológico de sua empreitada. nal que “se enraíza nas forças de mercado e construindo uma racionalidade própria para adota uma atitude de independência em face o desempenho dessa atividade nos moldes a grupos de poder”. procurando justificar-se anteriormente. Summus. 1997. porque suas categorias de per.ubi.pt . publi- mudanças de política editorial pelas quais cado em duas páginas no caderno principal a Folha passou são representativas dos dois de um domingo.bocc. entretanto. Praticava um jornalismo ex- predomínio ao mundo. 20 de povos e nações 21 . torna-se uma entidade ele respondia: “é evidente”. p. teve a vantagem de provar trevistar um diretor de programação que “vi. p. essa estratégia se reorientou a partir do Projeto Folha. há uma 1983 e 1984. renciado com mais ou menos competência.8 Sylvia Moretzsohn porque seja conveniente insinuar que há um Já se disse que esse engajamento do jor- consenso sobre o assunto. Uma só superpotência impôs seu lato dos fatos. www. Eu lhe perguntava: “por que coloca isto quando conquista a confiança e atrai as ex- em primeiro lugar e aquilo em segundo?” E pectativas do público. Rio de Ja. serve como serem tratadas com rigor técnico”. que chegou ao auge edades procuram se aproximar de seu mo- com a adesão à campanha das diretas. isto é.que. Manuel Chaparro. cação com informações. que podem contribuir para mudar os rumos jetivas. Por isso. a Folha de S. entre delo. Cinco padrão de análise. neiro. E deixa claro que “con- capitalistas. . ção da intervenção do profissional . na qual sedimenta bilizou por privilegiar aquilo que passou a a idéia do mercado como regulador da ativi- ser conhecido como “jornalismo de autor”. quase todas as soci- plicitamente militante. que “um jornal não é só um produto a ser ge- via na evidência total”. nal foi uma brilhante estratégia de marketing dente”. 91-92.no re- consenso. No Brasil. rei- modelos de jornalismo a que nos referimos tera essas premissas. o Projeto Editorial 97. carregada de emoções. São Paulo. a Folha se apresenta como um jor- explicitamente o jornalismo como negócio. Paulo tem se desta- Em seu último manual de redação. Seja como for. Pragmática do jornalismo. as próprias anos depois. ali- por essa razão que ele ocupava o lugar onde mentando processos complexos de comuni- estava. resultando no enquadramento empresarial ou na exclusão de repórteres e desencade- ando uma busca obsessiva pela objetividade. da sua subjetividade . 1994.

Definição cara à imagem da jornalismo. afirmava a morte do Túlio Costa: “objetividade jornalística é uma jornalismo tradicional e sua lenta mas inexo- balela mas aproximar-se dela é dever do pro. p. em boa medida. ainda que indiretamente. superiores por meio dos quais ele se colo- 22 Folha de S. São Paulo. www. da narra- debate técnico substituiu.19. São Paulo. puro e simples. dirá que o muro caiu porque o dono do ter- ria “aplacar a sua disposição crítica”. Pouco menos de um ano depois. que estaria levando a imprensa a utopia. se choca contra o detalhamento em verbetes Essa mutação presume que todos os ele- específicos do próprio manual. então editor do ca- caria “encarar o fato com distanciamento e derno “Mais!”. algo brasileiro”.ubi. o tiva do fato para a crítica da sociedade 24 . de discussões realizadas no âmbito interno dade em jornalismo”. p.a ex- 24 periência do primeiro ombudsman da imprensa bra. muro caiu na cabeça da dona Maria e ela desde que cumpridos os preceitos da livre morreu debaixo de 35 tijolos. 1988. competição e da técnica. uma só ções de um mesmo fato. o que signifi. Ou seja. dação. resumia e radicalizava o que frieza”. o jornalismo não precisa. embora seja fórmula institucional (a democracia). extinguiram ou estão associados a ele ape- sível em seus nexos e articulações”. p. 117. Siciliano. Caio Túlio. Claudio Abramo. debate ideológico”. sileira. mentos morais ou transcendentes agregados Porém. esse projeto propõe. Daí a famosa definição de Caio vel novo jornalismo”. Companhia das Letras.bocc. com o objetivo nada modesto tos ao reconhecimento da influência da sub. Isto é um fato. mas que se propõe a enquadrar toda pótese de Claudio Abramo: diversidade étnica ou cultural num mesmo Existe o jornalista que só conta o fato: um modelo. Haverá outro jornalista que Nesse contexto. que ameaçava cair. já batizado como “fim da história”. da empresa. O relógio de Pascal .17/8/97. O Projeto Editorial 97 sintetizava a série O jornal admite que “não existe objetivi. mas que entretenimento. cava como consciência da realidade e fazia 23 Costa. o que. mas reno se recusou a gastar dinheiro e usou um “refiná-la e torná-la mais aguda num ambi. 110. mas atém os argumen. Como na hi- tanque. A regra do jogo. embora não com “apatia nem desin.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 9 só receita econômica (o mercado). presume que jeto editorial abre. Aí começa- ente que não é mais dicotômico. Sob o título “Admirá- teresse” 22 . que não exime o jornalista “da obrigação de em 27 de julho de 98. rável substituição pelo que chamou de publi- fissional” 23 . um pequeno artigo ser o mais objetivo possível”. redação e edição do texto). suporte ruim. no qual o se a se desenvolver o que se passa. ao comprometer o jornal com a ao jornalismo ao longo de sua história já se tarefa de “tornar a notícia mais compreen. de Alcino Leite Neto. nas como caricatura. o pro. 1991.pt . um aprofundamento da pauta. o jornalismo já não se alimenta dos valores uma brecha para a pluralidade de interpreta. pode estimular os jornalistas a buscar lização”. capaz de nos fazer caminhar embora incorporar mecanismos da publicidade e do sabendo que jamais a alcançaremos. Paulo. num fonte inesgotável de conflitos na própria re- mundo que tende inevitavelmente à “globa. de “organizar a experiência recente e apon- jetividade nos vários procedimentos (escolha tar perspectivas para o futuro do jornalismo do assunto. Pois não se trata de um sistema es.

) O “publijornalismo” só contesta. reira Gullar.. bem nifica isto para você? Tremendo cresci- a propósito.000 empregados exemplo prático dessa atitude “publijorna. www. Armando Costa e Fer- 25 Alcino Leite Neto. Opinião. (. Dezembro. além de estar em perfeito de- tes. que estreava na. A saída? Onde fica a saída? Grupo lismo”. Mas não genérica e imprecisa para se deter a corrida esqueçamos de que. Março. gico numa sociedade 25 . em plena guerra fria. 1951. cerca de meio século an- armamentista. numa indústria do sul da Califórnia. Mas devemos ressaltar que.ubi. rássemos a realidade como um dado. naquela mento da indústria eletrônica.a não ser que conside.S. p. Paulo. Os americanos explodem sua primeira Alcino ressalva que encarar a informação bomba de hidrogênio tecnicamente perfeita. Que sig- folhetins. Diante desses argumentos. Nos próximos anos quanto é absurda essa idéia de que o “novo” os efeitos financeiros da nova bomba con- jornalismo deixaria de influir numa deter.pt . a este artigo também nos ajuda a recordar. como seu antepassado (o jornalismo).. bém influindo numa determinada realidade Estamos fazendo experiências com bombas atômicas de vários tipos e tamanhos. A Bomba-H destruiu minada realidade . como produto não lhe retira o valor simbó. Stalin. a manchete: “Tire proveito da turbulência asiática”. que estará tam. mas implica que “o próprio conteúdo “A bomba de hidrogênio representa para o passou para a escala do consumo”. Revista U. são manutenção do investimento na indústria bé- duas concepções éticas diante da vida. 27/7/98. elucida ou investiga porque está vendendo No trecho abaixo. fornecia um dólares em salários. “Fracasso da Conferência de Cúpula: um quela segunda-feira e praticamente repetia tônico para o mercado” 26 . quaisquer temores de depressão”. Mas tem o valor de lidavam com a mesma lógica ao justificar a revelar que o que está em jogo. Bilhões de mesma edição de 27 de julho. mundo dos negócios um longo período de Talvez não seja o caso de demonstrar o grandes encomendas. 1967. tal. Rio de Janeiro. dade e entretenimento data pelo menos do Jornal Los Angeles Mirror News século passado. 2. os atores se revezam ao um melhor produto e vendendo a si mesmo anunciar as notícias: o tempo todo. jornais americanos sacordo com o mercado. e não “Na nação como um todo. Grande lística” diante do mundo: “Ganhe dinheiro alta!” com a crise asiática”. p. a manchete da Folha. tinuarão aumentando. 67-68.bocc. “Admirável novo jorna. ou cumprindo um papel cultural ou ideoló- 1954.News & World Report lico. com o sucesso popular dos “A Conferência de Cúpula falhou. Folha de S. e não porque julga. 110. lica. as autoridades uma construção social. Redigida num registro semidocumen- 26 Antonio Carlos Fontoura.10 Sylvia Moretzsohn da própria realidade um objeto que devia de. Nem de dizer que calculavam que entre um quarto e um terço de toda a atividade econômica gira em torno a “novidade” de juntar notícia com publici- das despesas militares”. a peça de teatro que forneceu a epígrafe cifrar”. A chamada remetia New York Times ao caderno “Folhainvest”. o “respeito ao gênero humano” é mesmo uma razão muito Cinismo pós-moderno? Talvez. de fato.

que “jornalismo é coisa séria demais para que o justificam e enaltecem a luta do indivíduo público se contente apenas em consumir no. Lima independência.bocc. que comprometeu a carreira do escri.. um “quarto poder” neutro. 78. pel da mídia na construção do mundo que ela formação.ubi. versão”. no lugar da solida- da sociedade moderna. Bernardo Kucinski analisa culos com os mais diferentes tipos de in- como a radicalização da idéia da notícia dústrias . A sín. Robert Hackett. mostrando que rente com as novas ideologias yuppies. conforme passa a buscar Barreto fez uma denúncia semelhante. em relação aos centros de poder”. de Balzac.28 o monopólio de poder exercido pelas monar. Por lismo e um espírito de competição de que o outro lado. drome da antena parabólica .das telecomunicações à produção como mercadoria interfere nas relações de de armas para o Pentágono . Fundação Perseu Abramo.p. No tabilidade por parte da empresa jornalística com a função de informar e ser um espaço Brasil.e. Fato que comprova não só a pertinência sua isenção. 107. mas é uma empresa privada. a imprensa foi vista riedade e da identidade de classe” (grifos como um recurso fundamental para romper nossos). pertencem a 27 . plantado e se instalaram os primeiros regi- mes liberais. blica.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 11 É assim que faz sentido o argumento de Projeto Folha seria o melhor exemplo. prensa brasileira. participando de outros ousadia. por exemplo. porém. obviamente. A imprensa logo se tornou ela prensa: ela desempenha uma função pú- mesma um instrumento de manipulação. No li- torção e corrupção política. assim. nos dá a conhecer todos os dias 29 . dis. passando a ter geral. eri- tícias”. ocultando o pa- belar as trevas da tirania pelas práticas da in. Contra o Estado autocrá. 29 1998. cano o jornalismo passou a ter um papel de- Sua lucratividade faz com que ela perca cisivo na condução da vida pública. sua obra foi submetida a um boicote ramos econômicos e. da fiscalização e da transparência. com o Estado e suas distintas políticas. cit. Pela maior rentabilidade. trabalho. ainda. Ressalte-se. E. interesses materiais que limitam ainda mais tor. o Absolutismo foi su. diz Emir Sader. procura reiterar a idéia de nais representavam as luzes que viriam de.pt . cruamente retra. por esse meio. visto pela tico que se escorava na força. contra seus companheiros de trabalho. p. grandes conglomerados que possuem vín- Finalmente. os jor. ao im- Nicolau Sevcenko sobre a indissociabilidade por “um padrão de relações de trabalho coe- entre política e imprensa. a situação estava longe de ser uma ambigüidade central cruza a grande im- luminosa. mas a coragem que ela exige prensa dos EUA. torna-se incompatível a busca de ren- tado nas Ilusões perdidas. que o “distanciamento quias absolutistas. op cit. Bernardo Kucinski. na censura e Folha como uma conquista da grande im- no segredo para submeter os súditos.) Quando.. traduzindo-se por um individua. aquela que mais cresce no mundo. mite.ética no jornalismo 28 brasileiro. Todos os grandes órgãos da im- de sua crítica. como (. art. gindo a competição e o sucesso profissional Desde os primeiros momentos de gestação como valores superiores. São Paulo. os grandes jor- nais passam a fazer parte da “indústria da di- 27 Nicolau Sevcenko in Bernardo Kucinski. www. quando no início do regime republi- minimamente democrático de debate.

. prática jornalística. assumindo-se como pa- de resumir o jornalismo a seu aspecto de ati. Desse modo. consumo. Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de 30 Emir Sader. mente chamou de “violinos a serviço da gas- rados pelas necessidades de obediência a exi. acaba vítima de seus próprios pressu.pt . mas não houve pe- personagens e com os valores que ela di. “seriam ne- cas e processos judiciais. praticado 31 Licínio Rios Neto. um modo de esquecer que o “campo” profissional é um campo de luta . a importância política do jornalismo e. 101-130. em relação aos quais se colocam ques- significativas. al. radigma de comportamento a disciplina e vidade industrial. ticos do jornalismo” 32 . 19. p. vulga” 30 . que teriam a função primordial de pro.luta desigual. a atitude questio- Enxergar o exercício profissional sob a ótica nadora que permanece em uma parcela dos da adequação entre meios e fins é uma forma próprios jornalistas. p. art. Hackett indica a necessi- chman chama significativamente de “rituais dade de mudança de paradigma (da “parci- estratégicos” definidores da prática profissi. “Apresentação” a Serge Halimi. 9.bocc. poderoso. Em outras palavras. op. apenas. É um modo de domesticar de ser vitorioso hoje não quer dizer que esse o ímpeto da crítica e justificar teoricamente discurso seja definitivo. “se quisermos onal. netração” 31 . “Ética. com seus estiveram com o ministro. Jornalistas pra quê . curso “técnico” das modernas empresas jor- nados (nos termos em que. o que obriga a reconhecer a exis- sificou de jornalismo amestrado. Assim. timidade “profissional”. tretanto. cessários critérios editoriais inteiramente no- Não que essas preocupações sejam pouco vos”. Janeiro.. Perceber o tagem de restituir ao “militante” a sua legi- jornalista estritamente como um “profissio. não por acaso. compreender suficientemente os papéis polí- teger corporativamente a categoria de críti. cit. por aqueles que “estiveram ontem com o mi. É. en- isso. menos uma evolução do que um re- postos.os pro- nistro. tronomia”. que é mais aquilo que Licínio Rios Neto certa vez clas. como observou Kucinski - 7 A reafirmação do jornalismo e desqualificar. mais grave. como “ideológica” e. não conseguindo romper o círculo torno a um ideal de profissão que teria a van- vicioso da análise formalista.ubi. gências administrativas como os prazos de Questionando os pressupostos básicos da fechamento e do estabelecimento do que Tu. com um estilo de vida. contrariando o dis- nal” obediente a procedimentos predetermi. por Essa mudança de paradigma significa. concentra-se funcionalidade daquilo que Licínio ironica- o foco da análise em torno dos problemas ge. 1989. Rio de Janeiro. in Chico Nelson et. por- como atividade política tanto. alidade” para a “ideologia”). mas essa perspectiva esquece tões ainda sem resposta. mas preferiram uísque nas pedras às fissionais diante da ética.. nalísticas defensoras de uma “objetividade” as empresas pretendem fazer) é um modo de que esconde o trabalho de produção do sen- reduzir sua importância e sua possibilidade tido da notícia. “antiprofissional”. p.12 Sylvia Moretzsohn com o comprometimento com um tipo de perguntas incômodas. 32 cit. Robert Hackett. Significa entender que o fato transformadora. www. nossa companheira”.

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