“Profissionalismo” e “objetividade”: o jornalismo na

contramão da política
Sylvia Moretzsohn
Universidade Federal Fluminense

Índice sentido da informação e na própria definição
do que é notícia.
1 Resumo: 1
2 Introdução 1 “Juiz: - Nome. Profissão.
3 O conhecimento relativizado 2 Homem: - Philip Duncan. Cientista.
4 A resistência do paradigma 3 Juiz: - Que razões alega para ser contra
5 As mudanças no perfil profissional 6 a construção da bomba de hidrogênio?
6 As mudanças na perspectiva empresa- Homem: - O respeito ao gênero humano.
rial 8 Juiz: - Seja mais objetivo.”
7 A reafirmação do jornalismo como ati- (A saída? Onde fica a saída?, de Antônio
vidade política 12 Carlos Fontoura,
8 Bibliografia: 13 Armando Costa e Ferreira Gullar, Grupo
Opinião, RJ, 1967).
1 Resumo:
2 Introdução
O texto discute o conceito de profissiona-
lismo na atividade jornalística, a partir da O discurso do “profissionalismo” costuma
crítica à noção de objetividade que costuma ser aceito automaticamente como algo posi-
orientar e legitimar o exercício profissio- tivo e inquestionável: quem é “profissional”
nal. Apresenta argumentos que desmisti- é “competente” (outra palavra que dispensa
ficam esse paradigma, procurando mostrar considerações; ninguém pergunta, “compe-
que o debate em torno do “bom jornalismo” tente para quê?”), “responsável”, “equili-
está deslocado, girando em torno de questões brado”, “justo”. Sem ser questionado, esse
técnicas que ocultam o caráter político da ati- discurso opera milagres. O principal deles
vidade. E conclui pela necessidade de se re- é certamente o de apagar a possibilidade da
tomar o tema em sua complexidade ideoló- discussão política, encobrindo, como toda
gica, que permita enxergar o exercício pro- ideologia, o próprio caráter ideológico que
fissional como um campo de luta, no qual es- lhe é inerente. A união de empresários e tra-
tão em jogo conflitos éticos que influem na balhadores em torno desse mesmo ideal é um
representação da profissão, na produção do desdobramento lógico desse milagre.

Embora ressalte a coerên- A crítica a esses dois discursos implica cia da crítica à fundamentação realista (me- a crítica ao próprio conceito de profissiona. o que implicaria a supressão do rios de edição. Isto quer dizer apenas que o conhecimento a revelar ambigüidades. Téc- nica. seu longo e minucioso estudo sobre a obje- nalismo” que se pode combater e limitar o tividade no jornalismo. p. representaria um “estelionato ético e social”. Dissertação de mestrado. uns argumentam com a “postura profissio. A partir daí. apud. agosto de reza submetida à interrogação dos homens” 1998 www. o processo de escolha que determina completa . respectivamente. prio discurso através do qual o jornalismo mete. Crítica da eco- jetividade na apreensão do objeto e mesmo o nomia política. “na ciência. científico informacional. a un tradicional de. 27-28 jetivo do mundo. Hucitec. 1 Desde Kant e. p. 1985 zia que. 2 Cf. liticamente esse conceito. o autor considera que. positivista) do conceito de ob- lismo e à concepção de objetividade que o jetividade. lidade”. Petrópolis. o objeto de investigação 3 Josenildo Guerra. parece clara a impossibili. Vozes. propósito do conhecimento: Heisenberg di. em primeiro lugar.subjetivi- o que sai e o que não sai no jornal e os crité. espaço e tempo .bocc. a notícia. No primeiro caso. pois nada cial da realidade. porque procura próprio conceito. não é a natureza em si mesma. Husserl Werner Heisenberg. Martins Fontes. dado “a partir de um imperativo ético que blema político e ético.pt .globalização e meio técnico- e Merleau-Ponty. São Paulo. pois responderia com uma fraude à demanda social por informações.e também impossível . dade total. Facom/UFBA. mas a natu. como já perceber. dada a importância da sub. o construcionismo acredita eliminar o que a questão está deslocada. É o que se pode é um trabalho de construção do real..2 Sylvia Moretzsohn 1 Mas a questão pode ser colocada de modo . ocultando o papel que prescreve a notícia como o discurso da rea- o jornalismo desempenha na construção so. no o demonstraram. Assim. 3 O conhecimento relativizado A conclusão decorre provavelmente da in- compreensão do sentido da crítica e do pró- Qualquer discussão sobre objetividade re. A construção social da re- alidade. objeto. construcionismo com o realismo na teoria do mação. lhor dizendo. poderia afirmar sobre os fatos que reporta. no qual confronta o poder da empresa na manipulação da infor.ubi. mais recentemente. conhecimento 3 . se apresenta. A objetividade no jornalismo. 1977. nesse pro- sustenta. 218. entre outros. teria de deixar de existir. dade de um conhecimento absolutamente ob. pretendemos mostrar cesso. São Paulo. Marx (o con- ainda incipiente debate brasileiro acerca do creto como “síntese de múltiplas determina- que deva ser o “bom jornalismo”: enquanto ções”) e Berger e Luckmann 2 . acreditando que é Josenildo Guerra parte dessa premissa em justamente através da defesa do “profissio. embora com algum esforço. fun- argumentos técnicos para enfrentar um pro. outros procuram utilizar po. as críticas à objetividade costumam ser vis- nal” para mascarar o modo de produção da tas como se propusessem o outro extremo. Karl Marx. Além do mais. Entretanto. conforme bate no campo da teoria do conhecimento. 1996. o jornalismo. Berger e Luckmann. Milton Santos.

Além de não atentar para a lógica de produ- dade) na apreensão do fato não constitui ar. Manu. sim. da subjetivi. Perspectiva. Gaye Tuchman. As- um discurso sobre a realidade. Univ. Entre o passado e o futuro. pois a existência do jornalismo como instituição quando se considera o noticiário de rádio e e seu enraizamento nas práticas sociais in.pt . ope- rada no início do século XVIII. apenas o texto. tem-se em mente menos que a Bélgica invadiu a Alemanha 4 . Lisboa. a discussão tual. fícil resposta (para os jornalistas) a que lhes tos que divulga . mas interagem para a produção de sentido. nada se diz sobre a “objetividade” de haverá vários discursos sobre a invasão da fotos e ilustrações. New tratégico: uma análise das noções de objetividade dos York. muito menos da edição. teorias e “estórias”. no caso da televisão. Além do mais. “The sociology of 6 news production revisited”. não se trata de eliminar o real: 4 A resistência do paradigma como observou Hannah Arendt. e essas interpreta. se fala em objetividade. também por apresentar-se como aquilo que não é. Assim. porém.. entre outros. p. São Paulo. The image . outro guide to pseudo-events in America. 1992. elidindo as mediações discursivas objetiva” e “notícia de análise” 6 . p. Vega. nem pode ser justificativa para que o sobre a objetividade no jornalismo não cos- historiador (o jornalista?) manipule fatos a tuma dar conta do processo como um todo. ção das notícias (aí incluídos os “eventos de gumento contra a existência da matéria fac. “A objectividade como ritual es- chael Gurevitch (orgs). (portanto. New York. Desse modo.a uma estrutura formal argumentativa. exatamente e locutores e. processo de seleção das informações ali con- jetividade presente no processo de apreen. ignorando-se não apenas o Trata-se. Texas. 85. Edward Arnold. Austin. Daniel Boorstin. TV é inevitável levar em conta os recursos fluenciam decisivamente o próprio apareci. 1992. Assim. em dois anos de pes- “neutro” definido pelo conceito de “quarto quisa. o gestos e expressão facial. Ressalte-se que essas observações dizem res- ções fazem toda a diferença.e que supostamente “falam solicitava uma distinção clara entre “notícia por si” -. mídia” definidos por Boorstin).bocc. Jornalismo: ques- facturing news. 1992 e Mark Fishman.ubi. e garante foros de “verdade” aos fa. no exemplo clássico. 1993. a necessi- dade da interpretação (portanto. Michael Schudson. seu bel-prazer. Vin. como o mediador dos por Tuchman. sem o qual a notícia não se realiza: quando tudo pode ser dito sobre a I Guerra Mundial. de demonstrar que a sub. in Nelson Traquina. Mass media and society. Entretanto. jornalistas”. que. 1990 tões. o status de notícia. Chaparro mostra que a divisão entre notí- cias (news) e comentários (comments). um com 5 Cf. a entonação de repórteres mento de eventos 5 . peito apenas ao jornalismo impresso. www. mas entre dois tipos de texto. 296 nião.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 3 dissemos. tidas mas o fato de que um jornal é um con- são dos fatos indica que o jornalismo não é junto de elementos verbais e não-verbais que o discurso da realidade (como diz ser). não represen- 4 tou uma separação entre informação e opi- Hannah Arendt. e efeitos sonoros. jornalismo consegue legitimar-se e assegurar Daí decorrem problemas como os aponta- seu lugar de autoridade. con- tage. in James Curran and Mi. com estrutura formal narrativa. identificou como a questão de mais di- poder”. Bélgica pela Alemanha. ideológicas) que dão a esses fatos Em seu estudo sobre gêneros jornalísticos.

nos anos 70. dos os procedimentos profissionais . Tchê. Impossível. Logos. “a proposta o exercício da profissão. 80. rente. utilizá-los politicamente indica que “as formas de imparcialidade e objetivi. a intermediação discursiva conceito de verdade extraído dos fatos com o entre sujeito e realidade através da lingua. objetividade e costuma ser encarada como Como. contra quem os quer silenciar. mostrar a tesoura. ao analisar o jornalismo televisivo. Ideologia e técnica da notícia. a matriz do pensamento da pauta. quando ções e a denúncia das fórmulas arcaicas de a atividade jornalística no Brasil estava sob 7 censura. a aceleração Não se pode esquecer que Lage escreveu seu do processo de produção e troca de informa. trópolis. mas se constrói com in. Santarém. como o próprio autor reconhece -. então. quem fala é quem os identifica como im- 8 Rogério Ferrer Koff. op cit. p. porém. “O problema da imparciali. na apresentação da “ver. p. Jortejo Edições.4 Sylvia Moretzsohn sidera falso o paradigma da objetividade para manipulação do texto”. forma de apresentá-los como “neutros” e. Assim.a partir Está aí. para que o leitor produzisse o seu Tal paradigma sobrevive. falar Vinculada à idéia de “imparcialidade”. conduziu os jornalistas a uma os meios de comunicação de massa masca. porque julgamento. 1998. Nilson Lage. p. Porto Ale. 126). portantes e os traduz como notícia). sim. circunstâncias. agora. “porque o jorna. talvez. Se raramente dade do noticário” constituem “uma parte essencial era possível divulgar a informação inconve- do trabalho ideológico da televisão” (Robert Hackett. p. Argumentar que “os fatos falam Manuel Chaparro. É a mesma abordagem de Hackett. Sotaques d’aquém e d’além mar . íntegro. as- Salvador. Nilson Lage considera. atitude de indagação e lhes deu. niente. prio ponto de equilíbrio. lógica (pois obviamente os fatos não falam. in Nelson Traquina. que.percursos e géneros do jornalismo português e por si”. 100. p. “o compro. entre as A explicação talvez esteja no contexto po- vantagens desse procedimento. livro durante a ditadura. por trás da qual se apresentasse o fato formações e opiniões” 7 . se. extraordinário poder de convencimento dos gem 8 . desenvolvendo um dade dos fatos”. Pe- gre. 26. misso com a realidade material. que trabalha com uma definição de que justifica a defesa da “objetividade” notícia tributária da teoria da informação. www.bocc.. o poder de buscar o seu pró- mitiria perceber. Vozes. apesar do que haja de contradição brasileiro.pt . próprios fatos” 10 . O segredo da pirâmide - 10 para uma teoria marxista do jornalismo. é uma dade e os limites da ética jornalística”. in Pauta Geral. 1979. em certas ram o processo de construção social que per. de uma linguagem absolutamente transpa- lismo não se divide. 1987. que. “fórmulas arcaicas”. inversamente. livre das na razão inversa de sua probabilidade ou pre. 97. hoje que o poder de cen- 9 Adelmo Genro Filho. lítico em que a proposição foi formulada. 1991. uma tal ficção poderia ajudar requisito básico para o exercício do “bom na formulação de ações concretas? jornalismo”. e da qual Adelmo Genro Filho se invisível. jetividade nos media noticiosos”. pelo menos obrigava-se o censor a “Declínio de um paradigma? A parcialidade e a ob. evidentemente - já realizou crítica contundente 9 . a de “linguagem absolutamente transparente”. Do mesmo modo. 24 ss. (e conseqüentemente do “profissionalismo”) gundo a qual a importância de um fato estaria contra a “manipulação”.ubi. modernizou-se: tornou- visibilidade. p. E esse paradigma procura regular to.

além do mais. baseada originalmente em moti. www. tamente relacionados e partilham as suas raí- dade social” 12 . art. op. jan. p. visto também tubro de 99 publicou uma revista especial so- como uma demanda dos jornalistas. tor lembra que essa oposição é ilusória. que em ou- Sobre o profissionalismo. um dos arti- no The Wall Street Journal e no alemão Süddeutsche gos ressalta que os jornais sistematicamente Zeitung. fidelidade dos profissionais às suas normas tas usam o “profissionalismo” contra o “co. deontológicas leva-os a entrar em conflito mercialismo”.às mãos argumenta que. um centro de esportes e 11 entretenimento. com os objetivos e os procedimentos dos gleses e americanos referem-se a essas pres. 1998. o tom da processos de difamação evitados” 13 . London. 11). 1977. cit. zes históricas” 14 . 93. “para muitos estudiosos do dos empresários. uma séria preocupação em elas não identificam conflitos ideológicos no atender à racionalidade industrial da produ. in Nelson Traquina. Na edição do caderno especial 10. “O jornalismo e o profissiona- Tavistock. 78. Tuchman afirma que Um dos problemas dessas análises é que há. se todos os re. sem informar aos jornalistas No artigo “Jornalismo Disney . interior das redações. uma vez que “apa- ção operada na apreensão do sentido da ob.pt . 12 Steve Chibnall. Por outras palavras. a sões de mercado e sustentam que os jornalis. No caso americano. cado que estão manifestos na idéia do ser- blico heterogêneo sem alienar nenhum seg. os prazos serão respeitados e os tores e repórteres. Foi esse. cit. tico”. no endimento. aliás. Renato Pompeu expôs alguns publicado em 20 de dezembro com a versão desses interesses. estúdios pagam ‘repor- e ao público que o jornal era sócio do empre- tagens’ que podem virar filmes” (Caros Amigos.redes de varejo decidem o que pode circular. tem fortes componentes antilucro e antimer- vos comerciais (“servir politicamente um pú. o au- mento significativo”) e que depois se torna. Ao contrário. Law-and-order news . rentemente.ou melhor. mentos das organizações comerciais buro- agir aos interesses comerciais que cada vez cráticas levarão inevitavelmente ao conflito mais se impõem 11 . p. lismo: alguns constrangimentos no trabalho jornalís- 13 Tuchman. Chibnall aponta a transforma.ubi. nalismo e do capitalismo. o que estaria a indicar uma incom- mar e demarcar seu espaço profissional. No entanto.an analy- 14 sis of crime reporting in the British Press. a defesa ção da notícia e evitar processos judiciais. “rebelião” no Los Angeles Times. defender a “objetividade” e profissionalismo. a ideologia do profissionalismo jetividade. que ado- de um modo descomprometido. p. viço para a sociedade”. John Soloski. Soloski bre o Staples Center. patibilidade entre as ideologias do profissio- tando Carey. a pressões comerciais (e políticas) externas e pórteres reunirem e estruturarem os ‘fatos’ estranhas ao trabalho da imprensa. pois ria um cânone de competência profissional e “profissionalismo e capitalismo estão estri- fundamentaria a “ideologia da responsabili. a partir de reportagens publicadas dos jornalistas sobre o episódio. Estudos sociológicos in.bocc. mercial”. Ci.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 5 sura passou . no que seria uma estratégia de com intuitos lucrativos da organização co- defender a objetividade como forma de afir.. os objetivos e os procedi- o “profissionalismo” seria uma forma de re. retornou . seus profissionais. do profissionalismo é vista como uma reação Os jornalistas “defendem que. imparcial e taria princípios compartilhados tanto por edi- impessoal.

Chico Nelson et al. 17 .6 Sylvia Moretzsohn cospem no prato em que comem (oferecido velam suas estratégias para fazer passar in- pelos anunciantes) devido ao seu “compro. Rio o cargo de executivo-chefe da rede Times Mirror Co. “Journalism is a very different bu. profissão: passageiro lição para a mídia”. Além disso.ubi. lançavam à “aventura da reportagem” (não nalismo americano é pródigo de exemplos por acaso. 1989. e reitera a necessi.. e não enxerga conflitos ideológicos in. polis. Na que representavam. “Rebelião na redação é Márcia Lisboa. hierárquicas de cada um 18 . ex-executivo de uma rede de cereais. mas podem (grifos nossos). tico.pt . Serge. tos”. Os novos cães de guarda.os profissionais diante da ética. dando no país.here is why”. independentemente dos cargos que ocu. função se revestia de um sentido iluminista e lidade da informação que chega ao público mesmo revolucionário. 20/12/99. No Brasil..os repórteres e editores . não revelam necessariamente uma ambição sentem que devem sua lealdade básica não por ascensão profissional pura e simples (de aos anunciantes nem à empresa . começam a se tornar popu. Jornalista. Sindicato dos Jornalistas Profissionais do da qual o LA Times é a principal publicação Município do Rio de Janeiro. misso com o público”. foi capaz de seduzir gerações que se traprofissionais. evidenciando conflitos no interior da profis- dade de preservação da linha divisória entre são. Em sua dissertação de mes- trado 19 . formações contrárias à orientação da pauta. repórter) e se orgulhavam do papel social cessariamente num mesmo sentido 16 . ECO-UFRJ. entre outros. reforça a A imagem do jornalista como um profissi- concepção corporativa em torno dos jornalis.o jornal . para ocupar tas pra quê? . No entanto. o próprio jor. conforme (mas não apenas) as posições a área editorial e o departamento comercial. mas aos princípios básicos do jornalismo” editor conservador de amanhã). militante e a desistência do ideal de mudar o O “Staplesgate”. edição eletrônica do Observatório . do desafio de descobrir França. Vozes. foi o auge de 18 uma crise que se instalou com a entrada de Mark Wil. No entanto. lista de hoje o progressivo abandono da aura siness . como ficou conhecido. o perfil profissional vem mu- lares os depoimentos de repórteres que re. de Janeiro. Cf. Petró. in Los Angeles Times. acreditando que sua econômico) e suas conseqüências para a qua. Conflitos que “A área editorial . modo que o repórter crítico de hoje será o . 1998 1994. Argemiro Ferreira.15 indicar mesmo o desejo de afirmação de um Essa perspectiva remete ao sentido pú. Dissertação 17 Halimi. de mestrado em Comunicação e Cultura. onal comprometido com “a verdade dos fa- tas. baseados no conceito clássico da im- prensa como “quarto poder”. blico e à “responsabilidade social” da ativi- dade. título de livro de um famoso de que “editores e repórteres” não agem ne. à parte o que tinha de ilusório e român- pam. Jornalis- les. e considera 5 As mudanças no perfil possível preservar a prática jornalística dos profissional vínculos econômicos e políticos estabeleci- dos pela empresa.. 20 de novembro de 99 cia na grande imprensa brasileira atual. Serge Halimi aponta a conivência de segredos do poder (e dos micropoderes) e jornalistas famosos com o poder (político e anunciá-los ao público. jornalismo a serviço das mudanças sociais.bocc. Márcia Lisboa identifica no jorna- 15 David Shaw. www.as relações de trabalho dos profissionais da notí- da Imprensa. 16 19 Cf.

mostrando como a cação “arcaico” é arbitrária e traz em si uma atividade teria mudado nos últimos 10 anos. o ex-presidente Collor -. que a qualifi. e que pode assumir tanto quatro páginas que dedicou ao assunto. a do presidente da e que a chamada postura “profissional”. de cia nota que os empresários apreciam essa Mario Sergio Conti. de economia. que apa. conotação negativa. radas para a tarefa de apurar e relatar os fa- ção sutil. discutido e enquadrado do rece como o único modo de produção possí. nem antônimo de profissionalismo oportunidade para demonstrar que o discurso . a notícia cada vez mais é as. jornais e revistas ria correspondente. 27 de novembro de 99. lar de política.ao contrário. tos ou patrulhamento dos defensores desta fissionalismo” contra a manipulação uma es. bastidores da imprensa em sua relação com nhada pela remuneração salarial que lhe se. Queremos ape- que militância não é ação exclusiva da es. embora ainda mantenha certas carac. O grande marco dessa aceitá-lo é praticamente condenar-se ao de- nova realidade seria a descaracterização dos semprego. em segundo. graças tratégia pouco eficaz. nas realçar como esse episódio forneceu uma querda. sunto era visto. em um caráter progressista quanto conservador. desagravo a si próprios. de intervir das as entrevistas publicadas pelo Globo nas sobre a realidade. na acepção mos a seguir. A reação ao livro Notícias do Planalto. De to- a atitude deliberada. que encobre as seus antecessores.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 7 mundo para tornar-se um profissional (grifo vem conquistando os jovens que ingressam nosso). ou daquela visão do mundo. que preserva a mística da “mis.pt . sumida como mercadoria. deve ser considerada como do profissionalismo serve à empresa. tornando-se mais “profissional” e “objetiva”. é quem expli- assim sem considerandos. corrobora essa análise: ao di- são”. porque. não importa se pela eficácia terísticas “arcaicas” (palavras dela). e também melhor prepa- relações de poder e “justifica” a manipula. Não se podia fa- vel.bocc. nem no sentido dessa reação. no mérito do livro não se disse que o velho se veste de novo?). por oposição à positivi. dita editora Abril. como a do discurso ou pela percepção de que não paixão pela profissão. jornalistas estão menos polarizadas do que curso vitorioso da técnica. aqui. porém.pois o livro prometia desvendar os brança do “profissionalismo” não é acompa. como vere. lançado em fins de no- mudança. negócios e até Essas transformações que se operam hoje entretenimento sem esbarrar nos preconcei- tornam a defesa da “objetividade” e do “pro. da qual tiram proveito para manter e vulgarem aquilo que previam ser um sucesso até aumentar seus lucros. em boa parte ao fracasso do modelo comu- porque o profissionalismo é uma palavra-de. de modo que a co. apressaram-se a editar matérias e artigos em É preciso ressaltar. talvez www.ubi. editorial . Roberto Civita. encobre o fato de cita melhor essa questão: que esse “profissionalismo” corresponde a Lembro dos tempos em que qualquer as- um determinado modo de produção. Em primeiro lugar. ponto de vista ideológico. exata da palavra (grifos nossos). vembro de 99. Hoje. na profissão. amparado no dis. Esse pensamento A “acepção exata” não é definida. as novas gerações de ordem do empresariado. e legítima. tos com maior profissionalismo. confrontos entre jornalistas e patrões. nista no planeta inteiro. Már. dade do “moderno” (mas quantas vezes já Não vamos entrar.

serve como serem tratadas com rigor técnico”. em 1984. neiro. cação com informações. Ou porque é “evi. . porque suas categorias de per.que. entre delo.no re- consenso. Por isso. torna-se uma entidade ele respondia: “é evidente”. publi- mudanças de política editorial pelas quais cado em duas páginas no caderno principal a Folha passou são representativas dos dois de um domingo. No Brasil.e. Sobre a televisão. nal que “se enraíza nas forças de mercado e construindo uma racionalidade própria para adota uma atitude de independência em face o desempenho dessa atividade nos moldes a grupos de poder”. a Folha se nota- ças ocorridas no mundo. 1994. na qual sedimenta bilizou por privilegiar aquilo que passou a a idéia do mercado como regulador da ativi- ser conhecido como “jornalismo de autor”. que chegou ao auge edades procuram se aproximar de seu mo- com a adesão à campanha das diretas.ubi. carregada de emoções. Eu lhe perguntava: “por que coloca isto quando conquista a confiança e atrai as ex- em primeiro lugar e aquilo em segundo?” E pectativas do público. essa estratégia se reorientou a partir do Projeto Folha. Summus. 91-92. como notou Pierre Bourdieu ao en.bocc. que “um jornal não é só um produto a ser ge- via na evidência total”. Paulo tem se desta- Em seu último manual de redação. o Projeto Editorial 97. renciado com mais ou menos competência. con- A dualidade política foi substituída por um seqüentemente. quando se inaugurou a “era 6 As mudanças na perspectiva dos manuais”. entretanto. E deixa claro que “con- capitalistas. ção da intervenção do profissional . 1997. Rio de Ja. resultando no enquadramento empresarial ou na exclusão de repórteres e desencade- ando uma busca obsessiva pela objetividade. p. a Folha se apresenta como um jor- explicitamente o jornalismo como negócio. Manuel Chaparro. nal foi uma brilhante estratégia de marketing dente”. www. ali- por essa razão que ele ocupava o lugar onde mentando processos complexos de comuni- estava. Além do mais. E é sem dúvida social e cultural. dade jornalística e das próprias ações huma- expressão que procurava mostrar a valoriza- nas. há uma 1983 e 1984. de cado como a primeira empresa que assumiu 1992. isto é. procurando justificar-se anteriormente. as próprias anos depois.36. 20 21 Pierre Bourdieu. a Folha de S. da sua subjetividade . através de uma análise das recentes mudan- No início dos anos 80. Com pouca variação de grau. Seja como for. rei- modelos de jornalismo a que nos referimos tera essas premissas.pt . e dado o sucesso mer- sidera notícias e idéias como mercadorias a cadológico de sua empreitada. análises e opiniões cepção estavam ajustadas às exigências ob. 20 de povos e nações 21 .8 Sylvia Moretzsohn porque seja conveniente insinuar que há um Já se disse que esse engajamento do jor- consenso sobre o assunto. Praticava um jornalismo ex- predomínio ao mundo. Cinco padrão de análise. Uma só superpotência impôs seu lato dos fatos. São Paulo. p. teve a vantagem de provar trevistar um diretor de programação que “vi. 17 de agosto de 1997. Jorge Zahar. que podem contribuir para mudar os rumos jetivas. Pragmática do jornalismo. quase todas as soci- plicitamente militante.

Claudio Abramo. capaz de nos fazer caminhar embora incorporar mecanismos da publicidade e do sabendo que jamais a alcançaremos. O Projeto Editorial 97 sintetizava a série O jornal admite que “não existe objetivi. Isto é um fato. p.a ex- 24 periência do primeiro ombudsman da imprensa bra. ainda que indiretamente. pode estimular os jornalistas a buscar lização”. 1991.bocc.17/8/97.19. um pequeno artigo ser o mais objetivo possível”. o jornalismo não precisa. 1988. superiores por meio dos quais ele se colo- 22 Folha de S. mentos morais ou transcendentes agregados Porém. Sob o título “Admirá- teresse” 22 . Como na hi- tanque. ao comprometer o jornal com a ao jornalismo ao longo de sua história já se tarefa de “tornar a notícia mais compreen. p. embora seja fórmula institucional (a democracia). mas atém os argumen. o que. o que signifi. afirmava a morte do Túlio Costa: “objetividade jornalística é uma jornalismo tradicional e sua lenta mas inexo- balela mas aproximar-se dela é dever do pro. que ameaçava cair. Daí a famosa definição de Caio vel novo jornalismo”. Siciliano. mas que se propõe a enquadrar toda pótese de Claudio Abramo: diversidade étnica ou cultural num mesmo Existe o jornalista que só conta o fato: um modelo. A regra do jogo. muro caiu na cabeça da dona Maria e ela desde que cumpridos os preceitos da livre morreu debaixo de 35 tijolos. redação e edição do texto). Pouco menos de um ano depois. O relógio de Pascal . embora não com “apatia nem desin. Ou seja. uma só ções de um mesmo fato. esse projeto propõe. www. extinguiram ou estão associados a ele ape- sível em seus nexos e articulações”. 110. nas como caricatura. competição e da técnica. de Alcino Leite Neto. Definição cara à imagem da jornalismo. da empresa.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 9 só receita econômica (o mercado). no qual o se a se desenvolver o que se passa. mas reno se recusou a gastar dinheiro e usou um “refiná-la e torná-la mais aguda num ambi. já batizado como “fim da história”. mas que entretenimento. num fonte inesgotável de conflitos na própria re- mundo que tende inevitavelmente à “globa. se choca contra o detalhamento em verbetes Essa mutação presume que todos os ele- específicos do próprio manual. da narra- debate técnico substituiu. dação.pt . Companhia das Letras. de “organizar a experiência recente e apon- jetividade nos vários procedimentos (escolha tar perspectivas para o futuro do jornalismo do assunto. p. cava como consciência da realidade e fazia 23 Costa. o tiva do fato para a crítica da sociedade 24 . um aprofundamento da pauta.ubi. com o objetivo nada modesto tos ao reconhecimento da influência da sub. algo brasileiro”. que não exime o jornalista “da obrigação de em 27 de julho de 98. Pois não se trata de um sistema es. suporte ruim. puro e simples. presume que jeto editorial abre. rável substituição pelo que chamou de publi- fissional” 23 . Haverá outro jornalista que Nesse contexto. 117. então editor do ca- caria “encarar o fato com distanciamento e derno “Mais!”. resumia e radicalizava o que frieza”. em boa medida. o jornalismo já não se alimenta dos valores uma brecha para a pluralidade de interpreta. dirá que o muro caiu porque o dono do ter- ria “aplacar a sua disposição crítica”. debate ideológico”. o pro. Aí começa- ente que não é mais dicotômico. Paulo. que estaria levando a imprensa a utopia. Caio Túlio. São Paulo. São Paulo. de discussões realizadas no âmbito interno dade em jornalismo”. sileira.

A Bomba-H destruiu minada realidade . “Fracasso da Conferência de Cúpula: um quela segunda-feira e praticamente repetia tônico para o mercado” 26 .bocc.. 67-68. Stalin. Dezembro.) O “publijornalismo” só contesta. cerca de meio século an- armamentista.News & World Report lico. as autoridades uma construção social. p. p. 110. Mas não genérica e imprecisa para se deter a corrida esqueçamos de que. quaisquer temores de depressão”. Bilhões de mesma edição de 27 de julho.S. 27/7/98. reira Gullar. bem nifica isto para você? Tremendo cresci- a propósito. Diante desses argumentos. que estará tam. a manchete: “Tire proveito da turbulência asiática”. Paulo. Armando Costa e Fer- 25 Alcino Leite Neto. Opinião.pt .10 Sylvia Moretzsohn da própria realidade um objeto que devia de. rássemos a realidade como um dado. gico numa sociedade 25 . Nem de dizer que calculavam que entre um quarto e um terço de toda a atividade econômica gira em torno a “novidade” de juntar notícia com publici- das despesas militares”. Que sig- folhetins. bém influindo numa determinada realidade Estamos fazendo experiências com bombas atômicas de vários tipos e tamanhos. 1951. 2. que estreava na. e não porque julga. naquela mento da indústria eletrônica. A saída? Onde fica a saída? Grupo lismo”. dade e entretenimento data pelo menos do Jornal Los Angeles Mirror News século passado. tinuarão aumentando. Revista U. www. lica. jornais americanos sacordo com o mercado. ou cumprindo um papel cultural ou ideoló- 1954. mas implica que “o próprio conteúdo “A bomba de hidrogênio representa para o passou para a escala do consumo”. fornecia um dólares em salários. Rio de Janeiro. em plena guerra fria. e não “Na nação como um todo. a manchete da Folha. Grande lística” diante do mundo: “Ganhe dinheiro alta!” com a crise asiática”. com o sucesso popular dos “A Conferência de Cúpula falhou.000 empregados exemplo prático dessa atitude “publijorna. 1967. “Admirável novo jorna. como produto não lhe retira o valor simbó. são manutenção do investimento na indústria bé- duas concepções éticas diante da vida. Mas devemos ressaltar que. Nos próximos anos quanto é absurda essa idéia de que o “novo” os efeitos financeiros da nova bomba con- jornalismo deixaria de influir numa deter. de fato. como seu antepassado (o jornalismo).ubi. Mas tem o valor de lidavam com a mesma lógica ao justificar a revelar que o que está em jogo. os atores se revezam ao um melhor produto e vendendo a si mesmo anunciar as notícias: o tempo todo. além de estar em perfeito de- tes. mundo dos negócios um longo período de Talvez não seja o caso de demonstrar o grandes encomendas. a este artigo também nos ajuda a recordar. A chamada remetia New York Times ao caderno “Folhainvest”. a peça de teatro que forneceu a epígrafe cifrar”. Redigida num registro semidocumen- 26 Antonio Carlos Fontoura. (. numa indústria do sul da Califórnia. tal. elucida ou investiga porque está vendendo No trecho abaixo.. Os americanos explodem sua primeira Alcino ressalva que encarar a informação bomba de hidrogênio tecnicamente perfeita. Março.a não ser que conside. o “respeito ao gênero humano” é mesmo uma razão muito Cinismo pós-moderno? Talvez. Folha de S.

Fundação Perseu Abramo.) Quando. a imprensa foi vista riedade e da identidade de classe” (grifos como um recurso fundamental para romper nossos). mas a coragem que ela exige prensa dos EUA. Contra o Estado autocrá. que o “distanciamento quias absolutistas. 29 1998.“Profissionalismo” e “objetividade”no jornalismo 11 É assim que faz sentido o argumento de Projeto Folha seria o melhor exemplo. Bernardo Kucinski analisa culos com os mais diferentes tipos de in- como a radicalização da idéia da notícia dústrias . conforme passa a buscar Barreto fez uma denúncia semelhante. dis. ocultando o pa- belar as trevas da tirania pelas práticas da in. art. São Paulo. p. os jor.28 o monopólio de poder exercido pelas monar. grandes conglomerados que possuem vín- Finalmente. plantado e se instalaram os primeiros regi- mes liberais. Por lismo e um espírito de competição de que o outro lado.e. A sín. interesses materiais que limitam ainda mais tor. gindo a competição e o sucesso profissional Desde os primeiros momentos de gestação como valores superiores. assim. Lima independência. com o Estado e suas distintas políticas. por exemplo. cit. mostrando que rente com as novas ideologias yuppies. Fato que comprova não só a pertinência sua isenção. da fiscalização e da transparência. No li- torção e corrupção política. participando de outros ousadia. ainda. traduzindo-se por um individua. prensa brasileira. na censura e Folha como uma conquista da grande im- no segredo para submeter os súditos. procura reiterar a idéia de nais representavam as luzes que viriam de. obviamente. eri- tícias”.das telecomunicações à produção como mercadoria interfere nas relações de de armas para o Pentágono . que “jornalismo é coisa séria demais para que o justificam e enaltecem a luta do indivíduo público se contente apenas em consumir no. No tabilidade por parte da empresa jornalística com a função de informar e ser um espaço Brasil.. os grandes jor- nais passam a fazer parte da “indústria da di- 27 Nicolau Sevcenko in Bernardo Kucinski. passando a ter geral. Todos os grandes órgãos da im- de sua crítica. pel da mídia na construção do mundo que ela formação. no lugar da solida- da sociedade moderna. Bernardo Kucinski. 78. cruamente retra. E.ética no jornalismo 28 brasileiro. torna-se incompatível a busca de ren- tado nas Ilusões perdidas. visto pela tico que se escorava na força. ao im- Nicolau Sevcenko sobre a indissociabilidade por “um padrão de relações de trabalho coe- entre política e imprensa.pt . trabalho. a situação estava longe de ser uma ambigüidade central cruza a grande im- luminosa. drome da antena parabólica .. www. cano o jornalismo passou a ter um papel de- Sua lucratividade faz com que ela perca cisivo na condução da vida pública. 107. de Balzac. por esse meio. porém.p. sua obra foi submetida a um boicote ramos econômicos e. op cit. mite. o Absolutismo foi su. aquela que mais cresce no mundo. blica. versão”. quando no início do regime republi- minimamente democrático de debate. Pela maior rentabilidade.bocc. como (. que comprometeu a carreira do escri. Ressalte-se. diz Emir Sader. pertencem a 27 . em relação aos centros de poder”.ubi. contra seus companheiros de trabalho. Robert Hackett. nos dá a conhecer todos os dias 29 . mas é uma empresa privada. A imprensa logo se tornou ela prensa: ela desempenha uma função pú- mesma um instrumento de manipulação. um “quarto poder” neutro.

por aqueles que “estiveram ontem com o mi. ticos do jornalismo” 32 . não por acaso. prática jornalística. Janeiro. “seriam ne- cas e processos judiciais. alidade” para a “ideologia”). Jornalistas pra quê . 32 cit. com um estilo de vida. a atitude questio- Enxergar o exercício profissional sob a ótica nadora que permanece em uma parcela dos da adequação entre meios e fins é uma forma próprios jornalistas. timidade “profissional”. netração” 31 . cessários critérios editoriais inteiramente no- Não que essas preocupações sejam pouco vos”. vulga” 30 . 1989. Significa entender que o fato transformadora. por Essa mudança de paradigma significa. curso “técnico” das modernas empresas jor- nados (nos termos em que. Rio de Janeiro.bocc. como observou Kucinski - 7 A reafirmação do jornalismo e desqualificar. que é mais aquilo que Licínio Rios Neto certa vez clas. art. um modo de esquecer que o “campo” profissional é um campo de luta . mas não houve pe- personagens e com os valores que ela di. menos uma evolução do que um re- postos. É um modo de domesticar de ser vitorioso hoje não quer dizer que esse o ímpeto da crítica e justificar teoricamente discurso seja definitivo.. mas preferiram uísque nas pedras às fissionais diante da ética. p. “se quisermos onal. poderoso.. al. concentra-se funcionalidade daquilo que Licínio ironica- o foco da análise em torno dos problemas ge. Em outras palavras. www. 101-130.os pro- nistro. apenas. 9. como “ideológica” e.12 Sylvia Moretzsohn com o comprometimento com um tipo de perguntas incômodas. mente chamou de “violinos a serviço da gas- rados pelas necessidades de obediência a exi. compreender suficientemente os papéis polí- teger corporativamente a categoria de críti. mais grave. nossa companheira”. por- como atividade política tanto. cit. É. Assim. Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de 30 Emir Sader.pt . assumindo-se como pa- de resumir o jornalismo a seu aspecto de ati. gências administrativas como os prazos de Questionando os pressupostos básicos da fechamento e do estabelecimento do que Tu. en- isso. que teriam a função primordial de pro. Perceber o tagem de restituir ao “militante” a sua legi- jornalista estritamente como um “profissio. praticado 31 Licínio Rios Neto. radigma de comportamento a disciplina e vidade industrial. mas essa perspectiva esquece tões ainda sem resposta. tretanto. em relação aos quais se colocam ques- significativas. “antiprofissional”.luta desigual. in Chico Nelson et. op.. acaba vítima de seus próprios pressu. consumo. Hackett indica a necessi- chman chama significativamente de “rituais dade de mudança de paradigma (da “parci- estratégicos” definidores da prática profissi. com seus estiveram com o ministro. Desse modo.ubi. 19. nalísticas defensoras de uma “objetividade” as empresas pretendem fazer) é um modo de que esconde o trabalho de produção do sen- reduzir sua importância e sua possibilidade tido da notícia. contrariando o dis- nal” obediente a procedimentos predetermi. o que obriga a reconhecer a exis- sificou de jornalismo amestrado. “Ética. a importância política do jornalismo e. não conseguindo romper o círculo torno a um ideal de profissão que teria a van- vicioso da análise formalista. p. tronomia”. “Apresentação” a Serge Halimi. Robert Hackett. p.

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