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1.

INDÚSTRIA PETROLÍFERA ATUAL E SUA NORMATIZAÇÃO PARA


EXPLORAÇÃO OFFSHORE.

A industria de Petróleo e Gás no Brasil, passa por uma fase de grande desafios,
consequentemente por uma fase de investimentos para melhorias em processos, que segundo
(PwC, 2014) o Governo Federal estima-se que US$400 bilhões serão investido em
equipamento e serviços, expansão e manutenção da produção até 2020. Com todo esse
investimento o Brasil teria um aumento significativo no seu PIB que passaria de 12% em
2014 para 20% em 2020.

Na industria de petrolífera as atividade de Exploração e Produção (E&P) de Petróleo e


Gás Natural (P&G) são divididas em três segmentos (upstream, midstream e downstream). O
upstream engloba as atividades de investigação para identificação de jazidas petrolíferas,
perfuração, exploração das reservas de interesse econômico. Esta atividade pode ser em
campos onshore – em terra e offshore – em mar. Segundo (SANTOS SILVA, 2012), o
midstream, compreende as atividades de refino e seus processos operacionais responsáveis
pelo fracionamento do petróleo em diferentes derivados e subprodutos. Resumidamente, é
nessa etapa onde ocorre a transformação da matéria-prima. Por fim, no segmento
downstream, faz-se referência à logística da produção, incluindo transporte, distribuição e
comercialização de derivados, a partir da refinaria ou de portos internacionais de importação
até os pontos de consumo.

Atualmente o Brasil se destaca pela produção e exploração offshore em águas profundas


ou ultra profundas. Segundo estimativas preliminares da (Coppe/UFRJ, 2014), o país tem
condições de expandir suas reservas em 55 bilhões de barris com a exploração do pré-sal,
assim até 2020 ocupar a 8º colocação no ranking mundial de reservas de petróleo. A
exploração offshore é muito mais complexa e considera de alto impacto ao meio ambiente.

A atividade offshore por ser praticada a longa distância da costa terrestre, requer de
necessidades especiais para um bom desemprenho. Serviços médico, geração de energia,
hotelaria, restaurante, área de lazer, etc... Todos esses serviços produzem inúmeros resíduos,
que podem ser desde um resíduo reciclável até um resíduo altamente perigoso, gerados pela
exploração, produção e a população que habitam a plataforma.

A exploração offshore no Brasil conforme resolução nº 237/97 do CONAMA (Conselho


Nacional do Meio Ambiente) é regulamentada ambientalmente pelo IBAMA (Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), as licenças para
exploração e produção marítima são concedidas pelo órgão, estas são de: Petróleo e Gás –
Aquisição; Petróleo e Gás – Perfuração e Petróleo e Gás – Produção. Para receber as licenças
para operações, as empresas devem obedecer às normas estabelecida por este órgão que é de
âmbito federal. A seguir as principais notas técnicas.

Nota Técnica nº 05/2009 - Apresenta os impactos ambientais decorrentes das atividades de


CGPEG/Dilic/Ibama perfuração marítima em águas oceânicas (considerando-se, no
licenciamento da atividade de perfuração marítima, o limite acima de 50
km de distância da costa ou profundidade maior que 1000 m).

• Nota Técnica nº 01/2010 - Programas de Educação Ambiental. Diretrizes para a elaboração,


CGPEG/Dilic/Ibama execução e divulgação dos programas de educação ambiental
• Alterações desenvolvidos regionalmente, nos processos de licenciamento ambiental
dos empreendimentos marítimos de exploração e produção de petróleo e
gás.

Nota Técnica nº 01/2011 - Diretrizes para apresentação, implementação e para elaboração de


CGPEG/Dilic/Ibama relatórios, nos processos de licenciamento ambiental dos
empreendimentos marítimos de exploração e produção de petróleo e
gás.

• Nota Técnica nº 07/2011 - Projeto de Controle da Poluição. Resíduos sólidos das atividades de
CGPEG/Dilic/Ibama Exploração e Produção de petróleo e gás em bacias sedimentares
• Apêndice 1 - Pesquisa sísmica marítimas do Brasil no ano de 2009 – Consolidação dos resultados da
• Apêndice 2 - Perfuração Nota Técnica CGPEG/Dilic/Ibama n° 08/08.
• Apêndice 3 - Produção e
escoamento
• Apêndice 4 - Texto padrão

Nota Técnica nº 04/2012 - Cadastro de Unidades Marítimas de Perfuração


CGPEG/Dilic/Ibama (CADUMP). Implementação e manutenção.

Nota Técnica nº 06/2012 - Esclarecimentos técnicos sobre a determinação da Capacidade Efetiva


CGPEG/Dilic/Ibama Diária de Recolhimento de Óleo (CEDRO).

Nota Técnica nº 08/2012 - Manual de procedimentos para vistorias de embarcações de emergência


CGPEG/Dilic/Ibama e de pesquisa sísmica e de plataformas de perfuração e de
produção. Diretrizes para a realização de vistorias e aprovação de
embarcações utilizadas para pesquisas sísmicas, embarcações de
suporte às atividades de produção, embarcações de resposta a
emergência participantes dos Planos de Emergência Individual (PEI),
dos Planos de Emergência para Vazamento de Óleo (PEVO) e das
plataformas de perfuração e de produção nos processos de
licenciamento ambiental dos empreendimentos marítimos de exploração
e produção de petróleo e gás natural.

Nota Técnica nº 02/2013 - Tabela única de informações para PEI e PEVO. Diretrizes para a
CGPEG/Dilic/Ibama apresentação da Tabela Única de Informações para Planos de
Emergência Individual (PEIs) e Planos de Emergência para Vazamento
de Óleo (PEVOs) das plataformas de perfuração e de produção nos
processos de licenciamento ambiental dos empreendimentos marítimos
de exploração e produção de petróleo e gás natural.

Nota Técnica nº 03/2013 - Diretrizes para aprovação dos Planos de Emergência Individual (PEIs),
CGPEG/Dilic/Ibama nos processos de licenciamento ambiental dos empreendimentos
marítimos de exploração e produção de petróleo e gás natural.

• Nota Informativa nº 02/2013 - Emissões de gases de efeito estufa. Procedimentos adotados e


CGPEG/Dilic/Ibama perspectivas em relação aos impactos ambientais das emissões de gases
• Anexo de efeito estufa nos empreendimentos marítimos de exploração e
produção de petróleo e gás.

• Nota Técnica nº Apresenta o Guia para elaboração do Projeto de Monitoramento de


02022.000089/2015-76 - Impactos de Plataformas e Embarcações sobre a Avifauna (PMAVE),
CGPEG/Dilic/Ibama nos processos de licenciamento ambiental dos empreendimentos
• Anexo marítimos de exploração e produção de petróleo e gás natural.

Tabela 01 – Principais Notas técnicas – IBAMA (2018).

Com intuito de obedecer a Nota Técnica nº 07/2011 - CGPEG/Dilic/Ibama, as empresas


do ramo de Exploração e Produção de Petróleo e Gás devem ter um Projeto de Controle da
Poluição que tem como suas principais metas e diretrizes:

“INSERIR TABELA”
Obs. 1.: Devem seguir a legislação aplicável, observando-se o disposto na alínea ii do item II.1 da Nota Técnica CGPEG/DILIC/IBAMA Nº 01/11.

Fonte – Nota Técnica CGPEG/DILIC/IBAMA Nº 01/11.

Já para se enquadrar na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº


12.305/10), as empresas petrolíferas têm que implementar um Plano de Gerenciamento de
Resíduos Sólidos (PGRS) que conforme art. 09:

“Art. 9o Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem
de prioridade: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.

§ 1o Poderão ser utilizadas tecnologias visando à recuperação energética dos resíduos sólidos
urbanos, desde que tenha sido comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e com a implantação
de programa de monitoramento de emissão de gases tóxicos aprovado pelo órgão ambiental.
§ 2o A Política Nacional de Resíduos Sólidos e as Políticas de Resíduos Sólidos dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios serão compatíveis com o disposto no caput e no § 1o deste
artigo e com as demais diretrizes estabelecidas nesta Lei.”

Continuando no art. 20, ressalta as empresas obrigadas a terem uma gestão e


gerenciamento de resíduos sólidos:

“Art. 20. Estão sujeitos à elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos:

I - Os geradores de resíduos sólidos previstos nas alíneas “e”, “f”, “g” e “k” do inciso I do
art. 13 - onde: e -.;” f” - resíduos industriais, principal tipo de resíduo gerado neste tipo de
atividade, tanto pelo volume quanto pela complexidade na respectiva destinação; “g” – resíduos de
serviços de saúde, ocasionalmente gerados nas enfermarias presentes nas plataformas.

II - Os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços que:

a) gerem resíduos perigosos;

b) gerem resíduos que, mesmo caracterizados como não perigosos, por sua natureza,
composição ou volume, não sejam equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público
municipal;”

No art. 23 alerta sobre a responsabilidade de ter um PGRS com informações atualizadas:

“Art. 23. Os responsáveis por plano de gerenciamento de resíduos sólidos manterão


atualizadas e disponíveis ao órgão municipal competente, ao órgão licenciador do Sisnama e a outras
autoridades, informações completas sobre a implementação e a operacionalização do plano sob sua
responsabilidade.

§ 1o Para a consecução do disposto no caput, sem prejuízo de outras exigências cabíveis por
parte das autoridades, será implementado sistema declaratório com periodicidade, no mínimo, anual,
na forma do regulamento.

§ 2º As informações referidas no caput serão repassadas pelos órgãos públicos ao Sinir, na


forma do regulamento.”

Para licenciamento o art. 24 informa a importância do PGRS:

“Art. 24. O plano de gerenciamento de resíduos sólidos é parte integrante do processo de


licenciamento ambiental do empreendimento ou atividade pelo órgão competente do Sisnama.
Sobre o sistema de logística reversa o art. 33 informa:

“Art. 33. São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante
retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de
limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e
comerciantes de:

I - Agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após
o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos
previstas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do
Suasa, ou em normas técnicas;

II - pilhas e baterias;

III - pneus;

IV - óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;

V - lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;

VI - produtos eletroeletrônicos e seus componentes.”

2.1 Os resíduos sólidos produzido na Exploração Offshore.

Segundo a NBR 10004 (ABNT, 2004), resíduos sólidos são todos os resíduos no estado
sólido ou semissólido que resultam de atividades industriais, domesticas, hospitalares,
comerciais, agrícolas, de serviços e de variação, incluindo os todos provenientes de sistema de
tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição,
bem como determinado líquidos cujas características tornem inviável seu lançamento na rede
pública de esgoto ou corpos d’água.

A atividade marítima - offshore tem um custo elevado e alta complexidade em seus


processos, com aumento no segmento, assim como quantitativo de instalações marítimas,
preocupante o impacto ambiental ocasionado nos processos. Assim surgindo a preocupação
cada vez maior com o gerenciamento destes resíduos produzidos, para acompanhar a demanda
do setor e se enquadrar no conceito da sustentabilidade.

Segundo (Gurgel et al. 2013), a concepção de sustentabilidade está ligada diretamente


ligada ao desenvolvimento tecnológico e econômico sem agredir o meio ambiente,
desfrutando e possibilitando o manuseio dos recursos naturais de maneiras inteligentes a fim
de garantir a existência de vida no futuro.

Os resíduos gerados nestas atividades, passam por 3 processos, este:

 Unidade marítima – responsável pela geração de resíduos, podendo ser


plataformas flutuantes semissubmersíveis, navios-sonda ou plataformas fixas,
estes são registrado e em seguida transferidos para embarcação de apoio.
 Embarcações de apoio – barcos rebocadores, utilizados para envio e recebimento
de material, assim destinado ao transporte dos resíduos gerados na Unidade
marítima, nele também é gerado resíduos que são devidamente acompanhados.
 Base de apoio terrestre – instalação de suporte logístico das Unidade marítima,
nela é feita o desembarque dos resíduos gerados.

UNIDADE EMBRACAÇÃO BASE DE


MARÍTIMA DE APOIO APOIO
TERRESTRE

Figura 01. Logística do transporte de resíduos gerado nas atividades offshore.

Para atende à Nota Técnica nº 01/2011 - CGPEG/Dilic/Ibama, os resíduos gerados


deverão ser identificado conforme figura abaixo:
De acordo com a classificação da ABNT (2004), os resíduos podem ser divididos em
duas classes, quais sejam:

 Classe I: Perigosos, aqueles cuja propriedade física, química ou


infectocontagiosas porem apresentar riscos ao meio ambiente e/ou a saúde
pública;
 Classe II: São considerados os não perigosos. Estes por sua vez se subdividem
em:
Classe II A: Não inertes. Apresentam-se com propriedades de
biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água;
Classe II B: Inertes. Possuem características e composição físico-química, que
não sofrem transformações físicas, químicas ou biológicas.

Todos os resíduos gerados, são quantificados (KG) antes de ser enviado para base de
apoio terrestre e ao chegar os mesmos são conferidos, só após serão destinados para
tratamento devido ou disposição final quando for o caso, nessa próxima etapa deverão ter os
seguintes dados descritos:
Na tabela 2, podemos observar os principais resíduos sólidos gerados na exploração, assim
como a sua classificação pela NBR 10004/2004 e seu principal tratamento:

TIPOLOGIA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA EXPLORAÇÃO OFFSHORE

CLASSIF. NBR PRINCIPAL


RESÍDUO CLASSIF. NR-9
10004/2004 TRATAMENTO
RESIDUO OLEOSO –
classe I Químico RERREFINO
Oluc
RESIDUO CO-
classe I Químico
CONTAMINADO PROCESSAMENTO
TAMBOR/BOMBONA
classe I Químico RECICLAGEM
CONTAMINADO
LAMPADA
classe II - B Mecânico RECICLAGEM
FLUORESCENTE

PILHA E BATERIA classe II - B Mecânico RECICLAGEM

RESIDUO INFECTO- INCINERAÇÃO EM


classe I Químico
CONTAGIOSO TERRA

CARTUCHO DE
classe II - A Sem riscos REÚSO
IMPRESSAO

LODO RESIDUAL DO INCINERAÇÃO EM


classe II - B Químico
ESGOTO TRATADO TERRA

RESIDUO
ALIMENTAR classe II - A Sem riscos DESCONTAMINAÇÃO
DESEMBARCADO

MADEIRA NÃO
classe II - A Sem riscos REÚSO
CONTAMINADO
VIDRO NÃO
classe II - B Mecânico RECICLAGEM
CONTAMINADO
PLÁSTICO NÃO
classe II - A Sem riscos RECICLAGEM
CONTAMINADO

PAPEL/PAPELÃO
NÃO classe II - A Sem riscos RECICLAGEM
CONTAMINADO

METAL NÃO
classe II - B Sem riscos RECICLAGEM
CONTAMINADO

TAMBOR/BOMBONA
NÃO classe II - B Sem riscos RECICLAGEM
CONTAMINADO
RESÍDUOS NÃO
PASSÍVEIS DE classe II - B Sem riscos ATERRO INDUSTRIAL
RECICLAGEM

BORRA NÃO
classe II - B Sem riscos RECICLAGEM
CONTAMINADA
PRODUTOS CO-
classe I Químico
QUÍMICOS PROCESSAMENTO

ÓLEO DE COZINHA classe II - A Sem riscos RECICLAGEM

RESÍDUOS
PLÁSTICOS E classe II - A Sem riscos ATERRO INDUSTRIAL
BORRACHA
FONTE: PRÓPRIO AUTOR, 2018

Os resíduos mais produzidos na exploração offshore são os resíduos oleosos, resíduos


contaminados, metal não contaminado e resíduos não passíveis de reciclagem. A explicação
para estes fatores explicou-se pela elevada geração de resíduos de óleos lubrificantes usados
pelos motores e equipamentos das embarcações (para os resíduos oleosos), pela geração de
resíduos do serviço de acomodação e alimentação das embarcações (no caso do vidro não
contaminado). Com relação aos resíduos alimentares desembarcados, segundo a legislação
vigente, este tipo de resíduo pode ser lançado ao mar a partir de uma distância de três milhas
náuticas da costa, depois de triturados em partículas de 25 mm. Como as embarcações
transitam com frequência em regiões próximas à costa, a menos de três milhas, são obrigadas
a armazenar e desembarcar estes resíduos, influenciando desta maneira os resultados
observados (IBAMA, 2011).

Atualmente o Brasil é o sexto maior consumidor mundial de óleo lubrificante, a


indústria de Exploração e Produção de Petróleo e Gás está ligada diretamente a esta
colocação, devido as inúmeras formas de utilização do mesmo, que vai desde os combustíveis
de motores até para lubrificar uma simples peça. O óleo lubrificante após certo tempo de uso
se torna um óleo lubrificante usado ou contaminado (Oluc) resíduo classificado como de
classe I.