Você está na página 1de 13

O RIO E A ROCHA

:
RESISTÊNCIA EM GILLES DELEUZE E
MICHEL FOUCAULT

THE RIVER AND THE ROCK:
RESISTANCE IN GILLES DELEUZE AND MICHEL FOUCAULT

Davis Moreira Alvim*

_________________________________________________________________________
RESUMO: Nota-se que certos conceitos das ABSTRACT: It is noticed that certain concepts
filosofias de Michel Foucault e Gilles Deleuze, of the philosophies of Michel Foucault and
incluindo suas parcerias com Félix Guattari, têm- Gilles Deleuze, including his partnerships with
se feito presentes com freqüência no movimento Félix Guattari, have become frequently present
de renovação do léxico político dos novos in the movement of renewal of the lexicon
movimentos sociais e, além disso, em uma politician of the new social movements and,
diversidade de obras que buscam compreender as besides, in a diversity of books that search to
possibilidades da resistência no mundo global do understand the possibilities of the resistance in
século XXI. A proposta desse trabalho é traçar the global world of the century XXI. The
brevemente um mapa do conceito de resistência no proposal of this article is to make a map of the
pensamento de Deleuze, contrapondo a perspectiva concept of resistance in the thought of Deleuze,
do autor à analítica do poder em Foucault. in oppose to the perspective of Foucault in his
analytical of power.

PALAVRAS-CHAVE: Resistência. Michel KEYWORDS: Resistance. Michel Foucault.
Foucault. Gilles Deleuze. Gilles Deleuze.
___________________________________________________________________________

Fredric Jameson encerrou sua conferência intitulada Postmodernism or the Cultural Logic of
Late Capitalism1 proferida no Whitney Museum, em 1982, apresentando uma conclusão em
forma de pergunta: na condição pós-moderna, caracterizada pela transformação da realidade
em imagem e pela fragmentação do tempo, seria possível observar a mesma potência crítica,
contestatória, oposicionista e subversiva existente na modernidade? Doze anos depois,
concluiu outro de seus artigos de forma curiosamente semelhante. Segundo ele, a “fantasia”

*
Doutorando em Filosofia – PUCSP/Capes. Contato: davisalvim@hotmail.com
1
JAMESON, Fredric. “Pós-Modernidade e Sociedade de Consumo”. In: Novos Estudos CEBRAP. São Paulo, nº.
12, p. 16-26, junho de 1985.

Intuitio ISSN Novembro
Porto Alegre V.2 – Nº 3 pp. 78-90
1983-4012 2009

Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 3 Cf. torna visível as visibilidades. In: ______. modulação ou mutação. Esse inventário. parece-nos que paira sobre ele um incômodo silêncio no que diz respeito à resistência. 4 FOUCAULT. que poderia ser apreendida pelas noções de pastiche e esquizofrenia (Jameson)3. necessariamente simplificado. Ainda que de forma totalmente diversa da perspectiva de Foucault. Tradução: Maria Elisa Cevasco e Marcos César de Paula SoaresPetrópolis: Vozes. Rio de Janeiro: Forense Universitária. indicando um ponto comum entre tais hipóteses.2 – Nº 3 pp. sexualidade. ANDERSON. ou mesmo uma desconexão do sistema capitalista globalizado. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. formando uma pilhéria eclética (Ihab Hassan). falência. uma forte recusa. Perry. fruto da impossibilidade de imaginar uma saída. Contudo. faz ver aquilo que vemos. uma interrupção abrupta do projeto moderno. à paródia e à ironia. não é de se descartar a hipótese de que boa parte do debate sobre a pós-modernidade tenha sido permeada 2 JAMESON. um momento de “atomização” do social. em 1978. Foucault não hesita em definir a tarefa de tal filosofia. trata-se de uma analítica das relações de poder. Ditos e Escritos V: Ética. Davis Moreira Alvim 2 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault de Francis Fukuyama sobre o “fim da história” seria sinal de um bloqueio da imaginação histórica. novidade. um jogo de indefinição e imanência que caminhou em direção à miscelânea. 2004a. a filosofia. imperceptível4. Tradução: Elisa Monteiro e Inês Dourado Barbosa. A idéia de “fim da história” apresenta-se assim como uma expressão dos dilemas e dificuldades do mundo pós-moderno em resistir à nova lógica do capitalismo mundializado 2. 78-90 1983-4012 2009 . “A Filosofia Analítica da Política”. como um resultado de novas configurações dos mecanismos de poder. levado à falência por alguns de seus próprios equívocos e por uma longa lista de neoconservadorismos (Habermas). Em conferência proferida na cidade de Tóquio. ele definiu o objetivo daquilo que chamou “Filosofia Analítica da Política”: tornar visível o que é visível. 1999. a saber: a pós-modernidade. ou mesmo uma nova modulação do capitalismo pós- guerra. fazer aparecer aquilo que é tão íntimo de nós que se tornou. 2001. “Fim da arte” ou “fim da história”? In: ______. em que a ciência se tornou apenas mais uma das peças do jogo e esvaeceram-se as narrativas mais grandiosas do mundo moderno (Lyotard). política. em especial para aqueles que a viram como um período histórico – e não simplesmente uma tendência estética – foi concebida como derrota. Não seria outra a insistência de Michel Foucault. de alguma forma. Se a ciência esforça-se para descobrir o que está oculto. mas. Fredric. A cultura do dinheiro: ensaios sobre a globalização. Tradução: Marcus Penchel. por sua vez. As origens da pós-modernidade. poderia se estender. Michel. invariavelmente. A lista de hipóteses sobre a pós-modernidade é extensa: trata-se de uma época em que os ideais modernos do liberalismo e do socialismo haviam falido (Wright Mills e Irving Howe).

p. Tradução: Eliana Aguiar. ROLNIK. p.3. p. ainda. ou seja. 14-16. v.oestrangeiro. independente das formas da representação e das categorias do negativo5? A proposta desse trabalho é traçar brevemente um mapa das possibilidades de “resistência” no pensamento de Gilles Deleuze e. 234-238. 7 Cf. “devir”. formando. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. referem-se 5 DELEUZE. É sobre essa questão que gostaríamos de nos debruçar. Rio de Janeiro: Graal. Global: biopoder e lutas em uma América Latina globalizada.net/index. Michael. menos recorrente. Queremos fazer nossa a questão levantada por Jameson. Inventivos. da resistência. de tal forma que. NEGRI. como disse Claire Parnet. além de não serem tomados como essencialmente repressivos ou ideológicos. por exemplo. 6 Cf. Gilles.php?option=com_content&task=view&id=67&Itemid=51 Acesso: 19/06/2008. O caminho nos parece adequado uma vez que se observa. como se dá a resistência no pós-moderno? Contudo. p. Giuseppe. O Abecedário de Gilles Deleuze. 78-90 1983-4012 2009 . Porém. colocar o problema do poder parece levar a pensar também o tema. 1993. contrapondo a perspectiva desses autores à analítica do poder em Foucault. In: PELBART. “diferença”. Cadernos de Subjetividade. 2005. Gilles. 16. Antônio. “multiplicidade”. Diferença e repetição. HARDT.2 – Nº 3 pp. n. Gilles. tais como a loucura ou delinqüência. Em carta destinada a Foucault. características da filosofia de Deleuze e Guattari. São Paulo: PUC-SP. COCCO. os poderes já não mais aludem a aspectos puramente negativos. em diversas obras recentes que buscam compreender as possibilidades da resistência no mundo global7. Suspeitamos que tais autores delineam pontos chaves para pensar o ato de resistência por meio de conceitos como “linha de fuga”. Davis Moreira Alvim 3 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault por essa preocupação – característica da segunda metade do século passado – com os fenômenos do poder. seria preciso acrescentar ao problema certa inflexão inspirada em Deleuze: como pensar a resistência em si mesma.1. Tradução: Luiz B. ao menos em certo momento. 2005. 1988. 8 DELEUZE. Império. Orlandi. Disponível em: http://www. em suas colaborações com Félix Guattari. DELEUZE. NEGRI.).1. Rio de Janeiro: Record. “dispositivo”. redes de conceitos como redes de resistência 6. na renovação do léxico político dos novos movimentos sociais e. Rio de Janeiro: Record. Tradução: Berilo Vargas. 15. Suely (orgs. o aparecimento de noções como. não são ainda simplesmente normalizantes 8. “Desejo e prazer”. Pensamos que uma boa maneira de apreender a idéia de resistência talvez seja confrontar certos aspectos em que Deleuze e Foucault pareciam se contrapor. além disso. escrita no ano de 1977. de forma crescente. ao contrário. Antonio. Deleuze sugere que o livro “A vontade de Saber” dá um novo passo em relação às obras anteriores de Foucault. os dispositivos de poder são vistos como forças constituintes. Na obra em questão. “desejo” e “nomadismo”. Peter.

p. Rio de Janeiro: Edições Graal.2 – Nº 3 pp. a “alma” que habita o homem é. uma peça dos dispositivos de poder que atuam sobre o corpo. regular e fazer funcionar segundo um padrão ótimo. 1988. 10 FOUCAULT. Em “Vigiar e Punir” Foucault já anunciava que o homem que nos convidam a liberar. História da Sexualidade I: A vontade de saber. Isso ocorre pois. Tomado como meramente repressivo. Para além das velhas interdições do poder soberano e suas intervenções pontuais. o casal malthusiano e o adulto perverso. 11 FOUCAULT. Entre as personagens fruto dos empreendimentos do dispositivo da sexualidade estão. portanto. Ponde Vassalo. Não simplesmente para condenar ou tolerar. o poder passa a ser exercido por meio de uma presença constante. 29. Denunciar a repressão como sua forma fundamental de agir implica em ocultar sua própria proliferação e esconder sua presença nas condutas mais delicadas e individuais do homem. 44-46. Tradução: Maria Thereza da Costa. por exemplo. como se a “alma” aprisionasse o corpo11. Uma vez mais. Não se trata mais de julgar o sexo. ao menos desde as sociedades disciplinares. Foucault escreve belas páginas que têm como tema a sensualização do poder: poder que roça os corpos. 2004b. ela mesma. sua presença lá onde se imagina espaços subjetivos de pura intimidade e liberdade. Petrópolis: Vozes. “acaricia-os com os olhos. a deixar emergir. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. como se lá. pois mais do que proibir ou interditar. mas que organiza-se em linhas de penetração intermináveis. da montagem de uma aparelhagem destinada a produzir discursos. História da Sexualidade I: A vontade de saber. 78-90 1983-4012 2009 . Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. ao contrário. nas profundezas. Davis Moreira Alvim 4 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault principalmente a uma categoria positiva: a sexualidade. Michel. Tradução: Maria Thereza da Costa. estivesse um “eu” puro e intocado pelo poder já é. foi mal compreendido. eletriza superfícies. multiplicar seus efeitos. avançar. dramatiza momentos conturbados” 9. em formas produtivas e inventivas de atuação. 9 FOUCAULT. Estamos. pluralizar seus alvos e ramificar suas articulações10. segundo Foucault. Ao sensualizarem-se. 44. p. 1988. em si mesmo. atenta e curiosa. mas para gerir. diante de um funcionamento do poder que não mais se contenta com mecanismos de barragem ou proibição. o poder. intensifica regiões. a criança masturbadora. não se trata de censura. os olhos vigilantes do poder são recompensados por uma emoção que os reforça. Tradução: Lígia M. p. ele incita. efeito de uma sujeição. fazer aparecer sua verdade. mas. é-lhes permitido atrair as estranhezas. mas de administrá-lo. Rio de Janeiro: Edições Graal. assim. Michel. Michel. empenhada em dizer tudo o que há para se dizer sobre o sexo e. a mulher histérica.

13 FOUCAULT. Tais pontos são o outro termo das relações de poder. mas é mais comum serem pontos transitórios. História da Sexualidade I: A vontade de saber. mas também em sua preocupação em abordar o estatuto da resistência. p. Tradução: Maria Thereza da Costa. 1988. o aparecimento na psiquiatria. também as resistências suscitam reagrupamentos. Tradução: Maria Thereza da Costa. mas. os pontos de resistência também se apresentam como multiplicidade ou como “focos”12. expõe. Uma revolução só é possível por meio de uma codificação estratégica desses pontos de resistência. História da Sexualidade I: A vontade de saber. Davis Moreira Alvim 5 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault Contudo. seria exagero dizer que essa preocupação não se colocava anteriormente. um pouco como o Estado só é possível se apoiando sobre uma multiplicidade institucional de relações de poder13. Rio de Janeiro: Edições Graal. História da Sexualidade I: A vontade de saber. Ao menos nesse momento do pensamento de Foucault.2 – Nº 3 pp. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. rupturas profundas. 1988. no século XIX. p. 91. ao mesmo tempo. Em “A Vontade de Saber” o problema da resistência parece ter recebido uma formulação mais consistente. mas também possibilitou a elaboração de um discurso de “reação”. a novidade do primeiro volume da história da sexualidade não está apenas na forma como concebe os dispositivos de poder. 78-90 1983-4012 2009 . móveis e precários. debilita e barra as estratégias de poder. o ponto de partida de uma estratégia oposta. Rio de Janeiro: Edições Graal. as resistências apresentam-se como pontos e nós irregulares que se distribuem com maior ou menor densidade no jogo relacional com o poder. 1988. Rio de Janeiro: Edições Graal. Eles podem ser instrumentos e efeitos de poder. Michel. Sem dúvida é do funcionamento dos dispositivos de poder soberano e disciplinar que trata centralmente a obra “Vigiar e Punir”. o que não quer dizer que estejam fadados ao fracasso. Os saberes também fazem parte do jogo instável entre resistência e poder. porém. contudo. 92. fragmentada e acentrada que funcionam as relações de poder. Tradução: Maria Thereza da Costa. Da mesma maneira imanente. apropriando-se de forma diversa de categorias do próprio saber médico que o desqualificava14. 96. que mina. Michel. 14 FOUCAULT. p. Podem provocar levantes radicais. não se deixa de abordar os momentos conturbados em que a resistência ganha espaço e choca-se contra o maquinário do 12 FOUCAULT. permitindo ao dito homossexual falar de si mesmo e reivindicar sua legitimidade. se o poder existe numa rede vasta e multiforme de relações. Segundo Foucault. Por exemplo. Michel. na jurisprudência e na literatura de um discurso que hierarquizava em categorias espécies e subespécies de homossexualidade permitiu o avanço do controle sobre essa região. introduzem clivagens e procedem por estratégias.

In: ______. Diante do poder punitivo do soberano. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V.2 – Nº 3 pp. não é um dos traços fundamentais de nossa sociedade o fato de que nela o destino tome a força de uma relação com o poder? O ponto mais intenso das vidas. “A vida dos homens infames”. se debatem com ele. se impõe. o assalto e até mesmo a morte dos executores. Michel. Michel. Uma formulação instigante e sugestiva surge então daqui. Poder- Saber. Foucault demonstra que não era incomum a recusa e a revolta. foram encontrados pelos holofotes do poder que. todos eles só puderam chegar até nós porque um feixe de luz os iluminou. 15 FOUCAULT. 207. Avellar Ribeiro. 17 FOUCAULT. política. 2003. tentam utilizar suas forças ou escapar de suas armadilhas [grifo nosso]19. sexualidade. Essas resistências fragmentadas e focais parecem estar bem expressas nas “vidas breves” que Foucault costumava encontrar em suas pesquisas nos arquivos do internamento do Hospital Geral e da Bastilha. de alguma forma. 19 FOUCAULT. 207. Ditos e Escritos V: Ética. trechos que noticiam fragmentos de vidas “desregradas” por meio de queixas. lhes prestou atenção. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 207. “A vida dos homens infames”. In: ______. Em relação ao espetáculo do suplício alguns exemplos de práticas resistentes são: o impedimento de execuções consideradas injustas. Michel. Ditos & Escritos IV: Estratégia. ordens e relações. p. Poder- Saber. Michel. Ditos & Escritos IV: Estratégia. p. 2003. p. 18 FOUCAULT. In: ______. 78-90 1983-4012 2009 . a saber: a incapacidade de ultrapassar a linha do poder. p. que tratavam de pequenas personagens obscuras. Tradução: Vera L. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 203. Avellar Ribeiro. Nesse ponto Foucault faz a si mesmo uma objeção. de passar para o outro lado. São “exemplos que trazem menos lições para meditar do que breves efeitos cuja força se extingue quase instantaneamente” 16. Michel. denúncias. Na penumbra em que se estavam. o lado do poder18. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Tradução: Vera L. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Davis Moreira Alvim 6 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault poder. os perseguiu e os espreitou. pois para Foucault. 2003. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Poder- Saber. tais como monges vagabundos. mulheres espancadas ou tabeliães usurários 17. de tal forma que uma mesma escolha. 2004a. “A vida dos homens infames”. Ditos & Escritos IV: Estratégia. isso sem contar as práticas dispersas no ritual. In: ______. p. “A vida dos homens infames”. a obtenção forçada do perdão para um condenado arrancado pela multidão das mãos do carrasco. Tradução: Elisa Monteiro e Inês Dourado Barbosa. quando elas colidem com o poder e se debatem com ele: Afinal. ao menos por um instante. In: ______. justamente. 2003. sua mais intensa capacidade de resistência estaria expressa. Avellar Ribeiro. Tradução: Vera L. aquele em que se concentra sua energia. é bem ali onde elas se chocam com o poder. Ditos & Escritos IV: Estratégia. “A Filosofia Analítica da Política”. Tradução: Vera L. 50- 54. eventualmente a perseguição. tal como maldizer os juízes e fazer tumulto na hora da sentença 15. Contudo. Poder- Saber. soldados desertores. 16 FOUCAULT. o ponto mais intenso das vidas. Avellar Ribeiro.

Orlandi.). São Paulo: Iluminuras. ROLNIK. Gilles. 337. Deleuze indica uma diferença importante em relação a Foucault. 78-90 1983-4012 2009 . 17.1. Lúcia Cláudia Leão e Suely Rolnik. Davis Moreira Alvim 7 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault Nesse ponto. 67. n. O desafio 20 DELEUZE. Dessa forma. Gilles. São Paulo: PUC-SP.). Ana Lucia de Oliveira. n. Gilles. In: ______. 21 DELEUZE. para Deleuze eles codificam e reterritorializam. mas são justamente elas que os dispositivos de poder vão tentar colmatar. n. 23 DELEUZE. 22 DELEUZE. Cadernos de Subjetividade. são formações secundárias. invocada em seus trabalhos com Félix Guattari. v. desviam ou detêm24. Nos sistemas sociais existem sempre linhas de fuga. GUATTARI. Sob a ótica de Deleuze. Gilles.2 – Nº 3 pp. reterritorizações de um fluxo que se desterritorializou21. classes – mas também pela identidade de cada instância.1. ao contrário. Peter. Se. “Desejo e prazer”. Orlandi. Os dispositivos de poder não seriam os principais responsáveis pela ação constituinte.1. p. Suely (orgs. não um devir23. Tradução: Luiz B. p.1. 18. ROLNIK. 1993. é constituída de territórios bem delimitados e planejados. 2006b. 3. por um lado. A noção de agenciamento. Peter. constituída pelo controle não somente dos grandes conjuntos molares – Estados. Essa linha molar não tem qualquer função perturbadora ou dispersiva. Peter. Tradução: Luiz B. é fundamental distinguir os movimentos de territorialidades. enlaçar ou apreender. ROLNIK.). aparelhos que as integram. p. Suely (orgs. mas as pontas dos agenciamentos de desejo”22. Tradução: Luiz B. Cadernos de Subjetividade. 1993. 1996. Orlandi. embora não se trate de um primeiro cronológico. o que quer dizer que os poderes funcionam também de forma repressiva. as linhas de fuga ou desterritorializações são primeiras. Rio de Janeiro: Ed. É claro que essas linhas de fugas não são necessariamente “revolucionárias”. pois há um primado do desejo sobre as relações de poder que. Cadernos de Subjetividade. São Paulo: PUC-SP. 24 DELEUZE. In: PELBART. Nela tem-se um porvir. pois “esmagam não o desejo como dado natural. ainda. incluindo nossas identidades pessoais. ou. 34. por outro. instituições. p. “Desejo e prazer”. 18. “Sobre capitalismo e desejo (com Félix Guattari)”. ou melhor. Félix. v. A ilha deserta: e outros textos. mas também endurecimentos para impedir essas fugas.1. na verdade. sugere certa insegurança sobre a possibilidade de descrever o funcionamento dos microdispositivos em termos de poder e resistência – ao menos no sentido preciso que essa última palavra pode assumir 20. vol. v. “Desejo e prazer”. os agenciamentos de desejo comportam dispositivos de poder. 1993. São Paulo: PUC-SP. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Suely (orgs. Tradução: Aurélio Guerra Neto. reterritorialização e desterritorialização que atravessam esses mesmos dispositivos.1. em um movimento de reterritorialização. In: PELBART. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. p. In: PELBART. Gilles. Tais dispositivos são forças que atuam em uma espécie de linha de segmentaridade dura. Se para Foucault os dispositivos de poder normalizam e disciplinam. a resistência liga-se menos à noção de contradição e mais às maneiras como um campo social foge por todos os lados.

ao contrário. 292. Se quisermos retomar o jargão marxista. GUATTARI. Michel. 34. não destinados a tomar um poder. Gilles. a resistência é compreendida enquanto fluxo desterritorializante não pode ser tomada como simples enfrentamento fragmentário ou foco de luta contra os mecanismos de poder. Isso não quer dizer que Foucault ignore as resistências. p. Tradução: Roberto Machado. diríamos que o desejo. “Deleuze e Guattari explicam-se”. 1988. p. Tradução: Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. p. Microfísica do Poder. 5. Rio de Janeiro: Ed. Tradução: Luiz B. In: ______. em um movimento secundário. p. 2006b. em certo sentido. 28 DELEUZE. Rio de Janeiro: Graal. vol. composta por fluxos. marcada pela desterritorialização de elementos rígidos.2 – Nº 3 pp. ou mesmo que ele não tenha reservado a elas um espaço importante em sua analítica do poder. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. A ilha deserta: e outros textos. Nesse estrato. 41. fazem parte dela. e qual o lugar do desejo em tudo isso?” 28. São Paulo: Iluminuras. uma organização do poder25. não necessariamente melhor. Gilles. 29 DELEUZE. eles a investem. contra eles o poder age. 75. exteriores ao Aparelho de Estado. para Deleuze o problema é saber quais “são os fluxos de uma sociedade. Os “Os intelectuais e o poder: conversa entre Michel Foucault e Gilles Deleuze”. 136. opor-lhes resistências e lançar contra eles uma espécie de “réplica política” 27. Davis Moreira Alvim 8 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault lançado por Deleuze e Guattari é o de pensar a resistência ao lado de uma linha maleável ou molecular. 1979. então. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. Rio de Janeiro: Edições Graal. estão do lado da infra-estrutura. É sob essa perspectiva que Deleuze e Guattari invocam um conjunto de saberes nômades. Ciências menores que seguem modelos hidráulicos. Orlandi. Na verdade. 26 FOUCAULT. Roberto (org. portanto.). trata-se de observar que os autores partem de questões diferentes: se para Foucault é fundamental decifrar o funcionamento dos poderes para. p. In: MACHADO. de forma organizadora: há. Saberes ambulantes que estabelecem sua relação com a terra por meio de uma forte desterritorialização. contrapondo-se às noções de 25 DELEUZE. 1997. A ilha deserta: e outros textos. Tradução: Maria Thereza da Costa. Essa orientação é sensivelmente diferente da perspectiva de Foucault. intensidades e partículas. traçar e conectar o espaço liso” 29. as desterritorializações e também as resistências. quais são os fluxos capazes de subvertê-la. História da Sexualidade I: A vontade de saber. Gilles. Michel. mas. à heterogeneidade e às organizações turbilhonares. são os mecanismos de poder que oferecem “resistência” aos movimentos de desterritorialização. “Sobre capitalismo e desejo (com Félix Guattari)”. 2006ª. voltadas ao devir. Uma linha diferente. São Paulo: Iluminuras. para quem a busca de contornos apropriados de luta está intimamente ligada ao primado do esforço de compreensão do que é o poder26. 333. 78-90 1983-4012 2009 . ao invés de uma teoria dos sólidos. a “seguir o fluxo da matéria. 27 FOUCAULT. In: ______. Félix. pois.

De um lado. Félix. s/d. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. se lavarmos em 30 DELEUZE. p. 35 DELEUZE. mas sim na recusa absoluta 32. Sua energia não reside propriamente na contradição. 1997. a resistência não pode deixar de captar uma potência que é da ordem da criação e do movimento. p. inibidos ou proibidos pelas condições das ciências de Estado. 5. Rio de Janeiro: Ed. amigos e inimigos. Tradução: Peter Pál Pelbart. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. disciplinados. Nietzsche. enquanto as resistências. identidade. ainda segundo Lazzarato. p. 34. p. 34. p. Tradução: Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. paradoxalmente. pela composição de um comum não totalizável. Nesse sentido. a preocupação em captar singularidades e colocar as variáveis em “estado de variação contínua”31. O segundo movimento de recusa acontece pela abertura de um devir. Perante essa linha fugidia. como se recitassem a fórmula de Bartleby: “eu preferiria não”33. operaram linhas de fuga. Maurizio. 5. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. personagem de Melville. Se o primeiro plano é um plano de fuga. colocando-se como matéria desestratificada. Crítica e clínica. seleção e administração. vol. constância e linearidade 30. o segundo é marcado pela “constituição (criação e atualização de mundos)”34. Gilles. Bartleby. 31 DELEUZE. Lisboa: Edições 70. de outro. envolvendo inclusive a recusa e a subtração. 33 LAZZARATO. Tradução: Alberto Campos. que insiste em colocar constantes em evidência e construir equações. introduzindo uma fuga das instituições e das regras representativas da política. São Paulo: Ed. Gilles. 34 LAZZARATO. Se para Foucault as resistências são uma imagem invertida dos dispositivos de poder. 34. pela invenção de uma nova forma de estar junto. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 80-103. recusa que se daria de duas maneiras. As revoluções do capitalismo. Um primeiro movimento que opera por divisão. 32 DELEUZE. Tradução: Leonora Corsini. 2006. Maurizio. vol. eternidade. 36. Por ser nômade e molecular. Gilles. os poderes agem preferencialmente por estratificação. Maurizio Lazzarato observa precisamente uma lógica da recusa nos movimentos pós-socialistas. 2006. pois é no ato de criação que reside sua força. desterritorializada. não está no conflito. Quando se deixa de dizer “criar”. As revoluções do capitalismo. Félix. 205. tal como a força de Bartleby. p. 204-205. In: ______. Tradução: Leonora Corsini. São saberes que se desenvolvem extrinsecamente em relação ao aparelho estatal. Tradução: Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. ainda que não parem de ser barrados. ou a fórmula. um modelo legal ou legalista. separando “nós e eles”. A criação é a mais intensa energia das resistências. Davis Moreira Alvim 9 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault estabilidade. Gilles. para Deleuze a mesma guarda uma afirmatividade própria. do contrário. 1997. 1997. 24. o niilismo triunfa. temos uma vitória da reação e das forças no negativo 35. como bem sabia Nietzsche.2 – Nº 3 pp. Rio de Janeiro: Ed. 25. Todos partem. desejar dominar. 78-90 1983-4012 2009 . GUATTARI. pois. GUATTARI. e passa-se a querer o poder.

de tal forma que ali onde há diferença de natureza. Parece-nos que esta possível separação remete ao problema dos mistos mal analisados. Dumoulié indica a questão paradoxal da resistência: não é a obra de arte nem o jogador que se opõem a uma ordem ou força. essa diferença entre duas linhas ou estratos é fundamental para captar o aspecto precisamente fugidio da resistência. Água e rochedo. enquanto. separada do misto mal analisado que é concebê-la como pertencente ao mesmo estrato das relações de poder. são dois estratos que não possuem uma mesma natureza. arte de resistência e estética da potência. Orlandi. é uma certa ordem do mundo ou uma estrutura social dada que. Dessa forma. Fortaleza. 37 DELEUZE. para Bergson as coisas nos são apresentadas como misturas e a experiência só nos proporciona mistos. Segundo Deleuze. dividi-los de acordo com suas articulações naturais 37. e reencontrarmos o que difere por natureza nos mistos que nos são dados e dos quais vivemos 38. 78-90 1983-4012 2009 . Rio de Janeiro: Forense Universitária.. Citando o mestre de capoeira Almir das Areias e sua fórmula (“em todos os movimentos tu deves ser como a corrente do rio que contorna o rochedo”).2 – Nº 3 pp.) não sabermos ultrapassar a experiência em direção às condições da experiência. constantemente desterritorializando-se e reterritorializando-se. notamos que a resistência move-se de um lado a outro. que adveem do fato de: (. Camile Dumoulié captou de forma admirável o caminho indicado por Deleuze e Guattari.. resistência: Simpósio Internacional de Filosofia (2004).). Na verdade. o poder constituído é obrigado a permanecer em um só plano. Contudo. 1999. p. A capoeira. 14-15. 36 DUMOULIÉ. Esporte e Turismo. à constituição de um Aparelho de Estado. São Paulo: Ed. Gilles. p. In: LINS. Bergsonismo. Daniel (org. 34. que se situa em outra linha. por outro lado. Tal esquecimento da verdadeira diferença engendra todo tipo de problemas mal formulados. pensar a resistência enquanto linha pura. não se reduz. constitui uma força de resistência contra a corrente da vida” 36. Nietzsche/Deleuze: arte. o fio condutor do método de Bergon está precisamente na idéia de que é necessário desfazer tais mistos e encontrar neles suas linhas puras. é também sugerir que a resistência muda diferindo de si mesma. como o rochedo. Se ela é correta. 2007. Tradução: Luiz B. Davis Moreira Alvim 10 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault conta os dois planos apontados por Lazzarato. em direção às articulações do real. Poder e resistência estariam em duas linhas diferentes por natureza? Trata-se de uma hipótese que precisa ser pensada. só se vê diferença de grau. o plano da totalidade. em um e outro estrato. Camille. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. de forma afirmativa. “inversamente. resistência e poder. a dificuldade na sepração dos mistos está intimamente ligada à incapacidade de enchergar a diferença. CE: Fundação da Cultura. ou melhor. 1. Sabemos que sua lógica escapa. ou seja. do qual Deleuze já falava em sua obra sobre Henri-Louis Bergson.

p. O poder. Parece-nos ainda que a concepção de Deleuze sugere ser possível que a resistência. São Paulo: Ed. Friedrich. como é sabido. de forma a fazer perceber que as instâncias molares esforçam-se para capturar o movimento. Manifesto do Partido Comunista. 39 DELEUZE. manipulação. capaz de resistir ao poder e se furtar ao saber. o que só pode ocorrer em uma operação secundária ou uma reação. Como constituir o operário em classe? Como superar a revolta dispersa em conflitos pontuais (destruição de mercadorias. 34. Se os anos 80 e 90 foram marcados pela celebração geral de uma nova ordem mundial hegemônica. 2006b. para Guattari. pará-lo. mas também porque a própria resistência se metamorfoseou e desertou suas antigas modalidades dialéticas. não se deixou de perguntar pelas formas de luta contra a miséria. não deixou. Por isso. In: ______. apenas por ser mal analisado. p. “consciência de classe” ou “revolução proletária” nos pareça hoje datada não apenas pela dita vitória plena do capitalismo global. o que vale. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. como sabemos. 40 ENGELS. p. 38 DELEUZE. 2004. Nos oitocentos. tais questões soam deslocadas na atmosfera política e filosófica de nossos tempos. 337. quebra de máquinas. 55. no limite. Gilles. A lição é não tomar os mistos por uma realidade homogênea. MARX. concebida em termos de “vanguarda”. Sem dúvida o problema da resistência não é novo. São Paulo: Iluminuras. os torna homogêneos – mas sim algo como uma “enxameação ao infinito” das resistências 39. um passeio pelos subterrâneos dessas mesmas décadas nos mostra que a busca pela compreensão das novas modulações do poder que acompanharam o capitalismo triunfante nunca cessou. 18. parece também indicar um deslocamento no sentido de repensar as possibilidades de resistência41. como demonstra a própria analítica do poder em Foucault. opera ações secundárias de totalização. um misto que. não é uma instância unificadora dos desejos – ou seja. Karl. Davis Moreira Alvim 11 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault possuidora de uma lógica e um movimento próprio que não acompanha mecanicamente os movimentos do poder. Orlandi. incendeio de fábricas) em direção ao processo revolucionário “de dissolução da classe dominante”40? Contudo. Esse movimento do pensamento de Foucault em direção a uma estética da existência.2 – Nº 3 pp. Tradução: Luiz B. 1999. Esse último. aliás. de avançar em relação à questão do poder ao encontrar a dimensão da subjetivação. repressão e canalização dos múltiplos desejos. São Paulo: Martin Claret. Bergsonismo. “Sobre capitalismo e desejo (com Félix Guattari)”. 78-90 1983-4012 2009 . Tradução: Pietro Sant'Anna. A ilha deserta: e outros textos. Gilles. por outro lado.

rachar as palavras. In: LINS. ou a fórmula”. A ilha deserta: e outros textos. A cultura do dinheiro: ensaios sobre a globalização. Fredric. ______. Gilles. 12. 1997. 34. p. Tradução: Luiz B. Tradução: Maria Elisa Cevasco e Marcos César de Paula SoaresPetrópolis: Vozes. ______. “A Filosofia Analítica da Política”. sexualidade. Michael.1. 1988. 41 Cf. NEGRI. 1988. As origens da pós-modernidade. Perry. São Paulo: Ed.). 2004b. 2007. ROLNIK. 5. Tradução: Luiz B. São Paulo: Martin Claret. ______. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Suely (orgs. Tradução: Peter Pál Pelbart. DUMOULIÉ. “Pós-Modernidade e Sociedade de Consumo”. 34. São Paulo: Ed. ______. “Deleuze e Guattari explicam-se”. São Paulo: Iluminuras. Microfísica do Poder. Peter. Tradução: Luiz B. Rachar as coisas. HARDT. Tradução: Pietro Sant'Anna. Nietzsche/Deleuze: arte. Poder-Saber. Ditos e Escritos V: Ética. junho de 1985. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. 1979. “A vida dos homens infames”. Félix. Rio de Janeiro: Record. Orlandi. 34. “Rachar as coisas. São Paulo: PUC-SP. CE: Fundação da Cultura. nº. 105-117. 2006b. 3. Conversações. 78-90 1983-4012 2009 . Petrópolis: Vozes. JAMESON. p. Rio de Janeiro: Ed. p. Tradução: Vera L. 34. ______. Lisboa: Edições 70. “Os intelectuais e o poder: conversa entre Michel Foucault e Gilles Deleuze”.1. Rio de Janeiro: Edições Graal.2 – Nº 3 pp. ______. Rio de Janeiro: Graal. DELEUZE. Tradução: Roberto machado. 1992. 1999. Rio de Janeiro: Graal. Orlandi. “Fim da arte” ou “fim da história”? In: ______. Roberto (org. 1992. 2004. Rio de Janeiro: Ed. n. Antonio. Conversações. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia. ______. resistência: Simpósio Internacional de Filosofia (2004). In: PELBART. 80-103. política. Tradução: Peter Pál Pelbart. Tradução: Alberto Campos. 16-26. In: Novos Estudos CEBRAP. Fortaleza. Tradução: Peter Pál Pelbart e Janice Caiafa. p. Michel. Tradução: Marcus Penchel. Tradução: Luiz B. Tradução: Lígia M. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Avellar Ribeiro. Cadernos de Subjetividade. 1993. 277-292. MARX. 1999. DELEUZE. In: ______. rachar as palavras”. Rio de Janeiro: Forense Universitária. São Paulo: Iluminuras. 34. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. Gilles. Daniel (org. In: ______. 2004a. 2005. Tradução: Aurélio Guerra Neto. “A capoeira. Diferença e repetição. São Paulo. vol.). Esporte e Turismo. DELEUZE. 2003. São Paulo: Ed. vol. A ilha deserta: e outros textos. Davis Moreira Alvim 12 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault Referências ANDERSON. Bergsonismo. Nietzsche. ______. ______. 2006a. Crítica e clínica. 116. Lúcia Cláudia Leão e Suely Rolnik. Manifesto do Partido Comunista. ______. In: ______. In: ______. FOUCAULT. Gilles. História da Sexualidade I: A vontade de saber. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Tradução: Elisa Monteiro e Inês Dourado Barbosa. v. “Desejo e prazer”. Ponde Vassalo. p. Império. arte de resistência e estética da potência”. 2001. In: MACHADO. “Bartleby. In: ______. Ana Lucia de Oliveira. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Friedrich. Karl. São Paulo: Ed. 34. Orlandi. Tradução: Peter Pál Pelbart. 1997. In: ______.). ______. Tradução: Maria Thereza da Costa. 1996. p. Camille. Orlandi e Roberto Machado. 331-344. ENGELS. GUATTARI. “Sobre capitalismo e desejo (com Félix Guattari)”. Tradução: Berilo Vargas. ______. ______. Ditos & Escritos IV: Estratégia. In: ______. s/d.

Maurizio. Tradução: Eliana Aguiar. Intuitio ISSN Novembro Porto Alegre V. Giuseppe. Tradução: Leonora Corsini. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.2 – Nº 3 pp. NEGRI. Rio de Janeiro: Record. 2005. 2006. 78-90 1983-4012 2009 . COCCO. Antônio. Davis Moreira Alvim 13 O rio e a rocha: resistência em Gilles Deleuze e Michel Foucault LAZZARATO. Global: biopoder e lutas em uma América Latina globalizada. As revoluções do capitalismo.