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Pontos Cruciais

da Verdade em João 14
por Ron Kangas

Tradução não oficial e não revisada pelo autor do artigo “Crucial Points of Truth in John 14 ” publicada em
Affirmation & Critique (www.affcrit.com), em outubro de 2008, periódico pertencente ao Living Stream
Ministry - Anaheim – CA – EUA, por João Lídio de Carvalho Neto para a edificação da Igreja do Senhor
Jesus Cristo, sem fim comercial. E-mails do tradutor: j.li.dio@hotmail.com e carvalho.lidio@terra.com.br e
carvalho.neto2011@bol.com.br
 
 

J  oão  14  pode  ser  o  capítulo  no    Novo 


Testamento  mais  mal  entendido,  mal 
interpretado, deturpado e mal aplicado.  
vina.  Em  princípio,  há  muitas  espécies  de 
véus  cobrindo  os    corações  dos    crentes 
hoje: o véu da tradição, o véu dos ensinos 
É  comum,  virtualmente  universal,  para  ortodoxos, contudo, incompletos, o véu da 
pregadores,  comentaristas,  expositores  e  filosofia  pessoal  ou  nacional,  o  véu  dos 
teólogos  cometerem  asneiras  extraordi‐  conceitos naturais, o véu da subjetividade. 
nárias  em  sua  leitura  desse  capítulo,  Somente  quando  o  coração  se  volta  ao 
incorrendo  em  erros  como  supor  que  a  Senhor,  que  é  o  Espírito  no  espírito 
casa  do  Pai  é  o  céu,  ou  negligenciar  regenerado  dos  crentes,  o  véu  pode  ser 
verdades como a esfera divina e mística, a  retirado  (vv.  16‐18).    O  segundo  fator  ___  
incorporação  humano‐divina,  a  habitação  as  atividades  cegantes  de  Satanás,  o 
mútua e o primeiro Consolador tornando‐ inimigo  de  Deus  ___  está  intimamente 
se,  por  meio  da  morte  e  ressurreição,  relacionado  ao  primeiro.  “O  deus  desta 
“outro  Consolador”.  Portanto,  em  uma  era cegou os pensamentos dos incrédulos, 
escala  muito  grande,  essa  porção  da  para  que  não  lhes  resplandeça  a  luz  do 
Palavra  está  selada,  e  milhões  de  crentes  evangelho  da  glória  de  Cristo,  o  qual  é  a 
são  ignorantes  quanto  aos  seus  conceitos  imagem  de  Deus”  (4:4).  Com  certeza, 
centrais e revelações profundas.  Paulo  está  se  referindo  explicitamente  à 
condição  daqueles  que  estão  perecendo; 
Esses  são,  pelo  menos,  catorze  fatores  entrementes, na realidade e na prática, os 
principais  que  têm  dado  origem  a  esta  pensamentos  dos  incrédulos  podem  ser 
situação  deplorável.  O  primeiro  fator  é  cegados  enquanto  eles  estão  lendo, 
exposto  mediante  a  palavra  de  Paulo  em  estudando,  e  examinando  as  Escrituras, 
2Coríntios 3:14 e 15:  especialmente aquelas porções da Palavra 
que  revelam  a  economia  de  Deus  para  o 
Mas os pensamentos deles se endureceram; 
pois  até  o  dia  de  hoje  o  mesmo  véu 
cumprimento  do  propósito  eterno  de 
permanece  durante  a  leitura  da  antiga  Deus.  Juntamente  com  o  fator  dos 
aliança, não lhes sendo desvendado que, em  pensamentos  cegados  pelo  inimigo, 
Cristo, é removido. De fato, até hoje, quando  podemos ter o fato de uma mente fechada, 
é  lido  Moisés,  há  um  véu  sobre  o  coração  uma  mente  natural  que,  em  si  e  de  si 
deles.  
mesma, não pode ser aberta sem prejuízo 
Quando  os  antigos  religiosos  liam  as  aos  pensamentos  de  Deus  expressos  em 
Escrituras,  algo  dentro  deles  ___  um  véu  Sua  Palavra.    A  evidência  disto  é 
cognitivo,  cultural    ou    psicológico      ___      encontrada em Lc 24:44 e 45:  
impedia‐lhes de entender a revelação   di‐   
 
1
Depois  disse‐lhes:  São  estas  as  Minhas  se  fosse  a  primeira  vez  e  buscando 
palavras  que  Eu  vos  falei,  estando  ainda  conhecer  as  verdades  divinas  cruciais 
convosco:  que  era  necessário  que  se 
cumprisse  tudo  o  que  de  Mim  está  escrito  reveladas ali.  

N
na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. 
Então  lhes  abriu  a  mente  para  entenderem  ão é exagero dizer que uma exame 
as Escrituras.1   completo  de  João  14  exigirá  anos 
de  estudo  sério  e  cuidadoso 
Isto  indica  que,  para  entender  as  combinado com oração e busca do Senhor. 
Escrituras,  especialmente  um  capítulo  Meu  alvo  neste  ensaio  é,  portanto, 
profundo  como  João  14,  não  é  suficiente  modesto  ___  expor  sucintamente  algumas 
ter  uma  mente  perspicaz  ou  instruída,  das  verdades  cruciais  em  João  14  que 
pois  nossa  mente  deve  ser  aberta  pelo  exige  reconsideração  diante  do  Senhor, 
Senhor  Espírito  mediante  Sua  esperando  que,  aqui  e  ali,  pelo  menos 
iluminação.2  Finalmente, existe a falha em  alguns  crentes  sérios  iniciarão  tal  estudo 
orar,  conforme  fez  o  apóstolo  Paulo,  por  para  seu  próprio  desenvolvimento 
um  espírito  de  sabedoria  e  de  revelação.  espiritual e, muito mais, para levar a cabo 
Em  Efésios  1:17‐18,  Paulo  orou  para  que  a economia divina para a glória de Deus.3   
“o  Deus  de  nosso  Senhor  Jesus  Cristo,  o 
Pai  da  glória,  vos  conceda  espírito  de  Crer para dentro de Deus e para dentro 
sabedoria  e  de  revelação  no  pleno  do Filho de Deus 
conhecimento  Dele,  iluminados  os  olhos 
do  vosso  coração”.  Aqui,  temos  três  No versículo 1, o Senhor Jesus disse: “Não 
elementos:  revelação  (a  remoção  do  véu  se  perturbe  o  vosso  coração;  crede  *em 
que cobre o coração), luz, e visão, os quais  Deus,  crede  também  em  Mim”.  A 
são indispensáveis para conhecer a Bíblia  preposição  1para  dentro  é  de  grande 
em geral e João 14 em particular.   importância.  Não  devemos  somente  crer 

V
que  certos  assuntos  são  verdades  ou  crer 
éus sobre o coração, a obra cegante  o  Senhor  e  crer  em  Ele  ___  devemos  crer 
do  deus  desta  era,  uma  mente  também  para  dentro  de  Deus  e  crer  para 
fechada  à  verdade  divina,  e  a  dentro  do  Filho  de  Deus.  Certamente, 
carência de um espírito de sabedoria e de  precisamos crer que certas afirmações ou 
revelação no pleno conhecimento do Deus  proposições são verdades, e João escreveu 
Triúno  ___  esses  são  os  fatores  que  seu  Evangelho  especificamente  para  este 
impedem  o  povo  de  Deus  de  entender  propósito.  “Estes,  porém,  foram  escritos 
corretamente  a  Palavra  de  Deus.  para  que  creiais  que  Jesus  é  o  Cristo,  o 
Enquanto  tentamos  identificar  verdades  Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais 
cruciais  em  João  14  ___  o  objeto  deste  vida em Seu nome” (20:31). Se desejamos 
estudo  preliminar  do  assunto  ___  ter  vida  eterna,  a  vida  incriada  de  Deus, 
precisamos  desesperadamente  voltar  devemos  crer  que  Jesus  é  o  Cristo,  o  
nosso  coração  para  o  Senhor,  buscar  ser  Escolhido e ungido por Deus para cumprir 
libertados  dos  pensamentos  cegados,  Seu propósito, e devemos crer que Jesus é 
pedir  ao  Cristo  ressuscitado  para  abrir  o  Filho  de  Deus,  a  corporificação  e 
nossa  mente  a  fim  de  entendermos  as  expressão de Deus o Pai.  
Escrituras, e orar para que nosso espírito 
humano regenerado, agora mesclado com  O Cristo é o título do Senhor segundo o Seu 
o  Espírito  que  dá  vida  (1Co  6:17;  15:45),  ofício, a Sua missão. O Filho de Deus é o Seu 
título  segundo  a  Sua  pessoa.  A  Sua  pessoa 
torne‐se,  mediante  o  Pai  da  glória,  um 
tem  a  ver  com  a  vida  de  Deus,  e  a  Sua 
espírito  de  sabedoria  e  de  revelação.  Se  missão tem a ver com a obra de Deus. Ele  é 
nosso  ser  interior  está  ajustado  e 
soerguido  dessa  maneira  pela  graça  de 
Deus  e  se  estamos  dispostos  a  nos  1
Na Versão Restauração, aparece um asterisco antes
humilharmos  diante  do  Senhor  e  da  Sua  da preposição em indicando que, no grego, a
preposição é eir, a qual, na Recovery Version, foi
Palavra,  podemos  estar  preparados,  Nele, 
traduzida por into (para dentro, em, na direção de ___
para  reconsiderar  João  14,  lendo‐o  como  N. T.)
2
o  Filho  de  Deus  para  ser  o  Cristo  de  Deus.  relacionamento intrínseco entre crer para 
(Versão Restauração, João 20:31, nota 1)  dentro  Dele  e  para  dentro  do  Pai  que  O 
enviou:  “Jesus  clamou  e  disse:  Quem  crê 
Outros  exemplos  de  crer  podem  ser 
para dentro de Mim, crê, não para dentro 
encontrados  facilmente  no  Evangelho  de 
de Mim, mas para dentro Daquele que Me 
João: “Nós temos crido... que Tu és o Santo 
enviou”  (v.  44).  À  medida  que  o  Senhor 
de  Deus”  (6:69);    “Se  não  crerdes  que  Eu 
estava  preparando  os  discípulos  para  a 
sou,  morrereis  nos  vossos  pecados” 
Sua passagem pela morte e Sua vinda para 
(8:24);  “Eu  creio  que  Tu  és  o  Cristo,  o 
eles em ressurreição, Ele os encarregou a 
Filho  de  Deus”  (11:27);  “Para  que  creiam 
crer  para  dentro  de  Deus  e  crer  também 
que Tu Me enviaste” (v. 42); “Desde já vos 
para  dentro  Dele,  e,  seguramente,  esse 
digo,  antes  que  aconteça,  para  que, 
crer para dentro é de grande importância. 
quando  acontecer,  creiais  que  Eu  sou” 
(13:19); “Não crês que Eu estou no Pai e o  Não pode ser discutido racionalmente que 
Pai está em Mim?” (14:10); “Tendes crido  crer  que  Jesus  Cristo  é  o  Filho  de  Deus  e 
que  Eu  saí  de  Deus”  (16:27);  “Por  isso  crê‐Lo  e  crer  Nele  são  absolutamente 
cremos  que  saíste  de  Deus”  (v.  30);  necessários.  Não  obstante,  crer  para 
“Creram  que  Tu  Me  enviaste”  (17:8);  dentro de Deus e para dentro do Filho de 
“Para  que  o  mundo  creia  que  Tu  Me  Deus  são,  particularmente,  de  importân‐
enviaste” (v. 21). Além de crer que várias  cia  crucial.  Conforme  a  preposição  para 
coisas são verdadeiras, precisamos crer o  dentro sugere, crer para dentro de Deus o 
Senhor  Jesus  e  crer  Nele  e  em  Seu  nome:  Pai  e  também  para  dentro  do  Filho  é 
“Disse,  pois,  Jesus  aos  judeus  que  haviam  entrar em uma união espiritual e orgânica 
crido  Nele”  (8:31);  “Não  Me  credes”  (v.  com Deus em Cristo. Não é simplesmente 
45);  “Se  digo  a  verdade,  por  que  não  Me  crer objetivamente que  algo é  verdadeiro 
credes?” (v. 46); “Se não faço  as obras de  ou  crer  objetivamente  em  uma  pessoa;  é 
Meu Pai, não Me creiais” (10:37); “Crede‐ crer tanto objetiva quanto subjetivamente 
me que Eu estou no Pai, e o Pai em Mim”  com o resultado que estamos, verdadeira‐
(14:11); “E este é o Seu mandamento: que  mente,  em  união  com  o  Deus  Triúno.4  
creiamos  no  nome  de  Seu  Filho  Jesus  Conforme  todo  leitor  do  Evangelho  de 
Cristo” (1Jo 3:23).   João sabe, temos vida eterna por crermos 

E
para  dentro  do  Filho  de  Deus.  “Para  que 
mbora  esses  modos  de  crer  sejam 
todo  o  que  crê  para  dentro  Dele  tenha  a 
necessários,  João  dá  particular 
vida  eterna”  (3:15).  Obviamente,  o  texto 
ênfase àquilo que ele chama de crer 
diz “para dentro Dele” em vez de “Nele”.  
para  dentro.  Sua  palavra  a  esse  respeito 
em 14:1 não é a primeira ocorrência dessa  Crer para dentro do Senhor não é o mesmo 
expressão.  Os  filhos  de  Deus  são  aqueles  que  crê‐Lo  (6:30).  Crê‐Lo  é  crer  que  Ele  é 
que  creem  para  dentro  do  nome  do  verdadeiro e real, mas crer para dentro Dele 
Senhor (1:12). Todo o que crê para dentro  é  recebê‐Lo  e  ser  unido  com  Ele  como  um 
só.  O  primeiro  é  reconhecer  um  fato 
Dele,  não  meramente  O  crê  ou  crê  Nele,  objetivamente;  o  segundo  é  receber  uma 
tem  a  vida  eterna  (3:15‐16);  “Quem  crê  vida  subjetivamente.  (Recovery  Version, 
para  dentro  Dele  não  é  condenado;  mas  3:16, nota 2) 
quem  não  crê  já  está  condenado,  porque 
não crê para dentro do nome do unigênito  Segundo  o  contexto  do  capítulo  14,  crer 
Filho  de  Deus”  (v.  18);  “Quem  crê  para  para  dentro  de  Deus  e  para  dentro  do 
dentro do Filho tem a vida eterna” (v. 36);  Filho  de  Deus  é  essencial  para  estarmos 
e  aqueles  que  creem  “para  dentro”  Dele  em nosso lugar na casa do Pai (vv. 2‐3), a 
recebem  o  Espírito  (7:39).  Visto  que  o  igreja, e segundo a realidade de os crentes 
Filho  de  Deus  é  a  luz  (1:4;  8:12),  Ele  nos  estarem no Filho, que está no Pai (v. 20). 

A
ordena  a  crer  para  dentro  da  luz: 
“Enquanto tendes a luz, crede para dentro   verdade e experiência de crer para 
da luz, para que vos torneis filhos da luz”  dentro  de  Cristo  subjetivamente 
(12:36).  O  Senhor  continua  a  falar  do  em  acréscimo  ao  crê‐Lo 
3
objetivamente  são  fortalecidas  e  respeito a Deus e, na realidade, é Deus, e é 
enriquecidas  pela  palavra  de  Paulo  em  místico  porque  é  invisível,  misterioso  e 
Filipenses  1:29:  “Porque  vos  foi  universal.  João  14  revela  o  fato  que  o 
concedido,  por  amor  de  Cristo,  não  âmbito  divino  e  místico  é  o  âmbito  do 
somente  crer  para  dentro  Dele,  mas  Deus  Triúno.6    O  Deus  Triúno,  que  é 
também  sofrer  por  Ele”.  Visto  que  Paulo  essencialmente  e  eternamente  triúno  em 
cria  para  dentro  de  Cristo  e  tinha  se  Sua  Deidade,  é  Ele  mesmo  um  âmbito 
tornado  um  homem  em  Cristo,  ele  foi  divino  e  místico  (vv.  10‐11).  Os  três  da 
empoderado  dinamicamente  em  Cristo  Trindade  Divina  ___  o  Pai,  o  Filho  e  o 
(2Co  5:17;  12:2;  Fp  4:13).  Crer  para  Espírito  ___  são  auto‐existentes,  sempre‐
dentro de Cristo “implica que o crente tem  existentes,  coexistentes  e  coinerentes,  e, 
uma  união  orgânica  com  Cristo  mediante  como tais, são um âmbito divino e místico. 
o crer para dentro Dele. Crer para dentro  O Pai está corporificado no Filho e o Filho 
de Cristo é ter o nosso ser imerso no Dele,  é  a  corporificação  e  expressão  do  Pai, 
para  que  nós  dois  sejamos  um  formando um âmbito divino e místico.  
organicamente”  (Recovery  Version,  Fp 

É
1:29,  nota  1).  Determinados  teólogos   o  desejo  do  coração  de  Deus  levar 
objetivos  podem  protestar  que  tal  Seu  povo  escolhido,  redimido  e 
entendimento  de  crer  para  dentro  de  regenerado  para  dentro  do  âmbito 
Cristo é místico. Sim, é místico no sentido  divino e místico, e, ali, viver com eles uma 
adequado da revelação divina nos escritos  vida  de  mútua  habitação  como  a  Nova 
de  João  e  nas  epístolas  de  Paulo.  Outros  Jerusalém  pela  eternidade  (Jo  14:4‐5;  Ap 
podem  comentar  que  essa  ênfase  na  21:2, 9‐10). O Senhor Jesus orou por isto, 
unidade  com  Cristo  mediante  crer  para  antes  de  Sua  crucificação:  “A  fim  de  que 
dentro  Dele  é  experiencial.  Sim,  é  todos  sejam  um;  como  Tu,  Pai,  estás  em 
experiencial,  no  que  diz  respeito  à  Mim, e Eu em Ti, que também estejam eles 
revelação  de  Deus  na  Palavra  a  respeito  em  Nós”  (Jo  17:21).  O  Senhor  prosseguiu 
do  Seu  desejo,  em  Cristo,  de  tornar  a  Si  orando: “Pai, aqueles que Me deste, desejo 
mesmo  um  com  os  crentes  e  tornar  os  que,  onde  Eu  estou,  estejam  eles  também 
crentes  um  com  Ele.  Nem  tudo  precisa  Comigo,  para  que  vejam  a  Minha  glória 
permanecer  objetivo,  pois  há  uma  que  Me  deste”  (v.  24).  O  Deus  Triúno  é, 
realidade divina  ___  o Deus Triúno corpori‐  Ele mesmo, um âmbito divino e místico, e 
ficado  em  Cristo  o  Filho  de  Deus  ___  para  Ele  deseja  levar‐nos,  em  Cristo,  para 
nós,  mediante  o  crer,  entrarmos,  experi‐  dentro  de  Si  mesmo  como  esse  âmbito. 
enciarmos  e  desfrutarmos  subjetivamen‐  Entrementes, não é possível para os seres 
te.  Crer  para  dentro  de  Deus  e  também  humanos  redimidos  e  regenerados,  nem 
para dentro  do Filho de  Deus afeta nosso  sequer  crentes  glorificados,  entrarem  na 
coração,  nosso  ser  interior,  de  tal  Deidade e habitarem ali, pois Deus habita 
maneira,  que  não  ficamos  perturbados,  em  luz  inacessível  (1Tm  6:16).  De  que 
mas,  ao  contrário,  ficamos  plenos  de  paz,  modo, então, podemos estar onde o Filho 
alegria e amor.   está  (no  Pai,  Jo  14:20)?  Isto  só  é  possível 
na  economia  de  Deus,  que  envolve  a 
O Âmbito Divino e Místico  morte  e  ressurreição  do  Filho,  que  é  o 
caminho  para  dentro  de  Deus  e  que 
Quando cremos para dentro de Deus pelo  prepara  um  lugar  para  nós  em  Deus  (vv. 
crer  para  dentro  do  Filho  de  Deus  (Jo  2‐3).  Na  economia  divina,  o  Deus  Triúno, 
3:15‐16),  entramos  em  outro  âmbito  ___  o  sem  pôr  em  perigo  Sua  Deidade  eterna  e 
âmbito  divino  e  místico  ___  que  é  imutável,  passou  por  um  processo  em 
transcendente e profundamente diferente  Cristo  a  fim  de  se  tornar  o  Cristo 
do  âmbito  físico  no  qual  vivemos,  pneumático,  o  Espírito  consumado,  em 
exteriormente,  nossa  vida  humana  dia  quem  podemos  entrar  ao  cremos  para 
após  dia.5    O  âmbito  sobre  o  qual  estou  dentro  de  Cristo.  Desta  maneira, 
falando  é  divino  porque  é  de  Deus,  diz  podemos,  segundo  a  economia  de  Deus, 

4
entrar  em,  viver  em,  e  realmente  Temos  a  humanidade  de  Jesus, 
tornamo‐nos parte não do âmbito divino e  prefigurada  pelas  quatro  especiarias  da 
místico  no  qual  Deus  está  em  Sua  vida vegetal (vv. 23‐24; 1Tm 2:5; At 16:7). 
Deidade,  mas  do  âmbito  divino  e  místico  Temos  o  mesclar  da  divindade  com  a 
do  Deus  Triúno  processado  e  consumado  humanidade,  tipificado  pelo  misturar  o 
em  Sua  economia.  Toda  a  questão  é  azeite  de  oliveira  com  as  quatro 
econômica,  e,  portanto,  não  ameaça  ou  especiarias (Rm 8:16; 1Co 6:17). Temos a 
compromete a natureza imutável de Deus.    morte  preciosa  de  Cristo,  retratada  pela 
mirra fluida (Êx 30:23). Temos a doçura e 
O  âmbito  divino  e  místico,  no  qual  eficácia  da  morte  de  Cristo,  retratadas 
podemos  entrar  ao  crermos  para  dentro  pelo  cinamomo  odoroso  (v.  23).  Temos  a 
de  Deus  e  do  Filho  de  Deus,  não  é  o  ressurreição  preciosa,  retratada  pelo 
âmbito  divino  e  místico  da  Deidade  cálamo  aromático  (v.  23).  Temos  o  poder 
eterna; antes, é o âmbito divino e místico  repelente  da  ressurreição  de  Cristo, 
do Cristo ressurreto, pneumático, como o  retratado  pela  cássia  (v.  24).  Este  é  um 
Espírito  composto  consumado  (vv.  16‐ quadro, em tipologia, do Espírito de Jesus 
20).  Isto  envolve  o  Filho  passar  pela  Cristo  com  seu  suprimento  abundante. 
morte  e,  em  seguida,  vir  a  nós  como  o  Agora,  como  crentes,  esse  Espírito  está 
Espírito  da  realidade,  de  modo  que  Ele  em  nós  (1Jo  2:27),  e  estamos  nesse 
esteja  em  nós  e  nós  estejamos  onde  Ele  Espírito  como  um  âmbito  no  qual 
está. “Para que onde Eu estou estejais vós  podemos viver e nos mover e ter o nosso 
também”  (v.  3).  Visto  que  estamos  em  ser  (Cl  2:6;  Rm  8:4;  Gl  5:16).  Conforme 
Cristo  o  Filho,  que  está  no  Pai,  estamos  João 14 revela, Cristo o Filho é o caminho 
também  no  Pai  mediante  estarmos  no  para dentro do âmbito divino e místico, e 
Filho. Estar, aqui, é estar no âmbito divino  agora, Nele, como o Espírito da realidade, 
e  místico  do  Cristo  crucificado  e  estamos nesse âmbito. 
ressurreto  como  o  Espírito  que  dá  vida, 
composto (1Co 15:45).  No  âmbito  divino  e  místico  do  Cristo 

A
composto,  todo‐inclusivo,  que  dá  vida,  as 
 Expressão  Espírito  composto  riquezas  são  inexauríveis  e  o  suprimento 
denota  o  Espírito  de  Jesus  Cristo  é  abundante  (Ef  3:8).  À  medida  que 
(At  16:7;  Rm  8:9;  Fp  1:19)  como  o  vivemos  nesse  âmbito,  recebemos  o 
Espírito  todo‐inclusivo,  ao  qual  o  Espírito  como  a  bênção  singular,  todo‐
Evangelho de João se refere, simplesmen‐  inclusiva  (Gl  3:2,  5,  14),  e  recebemos  a 
te,  como  o  Espírito  (7:39).  O  Espírito  transmissão  do  Cristo  ascendido  com  o 
composto  é  tipificado  pelo  unguento  suprimento do Seu ministério celestial (Ef 
composto,  com  seus  vários  elementos,  1:22;  Hb  8:2).  Aqui,  experienciamos  a 
descrito  em  Êxodo  30:22‐33.  Com  o  salvação orgânica de Deus  ___  Sua salvação 
próprio  Deus  Triúno  como  o  âmbito  em  vida  com  santificação,  renovar, 
divino e místico, há um elemento singular  transformação,  conformação  e  glorifica‐ 
___  a  divindade  ___  contudo,  no  âmbito  ção. Aqui, vivemos no reino de Deus como 
divino  e  misto  do  Espírito  composto,  há  o  âmbito  da  espécie  divina  (Jo  3:3,  5), 
vários  elementos,  os  quais  são  bênçãos  vivemos  uma  vida  cristã  espontânea  e 
para  nós.  Nesse  âmbito  divino  e  místico,  sem  esforço  segundo  a  lei  do  Espírito  da 
não  temos  apenas  a  divindade,  mas  vida  em  Cristo  Jesus,  isto  é,  a  função 
também a humanidade de Cristo, a morte  automática da lei da vida divina (Rm 8:2), 
de  Cristo  com  sua  eficácia,  e  a  e vivemos uma vida de veracidade como a 
ressurreição  de  Cristo  com  seu  poder.  expressão  da  realidade  divina  revelada  ___ 
Temos  Deus,  retratado  pelo  azeite  de  o  Espírito  (1Jo  5:6).  E,  aqui,  estamos 
oliveira  (v.  24;  1Tm  1:17).  Temos  o  Deus  mesclados com o Deus Triúno processado 
Triúno  em  Sua  economia,  prefigurado  e  consumado  para  a  preservação  da 
pelas  três  unidades  completas  da  medida  unidade  singular,  a  unidade  entre  a 
das  quatro  especiarias  (Êx  30:23‐24).  Trindade Divina (Jo 17:21, 23; Ef 4:3). 

5
Começando  com  a  revelação  divina  do  central  de  João  14.  O  Evangelho  de  João 
âmbito  divino  e  místico  em  João  14,  fala  da  vinda  e  da  ida  de  Cristo  para  a 
podemos  traçar  o  desenvolvimento  dessa  realização do propósito de Deus, a fim de 
revelação  por  todo  o  Novo  Testamento,  ter  um  lugar  de  habitação  em  e  com  Seu 
especialmente  nas  epístolas  de  Paulo  e  povo  redimido.  Portanto,  esse  evangelho 
João,  até  chegarmos  à  consumação  com  a  revela  a  vinda  de  Cristo  para  a 
Nova  Jerusalém,  onde,  em  e  como  uma  humanidade em Sua encarnação, e Sua ida 
pessoa  corporativa  unida,  mesclada  e  para  Deus  o  Pai  mediante  a  morte  e 
incorporada  com  o  Deus  Triúno  ressurreição,  a  fim  de  trazer  Deus  para 
processado  e  consumado,  habitaremos  dentro  dos  Seus  crentes  escolhidos  e 
eternamente.  João  14,  portanto,  conduz‐ redimidos e levá‐los para dentro de Deus 
nos para Apocalipse 21.  para a produção de um lugar de habitação 
mútua  ___  a  igreja  como  o  Corpo  de  Cristo 
A Casa do Pai com as Muitas Moradas  consumando  na  Nova  Jerusalém  ___  para  o 
Deus  Triúno  e  para  os  crentes  em  Cristo. 
Na  casa  de  Meu  Pai  há  muitas  moradas.  Se  Portanto,  o  pensamento  básico  do 
assim não fora, Eu vo‐lo  teria dito; pois vou 
preparar‐vos  lugar.  E  se  Eu  for  e  vos 
Evangelho  de  João  é  o  de  Deus  em  Cristo 
preparar  lugar,  virei  outra  vez  e  vos  vindo  para  dentro  do  homem  mediante  a 
receberei  para  Mim  mesmo,  para  que  onde  encarnação,  e  do  homem  redimido  em 
Eu estou estejais vós também. (Jo 14:2‐3)  Cristo  sendo  levado  para  dentro  de  Deus 

E
mediante  a  morte  de  Cristo  em  Sua 
sses  versículos  são,  quiçá,  os  ressurreição,  para  a  produção  e  a 
versículos mais mal‐entendidos nas  edificação  da  casa  do  Pai,  um  lugar  de 
Escrituras. O ponto de vista comum  habitação mútua, ou morada, para o Deus 
é  que  a  casa  do  Pai  é  o  céu  e  que  as  Triúno  e  Seu  povo  escolhido,  redimido  e 
moradas  (ou  “mansões”)  são  lugares  de  regenerado. Nessa morada mútua, como o 
habitações  particulares  no  céu,  Senhor  Jesus  diz  em  João  15, 
designados  pelo  Senhor  para  cumprir  o  permanecemos Nele, e Ele permanece em 
desejo  de  cada  crente.  Alega‐se  que,  nós.  A  partir  disto,  vemos  que  o 
depois  de  Sua  ascensão,  “uma  das  Evangelho  de  João  diz  respeito  à 
preocupações principais de Jesus tem sido  encarnação, crucificação e ressurreição de 
preparar um lar celestial para sua família.  Cristo  para  a  edificação  de  um  lugar  de 
Eu  gosto  da  palavra  mansão  habitação  mútua,  retratada  pela  casa  do 
simplesmente  porque  qualquer  coisa  que  Pai em João14.  
Jesus  crie  será  elegante”  (Bennett  103).7 
Uma  nota  em  The  MacArthur  Study  Bible  Não  importa  o  que  a  interpretação 
diz: “Ele estava indo para preparar um lar  popular  de  João  14  seja,  não  há,  nesse 
celestial  para  eles  e  retornará  para  levá‐ capítulo,  o  pensamento  dos  crentes  indo 
los,  de  modo  que  eles  estejam  com  Ele.  para o céu a fim de viver em uma morada 
Isto...  se  refere  ao  arrebatamento  dos  celestial  que  se  supõe  estar,  atualmente, 
santos  no  fim  da  era  quando  Cristo  em  construção.  Este  conceito,  que  é, 
retornar”  (1613).  Essas  citações  são  frequentemente,  injetado  no  texto  pelos 
exemplos  representativos  dos  ensinos  pregadores  e  expositores,  não  tem  base 
errôneos  associados  com  esses  dois  na  verdade.  A  intenção  do  Senhor  Jesus 
versículos.  A  casa  do  Pai  não  é  o  céu,  as  em  João  14  não  era  preparar  um  lugar 
muitas  moradas  não  são  lugares  de  para  nós  no  céu,  e,  em  seguida,  por  fim, 
habitação no céu, e a vinda do Senhor não  levar‐nos  para  lá.  Esta  pode  ser  a  ideia 
se refere ao arrebatamento.8    gerada  pela  mente  natural,  religiosa,  mas 
não é o conceito divino.  
A casa do Meu Pai. A ideia de ir para o céu 

A
e  passar  a  eternidade  ali  em  uma  o estudar João 14, o ponto crucial a 
“mansão”  feita  sob  medida,  celestial,  é  apreender  é  que  a  casa  do  Pai, 
inconsistente  com  o  pensamento  básico  nesse  capítulo,  não  se  refere  ao 
do  Evangelho  de  João  e  com  o  conceito 
6
céu;  pelo  contrário,  a  casa  do  Pai,  no  como  Sua  morada.  As  moradas  na  casa, 
versículo  2,  significa  um  organismo  por  conseguinte,  são  habitações  onde 
espiritual  ___  a igreja, que é a casa do Deus  habitamos em Deus e Deus habita em nós. 
vivo  e  o  Corpo  de  Cristo,  como  uma  Isto deve ajudar‐nos a apreciar e entender 
morada  mútua  para  o  Deus  Triúno  e  os  a  palavra  do  Senhor  em  15:4: 
crentes  em  Cristo.  A  intenção  eterna  de  "Permanecei  em  Mim,  e  Eu  permanecerei 
Deus, segundo o desejo do Seu coração, é,  em  vós”.  Aqui,  permanecer  é  a  forma 
em  Cristo  e  baseado  em  Sua  redenção  e  verbal de morada. Visto que Cristo é nossa 
nos  processos  da  economia  divina,  vir  morada,  nós  permanecemos  Nele,  e  visto 
para  dentro  de  nós,  tornando‐Se  um  que  somos  Sua  morada,  Ele  permanece 
conosco,  e,  em  Cristo,  levar‐nos  para  em  nós.  Portanto,  o  pensamento  em  João 
dentro  Dele  mesmo,  tornando‐nos  um  14  não  é  que  seremos  levados  para  um 
com Ele, de modo que Ele e nós tenhamos  céu  material  e  habitaremos  ali  em  casas 
um  lugar  de  habitação  mútua,  uma  físicas;  o  pensamento  é  que,  por  meio  de 
morada  mútua  com  o  Deus  Triúno  Cristo,  como  o  único  caminho  para  o  Pai, 
habitando em nós e conosco habitando no  somos levados para dentro de Deus o Pai, 
Deus  Triúno.  Este  é  o  conceito  divino  de modo que, em Cristo, possamos habitar 
central e controlador em João 14.  Nele,  da  mesma  forma  que  o  Pai,  em 
Cristo,  habita  em  nós.  Lamentavelmente, 
Muitas  Moradas.  Na  casa  do  Pai  ___  isto  é,  entretanto,  sob  a  influência  da  teologia 
na  igreja  como  a  casa  do  Deus  vivo  ___  há  tradicional,  incontáveis  crentes  nutrem  o 
muitas moradas, ou lugares de habitação.  pensamento  de  habitar  em  uma  mansão 
Usar  a  palavra  mansões  ao  invés  de  celestial ao invés de viver em uma morada 
moradas,  ao  traduzir  Jo  14:2,  é,  no  mútua com o Deus Triúno em Cristo.   
mínimo,  corromper.  A  mesma  palavra 
grega aparece no singular no versículo 23,  Vou preparar­vos lugar. Nos versículos 2 e 
onde o Senhor Jesus nos diz que o Pai e o  3, o Senhor Jesus disse: “Vou preparar‐vos 
Filho virão para aquele que ama o Senhor  lugar.  E  se  Eu  for  e  vos  preparar  lugar, 
e  guarda  Sua  palavra  e  farão  morada  virei  outra  vez  e  vos  receberei  para  Mim 
juntamente  com  ele.  Isto  revela  que  o  mesmo,  para  que  onde  Eu  estou  estejais 
resultado da visitação graciosa do Pai e do  vós  também”.  A  ida  do  Senhor  aqui  se 
Filho  com  o  crente  é  a  produção  de  uma  refere a Seu morrer para nos redimir para 
morada, um lugar de habitação. As muitas  Deus  e  para  remover  todas  as  barreiras 
moradas  no  versículo  2  e  a  morada  no  entre  nós  e  Deus  de  modo  que,  no  Filho, 
versículo  23  são  lugares  espirituais,  estejamos  no  Pai.  Quando  o  Senhor  Jesus 
orgânicos,  não,  como  se  supõe  disse  que  Ele  iria  e  prepararia  um  lugar 
comumente,  casas  físicas  literais  ou  para  nós,  Ele  estava  falando  não  de  um 
apartamentos  no  céu.  Se  considerarmos  lugar  no  céu,  mas  de  um  lugar  em  Deus. 
esses  versículos  juntos  em  relação  à  casa  Ao  ir  por  meio  da  morte  e,  em  seguida, 
do  Pai  como  um  lugar  de  habitação  entrar  em  Sua  ressurreição,  o  Senhor 
corporativo, orgânico, espiritual, veremos  preparou  um  lugar  em  Deus  o  Pai. 
que as muitas moradas na casa do Pai não  Conforme  Ele  mesmo  afirmou 
são  lugares,  mas  pessoas,  os  crentes  em  explicitamente,  Ele  está  em  Deus  o  Pai 
Cristo.  Na  casa  do  Pai,  a  igreja  como  o  (vv.  10‐11)  e  é  também  o  caminho  para 
Corpo  de  Cristo,  cada  crente,  cada  Deus  o  Pai  (v.  6).  Seu  desejo  é  que  nós 
membro, é uma morada.    também  estejamos  no  Pai  e,  por 


conseguinte,  estejamos  onde  Ele  mesmo 
recisamos  ser impressionados com  está  (17:21).  Isto  significa  que  pelo  ir  de 
o  fato  que  a  casa  do  Pai  com  suas  Cristo  mediante  a  morte  e  ressurreição, 
muitas  moradas  é  um  lugar  de  temos sido levados, no Filho, para dentro 
habitação mútua. Por um lado,  em  Cristo,  de  Deus  o  Pai  e  temos  uma  permanência 
habitamos  em  Deus  como  nossa  morada;  Nele. Essa é a razão pela qual Paulo pôde 
por  outro,  em  Cristo,  Deus  habita  em  nós  falar  de  uma  igreja  local,  a  igreja  dos 

7
tessalonicenses, como estando em Deus o  possível,  Ele  teve  que  ir  no  sentido  de 
Pai (1Ts 1:1; 2Ts 1:1).  passar  por  Sua  morte  redentora, 
reconciliadora, removedora de barreira e, 

A
 comissão do Senhor como o Cristo  em  seguida,  voltar  para  Seus  discípulos 
não foi descer do céu e, em seguida,  em  Sua  ressurreição  como  o  Cristo 
retornar ao céu e edificar um lugar  pneumático,  o  Espírito  que  dá  vida.  No 
para nós ali a fim de levar‐nos para nosso  versículo 18, o Senhor disse: “Virei a vós”. 
lar  no  céu.  Esse  entendimento  religioso  Essa promessa foi cumprida no dia de Sua 
popular está drasticamente em desacordo  ressurreição  (20:19‐22),  quando  Ele  veio 
com  a  verdade  divinamente  revelada  no  aos  discípulos  e  soprou,  comunicou,  a  Si 
Evangelho  de  João.  A  verdade  é  que  o  mesmo para dentro deles como o Espírito. 
Filho,  nosso  Senhor  Jesus  Cristo,  veio  de  O Cristo que estava com os discípulos em 
Deus  o  Pai  mediante  a  encarnação  e  Sua  encarnação  passou  pela  morte  e 
voltou  para  o  Pai  mediante  a  morte  e  entrou  na  ressurreição,  de  modo  que  Ele 
ressurreição a fim de nos levar para o Pai  se  tornasse  o  Cristo  pneumático,  o 
e  até  mesmo  para  dentro  do  Pai  e,  Espírito  da  realidade,  para  habitar  não 
portanto,  para  dentro  da  casa  do  Pai.  O  meramente  com  os  discípulos,  mas  neles. 
Senhor  não  está  laborando  no  céu  como  Por  conseguinte,  em  João  14,  virei  outra 
um  carpinteiro  (conforme  alguns  vez  no  versículo  3  e  virei  e  venho  nos 
sugerem)  para  construir  uma  casa  ou  versículos 18 e 28 não falam da  vinda do 
apartamento  físicos  para  nós.  Mediante  Senhor outra vez para arrebatar os santos 
Sua  morte  e  em  Sua  ressurreição,  Ele  já  ou  trazer  o  reino,  mas  de  Sua  vinda  em 
tem preparado um lugar para nós na casa  ressurreição como o Espírito da realidade 
do Pai, a igreja. Seu desejo concernente  a  para  entrar  nos  discípulos  e,  em  seguida, 
nós  é  que  nossos  olhos  espirituais  sejam  viver neles.   
abertos agora e iluminados para vermos o 
que  Ele  tem  feito,  onde  Ele  está,  e  onde  Nesse  momento,  desejo  mostrar  que, 
estamos e o que somos Nele.  contrariamente  ao  entendimento 
tradicional  de  João  14,  a  vinda  e  a  ida  de 
Virei  outra  vez  e  vos  receberei  para  Mim  Cristo  são  questões  não  de  lugares,  mas 
mesmo.  O  Senhor  emitiu  essas  palavras  de  pessoas.  Com  certeza,  mediante  a 
em  Jo  14:3.  No  versículo  28,  Ele  disse:  encarnação,  o  Senhor  Jesus  veio  ao 
“Ouvistes que Eu vos disse: Vou e venho a  mundo,  contudo,  Seu  propósito  não  foi 
vós”.  Contrariamente  ao  que  é  ensinado  simplesmente  vir  à  terra  como  um  lugar 
por  alguns,  essa  vinda  não  é  a  vinda  do  físico, mas vir às pessoas, Seus escolhidos 
Senhor  outra  vez  no  fim  da  era,  como  na terra. No mesmo princípio, Sua ida por 
mencionado em Apocalipse 22:7, 12 e 20.  meio da morte e ressurreição não foi para 
Na  opinião  de  John  MacArthur,  a  partida  levar  Seus  crentes  a  um  lugar,  mas  levá‐
do Senhor seria vantajosa para os crentes  los  a  uma  pessoa,  Deus  o  Pai.  Por 
“visto  que  Ele  estava  indo  para  preparar  conseguinte,  em  fidelidade  à  revelação 
um lar celestial para eles e retornará para  divina  escrita  em  João  14,  devemos 
levá‐los,  de  modo  que  eles  estejam  com  abandonar  a  preferência  e  preocupação 
Ele”  (1613).9  As  palavras  virei  outra  vez  com lugar (céu) e a ideia supersticiosa de 
não  se  referem,  de  maneira  alguma,  ao  compartimentos  literais  na  casa  do  Pai 
arrebatamento; essas palavras referem‐se  considerados  como  o  céu,  e  nos 
à  vinda  de  Cristo  em  Sua  ressurreição  concentrarmos  na  pessoa  grandemente 
para habitar em Seus discípulos (Jo 14:17,  maravilhosa  ___ o próprio Deus. Não é Deus 
20).   imensuravelmente  mais  importante  que 
um lugar físico projetado e edificado para 
O  Senhor  Jesus  veio  mediante  a  nosso  conforto  e  deleite?  Não  é, 
encarnação  para  estar  entre  Seus  certamente,  o  plano  do  Senhor  Jesus 
discípulos,  contudo,  visto  que    estava  na  levar‐nos para um lugar melhor chamado 
carne, Ele não era capaz de entrar neles e  céu.  Muito  pelo  contrário,  Sua  intenção 
habitar  neles.  A  fim  de  que  isto  fosse 
8
em  João  14  foi  (e  ainda  é)  levar‐nos  a  e  palavras  estejam  intimamente  relaciona‐ 
para dentro de uma pessoa, Deus o Pai, no  das,  existe  uma  diferença  significante 
qual habitaremos eternamente.    entre elas. Uma corporação é um grupo de 
pessoas combinadas ou associadas em um 
Onde  Eu  estou  estejais  vós  também.  A  corpo,  costumeiramente  com  o  propósito 
palavra  do  Senhor  no  versículo  3  a  de negócio ou governo. Uma incorporação 
respeito  disto  não  significa  que  Ele  está  é um assunto de união e mesclar íntimos. 
no  céu  e  que  estaremos  com  Ele  no  céu  Incorporar  é  unir  intimamente,  misturar, 
onde  Ele  está.  O  Filho  está  no  Pai,  e  é  o  combinar,  ou  mesclar  totalmente  em  um 
desejo  do  Filho,  como  expressão  da  todo.  Incorporação  denota  tanto  o  ato  de 
vontade  e  do  beneplácito  do  Pai,  que  incorporar  quanto  o  estado  de  ser 
estejamos com Ele onde Ele mesmo está ___  incorporado. Enquanto união diz respeito 
no  Pai.  Mediante  Sua  morte  e  à nossa unidade com o Senhor em vida, e 
ressurreição,  Cristo  levou  Seus  crentes  mesclar  está  relacionado  à  unidade  das 
para  dentro  de  Si  mesmo.  Visto  que  Ele  naturezas  divina  e  humana,  incorporação 
está  no  Pai  e  nós  estamos  Nele,  também  é  um  assunto  de  pessoas  em  um 
estamos  no  Pai  por  estarmos  Nele.  Assim  relacionamento  de  coinerência,  isto  é,  de 
sendo,  visto  que  estamos  em  Cristo  e  pessoas  habitando  uma  na  outra.  União  e 
Cristo  está  em  nós,  podemos  estar  com  mesclar referem‐se a nosso relacionamen‐ 
Ele onde Ele está, e Ele está no Pai.  to  com  o  Senhor,  não  em  nossa  pessoa, 


mas  em  vida  e  natureza.  Não  é 
recisamos  ser  profundamente  humanamente  possível  para  uma  pessoa 
impressionados  com  o  fato  que,  estar  em  outra  pessoa.  Entretanto,  o  que 
uma vez que o Senhor está no Pai e  não  é  possível  com  a  humanidade  no 
porque  estamos  em  Cristo  o  Senhor,  âmbito  físico  é  possível,  até  mesmo  real, 
estamos  no  Pai,  uma  pessoa,  não  um  com  Deus,  no  âmbito  divino  e  místico. 
lugar.  Mediante  o  Filho  como  o  caminho,  Neste  âmbito,  nós,  os  crentes,  habitamos 
estamos  agora  no  Pai  (v.  6).  Portanto,  no  Deus  Triúno,  e  o  Deus  Triúno  habita 
onde Ele está, também estamos. Ademais,  em  nós.  Isto  é  uma  questão  de 
mediante  estarmos  no  Pai  por  estarmos  coinerência, de pessoas habitando uma na 
no Filho que está no Pai, estamos na casa  outra.  Se  virmos  esta  verdade  crucial  da 
do  Pai,  em  Seu  lugar  de  habitação  vivo,  coinerência,  perceberemos  a  importância 
orgânico,  espiritual,  e  temos,  até  mesmo,  do  termo  incorporação,  que  implica  uma 
tornado‐nos  moradas  nesse  lugar  de  união mais íntima e que transmite a ideia 
habitação  mútua  do  Deus  Triúno  e  do  de  coinerência  e  a  incorporação 
homem  tripartido  redimido  e  regenerado  produzida por ela.   
em  Cristo.  Esta  é  a  casa  do  Pai  com  as 

O
muitas  moradas,  e  este  é  o  lugar  onde  o  s três da Trindade Divina são uma 
Filho está e onde estamos também.  incorporação  desde  a  eternidade, 
tanto  naquilo  que  eles  são  quanto 
A Incorporação Humano­Divina  naquilo  que  fazem.  O  Pai,  o  Filho  e  o 
Espírito  estão  incorporados  pelo  coinerir 
A  palavra  do  Senhor  em  João  14  fala,  mutuamente: “Eu estou no Pai e o Pai está 
primeiramente,  da  incorporação  divina  em Mim” (vv. 10‐11). Os três da Trindade 
(vv.  10‐11)  e,  em  seguida,  da  Divina  são  uma  incorporação  também 
incorporação  humano‐divina  (v.  20),  que,  pelo operar juntos como um: “As palavras 
na  economia  de  Deus,  é  a  expansão  da  que  Eu  vos  digo,  não  as  falo  por  Mim 
incorporação  divina,  porquanto  inclui  mesmo;  mas  o  Pai,  que  permanece  em 
tanto humanidade quanto divindade.  Mim,  faz  as  Suas  obras...  crede  ao  menos 
por causa das próprias obras” (vv. 10‐11). 
Visto  que  incorporação  é  uma  palavra  Disto, vemos que o próprio Deus Triúno é 
assaz  incomum  para  usar  com  relação  a  uma  incorporação,  porquanto  o  Pai,  o 
João 14, é importante defini‐la e distingui‐ Filho  e  o  Espírito  habitam  um  no  outro  e 
la  de  corporação.  Embora  essas  duas 
9
operam juntos como um. Isto revela que o  humanidade  foi  levada  para  dentro  de 
Deus  Triúno  coexistente  e  coinerente  é  Deus.  Agora,  não  estamos  apenas  com 
uma incorporação de pessoas coinerentes,  Deus  em  vida  e  mesclados  com  Ele  em 
uma incorporação divina.   natureza; também coinerimos com Ele em 
pessoa.  No  Filho,  habitamos  em  Deus  o 
Atos  2:23  indica  que  a  incorporação  Pai, e, no Filho, o Pai habita em nós  ___  esta 
universal,  divina,  os  três  da  Trindade  é a incorporação humano‐divina revelada 
Divina,  fizeram  uma  conferência  na  em João 14.10  
eternidade  e  concordaram  em  enviar  o 
segundo da Trindade Divina, o Filho, para  A  incorporação  humano‐divina  é  a  igreja 
dentro  do  tempo  a  fim  de  tornar‐se  um  de  Deus  como  a  casa  do  Pai,  que  é  para 
homem  para  a  realização  da  redenção  e  Seu  descanso,  satisfação  e  manifestação 
para  levar  a  cabo  a  economia  divina.  Por  (v.  2).  Temos  mostrado  que  todos  os 
meio  da  encarnação,  o  Filho  trouxe  essa  crentes em Cristo são moradas na casa do 
incorporação  divina  para  dentro  da  Pai,  lugares  de  habitação  mútua,  na  qual 
humanidade.  Na  eternidade  passada,  os  coabitam,  coinerem,  com  o  Pai  e  o  Filho. 
três do Deus Triúno coinerente já estavam  Em nossas atuais experiências espirituais, 
incorporados  para  serem  a  incorporação  a  casa  do  Pai  é  edificada  pela  visitação 
divina.  Então,  o  Filho,  por  meio  de  Sua  constante do Pai e do Filho com o Espírito 
encarnação,  trouxe  essa  incorporação  aos  crentes.  A  respeito  disto,  o  versículo 
para dentro do tempo a fim de que todo o  21  diz:  “Aquele  que  tem  os  Meus 
povo  de  Deus  escolhido  e  redimido  fosse  mandamentos  e  os  guarda,  esse  é  o  que 
incorporado  economicamente  na  Me  ama;  e  aquele  que  Me  ama,  será 
incorporação  divina  a  fim  de  produzir  a  amado  por  Meu  Pai,  e  Eu  o  amarei  e  Me 
incorporação  universal,  humano‐divina  manifestarei  a  ele”.  O  versículo  23 
do  Deus  Triúno  processado  e  consumado  prossegue  dizendo:  “Se  alguém  Me  ama, 
com os crentes regenerados.   guardará  a  Minha  palavra;  e  Meu  Pai  o 
amará, e viremos a ele e faremos morada 
 A  incorporação  em  João  14  não  é  juntamente com ele”. A morada aqui “será 
meramente uma incorporação divina, mas  uma  morada  mútua,  na  qual  o  Deus 
também uma incorporação que inclui não  Triúno  habita  nos  crentes  e  estes  Nele” 
somente  o  Deus  Triúno,  mas  também  (Versão  Restauração,  v.  23,  nota  1).  Na 
todos  os  crentes  que,  em  Cristo  e  casa  do  Pai  e  como  parte  da  casa  do  Pai, 
mediante  Cristo,  foram  levados  para  fazemos  nossa  morada  em  Deus  e  Deus 
dentro  de  Deus.  Esta  é  a  estonteante  faz Sua morada em nós. Isto é coinerência 
revelação  em  Jo  14:20:  “Naquele  dia,  vós  ___ isto é incorporação.  

conhecereis  que  Eu  estou  em  Meu  Pai,  e 


vós  em  Mim,  e  Eu  em  vós”.  Naquele  dia  Ensinar que a casa do Pai em João 14 é o 
denota o dia da ressurreição do Filho. Vós  céu  ou  uma  assim  chamada  mansão  no 
conhecereis  que  Eu  estou  em  Meu  Pai  céu anula a verdade divinamente revelada 
revela  que  o  Filho  e  o  Pai  têm  sido  concernente  à  incorporação  humano‐
incorporados  em  um.  As  palavras  vós  em  divina.  Sob  a  influência  desse  ensino 
Mim  desvelam  o  fato  que  os  crentes  aberrante  e  da  tradição  religiosa,  os 
regenerados  têm  sido  incorporados  no  crentes  podem  ansiar  habitar  em  “uma 
Filho e no Pai no Filho, que está no Pai. O  mansão  exatamente  sobre  o  topo  do 
Filho está no Pai e o Pai está no Filho; esta  monte”,  em  um  lar  celestial  entendido  de 
é  a  incorporação  divina.  No  Filho,  nós  modo físico. Entretanto, Deus o Pai deseja, 
estamos no Pai, e, no Filho, o Pai está em  no  Filho,  habitar  conosco  em  Sua  casa  ___ 
nós; esta é a incorporação humano‐divina.  uma  morada  mútua,  uma  incorporação 

M
humano‐divina  de  pessoas  coinerentes  ___ 
ediante  a  encarnação  de  Cristo,  revelada  divinamente  e  entendida  misti‐ 
Deus  foi  trazido  para  dentro  da  camente.  
humanidade,  e,  por  meio  da 
morte  e  ressurreição  de  Cristo,  a 
10
A
 incorporação  humano‐divina  é  Como  ramos  da  videira  ___  isto  é,  como 
também  a  videira  do  Filho  para  o  partes  da  incorporação  humano‐divina 
aumento,  a  difusão  e  glorificação  revelada  em  Jo  14:20  ___  precisamos 
de Deus (15:1‐8, 16). A videira verdadeira  permanecer na videira (15:4‐5). Estar em 
significa  o  Cristo  todo‐inclusivo  como  o  Cristo  como  a  videira  é  um  assunto  de 
organismo  do  Deus  Triúno  processado  e  união,  ao  passo  que  permanecer  Nele 
consumado  em  Sua  economia.  Os  ramos  como  a  videira  é  um  assunto  de 
da  videira,  os  quais  foram  enxertados  na  comunhão.  Se  desejamos  permanecer  em 
videira,  são  os  crentes  em  Cristo,  que  Cristo,  a  videira  verdadeira,  precisamos  
foram  regenerados  com  a  vida  divina,  ver  que  já  somos  ramos  na  videira;  em 
levados  para  dentro  de  uma  união  seguida,  tendo  essa  visão,  precisamos 
orgânica  com  o  Cristo  crucificado  e  manter a comunhão entre nós e o Senhor. 
ressurreto,  e  incorporados  na  incorpora‐  Esta  é  a  vida  cristã  genuína,  uma  vida  de 
ção humano‐divina.   permanecer,  de  ficar  na  videira  como  a 
incorporação  humano‐divina.  Na  prática, 
Precisamos  ser  iluminados  e  instruídos  a  permanecer  em  Cristo  como  a  videira  é 
respeito  da  verdade  que,  como  tal  ser  um  espírito  com  Ele,  pois  Ele  é  o 
incorporação,  a  videira  verdadeira  com  Espírito  que  dá  vida  mesclado  com  o 
seus  ramos  ___  Cristo  o  Filho  com  os  nosso  espírito  regenerado  como  um 
crentes no Filho  ___  é o organismo do Deus  espírito (1Co 15:45; 6:17). Em nosso viver 
Triúno  na  economia  divina  para  crescer  diário  com  o  Cristo  ressurreto  e  a 
com  Suas  riquezas  e  expressar  Sua  vida.  experiência  Dele,  nosso  permanecer  Nele 
Deus o Pai, como o agricultor é a fonte e o  é  a  condição  do  Seu  permanecer  em  nós 
fundador; Deus o Filho como a videira é o  (Jo 15:4‐5). À medida que permanecemos 
centro, a corporificação e a manifestação;  na  videira,  gradualmente  chegamos  a 
Deus  o  Espírito  é  a  realidade  e  a  conhecer  que  a  videira  é  tudo  para  os 
percepção;  e  os  ramos  são  o  Corpo,  a  ramos  e  que,  à  parte  da  videira,  não 
expressão  corporativa  (vv.  1,  4‐5,  26).  somos  nada,  não  temos  nada,  e  não 
Com  relação  à  revelação  em  João  14,  podemos nada (v. 5).   
devemos  mostrar  que  tudo  que  o  Pai  é  e 
tem  é  corporificado  em  Cristo  o  Filho  e 
percebido  no  Espírito  como  a  realidade. 
Tudo  que  o  Espírito  tem  é,  então, 
Q uanto  mais  permanecemos  em 
Cristo  como  a  videira  verdadeira, 
mais temos a vida genuína da igreja 
trabalhado  dentro  dos  crentes,  os  ramos,  revelada no Novo Testamento (1Co 1:2, 9, 
para ser expressado e testificado por meio  30;  6:17;  12:27).  O  aspecto  excelente 
deles.  Dessa  maneira,  o  Deus  Triúno  dessa vida da igreja é a unidade: Os ramos 
processado  e  consumado  é  expressado,  são um com a videira e uns com os outros 
manifestado  e  glorificado  na  igreja  (Ef  (Jo 17:11, 21‐23). Quanto mais habitamos 
3:16‐21).  Essa  videira  é  o  organismo  do  em  Cristo,  mais  participamos  da 
Deus  Triúno  unido,  mesclado  e  comunhão maravilhosa entre os ramos, e, 
incorporado  com  Seu  povo  escolhido,  nessa  comunhão,  descobrimos  que  a  vida 
redimido  e  regenerado  (Jo  14:20).  Nesse  interior de todos os ramos é uma (“Cristo 
organismo,  o  Pai,  o  Filho  e  o  Espírito  nossa  vida”,  Cl  3:4)  e  que  essa  vida  deve 
coinerem  com  os  crentes  mutuamente,  circular  continuamente  através  de  todos 
porquanto  o  Deus  Triúno  e  os  crentes  os  ramos  (Jo  15:4‐5;  1Jo  1:7).  Isto  leva  à 
estão  unidos,  mesclados  e  incorporados.  percepção  que  a  vida  da  igreja,  a  vida  do 
Aqui,  vemos  o  alvo  de  Deus  em  Sua  Corpo,  é  uma  vida  de  membros  amando 
economia  ___  produzir  e  manter  uns  aos  outros  (Jo  15:12,  17).  A  vida  do 
eternamente  a  incorporação  humano‐ Corpo é uma vida de amor e em amor (Ef 
divina  expandida,  universal,  do  Deus  4:15‐16;  5:2).  Na  vida  de  Cristo,  não  em 
Triúno  processado  e  consumado  com  os  nossa  vida  natural,  a  vida  humana, 
crentes regenerados.    precisamos  amar  o  outro  no  amor  de 
Cristo.  Essa  vida  gloriosa  da  igreja  na 

11
incorporação humano‐divina só é possível  habitação de Deus em realidade, de fato e 
quando  vivemos  no  espírito  mesclado  ___  na prática. 

N
em  Cristo  como  o  Espírito  que  dá  vida 
mesclado  com  nosso  espírito  ___  que  é  a  osso  viver  na  incorporação 
realidade  da  incorporação  humano‐ humano‐divina  é  sustentado  e 
divina.   mantido pelo comer o Senhor. Em 
João  6,  vemos  que  Cristo  é  o  pão  da  vida 
A  respeito  da  incorporação  humano‐ (vv.  35,  48),  o  pão  vivo  (v.  51),  o 
divina  desvelada  em  João  14  e  retratada  verdadeiro  pão  do  céu  (v.  32)  e  o  pão  de 
em  João  15,  o  Evangelho  de  João  Deus  (v.  33).  O  Senhor  Jesus  nos  diz 
apresenta  três  assuntos  espirituais  vitais  enfaticamente  que  devemos  comê‐Lo 
e  indispensáveis  ___  amor,  comer  e  como o pão da vida, o pão de Deus. “Este é 
pastorear.     o  pão  que  desceu  do  céu,  para  que  o  que 
dele comer  não  morra.  Eu sou o pão vivo 
Quando  o  apóstolo  João  fala  da  que desceu do céu; se alguém comer desse 
incorporação  humano‐divina,  ele,  pão,  viverá  eternamente”  (v.  50‐51). 
frequentemente,  fala  de  amor  (14:15,  21,  Imediatamente, o Senhor segue falando de 
23,  28,  31).  De  fato,  permanecer  na  comer Sua carne (vv. 51‐58). A menos que 
videira  é  permanecer    no  amor.  “Como  o  “comamos  a  carne  do  Filho  do  Homem  e 
Pai Me amou, assim também Eu vos amei;  bebamos  Seu  sangue”  não  temos  vida 
permanecei  no  Meu  amor.  Se  guardardes  dentro de nós (v. 53), porém se comemos 
os Meus mandamentos, permanecereis no  Sua  carne  e  bebemos  Seu  sangue,  temos 
Meu  amor;  assim  como  Eu  tenho  vida  eterna,  pois  Sua  carne  é  verdadeira 
guardado  os  mandamentos  de  Meu  Pai,  e  comida, e Seu sangue é verdadeira bebida 
no  Seu  amor  permaneço”  (15:9‐10).  (vv.  54‐55).  Isto  nos  leva  a  uma  palavra 
Somos  incorporados  em  e  com  o  Deus  que  conecta  comer  com  incorporação: 
Triúno  para  nos  tornarmos  Seu  lugar  de  “Quem come a Minha carne e bebe o Meu 
habitação  pelo  amar  o  Senhor  com  o  sangue permanece em Mim, e Eu nele” (v. 
primeiro  e  melhor  amor  (Ap  2:4).  Visto  56).  Quando  revelou  a  videira  verdadeira 
que  Deus  é  amor,  quando  permanecemos  com seus ramos, o Senhor nos encarregou 
no amor, permanecemos em Deus e  Deus  a  permanecermos  Nele  de  modo  que, 
permanece  em  nós  (1Jo  4:16);  este  é  o  experiencialmente,  Ele  permaneça  em 
amor  na  incorporação  humano‐divina,  nós,  resultando  em  uma  vida  de 
amor  na  realidade  da  coinerência.  Não  coinerência.  Agora,  entendemos  que  esse 
geramos  esse  tipo  de  amor  por  auto‐ permanecer  mútuo  depende  do  nosso 
esforço, porquanto tal amor tem o próprio  comer Sua carne e beber Seu sangue.     
Deus  como  única  fonte.  Podemos  dizer 
que  nosso  amor  pelo  Senhor  é  um  “por‐ Comer  é  contatar  coisas  fora  de  nós  e 
causa‐do‐amor”,  um  amor  que  é  uma  recebê‐las dentro de nós, com o resultado 
resposta a Seu amor por nós e a Seu amor  que elas se tornam constituintes do nosso 
em  nós.  “Nós  amamos  porque  Ele  nos  ser  orgânico.11    Tão  chocante  quanto 
amou  primeiro”  (v.  19).  “Deus  nos  amou  possa  ser  para  a  mente  religiosa,  isto  é 
primeiro  ao  infundir‐nos  o  Seu  amor  e  exatamente  o  que  Deus  deseja;  Ele  quer 
gerou no nosso interior o amor com que O  que  Seu  povo  O  coma,  digira‐O,  e  O 
amamos  e  com  que  amamos  os  irmãos”  assimile.  Isto  está  conforme  o  plano 
(Versão  Restauração,  v.  19,  nota  1).  É  o  eterno  de  Deus  de  dispensar  a  Si  mesmo 
amor em Deus, o amor que Deus é em Sua  para  dentro  de  nós  de  modo  que  Ele  Se 
essência,  que  Lhe  dá  o  anelo  de  unir‐Se,  torne  a  fibra  do  nosso  ser.  Deus  quer  ser 
mesclar‐Se e incorporar‐Se conosco, e é o  digerido  e  assimilado  por  nós  com  o 
mesmo  amor  em  nós  que  nos  dá  o  anelo  resultado  que,  em  Sua  economia  e  pelo 
de unir‐nos, mesclar‐nos e incorporar‐nos  Seu  dispensar,  Ele  Se  torne  nosso 
com  Ele.  Na  experiência  mútua  desse  constituinte  espiritual.  Isto  produz  a 
amor,  nós  nos  tornamos  o  lugar  de  unidade pela qual o Senhor Jesus orou em 

12
João 17, uma unidade de coinerência, uma  Essa  revelação  básica  permeia  o 
unidade de e em a incorporação humano‐ Evangelho  de  João  (11:25;  14:2)  e  é 
divina.   crucial  que  estudantes  fervorosos  da 
Palavra  vejam  vida  e  edificação  como 
Por  fim,  precisamos  perceber  que,  desvelado  no  Evangelho  de  João.  Esse 
segundo  a  revelação  plena  no  Evangelho  evangelho  revela  que  o  Deus  Triúno  está 
de  João,  o  pastorear  de  Cristo  é  para  a  dispensando  a  Si  mesmo  como  vida  para 
casa  do  Pai.  Da  mesma  forma  que  os  dentro  dos  Seus  crentes  (3:15)  e  que  os 
estágios  do  pastorear  no  Salmo  23  crentes,  como  o  resultado  desse 
culminam  em  habitarmos  na  casa  do  dispensar,  tornam‐se  o  edifício  de  Deus, 
Senhor,  assim  também  o  pastorear  do  Sua expressão corporativa (10:10; 14:2‐3, 
Senhor  Jesus  nos  leva  a  e,  em  seguida,  6).  Em  Sua  ressurreição,  o  Senhor  Jesus 
edifica‐nos  para  dentro  de  a  casa  do  Pai  reedificou o templo de Deus (que era Seu 
como a incorporação humano‐divina.  corpo)  de  uma  maneira  mais  ampla, 


tornando‐o  um  lugar  de  habitação 
risto  é  o  bom  Pastor  que  deu  Sua  corporativa,  o  Corpo  místico  de  Cristo 
vida pelas ovelhas, de maneira que,  (2:19‐22). O Corpo de Jesus, o templo que 
na  vida  divina,  houvesse  um  só  foi destruído na cruz, era pequeno e fraco, 
rebanho e um só Pastor (Jo 10:10‐11, 14‐ mas  o  Corpo  de  Cristo  em  ressurreição  é 
17).  Como  o  bom  Pastor,  o  Senhor  Jesus  vasto  e  poderoso  (1Co  3:16‐17;  Ef  1:22‐
veio  para  que  pudéssemos  ter  a  vida  23).  Desde  o  dia  de  Sua  ressurreição,  o 
divina e tê‐la em abundância. Ele deu Sua  Senhor  Jesus  tem  estado  a  expandir  Seu 
vida humana para realizar a redenção por  Corpo  em  Sua  vida  de  ressurreição  por 
Suas ovelhas de modo que elas, os crentes,  meio  da  pregação  do  evangelho  e 
possam  compartilhar  Sua  vida  divina.  mediante  Seu  pastorear  em  vida.  Mesmo 
Agora,  como  o  bom  Pastor,  o  Senhor  nos  agora,  Ele  está  trabalhando  para  a 
pastoreia  ao  alimentar‐nos  com  Ele  edificação  do  Seu  Corpo  (que  é  a  casa  do 
mesmo  e  em  Si  mesmo  como  a  pastagem  Pai) sob o processo de ressurreição. 

C
(v.  9).  Ademais,  como  o  bom  Pastor,  o 
Senhor  está  nos  liderando,  guiando  e  omo a incorporação humano‐divina, 
dirigindo‐nos  na  vida  divina,  pois  Ele,  o  a casa do Pai é um assunto do Deus 
Cristo  pneumático  habitante  como  o  Triúno,  mediante  a  encarnação, 
Espírito que dá vida, nos pastoreia em Sua  crucificação e ressurreição, trabalhando a 
vida  a  partir  do  nosso  espírito  Si mesmo em Cristo como o Espírito para 
regenerado.  Finalmente,  sob  o  pastorear  dentro  dos  crentes  a  fim  de  ser  unido, 
de Cristo como o bom Pastor, “haverá um  mesclado  e  incorporado  com  eles  para  a 
só rebanho, um só Pastor” (v. 16). Este um  edificação  de  uma  lugar  de  habitação 
só  rebanho,  formado  tanto  de  judeus  mútua  ___  a  casa  em  João  14  ___  para  Sua 
crentes  quanto  de  gentios  crentes,  é  a  expressão  e  manifestação.  A  vinda  do 
igreja  única,  o  Corpo  de  Cristo  (Ef  2:14‐ Senhor  trouxe  Deus  para  dentro  do 
16; 3:6).  homem,  e  Sua  ida,  mediante  a  morte  e  a 
ressurreição, levou o homem para dentro 
Por  fim,  o  Senhor  Jesus  está  nos  de Deus. Por este vir e ir, Ele edifica Deus 
pastoreando  em  vida  para  a  casa  do  Pai,  dentro  dos  crentes  e  edifica  os  crentes 
para  a  incorporação  humano‐divina  (Jo  dentro de Deus para a casa de Deus. Esta é 
14:2‐3).  O  Senhor  é  a  vida  divina  (v.  6),  a  casa  de  Deus,  a  incorporação  humano‐
Ele  nos  dá  a  vida  divina  (10:10),  e  nos  divina,  produzida  pela  união,  mescla  e 
pastoreia  na  vida  divina  para  o  edifício  incorporação  do  Deus  Triúno  processado 
divino,  que,  segundo  João  14,  é  a  casa  do  e  consumado  com  Seu  povo  escolhido, 
Pai. Esses dois assuntos centrais  ____  vida e  redimido e regenerado (vv. 7‐24). Esta é a 
edificação  ___    são  a  revelação  básica  da  maravilhosa e misteriosa revelação divina 
Bíblia, que nos mostra que a vida é para o  em João 14.                     
A&C
edifício e que o edifício é de vida.    

13
Notas  habitam  mutuamente  uma  na  outra.  Que 
milagre! 
1  Deve  ser  notado  que  no  capítulo  24  do 
5  Os  escritos  do  apóstolo  João  são  uma 
Evangelho  de  Lucas  há  três  espécies  de 
abertura:  a  abertura  dos  olhos  (v.  31),  a  revelação  das  coisas  divinas  e  misteriosas.  O 
abertura das Escrituras (v. 32) e a abertura da  pensamento  no  Evangelho  de  João,  em 
mente  (v.  45).  À  parte  dessa  abertura  tripla,  particular,  é  absolutamente  divino  e 
não  podemos  conhecer  o  Senhor  nem  Sua  misterioso.  Divino  refere‐se  às  coisas  que 
Palavra.  dizem  respeito  a  Deus  ou  que  pertencem  a 
Deus  e  à  Sua  operação  para  levar  a  cabo  Seu 
2  Infelizmente,  essa  necessidade  é  negada  propósito  eterno.  Todas  as  coisas 
e  repudiada  pelos  professores  de  teologia  concernentes  a  Deus  e  pertencentes  a  Deus 
hoje. Alguns chegam ao ponto de alegar que os  são  divinas  e,  portanto,  são  misteriosas. 
crentes  não  precisam  da  iluminação  do  Precisamos ter isto em mente quando lemos o 
Espírito  nem  da  liderança  do  Espírito  da  capítulo  14  do  Evangelho  de  João,  pois  esse 
realidade  para  entender  a  Palavra  de  Deus.  capítulo, em particular, e o evangelho, em sua 
Uma ilustração dessa opinião é encontrada no  totalidade,  são  divinos  e  místicos.  Caso 
ensaio  de  Douglas  Kennard,  onde  ele  afirma  contrário,  não  veremos  ou  sequer 
que,  para  entender  os  textos  bíblicos,  os  entenderemos essa revelação que diz respeito 
crentes  e  os  incrédulos  são  essencialmente  o  ao âmbito divino e místico que nos é dado em 
mesmo,  e  que,  de  fato,  “um  não‐cristão  João 14. 
experimentado”  pode    sair‐se  melhor  que  um 
6  Veja  Lee,  The  Divine  and  Mystical  Realm, 
cristão  genuíno  que  é  habitado  pelo  Espírito 
de  Deus;  “o  ministério  não  faz  nada  melhor  págs.  23‐32, 36‐44.  
que  um  incrédulo  que  tem,  eminentemente, 
7  Para um catálogo de paródias exegéticas 
afiado as habilidades e é sensível ao texto e..., 
em  alguns  exemplos,  o  cristão  pode,  similares,  veja  meu  artigo  “’In  My  Father’s 
verdadeiramente,  sair‐se  pior  que  um  não‐ House’”. 
cristão  habilidoso  na  interpretação  do  texto  8  Há  alguns  anos,  eu  li  uma  mensagem 
bíblico” (805). Aparentemente, para Kennard, 
nós não precisamos ficar preocupados com os  religiosa  impressa  na  parte  detrás  de  uma 
véus,  pensamentos  cegados  pelo  inimigo  de  camisa usada por um pregador. Em uma nota 
Deus,  ou  com  uma  mente  natural,  fechada,  e  anexada  ao  desenho  de  uma  cruz  estavam  as 
não  precisamos  orar  para  que  os  olhos  do  seguintes  palavras:  “Foi  ver  o  Pai.  Estamos 
nosso  coração  sejam  iluminados  pelo  Pai  da  preparando  um  lugar  para  você.  Voltará  logo 
glória. Para Kennard, o que é necessário não é  para  arrebatar  você”.  Segundo  esse  exemplo 
desvelar, abrir e iluminar, mas sensibilidade e  da  teologia  popular,  em  João  14,  o  Senhor 
habilidades  finamente  afiadas,  uma  visão  Jesus  e  o  Pai  estão,  agora, preparando  um  lar 
notavelmente  em  desacordo  com  aquela  do  para nós no céu, e logo Jesus voltará para nos 
Senhor Jesus e dos apóstolos.   arrebatar  e  levar‐nos  para  nosso  lar  celestial. 
Isto  é  uma  ilustração  de  quão  difundido  é  o 
3  Visto  que  o  assunto  da  Trindade  Divina  entendimento  errôneo  de  João  14  entre  os 
como apresentado em João 14 será tratado em  crentes hoje.  
um artigo separado nesta edição (“The Divine  9  O  restante  da  nota  na  MacArthur  Study 
Trinity  in  John  14”),  não  será  considerado 
diretamente aqui.   Bible continua: 

4  Crer  para  dentro  do  nome  do  Senhor  é  Esta  é  uma  das  passagens  que  se 
referem  ao  arrebatamento  dos  santos 
recebê‐Lo para dentro de nós como vida e luz  no  final  da  era  quando  Cristo  retornar. 
(Jo 1:4, 12‐13); crer para dentro Dele é entrar  Os  aspectos  nessa  descrição  não 
Nele  como  um  âmbito  de  vida  e  luz  (3:15;  descrevem  Cristo  vindo  à  terra  com 
12:36).  Por  um  lado,  cremos  para  dentro  do  Seus  santos  para  estabelecer  Seu  reino 
Filho  de  Deus  e,  por  meio  disso,  entramos  (Ap  19:11‐15),  mas  para  levar  os 
Nele;  por  outro,  cremos  para  dentro  do  Seu  crentes da terra para viver no céu. Visto 
nome, e Ele  entra em nós. O resultado desses  que nenhum juízo sobre os não salvos é 
dois  para  dentro  é  a  união,  o  mesclar  e  a  descrito  aqui,  este  não  é  o  evento  de 
coinerência. Somos um com o Senhor em vida,  Seu  retorno  em  glória  e  poder  para 
estamos  mesclados  com  Ele  em  natureza,  e  destruir  os  maus  (cf.  Mt  13:36‐43;  47‐
coinerimos  com  Ele  como  pessoas  que  50). Antes, isto descreve Sua vinda para 
14
reunir  os  Seus  que  estão  vivos  e  princípio da encarnação  ___  o princípio de Deus 
ressuscitar  os  corpos  daqueles  que  e do homem, do homem e de Deus, tornando‐
morreram  para  levá‐los  para  o  céu.  se um. No Novo Testamento, o Senhor se torna 
Esse evento do arrebatamento também  um  com  Seus  apóstolos,  e  eles  se  tornam  um 
é  descrito  em  1Co  15:51‐54;  1Ts  4:13‐ com  Ele.  Porquanto  os  apóstolos  foram 
18.  Depois  de  ser  arrebatada,  a  igreja  incorporados com o Deus Triúno, a palavra do 
celebrará  as  bodas  (Ap  19:7‐10),  será  Senhor torna‐se sua palavra e aquilo que eles 
recompensada  (1Co  3:10‐15;  4:5;  2Co  proclamam é Sua palavra; portanto, Deus fala 
5:9, 10), e, posteriormente, retornará à  no  falar  dos  apóstolos.  Terceira,  somos 
terra com Cristo quando Ele voltar para  incorporados  com  o  Deus  Triúno  para  nos 
estabelecer Seu reino (Ap 19:11___20:6).  tornarmos  Seu  templo  (3:16‐17).  No 
(1613)   Evangelho  de  João,  o  primeiro  aspecto  da 
incorporação  do  Deus  Triúno  processado  e 
Aqui,  MacArthur  edifica  erro  sobre  erro. 
consumado  com  os  crentes  regenerados  é  a 
Primeiramente, ele afirma que as mansões em 
casa  de  Deus,  a  casa  do  Pai,  tipificada  pelo 
Jo  14:2  são  “aposentos,  ou  mesmo 
templo no Antigo Testamento (14:2; 2:16‐21). 
apartamentos” (1613), na grande casa do Pai, 
De  acordo  com  a  palavra  de  Paulo  em 
mal interpretando assim o significado tanto de 
1Coríntios  3,  o  Espírito  que  dá  vida  como  a 
casa  quando  de  moradas.  Em  seguida,  ele 
consumação  do  Deus  Triúno  habita  em  nós  e 
assevera  que  o  Senhor  foi  para  preparar  um 
nos  considera  como  Seu  templo.  Quarta, 
“lar celestial” para nós. Logo depois, ele afirma 
somos  incorporados  com  o  Deus  Triúno  para 
que  o  Senhor,  em  Sua  vinda,  arrebatará  os 
sermos  um  só  pão  (10:17).  Este  único  pão 
santos para seu lar celestial a fim de viver com 
significa o único Corpo de Cristo. Somos todos 
Ele.  Entrementes,  na  visão  de  MacArthur,  os 
um  só  Corpo,  um  só  pão,  porque  todos 
santos  não  permanecerão  muito  tempo  no 
participamos  do  único  pão  e,  por  meio  disso, 
aposento  ou  no  apartamento  no  céu,  pois 
somos  identificados  com  ele  e  nos  tornamos 
retornarão  à  terra  com  Cristo  quando  Ele 
um  com  ele.  Nossa  participação  de  Cristo 
voltar para estabelecer Seu reino. Assim, o lar 
como o único pão nos torna Seu único Corpo. 
celestial  não  é  um  lugar  de  habitação  eterna, 
Finalmente,  somos  incorporados  com  o  Deus 
porém  parece‐se  mais  com um  hotel  de  beira 
Triúno  para  nos  tornarmos  o  Cristo 
de  estrada  para  viajantes.  Isto  é,  na  verdade, 
corporativo  ___  “o  Cristo”  em  12:12.  Nesse 
não somente uma escatologia incoerente, mas 
versículo,  o  Cristo  refere‐se  ao  Cristo 
algo  que  interpreta  erroneamente  João  14  e 
corporativo, composto do próprio Cristo como 
deturpa  o  Senhor  em  Seu  ministério  em 
a  Cabeça  e  da  igreja  como  Seu  Corpo  com 
ascensão,  pois  O  apresenta  como  preparando 
todos os crentes como os membros. Mediante 
um  lugar  de habitação temporária  na  casa do 
nossa  união,  mesclar  e  incorporação  com  o 
Pai entendida como céu.  
Deus  Triúno  em  Sua  economia,  temos  nos 
10  Temos  um  rico  desenvolvimento  e  tornado o Corpo de Cristo, que consumará na 
aplicação  da  incorporação  humano‐divina  em  Nova  Jerusalém  como  a  incorporação  final  e 
1Coríntios.  Paulo  enfatiza  cinco  questões.  máxima  da  divindade  e  da  humanidade,  a 
Primeira,  estamos  incorporados  com  o  Deus  incorporação  humano‐divina  eterna,  univer‐ 
Triúno  para  desfrutarmos  a  comunhão  do  sal.    
Filho  de  Deus  (1:9).  A  palavra  comunhão  11  Na  realidade,  a  Bíblia  é  um  livro  de 
denota  junção,  ou  participação  comum,  e  a 
comer (Gn 2:16‐17; Ap 2:7; 22:14). O registro 
comunhão de Seu Filho significa o partilhar de, 
a respeito do comer espiritual na Bíblia é uma 
a  participação  em,  o  Filho  de  Deus.  Ser 
forte  indicação  que  Deus  planeja  dispensar  a 
chamado  para  dentro  da  comunhão  do  Filho 
Si  mesmo  para  dentro  de  nós  pelo  comer.  O 
de  Deus  é  ser  chamado  para  dentro  da 
fato  de  Deus  colocar  o  homem  em  frente  à 
mutualidade  na  qual  somos  um  com  Cristo,  e 
árvore  da  vida  indica  que  Deus  queria  que  o 
Ele  é  um  conosco.  Nessa  unidade  e 
homem  O  recebesse  como  vida  pelo  comê‐Lo 
mutualidade,  desfrutamos  Cristo  e  tudo  que 
organicamente  e  assimilá‐Lo  metabolicamen‐
Ele  é,  e  Ele  desfruta‐nos  e  tudo  que  somos 
te, levando Deus a se tornar o constituinte do 
Nele.  Ademais,  a  comunhão  do  Filho  de  Deus 
ser  do  homem  (Gn  2:9).  A  Páscoa  revela  que 
envolve a unidade entre nós e o Deus Triúno e 
Deus  nos  liberta  pelo  alimentar‐nos,  que  Ele 
também  a  unidade  entre  todos  os  crentes. 
nos  salva  pelo  dar‐nos  algo  para  comer  (Êx 
Segunda,  somos  incorporados  com  o  Deus 
12:1‐11).  Enquanto  o  Cordeiro  nos  energiza 
Triúno  para  Deus  e  os  crentes  falarem  juntos 
para  deixar  o  mundo  tipificado  pelo  Egito,  o 
como  um  só  (7:10,  12,  25,  40)  conforme  o 
maná  nos  nutre  e  nos  constitui  com  um 
15
elemento  celestial  (16:14‐15).  O  comer  o 
maná  pelos  filhos  de  Israel  mostra  que  a 
intenção de Deus em Sua salvação é trabalhar 
a Si mesmo para dentro de nós e mudar nossa 
constituição  ao  mudar  nossa  dieta  e  nos 
alimentar  com  Cristo  como  o  alimento 
celestial  (Jo  6:27,  32,  35).  Deuteronômio  8:7‐
10  revela  que  Deus  queria  que  Seu  povo 
comesse  o  produto  da  boa  terra,  um  tipo  das 
riquezas do Cristo todo‐inclusivo (Ef 3:8).  
Em  geral,  os  cristãos  têm  negligenciado  o 
comer do Senhor e perdido a visão do fato que 
os  crentes  têm  o  direito,  por  meio  da 
redenção, de comê‐Lo (Ap 22:14). Portanto, o 
Senhor  planeja  restaurar  nosso  comer  Dele 
(2:7,  17;  3:20).  Isto  significa  que  Ele  quer 
restaurar a igreja de volta ao início ___ ao comer 
da árvore da vida (Gn 2:9, 16‐17; Ap 2:7). Ele 
deseja  restaurar  nosso  comer  do  alimento 
ordenado por Deus e tipificado pela árvore da 
vida,  pelo  maná  e  pelo  produto  da  boa  terra, 
os  quais  são  tipos  de  Cristo  como  alimento 
para nós.   
 
Obras Citadas 
Bennett,  Rita;  To  Heaven  and  Back:  True 
Stories  or  Those  Who  Have  Made  the 
Journey. Grand Rapids: Zondervan, 1997. 
Kangas,  Ron.  “‘In  My  Father’s  House’:  The 
Unleavened  Truth  of  John  14.”  Affirmation 
& Critique V.2 (abril de 2000): 22‐36. 
Kennard,  Douglas.  “Evangelical  Views  on 
Illumination  of  Scripture  and  Critique.” 
Journal  of    the  Evangelical  Theological 
Society IL.4 (dezembro de 2006): 797‐806. 
Lee,  Witness.  The  Divine  and  Mystical  Realm. 
Anaheim: Living Stream Ministry, 1996. 
__________. 
Footnotes.  Recovery  Version  of  the 
Bible.  Anaheim:  Living  Stream  Ministry, 
1996. 
__________. 
Notas  de  rodapé.  Versão  Restauração 
da Bíblia. Anaheim: Living Stream Ministry, 
2008. 
MacArthur  Study  Bible.  Nashville:  Word 
Bibles, 1997. 
 
   
 

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