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O cimento é fundamental para a sociedade

contemporânea, mas quais são seus impactos ambientais


e como é possível reduzi-los?

O cimento pode ser considerado um recurso que revolucionou a história da


engenharia e a maneira como cidades passaram a se desenvolver.
Residências, praças, edifícios, estádios e praticamente quaisquer tipos de
construções contam com essa substância como um dos seus materiais
básicos. Mas você já se perguntou como se dá o processo de produção de
cimento e como fazer para reduzir seus impactos?

A fabricação de cimento não é simples e requer muita energia e diferentes


mecanismos. Utilizado como agente aglomerante, as principais matérias-
primas presentes em sua composição são o calcário e a argila. Ambos
encontrados, ainda em excesso, e extraídos da natureza.

Assim, pode-se considerar que os sítios destinados para a sua produção são
constituídos por duas grandes atividades: a mineração de calcário e
a fabricação de cimento. As instalações das fábricas costumam ser próximas
aos locais de extração do calcário para facilitar o transporte da matéria-prima
pesada até a área industrial.

A atividade de mineração da rocha calcária é realizada em grandes pedreiras


mecanizadas a céu aberto. E, após serem extraídas, as rochas são
desmontadas e reduzidas com explosivos para terem uma granulometria
adequada.

Etapas da fabricação
O processo tecnológico de produção de cimento implantado na maioria das
indústrias brasileiras é conhecido como processo via seca e é constituído,
principalmente, das seguintes etapas:

1. Moagem e homogeneização das matérias-primas (obtenção


da farinha crua)
2. Clinquerização da farinha crua em fornos rotativos (produção
do clínquer) e posterior resfriamento do clínquer
3. Moagem do clínquer para e adição de gesso para obtenção
do cimento
4. Ensacamento e expedição do produto final
Em primeiro lugar, as matérias primas - calcário (94%), a argila (4%) e
quantidades menores de óxidos de ferro e alumínio (2%) – são moídas e
misturadas até a obtenção de um pó fino (farinha crua). Em seguida, esse
material é introduzido em um forno rotativo onde é aquecido até uma
temperatura de 1500 °C, antes de ser subitamente resfriado por rajadas de ar.
Assim é produzido o clínquer, material básico necessário para a fabricação do
cimento. O material obtido (clínquer) é misturado com gesso (gipsita) e outras
adições (como calcário, pozolana ou escória) dando origem aos diversos tipos
de cimento que são, por fim, ensacados para que possam ser comercializados.

Esse processo exige um alto consumo de energia , seja na forma de energia


térmica (calor), por meio de combustíveis utilizados para aquecer os fornos
rotativos para a produção de clínquer, seja na forma de energia elétrica,
consumida em todo o processo industrial para movimentar máquinas, fazer
girar os fornos rotativos e os moinhos. A maior parte desse consumo, porém, é
referente ao gasto de energia térmica durante a queima dos combustíveis.

Os combustíveis que alimentam os fornos são, na maior parte das vezes, de


fontes não renováveis, como o petróleo e o carvão. Dentre os combustíveis
mais utilizados se destacam alguns sólidos, como o coque do petróleo e a
gasolina, e alguns gasosos, como o gás natural e outros derivados do carvão
mineral.

O coque de petróleo é a principal fonte de energia na indústria cimenteira,


sendo o principal combustível utilizado no forno rotativo de clínquer. É um
material granular negro e brilhante constituído principalmente por carbono (90 a
95%), mas também costuma apresentar um teor expressivo de enxofre (cerca
de 5%). O motivo desse combustível ser muito utilizado se deve ao seu
elevado poder calorífico associado com o baixo custo de aquisição.

Além desses combustíveis tradicionais, também podem ser aproveitados


resíduos e rejeitos industriais e de biomassa, carvão vegetal e resíduos
agrícolas para alimentar os fornos.

Impactos ambientais
As fábricas de cimento acabam poluindo o ambiente e são responsáveis por
impactos ambientais relevantes.

E, apesar do processo de fabricação desse material não produzir resíduos


sólidos diretamente, já que as cinzas provenientes da queima dos combustíveis
no forno rotativo são normalmente incorporadas no próprio clínquer, há uma
alta emissão de poluentes gasosos e material particulado.

Dessa maneira, os principais impactos são provocados pela emissão dos


gases poluentes provenientes dessa queima. Um exemplo é a alta emissão
de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases que desequilibram
o efeito estufa.

Sob a orientação do World Business Council for Sustainable


Development (WBCSD - Conselho Empresarial Mundial para o
Desenvolvimento Sustentável), a Cement Sustainable Initiative (CSI - Iniciativa
para a Sustentabilidade do Cimento) encomendou um vasto programa de
pesquisa sobre o impacto da indústria do cimento em nível mundial e trabalhou
para desenvolver um plano de ação, de modo a encontrar formas para
melhorar a sustentabilidade da produção do cimento.

As cimenteiras são responsáveis por cerca de 5% da emissão global de dióxido


de carbono (CO2), de fonte antrópica, liberado anualmente na atmosfera.
Estima-se que, na produção de uma tonelada de clínquer, seja produzida uma
tonelada de CO2, contribuindo em grande parte para o aumento do efeito
estufa, segundo estudo.
No processo de fabricação do cimento também podem ser liberados o óxido de
enxofre, óxido de nitrogênio, monóxido de carbono e compostos de chumbo,
sendo todos eles poluentes.

Além disso, durante a primeira etapa de extração das matérias-primas, também


podem ocorrer impactos físicos, como desmoronamentos nas pedreiras de
calcário e erosões devido às vibrações produzidas no terreno. E a extração de
argila em rios pode causar o aprofundamento desses cursos d’água,
diminuindo a quantidade de água nos leitos e atrapalhando os habitats ali
existentes, o que diminui a biodiversidade de diversas regiões.

Alternativas para reduzir impactos


A previsão é que a produção de cimento continue a crescer nos próximos anos,
o que aumentaria, por consequência, as emissões totais de CO2 no mundo.
Para evitar esse quadro, é necessário que o processo produtivo sofra
alterações, já que dificilmente a demanda por cimento irá diminuir.

O plano de ação da CSI, citado anteriormente, elenca alguma opções para


viabilizar a sustentabilidade na produção de cimento:

 Alteração de plantas fabris, de modo a haver captura do carbono


emitido;
 Utilização unicamente da via seca no processo de produção,
exigindo menor alimentação do forno;
 Reaproveitamento de resíduos industriais e agrícolas para
alimentação do forno, em vez de usar combustíveis fósseis
(coprocessamento);
 Substituição parcial, em construções, do cimento por outros
materiais;
 Alteração da formulação do cimento para que sua produção libere
menor quantidade de CO2.

Essas atitudes precisariam ser tomadas pelas produtoras do material. A


escolha por modelos de cimento que se baseiem nessas práticas e a pressão
sobre governo e empresas para que se regulamente uma legislação
sustentável para o setor são métodos de tentar alterar o rumo atual.
O cimento, como já foi dito, é fundamentalpara a "construção" da sociedade
que conhecemos hoje. Portanto, não devemos demonizá-lo, mas procurar
alternativas em larga escala para que seus impactos sejam diminuídos e
alternativas mais sustentáveis possam ser desenvolvidas.
Fontes: World Business Council for Sustainable Development, Cement
Sustainable Initiative, Análise da geração de poluentes na produção de
cimento, e International Energy Agency (IEA) report on carbon emissions.

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1569-processo-de-producao-do-
cimento-gera-emissoes-e-pode-diminuir-biodiversidade.html

Diagrama CIMPOR de Produção de Cimento - http://www.cimpor-


portugal.pt/cache/binImagens/Esquema_produtivo_Cimento-523.pdf

IME – Notas de aula:


http://aquarius.ime.eb.br/~webde2/prof/ethomaz/cimentos_concretos/fab_cim_portland.pdf

Fabricação de CIMENTO – SECIL http://www.secil-group.com/wp-


content/uploads/2016/10/Processo-de-Fabrico-de-Cimento.pdf

http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/BC1C2A2A/AnexoXI_Cimento_11GTFontesFi
xas_02e03fev11.pdf