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ISSN 1413-389X Temas em Psicologia - 2010, Vol.

18, no 2, 469 – 479

Credulidade e Efeito Barnum ou Forer

Guenia Bunchaft
Universidade Federal do Rio de Janeiro – Brasil

Helmuth Krüger
Universidade Católica de Petrópolis – RJ – Brasil

Resumo
O Efeito Barnum ou Forer é objeto de estudo teórico e pesquisa empírica na psicologia. Trata-se de
uma manifestação particular de credulidade. Consiste na aceitação pelas pessoas de descrições de
personalidade fictícias como exatas e verdadeiras. O Efeito Barnum está relacionado ao problema da
distinção entre ciência e pseudociência, bem como aos processos de validação científica de
instrumentos de avaliação de personalidade. Por esta razão, vários autores empreenderam diferentes
pesquisas, cujas variáveis independentes eram descrições de personalidade baseadas em afirmativas
vagas, genéricas e ambíguas, a exemplo de horóscopos. Foi experimentalmente constatado que tais
descrições, a despeito de sua imprecisão, encontraram aceitação junto a muitos participantes de
pesquisas que foram conduzidas com este objetivo. Os resultados dessas pesquisas suscitam tanto
problemas teóricos, como é o caso da distinção entre ciência e pseudociência, quanto questões de
natureza prática, aplicáveis à experiência de profissionais da saúde de modo geral, notadamente na de
psicólogos e psiquiatras. A implementação de processos educativos e psicossociais visando à
prevenção e ao controle da credulidade estão relacionados ao desenvolvimento do pensamento crítico.
Palavras-chave: Credulidade, Efeito Barnum, Validação pessoal.

Credulity and Barnum or Forer Effect

Abstract
The Barnum or Forer Effect is an object of theoretical study and empirical research in Psychology. It
is a particular manifestation of credulity. It consists on the acceptance of fictitious descriptions of
personality traits by people that accept them as exact and truthful. The Barnum Effect is related to the
problem of distinguishing between science and pseudoscience as well as to the scientific process of
validating personality evaluative instruments. Therefore, several authors have conducted researches,
where the independent variables are vague, generic and ambiguous assertions such as those of
horoscopes. It has been empirically verified that such descriptions, despite their lack of precision were
accepted by most participants in such experiments. The results of these research initiatives rouse
theoretical problems, such as those related to the distinction between science and pseudoscience as
well as questions of practical nature, applicable in the experience of professionals dealing with health
problems, more specifically psychiatrists and psychologists. The implementation of educational and
psychosocial procedures aiming at credulity prevention and control is related to the development of
critical thinking.
Keywords: Credulity, Barnum Effect, Personal validation.

_____________________________________
Endereço para correspondência: Guenia Bunchaft – R. Barão de Itambi 7, Apto. 111. Botafogo, Rio de Janeiro
RJ. CEP.: 22231-000. Fone: (21) 2551-4179. E-mail: guenia@gueniabunchaft.com.br.
Helmuth Krüger – R. Barão do Amazonas 124. Centro, Petrópolis, RJ. CEP.: 25685-070. Fone: (24) 2244-4117.
E-mail: helmuth.kruger@ucp.br.
Este artigo é baseado na tese de doutorado defendida pela autora em 2006, orientada pelo Prof. Dr. Helmuth
Krüger, e apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade do Estado do Rio
de Janeiro.
470 Bunchaft, G., & Krüger, H.

A despeito de sua importância social, o Curiosamente, a frase “nasce um idiota a


tema da credulidade não tem sido muito cada momento”, a ele atribuída, foi na verdade
investigado na psicologia. Credulidade é a da lavra de um seu concorrente, segundo
aceitação de afirmativas sobre fatos e biógrafos mais informados. Talvez tenha sido
experiências humanas, sem exigência crítica. esta a razão da escolha de Meehl (1971) para
Ela se manifesta na experiência cotidiana, caracterizar a particular manifestação de
religiosa, política, familiar, social e cultural. credulidade humana por ele investigada.
A credulidade produz prejuízos para Forer (1949), também psicólogo,
pessoas, grupos e coletividades humanas em demonstrou, em artigo publicado no Journal of
todos os campos, situações e oportunidades nas Abnormal and Social Psychology, que as
quais ela se manifesta. A incapacidade de pessoas tendem a aceitar como precisas
proceder à análise crítica de conteúdos descrições pessoais de personalidade, ainda que
comunicados em relações interpessoais ou estas sejam formuladas de uma forma vaga,
transmitidos através dos diversos meios e genérica e ambígua, sendo direcionadas à
canais de comunicação social deixa as pessoas maioria da população. Assim, muitas pessoas
reféns de processos de controle social. Daí a tendem a aceitar descrições de caráter vago e
importância política e social do tema. geral de personalidade como unicamente
Na psicologia, o melhor exemplo atual aplicáveis a si próprias sem perceber que as
disponível acerca de estudos e pesquisas sobre mesmas descrições poderiam servir a
a credulidade é o Efeito Barnum ou Forer, que praticamente qualquer outra pessoa.
pode ser experimentalmente investigado. Para corroborar sua hipótese, Forer (1949)
Historicamente, os primeiros levantamentos aplicou uma suposta avaliação de personalidade
empíricos sobre a credulidade foram realizados a 32 estudantes, baseada numa descrição feita
por Hadley Cantril, que investigou os efeitos numa coluna de astrologia, que em sua primeira
psicossociais do programa de rádio elaborado e linha já demonstrava sua ambiguidade: “Tem
transmitido por Orson Welles em 1938, sob o necessidade de ser amado e admirado pelos
título War of the Worlds. Cerca de um milhão outros, contudo demonstra tendência crítica a si
de norteamericanos foram influenciados por mesmo” (p. 119). Todos eles receberam a
aquele programa que, mediante recursos de mesma descrição e nenhum deles percebeu este
sonoplastia, supostamente irradiava a invasão fato durante a pesquisa: “Do ponto de vista do
de seres extraterrestres. experimentador, era essencial que nenhum
O Efeito Barnum ou Forer, também estudante visse o perfil de personalidade
conhecido como efeito da validação subjetiva recebido por outro estudante, porque todas as
ou da validação pessoal, consiste na aceitação avaliações eram idênticas.” (Forer, 1949, p.
de descrições de personalidade vagas e gerais 120).
como exatas e verdadeiras. Foi designado Ao final do teste, os estudantes deveriam
Efeito Barnum pelo psicólogo Paul Meehl atribuir uma nota à avaliação de sua
(1971), referindo-se ao ilusionista norte- personalidade, indicativa do grau de
americano Phineas Taylor Barnum, conhecido confiabilidade por eles individualmente
por sua reputação de mestre do ilusionismo ou concedida à referida avaliação. Como nenhum
manipulação psicológica coletiva, numa alusão deles atribuiu um grau baixo à falsa avaliação,
à reação de credulidade das pessoas. Forer (1949) concluiu que, para os estudantes, a
Conforme Barnum e Cook (2005), Phineas avaliação de sua personalidade pareceu ser
Taylor Barnum (1810-1891) é um dos nomes bastante exata. Com isso, o pesquisador atingiu
mais celebrados na história dos espetáculos seu objetivo original, qual seja, investigar
circenses, reconhecido por episódios jocosos e alguns dos erros metodológicos que podem
frases de efeito. Por exemplo, o uso do termo afetar as estimativas quanto à validade das
“jumbo” referindo-se a um elefante apresentado interpretações de personalidade e dos
em seu circo como “o maior do mundo”. instrumentos de medição.
Também a expressão “irmãos siameses”, para O estudo de Forer (1949) esclarece, ao
designar irmãos que nascem fisicamente menos em parte, por que tantas pessoas pensam
ligados, ter-se-ia originado dos gêmeos Chang que as pseudociências funcionam. De fato, o
e Eng, provenientes do antigo Sião, fisicamente Efeito Barnum ou Forer está relacionado à
ligados pelo abdômen, que se apresentavam em definição de ciência e à distinção entre ciência
seu circo. e pseudociência, assim como aos processos de
Credulidade e Efeito Barnum ou Forer 471

validação científica de um instrumento de às outras pseudociências ou suposto


avaliação de personalidade, questões que ainda conhecimento, como a cartomancia, em que são
constituem objeto de estudo teórico e pesquisa feitas afirmações e previsões em geral, sobre o
empírica, tanto na filosofia da ciência, quanto passado, presente e futuro, além de avaliações
na psicologia, nesta, particularmente na de personalidade. Como se trata de uma série
psicometria. de formulações vagas, gerais, ambíguas e
Pignotti (2009) destaca como frequentemente favoráveis às pessoas, ou seja,
pseudociência o conjunto de crenças e de propícias à atuação do Efeito Barnum, essas
atitudes que são aplicadas através de técnicas afirmações de pseudociências são consideradas
sem base em conhecimento científico. Popper pelas pessoas como exatas.
(1981), Bunge (1973, 1998) e Pignotti (2009) Eis um exemplo: “O senhor se defrontou
relatam alguns critérios para distinguir ciência com um momento muito difícil em sua vida, por
de pseudociência – uma disciplina que se faz isso está vindo me consultar”. O que se diz
passar por ciência sem sê-lo. Para eles, um aqui? O que se diz, na verdade, é aplicável a
campo de conhecimento só pode ser qualquer pessoa. Improvável seria
considerado científico se atender aos seguintes encontrarmos alguém adulto (ou mesmo
requisitos: refutabilidade; testagem empírica criança) que jamais tenha se defrontado com
em condições controladas; e possibilidade de um momento difícil em sua vida. Note-se que
crítica. nem sequer é declarado se a pessoa está diante
do “momento difícil” – quer dizer, se os
problemas estão se iniciando – ou se já os
Refutabilidade enfrentou, no passado; “você se defrontou” não
A refutabilidade é atributo de teorias. deixa claro quando isso ocorreu, se há dez
Teorias refutáveis permitem a formulação de minutos, dez horas, dez dias ou dez anos. Trata-
previsões, mas, também, possibilitam a se de uma afirmação genérica.
delimitação de seu campo de abrangência
factual, mediante métodos científicos. Neste
sentido, uma teoria que não seja suscetível de Testagem empírica em condições
refutação não é considerada científica. controladas
“Quando, qualquer que seja o resultado do Este requisito refere que hipóteses
teste, a teoria é capaz de explicá-lo (...) esta formuladas devem ser testadas
teoria não satisfaz o critério de refutabilidade.” experimentalmente por meio de testes
(Popper, 1981, p. 83). É importante destacar rigorosos, em que as variáveis sejam
que o critério de refutabilidade sugerido por controladas e sejam empregados grupos de
Popper (1981) consiste apenas na busca de uma controle. Estes cuidados foram tomados por
linha divisória entre o discurso científico e Forer (1949), que retirou de um livro popular
outros tipos de conhecimento. Popper (1981) de astrologia uma avaliação, cujas afirmações
não sugere que se procure simplesmente eram genéricas, mas que, não obstante, foram
invalidar a hipótese original, mas que se insista consideradas exatas pela maioria dos
na busca da formulação mais clara e precisa participantes do experimento.
possível da teoria ou hipótese, a fim de facilitar No mesmo campo, Gauquelin (1985)
o tratamento experimental que venha a ser realizou pesquisa, enviando gratuitamente a
utilizado com o objetivo de tentar corroborá-la cerca de 50 pessoas o horóscopo, que
ou, se for o caso, refutá-la. As condições encomendou a um astrólogo, de um célebre
prévias, que devem ser atendidas, são a clareza criminoso francês que, durante a II Guerra
e a precisão, como o reconheceu Sir John Mundial, assaltou e assassinou dezenas de
Carew Eccles, que assim procedeu em sua pessoas. Nem o astrólogo e nem as pessoas que
investigação, atendendo à sugestão que Karl receberam a avaliação sabiam de quem se
Popper pessoalmente lhe dera, levando-o ao tratava, e a maioria das pessoas considerou que
abandono da hipótese elétrica da transmissão o horóscopo conseguia captar e descrever bem
sináptica em favor da aceitação da hipótese seus problemas pessoais.
rival, que é a da química (Kandel, 2009). Na mesma pesquisa, Gauquelin (1985)
Popper (1981) afirma, por exemplo, que menciona que um astrólogo responsável pela
previsões astrológicas são irrefutáveis por coluna de horóscopo de um jornal atendeu a
serem vagas. O mesmo tipo de análise se aplica centenas de solicitações que foram dirigidas à
472 Bunchaft, G., & Krüger, H.

sua seção, remetendo o mesmo horóscopo evolução da Física, nem da Astronomia. Como
genérico a todas as pessoas. Para seu espanto, afirma Gauquelin, “se a astrologia fosse uma
recebeu mais de 200 cartas de agradecimento, ciência digna deste nome, ela teria evoluído ao
que elogiavam a exatidão e a profundidade longo dos séculos, como a Física desde
informativa dos horóscopos recebidos. Aristóteles, a Medicina desde Hipócrates, a
Astronomia desde Ptolomeu. Mas ela não o
fez.” (Gauquelin, 1985 citado por
Possibilidade de crítica e discussão Gewandsznajder, 1989, p. 182).
de um sistema de conhecimentos
Trata-se da consistência interna de um
sistema de proposições e da coerência deste Variáveis influentes no Efeito
sistema com os fatos, além de sua Barnum
compatibilidade com pressupostos filosóficos,
especialmente os de ordem ontológica e As investigações incidiram sobre variáveis
epistemológica, que fundamentam toda e diversas que, possivelmente, influenciam o
qualquer investigação científica. Efeito Barnum. A literatura reportada por
Pseudociências não atendem a essas exigências. Cattell (1965), Del Prette e Del Prette (1999) e
No que diz respeito à consistência interna, Gauquelin (1985), estabelece três grupos de
a astrologia, por exemplo, propõe que existe variáveis, que se encontram na Figura 1 abaixo.
uma inter-relação entre as características de Quanto ao sujeito ou participante, além
personalidade, propensão a certas doenças, das características de personalidade e de
tendência para certos eventos ocorrerem em possíveis diferenças ligadas ao sexo, foi levada
épocas determinadas e as posições de astros no em consideração também a variável constituída
momento do nascimento. Há que se considerar, pelo seu grau de sofisticação psicológica, ou
além dessas observações críticas, a existência seja, o seu nível de conhecimento ou de
de horóscopos diversos e contraditórios. É o informação quanto aos instrumentos de
caso do horóscopo chinês, que difere do avaliação de personalidade.
ocidental em suas previsões e descrições de A variável interpessoal mais estudada foi o
personalidade, referentes às mesmas datas de prestígio ou status do aplicador/interpretador
nascimento. Então, como proceder na escolha do instrumento, sendo secundariamente
do horóscopo? Qual seria o critério a adotar? avaliada a variável denominada setting, que se
Quanto à relação com outros sistemas de refere ao contexto aplicador/local de
conhecimento, a astrologia não acompanhou a apresentação das falsas avaliações.

a) Variáveis do Sujeito
(i) Características de Personalidade;
(ii) sexo;
(iii) grau de sofisticação psicológica.

b) Variáveis Interpessoais
(i) Prestígio do Aplicador/Interpretador;
(ii) “setting” (ou contexto).

c) Variáveis Situacionais
(i) Especificidade da Interpretação;
(ii) grau de favorabilidade – desfavorabilidade das afirmativas;
(iii) generalidade das frases;
(iv) tipo de procedimento utilizado na avaliação.

Figura 1: Variáveis que possivelmente influem no Efeito Barnum


Credulidade e Efeito Barnum ou Forer 473

No que diz respeito às variáveis em se permitir que pessoas não especializadas e


situacionais ou de situação diagnóstica, foram sem os devidos conhecimentos e treinamento
estudadas as características específicas da emitam juízos pretensamente científicos ou
interpretação, isto é, se a falsa avaliação é apresentem explicações supostamente técnicas
apresentada como sendo resultante de um teste a pacientes neuróticos. Pode-se igualmente
ou instrumento de exame qualquer aplicado ao admitir que seja perigosa a veiculação pela
participante, quer dizer, sendo especificamente mídia de pseudotestes e avaliações
feita para ele, ou se é apresentada como sendo supostamente psicológicas, muito embora tal
uma avaliação de caráter geral, que se aplica à procedimento possa parecer inócuo ao
maioria das pessoas (quando se pede que o observador menos informado.
participante determine em que medida se aplica O que ocorre é que tais testes e avaliações
a ele também); o grau de carecem, via de regra, de qualquer
favorabilidade/desfavorabilidade das embasamento científico e são publicados ou
afirmativas que compõem a interpretação e a difundidos sem ressalva alguma quanto ao fato
generalidade das frases, enquanto associada à de não terem qualquer validade científica.
sua taxa de base, bem como o tipo de Admitindo-se que pessoas fragilizadas e com
instrumento/procedimento (suposta avaliação graves transtornos afetivos e cognitivos irão,
por teste psicológico, por programa de como observou Furham (1989), aceitar com
computador etc.). facilidade tudo de negativo contido em tais
feedbacks, pode-se bem compreender que não
seja exagero afirmar que estão em jogo muitos
Variáveis do Sujeito riscos pessoais – tanto psicológicos, quanto
A maior parte das evidências a respeito da físicos, tendo-se em conta fenômenos de
influência das características de personalidade somatização, autoagressão e mesmo o possível
da pessoa em sua aceitação de interpretação de encorajamento, ainda que involuntário, a
personalidade fictícia foi inconsistente. intenções de suicídio.
Furham (1989) verificou que a aceitação Acresce que mesmo aquelas previsões
de feedbacks positivos em detrimento de aparentemente sem um caráter negativo podem,
negativos estaria associada à extroversão e a se tomadas a sério pelo leitor ou ouvinte, ter
um locus de controle interno. Ou seja, como consequências desastrosas. Vamos supor que
reporta Shermer (2002), existe um viés que alguém psicologicamente fragilizado leia e
retrata um pensamento seletivo, que ocorre tome como válido e autorreferente o seguinte
quando a pessoa tende a aceitar informações texto: “É provável que surjam desafios ou
favoráveis às suas crenças e aos seus desejos rivais, gente querendo ocupar o seu lugar ou
pessoais, tendendo a rejeitar ou desvalorizar prejudicar a sua imagem” (Alvarenga, 2009).
informações que não estejam de acordo com os Essa pessoa, emocionalmente perturbada,
mesmos. Para Francis Bacon (citado por poderá, eventualmente, “explodir” com um
Deleuze, 2007) trata-se de um erro peculiar e novo colega de trabalho, identificado como o
frequente da compreensão humana, ser movido anunciado “rival” que estará “tentando ocupar o
e animado mais por informações que nos sejam seu lugar” e, assim, acabar perdendo,
favoráveis do que por declarações que apontem realmente, o emprego, numa “profecia
para alguma falha ou deficiência. Há, portanto, autocumprida” que, de certo, só irá fortalecer a
uma tendência da pessoa aceitar afirmações sua crença em horóscopos.
questionáveis, até falsas, caso estas lhe sejam O sexo, no caso do Efeito Barnum ou
positivas, propiciando condições para uma Forer, foi um fenômeno investigado por
validação subjetiva de pouco valor científico. diversos pesquisadores (Forer, 1949; Halperin,
Por outro lado, a probabilidade de aceitar Snider, Shenkel e Houstin,1976; Schroeder e
feedbacks negativos aumenta no mesmo sentido Lesik, 1976; Snyder, Shenkel e Lowery, 1977).
do resultado obtido pela pessoa em uma medida Segundo eles, ambos os sexos seriam
de neuroticismo (segundo a Escala de igualmente suscetíveis ao Efeito Barnum.
Eysenck), ou seja, quanto mais neurótica for a Para Piper-Terry e Downey (1998), a falta
pessoa, mais tendência terá de aceitar feedbacks de diferenças significativas quanto ao sexo,
negativos. indicado por investigações anteriores, causa
Este ponto é de grande importância, pois, alguma surpresa, uma vez que outras pesquisas
de imediato nos faz entender que há real perigo evidenciaram diferenças em certas
474 Bunchaft, G., & Krüger, H.

características de personalidade vinculadas ao A última variável testada neste grupo foi


sexo em dados referentes à sugestionabilidade. referente à satisfação psicológica dos
Em seu estudo, estes autores concluem que as participantes, medida através do nível de
mulheres aceitam mais as avaliações fictícias conhecimento que estes possuíam acerca dos
do que os homens – oferecendo para seus instrumentos de avaliação de personalidade.
achados, porém, outra explicação que não a Bachrach e Pattishall (1960) compararam
maior credulidade feminina: o desejo de ajudar estudantes universitários e psiquiatras na
o aplicador do teste seria o desencadeador da aceitação de avaliações de personalidade
maior aceitação de falsas avaliações por parte fictícias, presumindo que estes diferem em
das mulheres em comparação com os homens. faixa etária e nível de conhecimento científico.
Downey (1999) e Layne (1998) iniciaram, Os dados obtidos por esses autores não
recentemente, uma controvérsia em relação ao respaldaram a suposição de que a menor
tema. abrangência de conhecimento científico e
Layne (1998), acolhendo e examinando os relativa ingenuidade científica dos estudantes
dados apresentados por Piper-Terry e Downey universitários (mais jovens que os psiquiatras)
(1998), diverge destes dois autores quanto à torná-los-ia mais vulneráveis ao Efeito Barnum.
interpretação por eles oferecida para a maior À mesma conclusão chegou Pulido-Rull
aceitação feminina das falsas avaliações. Para (2000), para quem as avaliações são aceitas
Layne (1998), a explicação referente ao desejo “entusiasticamente”, não importa qual seja o
de ajudar é insuficiente por dois motivos. grau de sofisticação cognitiva da pessoa.
Primeiro, porque haveria outras maneiras É possível que, em uma situação clínica
de ajudar que poderiam levar ao resultado real, em que o paciente se sinta inseguro e com
oposto (baixa aceitação/rejeição da falsa a autoestima rebaixada, ele esteja mais
avaliação da personalidade). A mulher poderia propenso a aceitar avaliações de personalidade
pensar que, dizendo a verdade (ou seja, que a genéricas, conforme apontado por Furham
“avaliação” não corresponde muito à sua (1989); esse viés pode acentuar-se pelo fato de
personalidade), estaria ajudando mais. E, que psicólogos e psiquiatras tendem, por seu
segundo, devido à premissa da igualdade entre lado, a formular laudos genéricos e imprecisos
homens e mulheres, na perspectiva da (Blank, 1958; Davenport, 1952; Prince &
racionalidade. Neste sentido, a diferença entre Guastello, 1990).
homens e mulheres na aceitação de uma De modo geral, esses achados ressaltam a
devolução fictícia de um teste se situaria em responsabilidade social do psicólogo, que deve
diferenças quanto aos estilos de interação social tomar cuidado com as devoluções que dá na
de ambos os sexos, fato do qual tanto homens situação clínica, uma vez que pode haver uma
como mulheres são sabedores, caracterizando grande credulidade por parte do paciente,
sua racionalidade. acentuada em razão da crença de que o
Downey (1999) rejeitou a interpretação de psicólogo seja um profissional competente,
Layne (1998), destacando que os dados até apto à realização de psicodiagnósticos.
agora existentes sugerem que uma diferença em
termos de ser “prestativo” representa uma
explicação mais econômica e mais lógica para Variáveis Interpessoais
as diferenças entre homens e mulheres no Diversos investigadores (Rosen, 1975;
Efeito Barnum. Entre outros pontos, comenta Snyder, 1974; Snyder e Larson, 1972; Ulrich,
que não há evidências específicas de que as Stachnik e Stainton, 1963) demonstraram que
mulheres acreditam mais do que os homens que as pessoas aceitam como exatos resultados
o aplicador do teste seria capaz de lhes fornecer fictícios, independentemente de quem os aplica
descrições de personalidade mais exatas. ou de quem os interpreta, incluindo-se aí
Essa explicação seria uma extrapolação psicólogos com variados níveis de experiência
forçada. A maior empatia que as mulheres e pseudocientistas (astrólogos, tarólogos,
atribuem a si mesmas, referida por Layne paranormais e seus correlatos).
(1998), seria mais coerente com um desejo de Contudo, Halperin et al. (1976) não
ajudar do que com a racionalidade. Finalizando, concordam com a demasiada generalização na
cita diversas pesquisas indicando diferenças aceitação dos resultados fictícios, pois
entre homens e mulheres quanto a ser ressaltam que, quando as informações auferidas
prestativo ou desejo de ajudar. são negativas, tende a ocorrer uma averiguação
Credulidade e Efeito Barnum ou Forer 475

para saber qual foi a forma ou quem foi o Variáveis Situacionais


sujeito que as ofereceu. Os autores
No que diz respeito à especificidade da
manipularam com sucesso esta hipótese e
interpretação, diversos pesquisadores (Snyder
verificaram que, no caso de interpretações
& Larson, 1972; Snyder, 1974; Snyder,
negativas, isto é, desfavoráveis para a pessoa, o
Shenkel e Lowery, 1977) observaram que a
clínico com status alto ou médio conseguia
declaração apresentada ao participante de que o
maior aceitação dos feedbacks que fornecia do
laudo tinha sido feito especialmente para ele
que o clínico cujo status era percebido como
aumentava o nível de aceitação desse laudo.
baixo. As implicações deste dado para a
Por exemplo, as afirmações contidas num mapa
situação clínica são bastante sérias. No
astral feito especialmente para a pessoa
contexto em que o status do clínico é percebido
tenderiam a ser mais aceitas do que as
como alto, a aceitação de feedbacks negativos
afirmações genéricas relativas ao seu signo,
pode resultar do fator prestígio, vinculado ao
lidas em um jornal.
Efeito Barnum, e não à validade da
interpretação fornecida ao cliente. Quanto ao grau de
favorabilidade/desfavorabilidade, de modo
Convém notar que o simples fato de estar
geral, os pesquisadores evidenciaram que as
em terapia com alguém já implica a suposição
interpretações compostas de afirmativas
de que esse alguém é competente, já implica
favoráveis são mais aceitas do que aquelas em
atribuir prestígio ao terapeuta. Supõe-se que
que predominam as afirmativas desfavoráveis.
ninguém queira – ao menos conscientemente –
Mosher (1965) referiu esse fato com a
se tratar com alguém que considere
expressão “Efeito Poliana”, decorrente da
incompetente.
necessidade da pessoa em proteger sua
Com relação ao setting ou contexto autoestima. Trata-se de uma alusão à obra da
(aplicador e local de apresentação das falsas escritora Eleanor H. Porter, cuja personagem
avaliações), de acordo com Snyder e Larson Poliana buscava sempre motivos para se sentir
(1972), criadores do termo, é uma variável que: feliz e contente.
consistia de duas condições naturalmente Foi constatado que avaliações favoráveis
ocorrentes: um psicólogo clínico em seu são mais aceitas, independentemente do status
consultório no Centro de Psicologia da do avaliador, enquanto os feedbacks
universidade, e um estudante de pós- desfavoráveis são mais bem aceitos quando
graduação, no laboratório do fornecidos por avaliadores de status médio ou
Departamento de Psicologia. Esses dois alto. Essas evidências nos levam a enfatizar a
contextos foram escolhidos a fim de necessidade de que os psicoterapeutas atentem
maximizar a diferença referente ao para a possibilidade de seus pacientes
“prestígio” do psicólogo e do estudante. aceitarem, como verdadeiros, feedbacks
(p. 385). negativos, usuais na situação clínica, quando
estes resultem de fonte ou técnica obscura,
Os autores afirmam ser uma variável que como as que caracterizam o Efeito Barnum.
diz respeito, sobretudo, “à pessoa e ao lugar (Collins, Dmitruk & Ranney, 1977; Sundberg,
associados com o recebimento da interpretação 1955; Thorne, 1961; Weisberg, 1970).
genérica de personalidade.” (Snyder & Larson, Sobre o grau de generalidade das frases na
1972, p. 385). Nas suas investigações, esses situação abordada há pouco, os enunciados que
pesquisadores não encontraram evidências de compõem a interpretação de personalidade
diferenças significativas atribuíveis à variável costumam falhar pela sua falta de precisão. Esta
setting, na aceitação das avaliações falsas. característica acentua de tal modo a aceitação
Uma restrição de ordem metodológica aos do feedback que as interpretações fictícias
resultados obtidos nas pesquisas acima podem ser percebidas como tão ou mais exatas
mencionadas é a falta de garantia de que a que as interpretações autênticas, derivadas de
percepção dos participantes quanto ao prestígio dados reais de testes válidos (Merrens &
do aplicador/interpretador do instrumento tenha Richards, 1973; O’Dell, 1972; Sundberg,
ocorrido na direção suposta pelo pesquisador. 1955). Em outras palavras, as pessoas tendem a
Por exemplo, os participantes poderiam não aceitar como mais exatas as interpretações com
atribuir maior prestígio a um psicólogo pelo base em instrumentos fictícios e que não foram
fato de ser ele mais experiente do que outro. feitas especialmente para eles, do que as que
476 Bunchaft, G., & Krüger, H.

foram elaboradas para eles com base em Uma possível explicação para esse achado
instrumentos autênticos. seria a incidência de dois componentes: crença
O’Dell (1972) explicou esses resultados e limitada educação formal das pessoas. Há
pelas altas taxas de base das afirmativas sempre um aspecto de crença, por parte da
contidas nas interpretações genéricas. Por “taxa pessoa que se submete ao questionário da
de base” entenda-se a frequência com que revista, do jornal ou de fonte televisiva ou
determinada variável ou característica costuma radiofônica. O mesmo ocorre em relação ao
ocorrer na população de indivíduos estudados; horóscopo ou ao mapa astral: a pessoa acredita
a taxa de base se refere sempre ao grupo. Alta que, com aquele instrumento, poderá chegar a
taxa de base de determinados atributos e conhecer algo sobre si própria ou sobre seu
comportamentos inviabiliza um procedimento futuro. Note-se que a crença de que seja
de validação científico, recaindo na falácia da possível prever o futuro da pessoa está
validação pessoal, que é o que ocorre quando a subjacente.
pessoa e o próprio examinador simplesmente Ao mesmo tempo, outro aspecto relevante
acham que o teste que funciona, ou seja, se deu aí poderia ser a falta de compreensão do que
resultados que parecem corretos, seja válido. seja a forma científica de pensar e agir, que
Infelizmente, boa parte das pessoas, leva as pessoas a equiparar, desconsiderando as
inclusive psicólogos, ignora o conceito significativas diferenças entre uns e outros,
científico de validade. Validade se define como instrumentos de mensuração psicológica
sendo “a medida que um instrumento avalia baseados em estudos criteriosos de validação e
aquilo que se propõe a avaliar” (Bunchaft & técnicas de avaliação destituídas de qualquer
Cavas, 2002, p. 69). Há uma série de maneiras fundamento científico.
de se determinar isso, com base em
indispensáveis cálculos estatísticos. Entre esses
cálculos temos, em especial: análise fatorial, Observações conclusivas
grupos contrastantes e correlação com outros A revisão de literatura realizada neste
instrumentos. Sem o conhecimento dos artigo destacou fatores que potencializam o
resultados da aplicação de tais cálculos aos Efeito Barnum, podendo ser assim resumidos:
dados, não é possível fazer afirmativas acerca • A natureza geral do feedback,
da validade de algum instrumento de medida. vinculada a uma alta taxa de base das
Examinemos alguns exemplos: se dizemos afirmativas;
a uma pessoa que ela “ocasionalmente tem
• A apresentação do feedback como
problemas com a sua sexualidade”, “tem
tendo sido elaborado especialmente para a
dificuldade em se relacionar emocionalmente
pessoa;
com os demais” e “em sua infância a relação
com a figura materna foi prejudicada”, ela • O grau de favorabilidade das
aceitará tais declarações, embora elas pouco afirmativas que integram o feedback; e
acrescentem ao conhecimento que temos dessa • O status elevado do avaliador, no caso
pessoa. Esta alta taxa de base de determinados de interpretações desfavoráveis.
atributos e comportamentos inviabiliza um O Efeito Barnum parece explicar, pelo
procedimento de validação científico, recaindo menos em parte, a razão de tantas pessoas
na falácia da validação pessoal, que sucede confiarem nos resultados de quaisquer supostos
quando o testando e o próprio examinador testes e outros procedimentos para a avaliação
simplesmente acham que o teste que da personalidade, alegando que esses
“funciona”, ou seja, que forneceu resultados instrumentos “funcionam”. Esta linha de
que “parecem corretos”, seja válido. raciocínio envolve o que Meehl (1971)
De modo geral, no que diz respeito ao tipo denominou falácia da validação pessoal ou
de procedimento utilizado na avaliação, as subjetiva, que nada tem a ver com o processo
fontes de dados dos quais presumivelmente de validação científica de um instrumento de
derivam as descrições de personalidade − avaliação da personalidade. Assim sendo, as
instrumentos psicológicos (testes objetivos e avaliações de personalidade formuladas de
projetivos, entrevistas) e não psicológicos forma vaga, geral, ambígua e favorável são
(astrologia, cartomancia, grafologia etc.) propícias à ocorrência do Efeito Barnum, sendo
apresentaram o mesmo grau de aceitação por consideradas ingenuamente pela pessoa como
parte dos participantes. exatas.
Credulidade e Efeito Barnum ou Forer 477

Isso explicaria por que, em relação aos logo nas primeiras etapas da educação formal,
horóscopos, por exemplo, tanto os astrólogos, acompanhando o desenvolvimento cognitivo
como os seus leitores concordam em que os das crianças. O resultado esperado seria o
feedbacks fornecidos são exatos, refletindo desenvolvimento do pensamento crítico.
traços e tendências da personalidade de uma
pessoa com probabilidade de acerto superior ao
acaso. Neste caso, são oportunas as palavras Referências
irônicas de Gewandsznajder (1989), para quem Alvarenga, R. (2009, 17 de maio). Horóscopo.
“a astrologia funciona na prática, como atestam Jornal O Globo, Rio de Janeiro, 2º caderno,
as pessoas que se valem dela” (p. 198). p. 9.
Mas, a falta de apoio empírico, a
irrefutabilidade e a ausência de discussão Bachrach, A. J., & Pattishall, E. G. (1960). An
crítica evidenciam que se trata de uma Experiment in Universal and Personal
pseudociência. E por que parece funcionar na Validation. Psychiatry, 23, 267-270.
prática? Como sistema de crenças dogmático, Barnum, P. T., & Cook, J. W. (2005). The
as frases que compõem o horóscopo ou o mapa colossal P. T. Barnum reader: nothing else
astral são vagas, genéricas, ambíguas e muitas like it in the universe. Champaign, IL:
vezes favoráveis, podendo, assim, ser aplicadas University of Illinois Press.
à maioria das pessoas. Fica aí nítida a
influência do Efeito Barnum, que também pode Blank, R. H. (1958). Brain Policy: How the
ocorrer na consulta a parapsicólogos, médiuns, New Neurosciences will Change our Lives
grafólogos e outros pseudocientistas, em and our Politics. Washington: Georgetown
decorrência da validação pessoal. University Press.
Em suma, é importante que psicólogos,
Bunchaft, G., & Cavas, C. S. T. (2002). Sob
psiquiatras e estudantes dessas duas áreas se
Medida. São Paulo: Vetor.
familiarizem com a possibilidade de ocorrência
da falácia da validação pessoal no âmbito de Bunge, M. (1973). La Investigación Científica:
sua prática profissional, distinguindo entre su Estrategia Y su Filosofia. Barcelona:
validação pessoal e validação científica. Ariel.
Conscientizar esses profissionais quanto à
influência do Efeito Barnum é importante, Bunge, M. (1998). Philosophy of science: From
principalmente se levarmos em conta que, no problem to theory (Vol. 1). Piscataway, NJ:
contexto clínico, o prestígio do profissional da Transaction Publishers.
área humana é alto, o que leva o paciente a Cattell, R. B. (1965). The scientific analysis of
acatar sem restrições os feedbacks que lhe são personality. Harmondsworth: Penguin
fornecidos. Vamos repetir, ainda uma vez, que Books.
um teste ou outro tipo de instrumento de
avaliação psicológica que “funciona”, na Collins, R. W., Dmitruk, W. M., & Ranney, J.
opinião da pessoa, não é, necessariamente, T. (1977). Personal Validation: Some
válido. Só é aceitável a validação científica por Empirical and Ethical Considerations.
meio dos devidos procedimentos técnicos e Journal of Consulting and Clinical
estatísticos. Psychology, 45, 70-77.
Endossamos, portanto, a opinião de Meehl Davenport, B. F. (1952). The Semantic Validity
(1971) de que é preciso divulgar a existência de of TAT interpretations. Journal of
fenômenos como o Efeito Barnum, que reforça Consulting Psychology, 16, 3-8.
a “validação pessoal” que, na verdade, é
inválida, ao mesmo tempo, vale acrescentar, Del Prette, Z. A. P., & Del Prette, A. (1999).
que compromete o esforço aplicado no sentido Psicologia das habilidades sociais: terapia
do autoconhecimento e do planejamento do e educação. Petrópolis: Vozes.
processo de intervenção profissional.
Deleuze, G. (2007). Francis Bacon: lógica da
No plano geral, que é o da sociedade, a sensação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
considerar os efeitos prejudiciais da
credulidade, até mesmo para as próprias Downey, J. L. (1999). Sex and the Barnum
pessoas, seria conveniente cogitar a prevenção Effect: A reply to Layne. Psychological
e o controle dessa disposição psicológica, desde Reports, 84(2), 424-426.
478 Bunchaft, G., & Krüger, H.

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Nota dos autores:


Guenia Bunchaft - Doutora em Psicologia, Professora aposentada do Instituto de Psicologia da UFRJ. Helmuth
Krüger - Doutor em Psicologia, Professor na Universidade Católica de Petrópolis.