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A semiótica serve para analisar as relações entre uma coisa e seu significado.

Depois de algumas aulas de Semiótica da Informação, no curso de Gestão

da Informação da UFPR, comecei a entender melhor esse negócio de

semiótica. Até então pensava que não passava de uma disciplina filosófica,

sem aplicação prática. A semiótica oferece ferramentas que podem ser muito

úteis na análise de interfaces. Explico melhor:

O que é semiótica? [MP3] 7'

Livros indicados

Acho que agora vocês entendem porque venho falando desse assunto nos

últimos posts. A semiótica está me abrindo a mente para encarar a

interface da forma como sempre idealizei: um meio de comunicação. Quase

todos os livros e artigos que leio sobre usabilidade e design de interface dão

mais ênfase no comportamento e na apresentação dos elementos da


interface do que com seu significado. Jakob Nielsen, por exemplo, nunca

falou sobre isso no site dele. Se falasse, seria bem assim.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A Semiótica (do grego semeiotiké ou "a arte dos sinais") é a ciência geral dos signos e da
semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto
é, sistemas de significação. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou
representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da idéia. Mais abrangente que a
lingüística, a qual se restringe ao estudo dos signos lingüísticos, ou seja, do sistema
sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico - Artes
visuais, Música, Fotografia, Cinema, Culinária, Vestuário, Gestos, Religião, Ciência, etc.

A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem


significa o que o rodeia.

 1 Origens
o 1.1 Charles Sanders Peirce
o 1.2 Ferdinand de Saussure
o 1.3 Louis Hjelmslev
o 1.4 Umberto Eco
o 1.5 Roman Jakobson
o 1.6 Morris e Greimas
 2 Lingüística
 3 Referências
 4 Ver também

 5 Ligações externas

[editar] Origens

É importante dizer que o saber é constituído por uma dupla face. A face semiológica ou
semiótica (relativa ao significante) e a epistemológica (referente ao significado das
palavras).

A semiótica tem, assim, a sua origem na mesma época que a filosofia e disciplinas
afectas. Da Grécia até os nossos dias tem vindo a desenvolver-se continuamente. Porém,
posteriormente, há cerca de dois ou três séculos, é que se começaram a manifestar
aqueles que seriam apelidados pais da semiótica (ou semiologia).

Os problemas concernentes à semiótica podem retroceder a pensadores como Platão e


Santo Agostinho, por exemplo. Entretanto, somente no início do século XX com os
trabalhos paralelos de Ferdinand de Saussure e C. S. Peirce, a semiótica começa a
adquirir autonomia e o status de ciência.

[editar] Charles Sanders Peirce

Do ponto de vista cronológico, a primeira personalidade a citar é Charles Sanders Peirce


(1839-1914). Para ele, o Homem significa tudo que o cerca numa concepçao triádica
(firstness, secondness e thirdness), e é nestes pilares que toda a sua teoria se baseia. Num
artigo intitulado “Sobre uma nova lista de categorias”, Peirce, em 14 de maio de 1867,
descreveu suas três categorias universais de toda a experiência e pensamento.
Considerando tudo aquilo que se força sobre nós, impondo-se ao nosso reconhecimento, e
não confundindo pensamento com pensamento racional, Pierce concluiu que tudo o que
parece a consciência, assim o faz numa gradação de três propriedades que correspondem
aos três elementos formais de toda e qualquer experiência. Essas categorias foram
denominadas:

 Qualidade;
 Relação;
 Representação.

Algum tempo depois, o termo Relação foi substituído por Reação e o termo
Representação recebeu a denominação mais ampla de Mediação. Para fins científicos,
Pierce preferiu fixar-se na terminologia de Primeiridade, Segundidade e Terceiridade.

Primeiridade - a qualidade da consciência imediata é uma impressão (sentimento) in


totum, invisível, não analisável, frágil. Tudo que está imediatamente presente à
consciência de alguém é tudo aquilo que está na sua mente no instante presente. O
sentimento como qualidade é, portanto, aquilo que dá sabor, tom, matiz à nossa
consciência imediata, aquilo que se oculta ao nosso pensamento. A qualidade da
consciência, na sua imediaticidade, é tão tenra que mal podemos tocá-la sem estragá-la.
Nessa medida, o primeiro (primeiridade) é presente e imediato, ele é inicialmente,
original, espontâneo e livre, ele precede toda síntese e toda diferenciação. Primeiridade é
a compreensão superficial de um texto (leia-se texto não ao pé da letra; ex: uma foto pode
ser lida, mas não é um texto propriamente dito). Como Luis Caramelo explica no seu
livro Semiotica uma introdução, "A fristness diz respeito todas as qualidades puras que,
naturalmente, não estabelecem entre si qualquer tipo de relação. Estas qualidades puras
traduzem-se por um conjunto de possibilidades de vir a acontecer(...)". Desta forma,
temos, no nosso mundo o acontecimento ou possibilidade "chuva", mas é apenas isso,
apenas possibilidade existencial. Caso localizemos chuva como um acontecimento, por
exemplo "está a chover" estamos perante a secondness.

Secundidade - a arena da existência cotidiana, estamos continuamente esbarrando em


fatos que nos são externos, tropeçando em obstáculos, coisas reais, factivas que não
cedem ao sabor de nossas fantasias. O simples fato de estarmos vivos, existindo,
significa, a todo momento, que estamos reagindo em relação ao mundo. Existir é sentir a
acção de fatos externos resistindo a nossa vontade. Existir é estar numa relação, tomar um
lugar na infinita miríade das determinações do universo, resistir e reagir, ocupar um
tempo e espaço particulares. Onde quer que haja um fenômeno, há uma qualidade, isto é,
sua primeiridade. Mas a qualidade é apenas uma parte do fenômeno, visto que, para
existir, a qualidade tem que estar encarnada numa matéria. O fato de existir (secundidade)
está nessa corporificação material. Assim sendo, Secundidade é quando o sujeito lê com
compreensão e profundidade de seu conteúdo. Como exemplo: "o homem comeu
banana", e na cabeça do sujeito, ele compreende que o homem comeu a banana e
possivelmente visualiza os dois elementos e a acção da frase. A palavra chave deste
conceito é ocorrência, o conceito em acção. É desta forma, também, uma actualização
das qualidades do firstness.

Terceiridade - primeiridade é a categoria que da à experiência sua qualidade distintiva,


seu frescor, originalidade irrepetivel e liberdade. Segundidade é aquilo que da a
experiência seu caráter factual, de luta e confronto. Finalmente, Terceiridade corresponde
à camada de inteligibilidade, ou pensamento em signos, através da qual representamos e
interpretamos o mundo. Por exemplo: o azul, simples e positivo azul, é o primeiro. O céu,
como lugar e tempo, aqui e agora, onde se encarna o azul é um segundo. A síntese
intelectual, e laboração cognitiva – o azul no céu, ou o azul do céu -, é um terceiro. A
terceiridade, vai além deste espectro de estrutura verbal da oração. Ou seja, o indivíduo
conecta à frase a sua experiência de vida, fornece à oração, um contexto pessoal. Pois "o
homem comeu a banana" pode ser ligado à imagem de um macaco no zoológico; à
cantora Carmem Miranda; ao filme King Kong; enfim, a uma série de elementos extra-
textuais. Sucintamente, podemos dizer que thirdness está ligada a nossa capacidade de
previsão de futuras ocorrências da secondness, já que não só conhecemos o
acontecimento na medida de possibilidade natural, como já o vimos em acção, e como
tal, já nos é intrínseco. Desta forma já podemos antecipar o que virá a acontecer.

Também para Peirce há três tipos de signos:

 O ícone, que mantém uma relação de proximidade sensorial ou emotiva entre o


signo, representação do objeto, e o objeto dinâmico em si; o singo icónico refere o
objecto que denota na medida em que partilha com ele possui caracteres,
caracteres esse que existem no objecto denotado independentemente da existência
do signo. - exemplo: pintura, fotografia, o desenho de um boneco. É importante
falar que um ícone não só pode exercer esta função como é o caso do desenho de
um boneco de homem e mulher que ficam anexados à porta do banheiro
indicando se é masculino ou feminino, a priori é ícone, mas também é símbolo,
pois ao olhar para ele reconhecemos que ali há um banheiro e que é do gênero que
o boneco representa, isto porque foi convencionado que assim seria, então ele é
ícone e símbolo;

 O índice, ou parte representada de um todo anteriormente adquirido pela


experiência subjetiva ou pela herança cultural - exemplo: onde há fumaça, logo há
fogo. Quer isso dizer que através de um indício (causa) tiramos conclusões. Ainda
sobre o que nos diz este autor, é importante referir que «um signo, ou
representamen, é qualquer coisa que está em vez de (stands for) outra coisa, «em
determinado aspecto ou a qualquer título», (e que é considerado «representante»
ou representação da coisa, do objecto - a matéria física) e, por último, o
«interpretante» - a interpretação do objecto. Por exemplo, se estivéssemos a falar
de "cadeira", o representante seria o conceito que temos de cadeira. Sicintamente,
o índice é um signo que se refere ao objecto denotado em virtude de ser realmente
afectado por esse objecto.

O objeto seria a cadeira em si e o interpretante o modo como relacionamos o objeto com


a coisa representada, o objeto de madeira sobre o qual nos podemos sentar. Sobre isto é
interessante ver a obra "One and three chairs" do artista plástico Joseph Kosuth. A
principal característica do signo indicial é justamente a ligação física com seu objeto,
como uma pegada é um "indício" de quem passou. A fotografia, por exemplo, é
primeiramente um índice, pois é um registro da luz em determinado momento.

O símbolo, "é um signo que se refere ao objecto que denota em virtude de uma lei,
normalmente uma associação de ideias gerais que opera no sentido de fazer com que o
símbolo seja interpretado como se referindo aquele objecto". by Luis Caramelo Exemplo
disso é a aliança de casamento, que rapidamente associo ao que denota, a instituição
casamento.

É importante esclarecer que as categorias firstness, secondness e thirdness e os vários


tipos de signo estão ligados entre si. Sendo o ícone uma representação da firstness, pelas
suas caracteristicas prórpias; índice da secondness e símbolo da thirdness.

[editar] Ferdinand de Saussure

Um outro autor, considerado pai da semiologia, por ser o primeiro autor a criar essa
designação e a designar o seu objeto de estudo, é Ferdinand de Saussure (1857-1913).
Segundo este, a existência de signos - «a singular entidade psíquica de duas faces que cria
uma relação entre um conceito (o significado) e uma imagem acústica (o significante) -
conduz à necessidade de conceber uma ciência que estude a vida dos sinais no seio da
vida social, envolvendo parte da psicologia social e, por conseguinte, da psicologia geral.
Chamar-lhe-emos semiologia. Estudaria aquilo em que consistem os signos, que leis os
regem.»

A concepção de Saussurre relativamente ao signo, ao contrário da de Peirce, distingue o


mundo da representação do mundo real. Para ele, os signos (pertencentes ao mundo da
representação) são compostos por significante - a parte física do signo - e pelo
significado, a parte mental, o conceito. Colocando o referente (conceito correspondente
ao de objecto por Peirce) no espaço real, longe da realidade da representação. Para
Saussure (com excepção da onomatopeia), não existem signos motivados, ou seja, com
relação de causa-efeito. Divide os signos em dois tipos: os que são relativamente
motivados (a onomatopeia, que em Peirce corresponde aos ícones), e os arbitrários, em
que não há motivação. Leia-se que esta motivação é a tal relação que Peirce faz entre
representação e objecto e que, na visão de Saussure, parece não fazer sentido. Esta visão
pode ser tida como visão de face dual. Para Saussure, existem assim dois tipos de
relações no signo:

1 - as «relações sintagmáticas», as da linguagem, da fala, a relação fluida que, no


discurso ou na palavra (parole), cada signo mantém em associação Ratinho com o signo
que está antes e com o signo que está depois, no «eixo horizontal», relações de
contextualização e de presença (ex: abrir uma janela, em casa ou no computador)

2 - as «relações paradigmáticas», as «relações associativas», no «eixo vertical» em


ausência, reportando-se à «língua» (ex: associarmos a palavra mãe a um determinado
conceito de origem, carinho, ternura, amor, etc...), que é um registo «semântico», estável,
na memória colectiva.

[editar] Louis Hjelmslev

Louis Hjelmslev (1899-1965) complexifica os conceitos utilizados por Saussure.


Segundo Hjelmslev, e por uma questão de clareza, a expressão deverá substituir o termo
saussuriano de significante, assim como o conteúdo deve substituir o de significado.
Tanto a expressão como o conteúdo possuem dois aspectos, a forma e a «substância» -
que em Saussure são por vezes confundidos com significante e significado. Os signos são
por isso, para Hjelmslev, constituídos por quatro elementos e não dois, como propunha
Saussure.

[editar] Umberto Eco

Umberto Eco (1932), além de ser um dos que tentaram resumir de forma mais coerente
todo o conhecimento anterior, procurando dissipar dúvidas e unir ideias semelhantes
expostas de formas diferentes, introduz novos conceitos relativamente aos tipos de signos
que considera existir. São os «diagramas», signos que representam relações abstractas,
tais como fórmulas lógicas, químicas e algébricas; os «emblemas», figuras a que
associamos conceitos (ex: cruz -> cristianismo); os «desenhos», correspondentes aos
ícones e às inferências naturais, os índices ou indícios de Peirce; as «equivalências
arbitrárias», símbolos em Pierce e, por fim, os «sinais», como por exemplo o código da
estrada, que sendo indícios, se baseiam num código ao qual estão associados um conjunto
de conceitos.

[editar] Roman Jakobson

Roman Jakobson, nascido em Moscovo (Moscou PB ), em 1896, introduziu o conceito das


funções da linguagem:

 a emotiva, que «denota» a carga do emissor na mensagem;


 a injuntiva, relativa ao destinatário;
 a referencial, relativa àquilo de que se fala;
 a fática, relativa ao canal da comunicação;
 a metalinguística, relativa ao código;
 a poética, relativa à relação da mensagem consigo mesma.

Se Jakobson fala das funções da linguagem, Guiraud diferencia os códigos. E é nos


códigos lógicos que está o mais importante para os signos. Nestes, ele releva os
«paralinguísticos», associados a aspectos da linguagem verbal (ex: escritas alfabética,
escritas idogramáticas). Associar números a pedras é ter e ser um código deste tipo:
códigos práticos, ligados às sinaléticas, às programações e a códigos de conhecimento o
(ex: sinais de trânsito) e, por último, os epistemológicos, ou específicos de cada área
científica.

[editar] Morris e Greimas

Morris e Algirdas Julius Greimas dizem-nos que tudo pode ser signo consoante a nossa
interpretação, deixando em estado mais abrangente o conceito de signo. Porém, Morris
diz-nos ainda que estes se dividem em

 Sintáctico, ao nível da estrutura dos signos, o modo em como eles se relacionam e


as suas possíveis combinações,
 Semântico, analisando as relações entre os signos e os respectivos significados,
 Pragmático, estudando o valor dos signos para os utilizadores, as reacções destes
relativamente aos signos e o modo como os utilizamos.

[editar] Lingüística

A semiótica é considerada por alguns um dos campos da lingüística, por outros o inverso.

Segundo alguns autores, a semiótica nunca foi considerada parte da lingüística. De fato,
ela se desenvolveu quase exclusivamente graças ao trabalho de não-lingüistas,
particularmente na França, onde é frequentemente considerada uma disciplina
importante. No mundo de língua inglesa, contudo, não desfruta de praticamente nenhum
reconhecimento institucional.

Embora a língua seja considerada o caso paradigmático do sistema de signos, grande


parte da pesquisa semiótica se concentrou na análise de domínios tão variados como os
mitos, a fotografia, o cinema, a publicidade ou os meios de comunicação. A influência do
conceito linguístico central de estruturalismo, que é mais uma contribuição de Saussure,
levou os semioticistas a tentar interpretações estruturalistas (ver estruturalismo) num
amplo leque de fenómenos. Objetos de estudo, como um filme ou uma estrutura de mitos,
são encarados como textos que transmitem significados, sendo esses significados
tomados como derivações da interação ordenada de elementos portadores de sentido, os
signos, encaixados num sistema estruturado, de maneira parcialmente análoga aos
elementos portadores de significado numa língua.

Quando deliberadamente enfatiza a natureza social dos sistemas de signos, a semiótica


tende a ser altamente crítica e abstrata. Nos últimos anos, porém, os semioticistas se
voltam cada vez mais para o estudo da cultura popular, sendo hoje em dia comum o
tratamento semiótico das novelas de televisão e da música popular.

[editar] Referências
 HIPPÓLYTO, Fernando. Operações psicológicas: Abordagem semiótica da
comunicação na guerra moderna. Natal: UnP, 2007.
 KLANOVICZ, Jó. Fontes abertas: Inteligência e o uso de imagens. In: Revista
brasileira de inteligência. Vol. 2, nº. 2. Brasília: Abin, 2006.
 NÖTH, Winfried. A semiótica no século XX. Coleção E, volume 5. São Paulo:
Annablume, 1996.
 SANTAELLA, Lucia. A teoria geral dos signos. 1 ed., São Paulo: Pioneira
Thomson Learning, 2004.
 SANTAELLA, Lucia. O que é Semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983. (Coleção
primeiros passos)
 SANTAELLA, Lucia. Semiótica aplicada. 1 ed., São Paulo: Pioneira Thomson
Learning, 2004.
 SANTAELLA, Lucia & NÖTH, Winfried. Imagem - cognição, semiótica, mídia.
São Paulo: Iluminuras, 1997.
 PEIRCE, Charles Sanders. Estudos coligidos. Tradução: A. M. D'Oliveira. São
Paulo: Abril Cultural, 1983.
 PIGNATARI, Décio, FERRARA Lucrécia D'Alessio, FERLAUTO, Claudio,
ALONSO, Carlos E.; Semiótica - Manual de Leitura, Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo, USP.

[editar] Ver também


 Biossemiótica
 Claude Lévi-Strauss
 Décio Pignatari
 Jacques Derrida
 Lucia Santaella
 Yuri Lotman
 Roland Barthes
 Semiótica psicanalítica
 Teoria semiótica da complexidade
 Vilém Flusser
 Umberto Eco
 Semiótica peirceana
 Semiótica militar
 Semiologia
 Diferença entre semiótica e semiologia
 Semiótica da cultura (semiótica russa)

[editar] Ligações externas


 Grupo de Estudos Semióticos - USP
 Portal da Semiótica
 Comunicação e Semiótica - PUC/SP
 Semiotic Engineering Research Group - PUC/RJ
 Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia

Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Semi%C3%B3tica"
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Semiótica
Semiótica é o estudo dos signos, ou seja, as representações das coisas do mundo
que estão em nossa mente. A semiótica ajuda a entender como as pessoas
interpretam mensagens, interagem como objetos, pensam e se emocionam. Para

uma definição mais precisa, confira o post Afinal, o que é Semiótica?

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estou convicto de que minha incursão pelo curso de Antropologia

não foi em vão. Usar o computador pode não parecer, mas

perante a teoria contemporânea dos ritos, é de certa forma um

ritual. Seria só uma piada sem graça, se estivesse me referindo


apenas aos procedimentos estritos (e às vezes incompreensíveis)

que o computador nos obriga a realizar. Alguém se lembra da

árdua tarefa de fazer rodar um simples jogo na era do DOS? 1.

Editar o Config.sys e habilitar o Emm386.exe 2. O Emm386.exe

comeu a memória convencional, agora é preciso liberar memória

carregando o driver do CD-Rom na memória estendida 3. Tudo

certo com a memória, mas temos problemas com a placa de

vídeo. É preciso saber o chipset dela. Será Trident 8800CS ou

Trident 8200LX? Pra saber só abrindo a CPU e anotando o código

que estaria em um dos chips ao lado de outros tantos códigos

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Novo recurso: posts em áudio

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Certa vez, navegando pelo Usina, me deparei com umas entrevistas em áudio que o
Rene de Paula fez com alguns profissionais destacados de usabilidade e arquitetura da
informação. Na hora me veio a idéia de dar o play enquanto continuo meu trabalho, é a
sanha por informação! Já já descobri que só consigo fazer certas coisas enquanto ouço com
atenção, como por exemplo: comer, programar, fazer trabalhos braçais como tratar fotos.
Ler, redigir, layoutar e outras tarefas criativas não dá certo, infelizmente...
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Use a emoção para persuadir

(17 comentários)

Acabei de ler esse artigo escrito pela portuguesa Ivone Ferreira que postula que as
imagens tem papel preponderante no estímulo de emoções. Apelando para a emoção,
conseguimos persuadir o consumidor a comprar uma idéia, um produto. Assim, ela conclui
que "a visão global da página irá afectar mais intensamente o sujeito do queum texto longo
que descreve as qualidades de algo."

Para se sustentar, ela cita a pesquisa do neurocirurgião Antônio Damásio:

As imagens não são armazenadas sob a forma de frames de coisas,


acontecimentos ou palavras. O nosso cérebro não arquiva fotografias de
pessoas nem armazena filmes de cenas da nossa vida; não retém cartões
salva-vidas como usam os apresentadores de televisão. Não, o nosso
cérebro faz, antes, uma interpretação, uma nova versão reconstruída do
original. Temos no entanto a sensação de que podemos evocar nos olhos
ou ouvidos da nossa mente, imagens aproximadas daquilo que
experienciámos anteriormente. Elas podem ser sonoras ou visuais,
tactéis, gostativas ou olfactivas mas são predominantemente visuais.

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Celular deslizante da Samsung


( 2 1 c o m e n t á r i o s )

A Samsung lançou um novo celular turbinado, que ao invés de dobrar, ele desliza. O

hotsite está fantástico, pena que fique redimensionando a janela do browser. Notem como

os elementos da interface se comportam como se estivesse deslizando, tal qual o celular.


Também há a presença de imagens que passam rapidamente, provavelmente uma tentativa
de transmitir mensagens subliminares. Na verdade, a mensagem é bem clara: com esse
celular você vai impressionar as pessoas ao seu redor.

Como já havia comentado num post antigo, o design de aparelhos de celular são muito
importantes porque eles servem como objetos de ostentação. Da mesma forma, na Web as
interfaces mais "transadas" tem mais chance de conquistar o gosto das massas. O hotsite
do novo celular consegue fazer isso com certeza, só não sei quanto ao aparelho em si.

Não sou designer de produto, mas tenho um pressentimento de que ainda vai demorar
muito até alguém conseguir fazer uma aparelho que converja celular, palm e câmera de
fotografar sem perder a usabilidade das interfaces dos aparelhos separados. Faz tudo, mas
faz mal feito. Pense na dificuldade do designer. Ele precisa fornecer isso tudo e mais:

← botões grandes para digitar telefones com uma só mão

← uma área sem botões para poder segurar com uma mão só sem fazer

cagada

← uma tela o maior possível (no mínimo duas polegadas)

← caber dentro da palma levemente fechada

← resistente para não quebrar se cair, porque celular vive caindo

← meio que à prova d´água, porque vive caindo uns pingos

← ter um lugar para anexar uma caneta stylus

← como se não bastasse, ele tem que ser fino e caber confortavelmente

num bolso
Fullscreen: amor e ódio

(16 comentários)

Hoje tive um insight muito legal ao escrever meu livro sobre design de interfaces
hipermídia. Cheguei a conclusão de que ele pode ser útil para atingir o lado emocional do
usuário! Após anos de ódio à prática, descobri que ela pode ser útil além de esconder os
controles do browser para prevenir erros. Acompanhe meu raciocíneo:

O computador é multi-tarefa, mas a mente do usuário não. Para gerenciar a atenção entre
diversas janelas abertas, há um grande esforço racional. Se queremos transmitir uma
mensagem sentimental, precisamos interromper isso. Daí o fullscreen.

Leia mais.

Morte aos hotsites em popup!

( 1 c o m e n t á r i o s )

Sim, eu sei que essa prática abre mais espaço para mostrar conteúdo, torna o hotsite mais

impactante. Compare essas duas peças, ambas da Petrobrás: uma com popup e outra
sem. De qual você gostou mais?

A primeira tenta ser tão impactante que chega a doer o olho as cores super-saturadas
(fortes). No outro, ao contrário, os grafismos e animações não tentam se impor em cima do
conteúdo principal, o texto e as fotos.

Só para reforçar, algum problemas do uso de popups para websites:

← Se o UOL agora tem um bloqueador de popups é porque a maioria das

pesoas não gosta deles


← Como não é normal nos websites, o usuário pode se sentir

incomodado

← A opção de adicionar aos favoritos (bookmark) pode ficar encoberta

← Se forem abertas outras páginas a partir do popup principal, não

haverá o botão "voltar" do navegador. Isso acaba forçando a fazer abrir

numa nova popup transformando a tela numa cascata do inferno,

literalmente

nta a brisa.
← cognição

← design

← emoção

← entretenimento

← experiência

← filme

← hotsite
← interatividade

← interação

← interface

← narrativa

← perfil

← popup

← ritual

← semiótica

← significado

cê merece.
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ROTEIRO
1-Introdução.

2-Conceitos importantes.

2.1- Semiologia.

2.2- Lingüística.

2.3- Signo.

2.4- Imagem Acústica.

2.5- Significado.

2.6- Significante.

2.7- Estrutura.

2.8- Classes e comutação.

2.9- Mensagem.

2.10- Sintomas.

2.11- Sinal.

2.12- Síndrome.

2.13 – Transtorno.

2.14- Posição recalcadora e seu sistema objetal.

3-Origem da Semiótica.

4- Semiologia Psicanalítica – Fragmentos.

4.1- Evolução Psicoemocional.

5- Semiologia Psiquiátrica.

5.1- Alguns Mecanismos de Defesa.

6- Ferdinand de Saussure.

6.1- O Projeto Semiológico de Saussure.

7-Charles Sanders Peirce.

7.1-Primeiridade, Secundidade e Terceiridade.

7.2-Pragmatismo e Abdução.

7.3-Signos.
8-Bibliografia.

1- INTRODUÇÃO.

A psicanálise, a semiologia e a teoria da comunicação podem ser sistematizadas e

integradas de uma maneira metódica e ao mesmo tempo prática no cotidiano da

psicanálise. Este trabalho buscará fundamentar uma operacionalidade da psicanálise,

com contribuições da semiologia e da teoria da comunicação, com vistas a uma

estratégia terapêutica que possibilite cobrir os níveis da ação analítica, criando

modelos que permitam re-orientações pragmáticas no sentido de facilitar, ao

analista, uma visão mais abrangente da problemática que lhe é exposta pelo

paciente. A compulsão à repetição, localizada a partir das estruturas narrativas,

possíveis de serem detectadas e traduzidas operacionalmente através do material

fornecido pelo paciente ao analista em um sistema de signos passível de codificação

e conseqüente sistematização.

Vivemos no século da comunicação. Para alguns, o nosso mundo constituiria já uma

autêntica "aldeia global", habitada por umas “tribos planetárias”, possibilitadas uma

e outra, pelas novas tecnologias de informação e comunicação. Para outros, a

sobrecarga de "informação" e "comunicação" não se traduz, necessariamente, em

maior aproximação e solidariedade entre os homens, conduzindo antes a novas

formas de individualismo e etnocentrismo.

"Comunicar" significa, etimologicamente, "pôr em comum". No processo de

comunicação, que simplificadamente podemos entender como a troca de uma

mensagem entre um Emissor e um Receptor, os Signos desempenham um papel

fundamental. Sem Signos, não há mensagem, nada podemos pôr em comum. Os

Signos são tão importantes que se pode (e costuma) definir, de forma essencial, a

Semiótica como a "ciência dos signos".


A ciência chamada Semiótica, ou teoria geral e da produção dos signos, teve sua

origem na Rússia, na Europa Ocidental e na América. A semiótica, atualmente, é um

campo de grande amplitude e variedade teórica. O autor Charles Peirce foi o

fundador da semiótica. Saussure, no Curso de Lingüística Geral, falava de uma

semiologia, que pode ser comparada ou diferenciada da semiótica propriamente dita.

Atualmente, Umberto Eco é um especialista em semiótica.

As idéias de Saussure foram difundidas por seus alunos Charles Bally, Albert

Sechehaye e Albert Riedlinger com a produção do livro Curso de Lingüística Geral,

construído com base nas anotações de sete dos alunos do curso homônimo (três

versões: entre 1907 e 1911) e de alguns manuscritos do próprio Saussure. A edição

1916a foi complementada pelo italiano Tullio de Mauro em 1972, originando uma

nova edição standard (1916c). A tradução brasileira surgiu em 1969 (Saussure,

1916d). Só recentemente, as notas de mais um estudante de Saussure foram

descobertas, resultando na edição, em Tóquio, de um novo livro intitulado Ö terceiro

curso (Saussure, 1993).

F. Saussure estabeleceu a distinção entre “língua” e “fala” para que o paciente possa

reconhecer um signo como tal e atribuir-lhe seu designado correspondente. É

necessário que previamente possa apoiar-se, por um lado, nas representações

psíquicas (ou significantes) dos “sons” concretos e, por outro, nas representações

psíquicas (ou significados) dos referentes também concretos com os quais se

relacionam esses sons.

Os “signos” psíquicos, no sentido saussuriano do termo, serão constituídos, portanto,

pela união dos “significantes” (ou imagem acústica dos sons) e dos “significados” (ou

conceitos do referente). A oposição de dois signos complementares determina, por

sua vez, uma “estrutura” ou “código”. O estudo específico da relação lateral que se

estabelece entre os significantes ou entre os significados será denominado por

Saussure de “valor”.
O usuário poderá estabelecer relações semiológicas corretas entre “sinais” e

“mensagens” se tiver previamente formado de maneira correta as classes

significantes e significadas correspondentes.

Quando o usuário funciona como emissor e transmite uma mensagem por meio de

um sinal, faz um “incoding”, uma codagem ou codificação. Quando funciona como

receptor, recebe um sinal e dele deduz uma mensagem, faz um “decoding”, uma

decodagem ou decodificação. As mensagens inconscientes, por exemplo, seriam

essas automensagens que o sujeito codifica por si mesmo e que depois não sabe

mais decodificar. Dentro dessa perspectiva, o psicanalista trabalha a título de

intérprete entre o inconsciente, emissor que transmite em cifra, e o pré-consciente,

receptor que não pode decriptar essa cifra sob pena de experimentar desprazer.

Na patologia da comunicação do paciente psicanalítico, vemos fenômenos de

codificação ou de decodificação patológicas ligadas a uma delimitação incorreta de

classes significantes e de classes significadas; o que tem como conseqüência uma

pragmática incorreta da comunicação. O paciente psicanalítico se põe em

comunicação patológica, de um ponto de vista pragmático, com seus objetos - na

transferência, com seu analista -, na medida em que as classes significantes de seu

código informativo (equivalentes, às representações de palavras segundo Freud) e as

classes significadas desse mesmo código (ou representações das coisas).

Foi através dos trabalhos de Melanie Klein, Hanna Segal, Wilfred R. Bion e outros

autores da escola inglesa, bem como através dos de Jacques Lacan, André Green,

Jean Laplanche e outros autores da escola francesa, que progressivamente tomamos

consciência da importância de que se revestem os símbolos e os signos na teoria e

na prática psicanalíticas, a tal ponto que acabaram surgindo para nós como domínio

específico das pesquisas e modificações constitutivas do trabalho do psicanalista.

2- CONCEITOS IMPORTANTES.
2.1- SEMIOLOGIA.

É a ciência geral dos signos, que estuda todos os fenômenos de significação. Tem

por objeto os sistemas de signos das imagens, gestos, vestuários, ritos, etc.

2.2- LINGÜÍSTICA.

Estuda os signos lingüísticos, da linguagem. Nasceu do estudo das línguas românicas

e das línguas germânicas. Os estudos românicos, inaugurados por Diez – sua

Gramática das Línguas Românicas data de 1836-1838 -, contribuíram

particularmente para aproximar a Lingüística do seu verdadeiro objeto.

2.3- SIGNO.

Entidade constituída pela combinação de um conceito de significado, e uma imagem

acústica denominada significante.

Signo = Significante (som) + Significado (objeto)

2.4- IMAGEM ACÚSTICA.

Não é a palavra falada (ou seja, o som material) mas a impressão psíquica desse

som.

2.5- SIGNIFICADO.

É a palavra equivalente no mesmo ou em outro idioma. É a representação, na

linguagem do significante. Corresponde ao conceito ou à noção, ao passo que o

significante corresponde à forma.

Todo objeto, forma ou fenômeno que representa algo distinto de si mesmo: a cruz

como significado do “cristianismo”; a cor vermelha significando “pare” par o código

de trânsito, etc.

O significado tem um código afetivo (angústia), relacionado ao fato psíquico no


Inconsciente, não sabido, objeto referido. Exemplo: angústia não aniquiladora

(prazer), angústia aniquiladora (dor).

2.6- SIGNIFICANTE.

É a parte fônica, a imagem acústica de um fonema provido de significação. O

significante tem um código informativo : sintomas / relações objetais. Pré-

consciente, Consciente, verbalizado, som. Exemplo: continente (amada), Não

continente (não amada)

Devemos buscar determinar em cada relato de nossos pacientes qual a relação

objetal em evidência (sabida: significante/Pré-consciente/Consciente) para podermos

inferir sobre a angústia relacionada (não sabida: significado/ Inconsciente).

2.7- ESTRUTURA.

É o sistema que compreende elementos ordenados e relacionados entre si de forma

dinâmica. O signo a e a’ guardam entre si uma relação “complementar e inversa”.

Estrutura = Signo (a) + Signo (a’)

2.8- CLASSES E COMUTAÇÃO.

São conjuntos de dados inter-relacionados. Conjuntos de objetos, indivíduos, sinais,

etc, determinado de características em comum.

a) Relato Fatual Û Vivência afetiva.

b) Relação Objetal Û Angústia.

c) Significante Û Significado.

d) Manifesto Û Latente.

e) Signos/Sinais Û Mensagens/ Sintomas.

f) Pré-consciente/ Consciente Û Inconsciente.

O conhecido conceito psicanalítico da “transferência”, como a repetição de uma


relação do passado no presente, encontra respaldo no conceito semiológico da

“comutação”. O processo semiótico teria continuidade por comutações, isto é, por

substituições de fatos concretos iniciais por outros, por meio dos quais o ego

observará se a relação inicial se mantém ou não, para confirmar ou invalidar a

hipótese semiótica que ordena os universos em classes.

Com a comutação/transferência, podemos considerar o nascimento (perda da relação

objetal continente) como fato inicial de referência para todas as vivências

desencadeantes de desprazer/dor (angústia aniquiladora).

2.9- MENSAGEM.

É a comunicação, notícia ou recado, verbal ou escrito.

2.10- SINTOMAS.

É uma sensação subjetiva, anormal sentida pelo paciente e não visualizada pelo

examinador. Ex.: dor, má digestão, tontura.

2.11- SINAL.

É uma evidência objetiva ou manifestação física de uma doença. É um dado objetivo

que pode ser notado pelo examinador através da inspeção, palpação ou ausculta.

2.12- SÍNDROME.

São grupos de sinais e sintomas que considerados em conjunto caracterizam uma

moléstia ou lesão.

2.13- TRANSTORNO.

Desarranjo, desordem, ligeira perturbação de saúde. Termo usado em psiquiatria em

lugar de doença ou de outro vocabulário similar, a fim de causar impacto psicológico


menor no doente, ou em quem o acompanha.

2.14- POSIÇÃO RECALCADORA E SEU SISTEMA OBJETAL.

Uma ação fundamental do paciente, ou seja, qual a sua posição atuante manifesta

básica.

a) Posição Ativa Û Posição Passiva.

b) Sedutor Û Seduzido.

c) Desorganizador Û Desorganizado.

d) Fazendo Medo Û Assustado.

e) Enfurecedor Û Enfurecido.

f) Abandonar Û Abandonado.

g) Invejar Û Invejado.

h) Amar Û Amado.

i) Odiar Û Odiado.

j) Temer Û Temido.

Desta ação se deduz a posição “complementar e inversa” que caracteriza a posição

recalcada, porque contém a projeção de seu ego sofredor que, no caso de ela se

tornar consciente ao ser reintrojetada, aumentaria sua angústia, ou seja, lhe

proporcionaria desprazer. A posição básica e seu complemento invertido e então

inverter tais posições, é o que consideramos mais eficaz na prática, mas sua

aplicação ao pé da letra não é indispensável.

3- ORIGEM DA SEMIÓTICA.

A Semiótica é uma ciência recente. Embora o projeto de construir uma "ciência dos

signos" existisse desde os princípios do século XX, em Saussure e Peirce, pode dizer-

se que o aparecimento efetivo dessa ciência se verifica apenas nos meados do século

XX. No entanto, o estudo dos signos remonta às próprias origens do pensamento


filosófico.

Assim, Todorov, que considera Stº Agostinho o primeiro dos semióticos, situa as

origens da Semiótica ocidental nas "tradições particulares" da semântica, da lógica,

da retórica e da hermenêutica antigas, sendo o Crátilo de Platão, que viveu nos

séculos V/IV AC, o melhor testemunho dessa antiguidade da Semiótica. A

consideração de Stº Agostinho como primeiro semiótico explica-se pelo fato de,

segundo Todorov, ter sido aquele Padre da Igreja o primeiro a satisfazer os dois

requisitos fundamentais implicados na noção de semiótica: ter como objetivo o

conhecimento, a teoria; ter como objeto de estudo signos de espécies diferentes, e

não exclusivamente os lingüísticos.

A Semiótica do século XX vai demarcar-se claramente dos estudos filosóficos dos

signos em dois aspectos fundamentais:

a) Na definição do estatuto epistemológico dos estudos semióticos, do lugar destes

no contexto mais geral dos estudos científicos. Esta preocupação é visível quer em

Saussure (que enquadra a Semiologia, enquanto teoria geral dos signos, na

Psicologia Social e esta, por sua vez, na Psicologia Geral, considerando, por outro

lado, a Lingüística como parte da Semiologia), quer em Peirce (para quem a

Semiótica, enquanto ciência dos signos, é uma ciência geral, uma espécie de

"matemática universal" que engloba todas as outras ciências).

b) Na sistematização da semiótica, com a sua conseqüente subdivisão em disciplinas

(nomeadamente, e a partir de Charles Morris, em Sintaxe, Semântica e Pragmática)

e a sua compendiação escolar.

A moderna "ciência dos signos" tem origem em duas diferentes tradições, que

podemos sintetizar em dois nomes: Semiologia (correspondente à tradição européia,

iniciada por Saussure) e Semiótica (correspondente à tradição anglo-saxônica,

iniciada por Peirce). Tendo o mesmo o radical (semeion, que se pode traduzir por

"signo" ou "sinal"), as duas palavras traduzem, no entanto, duas maneiras diferentes


de entender a "ciência dos signos".

A Semiologia aparece definida por Saussure, no Curso de Lingüística Geral (editado

pela primeira vez em 1915), da seguinte forma: "Pode, portanto conceber-se uma

ciência que estuda a vida dos signos no seio da vida social; ela constituiria uma

parte da psicologia social e, por conseguinte, da psicologia geral; nós chamá-la-emos

semiologia (do grego semeion, signo). Ela ensinar-nos-ia em que consistem os

signos, que leis os regem. (...) A lingüística não é senão uma parte desta ciência

geral (...)”.

4- SEMIOLOGIA PSICANALÍTICA – FRAGMENTOS.

O universo significado e o universo significante devem ser radicalmente

heterogêneos para que possam funcionar como tais. De acordo com esse princípio,

as hipóteses kleinianas sobre o narcisismo secundário e a formação dos símbolos,

supõem uma relação biuniversal sistemática do universo significante, com o universo

das angústias, que esse mesmo ego experimente como universo significado. O

universo das relações objetais se organiza em classes graças a essa relação

biuniversal que ele mantém com o universo das angústias, e que isso ocorre devido

ao fato de essas últimas representarem a transformação mais frequente que os

afetos sofrem em virtude da repressão das representações desprazerosas que daí

resultam. O “signo” formado por uma classe de relações objetais como significante e

por uma classe da angúsitas como significado coicide com o conceito de “misto de

representação e de afeto” de André Gree, que, por sua vez, se apóia em uma tese

mais geral segundo a qual “os afetos também têm, como objetos externos, sua

representação psíquica”. No sentido econômico é o afeto que deve ser tornado

inconsciente, e que no sentido tópico e sistemático é a representação. “O afeto

reprimido é tornado inconsciente”, sustenta Gree, apoiando-se na afirmação clara e

decisiva de Freud, segundo a qual, “a representação do desenvolvimento do afeto


constitui a finalidade específica do recalque e o trabalho deste permanece incompleto

enquanto a finalidade específica não é atingida”. Uma vez que o ego-prazer formou

suas classes de afetos e de representações, tenderá a recalcar no inconsciente a

classe significante das representações hostis, para reprimir, sempre no inconsciente,

a percepção da mensagem afetiva desprazerosa concreta.

Na medida em que estabeleceremos a equivalência entre “representação” – seja

afetiva, seja objetal- e “classe” de afetos ou de relações objetais, estabeleceremos

também a equivalência que existe entre capacidade do ego para “representar”

(Freud) ou “simbolizar” (Klein) e capacidade de classificar tanto suas relações

objetais com referência à classificação de suas relações objetais. Em consequência,

as dificuldades de “simbolização” se reduzirão a dificuldades de classificação dos

objetos devidas a um déficit na pertinentização afetiva desses últimos: o ego

classifica seus objetos atuais em função de suas classes de afetos arcaicos e

narcísicos.

A inclusão sistemática dos afetos experimentados pelo usuário ou interpretante dos

signos, quando adota uma atitude semiótica, constitui uma das contribuições mais

notáveis com que a psicanálise pode, por sua vez, enriquecer a semiologia. O

análogo que poderíamos depreender da teoria da técnica psicanalítica residiria na

inclusão sistemática dos afetos experimentados pelo analista na contratransferência,

quando utiliza seu conhecimento da classe desses afetos a título de instrumento de

primeira importância para discriminar a classe de relações objetais em questão na

tranferência de seu analisando.

Uma das noções teóricas fundamentais do edifício kleiniano, como a posição esquizo-

paranóide, faz alusão, em sua própria denominação, a essa biuniversalidade

semiótica. É com efeito a emergência da ansiedade paranóide no universo dos afetos

experimentados pelo ego que obriga este, como medida defensiva, a recortar de

maneira esquizóide, no universo de suas relações objetais, uma classe de objetos


parciais idealizados e uma classe complementar de objetos parciais persecutórios.

Dentro dessa perspectiva, a relação psicanalítica clássica entre o s´mbolo e o

simbolizado não é mais uniuniversal, como faz supor a idéia de que o símbolo é uma

relação objetal atual e o simbolizado uma relação objetal arcaica. Assim a concepção

clássica quer, por exemplo, que o analista na transferência seja um “símbolo”,

produto de um “deslocamento” da imagem paterna, que seria seu “simbolizado”; ou

quer que um guarda-chuva seja um “símbolo”, produto de um “simbolismo” do pênis

paterno, que seria seu “simbolizado”. Ao contrário, essas relações em sua

biuniversalidade, tanto o analista quanto o pai e tanto o guarda-chuva quanto o

pênis são símbolos (ou sinais), pois pertencem à mesma classe (significante) de

relações objetais, de uma vez que despertam no paciete a mesma classe

(significada) de afetos. Analista e pai, guarda-chuva e pênis são “a mesma coisa”

para o ego, porque para ele “simbolizam” (significam) o mesmo afeto (ou

mensagem).

4.1- EVOLUÇÃO PSICOEMOCIONAL.

A evolução psicoemocional do indivíduo começa com sua concepção e principalmente

na gestação em seu ambiente intra-uterino. Na situação intra-uterina, o que é

externo é desprazeroso e o que é interno é prazeroso. Depois do nascimento,

quando a criança tem fome e necessidade do mundo externo, o que é externo

transformou-se em prazeroso e o que é interno em desprazeroso. Para M.Klein, o

nascimento constitui-se na primeira causa externa de angústia. Para Freud, no

homem, o nascimento proporciona uma experiência prototípica desse tipo, e ficamos

inclinados, portanto, a considerar os estados de ansiedade como uma reprodução do

trauma do nascimento.

Segundo Bion o ambiente intra-uterino vai caracterizar uma relação de “continente”

e ausência de desprazer ou “angústia não aniquiladora”, que é a angústia que o ego


é capaz de suportar. Este seria o referencial de busca do indivíduo durante toda a

vida, o retorno ao ambiente ideal, “continente de angústia não aniquiladora”, ou o

“nirvana”. A experiência do nascimento transmuta esta situação para uma relação

“não continente” e com aparecimento do desprazer ou “angústia aniquiladora”, que é

a angústia que o ego não é capaz de suportar. Logo, o objetivo do ego seria de

afastar-se da “angústia aniquiladora” e procurar por relações continentes (nirvana).

As situações criadas são complementares e inversas.

5- SEMIOLOGIA PSIQUIÁTRICA.

A semiologia médica se preocupa com a descrição dos diferentes sintomas, sinais e a

caracterização de uma determinada doença (síndromes). A coleta de sinais e

sintomas são realizados por procedimentos semiotécnico através da anamnese, do

exame físico que dará um diagnóstico clínico através do CID-10, que é o Código

Internacional de Doenças que foi elaborado pela Organização Mundial da Saúde e

abrange todo o espectro de doenças humanas.

A semiologia psiquiátrica utiliza além do CID-10 o DSM IV (94) que é o manual

diagnóstico e estatístico dos transtornos mental, elaborado pela Sociedade

Americana de Psiquiatria, que sistematiza os sintomas e sinais em quadros de

critérios, que possibilitam então o diagnóstico psiquiátrico, que se estrutura a partir

de diferentes eixos diagnósticos.

a)Eixo I- Transtornos Clínicos : outras condições que podem ser um foco de atenção

clínica.

b)Eixo II- Transtornos da Personalidade e Retardo Mental.

c)Eixo III- Condições Médicas Gerais.

d)Eixo IV- Problemas Psicossociais e Ambientais: Problemas com: o grupo de apoio

primário; relacionados ao ambiente social; educacionais; ocupacionais; moradia;

econômicos; com acesso aos serviços de cuidados à saúde; relacionados à


internação com o sistema legal/criminal; psicossociais e ambientais.

e)Eixo V- Avaliação Global do Funcionamento. É uma escala de Avaliação Global do

Funcionamento (AGF) com pontuação de 1 a 100, sendo que entre 100 e 50

geralmente estão as neuroses e de 50 a 0 estão as psicoses. Vejamos abaixo alguns

exemplos:

100: Funcionamento superior. Problemas de vida jamais vistos fora de seu controle.

91 : Ex: Não apresenta sintomas.

90 : Em geral satisfeito com a vida.Sintomas ausentes ou mínimos.

81 : Ex: Discussão ocasional com membros da família.

80 : Se sintomas estão presentes, eles são temporários.

71 : Ex: Apresenta declínio temporário na escola.

70 : Alguma dificuldade no funcionamento social, porém geralmente funcionando

muito bem.

61 : Ex: Possui alguns relacionamentos interpessoais significativos.

60 : Dificuldade moderada no funcionamento social. Apresenta sintomas moderados

51 : Ex: Tem poucos amigos e apresenta conflitos com colegas de trabalho.

50 : Sintomas sérios. Ideação suicida, rituais obsessivos graves, freqüentes furtos

em lojas.

41 : Ex: Nenhum amigo, incapaz de manter um emprego.

40 : Prejuízo no teste da realidade ou baixa comunicação.

31 : Ex: Negligência com a família, incapaz de trabalhar.

30 : Comportamento influenciado por alucinações.

21 : Ex: Permanece na cama o dia inteiro, sem emprego, casa ou amigos.

20 : Perigo de ferir a si mesmo ou a outros. Freqüentemente suja-se de fezes.

11 : Ex: Prejuízo grosseiro na comunicação e incoerente com o mundo.

10 : Perigo de ferir-se gravemente ou a outros. Violência recorrente.

01 : Atos suicidas com clara expectativa de morte.


00 : Informações totalmente inadequadas.

A psiquiatria baseada nos conceitos psicanalíticos foi denominada “psiquiatria

dinâmica” pela escola de Menninger e atualmente Gabbard, considerando as

personalidades Histéricas e Histriônicas. A Histeria não consta mais como diagnóstico

psiquiátrico conforme é apresentado no DMS-IV.

O transtorno de personalidade histérica segundo o DSM-IV (Histérica e Histriônica)

tem um padrão generalizado de excessiva emocionalidade e busca de atenção. O

Histérico sente desconforto em situações nas quais não é o centro das atenções; a

interação com os outros freqüentemente se caracteriza por um comportamento

inadequado, sexualmente provocante ou sedutor; exibe mudança rápida e

superficialidade na expressão das emoções; usa consistentemente a aparência física

para chamar a atenção sobre si próprio; tem um estilo de discurso excessivamente

impressionista e carente de detalhes; apresenta autodramatização, teatralidade e

expressão emocional exagerada; é sugestionável, ou seja, é facilmente influenciado

pelos outros ou pelas circunstâncias; considera os relacionamentos mais íntimos do

que realmente são.

O que parece ligar as pessoas histéricas e histriônicas é uma superposição de

características comportamentais manifestas, tais como emocionalidade lábil e

superficial, busca de atenção, funcionamento sexual perturbado, dependência e

desamparo e autodramatização. A personalidade histriônica é mais florida que a

histérica praticamente em todos os aspectos. A causa básica está ligada às vivências

edipianas mais freqüentemente nos pacientes histéricos e que regressões mais

arcaicas – orais – estão presentes nos casos histriônicos. O paciente histérico

verdadeiro conseguiu atingir relações maduras com um objeto interno, caracterizado

por temas edipianos triangulares e foi capaz de formar relacionamentos significativos

com ambos os genitores, o paciente histriônico encontra-se fixado a um nível diádico

mais primitivo de relações objetais, muitas vezes caracterizado por apego,


masoquismo e paranóia.

5.1- ALGUNS MECANISMOS DE DEFESA.

A repressão ou recalque é um mecanismo básico no qual o indivíduo retira da

consciência as pressões pulsionais, mantendo-as afastadas do ego. Freud escreveu

que a vantagem disso é que a idéia incompatível é recalcada para fora do ego

consciente.

A identificação pode se fazer com o genitor do mesmo sexo ou seu representante

simbólico, na ânsia de derrota-lo na luta competitiva pelo amor do progenitor do

sexo oposto. A identificação também pode ser com o progenitor do sexo oposto ou

com seu representante simbólico. Tal ocorre quando o paciente sente que tem pouca

probabilidade de êxito na competição edípica.

A conversão caracteriza a Histeria de Conversão, onde os pacientes histéricos

manifestam impulsos e afetos reprimidos, através de sintomas somáticos. A

conversão não é simplesmente manifestação somática de afeto, mas representação

específica de fantasias que podem ser novamente traduzidas na linguagem somática

para sua linguagem original.

A regressão possibilita a fuga de uma vivência incestuosa atual. Pela regressão o

paciente retoma uma fase anterior destituída do risco incestuoso edipiano.

Na negação os pacientes se defendem do sofrimento envolvido nas emoções e

desejos dolorosos que vivenciam, não entendendo o resultado de seu

comportamento sedutor sobre as pessoas de seu relacionamento.

6- FERDINAND DE SAUSSURE.

Ferdinand Saussure (1857-1913) foi o fundador da lingüística moderna, cujos

princípios básicos influenciaram profundamente o desenvolvimento do estruturalismo

semiótico. Sua maior contribuição foi o projeto de uma teoria geral de sistema de
signos, a que ele denominou Semiologia, e seu elemento básico foi à definição do

signo. Outros princípios importantes de sua teoria foram a arbitrariedade do signo

lingüístico, o conceito de estrutura, o conceito de sistema de linguagem.

A Semiótica Européia, em um de seus expoentes mais fortes, está fundamentada a

partir do livro "Tratado de Lingüística Geral", de Ferdinand de Saussure. Esse livro

deu margem à criação de várias correntes de pensamento, como o estruturalismo e

constituiu-se como ponto de partida para a Semiologia desenvolvida por Rolland

Barthes.

Em relação aos determinantes teóricos da Semiologia, diferentemente de Peirce, que

estabelece uma relação sígnica entre signo, objeto e interpretante, na corrente

iniciada por Saussure são vistos o signo, o significado e o significante.

O signo, numa definição mais básica, é qualquer coisa que substitua outra. Deste

modo podemos imaginar um homem primitivo que desenhou um animal numa

caverna representando o animal que havia caçado, por exemplo. O desenho do

animal é o signo que representa o conteúdo que o homem primitivo quis expressar.

Este homem, para representar o animal, uniu um conceito a uma imagem, ou seja,

estabeleceu uma relação entre um significado e um significante. Saussure estipula o

significante como uma imagem acústica, que se constitui como a representação

natural da palavra enquanto fato de língua virtual, ou a representação psíquica desse

som. Passando para outros moldes além do verbal, o significante seria uma imagem

que afetasse a mente de uma pessoa.

Saussure estipula duas características primordiais do Signo:

a) O Signo é arbitrário: Isso quer dizer que não há um laço natural entre o

significante e o significado. Por exemplo, lua em Inglês é moon, enquanto em é

italiano é luna. Com essa inferência Saussure distingue um signo de um símbolo; um

símbolo teria uma relação com o objeto representado. Como exemplo, pode-se dizer

que a cruz evoca muita coisa para um cristão, enquanto a suástica a um nazista ou a
um judeu. O símbolo da justiça, a balança, não poderia ser substituído por um objeto

qualquer, um carro, por exemplo.

b) Caráter Linear do Significante: O significante, de natureza auditiva, desenvolve-se

no tempo, unicamente, e tem as características que toma do tempo em determinada

cultura.

Com a constituição da linguagem verbal, existiriam relações sintagmáticas e relações

associativas. As relações sintagmáticas estariam baseadas no caráter linear da

língua, que exclui a possibilidade de pronunciar dois elementos ao mesmo tempo.

Estes se aliam um após o outro na cadeia da fala, e tais combinações podem ser

chamadas de sintagmas. Por exemplo, re-ler, contra-todos, a vida humana, etc.

Uma relação associativa possuiria sua dinâmica fora do discurso, onde as

componentes de determinada sentença se associam na memória e assim se formam

grupos dentro dos quais imperam relações muito diversas. Por exemplo, a palavra

super-homem pode evocar em determinada mente palavras como superfície,

supérfluo, homem rico, poder, etc.

6.1- O PROJETO SEMIOLÓGICO DE SAUSSURE.

Inicialmente, a semiologia seria o projeto de uma ciência geral dos sistemas sígnicos.

Saussure assim o definiu: Pode-se, então, conceber uma ciência que estude a vida

dos signos no seio da vida social; ela constituiria uma parte da Psicologia social e,

por conseguinte, da Psicologia geral. Chamá-la-emos de Semiologia (do grego

smeion, signo). Ela nos ensinará em que consistem os signos, que leis os regem.

Como tal ciência não existe ainda, não se pode dizer o que ela será; ela tem direito,

porém, à existência; seu lugar está determinado de antemão. A Lingüística não é

senão uma parte dessa ciência geral; as leis que a Semiologia descobrir serão

aplicáveis à lingüística e esta se achará vinculada a um domínio bem definido no

conjunto dos fatos humanos). Portanto, para Saussure, Semiologia e Lingüística


estariam no âmbito da Psicologia geral.

A segunda noção relevante é a relação entre a lingüística e a semiologia. Segundo a

visão saussureana, as ciências da linguagem fazem parte da semiologia, e as leis

gerais da ciência dos signos são aplicáveis à lingüística.

Como o estudioso suíço desconhecia a tradição dos estudos sígnicos desde Platão a

Peirce, para ele a semiologia ainda não existia e necessitava, antes de tudo, ser

construída. Segundo ele, a lingüística já estaria bastante desenvolvida, e suas bases

emprestariam suporte para a elaboração da teoria geral dos signos. Assim, via ele

uma relação em mão dupla: a lingüística seria o caminho heurístico da produção da

semiologia cujas regras seriam aplicáveis inclusive aos estudos lingüísticos. Este

caminho foi seguido na França e na Itália, na semiótica estruturalista dos anos 60.

Saussure fazia freqüentemente comentários sobre o conjunto dos fatos semiológicos

sem, contudo, apresentar qualquer detalhamento da maioria desses sistemas de

signos.O pesquisador tinha a língua como o principal dos sistemas sígnicos e

mencionou outros sistemas como o Braille, o código de bandeiras marítimo, sinais

militares de corneta, códigos cifrados (ex. música), etc. Somente no campo da

literatura Saussure empreendeu estudos mais extensos de sistemas sígnicos não-

verbais. Por exemplo, um estudo mitológico sobre a lenda germânica Niberlungen,

que é descrita como um sistema de símbolos que estão inconscientemente sujeitos

às mesmas variações que qualquer outra série de símbolos, bem como as palavras

da língua.

Também nos a anagramas da poesia latina, Saussure se destacou no âmbito da

semiologia. Em determinado ponto das discussões teóricas, a semiologia

saussureana ficou inscrita no âmbito da sociologia e da psicologia (1901). O que

mais ressaltou este enquadramento foi a menção feita por Saussure à aplicação da

semiologia ao estudo das instituições jurídicas.

Ainda que o próprio Saussure tivesse a lingüística como parte da semiótica, estudos
posteriores conseguiram provocar sérios equívocos que se tornaram polêmicas até

hoje não sanadas no que tange à posição dessas duas ciências: a semiótica contém a

semiologia ou vice-versa? Convém, no entanto, buscarmos entender as contribuições

fundamentais do patrono da lingüística na formulação de uma teoria geral dos

signos.

a) A arbitrariedade do signo lingüístico em relação a sua constituição fonológica, do

que decorre o princípio suplementar da convencionalidade.

b) A não-arbitrariedade a posterior, uma vez que ao falante não é facultado eleger

signo diferente do convencionado quando estabelece a comunicação com outrem,

disto decorre o princípio suplementar da imutabilidade do signo.

c) A imotivação dos signos quanto ao seu significado.

O princípio do binarismo: significado & significante. As flechas indicam a associação

psíquica entre a imagem acústica e o conceito. Assim, os três termos do modelo

diádico de Saussure são:

Signo = significante

significado

Sua concepção é mentalista, pois ambos os compósitos sígnicos são entidades

mentais. Daí a exclusão da referência, pois, além de ser seu modelo diádico, rejeita

o pesquisador a união entre uma coisa e uma palavra, portanto, repele o objeto de

referência, que seria algo externo ao sistema considerado.

A partir dessas idéias, Saussure atrela o pensamento às palavras, sem as quais

aquele seria uma massa amorfa e indistinta. Assim, cria Saussure as bases para a

teoria das formas, não das substâncias, a partir do que, mais tarde vem a

configurara-se com Hjelmslev na formulação do Estruturalismo lingüístico.

A partir de suas noção de forma, emergiram as idéias das redes de relações sígnicas
que se sustentam em dois eixos fundamentais: as correlações e as oposições.

A língua é um sistema em que todos os termos são solidários, e o valor de um

resulta tão-somente da presença simultânea de outros. Seu conteúdo só é

verdadeiramente determinado pelo concurso do que existe fora dela. Fazendo parte

de um sistema, está revestida não só de uma significação como também de um

valor.

7-CHARLES SANDERS PEIRCE.

Um dos principais estudiosos contemporâneos dos Signos e da semiótica americana

tem seu expoente inicial com o cientista-lógico-filósofo (e um dos fundadores da

moderna ciência semiótica) foi Charles Sanders Peirce (1830-1914). Considerado por

alguns como sendo, porventura, o maior filósofo norte-americano, Peirce teve uma

vida afetiva, profissional e acadêmica bastante conturbada e infeliz. Muitas das

teorias mais interessantes de Peirce, nomeadamente no âmbito da Semiótica ou

Lógica, foram pouco conhecidas, até pouco tempo. À medida que essas teorias forma

sendo estudadas, Peirce foi ganhando uma importância crescente no campo da

Semiótica, da Lógica e da Filosofia em geral.

Peirce, filho de um importante matemático, era devotado nas ciências culturais à

lingüística, à história e à filologia, e tinha grande conhecimento da Crítica a Razão

Pura, de Kant. Em matéria de obras científico-filosófiicas, a única publicada em vida,

por Peirce, foi Photometric Researches, de 1879, resultado do seu trabalho nos

domínios da geodesia e da astronomia. Deixou um segundo livro terminado, The

Grand Logic, e publicou vários artigos, sobretudo nas revistas Popular Science

Monthly (1877-1878) e The Monist (1891-1893). No entanto, a maior parte dos seus

trabalhos inéditos, reunidos nos Collected Papers (em 9 volumes), só foi publicada

entre 1931 e 1958.


Baseado, a princípio, com as categorias universais de Kant, e constatando mais tarde

alguma semelhança também com Hegel, Peirce estipulou três categorias universais,

começando a aplicá-las inicialmente à mente, e logo após á natureza. São estas

categorias a de primeiridade, secundidade e terceiridade.

"As definições de 'signo' que circulam nos manuais de semiótica corrente são

diversas mas não contraditórias e são muitas vezes complementares. Para Peirce, o

signo era "algo que está para alguém por algo sob algum aspecto ou capacidade".

Enquanto Saussure circunscreveu a semiologia no âmbito da Psicologia, Peirce foi

buscar suas bases na Filosofia e na Lógica. Por isso, com a mesma força que o suíço

rejeitara a relação com entes objetivos externos ao sistema de signos em questão

(no seu caso o lingüístico), o semioticista norte-americano enfatizara as suas bases

doutrinárias numa concepção fenomenológica, portanto filosófica. Assim, retomava o

terceiro elemento já previsto na teoria formulada por Platão (nome = nomos /noção

= logos /coisa = pragma) como base indispensável do diálogo entre o homem e o

mundo que o cerca.

Para Peirce, o universo é semiótico, e o homem interage com os sinais, lendo os que

o antecedem e formulando novos sinais em suprimento das necessidades

emergentes.

A visão pansemiótica de Peirce sobre o universo resultara no entendimento das

cognições, das idéias e até do homem como entidades semióticas; e, como tal, um

signo se refere a outras idéias e a outros objetos do mundo que se reflete um

passado.

Suas idéias projetam uma dimensão muito mais ampla. O homem denota qualquer

objeto de sua atenção num momento dado. Conota o que conhece ou sente sobre o

objeto e é também a encarnação desta forma ou espécie inteligível; o seu

interpretante é a memória futura dessa cognição, o seu eu futuro ou uma outra

pessoa à qual se dirige, ou uma frase que escreve, ou um filho que tem.
Peirce retomou a teoria estóica do significado, em termos que lhe deram direito de

cidadania na lógica moderna. As concepções semióticas de Peirce demonstraram ser

fecundas na lógica e na semiótica contemporâneas, do mesmo modo que se

tornaram fecundas as múltiplas distinções e classificações de signos que ele forneceu

nos seus escritos.

Para Peirce, Lógica e Semiótica identificam-se: Em seu sentido geral, a lógica é,

como acredito ter mostrado, apenas um outro nome para semiótica, a quase-

necessária, ou formal, doutrina dos signos. A Semiótica é quase-necessária ou

formal no sentido em que, segundo Peirce, procede por observação abstrativas,

partindo dos signos particulares do que os signos "são", para as afirmações gerais o

que os signos devem ser.

A Semiótica tem três ramos:

a) Gramática Pura - a sua tarefa é determinar o que deve ser verdadeiro quanto ao

representamen utilizado por toda a inteligência científica a fim de que possa

incorporar um significado qualquer. É a teoria geral da relação de representação e

dos vários tipos de signos.

b) Lógica Pura ou Crítica - ciência do que é quase necessariamente verdadeiro em

relação aos representamen de toda a inteligência científica a fim de que possam

aplicar-se a qualquer objeto, isto é, a fim de que possam ser verdadeiros. Ciência

formal da verdade das representações. Compreende a teoria unificada da dedução,

da indução e da retrodução - inferência hipotética ou abdução.

c) Retórica Pura ou Especulativa - o seu objetivo é o de determinar as leis pelas

quais, em toda a inteligência científica, um signo dá origem a outro signo e,

especialmente, um signo acarreta outro. Refere-se à eficácia da semiose.

Esta tripartição da Semiótica viria a ser retomada por Charles Morris em 1938 que

substitui as designações de Peirce pelas de Sintaxe (que trata da relação formal dos

signos uns com os outros), Semântica (que trata da relação entre os signos e os
objetos a que se aplicam) e Pragmática (que trata da relação entre os signos e os

intérpretes). Como sabemos, Sintaxe, Semântica e Pragmática constituem, hoje em

dia, os três grandes domínios da Semiótica.

Peirce distingue, ainda, entre Semiótica geral e "ciências psíquicas" a que, mais

propriamente, poderíamos chamar "ciências semióticas", em que inclui as ciências

psicológicas e sociais, a lingüística, a história, a estética, etc.

7.1-PRIMEIRIDADE, SECUNDIDADE E TERCEIRIDADE.

A primeiridade (a primeira das três categorias universais) consiste, por exemplo, na

presença de imagens diretamente à consciência, sem uma consciência propriamente

dita. A primeiridade: categoria do sentimento imediato e presente das coisas, numa

relação sensível, sem relação com outros fenômenos do mundo, onde se vê aquilo tal

como é por exemplo uma Flor palavra da língua.

O caráter de secundidade já redunda em "conflito". Não é o não analisável da

primeiridade, mas necessita dela para existir. É o mundo do pensamento, sem, no

entanto, a mediação de signos. O aspecto segundo representa uma consciência

reagindo ante o mundo, em relação dialética; uma relação dual. Secundidade:

relação entre um fenômeno primeiro e um segundo fenômeno qualquer. É a

categoria da comparação, por exemplo, uma Flor é o nome genérico para rosas,

margaridas, etc.

A terceiridade contem as duas últimas citadas, no nível do pensamento a

terceiridade corresponderia ao nível simbólico, sígnico, onde representamos e

interpretamos o mundo. Não é um caráter passivo, primeiro, mas a união deste com

o segundo, acrescentando um fator cognitivo. Na terceiridade é posto uma camada

interpretativa entre a consciência (segundo) e o que é percebido (primeiro). Nesse

caráter fenomenológico Peirce começou a esquadrinhar seu sistema filosófico. A

terceiridade é a categoria que relaciona um fenômeno a um terceiro termo, gerando


assim a representação, a semiose, os signos em si. Por exemplo, uma Flor pode

representar a mocidade; a pureza, a candura, além do próprio tipo vegetal.

Para esclarecer a definição de signo, Peirce estabeleceu o conceito de relação

sígnica. Toda relação sígnica envolve o signo propriamente dito, o objeto e seu

interpretante. A noção de interpretante não se define na de intérprete do signo, mas

através da relação que o signo mantém com o objeto. A partir dessa relação,

produz-se na mente interpretadora um outro signo que traduz o significado do

primeiro (que é o interpretante do primeiro). Por exemplo, a palavra "casa" é um

signo interpretante do signo casa estabelecido unicamente em cada subjetividade.

Dessa forma, o significado de um signo é sempre outro signo, e assim por diante.

Tendo suas categorias e a noção de signo, Peirce estabeleceu uma rede de

classificações sempre triádicas dos tipos possíveis de signo, tomando como base às

relações que se apresenta o signo. A relação mais elementar entre essas tríades se

dá tomando-se a relação do signo consigo mesmo (primeiridade), com seu objeto

dinâmico (secundidade) e com seu interpretante (terceiridade):

O Signo 1º em si mesmo (1º Quali-signo, Sin-signo, Legi-signo). O Signo 2º com seu

objeto. 2º Ícone, Índice, Símbolo. O Signo 3º com seu interpretante (Rema, Dicente,

Argumento).

Ao pegar-se um signo com seu objeto, em aspecto icônico, temos por

correspondentes em primeiridade um Quali-signo e uma rema. Por primeiridade ser

a pura qualidade, é passível a várias "interpretações". Não chega a um signo restrito.

Partindo novamente da relação do signo com seu objeto, agora em caráter de

secundidade encontra-se o índice. Aqui, o signo permanece bem mais restrito e

concreto, pois "indica". Um exemplo disso seria o ponteiro da gasolina no carro, que

indica o quanto aproximado há de combustível no veículo.

Em terceiridade, ao ter-se o símbolo como ponto de partida, vê-se, no signo em si

mesmo, um caráter de lei. Nesse aspecto podem ser encontrados os códigos (não
especialmente um código genético, por exemplo, mas explicitamente a linguagem

como código criado na esfera humana). Na forma expressa acima, percebe-se que o

terceiro sempre precisa do primeiro e do segundo para sua existência, pois se assim

não fosse, não teria seu caráter designativo ou qualitativo numa lei, ou num

processo superior humano.

Peirce, com suas tríades criou miríades de associações, sendo esta, um dos pontos

fundamentais de sua teoria. Assim, a base geral do signo é a relação entre estes três

elementos, a partir dos quais é possível entender a semiose ou o processo de

produção de significados e sentidos. A teoria da iconicidade nos diz que qualquer

coisa é capaz de ser um substituto para qualquer coisa com a qual se assemelhe e a

relacionamos com a teoria do interpretante que é a formulação de um Supersigno ou

Supercódigo que orienta a "tradução" ou decifração dos possíveis conteúdos de um

dado signo sensível.

Como é possível perceber, a teoria de Peirce contempla as relações entre homem e

mudo, assim como decifra em graus o diálogo entre o homem e os fenômenos que o

tocam, a partir do que a mediação dos sentidos humanos é considerada em sua

amplitude enquanto antena de captação dos sinais do universo articulado com a

experiência humana.

O modelo triádico de Peirce que viabilizou a classificação dos sinais em ícones,

índices e signos, estendeu a discussão da atuação subjetiva sobre a decifração

sígnica, assim como permitiu a dedução de valores extra-sígnicos que compõem a

rede de relações sobre as quais opera a semiose.

Além disso, ressaltou o caráter dinâmico das linguagens, apontando para a teoria da

semiose ilimitada que veio a subsidiar explicações mais consistentes para a produção

artísticas a partir do confronto entre objeto artístico e objeto seriado. Para Peirce, as

formas sígnicas são passíveis de serem construídas a despeito de existirem ou não

no mundo real, por isso, a existência material de sinais não aprisiona a produção
cognitiva.

Das contribuições deixadas por Saussure, verifica-se sua maior importância no

âmbito da descrição lingüística, portanto, como base fundamental para a análise

literária, inclusive. Quanto ao legado de Peirce, pode-se dizer que tenha aberto os

horizontes dos estudos sígnicos no sentido de demonstrar as relações

intersistêmicas, por meio do que são sustentáveis os enfoques interdisciplinares e

intertextuais tão em voga na atualidade.

Originalmente semiótica e semiologia eram a mesma coisa, a escola francesa gerou

uma outra modalidade de estudo que seria mais bem denominada como semiologia

ou uma semiótica lingüística e a semiótica de Peirce transcende o estudo do signo

lingüístico, portanto, seria uma ciência continente para os estudos do signo verbal. A

categorização triádica e fenomenológica da teoria de Peirce favorecem a ampliação

de uma metodologia de ensino de línguas que contemple mais adequadamente o

desenvolvimento das destrezas lingüísticas: ouvir, falar, ler e escrever.

7.2-PRAGMATISMO E ABDUÇÃO.

Charles Sanders Peirce consta, nas Histórias da Filosofia, como um dos fundadores

do pragmatismo. O pragmatismo é a forma que foi assumida, na filosofia

contemporânea, pela tradição clássica do empirismo inglês o pragmatismo constitui a

primeira contribuição original dos Estados Unidos da América para a filosofia

ocidental. Enquanto o empirismo clássico entende "experiência" como experiência

passada, o pragmatismo entende a experiência como abertura para o futuro, a

possibilidade de fundamentar a previsão: uma verdade é-o não em confronto com

uma experiência passada, mas em relação com o seu possível uso futuro. A previsão

desse possível uso futuro dos limites, condições e efeitos é o significado dessa

verdade. A tese fundamental do pragmatismo é a de toda a verdade é uma regra de

ação, uma norma para a conduta futura, entendendo-se por "ação" e por "conduta
futura" toda a espécie ou forma de atividade, quer seja cognoscitiva quer seja

emotiva.

A crítica central de Peirce ao método cartesiano reside na tese de que não é possível

distinguir entre uma idéia que apenas parece clara e distinta e outra que o é

efetivamente. Peirce observa que o mecanismo da mente só pode transformar

conhecimento, mas nunca originá-lo, a menos que alimentado com fatos de

observação. Como podemos, então, estar seguros da clareza de uma idéia? Para

responder a esta questão, Peirce avança a sua concepção do pensamento como

"engenharia". O pensamento é comparado, por Peirce, à "linha de uma melodia

através da sucessão das nossas sensações": enquanto os sons são o imediatamente

percebido, o pensamento é uma sucessão ordenada de idéias, mediada por essas

sensações e orientada para uma certa função. Essa função é a produção de uma

crença.

A crença tem três propriedades, segundo Peirce: é algo de que nos damos conta;

sossega a irritação do pensamento provocada pela dúvida; implica a determinação,

na nossa natureza, de uma regra de ação ou hábito. Por hábito deve entender-se,

aqui, o conjunto de ações, tanto reais como possíveis, que se baseiam numa crença.

No entanto, a ação com base numa determinada crença produz uma nova dúvida, e

este novo pensamento; assim, a crença, sendo lugar de paragem, é também lugar

de recomeço para o pensamento. Sendo a essência da crença a produção de um

hábito, as diferentes crenças distinguem-se pelos diferentes modos de ação a que

dão origem. Parafraseando um exemplo de Fidalgo, se eu acreditar que um objeto é

um garfo, então servir-me-ei dele para levar à boca alimentos sólidos; mas, se for

chinês, por exemplo, e acreditar que se trata de um ancinho, utilizá-lo-ei para tratar

das flores.

Portanto, e ao contrário do que pretendia Descartes, a "clareza das idéias" não

resulta das idéias inatas, mas da aplicação de uma máxima pragmatista, que Peirce
considera quais os efeitos, que podem ter certos aspectos práticos, que concebemos

que o objeto da nossa concepção tem. A nossa concepção dos seus efeitos constitui

a nossa concepção do objeto. O que significa que a nossa idéia (significado) de um

objeto é a idéia dos efeitos sensíveis que concebemos que esse objeto tem.

As sete conferências que Peirce fez em Harvard, em 1903, a convite de William

James, procuram dar uma resposta lógica e não psicológica, ao problema da máxima

pragmatista, formulado nos seguintes termos: "Qual é a prova de que os efeitos

práticos de um conceito constituem a soma total do conceito?". A resposta a este

problema leva Peirce a afirmar que a questão do pragmatismo não é mais que a

questão da abdução. Para "afiar" a máxima pragmatista, Peirce propõe as seguintes

proposições "cotárias" (do latim cotis, afiar):

a) "Nada está no intelecto que primeiro não tenha estado nos sentidos": este

princípio aristotélico significa, para Peirce, que nenhuma idéia, seja de que tipo for,

se encontra na mente sem ter passado primeiro por um juízo perceptivo, ou seja, o

juízo perceptivo é a fonte do conhecimento. No entanto, esta concepção coloca o

seguinte problema: sendo os juízos perceptivos juízos particulares, como se passa

deles para os conceitos e juízos universais? Este problema leva Peirce à segunda

proposição cotária.

b) Os juízos perceptivos contêm elementos gerais: embora os juízos perceptivos

sejam singulares, ao nível do sujeito eles não deixam de envolver a generalidade, ao

nível do predicado, possibilitando, assim, a dedução de proposições gerais. Como se

faz a introdução da generalidade nos juízos perceptivos? Pelo tipo de raciocínio a que

Peirce chama abdução.

A Lógica e a Teoria do Conhecimento tradicional distinguem dois tipos de raciocínio:

a dedução (prova que algo deve ser, é uma inferência necessária que extrai uma

conclusão contida em certas premissas, cuja verdade deixa, no entanto, em aberto)

e a indução (prova que algo realmente é, é uma inferência experimental que não
consiste em descobrir, mas em confirmar uma teoria através da experimentação - e

que, portanto, não cria algo de novo). A criação quer das premissas (fundamentoras

da dedução) quer das teorias (fundamentoras da indução), é, deste modo, exterior

aos dois tipos tradicionais de raciocínio, e reside na abdução. A abdução, que prova

que algo pode ser, é uma inferência hipotética, é o verdadeiro método para a criação

de novas hipóteses explicativas. O modelo da inferência abdutiva pode ser traduzido

da forma seguinte: "Um fato surpreendente, C, é observado. Mas, se A fosse

verdadeiro, C seria natural. Donde há razão para suspeitar que A é verdadeiro".

Mas como entra, através da abdução, a generalidade nos juízos perceptivos? Esta

questão conduz-nos à terceira proposição cotária.

c) A inferência abdutiva transforma-se no juízo perceptivo sem que haja uma linha

clara de demarcação entre eles: os juízos perceptivos são casos extremos de

inferências abdutivas. A percepção tem sempre, segundo Peirce, um fundo abdutivo

e interpretativo, não se limita a ser um mero "dado". Seja o seguinte exemplo de

juízo perceptivo, feito num lindo dia de sol: "Está a cair água do telhado". A partir

deste juízo perceptivo, várias inferências abdutivas são possíveis, por exemplo:

"Alguém está a deitar água no telhado" ou "A neve acumulada no telhado está a

derreter". Enquanto a inferência abdutiva admite sempre a possibilidade de ser

negada (para afirmarmos uma outra), no caso dos juízos perceptivos não nos é

possível conceber a sua negação ("prova da inconceptibilidade").

Como distinguir, de entre a infinidade de hipóteses explicativas de um fenômeno

teoricamente possíveis, as que são admissíveis e as que não o são? A resposta a

esta pergunta reside na máxima pragmatista - é ela que nos fornece o critério de

admissibilidade das hipóteses explicativas. É neste sentido que, segundo Peirce, a

questão do pragmatismo é a questão da abdução. Só são admissíveis as hipóteses

das quais podemos conceber determinados efeitos práticos sensíveis, que vão guiar

a conduta de quem as formulou. Assim entendida, a máxima pragmatista pode


formular-se do seguinte modo: uma concepção não pode ter efeito lógico algum, ou

importância a diferir do efeito de uma segunda concepção, salvo na medida em que,

tomada em conexão com outras concepções e intenções, poderia concebivelmente

modificar a nossa conduta prática de um modo diverso do da segunda concepção.

7.3-SIGNOS.

A Semiótica é a doutrina ou ciência dos signos, logo a noção central desta disciplina

é, obviamente, a noção de Signo. Platão e Aristóteles vão distinguir, no que se refere

às palavras, entre significado e significante e, sobretudo entre significação e

referência. No entanto, Aristóteles não usa, habitualmente, a palavra semeion para

se referir às palavras, a que se refere normalmente como symbolon. Os signos

(semeia), referidos na Retórica, são uma das fontes dos entimemas ( a outra são os

eikota ou verosímeis). Os signos são distinguidos em duas categorias: o tekmerion,

no sentido de "prova", que poderíamos traduzir por "signo necessário" ou "forte" ("se

tem febre, então está doente"), governado pela relação de implicação e indo do

universal para o particular; e o "signo fraco" ("se tem a respiração alterada, então

tem febre"), a que Aristóteles não dá um nome particular, governado pela relação de

conjunção e indo do particular para o particular.

Os Estóicos, apesar da articulação da sua semiótica, ainda não vão unificar, de forma

clara, a doutrina da linguagem verbal e a doutrina dos signos. No que se refere à

linguagem verbal, os Estóicos distinguiam entre "expressão" (semainon), "conteúdo"

(semainomenon) e "referente" (tynchanon). Poder-se-ia dizer que, para os Estóicos,

a língua aparece como sistema modelizante primário (Lotman).

No entanto, será só com Stº Agostinho que, segundo Eco, se fará à união definitiva

entre teoria dos signos e teoria da linguagem, aparecendo os signos lingüísticos

como uma espécie ( entre outras espécies, como as dos letreiros, dos gestos, dos

sinais ostensivos) do gênero signo. Quanto à noção de signo, Stº Agostinho dá duas
definições que contemplam quer a sua dimensão semântico-representativa quer a

sua dimensão comunicacional (representando, esta última, uma novidade em relação

aos Estóicos): "Um signo é o que se mostra a si mesmo ao sentido, e que, para além

de si, mostra ainda alguma coisa ao espírito" e "A palavra é o signo de uma coisa

que pode ser compreendida pelo auditor quando é proferida pelo locutor". Em vez

dos três elementos referidos pelos Estóicos, Stº Agostinho indica quatro elementos

constitutivos do signo: a palavra (verbum), o exprimível (dicibilis), a expressão

(ditio) e a coisa (res), ainda que verbum e ditio pareçam poder ser tomados como

sinónimos, referindo-se o primeiro ao aspecto comunicativo e o segundo ao aspecto

semântico-referencial do signo.

A esta concepção triádica do signo, profundamente radicada na tradição filosófica,

vai opor-se claramente Saussure (e a tradição que dele emana). Saussure define o

signo (lingüístico) da seguinte forma: "O signo lingüístico une não uma coisa e um

nome, mas um conceito e uma imagem acústica. Esta última não é o som material,

coisa puramente física, mas a marca psíquica desse som, a representação que dela

nos dá o testemunho dos nossos sentidos; ela é sensorial, e se nos acontece

chamar-lhe “material”, é apenas neste sentido e por oposição ao outro termo da

associação, o conceito, geralmente mais abstrato". O signo apresenta, assim, uma

dupla face: significante ("imagem acústica") e significado ("conceito"), excluindo-se

claramente o referente (e, em conseqüência, pelo menos assim o pensava Saussure,

a concepção da língua como nomenclatura, ligando palavra-coisa).

A concepção Peirceana do signo é claramente herdeira da tradição lógico-filosófica

(estóica e agostiniana) do signo e ultrapassa, claramente, a concepção Saussuriana

do mesmo.

a) Um signo, ou representamen, é aquilo que, sob certo aspecto ou modo,

representa algo para alguém. Dirige-se a alguém, isto é, cria na mente dessa pessoa

um signo equivalente, ou talvez um signo mais desenvolvido. Ao signo assim criado


denomino interpretante do primeiro signo. O signo representa alguma coisa, seu

objeto. Representa esse objeto não em todos os seus aspectos, mas com referência

a um tipo de idéia que eu, por vezes, chamei fundamento do representamen. "Idéia"

deve ser aqui entendida num certo sentido platônico."

b) Um Signo é tudo aquilo que está relacionado com uma Segunda coisa, seu Objeto,

com respeito a uma Qualidade, de modo tal a trazer uma Terceira coisa, seu

Interpretante, para uma relação com o mesmo Objeto, e de modo tal a trazer uma

Quarta para uma relação com aquele Objeto na mesma forma, ad infinitum. Se a

série é inter-rompida, o Signo, por enquanto, não corresponde ao caráter significante

perfeito.

c) Um Signo, ou Representamen, é um Primeiro que se coloca numa relação triádica

genuína tal com um Segundo, denominado seu Objeto, que é capaz de determinar

um Terceiro, denominado seu Interpretante, que assume a mesma relação triádica

com seu Objeto na qual ele próprio está em relação com o mesmo Objeto.

d) Signo é qualquer coisa que conduz alguma outra coisa (seu interpretante) a

referir-se a um objeto ao qual ela mesma se refere (seu objeto) de modo idêntico,

transformando-se o interpretante, por sua vez, em signo, e assim sucessivamente,

ad infinitum. Se a série de interpretantes sucessivos vem a ter fim, em virtude desse

fato o signo torna-se, pelo menos, imperfeito.

A classificação dos signos é um dos problemas que a Semiótica ainda não conseguiu

resolver de forma totalmente satisfatória. A prova disso são as sucessivas

classificações, mais ou menos inspiradas em Peirce, tentadas por Eco. Segundo este

autor, o único pensador que, até hoje, tentou uma classificação global dos signos foi

Peirce, tendo, no entanto a sua classificação ficada incompleta. Apesar disso, muitas

das distinções feitas por Peirce ganharam direitos de cidadania na Semiótica e, por

isso, importa fazer aqui a sua análise, ainda que sumária.

Os signos podem ser classificados a partir de três pontos de vista: Signo em si,
relação do Signo com o Objeto e relação do Signo com o Interpretante. Obtêm-se,

assim, as três tricotomias e as nove categorias seguintes:

- Signo em si: Qualisigno (Tone), Sinsigno (Token), Legisigno (Type).

- Signo em relação com o Objeto: Índice, Ícone e Símbolo.

- Signo em relação com o Interpretante: Rema, Dicisigno, Argumento.

Da combinação destas categorias derivam dez classes de signos as outras

combinações teoricamente possíveis não têm significado, que nos dispensaremos de

analisar aqui. Classes que, no entanto, nem sempre é fácil saber como aplicar. Como

diz Peirce, é um terrível problema dizer a que classe um signo pertence.

Peirce define, num texto de 1903, cada uma das nove categorias anteriores indica-

se, entre parêntesis, a respectiva exemplificação e/ou interpretação:

- Qualisigno (Tone): é uma qualidade que é um Signo. Por exemplo, tom de voz,

vestuário, etc.

- Sinsigno (Token ou "ocorrência"): é uma coisa ou evento existente e real que é um

Signo por exemplo, todos os /o/ deste texto.

- Legisigno (Type ou tipo): é uma lei que é um Signo. Traduz-se nos sinsignos, que

são as suas "ocorrências"; exemplo: o artigo definido "o", que se traduz nos /o/

deste e de outros textos.

- Ícone: é um signo que se refere ao Objeto que denota apenas em virtude dos seus

caracteres próprios, caracteres que ele igualmente possui quer um tal Objeto

realmente exista ou não; qualquer coisa, seja uma qualidade, um existente

individual ou uma lei, é Ícone de qualquer coisa, na medida em que for semelhante a

essa coisa e utilizado como um seu signo (inclui, como subcategorias, as imagens, os

diagramas e as metáforas; exemplos: fotografias, desenhos, diagramas, fórmulas

lógicas e algébricas, imagens mentais, etc.).

- Índice: é um signo que se refere ao Objeto que denota em virtude de ser

realmente afetado por esse Objeto. Funda-se não na semelhança, como o Ícone,
mas na conexão física com o Objeto; exemplos: dedo apontado para um objeto,

cata-vento, fumo como sintoma do fogo, pronome /este/, referido a um objeto, os

quantificadores lógicos, etc.

- Símbolo: é um signo que se refere ao Objeto que denota em virtude de uma lei,

normalmente uma associação de idéias gerais que opera no sentido de fazer com

que o Símbolo seja interpretado como se referindo àquele Objeto. Exemplos de

Peirce: todas as palavras, frases, livros e outros signos convencionais.

- Rema (Termo): é um Signo que, para o seu Interpretante, é um Signo de

Possibilidade qualitativa, ou seja, é entendido como representando esta e aquela

espécie de Objeto possível. É ou um termo simples, ou uma descrição, ou uma

função. Por exemplo: Sócrates, alto, e, etc.

- Dicisigno (Proposição): é um Signo que, para o seu Interpretante, é um Signo de

existência real. Uma proposição como, por exemplo, "Sócrates é mortal".

- Argumento: é um Signo que, para o seu Interpretante, é Signo de lei. É um

raciocínio complexo, por exemplo, um silogismo.

Para percebermos melhor o funcionamento daquela que Peirce considera ser "a mais

importante divisão dos signos", em Ícones, Índices e Símbolos, vejamos os seguintes

exemplos de Peirce - que mostram como, na linguagem do quotidiano, Símbolos,

Ícones e Índices se relacionam:

Exemplo 1. Um homem, que caminha com uma criança, levanta o braço para o ar e

aponta, dizendo: "Lá está um balão". A criança pergunta: "O que é um balão?".

Responde o homem: "É parecido com uma grande bolha de sabão".

Neste exemplo verifica-se que: o braço apontado para o ar funciona como um Índice

(denota um individual), a bolha de sabão funciona como um Ícone, e as palavras

funcionam como Símbolos.

Exemplo 2. Se eu digo "Todo o homem ama uma mulher", isto equivale a dizer

"Tudo o que for homem ama algo que é mulher".


Neste exemplo verifica-se que: "tudo o que" (quantificador universal) e "algo que"

(quantificador particular) funcionam como Índices; "for homem", "ama" e "mulher"

funcionam como Símbolos.

Exemplo 3. A diz a B: "Há um fogo". B pergunta: "Onde?". Responde B: "A cerca de

mil metros daqui".

Neste exemplo, "metros" e "daqui" funcionam como Índices, e os restantes signos

como Símbolos.

Sobre a relação entre Índices, Ícones e Símbolos, Peirce diz ainda que ela está

presente em qualquer proposição, sendo impossível encontrar uma proposição, por

mais simples que seja, que não faça apelo a pelo menos dois destes tipos de signos.

Especialmente importante é o papel que Peirce atribui ao Ícone, que considera a

única maneira de comunicar diretamente uma idéia, levando a que todo o método de

comunicação indireta de uma idéia deve passar pelo uso de um Ícone. Assim, toda a

asserção deve conter um Ícone ou um conjunto de Ícones, ou signos cujo significado

só seja explicável por Ícones. No dizer de Peirce, o Predicado de uma asserção é a

idéia significada por um conjunto de ícones ou o equivalente a um conjunto de ícones

contido numa asserção.

De qualquer modo, só num determinado contexto podemos determinar se um signo

funciona como um Índice, um Ícone ou um Símbolo. Por exemplo: o fumo tanto pode

significar fogo, como nevoeiro, como se aproxima um rosto-pálido, no caso dos

sinais de fumo.

Com a sua teoria da abdução, Peirce vai romper com os paradigmas referencialista e

ideacionista do Signo, ambos baseados na noção de equivalência ou entre signo-

referente ou entre significante-significado. Trata-se, agora, de substituir a noção de

equivalência pela de implicação. Um signo é algo através do qual nós conhecemos

algo mais.
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