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Viagens • Literatura Portuguesa • 11.

º ano Fichas de trabalho por sequência

FICHA DE TRABALHO 6 SEQUÊNCIA 6 • VIAGEM À POESIA DO SÉCULO XX

Grupo I
Lê atentamente o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen abaixo transcrito.

A forma justa

Sei que seria possível construir o mundo justo


As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
5 A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos – se ninguém atraiçoasse – proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
– Na concha na flor no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
10 E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco


15 E este é o meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo

ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, 1996. Obra Poética III. Lisboa: Caminho (2.ª ed.)

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas ao questionário.

1. Transcreve os elementos do texto em que se prefigura o “mundo justo”.

2. Explicita os sentidos produzidos pelas formas verbais “seria” (vv. 1 e 11), “poderiam ser” (v. 2) e
“proporia” (v. 6)

3. Apresenta uma interpretação possível para a frase: “se ninguém atraiçoasse” (v. 6).

4. Explica em que se fundamenta a convicção do sujeito poético de que “seria possível construir o
mundo justo” (v. 1) e caracteriza o papel que o “eu” atribui a si próprio “para a reconstrução do
mundo” (v. 15).

(in Exame Nacional de Português B, 2000, 1.ª fase, 2.ª chamada)

1 VIAG11 © Porto Editora


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Viagens • Literatura Portuguesa • 11.º ano Fichas de trabalho por sequência

Grupo II

Lê atentamente o seguinte excerto de uma crónica de António Lobo Antunes, intitulada “A Praia
das Maçãs”.

E então no princípio de agosto íamos para a Praia das Maçãs. Tudo começava como
a partida, em sobressalto de fuga, de aristocratas russos a seguir à revolução de
dezassete1: tiravam-se os reposteiros e as cortinas, enrolavam-se os tapetes, cobriam-se
os sofás de lençóis brancos, desprendiam-se os quadros das paredes que mostravam
5 retângulos mais claros pendurados de grampos, embrulhavam-se os castiçais, os talheres,
os bules e as salvas de prata em jornais, a casa aumentava de tamanho e os sons
ganhavam a amplitude de explosão de passos em garagem à noite, vinha uma camioneta
carregar frigorífico, bagagem e criadas que seguiam logo de manhã, antes de nós, para o
exílio das férias, e à tarde os meus pais embarcavam as crias que lutavam no banco de
10 trás por um lugar à janela, entre lágrimas, pontapés e queixinhas, exceto o meu irmão
mais novo que de pé no assento com o babete ao pescoço e um Pluto de borracha
apertado no peito ia acenando adeuses, de Benfica a Sintra, aos automóveis que nos
seguiam.
Depois de Colares os adeuses tornavam-se impossíveis por culpa do nevoeiro:
15 percebiam-se a custo telhados de chalés e cumes vagos de pinheiros numa bruma
desfocada, o mar invisível chiava um mecanismo ferrugento de berço, alcançávamos ao
anoitecer uma vivenda desconhecida e húmida, cercada de arbustos horrivelmente tristes
que as ondas se esqueceram de levar, adormecíamos em cobertores molhados com a
ronca2 do farol a baralhar-nos os sonhos, e no dia seguinte, às nove da madrugada, a
20 nossa mãe, em roupão, vinha ao convés do jardim observar o nevoeiro com um sobrolho
de almirante, garantia
– Depois da uma levanta
e nós, os filhos, de panamá3 na cabeça, submersos em cascas concêntricas de
casacos de malha, parecidos com os automobilistas vestidos de urso do princípio do
25 século, marchávamos a tiritar, em fila indiana, pastoreados 4 pela criada, de nariz roxo de
frio, até à praia em que se distinguiam os iglus5 de um ou dois toldos imprecisos,
icebergues à deriva e os meninos-pinguins de uma colónia de férias guinchando como
leitões a esbracejarem de susto, que banheiros-esquimós agarravam à força para os
mergulharem de golpe, num clima de aurora boreal, entre calhaus de gelo e esqueletos de
30 exploradores polares.
Sentados na areia, arrepiados de gripe, de pás, baldes de plástico e formas de bolo
inúteis, reconhecíamo-nos uns aos outros pelo ímpeto da tosse e pela tonalidade dos
espirros, e no Instituto de Socorros a Náufragos acumulavam-se, nas mesas de pedra dos
afogados, moribundos de pneumonia com tantos casacos de lã e tantos panamás como
35 nós.

2 VIAG11 © Porto Editora


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Viagens • Literatura Portuguesa • 11.º ano Fichas de trabalho por sequência

Às onze, quando das bandas da serra embuçada6 em películas cinzentas crescia um


bocadinho de castelo a nossa mãe descia à praia, descalçava-se junto à estaca de toldo
onde se amontoava um cone de sandálias, abria o Paris-Match7 e perguntava radiante,
apontando em triunfo uma nesguita de ameias
40 – Eu não disse que daqui a nada levantava?
distribuindo a cada um embalagens de aspirina.
Nunca mais voltei à Praia das Maçãs.

ANTUNES, António Lobo, 2002. Livro de Crónicas. Lisboa: Dom Quixote (5.ª ed.)
1
revolução de dezassete: revolução russa de 1917, que derrubou o regime czarista; 2 maquinismo que produz
sons fortes, em especial para avisar os navios da proximidade de terra, de um farol, 3 chapéu de palha de
copa e abas flexíveis; 4 conduzidos; 5 abrigos construídos com blocos de gelo ou de neve dispostos em forma
de cúpula; 6 encoberta; oculta; 7 revista francesa.

Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas ao questionário.

1. Divide o texto nas suas partes constitutivas, justificando a tua resposta.

2. Relaciona a expressão “exílio das férias” (l. 9) com os preparativos da partida para a Praia das
Maçãs.

3. Refere dois dos efeitos de sentido produzidos pelo conjunto das seguintes expressões: “os iglus de
um ou dois toldos”, “icebergues à deriva”, “meninos-pinguins”, “banheiros-esquimós”, “aurora
boreal”, “calhaus de gelo” e “esqueletos de exploradores polares” (ll. 26-30).

4. Caracteriza a figura da mãe, fundamentando a resposta em elementos do texto.

(in Exame Nacional de Literatura Portuguesa, 2010, 1.ª fase)

Grupo III

Seleciona uma das obras (narrativa, texto de teatro, poesia…) que leste no âmbito do Programa.
Elabora, num texto bem estruturado, de cem a duzentas palavras, uma apreciação crítica dessa
obra.

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Viagens • Literatura Portuguesa • 11.º ano Fichas de trabalho por sequência

Cotações Ficha de trabalho 6 • Sequência 6

Questões Cotação

Grupo I Conteúdo OCL* Total por questão Total do grupo

Org.** CL***

1. 12 4 4 20

2. 12 4 4 20
80 pontos
3. 9 3 3 15

4. 15 5 5 25

Grupo II Conteúdo OCL* Total por questão Total do grupo

Org.** CL***

1. 12 4 4 20

2. 12 4 4 20
80 pontos
3. 12 4 4 20

4. 12 4 4 20

Conteúdo OCL* Total por questão

Grupo III 40 pontos


Org.** CL***

24 8 8 40

200 pontos

(20 valores)

* Organização e correção linguística


** Coerência na organização das ideias e na estruturação do texto
*** Correção linguística (sintaxe e morfologia; léxico; pontuação; ortografia)

4 VIAG11 © Porto Editora


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