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INVASÃO DA PROVÍNCIA DE MATO GROSSO PELO PARAGUAI, AS LUTAS DE DEFESA E AS RETIRADAS

GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN -2-

CAPA:

Representação das ilustrações

1. Gravura que ilustra as instruções expedidas por Francisco Solano Lopes aos soldados e Marinheiros em Assunção
declarando a Guerra e a Invasão da Provincia de Mato Grosso. (En El Centenario de La Epopeya Nacional – Rogidos de
Leones, Debujos de Walter Binifazi, escritos de Juan A. Meza. Assunción 15 de agosto de 1968, Artes Graficas Zanphiropolos.
Independencia Nacional, n.º 640. Assunción, Paraguay)
2. Bandeiras da República do Paraguai, frente e a do Império do Brasil.
3. Mapa ilustrativo do caminho percorrido pelas tropas das expedições paraguaias por seus comandantes: Urbieta, Resquim,
Barrios.

O Artigo é uma releitura de antigos escritos com imagens ilustrativas, notas rodapé e estruturação didática temática.

Representa também uma alusão aos 152 anos do início do conflito que envolveu as duas Nações no século XIX.

Este artigo não tem nenhum caráter ideológico, somente relembrar fatos, narrativas, leituras feitas por outros autores no período
pós-guerra.

Hoje Brasil e Paraguai, são duas nações coirmãs, trabalhando juntas pelo desenvolvimento nas diretrizes do MERCOSUL e pela
vasta fronteira e também pelas populações que habitam entre os dois territórios.

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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PARTE PRIMEIRA
A INVASÃO DA PROVÍNCIA DE MATO GROSSO PELOS PARAGUAIOS

Resumo dos principais subtítulos

 Ignorância em que estavam as autoridades da província brasileira de Mato Grosso a respeito dos acontecimentos do Rio
da Prata e do Paraguai.
 Falta de noticias do resto do Império.
 Nas proximidades da fronteira só havia uma guarnição de 600 homens.
 Solano Lopez resolve invadir essa província.
 Proclamação que dirige ás tropas expedicionárias (14 de dezembro de 1864).
 Barrios nomeado comandante em chefe da expedição.
 Partem da Assumpção e da Conceição 4.200 homens e 12 peças de artilharia ás ordens imediatas de Barrios, e seguem
pelo rio transportados por 10 navios de guerra, contra Nova Coimbra, Albuquerque e Corumbá.
 Avançam por terra, atravessando o Apa, 5.000 homens e 6 peças, ás ordens de Resquin, contra as povoações de
Dourados, Miranda e Nioac, e contra a vila de Miranda.
 Barrios diante da fortaleza de Nova Coimbra, defendida apenas por 155 Brasileiros às ordens de Porto Carrero, e protegida
pela" canhoneira Anhambahy (26 de dezembro).
 Estranha inação da esquadrilha paraguaia, nada empreendendo contra essa canhoneira.
 Bombardeamento e ataque de Nova Coimbra pelos Paraguaios (27 e 28 de dezembro).
 Brilhante resistência dos Brasileiros.
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 Repelem um, assalto (28 de dezembro).


 Falta de munições no forte.
 A posição era insustentável.
 Evacuação desse ponto durante a noite de 28 para 29.
 Terror espalhado pela inesperada noticia da invasão paraguaia: evacuação de Corumbá
pelos Brasileiros (2 de Janeiro).
 Operações da coluna de Resquin.
 O major Urbieta com 220 homens cerca a colônia de Dourados (29 de dezembro) onde se achava o tenente Antônio João
Ribeiro o qual recusa render-se e morre heroicamente.
 Resquin chega á colônia de Miranda (29 de dezembro), e encontra a deserta.
 Barrios faz ocupar Albuquerque (1º de Janeiro) também abandonada pelos habitantes.
 Resquin persegue o corpo de cavalaria de Mato Grosso, comandado pelo tenente coronel Dias da Silva (130 homens), que
resiste desde o Rio Feio até á ponte do Desbarrancado (31 de dezembro) e consegue escapar.
 Barrios ocupa Corumbá (3 de Janeiro), e Resquin entra em Nioac (2 de janeiro).
 Evacuação da vila de Miranda pelos Brasileiros (6 de Janeiro).
 Resquin ocupa a vila de Miranda (12 de Janeiro).
 Três vapores paraguaios perseguem a canhoneira Anhambahy e dela se apoderam no rio S. Lourenço (6 de Janeiro).
 Os Paraguaios ocupam o porto de Dourados.
 Devastações e barbaridades que praticam.
 Desordem e confusão entre os habitantes que fugiam.
 Muitos são capturados.

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 Proclamação do presidente de Mato Grosso, Albino de Carvalho.


 O chefe de esquadra Leverger é nomeado comandante superior da guarda nacional.
 Providencias para a defesa da capital da província.
 Toda a guarda nacional é mobilizada.
 Acampamento entrincheirado de Melgaço, perto de Cuiabá.
 Inação dos Paraguaios.
 Não atacam a capital da província e limitam-se a guardar o território conquistado.
 Apenas uma força paraguaia avança até á povoação do Coxim e destroem os depósitos que ali tinham os Brasileiros (24 a
30 de Abril).
 Indignação que produz em todo o Brasil a noticia das barbaridades praticadas pelos invasores.
 Impossibilidade de, pelas grandes distancias, remeter o governo prontos socorros a Mato Grosso.
 Providências adotadas pelo governo imperial.
 Marcham tropas do Rio de Janeiro, S. Paulo, Minas e Goyaz, em socorro de Matto-Grosso.
 O governo imperial compreende que pelo sul e não pelo norte e que deve ser atacado o Paraguay.

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SUMÁRIO GERAL: TÍTULOS E SUBTÍTULOS

1. A Ignorância em que estavam as autoridades da província brasileira de Mato Grosso a respeito dos
acontecimentos do Rio da Prata e do Paraguai.
2. A Organização de Defesa Militar na Província de Mato Grosso.
3. Comunicado ao Presidente da Província sob uma possível ameaça do Paraguai contra o Brasil.
4. A Capital da Província, Cuiabá, sem comunicação com a Capital do Império, Rio de Janeiro.
5. Solano Lopez resolve invadir a Província de Mato Grosso.
5.1 A expedição compunha-se dos seguintes Vasos (Semanário):
5.2 Ataque fluvial ao Forte de Coimbra, Albuquerque, Corumbá, Estaleiro ou Porto de Dourados.
5.3 Ataque terrestre, a Colônia Militar de Dourados, Colônia Militar de Miranda, Povoação de Nioaque,
Planalto de Maracaju (vizinhança dos rios Dourados, Brilhante, Vacaria, Santo Antônio, Feio,
Desbarrando, Miranda, Apa, Aquidauana, Coxim) Vila de Miranda, Povoação e Coxim.
6. Os Combates no Forte de Coimbra.
7. A Retirada do Forte de Coimbra.
8. A Retirada para Dourados, Albuquerque, Corumbá, Sará, Rio São Lourenço.
9. Os combates no Rio São Lourenço, afluente do rio Cuiabá, e a tomada do navio brasileiro Anhambahy
10. A fuga e Retirada para Cuiabá, Capital da Província de Mato Grosso.
10.1 A Ocupação e confronto militar na Colônia Militar de Dourados
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11. A Ocupação Via Terrestre.


11.1 Confronto nos Rio Feio, Desbarrancado, Santo Antônio.
11.2 As fugas, retiradas, dispersão da população e das tropas militares brasileiras.
12. As Comunidades Indígenas no sul da Província no contexto da época, lutas, resistências e
participações.
13. A Situação na Capital da Província do Mato Grosso Cuiabá e região Norte.
14. O Comando da Província de Mato Grosso, Cuiabá e Região Norte passa para o General Augusto
Leverger
15. O Departamento do Alto Paraguai, assim ficou denominado a parte da Província do Mato Grosso no
período que esteve sob a ocupação das Tropas Paraguaias, situação geral do domínio. Populações da
Província.
16. A reação na Capital do Império, Rio e Janeiro, sobre a ocupação da Província de Mato Grosso.
17. A Organização de Tropas para a defesa da Província de Mato Grosso, via terrestre.
18. A organização e o envio de Tropas brasileiras para a região Sul do Império e o desfecho do domínio
paraguaio.
19. A Segunda Fase das Operações no teatro da Guerra na Província de Mato Grosso.
20. Mapas e imagens antigos e atuais ilustrativos em anexo dos principais locais onde ocorreram conflitos
desta primeira fase de ocupação paraguaia da Província de Mato Grosso. (anexos)
21. Sugestões de Leituras Complementares.
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Epopea De Matto Grosso No Bronze Da História


Capitão Cordolino De Azevedo, 1926.

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
A INVASÃO DA PROVÍNCIA DE MATO GROSSO – 1864-1866
GUERRA DO PARAGUAI
PARTE 1ª

Introdução

Oficialmente considera o período do conflito geral da guerra do Paraguai – Tríplice


Aliança (Argentina, Brasil, Uruguai) e o Paraguai 12 de Novembro 1864 com o
aprisionamento do navio mercante brasileiro Marques de Olinda com o presidente da
Província do Mato Grosso e o fim com o aprisionamento e morte do presidente do
Paraguai, Francisco Solano Lopez em, 1º de Março de 1870.

Os Historiadores, Pesquisadores, Documentários de Multimídia, Tratados Acadêmicos,


Trabalhos de Jornalistas, Autodidatas de diferentes nacionalidades e concepção
ideológicas tratam a questão por denominações de Guerra do Paraguai; Guerra do Brasil;
Guerra da Prata, Guerra da Tríplice aliança (Brasil, Argentina, Uruguai) contra o Paraguai;
conflitos Sul Americano entre outros.

No ato da (re)leitura deve ser levada em consideração a nacionalidade do Pesquisador se


Brasileiro, Paraguaio, Argentino, Uruguaio, Norte Americano, Britânico, Alemão,
Francês...

Outro aspecto considerável é a formação acadêmica do Pesquisador, que nem sempre é


o de Historiador: Há trabalhos produzidos por militares de diferentes patentes e formação
e por civis de diferentes formações acadêmicas e exercício profissional, professores,
acadêmicos, sociólogos, historiadores, jornalistas, diplomatas, empresários de ramos
diversificados, e muitos autodidatas.

Outro elemento a não ser desconsiderado é a época, o tempo, o momento histórico,


político, econômico, religioso, cultural em que o pesquisador está contextualizado.
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E por fim a metodologia empregada para a pesquisa na analise do fato histórico que
produzirá a leitura final.

O que tem a ver tudo isso?

O ―Fato Histórico, o Acontecimento‖ curiosamente, mesmo sendo de épocas seculares


ou até milenar, é sempre dinâmico nas suas (re)leituras, análises, interpretações e
conclusões. Deste modo, o ―Fato Histórico‖ permite diversificados olhares. São
Paradoxos e Paradigmas dentro da Dialética da sociedade que é sempre constituída de
contradições ―Prós e Contras‖; ―Mitos, Heróis, Cultos, Vítimas, Fanatismo, Nacionalismo,
Pragmatismo, Ideologias, Dominador, Dominados‖...

O Escritor perpassa nos seus escritos um pouco das suas convicções pessoais, um
pouco do momento Histórico em que vive e da origem das fontes onde ele busca os ―fatos
Históricos‖ para a sua releitura.

Deste modo, o leitor(es) irão encontrar diversas narrativas interpretativas para o ―todo‖ ou
para ―partes‖ do ―fato histórico‖. Não é exagero afirmar, que a (re)leitura do fato histórico,
é sempre de uma lógica subjetiva, porque permite a Dialética ideológica.

Quando o fato Histórico é o de uma Guerra onde estiveram envolvidos nações,


populações, espaço geográfico, interesses ideológicos, políticos, econômicos diversos
permite sempre novas leituras ou olhares, ainda que os personagens sejam os mesmos.

Do ponto de vista da formação do cidadão e da cidadania é positivo, desde que não


venha a ser utilizada para manipular a população para um fanatismo, nacionalismo
extremista, xenofobia, hostilizações.

Diante do Exposto, tratarei pela denominação ―Guerra do Paraguai‖, termo mais usual no
Brasil.

Também delimitarei a exposição somente sobre ―partes‖ de ―fatos Históricos‖ que


aconteceram na então Província de Mato Grosso, compreendendo no contexto atual, os
Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, do Império do Brasil. A Divisão
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Geográfica do Mato Grosso só ocorreu Oficialmente em 11 de outubro de 1977, até então,


todos os acontecimentos são tratados como Parte Geográfica da Província/Estado de
Mato Grosso.

O subtema que delinearei tem como focalização “A INVASÃO DA PROVÍNCIA DE


MATO GROSSO PELO PARAGUAI, AS LUTAS DE DEFESA E AS RETIRADAS”.

No Contexto Histórico é dada toda a ênfase à ―Epopeia da Retirada da Laguna‖,


imortalizada pelo Oficial da Comissão de Engenharia ―Visconde de Taunay‖ e demais
documentos e relatórios militares. A análise histórica que proponho é sobre o primeiro
período da Guerra e da Invasão da Província de Mato Grosso, antes da chegada das
Tropas que vieram de diversas partes do Império para a defesa da região. Acontece que
no período compreendido a Dezembro de 1864/Setembro 1866, o domínio total era de
posse da Republica do Paraguai. A primeira força que pisou o território de Mato Grosso
foi a coluna de Goiás, composta de 1 batalhão e 1 esquadrão de cavalaria, ao mando do
tenente coronel Mendes Guimarães. Essa força acampou no Coxim no dia 7 de
Setembro, e ali aguardou a chegada das tropas que marchavam de Minas e S. Paulo, as
quais, depois de terem atravessado o território das Províncias de S. Paulo; Minas e Goiás
penetraram, em Novembro, no de Mato Grosso, e reuniram-se aos goianos, em 20 de
Dezembro, no Coxim. (Ver imagem 66, visão panorâmica da cidade de Coxim, no
Norte de Mato Grosso do Sul, foi invadida pelas tropas paraguaias em operação na
região. Vista também da confluência dos rios Coxim e Taquari)

Nesta primeira fase da Guerra houve várias reações e retiradas, por tropas militares,
escravos, indígenas, mercadores, prestadores de serviços, eclesiásticos, populações não
militar habitantes das áreas rurais, Colônias, Povoações, Vilas, Fortes, Presídios,
Aldeamento indígena.

Trata-se de três artigos:

1. A Invasão da Província do Mato Grosso pelas Tropas Militares da República do


Paraguai e as reações dos militares, autoridades e populações brasileiras
existentes na época e as Retiradas.

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2. O Segundo Artigo tratará da reocupação da Província por forças brasileiras.


Reação iniciada com a chegada das Tropas Brasileiras oriundas do Rio de Janeiro,
São Paulo, Minas, Goiás e a incorporação de tropas existentes na Província
incluindo civis.

3. O Terceiro Artigo abordará algumas das consequências deste conflito para a


Província de Mato Grosso; tais como demarcação da fronteira, a reocupação
populacional das terras e nascimento e cidades; a convivência entre brasileiro e
paraguaio e vice versa dentro do Estado de Mato Grosso do Sul e a recuperação
das memórias por militares, civis e turismo históricos. Políticas públicas pela
memória dos monumentos Históricos referentes aos diversos episódios históricos
aos mato-grossenses e sul-mato-grossenses.

Não abordarei as questões motivadoras do conflito e nem o desenrolar pela região sul do
País. Há uma literatura muito vasta para o leitor que queira mais informações. Em nosso
blog1 disponibilizamos diversos informes, textos, imagens e vídeos.

Os apontamentos que serão transcritos são uma adaptação da obra citada 2 e de outras
referências da minha coleta de dados. Com ressalva as notas de rodapé, as demais
partes dos textos são transcritos nos termos originais do final do século XIX. Os

1
Nota: Acesse o blog - http://guerradoparaguaimatogrossodosul.blogspot.com.br/
2
A GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA
(Império do Brasil, Republica Argentina e Republica Oriental do Uruguay)
CONTRA
O GOVERNO DA REPUBLICA DO PARAGUAY
(1864-1870)
COM CARTAS E PLANOS
POR
L. SCHNEIDER
Conselheiro privado e leitor de S. M. o Imperador da Alemanha e Rei da Prússia.
I º VOLUME – Capítulo IV
TRADUZIDO DO ALLEMÃO POR MANOEL THOMAZ ALVES NOGUEIRA
ANNOTADO
POR
J. M. DA SILVA PARANHOS
Ex-Secretário da Missão Especial do Brasil no Rio da Prata, membro do Instituto Histórico e Geographico do
Brasil.

RIO DE JANEIRO
H. GARNIER — LIVREIRO-EDITOR
71, RUA DO OUVIDOR
1902
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―topônimos‖ também são preservados a grafia original. Que o leitor não entenda o
texto como “erros”, pela historicidade, adotamos preservar os “Termos dos
Originais”.

Também a Estrutura didática e as ilustrações são de minha inclusão.

A Estrutura do Texto está dividida em duas partes:

A primeira parte do Texto é uma descrição geral dos fatos de registros históricos com
subdivisões de subtítulos, notas explicativas, notas de rodapé e algumas imagens de
caráter ilustrativas.

Na Segunda parte será inserido um conjunto de imagens ilustrativas, geralmente dos


tempos atuais, das principais localidades onde ocorreram os eventos relativos a esta fase
do conflito.

1 A Ignorância em que estavam as autoridades da província


brasileira de Mato Grosso a respeito dos acontecimentos do Rio
da Prata e do Paraguai.

―Tendo Solano Lopez dado tão decisivo passo, não podia já hesitar em proceder
militarmente‖. Ouvira dizer que no Estado Oriental3 os Brasileiros principiavam a se
entender com o general Flores e que era provável o ataque de Montevidéo. Com sua
esquadra, ou com as tropas que essa esquadra transportasse, não podia coadjuvar os
Orientais Blancos4 pela superioridade de forças da esquadra brasileira reunida no Rio da
Prata.

Se não era seu plano anexar ao Paraguay a província de Matto-Grosso, pelo menos a
invasão por esse lado seria hábil, e efetiva a diversão em favor do governo de
Montevidéo. Solano Lopez contava que as forças brasileiras, operando contra Paysandú,
ao saberem dos apuros daquela província, não prosseguissem no Estado Oriental, e que
3
Nota: Atual República do Uruguai.
4
Nota: O Uruguai era dominado por dois Partidos Políticos: Os Blancos e os Colorados.
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o governo imperial cuidaria antes de defender o solo pátrio. Em ambos os casos, quer
como conquista permanente, quer como momentânea diversão era a campanha de Matto-
Grosso um hábil cálculo. O ditador5 sabia perfeitamente que a província estava indefesa
(1);
♣♣♣♣♣
Explicações:

(1) Era presidente da província de Matto-Grosso o general Albino de Carvalho, que desde Março de
1864 instava por sua demissão. Seu sucessor, como já vimos, partira do Rio de Janeiro em meados
6
de Outubro, e fora aprisionado a bordo do Marquês de Olinda .

Em Matto-Grosso, porém, era este facto ignorado quando se efetuou a invasão.

Para a defesa do vastíssimo território dessa província, cuja linha de fronteiras compreende mais de
400 léguas, havia apenas uma guarnição de 875 homens, disseminados por muitos e importantes
pontos, como consta do último mapa enviado em 14 de Agosto de 1864 pelo presidente da província
(acompanha o oficio n. 120, e guarda-se no arquivo da repartição do ajudante general do exército).

 Dessa força estavam doentes 150;


 Presos por sentenciar 88;
 Sentenciados, 6;
 Total 241.

Deduzindo-se este algarismo:

Restavam 631 praças, mas destas, 41 estavam ausentes, com licença no Rio de Janeiro, S. Paulo,
Goyaz, Bahia e Pernambuco, ou em marcha, fora da província.

5
Na historiografia, perpassa a ideologia da época e do autor. Assim, para muitos escritores tratam Francisco Solano
Lopes, como ditador, tirano, lunático, visionário, presidente da República do Paraguai, ou mito, herói Nacional...
6
Nota: Frederico Carneiro de Campos, Coronel de engenharia, em 1864 foi indicado presidente da província do Mato
Grosso. A fim de tomar posse do cargo, embarcou no navio mercante imperial Marquês de Olinda seguindo o caminho
normal daquela época até Mato Grosso, que consistia em seguir para o sul do Brasil até o Uruguai, entrar no estuário
do Rio da Prata, e subir o rio Paraná passando pelo Paraguai. Ao passar por Assunção foi recebido solenemente pelo
presidente do Paraguai, Francisco Solano López. Entretanto, depois de alguns dias, em 12 de novembro de 1864,
quando estava no rio Paraguai, foi aprisionado por soldados paraguaios juntamente com toda tripulação e passageiros
do navio Marquês de Olinda. Este ato foi realizado por ordem de Francisco Solano López como represália pelas
recentes ações políticos e militares do Império do Brasil no Uruguai. Embora preceda a invasão do Mato Grosso por
tropas paraguaias e a consequente declaração de guerra, tal evento é considerado o marco inicial da Guerra do
Paraguai.

Assim como toda tripulação e passageiros do navio Marquês de Olinda, Frederico Carneiro de Campos morreu
prisioneiro devido à fome e maus tratos. Faleceu na fortaleza paraguaia de Humaitá em 3 de novembro de 1867,
alguns meses antes desta ser conquistada por tropas brasileiras.
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Ficavam, pois, apenas 590 homens, inclusos todos os oficiais e até 147 empregados nas secretarias,
arsenal, condução de malas do correio, camaradas, etc. Abatidos estes, restavam tão somente 442
homens prontos.

Com razão dizia ao presidente o comandante das armas, em oficio de 13 de Agosto de 1864:

— ―... Nunca chegou esta província ao estado em que presentemente se acha de desfalque de
força... O total da força necessária para todo o serviço da guarnição deve ser de 3.879...‖ E fazia ver
que em muitos lugares as guardas não podiam ser rendidas, e que nenhum corpo podia fazer com
regularidade os exercícios recomendados pelo governo.

A força estava dividida pelos seguintes corpos (Mapa de 14 de Agosto):

♣♣♣♣♣

2 A Organização de Defesa Militar na Província de Mato Grosso

A Província dividia-se em 5 Distritos Militares, e a força pronta estava assim


distribuída por eles:

I- DISTRITO MILITAR DA CIDADE DE CUYABÁ

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(Destacamentos em Cuyabá, Sant’Anna do Parnahyba, Chapada, Piquiry ou Barreiros, S.


Lourenço, Delamare, Estiva, Sangrador Grande, Rio Grande, Pasto Nacional, Poconé,
Diamantino, Fábrica da Pólvora, e partidas volantes):

— Estado maior, 1; corpo de saúde 3; repartição eclesiástica, 2; 2º batalhão de artilharia,


58; corpo de artilharia de Matto-Grosso, 0; companhia de artífices 0; corpo de cavalaria,
18; batalhão de caçadores, 61. Total, 143.

II- DISTRITO MILITAR DA CIDADE DE MATTO-GROSSO

(Destacamentos em Matto-Grosso, forte do Príncipe da Beira, Casalvasco, Campo de S.


Xavier, Arraial de S. Vicente, S. Ignez, Lavrinhas, Estivas, e partidas volantes):

— Corpo de saúde, 1; repartição eclesiástica, 1; companhia de artífices, 1; batalhão de


caçadores, 71. Total 74.

III- DISTRITO MILITAR DE VILLA-MARIA:

(Destacamentos em Villa-Maria, Escalvado, Corixa, Lages, Pederneira, Onças, Jaurú, e


Fazenda Calçava):

— Corpo de saúde, 1; repartição eclesiástica, 1; corpo de artífices, 1; batalhão de


caçadores, 58. Total, 61.

IV- DISTRITO MILITAR DO BAIXO-PARAGUAY:

— Corumbá: Corpo de saúde, 1; 2º de artilharia, 2; corpo de cavalaria, 1; batalhão de


caçadores, 1. Total, 6.

— Nova-Coimbra: estado maior, 1; corpo de artilharia de Matto-Grosso, 43; companhia de


artífices, 1; batalhão de caçadores, 1. Total, 46.

— Albuquerque: corpo de artilharia, 14.

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— Coxim, ou Taquary: corpo de artilharia, 15.

— Bahia Formosa, 0;

— Em todo o Distrito, 80 (sendo: corpo de saúde, 1; 2º de artilharia, 2; corpo de artilharia


72; artífices, 1; cavalaria, 1; caçadores, 2).

V- DISTRITO MILITAR DA VILLA DE MIRANDA:

— Nioac: corpo de saúde, 1; repartição eclesiástica, 1; corpo de artilharia de Matto-


Grosso, 2 (Total, 4).

— Colônia de Dourados: 2º de artilharia, 5; corpo de cavalaria, 12; batalhão de caçadores,


1. Total, 18.

— Villa de Miranda: corpo de saúde, 1; 2º de artilharia, 9; corpo de cavalaria, 31. Total 41.

(Ver imagem 63, visão panorâmica da cidade de Miranda, Oeste de Mato Grosso do
Sul, foi invadida pelas tropas paraguaias em operação na região. Vista também do
desenho do Quartel feito por Taunay, em 1867, imagem 64)

Figura 1 - Vila de Miranda, 1867. Imagem extraída do Livro A Figura 32 - Vila de Miranda,
Imagem extraída1867. Imagem
do Livro extraída
A Epopea do Livro A
Da Laguna
Epopea Da Laguna Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938. Epopea Da Laguna
Lobo Vianna Lobo
- Rio De Vianna
Janeiro - Rio
1938 De Janeiro
Impresso 1938.
Militar.
Impressa Militar. Impressa Militar.

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
INVASÃO DA PROVÍNCIA DE MATO GROSSO PELO PARAGUAI, AS LUTAS DE DEFESA E AS RETIRADAS
GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 10 -

Figura 4 - Imagem extraída do Livro A Epopea Da Laguna


Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938. Impressa Militar. Vila de
Miranda, 1867

Figura 3 - Vila de Miranda. Imagem extraída do Livro A


Epopea Da Laguna Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938.
Impresso Militar.

— Fazenda de Bitione7: corpo de cavalaria, 5.

— Cavalhada: corpo de cavalaria, 2.

— Colônia de Miranda: companhia de artífices, 1; corpo do cavalaria, 7; batalhão de


caçadores, 3. Total 11.

— Posto de S. Rosa; corpo de cavalaria, 3.

— Piquiry, 0.

— Em todo o Distrito, 84 (sendo: corpo de saúde, 2; repartição eclesiástica, 1; 2º de


artilharia 14; corpo de artilharia, 2; companhias de artífices, 1; cavalaria, 60; caçadores,
4).

7
Nota: Atualmente Betione, é um Campo de Instrução Militar de (C I Betione) é uma unidade do exército brasileiro,
localizado no município de Miranda, no Estado de Mato Grosso do Sul. A organização militar é subordinada ao
Comando Militar do Oeste, pertencendo à 9ª Região Militar com sede na cidade de Campo Grande.
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Total nos 5 distritos: 442 - (Note-se que esta distribuição de forças é do mês de Agosto,
e que não ficam compreendidos entre estes 442 homens os doentes, empregados e
presos. (Ver tabela anterior.)

Era comandante das armas o coronel Carlos Augusto de Oliveira.

A força naval, comandada pelo capitão de fragata P. C. de Castro Menezes, consistia em


uma flotilha composta dos seguintes vapores:

Total:

— 5 pequenos vapores prontos, com 132 cavalos, 134 homens, e 2 bocas de fogo
(Relatórios da Marinha de 1864 e 1865).

No Relatório de 1864, da repartição da marinha (antes de romper a guerra), lê-se a


seguinte nota sobre esses vapores, sem excetuar o Anhambahy:

— ―Estes navios não podem ser considerados de guerra: só poderão servir para
paquetes8‖.

E no mapa da força naval do Império publicado em 1873 figuram eles como ―lanchas a
vapor”.

8
Nota: Paquete é a denominação dada aos antigos navios de luxo de grande velocidade, geralmente movidos a vapor.
Na origem do nome está a designação inglesa de packet boat e que pode ser traduzida para português como navio dos
pacotes. Estes navios faziam travessias regulares levando encomendas (pacotes) e correio além dos passageiros, eram
navios de carga e passageiro ao mesmo tempo.
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Referindo-se ao triste estado da província, e às diminutas forças de que dispunha, disse o


presidente Albino de Carvalho (Relatório com que passou a administração, em 30 de
Agosto de 1865, ao chefe de esquadra Leverger, contendo a Sinopses da invasão
paraguaia em Matto-Grosso):

“...Isto quer dizer que a província estava desarmada ou indefesa, sendo certo que esse
estado de coisas e suas consequências não podem atribuir-se à falta de previsão e
energia do governo local, porque muitos atos oficiais, arquivados na secretaria da
presidência, e de mais de uma administração, provam o contrário. Limito-me, pois, a citar
em meu abono dois únicos:

— ―O ofício reservado que dirigi ao ministério da marinha sob n. 1, em 23 de Setembro de


1863, e o que enderecei ao ministério da guerra, ostensivamente, sob n. 162 datado em
14 de Agosto de 1864...‖

3 Comunicado ao Presidente da Província sob uma possível ameaça


do Paraguai contra o Brasil.

Em 10 de Outubro de 1864 recebeu o presidente de Matto-Grosso um ofício reservado


em que o ministro do Brasil em Assumpção lhe comunicava a ameaça feita pelo ditador
Lopez, e lembrava-lhe a conveniência de prevenir-se a província para o caso de um
rompimento.

Em consequência disso no dia 13 de Outubro, o comandante das armas, que infelizmente


era um velho valetudinário, partiu de Cuyabá com a pouca força de linha existente nessa
capital e dirigiu-se à fronteira do Baixo-Paraguay.

O presidente chamou a serviço ativo 231 guardas nacionais, para suprir à ausência da
força de linha, ordenou que os pequenos vapores Jaurú, Corumbá e Cuyabá fossem
estacionar junto ao forte de Coimbra, e fez marchar para a fronteira meridional quase
todos os militares empregados, muitos enfermos que convalesciam e todos os
destacamentos de linha, excetuando apenas os das fronteiras de Villa-Maria (hoje cidade
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de Cáceres) e da cidade de Matto-Grosso; (fronteira com a Bolívia), aliás bem pequenos,


e os de Sant’Anna do Parahyba, Rio-Grande, Sangradouro, Estiva, S. Lourenço e
Taquary, também insignificantes.

Apesar disso só foi possível reunir na extensa linha exposta aos ataques dos Paraguaios,
isto é, na fronteira do Baixo Paraguay (Nova Coimbra, Albuquerque e Corumbá) - 364
homens dos dois corpos de artilharia, e da companhia de artífices, sem contar os guardas
nacionais; e no Distrito militar de Miranda (linha do Apa e serra de Maracajú, sendo
povoações mais próximas às colônias de Dourados, Miranda e Nioac e a vila de Miranda)
219 homens do corpo de cavalaria e de caçadores. Total, 583 homens de linha pouco
mais ou menos.

Thompson9, que se admira da facilidade com que Lopez ocupou a parte meridional dessa
remota província, deveria declarar de que modo poderiam menos de 600 Brasileiros fazer
frente com vantagem a 9.200 Paraguaios, apoiados por uma força naval respeitável.

Veja-se sobre esses algarismos a tabela citada acima. O Relatório do presidente Albino
de Carvalho, e o Relatório que no mesmo ano de 1865 foi apresentado à assembleia
provincial pelo novo presidente Leverger, e no qual se encontra um interessante histórico
da invasão; vejam-se também os relatórios dos ministérios da guerra e marinha, de 1864-
1865 e 1866.

A guarnição de Nova Coimbra compunha-se de 46 homens. O comandante das armas


elevou-a logo a 115 praças e; deixando em Corumbá o 2° batalhão de artilharia a pé,
partiu para a vila de Miranda, para onde fez seguir o casco do batalhão de caçadores, a
fim de servir de apoio ao 7º batalhão da guarda nacional recentemente criado e ainda por
organizar. Comandava a fronteira de Miranda o tenente-coronel Dias da Silva e a do
Baixo-Paraguay o tenente-coronel Porto Carrero.

O comandante das armas, depois de uma curta inspeção em Miranda, regressou a


Corumbá e deu começo a algumas obras de defesa.

9
Nota: George Thompson. Temas Brasileiros, A Guerra do Paraguai. Engenheiro Civil - Tenente-Coronel de Engenharia
do Exército Paraguaio - Ajudante-de-Ordens do Presidente Lopez - Cavaleiro da Ordem do Mérito do Paraguai, etc. A
GUERRA DO PARAGUAI - Com um esboço histórico do país e do povo paraguaio, e notas sobre a engenharia militar
durante a guerra - traduzida do Inglês e Anotada por HOMERO DE CASTRO JOBIM, 1968.
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Ninguém acreditava, porém, que Lopez realizasse a sua ameaça, e menos que invadisse
a província sem prévia declaração de guerra.

A guarda nacional de toda a província, mal fardada e sem armas, compunha-se de 6.279
homens de infantaria, dos quais 1.144 pertenciam á reserva. (Relatório do ministério da
justiça, de 1865, anexo H).

O autor da Notícia sobre a província de Matto-Grosso, tratando da invasão paraguaia,


observa à pag. 272:

— ―... Que providências podia dar o presidente Albino de Carvalho, achando-se a


província sem recurso algum, exaustos, havia muito tempo, os cofres públicos, obrigado o
presidente a pedir dinheiros para que a tesouraria pudesse acudir a pagamentos miúdos e
indispensáveis, e, sobretudo, sem a menor explicação do governo imperial, porque desde
26 de Agosto de 1864, nunca mais chegou à província um correio, nunca mais um ofício
do governo, senão a 13 de Abril de 1865. Sete meses e 18 dias esteve a província sem
ter uma comunicação, ignorando todos os acontecimentos que se tinham dado com o
Paraguay, e conhecendo apenas a triste realidade, isto é, que sem dinheiro, sem gente,
sem recursos, estava invadida pelo inimigo grande parte de seu território, e o resto devia
sê-lo mais dia, menos dia‖.

4 A Capital da Província, Cuiabá, sem comunicação com a Capital do Império,


Rio de Janeiro.

Em ofício n. 198 de 3 de Dezembro de 1864, dizia o presidente de Matto-Grosso ao


ministério da guerra (Arquivo da Repartição do Ajudante General):

— ―... Não sei que direção tem tomado os nossos negócios no Rio da Prata e no
Paraguay, e por isso rogo instantemente a V. Ex. que fixe a sua atenção para esta
província e dela cuide com toda a eficácia‖.

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Os seguintes trechos do oficio n. 201 de 17 de Dezembro de 1864, escrito um mês depois


da tomada do paquete Marquês de Olinda, mostram melhor ainda o abandono em que
estava Matto-Grosso:

— ―... Foram esses ofícios (refere-se a ofícios de 11 e 30 de Novembro que recebera do


comandante das armas e do chefe da flotilha, escritos em Corumbá) foram esses ofícios
trazidos pelo vapor Alpha, chegado a esta capital no dia 10 deste mês, e deles se colige
não ter havido na dita fronteira até a última data novidade alguma; ter chegado ao porto
de Corumbá uma escuna saída de Buenos-Aires no dia 4 de Outubro, havendo passado
pela Assumpção no dia 29, onde ainda se conservava o nosso ministro; ter esta escuna
encontrado o paquete Marquês de Olinda, que ia em descida, abaixo da Assumpção; e
finalmente que até o dia 30 do mês passado ainda não havia chegado à Corumbá o
paquete que se esperava de Montevidéo.

— Não tendo o paquete saído de Montevidéo a 20 de Setembro trazido correspondência


oficial da corte, e não havendo chegado o de 3 de Novembro, aqui estou há quase, 5
meses sem receber ordens, instruções e nem auxílios do governo, achando-se esta
província nos maiores apuros por estar sem dinheiro algum o cofre da tesouraria, e eu
nos maiores embaraços em tão apuradas circunstâncias.

Rogo, pois, a V. Ex., se digne providenciar com urgência acerca do que acabo de expor,
dar a esta presidência com urgência à cerca do que acabo de expor, dar a esta
presidência ordens, e orientá-la acerca do que se tem passado com relação aos negócios
do Rio da Prata e do Paraguay, que possam interessá-la, e do que lhe cumpre fazer...‖

Este ofício, escrito em 17 de Dezembro, era dirigido ao Conselheiro Brusque, que deixara
o poder, com o gabinete Zacarias, de que era membro, desde o dia 30 de Agosto.

A 17 de Dezembro não se sabia ainda em Matto-Grosso que aquele ministério havia


sucedido o de 31 de Agosto, presidido pelo conselheiro Furtado!

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5 Solano Lopez resolve invadir a Província de Mato Grosso10.

Sabia que a parte povoada do Brasil só ao cabo de alguns meses poderia prestar apoio a
essa remota região; tinha entusiasmado o exército em seu campo de manobras, e com
segurança antevia um feliz desenlace da campanha. O fardamento e equipamento das
tropas eram novos e fulgurantes; abundantes as provisões; a estação propícia. Não
duvidou, pois, destacar as mais antigas e melhores tropas de Cerro Leon, da Conceição,
assim como de todas as guarnições ao norte de Assumpção, para a fronteira
septentrional, donde se devia empreender a invasão da província inimiga por terra e pelo

10
Nota: Do original, A narrativa seguinte ilustra uma visão da história, escrita por historiadores paraguaios.
“El 23 de Diciembre de 1864 comienza un drama sim paralelo en la historia, una epopeya que assobró al
mundo, una jornada estupenda emprendida por un pueblo en defesa de su soberania e independencia.

Ese día Mcal. López revista a las tropas que al día siguinte irían rumbo al Norte con la misión de capturar
las principales posiciones del Provincia de Matto Grosso, situados en Alto Paraguay. El término de la revista, les dirige
la siguiente proclamación:

“SOLDADOS: Mis esfuerzoz por el mantenimiento de la paz han sido estériles. El Imperio del Brazil, poco
conecedor de vuestro valor y entusiasmo los provoca a la guerra. La honra, la dignidad nacional y la consevacion de
los más caro derechos, nos mandan aceptaria.

En recompensa a vuestra lealtad y largos serviços, he fijado mi atención sobre vosotro elifiéndos entre las
numerosas legiones que formam el ejército de la Republica, para que seáis los primeiros en dar una prueba de la
pujanza de nuestras armas, recogiendo el primer laurel que debemos añadir aquellos que nuestros mayores pusieron
en la corona de la Patria en las memorables jornadas de Paraguarí y Tucuarí.

Vuestra subordinación y disciplina y vuestra constancia en las fatigas, me responden de vuestra bravura y
del lustre de las armas que a vuestro valor confio.

SOLDADOS Y MARINOS: Llevad ese miesmo voto de confianza a vuestros compañeros que de nuestras
fronteras del Norte han de unirse a vosoutro; y machard serenos al campo del honor, y recogiendo gloria para la
Patria y honra para vosoutro y vosoutros compañeros de armas, mostrad al mundo entero cuáto vale el soldado
paraguayo.”

Al día siguiente, una salva de los 36 cañones de nuestra escuadrilla, anunció que la expedición se ponía en
marcha. La artilleria de la plaza contestó com outra salva atronadora; y entre el jubiloso clamor de la multitud
apiñada en puerto, los bugues surcaron lentamente las aguas de la bahía, remontando el río Paraguaya.

La expedición era comandada por el Cnel. Vicente Barrios y compusta de 3000 hombres, más dos baterías de
campaña. Los expedicionarios partieron en los siguientes barcos: Tacuarí, Ygurey, Paraguarí, Marqués de Olinda (este
navio era brasileiro, aprisionado com o Presidente da Província de Mato Grosso), Ypora y el Salto del Guairá; más el
Norte, se les unieron el Jejuí y el Río Apa.

Al miesmo tempo casi, partía de Villa Concepción, una columna de 3500 hombres, en su maior parte de caballeria, al
mando del Cnel. Francisco Isidoro Resquín, com la misíon de ocupar el territorio nacional comprendido entre los ríos
Apa y Blanco, disputado por el Brazil. Esta columna marchaba por tierra y estaba destinada apoyar a la expedición
naval al mando de Barrios...” En El Centenario de La Epopeya Nacional – Rogidos de Leones, Debujos de Walter
Binifazi, escritos de Juan A. Meza. Assunción 15 de agosto de 1968, Artes Graficas Zanphiropolos. Independencia
Nacional, n.º 640. Assunción, Paraguay. (Ver imagem 30, visão panorâmica da cidade de Concepción)
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rio. O embarque das tropas chamadas de Cerro Leon efetuou-se em Assumpção no dia
14 de Dezembro de 1864 e desta data é também a seguinte ordem do dia do presidente:

―Soldados! Foram baldados todos os meus esforços para conservar a paz. O Império do
Brasil, pouco conhecedor do vosso valor e entusiasmo, nos provoca à guerra: a honra e a
dignidade nacional, e a conservação dos mais caros direitos manda que a aceitemos‖.

―Em recompensa de vossa lealdade e longos serviços, fixei minha atenção em vós,
escolhendo-vos dentre as numerosas legiões, que formam os exércitos da República,
para que sejam os primeiros a dar uma prova da pujança de nossas armas, recolhendo os
primeiros louros que devemos reunir aos que nossos maiores colocaram na coroa da
pátria nas memoráveis jornadas de Paraguary e Tacuary (2).

♣♣♣♣♣

Explicações:

(2) Em Matto-Grosso e em todo o Brasil e Rio da Prata eram os soldados paraguaios tidos em
grande desprezo.
Ninguém os supunha capazes da selvagem intrepidez e da inexcedível disciplina que ostentaram
durante esta guerra.

Os únicos feitos militares de que se orgulhavam eram as vitórias de Paraguary e Taquary obtidas em
1811 sobre o general argentino Belgrano; mas tais combates não podem ser apresentados como
padrão de glória para o Paraguay, porque os argentinos foram vencidos, sim, mas por forças, mais
de dez vezes superiores. "Um Almanaque Paraguaio, publicado em tempo de Carlos Lopez,
mencionava também a vitória do Pão de Açúcar, em 1850. — Taquary, Paraguary e Pan de Açúcar,
tais eram os três combates e as três vitórias dos paraguaios antes desta guerra.

— A intitulada vitória do Pão de Açúcar foi alcançada por 800 paraguaios contra uma guarda
brasileira de 25 homens, que se retirou combatendo (14 de Outubro de 1850).

Perdemos 3 homens e os agressores 1 oficial e 8 soldados. O governo imperial contentou-se com as


explicações dadas por Carlos Lopez, que então era nosso aliado. Em sua retirada o pequeno
destacamento, comandado pelo tenente F. Bueno da Silva, foi protegido pelos índios Guaycurús,
dirigidos pelos capitães Lixagota e Lapagate, e pouco depois os mesmos índios, incorporados à
guarda que saía do Pão de Açúcar, apoderaram-se pôr surpresa do forte paraguaio denominado

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Olympo ou Bourbon, ―Enquanto estes Índios‖, diz Ferreira Moutinho na sua Notícia sobre a
província de Matto-Grosso (S. Paulo, 1869, 1 vol.). ―enquanto estes índios, às ordens do capitão J. J.
de Carvalho vingavam a afronta feita ao destacamento brasileiro (a mais brilhante ação da província
de Matto-Grosso, pela resistência tenaz que opuseram 25 homens contra mais de 400), um cacique
da mesma tribo, o capitão Quidanani, invadia por Miranda o Paraguay, e no Apa tomava aos
agressores gados, cavalos, etc. Estes fatos deram lugar a que o governo descansasse, e os
cuiabanos se julgassem garantidos, por acreditarem que os Guaycurús sós poderiam repelir
qualquer ataque do Paraguay‖.

Figura 5 – Representação de um índio da Nação Guaicurus, conhecido como índios cavaleiros, guerreiros,
modo próprio de montar e combater com a lança. Assim, dominaram outras Nações indígenas e
impuseram sua dominação por diversas regiões de Mato Grosso do Sul, pantanal e fronteira com o
Paraguai. Foto do Monumento do Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande - MS. 10 de março
2016, JVD.

No protocolo da conferência de 12 de Março de 1856 (anexos ao relatório do ministério dos negócios


estrangeiros de 1856) entre os plenipotenciários visconde do Rio-Branco e Berges, encontram-se os
seguintes trechos relativos à ocorrência do Pão de Açúcar, no Fecho dos Morros:

―... O presidente de Matto-Grosso não entendeu bem as, recomendações da legação imperial, e
julgou que reduzindo àquela guarnição a 25 homens, satisfazia ao governo da República. O governo
da Repblica duvidou sempre, segundo se deve crer, de que o pedido da legação fosse atendido pelo
presidente, e mandou a expedição que teve o conflito com a guarda brasileira. Eis, pois, como se
deu o facto.

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Procedeu de um ato do presidente de Matto-Grosso, fundado sim em uma ordem do governo


imperial, mas ordem antiga, que não tinha sido renovada, nem era intenção do mesmo governo
imperial levar a efeito em tais circunstâncias. Então achava-se pendente uma negociação entre os
dois governos, a qual compreendia o reconhecimento dos respectivos limites; e ia abrir-se a luta
com o general Rosas, cuja causa ganharia com a divisão e rompimento entre seus adversários. Se
não fossem estas circunstâncias‖, acrescenta o Senhor visconde do Rio-Branco, ―o governo
imperial não toleraria, como tolerou, o ato de força do governo da República; e o representante do
Império na Assumpção, dando os passos conciliatórios que deu, não deixou de ressalvar o direito
do Império aquele ponto e ao território que lhe é contíguo‖.

Também, sobre este fato, PEREIRA PINTO, Apontamentos para o Direito Internacional, III, 439 e
seguintes.

♣♣♣♣♣

5.1 A expedição compunha-se dos seguintes Vasos11 (Semanário):

A esses navios se incorporaram dias depois, em Conceição e em Coimbra, mais três


vapores, o Salto de Guayrá (quatro peças), o Rio Apa (3 peças) e o Marquês de Olinda, (8
peças) o que elevou a 51 o número de canhões da esquadra.

O capitão de fragata Meza comandava a esquadrilha.

O Semanário de 17 de Dezembro, noticiando a partida da expedição, disse o seguinte:

11
Notas: Vasos significa também Navio de grandes proporções, geralmente de guerra.
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— “Es la segunda vez que las fuerzas nacionales dejan las playas de la Asuncion para
dirigirse á vindicar ai Norte los derechos de la Republica. Em 1850 la ocupacion del
território paraguaio por fuerzas brasileiras obligó a nuestro gobierno a enviar una pequena
expedicion que dió por resultado el desalojo del cerro de Pan de Açúcar...” E lembrava a
mesma folha que o patacho Rozario fora um dos vasos empregados nessa campanha, de
que o leitor já tem notícia pela nota anterior.

A divisão que nos navios acima indicados partiu da capital, às ordens de Barrios, era
destinada a apoderar-se de Coimbra, Albuquerque e Corumbá, para, de acordo com a
que seguiu por terra atacar depois Cuyabá. Compunha-se de 4 batalhões de infantaria
(batalhões 6, 7, 10 e 30) com 3.200 homens, 12 peças raiadas e foguetes à congréve de
24, e de uns 1.000 homens de cavalaria que embarcaram em Conceição. No dia 22 o
Salto de Guayrá partiu da capital conduzindo mais o batalhão 27. O general Resquin em
seu depoimento de 20 de Março de 1870 declarou que essa divisão compunha-se de
4.000 e tantos homens.

A 2ª divisão, às ordens de Resquin, constava de 5.000 homens principalmente de


cavalaria, com 6 peças. Marchou da Conceição por terra, atravessando o Apa, para
atacar as colônias de Dourados, Miranda e Nioac e a vila de Miranda.

Quanto às forças paraguaias, são estes os dados que encontramos no Relatório do


ministério da guerra de 1865. As duas colunas que invadiram Matto-Grosso, segundo
esses dados, elevavam-se, pois, a uns 10.000 homens das três armas com 18 bocas de
fogo.

Thompson diz que a coluna de Barrios apenas se compunha de 3.000 homens e 2


baterias, de campanha, e a de Resquin de 2.500. Mesmo assim eram imensamente
superiores às forças que tínhamos na fronteira. Barrios só tinha diante de si, pela estrada
fluvial, o pequeno vapor Anhambahy, o forte de Nova Coimbra com diminuta guarnição
(tenente coronel Porto Carrero), a povoação de Albuquerque, inteiramente desguarnecida,
e a de Corumbá, onde se achava o coronel Oliveira, com 23 bocas de fogo, das quais
muitas incapazes de servir, e 244 praças (Tabela de 11 de Novembro), sem falar em uns
50 guardas nacionais e cerca de 100 paisanos que tomaram armas depois do ataque de
Coimbra.
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Admitindo, pois, que a coluna paraguaia que atacou por esse lado apenas se compusesse
de 3.000 e tantos homens com 12 peças, protegidos por uma esquadrilha que montava
mais de 40 bocas de fogo, reconhecer-se-á ainda assim que era impossível aos chefes
brasileiros resistir à invasão.

O Distrito Militar de Miranda por onde penetrou Resquin com 2.500 homens e 6 peças,
Segundo Thompson, ou com 5.000 homens, segundo o Relatório do ministro Ferraz,
estava guarnecido por 129 homens de cavalaria (praças do exército e voluntários
reunidos às pressas), pelo casco do batalhão de caçadores, com 89 praças, inclusíve os
músicos, e por alguns guardas nacionais e paisanos que tomaram armas no momento do
perigo. (Ver imagens 19, 20, 21, 25, 28 mapas da invasão das tropas paraguaias
terrestres e fluvial)

5.2 Ataque fluvial ao Forte de Coimbra, Albuquerque, Corumbá,


Estaleiro ou Porto de Dourados.

(Na carta descritiva do Tenente Coronel Dias, publicada no Jornal do Comércio de 2 ou


de 27 de abril de 1865.)

— A divisão Barrios atacou, protegida pela esquadra, o forte de Coimbra nos dias 27 e 28
de Dezembro, sendo repelida pela pequena guarnição brasileira. Na noite de 28 para 29 o
coronel Porto Carrero evacuou o forte. Senhor desta posição, Barrios ocupou sem
resistência Albuquerque, Corumbá e Dourados, e a esquadra inimiga apoderou-se da
canhoneira Anhambahy (6 de Janeiro). (Ver imagens 35, 36, visão panorâmica da
Região onde está localizado o Forte de Coimbra, Brasil)

5.3 Ataque terrestre, a Colônia Militar de Dourados, Colônia Militar de


Miranda, Povoação de Nioaque, Planalto de Maracaju (vizinhança dos

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rios Dourados, Brilhante, Vacaria, Santo Antônio, Feio, Desbarrancado,


Miranda, Apa, Aquidauana, Coxim) Vila de Miranda, Povoação e Coxim

— A divisão de Resquin saiu da Conceição em 26 de Dezembro, atravessando o Apa em


―Bella Vista12‖, enquanto o capitão Urbieta, com 220 homens de cavalaria (segundo
Caballero) tomava a direção de Chiriguelo e passava por Cerro Corá, dirigindo suas
marchas para a colônia militar de Dourados, que não deve ser confundida com o porto de
Dourados, sobre o rio Paraguay. "Urbieta foi sair em Ponta Porã, a umas 12 léguas de
Dourados, e no dia 29 de Dezembro cercou essa colônia, onde só tínhamos um
destacamento de 15 homens às ordens do tenente de cavalaria Antônio João Ribeiro,
natural de Cuyabá13. Esse valente oficial; recusando render-se, respondeu
desabridamente aos Paraguaios e morreu como um herói, sendo facilmente suplantados
pelo inimigo os poucos soldados que comandava.

(Ver Figura 6 - Visão Panorâmica da "da cidade de Bella Vista Norte" - do


Departamento de Amambay, Paraguai. E Figura 32 imagem da Estancia Arroyo
Primero, mais conhecida por Fazenda Laguna, onde travaram combate brasileiros e
Paraguaio em 1867, culminando no Episódio ―A Retirada da Laguna‖.

Na noite do mesmo dia 29 Resquin caiu sobre a colônia de Miranda, que achou deserta, e
no dia 31 seguiu para Nioac.

Na marcha avistou o corpo de cavalaria de Matto-Grosso que se adiantara às ordens do


tenente-coronel Dias da Silva. Essa força compunha-se de 11 praças de linha e de 19
paisanos armados. Dias da Silva, perseguido desde o Rio Feio, cortou a ponte do
Desbarrancado, onde sustentou um vivo tiroteio com o inimigo, cobrindo-se de honra por
essa ocasião o capitão Pedro José Rufino e o intrépido voluntário Gabriel Barbosa
(TAUNAY, Retirada da Laguna, cap. III).

12
Atual Bella Vista Norte, Paraguai. Nesta época não existia a cidade de Bela Vista, lado brasileiro, à margem do rio
Apa.
13
Biógrafos registram ser natural da cidade de Poconé, Mato Grosso.
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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 23 -

Os Paraguaios perseguiram por 2 léguas a nossa força, mas vendo que a não
alcançavam, voltaram ao Rio Feio, e no dia 1º de Janeiro (1865) continuaram a marcha
sobre Nioac, cujos habitantes haviam abandonado a povoação. Ali entrou Resquin no dia
2 de Janeiro, seguindo depois para a vila de Miranda, abandonada desde o dia 6 por
ordem de Dias da Silva. (Ver Nioaque, imagem 61, visão panorâmica do antigo
quartel de Cavalaria reconstruído em 1872 e a direita o pequeno oratório ou igreja;
imagem 60 localização dos antigos Quartéis, imagem 59 vista da cidade, imagem 58
vista do rio Nioaque, fudos do atual Quartel 9º GAC, saída para as Colonias
Militares Miranda, Dourados, Fazenda, Paraguai, imagem 57, Região do Rio
Canindé, onde tinha estrada carreteira de acesso as Colônias e Fazendas, também
por onde passaram tropas paraguaias e brasileiras, mais detalhes no Segundo
Artigo. )

No dia 9, estando em marcha sobre essa vila, reuniu-se lhe o capitão Urbieta, depois de
ter devastado as vizinhanças dos rios Dourados, Brilhante e Vacaria. No dia 12 entrou
Resquin na vila de Miranda, e foi acampar pouco depois em Eponadigo a algumas léguas
de distância.

Mais tarde, em virtude de ordens de Lopez, Resquin enviou uma expedição a Coxim.

Essa força, às ordens do capitão Aguero, composta de 1 companhia de rifleiros, 1


esquadrão de cavalaria e 2 peças ligeiras, apenas se demorou em Coxim 5 dias (24 a 30
de Abril) destruindo um pequeno depósito de víveres, que ali encontrou, e caminhou pela
estrada de Cuyabá até à fazenda de Luiz Theodoro, 6 léguas aquém do rio Piquiry. A
retirada fez-se com muita dificuldade; os pantanais tinham tomado água e a cavalhada foi
dizimada pela peste própria daquelas localidades.

Um ano depois, quando a força brasileira desceu para Miranda por esse mesmo caminho,
viam-se inúmeros vestígios da passagem e as ossadas de muitos animais que ali
sucumbiram. (TAUNAY, Scenas de viagem, Cap I).

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— Estes apontamentos, sobre a marcha dos Paraguaios são extraídos dos que obtivemos
do general Caballero que servia às ordens de Resquin, e combinam com as partes oficiais
dos chefes paraguaios publicadas no Semanário e com a descrição que se encontra no
Relatório do presidente Leverger, barão de Melgaço.

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Figura 7 - Mapa da localização Geográfica dos principais pontos ocupados pela invasão
militar do Paraguai. Cópia extraída do Volume 2- referência citada no início em Nota.

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Continua Francisco Solano Lopez:

―Vossa subordinação e disciplina, e vossa constância nas fadigas me respondem pela


vossa bravura e pelo brilho das armas que a vosso valor confio‖.

“Soldados e Marinheiros! Levai este testemunho de minha confiança aos companheiros


que em nossas fronteiras do norte se vão reunir a vós; marchai serenos ao campo da
honra e, colhendo glória para a pátria e honra para vós e nossos companheiros de armas,
mostrais ao mundo inteiro quanto vale o soldado paraguaio‖!

De Assumpção partiram 3.000 homens com 2 baterias de campanha em 5 vapores, 3


escunas e alguns navios de reboque. Além disso estavam anexas a esta expedição
algumas chatas (baterias flutuantes), que eram propriamente grandes barcos de fundo
raso destinados à navegação fluvial. (Ver imagem 29, Visão Panorâmica de Assunção,
Capital da República do Paraguai)

Cada chata ia munida de uma grande peça, cuja boca chegava apenas ao lume d’agua,
sendo por isto perigosa para os grandes vasos. Estas chatas prestaram relevantes
serviços na defesa do Paso de La Pátria e de Humaitá, e podem com mar tranquilo ser
aplicadas à defesa das costas. Como ficam quase à flor d'agua, e a cabeça do artilheiro
só um pouco sobressaem à borda, não é fácil atingi-las com as peças dos navios. O
próprio presidente Solano Lopez comandou de Cerro Leon até Assumpção o 6º e 7º
batalhões porque neles e no comandante do 7º, major Luiz Gonsalez depositava especial
confiança. Antes do embarque houve uma revista, para que as tropas pudessem ostentar
suas novas blusas de cor escarlate.

Os dois batalhões eram alcunhados no Paraguay ―orelhas pequenas‖. Por essa


designação se queria indicar a origem europeia pelo lado paterno ou materno.

Segunda divisão de tropas pos-se em marcha da cidade da Conceição, seguindo para, o


norte o curso do rio Paraguay, para atravessar por terra a fronteira brasileira e percorrer o
território, litigioso entre o Rio Apa e o Rio Branco (3).
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♣♣♣♣♣

Explicações:

(3) Era a 2ª divisão, comandada pelo então coronel Resquin. Não devia ir até o chamado Rio Branco,
mas em outra direção, marchando contra as colônias militares de Dourados, Miranda e Nioac, e
contra a vila de Miranda. Os paraguaios davam a denominação de Rio Blanco a uma sanga ao sul do
14
Nabilek, na margem esquerda do Paraguay, quase na altura do forte Olympo ou Bourbon , e
pretendiam que dali, para leste, devia partir a linha divisória. O governo imperial considerou até 1865
justamente litigioso o território compreendido entre a linha reclamada pelo Paraguay e a do Apa,
tanto que as rondas brasileiras iam encontrar-se com os piquetes paraguaios e havia a proibição de
criar estabelecimentos na chamada costa do Apa.

15
Em 1849 tendo ido a família de Gabriel Lopes , mineiro, abrir uma fazenda a poucas léguas do rio
Apa, foi ela aprisionada e internada na República do Paraguay, donde só saiu depois de enérgica
intervenção diplomática. Hoje pelos tratados da Assumpção, ficou aquela bela região pertencendo
definitivamente ao Brasil, cuja linha divisória segue o curso do Apa e já foi assentada por uma
16
comissão de engenheiros .

14
Nota: Fuerte Olimpo, atualmente é um distrito e capital do departamento do Alto Paraguai. Está localizado no norte
do país às margens do rio Paraguai. Distante aproximadamente a 480 km da cidade de Assunção, capital do país.
Originalmente chamava-se Fuerte Borbón, em homenagem à dinastia reinante na Espanha da época.
15
Nota: Gabriel Francisco Lopes, era irmão de José Francisco Lopes, o “Guia Lopes”, que estabeleceu propriedades na
região que deu origem aos municipios e cidades de Guia Lopes da Laguna e Jardim. Era irmão de Joaquim Francisco
Lopes, que a serviço do Senador do Império, Barão de Antonina, foi o responsável pela fundação do Porto São João de
Antonina, na confluência dos rios Nioaque e Urumbeva que deram origem a Cidade de Nioaque. Teve outros Irmãos.
Gabriel Francisco Lopes fora casado em primeira núpcia com Dona Senhoria Maria Conceição Barbosa Lopes, teve três
filhos Manoel, Antonio, Afonso Francisco Lopes, todos pereceram durante a Guerra. Dona Senhoria fora Prisioneira
de Guerra por tropas do Paraguai por duas ocasiões, a primeira em 1849, quando residia na Fazenda Apa, nas
proximidades de Bela Vista, sendo levada para Assunção. A segunda prisão ocoreu em janeiro de 1865-1870, levada
para Vila de Horqueta, juntamente com seus filhos, em segunda núpcia com o Guia Lopes e outros familiares e
brasileiros. Nesta ocasião morava na Fazenda Jardim, próxima a cidade de Guia Lopes da Laguna. Eram filhos de Dona
Senhorinha com o Guia Lopes, 1º Izabel Porcina Lopes; 2º Fausta Felisbina Lopes; 3º João José Lopes; 4º Pedro José
Lopes; 5º José Francisco Lopes; 6º Bernardino Francisco Lopes. Dona Senhorinha faleceu em Bela Vista, no dia 26 de
Janeiro de 1913 e o Guia Lopes em 27 de Maio de 1867, durante a Retirada da Laguna. (Ver imagem 31, visão
panorâmica da cidade de Horqueta)
16
Demarcação da fronteira aconteceu nos anos de 1874. Segundo Demosthenes Martins – Coronel Rufino Enéas
Gustavo Galvão, História de Mato Grosso - “Acumulando o cargo de comandante das Armas, foi nomeado a 9 de
outubro de 1879, por Carta Imperial, que se empossou no dia 5 de dezembro de 1879.
Oficial de engenheiros, coube-lhe a comissão de fixar os limites do Brasil com o Paraguai, traçando a linha
divisória que se situa no território mato-grossense. Desempenhou-se dessa importante tarefa com presteza e rigor-
técnico, o que lhe valeu a adjudicação do título de Barão de Maracaju, posteriormente elevado ao de Visconde.
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♣♣♣♣♣

A viagem da esquadrilha durou 12 dias, porque os vapores tinham que rebocar grande
peso; mas realizou-se, do mesmo modo que a marcha na melhor ordem. Os navios,
penetrando nas águas brasileiras, além do forte paraguaio da fronteira, Olympo (antes
Bourbon), avistaram no dia 26 o forte brasileiro de Nova-Coimbra. (Ver imagem 34, visão
Panoramica da localização do Forte Olimpo, no Paraguai)

Esta fortificação, cuja forma atual foi traçada no ano de 1797 (4), só ficou concluída em
1802. Está situada 40 pés acima do mais elevado nível das inundações do rio, à margem
direita, isto é, do lado do Grand-Chaco.

♣♣♣♣♣

Explicações:
(4) Foi reedificado então por ordem do capitão general Caetano Pinto de Miranda Montenegro.
Consistia antes numa estacada. Fizeram-se muralhas de pedra e cal na ponta do Monte da margem
direita, dominando dois compridos estirões do rio Paraguay.

♣♣♣♣♣

A história das colônias espanholas já faz menção de um forte nesta região em fins do
século XVII. A fortificação deste ponto, indicado pela sua posição estratégica, só teve
importância em 1775, quando, não se sabe com que direito, o capitão-general de Matto-
Grosso, Luiz de Albuquerque (5), mandou erigir um presídio neste lugar que era
inconteste veemente possessão espanhola.

♣♣♣♣♣

Explicações:

No seu governo, em consequência da descoberta feita durante a locação da linha divisória, iniciou-se a
exploração da erva-mate nativa na região, que logo se eregiu um poderoso esteio da economia mato-grossense,
mantendo-se por dezenas de anos, como um dos elementos de grande vitalidade comercial.” P.66

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(5) Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres.

— O Sr. Schneider observa que este lugar ―era incontestavelmente possessão espanhola‖.
Não se pode exigir desse escritor um perfeito conhecimento das longas e intrincadas discussões
que sustentaram as cortes de Lisboa e Madrid a respeito dos limites de suas colônias na América. O
tratado de 13 de Janeiro de 1750 descreveu a mútua fronteira pelo meio do rio Paraguay, desde a foz
do rio Corrientes, que era o Jejuy, na lat. 24º 12', até à foz do Jaurú, lat. 16° 24'.

Eis a letra do tratado:

―... Desde esta boca‖ (do Iguaçu na margem esquerda do Paraná) ―prosseguirá pelo álveo do Paraná
acima até onde se lhe ajunta o rio Igurey pela sua margem Ocidental.

Desde a boca do Igurey continuará pelo álveo acima até encontrar sua origem principal; e dali
buscará em linha reta pelo mais alto do terreno a cabeceira principal do rio mais vizinho, que
deságua no Paraguay pela sua margem oriental, que talvez será o que chamam Corrientes, e baixará
pelo álveo deste rio até a sua entrada no Paraguay, desde a qual boca subirá pelo canal principal
que deixa o Paraguay em tempo seco; e pelo seu álveo até encontrar os pântanos, que forma este
rio, chamados a Lagoa de Xaraes, e atravessando esta Lagoa até a boca do Jaurú...‖

Reconheceu-se, porém, na demarcação, que o contra vertente do Igurey era o Jejuy, que entra no
Paraguay pela lat. de 24° 7’, e que ficando a cidade da Assumpção em 25° 16' 40", a linha divisória
apenas passava a 1° e 9' acima daquela cidade. À vista disso começaram os comissários espanhóis
a sustentar que não havia rio Igurey, e que o designado por esse nome não podia ser outro senão o
Igúatemy, que desemboca na margem direita do Paraná em 23° 47' de lat., acima do Salto das Sete
Quedas, devendo, portanto, a linha divisória seguir pelo seu contra vertente Ipané-Guazú, cuja foz
fica em 23° 30’ de lat.

Reagiram os comissários portugueses, argumentando com o tratado, com o mapa geográfico de


1749, pelo qual os negociadores haviam descrito a fronteira, e com as instruções dadas pelas duas
cortes, que mandavam tomar por divisa o primeiro rio caudaloso que acima do Iguaçu entrasse no
Paraná por sua margem Ocidental, estando nesse caso o Igurey, ao sul do Igúatemy. Essas e outras
desinteligências não deram lugar a que se concluísse a demarcação, e o tratado de 12 de Fevereiro
de 1761 veio anular o de 13 de Janeiro de 1750, voltando a questão de limites ao estado anterior, e
tomando-se por base as posses que tinham nessa época as duas coroas.

O tratado preliminar de 1° de Outubro de 1777 repetiu a fronteira desde o rio Paraná até o Paraguay
nos mesmos termos em que tinha sido descrita no de 13 de Janeiro de 1750, mas continuando as
mesmas dúvidas levantadas pelo comissário espanhol Azara, combinaram as duas cortes em 1778,
na hipótese de não haver rio algum conhecido no país com o nome de Igurey, em adoptar a linha do

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Igúatemy e do Ipané Guazú. Este acordo foi condicional, e ficou nulo desde que Portugal pude logo
depois demonstrar a toda a luz que existia o rio Igurey, abaixo do Igúatemy.

Em 1777 já a Espanha havia adiantado estabelecimentos na margem esquerda do rio Paraguay


desde o Jejuy até o Ipané-Guazú, e continuou a fazê-los dali para o norte, em direção ao Apa, mesmo
depois do tratado preliminar de 1777, não obstante as reiteradas reclamações do governo português,
sempre desatendidas.

À vista deste procedimento, o capitão general Luiz de Albuquerque sugeriu ao governo a ideia de em
represália, tomarem os portugueses posse da margem direita do Paraguay desde o Jaurú até o
Fecho dos Morros, ao norte do Apa, ponto tido como o mais próprio para fechar a navegação do
Paraguay, e impedir que os espanhóis continuassem a avançar para o norte.

Para levar a efeito essa justa represália, aproveitou o capitão general a ousadia de subirem os Índios
do Paraguay em 20 canoas, no mês de Maio de 1785, até o marco do Jaurú, aprisionando e matando
em uma fazenda 16 pessoas. No mesmo mês fez descer de Cuyabá uma expedição de canoas
armadas, com 250 homens, às ordens do capitão Mathias Ribeiro da Costa, munido este de
instruções para ocupar o Fecho dos Morros. Tendo, porém, esse oficial chegado ao lugar
denominado — Estreito de S. Francisco, — onde o rio Paraguay corre apertado por duas eminências,
tomou-o pela paragem indicada em suas instruções, e ali estabeleceu o presídio de Nova Coimbra
(1775), aos 19° 55' de lat. austral. Em seguida, mandou-o mesmo capitão general, em 1778, fundar a
povoação de Albuquerque, hoje Corumbá, e providenciou de maneira a sustentar-se como de
Portugal o território da margem direita do Paraguay, desde Nova Coimbra até o Jaurú, do mesmo
modo porque a Espanha conservava como seu o território que se estende ao norte do Jejuy (tratado
de 1750, repetido pelo de 1777), ou, pelo menos, ao norte do Ipané-Guazú (acordo condicional
celebrado em virtude das dúvidas levantadas pelos demarcadores espanhóis). Do engano que
impediu ir a expedição ocupar o verdadeiro Fecho dos Morros, resultou fundarem os espanhóis o
forte Bourbon ou Olympo (1792), acima desse lugar e abaixo de Nova Coimbra, e o fortim de S. José
na margem esquerda do Apa, invadindo também a nossa fronteira oriental à mão armada e em plena
paz, como o fizeram em 1796 e 1797. Para obstar semelhantes procedimentos, mandou o capitão
17
general Caetano Pinto de Miranda Montenegro, em 1797, estabelecer o presídio de Miranda, à
18 19
margem do rio do mesmo nome, galho do Emboteteú ou Mondego , perto do sitio em que existiu a

17
Significado atributo rio Miranda: O coronel Ricardo Franco de Almeida Serra, então comandante do Forte de
Coimbra, sugeriu ao governador da capitania de Mato Grosso a criação de um presídio às margens do rio Mboteteí
(hoje Miranda), para não permitir a passagem dos espanhóis que ameaçavam aquela região, principalmente em
perseguição aos índios guaicurus. Por ordem do capitão-general Caetano Pinto de Miranda Montenegro, Francisco
Rodrigues do Prado, deixando o comando do Forte de Coimbra, fundou, no dia 3 de novembro de 1797, o
presídio, sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo, dando-lhe o nome de Miranda, em homenagem ao
governador. O nome passou também ao rio. O presídio deu origem à atual cidade homônima. IHG-MS.
18 Significado de Emboteteú: Encontramos nas literaturas mais antigas as duas denominações atribuídas ao atual

Rio Miranda, Mboteteí e Mbotetey. A Denominação “Mboteteí” são encontadas em documentos citados na
República do Paraguai. Descripcion Del Rio Paraguay, Desde Del Boca de Xauru, Hasta la Confluencia, Del Parana,
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chamada cidade de Xerez, fundada em 1580 pelos ―Hespanhóes‖, e destruída no século XVII pelos
Paulistas. Deste presídio se abriram comunicações por terra com o de Nova Coimbra, cujas
fortificações começaram a ser levantadas no mesmo ano de 1797. Foi também de Miranda que
partiu, durante a guerra de 1801, a expedição dirigida pelo capitão Francisco Rodrigues do Prado,
que apoderou-se do fortim de S. José, no Apa (1° de Janeiro de 1802), aprisionando os oficiais e
soldados que o defendiam, e destruindo-o completamente.

Assim estavam as coisas quando cessou na América o domínio de Espanha e de Portugal,


constituindo-se as suas colônias em Estados independentes. E fora de dúvida, pois, que os novos
Estados só podem alegar direito aos territórios sobre que exercem perfeita soberania.

Se Portugal, em vista do último tratado, que é o de 1777, não podia ocupar o sítio em que levantou
Nova Coimbra, também a Espanha não podia reter o território que se estende ao norte do Jejuy ou
Corrientes que é o contra vertente do Igurey.

O nosso direito à margem ocidental do Paraguay até a Bahia Negra, assim como à setentrional do
Amazonas desde a boca mais ocidental do Japurá, chamada Avatiparana, até Tabatinga, vem de
represália, por haverem os espanhóis avançado, por um lado, ao norte do Jejuy e mesmo do Ipané-
Guazú, e por outro lado, aquém do canal Cassiquiare, pelo Rio Negro abaixo, afluente do Amazonas.
Essas represálias foram ordenadas pelo marques de Pombal. — (PEREIRA PINTO. A pontamentos
para o Dir.Int., III; BARÃO DA PONTE RIBEIRO, Mgm., publicada no Rel. do Min. dos Neg. Estr. de
1870; Protocolos das conferências de 1856 entre o V. do Rio Branco e Berges (anexos ao Rel. do
Min. dos Neg. Estr. 1857) : LEVERGER, Breve memória relativa à corográfica de Matto-Grosso, Rev.
do Inst. XXVIII; R. FRANCO DE ALMEIDA SERRA, Mem., Rev. do Inst. II). (Ver Imagem 37, visão
panorâmica da foz do rio Miranda no Rio Paraguai, Mato Grosso do Sul, Brasil)

♣♣♣♣♣

por el P. José Quiroga. De la Compañia de Jesus. Buenos-Aires. Imprensa Del Estado. 1886. O IHG – Mato Grosso
do Sul também utiliza esta denominação.
Descripcion Del Rio Paraguay. 1- Origen Del Rio Paraguay, y rios que entran, em él hasta su junta com el Parana.
Mboteteí, é uma palavra de origem índigena e signica “Marrecos”, não consegui precisar a qual grupo indígena,
uma vez que diversas aldeias habitaram a região desde as missões jesuíticas espanholas.
19 Significado de Mondego: Mondego foi a denominação dada pelos portugueses, pelos bandeirantes paulistas a

partir de 1719 com a descoberta de ouro na região da atual Capital mato-grossense Cuiabá. A origem do nome
está associado a outro rio português: “O rio Mondego é o quinto maior rio português e o primeiro de todos os que
têm o seu curso inteiramente em Portugal. Nasce na serra da Estrela e tem a sua foz no oceano Atlântico, junto à
cidade da Figueira da Foz. É o rio que banha a cidade de Coimbra”... https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Mondego.
“... o rio Miranda teve seu nome trocado para Mondego por João Leme do Prado, que o explorou em 1776”... IHG-
MS.

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Nova-Coimbra tem seis bastiões e percebe-se que em outro tempo se teve em vista
posterior aumento; possui sólidas muralhas revestidas, e logo depois de sua conclusão,
em 1802, resistiu a um ataque de 600 soldados espanhóis (6). No interior estão alojados
os soldados da guarnição e os condenados. Algumas famílias de lavradores e soldados
casados moram fora, sob a proteção das muralhas20.

♣♣♣♣♣

Explicações:

(6) Em 1801, e não em 1802, foi Coimbra atacada pelos espanhóis às ordens do governador do
Paraguay, general Lázaro Rivera Espinosa, e brilhantemente defendida pelo ilustre coronel de
engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra, que apenas tinha às suas ordens 42 homens.
Intimado para render-se, respondeu ele que ―a desigualdade de forças fora sempre um estímulo que
animava os Portugueses ao combate‖. Lázaro Rivera, com a sua esquadrilha e 600 homens de
desembarque, atacou o forte desde 16 até 24 de Setembro, mas retirou-se para a Assumpção sem
nada haver conseguido. (Veja Rev. do Inst. II e XX; PEREIRA PINTO, Direito Internacional, III;
CORRÊA DO COUTO, Dissertação sobre o atual governo do Paraguay).

21
―Consiste a fortificação , que é de figura irregular, em baterias que com dez canhoneiras, oferecem
fogos cruzados sobre o rio; e dois pequenos baluartes, cujas muralhas são muitos baixas e
22
asseteiradas , bem como as cortinas que unem os ditos baluartes entre si e com as baterias. Estas
tão somente são em terreno horizontal; tudo o mais estende-se pelo morro acima em ladeira assaz
íngreme, e o interior do forte fica completamente descoberto‖ (LEVERGER, Bolero da navegação do
rio Paraguay, Rev. do Inst., XXV).

20
Nota para o leitor, estas descrições sobre o Forte de Coimbra, são do final do século XIX. Na Segunda parte dos
anexos há ilustrações sobre a configuração atual e sua ocupação.
21
Estas descrições correspondem a estrutura do início do século XIX. Se observar as imagens do século XXI, o Forte de
Coimbra como é atualmente denominado apresenta uma configuração moderna, que abriga as novas exigências das
operações militares e segurança na região de fronteira. Ver imagens do Google no final.
22
Asseteirado: Que tem seteiras; cheio de seteiras. Frestas ou aberturas construídas em fortificações para arqueiros
lançarem flechas.
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Figura 8 - Forte de Coimbra. Imagens extraídas dos Relatórios do Gen. Malan, anos 1924-1926. Arquivo
do Exército.

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♣♣♣♣♣

Estava armado, como


todos os fortes da
fronteira brasileira e
pouco antes um
pequeno vapor de
guerra trouxera da
capital, Cuyabá,
munições de guerra.
Esse vapor, o
Anhambahy, estava
ainda ancorado diante
Figura 9 - Vista Panorâmica do Forte de Coimbra. Imagem Google Earth Pro
do forte (7). À exceção 2016. Data da imagem 07/07/2003. Adaptação e copilação JVD.
de algumas barracas
baixas e cobertas de folhas de palmeiras e de uma casa para os poucos oficiais ali
existentes, não havia no interior do forte edifício algum. Suas peças dominavam o
apertado canal de 1350 pés, que os navegantes chamam Estreito de S. Francisco.

♣♣♣♣♣

Explicações:

(7) Além do Anhambahy estava junto a Nova Coimbra o pequeno vapor Jaurú, que o coronel Porto
Carrero expediu imediatamente para Coimbra com a notícia da invasão dos Paraguaios.

♣♣♣♣♣

6. Os Combates no Forte de Coimbra

Este estreitamento do rio Paraguay, que em geral é largo, torna o forte de grande
importância.
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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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Figura 10 - imagem blog - guerradoparaguaimatogrossodosul.blogspot.com.br – Forte de Coimbra e o rio Paraguai.


2014

A guarnição consistia em 155 soldados sob o comando do tenente coronel Porto Carrero
(8), que às suas ordens tinha, entre outros oficiais, o capitão Conrado e o 2º tenente
Oliveira Mello (9).

♣♣♣♣♣

Explicações:

(8) O coronel Porto Carrero, sendo capitão, estivera antes no Paraguay como instrutor de artilharia
do exército dessa República, por ocasião das desinteligências com Rosas. O próprio Solano Lopez
fora seu discípulo e o chamava — ―mi maestro‖. O tenente Willagran Cabrita, morto por uma bala
paraguaia em 10 de abril de 1866 na ilha da Redenção, em frente a Itapirú, foi também instrutor do
exército paraguaio, e era ajudante de Porto Carrero. Na mesma época tínhamos no Paraguay como
encarregado de negócios do Brasil um outro engenheiro distinto, o general Pedro de Alcântara
Bellegarde.

(9) O comandante do Forte era o capitão Benedicto de Faria, mas, apresentando-se ali o tenente
coronel Porto Carrero comandante do corpo de artilharia de Matto-Grosso e do Distrito militar do
Baixo Paraguay, assumiu este chefe o comando e foi quem dirigiu a defesa. Além do tenente coronel
e daquele capitão, estavam em Coimbra mais 10 oficiais, todos do corpo de artilharia da província: o
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major Rego Monteiro os capitães Ferreira Souto e Augusto Conrado, o 1º tenente Camargo Bueno os
2º Tenentes Monteiro de Mendonça, Paulo Corrêa, Ferreira da Silva, Oliveira Barbosa, Fernandes de
Andrade e Oliveira Mello, e o 2º cirurgião Pereira do Lago. Ao todo, 12 oficiais, 1 cirurgião, 9
sargentos e 93 cabos e soldados, ou 115 praças. (Ofício 108 de 22 de Setembro de 1865 do
presidente de Matto-Grosso ao ministro da guerra, e a informação dessa data do tenente coronel
Porto Carrero).

♣♣♣♣♣

Além dos soldados havia 17 presos, 10 indígenas da tribo Lixagota23, 4 empregados da


alfândega e 4 lavradores da povoação de Albuquerque (10), que se agregaram para a
defesa, de modo que no total podiam dispor de 190 homens nas muralhas, dos quais 35
eram artilheiros para o serviço de 5 peças de calibre 12. Tal é a força mencionada por
Ferraz, ministro da guerra, em seu relatório de 1866, ao passo que o tenente coronel
Porto-Carrero em sua parte oficial enumera para cima de 300 homens. (11) Em todo o
caso a guarnição não era suficiente para resistir por muito tempo a um rigoroso e bem
combinado ataque.

♣♣♣♣♣

Explicações:

(10) Segundo a informação de 22 de Setembro citada, tínhamos em Coimbra 115 homens de


guarnição. O coronel Porto Carrero diz, em sua parte oficial de 30 de Dezembro, que essa guarnição
foi coadjuvada por 10 índios cadiuéos da tribo do capitão Lixagota, por 4 vigias da alfândega, por 3
ou 4 paisanos de Albuquerque e por 17 presos. Ao todo, 150 homens. Na informação de 22 de
Setembro, porém, diz que foi coadjuvado por 5 guardas nacionais de Albuquerque, 5 guardas da
alfândega de Corumbá, 1 paisano, 1 operário contratado, 1 sargento e 9 cabos e soldados presos,
além de 8 presos de justiça. São, pois, 30 homens. Com os 10 índios do capitão Lixagota, são 40
auxiliares, o que eleva a 155 o número dos defensores do Forte.

(11) Há engano do autor Porto Carrero não diz semelhante coisa em sua parte oficial.

♣♣♣♣♣

23
Lixagota era como se denominava o Cacique, chefe do grupo de índios Guaicurus.
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A esquadra paraguaia ancorou na noite de 26 para 27, abaixo do Forte, fora do alcance,
das peças, e principiou logo a desembarcar tropa e artilharia em ambas as margens do
rio. O coronel Barrios, cunhado do presidente Lopez e comandante em chefe da
expedição, aproveitando-se de um espesso nevoeiro, enviou às 8 1/2 da manhã do dia 27
uma chalupa até junto da fortaleza e o coronel Vicente Dappy (12), comandante das
tropas de desembarque, intimou ao comandante do forte que se rendesse; mas
recebendo a merecida resposta militar, regressou para os navios e dirigiu o desembarque
que durou até às 2 horas da tarde. Durante a noite as tropas de desembarque com seus
atiradores, achegaram-se o mais possível do forte e o comandante Porto Carrero recolheu
os postos avançados logo que pode reconhecer a grande superioridade do inimigo. A
canhoneira imperial Anhambahy começou a acender as fornalhas, mas quando a nevoa
deixou perceber a esquadrilha ancorada postou-se no meio do canal e descarregou sua
artilharia com visível resultado, sobre as tropas desembarcadas.

♣♣♣♣♣

Explicações:

(12) Este nome aparece na parte oficial de Porto Carrero, mas não havia oficial algum paraguaio
assim chamado. O chefe da expedição era o coronel Vicente Barrios. Sua assinatura, na intimação
enviada ao forte, foi mal decifrada, e dali veio este — Vicente Dappy, — que também figura no
relatório do ministério da guerra de 1866.

♣♣♣♣♣

Essa canhoneira só tinha 2 peças de 32 e não podia aceitar combate com 5 vapores de
guerra. Estes também não a procuraram antes de desembarcarem toda a tropa e ficarem
desimpedidos. A fortaleza e a canhoneira nada podiam conseguir contra às tropas
desembarcadas, que avançavam encobertas por espesso bosque de tamarineiros.
Quando alguma coluna por momentos se tornava visível, recebia logo uma descarga.

Em ambas as margens do rio descreviam os Paraguaios longos circuitos para encobrirem


a marcha. Os navios paraguaios, que primeiro se desembaraçaram da tropa,
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aproximaram-se do forte e atiraram algumas bombas, mas sem proveito, porque os


projetis arrebentavam diante das muralhas.

Ao meio dia devia estar completo o cerco pelo lado de terra, porque os navios
suspenderam o fogo. Então a infantaria, que se tinha chegado o mais possível do
caminho coberto, começou o fogo de fuzilaria, respondido com vigor pelas 2 baterias. O
combate durou até às 7 horas da noite de 27 e cessou por causa da escuridão,
recolhendo-se de novo para bordo a maior parte da tropa; disposição esta inexplicável em
tais circunstâncias, porque Barrios não podia ignorar a fraqueza da guarnição, nem recear
uma sortida. Apesar do vigoroso fogo de artilharia e fuzilaria, não houve no forte um só
ferido ou morto: todos os defensores, porém, estavam extenuados de fadiga.

Na manhã do dia 28 puseram os Paraguaios em ação as suas baterias flutuantes, dando-


lhes melhores posições do que na véspera, e o Anhambahy, não ousando afrontar essas
peças de 68, conservou-se tranquilo, reservando-se para a inevitável retirada da
guarnição, porque pela disposição dos Paraguaios, na manhã de 28, se percebia o plano
de um ataque mais vigoroso em que aproveitassem as vantagens da localidade.

De feito fizeram durante toda a manhã um vivo fogo dos navios e de duas baterias
colocadas atrás de um mato de cactos e tamareiras, e em seguida empreenderam o
assalto. Muito sofreram os, assaltantes, por imperícia ou por conhecerem pouco o terreno,
pois em toda a esplanada floresciam cardos (Cereus, Echinocactus e Mamillarias) tão
cerrados, que impediam uma rápida avançada até ao caminho coberto. Cada passo para
diante era embaraçado pelo mato de espinhos, e o fogo do forte produzia grande estrago.
Desde esse primeiro combate deram os Paraguaios mostras de indomável coragem e
daquela pertinácia, que se não desmentiu no decurso de toda a guerra. Apesar de
consideráveis perdas, pois só no espaço livre da esplanada foram achados mais de 100
cadáveres (13), avançaram até ao fosso e só pararam diante de uma muralha de pedra
de 14 pés de altura (14), que não podiam galgar sem escadas e outros meios de assalto.
Houve descargas de ambos os lados, naturalmente sem efeito decisivo, e por fim o
coronel Barrios mandou tocar a retirada. Durante esta pausa, só interrompida pelos
gemidos dos Paraguaios prestados entre os cactos, avistavam-se do forte colunas
inimigas, compostas das três armas, atravessando o rio. Das participações oficiais que
tivemos de ambos os lados, não é possível averiguar se eram as tropas que tinham ficado
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a bordo, ou as que logo no primeiro desembarque foram para a margem esquerda do rio
ou se finalmente a divisão que por terra marchara da Conceição (15). Em todo o caso à
vista desse reforço era provável segundo ataque, quer a noite ou na manhã seguinte,
tanto mais quanto com estas tropas se podiam montar terceira bateria contra o forte.

♣♣♣♣♣

Explicações:

(13) O Semanário publicou a parte de Barrios sobre o ataque e ocupação de Coimbra mas não a
relação de mortos e feridos, a que este documento se refere.
Somente alguns dias depois declarou em um dos seus artigos que Barrios havia tido em Coimbra 42
mortos, 164 feridos e 1 prisioneiro ou 207 homens fora do combate.
Não deve merecer grande fé tal declaração, porque o Semanário procurou sempre com maior
cuidado diminuir as perdas dos seus.
Mas quando mesmo fosse apenas essa perda do inimigo, é fora de dúvida que os defensores de
Coimbra 115 praças e 40 guardas nacionais, paisanos, índios, presos militares e da justiça souberam
servir das armas de que dispunham.

(14) Inexato. Não havia fosso e a muralha atacada apenas tinhas uns 5 pés de altura e em alguns
lugares menos.

(15) Essa não era, porque segui direção diversa, invadindo por Bela Vista e Dourados.

♣♣♣♣♣

Apenas o inimigo se retirou às 7 horas da tarde, o tenente-coronel Porto Carrero mandou


que dois piquetes comandado pelo Capitão Augusto Conrado e pelo 2º tenente Oliveira
Mello, saíssem auxiliando reciprocamente, a recolher os feridos e apanhar alguns
prisioneiros para que se pudesse ter conhecimento da força, recursos e intenções do
inimigo.

Trouxeram 18 feridos para o forte e 85 espingardas abandonadas, e contaram mais de


100 cadáveres no espaço que ousaram explorar, porquanto os Paraguaios estavam no
mato e daí se ouviam os gemidos dos feridos.

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Interrogados os prisioneiros, e não se colhendo informações seguras, o comandante, à


vista da comunicação recebida, vendo que as munições já eram escassas para o dia
seguinte, reuniu em conselho, de guerra todos os seus oficiais e o comandante do vapor
Anhambahy, capitão-tenente Balduino de Aguiar, para deliberar a respeito da
possibilidade de uma ulterior defesa. Soube-se então que desde o dia 28 teria havido falta
de munições se 70 mulheres, refugiadas no forte, não tivessem gasto a noite inteira em
fazer cartuchos, o que não era já possível, por causa do cansaço.

Não se podia esperar, à vista do desguarnecimento da província, que viessem tropas de


socorro, e possuindo os Paraguaios todos os meios de ataque, era de prever a final
rendição do forte e perda da guarnição inteira. Com todos esses contratempos só se
conseguiria, sustentando a posição, uma Vitória brilhante para o inimigo, ao passo que
pela evacuação podia-se ao menos salvar alguma gente para resistir em outros pontos. O
comandante do Anhambahy, pos seu navio às ordens do coronel, e às 11 horas da noite
efetuou-se o embarque na melhor ordem, sem ser pressentido ou ao menos molestado
pelos Paraguaios, nem ficar um só Brasileiro abandonado (16).

♣♣♣♣♣

Explicações:

(16) Barrios em sua parte oficial diz que à guarnição abandonou a bandeira que flutuava no forte, e a
do corpo de artilharia de Matto-Grosso. Inteiramente inexato.

A bandeira do forte foi levada para Cuyabá pelo coronel Porto Carrero, e a do corpo de artilharia
chegou à mesma capital no dia 30 de Abril quando ali entrou o 2° tenente Oliveira Mello. A única
bandeira tomada pelos paraguaios em Matto-Grosso foi a do vapor Anhambahy. Barrios só enviou
de Coimbra pedaços de uma bandeira velha, que por esquecimento não foram inutilizados. Tudo
isso foi resgatado em Dezembro de 1868 pelo duque de Caxias depois da Vitória de Lomas
Valentinas.

♣♣♣♣♣

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A evacuação desse Forte é um fato curioso para a história militar: 8 navios paraguaios,
entre eles 5 vapores (17) e algumas chatas, não ouvem, em um ponto tão estreito do rio o
movimento do vapor brasileiro e deixam-no evadir-se com toda a guarnição.

♣♣♣♣♣

Explicação:

24 25
(17) Eram já então 8 vapores, 2 escunas , 1 patacho e 2 lanchões.

♣♣♣♣♣

Este acontecimento singular só se explica por não haver um único dos navios do coronel
Barrios subido o rio até acima do Forte, e demonstra que, apesar da superioridade
numérica, havia medo das peças da fortaleza. É verdade que sem especial conhecimento
da localidade não se pode julgar imparcialmente, e por isto, nos limitamos a notar o fato.

A respeito das circunstâncias particulares do assalto de 28, sabemos pelas relações


paraguaias, que a guarnição do forte arremessou granadas de mão sobre os assaltantes
que avançaram até ao fosso (18), e que o coronel Luiz Gonzalez, com os 750 homens 1
do 6º batalhão, tentando o assalto, perdeu 200 homens, entre mortos e feridos, e recebeu
um ferimento.

♣♣♣♣♣

Explicações:

(18) Diz isso Barrios, mas nem havia fosso, nem a guarnição serviu-se de granadas.

24
Escuna: Uma escuna ou goleta é um tipo de veleiro caracterizado por usar velas de popa a proa em dois ou mais
mastros. O que as distingue é o fato do mastro de ré, ou mezena, ser maior e mais alto que os demais.
25
Patacho: embarcação antiga de dois mastros, tendo a vela de proa redonda e a de ré latina.
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♣♣♣♣♣

Durante a noite arranjaram paus, táboas e escadas para se renovar no dia seguinte com
todo o vigor o assalto. Na tarde de 28 tinham conseguido sete Paraguaios com
extraordinário esforço galgar a trincheira, mas foram todos mortos pelos Brasileiros. Com
o material do corpo dos pontoneiros e com as escadas esperava Gonzalez pela
superioridade do número, anular os esforços da defesa. No entanto adiaram os chefes
paraguaios o assalto para o dia 29 e mandaram as colunas avançar às 2 horas da tarde
(19), ficando, porém, assombrados, encontrarem o forte completamente deserto.
Instrumentos e bagagens não levaram os Brasileiros, mas em compensação não
deixaram um só morto ou ferido, porquanto o fogo dos Paraguaios, ainda que muito ativo,
não ocasionara perdas nem dano sério à fortificação.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(19) Há engano. Logo na manhã de 29 os Paraguaios viram das alturas próximas, que o forte estava
abandonado. Avançaram às 2 horas, mas no dia 28 e não 29.

♣♣♣♣♣

Era um sucesso favorável, mas não uma Vitória. E certamente honrosa a resistência
durante três dias de uma guarnição insignificante pelo número e não afeita à guerra (20),
contra um inimigo habilmente fanatizado, pelo menos dez vezes mais numeroso (21) e
provido de todos os meios, mas também não deixa de ser honroso o ataque paraguaio do
dia 8, nem que malogrado, porque só merece a censura de ter sido empreendido sem o
material de assalto (22). Barrios enviou a notícia do triunfo para Assumpção, onde
produziu grande júbilo, e sem perda de tempo seguiu com a expedição contra
Albuquerque e Corumbá.

♣♣♣♣♣

Explicações:

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(20) Por decreto n. 3492 de Julho de 1865 foi concedida uma medalha aos oficiais, praças e
voluntários que compuseram a guarnição do forte Nova-Coimbra nos dias 26, 27 e 28 de Dezembro
de 1864. A fita, da largura de dois dedos, tem duas listras encarnadas nas extremidades e listra preta
no centro. A medalha tem no anverso a inscrição.
— Valor e Lealdade; e no reverso, — 26,27 e 28 de Dezembro. Forte de Coimbra, 1864. — Uma
bombardeira da esquadra imperial tomou o nome de Forte de Coimbra.

(21) Os Paraguaios tinham junto a Coimbra força mais de 30 vezes superiores ao número dos
defensores do Forte.

(22) Precisamos retificar a narrativa que da expugnação de Coimbra faz o Sr. Schneider. Se ele
conhecesse todos os documentos oficiais, tanto de fonte brasileira como paraguaia, e, sobretudo, se
pudesse ter visto uma planta de Coimbra e da região vizinha, compreenderia logo que os paraguaios
e o seu general Barrios não merecem louvores, pois diante da fraca é insustentável fortificação
brasileira mostraram-se neste primeiro ensaio de suas armas escandalosamente inábeis e
pusilânimes.

Na obra de Moutinho (Notícia sobre a província de Matto-Grosso) e na de Bossi (Viagem pitoresco)


encontrará o leitor, que quiser informar-se por miúdo dos fatos, uma vista de Coimbra, e no Arquivo
Militar a planta da fortificação.

Coimbra é dominada por duas eminências a cavaleiro, uma à margem direita, pela retaguarda da
fortificação, e outra à margem esquerda, pela sua frente. Esta última é conhecida pela denominação
de Morro Grande ou da Marinha, e havia sido fortificada ligeiramente pelo chefe da esquadra
Leverger quando em 1855 estivemos a ponto de romper com o Paraguay.

O Forte, que era de figura irregular, estava assentado na base da íngreme montanha da direita, de
sorte que apenas as baterias que davam sobre o rio tinham a conveniente altura, e esta ia
diminuindo à proporção que a muralha se afastava da margem. Como o terreno se eleva
consideravelmente, construíra-se no fundo do forte uma simples muralha ou parapeito aberto em
seteiras, com uns 5 pés de altura, o qual subia pela montanha, e fechava, entre a plataforma do forte
e o cimo do cerro, um espaço não pequeno de ladeira. Para se chegar das baterias à extremidade
superior desse parapeito, que ficava em nível muito mais alto que as baterias, abriram-se em muitos
lugares degraus no solo. Hoje Coimbra está reedificada, e é provável que não se ache no mesmo
estado em que os paraguaios a encontraram em 1864.

Como estava então era posição insustentável, pois não havia fortificação alguma nem no cimo do
morro da direita nem nas alturas da margem esquerda. Destas e do rio podia o forte ser batido de
frente, varrendo também a artilharia inimiga toda a ladeira compreendida pelo parapeito asseteirado,
isto é, tomando pela retaguarda os defensores do parapeito, que assim ficavam pelas costas
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expostos desde os pés até a cabeça. Ao mesmo tempo, ocupando o inimigo o cimo da montanha em
cuja base estava o forte, podia muito a seu alvo fulminar pela retaguarda as baterias que dão sobre o
rio e todo o recinto da fortificação. Um assalto era cousa simples, porque o parapeito não tinha
fosso e era da altura de um homem.

Descendo o monte com o impulso da carreira; e sofrendo apenas o fogo de fuzilaria de 80 homens,
únicos que o coronel Porto Carrero pudera distribuir pelas seteiras da retaguarda, porque 35
estavam ocupados com 5 peças montadas em bateria sobre o rio, e os 40 restantes sustentavam o
fogo de fuzilaria em seis banquetas da mesma bateria, parece incrível que o famoso 6º batalhão
paraguaio, dirigido por Luiz Gonzalez, e que, segundo Thompson, contava 750 homens, não
houvesse tomado, logo no primeiro ímpeto, o parapeito do fundo, com o que estaria tomada toda a
fortificação. Essa força, como se vê, investiu o forte tendo sobre os nossos vantagem imensa, mas
os paraguaios, e com eles Barrios, Meza e Gonzalez, mostraram diante de Coimbra uma timidez
inconcebível.

Certas circunstâncias podem talvez explicar o fato. Além de serem os assaltantes soldados novos,
que nunca haviam entrado em fogo, chegaram a Coimbra supondo encontrar ali o capitão Benedicto
de Faria com 40 e tantos homens apenas, e acharam-se na presença do coronel Porto Carrero, que
tinha no Paraguay grande nomeada como oficial bravo e excelente artilheiro, e o prestígio de haver
sido instrutor do exército paraguaio, mestre de muitos dos seus oficiais e amigo particular e
companheiro de casa de Solano Lopez em Humaitá e no Passo da Pátria. A expedição de Barrios
havia ancorado no dia 25 a curta distância do forte, para dar lugar a que se lhe reunissem os navios
mais atrasados, e do sítio que então ocupavam ouviram os invasores um fogo bem sustentado de
artilharia e fuzilaria. Barrios ordenou que um dos seus vapores se adiantasse para reconhecer o
forte, e os exploradores voltaram com a notícia de que a guarnição fazia exercício e atirava ao alvo.
Com efeito, apesar de não acreditar no rompimento do Paraguay, o coronel Porto Carrero quis
preparar para a defesa os seus soldados, que, perfeitos no manejo das armas de infantaria, pela
maior parte deixavam muito a desejar como artilheiros, e no dia 25 fez um exercício geral,
simulando-se que o forte era atacado, tomando toda a guarnição seus postos de combate, e
atirando-se a bala sobre alvos colocados na margem fronteira e em vários pontos da margem direita.

Estes alvos, que no dia 27 ainda se achavam em seus lugares, infundiram verdadeiro terror aos
paraguaios, particularmente nos seus navios, que não ousaram de modo algum transpô-los.

Na noite de 26 de Dezembro fundeou a expedição uma légua abaixo de Coimbra, e só ao romper do


dia 27, dissipado o nevoeiro, às 5 horas da manhã, foi avistada pelas sentinelas e vigias do forte. O
coronel Porto Carrero distribuiu pelo modo acima indicado os seus soldados e os auxiliares, em
número de 155 homens ao todo, e dispôs-se para o combate, fazendo partir para Corumbá o
pequeno vapor Jaurú, com a notícia da invasão e de achar-se entre os navios, inimigos o paquete
Marquês de Olinda, armado com 8 peças de artilharia. Às 8 1/2 da manhã, recebeu a intimação de
Barrios, e dentro de 10 horas, começou o desembarque dos paraguaios nas duas margens.
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O Anhambahy, passando pelo forte, atreveu-se a avançar, e, às 10 1/2, com os seus 2 rodízios de 32,
produziu grande estrago nas forças que marchavam pela margem esquerda a ocupar a fralda do
Morro da Marinha, fronteiro ao forte, e que constavam de infantaria e duas baterias de artilharia
montada, com 12 peças. Às 10 3/4 adiantou-se vagarosamente, e como que hesitando, a esquadrilha
paraguaia. O Anhambahy retrocedeu então, colocando-se acima do forte. Às 11 horas a esquadrilha
de Meza rompeu de longe um inútil bombardeamento, sem que os nossos respondessem porque os
projetis paraguaios apenas chegavam a meia distância. Quando a artilharia inimiga se aproximou da
margem fronteira, na borda do Morro da Marinha, até onde avançara encoberta pelo mato, o
Anhambáhy e o forte começaram o fogo, às 2 horas da tarde.

No forte estavam montadas, 11 pecas, mas apenas 5 trabalhavam porque só tínhamos 35 artilheiros
disponíveis, que, felizmente, eram tão destros em sua arma como o resto do corpo de artilharia de
Matto-Grosso o era no uso da espingarda e da baioneta.

Os paraguaios que haviam desembarcado na margem direita, apareceram no cordão de mato que
circunda o forte, com mostras de quererem assaltá-lo, pois conquanto fizessem fogo de fuzilaria por
detrás das árvores, avançaram por vezes, com passo incerto, mas retrogradaram sempre, pelo fogo
das 5 peças do forte e das 2 do Anhambahy, que atiravam por elevação, e pela incessante fuzilaria
das banquetas e das seteiras do parapeito. ―O vapor Anhambahy‖, confessa Barrios em sua parte
oficial, ―coadjuvou muito a defesa‖; e, referindo-se aos nossos atiradores, diz que o fogo de
fuzilaria era ―increible‖.

O fogo do inimigo foi pessimamente dirigido, a ponto de não termos nos 2 dias de bombardeamento,
um só ferido. As balas das peças volantes estabelecidas na fralda do morro fronteiro e as dos navios
causaram grandes estragos, tanto no dia 27 como no 28, entre os próprios paraguaios que se
achavam em terra.

À noite Barrios fez reembarcar a gente que tinha na margem direita, isto é, no lado em que se acha
Coimbra. Não havia procedido ao mais ligeiro reconhecimento, o que lhe seria facílimo, e por isso
receou que o coronel Porto Carrero tivesse guarnição suficiente para fazer alguma sortida.

No forte apenas havia 12.000 cartuchos embalados, e destes mais de 9.000 foram consumidos no dia
27. Foi preciso que 70 mulheres, que se achavam no forte, e alguns soldados e oficiais, que puderam
deixar os parapeitos, trabalhassem a noite inteira em preparar cartuchame para a infantaria. Assim
(diz a participação oficial do coronel Porto Carrero) pode a guarnição no dia 28 dispor de 6.000 e
tantos cartuchos, tendo sido necessário machucar com pedras e pequenos cilindros as balas de
26
adarme 17 para acomoda-las às espingardas à Minié.

26
Adarme: unidade de peso antiga, equivalente a cerca de dois gramas. Calibre de arma de fogo.
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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 46 -

Às 7 horas da manhã rompeu o fogo de parte à parte, revelando-se os paraguaios, como no dia
anterior, péssimos atiradores.

Foi às 2 horas da tarde que os 750 homens do 6º batalhão, dirigidos pelo major, depois coronel, Luiz
Gonzalez, lançaram-se ao assalto. Não o fizeram, porém, com o ardor de que Barrios fala em sua
parte oficial, porque se assim fosse teriam tomado imediatamente o forte. Avançaram até o
parapeito, de 4 a 5 pés de altura, e foram cruelmente dizimados pela fuzilaria das seteiras e pelas
metralhas do Anhambahy. Diante das certeiras balas dos nossos 80 atiradores, dirigidos pelo 2º
tenente Oliveira Mello, estacaram os paraguaios, e começaram, em coluna, a sofrer o fogo dos seus
próprios navios, que, enfurecendo-se contra os defensores do forte, não fizeram mais do que lançar
bombas e balas que iam cair sobre os assaltantes. Em alguns pontos o parapeito era tão baixo, que
com o declive da montanha podia um homem, correndo, salta-lo facilmente. Instigados por Gonzalez
e por seus oficiais, os soldados paraguaios procuraram galgar o parapeito, mas foram sempre
repelidos à bala ou baioneta. Apenas 8 saltaram dentro do forte, ficando 1 prisioneiro e os outros
mortos.

Gonzalez foi ferido, e perdeu neste assalto, segundo Thompson, 200 homens entre mortos e feridos.
O próprio Semanário, como já vimos, confessou que ficaram fora de combate 207 homens. Do nosso
lado não houve perda alguma.

Às 7 da noite cessou o fogo do inimigo; e Porto Carrero fez sair duas partidas às ordens do capitão
Conrado e do 2° tenente Mello, que voltaram algum, tempo depois conduzindo 85 espingardas
abandonadas e 18 feridos, havendo contado muitos cadáveres.

Soube-se então que o inimigo desembarcara novas forças, e 4 peças que se dirigiam para o cimo do
monte. Tendo sido empregados nesse dia uns 5.000 cartuchos, só restavam 1.000; as balas de
adarme 17, que serviam para a transformação acima referida, estavam acabadas, e extenuados de
fadiga todos os soldados, auxiliares e mulheres. Porto Carrero reuniu em conselho os oficiais e o
comandante do Anhambahy, e resolveu-se por unanimidade de votos a evacuação do forte:
Momentos depois fez-se esta operação. Ficaram no forte os 18 feridos paraguaios e o operário
contratado de que faz menção em uma nota anterior, o qual se havia embriagado, e não foi
encontrado no momento do embarque.

Na madrugada de 28 desembarcaram de novo os paraguaios na margem direita, abaixo de Coimbra,


e, por entre as árvores, foram subindo o morro em que está a fortificação, e estabeleceram na parte
superior do mesmo uma estativa de foguetes à congrève.

♣♣♣♣♣

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7 A Retirada do Forte de Coimbra.

O Anhambahy navegou a todo o vapor de Nova-Coimbra até Albuquerque (23),


desembarcando ali uma parte da guarnição, porque levava mais do que a lotação, e
continuou para Corumbá, onde estava o quartel general do chefe militar da província, e de
onde o tenente-coronel Porto Carrero mandou sua participação oficial para o Rio de
Janeiro (24).

♣♣♣♣♣

Explicações:

(23) A 13 léguas de Coimbra o Anhambahy encontrou o chefe da flotilha com os vapores Jaurú e
Corumbá, que desciam do porto deste nome, levando para aquele forte um reforço de 50 artilheiros e
2 oficiais. Voltaram então os dois vapores para Corumbá, acompanhando o Anhambahy, que
desembarcou em Albuquerque, como diz o Sr. Schneider, parte da guarnição de Coimbra.

(24) Parte oficial, escrita em 30 de dezembro.

♣♣♣♣♣

A tomada de Nova-Coimbra produziu em Albuquerque e Corumbá tal terror que da


primeira dessas povoações fugiram todos os habitantes e da segunda os mais abastados,
espalhando-se em todas as direções. A pequena força militar, que por ali estava retirou-se
para Cuyabá, e tornou fácil aos Paraguaios a ocupação desses dois pontos.

Albuquerque (25) é uma pequena povoação à margem direita do Paraguay.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(25) Também chamada Albuquerque Novo. Fica 14 léguas ao norte de Coimbra, em uma eminência, a
uma légua do rio.

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♣♣♣♣♣

Foi criada neste século, formando-se de um primitivo destacamento militar da fronteira.


Sob a proteção da guarda estabeleceram-se nas vizinhanças algumas tribos de índios
Guaycurús (26).

♣♣♣♣♣

Explicação:

(26) As aldeias dos índios Guaycurús, Kinikináos, e Guanás que lá existiam eram anteriores à
criação do povoado. Foi para catequizá-los que se fundou a Missão da Misericórdia. Em 1827 para lá
foi o quartel do comando geral da fronteira. Em 1835, criou-se uma freguesia que compreendia
Coimbra, Albuquerque e Corumbá. A população total de Albuquerque em 1862 avaliava-se em 500, e
tantas almas, afora 1.000 índios, quase todos de nação guaná, que residiam em duas aldeias, uma
junto, a outra 3 léguas no Mato Grande. (A. LEVERGER, Roteiro, etc). Ia prosperando muito, quando
foi destruída pelos Paraguaios. Os índios guanás, levados então prisioneiros, foram libertados em
1869 pelos Brasileiros depois das vitórias do príncipe Conde d'Eu em Peribebuy e Campo Grande.

♣♣♣♣♣

8. A Retirada para, Albuquerque, Corumbá, Dourados, Sará, Rio São


Lourenço.

Exatamente no tempo em que rompeu a guerra tratava-se de fortificar o lugar, mas a


rápida e inesperada invasão dos Paraguaios não deu tempo para isso. Como o forte perto
de Corumbá também se chama Albuquerque (27), as participações militares durante a
ocupação foram mais de uma vez confundidas, o que deu origem a muitos enganos. O
forte em cuja vizinhança se desenvolveu o povoado aberto de Corumbá, foi edificado em
1778, e era igualmente um presídio ou posto da fronteira, junto ao qual se foi formando
uma população mista de índios, portugueses e mulatos. Essa povoação adquiriu alguma
importância com a, liberdade da navegação no rio Paraguay. (Ver imagem 44, visão
panorâmica da localização onde existiu o Porto de Sará; imagem 43 visão da foz do
Rio São Lourenço no Rio Cuiabá; imagem 42 visão da foz do Rio Cuiabá no
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Paraguai; imagem 41 visão panorâmica do local do Antigo Estaleiro e Deposito


bélico de Dourados no Rio Paraguai; imagem 40 panorama das cidades de Corumbá
e Ladario; imagem 39 panorama da cidade de Corumbá; imagem 38 panorama atual
do Distrito de Albuquerque)

♣♣♣♣♣

Explicação:

(27) Albuquerque Velho, ou Corumbá. Povoação fundada em 1778 pelo governador Luiz de
Albuquerque e Cáceres. Fica umas 19 léguas ao norte de Albuquerque. Ao romper a guerra
prosperava rapidamente e contava mais de 1.000 habitantes.

♣♣♣♣♣

Quando se trata de, uma guarnição nesses fortes ou pequenas povoações quer isso dizer
um destacamento de 15 a 25 homens, que não passam de uma guarda policial ou de
vigias da alfândega.

Ao tempo em que no Estado Oriental sucumbia Paysandú diante da força dos Brasileiros
e dos colorados Orientais, ocupavam os Paraguaios Albuquerque em 31 de Dezembro
(28), e Corumbá em 3 de Janeiro, tendo o comandante das armas, coronel Oliveira,
ordenado a evacuação deste último lugar no
dia 2. A bordo do Anhambahy, de algumas
chalupas e barcas dirigiram-se cerca de 500
pessoas para Sará, na confluência do S.
Lourenço com o Paraguay, e dali
demandaram por terra a cidade de Cuyabá,
capital da província. Os artilheiros, que em
Nova-Coimbra com tanto denodo se haviam
batido, reunindo-se com os que se achavam

Figura 11 Corumbá, antiga Fortificação, 1864. - imagem


extraída do Livro A Epopea Da Laguna
em Corumbá (corpo de artilharia de Matto-
Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938 Impresso Militar.
Grosso) embarcaram-se em uma escuna

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mercante e, sob o comando do já mencionado 2º tenente João de Oliveira Mello


acompanharam o vapor; o mesmo fez um contingente do 2º batalhão de artilharia (29).

♣♣♣♣♣

Explicação:

(28) No 1º de janeiro 1865.

(29) Em Nova Coimbra estava parte do corpo de artilharia de Matto-Grosso e em Corumbá a maior
parte do 2º batalhão de artilharia a pé, como já vimos.
O comandante das armas em ofício de 28 de Dezembro participava ao presidente a chegada dos
paraguaios a Nova Coimbra e acrescentava:

— ―Vai já para ali regressar o vapor Jaurú que nos trouxe esta notícia, indo a seu bordo o chefe da
flotilha e uma força de 50 praças com 2 oficiais do 2º batalhão de artilharia a pé. Viva animação reina
em todos geralmente, sem exceção de militares e paisanos, que se me tem vindo oferecer
voluntariamente para a defesa do país. Segundo informação do comandante do Jaurú, quando dali
largou já havia rompido o fogo. Posso afirmar a V. Ex. que não falta á nossa gente patriotismo,
orgulho e valor, mas nossos recursos tanto de pessoal, como de armamento e material de guerra, e
quiçá de gêneros alimentícios, para circunstâncias tais, são escassos e de V. Ex. espero pronto
socorro‖.

Mas que socorro podia o presidente enviar para que Corumbá, sem fortificações, com 23 peças, das
quais algumas não se achavam em estado de servir, e apenas 500 e tantos defensores, inclusive os
paisanos armados e a guarnição que chegava de Coimbra, resistisse com vantagem ao ataque de
Barrios, que dispunha de mais de 4.000 homens, de uma respeitável divisão naval, e de mais de 60
bocas de fogo, contadas as das esquadras?

Sem confiança no bom êxito da defesa de Corumbá, mas acreditando que o comandante das armas
estivesse disposto a resistir até a última extremidade para demorar a subida dos Paraguaios,
escreveu o presidente em 11 de Janeiro ao ministro da guerra:

— ―... A não ser um valor sobre-humano‖, é de supor que à esta hora esteja o Corumbá em poder do
inimigo, podendo-se, porém, asseverar que muito cara lhe custaria essa vitória.

__ Não aconteceu assim. Com a chegada do Anhambahy, conduzindo a guarnição de Nova Coimbra,
e a notícia do grande poder de que dispunha o inimigo, o comandante das armas julgou inútil tentar
defender esse ponto, e resolveu evacuá-lo imediatamente.

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No dia 2 de Janeiro fez embarcar precipitadamente no Anhambahy, no Jaurú, na escuna argentina


Jacobina, propriedade de um italiano, e em várias lanchas, a tropa que havia em Corumbá, e muitos
dos principais habitantes, seguindo rio acima em demanda da capital.

Em ofício n. 34 de 22 de Abril de 1865, disse o presidente da província ao ministro da guerra:

―Tenho a honra de passar às mãos de V. Ex. a inclusa cópia autêntica do extensíssimo ofício datado
de 28 do mês próximo passado, que dirigiu-me o coronel Carlos Augusto de Oliveira, depois que
chegou a esta capital, dando os motivos do fatal abandono que fez da povoação de Corumbá, e da
peregrinação em debandada em que andou por espaço de 2 meses com a força que devia defender o
dito ponto. Dessa exposição se conhece que o coronel Oliveira, então comandante das armas da
província, ou não esperava os Paraguaios na fronteira do Baixo Paraguay, ou não tinha intenção de
repeli-los, porque nenhum a providência eficaz deu para isso, e nem soube utilizar-se dos recursos
de que podia dispor para uma heróica defesa. É muito de notar-se que estando à sua disposição os
armazéns de Cuyabá, Miranda, Dourados e Corumbá, nos quais havia grande cópia de munições de
guerra, fosse o forte de Coimbra evacuado por falta de cartuchos de fuzilaria, tendo o dito coronel
chegado a Corumbá em Outubro, e sendo aquele forte atacado em fins de Dezembro... É também
para notar que opondo-se o comandante da flotilha a que se abandonasse o ponto de Corumbá,
tomasse o coronel Oliveira sobre si a resolução de abandoná-lo sem o parecer de um conselho de
oficiais.

Ainda mais: tendo o mencionado coronel chegado, como disse, em Outubro à povoação de
Corumbá, saindo desta capital, onde há um arsenal de guerra, com o 2° batalhão de artilharia a pé,
só conhecesse que não havia cartuchos suficientes na ocasião em que os devia empregar contra o
inimigo, havendo-os aliás em muito grande abundancia nos Dourados, por onde passou, e em
Miranda onde esteve. Levando desta capital operários, não pode em 2 meses reparar alguma
artilharia de Corumbá, onde deixou para o inimigo 20 e tantas bocas de fogo. Pólvora não podia
faltar-lhe, porque até mandou em um iate, para cima, a que julgou não lhe ser precisa‖.

Transcrevendo em seu relatório os trechos que acabamos de reproduzir, disse o general Albino de
Carvalho:

— ―... Expressando-me assim acerca do coronel Oliveira, não tive em vista agravar a sorte adversa
de um camarada, nem insinuar que ele muito podia ter feito por dispor de consideráveis recursos,
porquanto sou o primeiro a declarar que a província não tinha os precisos elementos de defesa; da
minha exposição o que razoavelmente se deve concluir é que o coronel Oliveira podia ter feito
alguma cousa em honra e glória das armas imperiais‖.

O grande erro do comandante das armas foi ter proibido antes a retirada dos habitantes, prometendo
até o último momento defender a povoação. ―Quando resolveu abandonar o ponto‖, diz um
estrangeiro que residia na província invadida, ―tudo foi confusão, e dali tantas desventuras e o
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séquito imenso de desgraças que acabrunharam essa população infeliz, da qual pequena parte se
salvou‖.

♣♣♣♣♣

Quando ao subir o rio esse oficial de repente avistou o fumo dos dois vapores paraguaios,
mandou sua gente sair das embarcações e fugir pela terra adentro (30): exemplo este que
foi seguido por alguns botes com habitantes de Corumbá. Por espaço de oito dias estes
infelizes vararam pântanos e bosques; não podendo, porém prosseguir pela fome e pelo
cansaço, pararam em uma fazenda do interior, contando já mais de 100 doentes graves.
Também os Paraguaios, encontrando as embarcações abandonadas, mandaram tropa
perseguir e dispersar os fugitivos, dos quais a maior parte pereceu, escapando contudo
os artilheiros.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(30) O 2º tenente Oliveira Mello desembarcou no sitio do Bananal, antes do Sará.

♣♣♣♣♣

9 Os combates no Rio São Lourenço, afluente do rio Cuiabá, e a tomada


do navio brasileiro Anhambahy.

Entretanto, continuara o Anhambahy sua marcha para Sará, onde desembarcou o


comandante das armas com os soldados, que se dirigiram por terra para Cuyabá. O vapor
continuou a navegar, mas foi perseguido no dia 6 por 2 vapores paraguaios (31);

♣♣♣♣♣

Explicação:

(31) Foi perseguida essa canhoneira por 2 vapores paraguaios, o Yporá e o Rio-Apa, segundo a parte
oficial de Barrios, ou por 3 vapores, segundo a do chefe da flotilha de Matto-Grosso.
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♣♣♣♣♣

Um deles, o Yporá, comandado pelo capitão-tenente Herreros, tendo a bordo 6 peças e 1


belo canhão de bronze de 32 no convés, e sendo mais rápido, alcançou o Anhambahy
(32) no rio S. Lourenço, antes que chegasse o outro vapor paraguaio. Logo que o
Anhambahy ficou ao alcance de seus perseguidores, deu algumas descargas e matou um
oficial no convés do Yporá.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(32) O Anhambahy não era propriamente navio de guerra, mas um paquete. Tinha 2 rodízios de 32, 34
homens de guarnição, e a força de 40 cavalos.

O Yporá "moinava" 4 peças, e era em tudo muito superior ao Anhambahy. Não obstante, o
apaixonado Thompson declara covarde a guarnição brasileira porque não atacou e meteu a pique o
Yporá! E como a bordo do Anhambahy havia um piloto inglês de nome Jozias Baker, eleva-o
Thompson ao posto de capitão comandante do navio e diz que foi a única pessoa que se portou bem
a bordo. Baker dirigiu o fogo do rodízio de popa, mas lançou-se ao rio, como muitos outros, quando
os paraguaios deram a abordagem. Ao Anhambahy deu o mesmo escritor 7 canhões. Sobre a
artilharia, porém (2 peças), veja-se o Relatório da marinha de 1864.

♣♣♣♣♣

Este não respondeu, mas aproximou-se com toda a força à sua preza; encostou-se e deu
a abordagem, porque dispunha de infantaria e de uma valente marinhagem. Foi de pouca
duração o combate, se é que tal nome merece a confusão que então se deu. Logo que o
Yporá atracou à Anhambahy e aplicou os arpões nos parapeitos do convés e na armação,
a maior parte da tripulação brasileira saltou n'agua (33) e procurou salvar-se a nado para
a margem do rio, mas foi morta pela infantaria do Yporá. O maquinista de bordo, o inglês
Baker, saltou também n'agua, mas teve a felicidade de chegar são e salvo à terra e de
esconder-se no mato.

♣♣♣♣♣

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Explicação:

(33) Barrios declarou ao seu governo que o Yporá havia tido 1 oficial morto, e que ―a maior parte da
guarnição do Anhambahy pereceu, atirando-se ao rio, de onde se salvaram alguns, fazendo-se 7
prisioneiros, entre os quais o imediato‖. O Yporá perdeu no combate o cano e sofreu grandes
avarias nas caixas das rodas. ( Moutinho, Noticia, sobre a província de Matto-Grosso, 297).

— O Anhambahy e o Jaurú haviam deixado no Sará o comandante das armas, coronel Oliveira, o
tenente-coronel Camisão, comandante do 2º de artilharia, a maior parte deste corpo, guardas
nacionais, empregados da alfândega de Corumbá e famílias. O Jaurú seguiu para Cuyabá, e o
Anhambahy voltava com o chefe da esquadrilha para dar reboque à escuna Jacobina, que já então
havia sido abandonada, pelo 2º tenente Mello, no Mangabal, quando avistou os paraguaios. ―De
pronto, diz Castro Menezes em sua participação oficial, foi o Anhambahy seguido por 3 vapores
inimigos e capturado às 2 1/2 da tarde‖ (de 6 de Janeiro, perto do Morro de Caracará). ―O
Anhambahy limitou-se a fazer o fogo que era possível em retirada, mas o único rodízio que algum
dano fazia ao inimigo ao décimo terceiro tiro desmontou-se, e assim, sendo abordado por um dos
vapores que de mais perto o seguia, em uma volta das mais estreitas do rio, e também impelido pela
correnteza das águas, foi sobre a barranca e nessa ocasião saltou em terra quase toda a guarnição;
sendo a maior parte de menores do corpo de imperiais, o que era de esperar à vista da força do
inimigo que os atacava‖. Entre os mortos ficaram o piloto José Israel Alves Guimarães, que
comandava o navio, o comissário Fiúza e o Dr. Albuquerque. O piloto Israel Guimarães não quis
abandonar o seu posto, e morreu pelejando.

♣♣♣♣♣

Em poucos minutos estavam os Paraguaios senhores do navio. Todas as pessoas


encontradas a bordo foram trucidadas, e as orelhas cortadas dos cadáveres enfiadas em
um cordel e dependuradas no mastro grande. Quando, mais tarde, o vapor, voltando para
Assumpção, se apresentou com as orelhas, enfiadas e suspensas, supondo produzir
grande efeito, Solano Lopez mandou por fora tais troféus. Assim o diz Thompson, que
estava então ao serviço da República.

O Semanário contestou o fato, quando os jornais de Buenos-Aires, cheios de indignação,


levantaram um grande clamor (34).

♣♣♣♣♣

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Explicação:

(34) As notícias publicadas pelas folhas de Buenos-Aires foram levadas por passageiros do vapor
inglês Ranger, que subira até Corumbá. Eis alguns extratos:

―... A guarnição do Yporá ao chegar à Assumpção, no dia 14 de Janeiro, repartiu grande quantidade
de gêneros roupa e muitos outros objetos, produto dos roubos em Corumbá. O comandante desse
vapor, André Herreros, tem em seu poder uma caixa de madeira cheia de achados de toda a espécie,
que constituem uma delicada fortuna adquirida à ―la pampa‖. A bordo deste mesmo vaso está à
vista do público uma corda, contendo orelhas humanas postas a cecear, as quais pertencem à infeliz
tripulação do Anhambahy. Com a notícia do triunfo das armas paraguaias em Matto-Grosso tem
havido em Assumpção grandes festas populares e bailes. Quando o Ranger devia partir de
Assumpção para
Corumbá, o
governo
paraguaio, sob
pretexto de
comunicações
oficiais e garantias
ao vapor, mandou
como passageiros
o alferes Julian
Nicanor de Godoy
e um assistente
para a expedição.
Este oficial foi
recebido a bordo

Figura 12 - Imagem Cidade de Cuiabá Antiga. com uma mala


https://www.achetudoeregiao.com.br/mt/cuiaba/historia.htm
pequena e um saco
com ofícios. Durante a viagem, apesar da dissimulação; deixou perceber o fim de sua missão: estava
a bordo como espião. Chegou o vapor à Corumbá, e quando regressámos à Assumpção tivemos de
receber o mesmo passageiro, com a diferença de que na volta a sua bagagem era extraordinária,
compondo se de três malas carregadas de sapatos, chapéus e outros gêneros, de louça e cristal, e
além disto dois ou três sacos cujo conteúdo não foi possível descobrir-se. O roubo feito em
Corumbá chegou até à igreja, cujos sinos se acham hoje em Assumpção‖.

Os sinos de que fala esta notícia eram de bronze e tinham as armas imperiais; Foram colocados nas
torres da catedral de Assumpção. Quando visitamos essa capital, no mês de Março de 1869, tivemos
conhecimento disso pelo Semanário de 4 de Fevereiro de 1865. A pedido nosso, foram esses sinos
conduzidos então para Corumbá, onde se acham de novo.

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♣♣♣♣♣

10 A fuga e Retirada para Cuiabá, Capital da Província de Mato Grosso.

O comandante das armas, que oportunamente desembarcara em Sará com muita gente,
entre tropa e famílias, teve com o maior esforço de atravessar matos, pântanos e rios, até
chegar em princípios de Março a Cuyabá com os restos do 2º batalhão e alguma força de
artilharia (35); Só em fins de Abril chegou o 1° tenente Oliveira Mello com os artilheiros
que tinha feito desembarcar antes de Sará (36).

♣♣♣♣♣

Explicações:

(35) Leia-se com as relíquias do 2º batalhão de artilharia a pé.


— O coronel Oliveira chegou a Cuyabá, no dia 6 de Março com 162 praças desse batalhão e de
outros corpos da província (Página 24, do Relatório do Presidente Albino de Carvalho) e em fins de
Abril o 2º tenente Luciano Pereira de Souza com 57 praças do mesmo batalhão, que se achavam
dispersas pelos pântanos. Ao todo 219 praças. Não nos foi possível encontrar no Arq. da Sec. da
Guerra os Relatórios desses dois oficiais e os ofícios do presidente de Matto-Grosso.

(36) O 2° tenente Oliveira Mello chegou a Cuyabá em 30 de Abril com 400 pessoas entre soldados,
mulheres e crianças que salvou, depois de 4 meses da mais penosa viagem por lugares nunca
percorridos antes. A entrada desse benemérito oficial em Cuyabá foi uma verdadeira festa popular.
Da sua comitiva faziam parte 230 praças, de todos os corpos da província. Durante a viagem só
perdeu 4 praças, aprisionadas pelos paraguaios. A sua perseverança e à merecida força moral de
que gozava deve-se aquele resultado inesperado e honrosíssimo.

♣♣♣♣♣

No Rio de Janeiro causaram desagradável impressão as medidas adoptadas pelo


comandante das armas, e o ministro da guerra as considerou desacertadas. A justa
indignação pela perda de grande parte da província de Matto-Grosso desvairou o juízo da
capital do Império, porquanto em 8 de Fevereiro ainda estava quase intacta a força militar
da província, à exceção de 2.000 homens de tropa e da guarda nacional errantes nos
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matos, isto é, havia ainda 970 homens da guarda nacional em Cuyabá, 805 em Melgaço
inclusive 152 soldados de linha, 100 e tantos em Poconé, 581 em Villa Maria inclusive 83
soldados de linha (37).

♣♣♣♣♣

Explicação:

(37) Estes dados foram pelo autor extraídos do ofício de 28 de Fevereiro de 1865 do presidente de
Matto-Grosso. Além das forças que menciona havia vários destacamentos nos sertões e no distrito
da cidade de Matto-Grosso, e a pequena flotilha. O Sr. Schneider se enganou quando disse que
erravam nas matas 2.000 homens de tropa e da guarda nacional. O leitor já sabe que não tínhamos
na fronteira tanta força. O ofício de 28 de Fevereiro refere-se às praças de linha, da guarda nacional e
a todos os habitantes que haviam fugido do inimigo em número de 2.000 pessoas ao todo.

Eis as palavras do presidente:

— ―A gente dispersa pelos matos e pantanais dos rios Paraguay e S. Lourenço é regulada em mais
de 2.000 pessoas, das quais tem chegado algumas a esta capital, nuas, extenuadas de miséria e
fadiga. De hoje até amanhã esperam-se cento e tantas. Grande parte tem morrido de fome, de peste,
afogados, etc, e outras tem sido aprisionadas‖.

— Cumpre também notar que os algarismos que o Sr. Schneider indica, representam alguma força
de linha que havia ficado nesses pontos e a guarda nacional chamada a destacamento depois da
notícia da invasão.

♣♣♣♣♣

O que podia fazer um comandante militar, à frente de milícias disseminadas em uma


vastíssima superfície? Como poderia repelir o vigoroso ataque dos Paraguaios, cujo
aparecimento inesperado infundira extraordinário terror, pois entregavam ao saque cada
povoação e cada fazenda onde chegavam, tratavam os habitantes com requintada
crueldade, já tinham tomado para cima de 100.000 cabeças de gado e sistematicamente
devastavam esta região de tão escassa povoação (38)?

♣♣♣♣♣
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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 58 -

Explicação:

(38) No mesmo ofício de 28 de Fevereiro diz o presidente de Matto-Grosso (PEREIRA DA COSTA,


História da guerra, etc, I. 250):

— ―Os Paraguaios têm quatro vapores, em tudo superiores aos nossos, cruzando nos rios Cuyabá e
S. Lourenço, e vão aprisionando toda a gente que busca a capital. As fazendas de gado e mais
estabelecimentos dos rios Cuyabá, S. Lourenço e Paraguay, estão abandonadas, avaliando-se em
mais de 100.000 o número de rezes das ditas fazendas‖.

♣♣♣♣♣

O Yporá, quando perseguia o Anhambahy, passou em frente à povoação de Dourados,


onde a província tinha um depósito de armas e munições, guardado por 30 homens sob o
comando do tenente Antônio João Ribeiro (39).

♣♣♣♣♣

10.1 A Ocupação e confronto militar na Colônia Militar de Dourados

Explicação:

(39) Há engano: o autor confunde dois lugares do mesmo nome. O tenente Antônio João Ribeiro não
estava no estabelecimento de Dourados que fica à margem do Paraguay, mas na colônia militar de
Dourados, situada na fronteira, a 24 léguas, SE de Nioac, à margem do rio dos Dourados, afluente do
Brilhante. Tinha apenas 15 homens, como já dissemos, e foi atacado, segundo o general Caballero,
por 220 Paraguaios às ordens de Urbieta, que pertencia à divisão de Resquin.

27
―A pequena Colônia Militar de Dourados ―, diz o presidente Leverger em seu relatório de 1865, ―caiu
logo em poder dos invasores. O seu comandante, o bravo tenente de cavalaria Antônio João Ribeiro,
não obstante a enormíssima desigualdade de força, tentou resistir e, segundo toda a aparência,
sucumbiu com a pouca gente as suas ordens, sem arredar pé do lugar que lhe fora confiado‖.

Segundo a parte oficial do chefe paraguaio, publicada no Semanário, foram mortos, da nossa força,
o tenente Antônio João Ribeiro e 2 praças, sendo feridos 1 cabo e 1 soldado. Estes e mais 10 praças
ficaram prisioneiros, o que importa dizer que não escapou um só dos 16 homens de que se

27
Nota: A Colonia Militar de Dourados está localizada, atualmente no municipio de Antonio João – MS. Há um
destacamento Militar e um museu histórico e monumentos.
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compunha o destacamento: 3 foram mortos e 12 aprisionados, entre os quais 2 feridos; o soldado


que faltava havia seguido antes para a colônia militar de Miranda com ofícios do tenente Antônio
João, e foi aprisionado perto dessa colônia pelas forças de Resquin.

Todos os prisioneiros morreram no Paraguay, antes de terminada a guerra.

Eis a parte oficial de Urbieta, que transcrevemos por ser o único documento que existe sobre este
pequeno choque em que sucumbiu um dos nossos mais intrépidos oficiais, que passava até por
louco, em consequência de seu gênio arrebatado e das imprudências que praticara por vezes,
quando encarregado de diligências contra malfeitores e índios bravios:

―Tenho a honra de participar a V. Ex. que ontem 29, (Dezembro,) cheguei a esta colônia de Dourados
sem ser pressentido, e sendo descoberto a pequena distância, ouvi um curto toque de chamada,
tomando as armas o comandante da colônia, que se adiantou com alguns homens. O tenente de
infantaria cidadão Manoel Martinez, incumbido de levar o ataque, intimou-lhe que se rendesse, mas o
comandante brasileiro respondeu que se lhe apresentássemos ordem do governo imperial se
renderia, mas sem ela não o faria de modo algum. Com esta resposta, travou-se logo o combate,
sendo mortos aos primeiros tiros o comandante de Dourados, tenente Antônio João Ribeiro e mais 2
indivíduos, e fugindo os restantes para o mato do arroio, de onde foram retirados 12, inclusos 1
cabo e 1 soldado feridos, escapando os demais da guarnição com o segundo comandante. Da
tropa; do meu comando só o tenente cidadão Benigno Dias e 1 soldado foram feridos...‖

Esta parte oficial não é em tudo exata. No dia 28 Antônio João teve notícia da aproximação dos
paraguaios e ordenou que os poucos habitantes da colônia, velhos, mulheres e crianças, a
abandonassem, declarando-lhes que ali ficava para morrer em seu posto. Ao comandante da colônia
de Miranda e ao tenente-coronel Dias da Silva, aquartelado em Nioac, enviou a noticia da invasão
dos paraguaios, e a este útimo escreveu a lápis o seguinte bilhete:

— ―Sei que morro, mas o meu sangue e o de meus companheiros servirá de protesto solene contra a
invasão do solo da minha pátria. — Antônio João Ribeiro‖

Preparou-se para receber o inimigo. Cada um dos seus soldados tinha uma espingarda e duas
clavinas carregadas. O que se passou depois, no dia 29, só se sabe pela parte oficial de Urbieta e
pelas descrições dos paraguaios que serviam às ordens desse chefe, e que todos foram acordes em
reconhecer a bravura do comandante de Dourados.

Um pequeno vapor pertencente à companhia de navegação do Alto Paraguay, foi comprado no ano
seguinte pelo governo provincial e recebeu o nome de Antônio João em honra a esse oficial.
Moutinho, na sua Notícia sobre a província de Matto-Grosso, refere à pag. 191, alguns episódios da
vida de Antônio João. (E também em citações no Jornal do Comércio de 27 de abril de 1865.)

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♣♣♣♣♣

Enquanto era capturado o vapor Anhambahy no rio S. Lourenço, 2 vapores paraguaios


saídos mais tarde de Coimbra desembarcaram 500 homens em Dourados, os quais
acometeram e debandaram o pequeno destacamento depois de alguma resistência.
Quando o Yporá voltou, em 10 de Janeiro, encontrou os 2 navios ocupados em carregar
pólvora, madeira, ferro e máquinas, e associou-se à faina. O desleixo da tripulação que
levava a pólvora de terra para bordo era tal, que a iam entornando por todo o caminho
desde os depósitos até ao rio. O oficial, que inspecionava o transporte, chamou a atenção
de seus superiores para a possibilidade de uma explosão. Não se fez caso. O capitão-
tenente Herreros, o apresador do Anhambahy, chegou a zombar do previdente oficial,
mandou-o para bordo e encarregou-se de vigiar o trabalho. Apenas, porém, se aproximou
dos depósitos, deu-se uma explosão que o matou juntamente, com alguns outros oficiais
e 23 soldados. O cadáver de Herreros foi levado para Assumpção, onde o presidente
ordenou que lhe fizessem solenes exéquias e prometeu erigir-lhe um monumento, para
comemorar o aprisionamento do Anhambahy.

♣♣♣♣♣

11 A Ocupação Via Terrestre.

Enquanto Barrios operava na grande estrada fluvial do Paraguay, marchava a leste de


Nova-Coimbra para a vila de Miranda a divisão, que, partindo da cidade da Conceição,
invadira por terra Matto-Grosso, composta de vários regimentos de cavalaria (2.500
cavalos), um batalhão de infantaria e uma bateria (40).

♣♣♣♣♣

Explicação:

(40) Já dissemos que esta divisão constava de 5.000 homens e 6 peças, segundo declarações de
prisioneiros.

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Figura 14 - Povoado de Nioaque em 1867 - imagens


extraída do Livro A Epopea Da Laguna. Lobo Vianna Figura 13 - imagem extraída do Livro A Epopea
- Rio De Janeiro 1938. Impressa Militar. Da Laguna. Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938
Impresso Militar.

Figura 15 - imagem extraída do Livro A Epopea Da Figura 16 - imagem extraída do Livro A Epopea Da
Laguna Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938. Laguna. Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938
Impressa Militar. Impresso Militar.

♣♣♣♣♣

O coronel Resquin comandava esta divisão, mas estava subordinado ao coronel Barrios.
Em Miranda havia 260 homens de infantaria, em Nioac 130 de cavalaria, que deviam ir
em auxilio da guarnição ameaçada naquele ponto. Oito léguas distante de Miranda essa
pequena força encontrou acampada a divisão do coronel Resquin e, reconhecendo que
nada podia diante de tão desproporcional superioridade, retirou-se, com a guarnição
saída de Miranda, para Cuyabá, aonde chegaram em fins de Abril. Assim se perdeu
também Miranda e a sua pretensa, fortaleza, que não passava de uma área cingida de
estacas, onde se principiara a construir um quartel para a guarnição. Igualmente

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sucumbiu a colônia de Coxim, que os Paraguaios abandonaram depois de devastada, ao


passo que continuaram a ocupar Miranda (41).

♣♣♣♣♣

Explicação:

(41) Na nota explicamos estes fatos. Resquin avançou pela colônia militar de Miranda e por Nioac
sobre a vila de Miranda, enquanto Urbieta atacava Dourados.

Os 130 homens a que o autor se refere são os do tenente coronel Dias da Silva (corpo de cavalaria
de Matto-Grosso e paisanos armados) que sustentaram algumas guerrilhas desde o Rio Feio até a
ponte do Desbarrancado. Quanto a Miranda, não atende o autor a que havia a colônia de Miranda e a
vila de Miranda. No sumário e na nota citada verá o leitor a ordem cronológica dos fatos. Na vila de
Miranda estavam o casco do batalhão de caçadores de Matto-Grosso (89 praças, incluindo oficiais e
músicos), e algumas praças do 7º batalhão da guarda nacional, ainda não organizado. Comandava a
força de caçadores o capitão Pereira da Motta, e a da guarda nacional o major Caetano de
Albuquerque. O tenente coronel Dias da Silva, comandante do corpo de cavalaria de Matto-Grosso,
era também comandante de todo o Distrito militar da vila de Miranda, e estava em Nioac. As colônias
militares de Miranda e Dourados eram os pontos mais avançados da fronteira. O Sr. Schneider dá o
número exato dos combatentes que tinha o tenente coronel Dias da Silva quando o general Resquin,
com mais de 2.000 homens, procurou atacá-lo: 130 homens, que o mesmo Resquin teve o
desembaraço; na parte oficial que dirigiu ao ministro da guerra do Paraguay, de elevar a 200 ou 300
homens de cavalaria, do mesmo modo porque Barrios elevará a 2 ou 3.000 homens de tropas o
número dos defensores de Corumbá. Na nota já vimos que em toda a vasta província de Matto-
Grosso não havia senão 128 homens de cavalaria.

Tendo sido publicada na Notícia sobre a província de Matto-Grosso essa parte oficial,
reproduziremos aqui a que o tenente coronel Dias da Silva dirigiu em 31 de Janeiro ao presidente da
província (uma copia acompanha o ofício n. 35 de 24 de Abril de 1865 dirigido pelo presidente ao
ministro da guerra). Não nos consta que tenha sido publicada ainda a parte oficial do chefe
brasileiro. (Ver imagem 56, visão do cruzamento entre a antiga estrada da época da
Guerra com a Rodovia BR-060, interligando atualmente os Município de Guia Lopes
da Laguna e Maracaju)

♣♣♣♣♣

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11.1 Confrontos nos Rio Feio, Desbarrancado, Santo Antônio28.

Eis alguns trechos29:

―... Chegando ao meu conhecimento no dia 30 de Dezembro, que no antecedente haviam


sido tomadas as colônias de Miranda e Dourados por duas grandes forças paraguaias, fiz
imediatamente partir 1 alferes do corpo com 6 praças para verificar essas notícias e
observar o movimento dos invasores, enquanto aprontava o corpo para marchar, o que fiz
4 horas depois, e apenas transpus o rio Nioac mandei avançar o capitão Pedro José
Rufino com 1 alferes e 20 praças, fazendo a guarda avançada da força que eu levava, a
qual não excedia de 130 praças, inclusive alguns paisanos. Cheguei ao lugar denominado
Desbarrancado às 8 horas da manhã, de 31‖.

―Nesse lugar recebi a notícia de que a força inimiga se achava na margem oposta do Rio
Feio, distante do Desbarrancado meia légua, aquém do qual parou o capitão Rufino com
a força do seu comando até que, reunindo-me a ele, recebi um recado do comandante
inimigo em que me fazia conhecer o desejo de falar-me sobre negócios de paz.
Aquiescendo a esse desejo, transpus o precitado Rio Feio e ali aguardei a sua presença;
e, tornando-se demorada, lhe dirigi a lápis uma nota, cientificando-o de que iguais desejos
nutria afim de explicar-lhe as instruções que tinha do meu governo sobre o fato que nos
ocupava, recebendo em solução a nota junta por cópia sob n. 1 que foi por mim
respondida pela forma constante da cópia sob n. 2, na qual, repelindo a proposta
humilhante que se me fazia, protestei contra a invasão que traiçoeiramente se havia feito
em nosso território‖.

―Poucos momentos depois da recepção de minha recusa rompeu o fogo da parte do


inimigo, encetado por um tiro de artilharia, à vista do que vim retirando para aquém do rio
Santo Antônio, sendo ainda forçado a abandonar esse ponto por saber que uma força de
cavalaria inimiga, transpondo o dito rio pela minha esquerda, procurava passar também o
rio Desbarrancado para cortar-me a retaguarda, e só ali pude reconhecer a força

28
Nota: Este confronto e resistência das tropas brasileiras ocorreram em território do atual municipio de Guia Lopes
da Laguna-MS. Ver o Mapa de Guia Lopes da Laguna, por onde passava a estrada nesta época. Em nada tem a ver com
as Rodovias Modernas, que interligam Nioaque, Guia Lopes da Laguna, Côlonia de Miranda, Côlonia de Dourados,
Miranda, Coxim, Bela Vista.
29
Tenente coronel Dias da Silva.
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invasora, que calculo em 2.000 homens, composta das três armas, restando-me apenas
tempo para debaixo de fogo cortar a ponte, que existia sobre este último rio, e retirar-me‖.

―Tenho apenas a lamentar a morte de 2 cabos, 2 soldados e 1 paisano no ato do fogo,


porém o mau estado da cavalhada, magra e cansada da viagem forçada que acabava de
fazer, ocasionou o extravio da maior parte da força, da qual poucos se tem reunido ao
corpo posteriormente‖.

O paisano morto foi um fazendeiro das vizinhanças de Nioac, o intrépido Gabriel


Barbosa30, natural da Franca; na província de S. Paulo (Jornal do Comércio de 11 de abril
de 1865, correspondência de Uberaba).

Em outra participação oficial, dirigida em 5 de julho ao ministro da guerra, diz o tenente


coronel Dias da Silva que no Rio Feio tinha 130 homens, incluindo 20 paisanos
voluntários; que foi perseguido por espaço de três léguas, e que nas guerrilhas que
sustentou foram mortos 2 cabos, 5 soldados e 1 voluntário. (Ver imagens 53, 54, 55,
visão panorâmica dos Rios e estradas, Rio Feio, Rio Santo Antônio e Rio
Desbarrancado, todos localizados em território do atual Município de Guia Lopes da
Laguna, Sudoeste do Mato Grosso do Sul. )

11.2 As fugas, retiradas, dispersão da população e das tropas militares


brasileiras.

Nessa retirada 1 sargento e 40 e tantas praças tomaram rumo diferente, seguindo pela
estrada do Coxim, e desapareceram 1 tenente, o capelão e o cirurgião do corpo (parte
oficial de Dias da Silva). Resquin diz que ficaram mortos 1 oficial e 57 praças e 13
prisioneiros, sendo tomados 31 cavalos e 8 mulas, e que da sua parte só houve 1 morto e
2 feridos. Dias da Silva, seguiu apressadamente para a vila de Miranda, e ordenou ao
major Caetano de Albuquerque e ao capitão Pereira da Mota que se retirassem com a

30
Nota: Segundo consta nos Históricos da Genealogia dos Barbosas em Mato Grosso, Gabriel Barbosa, era irmão do
Antônio e Inacio Gonçalves Barbosa. Junto com os Lopes de Minas (Piumhi), os Barbosas e suas descendências foram
os principais ocupantes e fundadores de posses nas regiões do Alto e Baixo da Serra de Maracaju. Antonio era o Pai de
Dona Senhorinha Maria da Conceição Barbosa Lopes.
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guarnição, que constava de 89 caçadores e alguns guardas nacionais. A vila foi


abandonada no dia 6.

Quase todos os seus habitantes fugiram embarcados, descendo o rio Miranda. Depois de
se conservarem escondidos num lugar chamado "Salobra", entraram no rio Aquidauana e
subiram-no até perto do porto de Souza. Ali se refugiaram nas fragosidades da serra de
Maracajú, de envolta com muitos índios Guanás, Kinikináos, Laianos e Terenos. . (Ver
imagem 65, visão panorâmica da localização denominada ―Salobra‖, o Rio e matas,
que na época da invasão pertencia a Vila de Miranda.)

Alguns seguiram para Sant’Anna do Parnahyba com os restos do corpo de cavalaria.

Os que ficaram na serra de Maracajú formaram três espécies de povoados chamados os


Morros.

Da guarnição de Miranda extraviou-se o cirurgião do batalhão de caçadores. Um sargento


e 16 praças separaram-se e tomaram a estrada do ―Tabôco‖31. (Ver imagem 67, visão

31
Tabôco - Scenas de viagem - Exploração entre os Rios Taquary e o Aquidauana - No Districto de Miranda, Memoria
Descriptiva Alfredo D’Escragnolle Taunay, RJ. 1867 – Capítulo VI
“... Entretanto a 10 de Março encontrávamos à margem direita do rio Taboco, o qual contra as previsões de nossos
soldados que trilhavam já caminhos conhecidos, dava a nado de lado a lado numa extensão de mais de 30 braços
quando a sua largura normal não excede de 18 à 20.
Passamos a noite debaixo de um Laranjal que serviu de pomar, a Casa do Cidadão Joaquim Alves de Souza, a qual teve
de hospedar aos paraguaios quando eles iam para o Coxim e fora testemunha dos atentados que ali praticaram esses
hóspedes incômodos.
Foram tratados com urbanidade tão bem fingida que não duvidaram de deixar o dono da casa em sua fazenda com
promessa de levá-lo com toda a família para Vila de Miranda.
Um camarada havendo nessa ocasião tentado fugir foi pelos soldados fustigado, amarrado, em um poste de piúva e
quase e esfolado pelas pontas dos açoites. Depois daquela execução bárbara aqui assistiu o mísero patrão, com
custosa indiferença partiram eles, prometendo voltar breve concluída a expedição ao Norte do Distrito.
Se eles cumpririam a palavra, Joaquim Alves jogou a razão poderosa para não fazer o mesmo. Apenas voltaram as
costas, fugiu com toda a sua gente para o Mato tomando depois caminho de Santana do Paranaíba. Vingaram-se os
paraguaios do logro feito, a ingenuidade de homens brutais e bárbaros queimando as casas e dependências e
destruindo tudo quanto encontraram.
A denominação de “Tabôco” é de origem guaicuru significa “fundo”, apesar do seu pouco volume de águas habitual.
Alguns, porém daquela nação havendo habitado junto ao perau formado numa das voltas do rio deram-lhe em toda a
extensão aquela especificação. Pouco conveniente oficialmente e nos mapas da província disse da boca muito
erradamente e sem razão suscitando se em agosto de 1866 a dúvida a respeito do nome, fato colhemos a certeza não
só da boca de pessoas conhecedoras da língua guaicuru senão dos próprios naturais daquela nação. Os que dizem
“Dabôco” a todo o transe não se firmam com os princípios alguns a menos que apresentem com autoridade dos
outros 3 mapas da província em que aparece aquela palavra escrita. Por ser um rio lugar de passagem, tem a margem
direita alta a esquerda baixo e paludosa depois das inundações frequentes em razão das proximidades cabeceiras se
bem de pouca duração.
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panorâmica da região conhecida por ―Taboco‖, localidade, rio, matas, localizada ao Norte de
Aquidauana – MS.)

No relatório que em dezembro de 1865 apresentou à assembleia provincial de Matto-


Grosso, o presidente Leverger (barão de Melgaço) descreveu assim a marcha de
Resquin:

―... O restante da expedição desceu a serra e passou pela colônia militar de Miranda,
abandonada por seus habitantes. A imensa superioridade da sua força tornou-lhe fácil o
desbaratar o corpo de cavalaria, que, vindo de Nioac, onde estava aquartelado, fez inútil
esforço para disputar a passagem do rio Desbarrancado junto à fazenda do mesmo
nome‖.

―O comandante e os destroços do dito corpo retiraram para a vila de Miranda, onde


existiam tão somente poucas praças, como já disse do batalhão de caçadores, e diminuto
número de guardas nacionais do ainda não organizado 7° batalhão. Com tão poucos
elementos julgaram todos inútil a resistência, e constando que os paraguaios se haviam
assenhoreado de Coimbra e Corumbá e da navegação do Paraguay, trataram de retirar-
se, seguindo uns pelo rio de Camapuan, outros, pelo lado do estabelecimento colonial do
Taquary, fronteiro à barra do Coxim, e geralmente designado por este último nome...‖

As colônias de Dourados, Miranda e Nioac eram pequenas povoações formadas de


ranchos de sapé32.

Belas figueiras e alguns pés de Ingá tornam esse lado umbroso ao passo que o outro é completamente descoberto,
um pouco abaixo do Rio, bifurcam seu ramo segue direção no rumo médio Oeste o outro diverge para o Sudoeste
deixando intermédia uma cumprida cauda e arenosos. Os desmoronamento da barranca direita deixa perceber a
natureza completamente arenacea dos terrenos próximos o que também pode explicar o nome “fundo” dada em
certa época em que o rio que carregando grande porção de Areias modifica com facilidade o leito que corre...”
32
Nota: No documento seguinte, pesquisado por Hélio Serejo, Resquín relata ao Comandante Supremo, Marechal
Francisco Solano López, a ocupação do povoado de Nioaque em janeiro de 1865, e que estrategicamente servirá de
sede das operações de guerra paraguaias no sul da Província de Mato Grosso.
Ao amanhecer “do dia seguinte, levantei o acampamento e depois de três léguas de marcha, passei o arroio Ponte e
com duas léguas mais o Nioaque, a uma hora do dia. Concluída a passagem, fiz adiantar-se o Capitão Rojas com dois
esquadrões para apossar-se da Povoação de Nioaque, onde não se encontrou mais que dois indivíduos um espanhol e
outro português europeu. Eu acampei-me a frente da Povoação e ordenei o reconhecimento das casas, do
armamento e demais coisas, porém, na comandância não se encontraram mais que seis carabinas de caça e seis
espadas de tropas. Depois se encontraram os armamentos: caixões de balas, pólvora e demais papéis enterrado no
fundo do curral da comandância e também algum armamento e munição se encontraram nas casas que, com efeito,
mandei visitar, como Vossa Excelência verá pela minuta junta. O arquivo parece completamente destroçado e os
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Em Nioac33 havia um bom quartel de palha e um igrejinha.

A vila de Miranda34, foi primitivamente um presídio fundado em 1778, como já dissemos, à


margem direita do Miranda, afluente do Mondego. Estava florescente e possuía
excelentes casas, uma igreja e um quartel magnífico, sobretudo naquela distante
localidade.

A colônia militar de Dourados35 foi fundada em 10 de Maio de 1861 por ordem do


ministério Caxias (gabinete de 2 de Março de 1860) ―em lugar aprazível e fértil, sobre
uma chapada na margem direita do primeiro e maior dos três braços que formam o rio dos
Dourados, entrecortada por capões e vertentes que vão encontrar no principal galho do
rio. Fica abaixo do dorso da serra de Maracajú em uma distância de 4 a 5 léguas na zona
compreendida entre este rio e o Ivinheima, Paraná e Igúatemy e elevação da mesma
serra para o lado do nascente, na distância de 12 léguas de Miranda, rumo geral do Sul‖
Foi inaugurada com 10 colonos e um destacamento. . (Ver imagem 52, visão
panorâmica da localização onde existiu a Antiga Colonia Militar de Dourados,
Localizada no Atual Município de Antonio João, Mato Grosso do Sul, atualmente
está instalado o PH-CMD Parque Histórico Colônia Militar de Dourados, com um
destacamento Militar e Museu)

A Colônia de Miranda36 fora criada por ordem do ministro do império marques de Monte
Alegre (gabinete de 29 de Setembro de 1848, aviso de 2 de Abril de 1850) mas só foi
inaugurada em 23 de Novembro de 1859, com 31 colonos e um destacamento, nas
cabeceiras do rio de Miranda. . (Ver imagem 52, visão panorâmica da localização

papéis tomados são os que se encontram enterrados com os 26 caixões de pólvora encartuchados e 11 de pólvora
solta. No mais não se acharam senão comestíveis e trastes que não puderam levar na fuga.
O Povoado consta de 130 casas, sendo 30 principais, tendo um oratório e um espaçoso quartel que cai a Oeste da
Praça principal sobre a Rua Leverger. A comandância cai a Leste da mesma praça sobre a Rua Santa Rita, podendo
aquartelar 500 homens. Nomeei para comandante deste ponto, o Tenente Cidadão Pascal Rivas, ficando às suas
ordens o Alferes Cidadão Aleixo Gomes e Waldo Gimenes. No dia 5 proponho-me seguir minha marcha sobre a Vila
de Miranda a curtas Jornadas, para não fatigar a cavalhada com o excessivo calor.
No decorrer da perseguição tomaram-se vários papéis e entre eles aparecem as comunicações juntas.
Deus Guarde Vossa Excelência muitos anos”. (Nioaque um Pouco da sua História, Helio Serejo). Transcrito do Livro
Nioaque no contexto do século XIX na História do Mato Grosso do Sul. Volume 1. José Vicente Dalmolin.
33
Atual cidade de Nioaque – MS.
34
Atual cidade de Miranda – MS.
35
Atual Município de Antônio João – MS. Parque Histórico Colonia Militar de Dourados.
36
Atualmente localizada no Município de Guia Lopes da Laguna – MS.
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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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onde existiu a Antiga Colonia Militar de Miranda, Localizada no Atual Município de


Guia Lopes da Laguna)

A ordem para a fundação da colônia militar de Nioac37 (primitivamente Anhuac) é também


do marquês de Monte Alegre (21 de Maio de 1850) mas só em 1859 foi essa colônia
fundada sobre o rio do mesmo nome, confluente do Miranda, onde começa a navegação
deste último e existiu um destacamento militar.

A colônia militar de Taquary38, mais conhecida por Coxim, foi criada por ordem do
gabinete de 2 de Março, presidido pelo duque de Caxias, e inaugurada em 25 de
Novembro de 1862, no Beliago, diante da confluência do Taquary e do Coxim protegendo
39
a estrada do município de Sant’Anna do Parnahyba à barra do Coxim. (Relatório do
Ministério da Guerra de 1866).

12 As Comunidades Indígenas no sul da Província no contexto da


época, lutas, resistências e participações.

No Distrito militar de Miranda havia para cima de 4.000 índios aldeados, e mais de dez
aldeamentos regulares. Os Terenos; que eram os mais numerosos, estavam
estabelecidos no Xaxedaxe, a 6 léguas da vila, no Ipégue, a 7 1/2, e na Aldeia Grande, a
3; os Kinikináos no Agaxi, a 7 léguas N. E.; os Guanás no Eponadigô e no Láuiád; os
Laianos a meia légua. Todos estes pertenciam a nação Chané. Dos Guaycurús havia
aldeamentos no Lalima e perto de Nioac. Os Cadiueos moravam em Amagalobida e
Nabileke, perto da sanga denominada Rio-Branco, à margem esquerda do Paraguav
("TAUNAY, Historias Brasileiras, Rio, 1 vol., 1874, e Relatório, geral da comissão de
engenheiros juntos as forças em expedição para a província de Matto-Grosso, na Revista
do Instituto 1875) Quando no dia 6 de Janeiro, por ordem do tenente coronel Dias da
Silva, foi abandonada a vila de Miranda, os índios saquearam a povoação, apoderam-se

37
Atual cidade de Nioaque. MS. À margem do Rio de mesmo nome.
38
Na atual cidade e Municipio de Coxim, Norte do Estado de Mato Grosso do Sul.
39
Nota: Sant’Anna do Parnahyba, atualmente cidade e Município de Paranaiba – MS, na região Leste do Estado.
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das armas que puderam, e, deixando suas aldeias, embrenharam-se pelos Matos, e
hostilizaram os paraguaios, durante todo o tempo da ocupação (Relatório do presidente
Leverger, de 1865).

―Os Guanás, Kinikináos e Laianós foram os que mais serviços prestaram: os Terenos se
isolaram e os Cadiuéos assumiram atitude infensa a qualquer branco, ora atacando os
paraguaios na linha do Apa, ora assassinando famílias inteiras, como aconteceu com a do
infeliz Barboza, no Bonito‖ (TAUNAY, Historias Brasileiras.) Em 20 de janeiro e em dias
de maio os Terenos bateram no Aquidauana fortes partidas paraguaias, e em agosto
surpreenderam e incendiaram dois acampamentos inimigos.

Um dos encontros do Aquidauana foi no porto de Maria Domingas. Dezesseis índios,


ocupados em cortar cana, foram surpreendidos por duzentos paraguaios. Não
desanimaram; fizeram da mata fogo vivíssimo e obrigaram aquela grande força à retirada.

―Esse lugar foi testemunha de uma das poucas cenas de resistência no longo período da
ocupação paraguaia e apresenta gloriosas mostras daquele feito de armas: várias árvores
varadas por balas e cinco ossadas humanas‖. (TAUNAY, Scenas de Viagem, Cap. X).

O major Caetano de Albuquerque, pouco depois promovido a tenente-coronel, com cerca


de 70 guardas nacionais do 7º batalhão, não abandonou um só momento os fugitivos de
Miranda, e com eles se manteve nas matas de Maracajú, escapando sempre às
pesquisas das rondas paraguaias. Estavam também qualificados guardas nacionais
muitos índios Kinikináos e Terenos, assim como o chefe destes, o valente capitão José
Pedro (Relatório da comissão de engenheiros, Revista do Instituto, 1875, pag. 318).

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Figura 17 - Imagem extraída do Livro Dias de Guerra e Sertão. Visconde de Taunay. Setembro de 1927. São Paulo.

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13 A Situação na Capital da Província do Mato Grosso Cuiabá e região


Norte.

Com isto terminou a ofensiva nesta expedição. Ainda que sempre saltassem vencedores,
não deixavam Barrios e Resquin de compreender que a conquista e ocupação de toda a
província estavam dependentes da capital, Cuyabá, única cidade populosa e importante.
Todavia graves considerações, ou insuperáveis obstáculos, não permitiam que contra ela
marchassem. O Semanário alegava serem então pouco fundas para a esquadrilha
paraguaia as águas do rio São-Lourenço, que se tinha de subir para chegar a Cuyabá.
Tendo, porém, durado 4 anos a ocupação da província até Sará, certamente nesse lapso
de tempo deveriam as águas ter alguma vez crescido; além disso os vapores brasileiros
repetidas vezes por ali navegaram e até ganharam um combate naval (42). (Ver
imagem 48, visão panorâmica da cidade de Cuiabá, atual Capital do Estado de Mato
Grosso.)

♣♣♣♣♣

Explicação:

(42) O combate naval do Alegre, em 11 de Julho de 1867.

♣♣♣♣♣

Portanto outra deve ter sido a causa de não se ter prosseguido na ocupação da província
até o fim da guerra. Barrios encontrou uma corajosa resistência em Nova Coimbra, único
ponto onde era possível a defesa. Albuquerque, Corumbá, Dourados (43) e Miranda os
Paraguaios encontraram abandonados e as pequenas guarnições que ali havia retiraram-
se para Cuyabá. As grandes provisões de artilharia, que foram encontradas e enviadas
para Assumpção, faziam supor existirem na capital mais peças ainda, que, dispostas em
bateria à margem do rio, seriam gravíssimo perigo para os navios.

♣♣♣♣♣

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Explicação:

(43) Na colônia de Dourados encontrou o inimigo resistência. No porto de Dourados nenhuma. Neste
último lugar estava o 2º tenente Durocher, de marinha, com 3 praças e o escrivão. Seguiram todos
para Cuyabá com a notícia da invasão. Os pontos ocupados pelos Paraguaios foram: à margem do
Paraguay, Nova Coimbra, Albuquerque, Corumbá e Dourados; entre o Apa, a serra de Amambay e o
Taquary, as colônias de Dourados, Miranda e Nioac, e a vila de Miranda.

♣♣♣♣♣

Também não passou desapercebida aos Paraguaios a proclamação de 9 de Janeiro, pela


qual o presidente da província, Albino de Carvalho, chamava às armas toda a povoação
para repelir a iníqua invasão e por termo às barbaras crueldades do inimigo. Na verdade
toda a guarda nacional da província correu às armas (44), e em fins de Abril tinha o
presidente no rio Aricá duas brigadas, uma da guarda nacional mobilizada, e outra de
tropa regular, enquanto a guarda nacional da reserva fazia o serviço de polícia nas
cidades.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(44) Eis a proclamação a que se refere o autor:

―Matto-Grossenses! — A injustificável ameaça do governo da República do Paraguay feita ao


Império em sua nota de 30 de Agosto do ano passado está consumada. Em 27 de Dezembro findo
uma expedição paraguaia, composta de numerosos navios a vapor e à vela com cerca de 5.000
homens, acometeu o forte de Nova Coimbra e intimou ao comandante, tenente-coronel
Hermenegildo de Albuquerque Porto-Carrero, a sua entrega dentro do prazo de uma hora, sob pena
de romper o fogo para consegui-lo à viva força, ficando em tal caso a guarnição sujeita à sorte das
armas.

Contra tão desleal agressão protestaram energicamente a guarnição do forte de Nova-Coimbra e a


do vapor Anhambahy, seu auxiliar, compostas de menos de 200 bravos‖. ―Esse protesto ficará na
história, escrito pelas armas imperiais, tintas no sangue de centenas dos agressores que foram
mortos ou mutilados durante dois dias de renhido combate.

―Foi um protesto solene e glorioso‖!


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― Matto-Grossenses! Às armas! E, com elas em punho, rivalizai com os valentes soldados de Nova-
Coimbra e com os intrépidos marinheiros do Anhambahy‖!

―Viva o Imperador‖!

―Viva a integridade do Império‖!

―Palácio do governo da província, de Matto-Grosso, na cidade de Cuyabá, 9 de Janeiro de 1865.

— O presidente da província, Alexandre Manoel Albino de Carvalho, brigadeiro‖.

Os briosos guardas nacionais de Matto-Grosso e toda a população da província acudiram


pressurosos ao apelo do presidente, oferecendo seus serviços. A assembleia legislativa provincial
deixou de funcionar porque quase todos os seus membros marcharam com os corpos destacados
da guarda nacional.

A notícia da ocupação de Coimbra e Corumbá pelos paraguaios e da invasão do Distrito militar de


Miranda, chegou a Cuyabá na tarde de 6 de Janeiro ou na noite de 7. O 1º batalhão da guarda
nacional, pegou logo em armas; improvisou-se um corpo de 4 companhias com a denominação de
Voluntários Cuyabanos; depois reuniram-se a estes os batalhões 2º e 3º de guarda nacional, das
freguesias próximas, e o 4º, de Diamantino e Rozario. As notícias que chegavam de todos os pontos
eram aterradoras, e esperava-se a cada momento o ataque da capital. O presidente Albino de
Carvalho tomou ativas providências para armar a guarda nacional e defender Cuyabá, e, com o fim
de cobrir esta cidade, mandou ocupar a mais extrema das colinas do Melgaço, 20 léguas abaixo,
primeiro ponto sobranceiro à inundação que se encontra, subindo o rio, desde o porto de Dourados
no rio Paraguay. Em 20 de Janeiro teve o presidente a feliz inspiração de nomear comandante
superior interino da guarda nacional o venerando chefe de esquadra reformado Augusto Leverger
(hoje barão de Melgaço), o qual no mesmo dia partiu para àquele ponto e deu começo às
fortificações. O prestígio de seu nome, não só em Matto-Grosso como no Paraguay, onde por vezes
estivera, valeu-nos um exército e conteve em respeito os invasores. Eis como um estrangeiro que
então residia em Cuyabá descreve a partida do ilustre general para o Melgaço (MOUTINHO, Notícia
sobre a província de Matto-Grosso: (Ver imagem 47, visão panorâmica da cidade de
Leverger e imagem 46 da cidade de Melgaço, no Sul de Cuiabá, no Estado de Mato
Grosso)

―... O susto e o terror da população cresceram espantosamente logo que se soube na noite de 19 de
Janeiro, que a força que estava no Melgaço havia abandonado esse ponto, que a Anhambahy havia
sido tomado, e que os vapores paraguaios cruzavam na foz do Cuyabá. Com às notícias chegadas
no dia 7, a cidade ficara deserta, pois que a maior parte dos habitantes se havia retirado, receando a

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aproximação do inimigo. O desrespeito às autoridades começava a manifestar-se, e o povo a


insubordinar-se, quando o general Albino, conhecendo os perigos da situação, dirigiu-se ao arsenal
de marinha e mandou chamar O general Leverger o qual lhe declarou estar pronto para tomar no
Melgaço o comando das forças. As providências para a sua marcha foram imediatamente dadas. A
alegria e a confiança se restabeleceram de pronto entre o povo; as forças recém-chegadas,
declararam que desejavam voltar sob o comando desse chefe, e todos à porfia queriam ser dos
primeiros a acompanhá-lo, compartilhando com ele os perigos da guerra. O bravo Oficial, naquela
avançada hora da noite, sem despedir-se de sua família, sem cuidar de si, seguiu para o Melgaço,
assegurando ao povo, que a capital não seria invadida sem que no ponto cuja defesa ia tomar se
houvesse dado um tiro ao menos em honra do país. Este ato de abnegação e coragem animou a
população de tal modo, que no dia seguinte ferviam os empenhos para se partir para o Melgaço, que
poucos dias antes era o terror de todos, e dentro em pouco tornou-se uma fortificação respeitável.
As famílias que haviam abandonado suas casas, com a notícia da partida do general Leverger
voltaram resolutamente, e a cidade, antes deserta e abandonada, tomou de novo a sua vida
ordinária, e a tranquilidade reapareceu, porque, tolhendo o passo ao inimigo, velando pela
segurança de todos lá estava em seu posto de honra o brioso general. Soube-se mais tarde que os
paraguaios, tendo notícia de que esse chefe, a quem conheciam e muito respeitavam como
experiente, prudente e bravo, se achava à frente de forças mais ou menos consideráveis, resolveram
não subir até a capital...‖

Em princípios de Fevereiro tínhamos ali um contingente do 2º batalhão da guarda nacional e o 3º


batalhão da mesma guarda, com 653 praças, um contingente de linha e a companhia de artífices,
com 162 praças. Total, 805 homens, com um parque de 6 peças de calibre seis e 2 obuses de quatro
e meia polegadas, (8 bocas de fogo).

Estavam também ali os pequenos vapores Cuyabá, Corumbá e Jaurú, com 2 rodízios cada um,
Alpha e Cuyabá, dá companhia de navegação, sem artilharia. Outro vapor da mesma companhia,
Conselheiro Paranhos, ficou em Cuyabá.

Dias depois marcharam para o mesmo ponto 300 praças do 1º batalhão da guarda nacional, ficando
a coluna às ordens do general Leverger elevado a 1.105 homens. Na Capital ficaram 670 guardas
nacionais, em Poconé 100, em Villa Maria 581 e 83 praças de linha.

O general Leverger conservou-se no Melgaço até o dia 14 de Março, em que deixou o comando por
desinteligências com o presidente, e porque o rio havia baixado consideravelmente, tornando
impossível a subida dos vapores inimigos. Fora dias antes nomeado comandante das armas interino
o tenente-coronel Camisão.

Em meados de Abril era esta a força da guarda nacional destacada (ofício do presidente, de 24 de
Abril ao ministro da guerra):

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―O 7° batalhão, ainda não organizado, do município de Miranda, e a companhia avulsa de


Albuquerque, pertencente ao mesmo município‖, diz o mapa que acompanha o citado ofício,
―acham-se dispersos em Consequência da invasão. O 8º, criado por decreto de 24 de Dezembro de
1864, não está ainda organizado. A seção de batalhão n. 1 da cidade de Matto-Grosso não foi
chamada às armas‖.

Em 17 de Abril o presidente Albino de Carvalho espalhou a seguinte proclamação:

―Matto-Grossenses! — Chamei-vos às armas em Janeiro em consequência da invasão paraguaia


pela nossa fronteira do sul. Ao meu reclamo correstes pressurosos e dentro de poucos dias
armaram-se e aquartelaram-se nesta capital os batalhões da guarda nacional ns. 1, 2 e 3, e
ultimamente o n. 4, em Poconé o n. 5, e em Villa Maria o n. 6; e assim esperámos o inimigo que
constava levar o seu arrojo ao ponto de pretender atacar esta capital‖.

―Fosse pela nossa resolução e atitude ou pelos movimentos do exército imperial nas fronteiras do
sul do Império, a invasão parou nas cercanias do Rio S. Lourenço, mas por isso não deixa de ser
imensamente afrontosa‖!

― Em todo o Império se organizam corpos especiais de voluntários para comporem com o exército e
a armada forças capazes de esmagar o inimigo que nos acometeu, e nesse nobre empenho é mister
que tomeis o lugar de honra que vos compete em semelhante luta. Em observância do Decreto de 7
e do Aviso de 10 de Janeiro último, resolvi por ato de hoje criar nesta província um corpo de
Voluntários da Pátria, sob as condições e vantagens ali estipuladas, o qual terá começo desde já
pela forma designada na dita Resolução‖.

―O Brasil todo espera e eu conto que o vosso concurso para a formação dessa nova milícia será tão
brilhante como é entusiástico o vosso patriotismo‖.

―Eia, pois, Matto-Grossenses! Correi ao chamado do governo e bradai com decisão:

— ―Viva o Imperador! Viva a integridade do Império‖!

―Palácio do governo da província de Matto-Grosso, na cidade de Cuyabá, em 17 de Abril de 1865.

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— Alexandre Manoel Albino de Carvalho‖.

Em Maio 1865 o presidente fez marchar de Cuyabá para o Aricá, a 5 léguas de distância, duas
brigadas às ordens do tenente-coronel Camisão, para cobrir a mesma capital, à vista da notícia de
estarem os paraguaios em marcha desde Coxim, e por um forte destacamento fez ocupar a difícil
passagem do S. Lourenço.

♣♣♣♣♣

14 O Comando da Província de Mato Grosso, Cuiabá e Região Norte


passa para o General Augusto Leverger.

Em Julho estavam em armas na província 4.074 homens, do exército e da guarda


nacional, e quando o presidente Albino de Carvalho passou a administração ao general
Leverger40, em 30 de Agosto de 1865, não tinham ainda chegado a Matto-Grosso as
tropas que estavam em marcha do Rio de Janeiro, S. Paulo, Minas e Goyaz41.

Os batalhões da guarda nacional 1º, 2º, 3º, 5º, 6º, e 8º ofereceram-se em massa para
aquartelar, e efetivamente prestaram serviços, com todos os seus oficiais e quase todas
as praças.

40
Augusto João Manoel Leverger - o Barão de Melgaço
O almirante Leverger notabilizou-se ao mandar erigir uma trincheira fortificada nas colinas de Melgaço, no período da
Guerra do Paraguai, à margem do Rio Cuiabá, para conter tropas paraguaias que estariam para invadir a capital mato-
grossense. Não ocorreu a invasão, mas houve a movimentação militar levergeriana de resistência.

Quando o almirante Augusto Leverger foi receber o título de barão, pairavam dúvidas sobre o significado do termo
Melgaço. Solicitou ao francês Boulanger, seu patrício e hábil projetista, a execução de um brasão e um diploma que
lhe honrasse o título recebido. Em trecho da carta enviada com esse propósito, nos diz o Barão de próprio punho
"...peço a V. Ex. o obséquio de tratar da obtenção do diploma, brasão, etc., pois não tenho tempo nem facilidade de
imaginar coisa alguma a este respeito. Ministrar-lhe-ei as seguinte verídicas informações. Não sei a significação nem a
etimologia de Melgaço. É o nome de uma série de colinas que bordam o Rio Cuiabá, distante vinte léguas ..." - Trecho
do livro Leverger - o Bretão Cuiabanizado, de Virgílio Corrêa Filho.
41
Nota: O Artigo 2, tratará da chega das Tropas Brasileiras em 1867, que culminam com a Epopeia da invasão da
Invernada da Laguna no Paraguai e a regresso da mesma, culminando na épica da “Retirada da Laguna”.
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O núcleo colonial do Taquary, mais conhecido por Coxim, foi atacado na madrugada de
24 pelos paraguaios dirigidos por Aguero. Só tínhamos ali 7 praças, que se retiraram aos
primeiros tiros com o diretor da colônia, capitão reformado Antônio Pedro dos Santos.
No dia 30 os paraguaios abandonaram esse ponto, depois de terem caminhado umas 7
léguas para adiante, pelo caminho do Piquiry à Cuyabá.

Quaisquer que possam ter sido as razões do procedimento dos chefes paraguaios, o que
é certo é que não passaram além da embocadura do rio São Lourenço, fato tanto mais
singular quanto eram necessários pelo menos três meses para chegar efetivo auxílio do
Rio de Janeiro à Cuyabá, e o mensageiro que levou à capital do Império a notícia da
invasão gastou 30 dias, mudando de cavalos, e fazendo uma viagem sem exemplo (45).

♣♣♣♣♣

Explicação:
42
(45) O Barão de Villa Maria chegou ao Rio de Janeiro em 22 de Fevereiro, com 47 dias de viagem,
sendo 29 de marcha e 18 de falha. Só em 17 de Março chegou o correio de Cuyabá.

♣♣♣♣♣

42
Joaquim José Gomes da Silva, Barão de Vila Maria. Casou-se em 29 de janeiro de 1847, em Poconé, com sua prima
de segundo grau, Maria da Glória Pereira Leite, indo se estabelecer mais ao sul de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do
Sul, pioneiro, fundou a histórica Fazenda Firme, que se tornou importante centro da pecuária da região. Em
reconhecimento aos serviços prestados ao país, em 21 de junho de 1862, houve por bem, o Imperador D. Pedro II ,
outorgar a Joaquim José Gomes da Silva, fazendeiro e lavrador no distrito de Albuquerque, hoje Mato Grosso do Sul, o
título nobiliárquico de Barão de Vila Maria.

O Barão de Vila Maria e Maria da Glória Pereira Leite, a Baroneza de Vila Maria. Teve participação direta nos
acontecimentos da invasão paraguaia pelas tropas de Solano Lopes, quando teve os campos de sua fazenda, tomados
pelo invasor a fim de suprir-se de gado na fase da Guerra do Paraguai. Foi também importante político, filiado ao
partido Conservador, e ocupou vários cargos de destaque na administração provincial em Mato Grosso. Tornou-se ele
o “estafeta”, mensageiro do Correio, levando a notícia da invasão da Província de Mato Grosso até o Imperador no Rio
de Janeiro.

Faleceu a 4 de abril de 1876, em Montevidéu, a bordo do vapor Madeira, que o conduzia de regresso da Corte à Mato
Grosso.

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As comunicações regulares se faziam em 52 dias, e sem dúvida mais tempo havia de


gastar a tropa com um pesado trem de provisões, duplamente necessário nessas regiões
desertas.

15 O Departamento do Alto Paraguai, assim ficou denominado a parte


da Província do Mato Grosso no período que esteve sob a ocupação
das Tropas Paraguaias, situação geral do domínio. Populações da
Província.

Os invasores limitaram-se a proclamar a incorporação ao Paraguay de parte da província


que haviam ocupado e a denominaram:

— Departamento do Alto-Paraguay.

—Tinham, porém, pouco que governar, porque com exceção de algumas mulheres
velhas, todos os habitantes das vilas e povoações haviam fugido e nenhum deles voltou
durante a ocupação inimiga (46). (Ver imagens 22, 45, 49, 50, 62. Mapas com vista
panorâmica dos principais pontos onde houve eventos da Guerra, sendo que a
região Sul e Oeste especificamente ficaram sob o controle Da República do
Paraguai, e constituiu a criação do Distrito denominado Alto Paraguai)

♣♣♣♣♣

Explicação:

(46) Era muito escassa a população da parte meridional da província, invadida e ocupada pelos
Paraguaios.

As duas povoações mais importantes eram Corumbá na margem direita do Paraguay (mais de 1.000
habitantes com 80 e tantas casas de telha e 140 ranchos cobertos de palha ou de carandá, uma

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capela, uma igreja em construção, um quartel, um barracão que servia de alfândega, armazéns do
exército e da marinha, olarias, oficinas, etc.).

E a vila de Miranda, à margem direita do Mondego ou Mobotetey (menos de 400 habitantes, pois
segundo Resquin só possuía 41 casas de telha, 43 de palha, 1 igreja e 1 quartel).

Albuquerque, no Distrito de Corumbá, tinha uns 100 habitantes.

O porto de Dourados, também sobre o Paraguay, era um estabelecimento novo, com alguns ranchos
de palha, e teria pouco mais de 50 almas.

Nioac, no Distrito da vila de Miranda, possuía, segundo Resquin, 130 casas, que não eram senão
ranchos de palha dos soldados e de alguns particulares, 1 quartel e um oratório.

As colônias de Miranda e Dourados constavam apenas de algumas palhoças.

Todo esse extenso território formava o município de Miranda e dividia-se em duas freguesias: a
freguesia de Miranda e a de Albuquerque, cuja sede, apesar do nome, estava em Corumbá, assim
como nos documentos oficiais chamava-se ainda ―alfândega de Albuquerque‖ à que existia em
Corumbá.

Toda a população dessa vastíssima província era computada em 1863 pelo ilustre Barão de Melgaço,
em 65.000 almas assim divididas:

Na mesma data, segundo um mapa comunicado à presidência do Bispo Diocesano, era esta
aproximadamente a população das duas freguesias ocupadas pelos paraguaios, sem contar os
militares, os índios aldeados e os errantes:

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Os índios aldeados poderiam quando muito elevar-se a uns 5 ou 6.000. Total da população 8.000 e
tantas almas.

Conhecendo-se estes algarismos, e sabendo-se que em todo o território invalido só havia umas 600
praças de linha e menos de 200 da guarda nacional, pode-se fazer ideia da grande proeza que
praticou Lopez com semelhante conquista, empregando nela um exército de 9.200 homens e uma
forte esquadrilha. Admitindo mesmo com Thompson que os invasores não fossem mais de 6.500
homens, ainda assim ninguém dirá que esse território, pobre e despovoado, tinha elementos de
defesa e podia fazer frente a uma invasão inesperada, empreendida com tão superiores recursos.

O último recenseamento (1872), isto é, o único recenseamento regularmente, feito, depois da guerra,
apresenta os seguintes algarismos:

A população de toda a Província era de 60.417 almas (53.750 livres e 6.667 escravas).

♣♣♣♣♣

Em compensação procuraram apoderar-se das fazendas e povoações, enviando


patrulhas ao interior, sem nunca transporem a altura do São Lourenço. Excitados pela
resistência dos habitantes e pela antipatia que estes manifestavam ao domínio intruso,
praticaram os Paraguaios as mais injustificáveis crueldades. Só mencionamos o que por
eles próprios foi publicado. Assim se exprime Thompson (pag. 35) (47):

♣♣♣♣♣

Explicação:

(47) Pag. 41 da tradução publicada em Buenos Aires.


♣♣♣♣♣

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 81 -

―As casas foram inteiramente saqueadas e alguns artigos mais preciosos enviados de
presente a Lopez, que não duvidou aceitá-los. As mulheres foram muito maltratadas,
sendo Barrios o primeiro a dar o exemplo. Um Brasileiro importante foi conduzido com sua
filha a bordo do navio em que estava Barrios e recusando o pai entregá-la, foi
violentamente arrastado à terra e ameaçado de ser fuzilado, ficando a filha em poder do
general. Barrios recolheu os depoimentos de todos os prisioneiros, e os que não puderam
responder as perguntas, foram por sua ordem castigados com pauladas, e alguns mortos
à lança, sob o pretexto de serem espiões Em muitos lugares (48) encontraram mulheres
escondidas nos bosques com tudo o que haviam salvo de suas casas. Estas infelizes
foram sem exceção alguma escandalosamente tratadas e roubadas A propriedade do
barão de Villa Maria, que apenas tivera tempo para salvar-se conseguindo levar uma
garrafa cheia de diamantes, foi saqueada. Era o homem mais rico da província e possuía
uma formosa casa, magnificamente mobiliada, adornada com quadros etc. Tinha também
80.000 cabeças de gado. Tudo isto junto com a sua carta de nobreza foi tomado pelos
Paraguaios‖.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(48) Intercalamos no texto esta separação, que não se encontra no original alemão.

__Fizemo-lo porque o Sr. Schneider saltou muitos períodos da obra de Thompson. As palavras que
se seguem são da pag. 43 da tradução feita em Buenos-Aires.

♣♣♣♣♣

―A carta de nobreza, assinada pelo Imperador, estava colocada em um Quadro dourado,


que algum tempo depois adornava as antessalas de Mme. Lynch, irlandesa, educada na
França, que acompanhava Lopez desde que este regressara da Europa. A notícia da
invasão paraguaia foi levada ao Rio de Janeiro pelo próprio barão de Villa Maria, que fez
a jornada em um mês‖.

Foram também publicadas pelos Brasileiros diferentes descrições do vandalismo


paraguaio na parte meridional de Matto-Grosso, em forma de partes oficiais, redigidas
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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 82 -

pelo chefe de polícia de Cuyabá, Firmo de Mattos, segundo as informações dadas pelos,
fugitivos da região ocupada pelos Paraguaios (49). Nós as omitimos, porque foram
provavelmente feitas sob a impressão do terror e da mágoa pelas perdas sofridas.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(49) Esses documentos podem ser lidos entre os anexos ao Relatório do Ministério dos Negócios
Estrangeiros de 1865.

♣♣♣♣♣

Foi bem considerável a presa de guerra, que Barrios mandou de Matto-Grosso para
Assumpção. Logo a primeira remessa foi de 67 canhões de bronze de todos os calibres
até 32, encontrados nos depósitos de Dourados e Miranda (50). Os reparos pertencentes
a estas peças eram tão defeituosos, que Barrios só mandou os canhões para que em
Assumpção fossem novamente montados; Nesta cidade trabalharam 50 operários dia e
noite sem interrupção para aprontarem as carretas, os armões e os carros manchegos, de
modo que no decurso da guerra estas armas brasileiras foram de grande utilidade aos
Paraguaios. Segundo uma relação do Semanário só em uma povoação ocupada pela
cavalaria do coronel Esquina acharam 1 peça, 500 espingardas, 131 pistolas, 165
espadas, 1.090 lanças e nada menos do que 9.847 balas de artilharia (51). É verdade que
não se menciona que nesse lugar existia um depósito da guarda nacional de todo o
município (52).

♣♣♣♣♣

Explicação:

(50) Segundo o Semanário de 14 de Dezembro os Paraguaios tomaram em Matto-Grosso 66 peças


ao todo, a saber:

 Em Nova Coimbra, 37;


 Em Corumbá, 23;

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 No porto de Dourados, 2;
 Em Miranda, 4.
 Como o Anhambahy, tomado pelo inimigo, montava 2 bocas de fogo.

A nossa perda em artilharia foi de 68 peças. Cumpre, porém, notar que muitas delas eram
antiquíssimas e pouco serviço poderiam prestar. Em Coimbra, segundo nos informa o coronel Porto
Carrero, não havia 37 peças, mas 31. Destas apenas 11 estavam montadas em seus reparos e
assestadas em bateria (4 peças colubrinas de bronze de calibre. 24; 5 ditas de ferro de calibre. 30, e
2 ditas de dito calibre. 18). Estavam armazenadas e encanteiradas, por não terem reparos, 8 peças
colubrinas de bronze, calibre. 32, e dadas em consumo por inservíveis, e quase todas sem reparos
12 peças de diversos calibres, sendo todas de campanha.

(51) Estes dados são extraídos de Thompson, que os tomou do Semanário, enganando-se, porém, na
transcrição. É o armamento que Resquin diz ter achado na Vila de Miranda (Semanário de 28 de
Janeiro), onde, segundo esse general, encontraram os paraguaios 4 canhões, 502 espingardas, 67
clavinas, 131 pistolas, 468 espadas, 1.090 lanças, além de 9.847 projetis de artilharia de diferentes
calibres.

(52) O armamento apreendido em Matto-Grosso havia sido quase todo enviado pelo ministério de 2
de Março de 1861, presidido pelo Duque de Caxias. O mesmo ministério nomeou presidente dessa
província o senador Ferreira Penna, habilíssimo administrador, que em um extenso ofício, lido no
senado em 1865, chamou a atenção do gabinete Olinda, primeiro da situação liberal, para os
armamentos do Paraguay e lembrou a adoção de muitas providências urgentes. O novo governo
preocupado com outras muitas questões, nenhuma atenção prestou a tais recomendações.

♣♣♣♣♣

Assim teve o melhor êxito este primeiro ataque dos Paraguaios contra o Brasil. Bem que
durante as negociações, nos anos de 1861 e 1862, para fixação de limites, houvesse
receios de conflito com o Paraguay, e do Rio de Janeiro partissem ordens (53) para
Cuyabá a fim de se proceder a preparativos militares, contudo ninguém em Matto-Grosso
acreditara seriamente numa agressão militar, por parte da República, e muito menos por
esse lado. Toda a desconfiança tinha adormecido; não se tratou nunca mais de por as
cousas em pé de guerra. Havia abundantes recursos, mas estavam esparsos; faltavam
também o exercício e a prática. Completamente atordoadas pela rapidez com que os
acontecimentos se sucediam, as autoridades brasileiras desatinaram de todo: só mais
tarde reapareceu a energia.
♣♣♣♣♣

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Explicação:

(53) Estas ordens foram com efeito enviadas pelo gabinete Caxias, mas em 1861 e 1862 não houve
negociação sobre limites como supõe o autor. Thompson menciona àqueles ofícios:

— ―Entre os documentos acharam-se despachos do governo imperial de julho e outubro de 1861 e


de janeiro de 1862, ordenando ao governo provincial que vigiasse a fronteira do Paraguay e
comunicasse a notícia de qualquer movimento de tropas‖. Alguns desses documentos foram
publicados no Semanário de 11 de Fevereiro de 1865.

♣♣♣♣♣

16 A reação na Capital do Império, Rio e Janeiro, sobre a ocupação da


Província de Mato Grosso.

No Rio de Janeiro produziram essas notícias um efeito fulminante.

Não se tinha contado com a invasão paraguaia nessa direção com elementos tais e com
um exército tão bem disciplinado, e reconheceu-se o desleixo que tinha havido para com
àquela longínqua província (54).

♣♣♣♣♣

Explicação:

(54) Esse desleixo não pode ser imputado ao gabinete Caxias, mas ao que lhe sucedeu, o qual
deixou de tomar as medidas que aquele ministério, por bem entendida previdência, ia tomando. O
gabinete de 30 de Maio de 1862 (marquês de Olinda) foi o que operou a transição política que
terminou em 1863 pela dissolução da câmara dos deputados.

Nesse ano o governo e o partido dominante estavam muito preocupados com as eleições para
poderem pensar no Paraguay e na província de Matto-Grosso.

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O ministério de 31 de Agosto poderia até certo ponto reparar o mal, se, após a ameaça do Paraguai,
de que nenhum caso se fez, adotasse providências prontas e enérgicas. Avisado em tempo, o
presidente de Matto-Grosso teria desde logo mobilizado a guarda nacional, melhorado a fortificação
de Coimbra, completando-a com a do Morro Grande ou da Marinha, e acumulado forças na fronteira.

Tudo o que fez o gabinete Furtado foi enviar para Matto-Grosso em fins de Outubro um presidente e
400:000$000 em notas do tesouro.

Também, depois da invasão da província, escrevia, o ministro dos negócios estrangeiros em 7 de


Janeiro o seguinte:

43
―... Façam os paraguaios o que quiserem, não podendo batê-los ao mesmo tempo que aos Blancos
do Estado Oriental, só havemos de tratar séria e exclusivamente daqueles depois de
desembaraçados do Uruguay‖.

♣♣♣♣♣

43
Os Partidos Políticos no Uruguai, os “Blancos” e os “Colorados” na guerra do Paraguai. Por que o Brasil apoiou os
colorados?
No Período de 1834 haviam dois partidos políticos que disputavam o controle do Estado Oriental do Uruguai, o
Partido Colorado que eram os liberais, constituído por grandes comerciantes de Montevidéu e tinham interesses
políticos ligados ao Brasil; e o Partido Blanco ou conservador, seus membros eram fazendeiros cujos interesses
estavam associados aos criadores de gado argentino.
Nesse ano de 1834 o Partido Blanco chegou ao poder liderado por Oribe e consequente uma aproximação com a
Argentina.
Os Colorados, liderados por Rivera, se uniram com o Brasil para derrubar o governo de Oribe, dos Blancos.
A Argentina, através do presidente Rosas, apoiou os Blancos contra os Colorados.
Iniciava uma disputa nacional no Uruguai pelo poder, com apoio do Brasil de um lado e da Argentina do outro.
O final do conflito houve apenas após o Brasil atacar o Uruguai sob o comandado Almirante Tamandaré. O Partido
Colorado, chefiado por Flores, apoiou o ataque brasileiro.
Com a derrota do Partido Blanco o novo presidente uruguaio foi Flores. Dessa forma ele declarou apoio ao Brasil.
A intervenção brasileira e apoio de Flores serviu de pretexto e provocação o Governo de Solano Lopez da República
do Paraguai.
Brasil e Argentina sempre tiveram certa política de disputa de Poder na parte meridional do continente Americano. No
conflito com Uruguai, a Argentina saiu derrotada, perdeu o apoio do governo Blanco e viu os Colorados apoiarem o
Brasil.
Entretanto, quando começou a Guerra do Paraguai o governo argentino deixou de lado as diferenças com o Brasil e
junto com o apoio dele, mais o Uruguai, constituíram a Tríplice Aliança para enfrentar as tropas militares do Paraguai.
Em 1862 o Paraguai era governado pelo Marechal Solano López. Tentando fortalecer o Estado apoiou e estimulou o
surgimento de indústrias, construiu escolas e incentivou o sentimento nacionalista da população. Com destaque foi a
organização do Exército e Marinha que naquele momento era o mais preparado do continente. Com tais propósitos,
entre outros, López queria exercer sua influência na política e economia do continente, como também reivindicar
territórios em litígio com o Brasil e a Argentina.
O plano inicial de López era de se aproximar e apoiar os Blancos uruguaios e os federalistas argentinos. Contudo, o
presidente paraguaio não contava com a derrota do Partido Blanco e nem com a centralização argentina realizada
pelo presidente Bartolomeu Mitre.
Assim, Lopez não conseguiu os aliados uruguaios e nem argentinos. Então, enfrentou uma Guerra sozinho. Cujas
consequências e estudos continuam depois de 150 anos do seu início (1864-1870), permitindo reescreve-la e realizar
sempre novas releituras. Como esta que estou fazendo. Este é o foco sempre da História.
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Desenvolveu-se logo febril atividade em todos os sentidos, mas nem assim se satisfazia à
indignação e à impaciência pública. Todos sentiram as fatais consequências das
doutrinas antimilitares do parlamento, que nem sequer permitiram o aproveitamento das
forças defensivas da nação. Agora queriam tudo remediar de pancada. Todos quantos
podiam pegar em armas tinham que ir para Matto-Grosso; com os maiores esforços e
com todos os sacrifícios possíveis devia-se repelir o inimigo daquela província. O orgulho
nacional achava-se ofendido; o coração do povo pulsava agitado; todas as paixões
atearam-se com máxima intensidade e concentraram-se num ponto:

— Vingança por essa atroz, inaudita, imperdoável ofensa feita ao Brasil!


Os conselheiros militares do Imperador não se deixaram desvairar por esses ruidosos
desabafos. Reconheceram que a invasão paraguaia, acarretando inevitável e longa
guerra, não passava em Matto-Grosso de uma série de golpes vibrados no ar, e, com
quanto fosse momentaneamente efetiva e feliz, não faria pender para o ditador Lopez a
balança dos futuros destinos.

Generais e estadistas experimentados compreendiam que o Paraguay só poderia ser


eficazmente agredido pelo sul, onde era possível o concurso da esquadra, e Solano
Lopez, na previsão desta contingência, já resolvera a expedição de Matto-Grosso com o
fim de dispersar as forças militares do Brasil e enfraquecer portanto o ataque, que o
ameaçava por esse lado. Essa combinação teria sido muito acertada, se o Brasil se
houvesse comprometido em operações de uma estratégia aleatória. No Rio de Janeiro
não houve semelhante ilusão: mandaram-se algumas tropas regulares para S. Paulo e
Goyaz, províncias limítrofes, onde deviam servir de núcleo para uma leva de 12.000
homens da guarda nacional (55);

17 A Organização de Tropas para a defesa da Província de Mato


Grosso, via terrestre.

♣♣♣♣♣

Explicação:

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(55) Foram, com efeito, chamados às armas 12.000


guardas nacionais de Minas, S. Paulo e Goyaz,
mas nunca se pude reunir nas três províncias uma
força tão considerável para marchar em socorro
de Matto-Grosso. No dia 1.° de Abril de 1865
saíram do Rio de Janeiro para Santos o coronel
Drago, nomeado presidente e comandante das
armas de Matto-Grosso, a comissão de
engenheiros e vários empregados da expedição.

Figura 19 - imagem extraída do Livro A Epopea Da Laguna No dia 10 partiram de S. Paulo, com o referido
Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938. Impressa Militar. coronel, o corpo de infantaria de S. Paulo, o corpo
policial da mesma província, o corpo fixo da província do Paraná e uma companhia de cavalaria de
S. Paulo, reunido sê-lhes depois, em Campinas, um contingente de artilharia do Amazonas.

No dia 18 de Julho essa força reuniu-se na cidade de Uberaba (Minas) à brigada mineira, que às
ordens do coronel Galvão, partira em 10 de Maio de Ouro Preto, e que se compunha do batalhão 17
de voluntários, do corpo fixo de Minas e do corpo policial da mesma província.

A primeira força que pisou o território de Matto-Grosso foi a coluna de Goyaz, composta de 1
batalhão e 1 esquadrão de cavalaria, ao mando do tenente coronel Mendes Guimarães. Essa força
acampou no Coxim no dia 7 de Setembro, e ali aguardou a chegada das tropas que marchavam de
Minas e S. Paulo, as quais, depois de terem atravessado o território das províncias de S. Paulo;
Minas e Goyaz, penetraram, em Novembro, no de Matto-Grosso, e reuniram-se aos goyanos, em 20
44
de Dezembro , no Coxim.

A força que partiu de S. Paulo caminhou até o Coxim 253 léguas, e a de Ouro Preto 280. Depois
avançaram mais 83 1/2 léguas até Nioac, e dai invadiram o Paraguay, como veremos no segundo
45
Artigo . Em vez de 12.000 homens, porém, só chegaram a Matto-Grosso 2.500 homens um ano
depois da invasão.

Sirva-nos isto de lição, para que procuremos seriamente por essa província em comunicação direta
46
com a capital do império, sem dependência da via fluvial por entre países estrangeiros .

44
Nota: Dezembro de 1866.
45
No Volume dois do autor citado no início fala das operações das Tropas Expedicionária no Sul da Província de Mato
Grosso. Entretanto, quem mais deixou registros foi o Engenheiro Visconde de Taunay. O Artigo dois temos a intenção
de retomar a releitura das operações bélica destas Tropas, cujo episódio mais forte, foi o da Retirada da Fazenda da
Laguna, no Paraguai, em maio e junho de 1867.
46
Quando o autor fez estas observações, a parte Oeste de Mato Grosso, de Sul a Norte, tinha como principal via de
acesso, comunicação, comércio, negócios, transporte de pessoas a Bacia dos Rios da Prata pelo Sul (Brasil, Uruguai,
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♣♣♣♣♣

As queixas dos matto-grossenses pelo abandono em que se acharam podem ser lidas
nos jornais do tempo:

A Imprensa de Cuyabá dizia em 24 de Fevereiro de 1865:

― ... Somos filhos do Brasil, pertencemos a esta grande família. Entretanto, lá se vão 7
longos meses que nenhuma comunicação temos do governo! A última data oficial é de 22
de Julho de 1864, e as notas de ameaça do Paraguay são de 30 de Agosto...‖

O correspondente do Jornal do Comércio em Cuyabá escrevia em 18 de Março:

—―... Completam-se hoje 2 meses e 20 dias que o forte de Coimbra foi atacado pelos
paraguaios, e apesar do fato tão importante e desastroso, aqui permanecemos no estado
o mais desesperado possível, sem uma palavra sequer de animação do governo geral.
Oitenta dias de sofrimentos fazem a prova mais exuberante da nossa resignação! A pé
firme temos resistido às notícias mais aterradoras; a pé firme dispusemo-nos a morrer em
defesa de nossos lares e da pátria, já que pelo governo fomos esquecidos! Não seremos
nós mattogrossenses, brasileiros também?... Até hoje nem uma arma, nem um soldado,
nem uma ordem! Se se tratasse de eleições teria já voado um próprio, para cá, como
sucedeu em certa ocasião em que se expediu, um com ordens francas para comprar
quantos cavalos quisesse, de sorte que em 30 dias tivemos notícias da corte...‖

18 A organização e o envio de Tropas brasileiras para a região Sul do


Império e o desfecho do domínio paraguaio.

Argentina) , acessando aos afluentes para o Norte, rios Paraguai, Apa, Miranda, Nioaque, Aquidauana, Taquari, São
Lourenço, Cuiabá, entre outros. Modernamente, ainda se faz a utilização destes rios, principalmente o Paraguai.
Entretanto, seja Mato Grosso ou Mato Grosso do Sul está interligado aos demais Estados Brasileiros, a Capital Brasilia
por modernas Rodovias Terrstres, alguns trechos de Ferrovias e Hidrovia, sem deixar de lado o transporte aéreo diário
de passageiros, cargas e valores privados ou públicos ou força aérea, que não existiam ainda neste período. Também
a tecnologia da informação permite contato instantâneo, em tempo real. O que na Época da Guerra com o Paraguai,
dependia-se das cartas ou transmissão de informações levadas oralmente.
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Puseram-se em movimento transportes de munições e petrechos bélicos de toda a


espécie, mas nunca o governo se esqueceu de enviar reforços de tropas e material de
guerra para o Estado Oriental, onde já em fins de Fevereiro as tropas retiradas de
Montevidéo estavam nas imediações de Mercedes e do Salto, preparando-se para invadir
o Paraguay pelo sul. Ali, não em Matto-Grosso, tinha de decidir-se a sorte da guerra. Para
esse ponto tendiam as medidas adotadas com extraordinária energia pelo governo. Sem
dúvida era doloroso ao Imperador e a toda a nação deixar uma província inteira entregue
aos horrores da guerra, mas o pronto socorro só era possível, se se perdesse de vista
objeto principal. Os acontecimentos que logo depois se deram comprovaram a justeza
com que calcularam os conselheiros militares do Imperador.

No artigo segundo, que tratará das operações das Tropas Expedicionárias que vieram em
defesa do Sul da Província de Mato Grosso e que chegaram invadir o Paraguai até a
Região da Fazenda Laguna ao percorrerem regiões inóspitas, quase dizimara toda a
Força, conforme pode ser lido em documentos diversos, entre outros o relatório do Major
Tomaz Gonçalves que assumiu o comando após o falecimento dos dois comandantes,
Camisão e Juvêncio e obras do Visconde de Taunay, entre outros A Retirada da Laguna.

Sabia-se no Rio de Janeiro que se ia pelejar com um inimigo resoluto, e, pelas


informações vindas de Buenos-Aires, verificara-se ser três vezes maior o exército efetivo
da pequena República do Paraguay do que o do Brasil, onde o governo tinha que
regatear com a oposição parlamentar 1.000 homens de mais ou de menos. Em uma
nação constitucional não se podem organizar exércitos com a mesma presteza que num
pas regido despoticamente, e no Brasil havia ainda a criar e regularizar tudo aquilo que
Solano Lopez já preparara e realizara com admirável energia. Sofria-se a exprobração de
se ter errado na apreciação do Paraguay e de seu presidente, e de se ter de encetar
agora a campanha contra um inimigo, que pelo número e natureza de seu exército havia
de imprimir às operações caráter e dimensões não conhecidos até então nas guerras sul-
americanas. Servia de consolação o êxito feliz do conflito com o governo Blanco no
Estado Oriental, que deixava livre um pequeno exército para as novas operações (56).

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Explicação:

(56) Pretendíamos dar uma relação exata, dos mortos, feridos e prisioneiros durante a invasão de
Matto-Grosso. Infelizmente, apesar das nossas diligências, não foi possível descobrir no arquivo da
secretaria da guerra e no da repartição do ajudante general senão raros ofícios do presidente de
Matto-Grosso. Eles foram aqui recebidos e devem estar guardados, mas ninguém soube dizer-nos
onde, e isso é mais uma prova de que o governo imperial deve quanto antes mandar colecionar e
publicar todas as peças oficiais relativas à última guerra, para que estejam ao alcance de todos, e
47
não desapareçam inteiramente com o correr do tempo .

Dos documentos que examinamos apenas se colige que tínhamos nas fronteiras do Baixo Paraguay
e de Miranda 583 praças pouco mais ou menos. Esta força dispersou-se, como já vimos. Alguns dos
fugitivos do Distrito de Miranda foram parar em Cuyabá, reunindo-se em caminho aos fugitivos de
Corumbá. Outros seguiram com o tenente-coronel Dias da Silva para Sant’Anna do Parnahyba. À
Cuyabá chegaram as seguintes praças pertencentes a todos os corpos de linha da província e à
guarda nacional: (Ver imagem 68, visão panorâmica da cidade de Paranaiba, no Leste de Mato
Grosso do Sul, a única povoação no Sul da Provícia de Mato Grosso que não foi invadida pelas
tropas paraguaias em operação na região)

 Com o comandante das armas 162


 Com o 2º tenente Luciano Pereira 57
 Com o 2º tenente Mello 230

A Sant’Anna do Parnahyba chegaram 99 praças do corpo de cavalaria e do batalhão de caçadores.


Ao todo 538. Extraviaram-se, pois, umas 35 praças, e, sem contarmos a guarda nacional, o número
de mortos ou prisioneiros andará por cerca de 100.

Dentre os oficiais sabemos pelo Semanário que ficaram prisioneiros, e chagaram à Assumpção, o
capitão Augusto Conrado, o 1º tenente Antônio de Camargo Bueno e o 2º tenente Oliveira Barbosa,
todos do corpo de artilharia de Matto-Grosso, aprisionados nos pantanais do S. Lourenço; o tenente
de cavalaria Ferreira de Castro, e o cirurgião Dr. Benevenuto do Lago aprisionados em uma canoa na
foz do Mondego; o cirurgião Dr. Theophilo Clemente Jobim e mais dois oficiais subalternos.

47
Os Registros normalmente cumputam membros das tropas militares que morreram, foram feridos ou aprisionados.
Entretanto, não há nenhuma estatística de quantos negros libertos ou escravos morreram; quantos indígenas de
diferentes nações pereceram; quantas crianças, jovens mulheres, idosos das Vilas e moradores nas fazendas ou
ribeirinho aos rios que não tiveram condições de fugir. Sequer sabemos quantos pereceram durante a própria fuga,
por fome, doença, cansaço. E os prisineiros de Assunção? E os que foram levados para a Vila de Horqueta?, que era
um campo de prisioneiros, dos quais os sobreviventes só puderam retornar ao Brasil após 1870, entre outros
esquecidos da História, está a Dona Senhoria e Filhos, levados da Fazenda Jardim, hoje Guia Lopes da Laguna, mais
tarde suas descendências contribiram na formação dos municípios de Bela Vista, Jardim, Guia Lopes, Nioaque e tantos
outros.
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Estes oficiais e alguns soldados e marinheiros aprisionados desembarcaram em Assumpção, assim


como muitos paisanos, empregados públicos e negociantes brasileiros, debaixo das apupadas do
povo. ―Una multitud de curiosos cubria el puerto‖, diz o Semanário, ―para ver ei desembarque de la
família de San Balthazar, como los calificaba. Alli no faltaron las chiflas y rechiflas‖.

Outros brasileiros ficaram em Corumbá, e eram obrigados a escrever para o Semanário


correspondências narrando os festejos que ali se faziam. As correspondências eram assignadas
pelos principais brasileiros ali retidos.

48
Entre os prisioneiros de Miranda sobressai o vigário Frei Marianno de Bagnaia que foi se
apresentar aos paraguaios para pedir compaixão por seus fregueses. Esse virtuoso missionário
verberou por tal modo os soldados de Resquin, que sofreu sempre rigorosa prisão. Veja-se a cena
que o nosso amigo Sr. Taunay descreve no Livro de sua interessante obra Retirada da Laguna. Frei
Marianno foi salvo depois da batalha de Campo Grande em 1869.

Quanto aos mortos e feridos eis aproximadamente a perda dos dois lados:

♣♣♣♣♣

Apesar das participações pomposas e dos troféus, que lhe enviava de Matto-Grosso o
coronel Barrios, reconheceu logo o presidente Solano Lopez que por esse lado não
alcançava o fim a que se propusera. Se do norte vinham gratas notícias de vitórias (57),

48
A História do Frei Mariano de Bagnaia, foi transformada em livro pelo pesquisador, Frei Alfredo Sganzerla.
Editora: Fucmt. Ano: 1992.
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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 92 -

sua impressão logo se desvanecia pelas que chegavam do sul a respeito da tomada de
Paysandú, da declaração do bloqueio do Estado Oriental e da ocupação de Montevidéo.

♣♣♣♣♣
Explicação:

(57) Não houve outros combates em Matto-Grosso a não serem os de Nova Coimbra, Dourados, Rio
Feio e o pequeno combate que por alguns momentos sustentou no S. Lourenço a canhoneira
Anhambahy. A invasão não era esperada, como já vimos, e não havia na fronteira elementos de
defesa.

♣♣♣♣♣

As instantes súplicas do foragido Aguirre respondera Solano Lopez com a recusa formal
de auxilio, posto que; lhe fosse então mais fácil socorrer aos blancos, do que mais tarde
pela marcha de Estigarribia ao longo no Uruguay. Ao encarregado de negócios em
Assumpção, Vasquez Sagustume respondeu que ―o Paraguay com a expedição de
Matto-Grosso já fizera bastante, e julgava desta maneira ter auxiliado devidamente
Montevidéo‖ (58).

♣♣♣♣♣
Explicação:

(58) Ler nota de rodapé 43.

♣♣♣♣♣
Nesta resposta do ditador transluzia a esperança de que os Brasileiros, receando ver
cortada a linha eventual de retirada, desistissem do ataque de Montevidéo e mandassem
ao menos parte das tropas de Menna Barreto para Matto-Grosso. As comunicações
oficiais dos coronéis Barrios e Resquin a respeito de suas vitórias nunca foram publicadas
(59), mas certamente continham os motivos da parada da expedição à embocadura do rio
S. Lourenço, de modo que Solano Lopez não podia contar com a tomada de Cuyabá,
capital da província, no mesmo curto prazo de tempo, sem isso tornava-se a ocupação de
Matto-Grosso um fato sem influência no prosseguimento da guerra, servindo quando
muito só para exaurir e devastar o país. Ninguém trata de despovoar uma região que

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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 93 -

pretende conservar; por isso ao observador imparcial ocorre o pensamento de que Solano
Lopez já se familiarizara com a ideia de ter de abandonar Matto-Grosso. Logo que
chagaram essas participações, cuja data de 14 de Janeiro é um argumento convincente,
parece que o ditador resolveu dirigir suas operações para o sul, onde o perigo era
iminente, e acudir, se fosse ainda possível, aos blancos do Estado Oriental. Assim pois
teve o ministro dos negócios estrangeiros do Paraguay, Berges, ordem de endereçar ao
governo argentino) uma nota, solicitando permissão para que as tropas de sua nação
pudessem atravessar a província de Corrientes, em demanda do território brasileiro do
Rio Grande do Sul. O cônsul em Buenos-Aires, Luis Caminos, foi encarregado de
entregar esta nota, com a recomendação de pedir pronta resposta, que, como está
subentendido, devia ser favorável‖.

♣♣♣♣♣

Explicação:

(59) Lopez ficou somente na intenção de ajudar o partido Blanco, em Montevideu, no Uruguai. O que
na prática não conseguiu o pronto socorro prometido.

♣♣♣♣♣

19 A Segunda Fase das Operações no teatro da Guerra na Província de


Mato Grosso.

No Artigo dois, será esboçado um resumo da retomada das regiões ocupadas pelos
paraguaios, o seu recuo e confrontos. É a segunda etapa da Guerra do Paraguai na
Província de Mato Grosso.

20 Mapas e imagens antigos e atuais ilustrativos em anexo dos


principais locais onde ocorreram conflitos desta primeira fase de
ocupação paraguaia da Provícia de Mato Grosso. (anexos)

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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GUERRA DO PARAGUAI – PARTE 1ª - ADAPTAÇÃO: JOSÉ VICENTE DALMOLIN - 94 -

21 Sugestões de Leituras:

Obras de Taunay: A retirada da laguna, narrativa de campanha (1872, edição


francesa; 1874, edição brasileira, traduzida pelo autor);
Inocência, romance (1872);
Narrativas militares, contos (1878);
Diário do exército: Campanha do Paraguay, 1869-1870: Commando-em-Chefe de
S.A. o Sr. Marechal-de-Exército Conde d'Eu.
Ierecê a Guaná: seguido de, Os índios do distrito de Miranda : vocabulário da língua
guaná ou chané
OBRAS PÓSTUMAS: Reminiscências (1908); Trechos de minha vida (1911); Viagens
de outrora (1921); Visões do sertão, descrições (1923); Dias de guerra e do sertão
(1923);

Sites de Arquivos de livros para Leitura e ou downloads:

http://www.suaaltezaogato.com.br/site/ - BIBLIOTECA

http://www.brasiliana.usp.br/ - BIBLIOTECA

http://guerradoparaguaimatogrossodosul.blogspot.com.br/

www.portalguarani.com – Publicações

Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul – Biblioteca e


site.

IMAGENS EM ANEXOS

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
Figura 20 imagem extraída do Livro A Epopea Da Laguna Lobo Vianna - Rio De Janeiro 1938 Impressa Militar.
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Figura 21 - Mapa do Municipio de Guia Lopes da Laguna. Local por onde havia acesso a Nioaque, Côlonias Militar de Miranda,
Dourados, e para a República do Paraguai.

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Figura 22 - Rota principal da Invasão da provícia de Mato Grosso, duas terrestre e uma naval.
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Figura 23 - Visão Panorâmica de Assunção (PY) à Cuiabá e Rio de Janeiro (BR) Imagem Google Earte Pro 2016.. Data da Imagem 04/092013 – Adaptação e
copilação JVD

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Figura 24 – Colônia Militar de Dourados. Imagem atual. Blog. José Vicente Dalmolin

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Figura 25 - Colônia Militar de Dourados. Imagem atual. Blog. José Vicente Dalmolin

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Figura 26 - http://fortalezas.org/?ct=fortaleza&id_fortaleza=160

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Figura 27 Localização aproximada da Extinta Colonia Militar de Miranda, atual município de Guia Lopes da Laguna - MS. Margem direita do Rio Miranda.
Atualmente Fazenda de criação e gado. Propriedade particular. Imagem Google Earth Pro 2015.

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Figura 28 Localização aproximada da Extinta Colonia Militar de Miranda, atual município de Guia Lopes da Laguna - MS. Margem direita do Rio Miranda.
Atualmente Fazenda de criação e gado. Propriedade particular. Imagem Google Earth Pro 2015.

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Figura 29 Esboço das Estradas de Igatemy à


Panadero, Punta Porã, Dourados e Miranda,
Conceição, Belem-Cuê, Horqueta e Paquaty,
Comprehendendo os terrenos adjacentes :
orgganizado segundo as informações do Major
Antonio Cespedes. Ano 1865-1870. Mapa
manuscrito. Biblioteca Digital Luso-Brasileira
(http://bdlb.bn.br/acervo/handle/123456789/17)

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Figura 30 - Visão Panorâmica de Assunção, Capital do Paraguai. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 04/092013 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 31 - Visão Panorâmica da cidade de Concepcion, Capital do Departamento de Concepción, Paraguai. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem
11/08/2014 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 32 - Visão Panorâmica da cidade de Horqueta, do Departamento de Concepción, Paraguai. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 10/08/2014 –
Adaptação e copilação JVD. Históricamente foi um campo de prisioneiros de famílias oriundas da Província de Mato Grosso. Também haviam prisioneiro de origem
Paraguai, os considerados traidores da Pátria.

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Figura 33 - Visão Panorâmica da "Fazenda Laguna" - Atual "Estancia Arroyo Primero", do Departamento de Amambay, Paraguai. Imagem Google Earth Pro 2016. Data
da Imagem 05/09/2005 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 34 - Visão Panorâmica da "da cidade de Bella Vista Norte" - do Departamento de Amambay, Paraguai. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 09/08/2010
– Adaptação e copilação JVD. História “Bella Vista Norte es uno de los cuatro distritos del departamento de Amambay a orillas del río Apa, que lo separa de la ciudad
brasileña de Bela Vista. Está a 469 kilómetros de Asunción y a 150 kilómetros de Pedro Juan Caballero, la capital del Amambay.

Según cuenta la historia, en 1850, la hija de don Carlos A. López le solicitó a su padre una propiedad en Mato Grosso del Sur, conocida en esa época como la Provincia de
Jerez, que pertenecía al Paraguay. Es así que en 1851 se fundó la localidad de Villa Bella la que hoy es Bella Vista Norte. Desde 1860 la zona donde hoy se asienta Bella Vista
Norte comenzó a poblarse y durante el gobierno de Héctor Carvallo tomó como nombre Bella Vista Norte y fue elevada a la categoría de distrito. Bella Vista Norte está
unida con la ciudad brasileña de Bela Vista a través de un puente de cien metros sobre el río Apa. http://www.abc.com.py/nacionales/bella-vista-norte-cumple-112-anos-
de-fundacion-612499.html.2013”. Segundo Relata Tanay em A Retirada da Laguna, que nesta ocasião da Guerra do Paraguai, Bela Vista era constituída de uma pequela Vila
e um Quartel ou pequeno forte; “o forte, que apenas consistia em sólida estacada de madeira, foi ocupado, assim como a vila “... Bela Vista era o ponto mais ao Norte do
Paragua na fronteira com a Província de Mato Grosso e Império do Brasil. Dga-se a Bela Vista brasileira não existia nesta época do conflito.
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Figura 35 - Visão Panorâmica da "do Fuerte Olympo" margem direita do Rio Paraguai, ao Norte da cidade de Porto Murtinho – MS. E ao Sul do Forte de Coimbra – MS. -
do Departamento do Alto Paraguay, Paraguai. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 25/09/2013 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 36 - Visão Panorâmica da "do Forte de Coimbra" à margem do Rio Paraguai, ao Sul da cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul - Brasil . Imagem Google
Earth Pro 2016. Data da Imagem 07/07/2003 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 37 - Visão Panorâmica da "do Forte de Coimbra" à margem do Rio Paraguai, ao Sul da cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul - Brasil . Imagem Google Earth
Pro 2016. Data da Imagem 07/07/2003 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 38 - Visão Panorâmica da "Foz do rio Miranda no Rio Paraguai" e atual Distrito de “Albuquerque”, lime entre os municípios de Miranda e Corumbá, no Mato Grosso
do Sul - Brasil . Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 04/09/2013 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 39 - Visão Panorâmica do atual Distrito de “Albuquerque” nas proximidades entre os rios Miranda e Paraguai, no Mato Grosso do Sul - Brasil . Imagem Google
Earth Pro 2016. Data da Imagem 11/12/2013 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 40 - Visão Panorâmica do atual cidade de Corumbá e Ladario, às margens do Rio Paraguai, no Mato Grosso do Sul - Brasil . Imagem Google Earth Pro 2016.
Data da Imagem 18/09/2014 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 41 - Visão Panorâmica do atual base fluvial da Marinha, Ladario, às margens do Rio Paraguai, no Mato Grosso do Sul - Brasil . Imagem Google
Earth Pro 2016. Data da Imagem 18/09/2014 – Adaptação e copilação JVD.

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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Figura 42 - Visão Panorâmica do antigo estaleiro e base militar de “Dourados”, às margens do Rio Paraguai, Norte de Corumbá, (direção à Cuiabá – MT.) no Mato
Grosso do Sul - Brasil . Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 28/05/2011 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 43 - Visão Panorâmica do encontro das águas dos rios Cuiabá e Paraguai, Norte de Corumbá, (direção à Cuiabá – MT.) nos limites entre Mato Grosso do Sul e Mato
Grosso - Brasil . O Rio Paraguai corre para Noroeste em direção de Cáceres e o Rio Cuiabá em Direção Norte, à Capital. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem
04/09/2013 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 44 - Visão Panorâmica do encontro das águas dos rios Cuiabá e São Lourençoi, Norte de Corumbá, (direção à Cuiabá – MT.) Já em territótio do estado
de Mato Grosso. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 13/07/2007 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 45 - Visão Panorâmica do antigo “Porto Sará” à margem do rio Cuiabá e ao Norte de Corumbá, (direção à Cuiabá – MT.) Já em territótio do estado de Mato
Grosso do Sul. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 10/04/2014 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 46 - Visão Panorâmica de Corumbá à antiga Colonia Militar de São Lourenço (no rio São Lourenço), Barão de Melgaço, Levereger e Cuiabá ( às margens do rio
Cuiabá) e a cidade de Cáceres, antiga Vila Maria, (às margens do rio Paraguai) Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 04/09/2013 – Adaptação e copilação
JVD

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Figura 47 - Visão Panorâmica da cidade de Barão de Melgaço, às margens do rio Cuiabá, Estado de Mato Grosso. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da
Imagem 03/01/2012 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 48 - Visão Panorâmica da cidade de Santo Antonio do Leverger, às margens do rio Cuiabá, Estado de Mato Grosso. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da
Imagem 16/06/2015 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 49 - Visão Panorâmica da cidade de Cuiabá, às margens do rio Cuiabá, Capital do Estado de Mato Grosso, Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem
16/06/2015 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 50 http://www.antaq.gov.br/portal/PNIH/BaciaParaguai.pdf
Imagem de estudos da Bacia Hidrografica do Rio Paraguai, Hidrovia, MT, MS,
Paraguay.

Figura 51 - https://hidroviarioparaguai.wordpress.com/a-
hidrovia/localizacao/

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Figura 52 – Vista Parcial do Parque Histórico da Colonia Militar de Dourados, no município de Antonio João, Mato Grosso do Sul. Local do primeiro confronto
das Tropas Paraguaias com Tropas Brasileiras, com mortes, feridos, prisioneiros, fugitivos. Morte do comandante da Colonia Tenente Antonio João Ribeiro.
Em Dezembro de 1864. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 01/04/2015 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 53 - Vista Parcial do local onde existiu a antiga Colonia Militar de Miranda, as margem do córrego atoleiro, afluente do rio Miranda, atual município de Guia
Lopes da Laguna, Mato Grosso do Sul. Deste local havia acesso das antigas estrada que interligavam Fazendas e direcionavam para a Colônia de Dourados até
Concepcion, Horqueta, Assuncão e Bella Vista na República do Paraguai. Também era a via de acesso para a Vila de Nioaque, Miranda, Corumbá, Paranaiba, Coxim.
Esta estrada primitiva cortava diversos rios e córregos, entre outros, o Miranda, o Apa, Feio, Desbarrancado, Santo Antonio, Nioaque. Urumbeva. Imagem Google
Earth Pro 2016. Data da Imagem 01/04/2015 – Adaptação e copilação JVD

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Figura 54 - Vista Parcial do Rio Feio, no atual Município de Guia Lopes da Laguna, Mato Grosso do Sul, Brasil, a antiga estrada de acesso da época, por onde passaram as
Tropas Paraguaia na invasão de 1864; a resistência e confronto das tropas Brasileiras sob o comando do Capitão Pedro José Rufino e do Tenente Coronel Dias da Silva.
Também por este caminho passaram as Tropas brasileiras sob o comando do Coronel Camisão em 1867. Deste ponto seguia para a travessia de outro rio, o Santo Antonio.
Acesso para chegar a Nioaque. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 23/04/2013 – Adaptação e copilação JVD. (História. Conforme Campestrini durante a Guerra
da Tríplice Aliança (1864-1870), neste rio, o coronel Resquin, comandante paraguaio, intimou à rendição a tropa brasileira, comandada pelo tenente-coronel José Antônio
Dias da Silva. IHG-MS.

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Ocorrências entre 1864 – 1866 na Provícia de Mato Grosso e na República do Paraguay
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Figura 55 - Vista Parcial do “Rio Santo Antonio”, no atual Município de Guia Lopes da Laguna, Mato Grosso do Sul, Brasil, a antiga estrada de acesso da época, por
onde passaram as Tropas Paraguaia na invasão de 1864; a resistência e confronto das tropas Brasileiras sob o comando do Capitão Pedro José Rufino e do Tenente
Coronel Dias da Silva. Também por este caminho passaram as Tropas brasileiras sob o comando do Coronel Camisão em 1867. Deste ponto seguia para a travessia
de outros rios o Feio e o Desbarrancado. Acesso para chegar a Nioaque. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 01/04/2015 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 56 - Vista Parcial do “Rio Desbarrancado”, no atual Município de Guia Lopes da Laguna, Mato Grosso do Sul, Brasil, a antiga estrada de acesso da época, por
onde passaram as Tropas Paraguaia na invasão de 1864; a resistência e confronto das tropas Brasileiras sob o comando do Capitão Pedro José Rufino e do Tenente
Coronel Dias da Silva. Também por este caminho passaram as Tropas brasileiras sob o comando do Coronel Camisão em 1867. Deste ponto seguia para a travessia de
outros rios o Feio, Santo Antonio, Canindé e Nioaque. Acesso para chegar a Nioaque ou as Colonias Militar de Miranda, Dourados ou a fronteira da República do
Paraguai. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 01/04/2015 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 57 - Vista atual da Rodovia BR-060 que interliga Guia Lopes da Laguna à Maracaju, Dourados, e outras localidades, nas proximidades da região conhecida como
"Santa Fé" e por onde atravessava a antiga estrada para chegar a Nioaque. Esta estrada até década de 1960 era conhecida pelo nome “Estrada Boiadeira”. E muito
utilizada para as comitivas de gado. Atualmente está toda demarcada por propriedades particular. Margeando a Serra de Marac aju. Por esta via transitaram os
primeiros povoadores e todas as tropas combatentes, Brail e Paraguai, na então Província de Mato Grosso. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem
01/04/2015 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 58 – Vista Panoramica sobre o “Rio Canindé”, a atual ponte e estrada. Acesso a Fazenda Jardim do Guia Lopes, Nioaque, Colonia de M iranda. Localizado nas
regiões limítrofes entre os Município de Guia Lopes, Maracaju e Nioaque. Os episódios mais marcandes do conflito da Guerra, ocorreram em 1867, conforme os
registros de Visconde de Taunay e outros documentos referentes as operações bélicas das Tropas brasileiras em operação no Sul da Provincia e Patrulhas Paraguaias.
Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 20/04/2013 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 59 - Vista Panorâmica do Rio Nioaque, antiga estrada de acesso para a Vila de Nioaque, Miranda e outras. Localizado no Municipio de Nioaque. MS. Fundos
do atua Quartel do 9º GAC, pelo Bairro Baia. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 20/04/2013 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 60 – Vista Panorâmica da atual cidade de Nioaque, no Estado de Mato Grosso do Sul. Palco de diversos eventos do conflito da Guerra do Paraguai, antes,
durante e depois. Como Ponto Estratégico Terrestre serviu de base tanto para os paraguaio durante a ocupação; quanto as tropas Brasileiras comandadas pelo
Coronel Camisão em 1867. Sofreu por parte dos paraguais duas investidas, destruição, em 1865 e 1867. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem
20/04/2013 – Adaptação e copilação JVD.
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Figura 61 - Vista Parcial do local onde se localizavam os antigos Quarteis, casas, e a igreja no período dos Conflitos entre Paraguaios e Brasileiros. Atualmente esta
assentada a Escola Estadual Odete Ignez Resstel Villas Boas. Imagem Google Earth Pro 2016. Data da Imagem 20/04/2013 – Adaptação e copilação JVD.

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Figura 62 - Fotografia do Antigo Quartel de Nioaque, sediou o Corpo de Cavalaria. Quartel que foi reconstruído em 1872, logo após o término da Guerra do
Paraguai. Sua Localização original foi no local onde está o prédio da Atual Escola Estadual Odete Ignêz Resstel Villas Boas. Extraído do Livro NIOAQUE NO
CONTEXTO DO SÉCULO XIX - Na História do Mato Grosso do Sul - Guerra do Paraguai – Volume 1. José Vicente Dalmolin

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Figura 63 – Panorâmica das principais localidades onde ocorreram eventos relativos ao conflito da Guerra do Paraguai, relativo à
Invasão da Província de Mato Grosso. Imagem feita com marcador no Google Earth Pro 2016. Adaptacão e copilação JVD.

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Figura 64 - Vista Panoramica da cidade de Miranda, as margem do mesmo rio, no Mato Grosso do Sul, Brasil. A Antiga Vila de Miranda fora ponto estratégico do
povoamento do sul da Província de Mato Grosso. Durante a Guerra do Paraguai ali estiveram as tropas das duas Nações, Brasil e Paraguay. Imagem 09/08/2013
Google Earth Pro 2016. Adaptacão e copilação JVD.

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Figura 65 - Desenho inédito do Visconde de Taunay retratando o Quartel na Vila de Miranda (entre setembro e
dezembro de 1866) - Na parte superior, em francês: "O fogo colocado pelos paraguaios no interior da construção não se
propagou a toda ela por causa de uma tempestade que desabou no dia seguinte a saída das forças inimigas. As árvores
do último plano, margeiam o Rio Miranda à umas cem braças mais ou menos do quartel". A seguir, em baixo, em
português: "Quartel de Miranda - Edificado no lugar da antiga estacada, a que chamavam de forte. Bons prédios acham-
se todos destruídos pelo fogo: a vila oferece aspecto desolador". Entre setembro e Dezembro de 1866. Texto imagem
http://www.retiradalaguna.hpg.ig.com.br/ 18.12.2004

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Figura 66 - Vista Panorâmica da região do “Salobra”. Salobr aRio, afluente, pela margem esquerda, do rio Miranda, no município de Bodoquena.
Bacia do rio Paraguai. Suas nascentes se localizam na serra da Bodoquena; parte de seu alto curso é limite entre os municípios de Miranda e
Bodoquena; sua foz se localiza no município de Miranda. História, na foz do Salobra refugiaram-se numerosos moradores de Miranda, em face da
invasão das tropas paraguaias nos primeiros dias de 1865. Entre aqueles estava frei Mariano de Bagnaia, que logo depois seria feito prisioneiro e
levado para a República do Paraguai em 1865. IHG-MS. Imagem 09/08/2013 Google Earth Pro 2016. Adaptacão e copilação JVD.

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Figura 67 - Vista Panorâmica da cidade de Coxim, no Norte do Estadode Mato Grosso do Sul. Localidade ocupada pelos Paraguaios na invasão e também ponte de
encontro das Tropas Brasileiras que atuaram no Sul da Província de Mato Grosso. Ponto limítrofe das tropas terrestre que marcharia para Cuiabá ao Norte ou à
Miranda, Nioaque ao Sul. Imagem 01/10/2015 Google Earth Pro 2016. Adaptacão e copilação JVD.

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Figura 68 - Vista Panorâmica da região do Taboco: Rio, mata, estrada, localização. Norte da cidade de Aquidauana, no
cruzamento da Rodovia MS-419. “O rio Taboco é um rio do estado de Mato Grosso do Sul, Brasil. Nasce na região de Taboco,
um distrito de Corguinho que tem seu nome em homenagem ao Rio. Em seu caminho, passa pela Cidade de Cipolândia, já no
Município de Aquidauana. Desagua no Rio Negro, na região do Pantanal da Nhecolândia, após aproximadamente 250km
desde sua nascente”.( https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Taboco). Imagem Google Mapa 2016. Adaptada e copilado por JVD.

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Figura 69 – Vista panorâmica da cidade de Paranaiba, no Leste do Estado de Mato Grosso do Sul. Antiga denominação de “Santana do Paranayba”, na divisa com
o atual estado de Minas Gerais. Margem do Rio Paranaiba. Portal de entrada dos principais povoadores do Sul de Mato Grosso. Também foi rota para a Capital
Cuiabá. Paranaíba teve importante papel na Guerra do Paraguai, pois foi rota de apoio logístico para a fuga dos civis envolvidos nesse conflito, das regiões de
Nioaque, Miranda e das Comunidades rurais. Até mesmo parte das tropas militares que não foram para Cuiabá, refugiaram em Paranaiba. Imagem 31/01/2014
Google Earth Pro 2016. Adaptacão e copilação JVD.

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