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A classe dirigente – Gaetano Mosca in Sociologia política

Gaetano faz parte dos teóricos da teoria das elites, isso não quer dizer que
parta das mesmas analises que Pareto e Michels, como cada um desses autores
reservam para si sua especificidade na elaboração e compreensão das elites, mas nos
iremos nos depreender na concepção única de Mosca. Ao iniciar o texto que ora
estaremos usando como fonte teórica, Mosca diz “em todas as sociedades [...]
aparecem duas classes de pessoas: uma classe que dirige e outra que PE dirigida”
(MOSCA, ANO-51) e analisando a classe dos dominantes sempre será reduzida e
pequena, enquanto a dos dominados será maior numericamente, mais na frente o
autor irá explicar com detalhes a proporção de pessoas de cada classe e a relação
que se dar em detrimento de se tornar elite. E dentro dessa elite dominante, sempre
irá sobrepor-se um indivíduo que será denominado chefe ou líder dessa elite dirigente
ou quando não se forma um núcleo de duas ou três que desempenham essa função,
nessa perspectiva a força política esta imbricada na identidade da elite, mas para que
a dominação dessa elite seja respeitada pela maioria é fundamental ter uma classe em
volta da elite para impor o respeito, e por mais que haja a sublevação da classe
inferior, seria necessário surgi dentro dessa maioria certa minoria para administrar,
ordenar e exerce a função dirigente (MOSCA, ANO, p.52).

Em tom de polêmica o autor sucinta o debate sobre democracia e a


compreensão que se tem dessa palavra, é importante frisar que a “teoria das elites”
sempre foi classificado como autoritária se chocando radicalmente aos que defendem
a democracia. Mas retornando o texto Mosca, vai dizer que independente do regime
político sendo monarquias absolutas ou limitadas e repúblicas, sempre haverá uma
pessoa ou mais na direção.

Retornando sobre a importância da quantidade numérica de cada grupo tem na


sociedade para se tornar elite, o autor que dizer que a elite deve ser pequena, pois só
assim poderá ser coesa, organizada e diligente nos afazeres para se manter enquanto
tal, diferente da classe inferior que por mais que seja grande, esse fator é
preponderante na sua fraqueza e dificuldade de articulação política em busca de
interesses comuns e essa própria minoria terá certos atributos que a valoriza
possibilitando ser elite.

Ao mesmo tempo, a minoria é organizada exatamente por ser uma minoria.


Cem homens agindo uniformemente e em conjunto, com uma mesma
compreensão das coisas, triunfarão sobre mil homens que não estão de
acordo e que portanto podem ser encarados individualmente. (MOSCA, ANO,
54)

Em sociedades antigas o principal atributo para se elevar a elite dominante, seria


reter a força militar que elevaria perante outros grupos até mesmo de agricultores,
essa situação se constatou em sociedades da Ásia e Ocidente, mas na modernidade o
atributo mudou, não ficando reservado ao guerreio ser a classe dominante, mas aos
que retém riquezas, os ricos são para Mosca na atualidade a elite, não só pela
riqueza, mas pela facilidade que provém da situação, como poderem encurtar ou nem
mesmo passar pelos caminhos difíceis e árduos da vida, e podendo ocupar cargos e
funções de prestígio na sociedade. Sobre a perpetuação da classe dirigente, o autor
cita a formação de castas e a hereditariedade de poder, não se baseando na exclusiva
relação consanguínea, mas pelas oportunidades de formação que os filhos das elites
tem para que possam perpetuar sua dominação e pelo direito a herança, indo
contrariamente ao debate de hereditariedade de teor evolucionista a qual cita
Gumplowics representante desse pensamento, que buscando uma adaptação para o
social da teoria de Darwin, da seleção natural. O que poderia fazer determinada classe
dominante perder o caráter de elite levanta um leque de possibilidades que poderiam
ser ele o descontentamento com o serviço prestado, uma nova fonte de riqueza não
conseguiu controlar, perdendo para outro grupo e etc. quando isso ocorrer se abre um
momento em que as potências individuais podem ser testadas, que por ventura se
chama de revolução que nada mais é uma renovação na constituição de uma nova
elite dominante.